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24/05/2018 CMI Brasil - O Orientalismo hoje

Outras mídias
O Orientalismo hoje
Por Por Emir Sader 24/07/2005 às 02:58

A reatualização da trama desse discurso e da prática que lhe corresponde é uma


necessidade permanente da luta por um mundo justo e solidário.

As teses de Edward Said sobre o orientalismo se tornaram clássicas, com as ambigüidades


dessa projeção: são consolidadas, legitimadas, difundidas, mas ao mesmo tempo são
domesticadas, tem seu poder subversivo neutralizado e passam a repousar tranqüilamente
nas bibliografias e nas bibliotecas.

No entanto, talvez nenhuma outra obra seja tão subversiva das relações de poder atuais
do que o Orientalismo, de forma que vale sempre a pena, periodicamente, voltar às teses
Publique! que a sustentam. Há muito tempo a estratégia imperial e a cultura hegemônica no
Publique o seu vídeo, áudio,
imagens e textos diretamente Ocidente não difundiam de forma tão sistemática e aberta sua visão bipolar entre
do seu navegador. “civilização e barbárie”, que fundamenta a visão neocolonial e imperial do mundo

Notícias Said define o orientalismo em três planos distintos. Em primeiro lugar, o orientalismo é
Cobertura imediata dos uma disciplina acadêmica do Ocidente que estuda o que define como Oriente. Esta
acontecimentos ligados aos
novos movimentos. disciplina cria, então, um corpo de conhecimentos que - articulando conhecimento e poder
-, nas mãos dos agentes imperiais, lhes permite conquistar poder. O terceiro plano é
Política Editorial aquele que codifica aquelas análises e esta ação política no esquema Ocidente/ Oriente,
Saiba sobre a política de recobrindo as outras bipolaridades que lhe dão sentido: desenvolvido/ bárbaro, avançado/
publicação do CMI. primitivo, novo/ antigo, superior/ inferior, racional/ irracional, pacífico/ violento,
progresso/ atraso.
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democratização da mídia. O Oriente é criado pelo Ocidente e instituído como ente com características do “outro” do
Ocidente, portador de traços desqualificados, degradados: crueldade, decadência,
Contato ignorância, traição, brutalidade. A literatura “vitoriana” considera o Oriente como “um
Mande sua mensagem para grande harém”, com as respectivas perversões e prazeres incluídos, objeto da colonização
nós. e da realização cruel dos desejos reprimidos pela sociedade vitoriana. As minas do rei
Salomão constrói um discurso patriarcal para assumir o controle da mulher colonizada,
Ajuda como bem material pertencente ao botim a ser apropriado. Como todo bom estereótipo,
Como publicar as suas notícias
em diferentes formatos. todos os personagens locais aparecem sem identidade própria, achatados, homogêneos,
sem individualidade.
Sobre o CMI
Conheça os princípios do No discurso ocidental, as princesas muçulmanas são representadas como seres pérfidos,
Centro de Mídia Independente. pervertidos e egoístas, buscando demonstrar que não há vida decente para além das
fronteiras da família ocidental e cristã. Em Shakespeare, o Oriente representava a
Bate-papo do CMI gratificação dos sentidos, o desejo sexual e o esquecimento dos assuntos do mundo. Em
Acesse a nossa sala de bate-
papo. contraposição, Roma aparecia como um lugar de confiança e de respeitabilidade.

Apoie o Indymedia Em A casa de chá do luar de agosto, os norte-americanos conseguem recrutar uma gueixa
Conheça os outros projetos do que trabalha para eles - sintoma de humanidade. Mas resta sempre a desconfiança de que
CMI e contribua com a mídia uma recaída a faça reassumir os valores bárbaros dos seus ancestrais.
independente.

Da mesma forma que a catequização nas Américas era deduzida da visão “bárbara” dos
Artigos Escondidos
Matérias repetidas, sem povos indígenas, a “civilização” se impunha como tarefa do Ocidente, diante da “barbárie”
conteúdo ou que violam a oriental. Estavam dadas as condições para a submissão - incluída a escravidão - e até
Política Editorial. mesmo para o extermínio - que assume hoje a forma das “guerras humanitárias”. Perry
Rede CMI Brasil Anderson demonstra exaustivamente na New Left Review número 31 como os que se
consideram humanistas kantianos, liberais, como Habermas, Bobbio e Rawls, terminaram,
Página estática dos coletivos. ao assumir os valores ocidentais como universais, apoiando as “guerras justas” em nome
do humanismo.
Brasília
Campinas A construção do discurso e da prática do imperialismo teria sido impossível, assim como
Caxias do Sul
Curitiba sua perpetuação, sem o orientalismo - essa forma de criminalização do “outro”. A
Florianópolis Alemanha, protagonista da maior “limpeza étnica” da história da humanidade, foi sempre
Fortaleza poupada pelo discurso - e pelo cinema - estadunidenses. A reatualização da trama desse
Goiânia
Joinville discurso e da prática que lhe corresponde é uma necessidade permanente da luta por um
Porto Alegre mundo justo e solidário.
Rio de Janeiro
Salvador
São Paulo
Emir Sader socilogo e professor da Universidade de So Paulo (USP) e da Universidade do
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Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Autor do livro A Vingana da Histria, Editora Boitempo,
membro do Conselho Cultural e Cientfico do Instituto da Cultura rabe.
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URL:: http://www.iraribe.org
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Pobre Walter Benjamin
Tópicos Eros Fabiano 26/07/2005 01:54
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áfrica do sul Discordo com o relato de que os alemães foram poupados pelo cinema. Passei a infância
ambazônia assistindo filmes do tipo alemães-bandidos versus americanos-mocinhos. E nos livros
estreito de gibraltar aprendi por quem e prá quê a indústrtia cinematográfica de Holywood foi fabricada.
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