ELO 21 YONNE – AGENDA 21 DO COLÉGIO ESTADUAL YONNE MARI A SIQUEIRA DE ANDRADE

BÁRBAR A DE CASTRO DI AS (barbara.dcd@gmail.com) & MARI A CLAUDI A CANTANHEIDE (cantanheideclaudia@gmail.com)

Figura 1. C.E. Yonne Maria Siqueira de Andrade visto do lado oposto da Av. Rio São Paulo (BR 465), no fundo a Serra do Marapicu (APAGericinó-Mendanha).

1. CONTEXTUALIZAÇÃO

O Colégio Estadual Yonne Maria Siqueira de Andrade se localiza no Município de Nova Iguaçu, na Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro. Foi fundada em oito de Março de 1983 e possui 26 anos de existência. No ano de 2002 após passar por um longo período de reforma, teve seu prédio completamente ampliado e reformado entregue a comunidade. Atualmente possui 115 servidores públicos e 1665 alunos, num total de 43 turmas que estudam durante os três turnos de funcionamento (manhã, tarde e noite). Dispõe de 14 salas de aula, uma Sala de Leitura, uma Sala de Informática, um amplo refeitório e uma quadra de poliesportiva coberta. O C.E. Yonne Maria Siqueira de Andrade se localiza no Bairro do Parque São Francisco de Paula, popularmente conhecido como o km 32 da Antiga Estrada Rio São Paulo (BR 465). O bairro situa-se em área urbana, com intenso fluxo de veículos automotivos. O km 32 teve seu crescimento a partir de 1970, no entanto, ainda hoje muitas ruas do bairro não possuem asfaltamento e saneamento básico, sendo o esgoto sanitário desviado para os corpos hídricos que cortam o bairro, principalmente para o Rio Guandu-Mirim, limite entre os municípios de Nova Iguaçu e Rio de Janeiro e cortando o Rio Guandu, limite entre os municípios de Nova Iguaçu e Seropédica. Não há coleta regular de lixo pela Prefeitura de Nova Iguaçu, e muitos moradores depositam seu lixo em terrenos baldios e queimam para evitar o acúmulo e visita indesejada de animais como ratos, baratas e moscas. No bairro do Km 32 destacamos ainda presença da Fábrica da AMBEV – Companhia de Bebida das Américas – que gera emprego para muitos moradores da região e a Estação de Tratamento de Água da CEDAE - Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro. A Unidade de Conservação mais próxima do KM 32 é a Área de Proteção Ambiental (APA) do Gericinó-Mendanha que cobre uma área de 10.500 hectares e se localizada na divisa dos municípios do Rio de Janeiro e Nova Iguaçu.
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Figura 2. Foto Satélite obtida através do Programa “Google Earth” versão 5.0, da área do Km 32. Na imagem podemos observar o grande complexo da fábrica da AMBEV; o Rio Guandu-Mirim que deságua na Baía de Sepetiba; no centro da imagem o C.E. Yonne Maria Siqueira de Andrade e sua proximidade com a APA Gericinó-Medanha; acima a ETA da CEDAE.

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2. MOBILIZAÇÃO DA COMUNIDADE

Projetos de Educação Ambiental devem estar relacionados à tomada de consciência e de reflexões críticas necessárias a uma ação transformadora e integrativa, além de serem desenvolvidos em longo prazo e de forma permanente, com finalidade de sensibilizar e transformar toda comunidade na qual a escola está inserida. Com o objetivo de mobilizar o maior número de estudantes, pais, funcionários e professores a participarem ativamente desse Projeto, inicialmente foram feitos cartazes (figura 3) que serviram de convite a toda comunidade escolar a participar da Primeira Reunião do Espaço Livre de Organização e Ações Sócio-Ambientais Locais, o ELO 21 Yonne. Esses cartazes foram espalhados em pontos estratégicos da escola e contavam com fotos tiradas pela professora Bárbara C. Dias de alguns problemas sócio-ambientais, previamente já identificados durante suas práticas pedagógicas, e muito comuns no km 32 como, por exemplo, falta de saneamento básico e coleta regular do lixo. Foi criado também um “Blog” [http://yonne-elo21.blogspot.com], para ser um canal virtual onde são avisadas as reuniões e pautas futuras; o que foi decidido em reunião; lista de participantes; registro e divulgação das ações e dos Projetos de Educação Ambiental do ELO 21 Yonne. Após a primeira reunião e ao longo das semanas foi proposto pelos professores em suas turmas que os estudantes fotografassem os principais problemas do seu bairro, para documentação visual do que os envolvidos nesses problemas consideram de mais grave. Supomos que os sensibilizando para esses problemas, seria uma forma de aumentar suas percepções sobre os problemas sócio-ambientais e possivelmente o primeiro passo para a mudança de posturas individuais e transformação de multiplicadores das idéias que serão discutidas no decorrer das atividades e reuniões futuras do ELO 21 Yonne.

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O Jornal Mural a Voz do Yonne que teve sua inauguração realizada no dia 26 de Junho de 2009 após um concurso que escolheu seu nome e logomarca. Esse Jornal Mural e veio também reforçar a divulgação e ações de Educação Ambiental, realizadas pelo ELO 21 Yonne, além de ser uma ferramenta de livre expressão dos estudantes.

Figura 3. Na esquerda, cartaz de divulgação e convite a primeira reunião do ELO 21 Yonne. Acima à direita estudantes que participaram da seleção da Logomarca do Jornal Mural. Abaixo a equipe editorial do Jornal Mural.

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3. ELO 21

O ELO 21 Yonne – “Espaço Livre de Organização de Ações Sócioambientais Locais” (CADEI et al, 2009), foi criado no C.E. Yonne Maria Siqueira de Andrade com o principal objetivo identificar os problemas socioambientais utilizando métodos de diagnóstico participativo e propor coletivamente soluções para a resolver e/ou minimizar esses problemas, com ações previstas através dos projetos de Educação Ambiental. As reuniões do ELO 21 Yonne acontecem semanalmente, em horários e locais fixos definidos pelos seus integrantes. Temos como coordenadoras das atividades do ELO 21 Yonne as professoras inscritas no Curso de Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar: Bárbara C. Dias e Maria Claudia Cantanheide; além de contar com algumas participantes da equipe do corpo docente do C.E. Yonne, as Professoras: Manuela Pinho, Maria Auxiliadora, Cristiane Rebello, Jovana Mello, Mônica da G. Pereira e Marise Bulamaqui participantes das Reuniões e produção do Jornal Mural A Voz do Yonne. Os estudantes mais diretamente envolvidos nas Reuniões do ELO 21 Yonne são aqueles inscritos no Curso: Félix Jr e Jeneffer da Silva; além da equipe editorial do Jornal Mural A Voz do Yonne: Wagner Venâncio, Anna Júlia Silva, Michael Marinho, Débora Damares, Sara Martins, Lidiane Melo, Lorranny Ramos, Davidson Luís dos Santos e Erickson A. Santos. A construção da Agenda 21 Escolar se dá nesse âmbito da Realização das Reuniões do ELO 21 Yonne, onde são debatidos e levantados os principais problemas da Comunidade Escolar e Km 32. Os estudantes são os responsáveis por apontar os problemas que eles consideram mais graves e urgentes, pois são esses mesmos que em suas realidades mais diretamente afetados. Os mesmos são os responsáveis em conjunto com os professores proporem soluções de intervenção para solucionar e/ou amenizar esses problemas. Essa construção da Agenda 21 Escolar conta ainda com os relatos de demais estudantes durantes as práticas pedagógicas dos professores em sala de aula e envolvidos incentivando os alunos a perceberem a realidade e os problemas sócioambientais. Dentro dessa perspectiva esperamos que a nossa Agenda 21 Escolar seja condizente com a realidade local e o mais participativa possível.
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Figura 4. Foto de uma das Reuniões do ELO 21 Yonne que se realiza todas as Quintas-feiras na Sala de Leitura do Colégio.

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4. DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL DA REALIDADE O Diagnóstico sócioambiental da realidade se deu através de duas técnicas conforme proposto por Cadei et al (2009): Histórias e citações tratando-se de registro das histórias locais, oralmente transmitidas associada a dizeres populares e de Caminhada fotográfica que visou um diagnóstico por meio de trabalho de campo com registro fotográfico, o que possibilitou a identificação dos principais problemas e das potencialidades do local por imagem. Pretendeu-se com a narrativa de histórias e citações, coletarmos informações sobre a localidade e contribuir para o aumento da percepção de como os estudantes se relacionam com o meio, por intermédio de suas vivências no ambiente escolar e no ambiente do Km 32. Conforme Sato (2001) é pelo diálogo que se dá o auto-reconhecimento e reconhecimento do outro, em um encontro o qual saímos modificados, e ao mesmo tempo, com um confronto individual mais nítido, trata-se assim de um confronto criativo e que aproxima, e ao mesmo tempo enriquece as vivências. Após os diálogos e desenvolvimento da percepção, foi pedido aos estudantes que moram no do km32 que fotografassem os principais problemas da escola e do seu bairro, com esta estratégia visamos sensibilizar os envolvidos para os problemas locais que eles vivenciam no seu cotidiano. Assim detectamos os problemas (figura 5) que afetam a qualidade de vida da localidade do km 32 como, por exemplo, lixo, falta de saneamento básico, falta de água encanada, falta de atividades culturais, desmatamentos, enchentes, violência urbana. Dentre as potencialidades (figura 5) foram identificadas a proximidade do Colégio da APA Gericinó-Mendanha, as praças existentes na localidade, os projetos já desenvolvidos no Colégio, como por exemplo, a Escola Aberta e Programa Mais Educação; e a proximidade do Colégio com empresas como a AMBEV e CEDAE, além do comércio local que podem se tornar potenciais parceiras nos projetos de Educação Ambiental.
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Segue abaixo o quadro resumo com mais detalhes sobre os principais problemas e potencialidades detectados a partir do diagnóstico sócioambiental: RETRATO DA REALIDADE Nível de Gravidade Problema Lixo Alto x Médio Baixo Observação O lixo é um problema

sócioambiental do Colégio e da Comunidade. A escola é muito suja e desorganizada pela falta de funcionários e falta de

cuidado dos alunos com o patrimônio escolar. Muitas das vezes não há coleta regular de lixo pela empresa de Limpeza Urbana. Muitos moradores

inclusive queimam o lixo, pois a demora na coleta é enorme. Falta de Saneamento Básico e falta de x asfaltamento Muitas ruas do km 32 não possuem rede coletora de

esgoto e ruas asfaltadas.
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Falta de água encanada

x

Em algumas residências ainda ocorre a falta de distribuição de água potável.

Falta de acesso atividades Culturais

x

Não há Cinemas, Teatros e outros locais fixos onde possam se desenvolver atividades

artísticas no KM 32. Desmatamento x Ocorrem na ocasião em que pessoas retiram vegetação

original para a construção de casa. Enchentes x Ocorrem quando o escoamento das águas pluviais pelos ficam esgotos

prejudicados

residenciais que utilizam esta rede coletora como alternativa a falta de saneamento. Violência urbana x A região é disputada por

bandidos, milicianos, violência doméstica. Muito agravadas

pela falta de interferência do

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Estado trazendo Segurança ao km 32. Alta evasão escolar x Muitos alunos deixam a escola por inúmeros problemas sócioeconômicos. Nível de Potencialidade Potencialidade APA do Gericinó-Mendanha Alto x Médio Baixo Observação O km 32 está inserido

localizado numa das vertentes da Serra do Marapicu, e tem grande potencial de se tornar uma área de lazer e ecoturismo local e da Cidade de Nova Iguaçu. Praças x O km 32 possui algumas praças que podem ser revitalizadas para se tornar áreas de lazer para a população local. Escola Aberta x A escola participa do programa Escola Aberta que trás cultura, lazer e oficinas para a
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comunidade

e

poderia

ser

utilizada como fonte difusora das idéias do ELO 21 Yonne. Projetos x A escola participa do Programa Mais Educação do Governo Federal, o que pode ser mais uma fonte de mobilização das idéias do ELO 21 Yonne. Parcerias e Patrocínios x A escola se localiza com de numa muitas Parcerias

região

possibilidades

como a Fabrica da AMBEV e Estação de Tratamento de água da CEDAE.

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Figura 5. Problemas comuns do km 32: Lixo em terrenos baldios, falta de asfaltamento das ruas e esgoto a céu aberto. Como potencialidade temos proximidade com a APA Gericinó-Mendanha na foto visão do km 32 da Serra do Marapicu.

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5. ESTABELECENDO PRIORIDADES E METAS

Após o Diagnóstico sócioambiental detectamos a presença de oito problemas e cinco potencialidades no Km 32. A partir desse Diagnóstico foram discutidos em Reuniões do ELO 21 Yonne cada um deles com propostas de resoluções diante da realização de projetos de intervenção em Educação Ambiental. Chegamos à conclusão que muitos desses problemas a princípio fogem as nossas alçadas, como, por exemplo, falta de asfaltamento e saneamento básico na região, não impedindo certamente que a escola futuramente possa auxiliar na mobilização da comunidade local para que junto ao poder público possa haver solução para esses problemas. No entanto, demos prioridade aos problemas que poderiam ser trabalhados dentro das nossas realidades em ação com os estudantes do Colégio e Comunidade no entorno. Dentre os problemas que estavam ao nosso alcance, detectamos que não conseguiríamos resolver todos ao mesmo tempo, discutimos então prioritariamente aqueles que mereciam a nossa atenção e ação dentro das idéias de Desenvolvimento Sustentável. A problemática do lixo no Colégio Yonne Maria Siqueira de Andrade e Km 32 é muito grave e foi eleita então, como aquela na qual seria primeiramente trabalhada. Para isso pretendemos Implantar a coleta seletiva e criar um Ecoponto no colégio, visando incentivar a percepção ambiental e a necessidade de separação do lixo, e criar um campo vasto para inserção de temas como a reciclagem, reaproveitamento e reutilização do lixo, além da abordagem da questão do consumo e cadeia de produtividade. Esperamos assim com esse projeto sensibilizar os alunos quanto à necessidade da coleta celetiva do lixo e criação do ecoponto no colégio e sensibilização da comunidade para as questões do lixo além, de que o colégio possa com a coleta seletiva se transformar em um pólo receptador de materiais que serão recolhidos por uma cooperativa. Segue abaixo o quadro resumo com mais detalhes sobre os projetos futuros da nossa Agenda 21 Escolar:
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PLANEJANDO O FUTURO Ordem de prioridade 1 Problema Lixo Meta Prazo Parceiros Possíveis de AMBEV, CEDAE e

Coleta seletiva e criação de um Dezembro Ecoponto no Colégio Yonne 2011

comércio local. de AMBEV, CEDAE e

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Desmatamento da Serra do Reflorestamento Marapicu

da

vertente Dezembro 2015 Dezembro 2012 Prazo

voltada para o km 32 Diminuir a evasão

comércio local. de Projetos desenvolvidos no Colégio.

3. Ordem de prioridade 1

Alta evasão escolar

Potencialidade APA Gericinó-Mendanha

Meta

Aproximar a Comunidade do Dezembro Km 32 a esta Área de Proteção 2012 Ambiental

de AMBEV,

CEDAE

e

comércio local.

2

Projetos do Colégio e Escola Inserir o maior número de Dezembro Aberta alunos nos presentes futuros 2012 Projetos

de Projetos desenvolvidos no Colégio.

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6. REFERÊNCIAS

CADEI, M. S. et al. Educação ambiental e Agenda 21 Escolar: formando elos de cidadania: livro do professor. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2009. v. 01. 311 p. SATO, M. Debatendo os desafios da educação ambiental. Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, Rio Grande, v. 1, n. FURG, p. R14-R33, 2001.

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