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TRANSCRIÇÕES – DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO- 1ª

UNIDADE-2018.1

1. Aula 1 (Aula do dia 11/04) – História do Direito Internacional


Ela começa na antiguidade, mas a história do direito internacional público vai
surgir... O surgimento daquilo que nós vamos entender como direito internacional
público hoje nós vamos encontrar na antiguidade. Então vejam que no caso específico
de Nouyen Quoc Dinh e seus colaboradores, eles estão falando do desenvolvimento do
direito internacional. É diferente do Adam Watson, claro, ele tá falando disso que nós
chamamos de Direito Internacional, Público, mas ele tá se referindo a uma história da
sociedade internacional, e tem uma diferença grande aí, ele poderia, inclusive, estar
falando em comunidade internacional, mas ele está falando aí em sociedade
internacional. A ideia de sociedade é a ideia de que existe um pacto, de que existe uma
organização social que acomoda ou se acomoda em função da lei, em funço rudimentos
do direito internacional, nós não vamos encontrar um direito internacional já formado,
plenamente estabelecido, vamos encontrar rudimentos. Elementos que depois vão ser
dotados de positividade, de significado. Eles vão se constituindo ao longo do tempo,
muito lentamente. E aí vamos fazer esse desenvolvimento, vamos falar desse
desenvolvimento histórico ao longo dessas nossas duas aulas.
Nouyen Quoc Dinh fala então desses dois períodos, desse período de formação e
de um período de desenvolvimento. É muito questionável perante a doutrina, embora ele
tenha um livro muito conceituado, reconhecido ainda hoje como o grande livro de
direito internacional no mundo, que aborda as questões do direito internacional em uma
perspectiva global, pq os exemplos são de diversas partes do mundo, eles não estão
muito interessados em uma abordagem internacional, mas sim em uma visão geral, uma
visão global do desenvolvimento e da prática relacionada ao direito internacional.
Então, o primeiro período, no caso de Nouyen Quoc Dinh, vão estar falando desse
período de formação qual seja, um período longo que vai da antiguidade até a revolução
francesa, então só falando no direito da antiguidade já são alguns milênios, três
milênios, e mais mil e tantos anos, né? Então, não é pouca coisa. Muita coisa aconteceu
durante esse período todo e ainda assim os autores correm o risco de periodicizar,
nesses termos, ou seja, como uma longa etapa, um longo período. Esse período na visão
dos autores é um período caracterizado por isolamentos, os Estados, na realidade eles
não trabalham com a noção de que existiam Estados, aquele seria um direito
internacional sem Estados. Estaríamos falando de uma realidade em que os rudimentos
do direito internacional, ou aquilo que nós poderíamos entender como sendo elementos
do direito internacional em formação, nós não temos propriamente Estados. Nós
rudimentos nós não temos Estado, conforme entendido nos dias atuais. Isso no
entendimento dos autores Nouyen Quoc Dinh e outros.
E esses Estados, digamos que vigia entre eles um isolamento baseado naquilo
que Hobbes desenvolveu muitos séculos depois, que... Um dos elementos centrais da
ideia de Hobbes é a ideia de medo. Né? Porque que o Estado é criado? O Estado é
criado porque as pessoas têm receio, têm medo da vida sem um ente que organiza a vida
em sociedade. Então tem um pacto em sociedade que é estabelecido para que a vida seja
organizada. O que existira era isso, o que existia era o medo, existia sociedades
precárias, depois nós veremos de acordo com o desenvolvimento do Adam Watson um
outro elemento que vai ser importante na caracterização dessa sociedade ou dessas
sociedades, mas aqui, em termos desses autores, ou seja, Nouyen Quoc Dihn e seus
colaboradores, eles falam dessas sociedades sem Estado, isoladas, ou seja, elas não têm
grandes possibilidades interação entre elas, elas vivem com medo umas das outras, a
regra realmente será a guerra e isso será muito mais desenvolvido no livro do Adam
Watson, pq a diferença entre um e outro é que o livro de Nouyen Quoc Dihn é um livro
sobre direito internacional, é um curso sobre direito internacional, então parte dele é o
desenvolvimento histórico, uma parte até longa...
Nouyen Quoc Dihn trabalha então com essa ideia, de que os Estados, na verdade
não os Estados, mas as sociedades estão isoladas com medo umas das outras e há uma
guerra de todos contra todos, há uma disputa de espaço envolvendo essas sociedades em
formação, essas sociedades anárquicas, essa é uma outra nomenclatura que nós
poderíamos utilizar para caracterizar a sociedade ou as sociedades dessa época. Apesar
disso havia algumas trocas comerciais, ou seja, o que nós podemos chamas de Estados
em formação, sociedades em formação, reinos... É mais adequado falar em reinos, se
não existiam Estados mas existiam reinos, então esses reinos faziam trocas comerciais,
esses reinos também faziam trocas de mensagens em função dos interesses envolvendo
sobretudo os interesses comerciais. Embora no Estado do Nouyen Quoc Dihn não seja
trabalhado muito essa ideia, isso mais do livro do Adam Watson, que é um livro
especificamente histórico, um livro sobre a história da sociedade internacional.
Então, havia comércio, apesar de toda a precariedade do sistema, que nós
possamos chamar como período de formação, nós temos algumas trocas comerciais,
trocas precárias, trocas baseadas na força, em guerras... Mas havia também algumas
condições de trocas comerciais. Havia também os chamados tratados costumeiros. Falar
em tratado costumeiro é o mesmo que falar, ainda nos dias de hoje, em costume legal,
vamos dizer assim, que o que existe no Reino Unido, e em todo o mundo onde existe
uma tradição costumeira. Ou seja, o que é uma lei costumeira? Uma lei que se torna lei
em função de ser antes um costume. Que é o que acontece nessa sociedade baseada no
costume. Então aqui nós vamos ter tratado costumeiro porque o mundo é regido com
base nessa forma de organizar as normas. Ou seja, era o costume que vinha primeiro,
antes da lei. Então, havia uma série de elementos que compunham os tratados. Significa
que antes de tudo existia o costume e o costume poderia ser reduzido a uma norma
escrita, poderia ser escrito.
Dentro dessa ideia de tratados costumeiros, já havia talvez não em todo esse
longuíssimo período, aliás é sempre complicado falar de um período tão longo porque
ele pega desde a antiguidade, três milênios, e pega também a idade média e parte da
idade moderna, o início da idade moderna. Não é fácil nem é facilmente justificável
uma periodização tão longa. E é por isso que o outro autor, o Adam Watson, vai
trabalhar com três fases, e eu particularmente acho mais adequado, acho mais
justificável. E, como falei também na aula anterior, de toda forma, como toda
periodização, como toda classificação, qualquer autor vai estar correndo riscos, pois é
sempre muito complicado, é sempre uma redução da realidade, classificar ou
periodicizar. Então, apesar de tudo isso, dessa dificuldade de periodicizar, de trabalhar
com uma periodicização tão longa, nós vamos ter também, a partir de determinado
momento, o elemento chamado de ​pacta sunt servanda, sobretudo em relação aos
tratados, se já existia em relação à lei, vai existir também em relação ao tratado
costumeiro. A ideia de que duas partes se encontram, estabelecem um acordo e
assumem o compromisso de cumpri aquele acordo. E podem dizer uma para outra:
pacta sunt servanda.
A ideia de reciprocidade, que aliás, é constitutiva do direito internacional, é
constitutiva de todo direito, mas, sobretudo, do direito internacional pq não há a
possibilidade costumes, de princípios, princípios gerais do direito internacional, ou
princípios gerais do direito aplicados ao direito internacional, não há possibilidade
sobretudo de tratados, se essas fontes não forem baseadas na ideia de reciprocidade. Ou
seja, o que vale para um, deve valer para o outro. Embora, conforme nós veremos, em
algumas situações no direito internacional, não há reciprocidade. Porque sempre existe
uma espécie de realismo que faz com que determinados Estados tenham mais direitos
que outros. O tratado de não proliferação de armas nucleares é um exemplo, ou seja,
alguns Estados têm direito de manter suas armas nucleares e outros não podem tê-las
por conta de um certo realismo exacerbado na ordem internacional atual.
E havia também, a ideia de uma língua comum. Ou seja, as sociedades falavam
línguas diferentes, como é nos dias de hoje, aliás, era provável que houvessem ainda
mais línguas, uma variedade maior de línguas. E era preciso que na hora de acertar os
ponteiros, de fazerem acertos na sociedade, se estabelecessem algumas línguas como
sendo uma língua comum, aquilo que vai se entender depois como uma língua franca.
Ou seja, o próprio direito internacional vai se caracterizar, criar a ideia de uma língua
franca. Então, esses são, na ideia desses autores, Nouyen Quoc Dihn e outros autores,
são elementos caracterizadores desse longuíssimo período de formação.
O outro período é o do desenvolvimento, ou seja, quanto o direito internacional
vai ser adensado, vai ser dotado de maior significado, pq os próprios Estados vão ser
constituídos, ou a partir da constituição dos Estados no ambiente Europeu, nós vamos
ter possibilidades de desenvolvimento de princípios, de institutos, de instituições que
vão fazer valer o direito internacional.
Então é uma fase que vai fazer viger uma ordem internacional, embora os
realistas prefiram falar em desordem internacional ou em anarquia internacional. Mas,
para muitos outros autores se vai falar em uma ordem internacional, que vai ser
garantidora de diversos institutos, como por exemplo o instituto da arbitragem, que tem
suas particularidades no plano internacional, sendo utilizada como forma de solução de
controvérsias.
A arbitragem é um meio muito antigo que se usava no plano da realidade
envolvendo os indivíduos, dos conflitos entre os indivíduos e também envolvendo essas
sociedades precárias que segundo Nouyen Quoc Dihn e outros, sequer seriam
organizadas em Estados. Por isso ele fala em um direito internacional sem Estados.
Instituições, ou seja, além dos institutos nós vamos ter instituições. Antes das
instituições nós vamos ter arranjos internacionais, como o concerto da Europa que teve
vigência durante o século XIX e por isso em grande parte esse foi um século de paz, um
século com poucas guerras, teve guerras localizadas, mas digamos que foram de menor
potencial ofensivo, digamos assim. E vamos ter, a partir do século XX, as organizações
internacionais enquanto propriamente instituições globais, regionais, internacionais. Nos
arranjos, como falei, a ideia de uma sociedade global internacional, ela só aparece neste
momento, a liga das nações é a primeira, depois a ONU, além das sociedades
internacionais regionais, das mobilizações regionais. A ideia de fontes do direito, que o
direito internacional teria fontes, da mesma forma que o direito moderno...
As soluções pacíficas, a ideia de que o direito internacional precisa de soluções
pacíficas, para além da guerra, a guerra caracterizou esse período de formação. Ela era o
motor dessa sociedade, tudo o que se alcançou ou deixou de alcançar foi em função da
guerra. Civilizações deixaram de existir em função da guerra, outras ascenderam a outro
patamar... Em algum momento chega-se à conclusão de que é preciso ter meios de
solução pacífica de controvérsias internacionais, como a arbitragem, as negociações
amistosas, a mediação e assim por diante.
Mas aí, como falei para vocês, eu vou preferir iniciar a abordagem da história do
direito internacional, a partir do Adam Watson. O que ele vai dizer? Vai dizer que
temos três fases... Ele não é aceito pelos chineses, árabes, pelos que não são ocidentais...
Pq ele conta uma história do direito internacional que muitos vão denominar de
eurocêntrica. O Nouyen Quoc Dihn também, de alguma forma, mas ele ainda traz
alguns fragmentos da china, de algumas outras sociedades da antiguidade... O Adam
Watson também faz isso em sei livro no início, mas quando ele chega nas fases ele é
essencialmente um autor eurocêntrico.
São três fases: a primeira fase é a dos sistemas de Estados antigos,
diferentemente do que Nouyen Quoc Dihn fala, o Adam Watson fala em sistema de
Estados Antigos, é uma fase longa, mas menos longa que a fase de formação de Quoc,
nesse sentido ele nos ajuda mais a entender o surgimento e desenvolvimento do direito
internacional, pois duas fases é muito pouco para entender tudo isso.
Ele fala sistemas, no plural, não é um sistema, mas sim sistemas de Estados
antigos, são muitos sistemas, há uma variedade enorme de conformação desses estados
naquele período. E ele tá falando de estados antigos, diferentemente também do Nouyen
Quoc Dihn ele usa a expressão “Estados”, ele assume, portanto, que haviam estados,
mas que eram Estados diferentes dos que temos hoje em dia. Estados precários, com
uma conformação diferenciada ao que nós temos desde o final da idade média.
Depois temos uma segunda fase, chamada de sistema internacional Europeu, é
também uma fase longa, que dura a idade média e boa parte da idade moderna. Boa
parte pq a terceira fase se inicia na idade moderna e esse estado de hoje não se sabe
mais caracterizar se é modernidade, se é pós-modernidade, o que é. Estamos numa
longa travessia para algo que já não sabemos exatamente o que vai ser, portanto os
autores tbm não têm muito como caracterizar. Então, a segunda fase é o sistema
internacional europeu, a característica desse sistema é todo centrado na Europa, por isso
o autor é muito criticado, por contar uma história do ponto de vista eurocêntrico, apesar
disso eu acho que ele nos ajuda a entender a história do ponto de vista do direito
internacional, desde sua fase inicial, dos estados antigos, fase de desenvolvimento no
âmbito do capitalismo, da sociedade tipicamente europeia e a terceira fase, que ele
chama de sociedade internacional global. Se inicia com a Liga das Nações, segue com a
ONU, e também nós não sabemos no que vai dar, sobretudo nos dias atuais, dias tão
complicados...
Vamos falar agora, especificamente, da primeira fase de acordo com Adam
Watson. O contexto histórico é desses Estados precários, dessas cidades-estado, e que
“cidades-estado” são essas? De acordo com os exemplos dados por Adam Watson são: a
Suméria, a Síria, a Pérsia, a Grécia Clássica, a Macedônia, a China antiga, o Império
Bizantino, os Sistemas Islâmicos e ele fala de sistemas islâmicos pq é uma variedade tão
grande, sempre foi e ainda é, que não podemos caracterizar nenhum Estado como sendo
um modelo islâmico, aliás isso vale para o catolicismo também, vale para todas as
religiões, mas nesse caso ele tá falando dos sistemas islâmicos como uma variedade
muito grande. Essas são todas sociedades caracterizadas, esse é o elemento central desse
mundo, é ser uma sociedade religiosa. Essa é uma sociedade cuja lei, cujos costumes,
cujas instituições, se baseiam na religião. As religiões mudam, mas é ela que dá base,
que dá fundamento a tudo. Então, esse é o contexto desses Estados precários. E aí nós
podemos falar de alguns marcos históricos desse período. Elas têm a guerra como regra,
seus relacionamentos são baseados na guerra, isso vai mudar muito durante sua
evolução histórica e desenvolvimento, tem uma diferença muito grande hoje, no direito
internacional, em relação a este momento, apesar da fragilidade no direito internacional
de hoje, ou da alegada fragilidade do direito internacional europeu, mas tem uma
diferença muito grande dessa fase de sistemas precários.
Volto a chamar atenção ao fato de que o autor falava sistemas, no plural, dada a
dificuldade de se caracterizar como um único sistema, tantos grupos humanos que
viviam disputando entre si, então ele prefere chamar de sistemas de Estados antigos. Aí
vocês podem me perguntar: pq haviam essas guerras de conquista? As guerras de
conquista eram para obter água, que tinha em determinado lugar e não tinha no outro,
para expandir o território, para ter acessos aos bens, além da água, outros bens da
natureza, o ouro, a prata, tudo o que a gente possa imaginar como tendo valor e que
depois o capitalismo potencializou, pq precificou e valorizou muito mais, antes até do
capitalismo, com a conquista nós passamos por isso, então, a apropriação desses bens
acontecia, por que, é aquilo que é aquilo que os racionalistas chamam de necessidade do
domínio, todos precisamos dominar o outro. O outro que tem aquilo que nós não temos,
ou o outro que tem o que nós temos mas nós queremos mais, havia uma luta permanente
por afirmação, independências múltiplas, o autor trabalha com esse conceito de
independências múltiplas.
O que é que a gente pode entender como sendo essa ideia, ou esse conceito de
independências múltiplas? Vários Estados precários coexistindo, aquilo que hoje muitos
chamam de equilíbrio de poder, os realistas falam nesses termos. Então havia essa busca
por sobrevivência.
Sobrevivência num contexto que era muito caracterizado pelo medo, pelo ódio,
pela incerteza. Então os Estados buscavam marcar suas independências múltiplas. Era
um contexto também caracterizado pela força em que os vencidos normalmente se
tornavam escravos, não havia o respeito às normas do Direito Internacional (DI) de
hoje, que manda, por exemplo, que o vencido seja tratado como ser humano, embora
nem sempre isso seja respeitado... mas as governanças atuais dizem que o vencido deve
ser preso e não mais do que isso, né? Ele não pode ser torturado, ele não pode ser
assassinado, ele deve ser tratado com dignidade.
Dentro dessa ideia de luta permanente, ou seja, estamos falando de um contexto
caracterizado pela guerra. Isso vai se perdendo ao longo do tempo, ou seja, durante o
desenvolvimento histórico das partes, isso vai sendo alterado... hoje nós temos muito
menos guerra do que nessa fase... a fase que nós estamos descrevendo é uma fase
caracterizada essencialmente pela guerra e por antagonismos que o autor chama de
“antagonismos inter e intraculturais”.
O que é um ​antagonismo intracultural​? É um antagonismo dentro da própria
cultura, como, por exemplo, dentro da cultura grega. Talvez um grande exemplo, o
melhor exemplo seja a cultura grega.
Quando nós falarmos em fundamentos do DI, eu falei pra vocês que iria dar uma
visão geral sobre a teoria das relações internacionais, e aí, no realismo tem um autor,
“Tucídides”, muito famoso né? Um historiador que fala da guerra do Peloponeso. Uma
guerra entre Atenas e Esparta. Então dentro de uma mesma base cultural, temos duas
cidades-estado que têm divergências e que buscam assumir o poder uma da outra, ou ter
mais poder do que a outra cidade-estado e por isso elas vão à guerra.
Então a guerra acontecia dentro da própria cultura, ou poderia acontecer dentro
da própria cultura, estamos falando então desses antagonismos intraculturais, isso
aconteceu não só na Grécia, mas também na China, a China enquanto uma variedade
grande de civilizações que vieram conformar a china de hoje; a Índia, a mesma coisa,
né? Ou seja, sociedades que disputaram entre si, e podemos falar até mesmo da nossa
conformação histórica, embora em outros termos, em outro tempo, com outra cultura,
mas nós também tivemos os nossos antagonismos internos, ainda os temos né? Vez por
outra temos regiões do país que falam em possibilidade de independência.
E temos os ​antagonismos interculturais​. Houve também antagonismos
interculturais, por exemplo, entre (i) a Grécia e a Pérsia que estão lá bem pertinho, tem
o mar separando, e naquele tempo era muito mais distante, evidentemente, mas hoje
estão lá bem pertinho; (ii) Roma e praticamente todas as civilizações da época; a (iii)
Macedônia e a Pérsia. Então a gente pode imaginar, por exemplo, pra falar desses
vestígios de DI do passado, podemos imaginar o que pode ou poderia ter acontecido,
com uma certa licença humorística, né? A gente pode lembrar, a gente pode pensar, por
exemplo, em um pedido de Alexandre... Alexandre, né? Alexandre o Grande, né? Ele
queria mais poder, e aí poderia mandar um mensageiro, que hoje é o antecedente do
diplomata, então ele poderia mandar uma cartinha para o Dario III, dizendo: “eu quero
todo o seu ouro, não precisa de guerra, eu quero todo seu ouro e toda sua prata”, e aí o
Dario disse: “Coisa nenhuma, vamos à guerra. Só não mato você e o seu mensageiro,
porque eu quero que essa mensagem chegue lá, naquele cabra safado”. E aí foram à
guerra e o Dario perdeu, ou seja, o Alexandre ganhou a guerra, pegou todo o ouro,
casou com uma persa, continuou namorando o namorado dele, distribuiu o ouro pra
todo mundo, pra fazer brinco pra todo mundo e pronto. E a historia seguiu como a gente
sabe.
Então, nesse contexto, quanto maior a integração, quanto maior a identidade
cultura, se fosse num contexto de antagonismo intra ou inter cultural, quanto maior
fosse a identidade de uma cultura, melhor forma de dominar, né? E parece ter sido um
pouco o que aconteceu entre Macedônia e Pérsia, ou seja, houve uma identificação,
houve um encontro, digamos assim, entre as sociedades, entre as civilizações, elas se
aproximaram e houve trocas, embora houvesse uma dominação, não resta dúvida que
era um tipo de império, digamos assim, mas houve entendimentos, houve trocas e houve
construção de cultura ou trocas culturais, por conta dessa facilidade. É diferente por
exemplo das possibilidades de encontro, hoje em dia, entre judeus e Palestinos, ou entre
norte-americanos e palestinos, porque tem uma distância tão grande... (inaudível).. se
bem que voltemos a nosso lugar que era de milênios atrás.
As estruturas que existiam na visão do autor eram essas independências
múltiplas, ou seja, houve momentos na historia que as independências múltiplas tinham
uma plausibilidade, os Estados conseguiam ter um certo equilíbrio de poder entre eles...
houve momentos em que a situação era caracterizada como de hegemonia, que é uma
outra conformação, na hegemonia tem uma prevalência de uma das culturas, mas é uma
prevalência, digamos assim, um tanto quanto tênue, é diferente do domínio que é a
terceira forma. No domina há claramente uma definição de que alguém manda, alguém
domina, já na hegemonia, digamos que, todo mundo sabe, né? Existe uma prevalência
de uma cultura, mas há também um certo espaço para que a outra cultura se desenvolva.
Então, no domínio, pode haver certo espaço, mas ele é reduzido, o espaço da cultura
dominada é menor. E tem propriamente a chamada “administração direta ou império”
que aí é explícita a supremacia de uma cultura sobre a outra, e a outra tem muito pouco
espaço pra se desenvolver. Na visão do autor, que acho ser uma visão muito sofisticada,
né? A história, claro, tem suas limitações, sobretudo em função de ser uma
caracterização de uma... de períodos muito longos, depois tem a atuação de
eurocentrismos e tudo mais, mas é uma caracterização bem construída e bem
fundamentada, né? Então independências múltiplas é uma possibilidade que seja essa
ideia dentro dessa ideia de equilíbrio de poder...
Aluno: Na hegemonia é o que? É em sentido cultural é?
Professor: na hegemonia tem uma supremacia de uma
das culturas mas ela é mais tênue.
Aluno: isso é mais ou menos como o império romano?
Professor: sim, em alguns lugares. Depende muito do
lugar. Depende desse encontro da cultura, ou seja, se a cultura
ela é mais fraca, a cultura com a qual se encontra é uma cultura
menos resistente, então isso dá espaço pra que haja hegemonia,
império ou domínio... né? Na hegemonia nós temos uma
prevalência de uma das culturas, mas essa prevalência ela é um
tanto quanto tênue, tem mais espaço, tem muito espaço para
também a outra cultura se desenvolver. No domínio tem menos
espaço pra cultura dominada se desenvolver, por exemplo, a
língua, ou seja, umas das questões que mais aconteceram foi a
sujeição linguística, então quando há uma hegemonia há
possibilidade de convivência de línguas. Muita gente descreve a
convivência da “pax” americana como sendo uma hegemonia,
né? Por que? Porque, em pelo menos em alguns setores, é
possível ter algum espaço para que a cultura local seja
respeitada. Quando há o encontro entre a cultura americana e a
cultura de outros países. Mas isso depende também do contexto,
porque em alguns lugares é Império, em outros lugares é
Domínio e em outros lugares é Hegemonia. Então quando se
fala em Hegemonia do império americano, hegemonia da
cultura americana se tá dizendo que há uma prevalência
daquela cultura, mas com certo espaço para que outras culturas
também se desenvolvam; quando se fala em domínio, tem menos
espaço para culturas dominadas sem desenvolverem; e quando
se fala em Império, o espaço é mínimo. Tá claro?
Aluno: entendi. Foram três denominações agora?
Professor: ​Quatro​. Tem também as Independências
Múltiplas, que é quando há uma espécie de equilíbrio de
poderes, né? Tudo isso existiu nessa fase. Nessa fase de
desenvolvimento do Direito Internacional. Em alguns
momentos, essas sociedades se acomodaram quanto
(i)independências múltiplas​, tanto uma respeitava a outra, uma
tinha medo da outra e uma tinha independência ou relativa
independência em relação à outra. Em outras situações havia
(ii)hegemonia​, ou seja, uma cultura tinha prevalência sobre a
outra, o elemento central é a cultura, então a cultura tinha uma
prevalência, mas uma prevalência tênue, então estamos falando
em hegemonia... quando se fala de ​(iii)domínio​, tem uma
prevalência maior, portanto um espaço menor para prevalência
da cultura dominada, e no ​(iv)império praticamente não há
possibilidade de respeito da cultura dominada, ela é sujeitada.
Sempre há, porque não há nada que seja pleno, sempre há,
então a sociedade mais sujeita à dominação, ao império, ela vai
ter também a sua capacidade de marcar, de se marcar, ou
marcar a sua cultura. [54:27]
Aluno: Professor, então a sujeição linguística é uma
característica do império e do domínio?
Professor: é isso.
Aluna: Professor, então isso quer dizer que numa mesma
cultura, a depender a localidade, a estrutura pode ser diferente?
Pode haver hegemonia em uma parte...
Professor: sim, sim...
Aluna: isso justifica até os dialetos que existem, por
exemplo, na Itália... em algumas partes existem vários dialetos e
aí, provavelmente, nessa localidade havia hegemonia..
Professor: sim, exatamente... havia hegemonia.
Aluna: e nas demais localidades...
Professor: ou independências múltiplas ou hegemonia..
exatamente. Já no império, muito provavelmente, a cultura é
sujeitada.
Aluno: Isso tem a ver com o domínio mesmo do estado?
O nível né? o domínio, império? Isso tem a ver com o grau de
controle maior? A capacidade do estado?
Professor: é, então, é isso que a gente tá falando, ou
seja, da capacidade de controle cultural. Que o elemento
central aí, na análise do autor, é a cultura.. é o controle
cultural. Ele fala em independências múltiplas, em hegemonia,
domínio... tudo em relação à ​cultura.
Aluna: Professor, e se acontecer o contrário? se a
cultura dominante absorver algum aspecto da cultura
dominada? (resto da pergunta inaudível)
Professor: então, aí significa que aquele domínio ou
aquele império, em alguns momentos, pelo menos... é boa a
pergunta porque mostra que em alguns momentos essas
caracterizações elas não são fixas, né? Elas podem ter variado
também no tempo... e aí em relação ao Império Romano, o que
se diz é que ele foi muito forte, muito imperial no início e depois
ele foi se acomodando, né? Então absorveu também muitos
aspectos das culturas do outro.

É, esse período que é caracterizado pela prevalência religiosa, então do ponto de


vista jurídico, ou daquilo que nós entendemos como sendo as teorias que fundamentam
o Direito, estamos falando de um jusnaturalismo de base teológica ou cosmológica, o
jusnaturalismo de base teológica é quando o elemento central, a natureza da qual se está
falando é o divido, o divino é o elemento central da natureza. E quando a gente tá
falando do jusnaturalismo cosmológico é quando a própria natureza é o que fundamenta
o direito. Então essas sociedades variavam um tanto quanto entre uma fundamentação
teológica e uma fundamentação cosmológica. Então ou era Deus que fundamentava o
direito e a política, ou era a própria natureza, a ideia de natureza, uma espécie de
cosmologia.
Como falei anteriormente, os tratados costumeiros, enquanto parte do DI, ou
seja, enquanto elementos, vestígios, elementos de formação, os tratados costumeiros
eram os tratados que existiam em função do costume. Como a lei hoje no Reino Unido e
nos países de tradição costumeira, a lei só existe em função de antes ter sido costume.
Quando o costume muda, pode-se estabelecer uma lei. Então estamos falando de algo
semelhante. Tínhamos ainda a ideia de língua franca, o autor anterior falava em língua
comum, este autor aqui, o Adam Watson, está falando em língua franca que é uma ideia
muito mais moderna, é uma ideia (inaudível) anterior à modernidade, vai surgir,
digamos, na idade média, por volta da idade média, e aí aplica a esse período, ao
período da antiguidade. Na realidade, então, talvez não se falasse, não tivesse uma
denominação, sabia-se que se precisava de uma língua, uma língua para redigir os
tratados... mas não existia propriamente o conceito de língua franca, é algo mais pra cá
na história.
Tínhamos a figura dos mensageiros, os mensageiros poderiam não voltar da
viagem que faziam pra entregar a mensagem. Todo mundo aqui deve ter visto o filme
300 e viu o que aconteceu com o mensageiro, né? Perde a cabeça... é uma declaração de
guerra, né?... e o mensageiro poderia voltar sem uma perna, sem um braço, sem um
olho... então não era um bom emprego... eles são o antecedente mais antigo do
diplomata, que é aquele que faz negociações amistosas a todo momento... a todo
momento... e aí felizmente que não perde mais hoje as partes do corpo, nem perdem os
bens mais, que até o século XIX, trabalhavam pro governo, o governo caia em
descrédito, né? No plano mundial e aí perdia os bens... Acontecia também com os
empresários, um negócio estável e aí um determinado governo chegava ao poder e não
gostava do empresário e bania, perdia os bens todos... e pra que isso não aconteça mais,
existe hoje no DI, com a conformação que nós temos visto, apesar de todas as
limitações que nós podemos verificar ainda.
Com o passar do tempo, sobretudo na sociedade romana, nós vamos ter uma
certa tolerância com a figura do estrangeiro, falei normalmente que o dominado se
tornava escravos, mas com o passar do tempo isso foi se transformando e o Direito
Romano ele tratou de civilizar um pouco toda essa barbárie, pois é de barbárie do que a
gente tá falando mais do que tudo nesta Fase.
Tem o que se denominou, desde então, no Sistema Romano de “Jus Gentium” ou
direitos das Gentes. Era um direito para o cidadão não romano, se é que podíamos falar
em cidadão. Cidadão é uma expressão moderna. Mas, enfim, para a pessoa não romana,
o jus gentium. E ao longo do tempo essa expressão vai sofrer transformações, até ser
comparado a algo como “Direito Internacional”. Inicialmente tem nada a ver com o DI,
é só um direito para pessoas que não eram romanas, que não eram cidadãos, assim por
dizer, romanos.
Com o passar do tempo, vai-se entender que vai ser provavelmente a primeira
expressão relacionada ao que nós, hoje, chamamos de DI, mas ainda muito diferente do
que nós passamos a entender como sendo DI. Direito das gentes foi utilizada até que
surge Jeremy Bentham, em 1780, que escreve um livro e utiliza pela primeira vez a
expressão “Direito internacional”, em inglês: “internacional law”.
Então este autor foi o primeiro autor a utilizar a expressão “Direito
internacional”. Até então se falava em “​Jus Gentium” ou “Direito das gentes”.
Inicialmente direito das gentes era todo aquele “povinho” que não era romano, mas que
precisava ter alguma proteção, né? Aqueles que não tinham nascido na sociedade
romana, mas que com o tempo, com essa flexibilização da sociedade romana, outras
nacionalidades passaram a ter alguns direitos, então pra eles passaram a ter o Direito das
Gentes... “as gentes”, aquele povo que não é igual a nós.
E aí com o tempo passa a ser o Direito que serve ao espaço não nacional, ao
espaço não estatal. E aí tem várias obras que falam em Direito das gentes como o que
nós entendemos hoje como sendo DI. Em 1780, Bentham escreve essa obra e fala de um
Direito Internacional. Então passamos a ter um outro elemento definidor desse direito
que não é o direito estatal, mas o direito de nações. Alguns defenderam que tivéssemos
a denominação “Direito interestatal”, houve uma disputa teórica ao longo do tempo em
torno disso, ou seja, de um direito internacional, de um direito interestatal que terminou
vingando, ou seja, se estabelecendo essa expressão “Direito Internacional”, que também
é sujeita a críticas, porque se baseia na ideia de nação e talvez o DI seja mais do que
isso, o elemento nação talvez não seja o elemento que melhor caracterize isso que nós
chamamos de DI, mas é melhor que a expressão “Direito Interestatal”, porque essa
expressão reduz o mundo, esse mundo do direito internacional ao mundo dos estados. E
o DI não é só isso, é um direito de estados, é um direito de pessoas individuais, é um
direito de organizações internacionais, pelo menos...
Aluna: professor, tem uma semelhança com o realismo
né? Que tem o foco no Estado né isso? O direito internacional é
um ramo que vai organizar e regular as relações de estados e
também das organizações internacionais, que o senhor acabou
de falar...
Professor: então, o realismo é uma perspectiva teórica
que se assenta na ideia de estado, então um autor que defende a
ideia de que o DI está no direito Interestatal, ou seja definido
como Direito Interestatal, é um autor que nós podemos
considerar como sendo realista.
Então é bem interessante que não tenha vingado essa denominação “direito
interestatal”. Porque essa realidade é muito maior, a realidade do DI é maior do que a
realidade dos Estados, suas relações envolvendo estados. Temos pelo menos, além dos
estados indivíduos, temos organizações internacionais, hoje em dia têm empresas
transnacionais que também participam desse espaço internacional, e restam criticas
evidentemente à expressão Direito Internacional, porque a ideia de nação é uma ideia
limitada pra descrever o que é o DI. Mas alguma denominação teria que vingar, teria
que se estabelecer, e toda ela seria sujeita a críticas. Então a que n´s temos, a que ficou
foi Direito Internacional e está aí sendo utilizada cada vez mais.
Então nós estamos falando de um sistema, ou de sistemas práticos, volto a dizer,
tantos estados eram precários e os sistemas eram práticos, ou seja, claro que existiam
tratados, mas existiam mais do que tudo costumes, ou seja, existia prática. Ou seja era
um contexto, esse da primeira fase de desenvolvimento, de acordo com Adam Watson,
era um sistema de sociedades que se baseavam muito na prática. Ou seja, tinha um
conflito alí, vamos criar algo que vai resolver. Não havia muitos fundamentos, havia a
necessidade de compor certos conflitos e quando havia né? Quando não era guerra que
não resolvia as coisas... mas isso também é importante chamar atenção, porque esse DI
antiquíssimo era quase que um direito da guerra. E alguns autores, depois, nós veremos
no desenvolvimento em seguida, falaremos em alguns autores que vão trabalhar com a
ideia de direito da paz e direito da guerra. Por que? Porque vai surgir a ideia de paz que
vai contrabalançar a ideia da guerra.
Mas essa ​primeira fase é uma fase que se caracteriza como sendo uma fase que
tem como ​foco a guerra.
E, já antecipando, o que nós falaremos em termos de fundamentos, tem uma
corrente inteira, que é o realismo, que se baseia na guerra. Explica as relações
internacionais com base na ideia de guerra. Ainda hoje, têm vários autores que baseiam
tudo, explicam tudo no campo das relações internacionais, portanto também no DI, com
base na ideia de guerra.
Então, nós teremos aula nesta sexta feira às 18:30 seguindo até as 22:10 e
daremos sequência ao desenvolvimento com a segunda fase e a terceira fase.

2. Aula 2 (Aula do dia 13/04) – Segunda fase: Sistema Internacional Europeu

Contexto histórico
Então, quando a gente vai para a segunda fase, a gente vai está falando de
um ​mundo que vai está muito mais ​centrado no ambiente europeu​. Quando o mundo
anterior era um mundo centrado no oriente, esse mundo vai está, ou o mundo que se
inicia a partir da idade média vai tá mais centrado no oriente ocidental. Na Europa e na
Europa ocidental.
Essa fase ela começa com a idade média, ela começa com a queda do
império romano do ocidente, e isso é caracterizado como sendo um período muito
conturbado na história. Tem um certo vácuo de poder. Ou seja, a ausência de um poder,
que no caso era o poder romano, do estado romano, ou que se poderia entender como
sendo o estado romano, deixa uma lacuna muito grande, com muitas divisões. E
certamente aquilo que caracteriza essa fase são as invasões bárbaras e toda uma
anarquia internacional muito grande. Isso só vai se resolver. Digamos que no início da
idade média, a caracterização do início da idade média é esse período muito conturbado,
e só com o tempo se vai adquirindo uma certa ordem, ou aquilo que se poderia entender
como uma certa ordem no plano internacional.
As ​guerras​, que foram a regra, nós vamos ter uma mudança em relação ao
padrão de guerra. Ou seja, a primeira fase é uma fase que tem tipicamente a guerra
como regra. OU seja, o que acontece no mundo é essencialmente guerras de conquista.
Essas guerras continuam, só que elas vão ter um padrão um tanto quanto diferente.
Digamos que os objetivos são relativamente os mesmos, mas elas diminuem em
intensidade. Os objetivos são a expansão territorial, ou seja, aquilo que os realistas
chamam de glória. A busca da glória. A busca da glória se alcança a glória também em
função da expansão territorial.
Por ​expansão territorial se pode entender não só a expansão do território
física, mas a aquisição também dos bens da natureza que estão no território. Então a
agua, a agua sempre foi muito desejada e necessária. E, portanto, boa parte das guerras
aconteceram, as guerras de conquista aconteceram em função de expansão territorial.
Aconteceram também em função de ​definição de fronteiras​. Esse é um
dos elementos, digamos assim, constituidores do direito internacional. Ou seja, o direito
internacional se justifica, ou se justificou ao longo do tempo em função da necessidade
de definir fronteiras. São muitos os tratados, tanto os tratados na antiguidade, mas
sobretudo a partir da idade média. Nós vamos ter tratados, e sobretudo tratados
bilaterais que a ocorrência de tratados multilaterais é algo relativamente recente. Só vai
ter tratados multilaterais a partir, mais do que tudo no final do século 18, no século 19.
É quando nós vamos ter tratados multilaterais.
Então os tratados são tratados mais como uma realidade bilateral. Ou seja,
são cidades, um envolvendo o outro que decidem estabelecer certos acordos. Então,
imagine que era uma confusão, uma dificuldade muito grande, havia uma desconfiança
muito grande. O cenário no plano nacional e no plano internacional a política ainda era
muito caracterizada por desconfiança, mas mesmo num contexto como esse, um
contexto de muita disputa bélica, e a guerra era ou a regra ou muito recorrente, então na
hora em que se fazia tratados era também muito difícil de se chegarem a acordos.
Esses acordos tinham que ser combinados em instâncias diferentes por
parte dos “conventores”. Então, dois estados se encontravam, depois um daqueles
estados se encontrava com outro estado, por exemplo, França com Alemanha,
Alemanha com a Suíça. Cada um estabelecia acordos diferentes, ou em bases diferentes
e era muito difícil, muito complicado chegar a um denominador comum nesse contexto
de muita desconfiança. Então, nesse contexto de muita desconfiança se dava também as
guerras de conquista, principalmente as guerras relacionadas à conquista do Oriente, em
função de definição de fronteiras.
Mas também em função do ​controle político​. E esse é um momento
histórico em que as disputas eram muito caracterizadas pela predominância de
determinadas famílias ao lado de determinados reis ou de determinados estados. Talvez
não seja muito adequado falarmos em estados propriamente durante toda essa fase,
porque o estado, a depender evidentemente da nossa compreensão e da nossa
interpretação, o estado só vai surgir muito tempo depois. É só a partir do tratado de
westfalia é que muitos autores consideram que nós vamos ter propriamente estado, ou o
estado como nos entendemos nos dias de hoje.
Então, as guerras continuam, elas continuam em função de expansão
territorial, em função de definição de fronteiras, de controle político, esse controle
político exercido mais do que tudo por famílias, e nesse contexto todo surge uma
religião que tem uma predominância, sobretudo no contexto europeu, e que é o
Cristianismo.
O ​cristianismo vai deixar marcas muito profundas no que diz respeito ao
direito internacional, muitos dos institutos do direito internacional, ainda hoje vigentes,
ainda hoje com significados, eles foram organizados, foram propostos, foram iniciados
nessa fase. É o caso, por exemplo, de todos aqueles acordos conhecidos como “bons
ofícios” que surgiram no ambiente de “papa”. Foram os papas que propuseram os bons
ofícios.
Um grande exemplo de bons ofícios é o tratado de Tordesilhas, que o papa
Alexandre VI definiu, aí combinando uma negociação envolvendo Portugal e Espanha
em torno das terras descobertas nas américas. Ou seja, as terras em que exatamente o
Brasil hoje está e que o Brasil descumpriu junto com os portugueses, mais do que tudo
portugueses e brasileiros também, e a gente tem uma conformação territorial superior ao
que está definido no tratado de Tordesilhas. Mas isso também é revelador que há algo
importante para a nossa discussão, do ponto de vista histórico que é essa disputa entre o
poder temporal e o poder religioso, que é uma característica da idade média e da idade
moderna. É isso que vai fazer também que nós tenhamos marcas no direito internacional
que são resultantes desses embates. Ou seja, essa é uma fase caracterizada por uma
disputa envolvendo os papas, o poder católico ou o cristianismo, que queria exercer, ou
buscava exercer uma predominância sobre o sistema internacional, sobretudo o sistema
europeu, e os reis, os imperadores que queriam manter o controle e foram vitoriosos, ao
longo do tempo foram vitoriosos e por isso nós temos o estado-nação e nós temos as
marcas do direito internacional, temos o instituto do direito internacional. Só tem
sentido falar do direito internacional porque o direito internacional surge, ou se
consolida como uma conformação a partir dos estados-nação, tanto quanto direito
internacional interestatal, é disso que nós estamos falando. Portanto, só tem sentido falar
em direito internacional porque existem, ou o direito internacional que nós conhecemos
só tem sentido falar em função do Estado-Nação.
Se o estado-nação deixar de existir é muito provável o direito internacional
deixar de existir ou adquira uma outra conformação. Pode ser até que suplante os
direitos nacionais, suplante o estado nacional. Mas tudo isso está na ordem, digamos
assim, do que se pode presumir, do que se pode acontecer (acho que é no mundo). O
autor fala também da cisão da igreja, ou seja, a reforma ela tem um papel importante
também no próprio controle do poder religioso e no fortalecimento do poder temporal.
As guerras continuam existindo, como eu falei anteriormente, guerras
também por motivações religiosas. Ou seja, além daqueles elementos que eu falei
anteriormente, que o autor faz referência, também tem a situação religiosa. Ai,
imediatamente a gente lembra das cruzadas porque esse sistema Europeu, ou os estados
que dominavam esse sistema europeu ....
Professor critica a forma de estudar o desenvolvimento histórico e diz que
fazer Salto da idade média para a idade moderna é desconcertante porque não foi assim
que aconteceu.
Então na idade moderna, em função dessa disputa envolvendo o poder
temporal e o poder religioso, a gente vai ter o ​fim da monarquia, ou melhor dizendo,
do absolutismo​. Ou seja, o poder monárquico, ao mesmo tempo que se consolida ele
também tem uma série de limitações, e dentro disso aí o autor fala no conceito que é
muito importante para a nossa discussão que é o equilíbrio de poder.
Porque que a gente fala em ​equilíbrio de poder​? Ou porque o autor faz
tanta questão de mostrar a importância do equilíbrio de poder. Porque o equilíbrio de
poder é um princípio que, se é que já existia, quando o autor falava, por exemplo,
naquelas independências múltiplas. Ou seja, houve momentos na antiguidade em que os
estados, ou aquilo que nós podemos entender como o início do desenvolvimento dos
estados, eles tinham alguma preocupação com a sobrevivência deles próprios e com a
sobrevivência dos outros enquanto independência múltiplas.
E quando se fala em equilíbrio de poder, que é um conceito que nasce
dentro do realismo. Nós falaremos a respeito da fundamentação histórica e filosófica do
cenário internacional, das questões internacionais, das elações internacionais e eu não
falaria apenas das teorias de direito, falaria também das teorias das relações
internacionais. E aí surge o realismo, e é muito caro ao realismo falar nessa ideia de
equilíbrio de poder.
Se ela já existia antes, digamos assim, não tão explicita, ela se torna muito
conhecida, muito fundamentada, muito estudada nesse período que a gente pode
entender como o período de maior desenvolvimento do direito internacional. Porque?
Porque é através do equilíbrio de poder. O equilíbrio de poder a gente pode entender
como um princípio do direito das relações internacionais, por meio do qual os estados
começam a entender que eles precisam limitar o poder dos outros e deles próprios, para
que seja possível uma convivência melhor, uma convivência com mais recorrência de
paz, digamos assim. Com menos ocorrência de guerras.
Então o equilíbrio de poder é algo que surge, é evidente que não é caro
apenas ao realismo. O realismo potencializa muito esse princípio, mas os idealistas
também trabalham com a noção de equilíbrio de poder. Então, podemos entender esse
equilíbrio como a possibilidade de limitar a ocorrência de guerras. E num determinado
momento, quem precisava ter o poder limitado era o Reino Unido, era a França e
principalmente a França (a França de napoleão que precisava ser contida).

Então, adquire um significado muito grande essa ideia de equilíbrio de


poder. Estados, por meio desse princípio, contém as pretensões de ampliação de poder
de terminados estados. É o caso da França, do Reino Unido, mais do que tudo da
França, e com isso se estabelece certo pacto, ainda não nos termos atuais do século XX,
mas sobretudo no século XIX.

Aluno: Professor, sobre esse equilíbrio de poder, é como se os estados que exercem
uma forma de dominação, uma hegemonia, tivessem mais (dispostos eu acho) a aceitar
essas limitações diante do equilíbrio é isso?
Professor: É isso.

Tem diferentes compreensões de equilíbrio de poder, mas numa maneira


geral se pode entender como a forma de estabelecer limite ao poder, ao excesso de
poder que os estados podem ter.

Então, em dias atuais o equilíbrio de poder que foi estabelecido foi com
base naqueles países que tem maior poder econômico, mais poder militar, e que estão no
conselho de segurança com poder de veto. Isso depois da segunda guerra. Então se
chama isso de equilíbrio de poder. Esses estados são como que garantidores de uma paz,
a paz possível.

Aluno: Então quando os Estados Unidos desobedecer ao conselho de segurança sobre a


guerra do Iraque é como se fosse um desequilíbrio de poder?
Professor: É. Pode se entender como sendo um desequilíbrio de pode também.

Durante a guerra fria, ou seja, durante a disputa entre os Estados Unidos e


a União Soviética se diz que também existia um equilíbrio de poder. A bipolaridade era,
talvez a melhor acepção atual de um equilíbrio de poder. Então, aquele que se orientava
pela concepção ( ou pretensão) norte-americana ficava com os norte-americanos; quem
pretendia ficar com os soviéticos ficava com os soviéticos e aí se garantia uma certa paz
no mundo. Mas isso também é ao mesmo tempo contraditório e sujeito a reparo porque
depende da interpretação.
Então o autor fala também de um sistema que pode ser descrito como um
certo sistema de equilíbrio. Ou seja, que é característico dessa época, sobretudo do
século XIX. Esse período, não todo o período evidentemente, mas quando o tempo vai
avançando e nós vamos chegar próximo a terceira fase, então nós vamos ter esse
sistema de equilíbrio de poder baseado no princípio de equilíbrio de poder.
E o princípio do equilíbrio do poder se dá em função da consolidação dos
estados nacionais, da consolidação de um sistema internacional, garantido por esses
estados europeus e que considera importante que os Estados sejam independentes e que
sejam regidos pelo princípio da soberania. Esses dois elementos: independência e
soberania, são elementos centrais para a definição desse sistema de equilíbrio de poder.
Ao mesmo tempo o autor também fala no princípio do ​processo de descolonização​, que
houve alguns processos de descolonização. Ha quem fala em três ondas de
descolonização.
A primeira aconteceu quando surgiram os estados nas américas. Então
estados unidos. Os estados da américa latina que depois foram surgindo ao longo do
século XIX, a segunda onda acontece entre a metade do século XIX e o final do século
XIX, com a criação de estados na África e na Ásia. Mais do que tudo na Ásia.
E a terceira onda acontece em meados do século XX, embora isso seja
sujeito a reparo também, porque ao longo do tempo foram criadas estado-nações. Além
dos estados europeu, digamos que nunca deixou de surgir novos estados. Mas digamos
que essas ondas se concentraram mais no início do século XIX, em meados e final do
século XIX que é a segunda onda, e a terceira onda em meados do século XX, sobretudo
depois da criação da ONU. Anos 60 a África cria uma série de estados e ai a gente vai
tendo uma conformação completamente diferente do sistema internacional que vai
alterar o próprio padrão do sistema. O sistema era europeu e vai deixar de ser
essencialmente europeu para ser um sistema global.
Esse processo de descolonização envolve países da Ásia, África e das
américas. Falando em termos de marcos históricos o autor menciona a ideia de ​Pax
cristiana​.
É provável que eu não tenha feito referência à pax romana, já que isso é
bastante conhecido, ou seja, É um conceito que se relaciona com essa ideia de equilíbrio
de poder, ou dependendo do autor, pode-se dizer que um estado pode ser como
garantidor de um certo equilíbrio de poder. Então Roma teria tido um certo equilíbrio de
poder e tanto se pode falar nesses termos que quando o poder romano ruiu, a vida social
virou um caos. Deixou de existir uma ordem e ai foi um caos, porque tinha-se uma certa
organização da vida social, a que se chamava ​pax romana, ​e aí vem agora o que autores
chamam de ​pax cristian.
Aluno: Professor, tem uma discussão sobre direito internacional que é um
direito que não teria propriamente um campo de sansão, porque no direito a gente
aprende que é de fato sanção e norma e no plano internacional não teria essa sanção
dada a soberania dos próprios países então essa questão do equilibrio de poder,
funcionaria, por exemplo ‘os países hegemônicos se juntam fazendo um acordo e diz:
a gente tem que limitar o poder de todo mundo em prol do benefício geral’. Isso
funcionaria como uma sanção para o direito internacional.
Então, é um direito diferente. Não tem validade, não tem sentido ser igual ao
direito nacional, exatamente em razão da soberania. Agora não concordo inteiramente
que não tenha sanção. Tem sanção, agora elas também são de formas diferentes e
dependem também da área do direito internacional.
No meu entender, quando se trata de segurança nos termos atuais, tem uma
cogencia maior. O estado que desafiar a ordem internacional, por exemplo, querendo
vender/ter armas nucleares nos dias de hoje sem ter essa permissão por parte do sistema
vai ter grandes problemas. Através de sanções econômicas por exemplo.
Então é um contexto muito complicado de se avaliar e é isso que não pode
simplificar a discussão dizendo que em ou não tem. Depende do contexto, do momento
e do tema.
Então, um tema como direitos humanos não tem tanta cogencia. Ou seja, vai
variar também dependendo do subtema. Se for algo como genocídio também não se
pode dizer que é tão fácil alguém se livrar do crime de genocídio se não for
norte-americano. Se for norte-americano pode se livrar mais facilmente porque os EUA
não ratificaram o tratado que institui o Tribunal Penal internacional. Se for colombiano
também pode se livrar mais facilmente, porque a Colômbia sofreu pressões
norte-americanas para não ratificar o tratado.
Mas se for nacional de outros países, vários nacionais de outros países têm sido
levados aos tribunais penais ad hoc e ao tribunal penal internacional para serem
julgados. Então, depende do tema. A gente pode dizer que tem uma cogência, agora
depende muito. Isso não é muito diferente, ao meu ver, do sistema nacional. Estamos
vendo no sistema nacional brasileiro que a lei vale mais para alguns de que para outros.
(...) domesticar as relações internacionais entre Estados cristãos, o que
significava dizer que os Estados cristãos não deveriam fazer guerra. Mas a guerra era
plenamente possível e existia a noção de guerra justa de cristãos contra cristãos e não
cristãos para cristianizar. Essa é uma das dimensões da ​pax Cristiana. ​Era possível
estabelecer uma certa paz entre estados cristãos, mas eles faziam guerra e eram as
cruzadas que faziam guerra contra outros estado na busca de expandir o poder cristão na
terra.
Aluno: Ou aumentar o domínio financeiro, não é?
Professor: Era, era tudo junto, é aí que nasce o capitalismo. Não era
somente a intenção de cristianizar os povos ... Nos dias atuais, numa categoria chamada
de pós colonial, há quem trabalhe com a ideia de que a cristiniazação ​NÃO foi
essencialmente para cristianizar, mas em função de outros elementos como, por
exemplo, para consolidar o sistema econômico... ou seja, tudo o que menos se queria era
cristianizar. Queria adquirir poder, queria construir esse sistema econômico que hoje
nós conhecemos como capitalismo.
As grandes navegações são elemento muito importante no
desenvolvimento do sistema e altera a noção de mundo. O mundo era tido como uma
terra plana, as pessoas não tinham a noção de que havia planetas, ou muito poucas
pessoas tinham essa noção. Ainda hoje há pessoas que pensam que a terra é plana,
infelizmente. Mas num determinado momento houve as grandes navegações e isso
mudou completamente o entendimento a respeito do mundo, entendimento geográfico
mundial e aí também se amplificam os conflitos, porque se o mundo é maior e se a
própria noção do espaço terrestre é maior, se ampliam, na verdade, começam os
conflitos sobre o mar, ao mesmo tempo dos conflitos sobre o mar, desenvolve-se o
direito internacional do mar​. Veja, hoje, muito recentemente, a partir de 1982, passou
a existir o tribunal do mar. O orientador do professor Jayme foi juiz do tribunal do mar,
Vicente Rangel.
Aluno: O direito do mar tem aquela convenção de Montego Bay, não é?
Professor: A convenção de Montego Bay é uma convenção sobre questões
ambientais e que se relacionam com o mar também. Tem várias outras convenções
como a própria convenção sobre direitos do mar e que institui o tribunal do mar.
Mas até se chegar aí, houve um desenvolvimento muito lento do direito
internacional do mar. Quem teve prevalência em relação a isso no mundo foram os
ingleses. Embora os portugueses e os espanhóis tenham tido prevalência na conquista e
tenham disputado com eles, os ingleses, essa prevalência, mas os ingleses dominaram os
mares. E aí tem uma referência importante para Maquiavel. Maquiavel é um autor que
surge para fomentar completamente o entendimento entorno do poder. O poder passa a
ser entendido... É provável que essa mudança tem a ver com o entendimento que se tem
do mundo, porque se o mundo, a terra não é plana, nós temos que repensar a vida, as
nossas compreensões e isso pouco a pouco foi possível. Com Maquiavel que se faz é
mudar o entendimento, ou seja, se as coisas antes eram entendidas, se o poder era
entendido como sendo um poder teológico, as pessoas chegavam ao poder em função de
uma proximidade com Deus, a partir de Maquiavel se sabe como o poder é conquistado
e como ele se mantém. Ele dá aulas de como conquistar o mundo e se manter no poder.
Embora possa chegar à conclusão que ele propriamente ensina a fazer o mal, pode-se
dizer também que ele ensina como se fazia para chegar ao poder e nele se manter. Foi
ele quem mostrou, descortinou a realidade.
Pouco a pouco vai havendo uma consciência em torno do malefício das
guerras, embora ampliem esse poder entre estados e governantes, mas ela também
contribui para a repercussão do entendimento do poder econômico dos Estados. Com as
guerras, o poder econômico de alguns Estados é eliminado e outros prevalecem. Tem
uma dicotomia sobre o contexto das guerras. Mas, sobretudo os idealistas porque eles
tem um papel importante nessa domesticação do cenário internacional para mudar o
entendimento das coisas. Se o mundo foi dominado entre essas concepções realistas e
idealistas. Os idealistas têm razões nas coisas e os realistas tbm. Mas os idealistas tem
papel importante como instituto de instituições do direito internacional. Não seria
possível ter organizações, arranjos e tratados internacionais unilaterais sem a
idealização dos idealistas. Se dependesse dos realistas nada disso existiria. O que
existiria eram somente guerras. Essa crescente de consciência de que as guerras são o
malefício da sociedade tem muito a ver com os idealistas e liberais, mas não no sentido
de que temos hoje entre direita e esquerda, mas liberais no sentido dessas pessoas que
acreditam que os sistemas internacionais podem ser domesticados como o sistema
nacional com base na lei, nos princípios, pode ser melhor aplicado. Ainda nesse
contexto e mais para o final do desenvolvimento dessa fase, a gente vai ver em função
dessa onda de descolonização, mas também de outros processos, a gente vai ter o
surgimento de alguns Estados que vão disputar significado e espaço na ordem
internacional ou na anarquia internacional, dependendo se for um realista ou idealista
que esteja caracterizando este período. Então, EUA e Japão surgem e dizem ao sistema
europeu que querem fazer parte desse sistema. Depois outros Estados se criaram na
América Latina e que também dentro do sistema vão buscar ter significado, mas
primeiramente surgiram EUA e Japão, adentraram no sistema e pediram para ter uma
voz, uma participação, ainda tímida, mas isso vai acontecendo aos poucos, e tendo a
expansão aos poucos também. A gente vai chegando na terceira fase que não pode ser
caracterizados como um sistema europeu, mas como um sistema global, porque não só
os países da Europa faziam parte, mas Estados independentes nas Américas, na Ásia, na
África (paulatinamente no século XX). Em termos de marcos relacionados ao direito
internacional público podemos considerar: a guerra justa, uma limitação ao que existia
na antiguidade porque tudo era guerra, toda guerra era justa, possível, justificável e aqui
no ambiente europeu, ou seja, nessa fase de desenvolvimento controlado pelos cristãos
(pax Cristiana), surge muito em função dos autores católicos (santo agostinho, por
exemplo), tem muito a ver com essa concepção de guerra justa (a guerra era inaceitável
entre estados cristãos, mas plenamente adequada se for... e vai ter toda uma discussão
sobre o que fazer com a população dos Estados das sociedades não cristãs, que estavam
sendo descobertas, conquistadas. Boa parte dos autores justifica que deveria dominar,
que, se fosse possível, matasse, torturasse em função das concepções cristãs, ou seja,
para cristianizar, fazer o bem. Digamos que o direito internacional tem muito disso
ainda hoje, defendendo que determinados sejam levados para o caminho do bem, para a
democracia, ocidentalizados.
Aqui podemos fazer referência à ​consolidação do ​Estado Nacional como
sendo dotado 3 elementos. Entendemos que o Estado Nacional só existe tendo a ideia de
um governo independente (soberania), de um território definido e indivíduos. São
exemplos disso Mônaco e Vaticano. O Vaticano só se justifica em razão do poder
católico no passado. Há dúvida se tem pelo menos um desses elementos. O mais difícil
de caracterizar é a população. Qual a população do Vaticano? Há quem diga que são
todos os católicos espalhados pelo mundo, mas todos os católicos do mundo têm
diferentes nacionalidades, não são cidadãos do Vaticano. Certamente tem gente que
mora lá, mas são poucas pessoas. Ainda que seja pouca, pode-se chamar de população.
É muito importante falar desses elementos porque eles vão dando sentido à
noção de Estado e de Direito internacional. Só tem sentido falar em direito internacional
quando tem consolidados estados nacionais. O ​princípio da soberania nasce como
resultado do poder absoluto. Inicialmente era a soberania do soberano.
Aluno: o Estado nação também entra nesse contexto de consolidação de
estado nacional?
Professor: O Estado nação é produto desse processo de constituição do
direito internacional/nacional dos Estados​.
Então, a soberania é princípio, elemento do soberano, o rei é quem detinha
o atributo da soberania e ao longo do tempo vai se modificando o conceito de Estado, a
própria ideia de estado é modeladora dessa mudança. Nos dias de hoje também se fala
em soberania popular. Então, podemos vislumbrar a soberania assim: do rei para o
Estado, do Estado para o povo.
A consolidação do estado nação está relacionada a todos esses processos,
ou seja, os processos se cruzam: o ​contratualismo (o estado nasce como parte,
sobretudo com Hobbes em O Leviatã, resultado de um contrato social porque o homem,
nos termos da época, é o lobo do outro homem e precisa de paz para levar a vida em
sociedade); o utilitarismo jurídico, o constitucionalismo jurídico (O Estado é
constitucionalizado, a constituição é o elemento que vai garantir a existência do Estado
e depois vai garantir a ordem internacional juntamente com os tratados. Essas coisas vão
estar cruzadas); o positivismo... Ou seja, são processos que se cruzam/comunicam e vão
consolidar o Estado Nacional.
Vários foram os autores que trabalharam a ideia de ​paz perpétua​, um deles é
Kant​, não é o primeiro e nem o único, mas é o que tem trabalhos consistentes.
Poderemos falar dos Idealistas ou do Liberalismo, falaríamos também de Abbé de
Saint-Pierre, que foi provavelmente o primeiro a falar na ideia de uma paz perpétua.
Mas Kant ficou conhecido pela formulação cheia de consistência, em relação a outros
que trabalharam essa ideia de paz perpétua. Essa ideia por determinado momento dessa
fase vai tendo significado, se aguçando como o que depois se constitui como o
Concerto da Europa no século XIX. Depois na prevalência do Nacionalismo francês,
nós vamos ter o Concerto da Europa que é esse arranjo de Estados europeus com o
objetivo de se domesticar no ambiente europeu, domesticar no Direito Internacional de
base europeia. Esse Direito Internacional será garantidor de uma certa paz, em especial
no ambiente europeu. Provavelmente liderado pela França, Reino Unido, Rússia,
Alemanha, Holanda e certamente outros Estados também, mas principalmente pelos
mencionados, os demais eram atores menores, subalternos, em relação a esses que
entravam no sistema. Contudo, o Concerto da Europa servia muito a eles também,
servia aos grandes Estados porque eles organizavam a vida de modo a conter as
pretensões de grandiosidade de alguns Estados, principalmente o francês, mas servia a
Portugal também, à Espanha.

O concerto da Europa é descrito por Adam Robinson como sendo aquele que é
garantidor de independências múltiplas, ou seja, entre 80 e 100 anos nós vamos ter essas
independências múltiplas, o mesmo conceito utilizado na fase anterior é utilizado agora
e se comunica com a ideia de equilíbrio de poder (é um arranjo definido por esta ideia).
Este equilíbrio não pode ser visto no sentido apenas idealista, o qual é relacionado à
distribuição igual de poderes – que não existe –, alguns Estados (um, dois ou mais) tem
uma prevalência e garantem uma certa paz durante um certo tempo. Aqui o Concerto da
Europa vai sendo descrito pelo autor como sendo caracterizado por essas
independências múltiplas, ou seja, esses Estados que tinham pretensões integralistas,
eles contém por determinado tempo essas suas pretensões para evitar a guerra ou se... as
guerras que existiram foram mais em outros contextos na África, América Latina, a
Europa foi preservada de grandes guerras graças ao Concerto da Europa. Esse é um
momento também caracterizado (ou seja, o Concerto da Europa) por uma igualdade
política, aquilo que vem desde Vestfália, ou seja, a ideia de igualdade jurídica entre
Estados é definidora desse momento do Direito Internacional, embora tenha uma certa
idealização nisso porque alguns são mais ​iguais que outros, tem paridade no plano
interno. E a ideia de legitimidade do Estado que houve no espaço internacional, esse
também é um elemento definidor do que se chama Concerto da Europa, sobretudo em
função da resolução de controvérsias internacionais. Esse momento ocorreu no século
XIX e, especialmente, no século XX (que vamos falar na próxima aula do século XX,
deste sistema global, vigente com todas suas limitações, é quando se tem o grande
momento das soluções pacíficas de controvérsias internacionais), notadamente foram
criados e que tinham pouco significado na Antiguidade e na Idade Média começam a ter
um significado maior, a ideia de fontes do direito é muito mais presente, é
fundamentada, e tudo isso vai facilitar esse processo de solução de controvérsias
internacionais.

Como eu falei na aula anterior, a expressão “Direito Internacional Público” só


vai surgir em 1780 com Jeremy Bentham, antes se falava no direito “dos da gente” ​ou
em ​direitos das gentes​, isso vai variar. Há uma disputa em torno da denominação nessa
fase, quando se chega nessa terceira fase isto está pacificado, não se tem mais grandes
dúvidas que é Direito Internacional (alguns autores, apegados ao passado, hoje se
referem ao direito das gentes). Até o século XIX não era assim e havia essa disputa em
torno do direito interestatal, direito internacional ou direito das gentes. No século XX
que se pacifica essa discussão. Então, podemos entender o direito das gentes como
sendo um direito em que nós vamos ter normas e princípios jurídicos que serão
consistentes com soluções pacíficas de controvérsias internacionais. Durante boa parte
desse período a fundamentação era Jusnaturalista, nós falaremos desta fundamentação
em relação ao Direito Internacional nas aulas sobre fundamento do Direito
Internacional. O autor faz referência a uma série de eventos, uma série de elementos,
incluindo as Embaixadas que não surgem aqui, mas se consolidam nesse período. Não
só as embaixadas, mas a atividade diplomática passa a ser muito mais presente,
significativa, a partir do século XIX. Portanto, no final desta segunda fase do
desenvolvimento do Direito Internacional ou da Sociedade Internacional (nos termos
utilizados pelo autor) tem uma série de intervenções ou mecanismos que vão sendo
fundamentados, ou melhor fundamentados, pelos autores que são entendidos como
autores do Direito Internacional; e as arbitragens, os pós-ofícios, eles já têm uma série
de características básicas ​já construídas pelos autores. Os tratados, também, sabe-se
muito melhor o que é um tratado, quando tem vigência, vários princípios que orientam
os tratados, a ideia do território/espaço territorial europeu e não europeu, tudo isso vai
se consolidando.

A ideia de comércio internacional e de relações internacionais, com o início da


terceira fase, surge uma disciplina, trata-se das Relações Internacionais, no início do
século XX, fruto do processo do desenvolvimento da segunda fase da sociedade
internacional. E, muito provavelmente, os Tratados de Vestfália são grande parte na
instituição dos Estados Nacionais e do Direito Internacional (mesmo não tendo essa
designação Direito Internacional, enquanto um direito das gentes). ​Vestfália é de ​1648​,
antes do livro de Jeremy Bentham, e é a partir daí que se legitima a ideia da
Comunidade dos Estados Nacionais, esta é baseada em dois elementos: a ​ideia de
igualdade dos Estados, os Estados precisam garantir o que se entende como
independências múltiplas - respeitar uns aos outros/garantir a independência um dos
outros-, portanto, esses Estados têm direito à ​soberania​. Estes dois elementos são
definidores do Estado Nação e desta ordem (ou, para os realistas, desordem)
internacional.

Toda discussão em torno das ​fontes do direito, sobretudo estatais, ele tem uma
grande guinada é que a principal fonte do Direito Internacional ou, como mais
apropriado à época, direito das gentes eram os costumes internacionais e passam a ser
os tratados a partir do século XIX, no final desta fase. O tratado passa a ter mais
significado que os usos e costumes no plano internacional.

Temos 10 minutos finais pra gente conversar a respeito desta fase... (ninguém
queria falar, mas o homem é insistente, viu?)

Pergunta: Essa fase é antes da primeira Guerra Mundial?


Professor: Isso! A próxima fase começa com as Guerras e esta fase termina com, digamos
assim, o insucesso do Concerto da Europa. Ele não garante mais a paz, surgindo a
Primeira Guerra Mundial. Depois desta, temos os elementos dessa terceira fase, ela
tem significado com o fim da Primeira Guerra Mundial, com o surgimento da Liga das
Nações.

Pergunta: A segunda fase só vai surgir depois do Tratado de Vestfália né? Com relação
aos Estados?
Professor: Antes existia um Estado com poucas características, com elementos não tão
palpáveis. Há toda uma consciência nacional/internacional da necessidade desses
elementos dos Estados, da necessidade da soberania, principalmente, e da ideia de
independência.

Comentário do prof: Para boa parte dos autores é aí que surge o Estado Nação, em
Westfália. Trazem entendimentos de como deve ser a vida social, alguém tem algum
comentário?

Pergunta inaudível
Professor: Sim, tudo isso faz parte desse processo de formação dos Estados Nacionais.
São processos que não são muito violentos, mas depende de quem conta a história, do
autor.

Pergunta: Uma coisa, também, que eu penso a respeito é até que ponto é viável essa
autonomia do Direito Internacional? E eu digo isso porque o Direito Internacional
depende de uma inter-relação entre países soberanos e hoje, cada vez mais, a tendência
é que países semelhantes se unam e possuam uma intervenção muito grande. Aqui
temos o caso da União Europeia... A criação de uma constituição única para a União
Europeia, pensando-se que esse é Direito Internacional, isso seria uma autonomia ou
seria formada para um direito global? Entende?
Professor: É um processo de formação, não é muito diferente em relação ao Direito
Internacional... Por isso, existe hoje, em alguns lugares/países, obrigações
internacionais no ambiente europeu. (...) Se vai se tornar um direito internacional
global é difícil dizer, mas digamos que há força nessa ideia.
Aluno: Eu acho interessante que são países distintos com características muito
distintas, que tentam criar normas em comum para regular tudo.

3. Aula 03 (Aula do dia 16/04) – Relações entre o DIP e as outras áreas do


conhecimento e do direito

Uma série de processos de cooperação tem sentido em função da economia, então


não tem como dissociar/trabalhar com direito internacional sem trabalhar sem
considerarmos o (...?). E também encarar o trabalho numa perspectiva de relação com
os elementos das pesquisas quantitativas relacionadas a economia. O direito
internacional tem estado aberto a este desenvolvimento. (aqui não consegui transcrever,
mas ele fala algo no sentido de D. Internacional está ligado com economia, ciência
política, direito e geografia).
Vocês devem ter ouvido falar nas margens de fronteiras. A antropologia tem uma
série de autores que têm trabalhado com o D. internacional, um desses autores faz
estudos a como o D. internacional surgiu em espaço que não são tidos como espaços
típicos do D. internacional (como por exemplo espaços de comunidades indígenas e
comunidades não tradicionais/não importantes – na visão do autor eurocêntrico). Os
antropólogos de hoje em dia, sobretudo considerando o desenvolvimento relacionado
àquilo que podemos entender como teorias pós-modernas, têm considerado essas
comunidades. Por exemplo, algumas decisões internacionais têm considerado o valor
histórico dos índios, o valor econômico...A corte interamericana de direitos humanos já
tem uma série de abordagem, produzida por antropólogos, e que ajudam a fundamentar
o D. internacional. Considerando, por exemplo, a história das mulheres em determinado
lugar. A partir daí perceberam que o D. internacional deveria considerar nas suas
decisões também essa produção social/histórica dessas comunidades antes invisíveis. A
psicologia social também vai contribuir nessa noção de multidisciplinaridade. Cada vez
mais os estudos, não só no D. Internacional, busca ajuda de outras áreas, porque
nenhum conhecimento é pleno (como imaginava os iluministas). A ideia antiga era
isolar um objeto para entendê-lo, hoje em dia já se sabe que não há como conhecer um
objeto plenamente e muito menos que isola-lo é a solução. A psicologia aqui vai
colaborar com o D. internacional quando por exemplo nas guerras, nos conflitos, os
estudiosos da psicologia poderão mostrar seu conhecimento/ajudar procurando entender
como determinados comandantes/governantes, como as pessoas que estão na linha de
guerra, poderão desenvolver suas ações. É claro que ai há toda uma dose de realismo (as
teorias realistas nos campos do D. internacional), imaginação e construção (numa
perspectiva liberal) e poderá ser utilizada para contribuir nessa área. A ciência política
contribui na medida em que estuda a política. O Direito estuda a política internacional,
só que com uma dose de normatividade grande como em toda área do direito. Se tiver
uma decisão da corte interamericana de direitos humanos, por exemplo, um aluno de
ciências políticas vai tentar entender que processos políticos estão por trás disso. Um
aluno de direito, qual a relevância normativa acima de tudo. As relações internacionais
contribuem com relação às teorias que veremos nas próximas aulas. Teorias do direito e
teorias das relações internacionais. Essas teorias foram sistematizados pelos cientistas
das relações internacionais. Analisam todos os elementos principiológicos da política,
não só do direito. Hoje se fala em um direito constitucional internacional. São direitos
nacionais que precisam dialogar com o restante do mundo. Esse direito internacional é
uma área de interseção. Vocês já devem ter ouvido falar em estudos recentes sobre o
constitucionalismo latino americano. É um constitucionalismo que envolve várias
constituições latino americanas.
O direito adm tem uma contribuição na medida em que temos organização
internacional e esses organismos precisam do d. adm para sua própria organização. O
direito penal e processual penal se envolve no que tange ao direito internacional penal.
Não se imaginava, há algumas décadas, a possibilidade de o direito internacional ter
normas penais. O direito penal sempre foi visto como uma seara típica do direito
nacional. Rafael Lenti (não sei se o nome é esse mesmo), saiu da 1ª guerra mundial,
falando sobre tratados que tratassem sobre a possibilidade de punir ações a nível
internacional (por exemplo genocídio). E hoje nós temos 4 tipos: genocídio, crimes de
guerra, agressão e contra a humanidade. Isso era inimaginável há algumas décadas atrás,
porque era transferido a punição penal à soberania nacional. Não se imaginava que o
estado pudesse se desvencilhar dessa soberania para que os seus fossem julgados na
seara internacional. Diante disso foi necessário criar normas processuais (e não só
substantivas) para regular a aplicação do direito penal. O direito ambiental porque não é
mais uma matéria de interesse interno. Isso porque as normas internas nem sempre são
eficazes, é preciso ter outras instância para fazer valer determinadas normas. O que
essas conferências internacionais fazem? Monitoram o tratado. É feito um relatório e
especialistas do mundo inteiro, com base em estudos especializados, vão estudar isso.
outra área são os direitos humanos que antes da 2ª guerra nem se imaginava. O
constitucionalismo visava dar as garantias, mas não tinha a normatividade e arquitetura
(em termos de organizações internacionais) que temos hoje. Vamos ter tratados em
âmbito global, tribunais também. O elemento mais visível quanto ao d. tributário é a
evolução dos processos económicos (sem relação ao ambiente da união
europeia/mercosul).
A arbitragem pode ser de direito público ou privado. Pública quando são realizadas
entre estados e podem ser a nível internacional também. O que é uma arbitragem? é a
constituição de uma jurisdição a doc.
Nós temos árbitros internacionais, que são conhecidos, são formados para exercerem
essa arbitragem. A arbitragem ainda é vista como uma forma de solução de controvérsia
que se esgota quando o conflito é resolvido. Mesmo existindo um árbitro, uma
organização que congrega esses árbitros e tem caráter de permanência, a arbitragem se
inicia quando duas pessoas, no caso dois Estados estão em conflito e termina quando é
resolvido. Estamos falando da arbitragem internacional de direito público, envolve
Estados.
O Mercosul tem uma jurisdição arbitral - judicial. Ele fala que tem mais
característica de jurisdição judicial do que arbitral.
Zé: o Tribunal pode rediscutir a decisão do árbitro? Digamos assim, é possível
rediscutir a coisa. A princípio, para que haja segurança jurídica, o tratado que dispõe
sobre a arbitragem pode prever sobre isso, no sentido de que resolvendo o litígio, não
caberia recorrer ao judiciário. Ma a política é mais forte do que certas normas. E é
possível que o assunto seja rediscutido. Ele falou do caso recente entre o Chile e o
Peru, não foi redefinida os limites das fronteiras terrestres entre os países.
Em relação ao direito privado, o direito financeiro tem cada vez mais
necessidade de regular as operações no âmbito internacional, em razão da globalização.
O comércio internacional sempre existiu.
Se é matéria de interesse público ou é matéria de interesse privado. No direito
internacional público, a prevalência é no interesse estatal. No caso do direito
internacional privado, a prevalência dos interesses são das empresas ou dos indivíduos.
Há uma discussão sobre se determinadas normas são de direito público ou
privado.
Há outra questão também, as normas que instituem os direitos dos estrangeiros
são de direito público ou de direito privado? Boa parte da doutrina entende que é
matéria de direito internacional privado (a maioria).
Em relação às arbitragens entre empresas e Estados são tidas como matéria de
direito privado. Digamos que a Tim tem um conflito com o Estado. A arbitragem, nesse
caso, é de direito privado. Envolve uma empresa transnacional e o Estado brasileiro. A
maior parte da doutrina entende que é matéria de direito internacional privado. Porque a
prevalência de interesse é privada, é comercial.
É plenamente aceito no meio internacional a utilização da arbitragem.
Quando o Estado define regras gerais e não pode se desvencilhar da posição de
Estado, ali está o direito internacional público. Isso é o que a parte da doutrina
publicista defende. Mas outra parte da doutrina defende que a definição se será matéria
de direito público ou privado é a prevalência do interesse, se do Estado ou do particular.
Se a arbitragem for realizada entre duas empresas, é matéria de direito internacional
privado.
Hoje podemos falar em um sub ramo do direito internacional, que é o direito das
organizações. Só a partir das criação da ONU não vamos ter a criação da própria ideia
de que alguns tratados representam a constituição de uma organização internacional.
A área espacial também tem normas que definem… A lua e outros corpos
celestes não é sujeita à soberania. Têm tratados internacionais que regulam o que pode
ser feito no corpos celestes. O direito internacional do mar regula algumas áreas que não
são suscetíveis de soberania.
O direito internacional comunitário está relacionado às comunidades
internacionais, sobretudo às cooperações econômicas, aquilo que diz respeito a
normatização e arranjos econômicos como o MERCOSUL, UE, NAFTA, tudo isso é
parte do direito internacional comunitário. A ideia de que comunidades internacionais
agregam valor.
O direito internacional dos direito humanos reflete a ideia de que é possível ter
uma jurisdição internacional no âmbito regional para proteger contra violações de
direito humanos, quando no plano interno não se consegue determinados resultados.
Isso também é novo considerando a história do direito internacional.
O direito internacional dos refugiados é parte do direito internacional público.
Surgiu na mesma época do direito humanitário.
Alan: Está relacionado com aquela coisa do judeu é ?
Resposta: Está relacionado à guerra de uma maneira geral. Mas certamente está
relacionado às duas guerras do século XX. Já no final do século XIX já haviam
algumas regras de direito humanitário e de certa maneira sobre o direito dos
refugiados. A suíça tem muita contribuição nesse sentido. E por isso muitos organismos
de direito humanos e de direito humanitário estão muitos no solo suíço.
Há diferença entre direito internacional humanitário, que tem vigência no âmbito do
conflito de guerras; e direitos humanos, que têm vigência no âmbito do estado
democrático de direito.
Então, quando tem vigência leis e os Estados têm constituições, tem cabimento
a existência dos direito humanos. Já o direito humanitário em situações onde há
conflitos armados e guerras. Se vincula muito com a ideia de direito internacional dos
refugiados. Porque os refugiados só existem no contexto de guerra e conflitos armados
ou assemelhados.

4. Aula 4 (Dia 18/04)


Quadro:
1. Comunidade internacional
2. D.I / sociedade / comunidade internacional
1. Geral e especifico
● Carta das nações
● Carta da OEA
1. Global e regional
● Protocolo à convenção quandro das N.U. sobre a mudança do
clima
● Convenção interamericana para prevenir e punir a violência contra
a mulher
FUNDAMENTO DO DIP
1. Teorias voluntaristas
1. Autolimitação da vontade (Georg Jellinek)
2. Vontade comum ou coletiva (Hetrcch Triepel)
2. Teorias objetivas
3. Teoria da norma jurídica (Hans Kelsen)
4. Jusnaturalismo
● Teológico
● Cosmológico
● Racional (jusracionalismo)
1. Teorias ecléticas

Áudio:
[...] internacional geral, especifica, global e regional, e a partir de agora a gente
vai falar bastante a respeito disso, ou seja, dos tratados gerais, os tratados específicos, os
tratados de caráter global, os tratados de caráter regional, tudo isso vai fazer parte da
nossa linguagem, e depois começar a falar sobre o fundamento do direito internacional.
Esse é um tema que vai se desdobrar ao longo do nosso curso, nos falaremos muito e ele
retornará bastante, nós não ficaremos nessa aula apenas. E como já falei também em
aulas anteriores, a discursão em torno do fundamento do direito internacional vai se
desdobrar em mais 2 aulas que nós teremos uma abordagem sobre as teorias das
relações internacionais.
Bom, vamos lá para essa distinção entre comunidade e sociedade internacional,
essa é uma distinção que vem do âmbito interno, vem do, não diria tanto do direito, mas
da sociologia, do âmbito da sociologia no plano interno, ou seja, se aplica ao âmbito
nacional, aos âmbitos nacionais, aos âmbitos locais e com a criação do direito
internacional essa noção foi levada, também, para o âmbito internacional.
Então certamente vocês já ouviram falar em comunidade internacional, como já
ouviram falar em sociedade internacional. São coisas distintas: o que que a gente
entende quando fala em ‘comunidade’? independente, antes de falar em ‘comunidade
internacional’, o que que nós entendemos quando falamos de ‘comunidade’? E o que
que nós entendemos quando falamos de sociedade? (turma falando coisas inaudíveis)

Allan: qual a diferença entre comunidade e sociedade? (só repete a pergunta)

Jayme: sim! quando vocês pensam em comunidade e qual a ideia de vocês de


sociedade? Antes de chegar no plano internacional, qual é a ideia que vocês têm?

Allan: pra mim, comunidade é algo específico, não sei se estou certo

Jayme: é algo mais específico, geralmente é algo mais ​próximo da gente. E


sociedade é algo mais ligado ao ​interesse. Interesse, necessidade, ou seja, a gente faz
parte de uma sociedade quando a gente tem alguma coisa, interesse… por exemplo: a
sociedade teatral, quem participa da sociedade teatral é quem tem interesse no teatro.
Seja em produzir, seja em atuar, seja em criar… Não é preciso haver uma ‘comunhão’
digamos assim.
Quando nós falamos de comunidade é justamente quando há essa ​aproximação.
A gente fala em comunidades eclesiásticas, ou em comunidades acadêmicas,
comunidades da região metropolitana do Recife, ou seja, tem uma ideia de
aproximação. Pois bem, digamos que na sociologia alemã se fez a distinção de que
quando se fala em comunidade diz que este vínculo é mais ​espiritual​! Essa
aproximação maior, essa ​necessidade de aproximação maior. ​Enquanto que quando se
fala em sociedade se está falando em algo relacionado a um interesse ou necessidade! A
ideia de interesse-necessidade é algo que tá presente na fundamentação do Direito.
Daqui a pouco a gente vai ver isso.
De acordo com as teorias se fala muito em necessidade e em interesse. Interesse
jurídico, o interesse social, sobretudo o interesse jurídico​. Então é muito mais
apropriado falar em ‘interesses’ quando nós estamos falando da ideia de ‘sociedade’.
Que carrega também a ideia de um ‘pacto’, a ideia de um acordo, ou seja, fazemos parte
de uma sociedade quando há um acordo mínimo, uma base de acordo. Quando falamos
de comunidade é algo que independe de acordo, é algo anterior a um acordo​. É muito
mais espiritual, é muito mais em função dos laços espirituais, os laços para além do
interesse, para além da necessidade. Simplesmente fazemos parte de uma comunidade
por questões filosóficas, por questões que nos enchem a alma, digamos assim
Então essa discussão foi levada também para o âmbito internacional e é por isso
que alguns autores falam em ​comunidade internacional ou em ​sociedade
internacional e há distinções também com base nessa distinção anterior que não era do
âmbito da questão internacional ou do direito internacional, mas que se aplica também
ao plano internacional.
E a distinção que se faz é de que quando se fala em ​Sociedade internacional há
esse ​PACTO​, há um ​ACORDO para que os Estados, sobretudo os Estados, façam parte
desta sociedade. E ai vamos lembrar da primeira designação para a ​LIGA DAS
NAÇÕES ou ​SOCIEDADE DAS NAÇÕES​, ou seja, a ideia de que Estados, os mais
variados, de diversas partes do mundo, com ​INTERESSES e com ​CULTURAS
JURÍDICAS DISTINTAS fazem parte de uma ​SOCIEDADE​. Ou seja, seria mais
apropriado, de acordo com certos teóricos, para o plano internacional, falar na
SOCIEDADE INTERNACIONAL envolvendo esses Estados. E hoje em dia o Direito
Internacional ​NÃO É formado apenas por Estados, é formado também por
INDIVÍDUOS​ e por ​ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS​.
Quando Organizações Internacionais e indivíduos adentram o espaço
internacional, essa questão se ​COMPLEXIFICA ainda mais. Por isso certos autores
dizem que é mais apropriado falar em sociedade internacional quando nós estamos
falando de culturas das mais distintas, culturas sociais distintas, cultura jurídica das mais
distintas entre essas culturas jurídicas, por exemplo, tem Estados que são mais voltados
para uma dimensão legal, outros que são mais voltados para uma dimensão mais
costumeira, alguns aceitam mais princípios do direito, outros aceitam menos… Portanto
de acordo com certos autores seria mais apropriado falarmos em, para disseminar, para
este espaço internacional: Sociedade Internacional.
Já outros, os chamados ​comunitaristas​, acham mais apropriado em função -
como que eu poderia chamar? - da necessidade de significado maior a esse espaço
internacional, um significado de caráter construtivista seria mais adequado falarmos em
COMUNIDADE​. Sabemos que tem culturas jurídicas diferentes, culturas sociais
variadas, mas em função de aproximar essas culturas seria mais adequado falarmos em
COMUNIDADE INTERNACIONAL.
Não vai haver um acordo em relação a isso​, portanto se trata de uma escolha
que nós temos que fazer. A partir de agora, vocês devem fazer essa escolha, falar em
sociedade ou em comunidade internacional, se vocês têm uma ou outra aproximação, se
você se identifica com uma ou outra fundamentação. Se vocês acham que um sistema de
estados formado por, por exemplo, o Haiti que é um estado pequeno, um estado pobre
com o Brasil que é um país médio, com uma população maior, depois tem a China que
tem muito mais poder econômico e uma população muito maior também, tem uma
história muito mais longa… então se você considera que apesar dessas diferenças todas
é adequado, nos dias de hoje, falarmos em comunidade internacional e que esses países,
as organizações internacionais, os indivíduos foram capazes de chegar ao espaço
internacional e constituir que daqui para diante ainda vai, tem essa pretensão de criar
um espaço maior de interesses internacionais, pode ser adequado se falar em
comunidade internacional. Mas se você considera que o espaço é tão distinto, as
culturas gerais, as culturas sociais, as culturas jurídicas são tão distintas que não há esse
elemento comunicado, esse elemento espiritual, essa identidade, essa identificação entre
os Estados, vocês podem falar então em Sociedade Internacional. Quando falar em
sociedade vão estar falando em um espaço muito mais orientado em função de
necessidades, interesses e de um pacto. Está claro? Certo? Deu pra entender?
A gente pode falar de uma comunidade, sociedade internacional geral ou
específica, global ou regional. Eu vou explicar de uma outra forma, ou seja, se eu acho
que a ONU possui a ​Carta das Nações como a sua constituição, se eu acho que a
constituição de ONU ela representa a possibilidade de construção de um espaço
espiritual internacional em busca da paz, é bem apropriado falar em comunidade
internacional. Agora se eu acho que este espaço nada mais é do que interesse,
construção de diálogos, pacto, acordo, será mais adequado falar em Sociedade
Internacional. A ONU é uma sociedade de Estados.

Alan: essa é uma divergência doutrinária né? a gente tem que escolher uma das
duas.

Jayme: sim, vocês tem que escolher uma das duas para se guiar.

A partir desta escolha (sociedade ou comunidade) nós temos essa categoria


sociedade internacional ou comunidade internacional ​geral ou específica​. O que é esse
conceito de sociedade ou comunidade geral ou específica? Depois nós teremos também
tratados internacionais gerais, tratados internacionais específicos, tudo dentro dessa
discussão. Porque um tratado geral ou um tratado específico se refere a discussão sobre
uma comunidade ou sociedade internacional.
Vocês viram que o título do autor Adam Watson é SOCIEDADE, ou seja, a
evolução das sociedades internacionais, ele está fazendo uma escolha, uma escolha
teórica que é, eu acredito que ele está dizendo de outra forma, que acredita que o que
existe no âmbito internacional é o ​ACORDO​ entre estados.
(comentário inaudível)
Sim, podemos considerar que hoje nós temos uma sociedade que poderá evoluir
para uma comunidade internacional. E há aqueles que acham que hoje já é importante
que mesmo que não tenha esse elemento espiritual tão caracterizado, falar em
comunidade internacional para que a coisa vá crescendo e vá se tornando realmente
isso.
(Alguém novamente tirando uma dúvida que não dá pra ouvir muito bem)
Eu faço parte de uma comunidade por conta das crenças que ela tem, muito mais
do que em função de interesses ou necessidades.
A noção de paz vai variar no conceito adotado: na comunidade a ideia de paz
ela é mais sentida, mais significativa e no caso de sociedade pode ser algo simplesmente
temporário, passível de acordo.

MARLON fazendo algum comentário que também não fui capaz de traduzir,
sorry!!!

Você lembra o que se fala em comunidade do MERCOSUL, por que falar em


comunidade e não em sociedade? Porque existe um elemento ai que é o que justifica
falar em MERCOSUL é um elemento ligada à IRMANDADE entre os estados ​latino
americanos​. Tem uma história comum, tem uma língua, não comum, mas, parecida….
então, seria justificável falar em comunidade do MERCOSUL porque tem algo que nos
vincula e que é maior do que um interesse simplesmente comercial. Mas ai a gente vai,
vamos esperar um esperar um pouco para falar mais a fundo dessa fundamentação no
âmbito do direito, mas, sobretudo, no campo das relações internacionais tem toda uma
discussão entre realistas e idealistas que vai deixando a discussão mais difícil.

Bom, então temos a sociedade ou podemos falar de sociedade ou comunidade


internacional, geral ou específica.
Geral​: é aquela que diz respeito a uma ​GENERALIDADE de assuntos, de
questões. Então falando em termos de ​TRATADO​, um tratado geral ou um exemplo de
um tratado geral é a ​CARTA DAS NAÇÕES. A Carta das Nações trata da organização
das nações unidas, trata de instituir a organização das nações unidas, trata de alguns
princípios, muito gerais, em relação ao funcionamento da ONU, então não resta dúvida
de que é um tratado GERAL e que diz respeito a uma sociedade ou comunidade
internacional GERAL.
E a ​carta da OEA trata de um tema ESPECÍFICO​, ou melhor, não de um
tema específico mas de uma sociedade ou de uma comunidade específica​. A
comunidade geral é a comunidade da qual todos os estados do mundo podem fazer
parte, mas além disso a temática ou o conjunto de temas é de caráter GERAL, os temas
são de caráter geral ou de interesse geral. Enquanto que os temas da OEA, da carta da
OEA, são de interesse específico dos estados que fazem parte da OEA. Se um Estado
de fora das américas quiser entrar na OEA, não poderá e a resposta será porque está é
uma sociedade ​ESPECÍFICA​, ela é ​RESTRITA a determinados estados do planeta
que estão nas américas.
E uma sociedade ou comunidade é global ou regional de acordo com a
abrangência. Aqui tem relação com abrangência mas tem muito mais com ​abrangência
TEMÁTICA​, aqui é uma distinção relacionada à abrangência territorial (acredito que
ele estava apontando para algo escrito no quadro por isso esta parte talvez esteja um
pouco sem nexo, mas é isso ai. FORÇA, MORES) Então quando a gente tá falando de
uma sociedade ou comunidade ​GLOBAL é aquela do conjunto de países do mundo​.
O conjunto dos países do mundo pode fazer parte da convenção do pacto das nações
unidas sobre a mudança do clima que faz parte ou não se não quiserem, mas é aberto a
todos os estados no âmbito global.
Já com relação a convenção interamericana para prevenir ou punir a violência
contra a mulher, a participação está restrita ao ambiente regional, convenção de âmbito
regional.
Podemos seguir?

(Alguém tirando mais alguma dúvida que sou incapaz de traduzir, tô me


sentindo uma incompetente, mas é isso ai, sigam firmes!)

Uma sociedade ou comunidade global pode regular um tema específico. Como é


o caso da convenção, pacto das Nações Unidas sobre as mudanças do clima: ela é
específica e geral. É uma convenção sobre matéria ambiental, regula o meio ambiente
internacional.
ALGUÉM FALANDO MUITO BAIXO AAAAA
Um assunto com abrangência como a convenção internacional dos direitos
humanos, convenção internacional do meio ambiente, normalmente a convenção
específica ela trata de um ​TEMA​, vai ter algumas que podem, que vão tratar de mais
de um tema, mas o pacto ​GERAL​ trata de um tema só.
Queria saber se até aqui tá tudo bem, se a gente pode seguir para o outro ponto, a
gente vai entrar no tema do ​FUNDAMENTO DO DIREITO INTERNACIONAL​.
podemos seguir? Muito bem.
Só lembrando, mais uma vez, que esta aula que começa agora vai tratar da
discussão no âmbito do direito, certamente vocês já viram essa discussão, a discussão
sobre o ​FUNDAMENTO do Direito, em outras disciplinas como o direito civil, do
direito penal, do direito comercial, certamente vocês já tiveram essa discussão em outras
disciplinas. Sobretudo, vocês já viram em Teoria do Estado e na Introdução ao Direito,
mas agora a gente vai ver como aplicar ao ​DIREITO INTERNACIONAL​. Como se
aplica essa discussão no âmbito do Direito Internacional.
E eu falei também, espero que tenha deixado claro, desde a primeira aula, que eu
considero que as teorias do âmbito do direito elas explicam um pouco o que acontece no
âmbito internacional. E é por isso que eu ia trazer as teorias das relações internacionais,
elas surgiram há menos tempo, tem tendências mais contemporâneas para explicar o que
acontece no âmbito internacional, embora elas também apresentem limitações porque
são ​TEORIAS​. E sendo ​TEORIAS são discussões humanas, falidas, são simplesmente
uma forma de enxergar o mundo.
Qualquer teoria é uma forma de enxergar o mundo, de explicar o mundo, de
explicar um determinado fenômeno, tem limitações nas explicações. Então não são, não
buscam a verdade, embora alguns digam que sim, buscam acessar a verdade, buscam
explicar um fenômeno como ele é, como dizem os realistas, mas antes de falar dos
realistas, vamos falar das teorias no âmbito do Direito.
Então, as teorias são: ​VOLUNTARISTAS e digamos que tem uma certa
impropriedade no ambiente internacional porque elas ao mesmo tempo tem uma
explicação, ou seja, o motivo pelo qual elas foram utilizadas para explicar o direito,
eram usadas para explicar o direito como um todo. Tanto no direito privado quanto no
direito público. E hoje o direito que a gente conhece vê muito mais as ​LIMITAÇÕES
dessas teorias porque seus elementos centrais delas são elementos que já não atualizam
o que existe no ambiente do Direito e do Direito Internacional.
Então se fala nas teorias voluntaristas que se subdividem em teorias: ​TEORIA
DA AUTOLIMITAÇÃO DA VONTADE e ​TEORIA DA VONTADE COLETIVA​.
As ​TEORIAS OBJETIVISTAS​, a ​TEORIA DA NORMA JURÍDICA que todo
mundo aqui conhece, mas como é que ela se aplica ao direito internacional? como é que
Kelsen justifica o direito internacional?
O ​JUSNATURALISMO que tem pelo menos essas três formas: o
jusnaturalismo de base teológica, o jusnaturalismo de base cosmológica e o
jusnaturalismo de base racional ​que também é chamado ​JUSRACIONALISMO​.
E há quem fale também nas teorias ​ECLÉTICAS​, ou seja, aquelas que juntam
elementos de várias teorias, sobretudo considerando os desenvolvimentos
metodológicos, sociológicos, filosóficos do século XX que demonstram que existem
limitações dentro das teorias, limitações teóricas, limitações do pensamento e que
nenhuma teoria explica tudo. Se uma teoria explicasse tudo, então seria possível nós
vincularmos elementos de várias teorias e encontrar uma explicação que nos satisfaça.
Essa é uma perspectiva, digamos que, consistente com um mundo que é muito
PÓS MODERNO. Porque há um tempo atrás isso não era possível, certamente vocês já
se deram conta de que algumas teorias disputam tanto entre si que seus expoentes são
inimigos um dos outros, no passado isso era muito mais latente. Então se alguém
defendia uma posição inteiramente, ferrenhamente uma teoria diferente da outra, ele iria
com a sua teoria até o fim.
Hoje a gente tem abandonado essas paixões, buscando entender que toda teoria
é limitada, toda teoria ​NÃO explica tudo​. Então é possível considerar elementos de
uma outra teoria. É claro que os mais apegados ao passado não vão concordar, os mais
apegados ao passado vão dizer: ‘o que eu defendo é essa teoria e pronto, essa teoria é
coerente e eu vou com ela até o fim.’ Mas tem pessoas muito abertas hoje em dia à
possibilidade de outras teorias, à explicações teóricas, têm trabalhos muito
contemporâneos nesse sentido. Eu lembro de um trabalho, por exemplo, que é sobre a
construção da nacionalidade brasileira de um autor brasileiro chamado ​RICHARD
SCOTT (não sei se é assim que se escreve, perdão novamente galera) é um autor
brasileiro apesar do nome, de São Paulo e ele trabalha com teorias pós modernas, pós
coloniais e feministas. Para um iluminista, digamos assim, isto é uma impropriedade
porque o iluminista vai achar que nós temos uma única explicação e uma explicação
racional e perfeita para as coisas, porque nós estudamos e isolamos o objeto e o
conhecemos plenamente, mas quem superou o iluminismo tem essa abertura para outras
teorias.
BOM... e por isso para chegarmos nas nossas teorias que não são tão abertas
assim, são teorias ​BEM FECHADAS, BEM MARCADAS e que procuram uma
explicação para o ​Direito Internacional​.
As ​TEORIAS VOLUNTARISTAS se baseiam na ideia, ou seja, o elemento
central das teorias voluntaristas é a ideia de VONTADE​, ou se preferirem, a ideia de
AUTONOMIA DA VONTADE que é tão cara, por exemplo, ao Direito Civil. Vocês
que já estudaram, que estudam ainda direito civil sabem que a ideia de ​VONTADE faz
parte dos ​CONTRATOS​ e passou a fazer parte também dos ​TRATADOS​.
Podemos entender, inclusive, que um estado pode fazer parte de um tratado se
estiver de acordo com ele. Então, está ali presente a ideia de vontade, é a vontade do
soberano ou a vontade do Estado, ou a vontade do povo, dependendo da compreensão
que se tenha da ​SOBERANIA​, soberania em termos originais, ou seja, soberania do
soberano, soberania do estado, soberania do povo. Então o Estado precisa estar presente
ou a ​VONTADE ​do Estado precisa estar presente para constituir o Direito
Internacional. É com isto que trabalha as teorias voluntaristas.
A teoria da ​AUTOLIMITAÇÃO DA VONTADE diz que o próprio Estado
autolimita a sua vontade para permitir o surgimento do Direito Internacional e logo
apareceram aqueles que criticaram a ideia de autonomia da vontade. Porque vão
perguntar aos seus expoentes: ‘como os estados vão querer delimitar a sua própria
soberania ou a sua própria vontade?’
Entendido aqui ‘soberania’ como um elemento que se constrói a partir da
vontade estatal. Porque existe no âmbito interno a vontade do indivíduo que constrói o
direito no plano interno, que constrói também o direito que constitui o Estado, no plano
internacional esta vontade é formada pelos ​ESTADOS​, pela ​VONTADE DOS
ESTADOS​. Então o expoente da ideia de Autolimitação é o ​JELLINEK​. Vai trabalhar
com essa ideia da autolimitação da vontade. É o próprio estado, em função da
emergência, digamos assim, de uma outra ordem internacional, que cria, ou melhor,
limita a sua própria soberania dando a possibilidade da criação do Direito Internacional.
Mas ai os críticos, eu sou muito de ouvir os críticos, dizem ‘como é que um Estado em
sã consciência vai querer limitar a própria vontade? que Estado é esse? que Soberania é
essa que faz com que o próprio estado permita, se depender do Estado, ou se dependesse
do Estado ele jamais limitaria sua própria soberania’
Não pode ser a vontade, muito menos a autolimitação da vontade o fundamento
do direito internacional, então se não pode ser a autolimitação da vontade que justifica o
direito internacional, o que será? Se for o elemento vontade, aparecem alguns autores,
como é o caso de Triepel que vai falar da vontade comum ou da vontade coletiva, então
da vontade comum dos Estados, os Estados resolvem num ambiente comunitário criar o
direito internacional, limitar as suas soberanias, ai criam o direito internacional. E uma
grande crítica feita a teoria da vontade, ou voluntarista, que coloca o elemento vontade
como elemento central, para explicar o direito internacional, é que nós estamos falando
de um elemento que vem do direito privado, a ideia de vontade, ou que tem seu grande
lugar no direito privado. Como é que isso pode ser passado para o plano do direito
internacional público, embora essa fundamentação alcance também o ramo privado do
direito internacional, o direito internacional aqui não é só o público, mas o privado
também.
A maioria dos autores, tirando aqueles que são normativistas, trabalham com a
ideia de objetividade, e as teorias objetivas tem uma certa relação com o realismo, do
qual nós falaremos nas próximas aulas, precisaremos pelo menos de 2 aulas para falar
“das teorias das relações internacionais”, porque são muitas e muito detalhadas, com
muitos autores, então teremos pelo menos 2 aulas falando do realismo, idealismo,
construtivismo, (inaudível 49:09) teorias críticas, tudo isso em relação ao ambiente
internacional no qual se insere o direito internacional, portanto, não são teorias apenas
para o direito internacional, voltadas apenas para explicar o direito internacional, mas
sim para explicar as relações internacionais, incluindo o direito internacional.
Então falando das teorias objetivistas, o elemento vontade, ai cria uma disputa
enorme entre os objetivistas e os voluntaristas, que os objetivistas, de um lado,
questionavam a ideia de vontade aplicada ao direito internacional, vão dizer “não, não é
a vontade, não pode ser a vontade que justifica o direito internacional”, tem que ser um
elemento objetivo, como dirão os realistas, “a realidade”, uma forma então de dizer isso,
ou de explicar ou de justificar o direito internacional é dizer “o direito internacional se
impõe como uma realidade, uma necessidade, ai aqueles elementos que aqui apareciam
para descrever a sociedade vão estar muito evidentes aqui, é interesse e necessidade que
fazem com que direito internacional tenha surgimento. Interesse ou necessidade, ou
seja, os mesmos elementos que vão distinguir “comunidade de sociedade”, sociedade:
algo construído em função da ideia de interesse ou de necessidade, enquanto que a
comunidade é mais voltada para uma dimensão espiritual (acho que ele falou espiritual).
Então os objetivistas vão dizer que o direito internacional existe porque se impõe como
algo necessário, e pra isso muitos jusnaturalistas vão ser um tanto fundamentais, o
jusnaturalismo, o direito natural vai ser fundamental para justificar. Portanto não tem
como separar muito as teorias objetivistas das teorias do jusnaturalismo porque muitas
vezes elas se entrelaçam, sobretudo no início da formação do direito internacional
contemporâneo, porque era necessário um apoio junto a um elemento central da teoria
jurídica e esse apoio, ou elemento central, era o direito natural. Então autores, por
exemplo como Triepel, vai se valer muito, embora justificando numa base um tanto
quanto objetivista, mas ele vai justificar também com base no direito natural, o direito
internacional.
A teoria da norma jurídica é conhecidíssima por vocês, talvez até mais do que
qualquer outra teoria, sobretudo em Kelsen, trabalha com a ideia de que as normas são
fundamentadas por outras normas superiores, até nós chegarmos na constituição. Mas
quando chega na constituição, para justificar o direito internacional? Como é que o
direito internacional é justificado? Acima da constituição ou por sobre a constituição
tem algo que justifique o direito internacional? Hum?
Prof: a norma fundamental seria a constituição?
Alunos: não, acima da constituição tem uma norma hipotética que daria validade
a constituição”
Prof: certo, muito bem, e a gente pode entender essa norma fundamental como o
que?
Alunos: É uma norma hipotética
Prof: É uma norma hipotética, mas essa norma hipotética é o que? O direito
natural?”
Alunos: não sei
Prof; a quem diga que sim, que é o direito natural, porque é algo que não estar
muito claramente definido.
Na parte do direito internacional é um princípio chamado pacta sunt servanda, é
o que estar por cima das constituições, integraria essa norma geral não tão clara. Pacta
sunt servanda, a ideia de que todos nós ou sobre tudo os Estados estabelecem acordos
para serem cumpridos, não tem sentindo estabelecer um acordo se não vai cumpri-lo.
Portanto, é por isso, ou seria por isso, que os Estados deveriam cumprir as normas de
direito internacional, mas essa é uma, e outra uma vez eu gosto dos críticos, ou seja, há
sempre uma explicação normativa, que se serve e muito para justificar o direito interno,
ela serve menos para justificar o direito internacional, será que é só a normatividade que
justifica o direito internacional? A normatividade nacional e essa norma hipotética da
qual faz parte o princípio pacta sunt servanda?
Então a gente vê ai que são teorias que demonstram uma certa limitação na hora
de explicar o direito internacional, elas podem ser muito factíveis digamos assim,
justificáveis para o direito nacional, mas que no âmbito do direito internacional têm
certas limitações porque são um (inaudível) de elementos para o âmbito internacional
que talvez não seja muito adequado. E o jusnaturalismo é muito conhecido também, de
todas as teorias é a base mais antiga delas, o jusnaturalismo teológico, cosmológico e
racional. Pra falar do jusnaturalismo é sempre bom lembrar de uma peça que tem dois
mil e quinhentos anos, chamada Antígona, certamente já ouviram falar ou já assistiram
a peça. E nessa peça a heroína está em uma situação difícil, e qual é a situação difícil
dela? É que ela cometeu uma ilegalidade ela mandou descumprir a ordem do rei, seu tio,
Creonte. Havia uma disputa pelo reino, pelo poder, e o rei, os irmãos de Antígona
estavam disputando em lados distintos, e o exército do rei abateu um dos irmãos de
Antígona e decretou que ele não poderia ser enterrado, que o corpo dele deveria ser
colocado em uma colina para ser consumido pelos abutres, além da morte, essa era mais
uma pena. E ela disse que não ia cumprir essa decisão, foi lá lavou o corpo, prestou
todas as homenagens que era da época e enterrou, então o rei manda chama-la e
pergunta por que? Afinal de contas o que que faz com que aquela mulher descumpra a
ordem do rei? Embora sendo sua sobrinha, por que que ela descumpriu a ordem do rei, e
ela vai pagar por isso, vai terminar serrada em uma caverna para morrer de fome, mas se
mata antes, mas a resposta dela é o que nós interessa aqui, ela disse que: “descumpriu
porque existe uma ordem superior a lei dos homens”, e essa ordem superior é o que se
chama de direito natural, teológico, cosmológico ou racional, nesse caso ai é o direito
natural que eu diria estar entre o cosmológico e o teológico, que ela vai dizer que é
“algo superior”, ela não diz exatamente de onde vem esse direito, se é um direito divino,
se ele é um direito que vem na natureza em si, ou seja, nós iriamos entender como
cosmologia, um direito natural cosmológico, aquele que vem da natureza em si, ou seja,
a própria natureza justifica o direito.
É como dizendo assim “nós somos inteligentes suficientes para aprender com a
natureza, a natureza nós ensina o que é o bom e o certo, o que é o direito”. Aquela
pessoa que acredita que o direito é fundamentado pela cosmologia ou pelo direito
natural cosmológico, tem essa tendência a acreditar que a nossa natureza, a natureza
humana, a ideia de natureza humana nós ensina como conviver em sociedade, e se nós
ensina como conviver em sociedade criando Estado, também os Estados são guiados
para criar o direito internacional. Ou então aqueles que vão dizer realmente que a
divindade é que fundamenta o direito, e portanto o direito internacional também, ou
seja, se a divindade fundamenta o direito, dirá também que os Estados devem formar o
direito internacional.
Para os jusnaturalistas, digamos assim, a história tem um papel menor na criação
do direito e na criação do direito internacional, porque tem um elemento superior, seja
ele a natureza em si, a divindade ou a razão que vai estar fundamentando o direito e o
direito internacional também. Então, como eu já falei pra vocês, Triepel trata de
fundamentar o direito internacional com base em elementos objetivistas, mas também
com base em elementos de direito natural. Então ele vai lançar mão do direito natural
pra dizer “os Estados criam o direito internacional porque a natureza, não é a natureza,
mas o direito da gente é uma criação orientada pelo direito natural”, porque assim é
quase como dizer que é da natureza dos Estados encontrar com os Estados e, portanto,
precisar do direito internacional.
E ele será racional como o iluminismo, ou seja, o jusnaturalismo racional é
aquele que surge com o iluminismo que pretendeu retirar do centro das atenções à
natureza e a divindade e colocar no seu lugar a razão. Por isso que é chamado também
de jusracionalismo, o direito natural e racional, ou jusnaturalismo racional. E esse
jusnaturalismo é baseado na razão, ou seja, aquele elemento que constitui toda natureza
humana, a razão. E se ele é constituidor da natureza humana, a razão é parte da natureza
humana, é o que nos faz diferentes dos outros animais. Todos os outros animais têm
elementos que podem ser fundamentais, importantes para a existência do mundo, mas
eles não têm algo que os seres humanos têm que é a razão, para os jusnaturalistas.
Então, a razão faz com que não só exista base para justificar o Direito de uma
maneira geral, mas o Direito Internacional também. Existe uma razão de Estado que
justifica o próprio Estado, e que justifica que se crie o Direito Internacional. O professor
particularmente acredita que essas teorias jusnaturalistas são muito datadas, pelo menos
de pelo menos 2500 anos, embora o jusracionalismo seja bem mais moderno, seja da
modernidade, mas acha muito difícil nos dias de hoje essas teorias justificarem o Direito
e o Direito Internacional. Porém ainda tem muita gente, como ele falou em outras aulas,
que tem justificado a própria existência humana, da ideia naturalismo. E ai a gente tem
que fazer a distinção entre natureza, ou seja, a natureza ela existe, ela faz parte de nós
ou nós fazemos parte dela. Mas dai ela ser justificativa pra tudo? Fundamentação pra
tudo, sobretudo sobre para traduzir o que é construção humana? Enfim...
Por conta das limitações das teorias, tem aqueles que defendem o ecletismo.
Então surgem as teorias ecléticas, surgem aqueles que engulam possibilidades das mais
distintas envolvendo essas teorias, de explicar. E esses não acreditam na possibilidade
de se ter uma explicação plena, uma explicação única, uma explicação universal. A
ideia de universalidade é característica, sobretudo das teorias jusnaturalistas. A ideia de
universalizar resultados, universalizar visões. A ideia de natureza humana, a de
universalização das visões é muito característica do jusnaturalismo.
Então, por conta dessas limitações surgem essas possibilidades de ter outras
leituras. Ou seja, vai se dizer que nenhuma teoria é capaz de explicar a realidade.
Nenhuma teoria é capaz de explicar o direito, e nenhuma teoria sozinha por conta da
limitação humana, não vemos tudo, por conta da nossa própria limitação física, nossa
própria limitação existencial, acaba que não podemos compreender tudo. E se não
podemos compreender tudo, as teorias são limitadas. Sendo limitadas, vamos aproveitar
elementos dos mais distintos que nos satisfaçam das várias teorias e explicar os
fenômenos. Então, isso valeria também para o Direito Internacional.
Entre os ecléticos há muitos relativistas em oposição ao universalismo, que vão
buscar explicações muito pontuais, muito localizadas no tempo e espaço. Então, eles
vão preferir ter uma explicação pra determinados fenômenos, pra determinadas
situações. O MERCOSUL, por exemplo, temos uma explicação única pra todos os
processos de cooperação regional. Cada processo de cooperação vai ter uma explicação,
vai ter uma fundamentação. Então o MERCOSUL vai ser o que? Que pode considerar
elementos da alta (inaudível) da vontade e ao mesmos tempo elementos da nova jurídica
porque houve um tratado de fundação, um tratado que definiu a criação, e houve uma
definição de uma vontade de estados, dois estados, o Brasil e a Argentina que
resolveram inicialmente conversar a respeito do MERCOSUL. Esse é um processo que
é diferente da União Europeia.
Não tem como explicar o Direito Internacional todo, mas os fenômenos dentro
do Direito Internacional terão explicações que são próprias pra ele, que se forma no
tempo e espaço.
Pergunta aluna: Professor, o Direito Internacional tem como (inaudível) o direito
internacional é voltado para a sociedade internacional?
Resp: Então, dependendo de como entendamos, qual seja nossa orientação sobre
o fenômeno internacional, sobre o espaço internacional, eu poderei falar em uma
sociedade ou uma comunidade internacional. Se for um autor, digamos assim, mais
realista ou do campo das teorias objetivistas ele vai dizer “é uma sociedade, estamos
diante de uma sociedade internacional” porque o que fundamenta a sociedade é o
interesse e ou a necessidade. Ou seja, em qual estado ele se relacionar para criar um
determinado fenômeno no plano internacional porque tinham o interesse, porque
queriam se proteger. O interesse ai vai vaiar, é variável, para aumentar as capacidades
econômicas ou para se proteger, então vai variar em interesse ou necessidade. Digamos
assim, em elementos mais jusnaturalistas ou mesmo não jusnaturalistas. Elementos mais
espirituais que estão além da vontade, para além da objetividade, que dizem que nós
fazemos parte de uma comunidade Estados querendo ou não. Compartilhamos este
mundo, e se compartilhamos somos parte de uma comunidade internacional, não só em
uma sociedade baseada em um pacto de necessidade ou interesses.
Até aqui como está ficando para vocês o entendimento desse direito
internacional? (um aluno respondeu que tá claro)
Perguntaram como encontrar esse conteúdo no livro, resp: (no livro que ele tava
na mão, o assunto tava titulado assim:) cap. 2. Teoria do direito internacional, cada
autor vai dar um título para o que ele quer abordar, tem toda essa instrução sobre o que
é o direito internacional, discutindo qual o sentido de direito internacional, o
fundamento em termos conceituais. É um livro mais detalhado, mais para mestrado, ele
aconselha para a graduação ler um manual que é mais simples, ele gosta muito do de
guido soares, no drop tem dois manuais de direito internacional.
Aluna Pergunta: prof, fiquei em Dúvida sobre as teorias objetivistas.
Resp do prof.: É um dado objetivo, não é a vontade. Não é a vontade que defini
o Direito Internacional, tem certa paridade com o realismo. O realismo diz que o
Direito Internacional existe porque é um fato do mundo.
Aluna: que elemento real seria esse?
Resp: o interesse e a necessidade, porque ele é útil, necessário, porque os
Estados têm interesse no direito internacional, nós não vamos pensar em fundamentos
mais espirituais do que esses, são elementos muito concretos, a necessidade e o
interesse.

5. Aula 5 ( Aula do dia 25/04)

Quadro:

TEORIA PRINCIPAIS AUTORES LEGADO INSUFICIÊNCIA SITUAÇÃO


ELEMENTOS

→ Estado:  Tucídides; A força produz Pessimismo; Conselho de


principal  Maquiavel; efeitos. Força como Segurança
sujeito; Hobbes; argumento. da ONU.
REALISMO → Anarquia  Edward
internacional; Cam;
→ Natureza  Morgenthau;
humana; Samuel
→ Guerra. Huntington.
Preocupação Hugo Utopia Estruturas Brasil;
principal: Grotius; constrói dissociadas da Liga das
Indivíduo; Kant; Direitos realidade. Nações.
Racionalismo; Everd Humanos?
Organizações Voltel;
IDEALISMO \
internacionais; Jeremy
LIBERALISMO Cooperação Bentham;
Internacional; Woodrow
Paz; Wilson;
Comércio Thomas
internacional Moore;
livre. Fukuyama.

Crítica ao Karl Marx; Consciência Economicismo. Realpolitik


Capitalismo; Eric de classe; soviética;
Luta de Hobsbawm; Diferenças Política de
classes; Samuel Culturais Chávez.
Estado: Pinheiro historicamente
MARXISMO
instrumento de Guimarães; construídas.
acumulação de Walstien.
capital;
Exploradores
X
explorados;
Anti-imperialis
mo.

Áudio:

Essas Teorias foram sendo construídas ao longo dos anos, mas só foram sistematizadas quando a
disciplina de Direito Internacional é criada, o que só acontece no início do século XX, mas existem
autores da antiguidade que defendem o Realismo, o Idealismo e, os mais recentes, o Marxismo. Na aula
de hoje, vamos falar dessas três correntes principais: Idealismo, Realismo e Marxismo.
Além delas, vamos falar - nas próximas aulas - das teorias alternativas das Relações Internacionais,
que surgiram mais recentemente, nos anos 80 do século passado, e têm o condão de atualizar as teorias
mais antigas, de mostrar como o mundo vem se desenvolvendo ao longo dos anos no plano internacional.
Essas teorias alternativas são: o construtivismo, teorias críticas, pós-modernas, pós-coloniais,
feministas e as teorias Queer (dentro das teorias de gênero).
As tradicionais são o Idealismo, Realismo e Marxismo. Podemos dizer que elas disputam significado
entre si, principalmente o Idealismo e o Realismo. Nós vamos ver que elas vêm de longe – da Idade Média
– e, naquela segunda fase do desenvolvimento do Direito Internacional, já estavam muito presentes. E
mais, no séc. XIX, o Marxismo surge para disputar espaço com o Idealismo e o Realismo.
A tabela serve para facilitar o entendimento da matéria, os principais elementos da teoria, alguns dos
principais autores.
O Realismo é uma ideia que reúne diversos elementos, mas o elemento central a ser analisado nas
relações internacionais é o Estado, ou seja, o Estado é o grande sujeito nas relações internacionais. O
realismo é “estado-cêntrico”, digamos assim, pois coloca o Estado no centro das análises das relações
internacionais.
O Realismo trabalha com a ideia de que não existe a possibilidade de uma organização da vida social
entre os Estados, essa vida é anárquica. Surge a Ideia de Anarquia Internacional.
O Realismo trabalha com a ideia de que isso não vai mudar, porque o elemento central para entender
o que acontece no plano internacional é a guerra, ou seja, os Estados, mesmo que busquem melhorar as
condições de guerra, mesmo que [as guerras] tenham sido reduzidas em seu significado, nunca haverá
uma guerra permanente. Haverá sempre conflitos, o que caracteriza a vida entre os Estados.
O que caracteriza a vida social entre os Estados é a ideia de guerra. Nesse sentido, alguns autores são
importantes para entender a perspectiva do Realismo.
Tucídides talvez seja o autor mais antigo numa perspectiva realista. Ele escreveu, há cerca de 2500
anos na Grécia Antiga, uma obra denominada “A História da Guerra do Peloponeso”, uma guerra entre
Atenas e Esparta. É um livro denso que busca chegar a verdade: “qual o sentido da guerra?”.
É um livro que expõe a guerra como elemento central. Ao escrever essa obra, o autor [Tucídides] diz
que em todas as guerras acontece aquilo que ele viu, que ele presenciou, no livro.
Não é muito diferente da perspectiva de Maquiavel. Claro, muitos séculos depois. No livro o ”O
Príncipe” de Maquiavel, o ensinamento é que a política é um elemento cultural, diferente do que se
entendia no passado, que a política era entendida como elemento da natureza. A partir de Maquiavel,
passamos a entender que a política é uma expressão da época. Dessa forma, por Maquiavel, se você quer
ascender, observe como a política foi feita até agora.
Ele [Maquiavel] vai consagrando um série de elementos do passado, e do presente, para demonstrar
como a política era realizada, numa perspectiva tida, também, como realista. Nesse sentido, ele analisa os
elementos estruturadores da ideia do Realismo Político e do Realismo Internacional.
Hobbes vem dizer, também seguindo a ideia de natureza humana, que o ser humano é essencialmente
mau. Mais para aqui, claro que dando muitos pulos, pois é uma aula expositiva focada mais no D.
Internacional.
Edward Cam, no séc. passado, escreveu um livro chamado “Vinte anos de crise”. Esse livro também é
uma perspectiva Realista. Realista em que sentido? No sentido de que ele trabalha com uma visão
contrária ao Idealismo de que o mundo não estava indo em bom caminho. Aquilo que estava sendo criado
entre o final da 1ª Guerra Mundial e a 2ª Guerra Mundial, ele viu como algo que não era seguro. Ele
[Cam] não via segurança nas instituições que estavam sendo criadas. O arranjo internacional que estava
em vigência (liga das nações) também não passava segurança para ele. Então, [Cam] lança uma série de
elementos (o prof. não disse quais elementos). Esse autor serve para quem quer entender as relações
internacionais entre as duas Grandes Guerras do ponto de vista pessimista.
Outro autor que contribuiu bastante para a teoria realista foi o Samuel Huntington. Ele escreveu um livro
muito famoso chamado "O choque de civilizações". Essa obra trabalha com a ideia de que existem nove
principais civilizações no mundo, entre elas a civilização Ocidental, Latino-americana, portanto, a
civilização Latino-americana não é parte, na visão dele, da civilização Ocidental.
Temos ainda as civilizações Africana, Sínica (Chinesa), Japonesa, cada uma delas com suas
características fundamentais. O autor diz, ainda, que, a partir dos anos 80/90 do séc. passado, os conflitos
que existiriam no mundo seriam entre civilizações, conflitos civilizatórios. Não seriam conflitos
ideológicos, políticos, e sim conflitos em função das características civilizacionais. Atualmente, muita
gente vê pertinência no que ele falou, pois nossa política, seja no plano nacional ou internacional, é muito
caracterizada por elementos culturais, divergências culturais.
Um autor que, também, ficou muito conhecido nesse ramo foi o Morgenthau e fundamentou a utilização
do Realismo pelos norte-americanos no âmbito internacional. É, portanto, um autor de referência no
estudo das relações internacionais.
Resumão do Realismo: essa é uma perspectiva que trabalha com uma ideia de que o Estado é o
grande elemento de análise. Só existe política internacional porque os Estados querem e na medida que o
Estados venham a querer, como eles venham a querer, porque o cenário internacional é anárquico e toda
tentativa que tenha havido, no sentido de domesticar o cenário internacional, é limitada. Alguns vão dizer
que ela é vã, não é séria e, dependendo do realista, vão achar que ela seja domesticada até certo ponto,
pois o que caracteriza o cenário internacional é uma disputa permanente, assemelhado com uma guerra.
Em função dessa disputa os Estados podem fazer guerra. Não necessariamente uma guerra do passado,
uma guerra que era permanente em relação à primeira fase do Direito Internacional, mas travestida de
guerra fiscal, comercial, etc.
Um Estado vai sempre querer estar numa posição superior, nenhum Estado vai cooperar de
boa-vontade. Essa ideia [cooperar de boa-vontade] é uma ideia Idealista, que não convence os Realistas.
O grande legado do Realismo é a ideia de que a força produz sentido. Muitas vezes você pode não ter
força, mas demonstra ter força e consegue resultado no plano internacional. A força falada aqui é a força
bélica, militar. O poder econômico-político-militar constitui poder de dominação no plano internacional.
Falando das críticas, o Realismo tem uma insuficiência, pois trabalha com uma perspectiva pessimista de
que a natureza humana é má, como escrita em Hobbes. A paz é objetivo dos idealistas, o Realismo não
vislumbra a paz e sim a guerra. A ideia de força como argumento também pode ser vista como uma crítica
negativa ao Realismo.
Um exemplo de aplicação do Realismo é a composição do Conselho de Segurança da ONU,
formado por 15 membros, dos quais 5 têm assento permanente e poder de veto. O poder de veto significa
que um único Estado pode vetar a discussão. Isso significa, na prática, balizar a ordem internacional com
a ideia idealista de organização global.
Ao se criar uma organização global, quem está pautando o cenário econômico é uma visão
Idealista, mas o realista pensa numa organização que desconsidere que os Estados são diferentes,
politicamente, socialmente, economicamente, ele não concebe que o mundo seja governado por iguais, e
sim por um conselho desigual, com poderes diferenciados e compatíveis com o seu lugar no mundo. A
invasão dos EUA a Síria é uma expressão do Realismo norte-americano.
O Idealismo é, sem dúvida, a ideologia que mais disputa significado com o Realismo. Podemos
chamar o Idealismo de frente liberalista. A perspectiva Liberal vem da concepção de que o indivíduo é o
elemento central, e a partir dele chegamos a um Estado que vá servi-lo. O idealismo é, sem dúvida, uma
expressão do Racionalismo que se expandiu. A partir dessas possibilidades da construção da paz.
O livro "Utopia" é uma das correntes do pensamento Idealista. Foi dele que Thomas Moore, o
autor, propôs uma sociedade ideal, normatizada, influenciada pelas visões das pessoas que conheceram o
novo mundo (Grandes Navegações) e acharam que tinham encontrado algo aproximado da visão de
Paraíso. Vários autores passaram a teorizar a ideia de paz. O liberalismo trabalha com a ideia de que o
mundo será melhor na medida em que se constituam organizações internacionais, pois facilitam o diálogo
entre indivíduos e cooperam entre si. A grande agenda é a construção da paz.
Dentro disso, há a ideia de comércio internacional livre: devem ser colocadas poucas barreiras
entre o comércio dos Estados, pois muitas das guerras do passado se iniciaram por conta de barreiras
comerciais. Não à toa foi criada a OMC (Organização Internacional do Comércio) e tratados
internacionais para evitar a guerra a partir do comércio. O liberalismo pretende domesticar a política
internacional, fazer com que os Estados tenham regras e sigam essas regras.
Diante disso, temos uma série de juristas que participaram dessa concepção, como Kant, Everd
Voltel e Jeremy Bentham que deram a sua contribuição para a Ciência das Relações Internacionais. A
sociedade onde eles viveram precisava ser organizada, para isso o Direito natural contribuiu muito, pois
havia a necessidade de uma aliança internacional para formar uma vida em sociedade de Estados. Tudo
isso baseado na segurança dos Estados e na segurança dos indivíduos.
Woodrow Wilson, presidente dos USA, foi uma figura fundamental para a construção da liga das
nações. São famosos os seus 14 pontos em relação ao final da Primeira Guerra Mundial e a construção da
nova ordem mundial. É a partir daí que se faz sentido falar em nova ordem mundial. Essa nova ordem é
uma criação do Liberalismo/Idealismo para dar sentido ao mundo formado por organizações
internacionais que vão construir a paz por meio da cooperação entre Estados.
(Propaganda de Genebra e do Palais Wilson. Visitem Genebra!)
A concepção idealista é dita utópica porque constrói, propõem arranjos internacionais no sentido
de mudar a ótica no plano internacional e as práticas no campo internacional.
Um dos autores mais estudados e criticados é o Fukuyama (38:30)

Francisco Ruian que escreveu livros para dizer que teríamos chegado sobretudo depois do fim do
socialismo real, e teria chegado ao ponto, que é o fim da história, então tem uma pretensão muito grande
na perspectiva dele, quer dizer que nós chegamos ao ponto da organização social, dos estados e do mundo,
que é a democracia liberal, que melhor se teria construído na teoria política e na prática política, não
poderíamos esperar outra coisa, mas eu particularmente vejo muita pretensão em congelar a história, a
história está acontecendo, é o que o futuro vai ser, então não é possível dizer que chegamos no fim da
história e que não tem outra coisa melhor além do liberalismo, mas, então o grande legado do liberalismo
ou do utopismo, no plano internacional é a ideia do que o utopismo constrói e é em função dessa
construção que temos um mundo melhor e organizado hoje em dia, temos organizações internacionais,
tratados internacionais, princípios do direito internacional que orientam as relações internacionais, isso
não existia no passado, foi algo que foi se estabelecendo a partir do renascimento, e mais do que tudo a
partir do iluminismo é que se deve essa incapacidade de propostas dos idealistas.
Ai chegamos no ponto das críticas, e é exatamente isso que dizem sobre ao liberalismo no plano
internacional, ao utopismo ou idealismo, ou seja, o liberalismo seria capaz de criar estruturas, nas quais os
autores acreditam muito, que essas estruturas são dissociadas da realidade, é quando você lê muitas vezes
um liberal, um idealista, você tem certeza que algo existe e não é propriamente dito como é escrito, então,
para falar de um autor no campo dos direitos humanos, aliás, muitos já se veem aqui, como o professor
Antônio Augusto você ler o tratado dele tem uma descrição muito liberal na perspectiva dos direitos
humanos, então ele vai dizer que, ou seja, que nós não tínhamos organizações internacionais, não
tínhamos tratados, e agora nós temos, e você fica acreditando que o mundo dos direitos humanos é uma
perfeição, eu sei que ele não acha exatamente isso, porque conheço ele pessoalmente, ele tem críticas
também, e o que leva a crê é que existem uma correspondência com a descrição e a realidade e não é
exatamente isso que acontece, tem portanto uma grande crítica, é que eles expõem uma realidade que não
tem uma correspondência exatamente como é descrito para todo mundo, ainda mais na cabeça deles.
Um exemplo é o Brasil na liga das nações, tem um livro que se chama “ O Brasil e Liga das Nações (
não tem certeza do nome do livro)”, o autor o sobrenome é Vargas. Ele conta a história do Brasil na Liga
das Nações, o Brasil acreditava muito que deveria ser o líder da América Latina. Esse autor estudou, foi
para os documentos, o Brasil queria um lugar na liga das nações, parecido como conselho de segurança, e
ai foi feito uma campanha para que o Brasil tivesse esse assento, só que o Brasil acreditou demais, numa
perspectiva muito utópica e idealista deste lugar e não acreditava que outros países queriam boicotar a
campanha brasileira, só que o México boicotou, a Argentina também, a própria América Latina não deu
apoio a candidatura brasileira, o que resultou foi o Brasil ter se retirado da liga das nações, e também a
liga foi perdendo forças, nas condições da segunda guerra mundial, mas no final dos anos 20 o Brasil se
retirou por conta de ter feito uma campanha no plano nacional e internacional, acreditando muito no
liberalismo e a capacidade de representar a América Latina e não teve esse apoio, assim se retirou da liga
das nações. Isso ilustra que muitas vezes os valores liberais não andam muito de acordo com a realidade.
E ai vem o marxismo como uma terceira teoria que vai procurar explicar as relações internacionais,
não vai se contentar em explicar as relações de poder interno, dentro do próprio Estado, mas as relações
entre esses Estados. A grande contribuição do marxismo /e por meio de uma crítica ao capitalismo. Luta
de classes no plano interno que é levado também para o plano internacional tem um nome para essa luta
de classes que é o imperialismo, que é como se revela a luta de classes no ambiente internacional de
acordo com a análise marxista.
O Estado é visto como o instrumento que facilita a acumulação de capital por parte dos capitalistas, e
há uma disputa entre os Estados por uma hegemonia no plano internacional. Se existe uma disputa de
classes no plano interno, existem também uma luta de classes entres Estados, porque os Estados também
são desiguais. Se os Estados são desiguais eles disputam há quem diga que o marxismo é um idealismo à
esquerda, pelo fato do marxismo potencializar muito a disputa no plano internacional. Então vamos ter
Estados que são exploradores e vamos ter Estados que são explorados, tem toda uma luta contra o
imperialismo, como autores vamos ter Marx, Lennie que teorizou em torno do imperialismo, vai
demonstrar quais são os elementos construtivos do imperialismo, vai mostrar situações em que teria
plausividade para sua teoria em relação ao momento que ele criou, e tem uma série de seguidores
denominados como neomarxistas que tem uma visão mitigada do marxismo.
O grande legado para o marxismo é a consciência de classes, de que viemos de classes diferentes,
estão aí na base da sociedade, de que é o mundo, também tem sentido no plano das relações
internacionais, e a ideia de que o diferentemente do que se pensava no passado o mundo é uma construção
cultural histórica, fatores de que a ideia materialismo histórico é tão ... no marxismo. A análise marxista
seria concentrada na economia, na organização econômica do mundo, por isso que a ideia de luta de
classes é tão central.
Então as políticas internacionais de base marxista buscam articular Estados em torno de uma agenda
de fortalecimento das políticas nacionais dos Estados que se identificam nessa política. A grande disputa
no campo da diplomacia, nos cursos de relações internacionais é entre o realismo e idealismo, são essas
duas teorias que disputam o sentido do mundo.

6. Aula 6 (Aula do dia 30/04) – Fontes materiais do DIP - fundamentos

No campo das relações internacionais, eu já falei pra vcs que há algum tempo eu
exponho também a teoria das relações internacionais nas aulas de direito internacional
pq as teorias tradicionais elas já são muito antigas como nós vimos e elas são limitadas
para explicar, embora toda teoria seja limitada para explicar o q quer q seja e no caso
das teorias das relações internacionais também, mas elas foram construídas foram
sistematizadas ao longo do século XX embora muitos autores como nós vimos realistas,
idealistas, marxistas (estes mais recentes), mas realistas e idealistas eles produziram
conhecimento nessa perspectiva desde a antiguidade, então cabe ressaltar q tem uma
produção antiga q foi sistematizada pelo autores no campo das relações internacionais a
partir do início do século XX.
Disciplinas que navegam pela filosofia do direito, - certamente já devem ter
trazido pra vcs tb a crítica feita pelo discurso a chamada virada linguística -, ou seja, a
ideia de q a linguagem constitue a realidade, ou seja, a realidade não é algo q
simplesmente representa mas a própria realidade é constituída pela linguagem, então
esses autores e essas autoras e nós vamos perceber que cada vez mais vão aparecer
autoras no campo do feminismo no estudo do gênero elas vão procurar explicar e trazer
uma contribuição q certamente e sobretudo os realista vão ver com muita resistência
com muitos pés atrás essas contribuições pq certamente são todas elas teorias q vão de
encontro às teorias tradicionais.
Então o realismo é entre as 3 teorias principais, as 3 teorias tradicionais a teoria
q mais se coloca como tendo hegemonia do campo internacional e sobretudo pelo fato
de se colocar como uma teoria q expõe a verdade, é isso q o realismo busca, expor como
as coisas são e sempre serão. Em função dessa racionalidade exacerbada os teóricos no
campo dessas outras teorias vão criticar muito em grande parte o realismo, mas criticam
tb o idealismo e o marxismo.
Todas elas, todas essas teorias aqui elas são alternativas também por isso, ou
seja, por criticar as teorias tradicionais, mas sobretudo o realismo pq elas criticam
sobretudo o realismo? Porque o realismo se coloca diante da posição de explicar o
mundo, de explicar plenamente, racionalmente o mundo e aí vem toda aquela crítica a
razão q diz que o mundo não pode ser explicado nesses termos e mais do que isso q a
própria construção racional do realismo é uma ficção pq pra esses autores q têm essa
visão, uma visão orientada pela crítica a razão pela crítica trazida no campo do discurso
as teorias não passam de construção e portanto de ficções, como aliás muitos autores no
passado e certas explicações, eram explicações ficcionais, o próprio Estado seria uma
ficção, a própria ideia de sujeito de direitos seria uma ficção.
Como já vimos, como vcs certamente já viram então é por aí q essas teorias vão
trabalhar, mais uma vez chamo atenção pelo fato de que são teorias comparadas com as
outras, são teorias minoritárias, são teorias alternativas nesse sentido mas não é pelo
fato de elas serem minoritárias q elas não tem plausibilidade ou e muita gente vê
plausibilidade nelas.
Então comecemos a falar sobre as teorias críticas q surgem no cenário
internacional sobretudo a partir dos anos 80 do século passado e trazem uma série de
novos elementos, novos temas q estavam de fora da análise internacional, como eu falei
pra vcs nas aulas passadas o q é q o realismo indica coloca como sendo um elemento
central da análise internacional - o Estado - , ou seja, tudo gira em torno do Estado, q é o
grande sujeito, senão o único das relações internacionais ou da política internacional e
os críticos vão apresentar novos elementos, novos temas q não passsam necessariamente
pela definição estatal ou pelos estados, mas tb vão criticar a idealização feita pelo
idealismo e análise marcadamente economicista do marxismo.
Então q temas são esses? Ou q novos temas são estes trazidos pelas teorias
críticas? Em primeiro lugar a segurança internacional que sempre foi vista como um
elemento de preocupação apenas entre os Estados e quando se fala em Estados, significa
os poderes estatais. Então os militares, os governantes, no máximo os deputados e
senadores, porém ONGs, por exemplo, não deveriam se preocupar com isso e além
disso toda preocupação com segurança seria de caráter eminentemente militar,
segurança para segurar fronteiras, para fazer com q os Estados protegessem seu
território e suas populações de ameaças estrangeiras.
E os teóricos críticos vão trazer outra ideia de segurança internacional então
entre essas ideias vai haver a noção de ​soft security ​e ​hard security​, esta é a segurança q
diz respeito propriamente a segurança nacional e internacional é a segurança dura
digamos assim, mas a gente teria uma compreensão de segurança ​soft que é aquela
flexível, q faz com o Estado seja respeitado por exemplo, pela criação de condições de
diálogo e isso também seria uma forma de trabalhar com a segurança quando por
exemplo determinados projetos de integração fronteiriça estabelecido entre dois ou três
estados ou mais Estados essa tb seria uma preocupação com a ideia de segurança na
medida em q Estados cooperam uns com os outros vai melhorar a vida do espaço
fronteiriço, aí tá uma preocupação q é diferente da preocupação tradicional, dos atores
tradicionais, sobretudo os realistas, a ideia de hegemonia, hegemonia não em termos
tradicionais do direito internacional, mas a hegemonia como emancipação, ou seja, com
a possibilidade de cooperação envolvendo Estados.

Aluno pergunta: O que significa a HARD SECURITY?


Professor: Significa a segurança em termos tradicionais, ou seja, segurança em termos
militares. E a soft security seria aquela segurança q se estabelece por meio de
cooperação envolvendo Estado, envolvendo sociedade civil organizada de forma q as
pessoas se sintam partícipes no processo de prestar segurança uns aos outros.

As questões relacionadas a cultura, esta entra como um elemento de análise


internacional porque para além da política se deve considerar também de acordo com os
autores críticos, a cultura dos Estados, a cultura jurídica; política; manifestações sociais
deve ser considerado como elementos de políticas internacionais por exemplo, festivais
envolvendo estados q já disputaram entre si, q já fizeram guerra entre si.
Existe até uma denominação a partir daí q é a diplomacia cultural, então os
estados q têm trabalhado nessa linha são o Chile e o Peru, que viveram uma guerra e
têm uma cultura em comum, tem outros elementos em comum, elementos religiosos em
comum também, eles têm feito festivais, têm feito iniciativas das mais variáveis o q vai
com o tempo acabando a rivalidade também outras forma de cooperação na área
econômica, social e política.
O elemento discursivo - , um autor q tem trabalhado nessa perspectiva é Noam
Chomsky, autor norte americano q é conhecidíssimo, certamente vcs á ouviram falar, e
se for falar em referência crítica no campo das relações internacionais, um dos primeiros
nomes é o Robert Totsky, ele tem todo um trabalho q é nessa perspectiva crítica e mais
tradicional e mais científica propriamente.
Mas o Chomsky contribui com essa perspectiva q não é vista muito
cientificamente, mas eu acho interessante colocar a teoria dele, a abordagem de
Chomsky pq ele faz é justamente adequar a linguagem do discurso para analisar a
política internacional, pode-se criticar o método dele pois ele usa exatamente os
discursos, recolhe uma série de expressões das autoridades dos autores internacionais e
nacionais tb, mas sobretudo apreende o discurso dos governantes, dos representantes de
organizações internacionais processa tudo isso com base numa análise discursiva tira as
conclusões de q imagina de q deve ser as mais apropriadas para analisar o cenário
internacional.
Então como tá ali tb é uma perspectiva q busca rejeitar os positivismos,
sobretudo o do campo das relações internacionais e da ciência da polícia e daquilo q
aparecia das teorias tradicionais.
Boa Ventura de Souza Santos tb em alguma medida se coloca como autor crítico
e q passeia entre as teorias, é um autor um tanto quanto difícil de categorizá-lo, ele msm
se coloca em alguns momentos como pos moderno, em outros como pós colonial têm
livros q têm uma aproximação aí nisso tb ele é crítico do ponto de vista metodológico,
ou seja, um autor tb pode se considerar crítico do ponto de vista metodológico e nesse
caso aqui estamos falando de um autor q passeia, percorre várias perspectivas teóricas,
não é um autor q se pode classificar ou confinar para uma única teoria, então ele é um
teórico crítico e pode ser visto como um teórico crítico nesse sentido q coloca no debate
vários outros temas q não são os temas tradicionais a ótica dele tb não é tradicional, é
crítica ele relaciona a sua análise com o discurso dos governantes ele tá preocupado em
entender o q está por trás do q cada autor coloca q aliás é o q Chomsky faz tb, analisar,
procurar ou identificar melhor dizendo o q está por trás do discurso dos governantes.
E a grande conclusão de Chomisky é q por trás do discurso de uma maneira
geral os governantes dizem uma coisa e fazem outra, digamos q esse é o grande achado
q tá presente em toda teoria dele em todos os artigos dele, ele tem uma produção imensa
como nós sabemos é só entrar no site dele q nós vamos ver a quantidade de artigos e
livros produzidos ao longo de tempo, pois bem, é esse autor q relaciona o q os analistas,
o q os políticos, o q a academia tb diz e daí ele vai analisar q existe um abismo entre o q
se diz e o q se faz.
Robert Totsky é um autor q trabalha sobre a análise das organizações
internacionais ele uma inserção muito grande na OMC faz toda uma crítica ao trabalho
das pŕoprias organizações internacionais e em particular da OIT, mostra as limitações
das organizações internacionais na concretização do direito internacional; das questões
internacionais; dos tratados internacionais, então digamos q a grande preocupação dos
teóricos críticos é revelar a realidade, ou seja, fazer aquilo q a maioria não tem acesso
por trás de toda perspectiva de um autor crítico tá essa ideia de colocar a disposição da
sociedade elementos q a sociedade desconhece, enquanto os realistas de certa forma
escondem a realidade dizendo: olha aí os governantes fazem e aí tem um gosto tem uma
satisfação grande dos críticos em fazerem isso, sobretudo quando se trata de um texto
como o de Chomsky q é um crítico radical né então o q a gente vai ver é isso.
Há algum tempo q eu mostro na realidade todos os textos mas quando chega nos
teóricos críticos, alguns dizem “mas professor esse texto acabou com minha visão a
respeito de disso”, que um texto de Thompsk q mostra q através dos panos age contra
tudo aquilo q se imaginava, o crítico mostra o q tá por trás q a gente não viu e q não tá
nos jornais, o q acontece e a gente fica realmente um tanto quanto sem chão quando tem
acesso àquelas informações.
A crítica ou a insuficiência apontada é q os teóricos críticos eles criticam e
apenas criticam e não têm compromisso algum em apresentar propostas até têm uma
satisfação muito grande sobretudo com a utilização de uma linguagem irônica em todos
eles em mostrar como a realidade acontece diferente do q os idealistas falam, do q os
marxistas falam, eles colocam a disposição tem aquela satisfação por exemplo do
Wikileaks tudo q todos os documentos e claro com uma análise dos documentos q
ajudam a entender a realidade internacional e não apresentam propostas e mais ainda,
dizem claramente não estão preocupados em apresentar propostas a função teórica deles
é criticar é mostrar pra sociedade como a coisa acontece e se desenvolve.
Então boa parte dos estudos e aí como q a gente aplica como é q eles aplicam
uma situação na qual eles aplicam, as críticas as guerras recentes aí é uma referência
muita clara em relação ao trabalho de Chomsky sobretudo no texto q avalia guerras
recentes como a guerra no Timor Lleste ou a guerra na antiga Iugoslávia, a guerra na
Colômbia, guerrilha melhor dizendo, então o q é q ele faz? considera aquela realidade,
considera o conflito ele considera tb o discurso em torno do conflito por meio de vários
elementos, de várias fontes inclusive a fonte jornalista e aí constroi toda uma
compreensão em torno dessas guerras e mostra sobretudo o q tá por trás da promoção da
política internacional, então a crítica é feita a praticamente todos, aos organismos
internacionais, a mídia, aos políticos a todos os poderes, aos militares, ninguém se salva,
a própria universidade, não sobra ninguém nessa crítica feita pelos críticos.
Esses autores eles transitam tb entre as teorias e daí existe uma dificuldade de
colocá-los numa única teoria como, por exemplo, Habermas q tá no construtivismo e tá
tb de acordo com alguns autores como um autor pós moderno, Foucault está no
construtivismo embora esteja na pós modernidade.
O construtivismo trabalha tb muito com a linguagem, ou seja, a ideia q a
linguagem, atores, estruturas tudo isso é co-constituído não existe uma anterioridade
para um ou para outro, nós nos constituímos na medida em q falamos escrevemos tudo
isso está relacionado, a linguagem mais do q mediadora ela participa da construção
social e os atores e a linguagem co-constituírem uma coisa tá relacionada com a outra e
tá co-constituindo o q existe no mundo.
Sobretudo este autor aqui - Alexander wenzel - trabalha com a ideia de q sendo
constituído o mundo, não cabe dizer q a anarquia é um dado puro e simplesmente. A
anarquia, aquele elemento q os analistas trabalham para dizer há um mundo
internacional e um mundo anárquico no plano interno que pode-se organizar no
internacional não por conta da soberania, tem uma anarquia e aí Wenzel vai dizer q a
anarquia é interessada, os estados têm interesse sobretudo os estados e as organizações
tb, as organizações internacionais interessadas em manter essa anarquia, poderia haver
uma ordem internacional, mas na realidade não há pq os estados não querem q haja os
críticos sobretudo os construtivistas e aí tem um texto um artigo quanto num livro no
plano da produção do conhecimento muitas vezes ela começa com um artigo e depois o
autor publica em livro , então foi o q aconteceu com Wenzel q ficou famoso ao dizer
isso, que a anarquia é produzida pelos estados nos anos 80.
A anarquia a gente viu enquanto elemento do realismo de não haver uma
possibilidade de ordem internacional. O q há é anarquia. Não uma anarquia como uma
teoria sociológica, mas uma anarquia do tipo ausência de ordem. O idealismo trabalha
com uma ideia de ordem internacional com possibilidade de construção da ordem
internacional, enquanto q o construtivista sim há possibilidade de organizar o espaço
internacional, a anarquia ela é interessada é uma anarquia mas pode haver uma
organização uma ordem internacional se os estados quiserem e o grande exemplo e é
por isso q o Habermas aqui tem uma contribuição quando demonstra e justifica q por
exemplo a União Europeia seria um grande laboratório de construção de novas relações
estatais, ou seja, a Europa viveu durante séculos em guerra, toda a segunda guerra
mundial, chegou a conclusão então q existe o conselho da europa, a União Europeia,
sobretudo a união europeia vem construindo possibilidades de integração na região q
antes não tinha uma relevÂncia, mas já mudou muito em relação a 40; 50 anos atrás .
Então tudo isso é fundamentado dentro de uma perspectiva construtivista, ou
seja, se o passado foi de uma determinada forma e levava a conflitos abertos, a guerras...
podemos cooperar, podemos construir um mundo com base na ideia de cooperação não
uma cooperação idealizada como se conclui os idealista, mas uma em termos concretos
então vamos pensar em distribuir poderes, como tem-se distribuído poderes pode-se
entender a UE como grande laboratório construtivista, tanto isso q aqui aparece o
exemplo da UE como o grande exemplo de unidades construtivistas da cooperação
internacional em termos não idealistas pq seria muito mais definido nos tratados e numa
perspectiva construtivista lógico os tratados são importantes, mas mais importante q
tratados é a criação de exemplos de estruturas para realmente transformar a vida dos
estados e das pessoas, então tem muita cooperação por exemplo nos espaços de fronteira
praticamente pouco distinguíveis as nacionalidades dos espaços de fronteira no
ambiente europeu e tem muito haver com esse construtivismo.
O legado é q a possibilidade de construção das relaçoẽs internacionais que em
bases não realistas, em bases não idealistas e não marxistas q seriam todas aquelas
teorias q impedem ou impossibilitam reconstrução da vida social no plano internacional,
então digamos q nos construtivistas há autores q dizem q o construtivismo não é mais
uma alternativa, ascendeu a uma posição de teoria tradicional pois tem muita
contribuição no plano real de criar coisas concretas para transformar a realidade e o
grande laboratório como á mencionei é a UE. Os blocos econômicos de uma maneira
geral tb, o próprio Mercosul com todas as deficiências teria muita contribuição dos
construtivistas.
Foucault talvez seja impróprio alguns colocarem como construtivista pq ele não
propõe muita coisa, mas ele demonstra essa força, a força de q as coisas podem ser de
uma outra maneira se quisermos e é isso q os construtivistas dizem, ou seja, o mundo
pode ser organizado de alguma maneira em termos construtivistas se os estados assim
quiserem.
A crítica apresentada, a insuficiência apresentada é q a gente não conhece o
outro e não sabe sua boa fé e diferentemente de uma perspectiva realista o q é q se
distribuía em termos de poder de acordo com as condições econômicas, militares,
políticas e culturais então o máximo de distribuição iria pra quem tem esse poderes,
sobretudo poder econômico, numa perspectiva construtivista se deveria distribuir poder
de acordo com as possibilidades históricas e políticas do momento, mas de modo q
nenhum estado saísse perdendo e é isso q mais ou menos tem acontecido. Mais ou
menos pq têm as críticas, tem o Brexit, estados q há 50 anos eram agrarios ascenderam a
um país industrial e isso em função da cooperação da distribuição relativa de poderes e
pq isso? por conta da força construtivista, a ideia de q é possível construir relações
internacionais na medida em q os estados queiram mudar essas relações internacionais,
minimizam-se as críticas feitas pelo realistas para possibilitar construção de diálogo e
propriamente construção de pŕaticas sociais tem uma força muito grande o
construtivismo.

Pergunta: Pq essa política de insuficiência do construtivismo?


Resposta: Incerteza quanto a boa fé, ou seja, são os realistas q dizem, como é q
eu vou confiar no outro? a crítica feita pelo construtivismo é q nós imaginamos antes
de uma discussão envolvendo estados pq uma discussão envolvendo estados é muito
mas complexa de difícil apreensão, mas imaginemos um ambiente como este em q vcs
vão discutir suas pretensões de vcs e tem q se colocar pessoalmente e o q q o realista
manda? q vc esconda o jogo, vc não deve se abrir e dizer exatamente o q vc quer ,
enquanto q para o construtivismo nós devemos negociar nossas pretensões, ser mais
claros uns com os outros e aí as relações entre estados, relações internacionais, o
construtivismos não vê as relações internacionais apenas como relação entre estados,
portanto as organizações q de outra natureza participam tb as associações de
indivíduos as ONGs tudo isso participa tb do cenário internacional, participa das
decisões mas sobretudo o espaço internacional é um grande espaço de negociação de
interesses para colocar claramente as nossas pretensões o estado quer ter essa
pretensão q será negociável com os outros, então cabe a gente para definição de onde
instalar determinadas indústrias no cenário nacional brasileiro isso é negociado numa
perspectiva realista.
Numa perspectiva construtivista todos estaria numa negociação eu qro isso,
vamos negociar como distribuir de forma q ninguém ganhe muito e ninguém perca.
Pergunta: Essa parte dos estados ter posições de forma clara vem de
HAbermas?
Resposta: tb, pois justifica o construtivismo embora alguém vejam nele pós
modernidade eu vejo pouco, ele é muito mais racionalista, aliás o construtivismo tem
muito mais racionalismo do q as outras teorias.
Aluno: Concorda com o realismo.. da existência de uma anarquia?
Professor: Concordo que há uma anarquia. A diferença é que ela não é para
sempre, a não ser que queiramos que seja, mas se não quisermos, ela pode ser
transformada. Eles concordam com o enunciado realista, a ideia de que há uma
anarquia internacional. Uma anarquia interessada no sentido de que os Estados
querem mantê-la, sobretudo os realistas.
Aluno: Hasta la looombra.. "o agir comunicativo de Habermas se aproximaria
mais do realismo? Porque você não necessariamente fala a verdade.... Se pressupõe a
boa fé do Estado para chegar a um consenso, o interesse tão somente de chegar ao
consenso, estratégia mais voltada a concepção de fins"
Professor: Eu acho que Foucalt tá mais desconstruído e mais para a pós
modernidade do que propriamente onde está colocado (quadro). Mas utilizando a
classificação feita pelos livros de teoria das relações internacionais, Focault é
construtivista e pós moderno (mais o Prof o enxerga mais como da pós modernidade)
- Então, ele pode ser visto como, pode dar vazão, dar fundamento ao
construtivismo na medida em que chega aos realistas e diz que o mundo é daquela
forma mas abre-se espaço para ser de outra forma, não diz propriamente, como dizem os
construtivistas que o mundo pode ser de.. mas abre para que se pensem nessa
perspectiva. (viajou)

PÓS MODERNOS

São os que se valem da ironia e mais do que qualquer outro


Fazem uma critica a RAZÃO
Também não estão muito preocupados em propôr, e sim preocupados em criticar
de forma irônica.
Criticos tem pretensão iluminista. Iluminar vocês com informações que vocês
precisam para mudar o mundo. Os pós modernos não acreditam nessa possibilidade,
recuperam a ideia de anarquia interessada, como os construtivistas.
Trabalham com ideia de que discurso serve mais para para manter determinadas
posições.
As construções pós modernas são para descentrar e apostar em algo que não se
sabe exatamente o que é.. mas que por meio dessa critica seja possível que venha a
surgir.
Divagação dele: "tenho dificuldade de achar que Habermas tenha essa
contribuição, mas alguns autores o veem também como contribuinte para a pós
modernidade (mas ele acha Habermas muito racionalista).
VOLTANDO! exemplo: pós modernos são aqueles que ns jogam diante de um
"abismo".. um abismo das ideias.
Muitos livros da pós modernidade trazem a imegem do desconhecido. O livro
sobre Foucault tem alguém se atirando e não se sabe onde vai parar, seguir.. sofrerá uma
queda? sofrerá um acidente? morrerá? É um pouco isso o que o estudo pós moderno faz,
colocar em dúvida.
Prof divagando: O artigo que já fiz referência do Jean-Luc Godard "O mundo em
pedaços"
A pós modernidade vem se constituindo ao longo das últimas décadas.
Nao vai propor nada, muito diferente da perspectiva dos construtivistas e da
critica, onde há ainda certa crença de que coisas podem mudar.
O debate entre Foucault e Chomsky é muito revelador nesse sentido, debate
sobre a natureza humana ou justiça x poder (em 1971): Entre Foucault - que lança serie
de dúvidas sobre as instituições, institutos, tudo que se foi construído ao longo dos
ultimos tempos e Chomsky - que demonstra acreditar nas instituições, ainda que falando
em resistência e desobediência civil.. no fundo crê na justiça e que o mundo pode ser
melhor organizado com base no que se conhece).
Essa é a perspectiva pós moderna e pode se entender que Foucault como parte
dos grandes construtores da perspectiva da pós modernidade (citou mais 02 nomes que
não entendi, mas deve estar no quadro).
Embora a pós modernidade rejeite essas construções de bases da pós
modernidade, mas alguns autores trabalham com a ideia de que esses 3 contribuiram
muito para definir o que é pós modernidade.
E no ponto de vista do Foucalt, lançando dúvidas sobre as instituições, sobretudo
as estatais, entre elas o legislativo, os militares, as instituições que tratam das pessoas
com doenças mentais e série de contribuições que não são especificas com o cenário
internacional mas também se relacionam com ele.
A critica à insegurança total e a certeza de absolutamente nada: presente e futuro
incertos.
Enquanto o realismo, idealismo mas também os construtivistas nos dão
horizontes, os pôs modernos não dão horizonte algum, tudo é incerteza, depende muito
das condições politicas, e que dificilmente serão alteradas. Mas podem ser alteradas,
Isto é, transformações da politica internacional, construções de diálogos devem ser
alterados, não dizem como vai acontecer.
O artigo mundo em pedaços é revelador dessa desordem caótica, certo dialogo
com o realismo, uma análise aproximada.. mas não chega as conclusões (coisas
acontecem dessa forma mas não necessarimente terão que acontecer).
Muitas dúvidas e incertezas colocadas no cenário internacional.
PÓS COLONIAIS
As teorias pós coloniais estão mais interessadas em revelar e desconstruir o
mundo tipicamente europeu.
Tomam como pressuposto que as instituições do mundo foram construídas com
base numa lógica que atende aos europeus, portanto, há necessidade de contar outra
historia, de outro ponto de vista.
Para os pós coloniais, muitas histórias foram contadas mediante interesses, em
função do lugar no qual se olha e do lugar de onde se olhar, assim, para construir a
nossa foi um olhar europeu.
Em relação a America Latina, muitos autores (Àsia e África também) percebem
que na nossa história estão presentes nos relatos dos europeus sobre questões como a
própria constituição e divisão de estados, o que significa que a soberania, democracia,
toda descrição histórica, sociológica, política seria uma descrição europeia, atendendo
sobretudo interesses europeus.
Para eles é preciso contar uma nova história.
O autor Walter Mignolo em livro sobre a América Latina, surgiu com a ideia de
que a América Latina é uma construção europeia para nos diferenciar da outra América,
a America branca/protestante. A América certa em relação a que não estaria certa.
Assim, critica a ideia de américa latina, como deveria se organizar no plano
geopolitico para superar essa categorização como uma américa menor.
Outro autor do campo com vários livros na perspectiva pós colonial (Sibbas?
deve ter no quadro o nome, não deu pra entender), trabalho no campo de recuperar
história dos países africanos, latino americanos, das instituições históricas sobre a
guerras sufocadas que poderiam ter gerado outras realidades politicas, sufocadas por
grandes potencias ex: Haiti
Muitos estados africanos presentes na análise, mts paises não conseguiram se
desenvolver por conta do imperialismo americano.. francês..
O trabalho de revelar história que não foi contada e não tem sido contada e assim
entender e fortalecer o entendimento dos povos subalternos.
((((Prof: Pesquisa da integração regional na fronteira Brasil / Paraguai
Fronteiras construção por onde passaram as guerras, por isso não são muito
organizadas, com exceção da BR/ ARG/ PARAGUAI, Foz do Iguaçu.
Em geral as fronteiras são muito desorganizadas, e o pressuposto pós colonial é
de que por ali passaram as guerras.. e Estados deixaram fronteiras para lá, aprenderam
com os europeus a fazer guerra e por isso não estão muito organizadas.
Fundamentação de acordo com perspectiva pós colonial, contar outra história,
buscar caminho na perspectiva de transformar a fronteira. ))))
VOLTANDO: Mas sobretudo no ponto vista desse autor (o que estava falando
antes.. nome deve estar no quadro.. entendi syllamis attioli) contribuição grande,
embora muitos autores dialoguem com a perspectiva interdisciplinar nessas perspectivas
alternativas.. não se ater a disciplinaridade pois consistem na critica à razao. Só que ele
merece destaque porque analisa mais do ponto de vista do direito internacional do que
do jurídico, envolvendo elementos historia, lugares subalternos, sobretudo.
TEORIAS DE GÊNERO
Teorias feministas e Queer
Feministas = procuram colocar no devido lugar as mulheres, considerando que o
mundo que nos conhecemos está no centro, é um mundo organizado em razão das
necessidades masculinas.
Algumas delas, é o caso de uma professora filipina que vive nos EUA, trabalha
com a perspectiva de que existe um estado masculino que organiza o mundo no campo
internacional, existe um direito estado quee atende mais do que tudo as necessidades
masculinas.
Ela tece criticas ao Tribunal Penal Internacional, que apesar de avanço, reflete
muito mais a visão do mundo masculina.
Por exemplo: o crime de estupro não é um tipo penal junto ao TPI, é um
elemento que se considera em relação aos 4 tipos penais do estatuto.
Isso porque as normas são feitas por homens e atendem sobretudo aos interesses
masculinos.
É complexo porque em alguns culturas o estupro é tolerado.
Então as mulheres precisam ocupar lugares de poder, só assim algo pode mudar.
Afinal, as práticas legislativas são distanciadas das necessidades das mulheres, e
a ética e legado do feminismo no campo das relações internacionais reflete-se nessa
teoria.
Entretanto, há quem desconsidere essa vertente como teoria sociológica da
politica das relações internacionais, aplicada ao cenario internacional = critica dos
realistas ao feminismo, como uma concepção geral, genérica, sociológica, e que não
pode ser aplicada no campo internacional.
Sobretudo a critica a relação gênero não define o que deveria aocntecer no
campo internacional, ela não resolvem problemas relacionado as relações
internacionais.
Situs: mulheres ocupando espaços no cenário internacional, cada vez mais
Há uma variante dessa a teoria, uma corrente mais minoritaria ainda: ​TEORIA
QUEER ​termo que significa gay
Ela equivale às teorias feministas em relação as gay, diante de uma necessidade
de abordagem diferente das relações internacionais.
O autor Richard Miskolci, brasileiro de sobrenome russo, da UFSP, escreveu o
desejo da nação.
Ponto de vista metológico: mix pós colonial, pós moderna, queer, feminista, para
a sua análise.
Não se atém metodologicamente a uma única teoria / capacidade de teorias de se
vincularem.
Trabalha com 3 livros do final do séc XIX, definição do que é a nacionalidade
brasileira, como foi construída: o ateneu, o bom crioulo e dom casmurro.
Perspectiva dentro das teorias de gênero, ainda se constituindo, se dando
significado com poucas referências no plano nacional.

Todas essas teorias, considerando as teorias tradicionais, são uma possibilidade


de explicar podireito internacional e cenário.
Muitas das teorias pós coloniais, cosideram a racialização, o racismo nas suas
análises, entre esses teóricos, os pós colonialistas.
Racismo francês, teóricos iluministas justificavam ideia de raça e racismo
europeu cometidos contra negros de várias partes do mundo: livro a conquista da
américa.
Xenofobia há uma abordagem dos teóricos criticos, pós modernos, pós
coloniais.. nuances
Esses autores possuem muita abertura metodológica, para não se confinar há
uma àrea do conhecimento, por isso certas pessoas mt colonizadas pelo pensamento
europeu, não vão ver mt plausibilidade nessas teorias, enxergando-as como algo fora do
lugar.
Abertura das teorias pós coloniais, pós modernas.. abertura muito grande
interdisciplinar.. nenhuma necessidade de ser só disciplinar.
O feminismo reorganiza o mundo em bases que atendam as necessidades das
mulheres.. não só em ocuparem espaços de poder.. mas numa perspectiva de atender as
suas necessidades
O pós colonial percebe um cenário alterado numa consideração aos subalternos,
agenda muito ampla, diferente do que o que trazem como propostas mais concretas.
Novo constitucionalismo dialoga muito com a pós colonialidade
(esse assunto é FONTES MATERIAIS, FUNDAMENTOS)
o conteúdo da prova vai até soluções pacificas e controvérsias
internacionais.
7. Aula 7 (Aula do dia 02/05) – Fontes formais do DIP

● FONTES FORMAIS DO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO


● Art. 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça
● Anexo da Carta das Nações Unidas
● Tratados (internacionais)
● Costumes internacionais
● Princípios Gerais do Direito
● Decisões internacionais (jurisprudência)
● Doutrina internacional
+
● Atos unilaterais dos Estados
● Decisões das organizações internacionais
● Fontes primárias e secundárias
● Hierarquia das fontes?
● TRATADOS
● 1. ​Definição​:
● Art. 2º da Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados (1969)
● Acordo internacional
● Escrito
● Entre Estados
● Regido pelo Direito Internacional
● Um ou mais instrumentos conexos
● Qualquer que seja a denominação
● 2. ​Pressupostos
● 1) Agente capaz. Exceções. Cláusula federal.
● 2) Objeto lícito
● 3) Consentimento mútuo
● Durante a aula, o Professor terminou os tópicos acima e, como
sobrou tempo, iniciou outra parte do assunto sobre Tratados:
processo de negociação dos tratados, línguas e plenipotenciários.

Hoje, nós vamos tratar do tema das ​Fontes do Direito Internacional​. Essas
fontes provêm do Direito como um todo, só que aí nós vamos ver que têm algumas
fontes que são específicas, que dizem respeito à vida no plano internacional, no direito
internacional.
A partir da aula de hoje, digamos que a nossa disciplina fica mais com cara de
Direito, parte normativa. Então, eu vou pedir que vocês leiam alguns tratados. Eu peço
que vocês leiam, primeiro, TODA a Carta das Nações Unidas, que é o grande tratado
que institui as Nações Unidas, pode-se entendê-la como o tratado fundação das Nações
Unidas, de 1945. Incluindo, também, o seu anexo, que é o Estatuto da Corte
Internacional de Justiça.
O Estatuto da Corte Internacional de Justiça é parte da Carta das Nações, embora
seja um instrumento a ela anexo. Peço que leiam, também, ​pelo menos​, o artigo 2º da
Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados. E por que eu estou pedindo isso?
Porque são os documentos que regem a vida relacionada às fontes do direito e, muito
em particular, aos tratados internacionais - podemos chamar “tratados internacionais”,
embora tenha aí uma impropriedade, porque só tem sentido se falar em tratado
internacional.
É diferente de costume, pois costume existe também no âmbito interno. É de lá
que vêm os costumes internacionais e outros nem vêm de lá, foram constituídos no
âmbito do direito internacional. Então, cabe falar em costume internacional, mas tratado
só existe internacional.
Então, essas convenções, esses documentos internacionais regulam esse tema
que começamos a ver hoje, ou seja, fontes do direito internacional e, muito em
particular, os tratados.
Pelo Estatuto da Corte Internacional de Justiça (​ECIJ​), nós podemos ver que
existe ali uma definição de quais são as fontes válidas no âmbito do direito
internacional, embora haja, como vamos ver daqui a pouco, uma impropriedade da
definição dessas fontes. O ​ECIJ deixou de considerar outras fontes e nós vamos ver o
porquê.
Então, leiam a Carta das Nações Unidas, TODA, incluindo o Estatuto da Corte
Internacional de Justiça. Peço que leiam, também, a Convenção de Viena sobre Direito
dos Tratados, pelo menos o artigo 2º, porque, no artigo segundo, vamos ter a definição
de tratado, a definição do ponto de vista desta Convenção. Vamos ver, também, que tem
uma impropriedade, ou seja, na hora de legislar (isso vale para o plano nacional e
internacional), os legisladores podem se equivocar e, muitas vezes, equivocam-se.
Então, definem de uma maneira que não é a mais apropriada, do ponto de vista da
doutrina, da jurisprudência, dos princípios gerais do direito, do acúmulo histórico que se
tem a respeito de um determinado tema e, nesse caso específico, das fontes do direito
internacional.
Então, de acordo com o artigo 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça,
enumeram-se as fontes do direito internacional, quais sejam:

a. Os tratados;
b. Os costumes internacionais;
c. Os princípios gerais do direito internacional - muitos são
princípios gerais do direito aplicados ao direito internacional e alguns
são princípios específicos do direito internacional, construídos ao
longo dessa história que nós vimos de formação, de consolidação do
direito internacional;
d. As decisões internacionais, ou seja, a jurisprudência
internacional. Por que se fala aqui em decisões internacionais?
Porque nem todas as decisões se tratam de decisões de órgãos
jurisprudenciais… Enquadram-se não só as decisões do âmbito dos
tribunais internacionais, mas decisões de outros órgãos, como, por
exemplo, as Comissões, os Conselhos, que muitas vezes estabelecem
decisões que têm um certo grau de cogência. Teremos, também, uma
aula sobre a cogência do direito internacional, embora esse tema
esteja presente o tempo inteiro nas nossas aulas;
e. A doutrina internacional que, como vocês sabem, essa
discussão vale também para o plano interno, ou seja, há quem não
veja na doutrina a capacidade de fonte do direito, no caso do direito
internacional também, mas vamos trazer as posições que existem a
respeito.

Vocês observam que essas fontes são limitadas. Há, pelo menos, duas outras fontes
que hoje são, claramente, entendidas pela doutrina, pela jurisprudência como sendo
fontes do direito internacional e que não estão previstas no Estatuto da CIJ, que são:

1. Os atos unilaterais dos Estados - alguns atos que são tomados, que são
decididos, atos elaborados, colocados em prática pelos Estados unilateralmente,
como uma promessa, como um protesto, dentre tantas outras formas e que, ainda
assim, produzem efeitos no plano internacional, ou seja, embora não sejam atos
nem bilaterais, nem multilaterais, sejam atos unilaterais, mas eles produzem
efeitos, têm um significado no plano internacional… Causam, muitas vezes,
constrangimento, exigem respostas de outros Estados, de organizações
internacionais, de indivíduos. Por isso, exercem efeitos no plano internacional;
2. As decisões das organizações internacionais, ou seja, aquelas organizações
internacionais que hoje têm um caráter de um sujeito do direito internacional. Na
época de formação do Direito Internacional, não existiam organizações
internacionais. Então, elas não tomavam decisões, porque não existiam.
E aí nós vamos entender porquê… O ​ECIT​, de 1945, que é um anexo da
Carta das Nações (esta foi estabelecida quando da criação da ONU, é o
documento que funda a ONU, com ela surge o ECIJ), praticamente é a cópia do
Estatuto do Tribunal do âmbito da Liga das Nações, ou da Sociedade das
Nações, que foi criada em 1919, o Estatuto de 1920. Então, o que a ONU fez?
Adotou o texto do Estatuto daquele Tribunal, da Corte Permanente de Justiça
Internacional, era outra denominação. Adotou como Estatuto e só mudou o
nome, praticamente, do tribunal para Corte Internacional de Justiça.

É por aí que nós podemos entender essa limitação na definição das fontes do
direito internacional. Por volta de 1919, 1920, quando a Corte Permanente de Justiça
Internacional foi estabelecida, não se tinha a compreensão de que atos unilaterais dos
Estados produziam direito internacional, e essa é uma grande limitação, porque os
Estados já existiam, mas talvez a noção muito estrita de soberania não permitisse que se
entendesse os atos unilaterais dos Estados como sendo também fontes do direito
internacional.
E mais grave ainda é o fato de as decisões das organizações internacionais
também não serem vistas como fontes do direito internacional. E aí a explicação é que
as organizações surgiram na época do Tribunal, as duas primeiras organizações: a Liga
das Nações e a OIT (Organização Internacional do Trabalho), instituídas em 1919.
Então, naquele momento não havia a compreensão, produção de doutrina, nem de
jurisprudência que levasse à compreensão de que as decisões das organizações
internacionais produziam direito internacional.
Estamos falando, portanto, de fontes formais do direito internacional. Nas aulas
anteriores, nós falamos de fontes materiais, ou seja, aquilo que diz respeito ao
fundamento do direito internacional. Quando se fala em fonte material, é a discussão
relacionada ao fundamento das coisas. No caso específico da nossa área, ao fundamento
do direito internacional. Por que existe o direito internacional? Vimos as teorias
relacionados ao direito internacional e vimos as teorias relacionadas às relações
internacionais, nas aulas passadas.
Nessa aula, vamos falar das fontes formais, ou seja, os meios através dos quais o
direito se revela, se reveste, ou, nos termos do que diz o NEVYEN QUOC DINH, as
técnicas pelas quais o direito se revela. É aí, portanto, que se fala em tratados, costumes
internacionais, princípios gerais do direito internacional, decisões internacionais,
doutrina internacional e, além deles, aqueles que não estão no art. 38 do Estatuto da CIJ,
mas não há dúvidas de que são fontes do direito internacional, a doutrina já pacificou
em relação a essas questões, pelo menos essas duas fontes são reconhecidas como fonte
do direito internacional.
Vamos observar, também, que entre as decisões de organizações internacionais
têm aparecido aquilo que se convencionou chamar de Soft Law.
Soft Law (norma não convencional) - relaciona-se tanto com costumes quanto
com decisões de organizações internacionais. São normas NÃO CONVENCIONAIS,
uma boa tradução seria essa ou normas flexíveis.
Pergunta​: a Soft Law não tem cogência?
Resposta​: às vezes, elas têm mais cogência, são mais significativas do que a
Hard Law (o tratado). Ou seja, o que se espera do tratado? Que por ser obrigatório, ele
tenha uma capacidade de se fazer valer na realidade internacional, mas, muitas vezes, o
tratado não é propriamente colocado em execução e uma Soft Law é muito mais capaz
de penetrar a vida social, no plano internacional, do que uma Hard Law.
Em todo livro hoje, tem, pelo menos, uma Soft Law, então vocês pegam um
livro e, na contra capa, tem o número do livro, aquilo significa uma norma construída no
âmbito da diplomacia internacional e que foi sendo aceita ao longo do tempo. Portanto,
está na fronteira entre princípios, costumes e, muitas vezes, é algo adotado por uma
decisão de organização internacional, segundo a qual, no caso em questão, os livros, a
partir de determinado momento, precisam ter um número. É a forma que o Estado e as
organizações têm de saberem quantos livros são vendidos, produzidos no âmbito
nacional por ano, em tal tema… É a forma de saber quantos livros e em que condições
eles são publicados.
Todo livro, em princípio, precisa ter um número. Se alguém quiser publicar um
livro sem número, não tem nenhum problema, publica, mas não será contado e, também,
como tem uma outra Soft Law que são os currículos digitais, se você tem um currículo e
precisa colocar um livro, ao colocar a autoria do livro, se não tiver número, não registra,
no caso do Brasil, no Lattes.
Então, estamos falando de uma Soft Law que tem uma capacidade de entrar na
vida social muito mais do que um tratado. Há tratados que se relacionam com uma Soft
Law, mas a Soft Law tem uma vida autônoma. No entanto, nós veremos isso tudo em
detalhes nas próximas aulas, por enquanto vamos nos ater ao que está no quadro, ou
seja, as fontes do direito internacional.
Antes de começarmos a falar sobre tratados, tem uma discussão a respeito da
hierarquia das fontes. Será que existe hierarquia das fontes? Essa discussão, certamente,
vocês já viram no âmbito do direito interno.
Será que existe um hierarquia em relação as fontes no âmbito do direito interno?
Eu diria que a maior parte da doutrina diz que sim, existe uma hierarquia e ela está
relacionada à legislação. No direito interno, a lei é hierarquicamente superior às demais
fontes. Certamente, essa é uma discussão aberta, haverá quem discorde.
No âmbito do direito internacional, costuma-se dizer que não existe hierarquia
entre as fontes do direito internacional. Ao mesmo tempo, os autores trabalham com a
ideia de que existe fontes primárias e fontes secundárias. Eu acho que tem uma certa
contradição, porque se diz que não existe hierarquia entre as fontes do direito
internacional, se está dizendo que todas são iguais, há uma mesma capacidade de
validação envolvendo tratados, costumes internacionais, princípios gerais do direito,
decisões internacionais, doutrina internacional e as outras. Todas são hierarquicamente
iguais, é o que a maior parte dos autores diz, o próprio NEVYEN QUOC DINH é muito
enfático, o Guido Soares também, praticamente todos trabalham com essa ideia de que
não existe hierarquia no âmbito do direito internacional. Ao mesmo tempo de que
trabalham com a ideia de que existem fontes primárias e fontes secundárias. O que, de
alguma forma, implica em estabelecer certa hierarquia entre as fontes.

1. Fontes primárias:​ Tratados e Costumes.


2. Fontes secundárias: as demais, princípios gerais do direito aplicados ao direito
internacional ou mesmo princípios gerais do direito internacional etc.

Pergunta​: a ideia de Hard Law e Soft Law também não compromete essa ideia de
que não há hierarquia entre as fontes do direito internacional?
Resposta​: eu acho que sim. Há uma idealização muito grande no direito como um
todo e no direito internacional e, também, quando se fala nessa questão de hierarquia ou
não. É como se os autores quisessem que não exista hierarquia, mas, na prática, acaba se
estabelecendo.
O que seria uma fonte secundária? Uma fonte que precisa de legitimação por
outras fontes. Então, os princípios gerais do direito precisam ser reconhecidos por outras
fontes, principalmente pelos tratados. As decisões internacionais também, ou seja, têm
que estar condicionadas por tratados e por costumes. Uma decisão internacional por
melhor que seja, por mais relevante que seja, se não estiver de acordo com um tratado,
com um costume internacional, ela é suscetível de questionamentos.
Pergunta​: Se houver um conflito entre duas fontes primárias, quem prevalece?
No caso entre tratados e costumes.
Resposta​: a resposta quanto a isso vai variar, mas uma resposta positivista seria
a de que vai prevalecer o tratado, o que estiver definido no tratado.

● TRATADOS

Agora, entramos nos tratados.

1. Definição​: tem uma definição positiva no artigo 2º da Convenção de Viena


sobre Direito dos Tratados, de 1962. Em geral, os tratados levam bastante tempo
para serem negociados. Um tratado pode levar 10, 15, 20 anos para ser
estabelecido, é o tempo de maturação da discussão em torno do objeto do
tratado. Os estados podem colocar dúvidas, empecilhos, sempre que o Estado
não quiser ou se um grupo de Estados não quiser que um tratado seja decidido
logo, ele colocará muitos empecilhos, prologando o processo, o que faz com que
ele demore bastante tempo para ser negociado e concluído. No caso da referida
Convenção, começou a ser negociada em 1961 e só foi adotado pela ONU em
1969. Entre 1945 a 1970, muitos foram os tratados que foram estabelecidos no
âmbito da ONU e, também, de organizações regionais como a OEA.

“1. Para os fins da presente Convenção: a) tratado significa um acordo internacional


concluído por escrito entre Estados e regido pelo Direito Internacional, quer conste de
um instrumento único, quer de dois ou mais instrumentos conexos, qualquer que seja
sua denominação específica”.

1. Tratado é um ​acordo internacional​, ou seja, um acordo envolvendo sujeitos do


direito internacional, que hoje se sabe que, além dos Estados, organizações
internacionais também participam da produção dos tratados, mas certamente os
Estados continuam sendo os principais sujeitos interessados e partícipes no
processo de elaboração e de adoção dos tratados.
2. Tem a forma escrita​. Se não tiver a forma escrita, será uma outra fonte; em
particular, o costume.
Normalmente​, tem um ​formato também. Começa com um preâmbulo, onde se diz quem são as
partes que dele fazem parte e uma série de justificativas, chamadas de considerandos
(considerando isso, considerando aquilo, ou seja, as justificativas, os motivos pelos
quais o tratado é adotado). Depois vem o corpo, onde vamos ter os artigos, com as
principais formulações normativas relacionadas ao tema regulado pelo tratado. Por fim,
tem-se o fecho (a conclusão do tratado), onde tem uma série de encaminhamentos, de
normas gerais relacionadas à vida do tratado, como ele entra em vigência, possibilidades
de suspensão, as possibilidades de extinção etc. Ou seja, as partes pelas quais se finaliza
o tratado. O tratado pode ter, também, anexos, que são outras partes que fazem com que
os tratados tenham especificidades a serem reguladas.
1. Então, a Convenção de Viena, no seu artigo 2º, diz que o tratado é um ​acordo
internacional​, ou seja, regula matérias de interesse internacional, no âmbito do espaço
internacional, e ele tem a ​forma escrita​, além de ser ​estabelecido entre Estados​. Aqui,
tem uma impropriedade da definição, porque hoje os tratados não são estabelecidos
apenas pelos Estados, as organizações internacionais têm participado ativamente do
processo de instauração da discussão, no processo de negociação e adoção dos tratados.
Com a criação de organizações internacionais, é no âmbito dessas organizações que os tratados
são formulados. Então, boa parte do trabalho da ONU, do trabalho da OEA, do trabalho
das organizações internacionais de uma maneira geral é na formulação de tratados, de
propostas de tratados, a negociação envolvendo Estados, negociação envolvendo outras
partes, outras OI, envolvendo representantes de empresas também. Esse é um trabalho
que tem justificado a existência das OI. Portanto, é por isso que tem, aqui, uma
observação, de que não cabe dizer que são negociados, apenas entre Estados, uma vez
que OI’s também podem e têm sido, inclusive, depositários de tratados, alguém que
cuida do tratado.
1. É uma matéria ​regida pelo Direito Internacional​, ou seja, tem uma série de
princípios, de condições pelas quais o tratado deve ter a sua instalação, a sua existência
e a sua morte definidas. E nós vimos que tem uma Convenção que regula a vida dos
tratados, qual seja, a Convenção de Viena sobre D. Dos Tratados, que é, no âmbito do
direito internacional, o grande instrumento que rege a vida dos tratados. Existem,
também, convenções no âmbito regional, no âmbito da OEA, no âmbito do Conselho da
Europa, que também definem regras específicas regionais relacionadas aos tratados.
Mas essa é a norma de caráter geral, universal sobre os Tratados, a mais importante
definidora das regras sobre o direito internacional dos tratados. Ou seja, significa que
existem tratados que regulam os tratados, mas tem, também, os costumes internacionais,
princípios gerais do direito, têm vários fontes que são definidoras do que é o tratado e
de como ele tem existência ou deixa de existir.
A Carta das Nações tem dois instrumentos: o texto principal, que traz as normas
gerais definidoras da organização das Nações Unidades e tem o anexo, que é o Estatuto
da Corte Internacional de Justiça.
Resposta do professor à pergunta inaudível​: a Carta das Nações é o
instrumento principal definidor das Nações Unidas, enquanto que o Estatuto da Corte
Internacional de Justiça é o instrumento definidor do Tribunal, então as decisões do
Tribunal estão diretamente relacionadas a esse documento. Não são dois documentos,
mas sim um único.
No âmbito do direito internacional ambiental, é muito comum ter um texto
principal, é por isso que se chama tratado-quadro. Ele tem listas. Então, o tratado
normalmente, não necessariamente e nem apenas o tratado de direito ambiental, mas
tem acontecido muito nos tratados internacionais ambientais terem esse formato, ou
seja, um texto principal com normas muito gerais em relação à matéria regulada, como a
Biodiversidade, e tem anexos. Nos anexos, nós vamos ter listas, como a lista de animais
a serem protegidos. De tempos em tempos, essas listas são alteradas, por exemplo, para
que animais entrem ou saiam das listas. É um anexo, é um texto que é parte do tratado,
mas é alterável.
Então, um tratado quadro é constituído de um texto e instrumentos anexos.
1. Qualquer que seja a sua denominação​. Não importa o nome dado pelos
“legisladores” no âmbito internacional, pois será um tratado ainda que seja chamado de
convenção, convenção-quadro, pacto, liga, sociedade, protocolo (normalmente, o
protocolo é uma emenda a um tratado original, mas não necessariamente, pois pode ser
um protocolo original), declaração, acordo, convênio, regras, carta etc. Como visto,
nessa parte da aula, o Professor lista uma série de nomes para acordos internacionais.
Fala em pactos (Pacto de San José da Costa Rica, Pacto Internacional de Direitos Civis
e Políticos, Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais), ligas (Liga
das Nações/Sociedade das Nações), protocolos (que normalmente são uma emenda a um
tratado original, embora haja "protocolos originais". Pelo que entendi Jayme diz que
virou passeio e a galera dá o nome "declaração" mesmo sem ser. Ele dá o exemplo da
Declaração Universal dos Direitos Humanos, que não é declaração, mas sim um
princípio geral do direito, porque não houve ratificação, podendo haver tratado com
nome de declaração). Ele continua listando: convênio, acordo, carta (Carta das Nações
Unidas, Carta da OEA).

Levantam uma pergunta acerca da existência ou não de força normativa do


tratado que versou sobre a situação de Israel. De acordo com Jayme, há força normativa,
mas não é um tratado. É uma decisão de organização internacional.
Pergunta inaudível sobre os concílios. Jayme diz que os concílios eram mais frequentes
no passado, e eram uma espécie de cúpula. De acordo com ele, o concílio estava muito
mais ligado ao lugar onde o acordo foi estabelecido do que ao assunto tratado (achei
meio sem sentido, mas segue o baile).
Falam nas bulas e Jayme diz que elas são caracterizadas por serem decisões
unilaterais. Desse modo, não podem ser consideradas tratados, já que estes precisam de
no mínimo duas partes. As bulas seriam, portanto, decisões.
A DUDH não é um tratado. Devido a isso, foi necessário criar dois tratados para dar
obrigatoriedade às normas trazidas pela DUDH. (Meio mundo de ideia solta que eu não
consegui conectar porque ele fala as palavras chave pra dentro). O princípio geral é que
o próprio tratado define as regras em relação a ele mesmo, sendo esse princípio oriundo
da soberania dos Estados. Ou seja, uma vez reunidos em assembleia, os Estados podem
estabelecer as regras que quiserem dentro de certos limites.

1. Pressupostos: é nesse contexto que aparecem os pressupostos, que em linhas


gerais são os mesmos dos contratos.

2.1 Agente capaz. Exceções. Cláusula Federal: Os agentes capazes são os Estados e
as Organizações Internacionais. As "pessoas comuns" estão sujeitas ao direito
internacional porque têm direitos e obrigações, podendo inclusive ser julgados no plano
internacional até por questões penais, mas não têm autonomia para contrair obrigações
em termos de tratados. Existem casos excepcionais em que estados federados têm
capacidade de construir tratados. É o caso da Califórnia, que ao entrar nos EUA definiu
essa regra. É o caso também da Cruz Vermelha, que não é uma Organização
Internacional; é uma ONG que foi instituída como organização nacional inicialmente e
tem sede junto às organizações internacionais em Genebra, mas é uma ONG. De toda
forma, por força da prática tem participado de tratados.
Vinculada a essa discussão, temos a chamada cláusula federal, que vai ser
elemento de vários tratados, como a Convenção (Inter)Americana Sobre os Direitos
Humanos e a Carta das Nações. Essa cláusula quer dizer que apenas o Estado enquanto
união tem a capacidade para estabelecer tratados, sendo os casos citados acima as
exceções.
Se a CFRB ou qualquer outra constituição estabelecer que um, dois ou todos os
estados podem ratificar tratados, isso deverá ser respeitado no plano internacional. A
regra geral é relacionada à cláusula federal, e isso vale não só para a negociação, a
assinatura e a ratificação de tratados, mas também para o cumprimento das obrigações.
Se o governo de Pernambuco agir de encontro a uma determinação internacional, o
Brasil tem que se responsabilizar. No exemplo do estado da Califórnia, por sua vez, o
caso é diferente, como ele é ente apartado, limpa a merda que fizer.

2.2Objeto lícito: O objeto deve ser lícito (assim como o direito interno e direito dos
contratos). Isso tem muito a ver com uma discussão que veremos mais adiante, ou seja,
não é sobre qualquer tema que o tratado pode versar. Por exemplo, hoje (essa é uma
regra um tanto quanto aberta porque depende do que se entende no momento) alguns
Estados resolverem reinstituir a escravidão isso será visto como um objeto ilícito,
portanto não passível de ser regulado no plano internacional. É uma questão que tem
certa correlação com as cláusulas pétreas que temos no plano interno, mas voltaremos a
esse tema mais adiante; por enquanto fiquemos com a generalidade do objeto lícito.

2.3 Ademais, deve haver o ​consentimento mútuo​; não pode ser imposto por um Estado
em relação aos outros. Deve haver um acordo entre as partes (Estados e Organizações
Internacionais).

OS TÓPICOS QUE O PROFESSOR ESCREVEU NO QUADRO JÁ FORAM


TRABALHADOS. COMO SOBROU TEMPO, ELE INICIOU OUTRA PARTE
DO ASSUNTO SOBRE TRATADOS.

Vamos começar a falar do ​processo de negociação dos tratados. Os tratados


podem levar muito tempo para serem elaborados até a hora em que vai se chegar à
conclusão de que eles estão realmente prontos para serem levados ao ambiente
internacional para que haja a discussão acerca da sua assinatura e por fim da sua
ratificação. Só com a ratificação é que o tratado passa a ser obrigatório no âmbito
interno. Então é um processo um pouco longo, alguns tratados levaram 10, 20, 25 anos
para serem concluídos.
O Pacto Internacional de Direitos Civis e Jurídicos e o Pacto Internacional de
Direitos Econômicos, Sociais e Culturais são tratados no âmbito dos direitos humanos e
tornam jurídica a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que é de 1948. Logo
depois da adoção da DUDH se iniciou o processo de discussão em torno de um tratado
(que deveria ser único e denominado "Tratado Internacional de Direitos Humanos"), só
que havia a Guerra Fria e uma forte discussão ideológica acabou apartando interesses
sobre os direitos civis e jurídicos de um lado e sobre os direitos econômicos, sociais e
culturais de outro.
Perguntam se tem a ver com direito de primeira, segunda e terceira gerações. Jayme diz
que é exatamente isso; havia dúvidas quanto a essas categorias de direitos e se elas
todas deveriam ser direitos humanos.
Em função dessa polarização ideológica decidiu-se que deveriam ser produzidos
dois tratados; dois pactos. Eles só foram instituídos em 1966, então se verifica esse
lapso entre a DUDH (1948) e esses tratados (1966), 18 anos de discussões relacionadas
à possibilidade ou não, à adoção ou não de dois tratados em matéria de direitos
humanos. Ainda assim esses pactos só entraram em vigor 10 anos depois, posto que
fazia-se necessária uma certa quantidade de Estados-membros ratificando-o para que ele
passasse a valer, quantidade que só foi atingida em 1976.
A outra questão a ser considerada é a das ​línguas​; para a definição de normas
internacionais é preciso definir em que língua será negociado e redigido o tratado. Se o
tratado for bilateral entre países de mesma língua, ela é a adotada. Normalmente em
caso de línguas diversas redige-se o tratado nas duas línguas oficiais, mas isso varia de
acordo com a vontade das partes, podendo ser escolhida a de um dos dois. O grande
problema é quando os contratos são multilaterais, a depender dos entes envolvidos na
negociação. Caso haja a presença de uma Organização Internacional como a ONU, por
exemplo, que tem seis línguas oficiais (três representativas do ocidente - espanhol,
inglês e francês - e três representativas do oriente - russo, mandarim e árabe), deve-se
escolher uma dessas línguas e os países que tiverem outras línguas devem fazer versões
oficiais dos tratados em seu idioma. Tratados concluídos no âmbito da OEA são
redigidos nas línguas oficiais da OEA (português, inglês, francês, espanhol). No âmbito
da União Europeia, todas as línguas oficiais dos países da Europa são línguas oficiais,
então os tratados devem ser negociados e concluídos naquelas línguas. Se o tratado for
multilateral para além das organizações internacionais, devem caminhar nas línguas
oficiais dos Estados que negociam o tratado.

Pergunta: Quando vai haver decisão sobre determinado território a ONU tem que ser
convocada, mas sobre a situação de Jerusalém como isso é resolvido na prática?
Porque o papo de que vai tudo se resolver pacificamente é lindo, mas não cola;
enquanto a gente fantasia o pau canta e gente morre... Então hoje o que está sendo
feito?
Jayme: ​Atualmente essa questão em particular está sendo regulada por Trump, rs.
Aluna pistola: Eu sei professor, mas o senhor tá dando aula pra falar desse tópico,
então responde aí minha pergunta...
Jayme: ​A resposta não é simples. Eu acho que o direito internacional (muita coisa
inaudível). As limitações são grandes, mas ao mesmo tempo a gente tem visto no
desenvolvimento histórico da disciplina e veremos mais ainda que existe possibilidade
de regulação, de normatização, de aplicação do direito, mas ainda assim com certas
limitações, ou seja, o direito internacional é um direito diferente dos outros direitos que
tem potencialidades e limitações também. É uma resposta insuficiente, mas é uma
resposta que deve guiar as nossas discussões daqui por diante. Só terei condições de
responder de forma mais afirmativa em situações específicas. Como generalidade fica
difícil. No fim das contas vem acabando por valer a lei da força.
A tradição dos ​plenipotenciários vem da época dos reis absolutistas, que não
podiam estar em todas as discussões de todos os tratados, mas se preocupavam muito
com quem poderia negociar tais tratados. Plenipotenciárias são aquelas pessoas a quem
o Estado dá poderes para que negociem os termos dos tratados e assuma compromissos
em relação aos tratados, muitas vezes podendo assiná-los também. Essas pessoas
recebem os chamados "plenos poderes", que têm seus limites traçados pela autoridade
responsável por uma autoridade do âmbito nacional, podendo limitar os poderes do
pleno potenciário de modo que eles simplesmente participem da negociação sem assinar
o contrato. Há casos em que a autoridade do chefe de Estado não é suficiente para
assinar determinado contrato por esse poder ter sido delegado ao pleno potenciário
(entendi dessa forma no áudio, mas não faz tanto sentido). "Plenos poderes" também é o
documento que deverá ser exibido pelo pleno potenciário na hora de negociar o tratado.
Normalmente há conferência desses representantes na qual eles devem exibir esses
documentos registrados com a assinatura de quem tem o poder de delegar tal atribuição.

Pergunta: ​Eles são agentes com diplomatas ou pode ser qualquer um?
Resposta: ​Em geral são diplomatas, mas pode ser qualquer um, como inclusive vem
acontecendo, sobretudo no exterior.

A constituição do país vai determinar quem tem poder para constituir pleni
potenciários e quais os ​plenos poderes​. No Brasil, isso cabe ao presidente da república.
Ele pode também delegar essa atribuição ao Ministro de Relações Exteriores, que é o
que normalmente acontece, mas depende de uma lei específica.
Os plenos poderes podem ser limitados e ainda assim serão plenos poderes.
Em algumas situações, algumas pessoas de alguns cargos não precisam exibir
plenos poderes (o documento). É o caso dos chefes de Estado; eles não precisam
apresentar plenos poderes porque são reconhecidos como tais. O mesmo vale para o
Ministro de Relações Exteriores, pro Chefe de Missão Diplomática e pra representantes
em conferências específicas para definição de um tratado (achei isso um tanto confuso).
Pode-se dizer que os plenos poderes são uma "procuração internacional" dada
pelo Estado para negociar os termos de um tratado, podendo ser revogados.

8. Aula 8 (Aula extra- dia 04/05)

Na aula de hoje, vamos tentar terminar tratados e costumes. Estávamos falando de


tratados e do processo de negociação. Inclusive, vale salientar que esse processo se
resolve normalmente em um, dois anos, ​porque é preciso ir se constituindo as bases do
acordo e isso demora, sobretudo, no plano multilateral. Todavia, se o tratado for
bilateral, ele tende a ser mais rápido, a negociação será mais rápida. Por outro lado, o
tratado multilateral e o tratado no âmbito global, que envolvem muitas percepções,
tendem a levar mais tempo.
Para se chegar à conclusão do tratado, é necessária uma série de discussões e de
reuniões. Mas, chegando, o que fazer? Aí tem toda uma busca para dar legitimidade ao
texto do tratado. Por enquanto, sendo o texto do trabalho concluído, verifica-se que não
há maiores intervenções na ordem internacional.
A próxima etapa será a assinatura do tratado. Com a assinatura, não se tem
obrigatoriedade em relação ao tratado. A única implicância da assinatura é a obrigação
que os plenipotenciários têm quanto a levar os termos do tratado para uma discussão
aberta no plano interno. Cada vez mais, vê-se que esse debate deve ser aberto,
envolvendo vários segmentos da sociedade. É que se forma uma convicção de que esse
tratado deve ser ratificado. Então, antes da ratificação, há uma discussão no plano
interno.
No âmbito das organizações multilaterais, normalmente, esse papel cabe a
organizações. Organizações como a ONU e como o Conselho da Europa seriam essas
organizações que fazem todo o trabalho. Não são conferências para a elaboração dos
termos do tratado, mas são conferências para difundir os termos do tratado. Quando o
texto está concluído, chega-se à conclusão de que esse texto deve ser ratificado.
Não há uma regra estabelecida. Tudo isso depende do costume, do voluntarismo
dos Estados no âmbito do Direito Internacional. Deve haver um momento em que os
plenipotenciários, ou uma organização, ou os Estados difundirão essa possibilidade de
se aplicar os termos do tratado.
Quem assina o tratado? Pode ser o plenipotenciário, se ele tiver poderes para
isso, ou pode ser o representante máximo do país, de acordo com a Constituição. O que
é importante para nós é ter em mente a ideia de que, com a assinatura, não há a
obrigação de cumprimento dos termos. A obrigação é de levar a discussão ao âmbito
interno, para que os Estados façam a discussão acerca da conveniência, em relação à
constitucionalidade e às conveniências políticas e econômicas com repercussões para os
Estados.
É preciso verificar tudo isso para ver se o Estado se obriga ao cumprimento.
Normalmente (e isso tem sido ampliado com a criação das organizações internacionais),
vêm sendo realizadas conferências para que haja uma assinatura, a fim de que o mundo
saiba que existe uma proposta em discussão de um novo tratado. Há um compromisso
de levar essa discussão no sentido de que se reflita sobre a possibilidade de ratificação.
Vale salientar que a ratificação é um ato unilateral. Nós falaremos acerca desses
atos unilaterais, como a adesão, emendas, reservas, etc. A ratificação é um desses atos
unilaterais, ou seja, é um ato que não precisa da concordância de outro Estado para
produzir efeitos; depende, apenas, da voluntariedade do Estado.
A ratificação é definida pela Constituição de cada país. Depende de cada país.
No geral, onde há um sistema presidencial, vê-se que cabe aos presidentes. Mas isso
pode ser, também, compartilhado com o Congresso: que é o que acontece no Brasil.
Depende-se da vontade desses dois poderes. O Executivo inicia o processo de
ratificação e comunica ao Congresso.
O tratado só será levado ao Congresso se o Presidente quiser. Se o presidente
não encaminhar, o processo não é aberto e não há discussão em torno da ratificação do
tratado.
O processo é um ato complexo: quando se decide participar de eventos
internacionais para elaborar um novo tratado, há uma consequência em todos os
poderes, que conversam entre si e podem se fazer representados nessas conferencias.
Quando o texto do tratado está formulado, deve-se fazer valer a discussão internamente.
Depois que o Presidente encaminha essa mensagem ao Congresso, o Congresso
faz discussão em termos políticos, jurídicos e financeiros. Aí, depois, dá seu aval para
que o tratado seja ratificado. E ele só é ratificado com outra manifestação de vontade do
Presidente, que é o decreto presidencial. Uma vez publicado, o tratado está, na ordem
interna e na ordem internacional, em cumprimento. Os Estados, sobretudo os que têm
mais presença internacional, por meio da diplomacia, etc., costumam levar muito a sério
esse processo de ratificação, porque se cria uma ampla discussão política caso o tratado
não seja objetivamente cumprido.
Quando o Congresso concorda, vem o decreto e o tratado entra na ordem
interna, nascendo a obrigação de cumprimento.
O próximo ponto a ser tratado é em relação à classificação: há várias, como em
relação à quantidade de partes, com relação à possibilidade de participação, quanto à
amplitude normativa e quanto à matéria regulada.
Com relação à quantidade de partes, o tratado pode ser bilateral, multilateral e
plurilateral. Essa distinção entre multilateral e plurilateral existe porque parte da
doutrina considera que, quando um tratado envolve organizações internacionais e
Estados, ele seria plurilateral: há os Estados e pelo menos uma organização. É o caso do
tratado em que a União Europeia e o Chile. É um tratado que pode se entender como
plurilateral. Outro exemplo é o Mercosul e a União Europeia, que seria um tratado
plurilateral, porque envolveria duas organizações.
O bilateral é envolve dois Estados. Os multilaterais envolvem vários Estados.
Quando há a ONU e vários Estados, vê-se um tratado plurilateral.
Isso tudo depende da aceitação da doutrina. Outra parte da doutrina
simplesmente reconhece a diferença entre bilateral e multilateral.
Quanto à possibilidade de participação, o tratado pode ser aberto ou fechado. É
aberto quando qualquer Estado pode fazer parte, não há uma limitação. Porém, muitas
vezes, essa condição de ser aberto ou fechado depende de uma condição regional. Pode
ser aberto regionalmente e fechado em outras regiões.
O tratado aberto é aquele em que não há habilitação para fazer parte, como a
Carta das Nações. Qualquer Estado do mundo pode fazer parte da Carta das Nações.
Pode-se entender que só os Estados que são banhados pelo Atlântico Norte
podem fazer parte da OTAN, que é uma organização comprometida com a segurança
desses países. Então, é um tratado fechado.
Toda organização tem um tratado para sua instituição. Cada organização é
instituída por um tratado: isso que é chamado tratado-fundação. A OTAN é aberta
apenas para países do Norte do planeta. O Mercosul é uma organização fechada ao Sul
da América. De fato, é uma definição muito mais política que geográfica a da OTAN,
porque os países do Norte têm mais poder econômico e político que os do Sul da
América.
Essa possibilidade de participação depende muito da região e, também, em
função da temática, ou seja, a temática também limita a participação. A temática, por
exemplo, da Amazônia. Há vários tratados que regulam a Amazônia: é uma questão
geográfica e temática. O tratado é aberto a questões geográficas e temáticas.
Quanto à amplitude normativa, o tratado é geral ou específico. O geral é o que
trata de diversos assuntos, como a Carta das Nações. A Carta das Nações é um
tratado-fundação, tem caráter administrativo, institui princípios gerais do Direito
Internacional, institui um Tribunal Internacional e regras correlatas a ele, etc.
Por outro lado, o tratado específico trata de um tema específico. Essa discussão
se relaciona, por exemplo, à Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados. A
Convenção das Nações Unidas sobre Biodiversidade é outro exemplo. A Convenção da
OEA e a Interamericana para prevenir e punir a violência contra mulher são tratados
específicos.
Quanto à matéria regulada, são inúmeras as possibilidades. Alguns tratados de
fundação são, também, de paz. É o caso da Liga das Nações, é o caso da Carta das
Nações e, ainda, dos tratados de fundação, ou seja, que instituem organizações
internacionais: todas têm, mas pode ser que esses tratados disponham, além disso, de
outras matérias.
Nós veremos, em uma das aulas, os organismos da ONU e seus tratados de
fundação. Por exemplo, a UNESCO, a OMC, etc., além de agências, são organizações
internacionais de caráter global, e todas elas têm seus tratados de fundação.
O tratado de paz, a exemplo o Tratado de Versalhes, é aquele cujo objetivo é o
de constituir a paz, sobretudo depois de uma guerra. Então, a Carta de Nações é,
também, um tratado de paz. Todas os fins de guerras europeias que implicaram tratados
ensejaram tratados de paz.
Os tratados de extradição são normalmente bilaterais, em função da matéria. Um
tratado de extradição, por exemplo, exige as mesmas condições para os países; é,
normalmente, bilateral, mas nada impede ser outro o de extradição.
Um tratado-contrato é o que estabelece condições contratuais, como o tratado
que estabeleceu a ITAIPU binacional, uma empresa brasileira no Paraguai, no qual há
uma série de normas. O formato é muito assemelhado a de um contrato, por isso o
nome. Ele tem características, muitas vezes, econômicas.
Tratado de Direitos Humanos: como a Convenção das Nações Unidas para
eliminação de todas as formas de discriminação racial, contra mulher, etc. No âmbito
regional, vê-se a Convenção Interamericana para punir violência contra mulher; a
Convenção Americana de Direitos Humanos também, apesar de ser mais geral. Há,
também, o Protocolo de San Salvador.
Tratados humanitários são aqueles inseridos em conflito armado ou de guerra,
por exemplo: as Convenções de Genebra sobre direito humanitário, que instituem os
crimes de genocídio, contra a humanidade. Até mesmo o Estatuto de Roma pode-se
entender como tratado de direito humanitário.
As Convenções de Meio Ambiente: como a das Nações Unidas sobre a mudança
de clima, que tem um texto básico, o qual regula as possibilidades de controle do clima,
das condições climáticas, para que não tenhamos o aumento da temperatura como tem
acontecido. Há outras partes, há anexos, com listas, para convenção ambiental.
Pergunta: os elementos dessa lista podem ser alterados informalmente?
​ ão diria informalmente, ​porque tem que haver uma conferência, mas não precisa de
N
ratificação dessa alteração. A ratificação diz respeito aos termos fundacionais e os
anexos não são submetidos à ratificação. Isso é objeto de crítica, mas essa tem sido
uma forma de tratar as atividades para a normativização ambiental.
Alguém lembra de algum outro tipo de tratado quanto à matéria regulada? Não?
Então vamos falar de outras situações relacionadas a tratados.
A adesão. Quando se pode falar nela? Há adesão a um tratado quando não se
participou do processo da negociação. O texto do tratado está pronto, em princípio já
houve a assinatura e a ratificação por parte de uma série de Estados. Então, novos
Estados querem aderir ao tratado. Por exemplo, Estados criados depois podem aderir à
Carta das Nações, que é um tratado já assinado e em curso.
Em relação a todos os tratados de Direitos Humanos instituídos na década de 80,
etc., o Brasil aderiu a eles, mais ou menos, em 1992, no governo Collor, quando o Brasil
entra, de fato, internacionalmente, quanto aos tratados de Direitos Humanos, ou seja, o
Brasil aderiu a eles. A adesão significa isso: o país não participa das discussões
relacionadas à elaboração do tratado. O tratado está pronto, aí o Estado adere.
É possível que se estabeleçam reservas? Sim. Daqui a pouco falaremos delas.
A adesão é mais uma das atribuições relacionadas ao depositário. Qual a função
do depositário? O depositário tem uma função muito importante relacionada aos
tratados que é cuidar para que o tratado seja cumprido. Um cuidado que é maior do que
simplesmente fazer com o que o contrato seja cumprido, é ter cuidado com o texto, com
a qualidade do texto, com os procedimentos relacionados ao texto. Entre eles, o registro,
as cópias... cada Estado que ​fez parte daquele processo de elaboração do tratado terá
que ter pelo menos uma cópia. Essas cópias deverão ser autenticadas, registradas. O
próprio texto do tratado deverá ser registrado pela organização a qual o tratado esteja
relacionado.

Se for uma organização global, se for uma organização regional...Ou seja, é o espaço
que vai garantir essa... E no passado, quando não haviam as organizações
internacionais, os próprios Estados que davam poderes ao depositário. Quando a reunião
se estabelecia para realizar os tratados já se definia quem era o depositário, quem seria o
depositário. E aí o depositário, o Estado dava poderes ao depositário. A figura do
depositário sempre foi uma figura muito importante, ou seja, é comum que uma pessoa
relevante no espaço internacional. Poderia ser um estudioso, podia ser um diplomata
poderia ser um governante um rei.

E com o tempo, com a criação das organizações internacionais, as próprias organizações


são depositárias dos tratados. O tratado fica guardado na sede da organização. Portanto,
normalmente, quando o tratado é unilateral – eu já disse que tem essa diferença, ou seja,
quando o tratado é unilateral o depositário deverá ser o representante máximo daquela
organização. Então, dentre as suas obrigações, ele tem a obrigação de guardar os
documentos físicos, mas de guardar também o respeito as condições de vigência do
tratado. Então, por exemplo, tudo que acontecer em relação ao tratado, ele deverá saber
e deverá comunicar as partes. Se uma parte se retira do tratado, por exemplo, isso
deverá ser registrado em ata e deverá ser comunicado a todas as outras partes. Tudo,
absolutamente tudo. Uma suspensão deverá ser comunicada pelo depositário.

Então, o depositário tem uma função extremamente relevante em relação à vida do


tratado. Se o tratado for bilateral, então os Estados definem quem vai ser o depositário
do tratado. Ou, então, uma pessoa, representando o Estado.

Nos últimos tempos, no processo de elaboração dos tratados, de afirmação do direito


internacional, era comum definir uma pessoa especifica como depositária. Contudo,
percebeu-se que as pessoas são finitas, as pessoas morrem. Somos mortais. Então,
viu-se que isso não era muito adequado. Então hoje se define cargos, cargos que são
ocupados por pessoas e tem o presidente. Então, o secretário geral de uma organização é
o depositário. A presidência de uma determinado país é depositária. Então, mudou o
presidente, mudará também o depositário. No caso de uma adesão, caberá o depositário
registrar essa adesão e distribuí-la as partes envolvidas no processo relacionado àquele
tratado.

Emenda

A emenda é a alteração. Normalmente uma emenda é denominada de protocolo, como


eu falei na outra aula. Há várias denominações, tratado, segundo tratado, terceiro
tratado, emenda. As partes envolvidas têm plena capacidade para dar o nome que
quiserem aos tratados e às emendas, que são nada mais do que novos tratados, só que se
referem ao tratado original. O Protocolo de Kyoto é uma emenda, a convenção 4 das
nações unidas sobre o clima. Aí tem o Protocolo de Kyoto pra altera as condições de
Viena daquele tratado original. Então, trata-se do Protocolo de Kyoto – a Convenção 4
das Nações Unidas sobre o Clima.

Em relação às reservas, o que se deve observar é que faz parte da soberania das nações
estabelecer reservas. Então, reserva é uma sinalização, a manifestação de vontade
unilateral do Estado por meio da qual o Estado diz que não se compromete com
determinadas clausulas do tratado. Isso é plenamente possível na ordem internacional,
desde que não alcance os elementos fundamentais do tratado.
Imagine que num tratado sobre mudança do clima, um Estado imponha uma reserva
justamente num ponto fundamental sobre a mudança do clima, o que equivaleria a não
ratificar, ratificar só pro forme. Certamente isso aconteceu com muitos tratados ao longo
da história. Então, por isso a doutrina vem adotando a compreensão e a jurisprudência
internacional também, no sentido de limitar as possibilidades de reserva.

Mais recentemente, alguns tratados já não permitem mais reservas, alguns tratados da
área ambiental, o tratado do tribunal penal internacional não é passível de reservas... não
é possível. Então o que vem acontecendo: alguns Estados não ratificaram e tem se
organizado com outros Estados pra que outros Estados não ratifiquem. É uma forma de
tirar legitimidade ao tratado. Então, por exemplo, Estados Unidos não ratificaram,
Colômbia também não. Vários Estados que tem problemas humanitários – digamos
assim – não ratificaram o Estatuto de Roma, que institui o Tribunal Penal Internacional.
Porque também só seria possível ratificar inteiramente o tratado, ele não é passível de
reservas. Então, digamos que tem essa tendência dos dias de hoje, em função de uma
busca de uma cogência maior para o direito internacional e em função de consideração
das reservas como que algo que tira o significado de muitos tratados. Então há uma
tendência de que tratados mais recentes não permitam reservas. Isso vem acontecendo
com os tratos de meio ambiente, os na área penal. Ou seja, o tratado que institui o
tribunal penal, como se admitiria reservas? Ou se admite inteiramente ou não.

Pergunta: professor, eu não sei se o senhor já falou, mas no caso de adesão precisa de
autorização de outros Estados que já eram parte?

Só se o tratado determinar nesses termos, mas não em princípio.

Pergunta: e no caso de emenda, como é que é? Qualquer Estado chega e propõe essa
emenda?

Quando falamos da emenda, falamos de uma série de condições, uma séria de situações
que são reguladas pelo próprio tratado. Ou seja, é o tratado... digamos que a regra geral
válida para o direito internacional é, no âmbito dos tratados, o tratado define as suas
regras. Claro, tem os princípios gerais do direto, tem as condições mais gerais. Em
princípio, com relação a reserva, a emenda, a adesões, tudo isso é regulado pelo tratado.

Eu falei pra vocês do formato do tratado. Ou seja, o tratado ele começa com o
preâmbulo, no qual nós vamos ter a qualificação das partes do tratado, nos vamos ter
também os princípios do tratado, ou seja, aquilo que justifica o tratado. Depois vem a
parte propriamente normativa, por meio dos artigos, que é o corpo do tratado. E tem o
fecho, ou a finalização, que é aí onde vem essas regras relacionadas a suspensão, a
reserva, a denúncia. Tudo vai ser definido pelo tratado. Vale o que está no tratado. O
próprio tratado deve dizer: tais e tais artigos não são passíveis de reservas. Agora se
permitir também... Inclusive, tem alguns tratados que são completamente
descaracterizados por isso.
*Diálogo com aluna confirmando a afirmação do professor, com o exemplo da
Convenção de Viena*

A convenção de Viena tem toda ela a definição, as condições fundamentais sobre


tratado. O que é convenção, ratificação, etc. isso ocorre porque a convenção de Viena é
sobre o direito dos tratados. Ou seja, institui as regras fundamentais com relação aos
tratados, então ela também cuidou de definir certas questões juridicamente.

Suspensão

Suspensão é a possibilidade de que o Estado não cumpra o tratado temporariamente,


alegando, por exemplo, condições políticas. Digamos, por exemplo, que o Estado está
em turbulência política e por isso argumenta que não tem condições de cumprir um
determinado tratado. Ou que está em situação desvantajosa do ponto de vista
econômico, que também coloca em discussão a possibilidade de descumprir os termos
do tratado. Sobretudo os tratados que tem repercussões financeiras. Então, dependendo
do tratado, ele poderá ser suspenso, ou ter a sua vigência suspensa, dependendo das
condições estabelecidas pelo próprio tratado.

As condições de direitos humanos, por exemplo, dizem que determinados direitos não
podem ser suspensos. Por exemplo, o direito a liberdade, o direito a vida. Tudo vai
depender do tratado.

Pergunta: declaração universal não é um tratado né?

Não, declaração são princípios gerais.

Denúncia

A denúncia é a retirada de um Estado ou organização internacional. É quando esse ente


informa a comunidade internacional que ele não mais fará parte do tratado.
Normalmente, se exige um tempo, porque, em função da segurança jurídica, a
comunidade internacional precisa ter um tempo para saber que aquele Estado sairá da
vigência do tratado. Normalmente, o tempo mínimo de um ano. Mas se o tratado
permitir uma denúncia imediata ou exigir mais tempo, tudo vai ser regulado pelo
voluntarismo jurídico, ou seja, por aquilo que estiver determinado nas normas finais do
tratado, aquelas que definem o termo final do tratado.

Pergunta: a denuncia é o ato de saída?

É o ato de anúncio de que o Estado irá se retirar do tratado

Pergunta: E o ato de saída?

Aí é a finalização do processo de denúncia.

Extinção
A extinção do tratado se dá por duas formas principais: a perda de objeto, que é quando
o objetivo não foi cumprido ou foi cumprido, aí ele deixa de existir, o tratado é extinto.
Como o tratado que instituiu a liga das nações deixou de existir quando eclodiu a
segunda guerra mundial. O tratado veio para trazer a paz, aí eclode outra guerra
mundial, então ele perde seu objeto. É o que pode acontecer com a ONU se eclodir a
terceira guerra mundial. A carta das nações está extinta. Não falem isso por enquanto
pra... por enquanto vamos deixar só aqui entre a gente.

A outra possibilidade é o fim do prazo. O tratado pode ter um prazo determinado. Ele
vai funcionar... por exemplo, na área cultural, é muito comum que nos tratados da área
cultural os Estados estabeleçam um plano para a cooperação cultural por um período
por 3 anos, para fomentar bilateralmente ou multilateralmente a cultura entre ambos os
Estados. Ou seja, vai valer por tempo determinado. Uma vez concluído esse prazo, ele
deixa de existir. Não foi nem pelo cumprimento do objeto, mas sim porque o tempo foi
extinto.

Uma questão muito relevante com relação aos tratados é o tema da nulidade. Os tratados
podem ser declarados nulos em função de dolo, coação, erro. Aqueles elementos que já
conhecemos em relação ao direito civil, que se aplicam ao direito internacional também,
talvez com uma gravidade maior. Imaginem – como já aconteceu muito no passado –
um Estado ser coagido a assinar e ratificar um tratado. Em guerras no passado isso já
aconteceu. Um rei dominava a situação e obrigava outros a assinar o tratado. Na
doutrina, esse tratado era visto como um tratado passível de ser anulado. E hoje há a
clareza de que sendo alegado e provado isso, o tratado deverá ser considerado e
declarado nulo. Claro, há possibilidades de correção do erro.

Pergunta: nulo em relação àquele Estado não a todo mundo?

Isso, não a todo mundo.

E muito relacionado a isso está a discussão de ​jus cogens ou a norma imperativa de


direito internacional, que está no artigo 53 da convenção de Viena sobre direito estatal,
que diz o seguinte,
“É nulo um tratado que, no momento de sua conclusão, conflite com uma norma imperativa de Direito
Internacional geral. Para os fins da presente Convenção, uma norma imperativa de Direito Internacional
geral é uma norma aceita e reconhecida pela comunidade internacional dos Estados como um todo, como
norma da qual nenhuma derrogação é permitida e que só pode ser modificada por norma ulterior de
Direito Internacional geral da mesma natureza.”.

Eu já me referi na aula anterior a essa possibilidade, ou seja, a possibilidade de nulidade


em função dessa regra geral, seja a regra geral relacionada a uma norma imperativa do
direito internacional geral e para essa norma não existe uma definição clara, é uma
norma sujeita à interpretação e às condições, digamos, do momento em que há essa
interpretação, então, nos dias de hoje, se considera que um tratado será nulo com base
nessa ideia de norma imperativa do direito internacional geral, ou seja, plenamente
aceita no plano internacional em determinadas condições. Por exemplo, um tratado que
regule ou tivesse que regular a escravidão, tivesse que normatizar a escravidão ou a
servidão, seria uma agressão ao que se entende como sendo uma norma imperativa do
direito internacional geral plenamente aceita. Ou um tratado que não que proibisse o
genocídio, mas que permitisse o genocídio seria também uma norma que atentaria
contra essa norma imperativa do direito internacional geral; isso é o que tá previsto no
art. 53, né?

Então, a doutrina é quem preenche, digamos assim, essa interpretação, ela não está
definida, são os doutrinadores que vão dizer que elementos que temos, estão tendo aí,
sobre a norma imperativa do direito internacional; é uma discussão um tanto quanto
assemelhada a cláusula pétrea, embora as cláusulas pétreas possam ter uma definição
mais clara que, no caso do Brasil, não se tem claramente o que é uma norma imperativa,
digamos assim... é uma importação da discussão no plano constitucional para o direito
internacional e, ao mesmo tempo, a busca de estabelecer mais segurança no âmbito do
direito internacional.

- Eu posso apagar aqui?

Os “​comis​”. já foram a principal fonte do direito internacional, só muito recentemente,


seja no final daquela segunda fase de desenvolvimento do direito internacional,
conforme nós vimos a partir do Adam Watson, ou seja a segunda fase ela é bastante
longa, ela começa lá com o fim do império romano e vai até o final do século XIX
início do século XX, né? Então no final desse período nós vamos ter uma virada, ou do
meio pro final, melhor dizendo, do meio pro final, nós vamos ter uma virada que é em
função do processo de positivação do direito e do direito internacional. Aliás, a esse
respeito eu coloquei na pasta do Dropbox também de vocês, da outra turma e da outra
turma lá de ciência política e aqui também um artigo sobre Vestefália, tratado de
Vestefália, um artigo bem interessante, que me pareceu interessante, que é um artigo
crítico então serve pra vocês aqui também. O que é que se diz, então, sobre os tratados
de Vestefália? Que ali se instituiu o estado nacional, a ideia de soberania e tudo mais, o
autor, nessas perspectivas críticas, o autor vai procurar dizer que o processo de
constituição dos estados nacionais é anterior ao Vestefália e procede depois do
Vestefália e a definição soberana dos estados também é algo que é anterior ao Vestefália
e se prolonga no tempo até final do século XIX quando a Itália, a Alemanha vão se
tornar propriamente estados nação, então, me parece relevante aquele artigo de um
português, é de um autor português, então se tiverem tempo leiam que esse artigo,
talvez até nas próximas aulas a gente possa discutir, possa tematizar, se for o caso eu
direi e nós faremos uma discussão sobre... mas independente disso eu sugiro que leiam.
Então é... nesse momento, seria esse momento de definição do direito internacional, do
direito internacional europeu, né? Ou seja, dessa sociedade internacional europeia, é o
momento em que nós vamos ter a mudança do padrão do direito internacional, do
direito internacional costumeiro, para o direito internacional “​tratadisso​”, positivo, ou
seja, o direito costumeiro vai ser objeto de positivação e, ainda assim, não vai deixar de
ser costume porque o costume independe do processo de positivação, o costume
continuará sendo costume porque o que define um costume como uma norma
costumeira é o processo que é diferente de uma legislação, de uma lei. A lei ela é
ordenada de um dia pro outro, ou mais ou menos assim, enquanto o processo de
constituição do costume é muito mais definido pela tradição, pelo recurso do tempo e
forma não escrita, né? Forma não escrita, não retratada, o costume tem a forma não
escrita, ou seja, o elemento tempo é fundamental para a constituição costumeira, seja no
âmbito nacional, seja no âmbito internacional e, nesse caso, estamos falando do âmbito
internacional, ou seja, um costume internacional precisa do recurso do tempo, o tempo é
o elemento essencial na hora em que se constitua um costume; certamente nos primeiros
momentos, antes de ele ser... existência dessa possível norma ou a esse comportamento,
a esse hábito, e com a aceitação, com o passar do tempo que o processo de aceitação,
essa norma, esse comportamento irá se normatizando, se definindo enquanto uma norma
exatamente, então o elemento, além do elemento do tempo, o elemento da tradição, ou
seja, a... conjugado ao tempo, a reiteração tradicional, então será importante para a
definição do costume. A forma não escrita, ou seja, ela está na consciência, no caso das
nações, enquanto que o costume nacional está na consciência das nações, das
nacionalidades, do conjunto das pessoas que agem, (...) da consciência das nações, tem
que ter a ver com aceitação e nós veremos quando falarmos dos atos unilaterais dos
estados que os estados tem um instrumento para não permitir que um costume seja
alterado e qual é esse instrumento? É o protesto, é o ato unilateral dos estados pela qual
os estados dizem claramente num espaço internacional, numa conferência, não precisa
ser numa conferência, pode ser pelos jornais, pode ser por uma carta, e-mail, ele
demonstra não concordar com uma prática internacional e aí ele está dizendo ‘não
aceito que essa prática vire uma prática costumeira’ como, por exemplo, quando a uma
invasão a um estado, uma invasão unilateral, uma intervenção unilateral, então muitos
estados protestam, diversas formas de dizer ‘não concordo com esta invasão’ é uma
forma de não tornar aquela prática costumeira. Então é necessário a aceitação da
comunidade para que vire costume, no caso, costume internacional... e, uma vez tendo
esses elementos, o costume tem tanta validade quanto o tratado em termos de
obrigatoriedade. Pode não estar em um tratado mas será uma norma internacional do
mesmo jeito, ou seja, obrigatória, uma norma internacional de caráter obrigatória, pois o
processo de positivação, que vem acontecendo ao longo do tempo, ele é essencial para
entender o momento que nós vivemos, ou seja, que o tratado é a principal fonte do
direito internacional juntamente com o costume e tem outras fontes que são subsidiárias,
ou seja, precisam da convalidação por parte do tratado, do costume, que é o caso dos
princípios gerais do direito, é o caso da doutrina, é o caso da jurisprudência , são fontes
subsidiárias, ou seja, que precisam de uma convalidação, de uma aceitação, de uma
demonstração de que foi aceita aquela norma pelo plano internacional
[Pergunta] – “Professor, o costume não tenderia a individualizar os estados, não? Por
representar mais as características daquele povo e tal? Assim, enxergar ele como...”

Não, nesse caso, não é costume nacional, é um costume internacional. É o costume que
pula os estados no plano internacional... muitos costumes são também princípios
internacionais do direito, ‘passagem inocente’ é um princípio internacional do direito
que é um costume também; o direito de passagem que aliás fica bem no plano interno;
todo mundo sabe que, por exemplo, uma casa, ela às vezes é encostada no terreno de
uma outra, então quem mora naquela casa tem o direito de passagem pelo terreno
daquele... mesma coisa quando for levado pro plano internacional que se chama
tecnicamente de “passagem inocente”, que é a passagem que aviões fazem sobre
território de estados nação, a passagem que os navios fazem sobre o mar territorial
também, tudo isso é considerado passagem inocente, ou seja que não oferece nenhum
risco a soberania dos Estados e implica no direito, de um princípio do direito
internacional, um princípio e um costume, que ao longo do tempo foi se instituindo
como um princípio e como um costume. Então, claro é preciso informar ao Estado: “vou
fazer uma passagem inocente por aí (...) me comprometo, ao fazer essa passagem, em
não pousar, não estou levando armas, não estou tocando na sua soberania, simplesmente
preciso passar, seja pelo mar territorial seja pelo ar".

Então este é um costume, um costume internacional.

Pergunta: Tem a ver com o direito positivo? Sim, ele foi positivado. Antes de ser norma
prevista no tratado, era um costume que hoje está positivado. Houve o processo de
positivização do costume.

É similar ao processo do direito costumeiro inglês. Este continuou sendo costumeiro,


mesmo com a existência de uma lei. O processo de elaboração do costume foi com base
no tempo, na tradição, na aceitação: isso que levou a sua obrigatoriedade. O direito
costumeiro pode estar positivado, mas isso não é elemento fundamental. Normalmente,
ele se apresenta como norma não escrita; pode ser escrito, mas antes de ser escrito, já
era uma norma.

Nós vimos anteriormente as discussões sobre as fontes materiais e sua relação com as
fontes formais. Estamos agora nas fontes formais, mas antes estávamos nas fontes
materiais, ou seja, nas teorias que embasam o direito internacional. Entre elas, o
voluntarismo e o objetivismo. Aplicado aos costumes, os voluntaristas podem dizer e
tem dito que o costume deriva do consentimento tácito dos Estados. É o voluntarismo
jurídico que embasa a existência do costume.

Numa perspectiva objetivista, alguns autores podem dizer que é a consciência social do
grupo, ou seja, um elemento objetivo; não um elemento voluntarista. Crítica do
professor: “Não sei se é tao objetivo assim, está mais no campo de uma idealização
espiritual". Esses autores trabalham com esse elemento objetivista: “a consciência social
dos Estados. Os Estados chegaram a conclusão de que deveriam validar um
determinado costume. A grande diferença em relacao à validação do costume, é que no
plano interno é validado pela pratica reiterada dos indivíduos e sua aceitação por estes,
no direito internacional é pelos Estados.

Pergunta: dificilmente consigo pensar em algum direito no plano internacional que não
tenha sido anteriormente um costume.

Professor: Eu acho que é relativamente fácil definir o que é costume e tem normas que
nascem sem antes terem sido costumes. Por exemplo, a ideia de que existem crimes
internacionais, não era tido como um costume. Crimes internacionais não eram tidos
como um costume. Aí houve uma Convenção, a de Genebra de 1949, que definiram os
crimes internacionais. Agora, obviamente, há muitas situações que a norma escrita
simplesmente positiva um costume anterior.

O que podemos entender como princípios gerais do direito? O conceito é o mesmo do


plano interno. É uma formulação teórica que ajuda os interpretes do direito na hora de
aplicar as normas, sobretudo os tratados e costumes, e, em certos casos, ajuda também a
preencher determinadas lacunas. Isso é o que entendemos como princípios gerais do
direito. É uma fonte subsidiária, ou seja, precisa ser convalidado por uma fonte dita
primaria (costumes e tratados), portanto, tem uma relação muito forte, sobretudo, com
os costumes, pois não precisa estar positivado, mas precisa ser em consonância com os
costumes.

Em relação aos tratados, o preâmbulo é um local onde podemos, normalmente,


identificar os princípios do direito internacional. Podemos encontrar em qualquer parte
do tratado, mas no preâmbulo será mais fácil.

Exemplos com base na CARTA DAS NAÇÕES:

“NÓS, OS POVOS DAS NAÇÕES UNIDAS, RESOLVIDOS ​a preservar as


gerações vindouras do flagelo da guerra​, que por duas vezes, no espaço da nossa vida,
trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade, e a reafirmar a fé nos direitos fundamentais
do homem, na ​dignidade e no valor do ser humano, na i​gualdade de direito dos homens
e das mulheres, assim como das nações grandes e pequenas, e a estabelecer condições
sob as quais a justiça e o respeito às obrigações decorrentes de tratados e de outras
fontes do direito internacional possam ser mantidos, e a promover o progresso social e
melhores condições de vida dentro de uma liberdade ampla. ​E para tais fins praticar a
tolerância e viver em paz, uns com os outros, como bons vizinhos, e unir as nossas
forças para manter a paz e a segurança internacionais, e a garantir, pela aceitação de
princípios e a instituição dos métodos, que a força armada não será usada a não ser no
interesse comum, a empregar um mecanismo internacional para promover o progresso
econômico e social de todos os povos. ​Resolvemos conjugar nossos esforços para a
consecução dêsses objetivos.
Em vista disso, nossos respectivos Governos, por intermédio de representantes
reunidos na cidade de São Francisco, depois de exibirem seus plenos poderes, que
foram achados em boa e devida forma, concordaram com a presente Carta das Nações
Unidas e estabelecem, por meio dela, uma organização internacional que será conhecida
pelo nome de Nações Unidas.
CAPÍTULO I
PROPÓSITOS E PRINCÍPIOS
Artigo 1. Os propósitos das Nações unidas são:
1. Manter a paz e a segurança internacionais e, para esse fim: tomar,
coletivamente, medidas efetivas para evitar ameaças à paz e reprimir os atos de agressão
ou outra qualquer ruptura da paz e chegar, por meios pacíficos e de conformidade com
os princípios da justiça e do direito internacional, a um ajuste ou solução das
controvérsias ou situações que possam levar a uma perturbação da paz; -> PRINCÍPIO
DA PAZ E SEGURANÇA INTERNACIONAIS; PRINCÍPIO DA RESOLUÇÃO DAS
CONTROVÉRSIAS POR MEIO PACÍFICOS;
2. Desenvolver relações amistosas entre as nações, baseadas no respeito ao
princípio de igualdade de direitos e de autodeterminação dos povos, e tomar outras
medidas apropriadas ao fortalecimento da paz universal; -> PRINCÍPIO DA
AUTODETERMINAÇÃO DOS POVOS
3. Conseguir uma cooperação internacional para resolver os problemas
internacionais de caráter econômico, social, cultural ou humanitário, e para promover e
estimular o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais para todos, sem
distinção de raça, sexo, língua ou religião; e -> PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO
INTERNACIONAL
4. Ser um centro destinado a harmonizar a ação das nações para a consecução
desses objetivos comuns.
Artigo 2. A Organização e seus Membros, para a realização dos propósitos
mencionados no Artigo 1, agirão de acordo com os seguintes Princípios:
1. A Organização é baseada no princípio da igualdade de todos os seus Membros.
2. Todos os Membros, a fim de assegurarem para todos em geral os direitos e
vantagens resultantes de sua qualidade de Membros, deverão cumprir de boa fé as
obrigações por eles assumidas de acordo com a presente Carta. -> PRINCÍPIO DA
BOA-FÉ
3. Todos os Membros deverão resolver suas controvérsias internacionais por
meios pacíficos, de modo que não sejam ameaçadas a paz, a segurança e a justiça
internacionais.
4. Todos os Membros deverão evitar em suas relações internacionais a ameaça ou
o uso da força contra a integridade territorial ou a dependência política de qualquer
Estado, ou qualquer outra ação incompatível com os Propósitos das Nações Unidas. ->
PRINCÍPIO DO RESPEITO À INTEGRIDADE INTERNACIONAL
5. Todos os Membros darão às Nações toda assistência em qualquer ação a que
elas recorrerem de acordo com a presente Carta e se absterão de dar auxílio a qual
Estado contra o qual as Nações Unidas agirem de modo preventivo ou coercitivo.
6. A Organização fará com que os Estados que não são Membros das Nações
Unidas ajam de acordo com esses Princípios em tudo quanto for necessário à
manutenção da paz e da segurança internacionais.
7. Nenhum dispositivo da presente Carta autorizará as Nações Unidas a intervirem
em assuntos que dependam essencialmente da jurisdição de qualquer Estado ou obrigará
os Membros a submeterem tais assuntos a uma solução, nos termos da presente Carta;
este princípio, porém, não prejudicará a aplicação das medidas coercitivas constantes do
Capitulo VII.”
Seguiremos para jurisprudência.

9. Aula 9 (Aula do dia 07/05)

A ideia de que os pactos devem ser cumpridos é algo definidor no Direito internacional.
Falamos do poluidor pagador, que diz respeito, mais especificamente, ao direito ambiental; do
princípio das coisas julgadas, e falei pra vocês que nós vamos encontrar, além do poluidor
pagador, vários princípios específicos do direito internacional ambiental, como o princípio da
autodeterminação dos povos. Exemplo de pergunta da prova: que princípios vocês poderiam
indicar que são exclusivamente aplicáveis ao Direito Internacional? Um deles é o princípio da
autodeterminação dos povos.

O princípio do poluidor pagador surgiu no contexto de uma divergência no direito


internacional envolvendo uma empresa canadense e uma empresa americana. Estava-se levando
poluição para o Canadá dos EUA, então se estabeleceu uma arbitragem, em que se terminou que
esse princípio é definidor das relações internacionais no direito internacional do meio ambiente.
Se algum Estado polui, adquire a obrigação de pagar por isso.

O princípio do direito ao desenvolvimento também é específico do direito internacional.

Vamos seguir agora falando das outras fontes formais do direito internacional, ou seja,
são todas as fontes formais, com exceção daquelas em que vimos na primeira aula sobre o tema.
Os atos jurídicos unilaterais e as decisões das organizações internacionais não estão presentes no
Estatuto da Corte Internacional de Justiça, em seu artigo 38 (que elenca as fontes do Direito
Internacional: tratados, costumes, princípios gerais do direito, doutrina, jurisprudência). Com
relação à doutrina, há uma divergência doutrinária em torno da sua pertinência ou não às fontes
do direito internacional. Para termos uma compreensão a esse respeito, pergunta-se: o que é uma
fonte formal? A fonte formal é uma técnica por meio da qual o direito se revela. A dúvida com
relação à doutrina se estabelece porque não existe uma única doutrina, e sim opiniões em
diversos sentidos expressadas por seus autores em artigos e livros. Existem, portanto, posições
doutrinárias.

Parte da doutrina é negadora da ideia de que a doutrina é fonte do direito internacional,


alegando tratar-se, na realidade, de forma de expressão do pensamento dos autores, uma opinião
a respeito do direito que auxilia no processo de interpretação. Os portadores desse entendimento
sustentam que a fonte do direito é dotada de maior impositividade, devendo ser mandatória,
como acontece com os tratados, costumes e princípios gerais do direito. O professor Reseck, por
exemplo, tem posições que a gente poderia entender como sendo mais dogmáticas,
conservadoras, em relação ao direito internacional. Já o professor Guido Soares tem posições
mais flexíveis, mais contemporâneas. Na hora de um julgador interpretar, ele poderá se utilizar
de uma posição ou outra.

Aqueles que defendem que a doutrina é fonte do direito internacional entendem que,
apesar dessa divergência, as opiniões dos doutrinadores constituem fontes, por serem utilizadas
para fundamentar julgamentos. Seria uma fonte sem caráter mandatório, mas que ainda sim
fundamenta decisões tanto jurídicas quanto políticas. Devemos nos posicionar quanto a uma
dessas correntes.

Com relação à jurisprudência, não há dúvida: estamos diante de uma fonte clara do
direito internacional. Essa fonte veio crescendo em significado a partir do Século XX, quando
podemos falar na existência de tribunais e organizações internacionais. Já existiam algumas
iniciativas anteriores, mas muito mais enquanto experimentos e com um grau de informalidade.
Eram mais assemelhadas, no século XIX, às arbitragens. No sec. XX, temos mais propriamente
tribunais internacionais, que passam a julgar casos internacionais e constituir jurisprudência
internacional, ou seja, conjunto de decisões que dão significado, no plano internacional, a
determinadas áreas. É o caso de alguns tribunais no âmbito global e no âmbito regional.

Vejamos agora alguns dos principais tribunais que produzem jurisprudência no âmbito
global e regional. No âmbito global, o principal tribunal internacional é a Corte Internacional de
Justiça (CIJ), que tem uma competência amplíssima, e para isso eu pedi que vocês lessem a
Carta das Nações e o Estatuto da Corte Internacional de Justiça (ninguém leu), e daqui a pouco
eu vou pedir que vocês me falem sobre o que vocês leram. A Carta das Nações institui a
Organização das Nações Unidas, estabelecendo as regras fundamentais da ONU. Além disso,
ela institui a Corte Internacional de Justiça. Eu posso perguntar a vocês: qual é a competência da
Corte Internacional de Justiça? Em primeiro lugar, a CIJ só julga Estados, e não indivíduos. Em
princípio, qualquer controvérsia envolvendo Estados pode ser encaminhada à Corte
Internacional de Justiça, a não ser que a própria ONU crie um tribunal com competência
específica, a exemplo do Tribunal Penal Internacional. O TPI, no entanto, não julga Estados,
mas apenas indivíduos. Poderia haver algum pedido para que o Estado fosse levado ao Tribunal
por crimes internacionais, mas a partir do momento em que o TPI foi criado, a competência
penal foi por ele assumida.

Antes de 1982, quando foi criado o Tribunal Internacional do Mar, as questões de sua
competência eram julgadas no âmbito da Corte Internacional de Justiça. A rigor, dependendo do
caso, pode haver a competência do Tribunal Internacional do Mar ou da CIJ. Se o conflito, por
exemplo, envolver definição de fronteiras, incluindo o mar, a competência poderá ser da CIJ. É
o caso de um conflito envolvendo Chile, Bolívia e Peru. O mar faz parte desse conflito, mas a
questão primordial envolve disputas territoriais, envolvendo guerras do passado. Uma delas é a
Guerra do Pacífico, na qual a Bolívia perdeu acesso ao mar que hoje é parte do território do
Chile, ao norte. Os assuntos relacionados mais propriamente ao mar, por sua vez, estão no
âmbito de competência do Tribunal Internacional do Mar, como divergências envolvendo
direito de passagem (passagem é um direito que o Estado tem de passar pelo mar ou por espaço
aéreo sem oferecer perigo à soberania de um outro Estado, desde que o informe, preenchendo
determinado formulário e esperando uma autorização para que essa passagem possa ser feita).

A competência do Tribunal Internacional Penal (TPI), por sua vez, conforme o Estatuto
de Roma, consiste em julgar pessoas que pratiquem crimes internacionais. Os crimes
internacionais são quatro: genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e crimes de
agressão. Comentário de aluna: crítica de países africanos quanto à seletividade dos acusados
perante os tribunais internacionais. O professor responde que há, de fato, essa seletividade, e
que isso se dá, dentre outros fatores, pelo fato de muitos Estados não haverem ratificado o
Estatuto da Corte Internacional de Justiça, como os EUA, Canadá, Colômbia...

Existem também os tribunais ​ad hoc​. Tem dois do passado, que já concluíram seus
trabalhos, que são os de Nuremberg e o de Tóquio, ambos instituídos pelos vencedores. Há uma
crítica, portanto, quanto a isso, por não se poder falar propriamente de tribunais globais,
instituídos por uma organização global, e sim pelos países que ganharam a Segunda Guerra
Mundial, para julgar os perdedores (Nuremberg para julgar os alemães e Tóquio para julgar
alguns japoneses). Nós temos, atualmente, dois tribunais ad hoc: o Tribunal para a antiga
Iugoslávia, instituído em 1993, e o Tribunal para Ruanda, em função dos dois genocídios
ocorridos nesses dois países. Esses dois tribunais continuam julgando casos atualmente. Houve
quem quisesse instituir tribunal para julgar crimes ocorridos em Timor Leste, mas não houve
consenso. Terminou-se criando um tribunal no âmbito nacional no Timor Leste.

Enquanto cortes regionais, vale a pena mencionar as cortes comunitárias. Eu falei pra
vocês que o Direito Internacional Comunitário regula as comunidades econômicas, que
surgiram no século XX (Mercosul, NAFTA, Comunidade Andina). São agrupamentos de
Estados que buscam, por meio da cooperação econômica, eliminar os problemas do passado,
relacionados à guerra, tanto bélica quanto comercial. Cada uma delas tem um meio de resolução
de controvérsias, incluindo-se tribunais. Então o Mercosul tem um tribunal, embora tenha
características mistas em relação a outras formas de resolução de controvérsias, já que se trata
de tribunal arbitral. Há uma impropriedade na denominação, pois ou falamos de arbitragem, ou
falamos de tribunal. A União Europeia tem seu tribunal, a Comunidade Andina tem seu
tribunal... Podemos falar das Cortes de Direitos Humanos, que são três: a Corte Europeia
(Tribunal Europeu de Direitos Humanos), a Corte Interamericana de Direitos Humanos e uma
corte africana, que ainda é incipiente e de pouca normatividade. A Corte europeia é exemplar,
julgando por ano mais de mil casos há pelo menos duas décadas. Todas essas cortes, à exceção
do TPI e dos tribunais ad hoc, julgam Estados. Essas cortes regionais de direitos humanos têm
um caráter de complementariedade em relação às cortes nacionais: quando a ordem nacional não
é profícua na proteção dos direitos humanos, se aciona a ordem internacional.

Veremos, em aula futura, o sistema internacional dos direitos humanos. Abordaremos,


então, a competência da ONU nessa matéria e também a da OEA (Organização dos Estados
Americanos). Não veremos a competência da corte europeia e nem da corte africana, porque é
uma realidade distante de nós.

Vimos as fontes formais típicas, ou seja, aquelas que estão previstas no artigo 38 do
Estatuto da Corte Internacional de Justiça, e passaremos a ver as outras duas fontes que não
estão previstas na CIJ, mas que a doutrina internacional entende como fontes formais, o que
pode ser revelador do pertencimento da doutrina entre as fontes formais. Essas fontes não foram
consideradas, pois o Estatuto da CIJ foi editado em 1945 e é praticamente a reprodução do
Estatuto da Corte Permanente de Justiça Internacional, criada em 1919. Naquela época, não se
tinha clareza de que os atos unilaterais dos Estados e as decisões das organizações
internacionais eram fontes do direito internacional. A doutrina, no entanto, veio preencher essa
lacuna, validando essas fontes.

Em primeiro lugar, há os atos jurídicos unilaterais dos Estados. Isso significa que os
Estados produzem atos jurídicos unilateralmente, e esses atos produzem efeitos na realidade
internacionais, embora sendo unilaterais. Poderíamos imaginar que só haveria sentido imaginar
como fonte do direito internacional aquelas que fossem fruto da vontade de pelo menos dois
Estados, mas, mesmo quando a vontade é unilateral, estaremos diante de uma fonte formal do
direito internacional. Tem alguns elementos comuns: o primeiro deles é que são manifestações
unilaterais de Estados que produzem efeitos no direito internacional. Essa fonte é autônoma, no
sentido de que não precisa de convalidação por nenhuma outra fonte do direito, embora se possa
dizer que algumas precisam do reconhecimento por parte de outros Estados. Porém, para que
elas existam, é fundamental, antes de tudo, a própria vontade do Estado. Só há sentido essa ideia
de autonomia quando não há necessidade de uma conjugação de outras vontades para que haja
validação dessa fonte. É ato jurídico unilateral de um Estado, por exemplo, quando ele protesta
contra alguma decisão de um outro Estado, se afirmando em função da vontade unilateral do
Estado. Os atos unilaterais em princípio não são formais, não havendo exigência de nenhum
registro escrito. Pode-se manifestar por exemplo por um discurso de um representante
internacional, que poderá ser proferido em ambiente formal ou perante a mídia. Exemplo: O
presidente Trump chega diante da mídia e faz uma declaração que tem efeitos jurídicos no
âmbito internacional, como a de que a partir de determinada data, serão tiradas as tropas de um
território ocupado. A partir do momento em que um governante vai a público, mesmo que não
demonstrando sua vontade no papel, ou que essa manifestação não se dê em um contexto
formal, encontra-se caracterizado o ato jurídico unilateral. Disso decorre que esses atos
prescindem de registro, podendo ou não serem registrados. Quando se fala em registro, refere-se
a documento com carimbo ou de uma organização internacional ou de um Estado, como o
registro em um cartório de organização internacional ou em um cartório nacional ou de um
espaço da diplomacia.

Exemplos de ato jurídico unilateral: quando um governo toma uma decisão, por
exemplo, de não aplicar mais determinada tarifa. Nesse caso, estamos diante de uma notificação,
quando o Estado notifica o outro de uma mudança em relação às suas decisões. Antes disso,
falemos do protesto. O protesto é uma decisão de maior importância, pois, por meio dela, o
Estado impede que se forme um novo costume. Imaginemos que um representante de um Estado
toma uma decisão em relação a invadir um outro território. Os demais Estados aceitam essa
decisão, e, para impedir que isso vire um costume, os Estados protestam contrariamente à
decisão de invasão. O protesto, portanto, demonstra inconformidade em relação ao
comportamento de um Estado, impedindo a formação de um costume. Um exemplo de
notificação, por sua vez, é aquele que Trump fez em relação ao comércio com o Brasil,
sinalizando mudanças na política comercial, o que pode ser feito através de um email, através de
um memorando, ou qualquer outro meio, pois não se exige uma formalidade. Pode ser um
discurso na rádio, na tv... O reconhecimento é outro ato unilateral, por meio do qual se chancela
determinada situação, como o reconhecimento da soberania de um país. O Timor Leste, quando
foi criado, precisava de reconhecimento tanto dos demais Estados quanto da ONU
(reconhecimento também ocorre por organizações internacionais). O mesmo aconteceu com
todas as ex-repúblicas da URSS e da Iugoslávia.
-Pergunta inaudível...(?)

Reconhecimento, sim! Reconhecimento de pertencimento a um (?). Se bem que neste


caso aí, tem um reconhecimento unilateral por parte de cada Estado que faz parte do
MERCOSUL ou que fazia parte na época do MERCOSUL. Então, havia necessidade de
reconhecimento da capacidade da Venezuela como um Estado membro do MERCOSUL. É uma
decisão unilateral. E que, de acordo com o Tratado só vale a possibilidade do Estado ser aceito
depende da vontade unilateral de cada um dos Estados do MERCOSUL.

A renúncia é um ato unilateral por meio do qual o Estado anuncia a decisão de não mais
se comprometer, ou não mais realizar algo que era corrente na sua prática. A renúncia, por
exemplo, a uma guerra; a renúncia a um território (algo muito difícil de acontecer, mas que pode
acontecer). Ou seja, a partir de tal momento nós nos retiraríamos de tal território, entregaríamos
tal território, a partir daí cria-se uma obrigação: o Estado assume uma obrigação de cumprir, de
renunciar realmente a esse território. Então, é um tanto quanto assemelhado à promessa. A
promessa é um ato jurídico unilateral dos Estados pelo qual o Estado se compromete em fazer
ou não fazer algo. Só que no caso da renúncia, ela é no sentido negativo. Ou seja, é a decisão de
se desvencilhar de um compromisso ou de uma condição. A promessa é uma decisão ou um ato
unilateral por meio do qual o Estado se compromete a fazer ou deixar de fazer alguma coisa.

-Pergunta: Se o Estado descumpriu uma promessa é cabível algum tipo de sanção?

-Jaime: Então, digamos que a promessa, se ela é formalmente ou informalmente feita,


ela pode ser redigida nos espaços internacionais, políticos e jurídicos. Então, digamos que um
Estado em relação ao qual se comprometeu com outro Estado em relação a alguma coisa, como
por exemplo: eu me comprometo a entregar parte desse território e acabar com nossas
divergências, eu faria no médio prazo, mesmo que ele não defina uma prazo, a partir dali o outro
Estado pode exigir o cumprimento dessa promessa em termos morais. Em termos jurídicos
também, na medida em que ele pode abrir um processo perante a Corte Internacional de Justiça
e exigir o cumprimento, mas daí a haver uma decisão em favor dele é outra coisa.

De acordo com Kim ?? xxxx (?) aquele autor do livro vermelho que tem aí na biblioteca
(curso de direito internacional ou é direito internacional público), e outros, os atos unilaterais
podem ser: autonormativos e heteronormativos. Ele é AUTONORMATIVO quando estabelece
obrigações sobretudo para o próprio Estado, é o caso da ratificação, é o caso da denúncia. Nós
vimos em aulas anteriores o que é uma ratificação e o que é uma denúncia. Aliás, é um outro
tipo de ato unilateral. Ratificação é quando o Estado de compromete no cumprimento de um
tratado e a denúncia é quando o Estado se retira de um tratado, portanto já não está mais
disposto a cumprir os termos do tratado. Além desses aqui, a ratificação e a denúncia são
exemplificativos, há outros exemplos. E o HETERONORMATIVO é aquele institui obrigação
prevalentemente para os outros Estados, a exemplo da promessa e do protesto. Obrigações no
Direito, ou seja, com a promessa se institui na realidade um direito do outro Estado. E com o
protesto se coloca o Estado que foi protestado na posição de se responder de acordo com as
normas de direito internacional, tem repercussões sobretudo para com outro Estado que não
aquele que tomou a decisão.

Portanto, o ato AUTONORMATIVO, ele institui obrigações, a decisão ela tem


repercussões sobretudo primeiramente ou principalmente para o próprio Estado, é o caso da
ratificação, a obrigação é o Estado cumprir com o tratado que ratificou. Ou a denúncia, se o
Estado se retira de um tratado tem que fazer alguma coisa para demonstrar ??? o Reino Unido
com o BREXIT, ou seja ele não quer mais fazer parte do bloco da EU. Então tem que se fazer
alguma coisa para que isso se torne realidade. E o HETERONORMATIVO a repercussão é
sobretudo para os outros Estados. Então, no caso do protesto, o Estado protestado precisa dar
uma resposta de acordo com o protesto. E no caso da promessa, o Estado adquire o direito de
exigir aquela promessa.

E por fim as DECISÕES DAS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS: estas não eram


vistas como decisões que produziam efeitos no plano internacional. Por isso, não faziam parte
do Estatuto da Corte Internacional de Justiça, no art. 38, e hoje não há dúvida de que as
organizações internacionais produzem decisões e estas produzem repercussões no plano
internacional. Elas podem ser jurisdições tanto internacionais, portanto no âmbito de tribunais,
elas podem ser decisões administrativas, dentro de uma organização internacional (a ONU
mesmo toma todos os dias decisões administrativas de repercussão no âmbito interno), e as
decisões de caráter de funcionamento que envolvem várias ou podem envolver outras
organizações internacionais e Estados também. Mas o fundamental aqui é nós entendermos que
as decisões de uma organização internacional elas são autônomas em relação aos Estados.

As organizações internacionais foram criadas por Estados por meio de tratado fundação,
mas elas têm uma vontade autônoma em relação aos Estados. Agora elas também são
condicionadas politicamente pela vontade dos Estados; mas a sua decisão ela é autônoma em
relação ao Estado. Cabe aí toda uma discussão, a doutrina idealiza muito acerca disso, mas o
importante aqui é entender que uma coisa são as decisões dos Estados e outra são as decisões
das organizações internacionais (estas tomam decisões que em alguma medida são
condicionadas pela vontade dos Estados, mas também são decisões próprias das próprias
organizações).

-Pergunta: poderia se dizer que os atos unilaterais autonormativos são mais objeto de
estudo do direito internacional privado?

-Jaime: Não.

-Aluna: é que os efeitos são mais internos.

-Jaime: Não, não. Ele vale para os dois, tanto para o direito internacional público,
quanto para o privado. Mas nesse caso específico tudo se refere ao direito internacional público.

10. Aula 10 (Aula do dia 09/05)

Esta é uma matéria que tem evoluindo muito como vimos nas aulas sobre o
aspecto histórico do Direito internacional. O que era entendido como sujeito do direito
internacional até o início do séc. XX era outra coisa, houve uma alteração muito grande,
portanto hoje nós podemos entender como os estados. O direito Internacional surge
como um direito criado pelos estados (interestatal), mas ele passa a ser caracterizado
como um direito que abrange não apenas a esfera interestatal, mas também organizações
internacionais e mais recentemente os indivíduos, ou seja, a pessoa humana passa a ser
sujeito do direito internacional.
Uma boa forma de começar essa discussão, é começar a distinção entre ​sujeito e
ator ​internacional, pois existem vários outros atores participando do plano
internacional, interagindo com o sujeito do direito internacional. Entretanto, não precisa
dizer que sujeitos do direito são aqueles que possuem direitos e obrigações e atores são
aqueles que não tem esse reconhecimento, mas ainda assim, tem uma capacidade de
intervenção no plano internacional, participam das disputas de sentido, participam do
cenário internacional, de alguma forma interferem. Imaginem aquelas conferências que
aconteceram durante a crise humanitária de 1993 na Sérvia, antiga Iugoslávia. Uma
série de organizações internacionais interagiram, organizaram conferências. Houve uma
série de mobilizações, mas eles são atores, aliás, terminaram condicionando para que
eles estabelecessem um tribunal penal internacional, para que eles criassem outras
normas condicionadas por essa discussão. Artistas famosos também se mobilizaram,
existe uma música famosa que o Pavaroti e o U2 cantavam, feita neste contexto sobre o
que deveria se fazer naquela situação, situação de graves violações ao direito
humanitário. Havia uma comoção muito grande, mas ainda não se sabia o que fazer,
havia as propostas relacionadas a instituição do tribunal penal internacional e a partir
daí foi se constituindo essa percepção e se mudou a ordem internacional nesse sentido,
de considerar crimes internacionais passiveis de responsabilização de pessoas. Essa
ideia não era corrente embora nós tivéssemos que os ​tribunais a quo do passado,
tribunais que não foram propriamente estabelecidos pelas Nações Unidas, mas que
foram estabelecidos pelas nações vencedoras como vimos na aula anterior. Aí foi se
arraigando essa noção de direito internacional. Então a doutrina faz essa diferenciação
entre sujeitos de direito internacional, aqueles que propriamente tem direito e exercem
de obrigações e aqueles atores que mesmo não tendo diretos e obrigações participam.
Então, os grupos de pressões, as ONGS, os partidos políticos, todos aqueles que
possuem organizações internacionais, é o caso dos partidos liberalistas, partidos
socialistas, comunistas, eles participam de ONG’S internacionais, de organizações da
sociedade civil, e com tem uma série de agendas, participam da normatização
internacional, participam da discussão em torno de novos tratados e novas estratégias no
plano internacional, mesmo assim continuam não sendo ​sujeitos do direito
internacional. Embora tenham uma capacidade muito grande de interação, de influência
no plano internacional. Lembramos do fórum econômico mundial, formado por
empresários, ou seja, empresas multinacionais tem um papel importante, talvez seja até
maior do que deveria ter, mas essas empresas também condicionam normas
internacionais e discussões no plano internacional. Até alguns atores como os
mercenários que são criminosos, há uma serie de tratados internacionais relacionados a
proibição, a limitação das possibilidades de atuação destes criminosos que também
interfere nessa produção de normas, ou seja, cada vez os criminosos condicionam o
direito internacional, que influem nessa construção, mas eles não são sujeitos do direito
internacional, eles são geralmente atores em relação aos quais há normas que regulam a
sua ação/intervenção no plano internacional. Antes disso, de serem destinatários de
normas, eles participam do cenário internacional, eles interferem no debate das questões
internacionais sem ser sujeitos. Então, hoje, sujeitos do direito internacional são os
Estados, as Organizações Internacionais, o Indivíduo, o Meio Ambiente. Uma
observação é porque não é propriamente um ator, mas é um espaço de regulação
diferenciado, que há algum tempo atrás não se imaginava que o direito fosse regular,
como o espaço sideral, a natureza. Não é um ator internacional, já que um ator
internacional, a princípio é um agrupamento de pessoas ou organizações. Enfim, há uma
série de espaços regulados pelo direito internacional, mesmo não sendo sujeitos. Então,
estes sujeitos hoje e de acordo com o desenvolvimento histórico que nós vimos
anteriormente, o direito internacional surge como uma criação dos estados, os seus
únicos sujeitos eram os estados, reconhecidos até o início do Séc. XX, e a partir de
então com a criação das criação das organizações internacionais, as organizações
internacionais passam a ser entendidas como sujeitos que possuem direitos, obrigações,
a partir também da criação das Organizações Internacionais, o individuo passa a ser
paulatinamente reconhecido como um sujeito do direito Internacional.
Falemos, então do estado. Partindo da ideia estudada em d. Constitucional,
sabemos que existem alguns elementos que compõe o Estado. O que é um Estado? É
uma discussão da Política, daCiência Política e também do Direito, que também o
regula ou seja há uma regulação no plano nacional e uma regulação no plano
internacional. A regulação no plano nacional considera, sobretudo, como elementos
definidores a sua vida doméstica no plano nacional e a regulação no plano internacional
considera essa interação com outros estados, com Organizações Internacionais e com
indivíduos também, sujeitos do Direito Internacional. Uma definição importante sobre o
que é o estado está na convecção pan-americana de 1933, que dispõe sobre direitos e
deveres do estado, então vocês observam que existem convenções que regulam a vida
do estado, da mesma forma que existem convenções que regulam a vida dos tratados,
que definem o que são os costumes, as fontes do D. Internacional, temos as convenções
que definem os direitos e deveres do estado. Então, lá nos vamos ter uma definição que
é a seguinte: O estado como pessoa do D. Internacional, deve reunir os seguintes
requisitos, população permanente, Território Determinado, Governo, capacidade de
entrar em relações entre/com mais estados. Em primeiro Lugar é preciso que o estado
tenha uma população permanente, por que essa preocupação, pq se o estado tiver uma
população flutuante haverá duvidas sobre a capacidade de exercer soberania sobre essa
população que seja flutuante, é preciso que a população seja permanente, no sentido de
que ela não altera com tanta facilidade, claro toda população altera em termos de
quantidade, pode alterar em termos de etnia , mas em principio deve haver certa
regularidade nesta população, isto é importante para a estabilidade do estado e seu
reconhecimento no plano internacional. Depois nos vamos ver com relação a cada um
destes elementos como vamos caracterizar os estados, sobretudo algumas situações
particulares como o vaticano, a ONB e algumas cidades no mundo que tem um status
diferenciados, alguns estados também, que tem status diferenciados, veremos como se
justifica essa relação. Então você ver que a palavra permanente é um elemento
importante para a definição do conceito de população, não é qualquer população, mas é
população permanente, se o estado em principio não tiver com a população
determinada, ou seja se a população for flutuante, se pessoas saem e volta, e função,
por exemplo, de questões ambientais, questões relacionadas a natureza ou em função de
guerra, estaremos diante da duvida se aquele é realmente um estado, pq sua população é
flutuante e em principio a população deve ter caráter permanente.
O Segundo elemento é o território e o território deve ser determinado, aí tem
toda a discussão em torno da fronteira, é por isso que a fronteira termina sendo tão
importante na definição do estado. Ou seja, é preciso uma clareza, que alguns estados
latino americanos ainda hoje têm controvérsias, o Brasil resolveu esta questão, o
México. Ou seja, algumas questões de fronteira, mas que alguns países como Chile,
Venezuela, Colômbia, Bolívia, tem problemas com essa delimitação, mas isto não
descaracteriza a presença destes estados como territórios delimitados. Mas não poderá
haver dúvidas em torno de determinadas partes do território sobre a atuação do poder
estatal, o que não ocorre nestes países da américa latina, mas em outros lugares, com
situação muito severas como Israel e Palestina, onde não se sabe se há essa
caracterização do território determinado, algumas partes do mundo têm essa dificuldade.
Não cabe a nós esta interpretação, vai depender de quem faça a leitura jurídica/política a
respeito desta situação.
Além do território determinado, há a soberania, o Governo, certamente vocês já
ouviram falar em soberania como elemento do estado, mas a convenção fala em
Governo como elemento caracterizador da soberania, ou seja, se o estado não tem um
governo, ele muito menos poderá ter soberania. Então o governo é um elemento
essencial na definição da soberania, então a convenção considera que este é o elemento
essencial, a presença de um governo claramente constituído, que esse governo seja
respeitado no plano interno e reconhecido no plano internacional, ou seja, a dupla
definição da soberania, como se sabe. Então um governo para ser tido como governo é
aquele que tem essa capacidade.
Essa convenção de 1933, fala também num quarto elemento, para além do que
normalmente se coloca, a convenção faz referência também a capacidade de entrar em
relação com outros estados. Esse elemento é criticado pela doutrina, pois é evidente que
um governo tem que ter capacidade de entrar em relação com outros estados, é só
digamos assim uma ênfase que a convenção colocou com relação a esta dimensão do
estado, ou seja, aquilo que podemos entender como sendo a capacidade de exercer a
soberania no plano internacional, o reconhecimento no plano internacional, como se a
convenção falasse em governo, mas relacionado a um plano interno e essa capacidade
de entrar em relação com outros estados como a relação externa da soberania e é aí que
parte da doutrina diz que seria desnecessário falar desse quarto elemento, porque é parte
dessa discussão sobre soberania ou sobre governo. Só tem sentido falar em governo se
ele tiver essa dupla dimensão, ou seja, a capacidade de exercer a soberania no plano
interno, sendo reconhecido pela população e a capacidade externa no plano
internacional.
A cláusula Federal é aquela cláusula existente em alguns tratados, para mostrar
que independente da conformação do estado, que nós sabemos que um estado pode ser
organizado de forma unitária ou enquanto uma federação, a cláusula federal foi
estabelecida com o objetivo de clarear/esclarecer e mesmo tendo uma conformação
federal tem que haver uma clareza a quem cabe a responsabilização no plano
internacional e aí a cláusula federal ela vale para os estados com essa caracterização
federal, significa que quem responde no plano internacional é a união a menos que a CF
diga uma outra coisa, é o que ocorre com a constituição Norte Americana, eu já falei em
outra aula que o estado da Califórnia ao sair do território Mexicano, votou essa
exigência e foi aceita, ou seja, eles podem ratificar tratados, bom é uma situação que
encontra uma certa paridade em outros estados. Significa que no plano internacional,
quem se responsabiliza são os estados nação, é a união quando o estado tem uma
conformação federal. É uma solução para a criação da federação que estabelece
responsabilidades distintas entre entes da federação, a união, os estados e onde existem
os municípios, então que fique claro, que no campo internacional, apesar desta
conformidade quem responde são os estados nação, eles podem até exigir que a
responsabilidade depois seja atribuída no plano interno ao estado federal, mas em
principio a responsabilidade é do estado nação ou da união. Esse ponto gosta de cair em
prova! A cláusula federal é aquela que permite entender que mesmo o estado tendo uma
conformação federal, a responsabilidade internacional não é dos estados federados, mas
do estado nação, da união. Isso tem repercussões, por exemplo, na capacidade dos
estados, a capacidade dos estados tem a possibilidade de ser responsabilizado por várias
questões, na área ambiental, por exemplo, então digamos que há um desmatamento,
como tantos que ocorrem no território brasileiro, digamos que essa questão é levada a
um espaço internacional e se atribui uma multa em função do poluidor pagador,
segundo o principio do poluidor pagador quem paga? A União. Ela pode até pedir
ressarcimento, mas a obrigação é de ela pagar. Agora também a decisão relacionada aos
índios xucuru aqui de Pernambuco, houve uma condenação do governo brasileiro a
pagar aos xucurus 3.700.000,00 Dólares, cerca de uma terra em Pesqueira de onde
foram retirados e o seu cacique assassinado. A obrigação que a corte interamericana
definiu foi essa, ou seja, o estado não demarcou a terra, não garantiu a titularidade da
terra, então em função disso o governo brasileiro foi condenado a pagar esse valor, que
é um valor significativo, que dá mais de R$ 10.000.000,00 ao povo Xucuru. Então, cabe
ao governo brasileiro pagar, embora o governo de Pernambuco possa ser acionado pelo
governo federal para que restitua o valor, mas a obrigação é do governo federal de
acordo com a cláusula federal. Não entendi a pergunta (32:38). Resposta Jayme: O
reconhecimento da soberania? Eu diria em princípio, pq é compartilhada essa
responsabilidade, é uma possibilidade tanto da ONU, quanto das organizações
regionais, mas em geral, é mais do que tuno a ONU que cabe fazer o reconhecimento da
soberania, da existência do estado. Então toda vez que surge um novo estado, acaba que
antes de tudo cabe a ONU um reconhecimento, mas pode ser que caiba um
reconhecimento regional. Mesma pessoa que fez a pergunta anterior fez um comentário
(33:32) Resposta Jayme: Então, já estamos diante de situações s particulares onde ele
terá a mesma dúvida e poderá ter duvida se o estado tem a mesmo todos os elementos e
o direito tem situações que não é muito claro, embora não haja dúvida de que estão
diante de um estado e o grande exemplo disso é o Vaticano, que é reconhecido como
um estado e a gente pode se perguntar o pq. Que elementos o Vaticano teria e que
elementos ele poderia não ter? Talvez a maior duvida seja com relação a população
permanente, ou seja, no estado do Vaticano não se pode dizer ou até mesmo nessa
hipótese que a população é flutuante, que são aquelas pessoas que circulam por um
território muito pequeno, que é praticamente uma praça o Vaticano. Não resta dúvida de
que tem um território muito pequeno, que tem um governo que até legisla para além do
seu território, para todos os católicos do mundo, mas não se pode aceitar a ideia de que
a população do Vaticano são todos os católicos espalhados pelo mundo, como lá se diz
para justificar que seria um estado e que teria uma população permanente, do meu ponto
de vista a única explicação plausível seria a histórica, o vaticano já regulou a vida
internacional, já legislou internacionalmente, na época da segunda fase do D.
Internacional, de acordo com Adam Watson era ali ou na maior parte daquele período,
era o Vaticano quem regulava quando estabelecia tratados, resolvia conflitos, definia
também a vida particular das pessoas., até a forma como se faz sexo hoje em dia foi
regulada pela igreja, as bulas papais tudo isso foi determinado pela igreja., a forma
missionária de fazer sexo, foi determinada por uma bula papal, então é disso que
estamos falando, ou seja, tem soberania, tem soberania para além do seu território, mas
não se pode dizer que seja uma população permanente ou até mesmo que se tenha uma
população, pois cada um dos padres ou das pessoas que circulam ali tem a sua própria
nacionalidade, são nacionais de outo estado, não existe nacional do Vaticano, embora
ele tenha passaporte, ou seja da mesma forma que os nacionais de outros estados , ele
tem capacidade estatais.
Os principados são Estados tb, tem todas as capacidades, tem assento nas
Organizações Internacionais, assinam Tratados, são Estados pequenos, mas são Estados.
A OLP que não é, pelo menos por enquanto, há toda uma luta no sentido de a
OLP ou o Estado da Palestina seja um dia reconhecido no plano internacional, mas por
enquanto não há ou n houve essa possibilidade. Sobretudo pq não há uma... aí, eu vou te
perguntar, por que será ? qual o elemento que falta para a Palestina ter esse
reconhecimento? Ao meu ver, falta basicamente o Território determinado, ou seja, há
uma disputa territorial, e seus territórios , há uma duvida sobre quem tem autoridade
final sobre o território, se é Israel ou se é a Palestina, ou se é a OLP, ou o futuro Estado
da Palestina, e portanto ao mesmo tempo que há dúvida sobre o Território, há duvida
sobre o governo, se o governo é eficaz, se existe um governo com essa capacidade, se
fazer valer no plano interno e no plano internacional.
-Professor, para o senhor, o povo curdo está nessa mesma situação?
Professor: Os curdos? Sim, os curdos tb. Há dúvidas sobre, na verdade, não há
dúvidas, pois eles não são um Estado. E Quebec? Que tem representação em países é
uma das situações curiosas, particulares, pq não é uma cidade, mas tem um consulado,
que no caso é na França. P q? Por razões históricas, pela razão cultural, pela
proximidade, ou seja a língua aproxima, ou seja, essa condição lhe foi outorgada.
-Em relação à questão da Palestina? O Senhor n acha que mais do que dúvida
sobre a capacidade do governo, sobre a existência de território, não existia uma vontade
política?
Professor: Claro, claro. Falta o convencimento de Estados que são muito
poderosos, os EUA e Israel. Ou seja, eles n têm permitido que a Palestina tenha assento
permanente no Conselho de Segurança. Não permitindo que essa discussão evolua para
uma outra perspectiva. A presença dos EUA é muito forte, sobretudo em partes
governamentais, isso n tem como prosperar e o atual presidente. Então nesse caso, há
esse tipo de interpretação de que n existe território e governo claramente definidos.
As capacidades nos Estados, e aí é bom a gente observar que essas capacidades
já foram exclusivas dos Estados, alguns autores mais tradicionais, vão falar nessa
perspectiva, de capacidades exclusivas, mas isso vem sendo alterado ao longo do sec
XX, e isso vem sendo compartilhado com outros sujeitos do direito internacional. Essas
capacidades compartilhadas, a primeira delas é produzir atos jurídicos internacionais,
observamos na aula anterior, que parte da aula foi sobre atos unilaterais dos Estados, eu
falei dos atos, e ontem houve um ato unilateral de um Estado, qual foi?
-Os EUA saíram de o acordo nuclear com o Irã. Então aquele foi um ato
unilateral. Qual foi o ato unilateral? Além do tratado?
-Foi a denúncia.
-Isso mesmo. Foi uma denúncia de Tratado. Na verdade, um anúncio da
denúncia. Pq ele tem que ver o Tratado para saber a partir de qd se é feita a denúncia.
Mas até então é possível, ele n vai respeitar o Tratado msm, então se houver uma
cláusula dizendo que é de um ano e ele disser que a partir de já, vai ser. Pode até fazer
greve e tudo. Produzir atos jurídicos internacionais, em princípio essa é uma capacidade
dos Estados, mas hj ela é uma capacidade tb das Organizações internacionais, os
indivíduos da pessoa humana, eles n tem essa capacidade de produzir atos
internacionais, mas as Organizações internacionais sim, elas por exemplo, reconhecem
governos e soberanias. Então é uma capacidade que já foi exclusiva dos Estados, mas
hjé tb das Org. Int, a ONU, a OEA, o Conselho da Europa, que tem paridade com a
OEA, é uma organização de Tratados políticos da União Europeia, que é uma
organização de caráter, a organização de caráter político é o Conselho da Europa. Atos
que são ou eram exclusivos dos Estados, mas hj vemos tb que são partilhados pelas Org.
Internacionais. Aquilo que nós falamos anteriormente, responder com responsabilidade
por atos ilícitos internacionais, na área ambiental, na área humanitária... na área
humanitária menos, pq hj quem responde pela área humanitária são os indivíduos, mas
enfim, responder com responsabilidade por danos, por fatos ilícitos, do âmbito
internacional. Anteriormente, cabia apenas aos Estados essa capacidade, mas hj nós
sabemos que o individuo tb pode se responsabilizar por ilícitos internacionais, sobretudo
a partir de meados do Séc XX, chegou-se a conclusão, como nós falamos na aula
anterior, pq falamos de Tribunais internacionais, então nós vimos que há uma
capacidade internacional de responsabilizar o indivíduo em matéria de direito
humanitário, ou seja em situações que correspondam a guerras e conflitos aramados,
então crimes de genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra, são crimes
int, que demonstram essa capacidade de responsabilização do indivíduo, tudo isso
mostrando que o Estado já foi o grande sujeito do direito internacional, mas hj
compartilha algumas atribuições, responsabilidade e capacidade, com sujeitos do
Direito internacional, aí n tem mais o significado para o bem e para o mal, n tem mais o
significado de outros tempos, sobretudo na segunda fase do desenvolvimento do direito
internacional, então ele era o único sujeito do direito internacional.
A terceira capacidade: acesso aos procedimentos diplomáticos e jurisdicionais,
então aqui estão considerados os meios políticos e os meios institucionais. Ou seja, há
tribunais e eles existem, sobretudo para fazer discussões afetas aos Estados e tb para
responsabilizar Estados, mas hj nós sabemos que esse acesso n é exclusivo dos Estados.
Mas organizações internacionais tb participam desses procedimentos diplomáticos, a
própria ONU tem o que nós podemos entender como diplomatas internacionais, tem
mesmo uma diplomacia, até mesmo as Organizações não governamentais participam do
processo de Diplomacia, embora n sejam sujeitos, elas tem essa participação. Mas no
plano internacional, além dos Estados, a gente tem diplomatas que têm uma atividade
permanente no campo diplomático, ou seja, participam dos Tribunais, mas as org.
internacionais instituem os Tribunais, e no âmbito da diplomacia, tem toda uma
Diplomacia exercida pelos agentes da ONU, pelos agentes da OEA, pelos agentes do
Conselho da Europa e as diversas organizações que existem no plano internacional.
Quando formos ver o ponto que fala da cooperação com base nas organizações
da ONU, vamos ver que há um plano espaço de diplomacia exercido pelos funcionários
da ONU, com as limitações do direito internacional, mas certamente isso é uma
realidade.
Acesso aos procedimentos internacionais, diplomáticos e jurisdicionais, sim e os
indivíduos tb, sobretudo qd falamos dos procedimentos jurisdicionais, ou seja, os
indivíduos podem ser julgados, eles n julgam, mas podem ser julgados. E no âmbito
diplomático, não os indivíduos e tb n enquanto sujeitos de direito, mas cada vez mais
organizações de indivíduos participam.
A capacidade dos Estados serem membros, os Estados serem membros de org.
internacionais, ou seja, as org. internacionais foram criadas pelos Estados e eles são o
garnde membro de org. internacionais. Mas elas tb podem favorecer a criação de outras
org. internacionais, como tb instituir espaços internacionais entre Estados e org.
internacionais, há tratados que podem ser estabelecidos, envolvendo Estados e outras
org. internacionais. Há tratados que envolvem a União Europeia e o Chile, que é um
país que tem tido essa capacidade de fazer acordos com em vários planos internacionais.
E tem um tratado muito cobiçado e vários países individualmente da América Latina
vem tentando, mas n conseguiram ainda, mas o Chile tem esse acordo preferencial com
a União Europeia. Ou seja, um tratado envolvendo um Estado e o Estado poderia ser
outros Estados tb, envolvendo essa ação internacional. Então a org. internacional tem
capacidade de ser membro, nesse caso ai, talvez não seja o exemplo mais apropriado pq
tá falando de membro suplente de org. internacionais. Significa que org. Internacionais
podem ser membros ou participar como ouvinte, não necessariamente com direito a
voto, mas como ouvintes e, portanto interferindo nas discussões, a União Europeia está
presente no debate da ONU e em diversos outros espaços, pelo menos como ouvintes.
A grande diferença é essa, a União Europeia é uma organização supranacional, é
isso que gera tanta divergência no âmbitos dos Estados nacionais, pq os britânicos que
já dominaram o mundo, não querem ter sua vida regulada por esses espaços.
E a última capacidade é estabelecer relações diplomáticas e consulares com
outros Estados. Capacidade de se fazer representar por meio desses espaços
considerados diplomáticos e consulares. Essa já foi uma capacidade exclusiva dos
Estados, mas org. internacionais tb tem capacidade nos dias de hj. Sobretudo falando de
uma organização como a OMC, que é plenamente atividade diplomática e tem
participação nos Consulados e os Consulados têm capacidade muito pronunciadas, por
exemplo, em relação a capacidade econômica, potencializar a economia dos Estados. A
OMC certamente tem representações em vários Estados, e aí tem essa caracterização do
Estado como sujeito de direito internacional, é o principal, mas já n é mais o único,
como foi até o início do século XX.
Hoje nós temos tb as Organizações internacionais ou inter-estatais, para quem
prefira uma designação ou outra, e até quem critique a designação inter-estatais, pq
reduziria muito o sentido dessa organização, há uma participação estatal, há um
estatismo muito pronunciado nessa designação. E muitos preferem a designação
internacionais, que tem essas características de em primeiro lugar ser criada por um
tratado, por um tratado de fundação, como nós vimos, de acordo com as tipologias dos
tratados, a fundação ´é aquilo que institui uma org. internacional, o tratado é fruto das
vontades dos Estados, então toda ela é criada por Estados, mas vimos que hj tem
organizações que são instituídas com a participação de outras org. internacionais. Pelo
menos no processo de formulação das ideias, mas independente disso, uma organização
pode ter assento, ainda como status consultivo em outras org. internacionais.
A primeira coisa é entender que as org. Internacionais surgem pelas vontades
dos Estados. Isso é muito característico do mundo do passado, do mundo conforme
aquela descrição, de desenvolvimento de que Estados tem a grande ressonância no
plano internacional, isso ainda tem ressonância no plano internacional, embora seja um
sistema interestatal com outros sujeitos, indivíduos e org. internacionais, mas as org.
internacionais, são criadas em princípio por Estados. Mas uma vez sendo criadas, elas
tem uma vontade autônoma ou de acordo com uma certa idealização q existe no plano
internacional, elas têm uma capacidade de tomarem decisões, que é autônoma em
relação aos Estados. É evidente que n vou chegar aqui e dizer que a ONU tem
capacidade de tomar decisão independente da vontade dos Estados, sobretudo dos que
tem assentos permanentes no Conselho de Segurança. Mas a idealização feita no âmbito
da doutrina é que as org. internacionais têm, mas não se está querendo se isolar em
política essa definição que é bem mais jurídica.
É claro que uma coisa é a vontade dos Estados, então os Estados se reúnem e
criam uma org.internacional, essa organização vai tomar decisões e vai considerar a
vontade dos Estados, mas a sua decisão n se confunde com as decisões dos Estados
individualmente considerados. Ou seja, essas decisões tem vontade própria, autônoma,
considerando a política que é feito no plano internacional, considerando os Estado. Eu
costumo dizer que ONU, OEA, todas as org são livres para tomar suas decisões. Elas
consideram tb o poder de alguns Estados. E elas são regidas pelo direito internacional,
ou seja, tem uma base de regulação, n apenas legal, mas há costumes, há princípios que
se aplicam a essas orgs, ou seja, todas as fontes do direito passam a valer, ou seja, o
elemento mais importante aqui para gente entender, é que as org. internacionais
entraram e cada vez mais vêm entrando com força no cenário internacional, embora haja
limitações, mas já n é mais o mesmo do início do século passado, em que só os Estados
tomavam decisões. Só os Estados atuavam no plano internacional, elas tb participam da
tomada de decisões no plano internacional.
E a questão do mecanismo, tanto há mecanismos convencionais como não
convencionais. Nós veremos isso qd falarmos de proteção internacional do
meio-ambiente, dos direitos humanos. Veremos que há mecanismos, qd falamos
mecanismos são meios concretos, em oposição a instrumentos, ou seja, os instrumentos
que são normativos, e em relação aos instrumentos, há mecanismos, são os meios
através dos quais o mecanismo é implementado, então mecanismo é uma comissão, uma
comissão ambiental, de direitos humanos, ou seja. São meios através dos quais o
trabalho das organizações terminam tendo relevância e nós vamos ver que essas orgs
trabalham com essa lógica dos mecanismos, além dos instrumentos , é preciso ter meios
concretos, por meio dos quais os instrumentos vão se fazer valer. Nós veremos isso com
maiores detalhes qd falarmos de proteção internacional.
E a pessoa humana nós tb veremos com mais detalhes qd falarmos na proteção
internacional dos direitos humanos, qd falarmos de proteção na área do tribunal penal
internacional, e que há muito tempo essa discussão vem se colocando no plano direito
internacional, em torno de como regular o indivíduo? Ou o indivíduo deveria participar
das questões internacionais? N resta dúvidas de que o indivíduo tem problemas a serem
resolvidos, sempre teve com relação aos Estados, mas n se tinha clareza se o individuo
deveria ser sujeito de direito internacional, a forma anteriormente existente era a
proteção diplomática. Sendo o meio pelo qual havia necessidade de mediar os interesses
do indivíduo e essa mediação era feita pelos Estados. Ou seja, como só o Estado era
sujeito de direito internacional, não existiam tb orgs. Internacionais, muito menos o
individuo era reconhecido com capacidade no plano internacional, então era preciso
que o Estado o protegesse. A proteção eram patrimoniais, durante uma guerra, como
ficavm os bens , o proprietário, por ex, de uma empresa, ou mesmo n sendo empresário,
ele tinha aptos ou casas, fazendas, como fica isso diante de uma guerra ou para n falar
de guerra, um governo que n visse com bons olhos os estrangeiros que moravam em
determinado Estado, como ficava a propriedade, isso aconteceu aos montes, e a maioria
ficava sem proteção diplomática e o nacional tb, poir n haver interesse por parte do
Estado, n haver ate mesmo regulação e além da regulação, n haver os funcionários
contratados para fazer essa regulação, então isso causou ao longo sobretudo dessa
segunda fase do direito internacional, prejuízo para muita gente. Embora existisse um
instituto, o instituto da proteção diplomática, a regra era que as pessoas n tinham
proteção alguma, então hj em dia não significa que n exista mais esse instituto, mas a
regra mudou, em termos de se entender que o próprio indivíduo pode exercer direitos
internacionalmente, em matéria de direitos humanos, em matéria comercial, de
propriedade intelectual e tem uma serie de regulações, tem tratados, normas, costumes,
tem princípios, que consideram a necessidade de proteger o individuo, e há situações em
que o indivíduo é responsável por violações ao direito, ou seja, na área de direito
humanitário e isso é crescente em relação à historia da humanidade. Ou seja, é de 1946
o primeiro tribunal penal internacional, com todos os problemas que ele teve, e depois
os tribunais deixaram o âmbito da ONU, 1993/1994, ou seja, antiga Iugoslávia, e em
1998, Tribunal Penal Internacional, estamos falando de uma realidade muito nova. Que
revelam isso, a capacidade do individuo n só exercer direitos, mas se responsabilizar,
isso e uma mudança muito grande com relação ao que se entedia sobre a subjetividade
internacional, então hj, pode ser que mude com o tempo, provável que sim, mas hj se
entende como sendo essas 3 capacidades: os Estados, as org. internacionais e os
indivíduos ou a pessoa humana.

11. Aula 11 (aula do dia 14/05) - ​PRINCIPAIS TRATADOS


INTERNACIONAIS

Organizações Internacionais
- Pacto da Sociedade das Nações (1919)
- Carta das Nações (1945) + Estatuto da Corte Internacional de Justiça (1945)
-Carta da Organização dos Estados Americanos (1948)
- Tratado de Cooperação Amazônica (1978)
- Protocolo de Emenda ao Tratado de Cooperação Amazônica (1998)

Direito dos Tratados


- Convenção de Havana sobre Direito dos Tratados (1928)
- Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados (1969)
- Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados entre Estados e Organizações
Internacionais ou entre Organizações Internacionais (1986)

Relações Diplomáticas e Consulares


- Convenção de Viena sobre relações diplomáticas (1961)
- Convenção de Viena sobre relações Consulares (1963)

Listagem incompleta
Vocês podem ver por aí que tem uma regulação do espaço internacional em dias
atuais bastante ampla. Em relação as Organizações Internacionais, que nós tivemos uma
aula anteriormente, que foi sobre os sujeitos – subjetividade internacional-, vimos que
são um desses novos sujeitos criados a partir do séc. XX. E hoje vamos tratar sobre os
Tratados que regulam a atividade das Organizações Internacionais, que fundam
Organizações Internacionais.
Há uma gama enorme de Organizações Internacionais, muitas das quais
vinculadas a ONU e algumas vinculadas a outas organizações internacionais, dentro
disso que nós podemos entender como “arquitetura internacional”, que tem validade a
partir do início do século XX.
Então, nós podemos falar de uma nova ordem mundial, a partir da 3ª fase
(relacionada ao desenvolvimento, a evolução da sociedade internacional, de acordo
com Adam Watson), quando temos a inauguração de um outro momento completamente
diferente do que se tinha anteriormente, com limitações, como nós sabemos, pois são
grandes limitações do sistema/sociedade/comunidade internacional, mas nós temos um
adensamento das possibilidades de regulação, incluídas a partir dos Tratados. Então
vejamos aqui alguns desses Tratados.
Primeiro lugar, ou seja, em relação a Organizações Internacionais, tivemos o
Pacto da Sociedade​, de 1919, que inaugura, juntamente com a criação da OIT, as
Organizações Internacionais. É o tratado que institui, que funda a Liga das Nações.
A ​Carta das Nações​, de 1945 - momento em que o sistema tem aí um revés,
com a eclosão da 2ª Guerra Mundial. Por isso, quando a guerra acaba nós temos o
surgimento da Organização das Nações unidas com a Carta das Nações e o ​Estatuto da
Corte Internacional de Justiça​. Esse último é um adendo, é um anexo da Carta das
Nações, ou seja, faz parte daquele tratado.
A ​Carta da Organização dos Estados Americanos​, poderíamos falar da
organização em outros âmbitos regionais, mas vamos nos contentar aqui, mas nos
limitar a falar das organizações no âmbito regional da nossa região. Então a Carta da
Organização dos Estados Americanos, de 1948, em que institui a Organização dos
Estados Americanos - OEA.
Então nesses tratados nós vamos encontrar normas, em primeiro lugar, de
fundação, que instituem esses tratados e que vão ter toda uma série de princípios, de
normas reguladoras para a vida dessas fundações.
O Tratado de Cooperação Amazônica​, de 1978. Os Estados que estão no
território amazônico, como é o caso da Colômbia, como é o caso do Brasil, da
Venezuela, e outros Estados da América do Sul, têm uma série de iniciativas voltadas a
cooperação no ambiente amazônico. E o ​Protocolo de Emenda ao Tratado de
Cooperação Amazônica​, que é 1998.
Sobre direito dos tratados, ou seja, temos também tratados que regulam a vida, a
existência dos tratados. Então a ​Convenção de Havana sobre o direito dos tratados, de
1928, ou seja, é anterior a ONU, sob a égide das Liga das Nações, que é a convenção
que eu pedi que vocês dessem uma lida. Eu pedi para vocês lerem sobre a Carta das
Nações, A Convenção de Viena sobre o direito dos tratados e também, e falando da
Carta das Nações, o Estatuto também. Nós precisaremos ter depois uma em que
falaremos sobre o conteúdo desses tratados, por que vocês precisam começar a entender
o sentido tratados.
A Convenção de Viena Sobre o Direito dos Tratados ​entre Estados e
Organizações Internacionais ou entre Organizações Internacionais​, ou seja, vemos
aí a possibilidade de tratados envolvendo organizações e estados e envolvendo as
organizações internacionais, o que mais uma vez corrobora essa ideia de que estamos
diante de sujeitos típicos do Direito Internacional, as Organizações Internacionais.
Sobre as Relações diplomáticas também temos tratados sobre essa questão
específica, que só em termos exemplificativos, ou seja, ​Convenção de Viena sobre
Relações Diplomáticas​, de 1961; ​Convenção de Viena sobre Relações Consulares​,
de 1963. Na área da segurança internacional, essa é uma área que preocupa sobretudo os
Estados e as Organizações Internacionais, então tem uma densa legislação, legislação
não, mas tratados normativo internacionais a respeito do tema, então Protocolo de
Genebra sobre o emprego na guerra de gases asfixiantes, tóxicos ou similares; Tratado
de Renúncia à Guerra, de 1928; Tratado de Proscrição das experiências com armas
nucleares sobre a atmosfera, no espaço cósmico e sob a agua; Tratado de não
proliferação de armas nucleares, de 1968, tratado que a rigor conta com uma regra que
diferencia os estados e é muito criticado com isso, por que alguns estados podem ter
armas nucleares e outros não podem, e digamos que isso fere um princípio básico do
direito internacional, do direito, o princípio da isonomia.
Pergunta de Aluna: “Foi esse o que Trump anunciou que
iria sair, professor?”
Jayme: “Não, o que ele anunciou que iria sair foi um
tratado específico com o Irã, tratado para que o Irã controlasse
armas nucleares”. O tratado de proibição completa dos testes
nucleares, de 1996.
O espaço marítimo tem várias convenções, mas essa, a ​Convenção das Nações
Unidas sobre Direito do Mar​, conhecida também como Convenção de Montego Bay,
que institui inclusive o Tribunal do mar. O espaço cósmico também tem regulação em
termo de tratado, com aquela perspectiva de o espaço cósmico não pode ser objeto de
soberania, de definição ou de declaração de soberania, então o ​Tratado sobre os
Princípios Reguladores sobre a Atividade dos Estados na Exploração e uso do
Espaço cósmico, inclusive a lua e demais corpos celestes​, de 1967. A gente pode
imaginar o porquê em 1967, ou seja, durante a Guerra Fria, e podemos ver a
preocupação das duas potências da época, de que se uma chegasse ao espaço cósmico e
declarasse soberania, então é isso que está por trás desse tratado. ​Convenção relativa
às infrações e a certos outros atos cometidos a bordo de aeronaves​.
Pergunta de Aluna: “Essa Convenção das Nações Unidas
sobre o Direito do Mar tem a ver com os conflitos também?
Jayme: “Tem, tem a ver com conflitos no mar. Por isso
mesmo que existe o Tribunal do Mar para resolver os conflitos.
A convenção regula e o Tribunal resolve os conflitos, sobretudo
entre Estados, mas as empresas transnacionais também podem
participar desses julgamentos”.
As zonas polares – também se busca que elas não sejam objeto de soberania,
então é o caso do ​Tratado da Antártida​, ou seja, define aquele região como que pode
ser estudada, os Estados podem estar lá presentes, desde que tenham recursos
financeiros para desenvolver as pesquisas, para ter os seus pesquisadores lá, mas eles
não podem declarar soberania sobre a Antártida. ​Protocolo do Tratado da Antártida
sobre a proteção do meio ambiente, ​1991, e ​a Convenção para preservação dos
recursos vivos marinhos da Antártida​.
O que é que estamos vendo aqui? Que há uma busca por regular determinados
espaços, como é o caso dos espaços cósmicos e é o caso também dos espaços
marítimos, dentro de uma perspectiva que supera aquilo que nós vivemos a partir de
1492, ou seja, com a conquista da América, em que aconteceu a definição desse espaço
como de dominação, do gozo da discussão em torno da soberania, que foi declarada
como conquista. Busca-se que os novos espaços que possam ser objeto de estudo de
chegada que não se venha a repetir a história da conquista, então é isso que está por trás
es tratados e só é possível tê-los em função dessa 3 fase, apesar de todas as limitações
do Direito Internacional de hoje, ela permite essa regulação desses espaços.
No Comércio Internacional, o principal tratado é o que institui a Organização
Mundial do Comércio, que tem todo m sistema de solução de controvérsias específico.
No âmbito da integração regional, como nós sabemos, tem uma série de
desenvolvimentos nessa área, que estão especificamente os Tratados Relativos ao
Mercosul e que está bem “?”. O Tratado para a constituição comum entre a República
argentina, a República federativa do brasil, a república do Paraguai e a república do
Oriental do Uruguai, de 1991; o Protocolo adicional acional ao Tratado de Assunção, o
Protocolo de Ouro Preto; o Protocolo de Olivos sobre resolução de controvérsia, ou
seja, que institui o Tribunal Arbitral, no âmbito do Mercosul; O Acordo de Admissão de
Títulos e Graus Universitários para o Exercício de Atividades Acadêmicas nos Estados
Partes do Mercosul, de 1999, sendo assim relativamente recente essa preocupação com
os títulos acadêmicos cursados nos países; e o Acordo-Quadro sobre Meio Ambiente no
Mercosul, que é de 2001. Fora isso tem uma série de outros tratados no âmbito do
Mercosul.
Em direito do trabalho também tem uma normativa específica e muito
abundante, da constituição internacional do trabalho é o principal texto (????). Na área
dos Direitos Humanos, uma série de normas da ONU, da OEA. No âmbito da ONU, o
pacto dos direitos civis e políticos, o pacto internacional de direito (???) (inaudível), a
convenção sobre eliminação de discriminação racial, sobre eliminação de todas as
formas de descriminação contra a mulher, a convenção contra a tortura e outros
tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes, de 1984; a convecção sobre direitos da
criança; a convenção americana sobre direitos humanos, ou seja, da OEA; a convenção
interamericana para prevenir e punir a tortura, a Convenção Interamericana para
prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher.
E no âmbito do direito humanitário, só algumas delas, como: a convenção (???)
(inaudível), de 1949, que eu já fiz referencia aqui que um cidadão chamado Rafael
Lenki, polonês que teve a família exterminada durante a 1 guerra, foi uma figura
fundamental para que se criasse o crime de genocídio, que só foi criado depois da 2
guerra, em 1949; O Estatuto de Roma que institui o Tribunal Penal Internacional; o
Estatuto do Tribunal Ad hoc para (???) ; e o Estatuto do Tribunal ad hoc para Ruanda.
Eu deixei de fora os tribunais ad hoc que não fizeram parte da ONU, como Nuremberg e
Extremo Oriente, que são aqueles famosos tribunais instituídos pelos vencedores, mas
não no âmbito de uma organização internacional.
E sobre direito dos refugiados, a Convenção Relativa ao Estatuto dos
Refugiados, de 1951, Protocolo sobre estatuto dos refugiados, de 1966. Direito
Internacional privado, para gente não ficar só com o direito internacional público, a
Convenção de direito internacional privado, o famoso Código de Bustamante, de 1928,
portanto anterior a ONU; o Estatuto da Conferência de Haia; Convenção sobre
Prestação de alimentos no estrangeiro; Convenção Interamericana sobre obrigação
alimentar; entre outras.
Ou seja, volto a dizer, esse quadro aqui vemos que há uma regulação muito
ampla e nós vamos estudar especificamente algumas situações, e espero que nas ultimas
aulas tenhamos uma avaliação diferente, em termos de seminário e em grupo possamos
estudar algumas decisões do Tribunal do Mar, da Corte Internacional de Justiça, da
Corte interamericana de direitos humanos, da corte europeia de direitos humanos, dos
tribunais penais, entre outras possibilidades. Que possamos estudar essas decisões em
analise com a normativa internacional e fazendo discussões sobre o caráter jurídico
político dessas. Então é isso que eu vou querer, por isso também o sentido de estar
mostrando isso aqui. (Continua falando que o assunto tá em bom andamento).

COOPERAÇÃO SOCIAL E ECONÔMICA MUNDIAL


Fundamentos:
Jurídico -> Carta das Nações
- Preâmbulo: “promover o processo social e melhores condições de vida dentro de
uma verdade mais ampla
- Art. 1º: Objetivos
Político:
- Regulação do espaço internacional
- Superação de desníveis de desenvolvimento
- Evitar guerras por motivos econômicos

ECOSOC – arts. 62º e 64º

Agências especializadas:
1. Cooperação Econômica: ​BIRD; FMI, OMC​, FAO, OMPI; UNIB.
2. Cooperação Social: DIT; OMS; UNESCO.
3. Cooperação em Comunicação: UPU; OAC; OMM; UIT.
4. Cooperação em Outras Áreas: OMI; AIEA; OMT; OPAQ.

Não sei se nessa aula ainda ou na próxima falaremos do Banco Mundial, FMI e OMC,
que são as três organizações que normalmente os programas de Direito Internacional
pedem para a gente falar apenas dessas, ou seja, dentro de uma concepção de
cooperação econômica. Mas eu acho que a gente precisa entender mais do que a
cooperação econômica, entender que tem várias agências da ONU, pois estamos falando
aqui de cooperação no âmbito da ONU, não no âmbito da ONU e de outras
organizações de caráter regional. Não vamos entrar na OEA, não vamos entrar no
Conselho da Europa... vamos tratar apenas da cooperação no âmbito global. Então são
essas organizações aqui e começamos a falar sobre, digamos, o fundamento, o
fundamento jurídico político, para que tenhamos essas organizações.
E como eu falava anteriormente, essas três principais aqui, ou tidas por alguns autores
como as principais, são aquelas que em geral estão nos programas de direito
internacional público, tendo uma centralidade, uma importância para o bem e para o
mal, o FMI, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio. Mas vamos para
o fundamento jurídico e o fundamento político delas.
Vamos encontrar o ​fundamento jurídico delas na Carta das Nações. Em primeiro lugar
no preambulo, no qual há a fundamentação para que haja a criação de organizações de
caráter econômico ou de cooperação econômica dentro da ideia de promover o
progresso social e melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla.
Então eu queria perguntar para vocês, dentro das aulas que nos tivemos sobre as teorias
que fundamentam o direito internacional e as relações internacionais, sobretudo essas
ultimas, como é que podemos classificar esta regulação aqui?
Resposta da sala: “é o idealismo é?”
Jayme: “Exatamente. É o Idealismo, o liberalismo.”
Ou seja, promover o progresso social, de melhores condições de vida dentro de
uma liberdade mais ampla, nada mais liberalista/liberal que essa vinculação de
“liberdade mais ampla”. Aliás, essa é uma expressão que ficou consagrada e tem um
artigo do KOOFE A NAM, que foi secretário geral da ONU, que tem esse título “dentro
de uma liberdade mais ampla”, para chamar atenção dentro dessa expressão, desse
princípio, dessa ideia.
E vamos encontrar no artigo 1º da Carta das Nações os objetivos:
Artigo 1. Os propósitos das Nações unidas são:
1. Manter a paz e a segurança internacionais e, para esse
fim: tomar, coletivamente, medidas efetivas para evitar ameaças
à paz e reprimir os atos de agressão ou outra qualquer ruptura da
paz e chegar, por meios pacíficos e de conformidade com os
princípios da justiça e do direito internacional, a um ajuste ou
solução das controvérsias ou situações que possam levar a uma
perturbação da paz;
2. Desenvolver relações amistosas entre as nações,
baseadas no respeito ao princípio de igualdade de direitos e de
autodeterminação dos povos, e tomar outras medidas
apropriadas ao fortalecimento da paz universal;
3​. Conseguir uma cooperação internacional para
resolver os problemas ​internacionais de caráter econômico,
social, cultural ou humanitário, e para promover e estimular
o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais
para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião​; e
4. Ser um centro destinado a harmonizar a ação das
nações para a consecução desses objetivos comuns.
Aqui está o fundamento jurídico para a cooperação internacional “Conseguir
uma ​cooperação internacional ​para resolver os problemas ​internacionais de caráter
econômico, social, cultural ou humanitário, e para ​promover e estimular o respeito
aos direitos humanos e às liberdades fundamentais para todos​, sem distinção de
raça, sexo, língua ou religião”, da definição desse e de outros objetivos, a ONU foi se
organizando para ter agencias para a cooperação internacional.
E o fundamento político, em primeiro lugar, a regulação do espaço internacional.
Estamos vendo que dentro de todo o desenvolvimento histórico do Direito Internacional
ou da Sociedade Internacional não se imaginava essa possibilidade, ou até o séc. XIX,
pois pouquíssimas foram criadas até essa data e nem como organizações internacionais,
mas como organizações de direito interno, sobretudo na suíça. A suíça tem um papel
importante no desenvolvimento dessa situação, por que é um Estado que muito
incialmente desenvolveu capacidades e não é a toa que boa parte dessas organizações,
dessas agencias, está sediada na Suíça, por que se colocou como um estado aberto, e até
pouco tempo se dizia como neutro, estado que se colocou à disposição da ONU. Por
isso também muitos autores são suíços, desenvolveram a narrativa, desenvolveram os
princípios com base neles próprios, a partir deles e de seus posicionamentos.
Então hoje, nós temos uma série de organizações e que representam essa
regulação do espaço internacional. Não se imaginava a grande maioria das pessoas e dos
governantes, sobretudo dos governantes, não imaginavam a possibilidade de regulação
para todas essas matérias no plano internacional, por conta de que a soberania não
permitia, ideia essa proveniente lá do absolutismo, não permitia a regulação no plano
internacional. A situação, por exemplo, do comércio internacional, a regra era que todo
Estado pudesse competir como quisesse, realizar seu comércio nas condições que
quisesse. Na área da propriedade intelectual, vamos dizer que essa discussão só tem
pertinência hoje? Não, já existiam discussões relacionadas a ideia de propriedade
intelectual. Na área do patrimônio público, também já havia uma serie de tensões, de
necessidade de regulação, mas não havia era o acumulo de discussão em torno de que o
espaço internacional deveria regular essa matéria.
Em matéria de regulação na área econômica, ou seja, será que uma organização
internacional deve cooperar com os Estados para que eles saiam de crise? Ou para que
eles desenvolvam capacidades econômicas? Então havia tensão, mas não havia a
compreensão da necessidade de regulação do plano internacional e o grande óbice era a
soberania.
A superação de desníveis no desenvolvimento, ou seja, os Estados em níveis
diferenciados de desenvolvimento. Nós ainda hoje vemos isso, e como têm diferenças
na capacidade de desenvolvimento dos Estados e essas organizações viriam de uma
perspectiva idealizada, ou seja, uma perspectiva idealista, essas organizações viriam
para favorecer um desenvolvimento mais equânime dos Estados. Então um Estado, por
exemplo, o Haiti, a Costa Rica... como é que se desenvolve num conjunto onde temos
estados com muito mais capacidade? Mas isso vale para todos os Estados. Ou seja, há
Estados que alcançaram um nível de desenvolvimento econômico enquanto outros não,
ou enquanto outros estão num patamar de em desenvolvimento. Então é preciso ter
organizações, diziam os liberais/ idealistas, e a arquitetura está aqui, temos
organizações, pelo menos do ponto de vista formal, que o seu objetivo é favorecer o
desenvolvimento mais equânime dos Estados. Mas depois, ao longo do curso, vamos
ver se essas capacidades realmente são cumpridas, se esses objetivos são para valer, se
os Estados que compõe a ONU realmente estão querendo levar a sério essa história de
cooperação internacional... ou se não passa de uma idealização, de um discurso.
Objetivo político​, que também é orientado pelo idealismo, que evitar guerras
por motivos econômicos. Ou seja, guerras do passado todas foram orientadas, definidas,
em elementos econômicos por trás, ou se não todas, mas boa parte delas. Mas eu diria
todas, pois mesmo as para guerras para definir fronteiras eram, no fundo, pautadas na
discussão econômica em torno do valor do território, seja marítimo, seja solo, seja no
ar... tudo está relacionado a um valor econômico, então, é por aí.
Tem uma referência aqui ao ECOSOC, que é o Conselho Econômico e Social da
ONU. A Carta das Nações, uma das coisas que ela faz é estabelecer os poderes da ONU,
e um deles trata do Conselho Econômico e Social, principalmente no artigo 62 e 64 a
definição dos poderes desse conselho, que são a coordenação das atividades na área da
cooperação econômica e social. Por tanto, em princípio, o Conselho Econômico e Social
deveria articular as agências da ONU em matéria de cooperação internacional, para
fazer com que uma contribuía com a outra, mas isso não vem sendo feito a contento. Na
realidade, essas organizações tem uma autonomia muito grande, sobretudo as de caráter
econômico, e em muitas ocasiões elas como que competem entre si e instituem
estabelecem objetivos conflitantes, sobretudo as de caráter social e econômico.
Enquanto o FMI diz para segurar as contas, governos devem manter as contas em
ordem, gastar pouco, as de caráter social vão procurara fazer a distribuição de renda.
Então as organizações/agências especializadas são essas aqui.
Cooperação Econômica:

- Banco Mundial - ​Numa visão geral, ao Banco Mundial, em princípio, cabe


permitir cooperação entre a ONU e os Estados procurando permitir que as empresas e os
Estados possam elevar o padrão de desenvolvimento no âmbito nacional. Então, há uma
série de projetos de desenvolvimento que são financiados pelo Banco Mundial. Existe
todo um sistema de financiamento. Vale ressaltar que esses recursos tem um caráter
diferenciado dos FMI, esses juros não são os juros altos de mercado praticados pelo
FMI. São juros menores, digamos assim. Essas duas organizações foram criadas na
mesma época, 1944, dentro dos Acordos de Bretton Woods. Foram criados dentro dessa
cultura internacional e existem muitas críticas à estrutura de modo geral. Em síntese, os
Estados contribuem com esse financiamento e recebem recursos do Banco Mundial.
Esses recursos tem um teor diferenciado do financiamento do FMI que veremos mais
pra frente.
- BIRD
BIRD ≠ O BID
BIRD é o Banco Internacional para Construção e Desenvolvimento e O BID é o
Banco Interamericano de Desenvolvimento. Ambas organizações possuem o mesmo
sentido: favorecer o desenvolvimento entre Estados da Região das Américas. Existe um
acordo entre esses bancos para que eles não financiem as mesmas iniciativas. A ideia é
que eles sejam complementares.
- FMI ​(Fundo Monetário Internacional) possui o objetivo formal, teórico, em
princípio, de ser uma organização que reorganize as contas dos Estados que estão em
crise. Ao assumir compromissos com o FMI, o Estado fica obrigado a adotar a cartilha
do FMI.
Aluno: Naquela aula de princípios, o senhor disse que
um dos princípios do direito internacional é a soberania.
Fazendo o adendo com a noção de Alf Ross de que algumas
palavras do direito servem apenas como instrumento de
representação e só se baseiam em significados, essa cooperação
econômica não seria uma forma de dizer a alguns Estados que
eles se submetam a certas diretrizes da OMC, Banco Mundial,
FMI, invadindo, assim, a esfera da soberania desses países?
Tendo em vista que, quando um país tá em crise, ele é obrigado
a fazer ajustes, contingenciamento, demissões, e se ele quiser
sair da crise ou pelo menos um indicativo de que ele vai sair
dessa crise, ele tem que seguir essas diretrizes. Não seria uma
quebra ao princípio da soberania, a imposição dessas regras?
Prof: Se a gente colocar em termos de imposição, sim.
Todas essas áreas de cooperação são necessárias, os Estados não
podem viver ilhados. Os Estados precisam cooperar na área
econômica, social, na área de comunicação. Quando a gente
chegar na área da comunicação a gente vai ver a urgência,
necessidade de existir uma regulação acerca das cartas, aviação
civil internacional...
O problema talvez esteja, no meu ponto de vista, na forma pela qual o poder é
organizado. Estamos falando de um mundo liberal, um mundo idealizado, e sobretudo
do ponto de vista político, nos princípios liberais. Aí vem o realismo e tempera com
uma série de elementos.
O FMI e o Banco Mundial são extremamente hierarquizados, a OMC nem tanto.
O problema não está na regulação, e sim na organização do poder. O poder não trata os
países de forma igual. Alguns países têm mais poder econômico e isso reflete no poder
político também. O FMI vai levar mais dinheiro para quem empresta, o Bando Mundial
a mesma coisa. Se mantem uma lógica aí de cooperação.
Aluno: Até porque os diretores do Banco Mundial e do
FMI nunca foram oriundos dos países emergentes, né?
Prof: Exatamente.
Aluno: O último diretor da OMC foi Bernardo Azevedo,
um brasileiro, né?
Prof: Isso também é a diferença da estrutura. O diretor do
Banco Mundial é sempre um norte americano e o do FMI é
sempre um europeu por conta de um acordo entre norte
americanos e europeus. Isso se relaciona com a estrutura
econômica mundial, com esse tempero realista dentro de uma
proposta idealista.
- A OMC ​(Organização Mundial do Comércio) ​já tem uma conformação política
mais atual. Não vamos dizer que seja a melhor formação ou que tem a formação mais
democrática. Porém, ela tem uma conformação mais democrática do que FMI e Banco
Mundial. Há vozes inclusive trabalhando para que essas duas organizações sejam
revistas, modernizadas para que os Estados mais poderosos economicamente não
possuam o poder político que tem nos dias atuais.
A FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura)
trabalha com a questão da fome da alimentação, ou seja, também da área econômica,
que é uma organização que está entre a cooperação social e a econômica, sendo
geralmente caracterizada pelos autores como econômica. Há uma série de iniciativas
que veremos detalhadamente na próxima aula.
A OMPI ​(Organização Mundial da Propriedade Intelectual) é uma organização
que tem como preocupação a regulação em matéria de propriedade intelectual e a
própria solução de controvérsias nesse âmbito. A OMPI trabalha com cooperação no
âmbito industrial entre as indústrias e a ONU. Digamos que em alguns países existem
processos industriais que favorecem o desenvolvimento, então é importante que esses
processos sejam levados para outros países. É nessa lógica que a OMPI trabalha.
Muitas dessas organizações combinam a regulação na matéria que elas
trabalham com a solução de controvérsias. É o caso da OMC, a qual possui um órgão
específico para isso. Vários órgãos também possuem um órgão especifico para solução
de controvérsias ou meios para tal.
Cooperação Social:

A cooperação social tem um caráter mais abrangente, estando preocupada com o


desenvolvimento social. São três organizações:
- ​OIT (Organização Internacional do Trabalho) foi criada juntamente com a
Liga das Nações, dentro de uma perspectiva de se estabelecer um padrão mínimo de
proteção para o direito do trabalho no plano internacional. Na época existia uma disputa
ideológica muito grande. O marxismo estava muito em evidência por causa da
Revolução Russa e é nesse contexto que surge a OIT, uma organização que de certo
ponto de vista vai dar espaço para os direitos sociais e ao mesmo tempo, em uma
perspectiva liberal, vai atuar no sentido de impedir o desenvolvimento de tais ideias,
para que não ajam outras perspectivas “socializantes”. Vamos ter uma série de tratados
e também teremos soft law, ou seja, com normas flexíveis ou não convencionais. Uma
boa tradução é essa: ‘normais não convencionais.’
Aluna: Isso (soft law) só em relação a cooperação social?
Prof: Não. Com relação a todas elas. Aqui eu lembrei que na cooperação social
elas estão muito presentes, mas elas podem estar presentes em várias dessas normas de
cooperação.
Na OIT, vamos ter tanto hard law, ou seja, tratados, quanto soft law, as normas
que surgem por meio de regulações específicas e que terminam chegando aos Estados
como guias, regulamentações, os manuais, uma série de elementos que servem como
guia para que os Estados possam adotar determinadas práticas. A OMS trabalha muito
com soft law. Essas normas são definidas no espaço da diplomacia. No caso da OMS,
por exemplo, essa norma chega por meio de uma guia, de uma recomendação, de um
manual dizendo mais ou menos que determinados Estados para ter uma saúde adequada
deveriam agir de determinada forma, ter leis de determinada forma.
Aluno: A OIT já se pronunciou formalmente sobre a
reforma trabalhista?
Prof: Sim. Foi contra a reforma.
Aluno: O senhor pode dar algum exemplo de soft law da
OMS porque tipo nos outros países não tem SUS. Por que essa
influência?
Prof: Um problema de saúde que temos aqui no Brasil,
por exemplo, é o grande índice de mortalidade de mulheres que
morrem durante o parto. Foram feitas várias pesquisas, vários
estudos. Médicos que se reuniram em congressos com a
participação da ONU chegaram à conclusão de que para evitar a
morte de tantas mulheres é preciso fazer isso, isso e isso, ou
seja, é necessário que certas recomendações sejam adotadas.
- ​Unesco também tem soft law e trabalha com a manutenção do patrimônio
imaterial. Vamos ver também como a UNESCO trabalha em termos de cooperação.
(alguém falou algo em relação a UNICEEF)
Prof: A UNICEF é vista como um programa, não é
entendida como uma agência visto que essas agencias tem certa
autonomia. No futuro pode ser vista como agência.
Cooperação em Comunicação:

- A UCU (União Postal Universal) é aquilo que eu estava falando sobre


comunicação, para que comunicações postais cheguem aos outros países. É preciso que
tenham tratados entre os Estados, convênios, padrões mínimos. Em suma, a UCU
procura garantir que as cartas cheguem ao destino.
- A OACI ​(Organização de Aviação Civil Internacional) faz o controle de todas
as rotas aéreas para que não há problemas.
- O OMM ​(Organização Meteorológica Mundial) - a partir de um determinado
momento, surge a necessidade de cooperação entre os Estados nessa matéria.
- A UIT (União Internacional de Telecomunicações) regula as ondas de rádio
para que exista TV, internet.
Cooperação em Outras Áreas:

(nesse momento da aula ele realmente só cita algumas organizações)


A OMI​ (Organização Marítima Internacional)
A EIA (Agência Internacional de Energia Atômica) regula das armas nucleares,
enriquecimento de determinados elementos como o urânio.
A OMT​ (Organização Mundial de Turismo)
A OPAC ​(Organização para a Proibição de Armas Químicas) possui essa
preocupação com a segurança internacional.
Isso se relaciona com aquela noção de cogência. Uma agência como a Agência
Internacional de Energia Atômica eu diria que tem cogência máxima em relação aos
Estados que são controlados. Em relação aos Estados que não são controlados
certamente eles podem continuar tendo armas nucleares.
Vale ressaltar que os estados que tem assentos permanentes Conselho de
Segurança da ONU tem poderes para ter armas nucleares porque se supõe que eles têm
responsabilidade para usar em situações muito graves. Não se permite ao resto dos
países para não se ampliar as possibilidades de conflito no cenário internacional.
Baseado nisso que foi assinado o acordo de não proliferação de armas
nuclaeares.
Aluno: Como foi o caso do Paquistão?
Prof: Houve uma aceitação no contexto da guerra fria.
Tanto os Estados Unidos quanto a URSS fecharam os olhos para
tal situação. Está acontecendo hoje a mesma coisa do ponto de
vista americano com o Irã. É por isso que eles estão tentando
limitar a produção das armas nucleares. A agencia realiza o
monitoramento dos países. O Brasil foi visitado várias vezes, as
Usinas de Angra dos Reis. Voltaremos a falar disso nas
próximas aulas.
Outro Aluno: Isso é tudo teórico também, né? (inaudível)
O tratamento com um (inaudível) é um, com um coreano é
outro. (inaudível) Então se trata diferente até como vai intervir...
Então você começa restringir a soberania dos países em função
de impedir que ele tenha essa arma atômica. Apesar de eu ser
contra a arma atômica, isso acaba sendo um fator de negociação
fortíssimo em qualquer mesa internacional.
Prof: Com certeza.
Outro aluno: (inaudível) Então, pra esses países, possuir
uma arma atômica é questão de sobrevivência, sobretudo o Irã
porque se não seria invadido. (inaudível)
Prof: Eu acho que a preocupação da limitação das armas
nucleares é democrática e fundamental. Imagine se todos os
países tivessem armas nucleares. Agora o problema está em não
haver também o controle dos outros que tem. É claro que a gente
não pode ser idealista demais.
Aluna: (inaudível)
Aluno: Por uma parte é bom que só um país tenha
bomba.
Prof: Há autores que dizem que é razoável que alguns
países tenham arma como um fator de estabilidade política.
Aluna: O ideal seria ninguém ter, né?
Prof: Sim. Mas talvez estejamos sendo idealistas demais
ao esperar que países como os Estados Unidos ou a Rússia
abram mão das suas armas.

12. Aula 12 (Aula do dia 16/05)

A organização que compõe essa ideia de uma cooperação econômica mundial,


ou seja, são o Banco mundial, a FMI e a OMC (organização mundial de comércio), essa
estrutura foi criada a partir de 1944 com os acordos de bretton woods. Esses acordos
instituíram o chamado Sistema Econômico Financeiro Mundial durante o ano de 1944,
os plenos potenciais de 44 países, foi nessa oportunidade de Estado que instituiu esse
sistema inicialmente formado pelo Banco Mundial e o FMI, depois se agrega a OMC,
salvo engano ​em 1994 (1:23-1:25), mas inicialmente por meio dos acordos de bretton
woods nós temos a instituição dessas duas organizações.

Bretton Woods é uma cidade dos Estados Unidos onde os plenos potenciais se
reuniram e instituíram esse acordo, acordo que mudou o padrão de organização
financeira mundial, então, por exemplo, a partir daí nós vamos ter o padrão ouro trocado
pelo padrão dólar ​(o professor falou que pode colocar a tabela com essas informações
no dropbox).

Então os acordos de bretton Woods mudaram o padrão de organização em


matéria financeira e econômica, a partir daí nós vamos ter organização internacional,
procurando congregar interesses em matéria econômica e em matéria financeira e é
claro que a conformação desse sistema tem uma conformação liberal, como nós vimos
de acordo com aquelas teorias, ou seja, tem uma prevalência do liberalismo e do
realismo.

Então nessa conferência que resultou em acordo de bretton woods, várias


decisões importantes foram tomadas por esses 44 plenos potenciais e que dentre as
quais as mudanças para o padrão dólar. Portanto, o padrão que nós temos que está
vigente é esse instituído a partir de 1944.

Aí também se resolve estabelecer duas organizações: uma com o sentido de


fomentar o desenvolvimento de todos os países, que é o Banco Mundial, por meio de
empréstimos, ou seja, esses empréstimos são com base em contrapartida entre os
estados, ou seja, sempre que o Banco Mundial empresta, ele não empresta pelo valor,
mas, sobretudo por uma (​não deu pra entender 5:34)​ produtiva.

Então por exemplo, para melhorar a infraestrutura dos estados, a infraestrutura


viária, as infraestruturas em termos de aeroportos, de portos, como eu falei, para
instituir empresas, ou seja, é dessa forma que atua o Banco Mundial. O Banco Mundial
concede empréstimos para os Estados, pode no caso o estado ser federal, então se pode
conceder empréstimos para estados federados sabendo que a responsabilidade pelo
pagamento do empréstimo é da União, por conta daquela cláusula que nós já
conhecemos, então a responsabilidade é do Governo Federal para o pagamento do
empréstimo, mas é possível haver uma espécie de triangulação, um acordo entre os
Estados federados, o Estado Federal e o Banco Mundial.

Normalmente se exige uma contrapartida, uma parte do recurso tem que vir do
caixa do próprio Governo no caso do estado federal, o governo federal ou governo
federado e a outra parte é a parte que entrará no acordo de empréstimo. Normalmente
também como se trata de volumes muito altos que é para instituir infraestrutura,
condições de administração, então se exige também que o projeto é produtivo, ou seja, é
um porto, um aeroporto, uma rodovia, ou seja, são iniciativas de caráter produtivo.
Então essas iniciativas levam tempo pra entrar em funcionamento e gerar lucro, é por
isso que se exigem tempo ou se estabelece valor do tempo para pagamento.

Normalmente tudo isso varia de acordo com o acordo, mas normalmente é um


período de 15 a 20 anos para o pagamento, para o começo do pagamento. Como eu já
falei, o que caracteriza o financiamento ou os empréstimos do Banco Mundial são os
projetos de caráter produtivo e fique claro que são empréstimos, ou seja, o Banco
Mundial trabalha com empréstimos.

Tem uma estrutura que valem para os dois órgãos, pra as duas organizações:
uma estrutura de poder muito vertical que reflete aquele momento, ou seja, no final da
segunda guerra a instituição de uma organização internacional, no caso, a ONU e o...
(​não deu pra entender 9:30​) que era a guerra fria. Então essa estrutura de poder ela
reflete esse mundo ainda muito conflituoso em que ele começa a ser dividido entre duas
grandes potências. Então temos uma estrutura vertical de poder, no caso das duas
organizações inicialmente estabelecidas pelo cenário econômico mundial: um conselho
de governadores. Desse conselho de governadores fazem parte todos os Estados que são
e integram o mundial, mas quem realmente tem o poder é o Conselho de Administração
que é formado por 7 Estados, o G7 (Alemanha, França, Japão, Reino Unido, Arábia
Saudita, Estados Unidos e... (​10:52 não deu pra entender o outro Estado​). Esses são os
Estados que fazem parte do Conselho de administração do Banco Mundial.
Então esse tem o caráter legislativo, ou seja, tem uma perspectiva mais
assemelhada ao da ONU, tem a assembleia geral, ou seja, tem um caráter universal e
legislativo, ou seja, as decisões legislativas são tomadas no âmbito deste órgão aqui.

O Conselho de administração tem um caráter mais controlador, aqui está o


poder...(​não deu pra entender 11:45 – 11:47​) do Banco Mundial e o Presidente eleito
pelo Conselho de Governadores tem o caráter executivo, ou seja, ele executa, deve ser
embora eleito por este conselho de Governadores ele está diretamente relacionado ao
Conselho de Administração. Então o Presidente eleito aqui tem o costume aceito pela
comunidade internacional segundo o qual o presidente embora tenha que ser eleito por
este conselho de governadores, deve ser norte-americano, então é o governo dos Estados
Unidos quem indica ao Conselho de Governadores o seu candidato.

Vemos que é uma estrutura bem vertical. A mesma coisa acontece no FMI, o
FMI é regulado, ou seja, a estrutura de poder é o conselho de governadores que também
dele fazem parte todos os estados ao qual integram o FMI, tem governadores que é
formado pelo G8, os estados que tem a maior quantidade de cotas parte (Estados
Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Japão, Arábia Saudita, China e Rússia) e mais
16 eleitos em caráter rotativo.

Ou seja, também com base nas cotas parte e no acordo que é feito de tempos em
tempos, então a junta de governadores é onde está o poder de tomar decisão, ou seja,
quem toma as decisões é a junta de governadores e o conselho de governadores legisla,
estabelece as grandes normas e o diretor geral executa e presta contas a junta de
governadores e ao conselho de governadores.

O que faz a FMI? Diferentemente do Banco Mundial, empresta recursos


também, mas com outro objetivo, enquanto o Banco Mundial é pra fomentar o
desenvolvimento, o FMI empresta para estabilizar as moedas quando a moeda sofre um
ataque internacional, o que é muito comum e nós vimos nos últimos dias que a
Argentina vai retornar ao FMI, (a Argentina está com problemas em pagar, no caso está
com problemas nos ajustes das contas públicas e privadas).

A moeda está desestabilizada, ou seja, desvalorizada, então ela precisa ter


choques, que são modelos estabelecidos pela economia para que ela seja recuperada e
junto a isso o ajuste que é uma das possibilidades do acordo é que o FMI indique o que
o governo deve fazer do ponto de vista da economia pra promover esse ajuste, o ajuste
das contas públicas e que o empréstimo está relacionado as cotas partes, esse é o modelo
que foi definido lá em bretton woods, ou seja, para que o empréstimo seja concedido os
estados investem no FMI por meio de cota parte, por meio de submissões de valores que
componha a sua cota parte e que vão definir o valor máximo do empréstimo ao qual eles
têm direito e também o poder de voto, o voto tem peso distinto no FMI.

Nos últimos anos, então a cota parte mais elevada é a dos Estados Unidos que
tem 17,46%, ou seja, ele é detentor não só do valor máximo do empréstimo e
certamente se ele não precisa ir ao FMI para recuperar a sua economia, então o que vai
acontecer com ele? Ele vai ter recursos para investir em outros empréstimos e vai
receber/vai ser remunerado por isso, é dessa forma que funciona.
Ou seja, se o Estado não precisa ir ao FMI pra ter as suas contas ajustadas, ele
tem mais recurso pra investir em empréstimos que vão servir para outros estados.

O Reino Unido tem 5,5% e o Brasil 2,46%, o que, aliás, tem havido uma
aumento nas cotas parte de alguns países emergentes e pode ser até que isso mude, e
baixe, reduza o valor da cota parte do Brasil, pq a situação da economia brasileira não
está tão bem, mas no último ano era esse o quadro. (​Aí tem um quadro mais ampliado
que o prof vai colocar no dropbox).

Pergunta: o que significa a contrapartida dos países no Banco Mundial?


Significa que nenhum empréstimo é no valor de 100% da necessidade, ou seja, o
empréstimo tem que haver uma contrapartida do Estado, o Estado tem que entrar com
uma parte, normalmente é 30% da obra, do valor do contrato e o resto é o valor do
empréstimo junto ao Banco Mundial.

Pergunta: O que o Conselho de Governadores faz? Tem o papel de regular, ou


seja, legislar, definir as normas relativas ao FMI, a mesma coisa do Conselho de
governadores do Banco Mundial. Tem um status legislativo e é o mesmo modelo
relacionado a assembléia geral da ONU, que lá regula normas, estabelece tratados, tem a
capacidade legislativa, mas quem toma a decisão não é a assembléia geral, quem tem o
poder de decisão é sobretudo, o Conselho de Segurança em matéria de segurança e aqui
quem tem o poder é o Conselho de Administração do Banco Mundial e a junta de
governadores no FMI, como falado anteriormente essa é uma estrutura hierarquizada e
que foi instituída em 1944 pelos acordos de bretton woods, esse acordo que mudou essa
conformação, ou a conformação do mundo em matéria econômica e financeira, e as
decisões de 1944, elas tem que ser relacionadas com a conferência de Yalta, que é a
conferência que aconteceu em 1945, quando Bretton Woods, uma cidade dos Estados
Unidos e Yalta, uma cidade, a época, da União Soviética; essa conferência, que é uma
das conferências mais importantes do século XX, os três lideres mundiais, que eram o
presidente dos EUA, o presidente da URSS e o primeiro ministro do Reino Unido, o
Stalin, Churchill e Roosevelt; os três governantes se reuniram nessa cidade, em Yalta, e
decidiram partilhar o mundo em dois blocos. Ali se inicia, ou se pode dizer que ali se
afirma o início da Guerra Fria, o fim da Segunda Guerra Mundial e o início da Guerra
Fria.
A guerra propriamente não estava plenamente acabada ainda mas foram tomadas
decisões inclusive em relação ao que fazer com a Alemanha, ou seja, a divisão da
Alemanha foi uma decisão tomada em Yalta; se discutia até… a discussão era o que
fazer com a Alemanha, que a Alemanha era tida como o problema do mundo né, o
problema do ponto de vista de quem ganhou a guerra, de quem estava ganhando a
guerra; havia proposta no sentido de dividir a Alemanha em 5 ou 6 estados mas se
chegou, se acertou a essa conformação de dividir em 2 Alemanhas, o que terminou entre
89 e 90.
Então, essa estrutura aqui tem que ser compreendida dentro desse contexto mais
amplo político, ou seja, é uma estrutura rígida que em algum momento ela terá que ser
revista, não sabemos quando, mas ela é uma estrutura rígida, uma estrutura de poder
muito hierárquica e que foi a decisão foi tomada por 44 estados que se reuniram em
Bretton Woods mas também em diálogo com esses 3 grandes líderes do mundo a época,
um mundo que estava sendo partilhado politicamente, territorialmente né, então a
estrutura tem uma relação com essas capacidades aqui, com esse cenário, que já é bem
diferente do cenário de 94, depois do fim da Guerra Fria, então a estrutura de OMC … é
mais democrática, nos temos uma conferência geral que se reuni de dois em dois anos e
da Conferencia Geral fazem parte todos os estados que integram a OMC.
O Conselho Geral...a conferência geral também tem caráter legislativo; o
conselho geral tem participação rotativa, ou seja, não tem membros que são definidos
como parte daquela estrutura em função das suas capacidades economicas, ou seja, tem
uma estrutura mais democrática e tem um sistema de solução de controvérsias com base
na arbitragem; então, por mais que se possa fazer críticas à OMC, sobretudo que ela
toma decisões que talvez não fosse as mais justas mas ela tem levado ou tem
demonstrado uma capacidade de julgar casos no interesse de países que não são apenas
os mais ricos, mais poderosos; estados medianos, estados médios, tem tido sua demanda
também protegidas pela OMC

(​pergunta: essa mais para a esquerda é OSC é? Resposta: É... OSC órgão de
soluções de controvérsias​),

Ou seja, o órgão de solução de controvérsia da OMC é o órgão que funciona


com base na arbitragem, nos temos algo sobre soluções de controvérsia e veremos como
é que funciona com a arbitragem.
Então, a OMC não concede empréstimos, o que ela faz é buscar harmonizar os
interesses na área comercial, então é basicamente uma organização que regula o
comércio internacional e que soluciona controvérsias com base nessa regulação

Alguns minutos sem aula devido a um problema, aparentemente, com o slide.

Bom, enquanto isso eu falava que nós tínhamos, nós temos, eu falei de todas
elas, de 17 agências de cooperação na área econômica e social; vimos aqui as da área
econômica e veríamos agora o quadro geral, ou seja, o Banco Mundial, o FMI e todas as
outras organizações.
Então, o Banco Mundial criado em 1944, pelos acordos de Bretton Woods, então
a tabela conta com esse tipo de informação: o nome da entidade, o ano de fundação, o
tratado de fundação e os objetivos, então o objetivo formal, ou seja, do ano do tratado,
fomentar o desenvolvimento dos países membros...

Ainda problemas com o slide


Então, vamos então já que… ou seja o Banco Mundial tem essa fundação em
1944, os acordos de Bretton Woods, e o objetivo é fomentar o desenvolvimento dos
países membros.
No caso do FMI, também a criação é em 1944, acordo de Bretton Woods, ou
seja, criam as duas instituições e o objetivo nominal, ou seja, aquilo que está no tratado
do FMI é zelar pela estabilidade do sistema monetário internacional através da
promoção da cooperação e da conduta de assuntos monetários entre os seus 187
países-membros; quase todos os países afiliados a ONU, então, fazem parte do FMI.
A organização Mundial de Comércio, que tem sede… esses dois aqui tem sede
em Washington, ou seja, não a toa suas sedes estão nos EUA, que é onde está o centro
de poder econômico do mundo. A OMC tem sede em Genebra, na Suíça e a Suíça tem,
por conta de sua história, tem uma série de séculos que organizações internacionais, a
Suíça tem, teve um papel muito importante na própria constituição da ideia de
organizações internacionais, a ideia de pacifismo, a ideia de cooperação internacional,
tudo isso é muito parte do DNA suíço; então vamos ver que tem algumas organizações
que embora tenham sido criadas como organizações internacionais no âmbito da ONU
mas o seu antecedente histórico é do sec. 19, e foram criados por suíços, por juristas,
por políticos suíços, não só suíços mas num contexto de debate na Suíça em torno de
pacifismo, de cooperação em torno desse ideal kantiano, digamos assim, no plano
internacional.
Então a OMC só foi criada, ou seja, só houve condições de se criar a OMC,
embora houvesse antecedentes, discussões, conferências na área comercial internacional
mas enquanto criação propriamente dita de organização nessa área de regular o
comércio internacional, só em 1994, com a ata final da Rodada do Uruguai e o objetivo,
gerenciar acordos que compõem o sistema comercial internacional e servir de um fórum
para o comércio internacional e, além disso, solucionar controvérsias em matéria
comercial internacional como nos vimos aqui e claro supervisionar o acompanhamento,
supervisionar a adoção dos acordos.
Depois vem a Organização das Nacões Unidas para Agricultura e Alimentação,
a FAO, que tem sede em Roma, na Itália, criada em 1945 e tem como tratado fundação
a constituição da FAO, ou seja, é um tratado, como nos vimos um tratado pode ter
qualquer denominação e nesse caso constituição da organização para agricultura e
alimentação e o objetivo bem idealista é erradicar a fome e a pobreza no mundo,
promover a sustentabilidade e o aproveitamento dos recursos naturais do planeta.
Em relação à algumas dessas organizações eu trouxe algumas informações mais
recentes que estão disponíveis no site ou em alguns locais; então, por exemplo, em
relação à FAO, a FAO tem projetos por países, os países têm que ter uma agenda
própria por meio da qual se cobra realizar o objetivo da FAO em relação ao país, ou
seja, como é que um país pode se inserir nesse processo de erradicação da fome e da
pobreza, promovendo portanto a sustentabilidade dos recursos naturais. Então tem
aqui uma lista de projetos que estão em execução no Brasil, projetos da FAO:
a) projeto de consolidação do programa nacional de florestas, tem como objetivo
contribuir para a consolidação do processo de implantação do programa nacional de
florestas, que dá a entender que o projeto é anterior a este ano, anterior alias ao período
de 2011, onde, quando ele foi instituído e busca a formação de um mercado de massa,
melhoria da distribuição de renda e geração de emprego naquela região, ou seja, na
região de florestas do Brasil, na região Amazônica a partir de tudo;
b) o projeto de recuperação de áreas degradadas da Amazônia, busca apoiar a
promoção da solução agropecuária sustentável na Amazônia e contribuir para a redução
do desmatamento da floresta nativa mediante a recuperação de áreas degradadas;
c) o projeto nova organização produtiva e social da agricultura familiar
brasileira, o objetivo é promover a evolução na organização produtiva e social da
agricultura familiar de forma a fortalecer o papel estratégico do setor em
desenvolvimento da ordem nacional;
d) também projeto de aprimoramento e consolidação da política nacional de
segurança alimentar;
e) fora isso o projeto de cooperação internacional pedro brasileiro, apoiado pelo
fundo ambiental, ou seja tem uma serie de outros elementos…
O objetivo também de trazer essas informações é mostrar que aqui tem um
campo de atuação na área do direito internacional, o direito das relações internacionais,
ou seja, quem quiser se especializar em direito internacional, em relações internacionais
mas sobretudo nesse caso nosso aqui em direito internacional tem todo esse campo,
essas organizações todas são campo de trabalho para quem se interessar, pra quem
queira, claro, tem todo um investimento a ser feito nessa área inclusive um investimento
extra já que é preciso dominar outras línguas sobretudo o inglês, o francês também, o
espanhol… são organizações que tem um campo de trabalho muito pronunciado.
A Organização da Propriedade Intelectual, tem sede em Genebra, criada em
1967 pela convenção de Estocolmo e tem como objetivo promover atividades
intelectuais e criativas e facilitar a transferência de tecnologia relacionada à propriedade
intelectual; então é uma organização que sobretudo fomenta o registro da produção
intelectual e supervisiona a implementação dos acordos relacionados.
Então, organização mundial da propriedade intelectual, promover atividades
intelectuais e criativas e facilitar a transferência de tecnologia da propriedade intelectual
para vários países em desenvolvimento de forma a acelerar o seu desenvolvimento no
âmbito social e cultural, e se vocês observarem tem muito a ver com a vida das
universidades públicas, as universidades têm áreas de inovação tecnológica, certamente
vocês já ouviram falar, nos núcleos de inovação tecnológica, tá tudo isso muito
relacionado ao papel desta organização, ou seja, se busca que para o desenvolvimento,
para fomentar o desenvolvimento haja inovações tecnológicas, projetos que melhorem a
vida das pessoas, claro isso passa também pelo registro, pelas patentes, pelos registros
de patentes, pelo registro de inovações, de novas tecnologias.
Organizações das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, ela foi
estabelecida em 1966, a UNIDO, a sede está em Viena, na Áustria e o tratado de
fundação é a constituição da UNIDO ou Organizações das Nações Unidas para o
Desenvolvimento Industrial; o objetivo, ajudar os países em desenvolvimento e
economias em transição contra a marginalização no mundo globalizado, nós vimos que
algumas dessas organizações tem os objetivos praticamente definidos para economias
em desenvolvimento, que elas precisam de ações específicas para saírem de seu lugar de
em desenvolvimento para desenvolvimento.
A organização Mundial de Trabalho, criada em 1919, pelo tratado de Versalhes
que foi um tratado também, além de ser um tratado de fundação da organização, é um
tratado de paz, é um tratado que selou o fim da primeira guerra mundial e instituiu a
OIT e a Liga das nações, tem sede em Genebra, se vocês já foram ou forem em genebra
vão ver que lá tem muitas organizações, a própria sub-sede da ONU e tem o palácio
Wilson que ficam nas margens do lago Léman, em genebra, e que é uma homenagem a
Woodrow Wilson, que tem uma série de discursos, mais do que discursos, ações que
foram no sentido de criar a primeira organização internacional no papel, ou seja, a Liga
das Nações, por isso ele é amado e odiado nos EUA porque parte da politica
norte-americana considera que foi em erro ter criado uma organização internacional e
outra considera q foi um acerto, mesmo com o presidente que instituiu ou que ajudou a
instituir o sistema de partilha no mundo, também há dúvidas se foi uma decisão acertada
ou não; pois bem, a OIT vai trabalhar muito com indicações, com guias, com
recomendações na área de direito do trabalho, o direito a saúde e com relação a OIT tem
também uma lista de projetos em relação ao Brasil, programas e projetos no Brasil,
projeto de restruturação da agenda regional do trabalho decente.
O trabalho decente é um conceito que surgiu nos Estados Unidos e que tá sendo
trabalhado também no âmbito das relações públicas, ou seja, o projeto visa contribuir
para promoção do trabalho decente através do desenvolvimento de uma rede que
engloba 39 Municípios do Sul e Sudeste do Pará, pq o Pará é que tem a maior
quantidade de problemas em relação a trabalho escravo. Tem problemas em vários
Estados, aqui também tem, mas o Pará tem uma quantidade maior de ocorrências.
Cooperação sul-sul para promoção do trabalho decente em países da América
Latina, ou seja, não é só relacionado ao Brasil, mas numa parceria com outros países da
América Latina. O projeto tem o objetivo de contribuir para promoção do trabalho
decente entre os países em desenvolvimento no âmbito da América Latina. Cooperação
sul-sul para proteção do direito dos trabalhadores e na área do (​não entendi 51:13​), ou
seja, nós vamos ver aqui que essa é uma área que tem sofrido muitos revezes no plano
interno dos países que são da retirada de direitos, sobretudo, em matérias de direito do
trabalho.
Ainda em relação à Organização Mundial do trabalho, com sede em Genebra e
criada em 1919, o tratado de fundação é o tratado de Versalhes e o objetivo é
estabelecer um padrão mínimo de proteção do direito do trabalho.
A OMS, criada em 1948, tem sede em Genebra, o tratado de fundação é a
constituição da OMS, o objetivo é desenvolver ao máximo possível o nível de saúde de
todos os povos e aí tem também uma notícia relacionada à OMS (OMS lança campanha
para acabar com a gordura trans nos industrializados até 2023...​o prof continuou lendo a
notícia​). Então é um exemplo de como a OMS trabalha, também trabalha com relação a
essas questões de saúde, com a saúde de mulheres grávidas, tem também guias e o que
acontece com uma norma como essa, ou seja, significa que uma vez definida essa
norma, ela é levada para o âmbito nacional, cujo objetivo para chegada ao âmbito
nacional é a norma ser incorporada por meio de legislação, por meio de políticas
públicas pra virar realidade. Então é muito nesse sentido que se diz que a ​soft law tem
muito mais capacidade de se fazer valer pq a soft law entra nos Estados por meio do
convencimento, de detalhes que levam os Estados se comprometerem com o
cumprimento da norma, enquanto que o tratado é algo muito rígido, muito rigoroso que
termina tendendo a não ser respeitado.
O prof começou a ler essa notícia: A Organização das Nações Unidas da
Educação, Ciência e a Cultura (UNESCO), sediada em Paris, criada em 1945, criada
pela constituição da UNESCO, o objetivo é promover a paz e os direitos humanos com
base na solidariedade intelectual e moral na humanidade e leu uma noticia de um edital
abrindo vaga para consultor.
Certamente os projetos da UNESCO são relacionados para proteção de
comunidades, de proteção dos direitos humanos e também do patrimônio intelectual.
Depois, a União Postal Universal, a UPU, que tem sede em Berna, na Suíça, foi
criada em 1874, então vocês veêm ai uma organização que foi criada antes da Liga das
Nações, antes da OIT que são entendidas como as primeiras organizações de caráter
global; mas essa é uma organização que pela emergência do tema, ela surgiu como uma
iniciativa de juristas, de políticos, ou seja, era preciso criar, e nasceu como uma
iniciativa nacional suíça, por isso que está lá na Suíça, em Berna, e depois foi
incorporada pela ONU; nasceu como uma organização nacional, mas de vocação
internacional, uma organização que foi registrada como uma organização suíça embora
com uma competência, com objetivos internacionais e depois incorporada à Liga das
Nações e certamente à ONU; e o tratado de fundação é o tratado de Berna… então você
veja, uma organização internacional, criada por um tratado, mas no âmbito nacional,
relacionada a um estado; o objetivo é coordenar os serviços postais dos diferentes
países-membros sem interferir dentro das politicas próprias dentro dos estados, a
preocupação com a soberania, ou seja, os estados tem todo o direito de estabelecer suas
políticas postais mas ao mesmo tempo há a necessidade de coordenar essas políticas
com um objetivo muito pragmático, fazer com que as pessoas, as suas cartas, suas
correspondências, cheguem ao seu destino em qualquer parte do mundo; se não fosse a
UPU, não haveria, como não houve no passado, essa garantia.
A organização da Aviação Civil Internacional, a OACI, tem sede em Montreal,
no Canadá, criada em 1944, criada pela Convenção sobre a Aviação Civil Internacional,
e o objetivo é desenvolver os princípios, as técnicas de navegação aérea internacional e
organizar os processos dos transportes aéreos de modo a oferecer a segurança, a
eficiência e a economia do serviço, ou seja, também para permitir que haja rotas, haja
fluxos de aeronaves e com segurança, ou seja é esse o objetivo da OACI.
Organização Metereológica Mundial, sede em Genebra, criada… outra
organização anterior à Liga das Nações, em 1873, e criada formalmente no âmbito da
ONU em 1950, por uma Resolução da Assembleia Geral da ONU, o objetivo, coordenar
as atividades dos estados-membros participantes a fim de gerar trocas de informações
sobre o tempo, a água e o clima, sobre a égide de normas internacionais, ou seja, dar
conhecimento de todo o planeta sobre o que acontece ou poderá acontecer com o mundo
em função das mudanças climáticas.
A União Internacional de Telecomunicações, a UIT, sede também em Genebra,
se vocês forem em genebra vão a quantidade de organizações, em redor da ONU a
quantidade de organizações ligadas a ela, criada em 1865, e criada no âmbito da ONU
por resolução da Assembleia Geral posteriormente; o objetivo é harmonizar as políticas
nacionais mediante a definição de um padrão internacional para as tecnologias de
comunicação fixa, móvel, internet e outros meios; certamente esse objetivo foi
atualizado porque não existia internet até a Guerra Fria de forma tramitada, criada pelos
EUA, é com ela que eles ganham a Guerra Fria e hoje está no mundo inteiro; então a
internet mudou dentro da resolução da UIT.
Organização Marítima Internacional, com sede em Londres e dá para a gente
entender porque Londres é a sede da Organização Marítima Internacional porque na
época de ouro do Reino Unido eles desenvolveram o Direito Internacional do Mar,
promoveram as técnicas relacionadas ao domínio do mar, então eles tem ​know how para
isso, criada em 1948, e o objetivo é instituir um sistema de colaboração entre os
governos no que se refere entre as questões técnicas que interessam à navegação
comercial internacional e adotar normas relacionadas à segurança marítima e à eficácia
da navegação.
A Agência Internacional de Energia Atômica, criada em 1957, portanto já tendo
se iniciado a Guerra Fria, já estava bastante em pulsionamento e é uma iniciativa dos
EUA e da URSS para controlar eles próprios e os outros países claro, para que outros
países não venham a ter a bomba atômica; então o objetivo é promover o uso pacífico
da energia nuclear e o desencorajamento dos usos para fins militares de armas nucleares
e isso termina valendo para os outros e para eles próprios, então como vocês sabem,
como nós falamos anteriormente, é uma organização que tem a capacidade de fazer um
monitoramento periódico dos países que fazem uso de energia nuclear e nesse caso o
Brasil tem sido monitorado pela Agência Internacional de Energia Atômica, as usinas
de Angra dos Reis, são usinas nucleares e vem sido monitoradas e não se tem
encontrado indícios… que tem toda a disputa relacionada ao Iraque e ao Irã; então em
relação a esta organização, já em duas ocasiões o embate se estabeleceu envolvendo o
presidente norte-americano e o presidente desta organização, tem um cidadão chamado
Hans Blix, ele ficou conhecido internacionalmente e tem um livro chamado
“Desarmando o Iraque” e que a disputa dele com o Bush era que o Bush queria de todo
jeito entrar no Iraque e argumentando que o Iraque estava se armando, estava
produzindo a bomba atômica e ele, na condição de responsável pela missão, dizia que
não, que tinha provas de que o Iraque não estava produzindo a bomba atômica, depois
se entrou lá, não se encontrou nenhum indício nesse sentido e ficou claro que o objetivo
era outro, ou seja, se apoderar do petróleo do Iraque; ele perdeu, perdeu a batalha
porque tinha o meio presidente, o país mais poderoso do mundo, deixou o cargo mas
deixou também um livro mostrando que ele tinha razão então está ai para quem quiser
ler, se chama “Desarmando o Iraque”, e ainda a disputa com o Irã, o presidente da
agência internacional também deixou o cargo porque estava sendo pressionado a dizer o
que não concordava que é que o Irã tem armas nucleares ou está militante.
A Organização Mundial de Turismo, a OMT, tem sede em Madrid, a Agência
Internacional de Energia Atômica tem sede em Viena; a OMT criada em 1974 e
reformulada em 2003; o objetivo é debater princípio de política turística mundial, ou
seja tem uma organização para cooperar, para que os estados cooperem também em
matéria de turismo.
E a última, que é a Organização das Nações Unidas para Proscrição de Armas
Químicas, a OPAQ, criada em 1997, pela Convenção de Armas Químicas e o objetivo é
implementar a convenção e monitorar atividades na indústria química além de realizar
pesquisas nessa área.
Professor informa que vai colocar o quadro no dropbox
13. Aula 13 (aula do dia 18/05)
Tem autores, a maioria deles, que fazem uma distinção entre direito comunitário
e o direito da integração, ou seja, o direito comunitário tem caráter de
supranacionalidade, tem uma autonomia ao direito internacional, princípios próprio.
Diferente do direito da integração que é orientado pelo interesse de recepção das
normas no plano interno, enquanto que no direito comunitário não teria esta
preocupação porque a órgãos superiores aos órgãos de âmbito nacional.

Embora um sonho de integração regional para evitar guerras, sobretudo as


guerras econômicas e pós guerra em função de motivação econômica. Eu vou fazer
referência ao… posso fazer logo, seria o projeto para trazer a paz perpetua na europa.
Muitos juristas, filósofos e teóricos buscavam a uma saída para a guerra. A
guerra do ponto de vista da evolução histórica era a regra. E as criticas que eram feitas
eram relacionada ao desperdício de recursos naturais e financeiros que eram utilizados
para se fazer guerra. Ainda hoje boa parte dos recursos dos Estados são voltados para a
Defesa, o exército.
Mesmo antes do racionalismo, iluminismo, existiam autores preocupados com as
ideias de construção da base para a paz. Desde o seculo XVI há esse projeto de paz.
Kant ficou conhecido como o criador da ideia de paz perpetua, mas antes dele teve esta
consepção de paz perpetua foi proposta pelo Abade de Saint Pierre, o abade escreveu
um livro de 800 paginas que tem detalhado um projeto de paz.
Não era relacionado aos Estados, era relacionado ao soberano, convencer o
soberano da superioridade da ideia de paz. De acordo com o projeto que tem toda uma
fundamentação baseada no direito natural teologico. E um autor que se preocupa por
uma cosmologia ligada a um direito das Gentes.
(Começa a falar do curso de ciencia política na UFPE !?!?!)

O direito das gentes surge pela dificuldade de denominar, até que Jeremy
Bentham em 1780 dá o nome de direito internacional, e aí fica conhecido desta forma.
O fundamento jurídico esas discussões vamos encontrar nos tratados e direitos
costumeiros que foram se estabelecendo o longo do tempo mas sobre tudo em função da
positivação do direito interncional nos tratados, e aí eu trago os tratados especificos
relacionados a cada uma das uniões. Cada união tem a sua conformação, o seu
fundamento legal.
Se nos quisermos saber sobre os fundamentos jurídicos, é importante ter
consciência que não existe um fundamento jurídico único.
Falando de integração regional é visível a intenção de acabar ou reduzir muito as
guerras, sabe-se que os conflitos continuaram existindo. O Mercosul tem como resolver
uma serie de questões de formas diversas, por exemplo, os meios de resolução de
controvérsias. Os Estados precisam solucionar suas controvérsias, e diante de um bloco
econômico regional, integração econômica regional.
A Corte internacional tem uma competência global, universal e estamos falando
aqui no âmbito regional, então as regiões que devem ser responsáveis por suas soluções
pacificas de controvérsias internacionais.
A primeira alternativa para a pacificação dos conflitos é a negociação para
resolução do problema, se não for possível caberá ao tribunal de resolução de
controvérsia.
Existem iniciativas de caráter regional de integração regional com objetivos
proteger as economias regionais. Nelas é criado um procedimento por onde eles
definem uma tarifa especial para alguns produtos. Se estabelece uma tarifa diferenciada
que fará com que os produtos nacionais cheguem a outro Estado com capacidade
competitiva.
O fundamento politico é a necessidade de regular a vida economica dos países
sobretudo o comércio internacional constituindo blocos economicos que protejam os
Estados e seus produtos, suas empresas, na medida em que um grupo de países
comerciam entre si, esse bloco já esta se protegendo em relação a uma competição mais
ampla, é muito diferente de um comercio mundial onde cada um comercia com quem
bem quiser. Aqui existe uma união de grupo de países que estabelecem uma tarifa
comercial com outras regiões.
O principal projeto do Abade de st. Pierre, que construiu um projeto de paz para
a europa, envolvendo elementos politicos, economico e toda uma fundamentação
ideologica para instituir uma paz perpetua.

(Fala do inicio da União Eutopeia de forma genérica– Muito dificil de


escutar)

Para os autores que consideram que um bloco economico deve ter autonomia de
ser governado pela ideia de supra nacionalidade, temo como único exemplo a UE, posto
que já estão ligados ao direito comunitário enquanto que as outras regiões estão focando
no direito de integração, mas não comunitário.

Zona de livre comercio: é quando Estados se unem para fazer trocas


comerciais reduzindo a tarifa, é uma união simplesmente aumentar as trocas comerciais.
Ex: NAFTA

União aduaneira​: Além das caracteristicas presentes na Zona de Livre


Comércio, existe uma obrigação de pagar o mesmo valor para alguns os produtos
escolhidos através de uma tarifa externa comum.

Mercado comum: ​Além das características presentes na zona de livre comercio


e União aduaneira., o interesse deixa de ser meramente comercial e passa a ser também
políticos, e para isso é necessário que não só bens e produtos circulem, mas também
pessoas. No mercado comum é necessário que haja facilidades para a transição de
pessoas.

União Política/Monetária: ​Acrescenta-se ao mercado comum a criação de uma


moeda única que substitui as moedas locais ou passa a valer comercialmente em todos
os países-membros. Também é criado um Banco Central do bloco, que passa a adotar
uma política econômica comum para todos os integrantes. O único exemplo de mercado
comum e, ao mesmo tempo, de união política e monetária é a União Europeia, que é
hoje considerada o mais importante bloco econômico da atualidade em razão do seu
avançado nível de integração. Em muitos casos, essa integração alcança até mesmo as
decisões políticas que eventualmente são tomadas em conjunto pelos países-membros.

50:00
Os grandes princípios em matéria econômica são tomadas pelo Banco Central
Europeu, e os outros países devem se adequar.
E por que isso? Em nome de uma coerência para uma política com o objetivo
superior que é de uma estabilidade que faça com que região não tenha mais conflitos,
sobretudo, bélicos.
Então, o indivíduo (... inaudível) não há necessidade de recepção das tomadas de
decisão dos tratados no âmbito nacional, ou, se há recepção, ela é para o cumprimento,
orientando. Porque os estados aceitaram essa norma supranacional e, tudo isso, seria
para facilitar a integração e haja paz, tranquilidade, progresso nessa região, tendo em
vista que ela precisa ser pujante econômica e politicamente.

O sistema vige em relação a todas as outras iniciativas é o interestatal, ou seja,


estados fazem parte de um acordo e tudo tem que ser levado ao ambiente nacional para
que haja uma recepção, discussão em torno da conveniência de ratificação do tratado.
Então, por exemplo, em relação à entrada na Venezuela no Mercosul, o que que houve?
A necessidade de submeter essa proposta a todos os congressos nacionais. Houve tanta
pressão que aceitaram.

Pedro fala sobre o golpe no Paraguai que ocasionou a entrada da Venezuela no


Mercosul.
Professor: então, quando houve o golpe do Paraguai, não houve necessidade,
está previsto em um dos tratados do Mercosul a possibilidade de suspensão e não
precisa, nesse caso, a suspensão pelos congressos, os representantes podem tomar essa
decisão. E aí, os presidentes tomaram a decisão e suspenderam o Paraguai. E o Paraguai
reclamou porque o Brasil não foi suspenso quando houve o impeachment. Disse que o
Brasil foi tratado de forma diferente.
Tem uma diferença entre o processo no Paraguai e o Processo aqui, lá foi apenas
um dia, aqui teve uma formação mais longa etc.
Então, o interestatismo é essa capacidade de os estados manterem, recepcionar
os tratados, as decisões. Tudo terá, em princípio, que passar por um processo de
ratificação e a ratificação não deixa de existir na supranacionalidade, só que ela é ampla
em relação a um tratado maior, é maior tanto na capacidade, fica mais flexibilizada a
aplicação de normas no âmbito interno por ordem externa, regional.
Tem a dimensão também relacionada aos tribunais, ou seja, de que a
supranacionalidade no ambiente europeu não vale apenas para a União Europeia, mas
vale também para o conselho da Europa. O CE é uma organização política, tem nada a
ver com (...), mas não é parte da União Europeia, nem a União Europeia é parte do CE.
O CE é como se fosse a nossa OEA, organização política da região. Tem uma
organização supranacional, significa que os estados que ratificaram as convenções
definidoras daqueles direitos comunitários regionais e o tribunal europeu julga e a
aplicação da norma tem que ser obrigatória para qualquer estado. Não há nenhum estado
que faça parte do Conselho da Europa que não aceite a sua atuação. E todas as decisões
dos tribunais valem para todos os estados, por exemplo, Corte Europeia de Direitos
Humanos, julga casos que não estão vinculados à UE, mas ao CE.
Há eleição para o parlamento europeu, assim como deveria acontecer no
Mercosul; Deveria se estar mudando as placas dos carros também.
Alguns países se retiraram da Unasul, o Brasil se retirou, a Argentina. É uma
união que tinha como pretensão de dar mais autonomia aos países dos Estados do Sul da
América. Numa espécie de competição com a OEA, pois quem manda lá é os EUA. Os
países do sul tem sofrido mais pressões por parte dos EUA para deixar a Unasul.
União política, dependendo da interpretação, nem mesmo a UE teria essa união
política, ou seja, quando alguém tem união política, além da supranacionalidade nas
questões econômica vira uma confederação de estados, pelo medo disso acontecer que o
Ru se retirou, pelo medo disso acontecer também, outros estados têm anunciado a
possibilidade de sair ou, pelo menos, colocado muitas resistências em relação a esses
processos de integração regional.
Então, a Unasul que, como nós, tem estado bem combalida nos últimos tempos,
tem estado com poucas possibilidades.
O NAFTA que é basicamente troca de mercadorias, praticamente zona de livre
comércio, os EUA e Canadá não têm interesse algum de ampliar mais profundamente as
relações com o México, por conta dos problemas que eles consideram com relação à
circulação de pessoas. Um país associado ao narcotráfico, então, eles querem apenas
trocas comerciais.
Entra a discussão que é Samuel Huntington, no livro “O choque das
civilizações”, em uma das sugestões deles, ele tem uma apreciação segundo a qual o
ocidente estaria se desvanecendo, estaria perdendo as características do ocidente e isso
teria um significado econômico e político. Então, diante disso o que seria preciso fazer?
Agregar áreas que não são consideradas ocidentais, como, por exemplo, a américa
latina, a américa latina não é considerada por ele ocidente, Samuel Huntington afirma
que há nove grandes civilizações e a civilização latino americana é uma delas, se
diferencia do ocidente porque é católica, porque é, majoritariamente, subdesenvolvida
etc. Seria necessário conquistar essa região para fazer parte do ocidente.
E eles começaram pelo México. O México talvez seja o país que reúna maiores
características de pais latino americano, boa parte da construção do que é a américa
latina está relacionada à história do México, mas, como está ao lado dos EUA, eles
pegaram o México para esse experimento de transformar aquela realidade em uma
realidade ocidental, então, quer dizer, tem ai uma disputa grande.
Eles, ao mesmo tempo, não querem o México inteiramente com capacidade de
circulação de pessoas, por enquanto eles querem que a capacidade seja de mercadorias
apenas, mas com o tempo, quem sabe, dependendo das respostas do México para esse
processo de ocidentalização, pode ser que o Nafta tenha outro entendimento mais
político sobre a questão. A América vem primeiro.
A grande maioria desses processos são zona de livre comércio, o pacto andino
não, ele congrega os países que estão na região dos andes. O chile está praticamente em
tudo, é uma estratégia de política externa do chile pois possui uma população
relativamente pequena e acabam por se sentir ilhados, não há aparência nenhuma de
ilha, mas eles se sentem uma ilha. Os países possuem sua própria definição, o brasil tem
a suas definições, através de seus intérpretes. Gilberto Freire, por exemplo, afirma que
somos essa mistura de raças, aprendemos com a Europa a nos miscigenar e, ao mesmo
tempo, há quem interprete isso de forma diferente. O Chile se entende como sendo uma
ilha, tendo em vista que a cordilheira serve como uma barreira, aí eles estão em várias
dessas iniciativas. Eles possuem acordo com o mercosul, é o único país da américa
latina que possui acordo preferencial com a união europeia, com o nafta, faz parte da
APEC. Só não tem com a comunidade para desenvolvimento da áfrica austral.

O pacto andino, dependendo da interpretação é um mercado comum, mas pode


ser que alguém compreenda como união aduaneira. Acho que a gente pode dizer que
são zonas de livre comércio são a comunidade do caribe, nafta, a comunidade
centroamericana e a comunidade para o desenvolvimento da África austral, são
comunidades orientadas praticamente pelo comércio entre eles, entre os estados que
fazem parte.
A Apec é uma comunidade muito poderosa, os EUA estão lá, os países banhados
pelo pacífico, de um lado ou outro, estão lá, é uma iniciativa econômica muito
importante e relevante economicamente. O mercosul também, se quiserem, claro, têm
possibilidades grandes.
O Mercosul, o que que pega em relação ao Mercosul?
Então, o que podemos falar sobre integração econômica regional?
Têm uma dimensão normativa, ou seja, há uma série de tratados que é onde
vamos encontrar o fundamento jurídico e também o fundamento político. Sobretudo, no
preâmbulo desses tratados, como vocês sabem, o preâmbulo é a parte inicial que
fundamenta o tratado, explica, então, vamos encontrar ali o fundamento jurídico e o
fundamento político dos princípios orientadores dessa iniciativa, desses blocos
econômicos.
Boa parte deles, não todos, possuem um órgão de solução de controvérsias. O
mercosul tem, pacto andino tem, certamente a união europeia, mas o restante,
provavelmente, não. Ou seja, quando se está como zona de livre comercio ou união
aduaneira não há órgão de solução de controvérsia, embora se solucione controvérsias,
mas a solução é mais formal, são feitas processos de arbitragem, mediação, negociações
amistosas, mas não há propriamente um órgão que se assemelhe a um tribunal. Vai
haver necessidade de se criar um tribunal quando há um adensamento dessas fases, em
que você vê que são fases que vão mudando. Começam como simplesmente comércio,
amplia-se a base comercial com uma tarifa comum, se chega a um mercado comum, ou
seja, livre circulação de pessoas, mercadorias, bens e capital, e, se pode chegar, embora
só a união europeia tenha chegado, a uma união econômica e monetária.
(...)
E pode ter, como nós vimos, uma convenção política, ou seja, boa parte da
discussão aí é orientada pelo que acontece na união europeia e vem a se transformar,
propriamente, em uma organização de caráter político. Vislumbra a possibilidade de ou
o conselho da europa e a união europeia trabalharem muito em conjunto ou uma ser
absorvida pela outra, na medida que as capacidades políticas fossem ampliadas. Pode
ser que, tudo vai depender do que vai acontecer com a união europeia, mas se o projeto
continuar sendo implementado pelos termos atuais, é possível que haja uma fusão entre
essas duas organizações, ou que elas trabalhem muito em conjunto. Trabalhar elas já
trabalham com algum diálogo, mas que elas se comportem com um caráter de maior
integração, quase que se fundindo.
O mercosul é interestatal, a capacidade das vontades devem passar pelo
interesse, vontade dos estados, a ideia aqui, quando se fala sobre interestativo, é que a
soberania tem muita importância, centralidade e, quando se fala em supranacionalidade,
se relativiza muito a soberania, a soberania passa a ter um nicho de atuação, em que se
definem competências em nível regional e essas competências são supranacionais e as
nacionalidade de vários estados nação têm competências mais definidas para questões
mais locais, nacionais. Mas aquilo que diz respeito à região é definido como estado
supranacionalidade.

A partir de agora, ficamos zerados em relação ao programa. Não há necessidade


de fazer aulas de reposição, com a conclusão do ponto de hoje, estamos certos com o
conteúdo.
Desafios do mercosul
Primeiro tratado que instituiu o mercosul, o tratado de assunção.
O problema das assimetrias, existe assimetria entre os países do Mercosul,
contudo, esse problema é comum na União Europeia.
O bloco precisa ter políticas que sirvam ao bloco, precisam ter políticas
condizentes com o bloco, precisam ter legitimação condizente com o bloco, mas, tudo
isso, esbarra na capacidade do investimento e a discussão mais importante, que na
política internacional se chama de (inaudível), ou seja , quem é que paga pelo processo
de integração?
Não resta dúvida que, no ambiente europeu, quem paga é quem tem mais
recursos, isso está pacificado. Os europeus não têm dúvidas que eles tem que pagar pela
integração e eles sabem que, se não pagar, pode ser pior, como foi pior no passado. As
guerras que eles tiveram aconteceram por conta de não haver integração A Alemanha,
de certo modo, está domesticada para essa prerrogativa de pagar. O reino unido está
reclamando, não está querendo assumir certos custos. A parte majoritária da população
do reino unido não concorda e não quer assumir o preço e não está suportando esse
custo.
Aí há uma grande discussão, eu publiquei um livro há uns dois anos atrás sobre
isso e, sobretudo, da visão dos países em relação ao brasil.
Há algumas iniciativas como o FOCEM – fundo para a convergência estrutural
do mercosul, em que o brasil é o maior contribuidor desse fundo e que a maior parte dos
recursos devem ser utilizados para financiamento de atividades de obras em outros
países e não no brasil.
Os jornais quando se colocam contra algumas iniciativas acabam por soltar
notícias, comentários etc. (oposição), quando algumas iniciativas são realizadas com
recursos do mercosul, com mais recursos brasileiros, eles se colocam contra e se
mobilizam negativamente. Pode-se chamar isso de oposição de alguns setores, são
setores mais organizados, economicamente organizados, que não concordam que o
brasil utilizem recursos com a cooperação internacional e, nesse caso, com o Mercosul.
Para você construir infraestrutura, por exemplo, rodoviária é preciso que alguém
pague. Não se pode esperar que o Uruguai ou o Paraguai pague, desde de a época da
ditadura, se construiu aquela rodovia, BR 277, que liga Foz do Iguaçu à Curitiba e liga
até São Paulo também, aquilo ali favoreceu a integração com o Paraguai. Se diz que, até
então, a proximidade era muito maior com Paraguai e com a Argentina e passou então a
ser muito mais com o Brasil, ou seja, o Brasil passou a ter maior influência sobre o
Paraguai a medida que construiu aquela estrada.
A ideia seria construir ou ampliar a construção até chegar em Assunção. Quem
arcaria com esse custo? Poderia ser os chineses.
Não é só, digamos, as rodovias, mas portos, pontes favorecem a circulação de
pessoas, de mercadorias, a construção de aduanas, tudo isso é necessário, quem é que
paga?
Num bloco como este, em qualquer bloco, na verdade, alguém tem que pagar, e
paga quem tem mais recursos econômicos.
Uma economia no momento em que está passando a Argentina, não é possível
esperar que ela participe desses esforços e, ao mesmo tempo, o Brasil não está mais em
uma situação tão boa do ponto de vista econômico.

Esse é o imbróglio que envolve o Mercosul. Precisa criar as possibilidade de


desenvolvimento, precisa diminuir as assimetrias e só se diminuem as assimetrias
investindo nos países. O modelo da união europeia é o melhor para pensarmos.
Dois estados, Portugal e Espanha, quarenta ou cinquenta anos eram estados
agrários, mudaram muito, sobretudo, Portugal, tem uma mudança fenomenal em
cinquenta anos. Foi com o investimento da União Europeia.
Essa dificuldade de entender o processo acontece em todos os países, Argentina,
Paraguai, assume condições diferentes, mas o medo e o receio está muito presente,
sobretudo, em relação ao Brasil, na Argentina, principalmente.
A Argentina vem perdendo espaço, poder político no cenário internacional no
século XX, era um país muito mais significativo do que o Brasil, do ponto de vista
econômico, do ponto de vista político. Já teve uma contribuição muito grande para o
direito internacional, para a doutrina, várias doutrinas foram criadas por juristas
argentinos, mas vem perdendo poder e o medo em relação ao Brasil é muito grande,
então, tudo isso, joga o Mercosul em uma incerteza muito grande.

(discussão entre alunos)

14. Aula 14 (Aula do dia 21/05) - Solução pacífica de controvérsias


internacionais
Nós vamos entrar hoje no ponto que é soluções pacíficas de controvérsias
internacionais e vamos até a próxima quarta-feira. Nós chegamos um pouco depois da
metade do programa e estamos no ponto em que, como já falei anteriormente, mais
interessa, ou se não é o que mais interessa, é o que mais justifica ​*inaudível*, pois o
direito internacional existe para solucionar controvérsias.

O direito internacional de alguns séculos atrás era um direito internacional com


características leves e sem limitações. A partir da criação da liga das nações, nós temos
uma série de princípios que regulam, com as limitações que nós sabemos, a ordem
internacional. A ordem internacional tem idas e vindas. Tem momentos em que é
possível construir, determinados programas, determinadas questões, determinadas ideias
que adentram em termos de uma paz e, às vezes, nem tanto, como aliás está
acontecendo agora. Nos dias atuais, temos um cenário muito complicado para os
direitos sociais, para o direito internacional, para os direitos humanos de uma maneira
geral. Isso tanto no campo interno, como no plano internacional.

Estamos falando de um ponto que é de uma maior relevância para o direito


internacional. Soluções pacíficas de controvérsias internacionais. Primeira questão a
chamar atenção aqui é que os meios que vamos falar, provavelmente vamos nos limitar
hoje, são facultativos. Nós vamos deixar os meios obrigatórios para a nossa próxima
aula. A doutrina faz essa distinção entre meios facultativos e obrigatórios. Os meios
facultativos são esses quatro que estão aqui. As soluções de controvérsias das quais
estamos falando se referem, sobretudo, aos estados. Desde que os estados nação se
estabeleceram no cenário internacional, eles vieram alcançando um significado que
permitiu que esses meios fossem criados. Quando se fala também em soluções pacíficas
ou meios pacíficos de soluções de controvérsias tem aí uma renúncia orientada pelos
autores idealistas, liberais, uma renúncia em relação a guerra, ou seja, aquilo que no
passado, na primeira fase, na segunda fase do desenvolvimento do direito internacional,
que era a guerra como regra. Nós estamos no momento em que é exatamente o
contrário: nós temos a paz como regra. Então, é dentro desse ponto de vista que nós
trabalhamos esse tema. Ele surge com a criação da liga das nações. Temos personagens
muito importantes, todos aqueles chamados fundadores do direito internacional vieram
contribuindo com essas ideias. Todos esses autores vieram contribuir, pelo menos a
partir do século 16, 17, 18 para essa concepção. A compreensão de que precisamos de
meio pacíficos de soluções de controvérsias no plano internacional. Essas controvérsias
alcançam sobretudo os estados, pois, como nós sabemos, os estados são os principais
sujeitos do direito internacional, mas como já vimos​, *inaudível*, ​eles não são os únicos
sujeitos, temos também as organizações internacionais criadas formalmente no início do
século XX e temos o advento do indivíduo, ou seja a pessoa humana, que é sujeito
também, com limitações, no direito internacional. Na grande maioria dos casos são os
estados que vão ter as suas controvérsias resolvidas, mas, em algumas situações, os
indivíduos fazem parte, seja em quanto indivíduo, seja em quanto grupo de indivíduos,
sobretudo quando falarmos sobre tribunais. Vamos ver que os indivíduos podem ser
julgados, e cada vez mais através de organizações internacionais, não governamentais,
mas também das próprias organizações internacionais eles tem alguma voz, eles podem
ter as suas demandas asseguradas no plano internacional.

Pergunta inaudível: no caso de lula, quando saiu o mandado de prisão dele, a


estratégia do advogado de defesa era devolver a corte interamericana de direitos
humanos

R: Pode ser que seja uma estratégia do advogado de defesa, não tem como
afirmar, para demonstrar que a constituição não estaria sendo cumprida.

Pergunta inaudível: Nessa hipótese se a comissão decidisse que não tinha prova,
essa decisão seria executada no brasil?

R: Nós vamos ter uma aula pra discutir melhor isso, mas já adiantando, as
decisões do sistema interamericano, do sistema europeu devem ser cumpridas pelos
estados, agora, eu não tenho dúvidas também de que a política se relaciona com o
direito, tanto no plano interno, como no plano internacional, então vai depender também
das condições políticas. Mas, em princípio, é possível. Tem algumas decisões muito
importantes, por exemplo, em relação ao Chile, decisões que alteraram a sua prática e a
sua constituição. Vamos falar sobre isso quando chegarmos nos meios obrigatórios.

Nesta aula, o objeto da nossa aula, nós vamos até os meios facultativos. A partir
do momento em que as organizações internacionais foram criadas, esse tema adquiriu
uma relevância muito grande, estamos falando de um ponto essencial do direito
internacional. É importante reconhecer que esses meios foram criados no decorrer da
história, nós falamos do desenvolvimento histórico do direito internacional (as
arbitragens vêm da antiguidade, os tribunais são mais recentes, do século XX). O meio
mais antigo de solução de controvérsia no plano internacional são as arbitragens. Como
nós sabemos a designação internacional só surge em 1780 com Jeremy Bentham, que
cria a designação international law.

Esses meios tanto previnem quanto solucionam as lides entre estados, entre
organizações internacionais, ou com a participação das organizações internacionais. As
organizações internacionais são, hoje em dia, grandes mediadoras, são espaços onde são
construídas soluções. Elas foram muito impulsionadas no século XX, tanto em função
do processo de racionalização, do processo de criação de organizações internacionais,
processo de codificação, de positivação, tudo isso contribui para estabule os princípios e
os meios de soluções de controvérsias. Um dos criadores da liga das nações, Woodrow
Wilson, foi defensor das soluções pacíficas e encontramos nos seus textos a defesa de
que abandonássemos os meios não pacíficos, a guerra.

No tratado que institui a liga das nações, nós vamos encontrar todos os meios de
solução de controvérsia: vamos encontrar o inquérito, o tribunal e a arbitragem. Vamos
encontrar claramente esses meios. Com a criação da ONU em 1945, nós vamos ter
referências (art. 33 da carta das nações) expressas aos meios admitidos para solucionar
controvérsias, que estavam anteriormente admitidos de maneira idealizada no tratado da
liga das nações: negociação, inquérito (é um meio obrigatório criado a partir das
organizações internacionais, ou seja não tinha antes da liga das nações, sobretudo da
ONU, onde temos muitos exemplos de inquérito em matéria de segurança, financeira,
dos diretos humanos); mediação; conciliação; arbitragem (obrigatório); solução judicial
(obrigatório). A carta das nações abre espaço para qualquer outro meio pacífico e faz
referência do papel do conselho de segurança no papel de manutenção da paz. Esse
sistema não é perfeito, mas temos avanços em relação ao que o DIP prometia e realizava
no século 19.

A proibição da guerra unilateral é um outro elemento do sistema que temos hoje,


a ideia que dentro de que dentro daquela noção de que nós devemos buscar resolver
conflitos pacificamente, a guerra não deve ser nem a regra, e nem definida em base
individual. Ou seja, um Estado não pode unilateralmente declarar guerra, do ponto de
vista legal. Do ponto de vista da definição legal, a carta das nações não permite que um
Estado declare unilateralmente a guerra. Um pouco como muitos pontos da nossa
Constituição, que diz uma série de coisa belas em relação aos direitos fundamentais,
sociais, ao salário mínimo. Então é mais ou menos da mesma forma que a carta das
nações diz em relação à guerra unilateral, proíbe que os estados unilateralmente
declarem guerra.
Pergunta: se não conseguir resolver?
Resposta: Não, em princípio não pode, é ilegal a declaração de guerra
unilateralmente. A única possibilidade, no atual sistema, é ser declarada
multilateralmente.
Pergunta: Então se for pra negociação, não pode declarar unilateralmente?
Não, do ponto de vista positivo. Mas do ponto de vista prático muitos estados
têm declarado guerra unilateralmente.
Mas fiquemos com essa noção que é super importante e não é uma idealização,
porque de qualquer forma quando acontece de haver uma invasão sempre um Estado vai
a um órgão internacional e diz “essa ação é ilegal” e com isso não se legitima uma
intervenção internacional. É também dessa forma que o direito internacional se faz
valer, ou seja, não é só com o uso da força, aliás cada vez menos é com o uso da forma,
mais com base nos argumentos e debate sobre o direito internacional.
E com isso podemos ir aos meios facultativos.
1) Negociação amistosa
A negociação amistosa, como eu falei anteriormente, ele pode falar de
negociação direta, trocas de opiniões, consulta. Ou seja, pode utilizar outras expressões,
mas estaremos falando dessa possibilidade. Hoje em dia, é o que mais acontece, ou seja,
o encontro de diplomatas, representantes dos Estados para procurar resolver ou prevenir
controvérsias.
Uma negociação amistosa acontece, hoje em dia, com a maior facilidade. Se
antes tinha trocas de fax, telex, hoje em dia é tudo por email, whatsapp. E não só os
diplomatas, mas também os governantes e funcionários das organizações internacionais.
Eles estão a todo momento em contato com os outros, e sempre que acontece alguma
coisa eles podem trocar informações. É dessa forma que pode acontecer o início de uma
negociação amistosa.
Digamos que um governo esteja preocupado com a entrada excessiva de
elementos da linha branca, exemplo, algumas geladeiras. Sobretudo o Estado está num
momento econômico difícil, como tem acontecido aliás nos últimos tempos, tem uma
dificuldade econômica em relação a alguns países, aí a gente vê no jornal um ministro
fazendo um discurso. Um discurso dizendo que não está satisfeito com a entrada de um
carro, como nos últimos anos aconteceu com a Argentina em relação aos carros
brasileiros. E nós sabemos que há essas rotas comerciais dentro do MERCOSUL, isso é
acertado, ou seja, os Estados, que estabelecem cotas para essas trocas comerciais. E aí
pode-se chegar à conclusão que num determinado momento entrou carro demais ou ar
condicionado demais e aquilo tá prejudicando a economia, a indústria nacional. A
mesma coisa pode acontecer, como aconteceu, o ministro do Uruguai também reclamou
alguns anos atrás sobre a entrada de automóveis produzidas no brasil.
O que acontece a partir daí? o presidente do país então manda que um diplomata
entre, ou o próprio ministro da economia entre em contato.
Isso tem uma rapidez muito grande. Pode ser no outro dia os presidentes dos
dois países marquem um encontro em qualquer lugar, ou os ministros da economia se
encontrem também, quando eles se encontram não se encontram sozinhos, mas com
membros da diplomacia, para encontrar uma solução. Isso a gente chama negociação
amistosa, e é um meio que não tem muita formalidade, pelo contrário, um meio
INFORMAL​, sobretudo, hoje em dia. Se sempre foi assim, na época cartas já existia
negociação amistosa então se mandava uma carta e era mais protocolar, embora não
existisse muita formalidade, mas sobretudo hoje em dia é um meio muito informal. Por
qualquer meio de comunicação é possível iniciar o processo de negociação amistosa e
concluí-lo também.
Se diz também, a doutrina fala que pode ser ​admitido em qualquer momento
do processo relacionado a uma controvérsia. Então, por exemplo durante o início de
uma divergência, no meio da divergência, no final. Mesmo que o caso já esteja num
tribunal a negociação amistosa poderá ser acionada, poderá acontecer, porque a
negociação poderá versar sobre qualquer tema, não é só sobre o conteúdo em si, o
elemento central da controvérsia, mas também sobre os meios, até mesmo de
cumprimento de uma decisão. Então imaginemos que o tribunal tome uma decisão que é
desfavorável a uma das partes então a negociação será como executar aquela decisão.
Vejamos que se trata de um meio que poderá ser utilizado a qualquer momento da
controvérsia.
Pergunta: [não dá para entender, mas acho que fala de recurso]
Resposta: a gente vai ver quando falar do tribunal. Enquanto negociação não
cabe recurso. A negociação é um processo aberto, que tanto pode ser multilateral como
bilateral. Quando bilateral ela é entre dois Estados.
O que se pode dizer? A negociação amistosa é um meio pelo qual estabelece-se
uma base para negociação. Observa-se que as partes aí têm condição para negociar.
Essa informação é importante porque quando chegarmos na conciliação e, sobretudo,
nos bons ofícios é porque as partes não estão em condições de negociar. Mas aqui há
condições de negociar, sobretudo os Estados, eles se encontram, eles trocam mensagens,
correspondências, eles tentam resolver. Então há uma base de negociação, que pode ser
bilateral.
Quando há conflitos de fronteiras, como por exemplo Brasil e Venezuela, Brasil
e Paraguai. Imaginemos que a todo momento os diplomatas estão trocando negociações
e tentando resolver, então qualquer posição que um Estado tomar será com base nas
conversas entre os representantes dos Estados. Isso nem sempre foi assim. Só é assim a
partir do século XX, com a definição da terceira fase do direito internacional, com a
criação das organizações internacionais, com a criação dos tratados, nós vamos ter essa
possibilidade mais propiciada. Claro, as negociações amistosas existem faz tempo, mas
não com a presença e rapidez de hoje. Então volto a dizer, qualquer assunto que
incomode um Estado, a partir do momento que fica clara a divergência, essa divergência
pode ser feita na imprensa, num órgão, ou pessoalmente através de um governante, ou
seja, não tem uma formalidade. A partir dali tem-se início um diálogo para solucionar a
controvérsia, ou prevenir uma lide. Se previne uma lide quando se prevê a possibilidade
do conflito e a partir dali tentam resolver antes do conflito existir, ou então quando o
conflito já existe vamos tentar resolver, solucionar a controvérsia.
São conduzidos segundo os ​costumes​. O que isso quer dizer? Depende muito do
costume. Se for uma solução amistosa entre dois Estados se coloca, ou seja, multilateral
ou bilateral, se coloca a questão de que língua será realizada. Então, é muito de acordo
com a relação de cada Estado. Normalmente, se for uma língua próxima cada um fala na
sua língua, como acontece aqui na América Latina. Tem usos e costumes universais e
usos e costumes regionais. Se for uma negociação multilateral, com várias partes e
representantes de organizações internacionais, se for sobretudo no âmbito da
organização internacional, vai se observar as línguas oficiais da organização
internacional. Exemplo, ONU, que não contempla o português. Normalmente, os
diplomatas brasileiros falam e escrevem em inglês.
É parte dessa relação do costume onde se encontram as pessoas para negociar.
Pode ser que se encontre em uma organização internacional ou estabelecerem encontros
sucessivos que sejam em cada um dos Estados se tratar de uma negociação bilateral, se
for multilateral será bem razoável se encontrarem em uma organização internacional.
Forma​. Por meio de reuniões, por meio de cartas, por meio de mensagens
eletrônicas. Tudo isso também vai ser constituído com base nos usos e costumes.
Então estamos falando de um meio que, de todos, é o mais utilizado. Sobretudo,
com a criação de organizações internacionais, é certo que nesse momento há diplomatas
tentando realizar a solução de controvérsias. Questões de fronteiras, comércio
internacional, direitos humanos, questões de segurança, tudo, tudo que tem relevância
no plano internacional.
2) Bons ofícios
São uns meios antigos, embora não tão antigo quanto a arbitragem. Pelo que
coloca a doutrina a criação pode ser creditada à Igreja Católica. Como nós sabemos. Por
isso o nome pomposo, a ideia de “bons ofícios”, como se fosse uma boa solução como
nem sempre foi, e como sempre foi cumprido. E também, nem sempre as decisões
foram cumpridas, pois havia uma disputa entre o poder temporal e o poder religioso, e
nem sempre o poder temporal respeitou as decisões do papa. Então estamos falando aí
de uma solução de controvérsias que surge no âmbito da igreja católica orientada pela
aquela pretensão de que não houvesse guerra entre os estados cristãos. A guerra era
justa desde que fosse para cristianizar, mas dentro da própria base cristã não cabia a
guerra. Inicialmente, era uma solução de controvérsias que cabia ao papa.
E era também um meio, era um meio obrigatório. Hoje, é tido como um meio de
solução facultativo. Na ocasião, era um meio obrigatório. O papa mandava chamar os
reis que estavam em guerra ou querendo entrar em guerra e dizia o que eles deveriam
fazer para não guerrearem, deixassem a guerra com os outros, mas entre estados
cristãos, não. E falava o que eles deviam fazer para não guerrearem.
. Um grande exemplo de Bons Ofícios foi o Tratado de Tordesilhas, entre a
Espanha e Portugal. Como se sabe o território, que hoje é o território brasileiro, o nosso
território, era objeto dessa controvérsia. Não se sabia exatamente se existiam, e até onde
existiam, terras a oeste da América e da América do Sul, e em função disso a briga entre
Portugal e Espanha era muito grande, pois não sabiam até onde as terras, que hoje são
terras brasileiras iam, mas estavam disputando entre si.
Então o Papa resolveu a controvérsia traçando/passando uma linha imaginária e
dizendo que a partir dali/até ali as terras eram de Portugal e dali em diante eram da
Espanha. Esse tratado foi descumprido, como nós sabemos, por isso o território
brasileiro é muito maior do que o definido no tratado. Nessa negociação que tem como
nome Bons Ofícios.
Hoje, se entende, diferentemente, desse início, ou seja, enquanto uma criação da
Igreja Católica era um meio cristão para estabelecer a paz entre Estados Cristãos, e tinha
um caráter obrigatório.
Hoje em dia houve uma transformação nesse conceito, qualquer pessoa que seja
respeitada no plano internacional pode propor Bons ofícios. Não só o Papa, embora o
Papa continue a fazer Bons Ofícios, como por exemplo no caso da Argentina e o Chile,
em torno do Canal de Beagle. Foi Bons Ofícios que o Papa realizou.
E o que é que significa hoje em dia: significa que as partes não estão
demonstrando condições de diálogo, não tão diferentemente da origem/do início do
Bons de oficio, aliás, ou seja, as partes estavam em disputa, estavam sem condições de
diálogo, ai o Papa mandava chamar e obrigar eles ouvissem o Papa e cumprissem sua
decisão.
Mas hoje não é isso, é alguém que vê essa controvérsia e que diante da
magnitude da controvérsia e entendendo-se como tendo uma responsabilidade
internacional e entendendo-se como uma pessoa com condições de favorecer o encontro
das partes, ela se propõe perante as partes a realizar Bons oficio. O que significa dizer:
“eu estou vendo que vocês não estão dialogando, então, eu gostaria de favorecer para
que vocês sentassem a uma mesa e resolvessem o problema de vocês”. Os Bons de
Oficio, portanto, não tem, hoje em dia, nenhum compromisso com a solução em si. E se
houver essa preocupação com a solução em si, então, já deixa de ser Bons ofícios e
passa a ser uma mediação, ou uma conciliação, ou outro meio de arbitragem. Em
princípio, os Bons Ofícios se cumprem quando as partes sentam a uma mesa para
resolver o seu conflito.
Houve vários Bons ofícios, por exemplo, em relação a Palestina e Israel, vários
presidentes, incluindo os presidentes norte-americanos, propuseram Bons ofícios,
porque não havia diálogo entre as partes, e o que eles fizeram (eles = os presidentes) foi
dizer: “vocês precisam conversar”.
-Pergunta inaudível.
- Professor responde: Começou como um Bons Ofícios e depois virou
mediação, ou seja, alguns meios, como no caso determinados meios, podem se
transformar em um outro meio. Isso acontece, ou pode acontece, com Bons Ofícios se
converter em uma conciliação ou numa mediação, então, o acordo de Camp David no
Egito e em Israel começou com Bons ofícios. O ex-presidente Jimmy Carter convidou e
tinha autoridade para isso, ele tinha um reconhecimento internacional, e disse: “olha
meus amigos, vamos tentar resolver esse conflito que há tanto tempo aflige suas
populações, elas (suas populações) não podem continuar morrendo e matando”. Então
teve o encontro, que consistiu basicamente em dizer: “eu estou reunindo (o presidente
convida e eles vão) essas duas figuras, aí ele faz uma série de discursos, aqui se
resolvam e deixam eles lá”, ou até aí era Bons ofícios. Ou seja, até o momento em que
ele junta as partes e essas partes estão conversando a respeito do seu conflito, estão
tentando procurando resolver conflito estamos diante dos Bons ofícios. Se ele for
convidado a permanecer na discussão e contribuir para a solução passa a ser uma
mediação.
E antes da gente passar para mediação tem a questão da recusa. É um grande
risco, que aquela pessoa que se coloca na posição de realizar Bons Ofícios corre, ou
seja, ela tem que ter clareza, certeza que sua posição é de autoridade no plano
internacional, sobretudo junto as partes, que ela é vista tendo neutralidade em relação ao
conflito, porque o grande risco é as partes, ou uma delas, dizer: “não aceito os seus
Bons Ofícios porque você não tem autoridade para propor ou porque você está
envolvido no conflito”. Que é o que não aconteceu com o coso nem do Papa, caso esse
do Canal do Beagle, entre Argentina e Chile, que foi uma disputa territorial. Uma
disputa territorial, que implica em tudo que o território tem, ou seja, o valor econômico
do território, o valor histórico, o valor sentimental, tudo isso está em disputa, lá no fim
do mundo, como se pode dizer, que é o finzinho da América do Sul. E nem também do
caso de Camp David, ou seja, as partes consideraram que o presidente americano tinha
essa autoridade, pode, portanto, e já houve um caso em que presidentes, reis, diplomatas
atuarem como agentes de Bons Ofícios.
Pode ser que alguém que não tenha cargo algum, mas tenha uma
respeitabilidade. O importante é que aquela pessoa que se propõe a um ato de
disposição dela, ou seja, ela se coloca nessa posição de propor Bons Ofícios, e terá que
ser aceito pelas partes. Isso vale também para a vida entre nós, ou seja, quantas não são
as vezes que uma pessoa externa ao conflito vê uma, por exemplo, no fim de um
casamento, ela entra e diz: “gostaria que vocês sentassem para conversar”. Até aí seria
Bons Ofícios. Então, vale para questões comerciais, territoriais, vale, enfim, para
qualquer situação no plano internacional.
Alguns ofícios exigem neutralidade e exige essa condição de uma pessoa
reconhecida como uma autoridade moral no plano internacional, ​alguém que tem
condições de propor uma base de negociação, e não uma base de acordo, mas de
negociação​, ou seja​, os Bons Ofícios se caracterizam por isso: por propor uma base
de negociação, “estou querendo favorecer para que as partes conversem e resolvem os
seus problemas”. Se isso acontece se cumprem os Bons Ofícios.
Pergunta: - Nas relações interpessoais também​?
Professor: - Eu diria que sim, porque não​? Mas a gente está falando do plano
internacional.
Bom, se, e acontece muito, os Bons Ofícios se cumprem, ou seja, na medida em
que as partes sentam e há uma base de negociação, que significa: elas sentam a uma
mesa para conversar, aquilo que não estava acontecendo antes dos Bons Ofícios. ​Então
essa é a condição essencial para caracterização dos Bons Oficio: as partes não
estavam em diálogo​. E a partir do momento que o agente dos Bons Ofícios reuniu essas
pessoas, então, houve o cumprimento dos Bons Ofícios. Ou seja, as partes começaram a
negociar.
O agente (o terceiro tal como o Papa, o presidente ou pessoa de respeitabilidade
internacional) pode simplesmente se retirar porque era isso que ele queria, que as partes
ficassem conversando... (alguém interrompe a aula para dar um aviso).
O agente dos Bons Ofícios pode se retirar do processo e dizer: “vocês a partir de
agora eu não quero mais interferir” ou pode ser que as próprias partes digam: “foi tão
bom que nós gostaríamos que você estudasse nosso caso e propusesse uma solução”, aí
viraria uma mediação.
Então, a mediação é um pedido de opinião, no caso, por parte de quem tem o
problema, ou de uma das pessoas ou das duas. então, acontece muito de Bons Ofícios
virarem uma mediação. Exemplo disso é o que aconteceu com Camp David, que
inicialmente foi Bons Ofícios e depois se tornou mediação do presidente
norte-americano. Veja, as partes pediram essa opinião. ​No caso tem que haver esse
pedido de opinião, que não é nada mais que uma opinião e por isso é facultativo​. ​O
mediador ele não impõe uma decisão, ele foi convidado, portanto, não se trata de uma
jurisdição, ​ELE FOI CONVIDADO PELAS PARTES a apresentar uma opinião que
ele colocará no papel, que é claro, se as partes assinarem aí a gente vive um nível/grau
de obrigatoriedade, mas já não é mais uma mediação, ai já é algo que extrapolou um
outro meio. Talvez tenha muito mais característica de uma arbitragem. na mediação
também difere do Bons oficios, ou seja, enquanto os Bons Ofícios são uma base para a
negociação, a mediação é uma base para o acordo.
Então digamos que o que acontece é seguinte: as partes conversaram para
dialogar, com a facilitação dos Bons Ofícios, ou não, mas imaginemos que não havia
Bons Ofícios, então, as partes foram a uma terceira pessoa/terceira parte para pedir o
apoio dela. Ora, “estamos aqui com esse problema, então, me ajude a resolver, você tem
nossa confiança”. Ou seja, tem a confiança das partes, para o terceiro dar sua opinião
para resolver nossos problemas, que pode ser questões territoriais, de fronteiras,
comerciais, de direitos humanos, vale para qualquer questão do plano internacional.
Então, o medidor, uma vez convidado, ou seja, tem o pedido de opinião, ele é
convidado, nos Bons Ofícios, a pessoa se coloca como tendo autoridade. Na mediação
são as partes que pedem, ou uma delas, pedem o apoio do mediador.
Pergunta inaudível (mas o que deu para entender é que a pessoa pergunta se
existe algum tipo de acordo prévio entre as partes para escolher mediador)
-Professor responde: tem que haver a concordância das partes, porque se não é
inviável a possibilidade de acordo. Então, as partes têm que querer realizar o acordo.
Mas aí entram questões evidentemente políticas, que tornam as soluções, ou podem
tornar as soluções muito complicadas. Alguém pode até dizer que quer uma solução,
mas na verdade, não quer. Isso acontece muito. Tem muitas situações que, é muito mais
para dizer para o público que há uma inciativa, há uma intenção de fazer acordo, quando
na verdade não tem.
Voltando para as questões jurídicas, a mediação é quando há um pedido de
opinião feito pelas partes para que uma terceira parte/terceira pessoa dê sua
opinião. Essa pessoa tem que ter neutralidade, ou seja, ninguém vai chamar para
resolver um conflito, sobretudo, convidar alguém sem neutralidade. As partes vão
querer que seja alguém com essa neutralidade capaz de favorecer não só o diálogo,
como também o acordo​.
A grande diferença da mediação para a conciliação é que nesta ultima não
se exige essa neutralidade. Porque o conflito será resolvido pelas próprias partes.
Os representantes das partes constituem uma comissão, que pode ser uma
comissão isenta, ou seja, que não sejam de pessoas envolvidas em relação ao
Estado. Mas em geral são do Estado que irão participar. Por exemplo, disputa
territoriais, muitas delas foram resolvidas com base em conciliação. Normalmente,
seriam representantes com o mesmo número, por exemplo, 6 membros de um lado
e 6 membros do outro, que irão estudar a questão, vão ver as condições de diálogo
e vão propor a saída. Não necessariamente se exige neutralidade, mas pode ser que
tenha, pois eles (Estados) têm a liberdade de constituírem a comissão da forma que
quiserem, com isentos ou não.
Pergunta: Mas não descaracterizaria a conciliação, não​?​ A comissão ser isenta​?
Professor: Eu acho que não, ​mas vamos considerar aqui com a noção que
normalmente as comissões instituídas para fazer conciliação são participeis dos Estados,
tendo, também, interesses na solução da controvérsia, interesses relacionados aos
interesses dos Estados, em geral é assim.
Muitos conflitos de território e de fronteiras foram resolvidos tanto com base em
mediação como em conciliação. As comissões da conciliação eram instituídas pelos
próprios Estados, com representantes dos próprios Estados, para resolver. E nem
sempre, mesmo dessa forma, os acordos eram os melhores possíveis para os próprios
Estados.

15. Aula 15 (aula do dia 23/05)

Muito bem, então, na área de direitos humanos tem muita prevalência de


inquérito, nós vamos encontrar muitas relatorias especiais e relatorias especiais fazem
exatamente isso, o trabalho de inquérito, seja visita às localidades, se for relacionado às
mulheres, por exemplo, o que vai acontecer é que a relatora sobre os direitos das
mulheres vai entrar em contato com um grupo de mulheres, representantes dos
governos, polícias,... órgãos públicos em geral, e vai elaborar um relatório. Dependendo
do ano da visita vocês vão encontrar o relatório específico e podem ter a impressão que
o relator tem, e o mais importante, vão encontrar as recomendações do relator. É onde
se verifica a capacidade de um inquérito, ou seja, o relator elabora além de uma
apreciação sobre o que o país tem feito ou deixado de fazer com relação ao assunto, e
também indica caminhos, o que o Estado deve fazer para o cumprimento do tratado. E
esse modelo serve para todas as áreas.
Serve para a OIT (Organização Internacional do Trabalho), ou seja, também no
âmbito do trabalho são feitas as inspeções, são feitas comissões de inquérito, podemos
entender dessa forma também (na verdade pode ser feito por uma pessoa ou por
comissões), normalmente na relatoria especial é apenas uma pessoa, o relator,
acompanhado do seu assessor, o qual ajuda no trabalho. No âmbito da OIT,
normalmente é uma comissão, um grupo de três pessoas, que procuram verificar em que
medida o país está adotando, implementando os tratados relacionados ao Direito do
Trabalho.

-- Pergunta: Essas recomendações são só soft law, né?

Resposta: É, porque o Estado cumpre ou não, se ele não quiser cumprir, não cumpre.
Aliás, muitas vezes fica sem cumprimento. Sobretudo, havia uma crença de que a ONU
cresceria muito em significado com a entrada do século XX, mas não se verificou, e está
muito relacionado ao que aconteceu em 2001, ao ataque às torres gêmeas, havia uma
crença de que os mecanismos da ONU seriam adensados, haveria muito mais
capacidade, sobretudo depois da 2ª Conferência Mundial de 1993, ou seja depois da
Queda do Muro de Berlim, se acreditava que haveria um adensamento em relação ao
cumprimento dos tratados dos direitos humanos. E aí com o atentado de 2001 notou-se
um freio em relação a este cumprimento. Então houve um tempo em que havia muito
mais recurso, mas em relação a hoje, não vou aqui mentir pra vocês, é uma área que os
relatores continuam visitando as localidades, mas com muito menos frequência e o
próprio cumprimento não tem o significado de outros tempos. Estamos num mundo
atualmente muito complicado, tanto no plano nacional como no plano internacional, as
coisas não estão funcionando como foram desenhadas na época, lamentavelmente.
Então o inquérito já teve mais significado. Anda funcionando muito mais na área de
energia atômica, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) possui inspeção
com grau de cogência muito alto, que aí não é soft law, as recomendações são
devidamente cumpridas, porque é segurança coletiva. Se ela descobre que um Estado
está descumprindo, violando o tratado de não proliferação de armas nucleares, a AIEA
vai indicar que o Estado deixe de produzir energia para fins bélicos. De posse de um
relatório com este teor, o conselho de segurança poderia autorizar até uma invasão.

Pergunta: A Coreia do Norte assinou esse tratado (de energia atômica)?


Resposta: Não. Mas mesmo assim se entende que é uma área que está obrigada a
cumprir, pois se trata de segurança internacional. Entra a própria ideia de sobrevivência
internacional, e também costume, é uma área que se apela para o costume internacional,
ou seja, nenhum Estado deveria estar autorizado para produzir armas nucleares se não
houver um consentimento da comunidade internacional. É meio louco porque alguns
Estados têm esse poder e outros não têm. Realmente, não tem coerência.
Pois bem, está claro o que é o inquérito?

Pergunta inaudível.
Resposta: Não tinha pensado nisso, mas o que se entende no âmbito da comissão
interamericana de direitos humanos é que funciona como sendo duas instâncias, né?
Tecnicamente poderia ser entendido como um inquérito. Ou seja, a comissão faz uma
apreciação e ao final ela recomenda o que o Estado deveria fazer diante da violação dos
direitos humanos, ela não julga e aí a Corte realmente julga. Agora, a Corte também tem
sido muito rigorosa, pode levar muitos anos para um caso ser levado e chegar a ser
aceito lá.
Bom, já que já está claro, então vamos para a arbitragem, que como se sabe é o
meio mais antigo de solução pacífica de controvérsias internacionais no âmbito
internacional. Precede aos tribunais, que só são criados no século XX, enquanto que a
arbitragem está presente desde a Antiguidade. O meio de solução tipicamente jurídico
do tribunal deveria ser utilizado apenas em situações muito graves, enquanto todas as
outras já deveriam ter sido anteriormente tentadas pela arbitragem. Mas a justiça é lenta
e precária, sobretudo a ideia de que no Judiciário há um vencedor e um perdedor, é a
lógica das decisões judiciais. Enquanto que na arbitragem se busca compor uma relação
vencedora a ambas as partes. A arbitragem no âmbito interno foi recuperada de tempos
pra cá, está muito em voga, no discurso de tornar o Estado mais eficiente, sendo este
utilizado apenas no Estado mínimo, apenas nas situações devidamente necessárias.
Independentemente dessa discussão, a arbitragem no plano internacional é vista
como um meio mais rápido, um meio que permite que as partes cheguem a uma certa
composição de seus interesses, e sobretudo que instituam uma jurisdição ad hoc. Ou
seja, as partes estão em condição de acordo, só não estão em condição de resolverem
sozinhas, por isso uma conciliação não resolve, precisa de um agente externo, que
normalmente necessita de um conhecimento técnico, como a demarcação de fronteiras,
por exemplo. Necessita de um conhecimento técnico de como fazer, que não é um
procedimento simples, requer outros conhecimentos relacionados a história, geografia,
política etc. Implica na definição de uma jurisdição ad hoc, específica para o caso, e que
uma vez concluída a solução, a lide, a jurisdição deixa de existir. É por isso que é uma
jurisdição ad hoc, como os tribunais ad hoc, só que em outra situação, daqui a pouco a
gente vai falar sobre isso, mas foram instituídos pelo conselho de segurança, com base
na Carta das Nações para situações específicas. Quando todos os casos tiverem sido
julgados, o Tribunal deixa de existir, por isso são tribunais ad hoc. Então no plano da
arbitragem estamos diante de uma jurisdição específica, ad hoc.

Pergunta: Como funciona a prescrição nos casos dos tribunais ad hoc, professor?
Resposta: É um tribunal como qualquer outro, só que no caso de Ruanda, por exemplo,
tem uma competência restrita ao ano de 1994, ou seja, só casos que aconteceram neste
ano, foi quando houve o genocídio. E em relação ao tribunal de Iugoslávia, todo e
qualquer caso acontecido de 1993 em diante, desde que relacionada a aquela situação,
do genocídio. E aí eu vou dar o endereço logo mais destes tribunais, onde vocês podem
encontrar as decisões (para o 2º exercício).
Há a necessidade de um compromisso arbitral de definição, de que seja
assumido pelas partes esse compromisso. É, portanto, um procedimento necessário de
substituição desta jurisdição ad hoc, e isso tá garantido por tratados internacionais
específicos relacionados à arbitragem.
Como já vimos em outras aulas, teremos a arbitragem no plano internacional
privado, que é a arbitragem envolvendo empresas transnacionais ou empresas e Estados
em matérias que dizem respeito às questões privadas, normalmente matérias comerciais,
quando o Estado é também um agente privado. Mas a arbitragem da qual estamos
falando é a do plano de direito internacional público, ou seja, arbitragem envolvendo
Estados. Dois Estados não estão em condições de resolver um conflito, mas eles
dialogam entre si, e aí definem que um outro Estado ou que uma pessoa ou um grupo de
pessoas funcionem como árbitro. Normalmente é uma pessoa, em função do seu
conhecimento, das suas habilidades (hoje existem escolas de arbitragem e há
associações de árbitros também, então é uma área que vocês podem se especializar), que
domine algumas línguas, e tenha habilidades para compor o conflito entre as partes. E
não habilidade para apenas chegar a um acordo qualquer, mas que seja satisfatório para
as duas partes, porque só aí a arbitragem terá sentido. Há situações em que uma parte
vai “ganhar mais”, ou ter mais vantagem, mas em geral não é o que se espera da
arbitragem pensando aqui no plano internacional, ou seja, espera-se que as partes saiam
satisfeitas desse processo.
Muitas das fronteiras do Brasil foram formadas com base de meios não
pacíficos, por guerras, mas em grande parte, sobretudo é o que se fala do Itamaraty, a
capacidade que este teve desde Rio Branco de compor e chegar a definir o território
com um certo grau de rapidez em relação a outros Estados da região. Existem ainda
muitos problemas envolvendo fronteiras da América Latina: Chile, Peru, Bolívia,
Venezuela... Felizmente o Brasil resolveu os problemas de fronteiras, talvez o mais
grave, até mesmo em relação ao Paraguai, inclusive com os movimentos que foram
feitos no final do século passado, com a criação de Itaipu, fica claro que ali se trata de
um território que foi demarcado, uma parte é do Brasil e a outra é do Paraguai. Mas até
em relação ao Oeste do Paraná, de Santa Catarina, alguns dizem até que toda aquela
área deveria ser do Paraguai, que o Brasil teria roubado. O fato é que até a Guerra do
Paraguai, aquela região ali era mais do Paraguai do que do Brasil e da Argentina. Mas
com a Guerra, o Brasil e a Argentina se tornaram donas das cataratas e aquela região
por ali.
A Corte Permanente de Arbitragem, que existiu, estamos falando de uma
experiência, ou seja, antes da Liga das Nações, teve uma série de julgamentos
mostrando justamente o significado dessa Corte enquanto uma experiência que não
estava relacionada a uma organização internacional, era um chamamento para a
importância de que existissem meios de solução de controvérsia no plano internacional,
então houve essa experiência. Depois, foi absorvida pela Liga das Nações e, sobretudo
pela ONU. No âmbito da ONU, tem-se resolvido muita coisa com base na ideia da
arbitragem. No Banco Mundial, tem um...
Pergunta: Ainda subsiste esta Corte?
Resposta: Não.
O Banco Mundial tem um espaço de solução de controvérsia com base na
arbitragem, ou seja, é um meio através do qual os contratos e os acordos estabelecidos
entre os Estados que não conseguem um acordo entre si, quando os estados não estão
em condições de resolver entre eles próprios, que se leva para o órgão de solução de
controvérsias que tem essa capacidade arbitral.
Um outro exemplo é o da fundição trail ou trail smelter, que é muito importante
também por conta da decisão em si, é um caso de 1941, em que disputavam os Estados
Unidos e Canadá: uma fundição foi estabelecida na fronteira entre os dois países e
levava poluição aos EUA, tentaram resolver entre si e não conseguiam, até que se
chegou a conclusão de que teriam que instituir uma arbitragem, instituiram a arbitragem
e o resultado foi a definição do plano internacional do princípio do poluidor pagador,.
Desde então, o princípio do poluidor pagador foi admitido é um dos princípios do
plano internacional, um dos princípios do direito ambiental internacional.
Pergunta: Mas de quem era a fundição ?
Era do Canadá, a fundição canadense levava poluição para uma cidade dos
EUA, e isso durou por vários anos até que se institui a arbitragem ou seja a jurisdição ad
hoc , e no final da resolução da controvérsia se define a obrigação do Canadá de
ressarcir pela poluição, o que significa a adoção do principio do poluidor pagador, e
como eu falava hoje este princípio está plenamente assentado no direito internacional
ambiental, a ideia do poluidor pagador, o que aliás é visto com reservas hoje em dia,
porque o Estado muitas vezes se compraz em poluir e pagar, desde de que ele esteja se
desenvolvendo ele polui e paga, e é por isso que tem outros princípios que foram
adotados também para tentar frear essa ânsia pelo capital, digamos assim, e a convenção
de Montego Bay.
Aliás a arbitragem que tem sido muito utilizada em várias áreas pelo que
estamos vendo, mas também em áreas comerciais e na área do direito ambiental, então
são áreas que tem demonstrado muita capacidade de utilização da arbitragem, de
resolver conflitos por meio da arbitragem: área financeira, comercial, do direito do mar,
e a obrigatoriedade da decisão está relacionada ao cumprimento do compromisso
arbitral, que é um documento que se assina, que está previsto nas convenções sobre
arbitragem, que os Estados assinam, pra que a decisão que for tomada, pelo arbitro, a
indicação da decisão que for dada, que ela seja cumprida, o que significa uma renúncia
ao poder judiciário em princípio,
Aí vocês vão perguntar, e se o Estado não renuncia ? E se o Estado resolve ir ao
poder judiciário ? Eu diria que o judiciário pode até aceitar a denúncia, pode aceitar o
caso, mas o outro estado vai alegar que este assumiu um compromisso arbitral e ficará
muito mais difícil pra ele e para o próprio tribunal que vai dizer que não aceita o caso
porque foi resolvido numa arbitragem. A mesma coisa é do plano interno vocês sabem
que neste plano também funciona assim.
A convenção de Montego Bay, como nós vimos também prevê a arbitragem, ou
seja, muitas dessas convenções, na hora de pensar, de regular a matéria em termos de
solução de controvérsias, indicam dentre as possibilidades, a arbitragem.
Pergunta: Com relação a arbitragem eu tenho algumas reservas especificamente
quando a gente trata a cerca do direito público , quando parte da iniciativa privada,
parece que as coisas são resolvidas da maneira mais tranquila, mas a própria escolha
desse árbitro já poderia implicar teoricamente na renúncia de alguns direitos que seriam
teoricamente indisponíveis, como você visualiza isso ?
Resposta: Não, em relação ao direito público de uma maneira geral, eu acho que
algumas áreas dentro do direito público por mais que.... não sei se é o caso dizer se sou
contra ou a favor, mas eu acho que se impôs, em relação á algumas áreas, a do direito
financeiro não, mas o direito ambiental, que é uma área do direito internacional público
e tem sido muito útil resolver controvérsias com base na arbitragem, porque tem muitos
interesses que não são só públicos aí, são interesses também relacionadas á empresas,
então tem sido muito útil a utilização da arbitragem.
O grande problema está também em que os tribunais nem sempre resolvem
pensando nas duas partes, por conta da lógica do judiciário que é dar ganho de causa a
uma parte ou a outra, a menos que o tribunal também tenha essa sensibilidade -
dependendo do tribunal vai haver essa sensibilidade- mas em geral não existe, nem no
plano interno, nem no internacional, é uma parte ou outra que ganha a causa, então
termina a arbitragem ganhando um incentivo entre os Estados em função disso: da
capacidade do árbitro, por ser instituído pelas partes pra tomar uma decisão.
Agora não cabe, como no plano interno, em situações em que as partes não
sejam iguais, entre Estados que não seja iguais - espera-se que os estados sejam iguais -
devendo ser iguais também na hora de estabelecer um árbitro, e devem ter cuidados na
escolha desse árbitro, mas se for entre estados que sejam muito diferentes entre si, pode
ser complicado.
Comentário: “ Parece que é outro discurso de desvalorização do papel dos
tribunais internacionais quando na verdade devia ser encaminhado no sentido de
favorecimento e valorização desses tribunais, aí a gente vê a iniciativa privada e outras
empresas, enquanto os tribunais ficam simplesmente recomendatórios”.
A outra discussão é com relação a capacidade dos tribunais de processar uma
quantidade muito grande de casos, nem sempre isso corresponde porque os tribunais
tem um custo, isso vale pro plano interno, as estamos falando aqui do plano
internacional, imaginem se todos os casos fossem para os tribunais, estamos pensando
que nos caso dos tribunais internacionais então certamente as viagens são
internacionais também.e isso geraria um grande custo.
Pergunta: Essa convenção do Montego Bay, pode também explicar a
controvérsia entre Reino Unido e o Chile?
Sim, pode utilizá-la também, certamente pode utilizar.
Então vamos seguindo que vamos falando sobre os tribunais.
Os tribunais são a forma mais tradicional e a mais rápida de solucionar
controvérsias. E o que é importante aqui de chamar aten é a cláusula facultativa de
jurisdição obrigatória, é uma cláusula que alguns tratados tem.
A cláusula facultativa é aquela que está presente em alguns tratados, como por
exemplo a carta das nações, e também na convenção americana sobre os direitos
humanos, e significa nada mais nada menos de que o Estado só aceita jurisdição do
tratado, do tribunal selecionado pelo tratado se houver uma manifestação expressa
desta aceitação. Simplesmente com a ratificação do tratado não significa que ele aceitou
a jurisdição internacional. Então isto vale para a Corte Internacional de Justiça e a
Corte Interamericana de Direitos Humanos , por esta razão as decisões no âmbito da
Corte Internacional de Justiça elas não valem para todos os Estados, depende da
aceitação expressa pelos Estados. O Brasil, Israel não aceitou isso explica também
porque decisões em relação a Israel não são aplicadas, em relação aos Estados Unidos
também não. O Brasil aceitou a jurisdição da Corte Interamericana de Direitos
Humanos que aconteceu em 1998 a partir disso o Brasil se juntou com outros países
da América Latina , porque a Convenção Internacional de Direitos Humanos conta com
essa clausula que diz que – mais ou menos isso – o Estado só aceitará a jurisdição da
Corte Interamericana de Direitos Humanos se manifestar expressamente consentimento
em relação a esta clausula. E qual o sentido da clausula ? Procura resguarda a soberania
dos Estados, a preocupação dos Estados com a perda da soberania na possibilidade de
uma decisão obrigatória em relação ao Estado or parte de um Tribunal Internacional.
Estamos ainda num momento em eu os Estados, sobretudo aqueles que tem mais poder
te preocupação em relação a isso.

Pergunta: Basta uma manifestação do Estado né ? Não precisa seguir tramite de


ser aprovado no Congresso conforme os ritos de emenda constitucional não né ?
Resposta: Tem que haver sim a concordância por parte dos Estados portanto tem
que haver manifestação também por parte do Legislativo.
Então eu queria mostrar para vocês algumas sentenças internacionais, vocês tem
essa sentenças todas no Dropbox. O que eu quero de vocês é que vocês componham
grupos formados por dois três de vocês, a partir de agora, para trabalharem sobre essas
sentenças. Por exemplo em relação a Corte Internacional e Justiça entre tantas
possibilidades tem o conflito, a disputa marítima entre Chile e Peru que tem uma
decisão recente que dá ganho de causa parcial ao Peru, parcial porque o Chile continuou
tendo acesso ao mar que ele ganhou com a guerra , mas perdeu uma faixa de mar. Então
é isso que decide essa sentença.
Tem também a disputa da Antártica entre o Reino Unido e a Argentina então tem
também uma decisão a esse respeito., o tribunal do mar então não só o Tribunal do mar,
com base também na Convenção Sobre o Direito do Mar que resolve conflitos em
relação ao navios. Então tem duas decisões aqui em relação ao aprisionamento de
navios que foram levados ao tribunal pelo fato de serem ilegais e não seguir a
convenção: o caso Volga entre a Federação Russa e a Austrália , o caso Hoshinmaru
entre Federação Russa e o Japão.
No âmbito a Corte Interamericana de Direitos Humanos tem varias
possibilidades entre elas o caso “Niños de la Calle” contra a Guatemala uma sentença
relacionada a crianças de rua que foram assassinas por policiais, tem casos contra o
Chile, um caso bem interessante contra a liberdade de expressão que é um caso sobre
um filme chamado “ A ultima tentação de Cristo” que foi proibido com base na
Constituição chilena que era a mesma do regime militar e que permitia uma
intervenção, uma censura as artes. A Constituição foi alterada com base na decisão
deste caso, na decisão de um Tribunal Internacional.
O caso .Maygana Awas Tingny contra Nicarágua um caso de uma tribo indígena
que teve acesso a direitos sociais, patrimoniais, demarcação de terra na faixa Atlântica
da Nicarágua, o caso Yakie Axa contra o Paraguai também um caso com tribo indígena
relacionado a demarcação de terras, o caso Caesar contra Trinidade Tobago que acabou
sendo condenado pela pratica de tortura dessa e depois dessa decisão acabo decidindo se
retirar do tratado.
O caso Baena Ricardo e outros X Panamá, e é um caso relacionado aos direitos sociais,
ao direito do trabalho, muito interessante este caso. Temos também o caso de Gomes
Lund e outros x Brasil, que é o caso da Guerrilha do Araguáia; o caso Atalla Riffo e
filhas X Chile, que é o caso de uma juíza, que era casada com um homem e tinha três
filhas e resolveu, quando se separou, viver com outra mulher. Aí o marido foi para a
justiça no plano interno para impedir que ela educasse os filhos. Este caso chegou à
Corte Interamericana de Direitos humanos, e lá ela ganhou o direito de educar as filhas.
Tem um filme que foi lançado no Chile há uns dois anos atrás e está por ai, o título eu
acho que é "Um amor por favor", alguma coisa assim, e o título original é "Rara", que
tem o sentido tanto de rara, como conhecemos, como de estranho, no espanhol.

Pergunta: "O Brasil foi condenado no caso da Guerrilha do Araguáia? "

Jaime: "Foi".

Tem outro caso muito interessante que se chama "Women on Waves", que foi de um
barco que foi alugado por um grupo feminista para fazer campanhas pelo direito ao
aborto, ai o governo de Portugal decidiu proibir a navegação do barco, com base em sei
lá o que; Tem o caso Lustig-Prean and Beckett, e esse eu conheço bastante, porque foi
objeto do meu trabalho no doutorado, é o caso de dois homens homossexuais que foram
proibidos de ter uma vida militar no Reino Unido.

Dos tribunais penais​: temos o tribunal ​ad hoc ​ para Ruanda, e que tem uma das
sentenças relacionadas e Jorge G., que é um sujeito conhecido como um senhor da
guerra. Ele está retratado no filme Hotel Ruanda. É uma daquelas figuras que
compraram armas com recursos públicos para usar no conflito.

Ademais, há o tribunal ​ad hoc para a antiga Iuguslávia, em que a decisão Sloboan
Milosevic, que atuou também como uma figura que fazia guerra, que era líder partidário
e morreu (se suicidou) antes de ser julgado. Em outra decisão temos sobre o Al Mahdi
que é o líder da Al Quaeda, que a decisão saiu não faz muito tempo. Isso tudo como
possibilidades, pois vocês podem escolher sobre as decisões que quiserem. Mas essas
são apenas algumas sugestões, para mostrar melhor como funciona o tribunal penal
internacional.

Pergunta: "Professor, mas esse do líder da Al Quaeda foi sobre o que?

Jaime: "Crime humanitário".

Pergunta: "Mas assim, qual foi a situação específica?"


Jaime: "Matar pessoas em conflitos armados".

Pergunta: "Professor, a competência desses tribunais é absoluta? Só eles podem julgar


esses casos?

Jaime: "Como assim?"

Aluna: Se nesse caso sobre o líder da Al Quaeda fosse submetido a outro tribunal, esse
tribunal que julgou poderia dizer: não, é minha competência.

Jaime: Não, só pode ser levado para um tribunal, é uma regra... O caso só chego no
tribunal se não foi resolvido no âmbito interno. Precisa ser uma coisa muito grave,
muito flagrante e que demonstra muita fragilidade institucional do estado, a sua justiça
não funciona. Por isso que os países não precisam se preocupar com a sua soberania se
as pessoas instituições estão funcionando. Nós vemos aí casos muito sérios de crimes
contra a humanidade, de crime de genocídio, onde se busca eliminar no todo ou em
parte um grupo étnico, racial, religiosos, tem coisas assim indescritíveis. Temos também
no plano interno situações muito graves. Existem também os casos de proteção às
testemunhas para que as mesmas possam depor e dar suporte a criminalização das
condutas. Um caso desses foi o do Hildebrando Pascoal, que era líder de um grupo de
extermínio que serrava as pessoas, que é uma coisa digna que tribunais internacionais,
mas que foi resolvido internamente, ele foi condenado e está cumprindo pena. Quando a
justiça interna funciona, não há motivo de se chegar ao tribunal internacional.

Aluno: Mas num caso desse, como fica pra turma buscar o cara aqui dentro , tem
alguma intervenção, como é feito isso aí?

Jaime: Tem, existem prisões hoje em dia, tanto na Holanda como da Alemanha...

Aluna: Existe pena de morte não né?

Jaime: Não. Mas nos tribunais passados, de Nuremberg, por exemplo, eles admitiram a
pena de morte. Mas esses tribunais não eram da ONU.

Aluno: Mas professor, se o país não quiser, ele não se submete a jurisdição
internacional, se não assinar o tratado?

Jaime: Não, não se submete.

Aluna: Mas os tratados não são apenas sobre os tribunais internacionais, tem vários
outros aspectos.

Jaime: Um exemplo que tem uma boa relação com o que a gente ta discutindo agora é a
convenção que cria o tribunal penal internacional não admite a cláusula facultativa de
jurisdição obrigatória, se não seria ainda mais esquisito em relação aos outros tratados.
Porque os outros são mais gerais, regulam a matéria, por exemplo o estatuto da Corte
Internacional de Justiça só institui uma Corte, então não caberia existir essa cláusula,
mas tem; A Convenção Americana de Direitos Humanos ela cria direitos mas institui
também uma Comissão e um Corte; Então, os Eua e o Canadá podem ser levados
perante a Comissão, mas não perante a Corte. O Brasil por muito tempo também não
aceitou, ratificou a convenção em 1992 e só aceitou a convenção em 1998. Demorou
muito também por causa da Ditadura. A Corte Internacional de Justiça o Brasil não
aceitou.

Aluno: Professor, e o país pode denunciar essa cláusula facultativa, só ela, e manter o
resto estabelecido?

Jaime: Pode, pode.

Aluno: Quais seriam as repercussões desta denúncia?

Jaime: Ficaria mal visto no cenário internacional, voltaria a um momento anterior, mas
pode. É só isso mesmo, não tem nenhuma pena para o país, pois estes são diferentes de
pessoas, porque se você penaliza o país, está penalizando a população dele.

A Convenção que institui Corte Européia de Direitos Humanos também não admite a
cláusula facultativa, tem alcance universal. Esta é uma indicação para a Corte
Interamericana, que retira essa cláusula, e não tem essa competência universal,
basicamente devido aos Eua e Canadá.

Aluna: Professor, como é a questão dos recursos destinados a estas Cortes, existe a
possibilidade de recorrer?

Jaime: É no próprio Tribunal. Tem a câmara recursal. Mas chega num momento que não
tem mais outro lugar para recorrer, como é no Supremo Tribunal Federal.

Aluno: Perguntaram sobre até que ponto o tribunal pode julgar. Deram o exemplo de
que queriam levar o caso do Impeachment de Dilma para ser analisado na Corte
Interamericana de Direitos Humanos, se isso era possível.

Jaime: Em princípio, é possível, existe a possibilidade, mas isso depende também da


política. Hoje mesmo saiu uma decisão sobre Lula na ONU, negando o pedido para
analisarem o caso dele.

Aluno: Nesses casos, a ingerência nos estados teriam que ser muito maior. Porque uma
coisa é afirmar que o julgamento foi errado, e outra situação seria se não houvesse
julgamento, a intervenção, dependendo da situação, seria muito maior em determinado
caso.

Jaime: É, no caso do Impeachment eu vejo possibilidade zero, porque houve um


respeito ao rito, e isso é o que seria visto no âmbito do tribunal. Agora no caso da
decisão de Lula, se for levado a Comissão, e depois a Corte Interamericana, depois de
muito tempo pode ser que haja uma decisão, porque eu acho que houveram decisões que
foram contrárias ao que esá estabelecido em lei.

Aluno: Sobre a questão da execução da pena antes do trânsito em julgado, isso poderia
ser levado ao âmbito internacional .

Aluno levantou a questão do crédito tributário no Brasil, que seria formado em


desconformidade com o convenção assinada pelo país...

Jaime: Mas vocês não leram o texto que eu pedi...


Começa um debate sobre o texto que não tem como entender muita coisa... basicamente,
o texto afirma que o estado-nação não surgiu, como muito se diz, com o Tratado de
Vestefália. Ele afirma que alguns estados surgiram anteriormente e outros
posteriormente ao tratado. Jaime acha que ele tem muita razão nisso. Este tipo de texto
problematiza a questão e nos tiram do senso comum. As coisas são muito mais
complicadas...