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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

COMARCA DE SÃO PAULO


FORO REGIONAL III - JABAQUARA
2ª VARA CÍVEL
RUA JOEL JORGE DE MELO, 424, São Paulo - SP - CEP 04128-080

SENTENÇA

Processo nº: 003.08.107679-8


Classe - Assunto Monitória - Assunto Principal do Processo << Nenhuma informação
disponível >>
Requerente: Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo - Bancoop
Requerido: Rosa Nilde Aparecida Rubio

Juiz(a) de Direito: Dr(a). Alexandre Batista Alves

Se impresso, para conferência acesse o site http://esaj.tj.sp.gov.br/esaj, informe o processo 003.08.107679-8 e o código 030000000W8X7.
Vistos.

COOPERATIVA HABITACIONAL DOS


BANCÁRIOS DE SÃO PAULO- BANCOOP ajuizou ação monitória
contra ROSA NILDE APARECIDA RUBIO, alegando, em síntese, que é
credora da importância de R$35.951,97, que corresponde ao resíduo final do
Termo de Adesão e Compromisso de Participação firmado entre as partes.

A petição inicial veio instruída com documentos (fls.


11/48).

Citada, a ré ofertou embargos (fls. 227/252) e argüiu

Este documento foi assinado digitalmente por ALEXANDRE BATISTA ALVES.


preliminar de impossibilidade jurídica do pedido. No mérito, sustentou
basicamente que: a) ainda que se considere a existência de relação de
cooperativismo, seria imprescindível que o rateio fosse justificado, bem
como comprovados os gastos excedentes, o que não ocorreu; b) foi
reconhecida a ilegalidade da cobrança em ação coletiva; c) é nulo o contrato
que deixa ao arbítrio de uma das partes a fixação do preço; d) não há
inadimplência porquanto inexiste débito vencido, devendo a autora ser
condenada como litigância de má fé.

Sobreveio manifestação da autora sobre os embargos.

É o relatório.
Fundamento e Decido.

003.08.107679-8 - lauda 1
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A matéria debatida nos autos é somente de direito e de fato


comprovável por meio de prova documental, autorizando o julgamento
antecipado da lide, nos termos do art. 330, I, do CPC.

Ademais, com o que consta dos autos, já se pode solucionar


o litígio, pois “ o Juiz somente está obrigado a abrir a fase instrutória se,
para o seu convencimento, permanecerem fatos controvertidos, pertinentes e
relevantes, passíveis de prova testemunhal ou pericial”(JTACSP-LEX
1400/285 Rel. o eminente Juiz, hoje Desembargador, Boris Kauffmann).

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A preliminar de impossibilidade jurídica do pedido, em
verdade, fere o mérito da causa, de modo que a sua apreciação conduzirá á
procedência ou não do pedido e não ao decreto de carência.

Improcede a ação monitória.

Trata-se de ação monitória na qual se discute a


exigibilidade ou não do resíduo cobrado pela autora a título de diferença de
custo da obra relacionado ao empreendimento Condomínio Residencial Vila
Mariana.

Embora o contrato preveja a possibilidade da cobrança de


resíduos ao final, a cobrança destes somente é exigível quando devidamente
demonstrados, calculados e provados, hipótese não configura nos autos.

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Com efeito, a ação monitória está calcada apenas em
“Relatório de Conta Corrente” (fls. 40/41), documento que não se presta a
demonstrar a apuração da diferença de custo da obra, bem assim de sua
especificação e forma de rateio, com a aprovação pela assembléia geral.

Em caso semelhante, assim decidiu a 4ª Câmara de Direito


Privado do E. Tribunal de Justiça de São Paulo:

“Compromisso de Compra e Venda- Ação monitória para


cobrança de saldo residual a título de custo de construção-
Negócio jurídico sob a forma de adesão a empreendimento
imobiliário vinculado a associação- Indeferimento de
requerimento de suspensão do recurso de apelação-
Discussão já abrangida em ação coletiva proposta pela

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associação de adquirentes das unidades, que ainda se


encontra pendente de julgamento definitiva, sem a coisa
julgada 'erga omnes' do art. 103, III, do CDC- Inexistência
de óbice ao julgamento prévio da ação monitória- Mérito-
Pagamento de todas as parcelas contratuais, previstas no
quadro-resumo do termo de adesão ao empreendimento-
Previsão contratual da cobrança de saldo residual- a título
de diferença de custo de construção- Peculiaridades do
caso concreto- Cobrança, após um ano e em conta-gotas
(venire contra factum proprio) por parte da cooperativa e

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conduta atentatória contra a boa fé objetiva, por deixar os
cooperados em situação de eterna insegurança-
Manutenção da sentença de improcedência da ação.
Recurso improvido” (Apelação Cível n. 632.429.4/6-00).

No mesmo sentido, confira-se a Apelação Cível n. 591.660-


4/2-00, relatada pelo Desembargador Ênio Santarelli Zulliani:

“Cooperativa- Ação monitória com o fim de cobrar


resíduos dos compradores- O fato de a cooperativa
habitacional invocar o regime da Lei 5764/71, para
proteger seus interesses, não significa que os cooperados
estejam desamparados, pois as normas gerais do contrato,
os dispositivos que tutelam o consumidor e a lei de
incorporação imobiliária, atuam como referências de que,

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nos negócios onerosos, os saldos residuais somente são
exigíveis quando demonstrados, calculados e provados.
Inocorrência- Não provimento”.

Nem se alegue que os documentos juntados a fls. 443/496


são suficientes a embasar a cobrança. A aprovação de todas as contas pelos
cooperados não implica aprovação da apuração do resíduo, nem da forma de
rateio entre os compradores. Nada disso foi deliberado em assembléia.

Na medida em que a ré é responsável por inúmeros


empreendimentos, seria necessária a apuração específica do saldo final de
cada obra e ao seu término, bem como a forma de rateio entre os seus
adquirentes, tudo evidentemente com a aprovação pela assembléia geral,
sob pena de se reconhecer a ilegalidade da cobrança. Nessa linha de

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entendimento, confira-se a Apelação Cível n. 680.841.4/2 do TJ/SP, sob a


relatoria do Desembargador Maia da Cunha.

Com esse quadro, a improcedência da ação monitória é de


rigor. Deixo, contudo, de condenar a autora às penas de litigância de má fé,
visto que se limitou ela a exercer o direito constitucional de ação, não se
divisando as hipóteses taxativamente previstas no rol do art. 17 do CPC.

Ante o exposto, JULGO IMPROCEDENTE a ação


monitória e extingo o processo com resolução de mérito, nos termos do art.

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269, I, do CPC.

Vencida a autora, arcará com o pagamento das custas,


despesas processuais e honorários advocatícios, arbitrados estes em 10% do
valor atualizado da causa.

P.R.I.

São Paulo, 21 de setembro de 2010.

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