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Deformações geométricas e velocidade
superluminal aparentes em objetos em
movimento relativístico

Article in Revista Brasileira de Ensino de Física · January 2007
DOI: 10.1590/S1806-11172007000300007

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Cláudio Cavalcanti Fernanda Ostermann
Universidade Federal do Rio Grande do Sul Universidade Federal do Rio Grande do Sul
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de massa relativística [2]. Revista Brasileira de Ensino de Física. this is that would be measured by the observer.org. 176 (2002)). um aro circular e uma esfera.br Deformações geométricas e velocidade superluminal aparentes em objetos em movimento relativístico (Apparent geometrical deformations and superluminal velocity on objects in relativistic motion) Cláudio José de Holanda Cavalcanti1 e Fernanda Ostermann Universidade Federal do Rio Grande do Sul Recebido em 19/2/2007. Copyright by the Sociedade Brasileira de Física. Normalmente. 5]. Essa tendência de abor. A relatividade restrita é. Por exemplo. J. por esse observador. é justamente das balho de 2002 [5] que abordou o tema da visualização transformações de Lorentz que surge o cerne da relati.cavalcanti@ufrgs. atenção da comunidade de pesquisadores da área de en- dar a relatividade restrita sem uso direto das transfor. embora pareça atraente. 3. (2007) www. deformações aparentes. 1. contracted in the di- rection of its motion. Os livros didáticos de Física normalmente induzem o leitor a pensar que objetos em movimento relativístico em relação a um certo observador são vistos. Physics textbooks usually lead the reader assume. contração mente recentes. que podem levar estudantes relativística. Phys. o assunto. O presente artigo vem complementar o tra- mações de Lorentz [1]. We also show that the apparent speed of some points of the object can be superluminal when it approaches the observer. relativa- os conhecidos efeitos de dilatação temporal. velocidade superluminal.sbfisica. Aceito 31/7/2007 Neste trabalho. erroneously. J. 663 (2005)). analisamos as deformações geométricas aparentes de três objetos em movimento relati- vístico: uma barra retilínea. Keywords: relativity. 73. n. Printed in Brazil. É destacada neste trabalho a diferença entre medir e ver. contraídos na direção do movimento. relativistic motion. 4]. a partir do último. In this work we stress the difference between measuring and observing. Palavras-chave: relatividade. 355-372. 663 (2005)). por exemplo. nos livros. pode não uma evolução conceitual de forma que eles compreen- 1 E-mail: claudio. É comum existirem erros conceituais. em relação ao momento linear física geral de ensino superior (ao menos nos de nível relativístico. ensino médio e encontraram diversos erros conceituais mento linear e. é comum. para então deduzir a partir delas Dois trabalhos de Ostermann e Ricci [4. fruto de uma interpretação sentadas as transformações de Lorentz. vidade restrita: a relatividade das medidas de compri. movimento relativístico. 176 (2002)). Actually. apparent deformations. são apre. sobre relatividade restrita em livros di- dada de forma muito superficial nos livros didáticos de dáticos. as pointed out in previous work.br. a energia cinética sobre relatividade restrita. continuing the previous one of Ostermann and Ricci (Caderno Catarinense de Ensino de Física 19. Mos- tramos também que a velocidade aparente de alguns pontos do objeto pode ser superluminal quando o mesmo se aproxima do observador. A relatividade restrita vem recebendo especial mento e tempo. we analyze some apparent geometrical deformations of three objects in relativistic motion: straight rod. de objetos em movimento relativístico. tração ou discussão. Deseja-se que os alunos consigam atingir mações de Lorentz. circular wire and a sphere. that objects relativistically moving in respect to a certain observer are seen. confirming previous results (Am. transformação de velocidades e mo. Phys. às vezes sutis. equivocada da transformação do momento linear [3. salvo algumas exceções. como continuação do trabalho de Ostermann e Ricci (Caderno Catarinense de Ensino de Física 19. In this work. . 29. sem demons. No entanto. Isso na verdade é o que seria medido por esse observador e não o que seria visto. Introdução levar ao entendimento mais profundo daquilo que ela realmente trata. É possível também encontrar na literatura e professores a desenvolver concepções errôneas sobre abordagens desses tópicos sem uso direto das transfor. different from that he sees. já apontada no artigo anterior. abor. aparecer o conceito introdutório) e ensino médio. by this observer. sino de física. 73. analisaram alguns livros didáticos de de comprimento. p. superluminal velocity. v. confirmando resultados anteriores (Am.

Berenguer e Selles [8]. apresentam concepções prévias latividade especial é tida como um exemplo de revo- a respeito de conceitos científicos. Ao mesmo tempo. já que rompeu com ser encarados como tábula-rasa [9]. tema aparecem tanto em alunos como em professores com períodos de revolução científica. brio. Críticas recentes afirmam que as estruturas Este trabalho não pretende abordar formas de cognitivas dos alunos e dos cientistas possuem diferen. os estudantes “tenderiam a destacados. Há Nessa abordagem. ou seja. O leitor que estiver interessado nesse tópico timer [13]. [20. A perturbação de uma con- • São comuns a estudantes de diferentes ambien. tal” [9]. causando um desequilíbrio que pode levar à so- respeito dos conceitos científicos eram. nos quais algumas de nível médio [7-9]. que os estudantes não se deparam com as fronteiras do co. Em suma. Apresentam uma certa semelhança superação da mesma pois “os alunos podem não reco- com concepções que estiveram vigentes ao longo nhecer uma perturbação e. da historia do pensamento. Não raramente os alunos flitos cognitivos podem não apresentar bons resultados. ou seja. side em como promover a mudança conceitual. os trabalhos de Ireson mundo cotidiano. mais intuitiva por estar presente no nosso dia-a-dia. dança conceitual que mais influenciou as estratégias de mas. ou seja. ambiente escolar vivenciado pelos alunos [13]. grama de pesquisa chamado movimento das concepções A modificação conceitual pode se estabelecer alternativas 2 [10. já que conceitos científicos podem ser apresentadas até mesmo pode causar o citado desequilíbrio nas concepções de por professores ou encontradas em livros didáticos. reside na aparência geométrica de corpos em movi- nhecimento. mesmo havendo o citado desequilí- mente mediante o ensino habitual. já que os alunos podem se proteger desses conflitos de les e de vários cientistas medievais: não há movimento várias formas. o que torna esse paralelo entre os relatividade restrita ou formas de inserí-la no ensino alunos e os cientistas sujeito a objeções. cepção não necessariamente implica uma conseqüente tes e idades. Segundo Mor. pelas já citadas diferenças entre o mundo científico e o las. possuem concepções semelhantes àquelas de Aristóte. São eles [13]: desenvolver cinturões protetores” [16. Concepções errôneas a respeito de restrita no ensino médio é importante de fato. existem pesquisas que apontam que esse desequilíbrio texto). Estudos nesse programa mostra. por exemplo. perar possíveis conflitos”. Em resumo. No entanto. períodos de “ciência normal”. Desde a década de conceitos tidos como sagrados na física como espaço e 70 há uma preocupação da comunidade científica em tempo absolutos. Ao contrário. 15]. pode ser simplesmente transposto para a sala de aula Pretende-se aqui. estão ainda vivenciando um mento relativístico com velocidade constante. “a discrepância empírica não é con- Um exemplo clássico de concepções alternativas dição suficiente para que ela assim seja observada como são aquelas normalmente apresentadas por alunos a res. tanto pelo modelo em si quanto respeito dos conceitos científicos ministrados nas esco. as estratégias baseadas nos con- peito de força e movimento. Um dos modelos de mu- o que envolve sua aplicabilidade em diversos proble. ao contrário do que acontece no mundo científico. poderiam criar hipóteses extras adaptando a velha con- cepção à perturbação” [13]. interessante e pouco explorada nos livros didáticos. médio. Sendo assim. dantes. Há críticas quanto à relação a essas idéias apresentadas pelos estudantes a adoção desse modelo. Scherr [19] ou Scher et al. professores e teorias sofrem contestações bem fundamentadas. trando que há outros aspectos importantes que devem minado conceito científico não é facilmente substituída ser considerados [9. deseja-se que reconheçam o mudança conceitual adotadas por alguns pesquisadores campo de validade da relatividade galileana. além de influ. Segundo ele. alunos enfrentam dificuldade em “reconhecer e viven- tos das chamadas concepções alternativas podem ser ciar conflitos”. con. abordar uma questão bastante pois. Beren- em um contexto permeado pela cultura científica não guer [6]. 11]. quando há desconforto da pessoa com sua própria con- ram que as idéias que os estudantes apresentavam a cepção. trabalhos que mostram que essa evolução conceitual é são intercalados períodos em que há um consenso na co- difícil de ser atingida e concepções errôneas sobre esse munidade científica a respeito de sua estrutura teórica. uma concepção alternativa sobre um deter. o estudantes e professores. Em outras não é suficiente para uma mudança conceitual. A re- estudantes em especial. bastante resistentes a mudanças. não se modificam facil- mudança conceitual. o problema re- que ajudaria a disseminá-las ainda mais entre os estu. Não haveria assim uma • São persistentes. Villani e Arruda [7]. processo de “enculturação”. Quando 2 Também chamadas concepções contextualmente errôneas. e um processo de mudança conceitual [18]. o mundo científico é bastante distinto do pode consultar. No entanto. Todas as pessoas. Foi no final dessa década que se abriu um pro. 21].356 Cavalcanti e Ostermann dam tudo o que a relatividade restrita traz de novo. bastante foi o da teoria das revoluções científicas de Kuhn [14]. não podem lução Kuhniana por alguns autores. mos- palavras. Mortimer [13] aponta que os pela concepção correta desse conceito. no caso de reconhecerem. a inserção da relatividade se não houver força. . por exemplo. promover mudança conceitual envolvendo a teoria da ças fundamentais. 17] em torno do núcleo central de suas idéias em vez de “tentarem su- • Parecem dotadas de certa coerência interna. fisticação ou refinamento das suas teorias. Alguns aspec. enciadas por uma série de fatores (visão pessoal.

como mostrado na Fig.25-27]. Distorções na aparência dos objetos vístico e foram abordadas nos trabalhos de Weiskopf e Kobras [28] e Weiskopf [29]. que objetos em movimento relativístico podem sofrer lativístico. mas observado a partir de outro referencial iner- trabalho de Rubio-Hernández et al. envolve concei- [26]. por exemplo. Neste trabalho serão utilizadas basicamente as nal das coordenadas aparentes do mesmo objeto. (1d) c 3 Distânciasbem maiores do que as dimensões do objeto. r(t = 0) = r (t = 0)). no instante t = t = 05 as ori- APARENTE. trabalhos que apresentam desenvolvimento matemático Ou seja. forma aparente de uma esfera em movimento relativís. caso fosse possível obter uma fotografia des. Além disso. observador em movimento são outro aspecto interes- sante da visualização de objetos em movimento relati. onde aparecem fotografias 2. teratura discutirem detalhadamente o tema. Será estudada também a velocidade ponto de vista de um observador estacionário e de um aparente dos pontos dos objetos. 5 Suponha. embora não seja complicado. As transformações de Lorentz relacionam as coordena- O mesmo autor desenvolveu também um sistema imer. fotografar ou observar. O que tográfico de uma hipotética câmera fotográfica ultra- é visto. de objetos tridimensionais em movimento relativístico vem sendo abordado há bastante tempo na literatura. a forma geométrica de alguns objetos em movimento mos da contração de comprimento [5]. Tal tratamento ma- sição real de cada ponto desse mesmo objeto no espaço temático. . do ponto de vista de um observador fixo. esse aspecto da relatividade. 2. aparente. ou seja. por exemplo em uma fotografia de um obje. das espaço-temporais (r. 4 No caso. Manoukian e Sukkhasena [26]. t ) do mesmo tivísticos na aparência dos objetos [29]. mais detalhado se concentram em visualizar projeções mente ignorado pela maioria dos livros texto de física. pode-se visualizar também como artigo de Deissler [25]. Um interessante artigo que aborda esse visualizar as deformações do objeto de diversos pon- aspecto e obtém essas equações de transformação é o tos de vista.Deformações geométricas e velocidade superluminal aparentes em objetos em movimento relativístico 357 é indagado como seria visto um objeto nessas condições. Pode-se inclusive derivar equações que transfor. a exemplo dos trabalhos de Deissler [25] e to tridimensional. não corresponde a rigor com a po. 32]) e Ricci [5] discute esse tema através da análise de livros didáticos de física. Há ainda o evento. No entanto. y = y (1b) zem também o leitor a pensar que as transformações z = z (1c) de Lorentz indicam que há uma deformação material  xv dos objetos em movimento relativístico (contração do t = γ t− 2 .1. na projeção bidimensio. os autores consta- tam que os livros induzem o leitor a confundir medir x = γ (x − v t) (1a) com ver. se deformam as regiões do objeto que são ocultas ao As transformações de fotografias obtidas do observador fixo. na película de um filme fo- sendo hoje ainda motivo de discussão [5. seria de (uniforme) relativístico que seria vista ou observada (di- se esperar que o objeto fosse visto achatado na direção ferente da que seria medida) por um observador fixo em paralela à sua velocidade. rápida). que a velocidade da luz é finita e. comprimento). Os Terrel [23] e Penrose [24]. [30] que analisa a cial S  que se move com velocidade v em relação a S. 1. Neste trabalho. Se o observador estiver posicionado a Apesar desses vários trabalhos publicados na li- uma distância grande o suficiente do objeto em movi. cepção errônea. Os autores discutem ainda qual seria é comum se esperar que a resposta seja dada em ter. ou seja.3 o objeto visto pelo observador é bem diferente desenvolvem matematicamente o problema. Isso permite ses objetos. isso é uma con. Esse tipo de trans. estejam inicialmente sincronizados. As transformações de Lorentz de objetos e lugares reais tanto do ponto de vista de um observador estacionário quanto de um em movimento. pelas transformações de Lorentz. a partir desse dois formação pode ser usada para estimar como seriam as aspectos. Se. poucos mento. relação a um referencial inercial. que se move junto com ele. Um trabalho publicado no Brasil por Ostermann as transformações de Lorentz se reduzem a ([31. serão estudadas as deformações geométricas deformações geométricas de objetos em movimento re. rencial inercial S com as coordenadas (r . gens O e O coincidem (ou seja. indu.4 como mente se resumindo apenas a uma discussão qualitativa estudado inicialmente por Lampa [22] e mais tarde por com visualização do fenômeno através de figuras. não rara- daquilo que é previsto pela relatividade restrita. em planos (por exemplo. tos de geometria analítica que provavelmente não fez mam a projeção bidimensional das coordenadas de um parte da formação da maioria dos professores de nível objeto em movimento relativístico em um referencial médio. visto transformações de Lorentz em conjunto com o fato de por um observador estacionário. focalizados na pesquisa na em movimento relativístico área de Computação Gráfica. t) de um evento em um refe- sivo (realidade virtual) para visualizar os efeitos rela. essa velocidade for tico através de dois programas chamados OBJETIVA e ao longo da direção x e se. que dois relógios localizados um em S e outro em S  .

temos y  = y e z  = z. que aponta na direção x.Um evento ocorre no referencial inercial S. sendo β = v/c e c o módulo da velocidade da luz no vácuo. o mesmo evento ocorre na posição r’ e no instante t . x difere de x e ambos se relacionam através da relação (1a). 1. . mas no caso em que v possui direção arbitrária  r·v r  − r0 = r + v 2 (γ − 1) − γt (4a)  v r·v  t = γ t− 2 . r  ·v dade relativa entre os referenciais S e S  possui uma di. r− r0  = r +v (γ − 1) + γt (5a) v2 reção arbitrária. Note que.358 Cavalcanti e Ostermann  onde γ = 1/ 1 − β 2 . No entanto. (4b) Figura 1 . A velocidade relativa no caso de uma transformação S → S  e entre os dois referenciais é v. Nesse caso. 2. Figura 2 . na posição c r e no instante de tempo t.A mesma situação mostrada na Fig. como há movi- mento relativo entre S e S  apenas na direção x. A situação mais geral é aquela em que a veloci. No referencial inercial S  . como mostrado na Fig.

sar de desenvolverem muito bem o tópico relatividade cidam em t = t = 0. respecti. z0 ). em a visão que um observador fixo em S teria do objeto. registrado por um observador em S. induzindo o leitor a acreditar que essa seria S  estiver definida. que seria vista por Pode-se generalizar as transformações de Lorentz um observador fixo em S. (4a) e (4b) fazem o caminho inverso: dado como r = (x. pode-se mostrar que A partir daqui. y. Nesta última. segundo um observador em S. 0. as trans- c formações dadas pelas Eqs. 0) em t = t = 0 e. em repouso em relação a S  . (3b) deformação geométrica dos corpos em movimento rela- c tivístico. y0 . ape- para o caso em que as origens de S e S  não coin. z0 ) em r⊥ = r⊥ (2b) t = t = 0. em movimento relativístico achatados na direção do no mesmo instante de tempo. ovetor v como v = (vx . Há livros didáticos que. y0 . As transformações dadas pe- e perpendicular à velocidade v. estaria se negligenciando os efeitos ópticos . (2c) em um instante t para um observador em S.   supõe-se que. O produto escalar um observador em S  . É comum asso-  v r·v  ciar esse efeito do movimento relativístico como uma t = γ t− 2 . Se um evento acontece em uma posição r e  r·v  t = γ t − 2 . vy . teremos Nesse caso. a origem O do sistema movimento. as componentes do vetor posição r paralela por um observador em S. segundo um observador fixo no sistema r = γ r − vt (2a) S  . que é a r = r + v 2 (γ − 1) − γt (3a) chamada contração do comprimento. posição r e instante t o mesmo evento será registrado vamente. vz ) e seu um evento que ocorre na posição r  e instante t para módulo como v = vx2 + vy2 + vz2 . Como r = r + r⊥ e r  = r + r⊥. r0 ≡ (x0 . apresentam figuras que mostram objetos sistema S (fixo) no ponto (0. a origem do sistema S está em r0 = (x0 . z). O vetor r é definido las Eqs. (4a) e (4b) dirão em qual     onde r = r· vv vv e r⊥ = r − r· vv vv são. nos concentraremos em uma das  r·v conseqüências das transformações de Lorentz. (5b) dadas por ([32]) c no caso de uma transformação S  → S. essas transformações fornecem a posição r e o instante t em que esse mesmo evento será r·v é definido da forma usual r·v = xvx + yvy + zvz . Se definimos a origem O do restrita [33].  r  ·v pode-se mostrar que as transformações de Lorentz são t = γ t + 2 .

Projeções do comprimento próprio L0 da barra nas di- reções paralela (L0 ) e perpendicular (L⊥0 ) à velocidade v. 24]. coordenadas de eventos que ocorrem nesses dois temos sistemas. Segundo a Eq. Tomando-se o módulo em ambos os lados da   primento (próprio) da barra nas direções paralela e per. A γ|r2 − r1 | = γL .     Denotemos por L0 = |r2   − r1 | e L⊥0 = r2 − r1 = γ r2 − r1 . Ou seja velocidade v aponta na direção do segmento AA e. ambas no mesmo instante de tempo em seu referencial. ou seja. Assim. que por sua vez move-se com velocidade v em Como devemos ter que t2 = t1 .Deformações geométricas e velocidade superluminal aparentes em objetos em movimento relativístico 359 do movimento relativístico. Para que um observador fixo em S obtenha uma medida de L . Logo.   L⊥ = |r⊥2 − r⊥1 | = |r⊥2 − r⊥1 | = L⊥0 . L⊥ = L⊥0 . que podem inclusive mas- carar o efeito de contração do comprimento [23. L = |r2 −r1 | e L⊥ = |r⊥2 −r⊥1 |.Uma barra está em repouso em relação a um referen- cial inercial S  . se- gundo as transformações dadas pelas Eqs. É importante notar que essa responder é como será o comprimento da barra quando deformação não é uma deformação material da barra. a projeção na direção perpen- 2. um observador fixo em S e para um observador fixo em Como mostra a Fig. em movimento movimento relativo entre os referenciais S e S  . um observador em S  deve medir r1 no instante t1 e r2 no mesmo instante. Para que um obser- vador em S  obtenha uma medida do comprimento da barra. r2 e r1 . ou seja. A questão a comprimento da mesma barra medido por um obser- vador fixo em S  (L0 ). (2b).   |r⊥2 − r⊥1 |. devemos ter |r2 − r1 | = L0 . como a projeção do com. O valor de L0 é então obtido calculando-se |r2 − r1 | e é chamado de comprimento próprio da barra. como mostra a Fig. Figura 4 . 3. A projeção paralela L se relaciona com a pro- jeção paralela L0 através das equações de transfor- mação (2a) e (2c). para realmente se certificar de que se está medindo de fato o compri- mento da barra. em S  . 4. foram omitidos os eixos do sistema S  . da Eq. Figura 3 . que é o comprimento medido por um observador em repouso em relação a ela. o qual de. quando observada por um observador onde γ > 1. respectivamente. t2 = t1 . de comprimento L0 . Uma uniforme com velocidade v em relação a um referencial medida do seu valor resultaria em um mesmo valor para inercial S. para um observador fixo S. equação acima. (2a) a (2c). Como o ato de medir implica necessariamente . ele deve obrigatoriamente medir as posições dos extremos da barra. obtemos que L0 = |r2 − r1 | = pendicular à velocidade v. fica claro que  o comprimento próprio (L ) está comprimido por um fator γ em relação ao L0 da barra é dado por L0 = L20 + L2⊥0 . t2 = t1 . Temos que L = L2 + L2⊥ . onde denadas de objetos materiais em dois sistemas inerciais. A contração do comprimento dicular à velocidade v do comprimento L0 independe do Imagine uma barra. cuja origem é O . Por questão de clareza. (6) apenas a projeção paralela do comprimento da barra γ será modificada. Ou seja. (2a)      r2 − r1 = γ r2 − r1 − v (t2 − t1 ) . As transformações de Lorentz não relacionam as coor- notaremos como L. observado por um observador fixo em  S. L0 L = . ou seja. e sim. Logo. segue que relação a outro referencial inercial S.2. 4. ele deve medir r1 em t = t1 e r2 em t = t2 de forma que essas medidas sejam simultâneas. paralela a v que o observador fixo no sistema S mede Pela Fig. o comprimento da barra na direção fixo em S.

pos.360 Cavalcanti e Ostermann uma série de eventos. se originou de reflexões na barra em instan- tes de tempos anteriores distintos t = tv − τ . o jeção do comprimento da barra na direção paralela ao tempo τ = D/c = |rOBS − rv | /c não é nulo. rotu- temporais que lá aparecem são as coordenadas medi. O tempo τ é. percorrer a distância D. maior para pontos da barra mais distantes ter sido refletida. o objeto só será É importante ainda fazer a distinção entre medir visto por ela em um instante posterior ao instante em e observar (ou ver ). Na Fig. como a luz possui velocidade finita de propagação.Movimento uniforme de um objeto puntiforme. enquanto a projeção do mesmo na direção perpendicular ao mo- vimento se mantém inalterada. de medir. A o tempo que a luz leva para percorrer a distância entre observadora vê o objeto em uma posição diferente daquela em que ele se encontra. segundo a observadora fixa em S. Assim. vê o referido ponto do objeto) e no tempo t. 5. implica a detecção de sinais luminosos refletidos por todos os pontos da barra. 5. Resumindo. pois a luz que refletiu nele só atinge os olhos um dado ponto da barra e o detector. sendo τ o tempo que a luz em objetos em movimento não relativístico desde que o . ou se estiver em movimento não relativís- tico mas muito afastado da observadora. A observadora só irá se. passado do objeto. Essa distância que o objeto que só é notado quando o objeto sofre um deslocamento percorre no tempo τ será desprezível em velocidades apreciável durante o tempo τ . acima. O ato de ver ou fotografar. Em outras dora levará um tempo maior para ser detectada por ela palavras. No entanto. no caso das máquinas analógicas). novamente. mostrada) reflete no objeto e percorre a distância D até Se considerarmos um objeto não puntiforme (ex- os olhos da observadora. que esse efeito seria detectável também ver o objeto no instante t+τ . o que só acontece para pequenas comparadas com a velocidade da luz já que τ velocidades muito elevadas. Ressalta- a observadora visualiza o objeto. um em S e de reflexão (rv ) até a posição do detector. seu movimento é reduzido por um fator γ. No entanto. reflete nos pontos do objeto mais distantes da observa- sui coordenadas espaço-temporais (rv . a luz emitida por uma fonte (não vista rv . a luz que atinge o detector em um dado instante de tempo tv . a medição do comprimento da leva para se propagar do ponto onde ocorreu o evento barra difere para dois observadores fixos. lada por na Fig. Denominaremos esse distância vτ durante o tempo τ que a luz leva para fenômeno de efeitos ópticos do movimento relativístico. já que o valor medido da posição do objeto se com velocidade v e o movimento começa a ser obser. que é diferente da posição sição rotulada por . pois o objeto se desloca uma das e não as observadas ou vistas. Ou seja. Tanto o objeto quanto o sistema S  movem. Nesse sentido é que ver difere sistema S  . isso não corresponde ao que seria visto pelo mesmo observador. dife- forme) de um objeto puntiforme. está mostrado o movimento (suposto uni.3. olhos da observadora (rOBS ). A posição r é a posição medida do objeto. deve fornecer as três coordenadas espaciais da posição vado a partir da posição r0 (rotulada por ). Efeitos ópticos no movimento relativístico relativístico. dada por r. Isso fará com que a forma desse objeto pareça distor- Note que o tempo t em que ocorreu o evento cida para a observadora. no caso da barra que se deu o evento de reflexão da luz no objeto pois. que atingem ou a retina do olho ou um sensor de uma hi- potética máquina fotográfica (película de filme. da observadora um tempo τ = D/c = |rOBS − rv | /c depois de portanto. Esse aspecto não está incluído nas transfor. o que o observador fixo em S mede é que a pro. corresponde à posição r onde ele realmente está. Assim. a imagem vista pela observadora é do do observador do que para pontos mais próximos dele. Isso será melhor detalhado é pequeno se o objeto estiver suficientemente próximo na seção 2. situado na origem do rente da posição vista rv . a luz que um evento que. Na po. A reflexão da luz no objeto é tenso) como um conjunto infinito de pontos. onde τ é Figura 5 . no caso os outro em S  . Os pontos da barra não estão situados todos a uma mesma distância do detector (retina do olho ou sensor da máquina). Esse é o efeito óptico que apa- de reflexão da luz não corresponde ao tempo em que rece em objetos em movimento relativístico. a posição onde a observadora o vê não mações de Lorentz.3. t). o mesmo não ocorre se o objeto estiver próximo da observadora e em movimento 2. fazendo com que a luz refletida em pontos da barra mais distantes do observador levem um tempo maior para serem detectados do que a luz refle- tida em pontos da barra mais próximos. da observadora. real do mesmo. já que as coordenadas espaço. Por exemplo. ele ocorre na posição rv (posição em que ela do que a luz que reflete em pontos mais próximos dela.

yv e zv v2 e para a obtenção de sua solução pode ser necessário  (rv + vτ ) ·v tratamento numérico. alguns livros didáticos de fí- Eq. (7). Isso pode acontecer para objetos muito distantes posição r  dos pontos de um objeto em movimento re- dela (casos onde vτ = |rOBS − rv | β não seja desprezí. o qual supõe-se que seja conhecido por da posição vista pela mesma observadora. Ele terá todos os seus pontos descritos sição medida pela observadora fixa no sistema S quanto pelo vetor r  . Neste caso. rv + γ 2 β (rv ·β) + γ 2 cβτ = r0 + r  + independentemente. através do vetor r  . dida dos pontos de um objeto extenso é dada por (ver A Eq. (8) geométrica complexa se movendo com uma velocidade v2 constante v arbitrária e relativística. rv ≡ r. (12) cβ. segundo um observador fixo em S  . obtém-se denadas supostamente conhecidas r  = (x . β. (4b) denadas vistas rv = (xv . z  ) do objeto em S  pode ser uma tarefa matematicamente  complicada. um observador fixo nesse referencial. (r  ·β) β (γ − 1) + γ 2 cβt . o que é incorreto. Visualização de alguns objetos em v2 movimento relativístico Na obtenção da equação acima foi usada a re- lação γ 2 β 2 = γ 2 − 1. se mo- r + γ 2 β (r·β) = r0 + r  + vendo na direção do eixo y. vada ou vista pela observadora da Fig. y  . pontos. (12) fornece uma relação entre a posição Fig. serão analisados alguns exemplos de obje- equação em termos de β = v/c. obtém-se Nesse primeiro exemplo. e sim a posição rv de um tempo τ anterior. yv . (11) β2 3. 0) = (γ − 1) + γ 2 cβt . (9) c2 car a Eq. teremos que v = (0. (4b) na Eq. É mais conveniente expressar essa Nessa seção.1. que está vel). (10) 3. (11) é um sistema de r  ·v rv + vτ − r0 = r +v  (γ − 1) + três equações não lineares nas incógnitas xv . Em uma situação geral. (11) a situações onde a solução possa ser encontrada analiticamente. como mostra a Fig. (r  ·β) β Sendo assim. Para tornar isso claro. Já um observa. como previu Terrell [23] em 1959 e. Substituindo a Eq. (7) na observador. ou seja. objeto está em repouso segundo S  ). em S) e da vel. Se for possí- vel descrever matematicamente os pontos do objeto no r = rv + vτ . as Rearranjando os termos que incluem a posição Eqs. 6. (7) sistema S  . Substituindo-se nela v tos de geometria simples que estejam em movimento re- por cβ. (11) fornece uma relação da posição obser- olhos da observadora seja grande o suficiente para que. Um exemplo unidimensional: barra fina O mesmo procedimento pode ser realizado para retilínea em movimento relativístico obter uma relação entre r e r  . β2 . (5a). Normalmente. Note ainda que a posição vista rv se reduz à po- dor em S não vê a posição medida de cada um desses sição medida r quando τ → 0 (ou c → ∞). fixa no sistema S  e orientada ao longo do eixo x . 5 (fixa em S) em nesse tempo. o objeto percorra uma distância apreciá. obtém-se sica induzem a pensar que o que é visto é o que é medido [5]. encontrar as coor- Eliminando t através da substituição da Eq. (5a). zv ) em função das coor- na Eq. Substituindo-se a Eq. A quando se supõe que a luz que reflete em todos os posição vista pelo observador se relaciona com a posição pontos do objeto chega instantaneamente aos olhos do real através da relação (7).Deformações geométricas e velocidade superluminal aparentes em objetos em movimento relativístico 361 tempo que a luz leve para percorrer a distância até os A Eq. em movimento solidário com o objeto (relembrando: o A relação entre a posição vista e a posição me. mos- trando que pode haver uma grande diferença entre ver (rv ·v) e medir para objetos em movimento relativístico. ou seja. 5) medida r em função do tempo t e de r  . v. Neste trabalho pretende-se apli- γ γt − γ . Será então possível visualizar os efeitos ópti- cos citados e também notar que a contração de Lorentz pode ser invisível. lativístico. (8) e usando-se novamente a Eq. 0) = c(0. imagine uma barra de espes- sura desprezível em relação ao seu comprimento L. a Eq. chega-se a simples a objetos de geometria também simples. função do tempo t (tempo medido por ela. rv + γ 2 v + γ 2 vτ = r0 + r  + c2 (r  ·v) v (γ − 1) + γ 2 vt . com objetos de forma r  ·v rv + vτ − r0 = r  + v (γ − 1) + γt  . as relações (11) e (12) Suponhamos que esse objeto esteja em repouso tornam possíveis a descrição matemática tanto da po- em relação a S  . Penrose [24] no mesmo ano. (11) e (12) serão aplicadas a seguir em situações vista para o lado esquerdo da igualdade. obtém-se lativístico.

Ou seja. d  x  d + L. A Eq.Movimento uniforme de uma barra fina e retilínea.362 Cavalcanti e Ostermann Suponhamos que. Como Fig. (16)). 0. 2. como era de se esperar. para t = t = 0. A intenção é tomar um instantâneo de obtém-se uma imagem vista por um observador situado no ponto xv = x = x (14a) rOBS = (0. 7 estão mostrados os instantâneos t = 0 feita por ele registra que todos os pontos x = x da s da posição vista dos pontos da barra para quatro va- barra possuem ordenada y = 0. os seguintes valores para os parâmetros mostrados na como se pode demonstrar a partir da Eq. a ordenada vista yv depende da posição x de cada ponto da barra. (14b) se reduz a  2   x2v + yv2 + (zv − h) 1 + γ2β 2 yv + γ 2 cβ =  c 2 2 2 2 2 γ yv + γ β x + yv + h = 0 . o tempo τ será dado por a posição medida dos pontos da barra. o que um observador fixo em S mediria vimento são vistas como hipérboles por um observador é que os pontos da reta se moveriam na direção y com fixo em S. Para a obtenção dessa figura foram considerados para d  x  d + L. o observador fixo em S não vê y  + γ 2 cβt uma linha reta passando por y = 0 no instante t = 0 e y = = cβt (13b) sim uma hipérbole localizada na região y negativo. 6: d = 0. (12).6 Assim. pode-se mostrar que Assim. instante no qual a posição medida pelo mesmo obser- vador de todos os pontos x = x da barra passam pela ordenada y = 0. yv = y − vτ e zv = z do vetor rv . (11) para cada res medidos de y negativo e para t > 0 estará com componente xv = x. e 0. Portanto. y  = 0 e z  = 0. como medido por um observador em S. 0. a Eq. A posição de um dado ponto P da barra é medida e descrita pelo vetor r segundo     o observador fixo em S e por r  segundo um observador fixo em 1 − β 2 yv2 = β 2 x2 + h2 . y e z do vetor r e sabendo-se que os pontos yv = −βγ x2 + h2 . Sabendo-se que yv < 0 (Eq. obtém-se fi- A posição medida r pode ser calculada através da nalmente relação (12). h). para t < 0 a barra estará com os valo. O que ele veria seria bem distinto.  ponente x. No instante t = 0. (13c) orientadas na direção perpendicular à direção do mo- Ou seja. temos x = x . O movimento se dá na direção y positivo com Eq. (14c) e x = x = d + L. v. 0. em t = t = 0 as origens dos  sistemas S e S  coincidam. de da luz nesse mesmo ponto. 6 Isso pode facilmente ser demonstrado a partir da Eq. (18) da barra para um observador fixo em S  são dados por sendo d  x  d + L. (18) é a equação de x = x (13a) uma hipérbole. h) para t = 0. a equação que lores de velocidade correspondentes a β = 0. Assim. Como não há movimento relativo entre S e S  na direção x. Elevando ao quadrado a comprimento L. que seria vista pelo observador fixo em S para t = 0. temos y = y  . y positivo. escrevendo-se a Eq. L = 2 m e h = 1 m. a barra é vista pelo observador fixo em S em pontos tais que yv é negativo. Para t = 0. velocidade v = cβ. teremos r0 = r0 = 0 x2v + yv2 + (zv − h) 2 e neste instante todos os pontos da barra passam pela τ = . 0) e. (16) e isolando-se yv v = (0. (16) ou seja. (15) Obtém-se então  yv = −β x2 + yv2 + h2 . 8. ou seja. 0. para h = 0. As y  (γ − 1) + γ 2 cβt = γ 2 cβt (14b) extremidades da barra estão situadas em x = x = d  zv = z = 0. Escrevendo-se a Eq. (12) para cada com. (17) S  (não mostrado na figura). para qualquer A intenção é obter um instantâneo da posição instante t. c ordenada y = 0. (11). 6 define a posição medida dos pontos da barra é y = 0. já que o observador vê um ponto da barra em uma po- sição onde ele estava em um tempo τ anterior à reflexão Figura 6 . momento em que a posição yv + γ 2 β 2 yv + γ 2 cβτ = y  + medida dos pontos da barra indica que y = y  = 0. uma medição Na Fig. Esse (1 + β 2 γ 2 ) resultado foi demonstrado por Scott e Viner [34]: retas z = z = 0 . . É mostrada também rOBS = (0. 4.

como mostra a Fig. 3. para em movimento relativístico vários valores de β = v/c. Acima está mostrada uma visão vimento relativístico. como era de se esperar. Quanto movimento solidário com o aro). Supõe-se ainda que. 2. situada distante do observador. Essa rotação aparente sofrida por objetos distantes do observador. Esse efeito do movimento relativís- tico foi demonstrado por Terrel [23]. por exemplo. como mostra a na posição rOBS = (0. é denominada rotação de Terrell. maior será a distância serão descritos pelo vetor r  = (R cos θ . se aumenta a velocidade e. 6 e 0.Barra fina e retilínea em movimento. (12). na origem do sistema S  e que. o observador verá uma reta inclinada. Por outro Para um observador fixo em S  . contido inteiramente no plano xy. maior será esse atraso. O observador se situa a uma altura h = 1 m do reção y com velocidade v = (0. 4. Aplicando-a ao aro da também obedecem a mesma condição (x = x  h) e Fig. Nesse caso. supõe-se que o movimento se dê apenas na di- tridimensional. em conjunto com as posições vistas O exemplo que será visto agora é o aro circular em mo- para β = 0. 8). A exemplo da barra retilínea da superior do plano xy e abaixo está mostrada uma visão global Sec. 6). Figura 8 . 8. (19) Nesse caso. (20) Um caso particular interessante ocorre quando a barra está muito afastada do observador. Por essas razões ocorre a distorção aparente. pontos da barra mais afastados gens do sistema S e S  coincidam (o sistema S  está em do observador serão vistos com maior atraso. os pontos x = x da barra circular é obtida pela Eq. para t = t = 0. onde 0  θ  2π. 9. para um observador fixo sição medida dos mesmos. 9. ou seja. Como o observador está nesse sistema. ou seja. A posição medida de cada ponto da barra é mostrada na figura. x = R cos θ .Instantâneo t = 0 s do movimento uniforme da barra fina e retilínea. que estão em movimento relativístico. 0. 3. 8. quanto maior o valor de β.Deformações geométricas e velocidade superluminal aparentes em objetos em movimento relativístico 363 pode-se aproximar a Eq. de comprimento L = 2 m usando-se d = 0. percorrida por um ponto da barra entre o instante em ou seja que a luz refletiu nele e foi detectada pelo observador. o raio do aro seja R . 0) e que o aro esteja plano xy (ver Fig. obtém-se . a Supõe-se também que o centro do aro esteja fixo posição vista dos pontos da barra estão atrás da po. maior o valor de h. o observador vê a barra girada de um ângulo θ = arcsen (v/c) = arcsen β. Nesse caso.1. v. z  = 0 (sua A forma hiperbólica é facilmente notada quando espessura é desprezível). A posição medida dos pontos do aro quando d  h. y  = R sen θ . 1) e os pontos da barra não Fig. 0.2. os pontos do aro lado. (18) como  yv = −βγ x2 + h2 ≈ −βγx . as ori- são eqüidistantes dele. 0). R sen θ . z  = 0. Um exemplo bidimensional: aro circular Figura 7 . θ = arcsen (v/c) = arcsen β. 0. O observador vê a barra como se ela tivesse sofrido umarotação aparente de um ângulo tal que sen θ = βγL/ β 2 γ 2 L2 + L2 = β (ver Fig.

Nota-se que. atrás da origem Fazendo t = 0 na Eq. uma elipse). (26) y = γ (1 + β 2 γ 2 ) R Essa desigualdade leva a = sen θ + cβt (21b) γ βR sen θ z = z = 0 . o que o observador vê é uma circunferên- zv = z  = 0 . deve-se ter que yv < y para qualquer ângulo θ . como era de se esperar. 10 estão mostradas as posições medidas A posição vista dos pontos do aro pode ser obtida e vistas do aro circular com R = 6 m. mas não pela Eq. cen. para t = 0 são dadas por: sim elíptico. obtém-se uma equação de segundo grau na va- riável yv . 2. (25a). que admite duas soluções (uma delas não fí- sica). como no caso da barra retilínea. Pela γR sen θ + γ 2 cβt (22b) Eq. para β = 0. 0). as coordenadas do aro vistas pelo obser- com velocidade v = cβ e o mesmo não seria circular. Pelas Eqs. yv = γR sen θ − γβ h2 + R2 (27b) trada na origem. Assim. da velocidade e do raio γβ R2 cos2 θ + yv2 + h2 = R sen θ − γyv . origens do sistema S e S  coincidem para t = t = 0. Na Fig. para t = 0 0. como a imagem vista do aro é do passado. 0. Logo. e vador fixo em S. São elas  yv+ = γR sen θ + γβ h2 + R2 (25a)  yv−  = γR sen θ − γβ  h2 + R2 . com semi-eixo maior de comprimento zv = 0. ao invés de contraída (ou seja . as Eqs. o contrário do que ele mede. Inicialmente. O quanto o observador vê o centro do aro atrás  da origem depende da altura h. orientado ao longo da direção y. 4. mas intenção é obter um instantâneo do aro para t = 0. (21b) para t = 0 Figura 9 . 8. (22c) cia dilatada na direção y por um fator γ. (22b) como era de se esperar. (21a) a (21c) para    t = 0 são as equações paramétricas de uma elipse. Ou seja. Usando a Eq. 6 e 0. (23) direção do movimento ele o vê dilatado (e atrasado) na Temos então direção do movimento. (24). (25b) A solução yv+ é não física pois. (25b). o que um observador fixo em S mediria é que obviamente é verdadeira. e semi-eixo menor R /γ. vê-se que o aro seria medido como achatado por um fator γ na direção xv = R cos θ (27a) do movimento (y). v. que os pontos do aro se moveriam na direção y positivo Assim. (11) e fornece o seguinte. 0) e as qualquer valor de θ . −γβ h2 + R2 . h2 + R2 Logo. ou seja. O que γ yv + γ cβτ = γy + γ cβt = é visto pelo observador fixo em S é bem distinto. √ seu centro não está na origem. a Além disso. De fato. através da Eq. e a Eq. Essa condição é obedecida pela solução dada pela Eq. orientado ao longo da direção x. todas tomadas em t = 0. (21c) √ < 1. (27c) R . (27b). Logo x = x = R cos θ (21a)  R y  + cβγ 2 t γR sen θ − γβ h2 + R2 < sen θ . já que β < 1 e |sen θ |  1.Movimento uniforme de um aro circular de raio R . a posição yv de um dado ponto do aro que o observador fixo em S vê está atrás da posição y que ele mede para esse mesmo ponto. (24) do aro. . no ponto (0. a posição medida para os pon- tos do aro mostram que ele está contraído por um fator xv = x = R cos θ (22a) γ na direção y (contração de comprimento) e seu cen- 2 2  2 tro está na origem do sistema de coordenadas. a condição yv < y deve ser satisfeita para O movimento se dá na direção y positivo com v = (0. a contração de Lorentz é completamente mascarada pelos efeitos ópticos nesse  instante: ao invés do observador ver o aro contraído na γ 2 yv + γ 2 β R2 cos2 θ + yv2 + h2 = γR sen θ . (21a) a (21c).364 Cavalcanti e Ostermann Elevando-se ao quadrado ambos os lados da equação acima.

e que vai 1/2 desaparecendo na medida em que o tempo transcorre. ou seja. Para t = 0. para (27c). com raio R = 6 m para quatro valores distintos de β = v/c. com raio R = 6 m para β = v/c = 0. A posição medida de cada ponto do aro é mostrada na figura.Instantâneo t = 0 s do movimento uniforme do aro circular. mais complexa do que a yv− = ctγ β + γR sen θ − γβ h2 + R2 + 2   dilatação aparente vista no instante t = 0. 9) É interessante ainda visualizar as deformações em S. A posição vista do aro revela uma deformação interessante. (27a) e não é a mesma.8c. (c) t = 2×10−8 s. 11. 4. yv− tem a seguinte forma com a mesma velocidade v = 0. ctγβ (ctγβ + 2R sen θ ) . A posição medida de cada ponto do aro é mostrada na figura. (21a) a (21c). 10 como o observador fixo em S veria o aro enquanto ele se para seis instantes de tempo a partir de t = 0 s. em conjunto com as posições vistas para (a) β = 0. Figura 11 . mas essas posições movem-se todas objeto se move. (d) t = 3×10−8 s. 6 e (d) β = 0. 8. em um mesmo instante de tempo. segundo um observador fixo mais adiante.Seis instantâneos do movimento uniforme do aro circular. (b) β = 0. que é a velocidade medida desses pontos. e medidas de um aro circular idêntico ao da Fig.Deformações geométricas e velocidade superluminal aparentes em objetos em movimento relativístico 365 Figura 10 . (e) t = 4×10−8 s e (f) t = 5×10−8 s. (b) t = 1×10−8 s. 4. estão mostradas as posições vistas aparentes sofridas pelo aro ao longo do tempo t. Isso será detalhado um pouco aro com o passar do tempo. ter uma idéia da complexidade que a posição medida dos pontos do aro também varia das deformações vistas por esse observador enquanto o ao longo do tempo. Pode-se com isso. . (28) Isso mostra um outro efeito visual interessante: a velo- cidade aparente (a que é vista e não a que é medida) Em conjunto com as Eqs. (c) β = 0. Há uma con- cavidade que surge na parte traseira do aro. Na Fig. na Sec. O observador se situa a uma altura h = 2 m do plano xy (ver Fig. pode-se construir as posições medida e vista do todos os pontos do aro. 2. Note move. 8 e h = 2 m. em conjunto com as posições vistas para (a) t = 0 s.

O hemisfério superior Na figura estão mostradas as coordenadas an. os pontos do aro serão descritos pelo vetor    zv = z = R cos θ . que abrangem os intervalos o inferior (π  θ  π/2) com cinza.366 Cavalcanti e Ostermann 3. a contração do comprimento. yv+ = ctγ 2 β + γR sen θ sen ϕ +   z = R cos θ  . R cos θ ). ocultando. o observador pode ver uma concavidade na parte traseira da esfera. y  = R sen ϕ cos θ . Além disso. Um exemplo tridimensional: esfera em movimento relativístico xv = x = R cos ϕ cos θ (31a) O exemplo a ser estudado aqui será de uma esfera em γ 2 yv + γ 2 β yv2 + R2 cos2 ϕ sen 2 θ + movimento relativístico na direção y. desaparecendo para valores R grandes de h (h  R ). 1/2 2 tema S  e. (32b) Pelo mesmo raciocínio utilizado para selecionar a solução física entre as soluções dadas pelas Eqs. a esfera passa logo t = t = 0. (32b). ou seja A Eq. É possível então. para instantes tais que t > 0. obtém-se da esfera durante o movimento. 13 estão mostrados seis instantâneos do movimento na direção y de uma esfera relativística de Figura 12 . O observador. está posicionado se novamente que as origens do sistema S e S  coincidem para a uma altura h = 2. como nos exem- plos anteriores. da esfera (0  θ  π) foi colorizado com branco e gulares esféricas θ e ϕ . o (R cos θ − h) = ctγ 2 β + raio da esfera é R . R sen ϕ cos θ . Nota-se ainda que o perfil da esfera continua sendo circular. Esse Para as coordenadas vistas. (31c) r  = (R cos ϕ cos θ . Para este γsen θ R sen ϕ (31b) observador. (30c) por Rubio-Hernández [30] em 1995.3. como indica a figura. abaixo dele no instante t = 0. raio R = 2 m. supõe-se h > R . às vezes totalmente. 0) e supõe. durante parte do movimento. que o observador consiga visualizar o hemisfério inferior das. A origem da esfera está fixa no sis. 12. v. para um observador fixo nesse sistema. Este resultado confirma o que y = sen θ sen ϕ + cβt (30b) foi obtido por Suffern [35] em 1988 e.2 m. (25a) e (25b) (yv < y). ou seja. . pode-se facilmente mostrar que a so- lução física para a coordenada vista yv para a esfera é a dada pela Eq. posteriormente. 0  θ  π e 0  ϕ  2π. em S. como mostra a Fig. Na Fig. γ z = z  = R cos θ . (31b) fornece as soluções x = R cos ϕ cos θ . Além disso. obtém-se. para cada efeito foi demonstrado pela primeira vez por Penrose instante t em S [24] em 1959.Movimento uniforme de uma esfera de raio R . Para as coordenadas medi. O movimento se dá na direção y positivo com v = (0.(29) βγ h2 − 2hR cos θ + R2 + 1/2 ctγβ (ctγβ + 2R sen θ sen ϕ ) (32a) yv− = ctγ 2 β + γR sen θ sen ϕ − βγ h2 − 2hR cos θ + R2 + 1/2    ctγβ (ctγβ + 2R sen θ sen ϕ ) . Esse efeito é bastante x = x = R cos ϕ cos θ (30a) acentuado para 0 < h  R .

Isso fica claro na Fig. 2×10−8 s. fica claro que a mesma sofre uma ro. 11 mostra. pode-se tação aparente (a já citada rotação de Terrell) além da mostrar da Eq. r  = (x . pode-se estudar como é o perfil de ve. As posições vistas e medidas foram obtidas para (a) t = 0 s. (e) t = 1. Além disso. A velocidade real de um ponto do A razão para isso é que várias partes da esfera es- aro. 13. A posição medida de é mostrada na figura através do contorno da silhueta da esfera. h). 8×10−8 s. A Fig. Quando o observador está mais velocidade v = (0. (d) t = 1. (c) t = 0. e a velocidade aparente. x2 + y 2 + z  (z  − 2h) . βc. ao contrário do que indica a Fig. to estava completamente contido no plano xy. Um dos aspectos interessantes no movimento relativís- nece exatamente o que o observador vê. uv = . com raio R = 2 m para β = v/c = 0. o objeto está fixo em S  . 5 × 10−8 s). 0. a Fig. 14. situado em zOBS = h = 2. 8 e h = 2. dr trado na figura). Isso é o que será feito em relação ao seu raio. a esfera não está completamente contida 4. Mostra-se que a velocidade vista (ou aparente) é dife- ria. como já citado ao fim da Sec. Porém. Velocidades medida e vista para ob- no plano xy. . fica claro tam- bém que o hemisfério inferior da esfera pode ser visto  pelo observador no instante em que sua imagem fosse uv = cγ 2 β + cγ 2 β 2 (ctγβ + y  ) h2 + vista logo abaixo dele (t ≈ 2. Em outras palavras. (34) dt Nessa figura zOBS = h = 8 m e são mostra- dos dois instantâneos de uma visão lateral das posições Para um objeto qualquer. 3. 2 m. não se pode dizer o mesmo em relação à Fig. vista pelo mesmo observador. naquele caso o obje. não consegue ver o hemisfério inferior da es. fixo no sistema S  . 15. por motivo de clareza. drv como mostra a Fig. z  )7 e que se movimenta na direção com tração do comprimento. com boa aproximação. 15. 6×10−8 s e (f) t = 2×10−8 s. tico de um objeto é o estudo da velocidade aparente dos pontos desse objeto. o observador (que lá está posicionado em h = 2 m) ve. o que locidade dos pontos do objeto enquanto ele se move. (11) que contração do comprimento. pois o mesmo está fora de seu campo de visão. fera. fixo em S e posicionado em rOBS = (0. Foi suposto que o aro tem espessura desprezível rente para cada ponto do corpo. 2 m. 0) em relação a um observador afastado da esfera. Fica que tem seus pontos descritos nesse sistema por claro aqui a superposição dos efeitos ópticos com a con. 13 fornece jetos em movimento relativístico uma boa visualização das distorções que o observador teoricamente poderia ver mas não necessariamente for. obviamente. (33) dt situação o observador. que mostra a distorção em relação ao observador (mos.2. vistas e medidas da esfera. por hipótese.Seis instantâneos do movimento uniforme da esfera. na próxima seção.Deformações geométricas e velocidade superluminal aparentes em objetos em movimento relativístico 367 Figura 13 . como mostra  2 2  a parte (b) da Fig. 4×10−8 s. (35) 7 Note que r  não depende nem de t nem de t pois. segundo o observador. c t − h2 β 2 γ 2 + 2ctγβy  + Além das deformações aparentes visualizadas em −1/2 corpos em movimento relativístico. medida por um observador fixo em S é definida por tariam ocultas do observador. (b) t = 0. 13 pois. ou seja. y  . é definida por Mas existem situações distintas onde isso pode ocorrer. Nessa u = .

com h = 8 m. mas se aproximando dele. Isso faz com que se tenha um perfil de velocidades aparentes ao longo de todo o objeto. Pode-se obter expressões para a velocidade apa- .8 o que por hipótese ocorre em t = 0. Nessa si- Eq. ao contrário da velocidade medida. Logo. 0. com h = 2.368 Cavalcanti e Ostermann onde. da se encontra muito distante do observador. 2 m. (b) t = 2. Note que o hemisfério inferior da esfera não é visto pelo observador nesse caso. é diferente para cada ponto do objeto. A velocidade aparente. outros parâmetros são os mesmos da Fig. Não há nenhuma contra- do observador. ou seja.Visão lateral de dois instantâneos do movimento da em que a posição medida da origem de S  está atrás esfera. pelo fato do movimento se dar apenas na direção y. os pontos do objeto apresentam a mesma u−∞ v ≡ uv (t → −∞) como a velocidade aparente dos velocidade aparente e ela é superluminal. mas se afastando dele. muito antes do objeto passar abaixo do to esteja bastante afastado do observador e se aproxi- observador. 13. o objeto pode ser considerado puntiforme. uma vez que se trata mente. u+∞ v ≡ uv (t → +∞) é a velocidade aparente de uma velocidade aparente e não uma velocidade me- dos pontos do objeto para instantes muito posterio. h). (35) [25] tuação. Os parâmetros usados para a construção dessa figura são os mesmos da Fig. maior pontos do objeto quando o mesmo está muito distante do que a velocidade da luz. 13(a). h). Analoga. Para instantes muito anteriores do que o Assim. para instantes de tempo tais que o obje- instante t = 0. Os que a posição medida da origem já está além da ori. Considere que nos instantes anteriores ao ins- tante em que as origens do sistema S e S  coincidem. o objeto já estava em movimento. quando o objeto está muito di. para rOBS = (0. As posições vistas e da origem de S e os instantes t > 0 são aqueles em medidas foram obtidas para (a) t = 0 s. Figura 14 . gem de S. pois valem para instantes de tempo em que o mesmo stante do observador. Assim. já que depende de r  . x = x e z  = z. to. 0. 5×10−8 s. dida. ou seja. dição com a relatividade restrita. Note que essas velocidades-limite aparentes não res ao instante em que o objeto passa por baixo do dependem de nenhuma propriedade geométrica do obje- observador. define-se a velocidade aparente assintótica mando dele. os instantes t < 0 são aqueles Figura 15 .Visualização lateral da distorção aparente da es- fera para um observador posicionado em rOBS = (0.

rente nos três casos estudados na seção anterior. 0) e o 1−β . onde β u−∞ v = c (36a) os objetos se movem com velocidade v = (0. βc.

0. (37) 8 Instante em que a origem de S  está logo abaixo do observador. (36b) caso a velocidade aparente dos pontos do objeto será 1+β dada por uv = (0. obtém-se • Para a barra retilínea (x = x)   −1/2 uv = cγ 2 β − c2 tγ 2 β 3 h2 + x2 − β 2 h2 − c2 t2 + x2 . h). situado em rOBS = (0. . 0. 0). observador está fixo na posição rOBS = (0. Nesse β u+∞ v = c. uv . h). Logo.

após as origens de S e S  coincidirem. e também uma vador apresentam velocidade aparente uv > c. À direita está mostrada uma visão superior das duas regiões do gráfico à esquerda. há um momento tc > 0 em que destacar: pontos onde a velocidade aparente uv é maior nenhum ponto da barra (que tem comprimento finito) do que a velocidade da luz (cor cinza) e pontos onde ela apresentará velocidade aparente superluminal. em função de x e t. Na Fig. As velo- regiões corresponde aos pontos da barra onde uv = c. 8.Velocidade aparente dos pontos da barra para β = 0. pelas condições de simetria. visão superior das duas regiões distintas que se deseja Obviamente. ou seja. 17 está mostrada a velocidade aparente tos da barra passam a ter velocidade aparente menor dos pontos do aro circular. (39) Na Fig. Quanto é menor (cor branca). a origem de S  já passou pela origem de S. A linha divisória entre as duas maior o comprimento da barra maior será tc . os pon. d = 0 m e h = 1 m. passa. dade superluminal. 8 são u−∞v = 4c e +∞ Note que apenas para t > 0. quando uv ≈ 0. Para quaisquer instantes mente se revela que regiões do aro apresentam veloci- anteriores ao instante em que as origens de S e S  coin.Deformações geométricas e velocidade superluminal aparentes em objetos em movimento relativístico 369 • Para o aro circular −1/2 uv = cγ 2 β − cγ 2 β 2 (ctγβ + R sen θ ) h2 + R2 + ctγβ(ctγβ + 2R sen θ ) . apenas os dade aparente em função da posição x e do tempo t ao pontos da extremidade da barra mais longe do obser- longo da barra retilínea (à esquerda). x (m) uv x (m) t ( ´ 10-8 s) t ( ´ 10-8 s) Figura 16 . Nova- do que a velocidade da luz. (38) • Para a esfera −1/2 2  2 2 2     2   2    uv = cγ β − γβ 2c tγ β + 2cR γβsen θ sen ϕ 2h − 2R h cos θ + R + ctγβ(ctγβ + 2R sen θ sen ϕ ) . À esquerda está mostrado o gráfico de uv em função do tempo e da posição x do ponto da barra. Na medida em que o tempo sentam mesma velocidade c. A cor cinza indica a região onde uv  c e a região branca indica uv  c. . Na figura estão assinalados alguns cidem (t < 0) a velocidade aparente de todos os pontos pontos do aro que. cidades aparentes limite para β = 0. 44c. 16 estão mostrados os valores de veloci. A linha divisória em ambos os gráficos indica os pontos onde uv = c. apre- da barra é superluminal. em função de θ e t.

como prevêem as Eqs. essa simetria não seria observada. para β = 0. Nota- de tempo. além do direção y. . 8 × 10−8 s. θ = 2π representa Apenas uma pequena região da esfera apresenta o mesmo ponto) atinge a velocidade aparente c em um velocidade aparente menor do que a velocidade da luz instante t0 que. no instante t = 0. 8.497 × 10−8 s. h = 2. (região branca). Na Fig. 2 m e R = 2 m. forma distinta. Essa simetria ocorre para qualquer instante com os mesmos parâmetros usados na Fig.2 m e R = 2 m. em função de θ e t. Foram escolhidos dois instantes de tempo específicos. (36a) e (36b). Se o observador não estivesse sobre o eixo se a esperada redução da velocidade aparente em cada z ou se a velocidade do aro não estivesse apenas na ponto.Velocidade aparente dos pontos da aro circular para β = 0. o ponto θ = π atinge a mesma velocidade o perfil de velocidades aparentes dos pontos da esfera aparente. to- β = 0. h = 2 m e R = 6 m. t = 0 e t = 0. 19 é mostrado instante. Na Fig.370 Cavalcanti e Ostermann Figura 18 . 8. Nesse mesmo locidade aparente superluminal. h = 2. mada no instante t = 0. crescimento da região onde a velocidade aparente não Para a esfera. 8. 8.Velocidade aparente dos pontos da esfera para Figura 17 . O ponto θ = 0 (obviamente. 18 mostra-se o perfil de velocidade aparente uv sobre os pontos da esfera. em função de θ e ϕ . para β = 0. 18. A grande maioria dos pontos têm ve- vale aproximadamente 1. R = 6 m e h = 2 m. as figuras foram preparadas de é superluminal. com os quais foram plotados os perfis de velocidade aparente em função de θ e ϕ .

agora [11] G. Posner. levar a um mau entendimento de vários outros tópicos de física moderna e contemporânea. OREALC/UNESCO.2 m e R = 2 m. Investigações em Ensino de a visualização de objetos em movimento relativístico é Ciências 2 (1997). San Fran- cisco. 301 (1997). Physics Education 31. Enseñanza de las Ciencias 18. P. [6] R.B. 463 (2000). 2005). Lemos. perior. Ricci. Lakatos. nos livros didáticos de física [5]. necessário entender bem a diferença entre medir e ver ou observar. tanto em nível médio como em nível su. interes_cultura_cientifica. Easley. ¿Cómo Promover el Interés por la Cultura Científica? Una Propuesta 5. 61 (1978). Arruda. São Paulo.Deformações geométricas e velocidade superluminal aparentes em objetos em movimento relativístico 371 mau entendimento da relatividade restrita pode.F.G. 13. 8. Torregrosa. h = 2. [4] F. 231 (2005). 8 s. Figura 19 .if. ceitos envolvidos.L. Villani e T. (Ed. em função de θ e ϕ . 1989). [5] F. . 477 (2002). [8] R. Selles. 83 (2004). Villani and S. E um [18] G. 356 (1996). Referências [1] J. Disponível em: http://www. [10] R. Hewson and W. 1970). p.br/ gráfica.S. P.C. cos que abordam esse assunto. public/ensino/N1/2artigo. 3 (2001). Ostermann e T. 219 (1996). Investigações em Ensino de Ciências abordado. cl/medios/biblioteca/documentos/como_promover_ cos no Brasil. Essa distinção aparece de forma confusa. Caderno Catarinente de Ensino de Física 21. La Metodologia de los Programas de Inves- tigacción Científica (Ed. Agradecimentos Agradecemos ao professor Trieste Freire Ricci pelos co- mentários e sugestões que em muito auxiliaram a ela- boração deste trabalho. dimento da relatividade restrita já reside nisso.F. Espera-se que este artigo ajude a compreender a fundamental di. [9] C. J. Mesmo trabalhos na literatura ou livros didáti. Corson.M. Sifredo. 217. K. Laburú.M. [16] I.H. em geral. Cabral. 85 (1998). 176 (2002).unesco. 211 (1982). Ricci. muitas vezes o fazem sem [14] T. Mortimer.A. Studies in Science Education 5. tomada no instante t = 0.htm. 129. p. Ogborn. Macedo. isso tem sido feito na área de computação 1 (1996). [7] A. Freeman and Company. C. Caderno Catarinense de Ensino de Física ferença entre ver e medir. Berenguer. é ainda um tema pouco explorado pelos livros didáti. Lorrain and D. com certeza. Embora na literatura este tópico venha sendo [13] E. Pérez. Science and Education 7. 1978). A Estrutura das Revoluções Científicas uma discussão muito aprofundada dos principais con. Para que se compreenda como ocorre [15] A. Perspectiva. Gertzog. [12] D.Velocidade aparente dos pontos da esfera para β = 0. Ireson.F. Electromagnetic Fields and Waves (W. A autora Fernanda Ostermann agradece o apoio parcial do CNPq. Caderno Catarinense de Ensino de Física 19. [17] F.E.A. Vilches (eds). Silveira. Berenger y J. [2] P.ufrgs. B. Ostermann e T. Valdés y A. Science Education 66. Disponível em: http://www.P. Alianza. R. Revista Brasileira de Ensino de Física 23. A visualização de objetos em movimento relativístico Santiago. Conclusão Didáctica Fundamentada para la Educación Científica de Jóvenes de 15 a 18 Años (Ed. [3] N. Physics Education 40. Driver and J. Madrid. Stike. Enseñanza de las Ciencias 15. Kuhn. pois boa parte do mau enten. Revista Brasileira de Ensino de Física 24.pdf.

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