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BRUSCIA, K. Definindo Musicoterapia. Rio de Janeiro: Enelivros, 2000.

CAPÍTULO DEZESSETE

DEFININDO AS ÁREAS
E NÍVEIS DA PRÁTICA

A musicoterapiaé incrivelmente diversa. Ela é atualmente utilizada em
muitos e diferentes settings clínicos, para tratar uma grande variedade de
problemas de saúde, de um sem número de tipos de clientela. Seus objetiv~s
e métodos variam de um setting e cliente aoutro. e de um musicoterapeuta
_'_' ~'. . - -'o _ ~. '-..

a ou~,dependendo da ~ntação ~óric~ do terapeuta e de suaformaç~.
Essa diversidade apresenta importantes implicações para a definição de mu-
sicoterapia porque, por natureza, uma ~finição tem que abranger as muitas
variações
- .. da prática encontradas
~ no interior
~ ,-"----_c. de suas fronteiras
-- ao mesmo
tempo em 9ueestabelece limit~s para idel!tificar aguelasva~ções que
extrapolam essas.fronteir~. Uma forma de fazer isso é organizar e classifi-_
c~r as várias práticas de.-acordo Cº--l11suas similaridades e diferenças, e ao
faze-Io,estabeleç_~r critério~l!.-ll.mcompará-las e gelimitá-Ias. Com esse in-
tuito, foi feito um levantamento na literatura clínica das várias práticas da
musicoterapia que foram definidas e diferenciadas. O presente capítulo é
resultado desse levantamento. Seu propósito é apresentar uma visão pano-
râmica das várias áreas e níveis de prática identificados e por conseguinte
fornecer um contexto .para a compreensão das definições apresentadas no
próximo capítulo.

ÁREAS DA PRÁTICA

Uma área da prática é definida pelo fQfQclínico primário ou pelo que
está no primeiro plano das preocupações do cliente, doterapeuta eda insti-
tuição clínica. Os aspectos abaixo são de particular relevância:
.-.~.,~<.,~~--- -

• A prioridade das preocupações de saúde do cliente. Quando o cl ien~
te entra em uma instituição ou programa, o faz em função de um

assim como ou- tros eventos ou mudanças de vida importantes.164 DEFININDO MUSICOTERAPIA • Homeopático: As mudanças na terapia re-criam a condição de saú- de por meio de estimulação dos processos naturais de cura do clien- te para que operem de modo mais eficiente . Portanto. Primeira. Segunda. • Reabilitação: As mudanças na terapia ajudam o cliente a readquirir ou compensar capacidades que foram perdidas como resultado de uma condição de saúde. o que pode incluir outras formas de terapia. • Paliativo: 'As mudanças na terapia melhoram a qualidade de vida do cliente que enfrenta ou padece de uma condição de saúde. Quatro condições sã.ge sobre o cliente de modo específico para mitigar aquelas forças da vida do cliente responsáveis pela saúde. em função de uma condição de saúde. as mudanças feitas pelo cliente podem ser atribuídas às intervenções específicas feitas pelo terapeuta. não pode ser considerada como tendo sido induzida pela terapia. Isso é sempre difícil de ser determinado porque aterapia ocorre aO'mesmo tempo em que toda experiência de vida do cliente também está ocorrendo. O terapeuta a. sem ajuda. . as mudanças exigiram algum tipo de ajuda.oirilpor- tantes paraeonduir que a terapia induziu as mudança. ou re$ultado de cura espontânea. Fundamen- talmente. mas precisa da ajuda específica de um terapeuta. • Apoio: As mudanças na terapia dão ao cliente um sistema de apoio e de insight necessários para lutar contra ou conviver com uma con- dição de saúde. isso significa que qualquer mudança que o cliente é capaz de fazer por si mesmo. po- rém não estão. E finalmente. • Habilitação: As mudanças na terapia ajudam o cliente a ganhar ou compensar capacidades que deveriam estar se desenvolvendo. o cliente não precisa de qualquer tipo de ajuda ou de qualquer pessoa. ou que é resultado do cresCimento ou amadureci- mento normais. MUDANÇA INDUZIDA PELA TERAPIA Uma vez tendo sido determinado que a mudança· do cliente melhora sua condição de saúde. a ajuda dada é uma intervenção de natureza terapêutica.s na condição de saúde do cliente. a próxima questão é se ela pode ser atribuída ao pro- cesso terapêutico. a ajuda necessária só pode- ria ser dada por um terapeuta qualificado e no contexto de uma relação clien- te-terapeuta. Terceira.

Os terapeutas que utilizam os métodos de improvisação com orientação psicodinâmica têm focos clínicos diferentes daqueles que utilizam métodos receptivos com orienta- ção comportamental.- terapeuta. provavelmente cliente e terapeuta serão chamados de estudantes e professor. • A prioridade de saúde para a instituição que atende o cliente. Esses nomes impli-' cam certos papéis e responsabilidades. recreativa e eco- lógica. e defme sua missão de acor- do com essa especificidade. geralmente é para se alcançar algo específico. certos parâmetros para a relação. cura. Todas as motivações para a procura de ajuda delineiam o foco clínico ou o primeiro pla- no da terapia e. psicoterapêutica. O foco da musicoterapia em uma clí~c_c_ nicapara idosos é diferente daquele de uma escola ou de um hOSPi! tal psiquiátrico . Portanto. •0 objetivo do musicoterapeuta.rnente serão paciente e terapeuta. Uma visão breve de cada uma será apresentada neste capítulo e. cada musicoterapeuta concebe os objetivos da terapia de forma diferente. se determinam os tipos de serviços a serem utilizados e se indicam as condições sob as quais a terapia deve terminar. é sempre com um objetivo específico. seis principais áreas da musicoterapia fo- ram identificadas: didática. Os papéis do cliente e do --. que geralmente se estabelece um contrato. Quando o cliente procura os ser- viços de musicoterapia. Com base nesses critérios. quando um programa de Q!u- sicoterapia é um serviço oferecido por uma institui ão ele' á tem um oco de saúde específico. médica. Em uma escola. A maioria das instituições clínicas atende a uma clientela específica ou a um problema de saúde específico. ~~. em um hospi- tal provavel. Além das razões do próprio clien- te para fazer musicoterapia e da missão da instituição que atende o cliente.- relação cliente-terapeuta. • A~---- natureza da ---. e com eles. geralmente de acordo com sua orientação teó- rica e metodológica. é em função disso. Um terapeuta em um hospital pode abordar certos aspectos da vida do cliente que um professor não poderia se arriscar a abordar em uma escola.166 DEFININDO MUSICOTERAPIA problema de saúde em particular. nos . a forma como são designados e a natureza de sua relação refletem um foco clínico. e quando os profissionais encaminham clientes para a musicoterapia. -_.

.--. • desenvolver conhecimentos e habilidades musicais que envolvem ou se generalizam para áreas não-musicais de funcionamento.htdar o cliente a melhorar. Há cinco orientações de aprendizagem utilizadas nesta área da práti- ca. necessários para uma vida funcional e independente e para a adaptação social Em todas eSSãspclíicas. com o valor terapêutico do aprendizado. recunerllr ~- ter a saúdefisica. alê!!~~_alorma de~prendi~~m. as práticas específicas de cada área serão descritas em detalhe.. Médica A área médica inclui todas as aplicações da música ou da musicotera- pia. ------- CI!!iriremos conhecimentos. com a extensão com que os objetivos e métodos possam ser individualizados para atingir as necessidades e problemas específicos do cliente e com a natureza da relação c1iente-terapeuta. como parte integrante da vida funcional e da adaptação social. Isso inclui todas as aplicações da musicoterapia em salas de aulas e em ateliês particulares assim como outros settings (hospi- tais gerais ou psiquiátricos.em que o~coprimário é a. CAPÍTULO 17 . que variam de acordo com a ênfase nos aspectos musicais ou não-musi- cais.. . DEFININDO AS ÁREAS E NÍVEIS DA PRÁTICA 167 capítulos subseqüentes. musical ou não-musical). Didática As práticas didáticas são aquelas cujo foco é--. • utilizar as experiências de musicoterapia para formar. asilos para idosos) em que os principais objeti- vos do programa são de natureza essencialmente educacionais. ~_. treinar e su- pervisionar estudantes e profissionais. As práticas desta área variam de acordo com a área de aprendizado enfatizada (por exemplo. Isso inclui todas as abordagens que enfocam os distúrbios ~ . c_omportamentos e . • utilizara música e atividades correlatas como um apoio ao aprendi- zado não-musical. São elas: • desenvolver conhecimentos e habilidades musicais por si próprias. . • utilizar o aprendizado musical como contexto para a terapia.-- habilidades --------- . ..~stá no JJrimeiro plano do pfcocesso tt:~êuti~o._----- ajudar os clientes a ad- -~---.

ções dadas ao cliente. o terapeuta ou a música que fazem ou ouvem juntos. na cura. o agente de mudança é o cliente. -- A área de cUra inclui todas as utilizações das proprieda. a pre- missa básica é que na medida em que o corpo entra em harmonia. hospícios e asilos para idosos. a psique e o espírito o acompanham. todas as práticas de cura centram~se no que Wilber (1995) chama de relações do "exterior coletivo" entre o indivíduo e o universo. clínicas.------. A cura se distingue da terapia. o que distingue as práticas de cura das ecológicas é que a cura cOl!leça no exterior coletivo e se movepajg aspectos mais in~s. o agente de mudança são as ~ versal encontrªº. As relações exteriores são essencialmente de natureza física e comportamental. Asp~ãticas desta área varia~~m: as fu.168 DEFININDO MUSICOTERAPIA biomédicos como principal alvo de mudança.por um aspecto fundamental: na tera- pia. e em função disso. com a duração do tratamento e com o setting clínico. a música pode ser utilizada para restaurar tais qualidades de qualquer parte do universo que esteja desordenada. As práticas desta área variam de acordo com as funções dadas à mú- sica e à relação cliente-terapeuta. assim como aquelas que tam- bém operam sobre fatores psicológicos e ecológicos que influenciam a en- fermidade e o bem-estar. Portanto. se as práticas enfocam . Cura ~. enquanto que as práticas ecológicas começam no interior coletivo e se movem para domínios mais exteriores. o foco inicial no exterior coletivo pode se es- tender ao interior das relações internas ao indivíduO ou entre o ~ndivídllo e outros estratos sócio-culturais. entretanto. já que os três são formasinterrelacionadas em termos de energia. desequilibrada ou desarmoniosa por causa de distúrbios ou doenças.--~---. centros de reabilitação.omdiVíclii()uê o universo. com a importância dos objetivos médicos. a extensão com que a música é envolvida na prática (em contraste com o som e as vibrações). Em funçãodeuseu apoio nas formas de energia vibratória. à música e ao terapeuta. no entanto.des universais --- ~I? e da música com o propósitoderestaurarahaffiiO~a do indivíduo e entr. do equilíbrio e daharmo- nia inerentes ao universo. O settings típicos são hospitais.ªs na música e em se~mponentes sonoro~~. Umanoçãocenfral é que a música é uma manifestaçãovibratória da ordem.

Rsicotera. a-aUto§l~ações e ~sEiri!!I~lidade como-princip!lis arv~ mugªnça. Ecológica A área ecológica inclui todas as aplicações da música e da musicote- rapia em que o foco primário é a promoção da saúde. õlocaJ detrabalho. comiinitárioseinstitucionaisque buscam ajudar os indivíduos ase engajarem em atividades sociais ede lazerque irão melhorar a qualidade de vida. por exemplo) em detrimento das relções sinérgicas entre as várias áreas da saúde..-------.·~ vários . participação na comunidade). DEFININDO AS ÁREAS E NÍVEIS DA PRÁTICA 169 apenas uma área da saúde (o corpo._"LdiY~ mento ematividad~ª-s9ciais e culll1r~i§Jsso inclui programas individuais. - estratos sócio-culturais da comum .~m-comº. e a orientação teórica do terapeuta (por exemplo. -------. o papel da música. a comu: . um contato social. -.a e e seu ambiente físico. CAPÍTULO 17 .!Q!l. As práticas nesta área variam de acordo com a extensão e a profundi- dade do tratamento. Os settings típicos são: hospitais psiquiátricos. assim como com a duração e continuidade do tratamento. psicodinâmica. aqtielas qu~ abor~~mjdicos_~ didático~ª(. uma atividade artística.). e se o alvo é o indivíduo ou um ambiente ou contexto. Recreativa A área recreativa inclui todas as aplicações da música ou da musico- terapia em que o f~imário é o prazer pessoal. As práticas desta área variam de acordo com o grau de relevância que uma determinada atividade tem com relação às necessidades de saúde do cliente (por exemplo. . Isso inclui todos os trabalhos que enfocam a família.~ f':'<"::l!i questões. um passatempo pessoal.pêutica A área psicoterapêutica inclui todas as aplicações da música ou da musicoterapiacujo foco primá!i9 é aiudar-9s clientes a encontrarem signift ~ Is~o_inclui todas as abordagens grupais ou individuais ql!e eIlfocam ~ emoções doiliâwidtiO. centros de aconselhamento e a prática privada. ---. comportamental etc.

por exemplo. a profundidade e a impor- . o objetivo pode ser melhorar a saúde do próprío ambiente ou alterar aqueles fatores do ambien- te que concorrem para o problema de saúde do cliente. a sociedade. As práticas dessa área variam de acordo com o foco. Também estão incluídos quaisquer esforços para formar. as práticas ecológicas ocupam-se das atitudes e valores que os grupos têm com relação ao seu ambiente físico. Todas as práticas ecológicas centram-se nas relações do "interior" entre o indivíduo e os diversos contextos coletivos em que vive (ver Wilber. seja em função de risco à saúde da própria unidade eco- lógica. enquanto as práticas de cura ocupam-se das relações energéticas entre os indivíduos. 1995).170 DEFININDO MUSICOTERAPIA nidade. Isso contrasta com as práticas de cura. Um--==-- nível descreve a extensão. Assim. o que define a área ecológica é que o foco de mudança é primeira e principalmente de natureza interior. ao mesmo tempo em que se ajuda o cliente a lidar com eles. construir ou man- ter as comunidades através da musicoterapia. os grupos e seu ambiente físico. significados enas tradições dos·in- divíduos nos diferentes estratos da comunidade e. atitudes. seja porque a unidade causa ou contribui de alguma forma para os problemas de saúde de seus membros. Portanto. NÍVEIS DA PRÁTICA Visão Panorâmica Cada área abrange práticas clínicas que variam de acordo com o nível da terapia. As relações do domínio interior estão baseadas em idéias. se está colocado sobre o cliente ou sobre o ambiente do cliente. a cultura ou as atitudes de qualquer grupo em termos do ambiente físico. os critérios para determinar seus níveis também são diferelltes. No entanto. valores. e portanto necessitando intervenção. sentimentos. e secundaria- mente as implicações que elas têm para as questões do interior. que enfocam primeiramente o exterior ou as relações físicas entre o indivíduo e o universo. em última instância. A extensão do foco e o grau de mudança resultante das intervenções são de grande importância. Como as práticas dessa área são muito diferentes das outras áreas. comportamentos. na relação de toda a comunidade com a espécie humana como um todo. É claro que esses aspectos do "interior" podem afetaras relações "exteriores"entre grupos de pessoas e seus ambientes físicos.

São eles: Nível Auxiliar: todas as utilizações funcionais da música ou de qual- quer de seus componentes para fins não-terapêuticos. A prática lida com necessidades de saúde? Os objetivos são dé natureza tera- pêutica? O foco é periférico. tendo como resultado. O autor deste também apresentou outras versões (Bruscia. Wheeler (1983. induz mudanças abrangentes no cliente e em sua vida. a indução de mu- danças significativas na situação atual do cliente. 1988) e Maranto (1993). como resultado. CAPÍTULO 17 . Outros autores que definiram níveis de prática similares são Wolberg (1967). Nível Intensivo: qualquer prática em que a musicoterapia desempe- nha um papel central e independente para alcançar os objetivos prioritários do plano de tratamento do cliente. DEFININDO AS ÁREAS E NÍVEIS DA PRÁTICA 171 tância da intervenção terapêutica e da mudança almejada através da músi- ca e da musicoterapia. porém com objetivos relacionados com a terapia. Antes. de apoio ou central com relação às necessida- des primárias de saúde do cliente? . 1987b. e. 1989a). O primeiro critério utilizado para determinar o nível da terapia é a relevância da prática para o estado de saúde do cliente ou necessidades terapêuticas primárias. Critérios Os critérios abaixo fQram utilizados para identificar os quatro níveis da prática. e. é necessário apre- sentar uma visão dos quatro níveis identificados no levantamento da lite- ratura. Nível Aumentativo: qualquer prática em que a música ou a musicote- rapia é utilizada para complementar e aumentar os efeitos de outras modali- dades de tratamento e como elemento de apoio no plano global de tratamen- to do cliente. ~ Relevância para as Necessidades de Saúde Primárias. 1989b). inclusive relacionando esses níveis da prática com o conteúdo da formação e treinamento em nível de graduação e de pós-graduação (Bruscia. Mais adiante serão abordados os critérios específi- cos para a determinação dos níveis da terapia. em última instância. para classificar as diferentes práticas em cada uma das áreas descritas anteriormente. Nível Primário: qualquer prática em que a musicoterapia desempe- nha um papel singular ou indispensável para atingir as principais necessida- des terapêuticas do cliente.

é provável que elas recaiam no nível primário ou inten- sivo. através de relações específicas. Por exemplo. produzem mudança terapêutica . um terapeuta e a música trabalhando em conjunto para induzir mudança. Quando estão presentes todas as funções de cliente e terapeu- ta requeridas e quando as relações.quantomais severos. A musicoterapia sempre envolve umclien- te. Portanto. mais intensivo será o nível da terapia. ou quando a música é utilizada isoladamente. Nível da Experiência Musical. Portanto. Independência Clínica. ela se situa fora das fronteiras da musicoterapia. Quando os objetivos são de relevân- cia central. ou quando visam atingir os problemas de saúde secundários ou as necessidades terapêuticas menos intensas. 172 DEFININDO MUSlCOTERAPIA Quando uma prática não se relaciona com os problemas de saúde ou as necessidades terapêuticas. Quando os objetivos são periféricos ou de apoio ao programa terapêutico global do cliente. O principal fator na determinação das fronteiras da musicoterapia é a extensão com que a experiência do cliente . Quando a musicoterapia divide aresponsa- • bilidade dos objetivos primários com outras modalidades. palmente de forma indireta. ou quando a relaçãocl iente-terapeuta produz mudanças princi-. Quando papéis diver- sos da relação c1iente-terapeuta (por exemplo.é mais provável que a prática esteja no nível primário ou intensivô. ou quando enfoca aspectos limitados do plano global de tratamento do cliente. o trabalho não pode ser considerado como musicoterapia propriamente dita e será considerado como atividade de nível auxiliar. é mais provável que se trate de um nível primário ou intensivo. é mais provável que a prática seja do nível aumentativo. ocupando-se de uma grande gama de problemas de saúde e necessidades terapêuticas. por si só e de forma direta. ou quando visam atingir problemas de saúde ou necessidades te- rapêuticas primários. é mais provável que seja uma prática do nível auxiliar ou aumentativo. professor-aluno) estão en- volvidos. sem a ajuda de alguém defmido como "terapeuta". quando algum desses três elemen- tos está ausente ou não desempenha sua função específica. Quando amusicoterapia de- tém sozinha a responsabilidade ou assume a principal responsabilidade de áreas-chave do programa. urgentes ou significativos os problemas ou necessidades terapêuticas do cliente e quanto maior é a responsabilidade da musicoterapia em atingi-Ios. a prática situa-se fora das fronteiras da musicoterapia. é mais prová- vel que a prática seja do nível aumentativo.da mesma forma para a função da música . Os Papéis nas Relações. quando um indivíduo que está sendo ajudado não é definido como "cliente".

e se relacio- na com todos os critérios acima. CAPÍTULO 17 . mas não fazem parte da disciplina propriamente dita. A questão aqui éem que medida o musicoterapeuta se adapta para atingir toda a gama de problemas de saúde ou necessidades que o cliente apresenta. a música. Abrangência do Tratamento. o contrário também pode ocor- rer. Em termos deniveis. Embora isso seja comum. Um fator importante para determinar essa extensão é se a música é utilizada como terapia ou na terapia. intensivas ou primárias. senão todos. o terapeuta. aquelas práticas que dependem primariamente de experiências pré-musi- cais. e a medida com que a música como ou na terapia pode alcançá-Ias. As práticas que dependem primariamente de experiências musicais e extramusi- cais. DEFININDO AS ÁREAs E NÍVEIS DA PRÁTICA 173 envolve música. mas está apto a . aquelas que se ajustam às fronteiras da modalidade e do método). Também aqui. as relações) que melhor atinja aquelas necessidades que foram consideradas prioritárias. o terapeuta enfoca todo o espectro de problemas apresentados pelo cliente e escolhe o compo- nente específico da musicoterapia (por exemplo. Isso não implica que a música na terapia esteja sempre no nível pri- mário ou intensivo de terapia e que a música como terapia esteja sempre no nível aumentativo. Algumasvezes. em outros termos. mais provavelmente serão aumentativas. Quando o terapeuta permanece dentro da modalidade e do método. o determinante último é a natureza das neces- sidades do cliente. Emtermos de níveis da práti- ca. A extensão do processo terapêutico ou a extensão com que o terapeuta e a música podem abordar a maioria. quando o terapeuta se mantém dentro dos limi- tes estabelecidos pelas fronteiras de sua modalidade e de seu método e aborda somente algumas das necessidades do cliente (isto é. O terapeuta utiliza somente a música ou ele explora todo o espectro de experiências e relações que emergem da música? O terapeuta utiliza outras modalidades e métodos quando indicado? Ou. os problemas de saúde do cliente é mais um dos critérios. em que medida é musico- terapia centrada no cliente e/ou centrada na música? Quando a música é usada como terapia. paramusicais ounão-musicais (ver Capítulo 12) são geralmente auxilia- res da musicoterapia. o terapeuta enfoca as neces- sidades específicas do cliente que podem ser melhor abordadas pela música propriamente dita. como definida no Capítulo 11. a prática é aumentativa. uma necessidade prioritária pode ser melhor abordada pela música como terapi~ e algumas vezes ela é melhor abordada pela mú- sica na terapia. Quando a música é usada na terapia.

e os estende para abordar um amplo espectro de problemas terapêuticos. os sintomas. adaptação ou manipulação do ambiente? As mudanças tornaram o cliente mais independente para lidar com seus problemas e resolve-Ios ou a mudança é .174 DEFININDO MUSlCOTERAPIA abordar a maioria ou todas as necessidades do cliente. Um último determinante do nível da terapia é o grau da mudança terapêutica a ser realizada pelo cliente. o terapeuta aumentativo assimila as necessidades do cliente em sua modali- dade e em seu método. e quando o terapeuta utiliza toda a extensão da modalidade e do método. em certa medida. De forma análoga. Quando a prática envolve sessões ocasionais ou infreqüentes. A prá- tica visa a induzir algum tipo de mudança? Se pretende. Até onde o processo de intervenção vai. ela identificou três níveis de práticas psicoterapêuticas para pacientes psiquiátricos adultos: (l) atividade musicoterapêutica (uti- lização de atividades centradas na música para alcançar objetivos de adap- . as causàs. os distúrbios. ou as dificuldades resultantes? As mudanças são produzidas em nível consciente ou inconsciente? Em que mydida as mudanças envolvem reorganização es- trutural. dependeiIte das condições do tratamento? Wheeler (1983. Em termos Piagetianos. Grau da Mudança Terapêutica. ela fica fora das fronteiras da musicoterapia. enquanto que o terapeuta primário ou intensivo aco- moda sua modalidade às necessidades do cliente. mas só aborda algumas das necessidades do cliente. é mais provável que a prática seja intensiva ou primária. Baseado em Wolberg (1967). Profundidade do Processo Terapêutico. O nível da terapia não de- pende somente de sua extensão. 1988) apresentou uma classificação das práticas de musicoterapia que utiliza o grau de mudança como critério. Quando a prática envolve sessões regulares e freqüentes por um longo período de tempo e quando as intervenções abrangem tanto os problemas e necessidades manifestas quanto as latentes. ou quando as intervenções lidam com pro- blemas e necessidades manifestos. mas também da profundidade do tratamen- to. e quanto ele dura? Quando a prática não envolve um processo sistemático de intervenção ao longo de um período suficiente de tempo. ou se estende por um curto período de tempo. é mais provável que a prática seja aumentativa. como definida no capítulo anterior? A prática conduz a mudanças terapêuticas abertas e/ou encobertas? Que aspectos específicos dos proble- mas do cliente são enfocados. a prática é auxiliar ou aumentativa. a mudança é tera- pêutica. a prática é intensiva ou primária. a prática é intensiva ou primária. quando o terapeuta ultrapassa a modalida- de.

Portanto. nem todos os crité- rios são relevantes para todas as áreas de prática. Como poderá ser visto nos próximos capítulos. e (3) musicoterapia de insight com objetivos reconstrutivos (utilização da música e de outros métodos psicoterapêuticos para resolver conflitos inconscientes e. quando se determina os níveis da terapia. conseqüentemente. esses níveis freqüentemente se superpõem. promover a reorganização da persona- lidade do cliente). a relevância da musi- coterapia para as necessidades do cliente determina o grau de independên- cia clínica que ela terá. por exemplo). seja por causa do estágio em que o processo terapêptico se encontra. a área da prática molda os seus níveis internamente. Nas quatro seções seguintes. Isto é. um critério afeta outro critério. Terceira. Não é raro encontrar musicoterapeutas que trabalham com dife- rentes níveis de terapia coma mesma clientela. o que por sua vez afeta a profundidade das interven- ções e o grau da mudança do cliente. por exemplo) e não ser para outra (cura. Nível Auxiliar o nível auxiliar inclui qualquer aplicação damúsica( ou de qualquer ----. Primeira. Segunda.- . (2) musicoterapia de insight com objetivos reeducativos (utilização da música e de outros métodos psicoterapêuticos para ajudar o cliente a entender e resolver problemas no nível da consciên- cia). como nas áreas da prática.. seja em função de diferenças do tipo de problema terapêutico que está sendo abordado. Interações semelhantes podem ser encontradas com relação à utilização a música como terapia e na terapia e com relação à medida com que a experiência do cliente é intrinsecamente musical. DEFININDO AS ÁREAs E NÍVEIS DA PRÁTICA 175 tação comportamental). CAPÍTULO 17 . Isto é. um critério pode ser relevante em determinar níveis de prática de uma área (educacional. diferen- tes critérios são aplicados às diferentes áreas da prática.~----- de seus componentes) com objetivos não-musicais que não seja qualificada ---------. cada nível de terapia será discutido à luz dos critérios acima . Natureza desses Níveis É necessário fazer algumas considerações finais sobre o modo como os critérios acima afetam os níveis da prática.

utilizando aspré-musicais. em experiências musicais e extramusicais. É claro que essa singularidade acrescentada é a música. aos serviços. a utilização contingente da música pode esten- der-se para incluir reforços não-musicais. No entanto. método ou relacionamentn entre quem a ministra e quem a recebe. um critério para este nível é que a prática se apóia. uma terapia com atividade musical pode. Nesse contexto. estender-se para incorporar ati- vidades não-musicais. ou as intervenções não são parte de um processo terapêutico que leva a uma mudança. apresentado no capítulo anterior. 176 DEFININDO MUSICOTERAPIA como terapia. e. não-musicais e paramusicais so- mente quando indicadas. Os indivíduos que recebem o servi- ço não são qualificados como "clientes" e o provedor do serviço não atua com a função de ''terapeuta''. as principais fim- ções do terapeuta são intensificar e facilitar os efeitos diretos da experiência musical sohre o cliente. e o papel doterapeuta geralmente é delimitado pelosettillg e pelas fu~- Ções específicas dadas à música na situação. embora sirvam de base para muitas áreas do trabalho clínico. por exemp·lo. Então. Portanto. Nível Aumentativo O nível aumentativo inclui todas aquelas· práticas da disciplina em que a musicoterapia aumenta a potência da educação. na maioria dos casos. seja por seus objetivos. "aumentar" significa acrescentar algo si:ligüIãFãOSesforços do indivíduo para a mudança terapêu- _tica. a música é mais freqüentementeutilizadacomo tera- pia. do desenvolvimeD!Ç>. tanto na experiência musical quanto na terapia. . em grande parte. pelo fato da música ser utilizada para aumentar outros esforços terapêuticos. aos programas ou às modalidades de tratamento oferecidas ao indivíduo. não é utilizada como o principal veículo ou agente da cura ou da terapia. a relação cliente-terapeuta é primaria- mente uma relação musical ou de atividade. ou. Nessa categoria. Esse nível também inclui aquelas práti- cas que utilizam experiências não-musicais. As práticas auxiliares são periféricas à musicoterapia. no sentido de que não atendem aos critérios estabelecidos. conteúdo. pré-musicais e paramusicais com propósitos clínicos em detrimento das musicais e extramusicais. da cura ou da terapia de indlvíduos que se enquadram no critério de "clien- te". Por outro lado. o papel da música pode ser estendido para acomodar a área particular da prática e dos objetivos· colocados. Tipicamente.

na de Wolberg (1977). o papel do musicoterapeuta neste nível freqüente- mente inclui todas as funções dos outros profissionais (por exemplo. esse papel envolve intensificar. por parte do terapeuta. Adjuntivo sempre tema conotação de que a prática não é essencial ou é suplementar. ele é determinado . A escolha do termo aumentativo em lugar de adjuntivo deu-se em função das diferentes conotações. DEFININDO AS ÁREAs ENÍVEIS DAPRÁTICA177 De forma análoga. esse nível corresponde ao nível de "atividade" na classificação de Wheeler (1983) e de "apoio" em rela- ção à psicoterapia. de ter insight de seus propnos sentImentos. Geralmente.necessidade. importantes e geralmente insubstituíveis. porém. réforçar ou preparar aquilo que outros terapeutas pretendem realizar com o cliente. A musicoterapia no nível aumentativo freqüentemente acomoda os objetivos de outras disciplinas. CAPÍTULO 17 . Nível Intensivo o nível intensivo incluitodas as práticas no int~rior da disciplina em que o musicoterapeuta trabalha lado a lado com outras modalidades de tra- tamento como um parceiro em pé de igualdade ou como terapeutaprincipar-' Como mencionado anteriormente. Sintetizando as duas. O nível aumentativo inclui serviços de apoio que são integrais. expandir. importante. como previa- mente descrito pelo autor (Bruscia. Geralmente. Nos termos de outras classificações. pro- fessor. as diferenças essenciais entre as prátiCãs aumentativas e intensivas podem ser melhor descritas através do termo Piagetiano de acomodação (adaptar as estruturas existentes para fazerem .~ pelo tipo de objetivos que foram definidos como prioritários em uma área de prática ou em um selting clínico. 1987b). Wheeler atribui as seguintes características a esse níve(~msca atingir os objeti- vos principalmente através de atividades e não através de insights verba- lizad~supressã\) mento ~omportamentosdos sentimentos adaptad~co e impulsos em favor voltado do desenvolvi- principalmente para os comportamentos e menos para os'processos latentes ou relações cau- sais@utilizaÇão peuta dos recursos que desempenha um papeldoaltamente-diretivo clienteÇ-5Nelação na positiva com da condução o tera- ses- são. pastor ouóutro tipo de terapeuta). elaborar. e desempenha um papel de apoio. e~&ínima . Esse nível também corresponde ao nível "adjuntivo".

com particular ênfase nas expe- riências musicais e extramusicais. as médicas e as de cura são freqüentes. amúsica é utilizada na terapia com maior freqüência do que como terapia. Geralmente. isso corresponde ao nível "reeducativo" de terapia.. as psicoterapêuticas. a musicoterapia acomoda os obJetivos de outra modali- dade de tratamento e assimila as necessidades do cliente na estrutura da música. a musicoterapia desempenha um~el singular ~----------- ou indispensável para atingir as principais necessidades terapêuticas do . e a comunicação ver- bal adquire uma dimensão importante na relação. dando ao terapeuta uma maior res- ponsabilidade de abordá-Ias. conseqüentemente. A música étipicamente utilizada para estabelecer ou intensificar a rela- ção cliente-terapeuta. Q!Iando utilizada como uma moda- lidade aumentativa. Todas as variedades de experiência musical podem ser utilizadas. atingindo. Isto é. que é uma relação de natureza mais terapêutica do que musical. Nível Primário No nível primário. Portanto. no nível intensivo.178 DEFININDO MUSICOTERAPIA frente às novas demandas) e assimilação (adaptar as novas demandas para que amoldem-se às estruturas existentes). O terapeuta desempenha um papel com O mesmo peso ou com peso maior do que a música no processo de interven- ção. Nos termos das classificações de Wheeler e de Wolberg. Maranto 7 (1993) chama esse nível de "específico". no qual o cliente recebe tra- tamento de apoio intensivo com o objetivo de aprender novas formas de resolver problemas. e o papel do terapeuta é determinado predominantemente pelas necessidades do cliente. uando utilizada como uma modalidade intensiva ou primária. um melhor nível de funcionamento. Pelo fato desse nível serestruturado para atender a um amplo espec- tro de necessidades do cliente. mas sem fazer mudanças de natureza reconstrutiva. A razão para essas superposições é que há uma tendência a se enfocar as ne- cessidades do cliente de forma holístic~.trlllllps cio cliente. a avaliação diagnóstica e os procedimentos terapêuticos de uma prática freqüentemente se superpõem às práticas de outras áreas. é nesse nível que as superposições entre as práticas didáticas. a musicoterapia assimila em si própria os objetivos de ou r o a ade ç: tratamento com o intuito de acomodar as nppes. o cliente se relaciona com o musico- terapeuta mais como terapeutado que como músico.

seja qualificada Portanto. Todos os níveis de experiência musical.. A musicoterapia desse nível quase sempre envolve a integraçãode duas áreas da prática (por exemplo. •• a_in ••ll•i{. DEFININDO AS ÁREAS E NÍVEIS DA PRÁTICA 179 cliente... significado e autonomia do tratamento e do resul- tado.:. enquanto que na de Maranto..é definido pela um nível da prática extensão.o... as áreas da musicoterapia começam a mesclãr= se para que todos os recursos da disciplina sejam aplicados para atingir as necessidades do cliente. CAPÍTULO 17 .íno=::ic:..:"lo"-. de cura.-..sica. SUMÁRIO Em resumo.. a médica e a de cura.:o:. como dois critérios musicoterapia têm que primár~uando ser ~t~dos parao que trabalho uma de prática uma área da prática alcança a profundidade necessaria para induzir mudanças fundamentais.. intensivo e primário das práticas das seguintes áreas da musi- coterapia: didática. induz mudanças abrangentes na vida deste. profundas e penetrantes no cliente 'é@quando o trabalho tem extensão suficiente para que os objetivos e processos da área da prática original sejam estendidos para incluir outra área da prática.. como resultado.e.•• D"". assim como outras modalidades terapêuticas são utilizadas quando indicadas.i•• t_e~.n:.. Portanto. Com essas definições e critérios.:u:.:ta~e. .ra::ip!:. abordando por conseguinte causas centrais da condição de saúde do cliente. a tera- pia primária tem extensão e profundidade tanto com relação ao processo quanto com relação à mudança. A música é utilizada tan~ cnmn t~r~a.a_.. ele é designado de "abrangente".:. uma ár_e_a_d_e . e.. psicoterapêutica..t::e.on _ ••. quanto na teraoiae os bene- fícios terapêuticos tanto da relaçãõCIiente-musica. .o:. a psicoterapêutica e a didática).::n:. O cliente recebe um tratamento mais intenso e abrangente que visa a alterar as estruturas básicas deste e entre ele e o ambiente.. juntamente com o papel da mú..s_t_it -=- Ií_n~ic.. Os seis capítulos seguintes são dedicados a uma descrição mais detalha-o da de cada prática. c_o_c.. médica."l:..• p__ r_á_ti_c_a_é d~. A Tabela 2 apresenta uma visão panorâmica dos níveis auxiliar. •••ã_o_c..id""a ••...... podemos agora examinar as práticas específicas das diferentes áreas e ní- veis... profundidade. esse nível é chamado de "reconstrutivo". quanto da relação clien- te-terapeuta são plenamente explorados.•• -==. aumentativo. recreativa e ecológi- ca. Nesse sentido..e:. Nas classificações de Wheeler e de Wolberg.fo •.