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BRUSCIA, K. Definindo Musicoterapia. Rio de Janeiro: Enelivros, 2000.

CAPÍTULO TREZE

TIPOS DE EXPERIÊNCIAS
MUSICAIS: OS QUATRO
PRINCIPAIS MÉTODOS DE
MUSICOTERAPlA

No último capítulo, a musicoterapia foi descrita como uma forma experi-


mental de terapia porque ela é centrada na experiência do cliente e li utiliza
corrio metodologia primária. Essencialmente, isso significa que, na musico-
teràpia, o cliente sofre um processo diagnóstico, um tratamento e uma ava-
liaçãoatravés do engajamento em vários tipos de experiências musicais.
Na música, há quatro tipos distintos de experiências. São elas: impro-
visar, re-criar (ou executar), compor e escutar. Cada um desses tipos de ex-
periência musical possui suas próprias características particulares e cada
uma delas é definida por seus processos específicos de engajamento. Cada
tipo envolve um c~junto de comportamentos sensório-motores distinto,
requer diferentes ti.E.0sde habilidades perceptivas e cognitivas, evoca dife-
r~ntes tioOsde emoções e epegaja em um processo interpessoal diferente.
Em função disso, cada tipo também tem seus próprios potenciais e aplica~
ções terapêuticas. Assim, por exemplo, ouvir música tem certos potenciais
e aplícações terapêuticas que diferem daquelas da improvisação, e analoga-
mente, improvisar tem potenciais e aplicações diversas daquelas da execu:"
ção de uma composição.
Portallto;para compreender como a musicoterapia opera é necessário
compreender cada tipo de experiência musical. O propósito deste capítulo é
identificar ~defihir as várias formas com que·a improvisação, are-criação,
a composição e a audição são moldadas pelos musicoterapeutas para aten-
derem as necessidades do cliente.
Antes de prosseguir, devemos esclarecer alguns termos relacionados
com a metodologia que são freqüentemente confundidos. Na literatura, os
termos métO!io, abJ1rti~m, tnf'l!k10, pr.ocedimento e técnica são geralmen-
te utilizados indistintamente como se todos tivessemomesmo significado.
122 DEFININDO MUSICOTERAPJA

.Isso tem gerado uma confusão considerável e uma discussão sobre a origem
de cada método, a partir de quem eles teriam se originado, e sobre as técni-
cas, que técnica pertence a quem. Embora não seja óbvio nem haja uma
única forma correta de definir cada um desses termos, eles realmente preci-
sam ser diferenciados. Assim, a escolha dos termos e das definições propos-
tas aqui pode ser relativamente arbitrária. O mais importante é que eles se-
jam diferenciados e clarificados. Para compreendermos as diferenças, utili-
zaremos a improvisação como um exemplo para a discussão./,
t.1m1itétodoé aqui definido como um t~articular de experiên-
. 1
cia musical utilizada para a avaliação diagnóstica, o tratamento e/ou ava-
liação. Como e){istem" quatro tipos de experiências musicais (improvi-
Sar, re-ctiar,compor e ouvir música), eles são considerados os quatro
métodos de musicoterapia, e como há muitas diferentes f9rmasde
estruturar essas quatro experiências, cada método tem muitas variações.
Assim, as várias formas de engajar o cliente no fazer-música improvisa-
da recaem sob a categoria dos métodos de "improvisação", as várias for-
mas de engajar o cliente em reproduzir música recaem na categoria dos
métodos de "re-criação", as várias formas de engajar o clienteem.com-
por são chamadas de métodgs de "composição" e as várias formas de
engajar O cliente em experiências de ouvir música são chamadas de mé-
todos "receptivos".
Paraengajar o cliente nessas experiências musicais, o terapeuta.utili-
za vários procedimentos. Um procedimento é uma seqüência organizada de
operações e.interações que o terape uta utiliza para levar o cliente através de
umaexperiência musical completa. Como tais, Os procedimentos são osti-
jolos da construção de uma sessão de musicoterapia; .são as várias coisas
que um terapeuta faz para organizar e implementar o método. Por exemplo,
se o método é improvis~ção e a variação é um "grupo instrumental", o tera-
peuta pode utilizar os seguintes procedimentos em seqüência para realizar a .~I
sessão: I) os clientes escolhemos instrumentos; 2) o grupo experimenta os
instrumentos livremente; 3) o terapeuta apresenta uma. regra para tocar ou
regra estrutural para a improvisação; 4) o grupo improvisa de acordo com
aquela estrutura; 5) o grupo discute a improvisação; e 6) os mesmos passos
são repetidos até o final da sessão.
Em cada um desses passos dos procedimentos, ojerapeutapod@-jJsar
diversas técnicas. Uma técnica é uma operação ou interação que oterapeuta
CAPÍTULO 13 ~ TIPOS DE EXPERIÊNCIAS MUSICAIS: ... 123

utiliza para provocar uma reação imediata do cliente ou para modelar a ex-
periência imediata do cliente. Portanto, uma técnica é uma operação menor,
uma parte do procedimento, enquanto que o procedimento pode s~wisto
como uma série de técnicas. Em nosso exemplo da improvisação, o terapeu-
ta pode utilizar várias técnicas musicais quando o grupo está improvisando
junto, como "dar a base", "dar o ritmo", "incorporar"e assim por diante
(Bruscia, 1987). De forma análoga, quando o grupo discute a improvisação,
o terapeuta pode usar várias técnicas verbais como "indagação" e
"espelhamento".
Quando um terapeuta começa a desenvolver uma abordagem siste-
mática empregando um ou mais dos quatro principaIs métodos de uma for-
ma particular, seguindo seqüênciás de procedimentos e apoiando ....
se em cer-
tas técnicas, um modelo está sendo desenvolvido. Um modelo é uma abor ...
dagem abrangente de avaliação diagnóstica, tratamento e avaliação que in-
~ clui princípios teóricos, indicações e contra-indicações clínicas, objetivos,
orientações e especificações metodológicas e utilização de certas seqüên-
:f\( cias de procedimentos e técnicas. São exemplos de modelos do método de
ú~{\t improvisação em musicoterapia: a "Musicoterapia Criativa", o modelo de-
senvolvido por Nordoff e Robbins (1977) ea "Musicoterapia Analítica", o
modelo desenvolvido por Mary Priestley (1994). Deve-se observar que um
modelo é muito mais abrangente do que um método. Na realidade, um plO,,-
delo é uma especificação de como um método pode ser utilizado. geral~n-
te com certas clientelas. Também deve ser observado que há somente quatro
métodos em musicoterapia e que esses métodos varíam infinitamente com
relação aos procedimentos e técnicas, dependendo do modelo. Alémdis-
so, um ll!étodo não estabelece nenhuma orientação teórica em particnlar,
enquanto que um m~delo sempre se remete a uma determinada orientação
teórica, Um terapeuta pode utilizar a improvisação com diversas orienta-
ções teóricas, mas assim que a improvisação é implementada de uma for-
ma particular, .segundo qualquer princípio, uma orientação teórica está
implicada.
Resumindo: um método é um tipo particular de experiência musical
em que o cliente se engaja com propósitos terapêuticos.;:_UIDavariação é a
forma particular com que essa experiência musical é estruturada; umproce-
dimentoé tudo aquilo que () terapeuta tem que fazer para engajar o cliente
nessa experiência; uma técnica é uma etapa de qualquer procedimento que
124 DEFININDO MUSICO'ffiRAPIA

O terapeuta utiliza para dar forma à experiência- imediata do cliente; e um


i
modelo uma abordagem sistemática e singular do método, dosprocedi7
mentos e técnicas baseada em certos princípios.
Tendo isso em mente, podemos agora examinar os quatro principais
métodos da musicoterapia com maior detalhamento. Apresentaremos a se-
,.i guir um delineamento sucinto de cada método incluindo as definições, as
utilizações, as variações e os objetivos clínicos mais relevantes de cada um,
dadas suas naturezas intrínsecas.

EXPERIÊNCIAS DE IMPROVISAÇÃO

Definiçã~e Utilizaçã~

Nas experiências de improvisação, o cliente faz música tocando ou


cantando, criando uma melodia, um ritmo, uma canção ou uma peça musi-
cal de improviso. O cliente pode improvisar sozinho, em dueto ou em um
grupo que inclui o terapeuta, os outros clientes e eventualmente membros
da família: O cliente pode utilizar qualquer meio musical dentro de sua
capacidade (por exemplo, voz, sons corporais, percussão, instrumentos de
corda dusopro, teclado, entre outros). O terapeuta ajuda o cliente dando
as informações e fazendo as demonstrações necessárias, oferecendo uma
idéia ou estrutura musical em que a improvisação se baseará, tocando ou
cantando um acompanhamento que estimule ou guie a improvisação do
cliente, ou apresentando uma idéia não-musical (por exe-mplo, lima ima-
gem, um assunto, uma história) ao cliente para que ele a retrate através da
improvisação.
Dentre os objetivos das experiências de improvisação podem estar
incluídos os seguintes: .

• Estabelecer um canal de comunicàção não-verbal e uma ponte para


a comunicação verbal
• Dar sentido à auto-expressão e à formação de identidade
• Explorar os vários aspectos do eu na relação com os outros
• Desenvolver a capacidade de intimidade interpessoal
• Desenvolver habilidades grupais
CAPÍTULO 13 - TIPOS DE EXPERIÊNCIAS MUSICAIS: •.. 125

• Desenvolver a criatividade, a liberdade de expressão, a espontanei-


dade e capacidade lúdica
• Estimular e desenvolver os sentidos
• Desenvolver habilidades perceptivas e cognitivas

Muitos segmentos da clientela manifestam necessidades terapêuticas


nessas áreas: desde as crianças obsessivo-compulsivas até adultos com dis-
túrbios de personalidade narcísicos ou borderline; de crianças autistas a
adolescentes agressivos; de crianças impulsivas a adultos deprimidos inibi-
dos; e de crianças com retardos do desenvolvimento ou com incapacidades
físicas a crianças sem deficiências.

Variações

Instrumental Não-referencial: O cliente improvisa cominstrumen-


tos musicais sem qualquer outra referênCia que não os sons ou a música.
Em outras palavras, o cliente improvisa música por ela em si, sem tentar

faze-Ia
subtipos:representar
solo, dueto oue grupo,
descrever qualquer
e cada um delescoisa não-musical.
apresenta liá três
diferentel\ipos
de desafios musicais.
Instrumental Referencia!: O cliente improvisa com instrumentos mu-
sicais para retratar sonoramente algo não-musical (por exemplo, um senti-
mento, idéia, assunto, imagem, pessoa, evento, experiência etc.). Os subtipos
incluem solo, dueto e grupo e cada um deles tem implicações relacionadas
com o modo como a idéia não-referencial é percebida e projetada musi-
calmente.
Improvisação de Canções: O cliente improvisa letras, melodias e/ou
o acompa!lhamento de uma canção. Os subtipos são solo, dueto eimprovi-
• saçôes grupais. Dadas a proeminência da melodia na canção e a relação
íntima entre a melodia e a letra, acrescentar outros improvisadores pode
complicar o processo' significativamente.
Improvisação Vocal Não-Referencial: O cliente improvisa uma peça
vocal sem palavras ou imagens. Os subtipos são solo, dueto e grupo.
Improvisações Corporais: O cliente improvisaeom vários tipos de
sons corporais percussivos (com palmas, toques, estalidos). Os subtipos in-
cluem solo, dueto e grupo.
126 DEFININDO MUSlCOTERAPIA

Improvisações com Múltiplos Meios: O cliente improvisa utilizando


a voz, sons corporais, instrumentos e/ou qualquer combinação de recursos
sonoros. Os subtipos incluem solo, dueto e grupo.
Improvisações Conduzidas:O cliente cria um improviso dando dei-
xas para um ou mais improvisadores.

EXPERIÊNCIAS RE-CRIATIVAS

Definição e Utilização

Nas experiências re-criativas, o cliente aprende ou executa músicas


instrumentais ou vocais ou reproduções de qualquer tipo musical apresenta-
do como modelo. Também incluem atividades musicais estruturadas e jo-
gos em que o cliente apresenta comportamentos ou desempenha papéis que
foram especificamente definido's. O termo re-criativo é aqui utilizado numa
acepção mais ampla do que a de apresentar, porque apresentar implica can-
tar ou tocar para uma audiência. Re-criativo é um termo mais abrangente
que inclui executar, reproduzir, transformar e interpretar qualquer parteou
o todo de um modelo musical existente, com ou sem uma audiência.
Os objetivos clínicos podem ser:

• Desenvolver habilidades sensório-motoras


• Promover comportamento ritmado e a adaptação
• Melhorar a atenção e orientação
• Desenvolver a memória
• Promover a identificação e a empatia com os outros
• Desenvolver habilidades de interpretação e comunicação de idéias
e de sentimentos
• Aprender a desempenhar papéis específicos nas várias situações
interpessoais
• Melhorar as habilidades interativas e de grupo

Os clientes de eleição para as experiências re-criativassão aqueles


que precisam de estrutura para desenvolverem comportamentos. e habilida-
des específicas. Também são indicadas para clientes que precisam entender
e se adaptar às idéias e sentimentos dos outros preservando suas próprias
CAPÍTULO 13 - TIPOS DE EXPERIÊNCIAS MUSICAIS: ... 127

identidades, assim como clientes que precisam trabalhar juntamente com


outras pessoas visando a objetivos comum.

Variações

Re-criação Instrumental: O cliente pode ser envolvido em qualquer


dos tipos das seguintes experiências: tocar um instrumento de acordo com
uma prescrição, tocar lendo algum tipo de notação, executar peças musicais
pré-compostas, ensaiar um conjunto instrumental, ter aulas particulares, exe-
cutar imitações com um instrumento ou tocar um instrumento com uma gra-
vação. A essência de todas essas atividades é a reprodução de materiais
musicais estruturados ou pré-compostos usando instrumentos musicais.
Re-criação Vocal: O cliente pode ser envolvido em qualquer das ati-
vidades seguintes: vocalizar com marcação, cantar lendo uma música, can-
tar canções, entoar cânticos, cantar em coro, ensaiar grupos corais, ter aulas
de voz, imitar vocalmente ou aprender melodias, ou cantar junto com músi-
casgravadas. A essência dessas atividades é a reprodução vocal de mate-
riais musicais estruturados ou canções pré-compostas.
Produções Musicais: O cliente é envolvido no planejamento e apre-
sentação de um show, em uma dramatização musical, em uma apresentação
musical, em um recital ou produção musical envolvendo uma audiência. A
essência dessas atividades é apresentar para uma platéia e todos os prepara-
tivos envolvidos ..
Atividades e Jogos Musicais: O cliente participa de jogos musicais
(por exemplo, dizer qual a cantiga, charadas musicais, dança das cadeiras,
etc.) ou participar de qualquer atividade que seja estruturada pela música.
Condução (Regência): O cliente dirige uma apresentação musical atra-
vés de gestos de marcação para os músicos de acordo com um plano de
notação, ou partitura.

EXPERIÊNCIAS DE COMPOSIÇÃO

Definição e Utilização

Nas experiências de composição, o terapeuta ajuda o cliente a escre-


ver canções, letras ou peças instrumentais, ou a criar qualquer tipo de pro~
duto musical como vídeos com músicas ou fitas de áudio. Geralmente,'o
128 DEFININDO MUSlCOTERAPIA

terapeuta assume a responsabilidade dos aspectos mais técnicos do proces-


so e tenta adequar a participação do cliente de acordo com sua capacidade
musical. São exemplos: o cliente pode criar urna melodia em um instrumen-
to enquanto o terapeuta faz o acompanhamento harmônico; ou {) cliente
pode produzir uma letra enquanto o terapeuta compõe a melodia e a harmo-
nia para ela.
Os principais objetivos clínicos são:

• Desenvolver habilidades de planejamento e organização


• Desenvolver habilidades para solucionar problemas de forma cria-
tiva
• Promovera auto-responsabilidade
• Desenvolver a habilidade de documentar e comunicar experiências
internas
• Promover a exploração de temas terapêuticos através das letras das
canções
• Desenvolver a habilidade de integrar e sintetizar partes em um todo

Variações

Paródias de Canções.' O cliente substitui palavras, frases, ou à letra


inteira de uma canção existente, enquanto mantém a melodia e o acompa-
nhamento originais.
Escrever Canções: O cliente compõe uma canção original ou parte
de uma canção (por exemplo, a melodia, a letra ou o acompanhamento) com
diferentes níveis de assistência técnica do terapeuta. Oprocesso incluialgu-
ma forma de notação ou registro do produto final.
Composição Instrumental: O cliente compõe uma peça ou parte de
uma peça instrumentaJ original (por exemplo, a melodia, o ritmo ou o acom-
panhamento) com diferentes níveis de assistência técnica do terapeuta. O
processo inclui alguma forma de notação ou registro do produto final.
Atividades de Notação: O "cliente cria um sistema de notação e com-
põe uma peça utilizando-o ou o cliente faz a notação de uma peça que já
havia sido composta.
ColagensMttsicais: O cliente escolhe sons; canções, músicas e frag-
mentos delas e os coloca em seqüência para produzir um registro que explo-
re questões autobiográficas ou terapêuticas.
CAPÍTULO 13 - TIPOS DE EXPERIÊNCIAS MUSICAIS: •.• 129

EXPERIÊNCIAS RECEPTIVAS

Defmição e Utilização

Nas experiências receptivas, o cliente ouve música e responde à ex-


periência de forma silenciosa, verbalmente ou através de outra modalidade.
A música utilizada pode ser ao vivo ou gravações de improvisações, exe-
cuções ou composições do cliente ou do terapeuta, ou pode-se utilizar gra-
vações comerciais de músicas de diversos estilos (por exemplo, clássica,
rock, jazz, country,new age). A experiência de ouvir pode enfocar os aspec-
tos físicos, emocionais, intelectuais, estéticos ou espirituais da musica e as
respostas do cliente são moduladas de acordo com o objetivo terapêutico da
experiência.
Os principais objetivos terapêuticos são:

• Promover a receptividade
• Evocar respostas corporais específicas
.U
• Estimular ou relaxar
• Desenvolver habilidades audio-motoras
• Evocar estados e experiências afetivas
j
~. • Explorar idéias e pensamentos ~
• Facilitar a memória, as remi.n.is.Qênciªse as regressões
• Evocar fantasias e a imaginação
• Estabelecer uma conexão entre o ouvinte e o grupo comunitário ou
sócio-cultural
• Estimular experiências espirituais

A clientela indicada para as experiências receptivas são aqueles clien-


tes com necessidade de desenvolver habilidades da atenção e a receptivida-
.\I
de requeridas pela música, e aqueles que se beneficiarão terapeuticalllente
em responder à musica de u.ma forma específica (por exemplo, analitica-
mente, projetivamente, fisicamente, emocionalmente, espiritualmente).

Variações

Escuta Somática: A utilização de vibrações, de sons e de musica sob


várias formas elementares e combinadas para influenciar diretamente o cor-
130 DEFININDO MUSICOTERAPIA

po do cliente e sua relação com as outras facetas do cliente. Os subtipos


incluem:
•... '(;..

J.jÀvJ!\ ~...p.I'v-. Entrainment*: A utilização de vibrações, de sons e de música sob


várias formas elementares e combinadas para estabelecer sincronis-
mo com as respostas corporais voluntárias ou autônomas: entre o
cliente e a música, entre partes do corpo do cliente, e entre o cliente
e outra pessoa. Os estímulos utilizados podem ser gravados ou cria-
dos pelo terapeuta e/ou cliente, podendo ser instrumentais ou vocais.
• Ressonância**: A utilização de vibrações, de sons e de música sob
várias formas elementares e combinadas para fazer vibrar partes do
corpo do cliente em várias freqüências e padrões de freqüência, e
para estabelecer vibrações recíprocas entre o estímulo e o cliente.
Os estímulos utilizados podem ser gravados ou criados pelo tera-
peuta e/ou cliente, podendo ser instrumentais ou vocais.
• Música Vibro-Acústica: A administração de freqüências vibratórias
ao corpo do cliente enquanto ele ouve música; ou a aplicação de
padrões vibratórios de música diretamente sobre o corpo do cliente
(por exemplo, acupuntura musical).
• Biofeedback Musical: A utilização da música para fornecer feedback
auditivo contínuo das.funções corporais autônomas (por exemplo,
pressão sangüínea, freqüência cardíaca, níveis hormonais, secreção
glandular etc.). O objetivo é facilitar a utilização da tecnologia de
biofeedbackpor parte do cliente para prover maior conscientização
e controle sobre o corpo. Também se pode utilizar amúsica para
facilitar o processo de relaxamento no biofeedback.

Anestesiq Musical; A utilização da escuta musical para: aumentar


os efeitos de drogas anestésicas e analgésicas, induzir insensibilidad~ à
dor sem anestesia, reduzir ou controlar a dor, e reduzir a ansiedade asso-
ciada à dor.
Relaxamento Musical: A utilização da escuta musical para: reduzir o
stress e a tensão, reduzir a ansiedade ou aumentar 9 condicionamento con-

* N.R.: Do original Entrainment: entrar em ressonância com o ritmo do outro.


** N.R.: Do original: "Toning".
CAPÍTULO 13 - TIPOS DE EXPERIÊNCIAS MUSICAIS: ... 131

tra a ansiedade, induzir relaxamento corporal, ou facilitar a entrada em esta-


dos alterados de consciência.
Escuta Meditativa: A utilização da música para acompanhar a medi-~.
tação ou contemplação de uma idéia em particular. A música pode ser gra-
vada ou criada ao vivo pelo cliente e/outerapeuta, e pode ser utilizada em
primeiro plano ou como pano de fundo da experiência.
Escuta Subliminar: A utilização de sons ou de musica para mascarar
a difusão de sugestões ou de mensagens verbais subliminares para a parte
in~onsciente da mente.
Escuta para a Estimulação: A utilização da escuta musical para: es-
timular os sentidos, despertar a atenção, estabelecer contato com a realida-
de ou com o ambiente, aumentar o nível de energia, evocar atividade sensó-
rio-motora, aumentar as percepções sensoriais, ou elevar o humor.
Escuta Eurrítmica: A utilização da música para organizar ritmica-
mente e monitorar os comportamentos motores do cliente, inclusive da fala,
da respiração, das seqüências de movimentos grossos e de movimentos finos,
dos exercícios corporais, e de passos formais de dança. Cabe observar que
nesse método, os comportamentos motores do cliente são muito mais estrutu-
rados e orientados do que no movimento projetivo com música. O método
também difere da escuta para a ação na medida em que o ritmo da música é
mais utilizado para organizar o comportamento motor do que para definir ou
direcionar o tipo de comportamento motor que deve ser apresentado.
Escuta Perceptiva: A utilização de exercícios de escuta musical para
melhorar as habilidades da atenção, da percepção, da discriminação e da
conservação auditivas e para melhorar a relação entre a audição e as outras
modalidades sensoriais.
Escuta para a Ação: A utilização de canções e de marcações musi-
cais para evocar respostas comportamentais específicas (por exemplo, mo-
vimentos motores, atividades da vida diária, respostas verbais),
Escuta Contingente: A utilização da escuta musical como um reforço
eventual da mudança comportamental.
Escuta Mediativa: A utilização da música como uma estratégia de
mediação no aprendizado ou na memorização de informações. A música é
pareada com vários tipos de informações ou com uma experiência em parti-
cular para tomá-Ios mais concretos, mais memoráveis e mais fáceis de se-
rem evocados.
132 DEFININDO MUSICOTERAPIA

Atividades de Apreciação Musical: O terapeuta apresenta experiên-


cias de escuta musical que auxiliarão o cliente a compreender ou apreciar a
estrutura, o estilo, o significado histórico e valor estético da música.
Reminiscência (Musical) com Canções: A utilização da escuta musi-
cal para evocar a Jembrança de experiências e eventos passados da vida do
cliente. A música pode ser vocal ou instrumental, gravada ou apresentada
ao vivo, escolhida tanto pelo cliente quanto pelo terapeuta, de acordo com
suas associações ou relação temporal com o períodó do passado em ques~
tão. Após escutar (ou apresentar) a música, o cliente e o terapeuta conver-
sam sobre o passado do cliente.
Regressão (Musical) com Canções: O terapeuta escolhe músicas que
irão ajudar o cliente a re-experienciar o passado, não como uma reminiscên-
cia dele no presente, mas como se estivesse revivendo o passado no passa-
do. Em geral, o cliente Ouve a música em um estado relaxado e tranqüilo.
Lembranças (Musicais) Induzidas com Canções: Quando, de forma
conscientementeinduzida,· o terapeuta pergunta ao clienteque canção (ou
música) vem àsua mentecom referência a um ponto, uma questão ou even-
to em particular do processo terapêutico em andamento; quando, de forma
inconscientemente induzida, uma canção (ou peça musical) surgeespontâ-
nea e inesperadamente na mente do cliente ou do terapeuta comofesposta a
um ponto, questão ou evento em particular (Diaz de Chumaceiro, 1998 a,
1998b).
Comunicação (Musical) com Canções: O terapeuta pede ao cliente
para escolher outrazer uma canção gravada (ou outra peça musical) que
expresse ou revele algo sobre o cliente que seja relevante para a terapia; ou,
o terapeuta seleciona uma gravação que comunique algo relevante para o
cliente. Em seguida, ambasas partes ouvem e exploram o que a música
comunica sobre o cliente, sobre a vida do cliente, ou sobre questões tera-
pêuticas.
Discussão de Canções: O terapeuta apresenta uma canção que serve
como trampolim para a discussão de questões de relevância terapêutica para
o cliente. Após ouvir a música, o cliente é solicitado a analisara significado
da letra e a examinar (dialogando com o terapeuta ou com outro cliente )sUa
relevância para sie para sua vida.
Escuta Projetiva: O terapeuta apresenta sons e/ou música e solicita
ao cliente que os identifique, descreva, interprete e/ou faça associação livre
CAPÍTULO 13 - TIPOS DE EXPERIÊNCIAS MUSICAIS: ... 133

com eles por meios verbais ou não-verbais. As técnicas de escuta projetiva


incluem:

• Identificação Sonora Projetiva: O cliente ouve sons ambíguos e


identifica o que são.
• Associação Livre: O cliente ouve os sons ou a música e fala ou
escreve o que vier à sua mente sem dar importância à sua coesão ou
significado.
• Contar Histórias Projetivas: O cliente ouve os sons e/ou a música e
constrói uma história de acordo com a música, que é escrita ou con-
tada oralmente.
• Dramatização Musical: O cliente representa o que ouve na música.
• Escolha de Canções: O cliente escolhe e ouve suas canções favori-
tas ou preferidas, ou canções com as quais tenha forte identificação
ou vínculo. (Ver Comunicação com Canções e Lembranças Induzidas
com Canções.)
• Movimento Projetivo com Música: O cliente ouve a música e im-
provisa movimentos expressivos de acordo com a música.
• Desenho Projetivo com Música: O cliente desenha enquanto ouve
música.
t1..J.. t'1-'1
'~tS ,
Escuta Imagística/ A utilização da escuta musical para evocar e
apoiar processos imagísticos ou experiências internas com o cliente em
estado alterado de consciência. Os tipos específicos incluem:

• Imagem Musical Dirigida: O cliente cria uma imagem sobre o que


é apresentado pelo terapeuta, enquanto ouve música, geralmente
em um est~do alterado da consciência. A imagem pode ser esco-
lhida pelo terapeuta ou pelo cliente, e pode ser de naturezà física
ou mental. A imagem pode ser específica, personalizada ou geral
e o direcionamento do terapeuta pode ser espaçado em intervalos
variados.
• Imagem Musical não Dirigida: O cliente cria livremente uma ima-
gem enquanto ouve música em um estado·alterado de consciência,
sem direcionamento e sem dialogar com o terapeuta. Com ou sem
foco, a música geralmente é curta.
--
134 DEFININDO MUSICOTERAPIA

• Imagem Musical Guiada: O cliente em estado alterado de consciên-


cia cria livremente uma imagem ouvindo música e dialogando com
o terapeuta.
• Imagem Musical Guiada Interativa: O cliente cria imagens junta-
mente com outros clientes sob a direção do terapeuta.

Auto-Escuta: O cliente ouve uma gravação de sua própria improvi-


sação, apresentação ou composição para refletir sobre si e sobre a expe-
riência.