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Disciplina: Mecânica dos Solos I

Professor: Eduardo Rodrigues da Cunha


6ºº Período de Engenharia Civil
4ª Edição – Agosto 2012
CESUBE – CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DE UBERABA
FACULDADE DE ENGENHARIA CIVIL
MECÂNICA DOS SOLOS I

Sejam bem-vindos ao 6º período do Curso de Engenharia Civil.


A matéria sobre Mecânica dos Solos I lhes proporcionará inicialmente o
conhecimento sobre as características dos solos: sua origem, sua estrutura, sua textura e seu
comportamento nos diversos estados em que ele poderá estar, antes e após manuseado pelo
homem.
Para o Engenheiro Civil, este conhecimento e extremamente importante, pois todas as
obras civis estão assentes sobre ele, e, em alguns casos, ele é o próprio material de
construção.
Então, resta ao engenheiro saber da condição em que o solo está, como deverá estar,
quando de seu uso; sendo este conhecimento de fundamental importância ao engenheiro para
assegurar-se da estabilidade e durabilidade de suas obras.
Neste período, iremos ver os seguintes tópicos:
• Introdução: A origem da Mecânica dos Solos;
• A origem e formação dos solos;
• Textura dos solos;
• Estrutura dos solos;
• O estado dos solos;
• Consistência dos solos;
• Classificação dos solos;
• Compactação dos solos.

Observações importantes

• Esta apostila estará em constante revisão com o seu uso;

• Com o objetivo de fixar os conhecimentos teóricos apresentados nestes capítulos, foi


desenvolvida uma segunda apostila com exercícios, também dividida em capítulos na
mesma seqüência da teoria, que deverão ser desenvolvidos em parte, na sala de aula e
em parte, em casa.
A apresentação desta apostila com os exercícios resolvidos valerá como parte da nota de
trabalho.
Mecânica dos Solos I
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ÍNDICE
CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO

1. A importância do estudo dos solos.............................................................................................................................. 5


2. Grandes acidentes......................................................................................................................................................... 6
3. A Mecânica dos Solos.................................................................................................................................................. 7
4. Geotécnia..................................................................................................................................................................... 8
5. Aplicações de campo da Mecânica dos Solos............................................................................................................. 8

CAPÍTULO II – ORIGEM E FORMAÇÃO DOS SOLOS

1. Origem........................................................................................................................................................................... 10
2. Conceitos de solos e rochas.......................................................................................................................................... 10
3. Horizontes.................................................................................................................................................................... 11
4. Classificação dos solos pela sua origem...................................................................................................................... 12
4.1 Solos residuais............................................................................................................................................................ 13
4.1.1 Solo residual maduro.................................................................................................................................................. 13
4.1.2 Solo residual jovem.................................................................................................................................................... 13
4.1.3 Solo saprolítico............................................................................................................................................................ 13
4.1.4 Rocha alterada............................................................................................................................................................. 13
4.2 Solos sedimentares...................................................................................................................................................... 14
4.2.1 Solos coluvionares...................................................................................................................................................... 14
4.2.2 Solos aluvionares........................................................................................................................................................ 14
4.2.3 Solos eólicos............................................................................................................................................................... 14
4.2.4 Solos drifts.................................................................................................................................................................. 15
4.3 Solos orgânicos........................................................................................................................................................... 15
5. Composição química e mineralógica.......................................................................................................................... 15
5.1 Argilo-minerais........................................................................................................................................................... 17
6. Solos lateríticos........................................................................................................................................................... 20
7. Solos colapsíveis......................................................................................................................................................... 20
8. Solos expansíveis........................................................................................................................................................ 22

CAPÍTULO III – TEXTURA DOS SOLOS

1. Tamanho e forma das partículas.................................................................................................................................. 23


1.1 Solos grossos................................................................................................................................................................ 23
1.1.1 Blocos de rochas......................................................................................................................................................... 23
1.1.2 Matacão........................................................................................................................................................................ 23
1.1.3 Pedregulhos.................................................................................................................................................................. 24
1.1.4 Areias.......................................................................................................................................................................... 24
1.2 Solos finos................................................................................................................................................................... 25
1.2.1 Siltes............................................................................................................................................................................ 25
1.2.2 Argilas......................................................................................................................................................................... 25
2. Identificação táctil-visual dos solos............................................................................................................................ 26
2.1 Tato............................................................................................................................................................................ 26
2.2 Plasticidade................................................................................................................................................................. 26
2.3 Resistência do solo...................................................................................................................................................... 27
2.4 Dispersão em água...................................................................................................................................................... 27
2.5 Impregnação................................................................................................................................................................ 27
2.6 Dilatância.................................................................................................................................................................... 27
3. Analise granulométrica................................................................................................................................................ 28
3.1 Ensaio granulométrico................................................................................................................................................ 29
3.2 Representação gráfica do ensaio de granulometria.................................................................................................... 32
4. Designação do solo segundo NBR 6502..................................................................................................................... 34

CAPÍTULO IV – ESTRUTURA DOS SOLOS

1. Estrutura dos solos..................................................................................................................................................... 36


2. Amolgamento............................................................................................................................................................. 38
3. Tixotropia................................................................................................................................................................... 38
4. Sensitividade das argilas............................................................................................................................................ 38
5. O estado das argilas................................................................................................................................................... 40
6. Compacidade de solos granulares.............................................................................................................................. 41

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6.1 O estado das areias........................................................................................................................................................ 41
7. Capacidade de carga dos solos de acordo com sua estrutura ...................................................................................... 43

CAPÍTULO V – O ESTADO DO SOLO

1. Índices físicos entre as três partes.................................................................................................................................. 45


1.1 Relação entre pesos....................................................................................................................................................... 45
1.1.1 Umidade........................................................................................................................................................................ 46
1.2 Relação entre volumes.................................................................................................................................................. 46
1.2.1 Índice de vazios............................................................................................................................................................. 46
1.2.2 Porosidade..................................................................................................................................................................... 47
1.2.3 Grau de saturação........................................................................................................................................................... 47
1.3 Relação entre pesos e volumes...................................................................................................................................... 47
1.3.1 Peso especifico dos grãos sólidos.................................................................................................................................. 47
1.3.2 Peso especifico da água................................................................................................................................................. 48
1.3.3 peso especifico natural................................................................................................................................................... 48
1.3.4 Peso especifico aparente seco........................................................................................................................................ 49
1.3.5 Peso especifico submerso............................................................................................................................................... 49
2. Relações fundamentais – Quadro resumo...................................................................................................................... 50
3. Formulas de correlação................................................................................................................................................... 50
3.1 Índice de vazios............................................................................................................................................................... 51
3.2 Porosidade....................................................................................................................................................................... 51
3.3 Grau de saturação............................................................................................................................................................ 51
3.4 Peso especifico aparente seco......................................................................................................................................... 51
3.5 Peso especifico natural.................................................................................................................................................... 51
3.6 Peso especifico saturado................................................................................................................................................. 51
3.7 Peso especifico submerso.............................................................................................................................................. 51
3.8 Relações para solos saturados........................................................................................................................................ 51
3.9 Relações para solos secos.............................................................................................................................................. 52
4. Massas especificas......................................................................................................................................................... 52
5. Representação gráfica das equações.............................................................................................................................. 53
6. Diagrama das informações para cálculos........................................................................................................................ 53

CAPÍTULO VI – CONSISTÊNCIA DOS SOLOS

1. Noções básicas............................................................................................................................................................... 54
2. Estados de consistência................................................................................................................................................. 54
3. Determinação dos limites de consistência..................................................................................................................... 54
3.1 Limite de liquidez.......................................................................................................................................................... 55
3.1.1 Determinação do limite de liquidez............................................................................................................................... 55
3.2 Limite de plasticidade.................................................................................................................................................... 56
3.2.1 Determinação do limite de plasticidade......................................................................................................................... 56
3.3 Limite de contração....................................................................................................................................................... 57
3.3.1 determinação do limite de contração............................................................................................................................. 57
4. Índices dos solos – IP – IC – IA................................................................................................................................... 58
4.1 Índice de plasticidade..................................................................................................................................................... 58
4.2 Índice de consistência.................................................................................................................................................... 58
4.3 Índice de atividade da argila.......................................................................................................................................... 60
5. Grau de contração.......................................................................................................................................................... 60
6. Gráfico da plasticidade.................................................................................................................................................. 61

CAPÍTULO VII – CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS

1. A importância da classificação dos solos....................................................................................................................... 63


2. Identificação dos solos................................................................................................................................................... 64
3. Sistema de classificação unificada................................................................................................................................. 65
3.1 Solos granulares............................................................................................................................................................. 66
3.2 Solos de granulação fina................................................................................................................................................ 68
4. Sistema rodoviário de classificação............................................................................................................................... 73
4.1 Índice de grupo.............................................................................................................................................................. 73
4.2 Solos grossos................................................................................................................................................................ . 73
4.2.1 Solo A1.......................................................................................................................................................................... 74
4.2.2 Solo A2.......................................................................................................................................................................... 74
4.2.3 Solo A3.......................................................................................................................................................................... 74

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4.3 Solos finos...................................................................................................................................................................... 76
4.3.1 Solo A4........................................................................................................................................................................... 76
4.3.2 Solo A5........................................................................................................................................................................... 76
4.3.3 Solo A6........................................................................................................................................................................... 76
4.3.4 Solo A7........................................................................................................................................................................... 76
5. Classificação MCT para solos tropicais ......................................................................................................................... 78
5.1 Tabela com classificação dos solos segundo metodologia MCT ................................................................................... 80

CAPÍTULO VIII – COMPACTAÇÃO DOS SOLOS

1. Introdução...................................................................................................................................................................... 81
2. Objetivo da compactação ............................................................................................................................................... 83
3. Diferença entre compactação e adensamento................................................................................................................. 83
4. Ensaio de compactação................................................................................................................................................... 83
5. Curva de compactação.................................................................................................................................................... 86
6. Energia de compactação................................................................................................................................................. 89
7. Influência da compactação na estrutura dos solos......................................................................................................... 90
8. Influência do tipo de solo na compactação..................................................................................................................... 91
9. Justificativa da escolha do valor de umidade ótima na compactação ........................................................................... 91
10. Técnicas executivas de uma compactação...................................................................................................................... 92
10.1 Escolha dos equipamentos de compactação.................................................................................................................. 93
10.1.1 Soquetes......................................................................................................................................................................... 94
10.1.2 Rolos compactadores estáticos....................................................................................................................................... 95
10.1.2.1 Rolo compactador pé de carneiro................................................................................................................................... 95
10.1.2.2 Rolo compactador liso.................................................................................................................................................... 95
10.1.2.3 Rolo compactador pneumático........................................................................................................................................ 96
10.1.3 Rolos compactadores vibratórios.................................................................................................................................... 96
10.2 Umidade......................................................................................................................................................................... 97
10.3 Números de passadas..................................................................................................................................................... 98
10.4 Espessura das camadas................................................................................................................................................... 98
10.5 Homogeneidade das camadas...................................................................................................................................... 100
10.6 Especificação para a compactação............................................................................................................................... 101
10.7 Sequência construtiva.................................................................................................................................................... 102
11. Controle da compactação............................................................................................................................................... 103
11.1 Verificação da umidade em campo............................................................................................................................... 103
11.1.1 Método da frigideira...................................................................................................................................................... 104
11.1.2 Método do speedy......................................................................................................................................................... 104
11.2 Determinação do grau de compactação......................................................................................................................... 105
11.2.1 Método do frasco de areia............................................................................................................................................. 105
11.2.2 Método do amostrador.................................................................................................................................................. 106
11.3 Freqüência de ensaios................................................................................................................................................... 106
11.4 Planilha para controle de compactação......................................................................................................................... 107
12. Índice de suporte Califórnia – ISC............................................................................................................................... 108
12.1 Ensaio de compactação................................................................................................................................................. 109
12.2 Material constituinte do corpo de prova....................................................................................................................... 110
12.3 Ensaio de expansão....................................................................................................................................................... 110
12.4 Determinação do CBR ou ISC...................................................................................................................................... 110

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Capítulo I

I NT RO D U Ç ÃO

1. A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DOS SOLOS

O solo constitui-se em um importante elemento nas obras de engenharia, por ser:


• Material de fundação: elemento onde se apóiam todas as obras de engenharia, prédios,
pontes, barragens, estradas, etc., recebendo delas todas as cargas provenientes do peso
próprio de suas estruturas e de sua funcionalidade.
• Material de construção: elemento utilizado para construção de barragens, rodovias,
aterros e moradias (solo-cimento).
O conhecimento da estrutura, composição e comportamento do solo perante a
presença das cargas estruturais e da água é de vital importância para a estabilidade das
construções, e proteção das pessoas que se utilizam de tais obras.
Para a Engenharia, a Arquitetura e Geologia, a necessidade de se compreender a
Mecânica dos Solos é:
• Aprender a entender e poder avaliar as propriedades dos materiais geológicos, em
particular o solo;
• Aplicar o conhecimento dos solos de uma maneira prática para projetar obras
geotécnicas de forma segura e econômica;
• Desenvolver e progredir no conhecimento da Mecânica dos Solos através da pesquisa e
experiência, e então acrescentar novos conhecimentos conceituais, e
• Estender conhecimentos a outros ramos do aprendizado ainda a serem desenvolvidos.

O solo é formado pelas forças da natureza, de uma forma muito desigual nas várias
regiões do planeta, para não dizer de uma mesma localidade, apresentando como
conseqüência uma ampla variação de suas propriedades físicas, sendo a maioria delas
variáveis em relação a determinadas condições.

“Em se tratando de solos e rochas, a heterogeneidade é a regra, a


homogeneidade a exceção”.

Como elemento de uma construção, esta tendência dos solos de variarem nas suas
propriedades físicas é uma contradição se compararmos com as propriedades dos outros

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Capítulo I

materiais de construção manufaturados, como o aço, o cimento, as cerâmicas, etc., cujas


propriedades são constantes.
As propriedades do solos dependem do tipo de solo, e estas são mais ou menos
afetadas por vários fatores, incluindo a presença de umidade, proximidade com águas
subterrâneas, umidade do ar, enchentes, congelamento e descongelamento, etc.
Uma das dificuldades para tratar com o solo como um material é que as suas
propriedades físicas no campo podem variar entre distâncias consideravelmente pequenas
(ordem de 1 m, ou até menos). A influência da água no desempenho do solo quando
carregado é um dos fatores mais importantes. Na Mecânica dos Solos, a umidade é
considerada como um dos fatores que regem as propriedades dos solos.
A água influência na capacidade de carga do solo, podendo levar um solo coesivo a se
comportar plasticamente, contrair ou inchar, etc. A água é controlada para compactar o solo
com a finalidade de aumentar a sua resistência. Portanto, uma das operações mais freqüentes
num programa de ensaios laboratoriais é o controle da água presente nos seus vazios.
A natureza diversa do solo é o problema mais difícil com o qual o engenheiro se
depara. Nenhum engenheiro, arquiteto ou construtor pode ignorar o problema de investigação
das propriedades físicas locais e a possibilidade das variações destas, decorrentes da variação
da umidade durante e após a construção da obra. Uma investigação detalhada destas
propriedades é a melhor maneira de se evitar o colapso do sistema solo-estrutura, além dos
problemas de exploração, manutenção, financeiro, etc., que podem ocorrer no futuro. Se as
propriedades dos solos forem estudadas convenientemente, os resultados dos ensaios
conseqüentes, interpretados corretamente e inteligentemente aplicados num projeto e
posterior construção de determinada obra, as falhas podem ser evitadas.

2. GRANDES ACIDENTES

Uma série de numerosos acidentes ocorridos com grandes obras de engenharia, ao fim
do Século XIX e princípios do Século XX, veio mostrar a inadequada percepção dos
princípios até então admitidos e, por outro lado, a insuficiência de conhecimento para a
tomada de decisões.
Entre grandes acidentes ocorridos em quase todos os países e as providências tomadas
visando um esclarecimento da situação, citam-se como exemplos históricos, os que tiveram
lugar no Panamá, Estados Unidos, Suécia e Alemanha.
• Panamá: Durante a construção do Canal do Panamá, ocorreram sucessivos
escorregamentos de taludes de terra, destacando-se os celebres escorregamentos de
Cucaracha e Culebra;

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Capítulo I

• Estados Unidos: Ruptura de barragens de terra e os sucessivos recalques de grandes


edifícios. Preocupados com os acontecimentos, a American Society of Civil Engineers,
resolveu então, em 1913, nomear uma comissão para examinar e opinar sobre o que
estava ocorrendo. Uma das conclusões centrais do trabalho apresentado se referia à
necessidade de se exprimir quantitativamente as propriedades dos solos, estabelecendo
ainda sua classificação e dando ênfase à importância das partículas coloidais dos solos.
• Suécia: Face a uma série de escorregamentos em taludes de ferrovias, foi nomeada em
1913 a famosa Comissão Geotécnica Sueca. Em 1916 ocorria o escorregamento de
Goteborg, onde um muro de cais se deslocou 5 m para dentro do mar, notando-se, a
cerca de 90 m, um levantamento do fundo de alguns metros. Dentre as conclusões
constantes do relatório, publicado em 1922, destaca-se a origem do valioso método
sueco de verificação da estabilidade de talude, hoje tão difundido.
• Alemanha: Devido aos acidentes com muros de cais e escorregamentos de terra, em
particular na construção do Canal de Kiel, foram realizados importantes estudos por
Krey, destacando-se os de resistência ao cisalhamento dos solos e os relativos à teoria
dos suportes laterais.

As conclusões advindas dos relatórios destes acidentes e as


contribuições dos estudos realizados para compreendê-los nas varias partes do
planeta, deram lugar a uma nova orientação para o estudo dos solos. Surge a
Mecânica dos Solos propriamente dita.

3. A MECÂNICA DOS SOLOS

A Mecânica dos Solos é o estudo do comportamento de engenharia do solo quando


este é usado ou como material de construção ou como material de fundação. Ela é uma
disciplina relativamente jovem da engenharia civil, somente sistematizada e aceita como
ciência em 1925 por Terzaghi (Terzaghi, 1925), que é conhecido com todos os méritos, como
o pai da Mecânica dos Solos.

A Mecânica dos Solos estuda as características físicas dos solos e as suas


propriedades mecânicas (equilíbrio e deformação) quando submetido a acréscimos ou alívio
de tensões.

Através de pesquisas em campo, ensaios padronizados em laboratório, a Mecânica


dos Solos procura conhecer e determinar as várias características do solo em questão, e assim
definir como proceder no projeto de uma obra e no seu uso.

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Capítulo I

4. GEOTECNIA

Por Geotecnia ou Engenharia Geotécnica, entende-se a junção da Mecânica dos Solos,


da Engenharia de Fundações, da Mecânica das Rochas, da Geologia da Engenharia e mais
recentemente da Geotecnia Ambiental (que trata de problemas como transporte de
contaminantes pelo solo, avaliação de locais impactados, projetos de sistemas de proteção de
aterros sanitários)

5. APLICAÇÕES DE CAMPO DA MECÂNICA DOS SOLOS

• Fundações: As cargas de qualquer estrutura têm de ser, em última instância,


descarregadas no solo através de sua fundação. Assim a fundação é uma parte essencial
de qualquer estrutura. Seu tipo e detalhes de sua construção podem ser decididos
somente com o conhecimento e aplicação de princípios da mecânica dos solos.
• Obras subterrâneas e estruturas de contenção: Obras subterrâneas como estruturas
de drenagem, dutos, túneis e as obras de contenção como os muros de arrimo, cortinas
atirantadas somente podem ser projetadas e construídas usando os princípios da
mecânica dos solos e o conceito de "interação solo-estrutura".
• Projeto de pavimentos: o projeto de pavimentos pode consistir de pavimentos
flexíveis ou rígidos. Pavimentos flexíveis dependem mais do solo subjacente para
transmissão das cargas geradas pelo tráfego. Problemas peculiares no projeto de
pavimentos flexíveis são os efeitos de carregamentos repetitivos e problemas devidos às
expansões e contrações do solo por variações em seu teor de umidade.
• Escavações, aterros e barragens: A execução de escavações no solo requer
freqüentemente o cálculo da estabilidade dos taludes resultantes. Escavações profundas
podem necessitar de escoramentos provisórios, cujos projetos devem ser feitos com
base na mecânica dos solos. Para a construção de aterros e de barragens de terra, onde o
solo é empregado como material de construção e fundação, necessita-se de um
conhecimento completo do comportamento de engenharia dos solos, especialmente na
presença de água. O conhecimento da estabilidade de taludes, dos efeitos do fluxo de
água através do solo, do processo de adensamento e dos recalques a ele associados,
assim como do processo de compactação empregado é essencial para o projeto e
construção eficientes de aterros e barragens de terra.

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Capítulo I

Figura 1.1 UHE Peixe Angelical - Rio Tocantins- Barragem do lado direito

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Capítulo II

O RI G EM E FO RM AÇ Ã O DO S O L O

1. ORIGEM

Todos os solos se originam da decomposição das rochas que constituíam


inicialmente a crosta terrestre. A decomposição é decorrente de agentes físicos e químicos.
• Por decomposição física: através de agentes como água, temperatura, vegetação, vento,
alívios de pressão; formam-se os pedregulhos e areias (solos de partículas grossas) e até
mesmo os siltes (partículas intermediárias), e, somente em condições especiais, as argilas
(partículas finas). Na ação do intemperismo físico, não há alteração na composição
química e minerológica da rocha, mas sim laterações texturais, ou seja dissociação das
partículas das rochas, que conseqüentemente resultam em solo grosso.
• Por decomposição química: entende-se o processo em que há modificação química ou
mineralógica das rochas de origem. O principal agente é a água e os mais importantes
mecanismos de ataque são a oxidação, hidratação, carbonatação e os efeitos químicos
da vegetação. As argilas representam o ultimo produto do processo de decomposição.

Variações de temperatura provocam trincas, nas quais penetra a água, atacando


quimicamente os minerais. O congelamento da água nas trincas, entre outros fatores, exerce
elevadas tensões, do que decorre maior fragmentação dos blocos.
A presença da fauna e flora promove o ataque químico, através de hidratação,
hidrólise, oxidação, lixiviação, troca de cátions, carbonatação, etc.
O conjunto destes processos que atuam simultaneamente, em determinados locais e
condições climáticas, podendo um deles predominar sobre o outro, em função do clima da
região, leva à formação dos solos que, em conseqüência, são misturas de partículas pequenas
que se diferenciam pelo tamanho e pela composição química. A maior ou menor
concentração de cada tipo de partícula num solo depende da composição química da rocha
que lhe deu origem.
O solo é, assim, uma função da rocha-mater e dos diferentes agentes de alteração.

2. CONCEITOS DE SOLOS E ROCHAS

No linguajar popular a palavra solo está intimamente relacionada com a palavra terra,
a qual poderia ser definida como material solto, natural da crosta terrestre onde habitamos,

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Capítulo II

utilizado como material de construção e de fundação em obras. Uma definição precisa e


teoricamente sustentada do significado da palavra solo é, contudo, bastante difícil, de modo
que o termo solo adquire diferentes conotações a depender do ramo do conhecimento
humano que o emprega.
Para a agronomia, o termo solo significa o material relativamente fofo da crosta
terrestre, consistindo de rochas decompostas e matéria orgânica, o qual é capaz de sustentar a
vida. Desta forma, os horizontes de solo para agricultura possuem em geral pequena
espessura.
Para a geologia, o termo solo significa o material inorgânico não consolidado
proveniente da decomposição das rochas, o qual não foi transportado do seu local de
formação.
Na engenharia, solo e rocha são conceitualmente distintos:
• Solo: é um material granular composto de rocha decomposta, água, ar (ou outro fluido)
e eventualmente matéria orgânica, que pode ser escavado sem o auxílio de explosivos.
• Rocha: aquilo que é impossível escavar manualmente, integro, que necessite de
explosivo para seu desmonte.

3. HORIZONTES

Pedologia é a ciência que estuda e classifica os solos da superfície terrestre através da


caracterização da morfologia dos materiais que o constituem (cor, estrutura, consistência,
composição química, etc.).
A Pedologia tradicional identifica seu objeto de estudo, o solo, como um corpo
natural tridimensional, bem definido, apresentando uma sucessão vertical de materiais em
camadas chamada “HORIZONTES”, que têm extensão lateral contínua, profundidades
variáveis e estão via de regra dispostos horizontalmente ou paralelamente à superfície do
terreno
As camadas que constituem o perfil de um terreno, denominadas de “Horizontes” são
designadas pela letra A (camada superficial), B (subsolo) e C (camada profunda).

• Horizonte O: Matéria Orgânica: Camada fina de resíduos de plantas relativamente


decompostas. É especialmente importante nas áreas de mata.
• Horizonte A: Solo superficial: Camada de solo mineral com muita
acumulação de matéria orgânica (o húmus) e vida. Esta camada é eluviada de
ferro, argila, alumínio, compostos orgânicos e outros constituintes solúveis.

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Capítulo II

Quando a eluviação é proeminente, aparece uma camada de cor clara


"horizonte E" na base do horizonte "A".
• Horizonte B: Subsolo: Camada de alteração abaixo dos horizontes "E" ou "A". Esta
camada acumula ferro, argila, alumínio e compostos orgânicos, num processo
denominado de iluviação.
• Horizonte C: Substrato: Camada de material não consolidado de origem do solo (rocha-
mãe alterada). Esta camada acumula os compostos mais solúveis que percolaram do
horizonte "B".

Figura 2.1 Horizontes de um solo

4. CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS PELA SUA ORIGEM

A classificação dos solos pela sua origem é um complemento importante para o


conhecimento das ocorrências e para a transmissão de conhecimentos acumulados. Algumas
vezes, a indicação da origem do solo é tão ou mais útil do que a classificação sob o ponto de
vista da constituição física. Os solos podem ser classificados em dois grandes grupos: solos
residuais e solos transportados.

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Capítulo II

4.1 Solos residuais: São aqueles resultantes da decomposição das rochas que se
encontram no próprio local em que as rochas se formaram. Para que eles ocorram, é
necessário que a velocidade de decomposição da rocha seja maior do que a velocidade de
decomposição por agentes externos. A velocidade de decomposição depende de vários
fatores, entre os quais a temperatura, o regime de chuva e a vegetação. As condições
existentes nas regiões tropicais são favoráveis às degradações mais rápidas da rocha-mater,
razão pela qual as maiores ocorrências de solos residuais ocorrem nestas regiões, entre elas o
Brasil.
Os solos residuais se apresentam em horizontes com grau de intemperização
decrescente. Vargas (1981) identifica as seguintes camadas, cujas transições são gradativas,
conforme mostra o diagrama a seguir.
4.1.1 Solo residual maduro: Mais próximos à superfície, são mais homogêneos e não
apresentam semelhanças com a rocha original. De uma forma geral, há um aumento da
resistência ao cisalhamento, da textura (granulometria) e da heterogeneidade do solo com a
profundidade.
4.1.2 Solo residual jovem: O solo residual jovem apresenta boa quantidade de
material que pode ser classificado como pedregulho (Ø > 4,8 mm). Geralmente são bastante
irregulares quanto a resistência mecânica, coloração, permeabilidade e compressibilidade, já
que o processo de transformação não se dá em igual intensidade em todos os pontos,
comumente existindo blocos da rocha no seu interior. Pode-se dizer também que nos
horizontes de solo jovem e saprolítico as sondagens a percussão a serem realizadas devem ser
revestidas de muito cuidado, haja vista que a presença de material pedregulhoso pode vir a
danificar os “amostradores” utilizados, vindo a mascarar os resultados obtidos.
4.1.3 Solo saprolítico: Ainda guarda características da rocha-mater e tem
basicamente os mesmos minerais, porém sua resistência já se encontra bastante reduzida.
Este pode ser caracterizado como uma matriz de solo envolvendo grandes pedaços de rocha
altamente alterada. Visualmente pode confundir-se com uma rocha alterada, mas apresenta
pequena resistência ao manuseio. Nos horizontes saprolíticos é comum a ocorrência de
grandes blocos de rocha denominados matacões, responsáveis por muitos problemas quando
do projeto de fundações.
4.1.4 Rocha alterada: Horizonte em que a alteração progrediu ao longo de fraturas
ou zonas de menor resistência, deixando intactos grandes blocos da rocha original.

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Capítulo II

Figura 2.2 Perfil de solo residual de decomposição de gnaisse

Em se tratando de solos residuais, é de grande interesse a indicação da rocha-mater,


pois ela condiciona, entre outras coisas, a própria composição física. Solos residuais de
basalto são predominantemente argilosos, os de gnaisse são siltosos e os graniticos
apresentam teores aproximadamente iguais de areia média, silte e argila, etc.

4.2 Solos sedimentares ou transportados: São aqueles que foram levados ao seu
local atual por algum agente de transporte. As características dos solos são função do agente
transportador.
4.2.1 Solos coluvionares: São solos formados por ação da gravidade. Entre eles
estão os escorregamentos das escarpas da Serra do Mar, formando os tálus nos pés do
talude, massas de materiais muito diversos e sujeitos a movimentações de rastejo. Têm sido
também classificados como “Coluviões”, solos superficiais do planalto brasileiro
depositados sobre solos residuais.
4.2.2 Solos aluvionares: São solos resultantes do carregamento pela água, também
denominados de “solos de aluviões”. Sua composição depende da velocidade das águas no
momento de deposição. Existem aluviões essencialmente arenosos, bem como aluviões muito
argilosos, comuns nas várzeas quaternárias dos córregos e rios. Registra-se também a
ocorrência de camadas sobrepostas de granulometrias distintas, devidas a diversas épocas e
regimes de deposição.
4.2.3 Solos eólicos: São os solos resultantes do carregamento pelo vento. O transporte
eólico provoca o arredondamento das partículas, em virtude do seu atrito constante. As areias

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Capítulo II

constituintes dos arenitos brasileiros são arredondadas, por ser esta uma rocha sedimentar
com partículas previamente transportadas pelo vento.
4.2.4 Solos drifts: São solos transportados por geleiras, muito freqüentes na Europa e
nos Estados Unidos, mas com pequena ocorrência no Brasil
4.3 Solos orgânicos: São chamados solos orgânicos àqueles que contém uma
quantidade apreciável de matéria decorrente de decomposição de origem vegetal ou animal,
em vários estágios de decomposição. Geralmente argilas ou areias finas, os solos orgânicos
são de fácil identificação, pela cor escura e pelo odor característico. A norma norte-
americana classifica como solo orgânico àquele que apresenta WL de uma amostra seca em
estufa menor do que 75% do WL de amostra natural sem secagem em estufa. O teor de
matéria orgânica pode ser determinado pela secagem em mufla a 540°C. Solos orgânicos
geralmente são problemáticos por serem muito compressíveis. Eles são encontrados no
Brasil principalmente nos depósitos litorâneos, em espessura de dezenas de metros, e nas
várzeas dos rios e córregos, em camadas de 3 a 10 m de espessura. O teor de matéria orgânica
em peso tem variado de 4 a 20%. Por sua característica orgânica, apresentam elevados
índices de vazios, e por serem de sedimentação recente e normalmente adensados, possuem
baixa capacidade de suporte e considerável compressibilidade. Em algumas formações,
ocorre uma importante concentração de folhas e caules em processo incipiente de
decomposição, formando as turfas. São materiais extremamente deformáveis, mas muito
permeáveis, permitindo que os recalques, devidos a carregamentos externos, ocorram
rapidamente.

5. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E MINERALÓGICA

As partículas resultantes da desagregação de rochas dependem da composição da


rocha matriz e do clima da região. Estas propriedades, por sua vez, irão influenciar de forma
marcante o comportamento mecânico do solo.
Algumas partículas maiores, dentre os pedregulhos, são constituídas freqüentemente
de agregações de minerais distintos. É mais comum, entretanto, que as partículas dos solos
sejam constituídas de um único mineral proveniente da rocha-mater.

Um mineral é uma substância inorgânica e natural, com


composição química e estrutura definida.

Quanto à composição química dos principais minerais componentes dos solos


grossos, podem ser agrupados em quatro grupos distintos:

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• Os silicatos: Feldspato, mica, quartzo, serpentina, clorita e talco;


• Os óxidos: hematita, magnetita e limonita;
• Os carbonatos: Calcita e dolomita;
• Os sulfatos: gesso e anidrita.

Os “Felsdspatos” são silicatos duplos de Al e de um metal alcalino ou alcalino-terroso


(K, Na e Ca). São os minerais mais atacados pela natureza, dando origem aos argilos-
minerais, que constituem a fração mais fina dos solos, geralmente com dimensão inferior a
0,002 mm. Não só o reduzido tamanho mas, principalmente, a constituição mineralógica faz
com que estas partículas tenham um comportamento extremamente diferenciado em relação
aos dos grãos de silte e areia.
Os Feldspatos sofrem decomposição mais ou menos acentuada pelos agentes da
natureza; pela ação da água carregada de CO2; é característica a alteração em argila branca,
denominada “Caulim”.
As “Micas” são, geralmente, ortossilicatos de Al, Mg, K, Na ou Li e, mais raramente
de Mn e Cr. Distinguem-se imediatamente por suas delgadas lâminas flexíveis e por sua
clivagem extremamente fácil. Os principais tipos são a muscovita (mica branca) e a biotita
(mica preta).
Nos solos, as micas aparecem sob a forma de pequenas escamas brilhantes, conferindo-
lhes um brilho característico, e as cores as mais variadas e vivas.
O “Quartzo”, é o mais importante dos minerais do grupo dos silicatos. Está presente
na maioria das rochas, é bastante resistente à desagregação e forma grãos de silte e areia. Sua
composição química é SiO2, sílica cristalina pura. Suas partículas são eqüidimensionais,
como cubos ou esferas, e ele apresenta baixa atividade superficial.
São facilmente identificados macroscopicamente. Devido à sua estabilidade química e
dureza, é um dos minerais mais resistentes aos habituais agentes de intemperismo, tais como
a água e a variação de temperatura; por isso, passa quase que incólume da rocha aos solos.
A Hematita (Fe2O3), a magnetita (Fe3O4) e a limonita (Fe2O3·H2O) são os principais
minerais entre os óxidos de ferro.
No grupo dos carbonatos, os mais importantes minerais são a calcita (CO3Ca) e
dolomita [(CO3)2CaMg]. Embora tenham propriedades físicas semelhantes, a dolomita difere
da calcita pela sua maior dureza e fraca reação em contato com o HCl
Dentre os sulfatos citam-se o gesso (SO4Ca· 2H2O) e a anidrita (SO4Ca), os quais se
diferenciam pelo teor de “água estrutural” e, conseqüentemente, pelos valores de densidade e
de dureza.
Entre os solos finos as argilas apresentam uma complexa constituição química. A sua
analise revela serem constituídas basicamente de sílica SiO2 em forma coloidal e

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Capítulo II

sesquióxidos metálicos da forma geral R2O3, onde o símbolo R refere-se ao Al e ao Fe. A


razão (em peso) SiO2 = SiO2/(Al2O3 + Fe2O3), chamada razão de sesquióxidos, varia de:
• De 1,33 a 2,00 para os solos lateríticos;
• Maior do que 2 para os solos não lateríticos.

5.1 Argilo-Minerais

Pesquisas rentgenográficas das argilas revelam, apesar da aparência amorfa do


conjunto, que elas são constituídas de pequeníssimos minerais cristalinos, chamados “Argilo-
minerais”, dentre os quais distinguem-se três grupos principais: caolinitas, montmorilonitas e
ilitas.
Os argilo-minerais apresentam uma estrutura complexa. Uma abordagem detalhada
deste tema foge ao intuito desta apostila, porem, uma síntese do assunto, que permita
compreender o comportamento dos solos argilosos perante a água, é apresentada a seguir,
tomando-se como exemplo os três minerais mais comuns na natureza (a caolinita, a
montmorilonitas e a ilita), que apresentam comportamentos bem distintos, principalmente na
presença de água.
As estruturas dos argilo-minerias compõem-se do agrupamento de duas unidades
cristalográficas fundamentais:
• Uma, com a configuração de um tetraedo (figura 2.3-a ) formado por um átomo de
silício eqüidistante de quatro átomos de oxigênio e,
• Outra representada por um octaedro (figura 2.3-b) com um átomo de alumínio no
centro, envolvido por seis átomos de oxigênio. Na representação abaixo, mostramos
também a representação simbólica de cada unidade (trapézio e retângulo)

(a) (b)

Figura 2.3 Representação das estruturas básicas dos argilo-minerais

As associações entre si, desses elementos, formam as diversas espécies de argilo-


minerais, conforme veremos a seguir.
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Capítulo II

Figura 2.4 Representação simbólica dos principais argilo-minerais

As caolinitas (Al2O3 · 2SiO2 · 2H2O ou H4Al2Si2O9), são formadas por unidades de


silício e alumínio, que se unem alternadamente, conferindo-lhes uma estrutura rígida. Em
conseqüência, as argilas caoliníticas são relativamente estáveis em presença de água.
Esta estrutura formada por uma camada tetraédrica e uma octaédrica denomina-se -10
estrutura de camada 1:1, determinando uma espessura da ordem de 7 Å (1 Angstron = 10
m). Estas camadas assim constituídas encontram-se firmemente empacotadas, com ligações
de hidrogênio que impedem sua separação e que entre elas se introduzam moléculas de água.
A partícula resultante fica com espessura da ordem de 1.000 Å, sendo sua dimensão
longitudinal de cerca de 10.000 Å.

Figura 2.5 Estrutura de uma camada de caolinita – (a) representação atômica (b)
representação simbólica
As montmorilonitas [(OH)4Si8Al4O20nH2O] são estruturalmente formadas por uma
unidade de alumínio entre duas unidades de silício. As ligações entre essas unidades, não são
suficientemente firmes para impedir a passagem de moléculas de água. Os solos com grandes

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Capítulo II

quantidades de montmorilonita tendem a ser instáveis em presença de água. Apresentam em


geral grande resistência quando secos, perdendo quase que totalmente a sua capacidade de
suporte por saturação. Sob variações de umidade apresentam grandes variações volumétricas,
retraindo-se em processos de secagem e expandindo-se sob processos de umedecimento.
As Ilitas possuem um arranjo estrutural semelhante ao da montmorilonita, porém os íons
não permutáveis fazem com que a união entre as camadas seja mais estável e não muito afetada
pela água. É também menos expansiva que a montmorilonita.
Nesta estrutura, onde o arranjo octaédrico é encontrado entre duas estruturas do arranjo
tetraédrico denomina-se estrutura de camadas 2:1, definindo uma espessura de cerca de 10 Å.
- +
Nestes minerais, as ligações entre as camadas se fazem por íons O² e O² dos arranjos
+
tetraédricos, que são mais fracos que a ligações entre camadas de caolinita, em que íons O²
-
da estrutura tetraédrica se ligam a OH da estrutura octaédrica. As camadas ficam livres, e as
partículas, no caso das montmorilonitas, ficam com a espessura da própria camada estrutural,
que é de 10 Å. Sua dimensão longitudinal também é reduzida, ficando com cerca de 1.000 Å,
pois as placas se quebram por flexão.
-4
As partículas de montmorilonitas
-2
apresentam um volume 10 vezes menor do que as
de caolinita e uma área 10 vezes menor. Isto significa que para igual volume ou massa, a
superfície das partículas de montmorilonitas é 100 vezes maior do que das partículas de
caolinita.
A superfície específica (superfície total de um conjunto de partículas dividida pelo seu
peso) das caolinitas é da ordem de 10 m²/g, enquanto que a das montmorilonitas é de cerca de
1.000 m²/g e das ilitas é cerca de 80 m²/g. As forças de superfície são muito importantes no
comportamento de partículas coloidais, sendo a diferença de superfície específica uma
indicação da diferença de comportamento entre os solos com distintos argilo-minerais.

Figura 2.6 Estrutura simbolica de minerais com camada 2:1; (a) montmorilonitas com
duas camadas de molecula de água; (b) ilita

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Capítulo II

O comportamento das argilas seria menos complexo se não ocorressem imperfeições


na sua composição
+
mineralógica. É comum,4+ entretanto, a ocorrência de um átomo de
alumínio, Al³ , substituindo um de silício, Si , na estrutura tetraédrica, e que na estrutura
octaédrica, átomos de ++
alumínio estejam substituídos por outros átomos de menor valência,
como o magnésio, Mg . Estas alterações são definidas como “substituições isomórficas”,
pois não alteram o arranjo dos átomos, mas as partículas resultam com uma carga negativa.
Para
++
neutralizar as +cargas negativas, existem cátions livres nos solos, por exemplo,
cálcio, Ca , ou sódio, Na , aderidos às partículas. Estes cátions atraem camadas contíguas,
mas com força relativamente pequena, o que não impede a entrada de água entre as camadas.
A liberdade de movimento das placas explica a elevada capacidade de absorção de água de
certas argilas, sua expansão quando em contato com a água e sua contração considerável ao
secar.
As bordas das partículas argilosas apresentam cargas positivas, resultantes das
descontinuidades da estrutura molecular, mas íons negativos neutralizam estas cargas. Os
cátions e íons são facilmente trocáveis por percolação de soluções químicas. O tipo de cátion
presente numa argila condiciona o seu comportamento. Uma argila montmorilonita com
sódio absorvido, por exemplo, é muito mais sensível à água do que tendo cálcio absorvido.
Daí a diversidade de comportamentos apresentados pelas argilas e a dificuldade de
correlacioná-los por meio de índices empíricos.
A presença de um determinado mineral argílico em um solo pode ser identificado,
entre outros métodos, pela análise termodiferencial.

6. SOLOS LATERÍTICOS

A pedologia é o estudo das transformações da superfície dos depósitos geológicos,


dando origem a horizontes distintos, ocorrendo tanto em solos residuais como nos
transportados. Os fatores que determinam as propriedades dos solos considerados na
pedologia são:
• A rocha matriz,
• O clima e a vegetação,
• Os organismos vivos,
• A topografia,
• O tempo de exposição a estes fatores.
Na engenharia civil, as classificações pedológicas são utilizadas principalmente pelos
engenheiros rodoviários, que lidam com solos superficiais e que encontram úteis correlações
entre o comportamento de pavimentos e taludes com estas classificações.

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Capítulo II

“Laterização ou latolização”, é um processo característico de regiões tropicais de


clima úmido com estações chuvosas e secas alternadas, segundo o qual, por lixiviação,
processa-se a remoção da sílica coloidal, e o enriquecimento dos solos e rochas em ferro e
alumina.
A identificação dos solos lateríticos é de particular interesse para o Brasil, já que são
típicos da evolução de solos em climas quentes, com regime de chuvas moderadas a intensas.
A denominação de lateríticos se incorporou na terminologia dos engenheiros, embora não
seja mais usada nas classificações pedológicas. Os solos lateríticos têm sua fração argila
constituída predominantemente de minerais caoliníticos e apresentam elevada concentração
de ferro e alumínio na forma de óxidos e hidróxidos, donde vem sua peculiar coloração
avermelhada. Estes sais se encontram, geralmente, recobrindo agregações de partículas
argilosas.
Os solos lateríticos apresentam-se na natureza, geralmente não-saturados e com
elevados índice de vazios, daí sua pequena capacidade de suporte. Quando compactados,
entretanto, sua capacidade de suporte é elevada, sendo por isto muito empregado em
pavimentação e em aterros. Depois de compactado, um solo laterítico apresenta contração se
o teor de umidade diminuir, mas não apresenta expansão na presença de água. Uma
metodologia de classificação – o MCT, que permite a identificação dos solos de
comportamento laterítico, foi desenvolvida pelo Prof. Job S. Nogami e vem sendo empregada
por alguns órgãos rodoviários do País.
-
7. SOLOS COLAPSÍVEIS

Define-se como solos colapsívies os solos que sofrem significativa redução de volume
quando umedecidos, com ou sem aplicação de carga adicional.

Em geral, os solos colapsíveis apresentam a seguinte características:

• Compostos basicamente por areia e silte,


• Estrutura macroporosa: com índices de vazios superior a 60% - fofa,
• Baixo grau de saturação: solos não saturados,
• Partículas maiores mantidas por cimentação ou coesão capilar.

A estrutura do solo colapsível consiste de grãos não lixiviados, separados por espaços
vazios, com as menores distâncias entre os grãos sendo normalmente preenchidas por pontes de
argila floculada, que freqüentemente incluem pequenas partículas não lixiviadas. O colapso do
solo ocorre quando o solo sob carga é submetido a um aumento no conteúdo de água fazendo
com que a infiltração da água decomponha os cimentos naturais ou pontes de argila,
diminuindo a coesão entre os grãos. Desta maneira, a magnitude das tensões cisalhantes entre
os grãos excedem a resistência das pontes de argila.

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Capítulo II

O quadro de colapso de um solo apresenta as seguintes sinalizações:

• Inclinação de prédios;
• Desnivelamento acentuado entre estruturas e os terrenos adjacentes;
• Trincas no terreno, em pavimentos e em edificações
• Afundamentos e formação de cavidades

A ocorrência de um colapso do solo pode proporcionar as seguintes ocorrências em


construções:

• Inutilização de construções devido a recalques excessivos, podendo mesmo ocorrer o


desabamento das edificações;
• Rompimento de galerias, encanamentos e tubos subterrâneos;
• Vazamentos

8. SOLOS EXPANSÍVEIS

Define-se como solos expansíveis, os solos coesivos que aumentam de volume quando
umedecidos e que se contraem quando ressecam.
Os solos expansíveis apresentam as seguintes características:

• Solos não saturados;


• Presença de argilo-minerais expansivos: especialmente as montmorilonitas;
• Solos derivados de rochas ígneas (basaltos, diabásios e gabros) e rochas sedimentares
(folhelhos e calcários).

Os movimentos de expansão e contração de um solo expansível apresenta as seguintes


sinalizações:

• Ondulações e trincas em pisos e pavimentos;


• Trincas em paredes;
• Material desagregando nas superfícies de cortes;
• Rupturas em taludes muito suaves.

A movimentação de um solo pode provocar os seguintes danos em obras:

• Instabilização de taludes, de fundações e de cavidades subterrâneas;


• Ruptura de pavimentos.

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Capítulo III

TEXTURA DOS SOLOS

1. TAMANHO E FORMA DAS PARTÍCULAS

Entende-se por textura o tamanho relativo e a distribuição das partículas sólidas


que formam os solos. O estudo da textura dos solos é realizado por intermédio do ensaio
de granulometria, do qual falaremos adiante. Pela sua textura os solos podem ser
classificados em dois grandes grupos:
• Solos grossos: areia, pedregulho, matacão,
• Solos finos: silte e argila.
Esta divisão é fundamental no entendimento do comportamento dos solos, pois a
depender do tamanho predominante das suas partículas, as forças de campo
influenciando em seu comportamento serão gravitacionais (solos grossos) ou elétricas
(solos finos). De uma forma geral, pode-se dizer que quanto maior for a relação
área/volume ou área/massa das partículas sólidas, maior será a predominância das forças
elétricas ou de superfície. Estas relações são inversamente proporcionais ao tamanho das
partículas, de modo que os solos finos apresentam uma predominância das forças de
superfície na influência do seu comportamento. Conforme relatado anteriormente, o tipo
de intemperismo influencia no tipo de solo a ser formado. Pode-se dizer que partículas
com dimensões até cerca de 0,001mm são obtidas através do intemperismo físico, já as
partículas menores que 0,001mm provém do intemperismo químico.

1.1 Solos grossos:


Nos solos grossos, por ser predominante a atuação de forças gravitacionais,
resultando em arranjos estruturais bastante simplificados, o comportamento mecânico e
hidráulico está principalmente condicionado a sua compacidade, que é uma medida de
quão próximas estão as partículas sólidas umas das outras, resultando em arranjos com
maiores ou menores quantidades de vazios. Os solos grossos possuem uma maior
percentagem de partículas visíveis a olho nu (> 0,074 mm) e suas partículas têm formas
arredondadas, poliédricas e angulosas.
1.1.1 Blocos de rochas: Fragmentos de rocha transportados ou não, com
diâmetro superior a 1 metro.
1.1.2 Matacão: Fragmento de rocha transportado ou não, comumente
arredondado por intemperismo ou abrasão, com uma dimensão compreendida entre 1 e 2
metros.

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Capítulo III

1.1.3 Pedregulhos: Solos formados por minerais ou partículas de rocha, com


diâmetro compreendido entre 2,0 e 60,0 mm. Quando arredondados ou semi-
arredondados, são denominados cascalhos ou seixos. Subdividem-se quanto ao diâmetro
em:
• Pedregulho fino: de 2 a 6 mm
• Pedregulho médio: de 6 a 20 mm
• Pedregulho grosso: de 20 a 60 mm
Os pedregulhos são encontrados em geral nas margens dos rios, em depressões
preenchidas por materiais transportados pelos rios ou até mesmo em uma massa de solo
residual (horizontes correspondentes ao solo residual jovem e ao saprolitico).

1.1.4 Areias: Solo não coesivo e não plástico formado por minerais ou partículas
de rochas. Classificamos como areia as partículas com dimensões entre 2,0 mm e 0,074
mm (DNER), 2,0mm e 0,05 mm (MIT) ou ainda 2,0 mm e 0,06 mm (ABNT).
Subdividem-se quanto ao diâmetro em:
• Areia fina: de 0,06 a 0,2 mm;
• Areia média: de 0,2 a 0,6 mm
• Areia grossa: de 0,6 a 2,0 mm
As areias se distinguem pelo formato dos grãos que pode ser angular, sub-angular
e arredondado, sendo este último uma característica das areias transportadas por rios ou
pelo vento. A forma dos grãos das areias está relacionada com a quantidade de transporte
sofrido pelos mesmos até o local de deposição. O transporte das partículas dos solos
tende a arredondar as suas arestas, de modo que quanto maior a distância de transporte,
mais esféricas serão as partículas resultantes.

De acordo com sua origem, os grãos de areias tem as seguintes formas:


• Grãos de areia provenientes de praias: geralmente são angulosos;
• Grãos de areia provenientes de rios: geralmente predomina as arredondadas, mas temos as
sub-arredondas e sub-angulosas;
• Grãos de areia provenientes de jazidas: geralmente são angulosos e sub-angulosos e bem
mais ásperos do que os provenientes de rios.
• As areias eólicas geralmente são finas e arredondadas.

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Capítulo III

O formato dos grãos de areia tem muita importância no seu comportamento


mecânico, pois determina como eles se encaixam e se entrosam, e, em contrapartida,
como eles deslizam entre si quando solicitados por forças externas. Por outro lado, como
estas forças se transmitem dentro do solo pelos contatos entre as partículas, as de formato
mais angulares são mais susceptíveis a se quebrarem.

1.2 Solos finos:

Quando as partículas que constituem os solos, em maior porcentagem, possuem


dimensões menores que 0,074 mm (DNER), ou 0,06 mm (ABNT), o solo é considerado
fino e, neste caso, será classificado como silte ou como argila.
Nos solos formados por partículas muito pequenas, as forças que intervêm no
processo de estruturação do solo são de caráter muito mais complexo e foram estudadas
no item “composição mineralógica dos solos – pag. 13”. Os solos finos possuem
partículas com formas lamelares, fibrilares e tubulares e é o mineral que determina a
forma da partícula. As partículas de argila normalmente apresentam uma ou duas
direções em que o tamanho da partícula é bem superior àquele apresentado em uma
terceira direção. O comportamento dos solos finos é definido pelas forças de superfície
(moleculares, elétricas) e pela presença de água, a qual influi de maneira marcante nos
fenômenos de superfície dos argilo-minerais.

1.2.1 Siltes: Apesar de serem classificados como solos finos, o comportamento


dos siltes é governado pelas mesmas forças dos solos grossos (forças gravitacionais),
embora possuam alguma atividade. Estes possuem granulação fina, pouca ou nenhuma
plasticidade e baixa resistência quando seco.
1.2.2 Argilas: A fração granulométrica do solo classificada como argila
(diâmetro inferior a 0,002 mm) se caracteriza pela sua plasticidade marcante (capacidade
de se deformar sem apresentar variações volumétricas) e elevada resistência quando
seca. É a fração mais ativa dos solos.

Como foi visto, os grãos dos solos recebem designações segundo as dimensões
das partículas compreendidas entre determinados limites convencionais. Na tabela a
seguir, estão relacionadas as classificações adotadas pela ASTM ( American Society for
Testing and Materials); AASHTO ( American Association for State Highway and
Transportation Officials), MIT (Massachuttes Institute of Technology) e ABNT
(Associação Brasileira de Normas Técnicas – NBR 6502:95)

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Capítulo III

Escalas granulometricas adotadas pela ASTM, AASHTO, MIT e ABNT NBR 6502:95

2. IDENTIFICAÇÃO TÁCTIL VISUAL DOS SOLOS

Muitas vezes em campo temos a necessidade de uma identificação prévia do solo,


sem que o uso do aparato de laboratório esteja disponível. Esta classificação primária é
extremamente importante na definição (ou escolha) de ensaios de laboratório mais
elaborados e pode ser obtida a partir de alguns testes feitos rapidamente em uma amostra
de solo. No processo de identificação tátil visual de um solo utilizam-se freqüentemente
os seguintes procedimentos (vide NBR 7250):

2.1 Tato: Esfrega-se uma porção do solo na mão. As areias são ásperas; as argilas
parecem com um pó quando secas e com sabão quando úmidas.

2.2 Plasticidade: (ou teste da “cobrinha”): Consiste em umedecer uma amostra de


solo, manipular bastante essa massa entre os dedos e tentar moldar com ela uma
“cobrinha”:
• Se isto não for possível o solo é arenoso;
• Se for possível, mas ela se quebrar ao tentar dobrá-la, o solo areno-argiloso;
• Se a cobrinha se dobrar, mas se quebrar ao se tentar fazer um círculo, o solo é argilo-arenoso.
• Se a cobrinha for dobrada em forma de círculo sem se quebrar, o solo é argiloso.

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Capítulo III

2.3 Resistência do solo seco: As argilas são resistentes a pressão dos dedos
enquanto os siltes e areias não são.

2.4 Dispersão em água: Misturar uma porção de solo seco com água em uma
proveta, agitando-a. As areias depositam-se rapidamente, enquanto que as argilas turvam
a suspensão e demoram para sedimentar.

2.5 Impregnação: Esfregar uma pequena quantidade de solo úmido na palma de


uma das mãos. Colocar a mão embaixo de uma torneira aberta e observar a facilidade
com que a palma da mão fica limpa. Solos finos se impregnam e não saem da mão com
facilidade.

Tabela para identificação do solo no campo

TIPOS DE SOLOS
PROPRIEDADES ARENOSOS SILTOSOS ARGILOSOS TURFOSOS
Granulação Grossa (olho Fina (tato) Muito Fina Fibrosa
nu)
Plasticidade Nenhuma Pouca Grande Média a
Pouca
Compressibilidade Pouca Média Grande Muito Grande
(carga estática)
Compressibilidade Pouca Média Grande Muito Grande
(carga vibrada)
Coesão Nenhuma Média Grande Pouca
Resistência ao Solo Nenhuma Média Grande Média a
Seco Pouca
Resumo para Tato Tato Tato Pela cor
caracterização Visual Quando seco Se molhar escura (preta)
se esfarela torna-se bem Quando
Se imergir plástico Molhado, é
uma porção Se imergir na bem plástico.
seca na água água, mesmo Nota-se ser
desagrega depois de seca um material
não desagrega. fibroso
cheiro

2.6 Dilatância: O teste de dilatância permite obter uma informação sobre a


velocidade de movimentação da água dentro do solo. Para a realização do teste deve-se
preparar uma amostra de solo com cerca de 15 mm de diâmetro e com teor de umidade
que lhe garanta uma consistência mole. O solo deve ser colocado sobre a palma de uma

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Capítulo III

das mãos e distribuído uniformemente sobre ela, de modo que não apareça uma lâmina
d’água. O teste se inicia com um movimento horizontal da mão, batendo vigorosamente
a sua lateral contra a lateral da outra mão, diversas vezes. Deve-se observar o
aparecimento de uma lâmina d’água na superfície do solo e o tempo para a ocorrência.
Em seguida, a palma da mão deve ser curvada, de forma a exercer uma leve compressão
na amostra, observando-se o que poderá ocorrer à lâmina d’ água, se existir, à superfície
da amostra. O aparecimento da lâmina d’água durante a fase de vibração, bem como o
seu desaparecimento durante a compressão e o tempo necessário para que isto aconteça
deve ser comparado aos dados da tabela a seguir, para a classificação do solo.

Ocorrência com a lâmina de água durante o teste


Vibração Compressão Dilatância
(aparecimento) (desaparecimento)
Não há mudança visível Nenhuma - argila
Aparecimento lento Desaparecimento lento Lenta – silte ou areia argiloso
Aparecimento médio Desaparecimento médio Media – silte ou areia siltosa
Aparecimento rápido Desaparecimento rápido Rápida - areia

Após realizados estes testes, classifica-se o solo de modo apropriado, de acordo


com os resultados obtidos (areia siltosa, argila arenosa, etc.). Os solos orgânicos são
identificados em separado, em função de sua cor e odor característicos.
Além da identificação tátil visual do solo, todas as informações pertinentes à
identificação do mesmo, disponíveis em campo, devem ser anotadas. Deve-se informar,
sempre que possível, a eventual presença de material cimentante ou matéria orgânica, a
cor do solo, o local da coleta do solo, sua origem geológica, sua classificação genética,
etc.
A distinção entre solos argilosos e siltosos, na prática da engenharia geotécnica,
possui certas dificuldades, já que ambos os solos são finos. Porém, após a identificação
tátil-visual ter sido realizada, algumas diferenças básicas entre eles, já citadas nos
parágrafos anteriores, podem ser utilizadas para distingui-los.

• O solo é classificado como argiloso quando se apresenta bastante plástico em


presença de água, formando torrões resistentes ao secar. Já os solos siltosos
quando secos, se esfarelam com facilidade.
• Os solos argilosos se desmancham na água mais lentamente que os solos siltosos.
Os solos siltosos, por sua vez, apresentam dilatância marcante, o que não ocorre
com os solos argilosos.
3. ANALISE GRANULOMÉTRICA
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Capítulo III

A análise da distribuição das dimensões dos grãos, denominada análise


granulométrica, objetiva determinar os tamanhos dos diâmetros equivalentes das
partículas sólidas em conjunto com a proporção de cada fração constituinte do solo em
relação ao peso de solo seco. A representação gráfica das medidas realizadas é
denominada de curva granulométrica. Pelo fato de o solo geralmente apresentar
partículas com diâmetros equivalentes variando em uma ampla faixa, a curva
granulométrica é normalmente apresentada em um gráfico semi-log, com o diâmetro
equivalente das partículas em uma escala logarítmica e a percentagem de partículas com
diâmetro inferior à abertura da peneira considerada (porcentagem que passa) em escala
linear.

3.1 Ensaio de granulometria: O ensaio de granulometria conjuntamente para o


levantamento da curva granulométrica do solo é realizado com base em dois
procedimentos distintos:
• Peneiramento: realizado para partículas com diâmetros equivalentes superiores a
0,074 mm ( 200) e
• Sedimentação: procedimento válido para partículas com diâmetros equivalentes
inferiores a 0,2mm. O ensaio de peneiramento não é realizado para partículas com
diâmetros inferiores a 0,074 mm pela dificuldade em se confeccionar peneiras com
aberturas de malha desta ordem de grandeza. Embora existindo no mercado, a
peneira 400 (com abertura de malha de 0,045mm) não é regularmente utilizada no
ensaio de peneiramento, por ser facilmente danificada e de custo elevado.
O ensaio de granulometria é realizado empregando-se os seguintes equipamentos:
jogo de peneiras, balança, estufa, destorroador, quarteador, bandejas, proveta,
termômetro, densímetro, cronômetro, dispersor, defloculante, etc. A preparação das
amostras de solo se dá pelos processos de secagem ao ar, quarteamento, destorroamento
(vide NBR 9941), utilizando-se quantidades de solo que variam em função de sua textura
(aproximadamente 1500g para o caso de solos grossos e 200g, para o caso de solos
finos).
A seguir são listadas algumas características dos processos normalmente
empregados no ensaio de granulometria conjunta (vide NBR 7181).

Peneiramento: utilizado para a fração grossa do solo (grãos com até 0,074 mm
de diâmetro equivalente), realiza-se pela passagem do solo por peneiras padronizadas e
pesagem das quantidades retidas em cada uma delas. Retira-se 50 a 100g da quantidade
que passa na peneira de #10 e prepara-se o material para a sedimentação.

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Sedimentação: os solos muito finos, com granulometria inferior a 0,074mm, são


tratados de forma diferenciada, através do ensaio de sedimentação desenvolvido por
Arthur Casagrande. Este ensaio se baseia na Lei de Stokes, segundo a qual a velocidade
de queda, V, de uma partícula esférica, em um meio viscoso infinito, é proporcional ao
quadrado do diâmetro da partícula. Sendo assim, as menores partículas se sedimentam
mais lentamente que as partículas maiores.
O ensaio de sedimentação é realizado medindo-se a densidade de uma suspensão
de solo em água. É preparada uma solução com água, solo e defloculante através de um
equipamento chamado dispersor. A suspensão, inicialmente homogênea, vai se tornando
heterogênea com o decorrer do tempo devido à alteração da densidade causada pela
sedimentação das partículas. A medida da distância z é obtida com a determinação da
densidade da suspensão em intervalos de tempo com o emprego do densímetro. Na
Figura abaixo mostra-se esquematicamente o processo de sedimentação.

Figura 3.1 Ensaio de sedimentação

Equação de Stoke:

  


µ
V= onde:

γs ⇒ peso específico médio das partículas do solo;


γw ⇒ peso específico do fluído;
µ ⇒ viscosidade do fluido;
D ⇒ diâmetro das partículas em metros.
Como queremos saber o diâmetro das partículas (em mm), a equação fica:

1800  

   

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Deve-se notar que a equação acima, fornece somente o diâmetro equivalente


das partículas (não seu verdadeiro valor), tendo-se em vista que a equação de Stoke
corresponde a apenas uma aproximação, à medida em que durante a realização do ensaio
de sedimentação, as seguintes ocorrências tendem a afastá-lo das condições ideais para
as quais a lei de Stokes foi formulada.
• As partículas de solo não são esféricas (muito menos as partículas dos argilo-
minerais que têm forma placóide).
• A coluna líquida possui tamanho definido.
• O movimento de uma partícula interfere no movimento de outra.
• As paredes do recipiente influenciam no movimento de queda das partículas.
• O peso específico das partículas do solo é um valor médio.
• O processo de leitura (inserção e retirada do densímetro) influencia no processo de
queda das partículas.

Calculado o diâmetro no instante t, precisamos calcular a porcentagem de massa


de sólidos que já se decantaram neste mesmo intervalo de tempo t.

Figura 3.2 Fases da sedimentação

Com o passar do tempo, as partículas vão se sedimentando, as maiores mais


rapidamente e com isto, alterando a massa específica da suspensão ao longo da proveta.
Assim, uma partícula X, de diâmetro φ que se encontrava na superfície da suspensão no
instante t=0, percorreu uma distância z após decorrido um tempo t. Acima desta posição
nenhuma partícula terá diâmetro maior ou igual a φ. Para se determinar a massa de
sólidos que tem diâmetros menores do que φ, consideremos uma situação mostrada na
parte direita da Figura anterior, que representa uma suspensão preparada com partículas
com massa Msm e que terá a massa específica igual a:

  
   
 

E a porcentagem de partículas menores do que D; P(<D)% é igual a:


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Capítulo III


 ! "%  
; logo

   "
 
 ! "% 
  

onde γi será obtido, a cada instante, com o uso do densímetro. Calculados os pares de
valores D e  ! "% tem-se condição de traçar a curva granulométrica.

A lei de Stokes é válida apenas para partículas menores que 0,2 mm de diâmetro e
maiores que 0,0002 mm (0,2 µ), tendo em vista que partículas menores que 0,2 µ não
sedimentam por causa da ação de forças repulsivas entre elas, o que origina o
movimento browniano de tratamento bastante complexo.
Este ensaio é normatizado pela NBR 7181 – Solo –Análise Granulométrica – Método
de ensaio. Peneiramento ou combinação de sedimentação com peneiramento.
Pelo DNER é normatizado pelo ME 51:64 – Análise granulométrica de solos.
Combinação de Sedimentação e Peneiramento.

3.2 Representação gráfica do ensaio de granulometria

A representação gráfica do resultado de um ensaio de granulometria é dada pela


curva granulométrica do solo. A partir da curva granulométrica, podemos separar
facilmente os solos grossos dos solos finos, apontando a percentagem equivalente de
cada fração granulométrica que constitui o solo (pedregulho, areia, silte e argila).
Além disto, a curva granulométrica pode fornecer informações sobre a origem
geológica do solo que está sendo investigado. Por exemplo, na figura a seguir, a curva
granulométrica “a” corresponde a um solo com a presença de partículas em uma ampla
faixa de variação. Assim, o solo representado por esta curva granulométrica poderia ser
um solo de origem glacial, um solo coluvionar (tálus) (ambos de baixa seletividade) ou
mesmo um solo residual jovem. Contrariamente, o solo descrito pela curva
granulométrica “c” foi evidentemente depositado por um agente de transporte seletivo,
tal como a água ou o vento (a curva “c” poderia representar um solo eólico, por
exemplo), pois possui quase que todas as partículas do mesmo diâmetro. Na curva
granulométrica “b”, uma faixa de diâmetros das partículas sólidas está ausente. Esta
curva poderia ser gerada, por exemplo, por variações bruscas na capacidade de transporte
de um rio em decorrência de chuvas.
De acordo com a curva granulométrica obtida, o solo pode ser classificado como:
• Bem graduado: caso ele possua uma distribuição contínua de diâmetros
equivalentes em uma ampla faixa de tamanho de partículas (caso da curva
granulométrica “a”);

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Capítulo III

• Mal graduado: caso ele possua uma curva granulométrica uniforme (curva
granulométrica “c”);
• Descontinuo: uma curva granulométrica que apresente ausência de uma faixa de
tamanhos de grãos (curva granulométrica “b”).

Alguns sistemas de classificação utilizam a curva granulométrica para auxiliar na


previsão do comportamento de solos grossos. Para tanto, estes sistemas de classificação
lançam mão de alguns índices característicos da curva granulométrica, para uma
avaliação de sua uniformidade e curvatura. Os coeficientes de uniformidade e curvatura
de uma determinada curva granulométrica são obtidos a partir de alguns diâmetros
equivalente característicos do solo na curva granulométrica.
São eles:
• D10 - Diâmetro efetivo: Diâmetro equivalente da partícula (em mm) para o qual
temos 10% em peso das partículas passando (10% das partículas são mais finas que
o diâmetro efetivo). Quanto maior o D10, maior a permeabilidade.
• D30 e D60 – O mesmo que o diâmetro efetivo, para as percentagens de 30 e 60%,
respectivamente.

Figura 3.3 Representação gráfica das diferentes distribuições granulométricas

Os coeficientes de uniformidade e de curvatura de uma dada curva


granulométrica é obtido pelas seguintes formulas:

$
Coeficiente de uniformidade: Cu = $%&
'&

De acordo com o valor do Cu obtido, a curva granulométrica pode ser


classificada em:

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Capítulo III

Cu < 5 ⇒ muito uniforme;


5 < Cu < 15 ⇒ uniformidade média;
Cu > 15 ⇒ não uniforme.

$(& "²
$%& $'&
Coeficiente de curvatura: Cc =

Classificação da curva granulométrica quanto ao coeficiente de curvatura:

1 < Cc < 3 ⇒ solo bem graduado;


Cc < 1 ou Cc > 3 ⇒ solo mal graduado.

4. DESIGNAÇÃO DO SOLO SEGUNDO NBR 6502

Designar um solo é nomeá-lo conforme os seus constituintes. A NBR− 6502


apresenta algumas regras práticas para designar os solos de acordo com a sua curva
granulométrica. A tabela a seguir ilustra o resultado de ensaios de granulometria
realizados em três solos distintos. As regras apresentadas pela NBR−6502 serão então
empregadas para classificá-los, em caráter ilustrativo.

Porcentagem que passa


# Abertura Solo 1 Solo 2 Solo3
mm
3” 76,2 98
1” 25,4 100 82
¾” 19,05 100 95 72
4 4,8 98 88 61
10 2,0 92 83 45
40 0,42 84 62 20
200 0,074 75 44 03
Constituição do solo - %
Argila 44 21 00
Silte 31 23 03
Areia 17 39 42
Pedregulho 08 17 53
Pedra 00 00 02

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Capítulo III

Seguindo-se as orientações da NBR 6502, as designações dos solos acima, de


acordo com a granulometria encontrada, fica assim:
Quando da ocorrência de mais de 10% de areia, silte ou argila adjetiva-se o solo
com as frações obtidas em ordem decrescente.
Em caso de empate, adota-se a seguinte hierarquia:
1º ⇒ Argila; 2º ⇒ Areia; 3º ⇒ Silte

No caso de percentagens menores do que 10% adjetiva-se o solo do seguinte


modo, independente da fração granulométrica considerada:
1 a 5% ⇒com vestígios de
5 a 10% ⇒ com pouco

Na designação, baseando-se nas quantidades percentuais (em peso) das frações


presentes no solo, a partir de 10 %, é possível fazer as seguintes combinações:
Areia Silte Argila
Areia siltosa Silte arenoso Argila arenosa
Areia argilosa Silte argiloso Argila siltosa
Areia silto-argilosa Silte areno-argiloso Argila areno-siltosa
Areia argilo-siltosa Silte argilo-arenoso Argila silto-arenosa

Para o caso de pedregulho com frações superiores a 10% adjetiva-se o solo do


seguinte modo:
10 a 29% ⇒ com pedregulho
> 30% ⇒ com muito pedregulho

Resultado da nomenclatura dos solos conforme os dados apresentados na tabela:


Solo 1: Argila Silto−Arenosa com pouco Pedregulho
Solo 2: Areia Silto−Argilosa com Pedregulho
Solo 3: Pedregulho Arenoso com vestígios de Silte e Pedra

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Capítulo IV

E S T R U TU R A D O S S O LO S

1. ESTRUTURA DOS SOLOS

Denomina-se estrutura dos solos a maneira pela qual as partículas minerais de


diferentes tamanhos se arrumam para formar o solo. A estrutura de um solo possui um papel
fundamental em seu comportamento, seja em termos de resistência ao cisalhamento,
compressibilidade ou permeabilidade.

Variando-se o arranjo das partículas, varia-se a estrutura do solo, a


qual proporcionará também variações nas suas propriedades de resistência,
permeabilidade e compressibilidade.

Conforme já foi falado os solos finos possuem o seu comportamento governado por
forças elétricas, enquanto os solos grossos têm na gravidade o seu principal fator de
influência, de modo que a estrutura dos solos finos ocorre em uma diversificação e
complexidade muito maior do que a estrutura dos solos grossos. De fato, sendo a gravidade
o fator principal agindo na formação da estrutura dos solos grossos, a estrutura destes solos
difere, de solo para solo, somente no que se refere ao seu grau de compacidade. No caso dos
solos finos, devido a presença das forças de superfície, arranjos estruturais bem mais
elaborados são possíveis. As figuras a seguir ilustram algumas estruturas típicas de solos
finos (fig.4.1) e solos grossos (fig. 4.2).

Figura 4.1 Exemplo de estrutura de solos sedimentares; a letra (a) apresenta uma
estrutura floculada em água salgada: a letra (b) floculada em água não salgada e a
letra (c) uma estrutura dispersa. Obs.: aumentadas 10.000

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Capítulo IV

Figura 4.2 Exemplo de uma estrutura de areia – solo grosso

Quando duas partículas de argila estão muito próximas, na água, entre elas ocorrem
forças de atração e de repulsão. As forças de repulsão são devidas às cargas líquidas
negativas que elas possuem e que ocorrem desde que as camadas duplas estejam em
contato. As forças de atração decorrem de forças de Van der Waals e de ligações
secundárias que atraem materiais adjacentes. Da combinação das forças de atração e de
repulsão entre as partículas resulta a estrutura dos solos, que se refere à disposição das
partículas na massa de solo e as forças entre elas. Lambe (1969) identificou dois tipos
básicos de estrutura do solo, denominando-os de:

• Estrutura floculada, quando os contatos se fazem entre faces e arestas das partículas
sólidas, ainda que através da água adsorvida, e de;
• Estrutura dispersa quando as partículas se posicionam paralelamente, face a face.

O modelo de estrutura mostrado acima é simplificado. No caso de solos residuais e de


solos compactos, a posição relativa das partículas é mais elaborada. Intimamente, existem
aglomerações de partículas argilosas que se dispõem de forma a determinar vazios de
maiores dimensões, como se mostra na figura abaixo. Existem microporos nos vazios entre
as partículas argilosas que constituem as aglomerações e macroporos entre as aglomerações.
Esta diferenciação é importante para o entendimento de alguns comportamentos dos solos
como, por exemplo, a elevada permeabilidade de certos solos residuais no estado natural,
ainda que apresentando considerável parcela de partículas argilosas, como se estudará.

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Capítulo IV

Figura 4.3 Exemplo de estrutura de solo residual, mostrando os micro e macro poros
Por outro lado, observa-se que em solos evoluídos pedologicamente, principalmente
em climas quentes e úmidos (comportamento laterítico), aglomerações de partículas
minerais se apresentam envoltas por deposições de sais de ferro e de alumínio (agentes
cimentantes), sendo este aspecto determinante para seu comportamento.

2. AMOLGAMENTO
Amolgamento é a operação de destruição da estrutura original do solo sedimentar
argiloso, com conseqüente perda de sua resistência, mantido seu teor de umidade original.
A estrutura do solo sedimentar argiloso estabeleceu seu equilíbrio de forças ao longo
de um período de tempo muito elevado, e o efeito do amolgamento é o de destruir qualquer
aglutinação nos pontos de contato dos grãos e, portanto, a estrutura, de forma a transformar
o solo numa massa de grãos dispersos.

3. TIXOTROPIA
O termo tixotropia é usado, na prática da Mecânica dos Solos, para descrever o
restabelecimento da resistência num solo remoldado, embora em física-química coloidal ele
tenha um sentido pouco diferente. Esta recuperação de resistência será sempre menor do
que a resistência inicial do solo antes de se romper.
A explicação do fenômeno seria possível admitindo-se que a remoldagem, diminui
as distâncias entre as partículas, desequilibra o campo atrativo entre elas, levando-o a um
estado que não é estável. Quando o solo é deixado em repouso, ou sobre ele atuam pressões
de adensamento ou trocam-se as condições coloidais do meio, a distância entre as partículas
tende a um nível de energia de repouso que será maior que o anterior.

4. SENSITIVIDADE DAS ARGILAS


A resistência das argilas depende do arranjo entre os grãos e do índice de vazios em
que se encontra. Foi observado que quando se submetem certas argilas ao manuseio, a sua
resistência diminui, ainda que o índice de vazios seja mantido constante. Sua consistência

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Capítulo IV

após o manuseio (amolgada) pode ser menor do que no estado natural (indeformado). Este
fenômeno, que ocorre de maneira diferente conforme a formação argilosa, foi chamado de
sensitividade da argila.
A sensitividade pode ser bem visualizada por meio de dois ensaios de compressão
simples. O primeiro com a amostra no seu estado natural. O segundo com um corpo de
prova feito com o mesmo solo após completo remoldamento, mas com o mesmo índice de
vazios. Exemplo de resultados destes dois ensaios está mostrado na Figura abaixo. A
relação entre a resistência no estado natural e a resistência no estado amolgado foi definida
como sensitividade da argila:

)*+â-./ -0 *+/10 -1*20)3/10


)*+ê-./ -0 *+/10 /3056/10
S=

Figura 4.4 Resistência da argila sensitiva, indeformada e amolgada

As argilas sensitivas são classificadas conforme a tabela abaixo.

Classificação Sensitividade
Insensitiva 1
Baixa sensibilidade 1a2
Média sensibilidade 2a4
Sensitiva 4a8
Ultra sensitiva (quick Clay) > 8

A sensitividade pode ser atribuída ao arranjo estrutural das partículas, estabelecido


durante o processo de sedimentação, arranjo este que pode evoluir ao longo do tempo pela
interrelação química das partículas ou pela remoção de sais existentes na água em que o
solo se firmou pela percolação de águas límpidas. As forças eletroquímicas entre as
partículas podem provocar um verdadeiro “castelo de cartas”. Rompida esta estrutura, a
resistência será muito menor, ainda que o índice de vazios seja o mesmo. Por esta razão, a
sensitividade é também referida como índice de estrutura.

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Capítulo IV

A sensitividade das argilas é uma característica de grande importância, pois indica


que, se a argila vier a sofrer uma ruptura, sua resistência após esta ocorrência é bem menor.
Exemplo disto se tem nos solos argilosos orgânicos das baixadas litorâneas brasileiras,
como na região de mangue da Baixada Santista. A argila orgânica presente é de tão baixa
resistência que só pode suportar aterros com altura máxima de cerca de 1,5 m. Tentando-se
colocar aterros com maiores alturas, ocorrerá ruptura. A argila, ao longo da superfície de
ruptura, ficará amolgada. Como esta argila tem uma sensitividade da ordem de 3 a 4, sua
resistência cai a um terço ou um quarto da inicial. O terreno, depois de rompido, não
suporta mais do que 0,5 m de aterro.
Uma argila amolgada, quando deixada em repouso, volta a ganhar resistência,
devido à interrelação química das partículas, sem que atinja, entretanto, a resistência
original.

5. O ESTADO DAS ARGILAS

Quando se manuseia uma argila, percebe-se certa consistência, ao contrário das


areias que se desmancham facilmente. Por esta razão, o estado em que se encontra uma
argila costuma ser indicado pela resistência que ela apresenta.
A consistência das argilas pode ser quantificada por meio de um ensaio de
compressão simples, que consiste na ruptura por compressão de um corpo de prova de
argila, geralmente cilíndrico. A carga que leva o corpo de prova a ruptura, dividida pela
área deste corpo é denominada resistência à compressão simples da argila (a expressão
simples expressa que o corpo de prova não é confinado, procedimento muito empregado em
Mecânica dos Solos). Em função da resistência à compressão simples, a consistência das
argilas é expressa pelos termos apresentados na tabela abaixo.
.
Consistência do solo em função de sua resistência a compressão simples

Consistência Resistência em KPa


Muito mole < 25
Mole 25 a 50
Média 50 a 100
Rija 100 a 200
Muito rija 200 a 400
Dura > 400

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Capítulo IV

Figura 4.5 Esquema do ensaio de compressão simples

6. COMPACIDADE DE SOLOS GRANULARES

6. 1 O estado da areia
O estado em que se encontra uma areia pode ser expresso pelo seu índice de vazios.
Este dado isolado, entretanto, fornece pouca informação sobre o comportamento da areia,
pois, com o mesmo índice de vazios, uma areia pode estar compactada e outra fofa. É
necessário analisar o índice de vazios natural de uma areia em confronto com os índices de
vazios máximo e mínimo em que ela pode se encontrar.
Se uma areia pura, no estado seco, for colocada cuidadosamente em um recipiente,
vertida através de um funil com pequena altura de queda, por exemplo, ficará no seu estado
mais fofo possível. Pode-se, então, determinar seu peso específico e dele calcular o índice
de vazios máximo – NBR 12004:90.
Vibrando-se uma areia dentro de um molde, ela ficará no seu estado mais compacto
possível. A ele corresponde o índice de vazios mínimo – NBR 12051:91.
Define-se compacidade como o estado de maior ou menor concentração de grãos ou
partículas de um solo não coesivo em um dado volume.
As areias se distinguem também pelo formato dos grãos. Embora as dimensões dos
grãos não sejam muito diferentes segundo três eixos perpendiculares, como ocorre com as
argilas, a rugosidade superficial é bem distinta. Formatos distintos são ilustrados na Figura
abaixo, que mostra projeções de grãos naturais de areias de diferentes procedências. Os
grãos da areia de Ottawa são bem esféricos (dimensões segundo os três eixos semelhantes)
e arredondados (cantos bem suaves), enquanto os grãos de areia do rio Tietê são menos
esféricos e muito angulares.

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Capítulo IV

E – esfericidade A - arredondamento

Figura 4.6 Exemplos de formato dos grãos de areia

O formato dos grãos de areia tem muita importância no seu comportamento


mecânico, pois determina como eles se encaixam e se entrosam, e, em contrapartida, como
eles deslizam entre si, quando solicitados por forças externas. Por outro lado, como as
forças se transmitem pelo contato entre as partículas as de formato mais angulares são mais
suscetíveis a se quebrarem.

Os índices de vazio máximo e mínimo dependem das características da areia. Valores


típicos estão indicados na Tabela apresentada a seguir. Os valores são tanto maiores quanto
mais angulares são os grãos e quanto mais mal graduadas as areias.

Descrição das areias emin emax

Areia uniforme de grãos angulares 0,70 1,10


Areia bem graduada de grãos angulares 0,45 0,75
Areia uniforme de grãos arredondados 0,45 0,75
Areia bem graduada de grãos arredondados 0,35 0,65

Consideremos uma areia A com “e mínimo” igual a 0,6 e “e máximo” igual a 0,9 e uma
areia B com “e mínimo” igual a 0,4 e “e máximo” igual a 0,7 (ver figura 4.2). Se as duas
estiverem com e = 0,65, a areia A estará compacta e a areia B estará fofa.

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Capítulo IV

Figura 4.7 Comparação de duas areias com e = 0,65

O estado de uma areia, ou sua compacidade, pode ser expresso pelo índice de
compacidade relativa, que é uma função do índice de vazios em que ele se encontra, em
relação a estes valores extremos:

*78 *97:
*78  *;9
CR =

Quanto maior a CR, mais compacta é a areia. Terzaghi sugeriu a terminologia


apresentada na Tabela a seguir. Em geral, areias compactas apresentam maior resistência e
menor deformidade. Estas características, entre as diversas areias, dependem também de
outros fatores, como a distribuição granulométrica e o formato dos grãos. Entretanto, a
compacidade é um fator importante.
.
Classificação das areias segundo a compacidade

Classificação CR

Areia fofa Abaixo de 0,33

Areia de compacidade média Entre 0,33 e 0,66

Areia compacta Acima de 0,66

7. Capacidade de carga dos solos de acordo com sua estrutura.

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Capítulo IV

A partir da definição de qual é a estrutura dos solos, tanto argilosos como granulares, a
tabela a seguir apresenta uma estimativa de capacidade de suporte dos solos.

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Capítulo V

O ESTADO DO SOLO

1. ÍNDICES FÍSICOS ENTRE AS TRÊS PARTES

Num solo, só parte do volume total é ocupado pelas partículas sólidas, que se
acomodam formando uma estrutura. O volume restante costuma ser chamado de vazios,
embora esteja ocupado por água ou ar. Deve-se reconhecer, portanto, que o solo é constituído
de três fases: sólida, água e ar.
• Fase sólida: Caracterizada pelo tamanho, forma, distribuição e composição
mineralógica dos grãos, conforme já apresentado anteriormente.
• Fase fluida: composta em sua maior parte pela água, podendo conter solutos e outros
fluídos imiscíveis. Pode-se dizer que a água se apresenta de diferentes formas no solo
(água livre, água capilar, água adsorvida e água de constituição), sendo contudo,
extremamente difícil se isolar os estados em que a água se apresenta em seu interior;
• Fase gasosa: Fase composta geralmente pelo ar do solo em contato com a atmosfera,
podendo-se também apresentar na forma oclusa (bolhas de ar no interior da fase água).
A fase gasosa é importante em problemas de deformação de solos que é bem mais
compressível que a fase sólida e líquida.
O comportamento de um solo depende da quantidade relativa de cada uma das três fases
(sólida, água e ar).
Diversas relações são empregadas para expressar as proporções entre elas. Na figura
abaixo, pela letra (a) estão representadas, as três fases que normalmente ocorrem nos solos,

Figura 5.1 As fases do solo; (a) solo no estado natural: (b) separadas em volume.
Mecânica dos Solos I
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Capítulo V

ainda que, em alguns casos, todos os vazios possam estar ocupados pela água. Pela letra (b),
as três fases estão separadas proporcionalmente aos volumes que ocupam, facilitando a
definição e a determinação das relações entre elas. Os volumes de cada fase são apresentados
à esquerda e os pesos à direita.
Em princípio, as quantidades de água e ar podem variar. A evaporação pode fazer
diminuir a quantidade de água, substituindo-a por ar, e a compressão do solo pode provocar a
saída de água e ar, reduzindo o volume de vazios. O solo, no que se refere às partículas que o
constituem, permanece o mesmo, mas seu estado se altera. As diversas propriedades do solo
dependem do estado em que se encontra. Quando diminui o volume de vazios, por exemplo,
a resistência aumenta.
Para identificar o estado do solo, empregam-se índices que correlacionam os pesos e os
volumes das três fases. Estes índices são os seguintes:
• Umidade - w;
• Índice de vazios - e;
• Porosidade - n;
• Grau de saturação - Sr;
• Peso específico dos sólidos (ou dos grãos) – γS;
Toda simbologia adotada nesta apostila, a partir deste capitulo, é determinada pela NBR
13441:95, e tendo qualquer duvida a este respeito, a mesma deverá ser consultada.

1.1 Relação entre pesos


1.1.1 Teor de umidade: Relação entre o peso da água e o peso dos sólidos. É expresso
pela letra w. Para sua determinação, pesa-se o solo no seu estado natural, seca-se em estufa a
105°C até constância de peso e pesa-se novamente. Tendo-se o peso das duas fases, a
umidade é calculada. É a operação mais freqüente em um laboratório de solos. Os teores de
umidade dependem do tipo de solo e situam-se geralmente entre 10 e 40%, podendo ocorrer
valores muito baixos (solos secos) ou muito altos (150% ou mais para solos orgânicos).

<
w = <7 100
=

1.2 Relação entre volumes


1.2.1 Índice de vazios: Relação entre o volume de vazios e o volume das partículas
sólidas. É expresso pela letra e. Não pode ser determinado diretamente, mas é calculado a
partir dos outros índices. Costuma-se situar entre 0,5 e 1,0, mas argilas orgânicas podem

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Capítulo V

ocorrer com índices de vazios superiores a 3 (volume de vazios, no caso com água, superior a
3 vezes o volume de partículas sólidas), portanto não há um limite superior bem definido,
dependendo da estrutura do solo.

O índice de vazios será medido por um número natural e deverá ser, obrigatoriamente,
maior do que zero em seu limite inferior.
O volume de sólidos permanecendo constante ao longo do tempo, qualquer variação
volumétrica será medida por uma variação do índice de vazios, que assim poderá contar a
história das tensões e deformações ocorridas no solo.


e = >
=

1.2.2 Porosidade: Relação entre o volume de vazios e o volume total. Indica a


mesma coisa que o índice de vazios. É expresso pela letra n. Valores geralmente entre 30 e
70%.

>
100
:
n=

1.2.3 Grau de saturação: Relação entre o volume de água e o volume de vazios,


indicando a porcentagem que a água ocupa no volume de vazios de um solo. É expresso pela
letra Sr, não sendo determinado diretamente, mas calculado, e seus limites variam entre zero
(solo seco) a 100% (solo saturado).


Sr = 7 100
>

1.3 Relação entre pesos e volumes


Em Mecânica dos Solos se relaciona o peso das diferentes fases com seus volumes
correspondentes por meio de pesos específicos.

1.3.1 Peso específico dos grãos sólidos


É uma característica dos solos. É a relação entre o peso das partículas sólidas e o seu
volume. É expresso pelo símbolo γs .
<

γs =

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Capítulo V

Figura 5.2 Esquema para determinação do volume do peso específico dos grãos

O peso específico dos solos é determinado em laboratório. Coloca-se um peso seco


conhecido do solo (Ps) num picnômetro e completa-se com água, determinando o peso total
(Pp+Ps+Pa’). O peso do picnômetro completado só com água (Pp+Pa), mais o peso do solo,
menos o peso do picnômetro com solo e água, é o peso da água que foi substituído pelo solo.
Deste peso, calcula-se o volume de água que foi substituído pelo solo e que é o volume do
solo.
Vs = ( Pp + Pa) + (Ps) – ( Pp + Ps + Pa) ;
Com o peso e o volume, tem-se o peso específico:

<
<?@</"@ <" <?@<@</"
γs =

O peso específico dos grãos dos solos varia pouco de solo para solo e, por si, não
permite identificar o solo em questão, mas é necessário para cálculos de outros índices. Os
valores situam-se em torno de 27 kN/m³, sendo este valor adotado quando não se dispõe do
valor específico para o solo em estudo. Grãos de quartzo (areia) costumam apresentar pesos
específicos de 26,5 kN/m³ e argilas, em virtude da deposição de sais de ferro, valores até 30
kN/m³.

1.3.2 Peso específico da água

Embora varie um pouco com a temperatura, adota-se sempre como igual a 10 kN/m³,
a não ser em certos procedimentos de laboratório. É expresso pelo símbolo γw.

1.3.3 Peso específico natural

É a relação entre o peso total do solo e seu volume total. É expresso pelo símbolo γnat.

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Capítulo V

<+
+
γnat =

A expressão “peso específico natural” é, algumas vezes, substituída só por “peso


específico - γ” do solo. Tratando-se de compactação do solo, o peso específico natural é
denominado também de peso específico úmido- γt.
Esta formula pode ser usada para qualquer teor de umidade, com exceção dos
extremos, quando: o solo estiver com 100% saturado o γnat passa a ser γsat; e, quando o solo
estiver completamente seco, o γnat passa a ser γd.
Para sua determinação, molda-se um cilindro do solo cujas dimensões conhecidas
permitem calcular o volume. O peso total dividido pelo volume é o peso específico natural. O
peso específico também pode ser determinado a partir de corpos irregulares, obtendo-se o
volume por meio do peso imerso em água. Para tal, o corpo deve ser previamente envolto por
parafina.
O peso específico natural não varia muito entre os diferentes solos. Situa-se em torno
de 19 e 20 kN/m³ e, por isso, quando não conhecido, é estimado como igual a 20 kN/m³.
Pode ser um pouco maior (21 kN/m³) ou menor (17 kN/m³). Casos especiais, como as argilas
orgânicas moles, podem apresentar pesos específicos de 14 kN/m³.
A magnitude do peso específico natural dependerá da quantidade de água nos vazios e
dos grãos minerais predominantes, e é utilizado no cálculo de esforços

1.3.4 Peso específico aparente seco


Relação entre o peso dos sólidos e o volume total. Corresponde ao peso específico
que o solo teria se viesse a ficar seco, se isto pudesse ocorrer sem que houvesse variação de
volume. Expresso pelo símbolo γd. Não é determinado diretamente em laboratório, mas
calculado a partir do peso específico natural e da umidade. Situa-se entre 13 e 19 kN/m³ (4 a
5 kN/m³ no caso de argilas orgânicas moles).
O peso específico aparente seco é empregado para verificar o grau de compactação de
bases e sub-bases de pavimentos e barragens de terra

<
+
γd =

1.3.5 Peso específico submerso


É o peso específico efetivo do solo quando submerso (abaixo do lençol freático). Serve
para cálculos de tensões efetivas. É igual ao peso específico natural menos o peso específico
da água, portanto com valores da ordem de 10 kN/m³. É expresso pelo símbolo γsub.

γsub = γsat – γw

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2. RELAÇÕES FUNDAMENTAIS – QUADRO DE RESUMO


Sendo o solo um material polifásico, existe um determinado número de grandezas
necessárias para descrever o seu estado físico, as quais relacionamos a seguir:
Grandezas físicas necessárias para descrever o estado físico de um solo
Grandeza Designação Tipo de Definição Unidades Observações
relação
Teor em água Expresso em
“umidade” w Pesos AB C AD Adimensional %

Índice de vazios e volumes EF C ED Adimensional


Porosidade n volumes EF C EG Adimensional Expresso em
%
Grau de Sr volumes EH C EE Adimensional Expresso em
saturação %
Peso específico
das partículas γs Pesos/volumes A D C ED kN/m³ Em geral I
sólidas 26,5 kN/m³
Peso específico γ Em geral I
do solo ou Pesos/volumes A G ⁄ EG kN/m³ 20,0 kN/m³
JKLG
Peso especifico γsat =
do solo saturado  @ *  "
@*
γsat Pesos/volumes kN/m³

Peso específico Em geral I


do solo seco γd Pesos/volumes A N C EG kN/m³ 13 a 19 kN
/m³
Peso específico
da água γw Pesos/volumes AB/EB kN/m³ I 10 kN/m³
Peso específico
submerso Pesos/volumes kN/m³
γsub γsat - γw
Densidade das
partículas sólidas G ou P Pesos/volumes JD C JB Adimensional Em geral =
2,65

3. FORMULAS DE CORRELAÇÃO

Dos índices vistos anteriormente, somente três são determinados diretamente em


laboratório: a umidade (w), o peso específico dos grãos (γs) o peso específico natural (γnat). O
peso específico da água é fixo. Os outros são calculados a partir dos índices determinados
anteriormente.
Porém a utilização das formulas de definição dos índices físicos nos cálculos não são
práticas, então recorre-se as formulas de correlação entre os índices.

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Capítulo V

3.1 Índice de vazios:


e = Q S  1
T  
V
 UT WX 
; e= ;
R

3.2 Porosidade:

*  R
n = 1   Z 1
@* 
n = ; ;
Y

3.3 Grau de saturação:

   [ - 
\)  ]
*  * - 
sr = ; Sr = ;

3.4 Peso especifico aparente seco:


 
97:
γd = @* ; γd = @ ; γd = (1 – n)γs

3.5 Peso especifico natural:

 @"
; γ_`a  γb 1  w" ;
@*
γnat = γnat = γd + n.γw
obs.: se o solo for saturado Sr =100%, então γnat = γsat
3.6 Peso especifico saturado:

 @ *  "
@*
γsat = ; γsat = γs-(γs-γw)n ;

3.7 Relações do peso especifico submerso:

de  1  Z"   1  Z" f


de  1  Z"   f "
de  1  Z"   1"f
  g "  *"
de  /+  f ; de  @*
de  @*
de 
@*"h
; ;

3.8 Relações adicionais para solos saturados → S = 100%


/+  W  Z f ; /+  ij 1  Z"  Zkf ; γsat = [(1 - n ) γs] + (n γw)

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3.9 Relações adicionais para solos secos → S = 0%


 g l
1   ; 1   1  Z" ; 1  j 1  Z" ; 1  -/+ 1  ]"
@* @*

4. Massas específicas
Relações entre pesos e volumes são denominados pesos específicos, como acima
definidos, e expressos geralmente em kN/m³.

Relações entre quantidade de matéria (massa) e volume são denominadas massas


específicas, e expressas geralmente em ton/m³; kg/ dm³ ou g/cm³.
A relação entre valores numéricos que expressam as duas grandezas é constante. Se
um solo tem uma massa específica de 1,8 t/m³, seu peso específico é o produto deste valor
pela aceleração da gravidade, que varia conforme a posição no globo terrestre e que vale em
torno de 9,81 m/s² (em problemas de engenharia prática, adota-se, simplificadamente,
10m/s²). O peso específico é, portanto, de 18 kN/m³.

No laboratório, determinam-se massas e as normas existentes indicam como se obter


massas específicas. Entretanto, na prática da engenharia, é mais conveniente trabalhar com
pesos específicos, razão pela qual se optou por apresentar os índices físicos nestes termos.

Deve ser notado, por outro lado, que no Sistema Técnico de unidades, que vem sendo
paulatinamente substituído pelo Sistema Internacional, as unidades de peso tem denominação
semelhante às das unidades de massa no Sistema Internacional.
Por exemplo, um decímetro cúbico de água tem:
• Uma massa de um quilograma (1kg);
• Um peso de dez Newtons (10N) no Sistema Internacional e,
• Um peso de um quilograma força no Sistema Técnico (1kgf).

Assim, ainda é comum que se diga no meio técnico, por exemplo, que a “tensão”
admissível aplicada numa sapata é de 5 t/m² (não é correto, mas se omite o complemento
força). Na realidade, a pressão aplicada é de 50 kN/m², resultante da ação da massa de 5
toneladas por metro quadrado. A expressão densidade se refere à massa específica, e
densidade relativa é a relação entre a densidade do material e a densidade da água a 4°C.
Como esta é igual a 1 kg/dm³, resulta que a densidade relativa tem o mesmo valor que a
massa específica (expressa em g/cm³, kg/dm³ ou ton/m³), mas é adimensional. Como a
relação entre o peso específico de um material e o peso específico da água a 4°C é igual à
relação das massas específicas, é comum se estender o conceito de densidade relativa à
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Capítulo V

relação dos pesos e se adotar como peso específico a densidade relativa do material
multiplicada pelo peso específico da água.

5. Representação gráfica das equações

6. Diagrama das informações para cálculos

.
.

Mecânica dos Solos I


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Capítulo VI

.C O NS I S TÊ N CI A D O S S O L O S

1. NOÇÕES BÁSICAS

Quando tratamos com solos grossos (areias e pedregulhos com pequena quantidade ou
sem a presença de finos), o efeito da umidade nestes solos é freqüentemente negligenciado,
na medida em que a quantidade de água presente nos mesmos tem um efeito secundário em
seu comportamento. Pode-se dizer, conforme aliás será visto no capítulo de classificação dos
solos, que podemos classificar os solos grossos utilizando-se somente a sua curva
granulométrica, o seu grau de compacidade e a forma de suas partículas. Por outro lado, o
comportamento dos solos finos ou coesivos irá depender de sua composição mineralógica, da
sua umidade, de sua estrutura e do seu grau de saturação. Em particular, a umidade dos solos
finos tem sido considerada como uma importante indicação do seu comportamento desde o
início da mecânica dos solos.
Um solo argiloso pode se apresentar em um estado líquido, plástico, semi-sólido ou
sólido, a depender de sua umidade. A este estado físico do solo dá-se o nome de consistência.
Os limites inferiores e superiores de valor de umidade para cada estado do solo são
denominados de limites de consistência.
No estado plástico, o solo apresenta uma propriedade denominada de plasticidade,
caracterizada pela capacidade do solo se deformar sem apresentar ruptura ou trincas e sem
variação de volume. A manifestação desta propriedade em um solo dependerá
fundamentalmente dos seguintes fatores:

• Umidade: Existe uma faixa de umidade dentro da qual o solo se comporta de maneira
plástica. Valores de umidade inferiores aos valores contidos nesta faixa farão o solo se
comportar como semi-sólido ou sólido, enquanto que para maiores valores de umidade
o solo se comportará preferencialmente como líquido.
• Tipo de argilo-mineral: O tipo de argilo-mineral (sua forma, constituição
mineralógica, tamanho, superfície específica, etc.) influi na capacidade do solo de se
comportar de maneira plástica. Quanto menor o argilo-mineral (ou quanto maior sua
superfície específica), maior a plasticidade do solo. É importante salientar que o
conhecimento da plasticidade na caracterização dos solos finos é de fundamental
importância.

Mecânica dos Solos I


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Capítulo VI

2. ESTADOS DE CONSISTÊNCIA

A depender da quantidade de água presente no solo, teremos os seguintes estados de


consistência:

SÓLIDO SEMI-SÓLIDO PLÁSTICO FLUÍDO-


DENSO
WO WS WP WL

Cada estado de consistência do solo se caracteriza por algumas propriedades


particulares, as quais são apresentadas a seguir. Os limites entre um estado de consistência e
outro são determinados empiricamente, sendo denominados de limite de contração - WS,
limite de plasticidade - WP e limite de liquidez - WL.

• Estado Sólido: Dizemos que um solo está em um estado de consistência sólido quando
o seu volume “não varia” por variações em sua umidade.
• Estado Semi-Sólido: O solo apresenta fraturas e se rompe ao ser trabalhado. O limite
de contração, WS, separa os estados de consistência sólido e semi-sólido.
• Estado Plástico: Dizemos que um solo está em um estado plástico quando podemos
moldá-lo sem que o mesmo apresente fissuras ou variações volumétricas. O limite de
plasticidade, WP, separa o estado de consistência semi-sólido e plástico.
• Estado Fluido-Denso (Líquido): Quando o solo possui propriedades e aparência de
uma suspensão, não apresentando resistência ao cisalhamento. O limite de liquidez,
WL, separa o estado plástico e fluido.

Como seria de se esperar, a resistência ao cisalhamento bem como a


compressibilidade dos solos variam nos diversos estados de consistência.

3. DETERMINAÇÃO DOS LIMITES DE CONSISTÊNCIA

Os teores de umidade correspondentes às mudanças (delimitações) de estado, como se


mostra na figura abaixo, são definidos como: Limite de Liquidez (WL) e limite de
Plasticidade (WP) dos solos. A diferença entre estes dois limites, que indica a faixa de
valores em que o solo se apresenta plástico, é definida como o Índice de Plasticidade (IP) do
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Capítulo VI

solo. Em condições normais, só são apresentados os valores do WL e do IP como índices de


consistência dos solos. O WP só é empregado para a determinação do IP.

Figura 6.1 Limites de Atterberg dos solos

3.1 Limite de liquidez

É o valor de umidade para o qual o solo passa do estado plástico para o estado fluido.
É definido como o teor de umidade do solo com o qual uma ranhura nele feita, requer
25 golpes para se fechar numa concha.

3.1.1 Determinação do limite de liquidez (WL): A determinação do limite de


liquidez do solo é realizada seguindo-se o seguinte procedimento:

• Coloca-se na concha do aparelho de Casa Grande uma pasta de solo (passando #40)
com umidade próxima de seu limite de plasticidade.
• Faz-se um sulco na pasta com um cinzel padronizado.
• Aplicam-se golpes à massa de solo posta na concha do aparelho de Casa Grande,
girando-se uma manivela, a uma velocidade padrão de 2 golpes por segundo. Esta
manivela é solidária a um eixo, o qual por possuir um excêntrico, faz com que a concha
do aparelho de Casa Grande caia de uma altura padrão de aproximadamente 1cm.
• Conta-se o número de golpes necessário para que a ranhura de solo se feche em uma
extensão em torno de 1cm.

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Capítulo VI

• Repete-se este processo ao menos 5 vezes, geralmente empregando-se valores de


umidade crescentes.
• Lançam-se os pontos experimentais obtidos, em termos de umidade versus log Nº de
golpes.
• Ajusta-se uma reta passando por esses pontos. O limite de liquidez corresponde à
umidade para a qual foram necessários 25 golpes para fechar a ranhura de solo. A
figura abaixo ilustra o aparelho utilizado na determinação do limite de liquidez, em
como o gráfico para a determinação do limite de liquidez do solo (vide NBR 6459).

Figura 6.2 Aparelho e gráfico utilizado na determinação do limite de liquidez

3.2 Limite de plasticidade

É o valor de umidade para o qual o solo passa do estado semi-sólido para o estado
plástico.
É definido como o menor teor de umidade com o qual se consegue moldar um
cilindro com 3mm de diâmetro, rolando-se o solo com a palma da mão.

3.2.1 Determinação do limite de plasticidade (WP): A determinação do limite de


plasticidade do solo é realizada seguindo-se o seguinte procedimento:

• Prepara-se uma pasta com o solo que passa na #40, fazendo-a rolar com a palma da
mão sobre uma placa de vidro esmerilhado, formando um pequeno cilindro.
• Quando o cilindro de solo atingir o diâmetro de 3mm e apresentar fissuras, mede-se a
umidade do solo.
• Esta operação é repetida pelo menos 5 vezes, definido assim como limite de
plasticidade o valor médio dos teores de umidade determinados. A figura a seguir

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Capítulo VI

ilustra a realização do ensaio para determinação do limite de plasticidade (vide NBR


9180).

Figura 6.3 Ensaio de determinação do limite plasticidade

3.3 Limite de contração

É o valor de umidade para o qual o solo passa do estado sólido para o estado semi-
sólido, ou seja, é o teor de umidade a partir do qual o solo não mais se contrai embora
continue perdendo peso.

3.3.1 Determinação do limite de contração (WS): A determinação do limite de


contração do solo é realizada seguindo-se o seguinte procedimento:

• Molda-se uma amostra de solo passando na #40, na forma de pastilha, em uma cápsula
metálica com teor de umidade entre 10 e 25 golpes no aparelho de Casa Grande.
• Seca-se a amostra à sombra e depois em estufa, pesando-a em seguida.
• Utiliza-se um recipiente adequado (cápsula de vidro) para medir o volume do solo seco,
através do deslocamento de mercúrio provocado pelo solo quando de sua imersão no
recipiente. O limite de contração é determinado pela equação apresentada a seguir (vide
NBR 7183).


WS = Q  S  100 ; onde
< =

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Capítulo VI

V = Volume da amostra seca


P = Peso da amostra seca
γw = Peso específico da água
γG = Peso específico das partículas sólidas

4. ÍNDICES DOS SOLOS – IP – IC - IA

Uma vez conhecidos os limites de consistência de um solo, vários índices podem ser
definidos. A seguir, apresentaremos os mais utilizados.

4.1 Índice de plasticidade:

O índice de plasticidade (IP) corresponde à faixa de valores de umidade do solo na


qual ele se comporta de maneira plástica. É a diferença numérica entre o valor do limite de
liquidez e o limite de plasticidade.

IP = WL - WP

O IP é uma maneira de avaliarmos a plasticidade do solo. Seria a quantidade de água


necessária a acrescentar a um solo (com uma consistência dada pelo valor de WP) para que
este passasse do estado plástico ao líquido.
Classificação do solo quanto ao seu índice de plasticidade:

IP = 0 ⇒ Solo não plástico


1 < IP < 7 ⇒ Solo pouco plástico
7 < IP < 15 ⇒ Plasticidade média
IP > 15 ⇒ Muito plástico

4.2 Índice de consistência:


O índice de consistência é a relação entre a diferença de limite de liquidez para a
umidade natural e o índice de plasticidade. É uma forma de medirmos a consistência do solo
no estado em que se encontra em campo.

fm  
n<
IC =

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Capítulo VI

Quando o teor de umidade é igual ao LL, IC=0. À medida que o teor de umidade
diminui, o IC aumenta, ficando maior do que 1 quando a umidade fica menor do que o LP.
O índice de consistência é especialmente representativo do comportamento de solos
sedimentares. Quando estes solos se formam, o teor de umidade é muito elevado e a
resistência é muito reduzida. À medida que novas camadas se depositam sobre as primeiras, o
peso deste material provoca a expulsão da água dos vazios do solo, com a conseqüente
redução do índice de vazios e o ganho de resistência. Da mesma forma, quando uma amostra
de argila é seca lentamente, nota-se que ela ganha resistência progressivamente.
Tem sido proposto que a consistência das argilas seja estimada por meio do índice de
consistência, conforme a tabela abaixo. Esta tabela apresenta valores aproximados e é
aplicável a solos remoldados e saturados. Seu valor é primordialmente didático, no sentido de
realçar a dependência da resistência ao teor de umidade e, conseqüentemente, ao
adensamento que a argila sofre pela sobrecarga que ela suporta.
Segundo a NBR 6502:80 quanto à consistência, os solos podem ser subdivididos em:
muito moles (vazas), moles, médias, rijas e duras. Busca-se situar o teor de umidade do solo
no intervalo de interesse para utilização na prática, ou seja, entre os limites de liquidez e o de
plasticidade.
• As argilas muito moles situam-se no estado líquido;
• As argilas moles, médias e rijas situam-se no estado plástico;
• As argilas duras situam-se no estado semi-sólido
Classificação do solo quanto ao seu índice de consistência:

Ic < 0 ⇒ Muito mole; Estado fluído


0 < Ic < 0,5 ⇒ Moles
0,5 < Ic < 0,75 ⇒ Médias; Estado plástico
0,75 < Ic < 1,00 ⇒ Rijas
Ic > 1 ⇒ Duras; Estado semi-sólido ou sólido

Qualitativamente, cada estado pode ser identificado do seguinte modo:


• Muito moles: as argilas que escorrem com facilidade entre os dedos, se apertadas nas
mãos;
• Moles: as que são facilmente moldadas pelos dedos;
• Médias: as que podem ser moldadas pelos dedos;
• Rijas: as que requerem grande esforço para serem moldas pelos dedos;
• Duras: as que não podem ser moldadas pelos dedos e que, ao serem submetidas a
grande esforço, desagregam-se ou perdem sua estrutura original

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Capítulo VI

Deve ser notado que a passagem de um estado para outro ocorre de forma gradual,
com a variação da umidade. A definição dos limites acima descrita é arbitrária. Isto não
diminui seu valor, pois os resultados são índices comparativos. A padronização dos ensaios é
que é importante, sendo, de fato, praticamente universal.

4.3 Índice de atividade as argilas

Os Índices de Atterberg indicam a influência dos finos argilosos no comportamento


do solo. Certos solos com teores elevados de argila podem apresentar índices mais baixos do
que aqueles com pequenos teores de argila. Isso pode ocorrer porque a composição
mineralógica dos argilo-minerais é bastante variável. Pequenos teores de argila e altos índices
de consistência indicam que a argila á muito ativa.
Mas os índices determinados são também função da areia presente. Solos de mesma
procedência, com o mesmo argilo-mineral, mas com diferentes teores de areia, apresentarão
índices diferentes, tanto maiores quanto maior teor de argila, numa razão aproximadamente
constante. Quando se quer ter uma idéia sobre a atividade da fração argila, os índices devem
ser comparados com a fração argila presente. É isto que mostra o índice de atividade de uma
argila, definido na relação:

í-1.* 1* ?5/+.1/1* n<"


2)/çã0 1/ /)65/ 3*-0) 10 €d* , 33
Índice de Atividade =

Segundo Skempton, a argila presente num solo pode ser considerada:


• Ia < 0,75 ⇒Argilas de baixa atividade – ou inativa;
• 0,75 < Ia < 1,25 ⇒Argilas de atividade normal;
• Ia > 1,25 ⇒Argilas de atividade alta – ou ativa.

5. GRAU DE CONTRAÇÃO

É a razão da diferença entre os volumes inicial (V0) e final (Vf) após a secagem da
amostra, para o volume inicial (V0), expressa em porcentagem:

„  „2
ƒ
„

Segundo Scheidig, a compressibilidade de um solo cresce com o grau de contração,


então tem-se:

Mecânica dos Solos I


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Capítulo VI

• C < 5% ⇒ Solos bons;


• 5% < C < 10% ⇒Solos regulares;
• 10% < C < 15% ⇒ Solos sofríveis;
• C > 15% ⇒ Solos péssimos.

6. GRÁFICO DE PLASTICIDADE

Resultados de pesquisas realizadas por Artur Casagrande com uma quantidade


enorme de solos, permitiram a elaboração do gráfico , como mostrado na figura abaixo,
utilizado na classificação dos solos, tomando-se por base as suas características plásticas.
Como será visto no gráfico a seguir, a tabela é dividida em sete setores, mostrando
agrupamentos com solos de comportamento semelhantes, conforme as suas características
plásticas.
Na divisão destes setores no gráfico temos:
• A linha “A” separa os siltes (abaixo) das argilas (acima);
• A linha “B – WL = 50% ou WL = 30%” , separa os solos de alta compressibilidade e
baixa compressibilidade;

Figura 6.4 Gráfico de plasticidade

Quanto ao fato dos pontos que representam as argilas orgânicas estarem situados na
mesma região que os que correspondem aos siltes inorgânicos de alta compressibilidade; e, os
pontos que representam os siltes orgânicos na região dos siltes inorgânicos de mediana

Mecânica dos Solos I


Prof. Eduardo Rodrigues da Cunha Pág. 62
Capítulo VI

compressibilidade; deve-se observar que os solos orgânicos distinguem-se facilmente dos


demais, pelo seu odor característico e por apresentarem cores escuras.
A partir do gráfico de plasticidade, obtém-se indicações de como variam algumas
propriedades dos solo, conforme demonstrado na tabela a seguir:

WL= constante WL = crescente


Características IP = crescente IP = constante
Compressibilidade Praticamente nula Cresce
Permeabilidade Decresce Cresce
Plasticidade Cresce Decresce
Resistência no estado seco Cresce Decresce

Os limites de Atterberg e os índices associados são empregados pelos sistemas


de classificação do solo, associados a sua granulometria. Freqüentemente os limites são
utilizados para controlar os solos em métodos semi-empíricos de projeto.
O limites não fornecem as características referentes a estrutura do solo, pois esta
é destruída no preparo da amostra para a determinação destes valores.
O gráfico de plasticidade de Casagrande foi proposto a partir de um grande
número de ensaios em solos pertencentes, na sua maioria, a regiões não tropicais. Portanto
para solos residuais e tropicais, o gráfico é muitas vezes inadequado.
No gráfico a seguir demonstra-se a variação das propriedades – permeabilidade,
compressibilidade, tenacidade (plasticidade) e resistência – dos solos no gráfico de
plasticidade.

Figura 6.5 Direção da variação das propriedades de um solo

Mecânica dos Solos I


Prof. Eduardo Rodrigues da Cunha Pág. 63
Capítulo VII

C L AS S I FI C AÇ Ã O DO S S O LO S

1. A IMPORTÂNCIA DA CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS

A diversidade e a enorme diferença de comportamento apresentado pelos diversos


solos, perante as solicitações de interesse da engenharia, levaram ao seu natural agrupamento
em conjuntos distintos, aos quais podem ser atribuídas algumas propriedades. Desta
tendência racional de organização da experiência acumulada, surgiram os sistemas de
classificação dos solos. Os objetivos da classificação dos solos, sob o ponto de vista de
engenharia, é o de poder estimar o provável comportamento do solo ou, pelo menos, o de
orientar o programa de investigação necessário para permitir a adequada análise de um
problema.
É muito discutida a validade dos sistemas de classificação. De um lado, qualquer
sistema cria grupos definidos por limites numéricos descontínuos, enquanto solos naturais
apresentam características progressivamente variáveis. Pode ocorrer que solos com índices
próximos aos limites se classifiquem em grupos distintos, embora possam ter
comportamentos mais semelhantes do que de um mesmo grupo de classificação. A esta
objeção, pode-se acrescentar que a classificação de um solo, baseada em parâmetros físicos
por ele apresentados, jamais poderá ser uma informação mais completa do que os próprios
parâmetros que o levam a ser classificados. Entretanto, a classificação é necessária para a
transmissão de conhecimento. Mesmo aqueles que criticam os sistemas de classificação não
têm outra maneira sucinta de relatar sua experiência, senão afirmado que, tendo aplicado um
tipo de solução, obteve certo resultado, num determinado tipo de solo. Quando um tipo de
solo é citado, é necessário que a designação seja entendida por todos, ou seja, é necessário
que exista um sistema de classificação. Conforme apontado por Terzaghi, “um sistema de
classificação sem índices numéricos para identificar os grupos é totalmente inútil”. Se, por
exemplo, a expressão areia bem graduada compacta for empregada para descrever um solo, é
importante que o significado de cada termo desta expressão possa ser entendido da mesma
maneira por todos e, se possível, ter limites bem definidos.
Outra crítica aos sistemas de classificação advém do perigo de que técnicos menos
experientes supervalorizem a informação, vindo a adotar parâmetros inadequados para os
solos. Este perigo realmente existe e é preciso sempre enfatizar que os sistemas de
classificação constituem-se num primeiro passo para a previsão do comportamento dos solos.
São tantas as peculiaridades dos diversos solos que um sistema de classificação que
permitisse um nível de conhecimento adequado para qualquer projeto teria de levar em conta

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Prof. Eduardo Rodrigues da Cunha Pág. 64
Capítulo VII

uma grande quantidade de índices, deixando totalmente de ter aplicação prática. Entretanto,
eles ajudam a organizar as idéias e a orientar os estudos e o planejamento das investigações
para obtenção dos parâmetros mais importantes para cada projeto.
Implicitamente, nos capítulos anteriores, utilizou-se alguns sistemas de classificação
dos solos. Estes sistemas de classificação, por serem bastante simplificados, não são capazes
de fornecer, na maioria dos casos, uma resposta satisfatória do ponto de vista da engenharia,
devendo ser usados como informações adicionais aos sistemas de classificação mais
elaborados. São eles:
• Classificação genética dos solos: Classifica os solos, segundo suas origens em
residuais e sedimentares, podendo apresentar subdivisões (ex. solo residual jovem, solo
sedimentar eólico, etc.);
• Classificação pela NBR 6502: Conforme apresentado anteriormente, esta classificação
designa os solos de acordo com as suas frações granulométricas preponderantes,
utilizando a curva granulométrica;
• Classificação pela estrutura: Essa classificação consta de dois tipos fundamentais de
estruturas (agregada e isolada), que por sua vez, são subdivididas em vários outros
subtipos (floculada, dispersa, orientada, aleatória), conforme foi visto no capítulo
referente à estrutura dos solos. A estrutura do solo está interligada com propriedades
como coesão, peso específico, sensibilidade, expansividade, resistência, anisotropia,
permeabilidade, compressibilidade e outras mais.

Os sistemas baseados no tipo e no comportamento das partículas


que constituem os solos são os mais utilizados na engenharia de solos.

Os sistemas de classificação que se baseiam nas características dos grãos que


constituem os solos têm como objetivo a definição de grupos que apresentam
comportamentos semelhantes sob os aspectos de interesse da engenharia civil. Nestes
sistemas, os índices empregados são geralmente a composição granulométrica e os índices de
Attemberg. Estudaremos os dois sistemas mais empregados universalmente, para depois
discutir suas vantagens e suas limitações.

2. IDENTIFICAÇÃO DOS SOLOS

A identificação do solo deverá ser o início do processo de classificação, realizada


tanto em campo quanto no laboratório, precedendo a todo e qualquer ensaio que se pretenda
realizar sobre o solo.

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Prof. Eduardo Rodrigues da Cunha Pág. 65
Capítulo VII

A identificação pode ser feita através de testes visuais e tácteis, rápidos e específicos a
cada tipo de solo (conforme exposto no capitulo III a página 26).
• Para a fração grossa, pedregulhos e areias, informações quanto a composição
granulométrica, forma das partículas, existência ou não de finos são sempre
necessárias; estas partículas são ásperas ao tato, visíveis ao olho nu e se separam
quando secas.
• Para os solos finos, siltes e argilas, informações, quanto a plasticidade, resistência à
compressão do solo quando seco, comportamento do solo quando imerso em água e
cor, são importantes.
• Os siltes são invisíveis a olho nu, porém, ásperas ao tato, e os torrões secos quando
imersos em água desagregam rapidamente.
• As argilas quando molhadas apresentam-se saponáceas ao tato e torrões pouco úmidos
ou secos, apresentam uma superfície lisa e lustrosa e alta resistência à compressão.
• Para os solos orgânicos, a cor e a existência, às vezes, de matéria orgânica são
informações muito úteis. A resistência à compressão do solo seco é geralmente
pequena.

3. CLASSIFICAÇÃO UNIFICADA

Este sistema de classificação foi elaborado originalmente pelo Prof. Casagrande para
obras em aeroportos, tendo seu emprego sido generalizado. Atualmente, é utilizado
principalmente pelos geotécnicos que trabalham em barragens de terra.
Terminologia do sistema unificado
G Gravel Pedregulho
S Sand Areia
M Silt Silte
C Clay Argila
O Organic Solo Orgânico

W Well Graded Bem Graduado


P Poor Graded Mal Graduado
H High Liquid Limit Alta Compressibilidade
L Low Liquid Limit Baixa compressibilidade

Pt Peat Turfas

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Capítulo VII

Neste sistema, todos os solos são identificados pelo conjunto de duas letras, como
apresentados na tabela acima. As cinco letras superiores indicam o tipo principal do solo e as
quatro seguintes correspondem a dados complementares dos solos. Assim, SW corresponde a
areia bem graduada e CH a argila de alta compressibilidade.
Para a classificação, por este sistema, o primeiro aspecto a considerar é a porcentagem
de finos presentes no solo, considerando-se finos o material que passa na peneira nº 200
(0,075 mm).
• Se esta porcentagem for inferior a 50, o solo será considerado como solo de granulação
grosseira, G ou S.
• Se for superior a 50, o solo será considerado de granulação fina, M, C ou O.

3.1 Solos granulares

Sendo de granulação grosseira, o solo será classificado como pedregulho ou areia,


dependendo de qual destas duas frações granulométricas predominarem. Por exemplo, se o
solo tem 30% de pedregulho, 40% de areia e 30% de finos, ele será classificado como areia –
S.
Identificado que um solo é areia ou pedregulho, importa conhecer sua característica
secundária. Se o material tiver poucos finos, menos de que 5% passando na peneira nº 200
deve-se verificar como é a sua composição granulométrica. Os solos granulares podem ser
“bem graduados” ou “mal graduados”. Nos solos mal graduados há predominância de
partículas com um certo diâmetro, enquanto que nos solos bem graduados existem grãos ao
longo de uma faixa de diâmetros bem mais extensa, como ilustrado na Figura 8.1

Figura 7.1 Curvas granulométricas de areias bem graduadas e mal graduadas

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Capítulo VII

A expressão “bem graduada”, expressa o fato de que a existência de grãos com


diversos diâmetros confere ao solo, em geral, melhor comportamento sob o ponto de vista de
engenharia. As partículas menores ocupam os vazios correspondentes às maiores, criando um
entrosamento, do qual resulta menor compressibilidade e maior resistência. Esta
característica dos solos granulares é expressa pelo “coeficiente de uniformidade”, definido
pela relação:

$
CU = $%& onde:
'&

D60 = é o diâmetro abaixo do qual se situam 60% em peso das partículas e,


analogamente,
D10 = é o diâmetro que, na curva granulométrica, corresponde `porcentagem que passa
igual a 10%. O “D10” é também referido como “diâmetro efetivo do solo” denominação que
se origina da boa correlação entre ele e a permeabilidade dos solos, verificada
experimentalmente.
Quanto maior o coeficiente de uniformidade, mais bem graduada é a areia. Areias
com CU menor do que 2 são chamadas de areias uniformes.
Outro coeficiente, não tão empregado quanto o CU, é o coeficiente de curvatura,
definido como:

$(& "²
CC =
$'& $%&

Se o coeficiente de não uniformidade indica a amplitude dos tamanhos de grãos, o


coeficiente de curvatura detecta melhor o formato da curva granulométrica e permite
identificar eventuais descontinuidades ou concentração muito elevada de grãos mais grossos
no conjunto. Considera-se que o material é bem graduado quando o CC está entre 1 e 3. Na
figura 8.2 abaixo estão representadas curvas de três areias com CU = 6 e com diferentes CC.
• Quando CC é menor que 1, a curva tende a ser descontínua; há falta de grãos com um
certo diâmetro.
• Quando CC é maior que 3, a curva tende a ser muito uniforme na sua parte central.
• Quando o CC está entre 1 e 3, ao contrario das duas outras, a curva granulométrica se
desenvolve suavemente. É rara a ocorrência de areias com CC fora do intervalo entre 1 e
3, razão pela qual este coeficiente é muitas vezes ignorado, mas é justamente para
destacar os comportamentos peculiares acima apontados que ele é útil.

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Capítulo VII

Figura 7.2 Curvas granulométricas com diferentes coeficientes de curvaturas

O Sistema Unificado considera que um pedregulho é bem graduado quando seu


coeficiente de uniformidade é superior a 4, e que uma areia é bem graduada quando seu CU é
superior a 6. Além disto, é necessário que o coeficiente de curvatura, CC, esteja entre 1 e 3.
Quando o solo de granulação grosseira tem mais do que 12% de finos, a uniformidade
da granulometria já não aparece como característica secundária, pois importa mais saber das
propriedades destes finos. Então, os pedregulhos ou areias serão identificados
secundariamente como argilosos (GC ou SC) ou siltosos (GM ou SM). O que determinará
esta classificação será o posicionamento do ponto representativo dos índices de consistência
na Carta de Plasticidade, conforme se verá adiante.
Quando o solo de graduação grosseira tem de 5 a 12% de finos, o Sistema recomenda
que se apresentem as duas características secundárias, uniformidade de granulometria e
propriedades dos finos. Assim, ter-se-ão classificações intermediárias, como, por exemplo,
SP-SC, areia mal graduada, argilosa.

3.2 Solos de granulação fina – siltes e argilas

Quando a fração fina do solo é predominante, ele será classificado como silte (M),
argila (C) ou solo orgânico (O), não em função da porcentagem das frações granulométricas
silte ou argila, pois como foi visto anteriormente, o que determina o comportamento argiloso

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Capítulo VII

do solo não é só o teor de argila, mas também a sua atividade. São os índices de consistência
que melhor indicam o comportamento argiloso.
Quando da proposição inicial do sistema de classificação por Casagrande, foi
introduzido o gráfico de plasticidade, montado a partir dos limites de consistência dos solos
finos. Com a revisão do sistema foram introduzidas algumas modificações, resultando no
gráfico abaixo.
Nele, os grupos estão distribuídos em cinco regiões, sendo a linha “A” separadora dos
solos argilosos inorgânicos (CL, CH) dos siltosos inorgânicos (ML, MH). A linha vertical
WL = 50% separa os solos de alta plasticidade (MH, CH) dos de baixa plasticidade (ML,
CL). Os solos orgânicos podem se situar, tanto acima quanto abaixo da linha “A”; as argilas
orgânicas serão representadas por pontos situados sobre ou acima dessa linha, enquanto os
siltes orgânicos estarão abaixo. A quinta região é a hachurada, onde o solo deverá ter o
símbolo duplo – (CL-ML), representando solos com WL menor do que 50% e 4 ≤ IP ≤ 7.
O gráfico de plasticidade deverá ser usado na classificação, tanto dos solos finos
quanto da fração fina dos solos grossos.

Figura 7.3 Carta de plasticidade


Na ultima revisão do SUCS foi introduzida a linha “U” para ajudar na avaliação dos
resultados dos ensaios de limites de consistência, visto que ela deve representar um limite
superior para os solos naturais. Qualquer ponto que venha se situar acima dessa linha deve ter
os resultados dos ensaios verificados. A linha “U”, tanto quanto a linha “A”, é quebrada,

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Capítulo VII

iniciando-se na vertical para WL = 16% e a partir deste ponto tem a equação: IP = 0,9 (WL –
8)
Para a classificação destes solos, basta a localização do ponto correspondente ao par
de valores IP e LL na Carta de Plasticidade.
Como característica complementar dos solos finos, é indicada sua compressibilidade.
Como já visto, constatou-se que os solos costumam ser tanto mais compressíveis quanto
maior seu Limite de Liquidez. Assim, o sistema adjetiva secundariamente como de alta
compressibilidade (H) ou de baixa compressibilidade (L) os solos M, C ou O, em função do
WL ser superior ou inferior a 50, respectivamente, como se mostra na Carta. Quando se trata
de obter a característica secundária de areia e pedregulhos, este aspecto é desconsiderado.
Quando os índices indicam uma posição muito próxima às linhas A ou B (ou sobre a
faixa de IP 4 a 7), é considerado um caso intermediário e as duas classificações são
apresentadas. Exemplos: SC-SM, CL-CH, etc.
Embora a simbologia adotada só considere duas letras, correspondentes às
características principais e secundárias do solo, a descrição deverá ser a mais completa
possível. Por exemplo, um solo SW pode ser descrito como areia (predominantemente)
grossa e média, bem graduada, com grãos angulares, cinza.
O Sistema considera ainda a classificação de turfa (Pt), que são os solos muito
orgânicos onde a presença de fibras vegetais em decomposição parcial é preponderante.
Figura 7.4 Esquema para classificação pelo Sistema Unificado

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Capítulo VII

Figura 7.5 Fluxograma para classificação do solo pelo sistema unificado

3.3 Quadro resumo dos grupos e suas propriedades

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Capítulo VII

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Capítulo VII

4. SISTEMA RODOVIÁRIO DE CLASSIFICAÇÃO

Este sistema, muito empregado na engenharia rodoviária em todo o mundo, foi


originalmente proposto nos Estados Unidos, sendo também baseado na granulometria e nos
limites de Atterberg e no índice de grupo.
São classificados em sete grupos, de acordo com a granulometria e o intervalo de
variação dos limites de consistência e do índice de grupo.
Os grupos dos solos grossos são: A-1; A-2 e A-3.
Os grupos dos solos finos são: A-4; A-5; A-6 e A-7.
Tem como diferencial em relação à Classificação Unificada, o Índice de Grupo “IG”.
Nesta classificação, determina-se o grupo do solo, por processo de eliminação da
esquerda para a direita, no quadro de classificação. O primeiro grupo a partir da esquerda,
com o qual os valores dos ensaios coincidir, será a classificação correta.

4.1 Índice de grupo


O índice de grupo ordena a capacidade de suporte do terreno de fundação de um
pavimento, sendo expresso por um numero inteiro variando de 0 a 20. Os valores extremos
do “IG” representam solos ótimos para IG = 0 e solos péssimos para IG = 20. Portanto, este
índice estabelece uma ordenação dos solos dentro de um grupo, conforme suas aptidões,
sendo pior o solo que apresentar maior “IG”.
A determinação do índice de grupo baseia-se nos limites de Atterberg (WL e IP) do solo e
na porcentagem de material fino que passa na peneira número 200 (0,075mm). Seu valor é
obtido utilizando a seguinte expressão:

IG = 0,2 . a + 0,005 . a . c + 0,01 . b . d onde:

• a = porcentagem do solo que passa na peneira nº 200 menos 35%. Se o valor de “a” for
negativo adota-se zero, e se for superior 40, adota-se este valor como limite máximo.
a = Pp #200 - 35% (0 - 40).
• b = porcentagem do solo que passa na peneira nº 200 menos 15%. Se o valor de “b” for
negativo adota-se zero, e se for superior 40, adota-se este valor como limite máximo.
b = Pp #200 - 15% (0 - 40)
• c = valor do limite de liquidez menos 40%. Se o valor de “c” for negativo adota-se zero, e
se for superior a 20, adota-se este valor como limite máximo.
c = WL - 40% (0 - 20)
• d = valor do índice de plasticidade menos 10%. Se o valor de “d” for negativo adota-se
zero, e se for superior a 20, adota-se este valor como limite máximo.
d = IP - 10% (0 - 20)
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Capítulo VII

4.2 Solos grossos

São considerados solos de graduação grosseira os que têm menos de 35% passando
nesta peneira 200 (são 50% na Classificação Unificada). Estes são os solos dos grupos A-1,
A-2 e A-3.
4.2.1 Solos A-1: São compostos de misturas bem granuladas de fragmentos de rocha,
de pedregulhos e de areias, com ou sem material aglutinante (ligante), pouco plástico.
Quando utilizado como material de revestimento (capa ou cobertura) de solos siltosos,
comporta-se muito bem.
O grupo A-1 se sub-divide em dois grupos: A-1a e A-1b:
A-1a – Solos formados por fragmentos de rocha (pedra) ou pedregulho, com ou sem
material fino funcionando como aglutinante. São solos grossos com menos de 50% passando
na peneira nº 10 (2,0 mm), menos de 30% passando na peneira nº 40 (0,42 mm) e menos de
15%passando na peneira nº 200. O IP dos finos deve ser menor do que 6. Correspondem,
aproximadamente, aos pedregulhos bem graduados, GW, do Sistema Unificado.
A-1b – São solos formados por areia grossa com ou sem material aglutinante. Solos
grossos, com menos de 50% passando pela peneira nº 40 e menos de 25% na peneira nº200,
também com IP menor que 6. Corresponde à areia bem graduada, SW.
Resumo do grupo A-1: sub-grupo A-1a = pedra
sub-grupo A-1b = areia grossa
4.2.2 Solos A-2: Compreendem de uma grande variedade de material granular, com
graduação regular e pouco material aglutinante. São solos com características satisfatórias
para construção de aterros ou para serem utilizados como revestimento de solos plásticos ou
siltosos. Quando bem compactados são muito estáveis
São areias em que os finos presentes constituem a característica secundária. São
subdivididos em A-2-4, A-2-5, A-2-6 e A-2-7, em função dos índices de consistência,
conforme o gráfico da figura 8.6 a seguir.
Os Sub-Grupos A-2.6 e A-2.7. Os solos destes sub-grupos são semelhantes aos
anteriores, com diferença de que, a parte que passa na peneira #40 tem, respectivamente as
mesmas características dos A-6 e A-7.
4.2.3 Solos A-3: Compreendem às areias finas de praias ou desertos, sem material
siltoso ou argiloso e ás areias finas com pouco silte plástico, e também as areias provenientes
dos rios, porém com pouca quantidade de pedregulho e areia grossa. São solos que permitem
boa drenagem e quando confinados, constituem sub-bases de qualquer tipo de pavimento.
Areias finas, com mais de 50% passando na peneira nº 40 e menos de 10% passando
na peneira nº 200. São, portanto, areias finas mal graduadas, com IP nulo. Correspondem às
SP.

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Capítulo VII

4.3 Solos finos:

Tomando-se como parâmetro básico que se considera como solos finos quando mais
de 35% do material em peso possuem diâmetro inferior a 0,074 mm (Peneira – 200). ). Estes
são os solos dos grupos A-4, A-5, A-6 e A-7.
4.3.1 Solos A-4: São aqueles solos formados principalmente por siltes, pouco ou nada
plásticos. Podem ser também misturas de 64% de areia e pedregulho, e 36% de siltes.
Possuem baixa compressibilidade – WL 40. IGMáx. = 8
São pouco estáveis e impróprios ao uso como subleito de pavimentos rígidos.
4.3.2 Solos A-5: São semelhantes às do grupo A-4, porém contendo materiais
micáceos e diatomáceos, que possuem elevado limite de liquidez e elásticos – WL 40.
IGMax = 12
4.3.3 Solos A-6: O solo típico deste grupo, é a argila plástica,tendo, geralmente, 75%
ou mais passando na # 200, incluindo–se também as misturas silto arenosas, que deixam
menos de 64% na # 200. Os Solos deste grupo comumente sofrem elevada mudança de
volume entre estados seco e úmido. IGMáx = 16
4.3.4 Solos A-7: São semelhantes às do grupo “A-6”, porém mais elásticos e de
elevados limites de liquidez. IGMáx. = 20
Os solos finos, a exemplo do Sistema Unificado, são subdivididos só em função dos
índices, de acordo com a Figura 8.6 abaixo. O que distingue um solo A-4 de um solo A-2-4 é
só a porcentagem de finos.

Figura 7.6 Classificação dos solos finos no sistema rodoviário


Acompanhando-se a sistemática de classificação pelos dois sistemas expostos, verifica-
se que eles são bastante semelhantes, já que:
• Consideram a predominância dos grãos graúdos ou miúdos,
• Dão ênfase à curva granulométrica somente no caso de solos graúdos com poucos finos
• Classificam os solos graúdos com razoável quantidade de finos,
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• E os próprios solos finos com base exclusivamente nos índices de Atterberg.

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Capítulo VII

O exercício de acompanhar as sistemáticas de classificação é útil na medida em que


familiariza o estudante com os aspectos mais importantes na identificação dos solos.

Figura 7.7 Esquema para classificação do solo pelo sistema rodoviário

5. CLASSIFICAÇÃO M.C.T PARA SOLOS TROPICAIS

Os dois sistemas já mencionados, sistema unificado e o sistema rodoviário, por terem


sido desenvolvidos nos Estados Unidos da America não tem-se mostrado satisfatório quando
usados em projetos de pavimentos com solos tropicais, em face do seu comportamento
diferenciado em relação aos solos sedimentares que compõem a maior parte dos países do
Hemisfério Norte.
Uma classificação mais apropriada aos solos tropicais, com ênfase em projetos
rodoviários, foi proposta por Nogami e Villibor, dois pesquisadores da USP, e a nomenclatura
MCT quer dizer: Miniatura Compactado Tropical. As palavras miniatura compactado faz
referencia às dimensões reduzidas dos corpos de prova (50 x 50 mm) compactados a
diferentes teores de umidade e a palavra tropical faz menção aos solos tropicais brasileiros,
que cobrem 80% de nosso território.
A técnica permite avaliar propriedades fundamentais dos solos, tais como: contração,
permeabilidade, expansão, coeficiente de penetração d’água, coesão, capacidade de suporte e
famílias de curvas de compactação.
O resultado deste trabalho foi reunido no gráfico a seguir subdividido em sete regiões
onde os solos foram agrupados em “comportamento laterítico – L” na parte inferior do ábaco,
e os solos de “comportamento não laterítico – N” ocupando a parte superior no ábaco.

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Capítulo VII

Fig. 7/8 Ábaco para classificação MCT


A cada uma das regiões foi associado um símbolo, duas letras, onde a primeira letra
“N” ou “L” indica o comportamento não laterítico ou laterítico do solo e a segunda A, A’,
G’, S’ completam a classificação conforme mostrado na figura 9/7. Há também referência ao
tipo de mineral encontrado no solo. Neste gráfico os solos coesivos estão localizados à direita
e os não coesivos à esquerda.
O gráfico foi montado utilizando-se de variáveis extraídas dos resultados do ensaio de
Mini-MCV (Mini - Moisture Condition Value) de forma que todas as regiões tivessem a
mesma área. A primeira variável usada como abscissa e simbolizada por C’ representa a
inclinação do trecho reto da curva Mini - MCV para 10 golpes e em ordenadas estão
colocadas os valores e’, calculados pela equação:

e’= (20/d’ + Pi/100) 1/3


onde d’ é a inclinação do ramo seco da curva de compactação para uma energia
correspondente a 10 golpes (aproximadamente igual à do Proctor Normal - 6 kg/cm3 ) e Pi é a
porcentagem de perda de material por imersão. A equação anterior é empírica, tendo-se
chegado a ela através da imposição de áreas iguais para as diversas regiões do gráfico.
A execução resumida da metodologia MCT baseia-se, resumidamente, nos seguintes
procedimentos:
• Compactação de 200 gr de solo com diferentes teores de umidade, em molde cilíndrico
de 50 mm de diâmetro, para determinação de curvas de compactação ( d x w) em
diferentes energias, ou número de golpes aplicados por soquete padronizado e curvas
correlacionando a redução da altura dos corpos de prova (∆h) em função do números de
golpes aplicados
• Perda por imersão (Pi) dada pela relação percentual entre as massas seca e úmida da
parte primitivamente saliente desprendida por imersão, cerca de 1 cm, do molde de
compactação (Dnit ME 254/89). Os resultados obtidos são associáveis ao valor mini-

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Capítulo VII

MCV definido pela expressão: mini-MCV = 10 log N em que o N representa o número


de golpes a partir do qual o solo compactado não sofre redução sensível de altura (∆h ≤
1mm).
• Utilizando-se dos ábacos da figura 7/9, determinam-se os parâmetros classificatórios
C’; d’; Pi e e’, onde:
• C’ é a inclinação da reta que passa pelo ponto de mini-MCV = 10, interpolada entre os
trechos retos das curvas mais próximas;
• d’ é a inclinação, multiplicada por 10³, do ramo seco da curva de compactação
correspondente a dez golpes;
• Pi é determinado para o mini-MCV = 10 e na curva que relaciona as perdas por imersão
dos corpos de prova ensaiados e os mini-MCV correspondentes, para ∆h = 2mm.
(  <
• Calcule e’: e' = … 1†  
• Com valores de e’ e C’ o solo é classificado em subclasses ( fig,9/7)

Fig 7/9 Ábaco para determinação dos parâmetros

5.1 Tabela para classificação dos solos conforme MCT

A seguir é apresentada uma tabela com a classificação dos solos conforme a


metodologia MCT.

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Capítulo VII

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Capítulo VII

C O M P AC T AÇ Ã O DO S S O LO S

1. INTRODUÇÃO

Entende-se por compactação o processo manual ou mecânico que visa reduzir o volume
de vazios do solo, melhorando as suas características de resistência, deformabilidade e
permeabilidade.
Muitas vezes, na prática da engenharia geotécnica, o solo de um determinado local não
apresenta as condições requeridas pela obra. Ele pode ser pouco resistente, muito
compressível ou apresentar características que deixam a desejar de um ponto de vista
econômico. Pareceria razoável em tais circunstâncias, simplesmente relocar obra. Deve-se
notar contudo, que considerações outras que não geotécnicas frequentemente impõem a
localização da estrutura e o engenheiro é forçado a realizar o projeto com o solo que ele tem
em mãos. Para resolver este problema, uma possibilidade é adaptar a fundação da obra às
condições geotécnicas do local. Outra possibilidade é tentar melhorar as propriedades de
engenharia do solo local. Dependendo das circunstâncias, a segunda opção pode ser o melhor
caminho a ser seguido.
Neste capítulo será apresentado um método de estabilização e melhoria do solo por vias
mecânicas, denominado de compactação. Deve-se ressaltar que existem diversos outros
métodos de estabilização dos solos, sendo alguns destes realizados pela mistura ou injeção de
substâncias químicas (misturas solo-cimento, "Jet-ground", misturas solo-cal), ou pela
incorporação no solo de elementos estruturais; os quais têm por função conferir ao mesmo as
características necessárias para a execução da obra, as quais o solo não possui ou deixa a
desejar. Ex: solo reforçado, solo envelopado, terra armada, etc.
Os fundamentos da compactação de solos são relativamente novos e foram
desenvolvidos por Ralph Proctor, que, na década de 30, postulou ser a compactação uma
função de quatro variáveis:
• Peso específico seco,
• Umidade,
• Energia de compactação e
• Tipo de solo (solos grossos, solos finos, etc.).
A compactação dos solos tem uma grande importância para as obras geotécnicas, já que
através do processo de compactação (diminuição dos vazios no solo) consegue-se promover

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Capítulo VII

no solo um aumento de sua resistência estável e uma diminuição da sua compressibilidade e


permeabilidade.

2. O OBJETIVO DA COMPACTAÇÃO

Em diversas obras, dentre elas os aterros rodoviários e as barragens de terra, o solo é o


próprio material resistente ou de construção. Em vista disto, alguns métodos de estabilização
ou de melhoria das características foram desenvolvidos, e a compactação é um deles com o
objetivo de:

• Resistência: aumentar a capacidade de suporte do solo – através de uma maior


aproximação e entrosamento das partículas, ocasionando um aumento da coesão e do
atrito interno, conseqüentemente, da resistência ao cisalhamento ;
• Deformabilidade: evitar recalques, através da diminuição do índice de vazios;
• Permeabilidade dos solos: evitar a percolação de água no interior da estrutura, através
da redução do índice de vazios, a capacidade de absorção de água e a possibilidade de
haver percolação diminuem substancialmente, tornando o solo mais estável.

O objetivo principal da compactação é obter um solo, de tal maneira estruturado, que


possua e mantenha um comportamento mecânico adequado ao longo de toda a vida útil da
obra.

3. DIFERENÇA ENTRE COMPACTAÇÃO E ADENSAMENTO

Pelo processo de compactação, a diminuição dos vazios do solo se dá por expulsão do


ar contido em seus vazios, de forma diferente do processo de adensamento, onde ocorre a
expulsão de água dos interstícios do solo
Além do mais, as cargas aplicadas quando compactamos o solo são geralmente de
natureza dinâmica e o efeito conseguido é imediato, enquanto que o processo de adensamento
é diferido no tempo (pode levar muitos anos para ocorra por completo, a depender do tipo de
solo) e as cargas são normalmente estáticas.

4. ENSAIO DE COMPACTAÇÃO

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Capítulo VII

Foi o Eng. Norte Americano Ralph Proctor que, em 1933 pela primeira vez,
estabeleceu a correlação entre os parâmetros que influem decisivamente na relação índice de
vazios, ou seja, o aumento do peso específico. Neste ano Proctor publicou uma série de artigos
divulgando o seu método de controle de compactação, baseado num novo método de projeto e
construção de barragens de terra compactada que estava sendo empregado na Califórnia.
Nesses artigos é que pela primeira vez, se enuncia um dos mais importantes princípios da
Mecânica dos Solos. Isto é, de que a densidade com que um solo é compactado, sob uma
determinada energia de compactação, depende da umidade do solo no momento da
compactação.
Proctor verificou que na mistura de solo com maiores quantidades de água, quando
compactada, o peso específico aparente da mistura aumentava, porque a água de certa forma,
funcionava como lubrificante, aproximando as partículas, permitindo melhor entrosamento e,
por fim, ocasionando a redução do volume de vazios. Num determinado ponto, atingia-se um
peso específico máximo, a partir do qual, ainda que se adicionasse mais água, o volume de
vazios passava a aumentar. A explicação desse fato reside em que quantidades adicionais de
água, após o ponto citado, ao invés de facilitarem a aproximação dos grãos, fazem com estes se
afastem, aumentando novamente o volume de vazios e causando o decréscimo dos pesos
específicos correspondentes.
A técnica de compactação é relativamente recente e seu controle ainda mais recente.
Antes dela os aterros eram feitos simplesmente lançando-se o material pela sua ponta. Resulta

Figura 8.1 Deslizamento de um aterro não consolidado devido a chuvas, durante a


construção da EFMM, em conseqüência da ausência da técnica de compactação, que
nesta época, entre os anos de 1902 e 1910 não era conhecida.

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Capítulo VII

disso: uma compressibilidade exagerada do aterro devido aos grandes vazios que podiam
formar-se entre as camadas lançadas, a grande porosidade do próprio material que permanecia
em estado fofo, ocasionando a instabilidade do aterro, o qual poderia perder totalmente sua
resistência se, porventura, sofresse saturação por chuvas intensas. Tudo isso levava a que os
aterros necessitassem de certo período de consolidação, para que pudessem ser utilizados com
segurança.
A moderna técnica, baseada no lançamento de aterros em camadas horizontais e com
passagem de rolos compressores pesados, com a finalidade de evitar o solo fofo e a formação
de vazios entre torrões, recebe a denominação de compactação. Portanto, é um processo
mecânico, pelo qual se procura, por aplicação de peso ou apiloamento, aumentar a densidade
aparente do solo lançado e, como conseqüência, aumentar-lhe a resistência.
Após estes estudos, Ralph Proctor postulou os procedimentos básicos para a execução
do ensaio de compactação. A energia de compactação utilizada na realização destes ensaios é
hoje conhecida como energia de compactação "Proctor Normal". A seguir são listadas, de
modo resumido, as principais fases de execução de um ensaio de compactação.
• Ao se receber uma amostra de solo (no caso, deformada) para a realização de um ensaio de
compactação, o primeiro passo é colocá-la em bandejas de modo que a mesma adquira a
umidade higroscópica (secagem ao ar). O solo então é destorroado e passado na peneira #4,
após o que adiciona-se água na amostra para a obtenção do primeiro ponto da curva de
compactação do solo. Para que haja uma perfeita homogeneização de umidade em toda a
massa de solo, é recomendável que a mesma fique em repouso por um período de
aproximadamente 24 hs.
• Após preparada a amostra de solo, a mesma é colocada em um recipiente cilíndrico com
volume igual a 1000 ml e compactada com um soquete de 2500 g, caindo de uma altura de
aproximadamente 30 cm, em três camadas com 25 golpes do soquete por camada, como
demonstra figura apresentada adiante.
• Este processo é repetido para amostras de solo com diferentes valores de umidade,
utilizando-se em média 5 pontos para a obtenção da curva de compactação.
• De cada corpo de prova assim obtido, determina-se o peso específico do solo seco e o teor
de umidade de compactação.
• Após efetuados os cálculos dos pesos específicos secos e das umidades, plotam-se esses
valores (γd ; w) em um par de eixos cartesianos, tendo nas ordenadas os pesos específicos
do solo seco e nas abcissas os teores de umidade, como se demonstra na figura a seguir. No
Brasil, este ensaio está normatizado pela NBR 7182:86.
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Figura 8.2 Ensaio de compactação – Proctor normal

5. CURVA DE COMPACTAÇÃO
A partir dos pontos experimentais obtidos conforme descritos anteriormente, traça-se
a curva de compactação do solo, apresentada na figura abaixo. Nota-se que na curva de
compactação o peso específico seco aumenta com o teor de umidade até atingir um valor
máximo, decrescendo com a umidade a partir de então. O teor de umidade para o qual se
obtém o maior valor de γd (γdmax) é denominado de teor de umidade ótimo (ou simplesmente
umidade ótima).
O ramo da curva de compactação anterior ao valor de umidade ótima é denominado
de "ramo seco" e o trecho posterior de "ramo úmido" da curva de compactação. No ramo
seco, a umidade é baixa, a água contida nos vazios do solo está sob o efeito capilar e exerce
uma função aglutinadora entre as partículas. À medida que se adiciona água ao solo ocorre a
destruição dos benefícios da capilaridade, tornando-se mais fácil o rearranjo estrutural das
partículas. No ramo úmido, a umidade é elevada e a água se encontra livre na estrutura do
solo, absorvendo grande parte da energia de compactação.

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Na figura abaixo é apresentada também a curva de saturação do solo. Como no


processo de compactação não conseguimos nunca expulsar todo o ar existente nos vazios do
solo, todas as curvas compactação (mesmo que para diferentes energias) se situam à esquerda
da curva de saturação. Pode-se mostrar que a curva de saturação do solo pode ser
representada pela equação apresentada na figura 9.1.

Figura 8.3 Curva de compactação típica

5.1 Exemplo de cálculo:

Coletada uma amostra de solo pertencente a um solo utilizado na construção de uma


rodovia, pede-se determinar sua massa especifica aparente máxima e seu teor de umidade
ótima, para fins de controle de compactação neste trecho.

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6. ENERGIA DE COMPACTAÇÃO
Embora mantendo-se o procedimento de ensaio descrito no item 4, um ensaio de
compactação poderá ser realizado utilizando-se diferentes energias. A energia de
compactação empregada em um ensaio de laboratório pode ser facilmente calculada mediante
o uso da equação apresentada a seguir.

< .ˆ .‰ -

E= onde;

P ⇒ peso do soquete (N)


h ⇒ altura de queda do soquete (m)
N ⇒ número de golpes por camada
n ⇒ número de camadas
V ⇒ volume de solo compactado (m³)
6.1 Influência da energia de compactação na curva de compactação do solo
À medida em que se aumenta a energia de compactação, há uma redução do teor de
umidade ótimo e uma elevação do valor do peso específico seco máximo. A figura a seguir
apresenta curvas de compactação obtidas para diferentes energias aplicadas a um mesmo
solo.

Figura 8.4 Efeito da Energia de Compactação nas Curvas de Compactação obtidas para
um mesmo solo

Tendo em vista o surgimento de novos equipamentos de campo, de grande porte, com


possibilidade de elevar a energia de compactação e capazes de implementar uma maior
velocidade na construção de aterros, houve a necessidade de se criar em laboratório ensaios
com maiores energias que a do Proctor Normal. Surgiram então as energias do Proctor

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Modificado e Intermediário, superiores à energia do Proctor Normal. As energias de


compactação usuais são:
• De 6 kgf.cm/cm³ para o Proctor normal,
• De 12,6 kgf.cm/cm³ para o Proctor Intermediário e
• De 25kgf.cm/cm³ para o Proctor Modificado.
Na tabela abaixo apresenta-se uma comparação entre os padrões adotados para a
realização dos ensaios de compactação por diferentes órgãos.

Características ABNT AASHO DNIT AASHTO


(PN)* (PM)** (M48)***
Peso do soquete (kgf) 2,5 4,54 4,54 4,54
Altura de queda (cm) 30,5 45,72 45,72 45,72
Número de camadas 3 5 5 5
Número de golpes/camada 25 25 26 55
Vol. Do cilindro (cm³) 1000 944 2160 2160
Energia de comp. (kgf.cm/cm³) 5,2 27,48 12,49 26,43

• * Proctor normal;
• ** Proctor modificado;
• *** Energia correspondente aproximadamente à energia do Proctor
intermediário.

7. INFLUÊNCIA DA COMPACTAÇÃO NA ESTRUTURA DOS SOLOS


A figura a seguir apresenta a influência da compactação na estrutura dos solos.
Conforme se pode observar desta figura, as estruturas formadas no lado seco da curva de
compactação tendem a ser do tipo floculada, enquanto que no lado úmido da curva de
compactação formam-se solos com estruturas predominantemente dispersas.

Figura 8.5 Influência da compactação na estrutura dos solos

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8. INFLUÊNCIA DO TIPO DE SOLO NA COMPACTAÇÃO

A influência do tipo de solo na curva de compactação é ilustrada na figura abaixo.


Conforme se pode observar desta figura, os solos grossos tendem a exibir uma curva de
compactação com um maior valor de γdmax e um menor valor de wot do que solos contendo
grande quantidade de finos. Pode-se observar também que as curvas de compactação obtidas
para solos finos são bem mais "abertas" do que aquelas obtidas para solos grossos.

Figura 8.6 Influência do tipo de solo na curva de compactação

9. JUSTIFICATIVA DA ESCOLHA DA UMIDADE ÓTIMA NA


COMPACTAÇÃO.

Conforme relatado anteriormente, a compactação do solo deve proporcionar a este,


para a energia de compactação adotada, a maior resistência estável possível. A figura abaixo
apresenta a variação da resistência de um solo, obtida por meio de um ensaio de penetração
realizado com uma agulha Proctor, em função de sua umidade de compactação. Conforme se
pode observar desta figura, quanto maior a umidade menor a resistência do solo.

Pode-se fazer então a seguinte indagação: Porque os solos não são compactados em
campo em valores de umidade inferiores ao valor ótimo? A resposta a esta pergunta se
encontra na palavra estável. Não basta que o solo adquira boas propriedades de resistência e
deformação, elas devem permanecer durante todo o tempo de vida útil.
Conforme se pode notar da figura a seguir, caso o solo fosse compactado no teor de
umidade w1, ele iria apresentar uma resistência bastante superior- Rm - àquela obtida
quando da compactação no teor de umidade ótimo. Conforme também apresentado na figura,

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contudo, este solo poderia vir a se saturar em campo (em virtude de um período de fortes
chuvas, por exemplo), vindo a alcançar o valor de umidade w2, para o qual o valor de
resistência apresentado pelo solo é praticamente nulo- r. No caso de o solo ser compactado na
umidade ótima, o valor de sua resistência cairia somente de Rm para Rx, estando o mesmo
ainda a apresentar características de resistência razoáveis.

Figura 8.7 Curva de variação da resistência dos solos e do seu índice de vazios conforme o
teor de umidade de compactação

10. TÉCNICAS EXECUTIVAS DE UMA COMPACTAÇÃO

Os princípios que estabelecem a compactação dos solos no campo são essencialmente


os mesmos discutidos anteriormente para os ensaios em laboratório. Assim, os valores de
peso específico seco máximo obtidos, são fundamentalmente função do tipo do solo, da
quantidade de água utilizada e da energia específica aplicada pelo equipamento que será
utilizado, a qual depende do tipo e peso do equipamento, da espessura da camada de
compactação e do número de passadas sucessivas aplicadas.
Os solos são compactados pelo efeito de um dos seguintes esforços: pressão
(compressão), amassamento, impacto e vibração; ou pela combinação de dois ou mais esforços.
• A compressão consiste na aplicação de uma força (pressão) vertical, oriunda do elevado
peso próprio do equipamento, obtendo-se a compactação pelos esforços de compressão
gerados na massa superficial do solo. A compressão é obtida pelos rolos compressores
de rodas metálicas, dotadas de grande peso próprio, e cuja superfície de contato é

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Capítulo VII

bastante pequena, gerando-se, por conseqüência, pressões de contato elevadas que


produzem a compactação.
• O amassamento é o processo que combina a força vertical com uma componente
horizontal, oriunda de efeitos dinâmicos de movimento do equipamento ou eixos
oscilantes. A resultante das duas forças conjugadas provoca uma compactação mais
rápida, com menor número de passadas. A compactação por amassamento é obtida
pelos rolos pneumáticos com rodas oscilantes ou pelos rolos pé de carneiro,
especialmente os auto-propelidos em que a tração se faz através do tambor e nos quais
se faz presente a conjugação dos esforços verticais e horizontais.

• A vibração consiste numa força vertical aplicada de maneira repetida, com freqüências
elevadas, superiores a 500 golpes por minuto. Isto significa que à força vertical se soma
uma aceleração produzida por uma massa excêntrica que gira com determinada
freqüência. A compactação por vibração é obtida com os rolos vibratórios dos mais
diversos tipos, trabalhando na faixa de freqüência de 900 a 2000 golpes por minuto e
com determinada amplitude de oscilação do material constituinte do terreno e a
freqüência utilizada é dita freqüência de ressonância.
• O impacto resulta de uma ação semelhante à da vibração, diferenciando-se, apenas, pela
baixa freqüência da aplicação dos golpes. A compactação por impacto se faz
ocasionalmente, quando não se podem utilizar outros equipamentos, empregando-se a
energia proveniente da queda do aparelho de uma determinada altura, como, por
exemplo, o “sapo mecânico”. Grandes pesos (10 a 40 toneladas) levantados por
guindastes e deixados cair de uma altura de 10 a 20 m, são utilizados para compactar
aterros ou camadas naturais de grandes espessuras (5 a 15 m).

A cada processo correspondem equipamentos apropriados à compactação, utilizando-


se as diversas formas de transferência de energia.

10.1 Escolha dos equipamentos de compactação

A escolha do equipamento para determinado serviço de compactação é problema bastante


complexo, pois, além da diversidade dos equipamentos disponíveis, há a considerar, ainda, a
diversidade dos tipos de solos existentes, bem como as características próprias do
comportamento de cada um.
Todavia, é possível estabelecer alguns princípios básicos que regem a escolha,
levando-se em conta os tipos predominantes de solos. Basicamente dividimos os solos em dois
grupos: os solos coesivos e os solos não coesivos (granulares).
• solos coesivos: nos quais há uma parcela preponderante de partículas finas a muito
finas, nas quais as forças internas de coesão desempenham papel preponderante.
• solos não coesivos (granulares): nos quais praticamente há muito pouca ou nenhuma
coesão entre os grãos, havendo, entretanto, o atrito entre eles.

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Para os solos granulares ou arenosos a vibração é o processo mais indicado, pois as


partículas permanecem justapostas pelo atrito. Havendo a vibração, com freqüência e amplitude
corretas, consegue-se o escorregamento e acomodação das partículas, ocasionando a rápida
diminuição do índice de vazios.
Para os solos muito coesivos que, além da parcela de atrito interno, possuem coesão, a
vibração não é suficiente para produzir o deslocamento dos grãos, tornando-se inócua como
agente de compactação nesse caso. Para esta categoria de solos coesivos, somente o
amassamento (ou impacto) é capaz de produzir esforços internos de modo a vencer a resistência
oposta pelas forças de coesão, razão pela qual apenas equipamentos tipo pé de carneiro e os
conjugados são capazes de compactá-lo.
Por outro lado, os rolos pé de carneiro, se aplicados em solos arenosos, pouco ou
plásticos, se revelam totalmente inadequados, pois apenas revolvem-nos, sem conseguir a sua
compactação.
Para a maioria dos solos, nos quais encontramos materiais coesivos e granulares
misturados em proporções as mais diversas, é bastante difícil prever-se com margem de
segurança, qual o equipamento de compactação que trará melhores resultados.
Os fabricantes de equipamentos têm procurado oferecer máquinas de compactação que se
adaptem à maioria dos solos existentes, tornando mais ampla a sua faixa de aplicação.
Assim os rolos pé de carneiro vibratórios, aliando a vibração ao amassamento,
conseguem a compactação rápida e econômica de misturas de solos, que, por não apresentarem
as características típicas, nem de solos coesivos nem de solos não coesivos, não aceitam com
facilidade a compactação pelos equipamentos usuais.
Por outro lado, os rolos pneumáticos pesados, com pneus de grande diâmetro e grande
largura (esta aumenta a ação da compactação, em profundidade), com alta pressão interna, têm
capacidade de compactar praticamente todos os tipos de materiais.
Mesmos os rolos pneumáticos leves, mas que dispõem de rodas oscilantes, tem um
campo de aplicação bastante amplo, especialmente nos solos que são constituídos por misturas
de argila, silte e areia.
Tendo em conta o que foi exposto acima, a conclusão a que se chega é que, de modo
geral, não convêm prefixar o tipo de equipamento para a realização da compactação de um
solo, sendo aconselhável que a escolha seja feita em função da experiência, testando-se os
diversos equipamentos disponíveis, até a determinação daquele que melhor se adapte às
condições vigentes, conduzindo à compactação de trechos experimentais onde são testados os
diversos equipamentos e ajustados os demais parâmetros que influem no processo, tais como a
espessura da camada solta, o número de passadas, a velocidade do equipamento, a umidade do
solo, o uso de lastro, etc.

10.1.1 Soquetes

São compactadores de impacto utilizados em locais de difícil acesso para os rolos


compressores, como em valas, trincheiras, etc. Possuem peso mínimo de 15kgf, podendo ser

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Capítulo VII

manuais ou mecânicos (sapos). A camada compactada deve ter 10 a 15cm para o caso dos
solos finos e em torno de 15cm para o caso dos solos grossos.

10.1.2 Rolos compactadores estáticos

10.1.2.1 Rolo compactador pé de carneiro:


É um tambor metálico com protuberâncias (patas) solidarizadas, em forma tronco-
cônica e com altura de aproximadamente de 20cm. Podem ser auto propulsivos ou arrastados
por trator. É indicado na compactação de outros tipos de solo que não a areia e promove um
grande entrosamento entre as camadas compactadas.
A camada compactada possui geralmente 15cm, com número de passadas variando
entre 4 e 6 para solos finos e de 6 a 8 para os solos grossos. A figura abaixo ilustra um rolo
compactador do tipo pé de carneiro.

Figura 8.8 Rolo compactador pé de carneiro auto-propelido

10.1.2.2 Rolo compactador liso:


Trata-se de um cilindro oco de aço, podendo ser preenchido por areia úmida ou água,
a fim de que seja aumentada a pressão aplicada. São usados em bases de estradas, em
capeamentos e são indicados para solos arenosos, pedregulhos e pedra britada, lançados em
espessuras inferiores a 15cm.
Este tipo de rolo compacta bem camadas finas de 5 a 15cm com 4 a 5 passadas. Os
rolos lisos possuem pesos de 1 a 20t e freqüentemente são utilizados para o acabamento
superficial das camadas compactadas. Para a compactação de solos finos utilizam-se rolos
com três rodas com pesos em torno de 10t, para materiais de baixa plasticidade e 7t, para
materiais de alta plasticidade.
Os rolos compactadores lisos têm certas desvantagens como:

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• Pequena área de contato;


• Em solos moles afundam demasiadamente dificultando a tração.

Figura 8.9 Rolo compactador liso rebocável

10.1.2.3 Rolo compactador pneumático:

Os rolos pneumáticos são eficientes na compactação de capas asfálticas, bases e sub-


bases de estradas e indicados para solos de granulação fina a arenosa. Os rolos pneumáticos
podem ser utilizados em camadas de até 3cm e possuem área de contato variável, função da
pressão nos pneus e do peso do equipamento.
Pode se usar rolos com cargas elevadas obtendo-se bons resultados. Nestes casos,
muito cuidado deve ser tomado no sentido de se evitar a ruptura do solo.

Figura 8.10 Rolo compactador pneumático auto propelido

10.1.3 Rolos compactadores vibratórios

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Nos rolos vibratórios, a freqüência da vibração influi de maneira extraordinária no


processo de compactação do solo. São utilizados eficientemente na compactação de solos
granulares (areias), onde os rolos pneumáticos ou Pé de Carneiro não atuam com eficiência.
A espessura máxima da camada é de 15cm.

Figura 8.11 Rolo compactador vibratório rebocável

10.2 Umidade

Já vimos no estudo teórico da compactação que a umidade do solo desempenha papel


fundamental na obtenção de densidades máximas para determinado tipo de solo, exigindo-se a
utilização do teor ótimo de umidade no processo de compactação.
Todavia os solos em seu estado natural se apresentam, muitas vezes, com umidade muito
inferior (nos períodos de poucas chuvas) ou muito superior (no período chuvoso) à ótima.
Examinando-se a curva de compactação, verifica-se que nas duas hipóteses, ainda que o
equipamento forneça suficiente energia de compactação, não se conseguirá atingir o peso
específico aparente seco máximo. Será necessário, então, efetuar-se a correção do teor de
umidade pela irrigação das camadas, na hipótese de o solo estar muito seco, ou pela aeração
(revolvimento), quando se encontra muito úmido.
A irrigação, se necessária, deverá ser feita com caminhão-tanque, provido de barra de
distribuição, com bomba hidráulica para garantir a mesma vazão em todo trecho irrigado e
conseguir a homogeneização do teor de umidade em toda extensão da camada.
No caso de excesso de umidade, haverá necessidade de se aerar o material, isto é, fazer
com que baixe o teor de umidade, até as proximidades do teor ótimo, revolvendo-se o solo com
arados ou grades de disco, expondo-o à ação do sol e do vento, para se obter uma evaporação
rápida.
Essa operação deve ser repetida até que se consiga o teor de umidade desejado. Na falta
de equipamentos especiais de gradeamento é aceitável o emprego de motoniveladoras providas
de escarificador e lâmina, que em sucessivas operações de escavação, enleiramento e
espalhamento conseguem o mesmo efeito.

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Capítulo VII

Essas operações levadas a efeito para deslocar a umidade natural do solo às proximidades
da umidade ótima, são operações que retardam a compactação, reduzindo-lhe o rendimento e
aumentando o custo.
Entretanto, existe a possibilidade de se atingir a densidade máxima para um determinado
solo e para determinado equipamento utilizado, aumentando-se a energia de compactação com
maior número de passadas, como se explica no item a seguir.

10.3 Número de passadas

O número de passadas é o fator que afetará a produção do equipamento, podendo


aumentá-la ou reduzi-la substancialmente, refletindo diretamente no custo do serviço e no seu
tempo de execução.
Obviamente, haverá interesse em se determinar o menor número de passadas que
conduza à densidade máxima desejada, utilizando-se no solo o teor de umidade ótima.
Isso, todavia, só pode ser feito, com segurança, por tentativas, desde que os outros
parâmetros estejam fixados. Por essa razão, recomenda-se a execução inicial da compactação
em trechos experimentais para o ajuste definido dos fatores, até atingir-se a condição ideal.
Fixando o número de passadas, o operador deve ser instruído no sentido de fazer a
cobertura da camada, com superposição mínima de 20 cm entre duas passadas consecutivas.
No caso de rolos vibratórios, usados em solos granulares, há o perigo de, exagerando-se o
número de passadas, ocorrer o fenômeno da super-compactação que é prejudicial à
compactação e ao próprio equipamento.
É comum observar-se o retorno do esforço de compactação ao próprio rolo vibratório
pelo solo que já está suficientemente compactado, causando-lhe problemas mecânicos na
estrutura e reduzindo sua vida útil.
Com outros equipamentos, como rolo pé de carneiro, trabalhando em solos constituídos
de misturas de argila, silte e areia, é possível se obter as densidades desejadas, ainda que a
umidade do solo não esteja exatamente no teor ótimo, aumentando o número de passadas, ou
seja, incrementando a energia de compactação.
Para tal, basta determinar, para certo solo e determinado equipamento, as densidades
atingidas para diferentes números de passadas de equipamento e diferentes energias de
compactação (Figura 9.11). Deseja-se atingir no aterro o peso específico aparente seco
máximo, com a umidade ótima. A essa curva corresponde o número de passadas N que é o
mínimo, no caso.
Todavia, se o solo se apresentar com teor de umidade acima da umidade ótima (w2),
mediante o aumento do número de passada (N2 > N) consegue-se atingir a compactação
prevista com γdmáx. Se o teor de umidade natural for menor do que o ótimo (w1 < wótimo),
empregando-se N1 passadas, atingir-se-á o mesmo objetivo.
Essa constatação é particularmente importante quando se executa a compactação em
tempo chuvoso, no qual o teor de umidade natural do solo permanece sempre acima do teor

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Capítulo VII

ótimo, sendo difícil de se conseguir, pela aeração, a sua diminuição, devido à freqüência das
precipitações pluviais.
Nesse caso, insistindo-se na rolagem, isto é, aumentando-se o número de passadas do
equipamento, atingir-se-á a mesma densidade obtida com o número mínimo N, economizando-
se a operação demorada e, por vezes inútil, da aeração artificial com arado e grade.

Figura 8.12 Influência do numero de passadas em uma compactação

Deste modo, a compactação dos solos em campo é definida para um determinado número
de passadas, normalmente inferior a 10
Em geral, 8 a 12 passadas do rolo em uma camada de solo a ser compactada é
suficiente. Caso com 15 passadas não se atinja o valor do peso específico seco determinado, é
recomendável que se modifique as condições antes fixadas para a compactação.

10.4 Espessura da camada

Por razões econômicas, é preferível que a espessura da camada seja a maior possível.
Entretanto, há outros fatores em jogo que determinam a altura da camada espalhada, tais como
as características do material e o tipo de equipamento empregado. O quadro de especificações
dos equipamentos fornece as espessuras máximas recomendadas para os diversos
compactadores. Todavia, a prática indica que, de modo geral, é preferível a fixação de valores
menores a fim de se garantir a compactação uniforme em toda a altura da camada.
No caso de materiais argilo-siltosos, usando-se o rolo pé de carneiro, recomenda-se que a
espessura solta da camada não ultrapasse 20% da altura da pata do rolo.
As especificações de compactação de solos, em obras rodoviárias, fixam em 30 cm a
espessura máxima final das camadas, após a rolagem, aconselhando-se espessuras normais em
torno de 20 cm, para se garantir a homogeneidade.
Para os materiais granulares recomenda-se que sejam usadas camadas de no máximo 20
cm compactadas.

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Figura 8.13 Compactação da base de uma pista rodoviária com rolo compactador auto-propelido

Cabe observar, porém, que esses números são resultantes de recomendações genéricas,
sendo lícito modificá-los, aumentado-os ou diminuindo-os em função dos resultados oferecidos
pela pista experimental.
O que realmente importa é que a espessura adotada, em função do equipamento usado,
garanta a homogeneidade da camada, isto é, que se obtenha a mesma densidade em toda a sua
massa.

10.5 Homogeneidade da camada

É importante que a camada solta, antes da compactação, se apresente tanto quanto


possível pulverizada de forma homogênea, sem a presença de torrões muito secos, blocos ou
fragmentos de rocha e ainda de material orgânico (galhos de arvores, raízes, etc., que devem ser
retirados manualmente). Esse fator assume grande importância, quando deve ser aumentado o
teor de umidade, para se atingir a umidade ótima em todo volume da camada, pela percolação
uniforme da água.
Os implementos usados para essa tarefa são os já mencionados: grades e arados especiais,

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além das motoniveladoras, os quais, revolvendo o solo em sucessivas passadas, conseguem o


objetivo visado.

10.6 Especificações para a compactação

As especificações modernas de compactação diferem bastante das antigas, porque estas


estabeleciam minuciosamente os parâmetros, fixando o tipo de equipamento a ser usado, a
espessura da camada, o número de passadas, etc.
Atualmente, fixa-se apenas o peso específico a ser atingido no campo, deixando-se
todos os fatores já citados a critério do executor e da fiscalização da obra. Assim, terão estes
ampla liberdade de testar os equipamentos disponíveis no solo existente, somente ajustando os
diversos parâmetros no sentido de se conseguir a compactação bem feita e de maneira
econômica.

Chama-se grau de compactação (Gc) à relação:


.
JN ‹HŒŽ
Š‹  U
JN Œá Onde;

γdCampo = peso específico aparente seco “in situ” (no aterro executado).
γdMáx = peso específico aparente seco máximo obtido no ensaio de Proctor, no
laboratório, com a energia de compactação especificada.

As especificações atuais costumam referir-se ao grau de compactação Gc a ser atingido.


As especificações Gerais de Terraplenagem do D.N.E.R. (Departamento Nacional de Estradas
de Rodagem) estabelecem que os aterros deverão ser compactados, até 60 cm abaixo do greide,
atingindo o peso específico aparente seco correspondente a 95% do peso específico obtido no
ensaio DNER-DPT-M 47-64. Os últimos 60 cm do aterro, que servirão de subleito para o
pavimento, serão compactados até atingirem 100% do peso específico obtido no ensaio acima
mencionado.
A umidade do material deverá ser a umidade ótima determinada naquele ensaio, com
variação de +/- 3%.
A espessura das camadas já compactadas será de 20 a 30 cm.
Quando à qualidade dos materiais, a norma determina que deverão ser evitados, na
execução do aterro, solos com índice de suporte Califórnia menor que dois (C.B.R. < 2) e com
expansão maior do que 4%.
São freqüentes, também, as especificações que se referem ao grau de compactação em
relação aos ensaios do Proctor Normal e ao Proctor Modificado, já mencionados e
estabelecendo-se os valores de Gc a 95 ou 100% do peso específico aparente seco máximo
obtido naquele ensaio.

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10.7 Seqüência construtiva

A vista do que já foi exposto, chega-se à conclusão de que não é possível estabelecer-se
um esquema rígido nas prescrições para a execução da compactação. Ao contrário, a
experimentação e o método das tentativas são os processos mais indicados para se chegar à
execução rápida e econômica do adensamento mecânico (compactação) dos solos, excluindo-
se, definitivamente, a fixação arbitrária dos parâmetros como o número de passadas, a
espessura da camada, a velocidade do equipamento, etc.
A maneira correta de se enfrentar o problema consiste, em primeiro lugar, na seleção do
material a ser empregado no aterro, seguindo-se depois a escolha dos equipamentos supostos
como os mais apropriados para o caso.
Em seguida, passamos à fase de ajustagem, já no campo, executando a compactação em
trechos (pistas) experimentais, concluindo-se, por tentativa, qual o número de passadas,
espessuras, velocidade, teor de umidade, mais favoráveis para a obtenção do grau de
compactação desejável, dentro das condições vigentes naquela obra.
A seqüência construtiva da compactação de aterros seria, pois resumidamente:
• Lançamento e espalhamento do material com os “motorcrapers” ou unidades de
transporte, procurando-se obter, aproximadamente, a espessura solta adotada;
• Regularização da camada, utilizando-se a motoniveladora para o acerto da altura da
camada solta dentro dos limites impostos pelas especificações. Admite-se que a espessura
da camada solta seja de 20 a 25% maior do que a altura final da camada, após a
compactação.
• Homogeneização da camada (pulverização) pela remoção ou fragmentação de torrões
secos, material conglomerado, blocos ou matacões de rocha alterada, material orgânico,
etc., obtendo-se a pulverização do solo de forma homogênea.
• Determinação da umidade natural do solo (w), através de um método expedito
• Compactação da camada regularizada e homogeneizada.

Figura 8.14 Esquema de compactação por camadas

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11. CONTROLE DA COMPACTAÇÃO


Para que se possa efetuar um bom controle de compactação de solo em campo, temos
que atentar para os seguintes aspectos:

• Tipo de solo;
• Espessura da camada;
• Entrosamento entre as camadas;
• Número de passadas;
• Tipo de equipamento;
• Umidade do solo;
• Grau de compactação alcançado.

Na prática, o procedimento usual de controle da compactação é o seguinte:

• Coletam-se amostras de solo da área de empréstimo e efetua-se em laboratório o ensaio


de compactação. Obtêm-se a curva de compactação e daí os valores de peso específico
seco máximo e o teor de umidade ótimo do solo.
• No campo, à proporção em que o aterro for sendo executado, deve-se verificar, para
cada camada compactada, qual o teor de umidade empregado e compará-lo com a
umidade ótima determinada em laboratório. Este valor deve atender a seguinte
especificação: wcampo − 3% < wot< wcampo + 3%.
• Determina-se também o peso específico seco do solo no campo, comparando-o com o
obtido no laboratório. Define-se então o grau de compactação do solo, dado pela razão
entre os pesos específicos secos de campo e de laboratório, Gc = (γd campo / γdmax. )
x 100. Deve-se obter sempre valores de grau de compactação superiores a 95%.
• Caso estas especificações não sejam atendidas, o solo terá de ser revolvido, e uma nova
compactação deverá ser efetuada.

11.1 Verificação da umidade em campo

Existem, na pratica, três métodos expeditos para a verificação da umidade do solo em


campo:
• Método da frigideira – DNER-ME 086-64
• Método do Álcool – DNER-ME 088-94
• Método do Speedy – DNER-ME 52-94

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11.1.1 Método da frigideira
É o processo expedito mais comum entre os laboratoristas. Normatizado pela norma
DNIT ME 86-64 – Determinação da umidade pelo método expedito da frigideira, consiste em
se utilizar de uma frigideira e um fogareiro, onde se faz uma secagem violenta e rápida, no
próprio campo, das amostras de solo. Este processo tem a desvantagem de queimar a matéria
orgânica e retirar água de cristalização da argila.

11.1.2 Método do Speedy

Ensaio normatizado através da norma DNIT ME 052-94 – Determinação da umidade


pelo método expedito Speedy, Este aparelho consiste em um recipiente metálico,
hermeticamente fechado, onde são colocadas duas esferas de aço, a amostra do solo da qual
se quer determinar a umidade e uma ampola de carbureto de cálcio(carbonato de cálcio
(CaC2)).

Figura 8.15 Umidimetro “Speedy”


Para a determinação da umidade, agita-se o frasco, a ampola é quebrada pelas esferas de
aço e o CaC2 combina-se com a água contida no solo, formando o gás acetileno, que exercerá
pressão no interior do recipiente, acionando o manômetro localizado na tampa do aparelho.
Com o valor de pressão medido, os valores de umidade são obtidos através de uma tabela
específica, que correlaciona a umidade em função da pressão manométrica e do peso da
amostra de solo.

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O aparelho Speedy é muito sensível, e sua aferição deve ser feita sempre em
curto espaço de tempo, para que os valores apresentados sejam confiáveis

11.2 Determinação do grau de compactação – Gc


Para o prosseguimento de um aterro com lançamento de novas camadas de solo, faz-
se necessário verificar se a camada em execução apresenta as características necessárias de
compactação. A determinação do grau de compactação, obtido no campo, demanda a
determinação do peso especifico aparente seco “in situ”.
Vários processos correntes foram desenvolvidos para efetuar de maneira rápida, e
com suficiente precisão, essa determinação:
• Método do óleo;
• Método do frasco de areia;
• Método do amostrador (cilindro cortante);
• Outros processos.
Dentre este métodos, os mais utilizados em campo são o do frasco de areia e do
cilindro cortante, que veremos a seguir.

11.2.1 Método do frasco de areia


Este ensaio é normatizado através da NBR 7185:86 – Determinação da massa
especifica aparente, in situ, com o emprego do frasco de areia; ou através do DNER-ME 52-
94.
Executa-se um furo de 10 cm de diâmetro por 15 a 20 cm de altura, retirando-se
cuidadosamente o solo, e determina-se o peso úmido (W) do material que ocupava o volume
(V) do furo, que não se conhece. Para o cálculo do peso especifico natural (γ), resta a
determinação deste volume.

Figura 8.16 – Ensaio do frasco de areia

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Preenchendo-se este furo com uma areia fina, de densidade previamente conhecida, e
tomando-se a diferença de peso do frasco de areia antes e depois do furo preenchido com ela,
consegue-se determinar o volume do furo efetuado
1.2.2 Método do amostrador
Este ensaio é normatizado através da NBR 9813:87 – Determinação da massa
especifica aparente, in situ, com o emprego de cilindro de cravação.
O amostrador é um cilindro oco (Figura 9.15), com a parte inferior em bisel e cujas
dimensões internas são conhecidas, permitindo o cálculo do volume V. O amostrador é
cravado no solo por percussão, retirando-se a amostra cujo peso úmido é W. Conhecendo-se o
teor de umidade da amostra, calcula-se o peso seco da amostra e determina-se diretamente γd
campo.
Este processo tem a vantagem de trabalhar com a amostra não perturbada, o que daria
maior precisão ao método.

(b) Cilindros e anéis biselados

(a) Cilindro de cravação


Figura 8.17 Equipamentos para o ensaio de determinação de densidade “in situ”

11.3 Freqüência dos ensaios


As especificações gerais de terraplenagem do DNER prescrevem o seguinte:
• Um ensaio de compactação no material do corpo do aterro para cada 1.000 m³;

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• Um ensaio para determinação de peso especifico “in situ”, para cada 1000 m³ de
material compactado, no corpo do aterro;
• Para as camadas finais (60 cm abaixo do greide final), uma determinação do peso
especifico “in situ”, para cada 100 m de extensão de camada, alternadamente no eixo e
bordos.

11.4 Planilhas para controle de compactação

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12. ÍNDICE DE SUPORTE CALIFORNIA – ISC

O Índice de Suporte Califórnia (ISC ou CBR - California Bearing Ratio) é a relação,


em percentagem, entre a pressão exercida por um pistão de diâmetro padronizado necessária
à penetração no solo até determinado ponto (0,1” e 0,2”) e a pressão necessária para que o
mesmo pistão penetre a mesma quantidade em solo-padrão de brita graduada.
Através do ensaio de CBR, normatizado pela NBR 9895:87, é possível conhecer qual
será a expansão de um solo sob um pavimento quando este estiver saturado, e fornece
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indicações da perda de resistência do solo com a saturação, para sua utilização em bases, sub-
bases e sub-leitos de pavimentos.
Apesar de ter um caráter empírico, o ensaio de CBR é mundialmente difundido e
serve de base para o dimensionamento de pavimentos flexíveis.
Para a realização do ensaio de ISC, são confeccionados corpos de prova no valor da
umidade ótima (wot), utilizando-se três diferentes energias de compactação (a maior energia
empregada sendo aproximadamente igual à energia do Proctor modificado). O ensaio ISC
visa determinar:
• Propriedades expansivas do material;
• Índice de suporte California.
Para a determinação do Índice de Suporte Califórnia teremos que passar por três fases
anteriores:
• A execução de um ensaio de compactação, na energia do Proctor Modificado,
• Ensaio de expansão, determinando as propriedades expansivas do material,
• Finalmente o ensaio de determinação do Índice de Suporte Califórnia ou CBR
(“California Bearing Ratio”), propriamente dito.

12.1 Ensaio de compactação

Este ensaio é realizado de maneira similar àquela apresentada para o ensaio de


compactação na energia do Proctor Normal. Neste caso, as dimensões do cilindro de
compactação geralmente utilizadas são dadas pela figura abaixo e a energia de compactação
empregada corresponde à do Proctor Modificado (veja tabela na página 81, na coluna
AASHTO).
Antes de começar a execução do ensaio, coloca-se um disco espaçador no cilindro de
compactação, conforme demonstrado no desenho, cuja função é permitir a execução dos
ensaios de expansão e CBR.

Figura 8.18 Dimensões do corpo de prova para o ensaio de compactação


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12.2 Material constituinte do corpo de prova

O solo a ser utilizado na compactação do corpo de prova deve passar na peneira de


malha de 19 mm (3/4¨) e ser moldado na umidade ótima determinada anteriormente.

12.3 Ensaio de expansão

Após concluída a preparação do corpo de prova, retira-se o disco espaçador, inverte-


se o cilindro e coloca-se a base perfurada na extremidade oposta. No espaço vazio deixado
pelo disco espaçador encaixa-se um dispositivo com extensômetro a fim de se determinar as
medidas de expansão sofridas pelo solo.
São colocados também sobre o corpo de prova um contrapeso não inferior a 4,5 kgf
que simulará o peso do pavimento a ser construído sobre este solo. O conjunto desta forma
preparado é colocado num tanque d’água por um período de quatro dias. Durante este
período, são feitas leituras no extensômetro de 24 em 24 horas.
Algumas especificações adotadas para os solos a serem utilizados na construção de
pavimentos flexíveis são:
• Sub-leitos: Expansão < 3 %
• Sub-bases: Expansão < 2 %
• Bases: expansão < 0,5%

Figura 8.19 Visão do disco anelar de carga, corpo de prova montado para o ensaio de
expansão e diagrama do ensaio de expansão.

12.4 Determinação do CBR ou ISC

O Índice de Suporte Califórnia representa a capacidade de suporte do solo se


comparada com a resistência à penetração de uma haste de cinco centímetros de diâmetro em
uma camada de pedra britada, considerada como padrão (CBR = 100%).
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O ensaio é realizado colocando-se o molde cilíndrico (corpo de prova e contrapeso)


em uma prensa, onde se fará penetrar um pistão de aço a uma velocidade controlada e
constante, medindo-se as penetrações através de um extensômetro ligado ao pistão, como
demonstra a figura a seguir. Três corpos de prova são preparados na umidade ótima com 12,
26 e 55 golpes, determinando-se o valor de γd obtido para cada corpo de prova. Após a
imersão em água durante quatro dias, mede-se, para cada corpo de prova, a resistência à
penetração de um pistão com φ = 5 cm, a uma velocidade de 1,27 mm/min, para alguns
valores de penetração pré-determinados (0,64mm; 1,27; 1,91; 2.54; 3,81; 5,08; 6,35; 7,62;
8,89; 10,16; 11,43; e 12,70 mm), sendo que esta última leitura corresponde ao tempo de 10
minutos.
No caso de se utilizar de uma prensa com anel dinamométrico, anota-se as leituras do
relógio comparador acoplado ao mesmo (em mm), que medem encurtamentos diametrais
provenientes da atuação das cargas, e multiplicando-se este valor lido pela “constante do
anel”,, que é obtida quando da sua calibração (curva da carga aplicada ao anel versus a leitura
do relógio comparador), obtém-se o valor da carga, que dividida pela seção transversal do
pistão, resulta no valor da pressão aplicada.
No caso de se utilizar de uma célula de carga, a leitura é direta.
A velocidade de penetração do pistão é controlada com o auxilio de um cronometro e
do acompanhamento dos valores de penetração registrados no relógio comparador fixado no
pistão e com a haste apoiada no molde. Com estes valores traça-se a curva pressão versus
penetração ou carga versus penetração.

Figura 8.20 Curva pressão versus penetração – gráfico com correção

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A correção da curva apresentada na figura 9.18 é necessária quando ocorre ponto de


inflexão, sendo necessário traçar a tangente até sua intersecção com o eixo da abcissas,
obtendo-se o valor do deslocamento “c”, sendo que a curva corrigida iniciaria no ponto de
intersecção da tangente com o eixo das abcissas.
Assim sendo, as leituras P1 e P2, correspondentes respectivamente a penetração de
2,54 mm (0,1” ou 1000 psi) e 5,08 (02,” ou 1500 psi) deverão ser deslocadas de “c”, como
mostrado na figura 9.18, obtendo-se os valores P1’ e P2’ que são os valores das pressões
corrigidas.
Este tipo de curva ocorre principalmente quando se utiliza equipamento manual,
devido a sensibilidade do operador no inicio do ensaio em relação a resposta dada pelo solo à
aplicação da carga, sendo difícil manter-se a velocidade constante. Hoje já existem
disponíveis equipamentos automáticos que mantém a velocidade de aplicação de carga
constante e portanto fornecem curvas sem necessidade de correção.
Para o calculo do valor do índice de suporte California é adotado o maior dos valores
obtidos para as pressões lidas (se a curva não apresenta inflexão) ou corrigidas nas
penetrações de 2,54 mm e de 5,08 mm. Geralmente o valor correspondente a penetração de
5,08 mm é o maior e caso ocorra o inverso, costuma-se repetir o ensaio para dirimir qualquer
duvida.
O valor do CBR dado pelas equações apresentadas abaixo, os valores das pressões
estão expressos em MPa, sendo 6,90 MPa o valor da pressão padrão para uma penetração de
0,1” (2,54 mm) e 10,35 MPa o valor da pressão padrão para uma penetração de 0,2” (5,08
mm)

?)*ã0 ./5.d5/1/ 0d .0))61/"


100
‘,’
CBR =

?)*ã0 ./5.d5/1/ 0d .0))61/"


100
,“”
CBR =

Com os valores obtidos dos três corpos de prova traça-se o gráfico apresentado na
figura a seguir. O valor do Índice de Suporte Califórnia é determinado como sendo igual ao
valor correspondente a 95% do γdmax determinado para a energia do Proctor Modificado. O
valor de Índice de Suporte Califórnia assim obtido é utilizado para avaliar as potencialidades
do solo para uso na construção de pavimentos flexíveis. A equação abaixo, por exemplo,
apresenta uma correlação empírica utilizada para se estimar, a partir do I.S.C., o módulo de
elasticidade do solo.
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Figura 8.21 Prensa manual utilizada na determinação do CBR ou ISC

Equação para determinação do módulo de elasticidade

E = 65 (ISC)0,65 (kgf/cm²)

Figura 8.22 Gráfico para determinação do ISC

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BIBLIOGRAFIA

1- Mecânica dos Solos e suas Aplicações – Volumes I, II e II


Homero Pinto Caputo

2- Curso básico de Mecânica dos Solos – Volumes I e II


Carlos de Sousa Pinto

3- Introdução a Mecânica dos Solos dos Estados Críticos


J A R Ortigão

4- Notas de aula - Mecânica dos Solos – UFSM


José Mario Doleys Soares; Rinaldo J. B. Pinheiro; Ildomar S. Tavares

5- Notas de aula - Mecânica dos Solos – UFBA


Sandro Lemos Machado; Mirian de Fátima C. Machado

6- Notas de aula – Mecânica dos Solos – UFJF


Mitsuo Tsutsumi

7- Notas de aula – Mecânica dos Solos – Mackenzie


Rita Moura Fortes

8- Notas de aula – Mecânica dos Solos – Unijui


Luciano Pivoto Specht

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