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JOÃO MASCARENHAS MATEUS

TÉCNICAS TRADICIONAIS DE CONSTRUÇÃO DE ALVENARIAS


A LITERATURA TÉCNICA DE 1750 A 1900
E O SEU CONTRIBUTO PARA A CONSERVAÇÃO DE EDIFÍCIOS HISTÓRICOS
O trabalho de pesquisa que está na base da presente publicação foi
apoiado financeiramente pelo Subprograma Ciência e Tecnologia do
Segundo Quadro Comunitário de Apoio.

Agradecimentos:
Prof. António Ressano Garcia Lamas, do Instituto Superior Técnico;
Prof. Giovanni Carbonara, da Universidade “La Sapienza” de Roma;
Dr. Eng.º Trigo de Abreu, Fundação para a Ciência e Tecnologia do
Ministério da Ciência e Tecnologia; Embaixador de Portugal em Itália,
Dr. João Diogo Nunes Barata; Dr. Jaime Raposo Costa, Conselheiro
Cultural e D. Luísa Serra da mesma Embaixada; Eng.º Eduardo Ri-
título beiro Pereira; Eng.º Jorge Pinto Ganhão; Prof. Raymond Lemaire (1921-
TÉCNICAS TRADICIONAIS DE CONSTRUÇÃO DE ALVENARIAS -1997) Universidade Católica de Leuven, Bélgica; Arq.o Giangiacomo
A LITERATURA TÉCNICA DE 1750 A 1900 E O SEU CONTRIBUTO Martinez e Dr.ª Cinzia Conti, “Soprintendenza Archeologica” de Roma;
PARA A CONSERVAÇÃO DE EDIFÍCIOS HISTÓRICOS
Arq.o Luciano Garella, “Soprintendenza per i Beni Ambientali e Archi-
autor tettonici” de Roma; Arq. o Raphaele Viola, Arquivo Histórico da
JOÃO MASCARENHAS MATEUS “Soprintendenza per i Beni Ambientali e Architettonici” de Roma;
revisor Dr.ª Monica Garcia, Dr.ª Marie Christine Uginet e Dr. Alejandro d’Alva,
JOÃO VIDIGAL ICCROM ; Prof. Antonino Giuffré (1930-1997) e Dr. Eng.º Ceradini,

paginação e capa
Faculdade de Engenharia da Universidade “La Sapienza” de Roma;
CARLOS VIEIRA REIS Prof. Luís Aires Barros e Prof.a Cristina Rebelo Dias do IST; Dr. José
Alfredo Patrício; Dr. Isaías Hipólito; Rev.mo Monsenhor José Ribeiro
© LIVROS HORIZONTE, 2002
ISBN 972-24-1234-5
Gomes (1952-1999), Secretaria de Estado do Vaticano; Rev.mo Mon-
senhor Agostinho da Costa Borges e António Cimini, Instituto Portu-
fotólitos
guês de S. António em Roma; General Damiani, “Istituto Storico e di
GRÁFICA 99
Cultura dell’Arma del Genio” de Roma; Enza Biamonte, Escola de
impressão e acabamento Especialização em Restauro de Monumentos da Universidade “La Sa-
ROLO & FILHOS, LDA.
pienza”; Carla Razzano, Departamento de História de Arquitectura
dep. legal n.º 185216/02 da “Sapienza”; Paula Marques e Dr.ª Sílvia Santos, Departamento de
2002
Engenharia Civil do IST; Eng.ª Ana Soveral Dias, Biblioteca Histórica
do IST; Philippe Jarjat; Antonieta De Lorenzo; Prof.ª Beatriz Mugayar
© 2002, João Carlos de Oliveira Mascarenhas Mateus Kühl, Universidade de São Paulo (Brasil); Prof. Paulo Mugayar Kühl,
Todos os direitos reservados. Esta publicação, no seu todo ou em parte, Universidade de Campinas (Brasil); Dr.ª Isabel Cruz de Almeida, Mos-
não pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer processo, electrónico,
teiro dos Jerónimos; Eng.º Vítor Cóias e Silva, GECORPA; Eng.º Rogério
mecânico, fotográfico, incluindo fotocópia, xerocópia, ou gravação,
Madeira, SECIL; Dr.ª Carlotta Belloni, Cristina Zavaroni. Dr. Marco
sem autorização prévia e escrita do autor.
Solari, Arq.o Luís Marino Ucha, Dr.ª Jane Ross, Dr.ª Elizabeth Stoney,
LIVROS HORIZONTE, LDA Dr.ª Victoria Palau, Arqa. Carlota Proença de Almeida. Por fim, e no
Rua das Chagas, 17, 1.º Dto. – 1200-106 LISBOA princípio, a Eng.ª Margarida Mateus, o Eng.ª Adalberto Mascarenhas
E-mail: livroshorizonte@mail.telepac.pt Mateus e o Dr. Terry Little, do ICCROM.
Passaram já mais de 70 anos desde a criação da SECIL, empresa que continua a desen-
volver como principal actividade a produção e comercialização de cimento e dos pro-
dutos dele derivados.
Poderia achar-se estranha a associação desta empresa, cujo produto está frequente-
mente associado à construção nova e industrializada, a uma publicação que trata de
técnicas tradicionais de construção. Porém, objectivos que, à partida, parecerão diver-
gentes, não o serão numa óptica de responsabilidade, que a SECIL assume, na promoção
de uma esclarecida utilização dos seus produtos e na promoção de uma cultura da
construção que conduza à adequada utilização de métodos e materiais, tradicionais ou
mais recentes.
Este trabalho sobre “Técnicas Tradicionais de Construção de Alvenarias”, cuja publi-
cação a SECIL apoiou em co-patrocínio com o GECORPA, constituirá certamente uma refe-
rência para os profissionais envolvidos nas várias fases da conservação e reabilitação
do património edificado.
Esperamos que lhes permita encarar os problemas da intervenção em antigas cons-
truções compatibilizando o que de melhor há nas soluções tradicionais com as possibi-
lidades oferecidas pelos novos materiais e pelas modernas tecnologias.
Para a SECIL esta publicação constituirá também uma base para discussão da forma
como se deverá adaptar aos desafios, que urge enfrentar, de revalorização e reintegração
do património herdado na vivência urbana contemporânea.

O Conselho de Administração da SECIL


As intervenções de conservação do património arquitectónico envolvem uma elevada
especificidade, pressupondo uma adequada consciencialização e formação dos vários
intervenientes. Revestem-se, também, de uma grande complexidade, quer ao nível estra-
tégico e metodológico, quer ao nível operacional e tecnológico. A especificidade e a
complexidade desta área resultam, basicamente:
a) De uma filosofia e métodos especializados de estudo, avaliação e intervenção,
capazes de se adaptarem a cada monumento ou edifício histórico;
b) De uma necessidade de trabalho em equipas multidisciplinares, envolvendo arqui-
tectos, engenheiros, historiadores, conservadores-restauradores, químicos, mineralo-
gistas…
c) Da necessidade de conhecimentos técnicos de materiais e sistemas construtivos
tradicionais e contemporâneos.

Os estudos sobre as construções de alvenaria levados a cabo pelo Eng.º João Masca-
renhas Mateus, no âmbito da sua tese de doutoramento, constituem um importante
contributo para o conhecimento da antiga “Arte de Bem Construir” e enquadram-se,
directamente, no último dos três vectores acima.
Sendo o GECORPA uma associação empresarial que, partindo do reconhecimento da
importância transcendente do património arquitectónico para a sociedade, visa a valori-
zação do papel das empresas na sua conservação e restauro através da promoção de
objectivos de excelência, facilmente se compreende o apoio que, desde a primeira hora,
deu ao presente trabalho.
Saudando a Autor pela qualidade e profundidade dos seus estudos, o GECORPA congra-
tula-se por poder contribuir para que eles constituam uma útil ferramenta de trabalho
para as empresas e profissionais que se dedicam à conservação do património arquitectó-
nico do nosso país.

V. Cóias e Silva
Presidente do GECORPA
A presente obra constitui o resultado de diversos anos de cesso de conservação arquitectónica, ou seja durante o levanta-
pesquisa de doutoramento desenvolvida entre a Universidade mento cognitivo, na fase de tomada de decisões e, por fim, na
“La Sapienza” de Roma e o Instituto Superior Técnico de Lisboa. fase de intervenção propriamente dita.
O objectivo inicial da investigação era o de estudar de forma
crítica as fontes sobre a arte de construir em alvenaria, que têm Este livro coloca, de forma original, as antigas técnicas cons-
permanecido adormecidas nas bibliotecas, sistematizar a infor- trutivas ao lado das modernas técnicas de intervenção, como
mação obtida e, por fim, discutir à luz das teorias e conheci- instrumentos úteis e fundamentais para a actividade conserva-
mentos mais recentes a sua utilidade para a conservação de tiva. Não caindo em simples comparações entre eficácia de uma
edifícios históricos. ou outra técnica, vista a multiplicidade infinita da casuística
O autor conseguiu ir mais além destes objectivos e o resulta- possível, o saber tradicional é tratado em pé de igualdade com o
do final é uma original contribuição para o conhecimento euro- conhecimento contemporâneo, contrapondo as vantagens de um
peu da “Arte de Bem Construir”, tão necessária aos engenheiros e de outro, estabelecendo assim a difícil relação entre o antigo e
e arquitectos envolvidos em processos de restauro e de conser- o moderno.
vação do património construído. Esta obra apresenta três com- Este trabalho inovador não só é importante para engenhei-
ponentes principais: ros e arquitectos como para historiadores da Arte, estabelecendo
1. Constitui uma primeira bibliografia comentada das fontes uma forte proposição para a preservação dos edifícios antigos e
técnico-literárias necessárias ao conhecimento das construções em particular para a formação de uma cultura do restauro em
em alvenaria, à imagem de obras tais como a de Kruft, destinada Portugal. Espero que possa vir a constituir uma referência basilar
às fontes da história da Arquitectura, ou a de Von Schlosser, para a ciência das construções e da sua conservação e um ponto
dedicada às técnicas artísticas; de partida para investigações futuras na área dos sistemas cons-
2. Consiste no primeiro repertório estruturado, comentado trutivos tradicionais.
e traduzido para a linguagem técnica contemporânea, do antigo
conhecimento construtivo dos sistemas de fundações, maciços
portantes, arcos, abóbadas e respectivos revestimentos; Giovanni Carbonara
3. Compreende uma reflexão sistemática e completa sobre o Catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade
uso desses princípios e técnicas nos diversos momentos do pro- “La Sapienza” de Roma
A tese de doutoramento do Eng.º João Mascarenhas Mateus, sam fruir do património que herdámos incentivam o domínio
que tive o gosto de orientar, resultou fundamentalmente da con- das técnicas tradicionais e o desenvolvimento de processos e
sulta, análise e comparação de muitos livros sobre a arte de bem métodos de intervenção compatíveis com a peça recebida, sobre-
construir ao longo do tempo que precedeu a industrialização e tudo em termos de durabilidade, para que o que lhe acrescen-
as modernas tecnologias. É essa arte, fruto de descobertas, expe- tamos de novo possa ter um tempo de vida semelhante.
riências e observações do comportamento de materiais e arte- Nesta perspectiva, importa transmitir a noção de que são raros
factos, que permitiu que o património construído, suporte da os modernos materiais e técnicas que podem resistir ao tempo
cultura europeia, chegasse até nós. como essas peças resistiram, simplesmente porque não os elege-
Esta tese situa-se bem ao lado desses tratados porque inclui mos e usamos com essa intenção. Perdemos neste aspecto um
o seu digest e porque lhes dá um significado novo e uma utilidade conceito básico da ética da profissão que importa recuperar:
para a construção actual. Explico melhor. construir para durar.
O presente trabalho não é mais uma memória para os vindou- Não estando ainda em causa uma preocupação com a preser-
ros sobre uma sabedoria pessoal acumulada, nem ambiciona ser vação do património como valor cultural, ressalta dos antigos
uma história da construção. tratados de construção, que os autores dedicavam sistemática
O objectivo, que foi conseguido, era o de compreender as atenção à observação e registo do comportamento dos materiais
antigas construções em alvenaria à luz do saber que presidiu ao e técnicas que conheciam, e à transmissão e acumulação dessa
seu fabrico e recuperar para a actividade do projectista de hoje, informação numa base temporal suficientemente longa para que
que nelas é chamado a intervir, os saberes artesanais que se per- fossem válidos os conselhos de um bom construtor.
deram e explicam a durabilidade dessas construções e podem, Transportando esta visão para a actualidade, para a construção
com vantagem, ser reutilizados. em geral e para os conceitos de qualidade, hoje mais associados
A perspectiva é a de que, para actuar sobre uma construção à adequação funcional e à economia do produto construído, ela
existente, para além da cultura histórica e artística necessárias à terá como consequência uma maior consciência na quantificação
explicação da sua origem, valor cultural e contexto, importa co- do ciclo de vida em que essa economia é avaliada e dar-lhes-á
nhecer profundamente a sua constituição física e a sua evolução. maior robustez.
O reconhecimento desta premissa e o gosto pelo objecto de inter- É portanto em todas estas dimensões que devemos procurar
venção, conduzem naturalmente ao seu estudo e explicação dos incentivo para recuperar materiais e processos que se julgam
valores e defeitos que encerra. E só dispondo dessa compreen- perdidos, prescrever intervenções contemporâneas de qualidade
são é possível actuar respeitando todos os valores em causa, pres- e entender a tese do Doutor Engenheiro João Mateus. Muitos
crever os materiais, o reforço e as adições mais adequadas e acres- outros materiais e processos poderiam ser abordados com o
centar ao bem herdado contributos contemporâneos positivos. mesmo método e objectivos. Que este trabalho sirva de exemplo.
Ao mesmo tempo, uma intervenção adequada no património
construído exige humildade face ao saber e trabalho humano
que representa e que dificilmente hoje conseguiríamos mobilizar. António Ressano Garcia Lamas
Esta atitude e o desejo de que as gerações futuras também pos- Professor Catedrático do Instituto Superior Técnico
ÍNDICE

INTRODUÇÃO

O CONTEXTO DA OBRA. ..................................................................................................................................................................................................... 16


O TEMA E OS SEUS LIMITES .............................................................................................................................................................................................. 16
A METODOLOGIA USADA NA PESQUISA ........................................................................................................................................................................ 17
A ESTRUTURA DA OBRA .................................................................................................................................................................................................... 18
ADVERTÊNCIA GERAL À LEITURA .................................................................................................................................................................................... 19

CAPÍTULO I — A BIBLIOGRAFIA E A TRANSMISSÃO DO SABER AOS PROTAGONISTAS DA CONSTRUÇÃO

ANTECEDENTES DOS TRATADOS DO SÉCULO XVIII .................................................................................................................................................................. 23


A ANTIGUIDADE .................................................................................................................................................................................................................. 23
A IDADE MÉDIA ................................................................................................................................................................................................................... 25
O RENASCIMENTO. PRIMEIRAS EDIÇÕES DE VITRÚVIO E PRIMEIROS TRATADOS IMPRESSOS ............................................................................. 27
ACADEMIAS DE FORTIFICAÇÃO E TRATADOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL E MILITAR ............................................................. .................................... 30
A TRATADÍSTICA ENTRE 1750 E O INÍCIO DO SÉCULO XX ........................................................................................................................................................ 34
AS OBRAS PUBLICADAS NO SÉCULO XVIII ..................................................................................................................................................................... 34
O Iluminismo e a institucionalização do ensino da Ciência das Construções .............................................................................................................. 34
Cursos e Resumos de Lições ........................................................................................................................................................................................... 38
Tratados Gerais e Manuais de Arquitectura e Construção Civil .................................................................................................................................... 38
Literatura técnica especializada ..................................................................................................................................................................................... 39
Enciclopédias e Dicionários ........................................................................................................................................................................................... 44
O SÉCULO XIX E A LITERATURA TÉCNICA NA ERA DA INDUSTRIALIZAÇÃO ........................................................................................................... 44
Cursos e Resumos de Lições ........................................................................................................................................................................................... 46
Tratados Gerais e Manuais de Arquitectura e Engenharia Civil .................................................................................................................................... 47
Representação gráfica, Geometria e Estereotomia .......................................................................................................................................................... 49
Mecânica e Resistência das alvenarias ........................................................................................................................................................................... 50
Teoria e prática da produção de materiais de construção .............................................................................................................................................. 52
Obras relacionadas com a execução e protecção de alvenarias ..................................................................................................................................... 53
Dicionários e Enciclopédias ........................................................................................................................................................................................... 54
A CONTRIBUIÇÃO DA ARQUEOLOGIA E DA HISTÓRIA DA ARQUITECTURA ............................................................................................................ 55
O ADVENTO DO BETÃO ARMADO E O DECLÍNIO DA CONSTRUÇÃO EM ALVENARIA ............................................................................................. 57
A CONSERVAÇÃO DO PATRIMÓNIO E A RELEITURA DA TRATADÍSTICA .................................................................................................................... 60
UMA VISÃO GLOBAL DO CONTEÚDO DOS TRATADOS ESTUDADOS .......................................................................................................................... 65

9
CAPÍTULO II — A CONCEPÇÃO GEOMÉTRICA E O DIMENSIONAMENTO DE EDIFÍCIOS EM ALVENARIA

O ENQUADRAMENTO HISTÓRICO DOS GRANDES SISTEMAS CONSTRUTIVOS TRADICIONAIS ......................................................................................... 71


TIPOLOGIAS DE COMBINAÇÕES DE BLOCOS E ARGAMASSAS .................................................................................................................................... 71
SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DE CARGAS NA COBERTURA DE VÃOS E DE ESPAÇOS ............................................................................................. 74
A pedra talhada ............................................................................................................................................................................................................... 74
Alvenarias ordinárias e de concreção ............................................................................................................................................................................. 77
A CONCEPÇÃO DOS ELEMENTOS ESTRUTURAIS PRINCIPAIS .................................................................................................................................................. 80
ARCOS E ABÓBADAS .......................................................................................................................................................................................................... 80
A Arte do Desenho .......................................................................................................................................................................................................... 81
A definição do perfil dos arcos ....................................................................................................................................................................................... 82
A escolha e o desenho das abóbadas .............................................................................................................................................................................. 84
Aparelhos em pedra talhada e as regras de Estereotomia .............................................................................................................................................. 86
Arcos e abóbadas em alvenaria ordinária ...................................................................................................................................................................... 91
PAREDES, PÉS-DIREITOS, COLUNAS E PILASTRAS ......................................................................................................................................................... 95
Aparelhos na Antiguidade .............................................................................................................................................................................................. 95
Aparelhos “modernos” recomendados pelos tratados ................................................................................................................................................... 99
Em pedra talhada ...................................................................................................................................................................................................... 99
Alvenarias ordinárias ............................................................................................................................................................................................. 100
Alvenarias mistas ................................................................................................................................................................................................... 103
SISTEMAS DE TRAVAMENTO HORIZONTAL .................................................................................................................................................................. 105
FAIXAS, CORNIJAS E VARANDAS .................................................................................................................................................................................... 107
FUNDAÇÕES ....................................................................................................................................................................................................................... 108
AS TÉCNICAS TRADICIONAIS DE DIMENSIONAMENTO .......................................................................................................................................................... 112
COLUNAS E ARQUITRAVES ............................................................................................................................................................................................. 114
PAREDES ............................................................................................................................................................................................................................. 117
Pré-dimensionamento de paredes em edifícios térreos ............................................................................................................................................... 118
Pré-dimensionamento de paredes em edifícios de vários pisos .................................................................................................................................. 121
Verificação da resistência ............................................................................................................................................................................................. 123
ELEMENTOS EM CONSOLA .............................................................................................................................................................................................. 127
FUNDAÇÕES ....................................................................................................................................................................................................................... 128
ARCOS, ABÓBODAS E PÉS-DIREITOS ............................................................................................................................................................................. 130
Regras empíricas tradicionais ....................................................................................................................................................................................... 131
Algoritmos baseados em mecanismos de colapso ....................................................................................................................................................... 136
Regras empíricas melhoradas ....................................................................................................................................................................................... 141
O método do funicular de pressões .............................................................................................................................................................................. 144
Os métodos contemporâneos e a validade dos antigos ................................................................................................................................................ 149

CAPÍTULO III — A PREPARAÇÃO E A COMPOSIÇÃO DE MATERIAIS

A PREPARAÇÃO DOS BLOCOS ELEMENTARES ........................................................................................................................................................................... 157


BLOCOS DE PEDRA ..................................................................................................................................................................................................... 158
Os cuidados tidos na extracção e a importância da primeira triagem ......................................................................................................................... 158
A importância do leito natural da pedra ...................................................................................................................................................................... 160
A arte do talhe da pedra ............................................................................................................................................................................................... 160

10
O primeiro desbaste e a regularização das superfícies .......................................................................................................................................... 161
O traço e o corte propriamente dito ....................................................................................................................................................................... 162
O acabamento das superfícies ................................................................................................................................................................................ 164
O transporte e o armazenamento dos blocos de pedra .......................................................................................................................................... 166
BLOCOS CERÂMICOS ........................................................................................................................................................................................................ 167
Os cuidados na escolha e na extracção da argila ......................................................................................................................................................... 168
As regras de preparação e moldagem da argila ............................................................................................................................................................ 168
A cozedura em fornos intermitentes e contínuos ........................................................................................................................................................ 169
O controlo da qualidade ............................................................................................................................................................................................... 171
A mistura de aditivos .................................................................................................................................................................................................... 172
A PREPARAÇÃO DAS ARGAMASSAS E DOS BETÕES TRADICIONAIS ...................................................................................................................................... 173
FABRICAÇÃO DAS CAIS AÉREAS E HIDRÁULICAS NATURAIS .................................................................................................................................... 174
Escolha da pedra e classificação das diversas cais ...................................................................................................................................................... 175
Processos e temperaturas de cozedura ......................................................................................................................................................................... 177
Critérios tradicionais de qualidade e novas normas de produção ............................................................................................................................... 182
POZOLANAS, CAIS HIDRÁULICAS ARTIFICIAIS E CIMENTOS .................................................................................................................................... 183
Pozolanas naturais ........................................................................................................................................................................................................ 184
Pozolanas artificiais ou materiais cerâmicos pulverizados ......................................................................................................................................... 186
Cais hidráulicas artificiais e cimentos ......................................................................................................................................................................... 187
TÉCNICAS TRADICIONAIS DE EXTINÇÃO DAS CAIS .................................................................................................................................................... 188
Método por fusão .......................................................................................................................................................................................................... 189
A extinção ao ar ............................................................................................................................................................................................................ 189
Método por imersão ...................................................................................................................................................................................................... 189
PENEIRAÇÃO, ARMAZENAMENTO E CONSERVAÇÃO DAS CAIS, POZOLANAS E TIJOLOS PILADOS .................................................................... 190
A ÁGUA ............................................................................................................................................................................................................................... 191
O GESSO ............................................................................................................................................................................................................................. 192
OS AGREGADOS ................................................................................................................................................................................................................ 193
Areia .............................................................................................................................................................................................................................. 193
Britas e fragmentos de tijolos ....................................................................................................................................................................................... 196
Pó de pedra ................................................................................................................................................................................................................... 197
A PRESA E A HIDRAULICIDADE. EVOLUÇÃO DO CONHECIMENTO ........................................................................................................................................ 198
TEORIAS DA PRESA ........................................................................................................................................................................................................... 198
TEORIAS DA HIDRAULICIDADE ....................................................................................................................................................................................... 201
MÉTODOS PRÁTICOS PARA OBTENÇÃO DE ARGAMASSAS HIDRÁULICAS ............................................................................................................. 203
REGRAS E PROCEDIMENTOS PARA A MISTURA DOS MATERIAIS BÁSICOS ......................................................................................................................... 205
ARGAMASSAS DE ASSENTAMENTO ............................................................................................................................................................................... 206
Traços com cais aéreas e hidráulicas ............................................................................................................................................................................ 207
Traços com pozolana e tijolo pilado e argamassas de presa rápida ............................................................................................................................. 209
ARGAMASSAS PARA REVESTIMENTOS .......................................................................................................................................................................... 211
Dosagem de rebocos ...................................................................................................................................................................................................... 212
Dosagens de estuques ................................................................................................................................................................................................... 214
Composição de pavimentos .......................................................................................................................................................................................... 216
Betumes e mastiques .................................................................................................................................................................................................... 219
COMPOSIÇÃO DOS BETÕES ............................................................................................................................................................................................ 219
AMASSADURA DAS ARGAMASSAS ................................................................................................................................................................................ 221
AMASSADURA DOS BETÕES ........................................................................................................................................................................................... 223

11
CAPÍTULO IV — A MONTAGEM E A EXECUÇÃO DE ALVENARIAS

EXECUÇÃO DAS FUNDAÇÕES ...................................................................................................................................................................................................... 226


CONSTRUÇÃO DOS MACIÇOS EM ELEVAÇÃO ........................................................................................................................................................................... 229
ALVENARIAS DE PEDRA TALHADA ................................................................................................................................................................................. 230
ALVENARIAS DE PEDRA ORDINÁRIAS ............................................................................................................................................................................ 232
ALVENARIAS DE TIJOLO ................................................................................................................................................................................................... 232
USO DE GATOS E GRAMPOS ............................................................................................................................................................................................ 233
CONDIÇÕES PARTICULARES DE PRESA DAS ARGAMASSAS ....................................................................................................................................... 234
EXECUÇÃO DOS ARCOS E ABÓBADAS ........................................................................................................................................................................................ 235
CIMBRAMENTO E ASSENTAMENTO ............................................................................................................................................................................... 235
DESCIMBRAMENTO .......................................................................................................................................................................................................... 241
EXECUÇÃO DOS ACABAMENTOS ................................................................................................................................................................................................. 243
PARAMENTOS SEM REVESTIMENTO .............................................................................................................................................................................. 243
Paramentos em pedra .................................................................................................................................................................................................... 243
Paramentos em tijolo ..................................................................................................................................................................................................... 245
PARAMENTOS REVESTIDOS ............................................................................................................................................................................................ 247
Revestimentos lapídeos ................................................................................................................................................................................................ 247
Rebocos e pinturas ........................................................................................................................................................................................................ 248
Estuques ........................................................................................................................................................................................................................ 252
PAVIMENTOS ..................................................................................................................................................................................................................... 253

CAPÍTULO V — A PROTECÇÃO E A DURABILIDADE DAS ALVENARIAS

O CONHECIMENTO DOS FENÓMENOS DE DETERIORAÇÃO .................................................................................................................................................... 259


TÉCNICAS DE PROTECÇÃO TRADICIONAL .................................................................................................................................................................... 262
Protecção à infiltração da água das chuvas por gravidade .......................................................................................................................................... 263
Protecção ao escorrimento e incidência lateral da chuva sobre as fachadas .............................................................................................................. 266
Protecção à ascensão de água por capilaridade ............................................................................................................................................................ 269
TÉCNICAS TRADICIONAIS DE CONSERVAÇÃO DAS ALVENARIAS ............................................................................................................................. 271
Acções de manutenção ordinária ................................................................................................................................................................................. 271
Consolidação e reforço extraordinário ......................................................................................................................................................................... 272

CAPÍTULO VI — METODOLOGIA DA UTILIZAÇÃO DOS PRINCÍPIOS E TÉCNICAS TRADICIONAIS NOS PROCESSOS DE CONSERVAÇÃO

O PROCESSO DE CONSERVAÇÃO DE UM EDIFÍCIO NAS SUAS DIVERSAS FASES. OS DEBATES TEÓRICOS RECENTES ..................................... 281
A TRATADÍSTICA E AS OUTRAS FONTES DE CONHECIMENTO .................................................................................................................................. 287
O USO DAS TÉCNICAS TRADICIONAIS NA FASE DE COMPREENSÃO E AVALIAÇÃO DO EDIFÍCIO ....................................................................... 288
A importância dos princípios e regras de concepção geométrica ............................................................................................................................... 289
O contributo das regras do aparelho ............................................................................................................................................................................ 290
A utilidade dos métodos de dimensionamento ........................................................................................................................................................... 291
O uso do conhecimento da fabricação dos materiais .................................................................................................................................................. 292
A avaliação da qualidade da execução tradicional ...................................................................................................................................................... 294
A utilidade dos sistemas de protecção e dos cuidados com a durabilidade ............................................................................................................... 295

12
AS TÉCNICAS TRADICIONAIS NA FASE DE DECISÃO DO PROCESSO CONSERVATIVO ........................................................................................... 297
Construção tradicional e acções de manutenção ......................................................................................................................................................... 299
Construção tradicional e intervenções de consolidação e reforço ............................................................................................................................... 301
Limitações relacionadas com uma inadequada consideração das técnicas tradicionais ............................................................................................ 304
AS TÉCNICAS TRADICIONAIS NA EXECUÇÃO DAS INTERVENÇÕES ......................................................................................................................... 307
A produção e utilização dos blocos elementares tradicionais na actualidade ............................................................................................................ 307
A importância da cal na prática da conservação de alvenarias ................................................................................................................................... 311
O CONHECIMENTO TRADICIONAL E O CONHECIMENTO CONTEMPORÂNEO ........................................................................................................ 312

CAPÍTULO VII — CONSIDERAÇÕES FINAIS E CONCLUSÕES DA PESQUISA

PRIMEIRA SÉRIE DE CONCLUSÕES ............................................................................................................................................................................................. 315


SEGUNDA SÉRIE DE CONCLUSÕES ............................................................................................................................................................................................. 317
TERCEIRA SÉRIE DE CONCLUSÕES ............................................................................................................................................................................................. 319
CONCLUSÃO FINAL ....................................................................................................................................................................................................................... 322
NOTAS .............................................................................................................................................................................................................................................. 323

BIBLIOGRAFIA

ÍNDICE DA BIBLIOGRAFIA ............................................................................................................................................................................................................ 348


ÍNDICE BIBLIOGRÁFICO DE AUTORES ........................................................................................................................................................................................ 349
ADVERTÊNCIAS À LEITURA .......................................................................................................................................................................................................... 357
BIBLIOTECAS E ARQUIVOS ........................................................................................................................................................................................................... 414
FONTES COMPUTADORIZADAS ................................................................................................................................................................................................... 414

ORIGEM DAS FIGURAS

CAPÍTULO I ..................................................................................................................................................................................................................................... 415


CAPÍTULO II .................................................................................................................................................................................................................................... 416
CAPÍTULO III ................................................................................................................................................................................................................................... 419
CAPÍTULO IV ................................................................................................................................................................................................................................... 420
CAPÍTULO V .................................................................................................................................................................................................................................... 421
CAPÍTULO VI ................................................................................................................................................................................................................................... 422

ÍNDICE DE FIGURAS ...................................................................................................................................................................................................................... 424


ÍNDICE DE TABELAS E QUADROS ................................................................................................................................................................................................ 429

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A Maria Margarida, Adalberto e Margarida Maria

Il est nécessaire aux médecins […] de comprendre ce qu’est


l’homme, ce qu’est la vie, ce qu’est la santé, et comment une parité
ou une harmonie des éléments maintient celle-ci et comment leur
désaccord provoque sa ruine […].
Il faut la même chose à un (édifice) malade, c’est-à-dire un médecin
architecte qui comprenne ce qu’est une construction et les règles qui
font qu’on édifie correctement.

Leonardo da Vinci*

* A comparação de um arquitecto a um médico, no conceito máquina-edifício


de Leonardo da Vinci, in GALLUZZI, Paolo, Les ingénieurs de la Renaissance de
Brunelleschi à Léonard de Vinci, Firenze, Giunti, 1995, p. 238.

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INTRODUÇÃO

As técnicas tradicionais de construção de edifícios em alvenaria gerações de artesãos, com características gerais e locais. As técni-
constituem um domínio do conhecimento que não faz parte actual- cas e os materiais contemporâneos deveriam ser usados só quando
mente do curriculum da formação da maioria dos engenheiros e as técnicas tradicionais se revelassem inadequadas. Apesar destas
arquitectos. Formados na “linguagem” do betão e do aço, face aos intenções, a investigação neste domínio não correspondeu ime-
edifícios em alvenaria tradicional defrontam-se com a dificuldade diatamente a estas exigências de método.
de desconhecerem a “linguagem” com que estes foram construídos. Com a publicação das referidas cartas, teve início alguma pes-
Apesar desta lacuna de formação, acabam frequentemente por ficar quisa especializada na análise das características físicas, quími-
responsáveis pela gestão global de projectos de conservação e por cas e mineralógicas de certos materiais tradicionais como a cal,
ter de “concertar”, ou seja, fazer funcionar em conjunto as várias as pedras e os tijolos. Começou-se a estudar os rebocos e as cores
especialidades envolvidas. Nestas situações, pelo desconheci- tradicionais e retomou-se alguma da investigação no campo do
mento da metodologia própria da conservação e pelo reduzido cálculo de arcos e abóbadas. O estudo dos sistemas de construção
acesso a estudos sobre as técnicas tradicionais, a avaliação, as com alvenarias, em especial os dos egípcios, romanos e góticos, foi
decisões e as formas de intervenção correm o risco de serem leva- também continuado no campo da História da Arquitectura, da His-
das a cabo de forma incompleta e por vezes incorrecta. tória das Técnicas e da Arqueologia Clássica e Medieval. A cata-
Na conservação de um edifício antigo, para além do conheci- logação dos detalhes arquitectónicos específicos e característicos
mento das técnicas tradicionais e modernas de construção, é neces- de uma cidade ou região foram objecto de iniciativas localizadas,
sário uma metodologia histórico-crítica capaz de avaliar todos os sobretudo em Itália.
valores de que ele é testemunho. Entre outros há que referir o Estas vertentes de pesquisa, de grande utilidade para cada um
valor histórico, o valor arquitectónico, o valor estético, o valor da dos especialistas envolvidos na conservação de edifícios (quími-
memória, o valor ambiental e o valor económico. cos, arquitectos, historiadores, engenheiros, artesãos), têm-se
A estes valores deve ser adicionado o “valor tecnológico” de mostrado porém pouco eficazes para a obtenção de uma visão
um edifício. Este valor, ao qual só recentemente se começou a dar global, coerente e concertada da complexidade dos problemas
a devida importância, era já implicitamente salvaguardado nas envolvidos num projecto completo de conservação de alvenarias,
primeiras cartas internacionais de conservação do património precisamente pelo seu carácter específico. O presente trabalho
construído. O “valor tecnológico” consiste no valor das soluções procurou exactamente responder a esta necessidade.
técnicas espelhadas nas intenções, na construção e na execução Como engenheiro civil e depois do mestrado em conservação
das alterações de um edifício. de edifícios e sítios históricos na Universidade Católica de Lovaina,
Para salvaguardar este e outros valores de um modo integrado, o autor sentiu durante as suas experiências de investigação, de
tanto a Carta do Restauro Italiana de 1932 (no seu artigo 9.º) como projecto e de estaleiro, que o conhecimento das alvenarias tradicio-
a Carta Internacional de Veneza de 1964 (artigos 2.º e 10.º) propuse- nais constituía um domínio cheio de lacunas para as quais só eram
ram o uso das técnicas e materiais tradicionais como repositório da possíveis respostas localizadas e demasiado específicas. O objec-
Arte de Construir, fruto da experiência e do esforço de sucessivas tivo do presente trabalho é exactamente fornecer uma visão global

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do “saber tradicional” que até ao presente tem vindo a ser revelado instrumentos e práticas capazes de assegurar a aplicação destes
somente por alguns estudos e artigos dispersos. dois conceitos.

O CONTEXTO DA OBRA O TEMA E OS SEUS LIMITES

Por todas estas razões considerou-se necessário e de grande Para além das fontes orais obtidas no meio artesão, da icono-
actualidade, conhecer e reabilitar a informação acessível relativa grafia e da simples análise de estruturas e materiais, os tratados e
a estes princípios técnicos, em conjunto e em pé de igualdade manuais antigos de construção começaram gradualmente a ser
com as técnicas contemporâneas. usados como fontes sistemáticas para o conhecimento da antiga
Dos esforços que recentemente se têm vindo a fazer neste cam- Arte de Construir. Os primeiros estudos, datados dos anos 30 do
po, destaca-se a Escola de Especialização em Restauro de Monu- século XX, dedicaram-se à recolha e ao comentário das bibliografias
mentos da Universidade “La Sapienza” de Roma. Fruto da sua necessárias ao estudo das artes decorativas e das teorias arquitec-
corrente investigativa foi publicado, em 1996, o Tratado de Res- tónicas.
tauro Arquitectónico, sob a orientação do Prof. Giovanni Carbonara, A partir dos anos 70, sobretudo em França e Itália, começaram
que constitui um dos primeiros exemplos em que a consideração também a ser realizados diversos estudos, à luz da tratadística,
integrada de técnicas tradicionais e técnicas modernas é apresen- relacionados com as antigas técnicas construtivas:
tada a todos os níveis da complexa actividade do engenheiro ou
do arquitecto conservador1. Esta mesma preocupação tem sido • Pela listagem e catalogação dos diversos tratados e manuais
tomada em conta em Portugal pelo Prof. António Lamas, na di- de construção publicados num determinado período histó-
recção dos Cursos de Conservação do Instituto Superior Técnico. rico, com reprodução de um limitado número das ilustrações
O presente trabalho de investigação entra nesta linha de pensa- originais, de modo a transmitir o “gosto” da tradição e do
mento e foi realizado em estreita colaboração com estes dois acadé- saber antigo;
micos. • Com a reprodução anastática ou fac-similada de um determi-
O estudo procurou também situar-se na área dos conceitos da nado tratado, associada a um ensaio crítico à luz dos conheci-
Conservação Sustentável e da Conservação Preventiva. mentos actuais;
Para conseguir uma Conservação Sustentável dos edifícios e • Pela análise de um determinado campo do conhecimento,
monumentos históricos é necessária a coexistência, física e tem- através da leitura das obras mais relevantes para a sua evo-
poral, das “artes e dos ofícios” usados na sua construção original, lução, como é o caso do estudo da evolução dos métodos de
indispensáveis à manutenção e à continuidade da sua existência. dimensionamento de arcos e abóbadas, da composição de
A Conservação Preventiva, aplicada até muito recentemente argamassas ou de sistemas construtivos particulares.
só a objectos de arte móveis, baseia-se em acções periódicas de
manutenção e de prevenção das degradações, após uma primeira No entanto, sobre o conteúdo global destas obras e sobre a “Arte
campanha de grande conservação, necessária por anos de aban- de Bem Construir” no seu todo, foi feito pouco. De forma a obter
dono ou por intervenções erradas. Este conceito, que estava na esta visão global, o primeiro objectivo do estudo foi o de identi-
base da manutenção tradicional, permite justificar acções mínimas ficar e estruturar o conhecimento contido na tratadística, à pri-
e menos espaçadas no tempo, por oposição às acções urgentes só meira vista muito extenso, complexo e disperso, centrando a aten-
quando o nível de deteriorações é tão elevado que uma intervenção ção sobre a construção de alvenarias de pedra e tijolo. As estruturas
se revela evidente e indispensável. de madeira só foram consideradas quando influíam como estru-
A identificação das regras e das técnicas de construção tradi- turas independentes apoiadas ou servindo de apoio provisório às
cionais faz parte do conhecimento indispensável à definição de ditas alvenarias. Não foram desta maneira consideradas as estru-

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turas mistas de madeira e alvenaria, por implicarem o alargamento do Saber Construir foi possível compreender a génese de cada
da pesquisa a obras especializadas em carpintaria ou aos capítulos uma delas. Para esta análise foi útil um primeiro estudo da organi-
dos tratados que tratam desse tema. zação do ensino da Construção antes da descoberta da Imprensa,
O período de publicação das fontes estudadas foi definido, da importância das obras da Antiguidade, da sua cópia ao longo
não de forma demasiado rígida, entre os anos de 1750 e de 1900. da Idade Média e do modo como estas constituíram a referência
A primeira data corresponde praticamente à edição do primeiro primordial dos primeiros tratados impressos.
volume da Enciclopédia de Diderot e d’Alembert. O espírito ilu- Estudou-se também o processo de criação das principais Acade-
minado que deu início à sistematização da grande “aventura” da mias Militares e escolas de Arquitectura, do ensino da Engenharia
pesquisa científica interessada em conhecer tudo pela experiên- e dos Institutos Politécnicos que surgiram por toda a Europa ao
cia, começou por se preocupar com a compilação do saber relativo longo dos séculos XVII, XVIII e XIX.
a todas as artes e ofícios. Este primeiro esforço foi feito associando Se as fontes de estudo prioritárias foram, no início, limitadas
a narração de métodos empíricos e ancestrais, garantidos por sécu- aos grandes tratados de Arquitectura e Construção, depressa se
los de praxis, à preocupação da sua explicação racional à luz das percebeu, pelo seu carácter generalista ou menos relacionado com
diversas ciências. Esta visão na base do espírito científico moderno as técnicas construtivas, que estas fontes não bastavam. A pes-
foi impulsionadora da publicação da grande literatura técnica ao quisa bibliográfica foi assim alargada a outro tipo de obras e a um
longo de todo o século XVIII e XIX. “espectro” de fontes muito mais vasto, que se ordenou selectiva-
A última data, 1900, corresponde ao apogeu da investigação mente segundo diversas categorias úteis à análise posterior do
sobre a construção de alvenarias não armadas e ao mesmo tempo seu conteúdo. A estas categorias juntaram-se também a dos estudos
ao declínio do ensino destas técnicas nas escolas profissionais e compilados no final do século XIX e especializados em técnicas
nas universidades com o advento do cimento Portland, do betão e construtivas da Antiguidade, no âmbito da História da Arquitec-
do aço. tura e da História das Técnicas.
O período definido por estas duas datas corresponde por isso Pensa-se ter deste modo considerado todas as principais cate-
ao período histórico durante o qual a prática tecnológica das alve- gorias de obras de carácter técnico directa ou indirectamente
narias foi expressa de maneira mais completa e sistemática. relacionadas com a Ciência das Construções, em particular com
Em toda o presente trabalho teve-se sempre presente a necessi- a tecnologia dos edifícios. Naturalmente, no grande número de
dade de analisar a utilidade dessa informação tecnológica nos pro- obras identificadas, encontraram-se diversos níveis de informa-
cessos de Conservação dos nossos dias, procurando enquadrar a ção empírica ou científica, desde estudos expeditos e “recorda-
sua aplicação prática nas teorias e debates em curso. tivos” das principais “receitas” ou “regras”, a estudos que consti-
tuíram verdadeiros marcos do desenvolvimento da tecnologia
das alvenarias.
A METODOLOGIA USADA NA PESQUISA As obras consultadas foram sobretudo as escritas em português,
italiano, espanhol, francês e inglês e algumas, poucas, em holan-
A pesquisa relatada nesta obra iniciou-se com o levantamento dês. As obras em alemão, consideradas indispensáveis, foram
da bibliografia, compilando cronologicamente não só as obras, analisadas nas suas traduções italianas, francesas ou inglesas.
como as diversas edições conhecidas para cada uma delas, de Passou-se depois à análise da estrutura das diversas obras,
modo a conhecer o período da sua real difusão no mercado técni- sendo estabelecidas classes de regras e de técnicas onde a infor-
co-literário. Procurou-se assim avaliar a influência de um determi- mação que ia sendo analisada podia ser arrumada e apresentada
nado livro na formação dos construtores de um determinado país de uma forma sintética.
e nas obras escritas que se lhe seguiram. A análise gradual dos diversos textos forneceu parte dos crité-
Compreendendo o contexto em que cada uma das obras foi rios necessários a esta classificação. Na verdade, rapidamente se
escrita em relação aos momentos mais importantes da evolução chegou à conclusão que a arte das alvenarias consistia basicamente

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na “arte” de preparar os materiais, de os combinar e de os montar • casos práticos e comunicações científicas recentes relativas
em conjunto. Por outras palavras, era feita de diversas componen- à utilização das técnicas tradicionais, associadas a técnicas
tes: das artes de conceber e dimensionar, da arte da preparação contemporâneas;
dos materiais e da arte da combinação e pose dos mesmos. • casos práticos de antigas intervenções realizadas com as técni-
Esta primeira divisão foi seguida do reordenamento deste cas tradicionais, quando estas eram as únicas disponíveis.
conhecimento de modo a poder ser usado eficazmente por quem
tenha que compreender, decidir e intervir num edifício antigo de Os resultados obtidos permitiram formular, por fim, conclusões
alvenaria. Obedecendo a esta exigência, a informação contida nas sobre a metodologia da utilização deste conhecimento na actuali-
diversas obras foi “desmembrada” e “reunida” de ordem diversa, dade e do seu contributo para a Engenharia Civil.
para ser lida com uma perspectiva utilitária e orientada. Esta
reordenação foi feita de forma temática, crítica e comparada,
sendo ilustrada, sempre que possível, com as figuras mais A ESTRUTURA DA OBRA
significativas das obras analisadas. Obteve-se assim uma visão
global dos princípios e das técnicas gerais, comuns à maioria dos A obra é apresentada em três partes principais, dedicadas res-
textos. Consideraram-se como regras de arte as recomendações, pectivamente:
leis ou conselhos caracterizados por uma referência constante e
confirmados pela citação em obras de diferentes origens e perío- 1. Ao Contexto;
dos. 2. Ao Conteúdo;
A descrição destas regras, dos princípios em que elas se baseiam 3. À Utilidade das técnicas tradicionais de construção de alve-
e dos procedimentos executivos associados, foi levada até ao limite narias.
onde as excepções começavam. Na verdade, na maioria das obras
e na realidade de qualquer edifício, existem excepções e adapta- No Capítulo I expõem-se os resultados obtidos relativos ao
ções, dependentes de factores relacionados com as culturas e tra- contexto da produção das fontes de estudo. Este contexto é relacio-
dições locais, com a mão-de-obra, com o equipamento e com os nado com as formas de transmissão de conhecimento e de aprendi-
meios económicos disponíveis. zagem, desde a Antiguidade, passando pelos primeiros tratados
Por fim, cada uma das categorias de princípios e técnicas foi impressos durante o Renascimento e pela tratadística militar, antes
discutida sob o ponto de vista da sua utilidade nas diversas fases de se analisar o período que constitui o objectivo do estudo.
do processo de conservação de um edifício antigo. Para este efeito Conhecidos os seus precedentes, as diversas obras são depois
foi realizada uma avaliação sistemática da sua observância nas avaliadas e apresentadas no seu próprio contexto, integradas na
seguintes situações limite: evolução científica e cultural europeia e, sobretudo, na evolução
do ensino académico e politécnico. Seguem-se os resultados do
• A observância da regra e a sua influência no comportamento levantamento dos momentos mais importantes do desenvolvi-
de uma dada alvenaria ao longo do tempo; mento dos métodos de cálculo elástico e da afirmação dos sistemas
• A não verificação da regra e as suas consequências na dura- construtivos metálicos e em betão armado. Situa-se assim a perda
bilidade dum edifício. de importância das alvenarias tradicionais como tecnologia cons-
trutiva.
Para o efeito, a discussão do contributo de cada uma destas O capítulo é concluído com a apresentação do estado da arte e
categorias foi analisada nos momentos principais do processo de dos esforços mais recentes na leitura e reutilização dos tratados
Conservação, sintetizados na fase de estudo e compreensão do estudados.
edifício, na fase de decisão e na fase de intervenção. Procurou-se A apresentação das principais fontes é feita com referência
ilustrar esta parte do estudo com: sistemática à bibliografia, onde todas as obras são catalogadas cro-

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nologicamente e com a indicação de todas as edições e línguas de vam-se antes de mais a assegurar a durabilidade dos edifícios e é
publicação conhecidas. Esta bibliografia é dividida em doze capí- exactamente com a durabilidade que a conservação está interes-
tulos temáticos sendo apresentada com um índice de conteúdo e sada.
um índice de autores, no final da obra. O último capítulo, o Capítulo VI, começa por discutir a especi-
Os Capítulos II, II, IV e V são dedicados ao conteúdo, à identifi- ficidade e a complexidade da metodologia da Conservação Arqui-
cação e à classificação da informação contida nas obras analisadas. tectónica. Segue-se a integração da pesquisa efectuada nos últimos
A ordem seguida procura obedecer cognitiva e cronologicamente debates teóricos. Com este fim, apresenta-se um resumo do estado
às operações necessárias à erecção de um edifício. Os princípios da arte relativo às discussões mais recentes sobre a utilização das
e as técnicas são deste modo classificados em quatro capítulos técnicas a aplicar nos processos conservativos.
distintos, correspondentes às quatro fases de fabricação das alve- Segue-se a avaliação do contributo da aplicação dos princípios
narias: e técnicas tradicionais na conservação de edifícios históricos, asso-
ciados às técnicas e às normas contemporâneas. Estes resultados
• A fase de projecto – que comporta os princípios que deter- são articulados em três vertentes, correspondentes ao seu contri-
minam a escolha de uma determinada solução estrutural e buto para os três momentos principais do processo de Conser-
a obtenção da geometria dos diversos elementos estruturais vação:
elementares: arcos e abóbadas, paredes, pés-direitos, colunas
e pilastras, sistemas de travamento horizontal e fundações. • A compreensão e o estudo do edifício;
(Capítulo II); • A decisão sobre as formas de intervenção;
• A fase de produção e aquisição dos materiais básicos para a • A execução das intervenções.
construção – que se baseia nas técnicas de produção dos blo-
cos elementares, das argamassas e dos betões. (Capítulo III); No final, apresentam-se os comentários e as conclusões gerais
• A fase de execução – que inclui as regras e os procedimen- obtidas, acompanhadas de considerações sobre pesquisas futuras
tos de assemblagem dos blocos com as argamassas de modo que se poderão basear nos resultados da presente obra.
a obter as estruturas verticais, os arcos e as abóbadas e as
superfícies de acabamento dos edifícios. (Capítulo IV);
• A fase de aplicação e instalação dos elementos de protecção ADVERTÊNCIA GERAL À LEITURA
das alvenarias acabadas de construir – que se relaciona com
as formas de completar as estruturas de forma a assegurar a Para a citação dos textos, utilizou-se normalmente a língua
sua protecção e durabilidade e a permitir a sua fácil manuten- original em que eles foram escritos, tendo apenas sido traduzido
ção (Capítulo V). um número reduzido de textos que se apresentavam de difícil
compreensão na língua original. A forma arcaica de algumas das
A identificação, classificação e compilação sintética das princi- citações foi também transcrita literalmente, de modo a não perder
pais regras e procedimentos de arte é obtida e apresentada acima significado e valor na tradução.
de tudo com o objectivo, já referido, de ser utilizada e aplicada Foi igualmente respeitada a notação geométrica original dos
hoje na conservação de edifícios. Esta forma de “olhar”, diversa diversos métodos de cálculo. Os métodos apresentados têm o seu
do simples “olhar” de leitura passiva, passa não só pela compre- valor particular e correspondem a épocas, períodos e países diver-
ensão da informação à luz dos últimos desenvolvimentos cientí- sos. A conservação das diferentes notações originais reflectem esta
ficos, mas também pela compreensão das intenções e dos cuidados variedade de “perspectivas”. Adoptaram-se, no entanto, sempre
tidos tradicionalmente com a construção. Estes cuidados e inten- que possível, os símbolos usados no Eurocódigo 6 relativos aos
ções, enunciados sob a forma de princípios e técnicas, destina- parâmetros de cálculo de alvenarias não armadas.

19
I

A BIBLIOGRAFIA E A TRANSMISSÃO DO SABER


AOS PROTAGONISTAS DA CONSTRUÇÃO

Os tratados escritos durante o período que vai do Iluminismo Para atingir o primeiro objectivo era necessário compreender
ao início do século XX reflectem a evolução de um campo do conhe- de forma sintética:
cimento que encontra a sua origem nas civilizações da Antiguidade
e se desenvolve ao longo de séculos de melhoramentos técnicos • Os antecedentes escritos e a forma como os conhecimentos
que tiveram como consequência os processos optimizados da cons- da Construção foram sendo transmitidos aos principais pro-
trução moderna de edifícios. Estas obras foram publicadas num tagonistas da realização de edifícios, desde a Antiguidade
período que se inicia com a consolidação e o estabelecimento das até ao período do Iluminismo;
teorias construtivas de alvenarias, passa pela sua compreensão • Os contextos do Iluminismo e da Revolução Industrial, anali-
científica e optimização, e termina com o declínio do uso das alve- sando as motivações e os objectivos da publicação de todas
narias em detrimento das construções em aço e betão, materiais as obras estudadas.
de “produção industrial controlada”.
De modo a compreender a génese de todas essas obras, a pri- À medida que se procurava atingir o primeiro objectivo, foram
meira parte do estudo, como já referido na introdução, teve os definidas as chaves para a classificação selectiva da bibliografia.
seguintes objectivos: A compreensão do contexto histórico em que os diversos tratados
de construção foram publicados revelou-se fundamental para a
1. Situar as fontes de estudo, ou seja, os tratados, os manuais avaliação da importância do conhecimento que eles transmitem.
e os diversos livros técnicos publicados entre 1750 e 1900 Com os movimentos do Renascimento e do Iluminismo teve de
relacionados com a Construção de edifícios, no contexto ser recordado o nascimento da Ciência das Construções conjun-
do conhecimento enciclopédico geral e do conhecimento tamente com o estabelecimento e a evolução das ciências relaciona-
científico em particular. das, entre as quais a Mecânica, a Física, a Química, a Matemática,
2. Distinguir de forma selectiva as diversas categorias de obras a Arqueologia e a História da Arte. A análise das sobreposições,
necessárias à identificação e classificação das técnicas de variações e diferenças nas obras destinadas a engenheiros e arqui-
construção de alvenarias. tectos permitiram uma melhor avaliação preliminar e foram funda-
3. Referir os momentos fundamentais da evolução científica mentais para a leitura propriamente dita do seu conteúdo.
e tecnológica, em particular a afirmação das estruturas metá- Compreendendo o desenvolvimento das teorias dos ligantes
licas e em betão como sistemas construtivos independentes, hidráulicos e da mecânica dos corpos elásticos, foi possível avaliar
de modo a compreender a sua relação com o desapareci- o percurso da bibliografia especializada durante todo o século XIX
mento gradual do uso das alvenarias como sistema geral de e compreender a perda gradual de interesse pelas alvenarias tradi-
construção. cionais.
4. Fazer um levantamento sumário dos estudos recentes que Finalmente, com a identificação dos interesses actuais pela
retomaram a leitura destas obras e contribuíram para o Conservação de edifícios, o estudo foi enquadrado nas diversas
renascimento do interesse pelo seu estudo. direcções de investigação que usam actualmente estas obras como

21
fontes de estudo, atingindo-se assim o quarto objectivo da pri- 10. Periódicos especializados publicados nos séculos XVIII e
meira fase da pesquisa. XIX.
Ao longo da primeira fase do estudo, a bibliografia recolhi- 11. Bibliografia recente sobre História das Técnicas e Conserva-
da, apresentada no final do presente volume, foi classificada em ção de edifícios.
diversas categorias, definidas à medida que a análise avançava. 12. Normas, Regulamentos e Bibliografia de carácter geral.
As categorias definidas foram as seguintes2:
Toda esta resenha bibliográfica foi ordenada cronologicamente
1. Principais Tratados e Manuais de Arquitectura e Constru- por datas das primeiras edições, de modo a obter uma ideia da
ção Civil (impressos e anteriores a 1750). sequência temporal das diversas publicações, da sua influência e
2. Tratados, Manuais de Construção Militar e Civil: (séculos interdependência recíprocas.
XVII-XIX e antecedentes mais relevantes). Houve também a preocupação de indicar as diversas edições
3. Cursos e Resumos de lições de teoria geral e de prática das de cada um dos tratados, ordenado-as por línguas, avaliando o
construções (séculos XVIII-XIX e antecedentes mais impor- grau de difusão geográfica e a importância de uma determinada
tantes). obra na formação de várias gerações de engenheiros e arquitectos.
3.1 – Destinados a Academias e Escolas Civis. Para a resenha de obras foi também estabelecido um índice de
3.2 – Destinados a Academias e Escolas Militares. autores apresentado a seguir ao índice das diversas categorias bi-
4. Principais Tratados e Manuais de Arquitectura e Construção bliográficas.
Civil (publicados entre 1750 e 1900).
5. Manuais gerais de bolso e Prontuários de Construção dos
séculos XVIII e XIX.
6. Bibliografia selectiva publicada essencialmente nos séculos
XVIII e XIX.
6.1 – Geometria, Perspectiva e Desenho.
6.2 – Estereotomia.
6.3 – Mecânica das alvenarias e Resistência dos Materiais.
6.4 – Orçamentação, medições e regulamentos de cons-
trução.
6.5 – Fabricação de blocos, ligantes, inertes e argamassas.
6.6 – Métodos de execução da fundação de edifícios.
6.7 – Técnicas construtivas específicas das alvenarias de
tijolo.
6.8 – Acabamentos e revestimentos.
6.9 – Coberturas, humidade, salubridade e protecção às
águas.
6.10 – Manutenção e durabilidade das alvenarias.
7. Enciclopédias e dicionários de Arquitectura e Engenharia
(séculos XVIII-XIX e antecedentes mais importantes). N.B. – Neste primeiro capítulo dedicado à introdução geral à bibliografia, por
uma questão de simplicidade e de forma a não sobrecarregar o texto com demasia-
8. Bibliografia sobre a História da Arquitectura e das Técnicas
das notas de pé de página, não foram indicadas uma a uma as referências bibliográ-
Construtivas publicada nos séculos XVIII e XIX. ficas completas destes tratados, convidando-se o leitor a reportar-se à Bibliografia
9. Antigos manuscritos publicados pela primeira vez nos e ao Índice de Autores. No texto serão indicadas em itálico e em negrito, à medida
séculos XIX e XX. que vão sendo tratadas, cada uma das diversas categorias bibliográficas em análise.

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ANTECEDENTES DOS TRATADOS DO SÉCULO XVIII crição do Egipto no décimo sétimo e último volume da obra Geo-
grafia 6 de Estrabão (autor que viveu entre c. 64/63 a. C. e 23 d. C.).
Outros textos, preocupados sobretudo com a transmissão do
A ANTIGUIDADE conhecimento da Matemática, fornecem alguma informação sobre
as relações aritméticas e geométricas necessárias à composição e
Das antigas civilizações Assíria, Egípcia e Grega não sobreviveu à obtenção das proporções das fachadas e das plantas. É o caso da
nenhuma obra a que se possa chamar propriamente um tratado obra Moralia7 atribuída a Plutarco (c. 45-119 d. C), dedicada a Ísis
de construção. No entanto determinados textos, muitos deles não e Osíris, onde é exposta a regra utilizada para definir um ângulo
especificamente dedicados à Arquitectura, escritos durante o pe- recto, com a ajuda de um triângulo cujos lados estão na propor-
ríodo Grego, influenciaram os autores Romanos e juntamente com ção de 3, 4 e 5.
estes últimos foram citados frequentemente na tratadística estu- No que se refere às descrições do conhecimento técnico da
dada dos séculos XVIII e XIX. Como será apresentado mais adiante, arquitectura Grega, também não chegou até nós nenhum verda-
a referência às práticas construtivas da Antiguidade constituirá a deiro tratado de construção, embora tenham sobrevivido diversos
base e o modelo ideal de que resultaram os processos “modernos” textos da Escola de Alexandria que têm a ver com o conhecimento
de construção. da Mecânica, da Geometria e da Matemática.
Estes textos clássicos chegaram até à época da invenção da Determinadas passagens das Leis (Livros VIII e XII) de Platão8
Imprensa através de cópias sucessivas executadas sobretudo por (428-348 a. C.) e da Ciropedia9 (Livro VIII, 2) de Xenofonte (431-
monges ao longo de toda a Idade Média, a partir dos volumines3, -349 a. C.) reflectem o elevado grau de especialização das diversas
dos pergaminhos manuscritos4 Romanos e Gregos e dos codices profissões envolvidas na construção dos Gregos e a forma como
romanos5 que sobreviveram à queda do Império do Ocidente e à os edifícios eram concebidos do ponto de vista funcional10. Os tra-
censura da Igreja. balhos de Euclides11 (c. 330-275 a. C.) permitem apreciar o conhe-
Durante todo o período da Antiguidade é lícito pensar que a cimento básico das leis da Geometria.
maior parte da tecnologia construtiva era Paralelamente, a descrição das primeiras máquinas simples
passada de geração em geração por tradi- de elevação e a determinação dos centros de gravidade de figuras
ção oral entre corporações de artífices na planas, discutidas no tratado de Arquimedes dedicado aos equilí-
aprendizagem prática em estaleiro. brios planos12, revelam a importância do transporte de grandes
Ao mesmo tempo, os textos produzi- blocos de pedra necessários aos edifícios públicos e religiosos da
dos pelas primeiras civilizações que che- Grécia Antiga.
garam até nós, revelam, de forma pontual, O tratado de Mecânica13 de Heron de Alexandria (c.125 a. C.),
as preocupações principais dos constru- continuando os trabalhos sobre as Alavancas de Arquimedes, tenta
tores desses períodos remotos. pela primeira vez, de modo aproximativo, resolver o problema de
As primeiras referências escritas relati- um sistema de alavancas e o de uma viga contínua apoiada sobre
vas às práticas construtivas da Civilização uma série de colunas14.
Egípcia foram feitas por alguns escritores No entanto, e apesar das referências aos problemas da cons-
Romanos, preocupados com a simples trução de edifícios dispersas nos textos gregos, o verdadeiro trata-
descrição de viagens, como é possível do de construção que sobreviveu completo até aos nossos dias
constatar em algumas passagens da des- data do período do Império Romano.
O tratado De Architectura libri decem, escrito por Marcus
Vitruvius Polliom (em português Vitrúvio), arquitecto e engenheiro
Fig. 1.1 / Detalhe de um fresco de Pompeia (séc. I
a. C.) que representa uma jovem mulher lendo um do tempo de Júlio César (séc. I a. C.), não terá sido o único referido
volumen. na literatura Clássica Romana15, mas por ter sido o único que

23
sobreviveu à destruição constituiu mais tarde, a partir do Renasci- quentemente também escultor), conhecedor das leis da composi-
mento, a referência primordial de todos os futuros tratados de ção e das técnicas de execução.
Arquitectura e Construção. Esta universalidade do conhecimento necessária à construção
Esta obra, dividida em dez livros, apresenta pela primeira de uma imagem do Universo sob a forma de um edifício reflectiu-
vez de forma ordenada e sistemática, a Arquitectura em geral, as -se em outras obras desta época, principalmente as de carácter
regras urbanísticas do Império, a preparação e aplicação dos ma- enciclopédico e militar que não foram destruídas com o tempo.
teriais de construção, as ordens de composição arquitectónica, O primeiro trabalho enciclopédico de que se conhece o texto
as regras de disposição funcional dos espaços, os cuidados a ter foi escrito por Plínio (Gaius Plinius Secundus, 23-70 d. C). Denomi-
na execução de fundações, de paredes, muros e muralhas, para nou-se Naturalis Historiae e era composto por 38 livros dedicados
além de noções de pintura, de hidráulica, cosmografia, mecânica a temas tão variados como Astronomia, Meteorologia, Geografia,
civil e militar. Antropologia, Animais, Plantas, Medicina, Metais, Pigmentos,
Antes de mais, o tratado de Vitrúvio faz referência ao saber de Pintura, Escultura, Arquitectura, Materiais de construção e Pedras
construir alexandrino, embora o conhecimento que apresenta Preciosas. A “Arte de Construir”, em particular, é apresentada nos
corresponda à fusão do saber grego com o saber romano16. Consti- seguintes subcapítulos dos livros 34, 35 e 36:
tuem parte fundamental deste conhecimento as regras de concep-
ção das estruturas baseadas nas colunas e arquitraves, que consis- O trabalho do ferro (Livro XXXIV, 39-46, de ferrariis metallis)
tiam basicamente em regras de proporção ou métodos modulares. O trabalho do chumbo (Livro XXXIV, 47-56, de plumbi metallis)
Técnicas da pintura e (Livro XXXIV, 12-32, de pigmentis praeter
A dimensão do módulo era deduzida da dimensão média do raio preparação dos dife- metallica)
das colunas. O desenho das construções era obtido por meio de rentes pigmentos
relações numéricas entre cada parte da estrutura (coluna, capitel, Fabricação e utilização (Livro XXXV, 48, de parietibus formaceis;
fuste) e por meio de relações gráficas baseadas num sistema de de tijolos 49, de latericiis et laterum ratione)
Utilização do mármore (Livro XXXVI, 5, de quando primum marmo
triângulos. Estas regras incluíam, para além de um conhecimento nos edifícios rum in aedificiis usus)
estético, um conhecimento de resistência e estabilidade dos ma- Da construção em geral (Livro XXXVI, 51, genera structurae)
teriais que estava na posse do arquitecto-engenheiro (que era fre- Cisternas (Livro XXXVI, 52, de cisternis)
Cal (Livro XXXVI, 53, de calce)
Areia e areia com cal (Livro XXXVI, 54, harenae genera. mixtura
harenae et calcis)
Coberturas (Livro XXXVI, 55, vitia structurae. De tectoriis)
Colunas (Livro XXXVI, 56, de columnis. Genera
columnarum)
Argamassas (Livro XXXVI, 58, de maltha)
Estuques (Livro XXXVI, 59, de gypso)
Pavimentos (Livro XXXVI, 60-64, de pavimentis, subdia-
libus pavimentis)

Como referências bibliográficas Plínio refere um grande nú-


mero de autores gregos entre os quais Metrodoro (Metrodoro qui
de architectonice scripsit) e de outros romanos entre os quais o
próprio Vitrúvio.
Para além da Enciclopédia de Plínio sobreviveu também um
tratado militar romano, intitulado De Re militari e atribuído a Vegé-
Fig. 1.2 / Maqueta representando um grande edifício romano de apartamentos em cio (Flavius Vegetius Renatus, c. 385-400). Este texto, para além
Óstia Antiga. de fornecer preciosas informações sobre a organização das legiões

24
romanas, dedica-se também às exigências construtivas dos castros iluminadores e encadernadores sofreu um grande incremento,
ou fortalezas, principalmente nos livros 22 a 25: juntamente com o sistema dito da pecia (peça ou caderno) que
consistia na execução a partir de um “exemplar”18 de várias cópias
XXII – In qualibus locis constituenda sint castra. menos elaboradas destinadas a um grupo de estudantes determi-
XXIII – Quali specie castra delinianda sint. nado.
XXIIII – Quo genere munienda sint castra.
XXV – Quemadmodum munienda sint castra, cum hostis immineat. Com a consolidação do poder das abadias e do poder feudal, a
transmissão da arte de construir aos diversos protagonistas das
edificações foi determinada por esta nova ordem social. Muitos
Todas estas três obras baseadas nos seus antecedentes Gregos,
dos superiores das grandes abadias eram eles próprios construtores
tiveram uma repercussão fundamental e determinante em todos os
e arquitectos. A sua ânsia de dominar regiões de dimensão cada
textos que se lhes seguiram, e correspondem, grosso modo, aos gran-
vez maior, levou-os a desenvolver e a exportar formas de construir
des grupos da bibliografia referida no presente estudo. Na ver-
normalizadas destinadas à criação de complexos monásticos filia-
dade, até ao século XX foi sempre possível encontrar o saber da
dos na casa mãe.
Arte de Construir explicado de forma directa em obras especiali-
Esta “regra de construir” era assegurada pelas ordens religio-
zadas, e de forma mais ou menos indirecta em obras gerais de
sas que tinham jurisdição sobre grandes territórios, sobressaindo
carácter enciclopédico e em obras dedicadas à arquitectura militar.
neste caso a escola alemã do Reno, a da ordem de Cluny, a escola
normanda e outras escolas francesas.
Em Portugal, salientaram-se no período gótico a escola dos
A IDADE MÉDIA Beneditinos dos núcleos durienses e minhotos, a escola Cister-
ciense e a de Borgonha em Tarouca19. Como máximas realizações
Com a queda do Império Romano do Ocidente, o conhecimento de referir a grande abadia de Alcobaça segundo o modelo cister-
da construção clássica até aí predominante sofreu influências di- ciense de Borgonha e mais tarde o mosteiro da Batalha, com a
versas, entre as quais as que chegaram do Oriente por via das sala do capítulo realizada por Huguet20.
trocas comerciais com Bizâncio. Com as invasões árabes do Sul Apesar da criação de todas estas escolas e no que se refere a
da Europa e depois com as Cruzadas, estes contactos, com a arte tratados medievais de construção, não se tem conhecimento de
de construir oriental e com o conhecimento matemático, intensifi- nenhum texto que verdadeiramente seja digno desse nome, embora
caram-se. tenham começado a ser descobertas, no final do século XIX, em
A partir do século XI, a construção em pedra e tijolo foi reto- particular em França e na Alemanha, algumas obras manuscritas
mada para a construção de edifícios, destinados sobretudo à de- próximas desta designação, reservadas possivelmente a uma elite
fesa, como os castelos e outras residências privadas. Até essa época restrita. Destas obras destacam-se os cadernos21 de Villard d’Honne-
e também depois da queda do Império Romano do Ocidente, a court, escritos por volta de 1235, que se compõem essencialmente
maior parte das construções privadas na Europa era feita em ma- de esboços de plantas e alçados e de alguns croquis de detalhe
deira, à excepção dos edifícios eclesiásticos17. destinados à escolha das formas finais de uma construção.
Com a supremacia da Igreja e com a afirmação do latim como Mais tardio é o Manual das Justas medidas (Das Büchlein von der
língua oficial, os scriptoria monásticos encarregaram-se de copiar fialen Gerechtigkeit) e o Geometria Alemã (Die Geometria Deutsch)
em pergaminho e traduzir do Grego, para além de textos litúrgicos, de Matthäus Roriczer22, mestre da Catedral de Ratisbona que data
diversas obras relacionadas com a Arquitectura escritas na Antigui- de 1486, que constitui sobretudo um repositório de receitas reser-
dade Clássica e que tinham sobrevivido à destruição e às pilhagens vadas a “homens da arte”.
das grandes bibliotecas. Associadas à Arquitectura desenvolveram-se diversas artes
No final do século XII, com a criação das primeiras universida- decorativas, como a pintura, a douradura e os vitrais. Sobre estas
des, a actividade das corporações de pergaminheiros, copistas, técnicas, sobreviveram alguns documentos, entre os quais três

25
manuscritos De diversis artibus – Das diversas artes (c.1150), im- Como os documentos escritos eram poucos e poucas eram as
pressos também pela primeira vez no século XIX e atribuídos ao representações em elevação dos edifícios a construir, era frequente
presbítero alemão Theophilus ou ao ourives Roger von Helmar- utilizar maquetas em madeira, gesso ou mesmo pedra para repre-
shausen23. sentar tanto a totalidade como o detalhe mais importante de uma
Para além dos poucos textos disponíveis e da sua divulgação construção. Os desenhos eram também raros porque o pergaminho
muito limitada, a transmissão do conhecimento era feita pela reali- implicava um custo elevado. Conhecem-se no entanto represen-
zação de um número restrito de construções exemplares que eram tações de fachadas, plantas e cortes sobre pergaminho, como as
executadas por arquitectos que se deslocavam a outros países e da Catedral de Estrasburgo, que datam de 1250-126024 ou das cate-
deixavam nos edifícios que realizavam o cunho da sua escola. As drais de Orvieto, Siena, ou Milão, do século XIV25. O projecto basea-
proporções, as dimensões e as soluções técnicas usadas por uns, va-se nesses desenhos onde não eram indicadas normalmente
eram posteriormente copiadas, aperfeiçoadas e adaptadas por medidas ou escalas, o que permite supor que se destinassem a ser
outros, constituindo-se assim um dos mecanismos principais de copiadas e adaptadas às unidades de medida locais.
transmissão do conhecimento da arte construtiva. Outras vezes os desenhos sobre pergaminho constituíam so-
Os métodos a adoptar no estaleiro consistiam em adaptar às mente esboços ou serviam de aide-mémoire do arquitecto, como
condições locais disponíveis métodos que tinham dado bons no caso dos pergaminhos de Reims, estudados por Branner nos
resultados noutros sítios. Foram deste modo construídas abóba- anos 50 do século XX26.
das com vãos cada vez mais significativos que muitas vezes atin- A partir de uma representação em planta, o mestre constru-
giam o colapso. Quando se mantinham estáveis, para além de tor deduzia, com auxílio do esquadro e do compasso, o desenho
significarem a consagração ou a confirmação do prestígio do mes- da fachada. Ambas as representações baseavam-se em módulos
tre construtor, passavam a servir de modelo que poderia ser dimensionais pré-estabelecidos relacionados por proporções
repetido, copiado, importado e adaptado por outros construtores aritméticas. Em construções importantes, a este método era asso-
noutros locais. ciada a composição de formas geométricas simples como o triân-
gulo ou o quadrado (ad quadra-
tum ou ad triangulum), que tinha
as suas origens nas Escolas de
Alexandria27.
A transmissão do conheci-
mento técnico medieval relevava
por todas essas razões de um se-
cretismo essencialmente verbal.
A formação de um aprendiz era
feita em diversos estaleiros após
um estágio no atelier de um mes-
tre28, que era regulamentado pelas
corporações de cada especialida-
de. Estas associações de profissio-
nais destinavam-se a manter a
solidariedade entre as classes
artesãs e contribuíram certa-
Fig. 1.3 / Desenhos relativos à catedral de Reims apresentados no Carnet Fig. 1.4 / Plantas e alçados de um pináculo apre- mente para a uniformização e a
de Villard d’Honnecourt. sentado no manual de Roriczer. melhoria de métodos e técnicas29.

26
Para obras importantes, os desenhos, croquis ou maquetas eram a documentos que descrevessem as regras da arte. Com a invenção
completados por outros elementos de detalhe referentes sobretudo da Imprensa o saber, que até então era passado de geração em
à estereotomia e entregues aos mestres canteiros. Os desenhos geração sobretudo pela tradição oral e pela aprendizagem prática
destinados ao corte das pedras eram frequentemente realizados à quotidiana, começou a ser explicado e exposto sob a forma de
escala natural e executados sobre paramentos ou fachadas já rea- livro de uma forma sistemática, destinando-se a uma difusão cada
lizadas, como é possível ainda observar em certas construções vez mais alargada. Prova desta realidade é a profusão de livros e
islâmicas como a Arca Santa de Oviedo (séc. XI), em Espanha; em tratados de arquitectura publicados a partir do fim do século XV,
construções românicas como as igrejas francesas de Notre Dame destinados ao mesmo tempo a alimentar o interesse renascimental
em Beauvoir (séc. X-XI) e de Baumont de Pertuis (séc. X-XI) ou a pela Arquitectura.
igreja italiana de Santa Maria in Ponte de Cerreto di Spoleto (séc. No início do mesmo século em que surgiu a Imprensa, foram
XIII). Do período gótico referem-se as incisões de projecto e mon- executadas as primeiras obras arquitectónicas do Renascimento,
tagem encontradas no Reino Unido, na Abadia de Bylan (séc. XIII), entre as quais os projectos em Florença, da Catedral em 1420 e da
no St. John’s College em Cambridge (séc. XIII), na Igreja de Saint- fachada do Hospital dos Inocentes, em 1421. Este novo estilo de
-Matthew de Roslin (séc. XII), na catedral de Winchester (séc. XIII); Arquitectura e todo o pensamento filosófico que esteve na sua
em França nas catedrais de Bourges, Dommartin, Limoges, Reims, base, associado à possibilidade de reproduzir textos e gravuras,
Soissons e Estrasburgo (sécs. XII a XIV); em Espanha, na Catedral deu início a uma nova fase da transmissão do conhecimento da
de Sevilha (séc. XIV) 30. Arte de Construir.
Num menor número de casos, os desenhos de estaleiro e mon- O Renascimento foi caracterizado por um interesse crescente
tagem eram executados em “salas do traço” propriamente ditas, pelos exemplos da Arquitectura Antiga que tinham sobrevivido
sobre materiais de fraca durabilidade como pastas de gesso apli- ao tempo, às destruições e às adaptações ao culto cristão. Para
cadas sobre os pavimentos sendo depois transpostos sobre os blo- esta redescoberta da Construção da Antiguidade Clássica, consti-
cos de rocha a talhar. Destas representações gráficas de execução tuíram fontes fundamentais as primeiras impressões de Vitrúvio,
são conhecidos entre outros, os desenhos sobrepostos, datados de Plínio, de Vegécio, de Euclides e de Arquimedes.
entre 1360 e 1500, elaborados sobre o estrato superior da arga- Paralelamente às primeiras impressões de Vitrúvio em latim e
massa do pavimento da “tracing house” da Catedral de York31. nas diversas línguas europeias, começaram a ser publicados di-
versos tratados escritos na sua maioria por importantes arquitec-
Para a leitura deste subcapítulo consultar o Índice de Autores e as se- tos, dedicados à Arquitectura, à Perspectiva, ao Desenho e à Geo-
guintes categorias indicadas no Índice da Bibliografia:
metria, à Estereotomia e à Mecânica.
8. Bibliografia sobre a História da Arquitectura e das técnicas cons-
trutivas publicada nos séculos XVIII e XIX. No que se refere especificamente ao tratado de Vitrúvio, este foi
9. Antigos manuscritos publicados pela primeira vez nos séculos XIX inicialmente conhecido sob a forma de cópia do manuscrito origi-
e XX. nal em latim, sendo do século IX a mais antiga cópia. “Redesco-
11. Bibliografia recente sobre a História das Técnicas e Conservação
berto” pelo humanista Poggio Bracciolini no Mosteiro de St. Gal32,
de edifícios.
foi impresso pela primeira vez ainda em latim, em Roma, em
148633. Seguiu-se a primeira reedição ilustrada por Fra Giocondo34
em 1511 e uma nova versão em italiano por Cesare Cesarini em 1521.
O RENASCIMENTO. PRIMEIRAS EDIÇÕES DE VITRÚVIO A primeira tradução em castelhano da autoria de Diego de Sa-
E PRIMEIROS TRATADOS IMPRESSOS gredo foi publicada em Toledo em 1526, com o título Medidas del
Romano. Esta obra seria traduzida para francês e publicada em
Até à época da publicação dos primeiros textos impressos, que Paris sob o título Raison d’Architecture antique, em 1542.
ocorreu por volta de 1454, era certamente muito reduzido o nú- Em Portugal, a obra de Vitrúvio terá sido traduzida pela pri-
mero de arquitectos e engenheiros construtores que tinham acesso meira vez por Pedro Nunes, entre 1537 e 1541, para ensino na

27
período romano. Estes vestígios começaram gradualmente a consti-
tuir o destino de quem quisesse estudar a Arquitectura, e a ilustrar
a maioria dos tratados produzidos a partir desta época. Por esta
razão, os monumentos da Roma Antiga passaram a constituir mo-
delos ideais da maneira de construir. Foi o caso da parte visível do
Fórum Romano, das ruínas do Coliseu, do Panteão, do que restava
da Domus Aurea de Nero, das ruínas do Septizonium (composto de
três níveis de ordem coríntia), dos templos da Paz de Vespasiano,
de Vénus, de Fauno, de Baco, da Deusa Tossa, de Apolo, dos arcos
comemorativos como os de Constantino e Septimio Severo, das
basílicas romanas de Constantino e do Batistério Lateranense37.
No caso português, antes da perda da independência, em 1580,
foram poucos os portugueses que se preocuparam em escrever
sobre a “Nova Arquitectura”. Deste pequeno grupo destacou-se
Francisco de Holanda que se deslocou a Roma e produziu os ma-
nuscritos Da Pintura Antigua, em 1548, Da fábrica que falece à
cidade de Lisboa, de 1571, e as Antigualhas d’Italia desenhadas
Fig. 1.5 / Frontispício da obra de Vitrúvio por Daniele Barbaro (1556) e as cinco entre 1538 e 1541. Todas estas obras permaneceram manuscritas
ordens de colunas segundo Sebastiano Serlio (1569).
e não tiveram, por isso, grande divulgação em Portugal38.
Neste período eram já poucos os edifícios que tinham conser-
Escola Particular de Moços Fidalgos do Paço da Ribeira, criada vado intacto o seu interior, e por isso os arquitectos renascentistas
pela regente D. Catarina em 156235. No entanto, a primeira obra a tinham diante de si um “puzzle” de certa maneira incompleto39.
ser impressa sobre Vitrúvio no nosso país terá sido uma reedição Todos estes edifícios, construídos com colunas, apresentavam di-
das Medidas del Romano, de Sagredo, editada em Lisboa por Luís versas ordens sobrepostas, ou seja, diversas proporções entre os
Rodrigues, com três edições entre 1541 e 154236. seus elementos. Por esta razão, os primeiros tratados gerais publi-
Para além das impressões mais ou menos literais do texto ori- cados, como o De re aedificatoria (1485) de Leon Battista Alberti
ginal, a publicação dos Dez Livros de Arquitectura, constituiu mais e os Livros de Arquitectura (1537) de Sebastiano Serlio, incidiram
tarde um pretexto para a exposição de comentários pessoais por sobretudo no detalhe das fachadas, em particular nas proporções
parte de arquitectos experimentados como o italiano Daniele Bar- das colunas, pedestais e entablamentos, nas dimensões de pilastras
baro. Seguiram-se arquitectos como Palladio com I quatro libri e arquitraves, no perfilar de molduras e na composição de arca-
dell’architettura (1570), e Scamozzi com L’idea dell’ architettura das, pórticos e frontões. A Serlio deve-se um dos primeiros textos
universale (1615), que passaram a ilustrar os seus textos com dese- impressos sobre a reutilização de edifícios antigos, apresentado
nhos de edifícios por eles mesmo construídos, acompanhando-os no seu sétimo e último livro de Arquitectura.
de complementos relativos à arte de bem construir, com noções Esta redescoberta da Arquitectura Antiga teve diversas conse-
de perspectiva, economia, detalhes técnicos, topografia, medições quências na construção de edifícios, nomeadamente nos sistemas
e estimativas. Foi surgindo assim, pouco a pouco, o conceito de estruturais utilizados e na sistematização da abertura de vãos, atra-
Manual Prático de Arquitectura. vés de regras que foram pela primeira vez estabelecidas de forma
Conjuntamente com as impressões do tratado de Vitrúvio, foi impressa e difundidas assim a um público cada vez mais vasto.
iniciado o estudo dos monumentos romanos ainda existentes nessa No campo dos sistemas estruturais, é de referir a difusão do uso
época. O espaço geográfico que corresponde actualmente à Itália de elementos arquitectónicos como a abóbada de berço, o arco
apresentava o maior número de vestígios bem conservados do romano, a arquitrave grega horizontal entre duas colunas, as plan-

28
componente fundamental na formação dos arquitectos e engenhei- A TRATADÍSTICA ENTRE 1750 E O INÍCIO DO SÉCULO XX
ros militares portugueses, como é facilmente observável por aná-
lise dos títulos em depósito na Biblioteca do Exército e na Biblio-
teca Nacional de Lisboa. AS OBRAS PUBLICADAS NO SÉCULO XVIII

Para a leitura deste subcapítulo consultar o Índice de Autores e as cate- O Iluminismo e a institucionalização do ensino da Ciência
gorias indicadas no Índice da Bibliografia:
2. Tratados e Manuais de construção militar e civil (séculos XVII-XIX
das Construções
e antecedentes mais relevantes).
3. Cursos e resumos de lições de teoria geral e de prática das constru- Depois da análise dos principais antecedentes, a avaliação geral
ções (séculos XVIII e XIX e principais antecedentes). dos tratados publicados durante todo o século XVIII, que constituem
3.2 – Destinados a Academias e Escolas Militares.
6. Bibliografia Selectiva publicada essencialmente nos séculos XVIII
parte fundamental das fontes bibliográficas do presente estudo,
e XX. envolveu sublinhar os aspectos fundamentais do seu contexto filo-
6.1 – Geometria, Perspectiva e Desenho. sófico e cultural. Na verdade, os primeiros tratados de Arquitec-
tura Militar e Civil destinados à nova profissão da Engenharia
foram escritos numa nova era do conhecimento – o Iluminismo.
A este movimento associou-se uma revolução científica que alterou
profundamente a produção da literatura em geral e a produção da
literatura técnica de edifícios em particular.
Asssim, para obter uma visão geral da grande variedade de
obras relacionadas com a Construção produzidas durante os sécu-
los XVII e XVIII, foi, antes de mais, necessário recordar as princi-
pais influências do Iluminismo na definição das diversas ciências
e da ciência da Construção em particular. Seguiu-se depois uma
pequena pesquisa destinada a situar a criação das novas Acade-
mias, Escolas e Institutos que, directa ou indirectamente, tiveram
a ver com a administração do ensino da Construção Civil.
Compreendendo a forma como as diversas ciências foram estru-
turadas e ensinadas, os autores e as obras mais importantes (iden-
tificados durante a recolha bibliográfica) foram contextualizados
e analisados separadamente nos seguintes grupos principais:

• Tratados gerais de Arquitectura e Construção.


• Cursos e resumos de lições destinados a Escolas e Academias.
• Obras especializadas dedicadas às técnicas associadas à
concepção e dimensionamento de edifícios, à preparação
dos materiais, aos problemas práticos da sua execução e às
questões da durabilidade.
• Dicionários e Enciclopédias.
Fig. 1.7 / Prancha intitulada Tenalha de hum Exagono do novo Systema de Mr. de
Vauban, do livro O Engenheiro Português, de Manuel de Azevedo Fortes, publicado O Iluminismo consistiu numa transformação na forma de pen-
em Lisboa em 1729. sar europeia e nomeadamente numa revolução dos valores relacio-

34
nados com o Conhecimento. Este movimento teve raízes alguns e 1756, e ainda na re-
séculos antes, no espírito dos alquimistas da Idade Média e nas colha de desenhos e
primeiras academias italianas do Renascimento, já referidas, pre- pranchas efectuada
ocupadas com o estudo dos fenómenos da Natureza. O verdadeiro por Réaumur para a
cientista seria aquele que fosse capaz de testar todas as hipóteses Academia das Ciên-
e desafiar as opiniões estabelecidas, consciente de que o conheci- cias de Paris, deno-
mento está em constante evolução, sempre sujeito a aperfeiçoa- minada Description
mentos e jamais absoluto. Esta forma de pensar encontrou prede- et perfection des arts
cessores nos textos dos franceses Descartes e Montaigne60 que et métiers.
desenvolveram respectivamente as virtudes da dúvida sistemática Na “Árvore Enci-
e uma visão mecanicista do mundo baseada na explicação da maio- clopédica” podiam
ria dos fenómenos naturais pela Matemática. O espírito da Razão distinguir-se as gran-
Fig. 1.8 / Frontispício do primeiro volume da En-
tentava, à imagem das matemáticas, valorizar o inteligível sobre o des classes do conhe-
cyclopédie de Diderot e d’Alembert, primeira edição
sensível, construindo uma ciência geral e universal capaz de com- cimento humano: a de 1751.
preender e manipular todas as realidades61. História, as Artes Li-
Com este novo sistema de valores, o conhecimento humano berais e Mecânicas e as Ciências Teóricas ou Filosofia. Nestas últi-
organizou-se em diversas artes e ciências até então estudadas de mas, destinadas ao estudo de assuntos ligados à Razão e ao Racio-
uma forma curiosa e não sistemática. As primeiras classificações cínio, eram incluídas a Matemática e a Mecânica, consideradas
das diferentes formas do saber surgiram na tabela denominada no grupo da Metafísica Geral. A Arquitectura era dividida em três
Encyclopédie ou la suite et liaison de tous les arts et sciences, de ramos: a Civil, a Militar e a Naval, e era classificada como o resul-
Christophle de Savigny, composta em 1587 e reeditada em 1619, tado da Imaginação, muito próxima dos ramos da Poesia e da Mú-
na Encyclopaedia de Johann Heinrich Alsted publicada em 163062 sica.
e nos estudos do inglês Francis Bacon, De Augmento Scientiarium Com a catalogação das diversas ciências estabelecida, o eclec-
e Novum Organum Scientiarium, publicados em Londres em tismo do Século das Luzes abriu caminho para a especialização e
174063. o desenvolvimento autónomo dos vários domínios do conheci-
Esta divisão das várias ciências inspirou e serviu de estrutura mento. Esta autonomia teve como consequência a criação a partir
ao grande projecto da Encyclopédie ou Dictionnaire raisonné des do século XVII das diversas Academias europeias das Ciências,
Sciences des Arts et des Métiers par une Société de gens de lettres. com a publicação dos últimos resultados da investigação científica
Mis en ordre et publié par M. Diderot et quant à la partie mathéma- dos seus membros. Surgiram assim os primeiros periódicos cientí-
tique par M. d’Alembert, publicada pela primeira vez entre 1751 e ficos, dos quais se salientam as Philosophical Transactions da
1758, em 17 volumes, e objecto de diversas actualizações ao longo “Royal Academy” de Londres, a partir de 1664, o Journal des
de todo o século XIX.
A publicação da Encyclopédie teve a intenção de fundar racio-
nalmente cada um dos grandes domínios das Ciências Naturais,
constituindo ao mesmo tempo uma resposta editorial à obra Cyclo-
pædia or an Universal Dictionary of Arts and Sciences, de Ephraïm
Chambers publicada em Londres em 1728. Foi precedida em
França pelo Dictionnaire des Arts et des Sciences, de Corneille,
publicado entre 1694 e 1720; no campo específico da Arquitectura
Fig. 1.9 / Detalhe esquemático da Table Analytique da Enciclopédia de Diderot et
pelo Cours d’architecture avec une ample explication par ordre d’Alembert extraído do Essai d’une distribution génèalogique des Sciences et des
alphabétique de tous les termes, de d’Aviler, publicado entre 1691 Arts principaux, publicado em 1769.

35
Paz Branco, editado pelo LNEC, e alguns artigos esparsos como o UMA VISÃO GLOBAL DO CONTEÚDO
de Sílvia d’Affonseca, Constituição de antigas argamassas de cal, DOS TRATADOS ESTUDADOS
apresentado ao “2.º Encore” realizado no LNEC em Lisboa, em 1994,
que refere algumas dosagens de Vitrúvio, Scamozzi, Milizia e Al-
berti, comparando-as com outras tradicionais de S. Salvador, no Para o presente trabalho, todos estes estudos mais ou menos
Brasil. recentes apresentavam-se potencialmente úteis para a Conserva-
Para além deste último artigo, que se baseia directamente em ção de alvenarias de edifícios porque abordavam o problema das
algumas fontes antigas, salienta-se ainda a tese de doutoramento alvenarias de um ponto de vista específico. Não permitiam, no
Caracterização de argamassas tradicionais utilizadas nos reves- entanto, obter uma visão global da problemática ligada à constru-
timentos, de Abdias Gomes, apresentada no Instituto Superior ção, protecção e conservação das alvenarias tradicionais.
Técnico em 1998, dedicada sobretudo à análise do comportamento Como também tinha sido possível observar, o saber tradicional
de rebocos antigos. está não só presente nos grandes tratados e manuais como em
Por último, a obra Diálogos de edificação, de Gabriela Teixeira outras obras especializadas. Por outro lado, a compreensão destas
e Margarida Belém, publicada em 1998, indica na sua bibliografia construções só poderia ser feita de forma completa se associada a
comentada alguns dos tratados e manuais portugueses antigos. diversos aspectos, entre os quais: uma completa relação entre tipo-
logias construtivas, os métodos de cálculo, a tecnologia dos mate-
riais, os processos de execução e os detalhes construtivos, todos
eles componentes indispensáveis a um processo de Conservação.
O valor da leitura especializada já existente, focada em um
único aspecto construtivo de um edifício antigo, necessitava ser
integrado no quadro geral da denominada Ciência das Constru-
ções em Alvenaria que tinha sido ensinada até ao início do século
XX, que tinha sido em parte interrompida e que se revelava neces-
sário redescobrir.
Por estas razões e uma vez identificada e recolhida a bibliografia
de uma forma sistemática e estruturada, passou-se à avaliação e à
análise do conteúdo desta Ciência das Construções no que se re-
fere às alvenarias e à sua Conservação.
Com este objectivo, foi realizada a análise preliminar do con-
teúdo dos diversos tratados e manuais de modo a poder compilar
as técnicas tradicionais de construção de alvenarias propriamente
ditas.
Esta fase foi iniciada com a análise de um necessariamente
limitado número de livros representativos da grande variedade
de títulos e autores. Escolheram-se à partida obras que tivessem
sido publicadas ao longo de todo o período de estudo (1750-1900),
escritas nas línguas estrangeiras conhecidas para além do por-
tuguês: o espanhol, o francês, o italiano, o inglês, e o alemão tra-
duzido em uma das línguas precedentes. Para leitura prioritária
reservaram-se num primeiro momento os títulos citados frequen-
temente quer na maior parte da bibliografia reunida, quer nas

65
resenhas mais exaustivas publicadas recentemente por Galli, 2. Classificar as regras e as técnicas tradicionais segundo uma
Ramazzotti e Guenzi, referidas anteriormente. estrutura diversa daquela usada antigamente e expô-las de
As regras e as técnicas de bem construir apresentavam-se orde- forma nova, de modo a serem utilizadas nos nosso dias, na
nadas de forma muito variada, em diferentes hierarquias, sob a conservação de edifícios.
forma de descrições genéricas, instruções, regras, leis, conselhos,
prescrições de execução, relatos de experiências e casos práticos. A listagem comparativa dos índices de matérias de diversas
A estrutura e a ordem pela qual os diversos assuntos eram abor- obras foi fundamental para estabelecer a estrutura de classifica-
dados variavam de tratado para tratado. ção e identificação dos diversos princípios e técnicas, conforme
Impunha-se por isso como primeira prioridade, o estabeleci- se pode ver no Quadro 1.3.
mento de critérios bem definidos para a sua análise e compilação Paralelamente, a estrutura de um tipo particular de livros, os
para que, numa fase mais adiantada, viesse a ser possível a sua dedicados especificamente aos erros cometidos correntemente
avaliação sistemática e a sua justificação. pelos construtores tradicionais, contribuiu para a distinção dos
O critério básico utilizado foi o de listar unicamente os títulos principais grupos de técnicas e fases construtivas de alvenarias.
dos capítulos que contivessem “regras de arte” e procedimentos O tratado de Teofilo Gallaccini, Trattato sopra gli errori degli archi-
executivos que pudessem ser utilizados actualmente em obras de tetti136, publicado em 1767, em Veneza, constitui disso um belís-
conservação de edifícios antigos. As exigências actuais da activi- simo exemplo, reflectindo claramente a preocupação principal
dade de conservação são, na verdade, de natureza diversa, po- dos construtores tradicionais, enquanto aos cuidados a ter
dendo traduzir-se em acções com objectivos tão distintos como: (Quadro 1.4):

• a simples consolidação dos materiais; • antes da construção;


• a demolição de adições que não permitem a leitura dos valo- • durante a construção;
res originais; • após a construção.
• a reconstrução localizada das estruturas ou dos acabamen-
tos; Associando à organização dos índices típicos das obras a ana-
• a construção de uma nova estrutura no espaço envolvente lisar, as exigências próprias da actividade da conservação, foram
do edifício histórico; estabelecidos diversos “filtros” de modo a “isolar” de forma siste-
• a simples manutenção periódica. mática as regras de bem construir.
Estabeleceu-se assim que se deveria reter aquelas regras que
Em certos casos estas acções podem ou têm que ser aplicadas inde- tivessem a ver com:
pendentemente, noutros casos são simultâneas ou complementares.
Paralelamente punha-se a questão de saber como é que um 1 – A concepção das dimensões e da forma:
conhecimento destinado a construir do nada, “de raiz”, podia ser • de cada um dos blocos integrados num determinado ele-
identificado, classificado e avaliado em relação à sua utilidade na mento estrutural;
conservação de edifícios. Ou seja, como é que se poderiam estru- • de cada elemento estrutural elementar;
turar e reutilizar “regras construtivas” como “regras conservativas”. • da relação dos diversos elementos na ossatura complexa
De forma a encontrar uma resposta, orientou-se o estudo do pro- da alvenaria.
blema segundo duas vertentes: 2 – O cálculo da espessura dos elementos principais como:
fundações, paredes, arcos e abóbadas.
1. Conhecer e identificar de forma sistemática e estruturada 3 – Os cuidados no fabrico, extracção e manipulação dos di-
os princípios e técnicas apresentados em um elevado versos materiais, de modo a optimizar a sua qualidade no
número de textos e figuras. que se refere à:

66
• sua resistência mecânica; 6 – Os cuidados na montagem e execução que permitissem
• seu comportamento em relação à absorção da água; um melhor comportamento mecânico, físico e químico dos
• sua capacidade de ligação e aderência a outros mate- materiais combinados e integrados em sistemas estruturais
riais; específicos.
• sua aparência estética (textura e cor). 7 – A durabilidade e resistência dos diversos materiais isolados
4 – O controlo de qualidade dos materiais antes da sua combi- e combinados, através do controlo dos processos de dete-
nação e a sua conservação, de modo a garantir as proprie- rioração mais comuns, a saber:
dades necessárias ao fabrico de alvenarias. • infiltrações de água;
5 – A dosagem e a mistura, de modo a assegurar uma boa com- • ascensão por capilaridade;
binação com outros materiais. • gelo e degelo;
• assentamentos do terreno de fundação;
• acções sísmicas.
Quadro 1.4 / Índice do tratado de Teofilo Gallaccini
Cada uma destas regras:
Trattato sopra gli errori degli architetti ora per la prima volta
pubblicato Venezia, MDCCLXVII
• reflecte-se no comportamento das estruturas em relação aos
factores de deterioração;
Parte Prima
Capitolo I Degli errori che si commettono avanti il fabbricare • constitui um conhecimento histórico-tecnológico do qual
Cap. III Elezione dei siti cada edifício é a imagem e o produto.
Cap. IV Scelta delle materie
Cap. V Mala elezione dei fabbricatori
Por estas razões as referidas regras são indispensáveis à Con-
Cap. VI Mala elezione del tempo
Cap. VII Mala disposizione del disegno, cattivo comparto servação de edifícios antigos.
Cap. VIII Provvedimento usato dagli autori Romani contro gli No entanto esta classificação necessitava também de ser adap-
errori delle fabbriche tada à linguagem técnica actual, compreensível por engenheiros
Parte Seconda e arquitectos, que se formaram no conhecimento da construção
Capitolo I Degli errori che occorrono nel fabbricare em betão e em aço.
Cap. II Fondamenti Analisou-se por isso a maneira como estão estruturados os
Cap. III Proporzione delle parti
regulamentos portugueses137 de:
Cap. IV Disposizione del compartimento
Cap. VI Abuso di alcuni ornamenti introdotti dagli Architetti
moderni • Segurança e Acções para Estruturas de Edifícios e Pontes;
Cap.VIII Degli errori che dagli Architetti si permettono mentre i • Estruturas de Betão Armado e Pré-Esforçado.
ministri usano cattivo ammassamento e mala struttura di
mattoni e di pietra, facendo mala composizione di muraglie
e o regulamento europeu:
Parte Terza
Capitolo I Degli errori che si scoprono poiché è stato fabbricato • Eurocódigo 6 – Projecto de estruturas em alvenaria armada
Cap. II Errori nei coprimenti e não armada, também denominado Norma Experimental
Cap. III Poca e non diligente cura intorno alle fabbriche fatte
Europeia ENV 1996-1138.
Cap. IV Poca avvertenza nei condotti dell’acqua
Cap. V Cavamenti sotterranei vicini ai fondamenti
Cap. VI Tagliamento delle muraglie Constatou-se que estas normas estão estruturadas de forma
Cap. VII Degli errori che procedono delle nuove cariche sopra i semelhante aos grandes manuais e tratados de construção do fi-
muri vecchi
nal do século XIX. Enquanto o Regulamento de Betão se preocupa
Cap. VIII Degli errori che accadono nei restauramenti
com a concepção e o dimensionamento das estruturas no que se

68
refere a acções e critérios de verificação da segurança, o Regula- B – Princípios e técnicas de preparação e composição de mate-
mento de Segurança é dedicado: riais
Þ que correspondem às disposições gerais de prepa-
• à verificação da segurança em relação aos estados limites
ração dos materiais e por outro lado à garantia de quali-
últimos de resistência em função de esforços actuantes e
dade de conservação e recepção em estaleiro.
esforços resistentes;
C – Princípios e técnicas de montagem de materiais e execu-
• às disposições gerais de preparação dos materiais;
ção em obra
• às disposições de projecto e disposições construtivas de ele-
Þ que correspondem às exigências de execução dos tra-
mentos estruturais;
balhos e à garantia de qualidade.
• à execução dos trabalhos e garantia de qualidade.
D – Detalhes construtivos de manutenção e protecção de pare-
des e coberturas
O Eurocódigo 6 está organizado em:
Þ que estão implícitos em todas as disposições regula-
• Bases de cálculo mentares contemporâneas e correspondem principal-
• Materiais mente à manutenção e à garantia da qualidade após a
• Projecto e concepção execução.
• Particulares construtivos estruturais
• Execução Cada um destes grupos foi discutido em capítulos separados
• Manutenção e durabilidade (Capítulos II, III, IV e V). Esta primeira divisão permitiu a classifi-
cação sintética das diversas regras por grandes grupos compatí-
e faz a distinção entre princípios, regras de aplicação e proce- veis tanto com a maioria dos índices dos tratados e manuais, como
dimento executivo139: com a sua estrutura organizativa.
A fase de compilação que obedece a esta estrutura pré-defi-
• Os princípios – compreendem afirmações e definições ge-
nida, teve os seguintes objectivos:
rais para as quais não há possibilidade de alternativa ou
requisitos e modelos analíticos para os quais não se permite
• a apresentação sintética da grande quantidade de informa-
nenhuma alternativa, se não especificamente indicado.
ção analisada, tendo em vista numa segunda fase do estudo,
• As regras de aplicação – são regras geralmente aceites que
estabelecer propostas para a utilização nos estaleiros con-
seguem os princípios e que satisfazem os seus requisitos.
temporâneos das diversas regras antigas de bem construir;
• Os processos construtivos – consistem nos modos como as
• a utilização de um conhecimento estruturado, utilizando
construções são executadas.
uma linguagem acessível aos operadores contemporâneos,
de modo a responder às necessidades e objectivos dos pro-
De forma a conciliar os métodos de “bem construir” actuais e
cessos de Conservação.
os métodos de “bem construir” tradicionais, e depois de uma
primeira análise da estrutura em que a informação era dada nos
De forma a avaliar a sua utilidade na conservação de edifícios,
tratados antigos, foi adoptada a seguinte grande divisão das regras
cada uma das regras foram identificadas e listadas obedecendo à
de arte:
seguinte ordem:
A – Sistemas de concepção geométrica e dimensionamento de
edifícios. A resolução de coberturas de vãos e espaços • O que é que os tratados dizem de novo em relação ao que se
Þ que equivalem ao Regulamento de Acções e às dis- conhece presentemente.
posições construtivas e de projecto dos elementos estru- • Quais os princípios e os procedimentos executivos a reter e
turais. qual a sua finalidade.

69
70
II

A CONCEPÇÃO GEOMÉTRICA E O DIMENSIONAMENTO


DE EDIFÍCIOS EM ALVENARIA

Os primeiros princípios e técnicas analisados foram os relativos tulo I a propósito das obras dedicadas à História da Arquitectura
à concepção dos elementos estruturais principais: os arcos, as e das Técnicas Construtivas1.
abóbadas, os pilares e colunas e as fundações. O edifício em alvenaria é uma estrutura tridimensional em
Esses conhecimentos permitiam resolver os problemas funda- que a combinação dos vários elementos estruturais delimitadores
mentais do projecto de edifícios em alvenaria. Resolver estes pro- de um espaço serve à constituição de células que se associam
blemas significava, resumidamente, responder às seguintes ques- lateralmente ou se sobrepõem. Esta associação de células consti-
tões básicas: tui os complexos murais – os edifícios.
Estes vários aspectos foram sempre tidos em conta na concep-
• Que forma geométrica utilizar para os elementos estruturais, ção de edifícios em alvenaria e nas soluções directamente relacio-
de modo a cobrir um espaço ou um vão? nadas com:
• Como combinar os diversos blocos por forma a obter os perfis
geométricos desejados? • a escolha do tipo de associação e de combinação dos blocos
• Que dimensões dar às secções resistentes de cada elemento rígidos e das argamassas, de forma a obter um determinado
estrutural, de modo a suportarem os pesos permanentes e a elemento estrutural;
resistirem o melhor possível às calamidades naturais? • a definição do tipo de combinação e de ligação dos diversos
elementos estruturais para obter estruturas capazes de cobrir
um ou vários espaços.

O ENQUADRAMENTO HISTÓRICO DOS GRANDES Estas formas de composição dos diferentes elementos estrutu-
SISTEMAS CONSTRUTIVOS TRADICIONAIS rais que compunham uma célula, e por sua vez as formas de com-
posição das células entre si, eram condicionadas pelo conhecimento
tecnológico e pela cultura arquitectónica dos seus construtores.
Na análise feita procurou-se primeiro enquadrar historicamente
as soluções arquitectónicas e o desenvolvimento da concepção
das estruturas em alvenaria. As informações gerais das introdu- TIPOLOGIAS DE COMBINAÇÕES DE BLOCOS E ARGAMASSAS
ções e as explicações históricas de uma determinada técnica, dadas
pela maioria dos tratados gerais, não eram porém suficientes. Reve- Na identificação dos sistemas construtivos seguiu-se a classifi-
lou-se, por isso, fundamental o recurso a um conjunto de obras cação das estruturas tradicionais segundo a sua constituição in-
que foram publicadas, na sua maior parte no final do século XIX, terna ou “esqueleto” estabelecida por Milani2:
nas quais se reflectia sobre as diversas formas de conceber estrutu-
ras em alvenaria para edifícios, ao longo da História. Neste campo 1. Estruturas com esqueleto anelástico ou rígido: obtidas
constituíram referência obrigatória os autores já referidos no capí- por blocos elementares em pedra (talhada ou mais ou

71
menos irregular) ligados por argamassa, ou por tijolos e Portugal ou aos sistemas “ingabbiati” dos italianos. Sobre a sua
argamassa. utilização uma das primeiras referências existentes é a apresen-
2. Estruturas com esqueleto elástico: totalmente realizadas em tada, em 1751, na Encyclopédie de Diderot e d’Alembert, na parte
madeira ou em ferro; alvenarias armadas com madeira ou dedicada à Carpintaria. Nesta referência são apresentados os “últi-
com ferro; estruturas em betão armado. mos aperfeiçoamentos” do sistema e mostrados diversos alçados
com o esqueleto em madeira, comme on les faisait il ya environ
A distinção entre o primeiro e o segundo grupo é uma cons- 150 ans, et à la moderne.
tante nos tratados analisados. As alvenarias eram tratadas, regra
geral, num volume independente, frequentemente intitulado Cons-
trução em Pedra ou Alvenarias, enquanto que as construções em
madeira eram tratadas num outro volume denominado Constru-
ções em Madeira ou Carpintaria.
Paralelamente aos tratados gerais, surge, ao longo de todo o
período estudado, a publicação de obras específicas dedicadas à
construção em alvenaria de pedra ou tijolo e outras dedicadas
à arte da carpintaria. Esta distinção não era baseada somente no
diferente comportamento estrutural destes dois grupos de estrutu-
ras mas também na divisão de profissões e de actividades, entre
maçons e carpinteiros, entre a arte da alvenaria e a arte da carpin-
taria.
Os pontos de contacto destas duas artes, na construção de alve-
narias, eram porém vários, salientando-se:

• a construção de estruturas auxiliares e provisórias: andai-


mes e simples3 para arcos e abóbadas;
• a arte da Estereotomia que, como se verá mais adiante, era
tratada nas mesmas obras especializadas; Fig. 2.1 / Sistemas “modernos” de gaiola propostos na Encyclopédie.
• a construção dos telhados e, por vezes a construção dos
pavimentos, tectos e paredes divisórias.
A estes sistemas com esqueleto em madeira estava associada a
construção antisísmica de edifícios. Milizia refere-se, em 1781,
Obedecendo a esta divisão geral da Arte de Construir, as cons-
às suas vantagens no capítulo do seu tratado Delle case per i tre-
truções com esqueleto em madeira preenchido por alvenaria de
muoti:
pedra irregular, eram apresentadas sempre nos volumes dedica-
dos à Carpintaria. Este tipo de construção já era usado pelos Roma-
Per difendersi da’ tremuoti vogliono esser case di legno, ma in maniera
nos como opus craticium4, em paredes divisórias rebocadas. Con- che ciascuno pezzo sia cosi ben connesso e incassato cogli altri, che
sistia no enchimento de estruturas reticuladas em madeira por formino tutti insieme una sola massa. Non devesi questa massa
alvenaria de pedra irregular, aligeirada com argamassa de pedaços piantare o fondare in terra, ma posare soltanto sopra un pavimento di
de cerâmica numa pasta de palha e argila. pietre più grande della casa. L’altezza di questa casa non deve eccedere
la sua larghezza o la sua lunghezza, piuttosto sia un tantino minore.
Estes sistemas continuaram, depois do período Romano, a ser In questa guisa per qualunque scossa il centro di gravità rimarrà sem-
utilizados durante a Idade Média, dando origem à construção em pre dentro la sua base. Le scosse potranno farla tremare, ma non mai
“collombage” muito difundida em França, à chamada “gaiola” em rovesciare, né precipitare, come le case di muro: ella è una cassa.5

72
Não é por isso de estranhar a utilização deste sistema na recons- da argamassa usada para os ligar. A forma e dimensões de
trução da baixa pombalina de Lisboa, alguns anos depois da sua cada bloco são geralmente condicionadas pelo processo uti-
descrição detalhada na Encyclopédie, entre outras razões, porque: lizado para a extracção e para o talhe das pedras ou pelas
dimensões e tipo de tijolos. Os blocos chegam ao local de
• o sistema de gaiola se baseava num esqueleto de madeira construção sem serem individualizados e cada bloco pode
conceituado pela sua boa resistência aos sismos; ser utilizado à priori em qualquer zona da alvenaria.
• o sistema em gaiola era na altura o sistema “mais moderno” As alvenarias ordinárias distinguem-se em grandes gru-
existente para esqueletos de madeira. pos, dependendo do modo como são posicionados cada um
dos blocos entre si.
Retomando o grupo de estruturas com esqueleto anelástico ou No caso das alvenarias de tijolo, em que cada bloco tem
rígido, é possível afirmar que a sua subdivisão encontra origem, em uma dimensão estandardizada e, de modo a garantir o mono-
parte, na primeira classificação apresentada por Vitrúvio, citada litismo, a sua posição e ordem de assentamento, obedecem
sempre de forma mais ou menos explícita em todos os tratados ana- a regras precisas e bem definidas: o “aparelho”. No caso de
lisados. Esta divisão pode ser resumida em três tipologias principais: uma alvenaria ordinária de pedras irregulares a disposição

a) Alvenarias de pedra talhada – nas quais os blocos de pedra


desempenham a parte resistente propriamente dita, depen-
dendo a sua forma e as suas dimensões da posição específica
que ocupam no resto da estrutura.
A esta tipologia correspondem as estruturas de sistema
trilítico6 e as estruturas de sistema abobadado. No primeiro
caso o esqueleto é constituído por colunas e arquitraves
(ordem arquitectónica arquitravada). No segundo caso o
esqueleto é constituído pela combinação de aduelas e juntas
radiais, em que cada aduela tem uma função resistente e
ocupa uma posição específica (ordem arquitectónica de arco
e abóbada)7.
b) Alvenarias ordinárias – usadas sobretudo no sistema de arco
e abóbada, são tradicionalmente apresentadas de uma forma
muito genérica, congregando diversos tipos de alvenarias:
• alvenarias de pedra irregular e argamassa – grosseira-
mente esboçadas ou em bruto, com blocos de dimensões
variadas;
• alvenarias de tijolo, ou de tijolo e pedra, misturados com
argamassa;
• alvenarias de concreção, obtidas por moldagem de betões
tradicionais.
Este grupo é caracterizado pela pouca relevância assu-
mida pela forma dos blocos antes de serem assentes em Fig. 2.2 / Alvenarias de pedra talhada e mistas usadas na Antiguidade Clássica,
obra e pela importante função de aderência e de resistência segundo Girolamo Masi.

73
de cada pedra é escolhida para assegurar o melhor trava- • o sistema trilítico;
mento entre blocos, reduzindo o espaço entre eles. • o sistema de arcos e abóbadas.
Por fim, e no caso dos betões primitivos, formigões e alve-
narias cimentícias ou concrecionais, as dimensões dos blo- No primeiro caso, o esqueleto é constituído por arquitraves
cos são tão reduzidas que a forma de cada um deles não é que vencem os vãos principais, apoiando-se sobre paredes, pilas-
relevante. No entanto, e de modo a garantir a homogenei- tras ou colunas. Estas descarregam por sua vez sobre maciços de
dade e a evitar a segregação dos inertes, são seguidas regras fundação, denominados “plateias”. Sobre as arquitraves são geral-
simples tais como a disposição em camadas de uma espes- mente colocadas lastras de pedra de modo a cobrirem os diversos
sura limitada, seguida de apilonamento e compactação. Este espaços ou divisões de um edifício. Este sistema está na base das
grande grupo de alvenarias nascido com o opus caementi- ordens arquitectónicas denominadas arquitravadas.
tium e o opus lateritium dos romanos, como se verá mais No segundo caso, o esqueleto é constituído pela combinação
adiante em detalhe, nunca deixou de ser utilizado, pela sua de blocos denominados “aduelas”, dispostos radialmente em estru-
versatilidade e construção expedita, na construção dos turas denominadas arcos ou abóbadas. Cada aduela é indispensá-
diversos elementos estruturais simples (fundações, paredes, vel à estabilidade da estrutura, ocupando uma posição específica
arcos e abóbadas). que é função da sua forma.
Os sistemas abobadados caracterizam-se por conduzir as cargas
c) Finalmente, uma terceira tipologia consiste nas alvenarias
a zonas singulares da estrutura complexa. As abóbadas, destinadas
constituídas por um núcleo resistente de alvenaria ordiná-
a cobrir os espaços e a suportar pavimentos, podem descarregar o
ria, revestido de pedra talhada, de tijolo ou de reboco. Em
seu peso sobre arcos ou directamente sobre as paredes.
certos casos, a pedra talhada ou os tijolos têm só funções
Os arcos por sua vez podem ter como apoio colunas, pilastras
de revestimento e de decoração, enquanto que noutros, esses
ou paredes. As pilastras, colunas e paredes apoiam-se sobre maci-
elementos assumem funções resistentes na cobertura de
ços de fundação.
vãos e em detalhes construtivos vários.
O sistema arquitravado foi utilizado essencialmente por Egíp-
Este último grupo de alvenarias teve o seu grande impulso
cios e Gregos, obedecendo a determinadas proporções entre fuste,
durante o Império Romano e deu origem ao sistema de cons-
pedestal e entablamento de colunas, de pilastras, de arquitraves e
trução reutilizado em Itália a partir do Renascimento e bas-
de cornijas. Essas relações geométricas e aritméticas eram tradu-
tante difundido em Portugal, Espanha e França.
zidas por construções gráficas, destinadas a obter simetrias, efeitos
de repetição e ilusões ópticas8.
A utilização de cada um destes tipos de alvenaria implicou, ao
Este sistema teria a sua origem na arquitectura de madeira.
longo dos séculos, o desenvolvimento de sistemas abobadados
Segundo Vitrúvio, na Grécia, a construção dos primeiros templos
específicos para a cobertura de vãos e espaços.
teria sido inicialmente executada com troncos, vigas e tábuas de
madeira, sobre um podium de pedra, servindo o frontão para intro-
duzir a luz na construção. O tronco teria dado lugar à coluna, as
SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DE CARGAS vigas teriam sido substituídas pelas arquitraves e as tábuas entre
NA COBERTURA DE VÃOS E DE ESPAÇOS vigas, imitadas com lajes de pedra. Em certos casos, as próprias
telhas de cobertura e de decoração em argila teriam passado a ser
A pedra talhada executadas em pedra.
Esta “petrificação” das construções teria ocorrido a partir do
A construção em pedra de talha, largamente utilizada na Anti- século VII a. C, segundo Choisy, e corresponderia a uma etapa
guidade pelos Egípcios, Persas, Gregos e Romanos, utilizou como inicial na execução do talhe da pedra, acompanhada por um aper-
sistemas construtivos principais: feiçoamento dos utensílios metálicos de corte.

74
A CONCEPÇÃO DOS ELEMENTOS ARCOS E ABÓBADAS
ESTRUTURAIS PRINCIPAIS
A compreensão dos princípios e regras de concepção de arcos
e abóbadas exige conhecer em primeiro lugar a variedade dos perfis
descritos nas diversas obras, que obedeciam a leis precisas classi-
Neste subcapítulo abordam-se as regras de concepção propria-
ficadas de Leis do Desenho.
mente ditas, dos elementos estruturais principais: arcos, abóbadas,
Para este fim importa distinguir as obras que descrevem as
paredes, colunas e pilastras, elementos salientes e em consola e
regras do aparelho da pedra talhada, das obras relativas à constru-
finalmente fundações.
ção com tijolos. Essas regras foram classificadas em “Leis da Este-
As abóbadas ocupavam geralmente a maior superfície em
reotomia para a pedra talhada” e em “Regras de aparelho de alvena-
planta e eram posicionadas superiormente a arcos, a paredes, a
rias ordinárias”, embora em geral as leis da Estereotomia para a
colunas e pilastras sobre os quais descarregavam o seu peso
pedra talhada constituíssem a base e o “modelo” para a concepção
próprio e eventuais sobrecargas de utilização. Os arcos, se repre-
de qualquer arco ou abóbada.
sentados em planta, não eram geralmente mais largos que a espes-
Para a compreensão das regras de concepção de arcos e abóba-
sura das paredes portantes.
das com alvenarias de tijolo, revelaram-se suficientes os tratados
As abóbadas eram concebidas de modo a:
genéricos de Rondelet, Breymann e Formenti, complementados
• cobrir um determinado espaço e definir um determinado com obras especializadas, como a Description des appareils de
volume de um edifício; maçonnerie les plus remarquables employés dans la construction
• a resistir às cargas e sobrecargas de um pavimento instalado en brique (1865) de Gautry ou as Observaciones sobre la pratica del
sobre o seu extradorso; arte de edificar por el arquitecto (1841) do espanhol Manuel Fornés
• transmitir as sobrecargas e o seu peso próprio aos arcos ou Gurrea, relativas às abóbadas de tijolo. Para as abóbadas de tijolo
directamente aos pés-direitos; ao chato foi fundamental a consulta da obra de Félix François
• apresentar um intradorso com um aspecto estético determi- d’Espie (1754) e do manual de Claudel e Laroque. Para as aboba-
nado. dilhas à alentejana foi muito importante o artigo de João Maria
d’Aguiar publicado em 1891 na Revista de Engenharia Militar29.
Um arco era concebido de modo a: Para arcos e abóbadas em pedra talhada, as obras indispensá-
veis foram sem dúvida os tratados de Estereotomia de Frézier, La
• vencer o vão entre os apoios;
théorie et la pratique de la coupe des pierres et des bois pour la
• resistir às cargas descarregadas sobre o seu extradorso (por
construction des voûte (1737-39); de Leroy, Traité de stéreotomie
exemplo parte do peso de uma abóbada ou de um pavimento
(1845); e de Toussaint, Nouveau manuel complet de la coupe des
de madeira);
pierres (1845)30.
• transmitir aos pés-direitos as sobrecargas e o seu peso pró-
A Estereotomia preocupava-se com o estudo do corte a dar a
prio;
um volume sólido qualquer, de modo a obter um volume com
• limitar o movimento dos pés-direitos que suportavam as
uma forma geométrica definida. Baseava-se na representação num
abóbadas, quando a estrutura estivesse sujeita a acções hori-
plano, de superfícies cilíndricas, esféricas, elípticas, cónicas,
zontais.
ovóides, tóricas e helicoidais de modo a definir a forma de um
arco ou de uma abóbada.
Para facilidade de exposição, dividiram-se estas regras de con-
Para além da definição geométrica de toda a estrutura em pe-
cepção em três grandes categorias:
dra procurava resolver o problema da sua divisão em blocos e os
• Princípios e regras do Desenho. problemas práticos de execução. Nestes tratados, a informação
• Princípios e Regras de Estereotomia e de Aparelho. útil pôde ser dividida em três componentes principais:

80
1. As regras relativas à construção geométrica dos perfis dos plûpart de ceux qui se donnent pour tels, n’ont que le métier de leur
arcos e abóbadas. art, malgré les cours publics qui leur sont offerts à Paris pour
s’instruire.32
2. As regras relativas à determinação do número, ordem e
forma dos blocos, destinados a uma geometria particular
dos arcos e abóbadas. Todas estas regras estavam intimamente relacionadas entre si
3. As regras relativas à execução prática do corte a partir de e implicavam posteriormente processos específicos de montagem
moldes, cérceas e escantilhões aplicados sucessivamente a dos blocos, que serão apresentadas no quarto capítulo.
cada uma das faces do bloco a talhar31.

A Arte do Desenho
Os dois primeiros grupos de regras eram do conhecimento de
um número restrito de arquitectos, de mestres e de aparelhadores
O estudo geométrico dos arcos e abóbadas esteve sempre liga-
e tinham dois objectivos principais:
do ao conhecimento da Estereotomia. Saber desenhar o perfil de
um arco ou abóbada significava saber “traçar”.
• A concepção e definição da solução arquitectónica e estru-
Esta “Arte do traço” nasce da fusão de diversas técnicas que
tural.
até ao século XVIII eram ensinadas de forma autónoma. Frézier
• A elaboração e produção dos moldes ou cérceas, escantilhões
divide ainda o seu tratado em quatro partes relativas a técnicas de
e sutas.
representação distintas33:

Todos os esforços desenvolvidos na fase de definição estereotó- • A Tomorfia – representação das curvas obtidas pela inter-
mica traduziam-se finalmente em desenhos de execução em tama- secção de sólidos côncavos ou convexos com superfícies
nho natural que eram depois aplicados pelos canteiros para o corte planas ou curvas.
dos diversos blocos. O conhecimento dos executantes limitava-se • A Tomografia – representação das linhas curvas sobre super-
geralmente à terceira e última categoria de regras. Não é por isso fícies planas ou curvas.
de estranhar a auréola de mistério e segredo com que arte da can- • A Iconografia – representação da projecção de um sólido
taria esteve e está ainda hoje envolvida. A definição estereotómica sobre um plano horizontal e a Ortografia – projecção do
era desempenhada por uma categoria de profissionais distinta mesmo sólido sobre um plano vertical.
daquela à qual era entregue a execução do corte propriamente • A Tomotécnia ou “Arte da talha” – a produção de moldes e
dito. Cada uma das operações era realizada muito provavelmente medidas de ângulos e a sua aplicação a blocos em bruto,
em momentos e locais específicos e diversos, de modo a não deixar normalmente paralelepipédicos, de modo a talhá-los e redu-
revelar o “segredo” do processo total. Do canteiro-aparelhador, a zi-los às formas pretendidas.
Enciclopédia fornece uma definição detalhada:
Para poder representar as superfícies, cortes e perfis dos arcos
Appareilleur, s. m. (Architecture) est le principal ouvrier chargé de e abóbadas (procedimento que passou a ser feito sistematicamente
l’appareil des pierres pour la construction d’un bâtiment; c’est lui qui
trace les épures par panneaux ou par écarissement, qui préside à la em planta e alçado a partir do tratado de Frézier) começava-se
pose, au raccordement, &c. Il serait nécessaire que ces sortes d’ouvriers pelo estudo das figuras geométricas resultantes:
sûssent dessiner l’Architecture, cette science leur apprendrait l’art de
profiler, & de former des courbes élégantes, gracieuses, & sans jarrets; • das intersecções de cilindros, cones e esferas por planos;
il serait aussi très important qu’ils fûssent mathématiciens, afin de
pouvoir se rendre compte de la poussée des voûtes, du poids, de la • das intersecções de duas esferas, de dois cones, de dois cilin-
charge & du fruit qu’il convient de donner au mur, selon la diversité dros, de um cilindro com um cone, de um cilindro com uma
des occasions qu’ils ont d’être employés dans les bâtimens; mais la esfera, de uma esfera com um cone.

81
Passava-se depois ao traçado de curvas sobre uma superfície A definição do perfil dos arcos
plana (arco de circunferência conhecido ou não o centro, elipse,
parábola, hipérbole, espiral), sobre superfícies convexas ou côn- A escolha da forma de um arco dependia, para além do gosto
cavas (representação do círculo ou da elipse sobre uma esfera, estético do período em que a construção era executada:
um cone ou um cilindro) e ao desenho de poliedros e figuras espa-
ciais, em particular os anéis circulares ou elípticos e os volumes • da função a que se destinava;
de revolução baseados em ciclóides e elipses. • da dimensão do vão a vencer e da secção dos pés-direitos;
Após a descrição geral de curvas, superfícies e volumes, estu- • do volume de alvenaria e das cargas que eram descarregadas
dava-se a construção geométrica dos arcos e das abóbadas. Estas sobre o seu extradorso;
últimas podiam ser: • do tipo de alvenaria utilizado;
• da mão-de-obra disponível e da dificuldade no corte dos
• Simples – abóbadas planas horizontais ou inclinadas, cilín- blocos.
dricas ou de berço elevadas ou rebaixadas, cónicas ou trom-
pas, esféricas, esferóides elevadas ou rebaixadas, anulares, Os perfis mais comuns eram traçados a partir de construções
helicoidais. geométricas baseadas em arcos de círculo. Tomando a relação entre
• Compostas – abóbadas obtidas pela composição de superfí- o vão “v” e a flecha “f ” era comum a seguinte classificação:
cies cónicas com superfícies cilíndricas ou obtidas a partir
de superfícies anulares e conóidais. v
=2 para arcos de volta inteira ou volta perfeita;
f
As abóbadas compostas constituíam o grupo de construção v
geométrica mais complexa. 5> >2 para arcos abatidos;
f
Para além da construção geométrica das abóbadas singulares, v
estudavam-se também as composições obtidas pelas suas inter-
1 <
3 <2 para arcos elevados34.
f
secções:
Sempre que o arco de círculo fosse superior a 180º, o arco era
• de cilíndricas com cónicas; denominado ultrapassado ou em ferradura.
• de cilíndricas com esféricas; Os arcos abatidos, também denominados de sarapanel, podiam
• entre cilíndricas, entre cónicas e entre esféricas; ser obtidos a partir de um segmento de arco de volta perfeita e
• de cónicas com esféricas; denominavam-se arcos abaulados. Eram também correntes os
• de cilíndricas, cónicas e esféricas com anulares; arcos abatidos semi-elípticos, semi-ovais ou em asa de cesto ou
• de helicoidais com esferóides e cilíndricas. ansa. Os arcos em asa de cesto eram traçados a partir de um nú-
mero ímpar de arcos de círculo (com 3, 5, 7, 9 ou 11 centros)
No entanto, todo este conhecimento teórico da geometria não unidos tangencialmente e denominados segundo o número de
bastava para a definição na prática de um determinado perfil de centros. No caso por exemplo de 3 centros eram chamados arcos
v
um arco ou abóbada. Para esta definição contribuíam outras regras de escarção. Estes arcos eram utilizados para relações 2< f <3.
que se destinavam a tipos de alvenaria específicos, a determinadas Os arcos elevados mais comuns em Portugal e Itália eram em
limitações funcionais dos edifícios, a soluções estruturais preci- geral quebrados no fecho, também denominados pontiagudos ou
sas ou que resultavam de uma prática empírica que se ia transmi- de ponto, constituídos por dois arcos de círculo que se intersecta-
tindo ao longo das diversas gerações. vam no fecho. Os centros dos arcos de círculo podiam encontrar-
-se a um nível superior ao da imposta. Neste caso chamavam-se
lanceolados ou em forma de lança.

82
Fig. 2.10 / Traçado de abóbadas em leque. À direita exemplo de pendural.

Fig. 2.11 / Construção geométrica de uma abóbada ogival de liernes e terciarões.

Para as abóbadas, ambos os grupos de regras eram indispensá-


veis, pois estavam intimamente ligados e dependentes uns dos
outros. No que se refere aos arcos, a divisão em blocos era sobre-
tudo determinada pelo segundo grupo.
Nas obras estudadas identificaram-se quatro grandes tipos de
aparelho para as fiadas das abóbadas em pedra talhada:

• O aparelho por anéis adjacentes – com as fiadas dispostas


em arco e adjacentes umas às outras, perpendiculares ao
eixo principal da abóbada48.
• O aparelho por fiadas longitudinais ou por bancadas49 – em O aparelho por anéis adjacentes corresponderia ao aparelho
que as juntas dos leitos dos blocos são paralelas à linha de usado pelos Romanos nas abóbadas de berço52, sendo aconselha-
fileira ou fecho. do sobretudo para as abóbadas cilíndricas ou de canhão.
• O aparelho por travessões ou barrotins50 – com as fiadas O aparelho por fiadas longitudinais ou bancadas era recomen-
dispostas obliquamente em relação aos eixos principais das dado para as abóbadas cilíndricas, de canhão, de barrete de clérigo,
abóbadas, reunindo-se duas a duas, em V, sobre as linhas para os quartos das abóbadas de aresta e de ogiva, para os compar-
de fileira. timentos das abóbadas de painéis independentes sobre nervuras
• O aparelho em “panache”51 – usado em abóbadas cónicas, e para as abóbadas de pendentes53. O aparelho por travessões era
com fiadas segundo o eixo de revolução, de altura decres- sobretudo utilizado para a realização dos quartos das abóbadas
cente e convergente à medida que se aproximava do vértice. de aresta e para o preenchimento dos compartimentos das abóba-

87
III

A PREPARAÇÃO E A COMPOSIÇÃO DE MATERIAIS

Neste capítulo abordam-se os processos operativos de pre- A compreensão destes princípios e procedimentos executivos
paração dos materiais singulares utilizados na fabricação de alve- requereu, como a Ciência de Conservação de edifícios o exige,
narias, descritos na bibliografia recolhida. Para este efeito foram uma abordagem combinada do ponto de vista da Mecânica, da
revistos os cuidados na: Matemática, da História, da Física, da Química, da Petrografia e
da Mineralogia.
• Preparação dos blocos elementares:
– Extracção e trabalho da pedra antes da colocação;
– Fabricação de blocos cerâmicos;
• Escolha dos materiais ligantes e dos agregados destinados A PREPARAÇÃO DOS BLOCOS ELEMENTARES
às argamassas;
• Preparação da argamassa como material compósito de liga-
ção dos blocos elementares; Hoje em dia, a produção industrial de tijolos é objecto de nor-
• Preparação da argamassa como material básico dos betões. mativas nacionais e de normativas experimentais europeias relati-
vas aos testes de recepção e de controlo da qualidade. Em Portugal,
Presentemente, os fenómenos envolvidos nestes processos são está disponível a norma NP 80 – Tijolos para alvenaria. Caracte-
explicáveis do ponto de vista da Física, da Química e da Minera- rísticas e ensaios, de 1964, e foi recentemente publicada a pré-
logia. No entanto, em tempos passados, a sua apresentação era -norma europeia EN 771-1 para a produção controlada de elementos
feita à luz dos conhecimentos científicos da época, correspon- resistentes em cerâmica. Brevemente será publicada a EN 771-2
dendo à evolução e aprofundamento das diversas ciências. para a produção controlada de elementos resistentes em pedra
A citação e a análise de grande parte das recomendações recolhi- natural1. Contudo, para a conservação de edifícios antigos em alve-
das foram por isso devidamente contextualizadas no estado do naria realizados com materiais que não obedeciam aos mesmos
conhecimento científico do período em que foram escritas. A utili- critérios de controlo de qualidade de hoje, ao conhecimento das
zação destas referências justifica-se, ao longo do texto que se segue, presentes prescrições normativas, deve ser associado o das varian-
porque: tes e limitações das antigas produções.
Nos diversos tratados gerais estudados, a informação relativa
• se trata de recomendações mencionadas frequentemente, ao corte das pedras era normalmente incluída nos capítulos dedi-
mesmo em épocas e regiões geográficas distintas; cados aos materiais de construção. Trata-se normalmente de infor-
• revelam o aperfeiçoamento e ou a confirmação de práticas mação relativa aos tipos mais comuns de pedra existentes na região
ancestrais; ou país conhecidos pelos autores dos tratados, aos diversos modos
• mesmo que não apresentadas com base científica, encon- de extracção, de transporte e de acabamento das suas superfícies.
tram a sua confirmação e reforço à luz dos conhecimentos A componente da informação relativa à extracção e ao trans-
actuais. porte revelou-se de utilização limitada para os objectivos do

157
presente estudo. Pelo contrário, as diversas formas de trabalho A vulgarização da mecanização nesta fase ocorreu só no final
das superfícies dos blocos descritas nestas obras permitiram iden- do século XIX, com a introdução de perfuradoras, primeiro a vapor
tificar os instrumentos utilizados nos paramentos, nas juntas e (a partir de 1860) e depois pneumáticas (a partir de 1890). Sensi-
nos leitos, e compreender a sua finalidade em cada uma das fases velmente neste período, apareceram também as serras sem fim
de acabamento. (ou fios torcidos em hélice), que começaram por permitir um
É também possível constatar que as obras dedicadas exclusiva- avanço de corte de 10 cm por hora para os calcários mais duros3.
mente aos materiais de construção, sobretudo a partir da segunda Em Portugal, os métodos tradicionais utilizados até ao final do
metade do século XIX, preocupavam-se nomeadamente com a ex- século XIX, consistiam no desmonte por entalhes, introduzindo
plicação dos últimos conhecimentos (para a época) relativos à cunhas de madeira, palmetas de ferro, ou alavancas. As cunhas
classificação das pedras. de madeira eram banhadas de modo a dilatarem e fissurarem a
O nível de informação indicado, no que se refere à escolha da pedra envolvente. As picotas de ferro eram manobradas indivi-
qualidade das pedras, reflectia em geral a evolução do conheci- dualmente ou batidas alternadamente com duas marretas e segu-
mento no campo da Química e da Mineralogia, mas pouco ou radas por uma terceira pessoa4. Outro método corrente era o deno-
nada era dito sobre a prática quotidiana nos estaleiros ocupados minado “por arranque” e consistia na abertura de galerias debaixo
com a preparação dos blocos. Por estas razões foram os tratados da zona a desmontar, de modo a provocar o abatimento do tecto
de Estereotomia uma vez mais, como para as técnicas de concep- de escavação.
ção, a constituir as fontes bibliográficas mais úteis à investigação. As serras eram utilizadas só numa fase posterior, para cortar
No que se refere ao conhecimento dos processos de fabricação blocos mais pequenos prontos para serem talhados com dimensões
tradicionais de tijolos revelou-se muito útil o artigo da Enciclopé- precisas. No caso de blocos em bruto de pequenas dimensões,
dia de Diderot e d’Alembert dedicado à palavra “brique”, assim utilizou-se com frequência a pólvora a partir do século XVII e a
como o artigo de Pareto e Sacheri da Enciclopedia delle arti e indus- dinamite já no final do século XIX.
trie (1878-1898). Foram depois consultadas obras especializadas2 O aceno superficial aos antigos métodos de extracção, de pouca
como o Manual de Tecnologia do alemão Von Poppe, na sua versão aplicação actualmente, serve sobretudo para recordar a morosida-
italiana de 1821, e as descrições detalhadas dedicadas à manu- de, o custo económico e as limitações físicas, que todo o processo
factura de tijolos nos tratados de Rondelet, Valadier, Milizia e de extracção tradicional dos blocos de pedra, implicava. Na ver-
DeCesare, de Musso e Copperi e de Formenti. dade, a escolha das pedras utilizadas nos edifícios que chegaram
até nós dependia:

BLOCOS DE PEDRA • do método de extracção e do seu custo;


• da facilidade e custo do transporte;
• da facilidade de laboração e do custo da mão-de-obra.
Os cuidados tidos na extracção e a importância da primeira triagem

Nos casos de construções simples ou de pouca importância, Independentemente de se desejarem blocos irregulares ou ta-
as pedras a utilizar na construção de muros eram geralmente obti- lhados, era fundamental a primeira escolha feita logo na pedreira.
das por simples recolha nas zonas fluviais (calhaus rolados, seixos) O leito era primeiramente analisado, seguindo-se o primeiro des-
ou encontradas à superfície dos solos de forma errática. baste grosseiro. Consideravam-se as pedras da bancada mais super-
As “cavas” de pedreiras, por sua vez, foram exploradas tradi- ficial as mais resistentes, se intactas, pois teriam sido directamente
cionalmente com processos manuais muito simples, executados sujeitas às intempéries. Se defeituosas, eram rejeitadas e explora-
pelos “cavouqueiros”, sendo as dimensões máximas dos blocos das as bancadas subjacentes.
trabalhados limitadas pelo tipo de pedra e pelos meios disponíveis As pedras eram inicialmente classificadas em função da facili-
para a sua extracção. dade com que poderiam ser trabalhadas, em:

158
• duras ou compactas (certos calcários, granitos, ardósias); par exemple, les angles des corniches, les colonnes et leurs chapiteaux
• macias ou brandas (calcários, grés, arenitos). surtout, qui sont frappés dans tous les sens et par la pluie et par l’air
humide, sont bien plus fortement exposés à leur action destructive
que le parement d’un mur, qui n’offre qu’une face plane à l’air.[…] Il
À maior dureza e compacidade estava associada uma maior s’agissait de choisir parmi les pierres des environs de Paris celles qui,
durabilidade às acções da água sob a forma de escorrimento, humi- par leur solidité, la hauteur de leur appareil et la finesse de leur grain,
dade e gelo. A “reputação” de uma determinada pedra provinha seraient susceptibles de servir à exécuter les grands chapiteaux
corinthiens de l’Eglise de la Madeleine.6
das provas de comportamento dadas pelo seu uso em construções
anteriores. Para pedreiras novas eram previstos testes empíricos
No final do século XIX, aos processos mais comuns de degra-
de durabilidade, como os descritos na seguinte citação:
dação, veio juntar-se a poluição atmosférica. A partir da elevada
produção de gases de combustão de carvão e lenha nas cidades
Lorsque ce sont de nouvelles carrières que l’on exploite, il est bon
d’en tirer des blocs dans toutes les saisons de l’année; d’en exposera à industrializadas da Europa, como Londres e Paris, as pedras bran-
l’air, à l’eau, à l’humidité, à la gelée et même à l’action du feu. 5 das tradicionalmente usadas foram sendo substituídas por outras
mais resistentes à poluição e às intempéries. Esta tendência foi
Por sua vez, a escolha e a definição da qualidade da pedra era potenciada pelo advento do caminho-de-ferro que passou a per-
feita tendo em conta a posição e a função do bloco na alvenaria. mitir o transporte de grandes quantidades de pedra de natureza
A partir de um espectro de vários tipos de pedra conhecidos pelo diversa, de pedreiras que podiam assim já situar-se a maiores dis-
projectista ou pelo mestre da obra e disponíveis na zona a edificar, tâncias7.
eram escolhidas as diversas qualidades de pedra para as diferen- Definida por vezes logo na fase do projecto, a natureza e a
tes posições a ocupar no futuro edifício de alvenaria. As pedras qualidade das pedras a utilizar eram finalmente confirmadas ou
macias, embora menos duráveis, eram as preferidas para os blo- alteradas na fase de preparação dos blocos elementares, em fun-
cos que seriam mais decorados e para o preenchimento das zonas ção da sua disponibilidade em pedreiras vizinhas do estaleiro, e
alveolares das abóbadas. As pedras duras, pouco porosas e mais dos meios económicos ao dispor do dono da obra.
resistentes, eram reservadas às fundações e aos elementos por- As pedras duras eram primeiramente cortadas em grandes blo-
tantes. cos e só depois divididas em blocos mais pequenos, segundo as
Nas obras analisadas esta correspondência entre função-posi- necessidades. Consoante a espessura das bancadas nas pedreiras,
ção de um bloco de pedra e a sua natureza é raramente explicitada. assim se chamavam pedras de alto (superior a 35 cm), médio (en-
No entanto, são comuns as referências a Vitrúvio que no Livro II, tre 20 e 35 cm) ou baixo aparelho (menor que 20 cm)8. As pedras
Cap. VII, faz uma primeira distinção entre pedras macias (desti- de alto aparelho eram destinadas aos tambores de colunas, a
nadas a elementos decorativos e a zonas em elevação protegidas, arquitraves e a basamentos. As de médio e baixo aparelho eram
mas em geral pouco resistentes ao gelo e ao fogo) e pedras duras destinadas a aduelas de abóbadas e arcos assim como a forros de
menos gelivas. cantaria em geral, cimalhas, espelhos, e cobertores de escada. Os
Assim, as pedras que pareciam comportar-se melhor à geada e blocos mais pequenos eram reservados às fundações e ao enchi-
à humidade, sem inclusões ou veios passíveis de induzir descola- mento dos núcleos dos muros em alvenaria ordinária.
mentos ou fracturas, eram as destinadas às superfícies aparentes.
As outras eram reservadas para o interior dos muros e zonas de Appareil – On dit aussi qu’une pierre ou assise est de bas appareil,
fundações. quand elle ne porte que douze ou quinze pouces de hauteur, & de
haut appareil quand elle en porte vingt quatre ou trente. 9
Outros autores, como Rondelet, descrevem estes critérios empí-
ricos de escolha, assumindo-os como uma prática corrente:
Os blocos irregulares destinados às alvenarias ordinárias não
Il est certain que toutes les parties extérieures d’un édifice ne sont eram quase trabalhados. Estes blocos de diversas dimensões10 e
pas également exposées à l’action destructive du froid et de l’air; ainsi, parcialmente talhados são objecto de uma descrição na obra de

159
Para esse efeito, usavam-se estrados de Antiga, e que foi depois utilizado pelos Ro-
madeira, de modo a isolar os blocos do ter- manos para trabalhos artísticos.
reno, cobrindo-se as zonas de armazenagem A utilização do tijolo remontaria a tem-
para proteger os blocos da chuva. Para ele- pos muito mais antigos. Os primeiros tijolos
mentos decorativos importantes procedia- utilizados nas antigas civilizações asiáticas
-se ao seu empacotamento com palha e ma- seriam apenas secos ao Sol. Na Babilónia, a
deira. Na fase de transporte, era comum o alvenaria de tijolos era ligada com uma arga-
uso de estopa ou de palmetas de madeira massa, misturada com palha e caniços.
que evitavam a quebra das arestas ou o corte Sobre este assunto, a Enciclopédia, na pala-
das cordas. vra “Brique” começa por citar a descrição
Para além dos cuidados de acondiciona- de Goux de la Boulaye, um viajante que atra-
mento, as obras analisadas são ainda ricas vessou a Mesopotâmia, em 1645:
na apresentação dos diversos métodos de
transporte de blocos de grande dimensão. Outros há que falam de uma área com um perí-
Na Antiguidade Clássica, os blocos seriam metro de cerca de trezentos passos, situada a
um dia e meio do ponta da Mesopotâmia e pra-
içados um a um por máquinas simples des- ticamente equidistante do Tigre e do Eufrates e
multiplicadoras e frequentemente talhados que consideramos serem as ruínas da famosa
de forma a apresentar “orelhas” salientes ou Torre de Babel; dizem que é construída com ti-
embutiduras às quais eram ligadas cordas jolos crus secos ao Sol o qual, nestas regiões, é
muito forte; que cada tijolo tem dez polegadas
que permitiam a elevação e assentamento. quadradas por três de profundidade; que cada
Estas saliências eram depois cortadas in situ tijolo é separado por uma camada de canas ou
e, no caso das embutiduras, estas eram de caniços esmagados e misturados com palha,
Fig. 3.11 / Transporte de blocos de grandes dimen- com uma espessura de uma polegada e meia e
cheias com argamassa. sões, segundo Valadier.
que, em certos pontos onde era necessário um
Zabaglia e Fontana descrevem o trans-
30
apoio mais forte, podemos encontrar outros tijolos com as mesmas
porte do obelisco da Praça de S. Pedro em Roma. Rondelet, no dimensões que os anteriores, mas cozidos ao fogo, mais fortes e fei-
quarto tomo do seu tratado dedica diversas páginas à descrição tos com betume.31
dos meios empregados para o transporte da base da estátua de
Pedro I, em São Petesburgo. É no entanto Valadier a apresentar de O mesmo texto passa depois à descrição da utilização dos tijolos
forma detalhada o acondicionamento e as estruturas provisórias durante a Antiguidade Clássica. A arte da construção com tijolos
de madeira usadas correntemente para o transporte de blocos de ter-se-ia expandido da Babilónia à Arménia, Geórgia, Egipto e
grandes dimensões. Grécia. Os Gregos passariam a utilizar os tijolos em paredes com-
postas, com arquitraves e colunas de pedra. Os primeiros tijolos
(em Latim, lateres) utilizados pelos Romanos seriam ainda, como
BLOCOS CERÂMICOS os que os precederam, secos ao Sol.
A informação contida na tratadística não aborda, contudo, só
Segundo a Enciclopédia de Diderot e d’Alembert, a origem das a história da fabricação e uso dos tijolos na Antiguidade. São inú-
palavras “brique” e “brick” (respectivamente, palavras francesa e meras as regras e as recomendações relativas à:
inglesa para “tijolo”) pode ser atribuída à expressão em Latim
rubrica fabrilis. A rubrica fabrilis tinha já sido descrita por Vitrúvio • Escolha e extracção da argila;
e outros autores clássicos como um barro vermelho escuro que • Preparação e moldagem da argila;
podia ser encontrado na região de Sinope, na Anatólia da Grécia • Cozedura em fornos tradicionais;

167
A PREPARAÇÃO DAS ARGAMASSAS • Ligantes: as cais e o gesso;
E DOS BETÕES TRADICIONAIS • Agregados: a areia, o pó de pedra, as britas;
• Materiais agregados capazes de transmitir a hidraulicidade às
misturas, como as pozolanas, o pó de tijolo ou o trass;
A produção de argamassas e betões é actualmente objecto de • Água.
normas e regulamentos europeus e nacionais. No que se refere à
preparação das cais, as acções de normalização a nível europeu, No que respeita à função e posicionamento no corpo das alve-
denominadas Ciments et Chaux de Construction (CEN/TC 51), narias, as argamassas estavam geralmente presentes em diversos
conduziram à preparação da norma europeia publicada em 1993 níveis ou profundidades:
denominada EN 459 – Cais de construção58. Para as argamassas,
foi recentemente publicado (entre 1998 e 2000) o projecto de norma • no interior das paredes, pilastras, arcos e abóbadas: as arga-
europeia EN 1015 – Métodos de teste para argamassas para alve- massas de assentamento dos blocos elementares de pedra
narias59, dividido em 21 grupos de métodos de ensaio, e as duas ou cerâmicos;
primeiras partes da pré-norma prEN 998 – Especificações para arga- • na interface externa entre blocos constituintes da alvena-
massas para alvenaria destinadas à produção industrial de arga- ria, de modo a selar o interior dos maciços: as argamassas
massas prontas para assentamento e rebocos. de refechamento de juntas e de assentamento de placas nos
O conhecimento destas prescrições de produção e de ensaios paramentos;
revela-se certamente útil para o estudo das argamassas existentes • nos estratos exteriores protectivos ou decorativos: as arga-
em antigos edifícios e na preparação de argamassas para o restauro. massas dos rebocos e dos estuques e as argamassas usadas
No entanto, a aplicação destas directivas não é suficiente para a no assentamento de pavimentos.
conservação e o restauro de antigos edifícios em alvenaria, deven-
do-lhe ser associado o conhecimento das antigas regras e procedi- Relativamente aos betões tradicionais, estes diferiam dos be-
mentos de preparação e composição de argamassas e betões que tões actuais à base de cimento Portland, não só no modo de fabri-
foram identificados na literatura estudada. cação como no modo de utilização e combinação com outros
Nesta secção, analisa-se a preparação dos materiais básicos: materiais60. A sua fabricação requeria a preparação prévia de uma
as cais aéreas e hidráulicas naturais, as pozolanas naturais e artifi- argamassa que era depois amassada intimamente com inertes de
ciais, as cais hidráulicas artificiais e os cimentos, o gesso, os agre- maiores dimensões denominados actualmente em Portugal meio
gados e a água. Segue-se a análise da evolução do conhecimento cascalho (entre 3 e 6 cm). A sua preparação era por isso diversa
do fenómeno de presa e da hidraulicidade de modo a avaliar os da praticada actualmente, em que os inertes são amassados simul-
aperfeiçoamentos de materiais e técnicas. Termina-se com as regras taneamente com o cimento Portland, têm dimensões variadas
e procedimentos gerais para a mistura e amassadura de modo a (areias até 5 mm e britas entre 5 e 150 mm) e são doseados de
obter argamassas e betões. forma a seguir curvas granulométricas bem definidas.
Antes do início da discussão de todos estes aspectos deve Às argamassas de cal eram por vezes adicionadas pozolanas
referir-se que uma primeira leitura da bibliografia implicou o ou tijolos pilados, sempre que se quisesse obter um betão hidráu-
estabelecimento e a adopção prévia de determinadas definições lico, como por exemplo para as fundações. Os inertes de maiores
relativas à terminologia dos materiais e processos e à função das dimensões eram constituídos por fragmentos de tijolos61 ou de
argamassas e dos betões numa alvenaria. De facto, a utilização pedras calcárias densas, de diversas dimensões sempre que se
dos materiais e processos tradicionais obedecia a uma lingua- quisessem realizar maciços de fundação ou paredes resistentes.
gem especifica, baseada em conceitos um pouco diversos dos Os fragmentos ligeiros de pedras porosas ou de tufo vulcânico
actuais. As argamassas e betões tradicionais, eram compostos eram destinados a betões utilizados no enchimento e moldagem
basicamente por: de abóbadas.

173
Tabela 3.20 / Estuques à base de cal e gesso (partes em volume)

Cal aérea A r e i a f i n a Argamassa Gesso passado Outros Água Indicados para Autores / Obras
em pasta branca cal/areia fina ao peneiro materiais de cola
Massas de esboçar
1 2 q.b. cornijas e capitéis Rondelet, Traité de l'art de bâtir , Tom. II, Cap. III, 1812-17
1 leite de cal 1 q.b. De Cesare, La scienza dell'architettura, Sez. II, Cap.VII, 1855
revestimentos
1 2 q.b. De Cesare, La scienza dell'architettura, Sez. II, Cap.VII, 1855
interiores
rev. alvenarias ou
X q.b. Cantalupi, Istituzioni pratiche , Vol.I, Cap.IV, 1862
madeira
2 leite de cal 1 com pouca cola Breymann Trattato generale di Costruzioni Civili , Vol. I, Cap. VII, c. 1910
1 4 1 q.b. Segurado, Acabamentos das construções , Cap. VIII, c. 1910
Massas de estender ou dobrar
X q.b. Quatremère de Quincy, Encyclopédie méthodique , Vol. II, 1788-1832
1 0,33 q.b. cornijas e capitéis Rondelet, Traité de l'art de bâtir , Tom. II, Cap. III, 1812-17
revestimentos
1 0,25 q.b. De Cesare, La scienza dell'architettura, Sez. II, Cap.VII, 1855
interiores
q.b. p/ obter um rev. alvenarias ou
X Cantalupi, Istituzioni pratiche , Vol.I, Cap.IV, 1862
leite madeira
1 2,5 0,3 Cerone G., Manuale degli ingegneri, architetti e misuratori, Sez. 26, 1900
X q.b. Breymann Trattato generale di Costruzioni Civili , Vol. I, Cap. VII, c. 1910
1 1 q.b. Segurado, Acabamentos das construções , Cap. VIII, c. 1910
Massas de brunir ou polir
60 g de sabão 2 litros Rondelet, Traité de l'art de bâtir , Tom. II, Cap. III, 1812-17
30 g resíduo de vinho

Nota geral – Um "X" significa que a receita não indicava de forma precisa a dosagem de um componente.

Tabela 3.21 / Estuques fortes à base de pasta de cal e pó de pedra (partes em volume)

Cal aérea Areia Argamassa Pó de Outros Indicados para Autores / Obras


em pasta branca cal/areia fina pedra materiais
Massas de esboçar
Primeira camada:
X X (grosso) revestimentos internos Vitrúvio, De Architettura, Libri dieci , Liv. VII, Cap. VI
X (fina) X X tectos, fasquiados Valério Martins de Oliveira, Advertências aos modernos , "Argamaça", 1739
1 2 grossa "estuque à italiana" Leitão, Curso elementar de construçõe s, Parte IV, Cap. VII, 1896
X X (angulosa) Breymann Trattato generale di Costruzioni Civili , Vol. I, Cap. VII, c. 1910
Camadas intermédias:
X X médio Vitruvius, De Architettura, Libri dieci , Liv. VII, Cap. VI
1 2 fina "estuque à italiana" Leitão, Curso elementar de construções , Parte IV, Cap. VII, 1896
1 1fina 1 escaiola Leitão, Curso elementar de construções , Parte IV, Cap. VII, 1896
1 2 Breymann Trattato generale di Costruzioni Civili , Vol. I, Cap. VII, c. 1910
X X Breymann Trattato generale di Costruzioni Civili , Vol. I, Cap. VII, c. 1910
Massas de estender ou dobrar
X X (fino) Vitruvius, De Architettura, Libri dieci , Liv. VII, Cap. VI
1 0,5 mármore cornijas De Cesare, La scienza dell'architettura, Sez. II, Cap.VII, 1855
X X (finíssima) X ornamentos a pintar Cantalupi, Istituzioni pratiche , Vol.I, Cap.IV, 1862
1 1 "estuque à italiana" Leitão, Curso elementar de construçõe s, Parte IV, Cap. VII, 1896
"estuque à italiana"
X Leitão, Curso elementar de construçõe s, Parte IV, Cap. VII, 1896
pintado a têmpera
X pigmentos, ocre, terras Cerone G., Manuale degli ingegneri, architetti e misuratori , Sez. 26, 1900
Massas de polir e brunir
água-raz e cera branca "estuque à italiana" Leitão, Curso elementar de construçõe s, Parte IV, Cap. VII, 1896

Nota geral – Um "X" significa que a receita não indicava de forma precisa a dosagem de um componente.

215
Estes estuques permitiam realizar superfícies muito lisas, cor- dosagens usadas nas diversas camadas e os acabamentos preten-
nijas e molduras ou outras decorações que requeressem uma varia- didos, como indicado nas tabelas 3.22, 3.23, 3.24 e 3.25.
ção em espessura. Sempre que os pavimentos fossem executados directamente
O “pardo” ou “emboço” era a denominação dada em Portugal sobre o solo, eram usados inertes pesados. Sobre sobrados de
para o primeiro estrato mais rugoso, composto em geral de pasta de madeira ou sobre o extradorso de abóbadas, os inertes eram fre-
cal e areia, ou de pasta de cal e pozolana (se sobre suportes húmi- quentemente de materiais ligeiros e de granulometrias mais finas.
dos). Este primeiro estrato era já bastante fino e aplicado de acordo Embora na literatura técnica portuguesa não seja feita uma dis-
com o acabamento desejado, ou seja, consoante se desejassem tinção clara baseada nestas duas classes principais de pavimentos,
estuques simples ou estuques brunidos, mais lisos e brilhantes. adoptou-se a denominação de formigões para pavimentos assentes
Na segunda camada, aplicada sobre o pardo e denominada directamente sobre o solo e de betonilhas para os pavimentos exe-
“esboço” ou “massa de esboçar”, eram usadas misturas mais ricas cutados sobre sobrados e abóbadas.
em gesso ou em cal, com inertes mais finos e em menor proporção. Tanto para formigões como para betonilhas, as massas dos pavi-
O “esboço” podia ser “armado” com palha, corda, pelos ou crinas, mentos eram constituídas por um número mínimo de duas cama-
sempre que se quisessem realizar molduras e elementos decorati- das: a primeira, denominada camada de fundação ou “fundo”,
vos de espessura reduzida259. mais espessa; e a segunda, denominada massame ou camada de
Na última camada dos estuques comuns ou lisos, eram utiliza- forma, de espessura inferior.
das massas, denominadas de estender ou dobrar, que podiam ser Nas camadas de fundação em contacto com o solo, eram usados
constituídas de cal em pasta e gesso, cal em pasta e pó de mármore enrocamentos realizados com meios cascalhos e fragmentos gros-
ou somente de uma pasta de gesso. No caso de se utilizar cal e pó seiros de tijolo260. Sobre o extradorso das abóbadas, era frequente
de mármore, eram por vezes adicionados pigmentos ou terras de o uso de pedras de tufo ligeiro. Sobre pavimentos de madeira, eram
modo a obter estuques coloridos. usados seixos dispostos sobre um leito de palha.
Os estuques brunidos eram estuques ainda mais compactos e Os massames propriamente ditos, ou camadas de forma, podiam
finos. Neste caso, as massas de estender eram realizadas a partir ter composições muito diversas, dependendo das tradições e dos
de uma pasta de cal ou leite de cal, à qual era adicionada areia materiais locais. As composições mais comuns consistiam em:
branca muito fina; ou simplesmente a partir de uma pasta de gesso
e água de cola, denominada também falso mármore ou escaiola. • pasta de cal misturada com saibro ou com areia média;
Seguiam-se os estratos finais destinados ao brunido e polido, reali- • pasta de cal com rapilho, que em Itália se denominava “las-
zados com pasta de cal e cera, gesso e água de cola ou cera e trico napolitano”;
sabão, consoante a textura desejada. • pasta de cal com cacos de tijolo e com cacos de telha;
Para os “veios” e “manchas” dos falsos mármores era utilizado • argamassas de cal e areia;
um “molho”, normalmente composto ou de água de cola, gesso e • argamassas hidráulicas.
pigmentos, ou de água de cola, pigmentos e gelatina animal.
As dosagens neste caso não eram indicadas com grande precisão, Estas camadas de forma podiam ser:
deixando ao cuidado do executante a escolha das melhores pro-
porções de modo a facilitar uma boa laboração. • simplesmente afagadas;
• afagadas depois de misturadas com pigmentos;
• cobertas com estratos impermeabilizantes.
Composição de pavimentos

À imagem dos rebocos e estuques, as argamassas destinadas à Na camada superior era utilizado pó de tijolo, pó de mármore
realização de pavimentos obedeciam também a classes especiais e areia fina, misturados com a pasta de cal, recebendo eventual-
de materiais, consoante o suporte em que eram executados, as mente a inclusão de mosaicos ou pedras duras.

216
IV

A MONTAGEM E A EXECUÇÃO DE ALVENARIAS

Depois de identificados e apresentados os conhecimentos vas à produção dos materiais básicos das técnicas destinadas à
necessários às fases de: assemblagem e montagem destes materiais, de modo a obter de
facto uma alvenaria.
A. Concepção e projecto da geometria, definição da função e Paralelamente, colocou-se a questão adicional (como já fora
ocupação dos espaços e dimensionamento das estruturas; feito para as fases A e B): “Quais destas técnicas podem ser úteis
B. Produção e preparação dos blocos elementares e das arga- para o conhecimento e a conservação de antigos edifícios?”
massas Responder a esta pergunta significou aplicar o critério que guiou
toda a pesquisa, permitindo limitar de novo o número de técnicas
para a concretização do futuro edifício de alvenaria, revela- a estudar. A ordem de trabalhos de execução consistia natural-
va-se fundamental uma outra classe de conhecimentos: “A Arte mente em:
de bem fazer ou de bem construir”.
Como já foi referido, muitas exigências e decisões tomadas na 1. Execução de fundações e alicerces;
fase de concepção reflectiam-se directamente na fase de produção 2. Levantamento de paredes;
e de preparação dos materiais. Por exemplo, o traçado de uma 3. Cimbramento e descimbramento de arcos e abóbadas;
abóbada implicava a execução do talhe das suas aduelas numa 4. Construção de telhados;
determinada forma e em número específico. 5. Aplicação de revestimentos;
Por outro lado, as formas de concepção de edifícios e as técni- 6. Execução de elementos protectivos dos diversos materiais
cas de produção dos materiais básicos tinham implícitas exigên- e elementos estruturais1.
cias relativas à montagem. Conceber, por exemplo, uma abóbada
com tijolos ao chato implicava prever um determinada sequência As duas primeiras operações foram agrupadas numa primeira
de operações na assemblagem, diferente da necessária para abó- categoria dedicada ao assentamento dos elementos estruturais ver-
badas com tijolos ao cutelo ou com pedra talhada. ticais. A seguir foi analisada a especificidade das operações de
A execução de um determinado elemento em alvenaria estava cimbramento e descimbramento de arcos e abóbadas. Finalmente,
pois dependente não só da natureza dos blocos e das argamassas foram analisadas as técnicas destinadas à execução da “pele”, ou
a assemblar, mas também da forma como ele tinha sido concebido seja, os revestimentos das paredes externas e internas.
geométrica e estruturalmente, e da sua relação com os outros ele- Os conhecimentos sobre a construção dos telhados, na maio-
mentos na estrutura global do edifício. ria dos casos executados em madeira, só foram abordados indi-
Aquando da leitura dos diversos tratados, procurou-se respon- rectamente. A execução dos elementos protectivos foi incluída
der à pergunta fundamental: ”Quais as técnicas tradicionais que nos revestimentos, descritos complementarmente no capítulo V,
se podiam denominar verdadeiramente de técnicas de execução?” dedicado às técnicas de protecção e às preocupações tradicionais
Para uma primeira resposta, procurou-se isolar as técnicas relati- com a durabilidade das alvenarias.

225
EXECUÇÃO DAS FUNDAÇÕES Antes da escavação, em terrenos com nível freático elevado, o
terreno de fundação era posto a seco com a realização prévia de
poços drenantes ou de ensecadeiras de estacas-prancha.
Os cuidados e os procedimentos a respeitar no assentamento A drenagem dos terrenos era proposta como um método ideal,
das fundações e dos maciços em elevação (paredes, pés-direitos, a realizar sempre que possível, de modo a facilitar a execução e a
pilastras e contrafortes), relacionavam-se com diversas fases manutenção das alvenarias da fundação e em elevação, embora
intermédias: exigisse tempos de espera relativamente longos. O estudo da drena-
gem dos solos foi iniciado em Inglaterra (donde aliás nos chega a
• A implantação no terreno, da posição dos alicerces e do etimologia da palavra) e destinou-se primeiramente à melhoria
alinhamento das paredes; dos solos agrícolas. A sua aplicação foi gradualmente alargada ao
• A realização dos diversos tipos de fundações; sector da construção de edifícios e de obras públicas, através da
• As construções provisórias durante a elevação das paredes; publicação de obras específicas4 como a do francês Leclerc5 (fig.
• A operação de colocação dos blocos e argamassas. 4.1).
É possível apreciar a evolução dos métodos de bombagem pro-
No que se refere à implantação, a maioria das obras estudadas postos pelos diversos tratados ao longo das diversas épocas, des-
indicam com maior ou menor detalhe os cuidados na escolha do de os processos manuais, baseados numa cadeia de operários com
local do futuro edifício e os métodos topográficos a usar para a baldes, até à mecanização com bombas a vapor.
marcação da planta. Estes últimos basearam-se até meados do O revestimento das valas era tradicionalmente feito em madei-
século XIX, no uso da cadeia e do esquadro de agrimensor, na ra, que funcionava como parede de contenção de terras, e como
prancheta, no pantómetro, na bússola, nos níveis de água e de ar. cofragem perdida uma vez realizada a alvenaria da fundação. Só
O uso destes instrumentos é descrito sumariamente nas obras de no final do século XIX são propostas as estacas-prancha metálicas,
carácter geral e, pela primeira vez, com grande detalhe, no tratado sobretudo para a execução de ensecadeiras de obras públicas hi-
de Nicolas Bion, publicado em 1723, do qual se transcreve aqui o dráulicas.
título com a lista dos principais instrumentos: Apresentados os cuidados com a drenagem, as obras estuda-
das passavam depois, quase sempre, à descrição dos métodos de
Traité de la Construction des Principaux Usages des Instruments escavação dos futuros alicerces. Para as fundações directas eram
Mathématiques qui servent à travailler à la campagne, pour arpenter apresentadas as profundidades médias a atingir, por troços suces-
les terres, lever les plans, mesurer les distances & prendre les hauteurs.
§ sivos, de modo a garantir a segurança dos operários. Estas expli-
Les plus utilisez sont les Biquets, les Cordeaux, la Toise, la Chaîne, les
Equerres d’arpenteurs, les Recipiangles ou Mesurangles, les Planchet-
tes, le Quart de Cercle, le demi Cercle & la Boussole.2

Naturalmente, o ensino da disciplina de medi-


ção e implantação passou a constituir uma das
componentes fundamentais da tratadística mili-
tar, de modo a preparar os futuros engenheiros
militares na implantação das fortificações, que
ocupavam grandes superfícies3. Em Portugal, os
primeiros exemplos desta preocupação traduzem-
-se nas obras de Luís Serrão Pimentel e de Manuel Fig. 4.1 / Sistema de poços drenantes associados a uma vala de condução de águas subterrâneas e
de Azevedo Fortes. secções típicas de valas tradicionais.

226
cações eram acompanhadas de ilustrações que permitiam explicar Encontram-se neste caso as alvenarias de cabeçaria7, a alvenaria
os métodos mais comuns de entivação e escoramento das valas. ordinária e os betões8:

Paralelamente, era dada uma especial atenção às larguras míni- Le murature di pietrame debbono tutte essere lavorate a mano con
mas de escavação em torno dos maciços a executar, de modo a eguale e costante diligenza, tanto sopra terra che in fondazione.9
permitir o trabalho em segurança. Estes valores, válidos para as
fundações directas e pilastras de fundação, variavam consoante A alvenaria ordinária era executada de preferência com as
se previsse o seu enchimento com betões ou com alvenaria mon- pedras mais duras e menos porosas, tentando sempre que possível
tada à mão6 (tabela 4.1). criar uma fiada perimetral mais impermeável, imediatamente
Para a execução dos maciços e das pilastras de fundação pro- acima do terreno. Estas fiadas eram executadas geralmente com
priamente ditos, as regras e os procedimentos eram os mesmos perpianhos da maior espessura possível.
preconizados para as paredes e muros em elevação (que se apresen- Como alternativa aos perpianhos, de modo a impedir a humi-
tam um pouco mais adiante), embora existissem tipos de alvenaria dade ascensional, começaram a ser propostos, a partir do século XIX,
mais frequentemente aconselhados para a execução de fundações. os diafragmas de betume asfáltico, de betume de resina e pó de
carvão10, ou em chapa de chumbo na “arrasadura”
Tabela 4.1 / Larguras mínimas de escavação para a execução de fundações ou fiada de transição entre o terreno e a fundação.

Ainsi, pour les pierres de soubassement qui sont assez


Tipo de Profundidade Largura mínima de escavação
souvent posées sur un sol humide, on fera bien d’inter-
fundação máxima (m) em torno da fundação (m)
poser une couche de bitume ou de mastic bitumineux à
la séparation de la première assise du soubassement
Directa executada à mão 5-6 0,90 d’avec la fondation.11
idem >6 1,05-1,25
Lorsque les murs d’une construction sont élevés au
Pilastras de fundação, à mão 5-6 1,10 niveau du sol, on étend sur l’arase au pourtour une feuille
idem >6 1,05-1,40 de plomb laminé d’une faible épaisseur (généralement
un millimètre).12

Fig. 4.3 / Antigo esquema que indica a humidade ascensio-


Fig. 4.2 / Desenho de Giovanonni para vários tipos de escoramento de fundações directas. nal, com e sem a interposição de um diafragma isolante.

227
Sempre que se utilizassem betões de enchimento, a regra prin- mão. Noutros casos, sobre a estacaria era apoiada uma grade de
cipal consistia em realizar o preenchimento dos caboucos por madeira17 que ficava geralmente a 0,50 m abaixo do nível das águas
camadas sucessivas de espessura limitada (15 a 20 cm), batidas mais baixas, de modo a assegurar a imersão permanente das ma-
com pilões (de 15 a 100 kg) até que a argamassa refluísse sobre os deiras. Esta grade era formada de travessas entalhadas sobre as
grandes inertes13. estacas, e de longarinas (ou longrinas) assentes sobre as travessas
também através de entalhes. A ligação da grade era consolidada
La muratura a getto (a sacco) per fondazioni deve costruirsi con gettate com cavilhas de ferro.
alternate di malta e di scheggioni di pietra, assestando e spianando
regolarmente ogni strato, riempiendo con schegge minute di pietra
Sobre as estacas se põem de través pranchões de meio palmo de grosso
gli interstizi maggiori e distribuendo la malta in modo da ottenere
e de 10 a 12 polegadas de largo cravadas nas cabeças das estacas com
strati regolari di muratura.14
cavilhas de ferro e a cabeça perdida, (sendo os espaços entre as esta-
Toda a alvenaria do alicerce deve ser de boa pedra, e das mais grossas cas cheios de pedra rija batida ao martelo, como fica dito) para sobre
cabeças ensopadas em cal, e batidas até que a cal espremida suba por tudo isto assentar um leito de vigas pregadas, e cavilhadas com cavi-
toda a parte, e os pequenos vazios se encherão com pedra mais miúda, lhas de ferro bem compridas, que passem pelos pranchões e entrem
também batida ao martelo, para que nesses vazios não fique a cal pelas cabeças das estacas. 18
sossa.15
A cidade de Lisboa é tão limitada pelos outeiros, que ultimamente
alguma das mais baixas porções da margem do rio tem sido aterrada e
Se o trabalho fosse interrompido ao fim do dia, a última camada aí se têm edificado várias construções sobre estacarias A disposição
era coberta com telas humedecidas. Quando a “betonagem” era das estacas é semelhante à usada em Amsterdam; ficam colocadas em
retomada, raspava-se a parte superior da última camada, molha- fileiras de três ou mais segundo a espessura da parede, e ligadas por
fortes travessas de madeira, e as fileiras estão ligadas por cintas de
vam-se de novo as superfícies horizontais e prosseguia-se com o madeira de Flandres, uma para cada fila de estaca. Os espaços entre
enchimento de betão. O acabamento dos topos, que ficariam visí- as estacas é de um ou dois pés abaixo dos topos, são cheios de cascalho
veis na zona do contacto com o solo, era feito no dia seguinte ao até ao nível das travessas longitudinais, formando uma sólida plata-
enchimento das cofragens, sendo as suas superfícies batidas perio- forma onde assentam os alicerces em geral de alvenaria.19
dicamente16.
Na execução da estacaria, para além da indicação em planta A grade era substituída nalguns casos por um simples maciço
de cada uma das estacas cravadas, recomendavam-se os seguintes de pedra ligado com argamassa hidráulica.
registos, a anotar no “carnet” de cravação: O bater de uma nova estaca, em terrenos argilosos, fazia por
vezes sair a estaca previamente cravada. De modo a fazer face a
• a data da cravação; este inconveniente, as estacas eram batidas com a parte mais grossa
• o número de operários aplicado no bate estacas; para baixo, depois de serem abertos dentes no topo a cravar.
• o número de ordem da estaca; Para além de todos estes aspectos da execução, era frequente-
• o comprimento total da estaca; mente explicada a forma de arrancamento de estacas não verticais,
• o diâmetro médio; ou de estacas que se destinavam só a abrir no terreno, os espaços
• a profundidade atingida; necessários para a realização de estacas de areia para a consolida-
• o peso do malho; ção do terreno. O arrancamento, inicialmente executado por in-
• a altura de queda do malho; termédio de alavancas simples, accionadas por um grande núme-
• a nega atingida. ro de operários, passou gradualmente a ser operado com sarilhos
adaptados a bate-estacas manuais ou mecânicos.
Uma vez cravadas as estacas, os intervalos entre as cabeças
eram preenchidos com betão batido a maço, ou com pedra irregu-
lar das maiores dimensões disponíveis e possíveis de arrumar à

228
CONSTRUÇÃO DOS MACIÇOS EM ELEVAÇÃO executada com o auxílio de varas e travessas de madeira que permi-
tiam esticar cordéis, destinados a assegurar a horizontalidade das
fiadas e a verticalidade dos muros (fig. 4.5).
Uma vez executadas as fundações, seguia-se a montagem das Seguia-se a construção propriamente dita das paredes e pés-
estruturas provisórias necessárias ao acesso dos operários e dos -direitos acima do elegimento ou ensoleiramento. A colocação
materiais a níveis sucessivamente mais elevados. Só algumas das devia obedecer, não só às decisões da fase de concepção e de prepa-
obras analisadas dedicam uma secção exclusiva a estas constru- ração de materiais, como também a novos cuidados relacionados
ções, tradicionalmente em madeira. sobretudo com:
Os andaimes não eram necessários até à altura de um homem
médio. Para alturas mais elevadas, eram “crescidas” estruturas • a melhor ligação entre blocos e argamassa;
apoiadas não só no solo, mas sistemática e sucessivamente em • o alinhamento das fiadas e a verticalidade dos paramentos;
zonas da estrutura já construídas e depois de feita a presa das • as condições de presa das argamassas à base de cal.
argamassas.
Era prática frequente o apoio dos andaimes sobre barrotes intro-
duzidos em aberturas denominadas agulheiros, deixadas nas pare-
des com esse objectivo. Estes barrotes recebiam as pranchas corres-
pondentes a diversas plataformas de trabalho.
Paralelamente, procedia-se à implantação das envolventes das
paredes ou seja das guias ou linhas mestras. Esta operação era

Fig. 4.5 / Alinhamento durante a execução.

Fig. 4.4 / Andaimes apoiados no solo e nas próprias alvenarias em construção. Fig. 4.6 / Instrumentos usados no assentamento de alvenarias.

229
Diversos instrumentos (alguns já usados nas fases precedentes nível. As zonas da face do outro bloco que não tivessem ficado
e outros mais específicos) estavam associados à fase de assenta- borradas, deveriam ser desbastadas de modo a assegurar o contacto
mento. São de referir: regular entre faces adjacentes. Frequentemente, quando o bloco
já estava assente, passava-se então à execução dos detalhes deco-
• o coche, onde eram depositados pequenos volumes de arga- rativos.
massa; Esta ausência de argamassa nas juntas horizontais era possí-
• a trolha, para trabalhar a argamassa destinada à colocação vel devido ao acabamento das superfícies do leito e do sobreleito
de um bloco; e devido à estabilidade obtida pelas grandes dimensões dos blo-
• a vassoura, para molhar as pedras ou os tijolos; cos, à imagem das chamadas alvenarias pelágicas ou ciclópicas,
• a colher e a ficha para introduzir a argamassa nas juntas; mais antigas. A argamassa revelava-se no entanto fundamental
• os maços de madeira para bater os blocos sobre a argamassa para assegurar a estanqueidade sobretudo nas juntas verticais,
de ligação; em fontes e aquedutos.
• a picadeira para escacilhamentos de última hora; Associado a este modelo ideal, as regras básicas da colocação
• as réguas de dois e quatro metros de comprimento; dos blocos podiam resumir-se a três leis fundamentais:
• os níveis;
• o gaivel, destinado a controlar a verticalidade (ou o jorra- 1. Horizontalidade das fiadas e dos planos de assentamento;
mento) dos paramentos. 2. Verticalidade das juntas entre blocos de uma mesma fiada;
3. Respeito pelas regras de aparelho, de modo a assegurar o
comportamento monolítico das alvenarias.
ALVENARIAS DE PEDRA TALHADA
A primeira regra é facilmente compreensível sempre que se
Como já referido, as construções da Antiguidade Clássica cons- utilizem blocos paralelepipédicos, prismáticos ou cilíndricos regu-
tituíam a referência primordial de perfeição para qualquer cons- lares. Dispô-los por fiadas horizontais, segundo as suas faces maio-
trução de uma parede “moderna”. A alvenaria “modelar” seria res, significava dispô-los na posição de máxima estabilidade à
pois a alvenaria de pedra de talha, inicialmente posada a seco, rotação e ao deslizamento21. Este conhecimento, inicialmente
isto é sem argamassa de ligação, como se pode ainda observar em empírico, passou a ser explicado através do estudo de equilíbrio
monumentos Egípcios, Gregos e Romanos. Idealmente, cada bloco de corpos rígidos e pelo cálculo dos centros de gravidade (fig.
deveria ter os planos das juntas em contacto directo com os blocos 2.13). Rondelet, um dos primeiros autores a apresentá-lo, definia
adjacentes, subjacentes e sobrejacentes. Na Antiguidade, esta exi- a regra da horizontalidade das juntas como “princípio geral do
gência era assegurada pelo grande número de operários destinados aparelho”, assimilando a construção em pedra de talha a
ao talhe e acabamento.
Nos casos de pedras muito duras, e de maneira a completar o uma combinação ou disposição de corpos rígidos que se sustêm, resis-
trabalho dos instrumentos de talhe, os planos de assentamento tindo pela sua forma e posição relativas, aos esforços combinados
eram “borneados”, isto é, regularizados com pó de pedra ou areia, que resultam do seu peso específico e de outras forças actuantes. 22
de modo a aumentar o contacto entre as faces de cada elemento.
Para obter o contacto perfeito entre os blocos, recorria-se a uma Para blocos de faces ortogonais, o respeito da lei da horizonta-
técnica parecida com a técnica de ortodontia usada actualmente, lidade implicava o respeito da lei da verticalidade. À verticalidade
esfregando com ervas, pó de tijolo ou carvão, uma das superfícies dos paramentos correspondia, não só uma maior estabilidade,
que ficasse em contacto20. O bloco de pedra era colocado a seco como também um melhor escorrimento das águas. Os paramen-
sobre o bloco inferior e era verificada a verticalidade do paramento tos inclinados e saliências eram evitados de modo a não “retarda-
com um fio de prumo e a horizontalidade das juntas com um rem” o escoamento das águas, aumentando assim a sua durabili-

230
dade. Finalmente, o respeito das regras do aparelho implicava mento exacto dos blocos. Nestes casos especiais, as juntas horizon-
garantir um travamento ideal entre blocos, o que contribuía para tais ou verticais eram primeiro tamponadas à face dos paramentos
a estabilidade dos maciços. acessíveis e opostos à face de introdução da argamassa. Estes
Estas eram as regras para a execução da alvenaria ideal de pedra tamponamentos eram feitos com cordas velhas introduzidas entre
talhada. No entanto, pela leitura dos tratados, é possível constatar os dois blocos, ou com uma pasta de gesso de selagem. A arga-
que em momentos de menores recursos económicos, de materiais massa era então introduzida sob pressão, com o auxílio de colheres
ou de mão-de-obra, ou ainda sempre que a construção devesse dentadas, denominadas fichas, que não arrastavam consigo a
ser executada em pouco tempo, se procedia a: argamassa à saída. Chamava-se a esta operação “fichagem“ de jun-
tas verticais e horizontais.
• uma diminuição da superfície de pedra a trabalhar; Somente para as juntas verticais, e sempre que os blocos fossem
• um aumento dos volumes de argamassa; colocados com calços provisórios, a argamassa de ligação podia
• uma diminuição das dimensões dos blocos. ser introduzida num modo diverso pelo método de “colagem”24.
Este procedimento consistia, como para a fichagem, em começar
Todos estes factores contribuíam para a obtenção de tipos de por tamponar as juntas horizontais e verticais, seguindo-se a intro-
alvenarias diferentes. É possível encontrar ao longo da maior parte dução de água, a partir de um godé ou um caco de cerâmica, de
das obras analisadas, exemplos destas “adaptações do modelo modo a eliminar o ar contido entre os blocos. Finalmente derrama-
ideal” aos meios disponíveis (materiais, mão-de-obra, instrumen- va-se a argamassa liquefeita até encher completamente a junta,
tos), referentes sobretudo às várias vicissitudes do Império Romano por gravidade.
e mais tarde à Idade Média.
Para além destes aspectos, diferentes graus de precisão do talhe Dans la plupart des constructions modernes, ce sont malheureusement
implicaram desde cedo outras formas de adaptação do “modelo”. les surfaces apparentes, préparées sur le chantier, qui dirigent les
Como se viu no capítulo III, foram os próprios Romanos os primei- tailleurs de pierre et les poseurs. Cette négligence est fondée sur ce
que, par un abus inconcevable, on ne mesure l’ouvrage des tailleurs
ros a tentar a optimização da superfície a talhar com a esquadria
de pierre que sur les surfaces apparentes, en comprenant dans le prix
de anatirosis periférica. qu’on leur accorde, celui des lits et des joints sans les mesurer, d’où il
No período das obras estudadas, esta optimização era normal- résulte un prix insuffisant pour les bien faire.
mente feita de forma muito parcial e in- Pour faciliter la pose des pierres sur mortier,
on peut, après l’avoir étendu sur la pierre,
completa. Foram, no entanto, vários os
mettre des cales de bois aux quatre angles pour
autores a denunciar a prática de talhar la renverser dessus. On ôte ces cales dès que
perfeitamente só a face aparente e deixar la pierre est en place, pour la lâcher sur le
irregulares as outras faces dos blocos. Isto mortier et la battre. Lorsque les ouvriers seront
familiarisés avec cette méthode, ils verront
implicava um insuficiente contacto entre
qu’elle est plus expéditive et moins compli-
as superfícies contíguas e justificava o quée que celle de ficher et de poser sur cales,
uso de inúmeros calços de pedra ou de que devrait être proscrite dans toutes les
ferro. Rondelet, Valadier e Prud’homme constructions publiques. 25
são alguns dos autores que referem esta
prática como um “vício das construções A utilização da argamassa nas jun-
modernas de pedra de talhe”, responsá- tas horizontais implicava cuidados
vel pela degradação de muitos edifícios23. adicionais que tinham que ver com as
Estes autores só admitiam os calços operações de colocação “ideais da Anti-
de modo meramente provisório, nos ca- guidade”, que consistiam resumida-
sos em que estes ajudassem ao posiciona- Fig. 4.7 / A ficha e a operação de selagem por gravidade. mente em:

231
V

A PROTECÇÃO E A DURABILIDADE DAS ALVENARIAS

Era grande a preocupação dos antigos construtores com a dura- O CONHECIMENTO DOS FENÓMENOS DE DETERIORAÇÃO
bilidade dos materiais e estruturas. Aumentar a durabilidade con-
sistia em assegurar o melhor comportamento durante e após a exe-
cução, de cada um dos materiais de per si, ou quando assemblados No que se refere à distinção e à identificação das principais
em estruturas de complexidade variável. Estas preocupações, como causas (directas e indirectas) de degradação de uma alvenaria, é
já apresentado, estavam presentes na maioria das regras de con- possível constatar que foram vários os autores que desde cedo
cepção e dimensionamento, na preparação dos blocos elementares dedicaram uma parte do seus textos à explicação desta temática.
e argamassas, assim como nos cuidados na sua assemblagem. Entre as primeiras obras dedicadas quase exclusivamente à
Complementarmente, o construtor tradicional preocupava-se em durabilidade dos edifícios2, é possível citar a obra do português
proteger o que tinha acabado de ser construído, de modo a garantir Mathias Ayres Ramos da Sylva d’Eça, publicada em 1777, e intitu-
que o edifício se comportasse da melhor maneira face aos proces- lada Porque razão os edifícios antigos tinham e têm mais duração
sos de degradação. Estas técnicas eram utilizadas na parte final da do que os modernos? E estes porque razão resistem menos ao movi-
construção ou imediatamente após a construção do esqueleto estru- mento da terra quando treme? 3. Dedicada à descrição dos princi-
tural. Tinham sobretudo a ver com o comportamento no tempo dos pais fenómenos relacionados com a desagregação das argamassas
materiais, directa ou indirectamente em contacto com o meio e com os efeitos provocados pelos sismos, constitui um documento
envolvente, ou seja, na interface com os diversos agentes de degra- importante para ter uma ideia de quanto os fenómenos de degra-
dação: a humidade e os sais contidos nos terrenos de fundação; os dação eram conhecidos, mesmo que, por vezes, explicados de
fenómenos atmosféricos, em especial o vento, a chuva e a neve1. forma limitada.
Os materiais directamente em contacto com os fenómenos de Apesar do problema da durabilidade ter sido abordado pontual-
degradação eram sobretudo os constituintes da “pele” das estru- mente no século XVIII em diversos textos, somente ao longo do
turas, ou seja, os rebocos, os tijolos ou as pedras de revestimento. século XIX foi tratado de forma cada vez mais aprofundada, em
Estes revestimentos constituíam o “invólucro” do edifício, para o capítulos ou sub-capítulos específicos. As obras genéricas e de
qual era prevista uma durabilidade limitada e uma manutenção carácter especializado, sobretudo italianas e francesas, passaram
periódica, de modo a assegurar a sua função de protecção dos a apresentar, um elenco das causas e dos tipos de degradação mais
núcleos portantes. Os núcleos constituintes do “esqueleto” eram frequentes, assim como listas de cuidados a ter na manutenção
constituídos pelas massas de alvenaria de paredes e pilastras, dos periódica e nos trabalhos mais comuns de reforço das estruturas.
arcos e das abóbadas, sendo considerados susceptíveis de degra- Estes elencos eram estruturados em função da experiência e pre-
dação indirecta através de fenómenos de infiltração de águas, de paração técnica dos autores, sendo variado o número de possí-
movimentos das fundações ou ainda por efeito dos sismos. Os veis “leituras”.
princípios e técnicas relacionados com estes fenómenos, que fal- Tentando avaliar o nível de conhecimento dos antigos cons-
tava abordar em detalhe, foram classificados no último grupo des- trutores sobre os processos gerais de degradação, e de modo a
tinado à durabilidade e protecção. adoptar uma linguagem e nomenclatura actualizada e contempo-

259
VI

METODOLOGIA PARA A UTILIZAÇÃO DOS PRINCÍPIOS


E TÉCNICAS TRADICIONAIS NOS PROCESSOS DE CONSERVAÇÃO

Como se procurou mostrar, um edifício em alvenaria é deposi- O PROCESSO DE CONSERVAÇÃO DE UM EDIFÍCIO NAS
tário duma linguagem própria e específica, constituída por regras SUAS DIVERSAS FASES. OS DEBATES TEÓRICOS RECENTES
de “sintaxe geral” e por regras de “sintaxe local e especializada”.
Estas últimas constituem adaptações e variantes usadas numa dada
região e período histórico, dependentes das preferências estéticas, Intervir sobre uma construção existente, que com a História
dos materiais disponíveis, das condições dos solos de fundação e foi acumulando valores importantes para um país ou uma comu-
das condições ambientais locais. nidade, requer uma sensibilidade e conhecimento específicos que
A redescoberta deste antigo léxico só tem, no entanto, signifi- são muito diferentes dos necessários para a execução de uma cons-
cado se analisada à luz dos requisitos do presente estudo, nas trução nova, cuja função é predeterminada e obedece sobretudo a
implicações operativas e na sua utilidade na conservação do patri- critérios económicos.
mónio edificado, integrada na metodologia mais vasta da Conser- No caso de uma acção de conservação de um edifício histórico,
vação de um edifício histórico e nos mais recentes debates teó- para além das condicionantes económicas, existem outras pre-
ricos. missas de natureza específica e casuística. Estas condicionantes
Estes debates surgiram sobretudo a partir dos anos 60 do sé- têm a ver acima de tudo com a avaliação e preservação dos diver-
culo XX e intensificaram-se com o alargamento do conceito de sos valores de que o edifício é testemunho.
património edificado. Não só à arquitectura vernácula, mas tam- Um edifício histórico pode ser importante por um número
bém a sítios urbanos e rurais. Não somente circunscritos aos gran- variado de razões. Porque constitui uma obra de arte, é um exem-
des monumentos, os novos conceitos de património implicaram plo de um determinado “estilo” arquitectónico; foi realizado por
uma discussão contínua e evolutiva sobre o que conservar e como um arquitecto importante; constituiu o cenário de acontecimen-
conservar. tos históricos relevantes; exemplifica técnicas construtivas tradi-
Para avaliar o contributo do conhecimento das técnicas tradi- cionais que se foram perdendo com o tempo (apresenta, por exem-
cionais para a metodologia da Conservação, importa recordar as plo, rebocos realizados com técnicas particulares, possui interiores
suas fases principais à luz das teorias recentes. Evidenciados os e acabamentos originais, uma estrutura de telhado particular…);
critérios e os objectivos destas diversas fases, é possível definir o o seu volume e aparência estética pertencem a um conjunto urba-
valor das fontes da tratadística em relação ao valor das outras nístico homogéneo ou a variedade de estilos e períodos constituem
fontes de conhecimento necessárias à Conservação. nele um exemplo raro e único…
Nesta análise procura-se, de forma sistemática, discorrer sobre Por todas estas razões qualquer projecto de conservação parte
o contributo de cada uma das categorias da informação recolhida do levantamento e análise destes valores, para poder conciliar a
ao longo dos capítulos anteriores, em cada um dos momentos de sua preservação com os condicionamentos económicos associa-
um processo típico de análise-decisão-intervenção. dos à viabilidade financeira do projecto.
A análise dos valores que o edifício encerra, está associada à
formulação de questões que devem ser respondidas pelos diver-

281
Por sua vez, a análise da estabilidade do edifício é iniciada de projecto” aberto antes do verdadeiro início dos trabalhos de
normalmente com a observação sistemática do quadro fissurativo modo a pôr em confronto todas as informações e critérios e permitir
das paredes, fundações, arcos e abóbadas e da dimensão das sec- elaborar os projectos finais de conservação arquitectónica integrada.
ções resistentes dos elementos em alvenaria, metálicos e em ma- A oportunidade, a possibilidade e a forma de intervenção,
deira. Paralelamente, é instalado um sistema de monitorização devem ser julgadas utilizando critérios de decisão específicos, em
das deformações, sempre que se temam estados evolutivos que parte definidos em legislação e em directivas internacionais.
levem ao aumento das mesmas e que possam levar a estrutura ao Os documentos legais e as directivas internacionais para uma
colapso. Neste caso são implementados sistemas provisórios de abordagem comum dos problemas de conservação são fruto da
observação, que permitem seguir a variação da geometria da estru- evolução de várias correntes de pensamento, iniciadas sobretudo
tura com instrumentos ópticos, distanciómetros, inclinómetros e no final do século XIX, e procuram reflectir os “consensos mais
níveis hidrostáticos de precisão. A medição da abertura de fissuras actualizados” relativos a esta problemática.
é feita normalmente por meio de extensómetros mecânicos, eléc- No que se refere a “cartas” internacionais, a primeira metade do
tricos ou electrónicos, consoante a precisão requerida. século XX foi marcada pela corrente do “restauro científico” tradu-
A análise da estabilidade das alvenarias inclui a realização in zida nas suas linhas principais na Carta de Atenas, de 1931, elabo-
situ de testes como, por exemplo, os destinados a verificar a sua rada na I Conferência Internacional de Especialistas da Conserva-
homogeneidade por ensaios de velocidade sónica, os do teor em ção e Protecção de Monumentos, realizada em Atenas em Outubro
água dos blocos de pedra ou dos tijolos e os de deformação com desse ano, pelo Instituto para a Cooperação Intelectual da Socie-
macacos planos. Os testes em laboratório, por seu turno, incluem dade das Nações. Esta teoria viu-se, no entanto, confrontada com a
frequentemente provas de absorção capilar e de resistência à sua difícil aplicação prática em grande escala e em tempo limitado,
compressão de amostras de blocos de alvenaria ou de argamassas. após as grandes destruições da Segunda Guerra Mundial. A dis-
A simulação da deformação de secções da estrutura para diversos cussão que se seguiu ao pós-guerra foi desenvolvida sobretudo por
sistemas de carga, de preferência por meio de cálculo automático, teóricos como Cesare Brandi, Renato Bonelli, Pietro Gazzola e Giulio
pode também ser utilizada sobretudo para as estruturas metálicas Argan e deu origem à criação da Carta de Veneza, redigida durante
e em madeira. Para as alvenarias é verificada a estabilidade estática o II Congresso Internacional dos Arquitectos e Técnicos de Monu-
das fundações, dos muros, das abóbadas e dos arcos. mentos Históricos, realizado nessa cidade em Maio de 1964.
As informações obtidas com todos estes estudos são natural- Esta Carta, que marcou o final do século XX, baseou-se num
mente integradas, complementando-se, confirmando-se ou con- conjunto de critérios necessários à “conservação histórico-crítica”,
tradizendo-se. dos quais devem ser salientados os seguintes:
Uma vez recolhida a informação segue-se normalmente a Fase
da sua avaliação e julgamento criterioso com a consequente ela- • Limitar a intervenção à mínima extensão (qualquer restauro
boração do projecto de execução. O objectivo é o de permitir jus- deve terminar onde as conjecturas comecem, art.º 9 da Carta
tificar as seguintes decisões fundamentais: de Veneza) de modo a não eliminar traços históricos de inter-
venções anteriores;
• Intervir ou não? • Garantir a reversibilidade das novas intervenções, de modo
• Porquê intervir? Com que justificação e com que objectivos? a que estas não impliquem uma intrusão no material his-
• Onde intervir (sobre todo o edifício, em determinadas zo- tórico e possam ser removidas, sempre que se revelem incor-
nas, na envolvente)? rectas ou provoquem danos adicionais sobre o edifício;
• Como intervir? • Permitir a distinção e a legibilidade crítica dos diversos ele-
mentos, estilos, fases construtivas relevantes e materiais
A informação recolhida é usada para elaboração dos diversos adicionados nas intervenções havidas, evitando no entanto
projectos de execução que devem ser “afinados” num “estaleiro dissonâncias estéticas importantes;

284
cal aérea ou hidráulica quer no catálogo do Instituto Português de misso com as condicionantes actuais de produção industrial. Em
Qualidade, quer no das Especificações LNEC. Itália, a cal aérea usada na maioria das intervenções de conservação
Com a recente renovação do interesse pela utilização e reabili- e restauro é recebida em estaleiro sob a forma de pasta devidamente
tação do uso das cais, as acções de normalização a nível europeu, acondicionada em sacos plásticos. A cal hidráulica natural é nor-
em especial a ENV459, referidas no Capítulo II, constituem um malmente usada em pó e transformada em pasta antes de serem
instrumento fundamental a associar ao conhecimento das antigas adicionados os inertes ou pigmentos.
técnicas de produção das cais. Todos os ensaios de controlo de Finalmente deve considerar-se o aspecto relativo ao tempo ne-
qualidade e de recepção das cais no estaleiro são necessários nos cessário à aplicação de muitas das técnicas tradicionais. No caso
estaleiros contemporâneos de restauro. O facto dessas normas das argamassas à base de cal, procurava-se tradicionalmente uma
contemplarem a recepção de cais vivas em estaleiro constitui um secagem e presa lentas. No assentamento, os blocos eram molhados
factor positivo para o recriar de práticas tradicionais, indispensá- regularmente e os diversos estratos de revestimento eram aplicados
veis para a obtenção de produtos semelhantes e compatíveis com depois dos precedentes terem secado. Os recalços de fundações
as antigas argamassas. eram feitos por troços limitados, os pavimentos eram executados
A utilização dos processos de extinção em estaleiro necessita por ciclos sucessivos de compactação e os acabamentos eram reali-
porém de uma nova avaliação, no que se refere às normas exis- zados por operações sucessivas de brunidos e polidos. Para além
tentes e à criação de novas normas praticáveis nos estaleiros con- de todas estas exigências de execução, a resistência das argamassas
temporâneos de restauro. Estas normas deverão certamente estabe- e betões só era obtida algumas semanas mais tarde enquanto que
lecer práticas que assegurem as melhores condições sanitárias, as massas executadas actualmente com cimento Portland fazem a
isolando fisicamente as tinas de extinção e limitando a emissão presa muito mais rapidamente.
de gazes e a sua inalação pelos operadores. A extinção de pequenas Por todas estas razões, o tempo necessário à execução e à presa
quantidades em locais bem ventilados poderá constituir uma prá- de argamassas e de betões à base de cal é frequentemente superior
tica de novo frequente se revestida de precauções particulares. aos requeridos nas modernas operações de aplicação de materiais
Na impossibilidade de reconstituir completamente as condi- contemporâneos. Esta diversidade de tempos de execução deve ser
ções tradicionais de extinção, a utilização de cais aéreas em pasta ultrapassada prevendo devidamente os vários ciclos de aplicação,
apresenta-se como uma prática válida actualmente e de compro- secagem-molhagem e endurecimento das argamassas tradicionais,
optimizando a sua combinação com materiais e técnicas contempo-
râneas e prevendo-as devidamente nos cronogramas de trabalho.

O CONHECIMENTO TRADICIONAL
E O CONHECIMENTO CONTEMPORÂNEO

Retomando o texto do início do século XX citado no primeiro


capítulo para ilustrar as primeiras reacções à utilização do betão
armado, parecem pertinentes algumas considerações. Este texto40,
para além das vantagens, referia as desvantagens que os construto-
res de então, julgavam mais evidentes em relação ao betão armado:

Los inconvenientes atribuídos al cemento armado son:


1.º Las constantes específicas, por lo que al cemento se rifiere, varían
Fig. 6.27 / Amassadura mecânica de argamassas com cal em pasta. entre límites bastante distintos, y por consiguiente, los cálculos de

312
las construcciones no tinen la exectitud que se obtiene empleando Por outro lado, o conhecedor das técnicas de betão armado terá
otros materiales; tendência a conservar uma estrutura de betão armado, demolindo
2.º Carencia de método racional de cálculo;
3.º Necesidad de obreros hábiles; e refazendo as zonas degradadas. As técnicas de betão armado são
4.º Ser las construcciones antiestéticas. actualmente ensinadas e facilmente utilizadas, como tal parece natu-
ral intervir num edifício deste tipo com as mesmas técnicas com
Se se perguntar hoje em dia a um técnico formado essencial- que ele foi construído. O mesmo acontecia quando as técnicas das
mente na construção em betão armado ou aço, quais as vantagens alvenarias eram as únicas conhecidas. Demoliam-se e reconstru-
e desvantagens que lhe parecem merecer as alvenarias tradicionais, íam-se as partes degradadas com as técnicas construtivas tradicionais.
a resposta será semelhante à referida no texto, mas em sentido Para conservar os valores contidos num edifício histórico é
precisamente oposto (do contemporâneo para o tradicional). Por necessário responder a exigências específicas. Estas exigências
outras palavras, esse técnico comum dos nossos dias provavel- implicam o conhecimento das técnicas usadas na construção do
mente dirá que os inconvenientes atribuídos às alvenarias tradi- edifício a conservar e de técnicas novas capazes de preservar os
cionais são: materiais originais. Com este fim têm vindo a ser desenvolvidos
materiais específicos para o restauro do betão armado, em especial
1. As constantes específicas, no que se refere às alvenarias determinadas resinas, vernizes e impermeabilizantes, capazes de
tradicionais, variam entre limites bastantes distintos, e por retardar os fenómenos de corrosão e infiltração de água.
conseguinte, os cálculos das construções não têm a exacti- No campo da conservação das alvenarias, e com a perda de
dão que se obtém empregando outros materiais; parte do conhecimento tradicional, passou-se por vezes por situa-
2. Carência de método racional de cálculo; ções extremas, em que se decidia pela demolição e renovação total,
3. Necessidade de operários especializados; ou em que se procurava conservar tudo, porque tudo era conside-
4. Com as alvenarias tradicionais obtêm-se construções anti- rado “extraordinário” ou impossível de realizar de novo.
estéticas ou antiquadas. O presente estudo pretendeu contribuir para preencher esta
lacuna do conhecimento necessário a uma compreensão, avalia-
Estes julgamentos de valor opostos, têm a sua origem na forma- ção e intervenção completa e equilibrada dos edifícios antigos em
ção técnica de cada um dos comentadores. O desconhecimento alvenaria. Pela sua identificação e avaliação sistemática, procu-
de um determinado campo tecnológico leva por vezes a classificar rou-se demonstrar quanto importante é conhecer estas técnicas a
esse campo desconhecido como menos eficaz ou menos perfor- par com as técnicas modernas. Tudo depende de com que objecti-
mante. Constitui uma reacção humana comum, desconfiar ou ter vo, com que fim, como, quando e onde se utilizam. Responder a
preconceitos sobre aquilo que não se conhece bem. estas perguntas é saber Conservar.

313
314
VII

CONSIDERAÇÕES FINAIS E CONCLUSÕES DA PESQUISA

No final deste estudo, é possível fazer um balanço dos resulta- Apresenta-se o Quadro-organigrama 7.1, antes da apresentação
dos obtidos, destacar as conclusões principais obtidas, estabelecer das três séries de conclusões que é possível estabelecer no final
novas pistas de investigação que poderão dar continuidade à pre- do presente estudo.
sente obra e apresentar por último o seu contributo para a Enge-
nharia Civil e para a Conservação de edifícios históricos.
Como observado, foram sendo obtidos com o avançar do estu- PRIMEIRA SÉRIE DE CONCLUSÕES
do, três classes de resultados: A nova visão da Bibliografia técnica dos séculos XVIII e XIX
é indispensável para o conhecimento dos edifícios históricos
1. A Bibliografia comentada que constitui o primeiro capítulo; em alvenaria
2. A identificação e análise crítica das grandes categorias de
princípios, regras e procedimentos executivos indispensá- Na presente obra foi realizada uma análise sistemática e crítica
veis à compreensão das alvenarias, apresentadas nos de um espectro alargado das fontes bibliográficas destinadas à
capítulos II, III, IV e V; técnica das construções de edifícios em alvenaria. Este primeiro
3. A avaliação da aplicação de todo estes princípios, regras e grande resultado constitui o primeiro capítulo do presente livro.
procedimentos, na prática conservativa dos nossos dias, des- Uma das características originais desta bibliografia é a sua orga-
crita no capítulo VI. nização em secções temáticas que permitem abordar o tema da
construção tradicional de alvenarias na sua complexidade. Sem
A partir de cada um destes resultados, puderam ser estabele- se limitar aos grandes tratados e manuais, é estendida a cursos e
cidas três séries distintas de conclusões, que confirmam os pressu- resumos de lições e ao estudo de obras especializadas de Estereoto-
postos iniciais e servem para demonstrar a conclusão última e mia; de Perspectiva e Desenho; de Materiais de Construção; de
propositiva da presente obra,que se enuncia do seguinte modo: Mecânica dos arcos, abóbadas, paredes e fundações; de Química
O conhecimento das técnicas tradicionais de construção e das cais e argamassas; de Técnicas de revestimentos e acabamen-
em particular das alvenarias serve para justificar, e torna indis- tos; de Protecção e de Durabilidade.
pensável, a posição do Engenheiro Civil na Conservação de edi- Para além de se basear em diversos tipos de fontes, a bibliogra-
fícios. fia recolhida constitui um documento útil para a compreensão da
De modo a visualizar de forma sintética a relação entre: evolução histórica das diversas técnicas. A sua apresentação crono-
lógica, com indicação das diversas edições conhecidas para cada
• Os pressupostos com que se partiu no início do trabalho; obra, constitui uma base de dados, que poderá servir como refe-
• A diferente natureza dos estudos efectuados; rência inicial ao estudo de alvenarias históricas, útil por sua vez a
• Os produtos da pesquisa obtidos; futuros estudos de investigação no campo da Engenharia e Arqui-
e tectura, e como suporte à prática diária dos profissionais da Con-
• As séries de conclusões a que se chegou. servação de edifícios.

315
bibliográficas, como estabelecer uma visão global dos problemas Relativamente à concepção de edifícios em alvenaria, as regras
relacionados com a construção das alvenarias tradicionais. essencialmente relacionadas com o Desenho e com a Estereotomia,
No que se refere à natureza do conteúdo das diversas obras, apresentam-se basicamente dependentes dos tipos de combina-
concluiu-se que a informação contida na bibliografia técnica tem ção de blocos e argamassas e dos elementos estruturais.
a ver essencialmente com uma tentativa de: O dimensionamento tradicional das alvenarias dependeu ini-
cialmente de regras essencialmente empíricas, às quais foram
• ilustração de métodos ancestrais; sendo associados métodos estáticos de verificação da estabilidade
• melhoramento de processos correntes à luz dos conheci- a determinados mecanismos de colapso e conceitos de resistência
mentos que se obtinham com o avançar das diversas ciên- dos materiais destinados a estimar o valor das tensões máximas.
cias; Para a preparação dos materiais, identificaram-se técnicas
• explicação e teorização de práticas empíricas através do es- gerais destinadas à fabricação de blocos elementares em pedra
pírito científico; talhada, irregular e em tijolo, à preparação de ligantes, aglomeran-
• estabelecimento de regras e leis que facilitassem a trans- tes e inertes, à extinção das cais e de amassadura, e finalmente
missão destes conhecimentos através de um sistema educa- regras de dosagem das argamassas e betões.
tivo normalizado, acessível a um maior número de pessoas A categoria relativa aos cuidados a ter na pose das alvenarias e
e adaptável a um maior numero de situações, condições dos acabamentos é composta essencialmente de técnicas de assen-
naturais e geológicas de terrenos, de materiais e de mão-de- tamento, de cimbramento e descimbramento de arcos e abóbadas,
-obra; aplicação de revestimentos, acabamento de paramentos e aplica-
• estabelecimento de regras que permitissem a economia de ção e acabamento de pavimentos.
materiais e meios humanos, ou seja, que ajudassem a cons- Por fim a classificação geral das procedimentos e cuidados tidos
truir melhor, em menos tempo e de forma mais económica. para assegurar a máxima durabilidade às alvenarias, compreende
a sua protecção à água; a sua protecção a movimentos das funda-
A visão global deste conhecimento é classificável segundo ções e a solicitações horizontais; operações de manutenção ordi-
quatro ramos ou categorias principais: nária e operações de consolidação e reforço extraordinário.
Estas classificações definidas ao longo dos capítulos II a V
• A concepção e o dimensionamento dos edifícios em alve- constituem a base de uma primeira leitura geral e sistemática das
naria; fontes estudadas e, como tal, podem ser usadas como referência
• A produção e armazenamento dos materiais (blocos elemen- fundamental para consultas complementares da bibliografia
tares e argamassas); comentada no capítulo I.
• A execução e pose em obra (assemblagem de blocos e arga- Paralelamente a estas conclusões e contributos principais,
massas); podem ser ainda proferidas algumas considerações e conclusões
• A protecção e a durabilidade dos edifícios. indirectas. A primeira consideração, prende-se com a conclusão
já referida atrás, de que o conhecimento das alvenarias através da
Esta visão global baseia-se num conjunto limitado de princí- literatura técnica constitui uma herança europeia comum. Esta
pios e técnicas relacionado com cada uma destas categorias que conclusão é novamente confirmada pela análise do conteúdo das
se apresentam ao longo dos quatro capítulos referidos, servindo diversas obras estudadas. Como é possível constatar ao longo do
para demonstrar quão complexo é este domínio do conheci- presente estudo, a apresentação completa de uma determinada
mento. regra de arte, necessita quase sempre da referência a autores de
Estas regras e técnicas gerais constituem como que a “gramá- diversas nacionalidades e períodos históricos. Estas referências,
tica” de um “léxico” ou “linguagem”, que é específico das alvena- que foram sendo citadas, constituem contributos “cruzados” que
rias e serve de chave para a sua compreensão e utilização. confirmam, corrigem ou complementam referências anteriores.

318
NOTAS

INTRODUÇÃO E CAPÍTULO I 18
BLASSELLE Bruno, Histoire du livre: À pleine pages, Paris, Trieste, Découvertes
Gallimard, 1997, Vol. I, pp. 16-28.
1
CARBONARA Giovanni et al., Trattato di Restauro Architettonico, Torino, 19
ALMEIDA Carlos Alberto Ferreira de, Arte da Alta Idade Média, in História
Unione Tipografico-Editrice Torinese, 1996, 4 volumes. da Arte em Portugal, Lisboa, Alfa, Vol. 2, 1986.
2
Estas categorias constituem o Índice da Bibliografia. 20
FERNANDES José Manuel, Sínteses da Cultura portuguesa – A Arquitectura,
3
Volumen – rolo de papiro. Lisboa, Europália 91, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1991. pp. 24-25.
4
Segundo a lenda, os pergaminhos teriam sido usados pela primeira vez a 21
Impressos pela primeira vez em 1858.
partir do século II a. C., na biblioteca dos reis de Pérgamo que rivalizava com a 22
Impressos pela primeira vez em 1845.
biblioteca de Alexandria. 23
DODWELL C.R. (ed.) Theophilus. De Diversis artibus, London, New York,
5
Os codices consistiam em diversos cadernos cosidos uns aos outros, com Thomas Nelson & Sons, Ltd., 1986, pp. XXXIX-XLIV.
maior capacidade que os volumines e difundidos entre o século II e o século IV. 24
ERLANDE-BRADENBURG Alain, Quand les Cathédrales étaient pein-
6
STRABO, L’Africa di Strabone: Libro XVII della Geografia: Introduzione, tes, Itália, Editoriale Libraria, Découvertes, Gallimard, Architecture, 1993,
traduzione e commento di Nicola Biffi, Modugno, Bari, Edizioni dal Sud, Serie fotos 1-9.
Quaderni di “Invigilata Lucernis”, 1999. 25
ASCANI Valerio, Il Trecento disegnato: Le basi progettuali dell’architettura
7
CHOISY Auguste, Histoire de l’Architecture, Tom. I, p. 53. gotica in Italia, Roma, Viella – Libreria editrice, 1997, pp. 67-98 e pp. 108-111.
8
VON SCHLOSSER Julius Ritter, La letteratura artistica: manuale delle fonti 26
BRANNER – Drawings from a thirteenth-century architect’s shop: The Reims
della storia dell’arte moderna / Julius Schlosser Magnino, traduzione di Filippo Rossi, palimpsest. Journal of the Society of Architectural Historians, 1958, N.º 4.
ed. aggiornata da Otto Kurz, Firenze, La nuova Italia, 1956, pp. 60-71. 27
ASCANI Valerio, op. cit., pp. 36-50.
9
Foi consultada a edição recente XENOPHON, Ciropedia-Introduzione di 28
LEVI Cesare Augusto, Notizie storiche di alcune antiche Scuole d’arte e mes-
Domenico Musti, traduzione de Antonella L. Newton, Santarelli, 1977. A Biblioteca tieri scomparse o esistente ancora in Venezia, Venezia, 1895.
Nacional de Lisboa possui um exemplar de umas primeiras impressões em latim 29
ICHER François, Les Compagnons ou l’amour de la belle ouvrage, Paris,
desta obra: Xenophontis CyriPaediae libri quatuor posteriores, Parisis, Ex officina Découvertes Gallimard, 1995, pp. 27-36.
Christiani Wecheli, 1539. (BNL RES. 5758//3 P.) 30
Sobre as marcas ou traços de “estaleiro” e de “montagem na Antiguidade e na
10
CUPELLONI Luciano, Antichi cantieri moderni: Concezione, sapere tecnico, Idade Média citam-se as obras de RUIZ DE LA ROSA Josè Antonio, Traza y Sime-
costruzione da Iktìnos a Brunelleschi, Roma, Gangemi Editore, 1996, pp. 30-31. tria de la Arquitectura en la Antiguedad e Medievo, Sevilla, Servicio de Publica-
11
HEIBERG Johan Ludwig, Euclidis opera omnia, J. L. Heiberg and H. Menge, ciones de la Universidad de Sevilla, 1987 e INGLESE Carlo, Progetti sulla Pietra,
1883-1916, 8 vols. e suplemento. Roma, Gangemi Editore, 2000, usadas como referências nesta listagem. No livro de
12
ARCHIMEDES, Oeuvres: Texte, établi et traduit par Charles Mugler, Paris, INGLESE são descritas com grande detalhe as marcas da época de Adriano encontra-
Société d’ édition “Les Belles lettres”, 1970-1972. (tomo 2 – De l’équilibre des figures das no Mausoléu de Augusto em Roma.
planes). 31
PEPPONI Laura Cristina – Il disegno di progetto in epoca tardomedievale.
13
A primeira edição “moderna” data do período Renascimental: HERON de Analisi e confronti di esempi redatti tra il XIII e il XV secolo. Il disegno di progetto
Alexandria, Di Herone Alessandrino de gli automati, overo machine se moventi, libri dalle origini al XVIII secolo, Roma, Gangemi editore, p. 27.
due. Tradotti dal Greco da Bernardino Baldi, Venetia, Girolamo Porro, 1589. 32
PELLATI F., Vitruvio, Roma, 1938, pp. 46-63.
14
DI PASQUALE S., L’arte del Costruire, Veneza, Marsilio Editori, p. 211. 33
Edição princeps de Giovanni Sulpicio.
15
VON SCHLOSSER Julius Ritter, op. cit., pp. 9-13. 34
BERTRAND Jestaz, Architecture of the Renaissance, from Brunelleschi to
16
Sobre a difusão destas obras durante o período contemporâneo à sua prepa- Palladio, London, Thames and Hudson, 1996, p. 100.
ração pouco se sabe. Depois da queda do Império permaneceram no esquecimento 35
DESWARTE Sylvie – Francisco de Hollanda et les études vitruviennes en
até à sua redescoberta no Renascimento. Italie. A Introdução da Arte da Renascença na Península Ibérica, Coimbra, Epartur,
17
ERLANDE-BRADENBURG Alain, Quand les cathédrales étaient peintes, Itá- 1981, p. 238.
lia, Editoriale Libraria, Découvertes, Gallimard Architecture, 1993, p. 22. 36
VON SCHLOSSER Julius Ritter, op. cit., p. 284.

323
37
GUNTHER Hubertus – La Rinascita dell’Antichità. Il Rinascimento da em torno da fortaleza principal poligonal. Na primeira variante, cada uma das faces
Brunelleschi a Michelangelo. La rappresentazione dell’architettura a cura di Henry de um bastião era coberta pelo tiro dos bastiões vizinhos. Na segunda variante,
Millon e Vittorio Magnano Lampugnani, Milano, Bompiani, pp. 259-306. cada bastião era independente e mais elevado que a praça forte principal a defender.
38
PELLIZZARI Achille, Le opere di Francisco de Hollanda, Napoli, Perrella, Na terceira variante, cada bastião estava aberto ao fogo da fortaleza poligonal, sendo
1915, 2 Vols. multiplicado o seu número de modo a aumentar o número de obstáculos a vencer
39
BERTRAND Jestaz, Architecture of the Renaissance, from Brunelleschi to pelo adversário. Segundo DE HALLÉ Guy, GROESTSCHEL Yves, Précis de la
Palladio, London, Thames and Hudson, 1996, p. 23. fortification, Paris, P.C.V. Éditions, 1983.
40
COMAR Philippe, La perspective en jeu – Les dessous de l’image, Évreux, 56
Castrametação – instalação de uma rede de campos e fortalezas militares,
Découvertes Gallimard, Sciences, 1992, p. 38. responsáveis pelo sistema de defesa e pelo controlo militar de um território.
41
UNGERS Osvaldo Mathias – Ordo, pondo et mensura: criteri architettonici 57
Em Portugal, o Real Corpo de Engenheiros foi criado em 1792. Em Espanha,
del Rinascimento. Rinascimento da Brunelleschi a Michelangelo – La rappresenta- o “Real Cuerpo de Ingenieros delos Exercitos, Plazas, Puertos y Fronteras ” foi insti-
zione dell’architettura, a cura di Henry Millon e Vittorio Magnano Lampugnani, tuído em 1711.
Milano, Bompiani, 1994, pp. 307-317. 58
Ver a categoria 6.9 – Coberturas, humidade, salubridade e protecção às águas,
42
PALACIOS GONZALO José Carlos, Traza y cortes de canteria en el rena- da Bibliografia.
cimiento español, Madrid, Ministerio de Cultura, Instituto de Conservación y 59
Na Aula da Esfera, que continuou activa durante o século XVII, terão sido
Restauración de bienes Culturales, 1990. (referência aos tratadistas espanhóis a ensinados os tratados do holandês Marolois e dos franceses Errard e de Ville, já a
pp. 11 e 12). partir de 1630 e 1635. Cfr. BUENO Beatriz P. Siqueira – A iconografia dos engenhei-
43
SANABRIA S.L. – Structural sizing in the late medieval world. Stable-Un- ros militares no século XVIII: Instrumento de conhecimento e controlo do território.
stable (LEMAIRE R., VAN BALEN K. editors), Leuven University Press, pp. 45-64. Universo Urbanístico Português 1415-1822, Lisboa, Comissão Nacional para os Des-
44
Sobre o corte das pedras in Philibert de l’Orme, Premier Tome d’architecture, cobrimentos Portugueses, 1998, p. 100.
reedição de Pérouse de Montclos, Paris, Laget, 1988, p. 62. 60
POUILLOUX Jean-Yves, Montaigne – Que sais-je?, Paris, Gallimard, Décou-
45
TIMOSHENKO Stephen P., History of Strength of Materials, New York, Dover vertes, 1988.
Publications, Inc., 1983. 61
PICON Antoine, Architectes et ingénieurs au siècle des lumières, Marseille,
46
A Biblioteca Nacional em Lisboa possui um exemplar da edição de Paris, de Éditions Patenthèses, 1988, p. 24.
1535, uma das primeiras edições em latim deste tratado. 62
SCHAER Roland (dir.), Tous les savoirs du monde: encyclopédies et
47
BORGATTI Mariano, Fortificazione permanente contemporanea (teorica ed bibliothèques, de Sumer au XXIe siècle, Paris, Bibliothèque Nationale de France –
applicata), Torino, Tipografia G.U. Cassone, 1898, pp. 10-15. Flammarion, 1996, p.187.
48
A maioria dos tratados referidos neste subcapítulo foram consultados na 63
MOUREAU François, Le roman vrai de l’Encyclopédie, Paris, Gallimard,
Biblioteca Vaticana, na Biblioteca da Arma de Engenharia em Roma e na Biblioteca Découvertes, 1990, p. 60.
do Exército em Lisboa. 64
Para a elaboração deste quadro foram consultadas as Enciclopédias Portu-
49
BOXER C. R., Fort Jesus and the Portuguese in Mombasa: 1593-1729, London, guesa e Brasileira, a Enciclopédia Italiana Treccani, a francesa Larousse, a Enciclopé-
Hollis & Carter, 1960, pp. 91-95. dia Britânica e o sítio Internet da Universidade de Waterloo, http://www.lib.
50
VIGANÒ Marino – Architetti e ingegneri italiani all’estero dal XV al XVIII uwaterloo.ca/society/denominado Historical Data/Chronology of Scholarly Societies:
secolo: un bilancio storiografico. Architetti e ingegneri italiani all’estero dal XV al 14th to 18th Centuries. Para as escolas de Itália foi fundamental a obra de Guenzi,
XVIII secolo, Roma, Sillabe, 1994, pp. 14-15. L’arte di edificare, de 1993. Para a compreensão do panorama espanhol revelou-se
51
MOREIRA Rafael – A Arquitectura Militar do Renascimento em Portugal. muito útil a obra Madrid, Ciencia y Corte editada por Lafuente e Moscoso em 1999.
A Introdução da Arte da Renascença na Península Ibérica, Coimbra, Universidade Em relação a Portugal tomou-se como referência as obras: Apontamentos relativos à
de Coimbra, 1981, pp. 281-305 e VERRUA Pietro, Sulle relazioni culturali tra Porto- instrucção pública (1858) de João Ferreira Campos; as Memórias da Academia Real
gallo e Italia: I – L’epistolario di Filippo Terzi, Milano, Genova, Soc. An. Dante das Sciencias de Lisboa; a obra História das Matemáticas em Portugal: Lições profe-
Alighieri, Estratto da “La Rassegna, anno 45”, 1937. ridas de 12 a 19 de abril de 1932, de Francisco Gomes Teixeira da Academia das
52
BUENO Beatriz P. Siqueira – A iconografia dos engenheiros militares no Ciências de Lisboa e o artigo de E. Maranha das Neves, Notas sobre a moderna
século XVIII: Instrumento de conhecimento e controlo do território. Universo Urba- Engenharia Civil portuguesa publicado na Revista Ingenium, em Agosto de 1998.
nístico Português 1415-1822, Lisboa, Comissão Nacional para os Descobrimentos 65
PICON Antoine, op. cit., pp. 115-132.
Portugueses, 1998, p. 98. 66
A importância destes tratados alemães que não houve a possibilidade de
53
TEIXEIRA Francisco Gomes, História das Matemáticas em Portugal, Lisboa, consultar, é analisada por KRUFT Hanno-Walter, Storia delle teorie architettoniche,
Lições proferidas de 12 a 19 de Abril de 1932, Academia das Ciências, 1934, pp. 34-35. Bari, Editori Laterza, 1999, pp. 223-253.
54
Este sistema de defesa tinha sido pela primeira vez preconizado na obra Les 67
Na Biblioteca Nacional de Lisboa existe um exemplar da terceira edição de
fortifications de Blaise de Pagan, publicada em Paris, em 1645. 1736.
55
São atribuídos a Vauban, diversos sistemas de fortificação. De forma resumida, 68
FORTES Manuel de Azevedo, O Engenheiro Portuguez, tomo II, p. 433.
as fortalezas Vauban apresentaram três tipos de variantes ou sistemas que consistiam 69
Em RODRIGUES A.A. Gonçalves, A tradução em Portugal – Tentativa de rese-
na criação de uma rede de bastiões (obras avançadas com flancos e faces) dispostas nha cronológica das traduções impressas em língua portuguesa, excluindo o Brasil,

324
ÍNDICE DA BIBLIOGRAFIA

ÍNDICE BIBLIOGRÁFICO DE AUTORES ..................................................................................................... 349


ADVERTÊNCIAS À LEITURA DA BIBLIOGRAFIA ........................................................................................ 357
1. Principais Tratados e Manuais de Arquitectura e Construção Civil ........................................ 357
(impressos e anteriores a 1750)
2. Tratados e Manuais de construção militar e civil ..................................................................... 361
(séculos XVIII-XIX e antecedentes mais relevantes)
3. Cursos e resumos de teoria geral e de prática das construções ................................................ 364
(séculos XVIII-XIX e principais antecedentes)
3.1 – Destinados a Academias e Escolas Civis ....................................................................... 364
3.2 – Destinados a Academias e Escolas Militares ................................................................. 366
4. Principais Tratados e Manuais de Arquitectura e Construção Civil ........................................ 367
(publicados entre 1750 e 1900)
5. Manuais gerais de bolso e Prontuários de Construção (séculos XVIII-XIX) ............................... 371
6. Bibliografia Selectiva publicada essencialmente nos séculos XVIII e XIX ................................. 375
6.1 – Geometria, Perspectiva e Desenho ................................................................................. 375
6.2 – Estereotomia ................................................................................................................... 377
6.3 – Mecânica das alvenarias e Resistência dos Materiais ................................................... 379
6.4 – Orçamentação, medições e regulamentos de construção ............................................. 385
6.5 – Fabricação de blocos, ligantes, inertes e argamassas .................................................... 387
6.6 – Métodos de execução da fundação de edifícios ............................................................ 392
6.7 – Técnicas construtivas específicas das alvenarias de tijolo ........................................... 392
6.8 – Acabamentos e revestimentos ....................................................................................... 393
6.9 – Coberturas, humidade, salubridade e protecção às águas ............................................ 395
6.10 – Manutenção e durabilidade das alvenarias ................................................................. 396
7. Enciclopédias e Dicionários de Arquitectura e Engenharia ..................................................... 397
(séculos XVIII-XIX e antecedentes mais importantes)
8. Bibliografia sobre a História da Arquitectura e das técnicas construtivas, .............................. 400
publicada nos séculos XVIII e XIX
9. Antigos manuscritos publicados pela primeira vez nos séculos XIX e XX ................................ 403
10. Periódicos especializados publicados nos séculos XVIII e XIX ................................................. 404
11. Bibliografia recente sobre História das Técnicas e Conservação de edifícios ........................ 405
12. Normas, Regulamentos e Bibliografia de carácter geral .......................................................... 412
BIBLIOTECAS E ARQUIVOS (abreviaturas) ............................................................................................. 414
FONTES COMPUTORIZADAS ................................................................................................................... 414
Internet – Catálogos on-line ........................................................................................................... 414

348
ÍNDICE BIBLIOGRÁFICO DE AUTORES

A ASTM American Society BATAILLE Athanase 373


for Testing and Materials 412 BATHE K. J. 412
ADAM Jean-Pierre 405 ASTRUA Giuseppe 412 BAUDSON E. 390
ADDISON P. L. 374 ATWOOD George 381 BEAUDEMOULIN Louis-Alexandre 392
AFFONSÊCA Sílvia Pimenta d’ 405 AUDSLEY George Ashdown 400 BECHMANN Roland 404, 412
AGUIAR João Maria d’ 393 AUDSLEY William James 400 BECKER W. A. 392
ALBARRÁN Y SÁNCHEZ Josè 393 AVILER Augustin-Charles d’ (1653-1700) 360, 397 BECKETT Sir Edmund 396
ALBERTI G. 369 AZEVEDO Ana Gonçalves de 412 BELICI Giovanni Battista 361
ALBERTI Giuseppe Antonio (1712-1768) 385 AZEVEDO Carlos A. Moreira 412 BELIDOR Bernard Forest de (1697-1761)
ALBERTI Leon Battista (1404-1472) 358, 375 AZEVEDO João 405 360, 363, 398
ALBERTINI Cesare 370, 374 BELLA João António dalla 396
ALBUQUERQUE Luís da Silva Mouzinho 383 B BELLIDOR FORES Bernardo 361
ALEGRO Godofredo Edmundo 386 BELMAS 395
ALEXANDRE Paul 390 BACK Otto 391 BELPAIRE T. 384
ALLEN John Parnell 366 BAILS Benito 380, 398 BENAVENTE 368
ALMEIDA F. J. de 389, 390, 395, 396 BAKER Ira Osborn (1853-...) 370 BENEVIDES Francisco da Fonseca 373
ALPOIM José Fernandes Pinto (1700-1765) BALDINUCCI Filippo (1625-1696) 397 BENOIT Paul (ed.) 406
367 BALTARD Louis-Pierre (1764-1846) 364 BENSI Maria Rosa 406
ALSTED Johann Heinrich 397 BANKART George Percy 405 BENSI Paolo 406
AMATI Carlo 357 BARATTA A. 406 BENVENUTO Edoardo (1940-1998) 406
AMENDOLAGINE Francesco 405 BARBARO Daniele 357 BERG L. de C. 374
AMICHEVOLI Costanzo 366 BARBEROT Etienne (Jean-Etienne-Casimir) 370 BÉRIGNY Charles 392
AMORÓS y PUJOL Francisco 379 BARBIER DE MONTAULT Xavier (monsignore) BERTHAULT-DUCREUX 388
ANDREANI Isidoro 374 (1830-1901) 402 BERTY Adolphe 401
ANDROMET DU CERCEAU Jacques BARDE Charles 396 BIAGIO AMICO Giovanni abade (1684-1754) 363
(c.1510 - c.1584) 376 BARLOW Peter 382 BIGOT-RENAUX Jules 395
ANGELETTI Roberto 406, 408 BARLOW William Henry 383 BINDA Luigia 410
ANSELME 399 BARNAUD J. 363 BION Nicolas (1652-1733) 385
ANTOLINI Giovanni 368, 377 BAROCCHI Paola 406 BISCONTIN Guido 406, 408
ANTONINI Carlo 393 BARONI G. 406 BISTON Valentin 388, 395
ARCHIMEDES (287-212 a.C.) 379, 405 BARONIO Giulia 410 BIZCAYA Luis de 393
ARCo 405, 406, 408, 409, 410 BARRÉ Louis-Auguste 400 BLACK A. 366
ARCOLAO Carla 405 BARRÉ Paul (fils) 400 BLAND William 382
ASCANI Valerio 405 BARREIROS Fortunato José 386 BLONDEL François (1618-1686) 362, 364
ASHPITEL Arthur (1807-1869) 370, 401 BARRERA Francesco 409 BLONDEL Jacques François (1705-1774) 364
ASHURST J. 411 BARRY Edward Middleton 366 BLOTTAS 386
ASSIRCCO Congresso nazionale 405 BARTHÉLEMY Jean 406 BLUM Hans 358
ASSUMPÇÃO T. Lino d’ 400 BARTHOLOMEW A. 396 BLÜMNER 403

349
BIBLIOGRAFIA

ADVERTÊNCIAS À LEITURA DA BIBLIOGRAFIA 1. PRINCIPAIS TRATADOS E MANUAIS DE ARQUITECTURA


E CONSTRUÇÃO CIVIL (IMPRESSOS E ANTERIORES A 1750)

1. A bibliografia recolhida foi dividida nas diversas categorias 1469-…


indicadas no índice. PLINIUS C. Secundus (I sec. D.C.), Naturalis Historia.
Primeira impressão Venezia, Johannes Spirensis, 1469.
2. Cada categoria está organizada por ordem cronológica e alfa-
Edição recente – Storia Naturale, a cura di A. Corso, R. Mugellesi e G. Rosati,
bética. Torino, Einaudi, 1982-1988.
3. Os livros pela primeira vez impressos antes de 1750 corres- 1486-…
pondem a obras importantes para a compreensão do período VITRUVIUS POLLIO Lucius (I sec. A.C.), De Architettura, Libri dieci.
analisado. • Primeiras impressões em latim
– Roma 1486.; – Firenze, Venezia, 1495-1497; – Edição ilustrada de Fra Giocondo,
4. Os livros anteriores a 1750 são separados dos publicados
Venezia, Giovanni Tacuino, 1511; – Vitruvius iterum et Frontinus à Iocondo revisi
após 1750 pelo símbolo: — // —, que marca a data da publi- repurgatique quanttum ex collatione licuit, Firenze (Filippo Giunta), 1513,
cação da Enciclopédia de Diderot e d’Alembert. 246 p. de texto com140 ilustrações (edição de bolso).
5. São indicadas todas as edições que foi possível identificar • Em italiano
de uma dada obra, assim como as línguas em que foi tradu- – Primeira edição em italiano por Cesare Cesariano, Como, 1521; – CAPORALI
Gianbattista, Vetruvio / in volgare lingua rapportato per M. Giambattista Caporali
zida, de modo a avaliar a sua importância e difusão.
di Perugia, Perugia, nella stamperia del Conte Iano Bigazzini, 1536. (BFIB); –
6. A seguir ao nome de cada autor foram, sempre que possível, BARBARO Daniele, I dieci libri dell’architettura per D. Barbaro, Venezia,
indicadas entre parêntesis as datas do seu nascimento e Francesco Marcolini 1556. (BFIB) (reprod. in Dover Publications, New York); –
morte, de modo a situar a sua vida, no período em que a RUSCONI Giovanantonio, Della Architettura di Gio. Antonio Rusconi, con cento-
sua obra foi publicada e reeditada. sessanta Figure disegnate dal medesimo, secondo i precetti di Vitruvio, e con
chiarezza e brevitá dichiarate, Libri X, Venezia, Gioliti, 1590, 143 p. (BNF RES-
7. No fim de cada uma das referências bibliográficas, e sempre
V- 356)
que conhecido, foram indicadas as bibliotecas com as res- Outras edições: – Rep. facs, Farnbrough, Gregg, 1968; – Repr. facs, Leiden, (IDC),
pectivas cotas bibliográficas para cada uma das edições (DSA); – Repr. facs. com introd. de Anna Bedon, Verona, Colpo di fulmine
indicadas de uma mesma obra. Ex: ICCROM viiiD1010, quer edizioni, 1996, 143 p.; – GALIANI Berardo, L’architettura di M.Vitruvio Pollione,
dizer que a obra se encontra na biblioteca do ICCROM em Napoli, 1758; – AMATI Carlo, L’architettura di Vitruvio nella versione di Carlo
Roma e tem a referência viiiD1010 do catálogo desta colec- Amati, 1829.
Outra edição: – Firenze, Alinea, 1989.
ção.
• Em castelhano
8. As abreviaturas das bibliotecas usadas nas quotas bibliográ- – SAGREDO Diego de, Medidas del Romano, Toledo, Remon de Petras, 1526,
ficas, estão indicadas ao fim desta bibliografia, sob o título 38 p.
“Arquivos e Bibliotecas – Abreviaturas”. Outras edições: – 2.ª ed., Lisboa, Luis Rodriguez, 1541; – 3.ª ed. e 4.ª ed, Medi-
das del Romano agora nuevamente impressas y añadidas de muchas pieças e
figuras muy necessarias a los officiales que quieren seguir las formaciones delas

357
basas / colunas / capiteles / y otras pieças de los edificios antiguos, Lisbona, • Em inglês
Imprimido por Luis Rodriguez, Jan. e Junho de1542, 43 p. (BNL RES. 6082 P); – Architecture, London, 1726.
– 5.ª ed., Toledo, Juan de Ayala, 1549, 29 p.; – 6.ª ed., Toledo, Juan de Ayala, • Em alemão
1564, 43 p.; – Fac-símile da ed. de 1526: Madrid, Graficas, ultra, 1946; Calí, – De re aedificatoria, Florenz 1485, Index verborum, bearb. von Hans-Karl Lucke,
Acad. Hist. Valle de Cauca, 1967; Valencia, Albatroz, 1976, Mexico, Ex. Con- (Reprodução fac-símile da edição de 1485 de Florença), Munchen, Prestel, 1975-
vento Churubusco, 1977; – Fac-símile da edição de 1542, Lisboa, 1915. -1979, 4 volumes (BAV R.G.ArteArch.II.1359. 6,1-4).
• Em francês • Em castelhano
– SAGREDO Diego de, Raison d’architecture antique, extraite de Victruve, & – De re aedificatoria ó Los diez Libros de architectura... traducidos del latín por
autres anciens architecteurs, nouvellement traduit d’espaignol en francoys: a Francisco Lozano, Madrid, Alonso Gómez, 1582; – Fac-símile da ed. de 1582,
l’utilité de ceux qui se délectent en édifices, Paris, Simon de Collines, 1531, 51 p. Oviedo, Collegio Oficial de Aparejadores y Arquitectos Técnicos de Asturias,
Outras edições: – Paris, Simon de Collines, 1539, 51 p.; – Paris, Simon de Colines, 1975, 442 p. (BNE); – Fac-símile da ed. de 1582, Valencia, Albatros ediciones,
1542, 51 p. (BAV); – Paris, Regnaud Chaudiere et Claude son fils, 1550, 51 p.; – 1977, 343 p.
Paris, Guillaume Cauellat, Benois Preoust, 1555, 56 p. (BAV); – Paris, Gilles 1537-…
Gourbin, 1555; – Paris, Llerasme Marnef, 1572; – Paris, Denise Cavellat, 1608, SERLIO Sebastiano (1475-1554), De architettura libri quatro, Venezia, 1537.
111 p. (BAV) – Il terzo libro d’architettura, Venezia, per Francesco Marcolino, 1540 (BAV); – Il
– PERRAULT Claude (1613-1688), Abrégé des dix livres d’architecture de Vitruve. terzo libro, Vinetia, per Francesco Marcolini, Gio. Battista e Marchio Sessa, 1544
Par C. Perrault, Paris, J. B. Coignard, 1674, 224 p. (BL1481.a.42) (BFIB) (BAV); – Il primo e secondo libri d’architettura, Paris, 1545; – Quinto libro
Outras edições: – Les Dix livres d’architecture Marcus Pollio Vitruvius. Traduction d’architettura, Paris, 1547 / Venetia, Gio Battista et Marchio Sessa, 1559 (BAV)
intégrale de Claude Perrault, 1673, revue et corrigée sur les textes latins et présen- (BFIB); – Il terzo [-quinto] libro, Venetia, per Pietro de Nicolini da Sabbio, 1551
tée par André Dalmas, Paris, 203 p. (BL Cup.22.dd.15); – Architecture générale (BAV); – De Architectura. Libri Quinque, Venezia, F. Senensis & J. Criegher, 1569;
de Vitruve réduite en abregé par M. Perrault, dernière édition enrichie de figures – Il sesto libro d’architettura, Frankfurt, 1575; – Il settimo libro d’architettura,
en cuivre, Amsterdam, 1681 (BL1043.f.11); – Les dix livres d’Architecture, corrigez Francofurti ad Moenum, ex officina typographica Andreae Wecheli, 1575, 243 p.
et traduits en François, avec des notes et des figures. Seconde édition, corrigée et (BAV); – Il primo-settimo libro d’architettura, Paris, 1540-1575, 7 partes em 2 volu-
augmentée par M. Perrault, Paris, 1684 (BL 60.g.3.(1)). mes; – Tutte l’opere d’architettura et un’indice copiosissimo raccolto da M. Gio.
• Em alemão Domenico Scamozzi., Venetia, de’ Francischi, 1584 (BAV); – Libro d’architettura
– RYFF Walter (Rivius ), Nuremberg, 1547; – BLUM Hans, Zurich, 1550. (1584), ed. fac-símile Bologna, Arnaldo Forni Editore, 2 volumes, 826 p.
• Em português Primeiras edições:
– Edição Portuguesa por H. Rua a partir da edição de Perrault de 1684, Lisboa, • Em castelhano
Instituto Superior Técnico,1998, 360 p. (JMM) – Tercero y quarto libro de architectura de... Boloñés... agora nuevamente tradu-
1485-… zido por Francisco de Villalpando Architecto, Toledo, Ivan de Ayala, 1552, 75 p.
ALBERTI Leon Battista (1404-1472), De re aedificatoria Italiana e Latina, Firenze, (BNE); – Tercero y quarto libro de architectura, traduzido de toscano en lengua
Nicolò di Lorenzo Alemanno, 1485. castellana por Francisco de Villalpando, Toledo, Ioan de Ayala, 1563, 78 p. (BNE);
Outras edições: – Toledo, Iuan de Ayala, 1573, 78 p. (BAV)
• Em latim: • Em francês
– Libri De re aedificatoria dece [m]. Opus integree[m] et absolutum [m]: diligenter – Quinto libro d’architettura traduict en françois par Ian Martin, Paris, de
q[ue] recognitum. Distinctum est arte, Parrhisijs, B. Rembolt, 1512, 376 p. l’imprimerie de Michel de Vascosan, 1547, 33 p. (BAV)
(BAV.Cicognara.IV.371 ou R.I.V.2048) • Em alemão
• Em italiano – Die Gemaynen Reglen von der Architecktur, über die Funff Manieren der Gebew,
– I dieci libri de l’architettura di Leon Battista degli Alberti… Novamente da la [s.n.], 1558, 71p. (BAV)
latina ne la volgar lingua con molta diligenza tradotti, Vinegi, appresso Vincenzo 1554-1567
Vaugris, 1546 (BFIB); – L’architettura di Leon Battista Alberti tradotta in lingua CATTANEO Pietro, I quattro primi libri di architettura di Pietro Cattaneo Senese
fiorentina da Cosimo Bartoli gentil’homo & Accademico Fiorentino, con l’aggiunta nel primo de’ quali si dimostrano le buone qualità de’ siti per l’edificatione delle
de’ disegni, Firenze, appresso Lorenzo Torrentino Impressore Ducale,1550 città & castella; nel secondo quanto si aspetta alla materia per la fabrica; nel terzo
(BFIB); – L’architettura, a cura di G.Orlandi e P. Portoghesi, Milano, il Polifilo, si veggono varie maniere di tempii; nel quarto si dimostrano per diverse piante
1966. l’ordine di più palazzi & casamenti, Vinegia, in casa de’ figliuoli di Aldo, 1554. (BFIB)
• Em francês CATTANEO Pietro, L’architettura di Pietro Cattaneo Senese, alla quale oltre ad
– L’architecture et art de bien bâtir du Seigneur Leon Baptiste Albert… divisée en essere stati dall’istesso autore riuniti meglio ordinati e diversi disegni e discorsi
dix livres traduits du latin en français, par deffunct Ian Martin, Paris, I. Keruer, arricchiti i primi quattro libri per l’adietro stampati sono aggiunti di più il quinto,
1553 (BAV.Cicognara.VI.374). sesto, settimo e ottauo libro, Venetia, Aldo Manuzio, 1567. (BNFIB)

358
Edição recente: – L’architettura. Libri otto (1567), ed. fac-símile, Bologna, Arnalfo Edição recente: – MONTCLOS J. M. Pérouse de, Philibert de l’ Orme: Les traités
Forni Editore, 1972, 208 p. d’architecture, Paris, Laget, 1988, 87 p. (BNF-FOL-V-12896)
1558 1570
RIVIUS Walther, Der Architektur fürnembsten…Mathematischen und Mechanischen PALLADIO Andrea (1508-1580), I quatro libri dell’architettura, nè quali, dopo un
Künst… in drei Bücher abgetheilet, Nüremberg, Gabriel Heyn, 1558. breve trattato dè cinque ordini & quelli avertimenti, che sono più necessarij nel
1561 fabricare; si tratta delle case private, delle vie, de i ponti, delle piazze, de i xistii &
ORME Philibert de l’ (c.1510-1570), Inventions pour bien bastir et à petits frais, de’ tempij, Venezia, Domenico de’ Franceschi, 1570, 2 volumes. (AAR, R.B.R. f824.2.
Paris, Federic Morel, 1561, 122 p. (BAHOP 741 D) Pal. Qua)
Edição recente: – MONTCLOS J. M. Pérouse de, Philibert de l’ Orme: Les traités Outras edições:
d’architecture, Paris, Laget, 1988, 87 p. (BNF-FOL-V-12896) • Em italiano
1562 -… – Venezia, Bartolomeo Carampelli, 1601. (BAV, Barberini.N.V.27 ou BAV, Chigi.
VIGNOLA Giacomo Barozzi da (1507-1573), Regola delle cinque ordini d’architet- II.429).
tura, 1562. • Em inglês
VIGNOLA Giacomo Barozzi da (1507-1573), I quattro libri dell’architettura, 1562. – Andrea Palladio’s Architecture, in four books, carefully revised and redelineated
Outras edições: by Edward Hoppus .and embellished (by) a large variety of chimney pieces
• Em italiano collected from the works of Inigo Jones & others, London, Benjamin Cole, 1736,
– Regola delle cinque ordini d’architettura, Roma, 1602; – Regole delle cinque 250 p. (BL 1486.gg.7.); – The four books of Andrea Palladio’s architecture: where-
ordini di architettura. Trattati con l’aggiunta degli scritti di architettura di Alvise in, after a short treatise of the five orders, those observations that are most neces-
Cornaro, Francesco Giorgi, Claudio Tolomei, Giangiorgio Trissino, Giorgio Vasari, sary in building. The translator’s preface signed: Isaac Ware, London, Isaac Ware,
a cura di E. Bassi [et al.], Milano, il Polifilo, 1985. 1738, 110 p. (BL 60.g.1)
• Em português • Em castelhano
– Regras das cinco ordens de architectura com hum acrecentamento de Geo- – Libro Primero de la Arquitectura, traduzido de Toscano en Castellano por Fran-
metria prática e regra de perspectiva de Fernando Galli Bibiena, traduzido cisco de Praves, Valladolid, Ivan Lasso, 1625, 38 p. (BNE); – Los Quatro Libros
por José Carlos Binhetti, Lisboa, Officina de Jose D’Aquino Bulhoens, 1787, de Arquitectura traducidos è ilustrados con notas por Don Joseph Francisco Ortiz
86 p. (Catálogo n. 110 de Arnaldo Henriques de Oliveira, n. 1481, in A tradu- y Sanz, madrid, Imprenta Real, 1797, 42 p. (BNE)
ção em Portugal); – Regras das cinco ordens de architettura segundo os prin- 1598
cípios de Vinhola, com um ensaio sobre as mesmas ordens feito sobre o DIETTERLIN W., Le livre de l’architecture, 1598.
sentimento dos mais célebres Architectos, tradução de José Calheiros de Maga- Outra edição: – Liège, 1862, 5 partes em 2 volumes.
lhães e Andrade, Coimbra, na Real Imprensa da Universidade, 1787, 154 p. 1615
(BNLB. A.377); – Regras das cinco ordens de architettura segundo os princí- SCAMOZZI Vincenzo, L’idea dell’architettura universale, Venezia, presso l’autore,
pios de Vinhola, com um ensaio sobre as mesmas ordens feito sobre o senti- 1615 (AAR Stack.820.Sca.I).
mento dos mais célebres Architectos, tradução de José Calheiros de Magalhães Outras edições: – SCAMOZZI Vincenzo; TICOZZI Stefano (1762-1836);
e Noções teóricas de architectura civil, seguidas de um breve tratado das MASIERI Luigi Gianni C., L’idea dell’architettura universale, Perugia, 1803.
Cinco Ordens de J.B. de Vignola, Lisboa, 1839, 28 p.; – Breve tratado das Outra edição: – Milano, C.Gianni, 1835-1839, 2 volumes (AAR Stack.820.
cinco ordens de arquitectura / Giacomo Barozzio da Vignola, trad. e compil. Sca.I).
pelo professor José da Costa Sequeira, Lisboa, Typ. de A. S. Coelho, 1841. – Reprod. facs. da primeira edição: Bologna, Arnaldo Forni editore, 2 volumes,
(BNL B.A. 283 V.) 816 p.; – Reprod. facs. da primeira edição: Farnborough, Gregg, 1964.
Outra edição: Typ. de José Baptista Morando, 1848 (BNL B.A. 283//6 V.); – Re- • Em francês:
gras das cinco ordens de architectura, tradução de José Baptista Morando, Lis- – Les cinq ordres d’architecture de Vicent Scamozzi, Architecte de la République
boa, 1858, 158 p. de Venise: tirez du sixième Livre de son Idée generale d’Architecture, avec des
• Em castelhano planches originales de Augustin Charles d’Aviler, Architete, Paris, Jean Baptiste
– Regla de los cinco órdenes de Architectura... traducido em Romance por Patricio Coignard, 1685, 145 p. (BAV Cicognara 654)
Caxesi Florentino, Madrid, Vicencio Carducho, 1593, 33 p. (BNE); – Outras 1623-1647
edições: Madrid, 1651, 1702, 1722, 1736, 1760, 1764, 1768, 1813 e 1855. LE MUET P., Manière de bien bâtir pour toutes sortes de personnes, Paris, 1623-
1564 -1647.
BULLANT Jean, Reigle générale d’architecture, Paris, 1564. 1624
1567 WOTTON Sir Henry, The elements of architecture, London, 1624.
ORME Philibert de l’ (c.1510-1570), Inventions pour bien bastir et à petits frais: 1629
Livres 1-9, Paris, Federic Morel, 1561. VIOLA Zanini G., Della architettura (libri due), Padova, 1629.

359
1629-1790 Outra edição: – Reprodução fac-símile, Bologna, Arnaldo Forni editore, 1979,
BRANCA Giovanni (1571-1645), Manuale di architettura, breve, risoluta e pratica, 72 p.
diviso in sei libri, Ascoli, Massio Salvioni, 1629, 224 p. (BAV R.G.ArteArch. VI.15) 1681
(BAV Barberini, N.VI,189, Ferraioli.VI.303). LE MUET P., Manière de bien bâtir pour toutes sortes de personnes. Revue et enrichie
Outras edições: – Roma, 1718; – 3.ª ed., Roma, Eredi Barbiellini, 1757, 127 p. de plusieurs figures des plus beaux bâtiments de France, Paris, 1681, 2 livros em
(BAV Cicognara. IV.449); – Manuale d’Architettura di Giovanni Branca correto 1 volume.
ed accresciuto, Monaldini, Roma, 1772, 6 volumes; – Roma, Monaldini, 1783, 1691-1756
271 p. (BAV Cicognara, III.450) (BAV R.G.ArteArch.VI.16) (DSA RIS.A15); – AVILER Augustin-Charles d’ (1653-1700), Cours d’architecture qui comprend les
Manuale d’architettura corretto, ed accresciuto, Modena, Società Tipografica, ordres de Vignole, avec des commentaires, les figures & descriptions de ses plus
1789, 8 pranchas (BAV R.G.ArteArch.IV.593); – Reprodução fac-símile da beaux bâtiments, & de ceux de Michel-Ange – vol. I; Explication des Termes
1.ª ed., Firenze, Uniedit, 1975. d’Architecture, Paris, 1691, Nicolas Langlois, vol.I – 354 p., vol. II, 425 p. (DSA
• Em castelhano RIS.B.43, I, II).
– Manual d’architettura… traducido al castellano por Don Manuel Hijosa, Outra edição: – Nouvelle éd. par Pierre Jean Mariette, Paris, C.A. Jambert, 1756
Madrid, Viuda de Joachin Ibarra, 1790, 175 p. (BNE) (BAV Cicognara.V.406) (BNL BA. 242 V).
1631 1706-1714
COUTO Mateus do, o Velho, (m. c. 1664 ), Tractado de architectura que leo o mestre CORDEMOY, J.-L. de, Nouveau traité de toute l’architecture, Paris, Jean-Baptiste
e archit.º Mattheus do Couto, o velho no anno de 1631, Lisboa, 100 p. (manuscri- Coignard, 1706, 216 p. (BAV Cicognara.III.480)
to) (BNL COD 946) Outra edição: – Paris, Jean-Baptiste Coignard, 1714.
1633-1796 1714
LAURENCIO de San Nicholás (fray), Arte y uso de architectura, Valencia, 1633 LECLERC S., Traité d’architecture avec de remarques très utiles pour les jeunes
(parte I), 1664 (parte II). (BNE 19940019583) gens, Paris, P. Giffart, 1714.
Outras edições: – 2.ª ed., Madrid, Bernardo de Hevada,1667, 2 volumes (BNE); 1725
– 3.ª ed., Madrid, Manuel Román, 1736, 2 volumes (BNL B.A. 235 V SAO- HALFPENNY William, The art of sound building in geometrical problems, London,
Nicolas, Lorenzo de); – Madrid, Placido Barco López, 1796, 471 p. (BNE); – S. Aris for the author, 1725, 56 p.
Reprodução fac-símile da edição de 1796: Saragozza, 1989. 1728
1673-1688 BRISEUX Charles-Étienne (c.1680-1754), Architecture moderne; ou l’art de bien
HARTMANN Daniel, Burgerliche Wohnungs Baw-Kunst, Basel, 1673. bâtir pour toutes sortes de personnes, Paris, 1728, 2 volumes (BNF V-8975)
Outra edição: – Basel, 1688. 1728
1675 COURTONNE Jean (1671-1739); BRISEUX Charles-Étienne (c.1680-1754),
ESCHINARDI Francesco (1623-1703), Architettura civile ridotta a metodo facile e Architecture moderne ou l’art de bien bâtir pour toutes sortes de personnes tant
breve da Costanzi Amichevoli (pseud.), Terni, 1675, Bernardino Arnazzini, 48 p. pour les maisons de particuliers que pour les palais, contenant cinq traités, Paris,
(BAV.Cicognara.V.397). Claudel Jombert, 1728, 2 volumes (AAR R.B.R.820.Jam.Arc) (BAV Cicogna-
1678 ra.V.402)
CAPRA Alessandro, La nuova architettura famigliare, Bologna, Giacomo Monti, 1678. 1734-1792
1678 MASUSTEGUI Pedro, Arte de Construcción, Sevilla, J. Francisco Blas de Quesada,
CARAMUEL LOBKOWITZ Juan (1606-1682)); BUGATTI Giovanni-Francesco; 1734, 176 p. (BNE)
DURELLO Simone; LAURENTI Cesare de; CORRADO Camilo, Architectura civil Outras edições: – Madrid, 1792.
recta y obliqua: considerada y dibuxada en el templo de Ierusalem, promovida a suma 1737-1858
perfeccion en el templo y palacio de S. Lorenço cerca del Escurial, Vegeven, Emprenta BELIDOR Bernard Forest de (1697-1761), Architecture hydraulique, ou l’art de
Obispal por Camillo Corrado, 1678, 3 volumes (BTB) (BAV Cicognara.VII.463) conduire, d’élever et de ménager les eaux pour les différents besoins de la vie,
Outra edição: – Reprodução fac-símile, Madrid, Turner, 1984 (dir. De Antonio Paris, C.-A. Jombert, 1737-1770, 4 volumes (BNF FB- 22092-6)
Bonet Correa) Outras edições:
1678 • Em francês
CAPRA Alessandro, La nuova architettura famigliare diuisa in cinque libri corris- – Paris, C.-A. Jombert, 1739-1770, 5 volumes (BNF V- 12719 -12723); – Paris,
pondenti a’ cinque ordini, cioè Toscano, Dorico, Ionico, Corintio, Composito, L. Cellot, 1782-1790, 4 volumes (BNF 4- V- 3074); – Paris, F. Didot, 1819, 1 vol.,
Bologna, Per Giacomo Monti, 1678, 366 p. (BAV Barberini.N.II.37) 667 p. (BNF V- 9870)
1679 • Em alemão:
LEONCINI Giuseppe, Istruttioni architettoniche secondo la dottrina di Vetruvio, – Nürnberg, C. Weigel, Ingenieur-Wissenschaft bei aufzuführenden Vestungs-
Roma. Matteo Gregorio Rossi, 1679, 68 p. (BAV Cicognara.III.547) Werken und bürgerlichen Gebäuden, 1857-1858, 2 volumes (BNF V-9307)

360
RIOUX J. P., La révolution industrielle, 1780-188, Paris, éditions du Seuil, 1971. BIAV – Biblioteca Centrale del Ateneo dell’Istituto Universitario di Architettura di
RODRIGUES A. A. Gonçalves, A tradução em Portugal- Tentativa de resenha crono- Venezia
lógica das traduções impressas em língua portuguesa excluído o Brasil de 1495 BIPSAR – Biblioteca do Instituto Português de Sto. António em Roma
a 1950, Lisboa, Imprensa Nacional vol. I (1495-1834); Instituto de Cultura e BL – British Library, Londres
Língua Portuguesa, vol. II (1835-1850); ISLA, vol. III (1851-1870); ISLA, vol. IV BNE – Biblioteca Nacional de Madrid
(1871-1900) (BNL) BNF – Bibliothèque Nationale de France, Paris
RODRIGUES J. M.; SOUSA P. F. de; BONIFÁCIO H. M. P., Vocabulário técnico e BNCR – Biblioteca Nazionale Centrale Vittorio Emanuele II, Roma
crítico de Arquitectura, Coimbra, Quimera Editores, 1996, 291 p. (JMM) BNL – Biblioteca Nacional de Lisboa
SANTOS, Pérsio de Souza, Tecnologia de Argilas – Vol. 2 Aplicações, São Paulo, BPT – Biblioteca Central de Arquitectura do Politécnico de Turim
Editora Edgard Blücher Lta, 1975, 802 p. (JMM) BRB – Bibliothèque Royale de Belgique, Bruxelas
SILVA João Ribeiro Christino da, Elementos de História da Arte, Biblioteca de Instrução BTB – Biblioteca do Arch. Tomaso Buzzi, Scarzuola, Orvieto
Profissional, 3.ª Série – Construção Civil, 4 volumes, I – Arte Antiga; 2 – Arte BUC – Biblioteca da Universidade de Coimbra
Medieval; 3 – Arte na Renscença; 4 – Arte Moderna, 1904-1910. (JMM) DIS – Dipartimento di Ingegneria Strutturale e Geotecnica -Sede Architettura
SOUSA Gonçalo de Vasconcelos e, Metodologia da Investigação: Redacção e apre- DFI – Dipartimento di Fisica, La Sapienza, Roma
sentação de trabalhos científicos, Livraria Civilização Editora, 1998, 132 p. (JMM) DRR – Biblioteca del Dipartimento di Rapresentazione e Rilievo, La Sapienza, Roma
STRABO (64/63 a. C.-c. 23 d. C.), L’Africa di Strabone: Libro XVII della Geografia DSA – Biblioteca del Dipartimento di Storia della Architettura, La Sapienza, Roma
introduzione, traduzione e commento di Nicola Biffi, Modugno, Bari, Edizioni DST -Biblioteca del Dipartimento di Scienze della Terra, La Sapienza, Roma
dal Sud, Serie Quaderni di “Invigilata Lucernis”, 1999, 450 p. (BSR ISAG – Biblioteca dell’Istituto Storico e di Cultura dell’Arma del Genio, Roma
213.STR.8) ICCROM – Biblioteca Internacional para a Conservação de Bens Culturais, Roma
TAVARES A. de Lyra, A engenharia militar portuguesa na construção do Brasil, IST – Depósito da Biblioteca do Instituto Superior Técnico, Lisboa
Secção de Publicações do E. M. E., 1966, 2 volumes. (BE, 13979) KULeuven, BIBC – Katholieke Universiteit Leuven, Centraal Biblioteek, Bélgica
TEIXEIRA Francisco Gomes, História das Matemáticas em Portugal: Lições proferi- LNEC – Biblioteca do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Lisboa
das de 12 a 19 de Abril de 1932, Lisboa, Academia das Ciências, 1934, 300 p. RCSPC – Biblioteca do Real Colégio de São Pedro de Coimbra (Catálogo Gen. 1306,
(BNL CDU: 51.091) 1977)
VASCONCELLOS Joaquim de, Indústria de Cerâmica, Biblioteca de Instrução Pro- UCL – Université Catholique de Louvain-la Neuve, Bélgica
fissional, 6.ª Série -Descripção de indústrias, Lisboa, Typ. da Empreza da Histó- JMM – Biblioteca do autor
ria de Portugal, 1908-c.1910. (IST)
VERRUA Pietro, Sulle relazioni culturali tra Portogallo e Italia: I-L’epistolario di Filippo
Terzi, Milano, Genova, Soc. an. Dante Alighieri, Estratto da “La Rassegna, anno
45”, 1937, 10 p. (BAV) FONTES COMPUTADORIZADAS

Internet – Catálogos on-line


BIBLIOTECAS E ARQUIVOS (ABREVIATURAS)
Bibliothèque Royale de Belgique – http://www.belspo.be
Bibliotecas Alemãs – OPACs – http://www.hbz-nrw.de/hbz/toolbox/opac.htm
AAR – American Academy in Rome Biblioteca Capitolina, Roma – http://opac.sbn.it/cgi-bin/
AIPSAR – Arquivo do Instituto Português de Sto. António em Roma Biblioteca Nacional de Espanha – http://www.bne.es/cgi-bin
ASABR – Archivio della Sovrintendenza dei Beni Architettonici de Roma Bibliothèque Nationale de France-Catalogue OPALE PLUS- http://catalogue.bnf.fr:80/
ASC – Archivio di Stato Capitolino, Roma Biblioteca Nacional Lisboa-Porbase WWW – http://www.bnl.pt/
ASV – Archivio Segreto Vaticano, Vaticano Biblioteca da Universidade de Coimbra – http://scoweb.bg.uc.pt/cgi-bin/webopac
BAHOP – Arquivo Histórico do Ministério das Obras Públicas, Lisboa Biblioteca
BAV – Biblioteca Apostólica Vaticana, Vaticano Biblioteca do ICCROM – http://library.iccrom.org
BE – Biblioteca do Exército, Lisboa Library of Congress – http://lcweb.loc.gov/z3950/
BFI – Biblioteca Centrale della Facoltà di Ingegneria G. Boaga, La Sapienza, Roma Réseau canadien d’information sur le patrimoine (RCIP) – http://www.chin.gc.ca/
BFIB – Biblioteca della Facoltà d’Ingegneria, Universidade de Bolonha The British Library – http://www.bl.uk

414
ORIGEM DAS FIGURAS

CAPÍTULO I – A BIBLIOGRAFIA E A TRANSMISSÃO DO SABER AOS PROTAGONISTAS DA CONSTRUÇÃO

Figura Título Origem


Ano de Tomo, Capítulo, Prancha,
número Autor Título da obra
publicação Página
Detalhe de um fresco de Pompeia (séc. I a.C)
1.1 que representa uma jovem mulher lendo um volumen
BLASSELLE Bruno Histoire du Livre 1997 Volume 1, p. 15

Maqueta representando um grande edifício romano


1.2 de apartamentos em Óstia Antiga
s.n. Museo della Civiltà Romana, Roma s.d.

Desenhos relativos à catedral de Reims apresentada


1.3 no Carnet de Villard d’Honnecourt
ERLANDE-BRADENBURG Alain Quand les cathédrales étaient peintes 1993 pp. 86-87

Plantas e alçados de um pináculo


1.4 apresentado no manual de Roriczer
ERLANDE-BRADENBURG Alain Quand les cathédrales étaient peintes 1993 pp. 96-97

Frontispício da obra de Vitrúvio por Daniele Barbaro (1556) JESTAZ Bertrand Architecture of the Renaissance 1996 p. 99
1.5 e as cinco ordens de colunas segundo Sebastiano Serlio (1569) MILLON H. LAMPUGNANI V.(ed.) Rinascimento: Da Brunelleschi a Michelangelo 1994 p. 311
Frontispício do "Methodo Lusitanico" de Luis Serrão Pimentel,
1.6 publicado em Lisboa, em 1680
PIMENTEL Luis Serrão Methodo Lusitanico 1680 Frontespício

Prancha intitulada "Tenalha de hum Exagono do novo


1.7 Systema de M.r de Vauban", da obra "O Engenheiro Português", FORTES Manuel de Azevedo O Engenheiro Portuguez 1729 Estampa 7
de Manuel de Azevdo Fortes, Lisboa, 1729
Frontispício do primeiro volume da "Encyclopédie"
1.8 de Diderot e d’Alembert da primeira edição de 1751
MOUREAU François Le roman vrai de l'Encyclopédie 1751, 1990 p. 63

Detalhe da "Table Analytique" da Enciclopédia de Diderot et d’Alembert


1.9 extraída de um "Essai d’une distribution génèalogique des Sciences et DIDEROT et D'ALEMBERT Encyclopédie 1751
des Arts principaux", publicado em 1769
Desenho de vários tipos de arcos e abóbadas e aplicações práticas CARLETTI Nicolò Istituttione di Architettura Civile Manuale 1772 Tom II, Tav.II eTav.VIII
1.10 da Perspectiva do tratado de Nicolò Carletti de 1772 CIRIELLO Onidia, CUSTODE Francesco del Recupero delle Techniche Napoletane 1996 pp. 110 e 113
Representação em perspectiva dos blocos necessários 1604-1605
1.11 a uma escada em caracol, por Vriedeman de Vries
VRIES Jan Vredeman de Perspective
(Dover, 1968)
Prancha 36

Exemplo de uma das pranchas dedicadas ao corte das aduelas


Traité de Stereotomie
1.12 de uma nervura gótica, do tratado de Estereotomia FREZIER, Amédée François
à l'usage de l'architecture
1739 Prancha 71
de Amédée François Frézier, de 1737-1739
Moinho para corte de lajes de pedra e aspecto de uma unidade Planche I.Tuilerie e Pl. II,
1.13 de produção de telhas e tijolos, em duas pranchas da Encyclopédie
DIDEROT et D'ALEMBERT Encyclopédie 1751
Moulin à scier les dalles
Operações de consolidação e reforço em um edifício lesionado
1.14 apresentados no Castelli e ponti de Zabaglia, 1743
ZABAGLIA Nicolla Castelli e ponti 1743 Tav. XIII

Asna Polenceau usada a partir de 1839 e vista do Second Leiter KHÜL Beatriz Mugayar Arquitectura do Ferro 1998 p. 50
1.15 Building em Chicago, de William Jenney (1889) SEGURADO João Emílio dos Santos Serralharia Civil c.1918 p.231
Sistema de abobadilhas com tijolos ocos Vol.I, p. 181;
1.16 entre vigas de ferro (Breymann)
BREYMANN Gustav Adolf Tratatto generale di Costruzioni Civile 1855-1910
figs. 492, 493 e 494 a.d
Estereotomia de uma escada em caracol,
1.17 do tratado de Charles Leroy (1845-1926)
LEROY Charles Antoine Traité de Stéréotomie 1845-1926 Planche 63

Frontispício das Memórias da Real Academia


1.18 das Ciências Lisboa em 1812
ACADEMIA Real das Ciências de Lisboa História da Real Academia de Ciências 1812 Primeira página

Máquina de Bonniceau para a medição dos coeficientes de dilatação Chaux et sels de chaux
1.19 de diversos tipos de alvenarai, apresentada na obra de Grange em 1894
GRANGE C.
à différents points de vue
1894 p. 387, fig. 81

Ilustrações do Nouveau manuel complet du peintre en bâtiments MALEPEYRE, RIFFAULT, TOUSSAINT; Nouveau Manuel complet Frontispício
1.20 de Riffault, Vergnaud e Toussaint (1850) VERGNAUD du peintre en bâtiments
1850
e Planche 1
Idéa Geral do que he a Architectura,
1.21 segundo José Manuel de Carvalho e Negreiros (1804)
NEGREIROS José Manuel de Carvalho O Engenheiro Civil Português 1804 Caderno I, Abril

Sistemas de pilares Considère p.267, fig. 163


1.22 e sistema de laje Monier
SEGURADO João Emílio dos Santos Cimento Armado c . 1920
p. 309, fig.198
Detalhe de uma janela no sistema de pedra talhada e ferro
1.23 apresentado por Warland no Modern Practical Masonry de 1929
WARLAND E.G. Modern Practical Masonry 1929 p. 36, fig. 119

415
ÍNDICE DE FIGURAS

Capítulo I – A bibliografia e a transmissão do saber 1.18 Frontispício das Memórias da Real Academia das Ciências de Lis- 50
aos protagonistas da construção boa, em 1812.
1.19 Máquina de Bonniceau para a medição dos coeficientes de dilatação de 51
1.1 Detalhe de um fresco de Pompeia (séc. I a.C) que representa uma 23 diversos tipos de alvenaria, apresentada na obra de Grange em 1894.
jovem mulher lendo um volumen. 1.20 Ilustrações do Nouveau manuel complet du peintre en bâtiments de 54
1.2 Maqueta representando um grande edifício romano de apartamen- 24 Riffault, Vergnaud e Toussaint (1850).
tos em Óstia Antiga. 1.21 Idéa Geral do que he a Architectura, segundo José Manuel de Carva- 55
1.3 Desenhos relativos à catedral de Reims apresentada no Carnet de 26 lho e Negreiros (1804).
Villard d’Honnecourt. 1.22 Sistema de pilares Considère e sistema de laje Monier. 58
1.4 Plantas e alçados de um pináculo apresentado no manual de Roriczer. 26 1.23 Detalhe de uma janela no sistema de pedra talhada e ferro, apresen- 59
1.5 Frontispício da obra de Vitrúvio por Daniele Barbaro (1556) e as cinco 28 tado por Warland no Modern Practical Masonry, de 1929.
ordens de colunas, segundo Sebastiano Serlio (1569).
1.6 Frontispício do “Methodo Lusitanico” de Luis Serrão Pimentel, pu- 32
blicado em Lisboa, em 1680. Capítulo II – Sistemas de concepção geométrica
1.7 Prancha intitulada “Tenalha de hum Exagono do novo Systema de Mr. 34 e dimensionamento de edifícios em alvenaria
de Vauban”, da obra “O Engenheiro Português”, de manuel de Aze-
vedo Fortes, Lisboa, 1729. 2.1 Sistemas “modernos” de gaiola propostos na “Encyclopédie”. 72
1.8 Frontispício do primeiro volume da “Encyclopédie” de Diderot et 35 2.2 Alvenaria mista e alvenaria de pedra talhada usadas na Antiguidade 73
d’Alembert da primeira edição de 1751. Clássica, segundo Girolamo Masi.
1.9 Detalhe esquemático da “Table Analytique” da Enciclopédia de 35 2.3 Os sistemas das basílicas romano-cristãs (sistema com estrutura re- 75
Diderot et d’Alembert extraído de um “Essai d’une distribution génèa- sistente longitudinal e sistema com estrutura resistente transversal).
logique des Sciences et des Arts principaux”, publicado em 1769. 2.4 Sistema construtivo alveolar das cúpulas romanas. Em baixo sistema 79
1.10 Desenho de vários tipos de arcos e abóbadas e aplicações práticas da 38 usado no Renascimento para a Catedral de “S. Maria delle Fiore”,
Perspectiva do tratado de Nicolò Carletti de 1772. em Florença.
1.11 Representação em perspectiva dos blocos necessários a uma escada 40 2.5 Construção de um arco de “serapainel” de três centros, segundo 83
em caracol, por Vriedeman de Vries. Valério Martins de Oliveira (1748) e Formenti (1893).
1.12 Exemplo de uma das pranchas dedicadas ao corte das aduelas de 41 2.6 Traçado de diversos tipos de abóbadas: cilíndrica rampante (1); cilín- 84
uma nervura gótica, do tratado de Estereotomia de Amédée François drica helicoidal (2); luneta horizontal e luneta descendente cilíndrica
Frézier, de 1737-1739. (3); aresta ou cruzeiro sobre planta quadrangular (4); barrete de clé-
1.13 Moinho para corte de lajes de pedra e aspecto de uma unidade de 42 rigo quadrangular (5); cruzeiro sobre planta pentagonal irregular (6);
produção de telhas e tijolos, em duas pranchas da “Encyclopédie”. barrete de clérigo rectangular com zona central quase plana (7); lune-
1.14 Operações de consolidação e reforço em um edifício lesionado apre- 43 tas numa cúpula esférica (8).
sentadas no Castelli e ponti de Zabaglia, 1743. 2.7 Abóbadas de pendentes. 85
1.15 Asna Polenceau usada a partir de 1839 e vista do Second Leiter 45 2.8 Exemplo de trompa ou perxina, segundo Frézier. 86
Building em Chicago, de William Jenney (1889). 2.9 Abóbada ogival de 6 quartos. 86
1.16 Sistema de abobadilhas com tijolos furados entre vigas de ferro (Breymann). 48 2.10 Traçado de abóbadas em leque. À direita exemplo de pendural. 87
1.17 Estereotomia de uma escada em caracol, do tratado de Charles Leroy 49 2.11 Construção geométrica de uma abóbada de quatro ogivas com liernes 87
(1845-1926). e terciarões sobre uma planta quadrada, segundo Frézier.

424
2.12 Aparelho por fiadas longitudinais e aparelho em travessões para uma 88 2.43 Máquina de Rondelet para medir a resistência dos materiais, melho- 115
abóbada de pedra em ogiva. rada a partir da primeira máquina para teste da resistência das pe-
2.13 Centro de gravidade e equilíbrio de blocos prismáticos. 88 dras à compressão, desenhada por Gauthey em 1757.
2.14 Aparelho de platibandas em pedra. 89 2.44 Equilíbrio de um sólido homogéneo de eixo horizontal uniforme- 116
2.15 As juntas [PQ] e [RS] denominadas “crossettes” eram evitadas exe- 90 mente carregado, apoiado nas extremidades sobre planos horizontais.
cutando o “extradorso paralelo”, dando origem às juntas “corrigidas” 2.45 Diagramas de distribuição das cargas actuantes sobre as arquitraves 116
[pq] e [rs], segundo Leroy. e colunas do pórtico do Parthénon, em Atenas. À direita, o caso do
2.16 Aduelas de aresta “en bésace” (Choisy) e aduelas em V (Leroy). For- 90 pórtico interno do Panteão em Roma, com arcos de ressalva (Milani).
mas de evitar as juntas próximas dos ângulos. 2.46 Um sistema arquitravado sujeito a uma carga horizontal (Milani). 116
2.17 Perfis de arcos de diversas espessuras. 92 2.47 Representação gráfica da espessura t= h/8 para uma parede livre, 118
2.18 Aparelhos para arcos em tijolo de 1 vez de altura e espessuras de 92 segundo Rondelet.
1 vez, 1 ½ vez, 2 vezes e 2 ½ vezes (1-4);… 2.48 Modelo de Giuffré para uma parede constituída por blocos iguais 119
2.19 Aparelho de abóbadas de tijolo de grande espessura. 93 sobrepostos.
2.20 Exemplos de aparelhos por fiadas longitudinais, por anéis adjacentes 93 2.49 A estabilidade de uma parede no caso de estar isolada ou ligada a 120
e por anéis concêntricos. outras paredes transversais.
2.21 Exemplos de utilização do aparelho em espinha. Abóbada simples 93 2.50 Paredes de edifícios térreos do tipo basilical, suportando coberturas, 120
e abóbada rampante helicoidal em escada (fig. 42 de Gratry). segundo Rondelet.
2.22 Aparelho em espinha do centro para a periferia. 94 2.51 Esquema para a utilização das fórmulas de Rondelet no caso de edi- 122
2.23 Sistema romano de abóbadas com tijolo ao chato. 95 fícios a corpo simples e a corpo duplo.
2.24 O aparelho alentejano e o sistema de zonas oblíquas de Claudel. 95 2.52 Espessura das paredes do regulamento Municipal de Berlim no final 122
2.25 Sistemas de abobadilhas entre vigas de ferro. Sistema comum com 95 do século XIX, segundo Breymann.
tijolos ao cutelo e Sistema americano de Guastavino com tijolos ao 2.53 As três condições de carregamento para o dimensionamento de um 123
chato. sólido homogéneo vertical, segundo Milani.
2.26 Aparelhos da Antiguidade em pedra talhada. 96 2.54 Ilustração de Valadier sobre o equilíbrio de consolas de coroamento 127
2.27 Aparelhos com tijolos e mistos usados na Antiguidade Clássica e 97 (Breymann).
indicados como modelos ideais. 2.55 Sistema de ancoragem de uma cornija de coroamento. 127
2.28 Estudo da estabilidade dos volumes. 99 2.56 Desenho do tratado de Alessandro Capra referente à maneira correcta 128
2.29 Detalhe da ligação entre um tambor do fuste e a base de uma coluna. 100 e aos erros na execução de fundações.
2.30 Diversos tipos de aparelho para uma parede de 2 ½ tijolo. 102 2.57 Exemplo da verificação da estabilidade de uma fundação directa 129
2.31 Samblagem de um cunhal resultante da intersecção de duas paredes 102 (Breymann).
em ângulo agudo. 2.58 Regras para degraus de sapatas. 129
2.32 Aparelhos de pilares quadrados a 1 vez, 2 vezes e 2 ½ vezes (a som- 103 2.59 Antiga regra para traçar o extradorso de uma abóbada cilíndrica de 131
breado os tijolos a ¾) e de pilares rectangulares a 1 ½ x 1 vez e 1 ½ x espessura variável, conhecida a espessura na chave.
2 vezes. 2.60 Construção de Fontana para o traçado de uma cúpula (in Valadier). 132
2.33 Exemplos de almofadados. 104 2.61 O método tradicional (medieval) mais frequentemente citado para a 132
2.34 Detalhes de emendas e acessórios para tirantes metálicos. 105 obtenção da espessura dos pés-direitos para arcos e abóbadas rebai-
2.35 Sistemas de ancoragem de vigas de madeira. 105 xados, de volta inteira e elevados.
2.36 Posição incorrecta de um tirante numa abóbada cilíndrica de volta 106 2.62 Exemplo de esquemas destinados a ilustrar as regras empíricas usadas 135
inteira, segundo Valadier. em arcos e abóbadas cilíndricas rectas em tijolo.
2.37 Posição correcta de tirantes para um arco de volta inteira e um arco 106 2.63 Desenhos esquemáticos de Leonardo da Vinci para a rotura de arcos 137
rebaixado, segundo Valadier. de volta inteira, indicados no Códice de Madrid I e o desenho esque-
2.38 Disposição de tijolos comuns e perfis de tijolos de forma para faixas 107 mático da “regra da estabilidade”.
de pouco balanço. 2.64 Princípio da catenária segundo Poleni e a sua construção geométrica 137
2.39 “Nouvelle manière de fonder les pilles” (da “Encyclopédie”). 109 depois de conhecido o vértice e dois pontos situados na mesma hori-
2.40 Sistema de fundação de pilastras sobre estacaria, ligadas por arcos 111 zontal.
invertidos, usado por Giovanonni no Palácio Corsini. 2.65 O mecanismo de colapso de la Hire. 138
2.41 Fundação por abóbadas invertidas. 111 2.66 Comparação esquemática dos impulsos provocados por diversos 138
2.42 Cálculo gráfico da raiz quadrada da área de parte da secção transver- 113 perfis segundo Milizia e frontispício do tratado de Gauthier (edição
sal de um arco ou abóbada cilíndrica. de 1765).

425
2.67 O mecanismo de colapso de Belidor e a construção usada para obten- 139 Capítulo III – Princípios e técnicas de preparação
ção de um algoritmo capaz de oferecer a espessura dos pés-direitos e composição de materiais
de um arco de volta inteira sujeito ao seu peso próprio.
2.68 Frontispício do tratado de Mascheroni e mecanismo de colapso de 140 3.1 O corte do forro de uma coluna. No exemplo representado, o forro 161
Mascheroni (in Rondelet). de forma cilíndrica era dividido em 3 partes seguindo o veio natural
2.69 Esquema para desenvolvimento do algoritmo baseado no mecanismo 140 da pedra.
de Mascheroni, com a notação proposta por Venturoli. 3.2 Exemplos de equipas de carregadores para transporte de um bloco 161
2.70 Regras empíricas de Rondelet. Tipos de abóbadas considerados. 142 de pedra talhada com diversas combinações relativas ao número e à
2.71 Construção gráfica de Rondelet para cálculo da espessura na chave 143 posição relativa de cada um deles (estampa de Valadier inspirada
de abóbadas simétricas rectas de perfil rebaixado ou elevado. em Zabaglia).
2.72 O conceito da linha de pressões (Claudel e Laroque). 144 3.3 Serra artesanal. 162
2.73 Arco de estudo e mecanismo de colapso concebido por Poleni para 144 3.4 Os instrumentos de medida e as ferramentas tradicionais utilizadas 163
a verificação da estabilidade da cúpula Vaticana de S. Pedro, em para o corte e acabamento da pedra: compassos (73 e 74); nível de
1748. pedreiro (75); gaivel (76); régua desdobrável (77)…
2.74 O conceito do polígono funicular. 145 3.5 A utilização da régua e do escantilhão na execução de superfícies 164
2.75 A representação do impulso máximo e mínimo para um arco abatido 146 planas, côncavas e convexas.
e as curvas de pressões limites para um arco de volta inteira. 3.6 Tacos e encaixes para capeamentos. 164
2.76 Cálculo do valor e da posição do peso dos blocos da metade do arco 148 3.7 Os ferros de luva e diversos tipos de pinças. 165
equivalente, seguido da construção do funicular de pressões vincu- 3.8 Entalhes encontrados em templos gregos da Sicília, descritos por 165
lado em “alfa” e w1 (Exemplo prático de Breymann). Rondelet.
2.77 Pressões na secção da imposta e da chave (Exemplo prático de 148 3.9 Os efeitos nefastos da irregularidade dos leitos de colocação e da 166
Breymann). utilização de calços e cunhas na Igreja de Saint-Geneviève em Paris.
2.78 Polígono funicular para o perfil “optimizado” de espessura variável 148 3.10 Marcas de aparelho destinadas à fase de colocação, indicadas no 166
(Exemplo prático de Breymann). tratado de Estereotomia de Leroy.
2.79 Mecanismo de colapso proposto para a verificação da estabilidade 148 3.11 Transporte de blocos de grandes dimensões. 167
de um arco ogival (Breymann). 3.12 Mesa de moldar e molde tradicional apresentados no tratado de 169
2.80 Exemplo da construção do funicular de pressões para o cálculo da 149 Valadier. À direita, prensa mecânica de moldagem, apresentada na
espessura de um pé-direito. revista Popular Science Monthly, em 1880.
2.81 A relação t/R mínima em função do ângulo de abertura de um arco 151 3.13 Secção de um forno a lenha para cozedura de tijolos. 171
circular incompleto (Heyman). 3.14 Secção de um forno de cal de campanha e de um forno fixo tradi- 181
2.82 Gráfico de Giuffré evidenciando a variação do andamento da linha 151 cional.
de pressões na situação do arco extradorsado e do arco só sujeito ao 3.15 Fornos apresentados por Biston (1836): forno misto de calcinação 182
seu peso próprio. contínua e grande forno contínuo. À direita, forno industrial da
2.83 Curvas de Giuffré da espessura dos pés-direitos em função do ângulo 154 Empresa Cerâmica de Lisboa ainda activo no início do século XX.
da secção de ruptura e para diferentes ângulos de atrito. Comparação 3.16 Tanque para extinção de cal (Valadier). 188
dos valores de Belidor (“rottura per scorrimento”) e Mascheroni 3.17 Resultados obtidos por Higgins no final do século XVIII, sobre a me- 196
(“rottura per flessione”). lhor granulometria das areias em argamassas de cal aérea e a curva
2.84 Gráficos de Giuffré para a variação da espessura dos pés-direitos em 154 granulométrica da areia normal usada em Portugal.
função da sua altura. Comparação dos valores obtidos pelo método 3.18 Gráfico com o aumento da resistência à tracção da pasta de cal e da 201
medieval tradicional da fig. 2.61, pelo algoritmo de Belidor e pelo argamassa de areia e cal do “Teil” produzida pela empresa Lafarge
algoritmo de Mascheroni. em 1882.
2.85 Secção transversal da cúpula e polígonos funiculares relativos às 155 3.19 Relação entre as dosagens de areia e as de pozolana. 210
condições estáticas e dinâmicas obtidos para os arcos projectados 3.20 Relação entre as dosagens de areia e as de tijolo pilado. 211
na reconstrução da cúpula da igreja de “San Giovanni Battista 3.21 Instrumentos correspondentes às diversas fases da mecanização da 223
delle Monache” de Nápoles (Ceradini, Palmesano, Benvenuto, amassadura. Rolo, gancho, pá e moinho de argamassa.
Tocci). 3.22 Betoneira de queda livre. 223

426
Capítulo IV – Princípios e técnicas de montagem 4.27 Instrumentos destinados à execução de rebocos. A trolha (1), as 251
e de execução de alvenarias colheres (2), a talocha (3), o esparavel (4) e a espátula denteada (6).
Instrumentos para a execução de estuques: o fio de prumo (7), a
4.1 Sistema de poços drenantes asociados a valas de condução das águas 226 desempenadeira (7), a régua de cantos (8) e as ganchetas (9).
subterrâneas e secções típicas de valas tradicionais. 4.28 A disposição das diversas camadas de um pavimento tradicional. 256
4.2 Desenho de Giovanonni para vários tipos de escoramento de funda- 227 4.29 Assentamento de ladrilhos numa prancha da Encyclopédie. À direita, 257
ções directas. afagamento de ladrilhos cerâmicos com um bloco de peperino (de-
4.3 Antigo esquema que indica a humidade ascensional, com e sem a 227 nominado “orso”) ou com outra pedra rugosa, no detalhe de uma
interposição de um diafragma isolante. prancha de Zabaglia.
4.4 Andaimes apoiados no solo e nas próprias alvenarias em construção. 229
4.5 Alinhamento durante a execução. 229
4.6 Instrumentos usados no assentamento de alvenarias. 229 Capítulo V – Princípios e técnicas destinados
4.7 A ficha e a operação de selagem por gravidade. 231 a assegurar a durabilidade das alvenarias
4.8 Sistemas de gateamento usados na Antiguidade, segundo Leclere e 234
Rondelet. 5.1 Construção geométrica de telhados compostos. 263
4.9 Sistemas de grampagem entre blocos de pedra. 235 5.2 Revestimento com soco na base das fachadas para protecção contra 264
4.10 Alvenaria mista de tijolo e pedra com execução de arrancamentos 235 o salpico das águas pluviais.
para aplicação dos blocos de paramento. 5.3 Detalhe de um algeroz em madeira forrado a folha de zinco. 264
4.11 Desenho de um simples destinado a uma abóbada com um vão de 10 m. 236 5.4 A oficina de trabalho do chumbo (Félibien) e detalhe do revestimento 265
Composto por uma camba curva, pendural, escoras (a), escora da de chumbo do telhado da Catedral de Chartres (adaptado de Viollet-
boneca (b), bonecas (c), flechas (e) e escoras laterais (m). -le-Duc).
4.12 Modo de cimbramento dos alvéolos das abóbadas góticas nervuradas, 236 5.5 Pormenores da realização das juntas horizontais e verticais e da liga- 265
usando tabuado corrido ou simples extensíveis ligeiros. ção de chapas de zinco a uma parede de alvenaria.
4.13 Sistema de Lassaulx aplicado a uma cúpula de tijolos. 237 5.6 Sistemas de caleira e tubo de queda. 266
4.14 Simples de uma abóbada de aresta em leque. 238 5.7 Perfis diversos para cristas e capeamentos para muros. 267
4.15 Simples adaptáveis a diversos perfis do sistema Spengler e simples 239 5.8 Detalhe do revestimento do extradorso de uma cornija com zinco ou 268
deslizante Moller. chumbo.
4.16 Abóbada de tijolos ao cutelo cheia com betão e aligeirada com ele- 240 5.9 Cobre-juntas e separadores de águas, executados em pedra. À direita, 269
mentos cerâmicos ocos. desenho esquemático baseado em Viollet-le-Duc, com as “sangrias” pra-
4.17 Sistemas de descimbramento. As cunhas conjugadas (1), o torniquete 241 ticadas em torno das juntas nos contrafortes da catedral de Estrasburgo.
(2), os sacos e as caixas de areia (3). 5.10 Secções de peitoris revestidos com chapa de zinco chumbada e com 269
4.18 A regularização in situ das superfícies em pedra talhada. 244 tijolos bem cozidos cortados inclinados.
4.19 Projecto do Bernini, para o Palácio de Montecitorio em Roma, mos- 244 5.11 Peitoril ou soleira com talho para assentamento nivelado das um- 269
trando a zona de pilastras previstas não afagadas. breiras, com bacia inclinada munida de lacrimal.
4.20 Cinzéis e escalpelos destinados à arrasadura e ao afagamento dos 245 5.12 Dreno e câmaras de protecção externa em fundações e caves. Da es- 270
paramentos de pedra: maceta (1); escopro pequeno de apontar (2); querda para a direita: caixa drenante com enrocamento (Demanet);
gradim (3); ponteiro (4); cinzel (5); buris e gorjetas para mármores câmara de ventilação (Segurado); muro de contenção de terras afas-
(6, 7, 8); trépano ou violino (9, 10, 11). tado das fundações (Astrua).
4.21 Instrumentos de fechamento e vincagem de juntas. Tira-juntas ou 245 5.13 Câmara de ventilação com canal de recolha, pelo lado interno. 270
gancheta para alegrar as juntas, espátula de enchimento e vincagem. 5.14 Sistema de bailéus (“bilancie”) para limpar o pó (“ispolverare”) e 271
4.22 Perfis de juntas para alvenarias de pedra recomendados por Prud’ 245 realizar obras de simples manutenção da Basílica de S. Pedro. À di-
homme e juntas refendidas em almofadados. reita sistema de escadas para os “festajoli” (operários encarregados
4.23 Perfis possíveis de juntas decorativas em alvenarias de tijolo. 246 de decorar as fachadas para as festas), das pranchas do livro Castelli
4.24 Agrafes para ligação das placas de revestimento entre si e para a 248 e ponti de Zabaglia, de 1743.
ligação entre as placas e as paredes de suporte. 5.15 À esquerda, observação das lesões comuns por assentamento, se- 273
4.25 Mestras ou faixas verticais para a aplicação do esboço, com larguras 251 gundo Valadier que se baseou na obra de Girolamo Masi. À direita,
entre 12 e 16 cm e dispostas cada 1-2 metros. ilustrações de Cristoforo Russo: em cima, lesão parabólica devida a
4.26 Moldes ou cérceas para cimalhas com perfil em chapa de ferro ou de 251 assentamento de terreno, em baixo lesão parabólica e lesão catenária,
zinco, que corriam sobre guias ou réguas de madeira. provocadas por movimentos sísmicos.

427
5.16 Sistemas diversos de escoramento de portas, janelas, arcos e abóba- 273 6.10 Exemplo de parte de um questionário desenvolvido para a análise 296
das, cunhais, colunas e pilastras, segundo Valadier (baseado nas pran- da deterioração de alvenarias de tijolo em que são integrados os re-
chas de Zabaglia e Girolamo Masi). sultados da observação visual, da pesquisa em arquivos, dos deta-
5.17 Recalço da fundação de uma parede, segundo Valadier (a) e segundo 274 lhes construtivos, dos ensaios in situ e em laboratório.
Russo (b). 6.11 Aspecto da limpeza periódica de um algeroz numa fachada de Roma. 300
5.18 Êmbolo rudimentar para injecção de alvenarias. 274 6.12 Aspecto da cobertura do arco de Sétimo Severo no Forum Romanum 301
5.19 Diversas técnicas de reforço de paredes cujo revestimento se tivesse 275 reconstruído recentemente em moldes tradicionais com uma beto-
descolado, ou se tivessem deformado por esmagamento, segundo nilha de “coccio pesto”, com quatro águas e um canal perimétrico,
Demanet (baseado em Rondelet e Molard). em pedra calcária de Travertino de secção rectangular, que evacua
5.20 Alavancas, escoras dentadas e tirantes sucessivamente aquecidos e 275 por duas gárgulas.
arrefecidos usados no reaprumo de paredes e pés-direitos, segundo 6.13 Reconstrução de arco na abertura de um vão numa alvenaria portante 302
Demanet baseado em Rondelet e Molard. (obra particular no Vicollo del Leonetto, Roma). À direita, desenho
5.21 Cintagem de colunas e escoramento para substituição total de uma 276 esquemático da construção de um arco para abertura de um vão numa
coluna, segundo Valadier. parede existente, segundo Mastrodicasa.
6.14 Conservação do reforço de diversos blocos fissurados na Coluna de 303
Marco Aurélio em Roma. Os antigos grampos e gatos de ferro, intro-
Capítulo VI – Metodologia da utilização dos princípios duzidos por Fontana no século XVII, foram conservados, renovan-
e das técnicas tradicionais nos processos de conservação do-se somente as chumbagens.
6.15 Preenchimento de lacunas num pontão no Castelo S. Angelo de Roma. 303
6.1 Exemplo de levantamento de uma fachada (Castelo de Opprebais, 283 Foram usados materiais muito idênticos aos já existentes, a sub-
Bélgica, séc. XIV). O original foi executado à escala 1:20, de modo a esquadria não foi utilizada e a leitura é possível, pelo menos nos
compreender todas as transformações ocorridas na zona da porta de primeiros anos, pelas “patinas” diferentes adquiridas pelos mate-
entrada que incluía uma ponte levadiça. riais novos e antigos.
6.2 Exemplo de uma representação esquemática das principais patolo- 283 6.16 Instalação de um pavimento com tijolos moldados à mão e cozidos 305
gias dos materiais de uma fachada. O original foi realizado à escala em forno de lenha. O desenho é em espinha com um bordo a duas
1:100 (Castelo de Opprebais, Bélgica, séc. XIV). vezes tijolo e repete a exacta posição de cada um dos ladrilhos do
6.3 Exemplo de um documento de arquivo que confirma a prática tradi- 288 pavimento original do qual só restavam as marcas no massame...
cional da extinção da cal no estaleiro. 6.17 Fotografia de um arco em que o reboco foi removido para efeitos 305
6.4 Pintura a óleo sobre tela representando a extinção de cal e os traba- 289 “decorativos”.
lhos efectuados durante o século XVIII nas muralhas de Turim. 6.18 À esquerda, fachada monocromática sem respeito pela leitura da 305
6.5 A importância da análise do aparelho em espessura. À esquerda, 290 “mensagem estereotómica” original. À direita a mesma fachada con-
variantes de preenchimento de núcleos de alvenarias mistas (segundo servada, sendo possível a distinção dos elementos de pedra (verda-
Doglioni e Parenti, 1986). À direita, detalhe de uma fachada na Via deira ou imitada em reboco) como era suposto serem lidos (Palácio
delle Botteghe Oscure em Roma em que se pretendeu deixar visível da “Avvocatura dello Stato”, Arq. Luciano Garella, Roma).
o “presumível” aparelho interno da parede. Os blocos de pedra pare- 6.19 Pórtico romano (Via Teatro di Marcello), exemplo modelar das re- 306
cem, porém, ter sido simplesmente “colados” numa posição pouco gras de arte da Esterotomia. Fachada do século XIX, em que este
coerente com as regras gerais de aparelho. mesmo conhecimento é imitado sob a forma de reboco.
6.6 Exemplo de avaliação da estabilidade da cúpula do Panteão de Roma 292 6.20 Fachada com um almofadado que seria incorrecto se avaliado so- 306
pelo método do funicular de pressões automatizado (Trattato del mente do ponto de vista estereotómico. Neste caso, uma posição
Restauro Architettonico de Carbonara). fundamentalista poderia justificar a sua demolição ou a sua “anula-
6.7 Mecanismos de vários arcos do Coliseu de Roma “fossilizados” por 292 ção cromática”.
uma intervenção que anulou a sua função original. 6.21 Execução de almofadado em um edifício e imitação da pedra calcária 306
6.8 Mapa de uma província belga com as produções de produtos 293 de Travertino no Palácio Pio-Righetti em Roma. O pincel é batido
cerâmicos, activas entre 1864 e 1874. A sua construção foi pos- contra a vara de madeira de modo a “borrifar” o reboco com as cores
sível a partir da leitura de diversos manuais publicados nessa desejadas e necessárias à imitação da pedra.
época. 6.22 Máquina “POKER” de 4 eixos fabricada pela Companhia italiana 308
6.9 Platibandas capeadas com ardósia no claustro de Bramante. À direi- 295 Bidese. Estas máquinas da última geração tornaram possível o corte
ta, revestimento com chapas de chumbo no extradorso da recém res- de volumes cónicos, cilíndricos e helicoidais com elevada precisão
taurada cúpula da Igreja de “S. Maria della Pace”, em Roma. e facilidade de execução.

428
6.23 Templo romano de Hércules Vincitor (Roma) em que se vêem os 309 associado à mesa da presente figura, possui uma capacidade máxima
blocos recentemente instalados substituindo outros que estavam de 20.000 tijolos por fornada (Vitriolo, na província italiana de
muito deteriorados ou que tinham desaparecido completamente. Umbria, 1998).
A Estereotomia usada é diferente daquela que era suposta ser a ori- 6.25 Apesar da óptima qualidade dos tijolos fabricados artesanalmente, 310
ginal, tendo em vista a legibilidade da intervenção. A legibilidade nem sempre é dada a devida atenção ao seu armazenamento. Na
obtida é, no entanto, demasiado evidente e a intervenção parece afir- zona mais à esquerda, podem apreciar-se já diversas eflorescências
mar o total desconhecimento das técnicas de corte da pedra que te- devidas ao contacto directo com o solo (Vitriolo, na província italiana
rão sido usadas na construção original do templo. de Umbria, 1998).
6.24 Aspecto da moldagem e secagem de tijolos que são depois cozidos 310 6.26 Operação tradicional de eliminação de fragmentos não extintos de 311
num forno tradicional cilíndrico a lenha. A mesa de moldar é muito uma cal em pasta.
semelhante à da fig. 3.12, encontrada no tratado de Valadier. O forno 6.27 Amassadura mecânica de argamassas com cal em pasta. 312

ÍNDICE DE TABELAS E QUADROS

Capítulo I – A bibliografia e a transmissão do saber t 2.4 Espessuras de arcos extradorsados. 133


aos protagonistas da construção t 2.5 Espessuras de abóbadas cilíndricas rectas de volta inteira com espes- 134
sura variável.
q. 1.1 Quadro sinóptico-cronológico da fundação dos primeiros corpos 36 t 2.6 Espessuras de abóbadas cilíndricas rectas entre vigas de ferro. 134
militares, escolas, academias e faculdades de arquitectura e enge- t 2.7 Espessuras de cúpulas. 134
nharia civil. t 2.8 Espessuras de abóbadas de aresta e de barrete de clérigo. 134
q 1.2 Marcos do desenvolvimento do cimento Portland, do betão e do 58 t 2.9 Espessuras de abóbadas de cruzeiro. 134
betão armado (segundo Cecil D. Ellliot). t 2.10 Espessuras de pés-direitos de arcos. 135
q 1.3 Estrutura dos índices de alguns dos tratados analisados. 67 t 2.11 Espessuras de pés-direitos de abóbadas cilíndricas. 135
q 1.4 Índice do tratado de Teofilo Gallaccini. 68 t 2.12 Espessuras de abobadilhas cilíndricas rectas rebaixadas. 136
t 2.13 Espessuras de pés-direitos de abobadilhas cilíndricas rectas rebai- 136
xadas.
Capítulo II – A concepção geométrica t 2.14 Espessuras de abóbadas cilíndricas de volta inteira com pés-direi- 143
e o dimensionamento de edifícios em alvenaria tos de altura inferior ao vão.
t 2.15 Comparação de espessuras de arcos em tijolo de volta inteira extra- 152
t. 2.1 Factor para o cálculo da resistência à compressão normalizada de 100 dorsados de nível.
blocos elementares, segundo o Eurocódigo 6. t 2.16 Comparação de espessuras de arcos em tijolo abatidos extradorsados 152
t 2.2 Espessuras das paredes portantes de um edifício de 3 andares a 122 de nível.
corpo duplo, usando a fórmula de Rondelet.
t 2.3 Tensões de ruptura à compressão e tensões de segurança para di- 124
versos tipos de alvenarias (segundo Breymann). Capítulo III – A preparação e a composição de materiais
q 2.1 Cálculo da carga vertical Ns actuante na parede da fachada ao nível 125
do coroamento e do rés-do-chão, de um edifício de 4 andares a t 3.1 Valores utilizados para a produção industrial de ligantes hidráuli- 178
corpo simples com l=5,0 m. cos naturais.

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t 3.2 Índices de hidraulicidade dos diversos tipos de ligantes. 178 t 3.27 Argamassas de aleitamento de lajedos (partes em volume). 218
t 3.3 Classificação da hidraulicidade das argamassas segundo Prud’ 179 t 3.28 Betumes para assentamento de mármores em paramentos, imita- 219
homme. ção de falsos mármores, preenchimento de lacunas e vincagem de
t 3.4 Características geológicas e aplicações das principais cais em pro- 179 pedras talhadas (partes em volume).
dução no Algarve no final do século XIX. t 3.29 Betões para fundações de edifícios e obras marítimas (partes em 221
t 3.5 Exemplo de diferentes cais obtidas a partir de um calcário com um 180 volume).
teor de 24% de argila.
t 3.6 Diferentes produtos obtidos para diferentes graus de calcinação de 182
uma pedra calcária (Prud’homme). Capítulo IV – A montagem e a execução de alvenarias
t 3.7 Tipos de actividade e classificação mineralógica dos diversos ma- 185
teriais pozolânicos (Mielenz-Sousa Santos, 1975). t 4.1 Larguras mínimas de escavação para a execução de fundações. 227
t 3.8 Composição química de pozolanas açorianas (Castanheira das Neves 185 t 4.2 Tempos a respeitar entre o enchimento e o descimbramento de abó- 241
e Segurado). badas concrecionais.
q 3.1 Qualidades da areia da barreira das Reaes Propriedades do Alfeite e 194 t 4.3 Tempos a respeitar entre o assentamento e o descimbramento de 242
seu emprego. abóbadas de cantaria e tijolo.
t 3.9 Resultados de Rondelet sobre o aumento da resistência à compres- 200 t 4.4 Espessura máxima e reentrância das juntas para diferentes tipos de 246
são de argamassas à base de cal aérea. alvenaria.
t 3.10 Variação com o tempo de resistência à tracção de argamassas à base 201 t 4.5 Operações de acabamento para diferentes tipos de paramento. 247
de cal hidráulica. t 4.6 Espessura de placas de revestimento consoante os tipos de pedra 247
t 3.11 Argamassas com cais aéreas para o assentamento de blocos de pe- 207 (Roma, 1909).
dra e de tijolos (partes em volume). t 4.7 Operações de acabamento de paramentos revestidos com placas de 248
t 3.12 Composição ideal das argamassas de assentamento em função da 208 pedra.
qualidade da areia (partes em volume, segundo La Faye). t 4.8 Tabela comparativa dos materiais, número e espessura das diver- 250
t 3.13 Argamassas de assentamento com cal aérea viva (partes em volume). 208 sas camadas necessárias à execução dos principais tipos de reboco.
t 3.14 Argamassas de assentamento com cais hidráulicas em pó (partes 209 t 4.9 Parâmetros da execução das camadas de forma, massames e cama- 254
em volume). das de aleitamento para diversos tipos de pavimento.
t 3.15 Argamassas à base de pozolana e trass para o assentamento (partes 210
em volume).
t 3.16 Argamassas à base de tijolo pilado, “coccio pesto” e “cimentos de 211 Capítulo V – A protecção e a durabilidade das alvenarias
tuilleaux” (partes em volume).
t 3.17 Argamassas de presa rápida e argamassas para assentamento e 212 q 5.1 Resumo com classificação e nomenclatura de causas, processos e 260
caldeamento de abóbadas (partes em volume). tipos de degradação em alvenarias tradicionais.
t 3.18 Argamassas para rebocos (partes em volume). 213 q 5.2 Processos, causas e tipos de degradação citados nas obras analisadas. 261
t 3.19 Estuques à base de gesso (partes em volume). 214 q 5.3 Resumo das citações relativas a técnicas tradicionais de manuten- 278
t 3.20 Estuques à base de cal e gesso (partes em volume). 215 ção periódica e conservação de alvenarias.
t 3.21 Estuques à base de pasta de cal e pó de pedra (partes em volume). 215
t 3.22 Formigões simples afagados na última camada e aplicados sobre 217
terreno previamente batido ou sobre um leito de gravilha (partes Capítulo VI – Metodologia da utilização dos princípios
em volume). e técnicas tradicionais nos processos de conservação
t 3.23 Formigões revestidos com ladrilhos cerâmicos ou lagedos de pedra 217
sobre terreno previamente batido ou um leito de gravilha (partes q 6.1 Organigrama de um projecto de conservação arquitectónica. 282
em volume).
t 3.24 Betonilhas simples afagadas na última camada sobre sobrados ou 217
abóbadas (partes em volume). Capítulo VII – Considerações finais e conclusões da pesquisa
t 3.25 Betonilhas revestidas superiormente com ladrilhos cerâmicos ou 218
lajedos de pedra sobre sobrados ou abóbadas (partes em volume). q 7.1 Relação entre pressupostos, análises, resultados e séries de conclu- 316
t 3.26 Argamassas para pavimentos à Veneziana (partes em volume). 218 sões da pesquisa.

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