You are on page 1of 58

1.

INTRODUÇÃO

No nosso dia-a-dia temos convivido com inúmeras questões sociais, que


muitas vezes geram conflitos, capazes de interferir no bem estar de uma sociedade.
Nota-se que entre muitas questões que perpassam a sociedade e que são evidentes
no cotidiano das pessoas, de forma coletiva, é o trânsito. O transitar, tanto de
pedestres quanto de motoristas, tornou-se um problema social e grave. Este ensaio
cientifico, busca retratar a importância do ambiente escolar para contribuir para a
minimização dos problemas advindos de um trânsito agressivo e “mal educado”.

Nos apoiamos em autores como Mantovani (2003), Martins (2004) e


Vasconcelos (1998), que discutem as possibilidades das instituições escolares
trabalharem questões relacionadas ao trânsito de forma transversal, tornando-o o eixo
norteador, junto às disciplinas do currículo escolares. Busquetes (2001), Moreno
(2001) em seus textos, procuram mostrar como o trabalho nas escolas, através da
transversalidade pode contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e
organizada. As instituições de ensino devem trabalhar em seus conteúdos, quer
quanto aos valores, quer quanto conhecimentos. Assim, tentarão desenvolver nos
indivíduos a capacidade necessária para uma participação social e efectiva.

A necessidade de se introduzir temas transversais no sistema educação, surge


com a necessidade de se trabalhar nas escolas conteúdos mais vinculados ao
cotidiano real da maioria da população e que não estão dispostos nas matérias e nas
grades curriculares do I e II ciclo.

A observação das relações que os indivíduos realizam entre si foram fatores


determinantes para a inserção da transversalidade no ensino, há necessidade da
inserção de novas matérias relacionada ao cotidiano. O ensino não pode ficar alheio
a essa nova forma de conceber a ciência e o mundo. As mudanças a serem feitas nas
instituições de ensino devem seguir o mesmo sentindo desta nova maneira de ciência.
Não podemos esperar que os campos de pensamento que se iniciaram com a
ciência clássica, de cuja vigência atual ninguém duvida proporcionem
conhecimentos sobre tudo aquilo que os homens e as mulheres do presente
precisam saber, porque vivemos em uma sociedade que está clamando pela
paz, pela igualdade de direitos e oportunidades, pela melhora do meio
ambiente, por uma vida mais saudável, pelo desenvolvimento da afetividade e

1
da sexualidade que permita melhorar as relações interpessoais. (BUSQUETS,
2001, p. 12).

Nesse sentido, foi criado em 1998, os temas transversais em educação, foi


nesta visão que o Governo de Angola e o Ministério da Educação integrou no Plano
curricular a disciplina de Educação moral e Cívica com a finalidade de expressar
conceitos e valores fundamentais à democracia e cidadania. Temas como esse devem
ser trabalhados nas escolas, com a finalidade de expressar conceitos e valores,
necessários à construção de uma sociedade mais organizada.

Nessa linha de pensamento, percebe-se que as Normas Reguladoras de


Transito estão inseridas, cotidianamente e coletivamente, na vida das pessoas, e o
pior, de forma grave. Assim torna-se importante trabalhar nas escolas a educação
para o trânsito. A questão do trânsito é considerado como tema local, isto quer dizer
que ele deve ser trabalhado apenas em regiões onde o transitar, tanto de pedestres
quanto de motoristas, constitui um problema urgente e grave, capaz de afetar a ordem
social.
Dentre os diversos acontecimentos que causam intranquilidade à sociedade,
os acidentes de trânsito com vítimas, envolvendo não só motoristas, mas
também pedestres vêm se destacando. Trata-se de um problema preocupante
cuja solução é complicada, por envolver muitos fatores de ordem social e
jurídica (MARTINS, 2004, p. 17).

Em Angola os acidentes no trânsito representam uma das principais causas de


morte como afirmou o Vice-Presidente da Republica, Manuel Domingos Vicente a
quando da abertura do Iº Conferência Nacional sobre Educação rodoviária. Segundo
o governante 80% das mortes no país acontecem nas estradas.1

Essa realidade demostram a necessidade de uma tomada de atitude através


de medidas urgentes, sobretudo educacionais, com o intuito de mudar essa situação,
pois segundo as Diretrizes Nacionais para Educação no Trânsito, a inclusão desse
tema como abordagem transversal às áreas curriculares torna-se imprescindível, visto

1
(…a sinistralidade rodoviária é uma das maiores preocupações do Executivo, por provocar
diariamente perda de vidas humanas, luto e destruição de famílias, afirmou…. em relação aos dados
estatísticos divulgados afirmou que no ano passado, o país registou um total de 17.262 acidentes, que
resultaram em 4.305 mortos e 16.627 feridos. Em termos de mortalidade, a causa mais frequente foi o
atropelamento, com um total de 1.403 mortes, seguida pelos choques entre automóveis e motociclos,
com 981 mortes, e a colisão entre automóveis, com 531. No total, 75 por cento dos condutores
envolvidos nestes acidentes são jovens.)
2
que o trabalho permanente na escola possibilitará mudanças de comportamento que
contribuirão para garantir a segurança dos cidadãos no espaço público.

Na mesma senda, a Secretária de Estado para o Ensino Geral e Acção Social,


Ana Paula Inês, frisou na cerimonia de abertura do projecto de prevenção de acidentes
e segurança rodoviária que: “Acreditamos que educando as nossas crianças desde a
tenra idade para a segurança rodoviária, estaremos a educar as famílias, as
comunidades e colheremos frutos bons no sentido da mudança de comportamento da
sociedade em geral”.

Afirmou que o tema segurança rodoviária constitui uma preocupação nacional


e internacional, porquanto as estradas que deviam ser meios de transição, de criação
de melhores condições para vida, muitas vezes transforma-se em passagens para a
paralisia, invalidez ou morte.(…).

A educação é um instrumento primordial para minimizar as estatísticas


negativas em relação à incidência de pessoas lesionadas ou mortas diariamente nas
grandes cidades, a abordagem sobre o Trânsito necessita ser amplamente difundida
nas escolas.
As estatísticas da OMS falam de um milhão de criança que morrem anualmente
de acidente e isso demonstram a urgência da adoção de medidas, sobretudo
educacionais, com o intuito de reverter essa situação. (OMS, 2008).
Problemas científicos:

 Elevado índice de acidente na estrada principal da escola em questão;


 Insuficiência de documentos orientadores na escola e na Administração
Municipal sobre a temática em questão;
 Deficiente sinalização quer vertical, quanto horizontal da via em que esta
situada a escola
 A despreocupação total das entidades de direito em matéria relacionada e
Educação rodoviária;
 Desconhecimento das regras Reguladora de Transito por parte dos Docente e
discentes;

As insuficiências acima levaram-nos a desenhar o seguinte problema de pesquisa:


Pode o conhecimento das normas reguladoras de trânsito diminuir/ reduzir o acidente
na travessai escolar dos alunos da 7ª classe da Escola 4 de Abril em Saurimo?

3
Objecto de Estudo

Processo de ensino e aprendizagem da disciplina de EMC da 7ªclasse da escola 4 de


Abril em Saurimo.

Campo de Acção

A relação das normas reguladoras de transito na disciplina de EMC ( alunos da Turma


A 7ªClasse da escola em questão.)

Objetivo Geral

 Estabelecer mecanismos relativos a educação rodoviária para formação a


cidadania dos estudantes da escola 4 de Abril em Saurimo.

Objetivos Específicos

1. Analisar os fundamentos teóricos que sustentam o processo de ensino-


aprendizagem da Educação Moral e Cívica ao nível secundário;
2. Explicar normas reguladoras de trânsito para formação de qualidades positivas
elevando a cidadania dos adolescentes;
3. Propor actividades dentro dos conteúdos da EMC que contribuem para
elevação dos níveis de preparação dos conteúdos de Normas reguladoras de
Transito;
Justificativa

O presente trabalho tem por finalidade despertar, por meio de reflexões, para a
importância do trabalho educativo junto às questões sociais que estão presentes no
cotidiano das pessoas e não estão dispostos nas áreas do ensino convencional.
Estudos revelam que uma das questões sociais que, no momento, necessitam de uma
actuação mais efetiva é o trânsito, por vitimar inúmeras vidas a cada segundo. A
Educação é considerada fator determinante na construção de uma sociedade crítica,
humana e democrática, devido ao seu poder social que exerce. Intenta apresentar de
forma clara, objetiva e abrangente as possibilidades das instituições escolares
transversalizarem a questão do trânsito de modo a torná-lo eixo norteador junto às
áreas curriculares do ensino tradicional, ressaltando a importância de se educar para
o trânsito, a partir das classes iniciais. Há da parte dos órgãos cometentes tendência
para esse fim, mas até agora tudo ficou no papel.

4
Metodologia

A pesquisa de campo é qualitativa com caráter exploratório por meio de


entrevista e observação directa extensiva, com descrição de dados, e virá a ser o
segundo passo deste trabalho, ela servirá para a averiguação de dados.

A técnica escolhida para esse projecto de pesquisa foi à observação directa


extensiva, através de questionário semiestruturado para o levantamento de dados.
Por tudo isso, o método utilizado para a realização dessa pré-pesquisa será o
empírico, porque esse procedimento é baseando na observação sensorial, logo
abrange parte das ciências da natureza e das culturas sociais.

Interpretar-se-á os resultados da pesquisa de campo em forma de gráficos,


uma vez que, o resumo desses facilitara o entendimento das proporções. O uso desse
tipo de pesquisa é muito comum nas várias actividades da vida humana, sendo útil
para a organização de tudo que lhes diz respeito.

População e Amostra

POPULAÇÃO AMOSTRA

HOMENS MULHERES HOMENS MULHERES

2.047 995 55 32
ALUNOS

PROFESSORES 69 29 2 1

Tabela nº01 População da Escola 4 de Abril em Saurimo. Elaboração Propria.

O presente trabalho está estruturado da seguinte maneira: No primeiro capítulo


aborda-se a fundamentação teórica, onde faz-se um estudo pormenorizado sobre a
inserção das normas reguladoras de trânsito no currículo da disciplina de EMC. No
segundo capitulo, trata-se dos aspectos que caracterizam a escola, e os
procedimentos metodológicos que se aplicaram para análise dos resultados obtidos

5
com a execução dos métodos e técnicas. Seguidamente vem a conclusão e as
sugestões.
1.1.EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO NO CONTEXTO DA TRANSVERSALIDADE

O ensino não pode ficar alheio a essa nova forma de conceber a ciência e o
mundo. As mudanças a serem feitas nas instituições de ensino devem seguir o mesmo
sentindo desta nova maneira de ciência.

Não podemos esperar que os campos de pensamento que se iniciaram com a


ciência clássica, de cuja vigência atual ninguém duvida proporcionem conhecimentos
sobre tudo aquilo que os homens e as mulheres do presente precisam saber, porque
vivemos em uma sociedade que está clamando pela paz, pela igualdade de direitos e
oportunidades, pela melhora do meio ambiente, por uma vida mais saudável, pelo
desenvolvimento da afetividade e da sexualidade que permita melhorar as relações
interpessoais. (BUSQUETS, 2001, p. 12).

Nesse sentido, foi criado em 2003, foi nesta visão que o Governo de Angola e
o Ministério da Educação integrou no Plano curricular a disciplina de Educação moral
e Cívica com a finalidade de expressar conceitos e valores fundamentais à
democracia e cidadania. Questões essas que estão presentes sob várias formas na
vida cotidiana e real da sociedade angolana. Assim, os temas propostos como:a ética,
a cidadania, o meio ambiente, a pluralidade cultural, a saúde, orientação sexual e
social, trabalho, consumo e temas locais, devem ser trabalhados nas escolas, com a
finalidade de expressar conceitos e valores, necessários à construção de uma
sociedade mais organizada.

Nessa linha de pensamento, percebe-se que o trânsito está inserido,


cotidianamente e coletivamente, na vida das pessoas, e o pior, de forma grave. Nesse
sentido vê-se a importância de trabalhar-se nas escolas a educação para o trânsito.
A princípio, a questão do trânsito não é indicada como tema transversal nos
documentos Curriculares Nacionais, ele é considerado como tema local, isto quer
dizer que ele deve ser trabalhado apenas em regiões onde o transitar, tanto de
pedestres quanto de motoristas, constitui um problema urgente e grave, capaz de
afetar a ordem social. Por outro lado, concebem a necessidade de um trânsito seguro

6
perpassa por todos os territórios angolano, até mesmo porque aquele que só vai à
cidade de vez em quando, preocupa-se em transitar com segurança.

Dentre os diversos acontecimentos que causam intranquilidade à sociedade,


os acidentes de trânsito com vítimas, envolvendo não só motoristas, mas também
pedestres vêm se destacando. Trata-se de um problema preocupante cuja solução é
complicada, por envolver muitos fatores de ordem social e jurídica (MARTINS, 2004,
p. 17).
Sendo assim, o trânsito é um grande palco das relações sociais, que precisa,
urgentemente, de atitudes que visem uma melhor convivência do indivíduo em
sociedade. E a educação, nesse sentido, pode contribuir, possibilitando aos
educandos, conhecimentos capazes de desenvolver sua capacidade de posicionar-se
e intervir no meio social, de forma crítica e consciente, ressaltando que uma das
funções da educação é contribuir para o crescimento social de uma nação.

1.2.História dos temas transversais em educação

A ideia de transversalidade em educação teve origem na Espanha em 1989,


onde grupos, politicamente organizados, propuseram uma reforma educacional
naquele país, com a intenção de promover ações que eliminasse a lacuna existente
entre o desenvolvimento científico e o desenvolvimento social. “Uma das formas
propostas de se evoluir nesse processo de transformação da sociedade, sem abrir
mão dos conteúdos circulares da escola é por meio de temas.” (BUSQUETS, 2001, p.
12).

Para isso, temas como educação ambiental, educação para a saúde e sexual,
educação para o trânsito, educação para a paz, educação para a igualdade de
oportunidades, educação do consumidor e educação multicultural passaram a integrar
o currículo de ensino daquelas escolas. Tais temas perpassaram os conteúdos
cientificamente tradicionais de modo a não existir distinções claras entre os científicos
e os sociais.

Nesse sentido foram criados os temas transversais em educação, como forma


de organizar o trabalho didático entre ensino científico e social. Os acontecimentos e

7
fatos do mundo atual mostram que as disciplinas curriculares tradicionais do campo
científico tornaram-se incapazes de atuar isoladamente no que se refere às questões
de convívio social.

A questão dos temas transversais proporciona a ponte de unção entre o


científico e o cotidiano, desde que proponha como finalidade os temas que levanta e
como meios as matérias curriculares que adquirem assim a qualidade de instrumentos
cujo uso e domínio levam a obtenção de resultados claramente perceptíveis.
(MORENO, 2001, p. 46).

Trabalhar de forma transversal possibilita a compreensão e a crítica da


realidade, ao invés de tratar as questões sociais como dados abstratos a serem
apreendidos apenas para passar de ano; oferece aos educandos a oportunidade de
se apropriarem delas como instrumentos para refletir e mudar suas ações, visando
assim uma nova leitura de mundo.

As instituições escolares têm por compromisso, além de ensinar a ler e


escrever, a árdua tarefa de formar os indivíduos em cidadãos ativos capazes de
conhecer e praticar seus direitos e deveres com responsabilidades, baseados em
alguns princípios básicos propostos nas grades curriculares: dignidade da pessoa
humana, igualdades de direitos e oportunidades, visando uma melhoria da vida
educacional e social. “A escola precisa se preocupar em tratar tanto valores, quanto
conhecimentos que permitam desenvolver a capacidade necessária para a
participação social e efetiva.” (PCN, 2001, p. 23).

No nosso país a transversalidade como conteúdo integrado nas grades


curricular de Educação moral e Cívica ainda encontra dificuldades de adaptação,
talvez por resistência ou falta de compromisso das partes por ela responsável. É certo
que a escola por si só não muda a sociedade, mas se partilhar a idéia de possibilitar
os indivíduos a uma reflexão sobre suas relações e suas atuações na vida cotidiana
da comunidade a qual está inserida, com segmentos sociais que assumem princípios
democráticos, se fortalecerá e será vista não apenas como espaço de reprodução,
mas também como espaço de transformação para a construção de um mundo melhor,
onde o respeito ao outro seja o norte para uma vida em sociedade mais organizada.

8
1.3.A transversalidade no Curriculum Educacional em Angola

A inserção de conteúdos que estão sendo vividos intensamente pela sociedade


atual de um determinado lugar às matérias cientificamente tradicionais, de forma a
estar presente em todas elas chama transversalidade. A transversalidade é a
responsabilidade de se estabelecer na prática educativa uma relação entre o aprender
na realidade e da realidade, conhecimentos teoricamente sistematizados e questões
sociais vividas no momento real.

Não se pode esperar que os campos de pensamento que se iniciaram com a


ciência clássica – de cuja vigência ninguém duvida – proporcionem conhecimentos,
sobretudo aquele que os homens e as mulheres do presente precisam saber, porque
vivemos em uma sociedade que está chamando pela paz, pela igualdade de direitos
e oportunidades entre o homem e a mulher, pela preservação e melhoria do meio
ambiente, por uma vida mais saudável, pelo desenvolvimento da afetividade e da
sexualidade que permita melhorar as relações interpessoais. Capazes de respeitar a
opinião dos demais e defender os seus direitos, ao mesmo tempo. Estas questões
não são contempladas na problemática da ciência clássica. (MORENO, 2001, p. 36).

A sociedade atual vem revelando, a cada dia, uma extrema necessidade de


análise dos problemas científicos e sociais. Nesse contexto, percebe-se que as
matérias científicas por si só tornaram-se incapazes de atuar isoladamente nestas
questões. Assim, surgiu a necessidade de criação de novas especialidades
educacionais, capazes de compreender e transformar o mundo, dissolvendo as
fronteiras existentes entre o saber científico e o social. Os temas transversais devem
ser abordados como parte integrante das áreas de ensino. Devem ser discutidos,
debatidos e analisados corretamente, de modo a promover uma aprendizagem
significativa para melhoria da qualidade de vida do individual ao social. “Introduzir no
ensino escolar, preocupações mais agudas inerentes à sociedade atual não significa
deslocar as matérias curriculares e muito menos tratar os temas transversais como
novos conteúdos, a acrescentar aos já existentes.” (MORENO, 2001, p. 36).

9
Nesse sentido para que questões sociais relevantes recebam nas escolas um
tratamento mais profundo, seriam necessários que as instituições escolares
considerassem os temas transversais, como eixos norteadores de todas as
disciplinas, tornando-os como fios condutores das atividades escolares e as matérias
curriculares.
Os temas transversais que constituem o centro das atuais preocupações
sociais, devem ser o eixo em torno do qual deve girar a temática das áreas curriculares
que adquirem assim, tanto para o corpo docente como para os educando, o valor de
instrumentos necessários para a obtenção da finalidade desejada. (BUSQUETS,
2001, p. 37).

Isso não significa que as matérias curriculares devam subordinar-se


rigorosamente aos temas transversais, mas tê-los como ponto de partida evitará a
aprender por aprender. A ligação entre teoria e prática, dará sentido à aquisição de
conhecimentos necessários para uma nova consciência social. Seria difícil imaginar
que hoje em dia seja possível fazer os educandos compreenderem qualquer
conhecimento científico, sem torná-lo por sua vez, partícipe dos raciocínios e atitudes
que os originaram. “A transversalidade servirá como valioso instrumento que permitirá
desenvolver uma série de atividades que, por sua vez, levarão a novos conhecimentos
capazes de propor e resolver problemas.” (BUSQUETS, 2001, p. 53).

No entanto, para que a transversalidade trabalhada nas escolas possibilite os


indivíduos uma reflexão sobre questões voltadas para as relações interpessoais,
sociais e ética de respeito às outras pessoas, à diversidade e ao meio ambiente,
exigirá dos ambientes escolares uma nova visão do ato de ensinar.

As transformações da realidade escolar precisam passar necessariamente por


uma mudança de perspectiva, em que os conteúdos escolares tradicionais deixem de
ser encarados como “fim” na Educação. Eles devem ser “meio” para a construção da
cidadania e de uma sociedade mais justa. (MORENO, 2001, p. 15).

Seja qual for o caso, aprender sempre requer um esforço tanto de quem
aprende quanto de quem ensina. A pessoa que aprende deve conhecer o que se
aprende e para que se aprende, descobrindo sua utilidade e ser capaz de reconstruí-

10
lo em seu pensamento no momento em que dele precisar num fato real. “A
transversalidade abre espaço para a inclusão de saberes extra-escolares,
possibilitando a referência a sistemas de significados construídos na realidade dos
alunos.” (PCN, 1998, p. 40).

Nessa perspectiva, aprender fatos sociais de forma real e construtiva,


desencadeará no indivíduo processos mentais capazes de ampliar a sua
compreensão através da capacidade intelectual. Assim, tanto as matérias curriculares
quanto os temas transversais servirão de instrumentos necessários ao
desenvolvimento da capacidade de pensar, compreender e manejar adequadamente
situações pertinentes do mundo que os rodeiam, todos os dias.

A construção de um mundo melhor, se dá quando todos os indivíduos nele


presentes entenderem que a realidade social é formada por princípios e valores que
permitam uma melhor qualidade de vida a todos. Essa é a proposta de se trabalhar
transversalmente.

O trânsito na sociedade actual faz parte do cotidiano da maioria da população,


estando presente de diversas formas na vida social dos indivíduos. Nesse sentido, a
sociedade angolana/saurimuense é convocada a contribuir com ações que visem a
mudança dessa problemática caótica. Para tanto, é necessário lançar um novo olhar,
possibilitando argumentações consistentes, favorecendo debates que mergulhem
com maior profundidade nos diferentes aspectos que envolvem as pessoas e suas
relações sociais, seu comportamento enquanto pedestre, motorista, passageiro,
ciclista, motociclista.

Para que o indivíduo possa considerar-se uma pessoa educada, socializada e


que pratica comportamento humano no trânsito é necessário consenso e demonstrar
entender que a liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro.
(MARTINS, 2007, p. 49).

Circular pelas ruas, tornou-se para a maioria da população um emaranhado de


problemas devido ao caos que se encontra o trânsito, atualmente. Os grandes
acidentes, envolvendo seus participantes, com vítimas fatais ou não, têm provocado

11
situações incômodas, congestionamentos, gastos desnecessários de tempo e
dinheiro, indignação, revolta e insegurança.

Em todas as situações envolvendo o trânsito, o ser humano é o elemento mais


importante, pois sem ele o próprio trânsito não existiria; a via e os veículos são apenas
instrumentos que realizam ou facilitam o ato de transitar. Portanto, o comportamento
humano no trânsito, tanto para pedestre quanto motoristas, ou qualquer outro tipo de
locomoção é fundamental para o entendimento da dinâmica e ocorrência dos
acidentes: os envolvidos não são só máquinas, são principalmente seres humanos e,
portanto, falhos no mais alto grau. Daí a importância de conscientização e
responsabilidade de cada um.
(…) deste Código e para o sucesso do mesmo, é determinante que os
cidadãos angolanos estejam motivados e empenhados em cooperar
nesta importante luta pela segurança rodoviária nacional, pela redução
da sinistralidade e pela melhoria da mobilidade das pessoas e dos bens.
( Cod. De estraga Angolano 2008)

A perspectiva de formar pessoas mais conscientes no trânsito. A educação


escolar foi considerada como um dos principais pontos estratégicos para “solucionar”
mais essa problemática da sociedade contemporânea. É necessário que os cidadãos
conheçam e obedeçam à lei de trânsito, exercendo a cidadania por meio da adoção
de atitudes de respeito às diferenças entre as pessoas em circulação. Acredita-se que
tais atitudes podem ser apreendidas por meio da educação. “Obedecendo à legislação
de trânsito, o homem demonstra está exercendo a sua cidadania, ter boa educação,
paciência e prudência.” (MARTINS, 2007, p. 18).

Uma das formas encontradas nas escolas para trabalhar a questão do trânsito
foi a implantação dos temas transversais, por ser uma temática relacionada à
sociedade. Conteúdos relacionados ao trânsito podem ser incluídos em todas as
áreas curriculares do ensino. Tudo dependerá do conceito que se quer trabalhar sobre
o trânsito. “Qualquer metodologia de qualquer área curricular e de qualquer tema
transversal deve incluir em sua realização elementos necessários que permitam aos
estudantes uma análise de sua realidade, aceitando ou rejeitando sua forma de
atuação.” (BUSQUETES, 2001, p. 107).

12
Contudo, para se trabalhar o tema “trânsito nas escolas”, requer das partes
envolvidas, uma visão ampla e consistente da realidade para assim propiciar um
trabalho educativo que possibilite e estimule os educandos a uma participação social
e ativa.

O ensino de qualidade que a sociedade demanda atualmente, expressa-se aqui


como a possibilidade de o sistema educacional vir a propor uma prática educativa
adequada às necessidades sociais, políticas, econômicas e culturais das sociedade
que considere os interesses e as motivações dos alunos e garanta as aprendizagens
essenciais para a formação de cidadãos autônomos, críticos e participativos, capazes
de atuar com competência, dignidade e responsabilidade na sociedade em que vivem.
(MANTOVANI, 2003, p. 16).

O Vice-Presidente da Republica de Angola, Manuel Domingos Vicente, a


quando da Abertura da Iº Conferencia Nacional sobre Educação Rodoviária, chama
atenção ao elevado índice da acidentes rodoviário, há que se tomar medidas urgentes,
dentre esta a educação para trânsito. A educação para o trânsito é direito de todos e
constitui dever prioritário do Estado em garantir a todos um espaço de circulação mais
equitativo, mais humano e mais seguro. Artigo 30º 31º 59º da Constituição da
Republica de Angola.

Com bases nesses elementos, nota-se a importância de uma educação para o


trânsito nas instituições escolares pautada na integração às disciplinas curriculares,
onde articula-se de forma a aliar conhecimento já produzido com novos
conhecimentos, com o intuito de contribuir com a problemática de trânsito, que tanto
interfere na qualidade de vida tanto individual quanto social.

A educação é fator preponderante na mudança de comportamentos


inadequados. Nesse sentido, o governo de Angola preve a inserção das norma
reguladoras de transito no sistema de ensino como afirmou o Vice-Presidente da
republica na abertura da Iº Conferencia Nacional sobre educação Rodoviária: (…a
sinistralidade rodoviária é uma das maiores preocupações do Executivo, por provocar
diariamente perda de vidas humanas, luto e destruição de famílias, afirmou a sua

13
inquietação em relação aos dados estatísticos divulgados recentemente pela Polícia
Nacional.

Só no ano passado, o país registou um total de 17.262 acidentes, que resultaram em


4.305 mortos e 16.627 feridos. Em termos de mortalidade, a causa mais frequente foi
o atropelamento, com um total de 1.403 mortes, seguida pelos choques entre
automóveis e motociclos, com 981 mortes, e a colisão entre automóveis, com 531. No
total, 75 por cento dos condutores envolvidos nestes acidentes são jovens.)

Essa realidade demostram a necessidade de uma tomada de atitude através


de medidas urgentes, sobretudo educacionais, com o intuito de mudar essa situação,
pois segundo as Diretrizes Nacionais para Educação no Trânsito, a inclusão desse
tema como abordagem transversal às áreas curriculares torna-se imprescindível, visto
que o trabalho permanente na escola possibilitará mudanças de comportamento que
contribuirão para garantir a segurança dos cidadãos no espaço público.

Na mesma senda, a Secretária de Estado para o Ensino Geral e Acção Social,


Ana Paula Inês, na cerimonia de abertura do projecto de prevenção de acidentes e
segurança rodoviária nas escolas, disse que a nível das escolas a temática da
segurança rodoviária deixará de ser considerado apenas um tema transversal durante
as aulas .

“Acreditamos que educando as nossas crianças desde a tenra idade para a


segurança rodoviária, estaremos a educar as famílias, as comunidades e colheremos
frutos bons no sentido da mudança de comportamento da sociedade em geral”, frisou.2

Afirmou que o tema segurança rodoviária constitui uma preocupação nacional


e internacional, porquanto as estradas que deviam ser meios de transição, de criação
de melhores condições para vida, muitas vezes transforma-se em passagens para a
paralisia, invalidez ou morte. Nesta vertente, a educação para o trânsito como direito
e dever de todos. Essa educação foi então proposta para fazer parte do ensino de
uma forma transversal. As administrações municipais e comunais passaram a
implantar programas sócio-educativos de trânsito em vários segmentos da sociedade
(escolas, televisão, rádio, jornal, ) com o objetivo de promover uma educação para um

14
trânsito mais seguro, com pessoas mais conscientes de suas responsabilidades no
compartilhamento do espaço viário.

Alertar e, principalmente, orientar sobre comportamentos seguros e solidários


que todos devem adotar ao circular pelas ruas, especialmente como pedestres,
precisam fazer parte dos conteúdos abordados, cotidianamente, nos ambientes
sociais e, principalmente, no ambiente escolar. A ação educativa que humaniza é
capaz de motivar o indivíduo para o exercício da ética e da cidadania, através da auto-
estima que, fortalecida, torna-se capaz de mudar comportamentos inadequados em
relação ao sistema trânsito, no qual somos participantes, desde a mais tenra idade.

Tornar o trânsito mais humano requer motivação na perspectiva educativa que


refletirá na motivação da escola, da família e de todo o espaço do trânsito,
estendendo-a transversalidade a muito além da alfabetização e do ciclo primário e
secundário, ou seja, na dimensão do ser humano de forma totalitária, atingindo-o no
que ele tem de mais importante: cidadania, ética e respeito, que são elementos
organizadores de uma instituição social. (MARTINS, 2007, p. 106).

É importante salientar que o Código de Trânsito nada resolve sozinho. É


necessário haver um envolvimento de toda a sociedade para que ações educativas
de trânsito aconteçam de fato. É preciso que as campanhas educativas ocorram de
forma planejada e acompanhadas em sua execução. Os órgãos que a executam
devem assegurar-se não somente da qualidade de seus conteúdos programáticos,
mas também da eficiência de sua transmissão. Essa é uma das alternativas
encontradas para a realização de um trabalho eficiente, e voltada para a construção
da cidadania, elemento fundamental para a redução dos inúmeros acidentes de
trânsito que tanto ceifam vidas. “Para que se torne possível a convivência harmônica
entre os indivíduos, é necessário haver organização e respeito aos direitos e deveres
individuais e do grupo.” (MARTINS, 2007, p. 47).

Ter acesso às informações sobre o C.R.T. e às normas de trânsito nele contido


é primordial para garantir que o correto seja feito e obedecido, não como uma
imposição, mas como hábito formado por uma educação contínua e de qualidade.

15
Estudos que comentam sobre o código, indicam que não há necessidade de se
criar mais legislação. Bastando aplicar com seriedade a que já existe, sendo, para
isso, indispensável uma campanha nacional de educação para o trânsito, começando
nas escolas, mediante campanhas publicitárias e tantos outros meios. (MARTINS,
2007, p. 83).

Assim, entende-se que a constante divulgação de regras e normas de trânsito


pelos meios de comunicação, começando pela educação da sociedade, constitui um
investimento que, em não tão longo prazo, resolveria a problemática do trânsito
caótico que se tem na atualidade.

Implantar ações educativas de trânsito nas escolas tornou-se, hoje, um grande


desafio, tanto para os órgãos gestores de trânsito quanto para os órgãos escolares. A
concretização de uma educação para o trânsito nas escolas poderá contribuir para
uma prática social, orientada para uma ética no trânsito, preparando o cidadão para o
exercício da cidadania, para a valorização e a promoção da vida.

Nesse sentido, os profissionais de educação envolvidos em práticas educativas


de trânsito, procuram promover nos ambientes escolares a construção de identidades
capazes de preparar os educandos para agir com mais autonomia na circulação. As
questões relacionadas ao trânsito devem fazer parte da proposta curricular das
escolas, sendo trabalhados junto às disciplinas curriculares, conforme já foi afirmado
anteriormente.

O trabalho de questões referentes ao trânsito deve acontecer de forma


permanente nas escolas. Ninguém apreende valores como: ética e cidadania, em um
dia ou em uma semana. Este trabalho requer a elaboração de projetos sérios,
objetivos, bem definidos, recursos educativos de qualidade, acompanhamento e
avaliação permanente do corpo técnico capacitado.

Nesse contexto, encontra-se o papel fundamental do professor, pessoa


responsável na mediação de conhecimentos sistematizados. É necessário que esses
profissionais participem, constantemente, de cursos de formação, realizem pesquisas
para exercer melhor essa função.

16
Dessa forma, estarão atuando e ministrando suas aulas baseadas sobre
questões sociais e problemas que possam surgir relacionados ao trânsito. “É
indispensável um maior envolvimento dos órgãos responsáveis, para qualificar os
profissionais, que devem atender à demanda e às expectativas que envolvem os
órgãos responsáveis pelo trânsito.” (MARTINS, 2007, 110).

Em suas actividades de práticas educativas é necessário que o professor saia


com seus alunos e lhe mostre o sentido do trânsito. É necessário que as escolas
preparem o cidadão não só para conhecer sinais e regras de trânsito, mas também
na medida do possível, as formas de aplicação da lei, quando o nível de instrução
permitir aquisição de tais conhecimentos.

Mudanças de comportamentos sejam em qualquer situação, demandam


tempo, boa vontade e compromisso de todos os envolvidos no processo. A educação,
que seria a solução para muito de nossos problemas, infelizmente, é semente que
demora dar frutos. Assim, educar para o trânsito requer do professor a capacidade
para apreender e articular uma cultura geral às metodologias de ensino. Tarefa essa,
árdua e difícil, porém não impossível.

Da importância de um comportamento adequado, surge a necessidade de uma


educação para o trânsito, no sentido de as pessoas em qualquer posição que
assumam na circulação, terem atitudes compatíveis com as necessidades de
segurança de todos. A educação deve ser vista como um processo contínuo, para que
tenha efetividade real. (VASCONCELLOS, 1998, p. 87).

Portanto, a tarefa de se educar para o trânsito consiste em lutas permanentes.


Daí a necessidade de parceria entre escola e comunidade para a elaboração de
propostas capazes de conscientizar as pessoas sobre a importância de suas atitudes
na construção de um trânsito mais seguro.

1.3.1.Acções Educativas de Trânsito no Ensino Geral

Entende-se por ensino geral uma das etapas da educação e tem como princípio
a formação do cidadão com base no desenvolvimento da capacidade de aprender na

17
compreensão do ambiente social e natural, na aquisição de conhecimentos e
habilidades, na formação de atitudes e valores, no fortalecimento dos vínculos
familiares e nos laços de solidariedade humana. Daí a necessidade de um currículo
baseado no domínio de competências básicas e não somente no acúmulo de
informações. Nesse sentido, para que toda e qualquer ação educativa no ensino geral
tenha sucesso é necessário que as instituições escolares propiciem uma
aprendizagem contextualizada, de modo a compreender a realidade social,
posicionando e intervindo frente às questões que interferem na vida coletiva da
comunidade.

A efetivação da educação para o trânsito em instituições escolares, surge com


base na função social que elas detêm e, portanto, no seu potencial para formar
gerações capazes de uma participação consciente, crítica e responsável na
circulação, que se tornou um dos maiores obstáculos na construção da cidadania,
afrontando a dignidade das pessoas, impedindo a inclusão social e afetando a
qualidade de vida de todos os seus participantes.

Países como Portugal, Brasil e outros já incluíram no seu sistema de ensino as


Normas reguladoras de transito no ensino que não universitário como universitário. O
brasil por exemplo, tem no capítulo VI do C.T.B. (Código de Trânsito Brasileiro) em
seu artigo 76, estabelece que a educação para o trânsito dar-se-á na pré-escola e nas
escolas de Educação Básica e Ensino Superior. Nesse sentido, o enfoque principal
de educação para o trânsito é tornar a criança um pedestre responsável e ciente de
seus direitos e deveres, de modos que, quando chegar à idade adulta e for circular
como condutores, de veículos esteja preocupado com a segurança de todos utentes
da via por onde transita. Angola apenas aprovou o novo código de estradas e não se
fala ainda dessa questão no ensino.

A inserção destas normas levam o individuo, a partir da condição inicial de


pedestre, a assumindo outros papéis na circulação, como os de ciclista, passageiro
de transportes individuais e coletivos, motorista, motociclista, etc. papéis estes
fundamentados nos princípios éticos iniciais, construídos desde a primeira infância na
condição de pedestre e que vão se estruturando no decorrer da vida, na medida em

18
que novas experiências, conhecimentos e desafios são enfrentados. (MANTOVANI,
2003, p. 51).

Porém, tais atitudes só serão possíveis mediante a formação de cidadãos com


uma visão crítica e reflexiva, adquiridas por meio de vivências pautadas na
cooperação, solidariedade e responsabilidades, tanto na escola, quanto em situações
práticas do cotidiano social. Isso permite haver uma construção gradual de conceitos.
Estes irão se aprimorando gradativamente, formando cidadãos capazes de realizar
escolhas menos individualizadas e mais coletivas, com uma visão mais ampla do que
significativa circular e compartilhar espaços.

É preciso ressaltar que a necessidade de circulação, inata ao ser humano, é


parte do cotidiano real da população, ponto fundamental para que os interesses da
coletividade sejam compatíveis com os interesses de cada um. As crianças, desde
muito pequenas, estarão inseridas nesse processo: assumem papéis, têm
competências desenvolvidas e, principalmente, podem participar assumindo, a cada
etapa do ensino, novas responsabilidades.

Nessa linha de pensamento, cabe à educação ao trânsito, o papel de


proporcionar situações de ensino-aprendizagem que sensibilizem, preparem e
promovam uma participação responsável à reflexão e construção de cidadania, de tal
modo que crianças e adolescentes construam conhecimentos e capacidades que
permitam uma atuação mais consciente e responsável na circulação, sejam motoristas
ou não, no futuro.

Quanto mais cedo se tem contato com a legislação de trânsito e as normas


gerais de circulação e conduta, mais fácil é formar hábitos civilizados compatível com
o que a nossa sociedade clama. Para conhecer o C.R.E. não é necessário ser
condutor ter cartas de condução e nem maior de idade. As normas de trânsito foram
feitas para todos, portanto, todas as pessoas devem entrar na luta pela paz no trânsito,
embasado nas conquistas de todos, no direito de ir e vir com liberdade e segurança.

19
1.3.2. O Conceito de trânsito.
A palavra transita em português possui várias traduções e significação como
faremos a questão de mostrar: trânsito é um nome masculino que significa, acto ou
efeito de transitar, circular; passagem de um lugar para outro; trajeto; entrada num
país com destino a outro; movimento de pessoas, animais e veículos, que utilizam
uma via de comunicação. O Dicionário de português Dicio, traduz trânsito como
movimento de veículos e de pedestres considerados em conjunto.

Marinza e Garcia, na sua obra transita e Mobilidade Humana (2010) define o


trânsito como o resultado da movimentação e imobilização de veículos, pessoas e
animais nas vias terrestres. Acrescenta ainda que tal definição vem acompanhada de
um ambiente em que se faz o trânsito, sendo urbano ou rural.

Já a Wikipedia tem duas definições do trânsito: apresenta o trânsito como a


utilização das vias por veículos motorizados, veículos não motorizados, pedestres e
animais de tração, para fins de circulação, parada passageiro ou estacionamento.

Por outro lado, apresenta o trânsito rodoviário como o feito em estrada,


rodovia, rua e outras vias pavimentadas ou não com a intensão de movimentar
matérias, pessoas, ou animais de um determinado ponto para outro.

1.3.3. Os componentes do trânsito.

De acordo com vários estudos, o sistema de transporte possui quatro


elementos básicos essências são: o veículo; a via; terminais e plano de operação.
Veículos são meios utilizados para movimentar pessoas e cargas e podem ser
terrestres (carro, camião, autocarros, bicicletas); hidroviários são constituídos por
barcos, submarino e outros) aéreos: dirigível, avião, helicóptero, balão.

O segundo maior grupo destes componentes são as vias, que se definem como
conexões que unem pontos. Caminho criado pelo homem, para a passagem de algum
meio de transporte. As vias são construídas de acordo com as características dos
veículos. Dentre os tipos de vias podemos encontrar as estradas, ruas, avenidas,
estradas de ferro, hidrovias, aerovias, aeroportos…

20
O terceiro são os terminais, que são consideradas ponto que dão inicio e fim
das viagens. Estruturas dimensionadas para o embarque e desembarque de pessoas
e cargas. Podem ser classificados em terminais de carga; terminais ferroviários;
terminais de passageiros e outros.

Os diferentes autores que passaram a compor o trânsito e que desempenham papéis


de acordo com a finalidade ou o objetivo em que estão inseridos no fluxo, ou seja, no trânsito.
Esses atores são os pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas dos diferentes tipos de
veículos.

Todas as pessoas estão inseridas no meio denominado trânsito, porém em diferentes


momentos assumem papéis diferenciados, de acordo com os objetivos e, principalmente, em
como estão naquele momento, relacionando-se com o trânsito. Este aspecto inclui, também,
questões relacionadas à postura e comportamento que é aceitável ou não para cada um dos
atores. Ou seja, um pedestre tem que andar na passeio e quando atravessar a rua, deve usar
a passadeira, sempre com a atenção voltada para a movimentação dos veículos. Já o
motorista tem que se movimentar nas vias próprias para tal e deve sempre cuidar dos demais
motoristas e pedestres. Estes são dois actores que podem inverter seus papéis; há momentos
em que o pedestre deixa de ser pedestre e passa a ser motorista e vice-versa.

Os atores desempenham papéis de acordo com a finalidade ou objetivo do seu


deslocamento, o que faz com que possam mudar com muita frequência, um processo
dinâmico que exige uma tomada de consciência de todas as regras e, principalmente, de
respeito com o outro que compartilha esse meio.

Outro aspecto relevante é a quantidade de veículos que estão circulando nas nossas
vias (ruas, ruelas avenidas, estradas, entre outras), que aumenta progressivamente e com
isso também altera a forma de deslocamento, pois com mais veículos são necessárias
adaptações e principalmente respeito ainda maior às regras por parte de todos, para
possibilitar um entendimento, de modo que todos alcancem, sem contratempos, seus
objetivos nos deslocamentos.

Portanto, o trânsito permeia a vida das pessoas no seu cotidiano, constatação que
obriga a existência de várias formas de interagir e integrar esse complexo sistema de regras
e normas de circulação que constitui o trânsito.
21
Segundo o decreto nº 05/2008 de 29 de setembro, Lei angolana que deu
acesso ao novo código de estrada determina que os componentes do trânsito são:
a) Via pública: via de comunicação terrestre afecta ao trânsito público;
b) Via equiparada a via pública: via de comunicação terrestre do domínio privado
aberta ao trânsito público;
c) Autoestrada: via pública destinada a trânsito rápido, com separação física de faixas
de rodagem, sem cruzamento de nível nem acesso a propriedades marginais, com
acessos condicionados e sinalizada como tal;
d) Via reservada a automóveis e motociclos: via pública onde vigoram as normas
que disciplinam o trânsito em auto-estrada e sinalizada como tal;
e) Caminho: via pública especialmente destinada ao trânsito local em zonas rurais;
f) Faixa de rodagem: parte da via especialmente destinada ao trânsito de veículos;
g) Eixo da faixa de rodagem: linha longitudinal, materializada ou não, que divide uma
faixa de rodagem em duas partes, cada uma afecta a um sentido de trânsito;
h) Via de trânsito: zona longitudinal da faixa de rodagem, destinada à circulação de
uma única fila de veículos;
i) Via de sentido reversível: via de trânsito afecta alternadamente, através de
sinalização, a um ou outro dos sentidos de trânsito;
j) Via de aceleração: via de trânsito resultante do alargamento da faixa de rodagem
e destinada a permitir que os veículos que entram numa via pública adquiram a
velocidade conveniente para se incorporarem na corrente de trânsito principal;
k) Via de abrandamento: via de trânsito resultante do alargamento da faixa de
rodagem e destinada a permitir que os veículos que vão sair de uma via pública
diminuam a velocidade já fora da corrente de trânsito principal;
l) Berma: superfície da via pública não especialmente destinada ao trânsito de
veículos e que ladeia a faixa de rodagem;
m) Passeio: superfície da via pública, em geral sobrelevada, especialmente
destinada ao trânsito de peões e que ladeia a faixa de rodagem;
n) Corredor de circulação: via de trânsito reservada a veículos de certa espécie ou
afectos a determinados transportes;
o) Pista especial: via pública ou via de trânsito especialmente destinada, de acordo
com sinalização, ao trânsito de peões, de animais ou de certa espécie de veículos;
p) Cruzamento: zona de intersecção de vias públicas ao mesmo nível;
q) Entroncamento: zona de junção ou bifurcação de vias públicas;

22
r) Rotunda: praça formada por cruzamento ou entroncamento, onde o trânsito se
processa em sentido giratório;
s) Parque de estacionamento: local exclusivamente destinado ao estacionamento
de veículos;
t) Localidade: zona com edificações e cujos limites são assinalados com os sinais
regulamentares;
u) Zona de estacionamento: local da via pública especialmente destinado, por
construção ou sinalização, ao estacionamento de veículos;
v) Ilhéu direccional: zona restrita da via pública, interdita à circulação de veículos e
delimitada por lancil ou marcação apropriada, destinada a orientar o trânsito;
w) Veículos afectos à prestação de serviço urgente: ambulâncias e veículos de
bombeiros.

No nosso ordenamento do transito, pouco ou quase nada se fala de um dos


principais elementos. O pedestre é um dos componentes do Sistema Trânsito.
Atravessar uma via é um procedimento que, à primeira vista pode parecer simples,
mas, requer plenas condições físicas e psicológicas de um indivíduo para ser
executado com sucesso. Qualquer deficiência, permanente ou temporária, em uma
dessas funções pode resultar em um acidente de trânsito.

Em Saurimo uma pesquisa feita a partir dos boletins de ocorrência e


observações dos peritos ligados a secção de trânsito do comando municipal de
revelou que 80% dos acidentes de trânsito são provocados por imprudência dos
pedestres (vide imagem em questão).

Num conflito veículo x pedestre é notória a diferença de velocidade entre


ambos. A título de comparação, é mostrado que a velocidade média do pedestre em
m/s, unidade normalmente adotada, e a correspondente em km/h, para que se possa
fazer uma comparação com a velocidade do veículo.

O movimento de Pedestres numa via, normalmente ocorre em duas direções


(longitudinal e transversal).No movimento longitudinal de pedestres numa via, a
medida mais simples, mais efetiva e de custo relativamente baixo é a construção de

23
passeio, se possível, em nível mais elevado que a pista de rolamento, e com o meio-
fio demarcando o limite das duas áreas.

Principais tipos de intervenção para travessias são apresentados nas seguintes


moldes e classificados seguindo o apresentado por OLIVEIRA et alli [85], onde as
ações possíveis no tratamento das travessias de pedestres são divididas em quatro
grupos: Infra-estrutura; Sinalização; Operação e Fiscalização. Dentro desta divisão
adotada, temos:
 Infraestrutura: a) barreiras; b) refúgio; c) avanço de passeio; d) lombada; e)
melhoria na iluminação pública; f) áreas de pedestres; g) passagem em
desnível;
 Sinalização a) faixas de pedestres; b) semáforo para pedestres; c) sinalização
escolar;
 Operação a) alteração de circulação;
 Fiscalização a) sinalização de obras na via pública; b) fiscalização de trânsito.

1.3.4. O comportamento adequado no transito.

Agora que já falamos dos usuários das vias públicas e que compreendemos que
todos são responsáveis pela segurança, é necessário lembrar de algumas condutas
que podem auxiliar na diminuição de acidentes e mortes em decorrência,
principalmente, da imprudência no trânsito. São atitudes básicas que possibilitam
garantir a integridade física e moral de todos, independentemente de estar ou não
conduzindo algum veículo.
Em primeiríssimo lugar, é necessário dizer que o usuário de vias públicas deve
conhecer a legislação e sinalização de trânsito e obedecê-las. Nos referindo ao
princípio da legalidade para o cidadão, afirmamos que ele pode fazer tudo o que não
for proibido por lei. A NRT estabelece regras de conduta e, portanto, o cidadão deve
agir em conformidade com elas. Por isso, é importante que conheça o seu conteúdo,
pois afirmar que desconhecia a lei não é justificativa para desrespeitá-la.
Além disso, o cidadão, condutor ou não, deverá agir de acordo com as regras de
segurança lá estabelecidas, dado que elas visam à proteção da integridade da pessoa
e à paz no trânsito. Pois o nosso Constituição, nos seus artigos 30º,31º e 59º, alega a
proteção a vida; já o Código Penal angolano nos seus artigos 349º, 354º e 358, fala
24
de homicídio qualificado e negligenciado, este ultimo ligado aos utentes da via pública.
Acrescido a isso temos o ordenamento jurídico 231/79 de 16 de Agosto, que no artigo
12º fala sobre homicídio com culpa grave que é cometido pelo condutor, quer no
estado de embriagues, quer, por excesso de velocidade, manobras perigosas ou rixa.

Outra questão, muito importante, é a que diz respeito à cordialidade na utilização


do espaço público, seja na condição de pedestre, de usuário de transporte coletivo ou
de condutor de veículo automotor. Um dos aspectos que tem sido verificado é a falta
de educação no trânsito.

Cremos que o objetivo principal da educação para o trânsito deva ser visto não
somente como o ensino destinado à condução de veículos automóveis, como
acontece em Angola, mas como o despertar de uma nova consciência na utilização
do espaço de circulação, incluída a viária, quando seja priorizada a tolerância, a
solidariedade, a cooperação e o comprometimento em substituição ao individualismo,
à competição e ao exibicionismo. Ou seja, uma educação que tenha por fundamento
axiológico a valorização do ser humano.

Essa educação, evidentemente, não deve ser responsabilidade apenas da


escola, uma educação formal apenas. Deve ser uma construção voltada à moldagem
do caráter da pessoa e deve ter o comprometimento da família e da escola, pois sem
o envolvimento da família dificilmente conseguiremos mudar esse quadro, posto que
a figura paterna/materna é o modelo para os filhos, os quais assimilam e copiam
hábitos e atitudes. São inúmeros os autores que têm se manifestado pela necessidade
de mudanças, dado que o sistema tradicional de ensino parece não dar conta da
complexidade do mundo atual.

Desde muito pequenas, com a interação com o mundo natural e social no qual
vivem, as crianças aprendem sobre o mundo, fazendo perguntas e procurando
respostas às suas indagações e questões. Como integrantes de grupos sócio-
culturais singulares, vivenciam experiências e interagem em um contexto de
conceitos, valores, ideias, objetos e representações sobre os mais diversos
temas a que têm acesso na vida cotidiana, construindo um conjunto de
conhecimentos sobre o mundo que as cerca (Brasil, 2012g).
25
26
O trânsito angolano pode ser considerado caótico e apresenta alta carga de
agressividade e violação das leis apresentando, como consequência, um grande
número de acidentes e mortes. São vários os fatores que levam ao grande número de
acidentes, como pode ser visto na mídia em geral, desde a precária infraestrutura,
seja pela falta de planejamento e de manutenção de estradas e ruas, seja em
consequência da cultura da população em dispor do espaço público como seu e de
mais ninguém.

O espaço de convivência é usado de diferentes formas, dependendo da classe


social”. Tal constatação seria suficiente para arriscar dizer que o NRT pode não
representar a segurança de um trânsito melhor, com menos acidentes e mortes, e
verificamos que, em muitos casos, fica prevalecendo a lei do mais forte,
especialmente quando se trata de uma análise do tempo e dos recursos judiciais
colocados à disposição do condutor infrator no caso de acidente de trânsito.

O automóvel torna-se instrumento de poder, dominação e divisão social, e o


motorista entende que as leis são para os outros e com suas ações termina
provocando caos nos espaços de circulação. Temos, entretanto, de ponderar que
tanto motoristas quanto pedestres desrespeitam as regras estabelecidas nas NRT,
cada um a sua maneira, nesse espaço de circulação. Claro que devemos
compreender que no confronto entre o motorista e o pedestre, este último tende a
levar a pior, pois substancialmente é mais fraco.

Voltando o olhar à compreensão da antropologia social, poderíamos dizer que a


compreensão do trânsito e das atitudes dos condutores de veículos pode ser
relacionada à dificuldade de lidar com a dicotomia entre o espaço público e o espaço
privado. que DaMatta (1997a) chama de “mundo da rua” em contraposição ao “mundo
da casa”.

O autor considera que em ambos os espaços deveria imperar a igualdade, mas


no segundo normalmente há o exercício da superioridade, o que fica demonstrado
nas condutas das pessoas, principalmente os condutores de veículos .

27
Se a premissa de que há uma tentativa de exercício da superioridade for
aceitável, verificaremos que podemos pressupor que poderemos indagar sobre a
eficácia e efetividade da legislação e do dilema do trânsito: respeitar o outro ou
obedecer a legislação de trânsito. Nos parece que o desrespeito e a desobediência
podem conduzir a graves danos à pessoa e à repressão pelos órgãos estatais
responsáveis pelo trânsito.

O espaço de circulação coloca em confronto a pessoa e o automóvel. Neste


contexto, temos de compreender que a legislação de trânsito estabelece condutas
desejáveis dos condutores, pois eles representam um risco potencial com seus
automóveis. Compreendendo este conflito existente, a legislação de trânsito
evidentemente deve estar em acordo com as normas constitucionais que são um
primeiro escalão na ordem hierárquica legislativa.

Assim, se a Constituição estabelece o princípio fundamental da cidadania e da


dignidade da pessoa humana, no trânsito tais pressupostos devem ser reproduzidos,
de forma que o motorista respeite o pedestre e tenha condutas defensivas com
observância da lei de trânsito.

Dessa forma, a tarefa fundamental para um bom comportamento no trânsito,


portanto, é educar para um trânsito mais civilizado e mais seguro. Como ressalta
Martins (2007, p.106) que para tornar o trânsito mais humano requer motivação na
perspectiva educativa que refletirá na motivação da escola, da família e de todo o
espaço do trânsito, estendendo a interdisciplinaridade a muito além da alfabetização
e do Ensino primário e Secundário, ou seja, na dimensão do ser humano de forma
totalitária, atingindo-o no que ele tem de mais importante: cidadania, ética e respeito,
que são elementos organizadores de uma instituição social.

Portanto, para que se possa educar adequadamente é necessário que esse tipo
de educação tenha início na infância dos indivíduos, pois somente dessa forma, é
possível termos adultos educados, críticos, participativos e cientes de seus direitos e
deveres no espaço público. “É levar em conta os conhecimentos prévios que a criança
já tem, e acrescentar conceitos como cidadania, segurança e ética no seu cotidiano”.
(SILVA et al, 2012, p. 05).
28
1.3.5. A Educação rodoviária como conteúdo essencial na aula de EMC

Assim, a mudança de comportamento tem início com a educação na base,


mostrando aos cidadãos a importância de questões como respeito, responsabilidades,
cultura, valores, padrões culturais e conscientização.

Mas essa ideia não funciona na prática, pois nos currículos interdisciplinares,
não existem plano que falam de educação rodoviária em Angola. Fala-se disso apenas
quando o individuo entrar numa escola de condução com o objectivo de tirar a carta
de condução. Daqui a nosso maior preocupação. O individuo começa a usar a estrada
em toda a sua vida e só terá formação aos 18 anos caso queira habilitar-se, caso
contrario fica nos obscurantismo total.

Dai o nosso alerta as autoridades competentes na produção de material


abundante para sanar as dificuldades dos professores como os cadernos educativos,
programas televisivos de Trânsito Consciente e séries de livros infantis que falam das
norma e dos perigos a se ter no uso das estradas de preferência que sejam integradas
na cadeira d Educação Moral e Cívica.

Concordamos com o que diz Brandão (1993), ao afirmar que educar para o
Trânsito possibilita intervir nessa situação, procurando desenvolver ações geradoras
de melhor qualidade de vida e mais segurança, com atitudes cooperativas no trânsito.
Um ambiente educacional deve propiciar a confrontação de pontos de vista
divergentes, de concepções diferentes a respeito de uma mesma situação ou tarefa.

A educação no trânsito é um tema transversal, que atinge o currículo escolar em


várias disciplinas. Perde-se a eficiência na transmissão de conhecimentos sobre o
trânsito quando apenas as regras são discutidas e não se parte para um debate mais
amplo sobre a cidadania e a ética que precisam ser o eixo da educação no trânsito.
Educação para o trânsito é compartilhamento de espaço e não divisão. (SILVA et al,
2012, p. 05).

29
A educação, portanto, deve criar condições para que o aluno construa seu
conhecimento, crie, questione e exerça suas potencialidades e sua competência
natural para a convivência colaborativa, levando em conta cultura, sentimentos e
valores. A palavra educar se origina do latim “educare”, que significa instruir, transmitir
conhecimentos, aculturar. (BRANDÃO, 1993).

Segundo Silva et al (2012), educar para o trânsito é, antes de qualquer coisa, a


transformação de posturas adquiridas ao longo dos anos, mas para isso é preciso
entender o trânsito por completo. A situação atual do trânsito é um problema de
educação, tanto do motorista quanto do pedestre. É necessário disseminar as regras
de trânsito nas escolas, uma vez que os alunos todos são pedestres e em sua maioria,
irão conduzir automóveis no futuro. Na infância, torna-se mais fácil a aceitação de
ensinamentos e condutas.

A interdisciplinaridade pode ser compreendida como a prática pedagógica


utilizada para articular os conhecimentos buscando uma integração mais consistente
do ser humano. Dessa forma, priorizar um currículo capaz de incluir a educação para
o trânsito é de fundamental importância para se repensarem os problemas
ocasionados pelo sistema rodoviário do nosso país, no sentido de formar cidadãos
mais preparados com relação ao trânsito.

Interdisciplinaridade é definida por Brandão (1993) como sendo, um ato de troca,


de reciprocidade entre as disciplinas ou ciências ou de áreas do conhecimento. Pode-
se considerar um tanto subjetivo tal conceituação, a partir do momento em que não
são definidas as medidas ou proporções em que ocorrem tais trocas. Na infância,
torna-se mais fácil a aceitação de ensinamentos e condutas. (ADURA, 2002). Dessa
forma, a “educação das crianças para o trânsito envolve também sua consciência dos
deveres e direitos do pedestre, com bons exemplos dos pais, o futuro, terá um trânsito
melhor com bons motoristas e perfeitos pedestres”. (SILVA et al, 2012, p. 05).

Assim, direcionando a matriz da responsabilidade para o motoristas e pedestres,


a imprensa nas suas múltiplas formas assim como o próprio Estado, acabam por
eximir este das suas obrigações como mantenedor principal da segurança pública e
do bem estar social. Com isso, apresentavam-se propostas meramente paliativas,

30
como a massificação de conteúdos veiculados pelos meios de comunicação em
massa, que priorizavam informações relativas às alterações ocorridas na lei,
sinalização, fluxos de veículos, etc 3.

A educação tem por finalidade o aprofundamento e a tomada de consciência da


realidade, fazendo questionar a “naturalidade” dos fatos sociais, entre eles o trânsito,
e fazendo perceber que a realidade não é imutável. (BOZZA, 2012).

Segundo Hoffmann (apud SILVA et al, 2012) não se trata somente de oferecer
conteúdos de instrução, receitas ou recomendações práticas (números de acidentes,
mortos e feridos, normas de circulação), mas de criar e exercitar com os alunos, certos
hábitos e atitudes que favoreçam a convivência correta e aceitação das normas
sociais. Portanto, o objetivo fundamental da Educação para o Trânsito na educação
formal deverá ser a formação da criança ou do adolescente para ser cidadão
responsável pela própria sobrevivência, respeitar aos demais e as normas sociais em
diversos papéis de pedestre, condutor e passageiro.

A educação para o trânsito deve, portanto, promover o desenvolvimento do aluno


de forma sistemática, fornecendo-lhe conteúdos desde a pré-escola até o ensino
superior, por meio de discussões, campanhas e, principalmente, sensibilização para
os temas fundamentais do transito como uma atividade humana, a exercer sua
cidadania, consciente de seus direitos, deveres e responsabilidades (BOZZA, 2012).
O mesmo autor ainda ressalta que o ato humano de educar existe, tanto no trabalho
pedagógico quanto no ato político, por outro tipo de sociedade, para outro tipo de
mundo e para outro tipo de conduta com relação ao trânsito.

É evidente que a complexidade dos problemas decorrentes da violência do


trânsito angolano não se resume apenas à edição de leis, porém deve fazer parte de
uma estrutura maior que priorize a educação para o trânsito, um processo de

3
Faz-se menção do último encontro a nível Ministerial, cerimónia testemunhada pelo Vice-Presidente
da República, Bornito de Sousa, onde se introduz o novo regulamento sobre a sinalização do trânsito,
numa versão adequada e harmonizada às normas rodoviárias da Comunidade de Desenvolvimento da
África Austral (SADC). A cerimónia também foi aproveitada para o lançamento da Campanha Nacional
de Consciencialização e Educação Rodoviária. Com o novo regulamento, são incorporados no sistema
nacional de Viação e Trânsito 90 símbolos e sinais de trânsito harmonizados com as normas da SADC
http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/sinalizacao_rodoviaria_harmonizada_com_a_sadc- consultado
no dia 09.11.2017
31
socialização e de civilização da sociedade. Não podem ser concentrados esforços
somente em um sistema repressivo e sancionatório, mas na conscientização e
formação dos indivíduos que compõem o trânsito. (Op Cit).

Desse modo, a melhor metodologia para se combater os níveis de violência no


trânsito, além de contemplar os dispositivos legais instituídos, é adotar
subsidiariamente a educação para o trânsito no ensino primário e secundario,
ensejando um processo precoce de conscientização dos alunos, para a composição
de um trânsito mais humanizado (ARAUJO, 1977).

De acordo com Bozza (2012), uma metodologia que leve em conta o público
alvo, sua faixa etária, nível de instrução, necessidades, desejos, perfil
socioeconómico, etc., é fundamental. É quase como uma condição para que seja
possível educar para o trânsito. O mesmo pode-se dizer quanto aos materiais
didáticos.

Ferramentas adequadas, inteligentes, amigáveis e atraentes podem ser a


garantia de que tanto os aplicadores, professores e instrutores, quanto os alunos vão
aceitar, se encantar e desejar aprender sobre o assunto.

Nesses tempos de maior controle de gastos na esfera pública, de maior


exposição dos administradores, os resultados concretos comprovados
proporcionados por uma Educação de Trânsito bem feita rende excelentes dividendos
sociais e políticos.

Diante de uma realidade contraria da que expomos há a urgente necessidade


como afirma Martins (2007), de humanizar a realidade do trânsito, corrigindo os erros
com campanhas educativas bem conduzidas e direcionadas pelos diversos meios de
comunicação, valendo-se de estratégias diversificadas. Mas, o que se percebe é que
as iniciativas na área de educação para o trânsito ainda são limitadas, pontuais. As
campanhas vinculadas à área são veiculadas timidamente, com pouco impacto
atingindo uma pequena parcela da população. Dai o convite que fazemos aos meios
de comunicação social, para que divulguem eduquem e publicitem constantemente
conteúdos ligados ao trânsito.

32
A educação para o trânsito apresenta poucos resultados se for realizada
somente durante a Semana Nacional sobre Educação Rodoviária ou ainda em
decorrência de algum acidente nas proximidades da escola. Discutir, analisar o
transitar é algo complexo, que precisa ser ampliado para além do aspecto técnico e
legal. O trânsito é um tema rico, com inúmeras possibilidades a serem exploradas, e
pode contribuir para uma melhor compreensão do nosso cotidiano, nossos hábitos e
atitudes, assim como estimular discussões de ordem sócio-política (CONSELHO
FEDERAL DE PSICOLOGIA, 2010).

A educação de trânsito não deve se restringir só em nível escolar, mas sim


envolver os demais elementos que estão em constante interação no sistema de
trânsito. Até hoje nenhum trabalho sistemático foi feito no sentido de adequar a atitude
do pedestre e do motorista à realidade de trânsito (Op Cit). Desde que o problema de
trânsito nos grandes centros urbanos, tenha se tornado bastante grave, devido ao
volume intenso no tráfego e as condições não favoráveis das malhas viárias, urge que
cada um se comprometa com seu papel dentro do sistema. Enquanto não houver inter-
relação de todos os níveis no processo educacional, os problemas continuarão, pois
um projeto de educação de trânsito dirigido para o adolescente e a criança (Projeto
Escola), está voltado para a formação de futuros agentes, preenchendo, portanto, uma
parte do processo (DEWEY, 1978).

De acordo com Rodrigues (2007), não existe um tempo determinado para as


pessoas educarem-se. E disso decorre que a educação acompanha o processo do
viver. É preciso conceber a educação ao longo da vida como uma construção contínua
da pessoa humana, dos seus saberes, aptidões e da sua capacidade de discernir e
agir. Portanto, educação engloba o ensinar e o aprender constitui-se num processo
de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do ser humano visando
a sua melhor integração individual e social. Ou seja, consiste em transmitir normas de
comportamento técnico-científico (instrução) e moral (formação do caráter que podem
ser compartilhadas por todos os membros da sociedade).

Neste sentido, Brandão (1993) afirma que ninguém escapa da educação. Em


casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de muitos todos nós envolvemos

33
pedaços da vida com ela [...]. Nenhuma ação educativa destinada às escolas deve ter
como objetivo formar futuros motoristas. Isto porque não existe lei alguma
determinando que todas as pessoas devem ser motoristas. Além disso, muitas
pessoas não têm condições financeiras para comprar um automóvel e não podem ser
ensinadas desde crianças a valorizar um bem material, quando há tantos outros
valores a serem ensinados. E o mais importante: a escola não é um Centro de
Formação de Condutores e, portanto, o professor não tem obrigação de ensinar
conteúdos de condução defensiva, legislação etc.

A função da escola é analisar, refletir e debater sobre o respeito às leis de


trânsito e ao espaço público; sobre a convivência entre as pessoas pelas ruas da
cidade, baseada na cooperação sobre tolerância, igualdade de direitos,
responsabilidade, solidariedade e tantos outros valores imprescindíveis para um
trânsito mais humano (ECCO; BANASZESKI, 2009).

1.3.6. A função do Docente na Formação de Habilidades Frente a Aula de


Educação Rodoviária
O papel do professor frente à aprendizagem no ensino é tornar possível a
mediação entre professor e aluno. Uma das questões que cria polarização é a forma
de contextualização aplicada às metodologias de ensino, assim como a aplicação dos
conhecimentos teóricos vinculados à prática a fim de tornar o aprendizado mais
significativo.

O professor tem uma função intelectual na sociedade, no sentido de tentar


mudar as ordens de representação, as formas e regulamentações morais e as versões
do passado, a partir de um papel social transformativo. Certamente essa conduta
docente requer uma práxis reflexiva, cuja base é a consciência da necessidade
inseparável de emancipar, de consciencializar, de permitir ao acadêmico um
crescimento voltado para a autonomia, para a formação do senso-crítico. Tais
habilidades técnico-operativas constituem a raiz base do ensino. O fortalecimento da
emancipação do sujeito e da ética como forma de crescimento pessoal.
O professor deve sempre ter em mente que sua profissão como educador e
formador nesta fase da vida que exigem competências diferenciadas, porque a
condução dos meios dialógicos de formação deve estar profundamente pautada na

34
proposta de inserção de uma pedagogia ativa voltada para as relações sociais e no
todo das relações específicas dos saberes que trabalha. Esse processo educativo
deve ser capaz de estabelecer um processo construtivo mútuo e operacional na
mediação entre professor e acadêmico.

As bases de seu trabalho pedagógicas estão voltadas para os fundamentos de


uma pedagogia crítica com o intuito de formar indivíduos capazes de usufruir seu
conhecimento de forma autônoma e crítica. O professor também deve ser capaz de
questionar criticamente o modelo de sociedade vigente, a partir de um conceito de
educação pautada na realidade social do país.

As formas de contextualização aplicadas às metodologias de ensino fazem a


diferença em relação à forma de vivenciar o conhecimento na formação do acadêmico,
o uso de neutralidade nas questões que envolvem análises que requerem uma
avaliação crítica orientada numa perspetiva ético-política.

O docente necessita assumir compromissos com a atualização constante, para


que não continue a transmitir conteúdos ultrapassados. A forma de contextualização
aplicada é um importante instrumento de formação do indivíduo porque ajuda a
estabelecer uma relação dialógica entre a realidade vivida e a realidade desejada,
favorecendo as formas de organização mental que se traduz em algumas
determinadas possibilidades de raciocínio e uso de senso crítico.

A capacitação para instrumentalizar as técnicas e transmitir experiências


profissionais no cotidiano da sala de aula é outro fato fundamental, porque a instituição
deve dispor de mecanismos de infra-estrutura adequados para dar condições ao
futuro condutor de vivenciar experiências concretas no trânsito. O papel do docente é
favorecer essa mediação prática em aulas práticas que envolvem carros mais novos
e melhores equipados, etc.

O docente necessita estar preparado para dispor de atitudes pedagógicas e


habilidades tecnológicas para intervir com base em conhecimentos atualizados que
possam favorecer ao futuro condutor uma relação mais concreta com o curso e os
conteúdos aplicados, para que sejam dimensionados para a realidade do mercado.

35
De modo geral, a grande parte dos professores está habituado à prática da
transversalidade de temas sociais em sala de aula. É o caso de actividades
desenvolvidas em relação ao lixo, uso de drogas, violência doméstica e outros. Mas
encontram seria dificuldades ao entender o tema do trânsito no âmbito da
transversalidade, ou seja, trata-se de visualizar o trânsito fora do ambiente tradicional
que nos remete ao conceito de (homem-veiculo-via) transitar, verbo que em latim
significa locomover-se, ou de locomoção, criar um convívio social com os outros,
utilizando a linguagem.

Os professores manifestam-se a favor do tema do trânsito na escola e


reconhecem a sua importância e necessidade mas a burocracias no tocante a feitura
de materiais, capacitação e o encaminhamento deste tema nas grades curriculares,
sem apoio local e central os aflige. E o mais negativo nisso é que a escola enquanto
instituição, nada faz para que o professor tenha um contacto direito com o sistema de
trânsito, não propícia a descoberta, a discussão e o desenvolvimento de habilidades
dos alunos.

Em fim os professores demonstram receio e falta de interesse nos tema ou


temáticas ligadas ao trânsito, ou seja, são apenas meros passadores de informações
técnicas e decorativas sobre as leis e os sinais. (Souza,2010 Pg. 73).

36
CAPITULO II A Inserção das Normas Reguladoras de Transito no Plano
Curricular da Disciplina de Educação Moral e Cívica na 7ªClasse na Escola 4 de
Abril em Saurimo.

2. Caracterização da Escola

A escola 04 de Abril, está localizada na Província da Lunda-Sul, Município de


Saurimo, Cidade de Saurimo numa zona suburbana, localizada no Bairro Txizainga II,
nas imediações do Rotunda do Txizainga e o Aeroporto Deolinda Rodrigues, defronte
ao triângulo que dá acesso ao termino da rua de Malange, como se vê nos Anexo II e
III. Foi criada ao abrigo do artigo 71 do decreto-lei nº 13/01 de 31 de Dezembro que
aprova as bases do sistema de educação, da lei nº 05/02 de 01 de Fevereiro que
define as condições e procedimentos de elaboração e gestão dos quadros de pessoal
da Administração Pública, nos termos do artigo 137 da Constituição da República
Angola; onde também está aprovado o quadro do pessoal para a escola do Iº ciclo do
ensino secundário já referenciado.

A escola foi inaugurada no dia 01 de Novembro de 2011, pelo então Ministro


da Educação o Drº Mpinda Simão. Contém doze (12) salas das quais 05 são anexas
totalizando 51 turmas. Possui ainda três (03) gabinetes e uma Secretaria. Quatro (04)
WC; e o recinto escolar é baldio.

O processo de ensino e aprendizagem na Escola do Iº Ciclo de Ensino


Secundário de 04 de Abril é feita de forma significativa e relevante para a vida do
aluno articulando com os seus conhecimentos anteriores. No processo de letramento
usa-se uma constante interacção com os mais constantes agentes de leitura e escrita,
visando estabelecimento de novas dinâmicas no que tange ao aprendizado.

A referida instituição funciona em três períodos, que são: Matinal, vespertino e


nocturno; o número de turmas vária com base a estatística dos alunos matriculados
para o presente ano lectivo conta com 5.506 alunos dos quais 2.839 são do sexo
feminino com idades compreendidas entre dos 14 à 20 anos. No prese ano lectivo,
conta com 51 turmas, 98 professores dos quais 29 do género feminino. E hoje tem
como Directora a Srª Luisa Beatriz Muxiqueno. Na base da sua estrutura de pessoal
a Escola apresenta o seguinte organigrama:

37
Organigrama da Escola do Iº Ciclo 4 de Abril em Saurimo

DIRECTORA GERAL

DIRECTOR DIRECTOR
PEDAGOGICO SECRETARIA ADMINISTRATIVO

Coordenadores de FUNCIONARIO
PROFESSORES SENHORES
turno, Disciplina

ALUNOS

A escola possui (98) noventa e oito funcionários, entre gestores e agentes


administrativos. Cabe ao Director aplicar, fazer cumprir rigorosamente na escola as
directrizes do Ministério de Educação, representar e delegar a representação da
escola em todos actos oficiais.

O período da manha funciona no intervalo das 7H15 às 12H30. O vespertino sai das
13H00 às 17H30 e os do período nocturno vai da 18H00 às 22 horas. A disciplina de
Educação Moral e Cívica, tem apenas um tempo por semana, ou seja uma aula por
semana e 4 por mês. Nesse entretanto encontramos 11 turmas da 7ªclasse e 2
professores que lecionam a disciplina.

2.1.Diagnóstico do estado actual da educação Rodoviária na 7ªclasse da


escola 4 de Abril em Saurimo

38
2.2. Diagnóstico do inquérito feito a responsáveis da escola.
Ao perguntar se a escola tem mobilizado os alunos quanto ao uso da via
pública?

Responderam que têm feito apelos. Colocando aos alunos a mesma questão,
45% responderam que sim a escola tem mobilizado; 50% responderam que não e 5%
mostraram-se indiferentes, mas supõe-se que esses têm problemas em chegar cedo
à escola. (Ver tabela I).

Questionado ainda se já houve palestra da parte da Administração Municipal


ou da Policia de trânsito, sobre educação para o trânsito?
Todos foram unanimes a responder que não.

Questionados também se já houve algum aluno vítima de atropelamento em frente a


escola?

Todos foram unanimes a dizer que sim, houve um atropelamento que vitimou
um aluno em 2013. Assim 75% dos alunos que apresentam lesões, ou sofrem
acidentes, fazem-no fora do perímetro escolar; 25% fazem com seus próprios meios.
(Ver Tabela II).

O que a escola já fez para formar os professores em educação para o trânsito?


Com unanimidades disseram que a escola nunca fez nada.

Questionados ainda se os pais nunca abordaram tal questão nas reuniões?

Houve também unanimidade em dizer que não. Apenas uns adolescentes


(35%) responderam que tem sido alvo de alguma chamada de atenção por parte dos
pais, outros 20% disseram que os pais têm o cuidado de traze-los até à porta da
escola, os restantes 55% nada opinaram.

39
Questionadas ainda se a escola já solicitou a colocação de lombadas ou
passadeiras para proteger os estudantes? A direção da escola, os responsáveis de
educação foram unanimes em dizer que não.

2.3. Diagnostico realizados aos docentes.

O papel do educador está em orientar e mediar as situações de aprendizagem


para que ocorra a comunidade de alunos e idéias, o compartilhamento e a
aprendizagem colaborativa para que aconteça a apropriação que vai do social ao
individual, como preconiza o ideário vygotskyano. O professor, pesquisando junto com
os educandos, problematiza e desafia-os, pelo uso da tecnologia, à qual os jovens
modernos estão mais habituados, surgindo mais facilmente a interatividade.

Questionados aos professores se tem levados os alunos a usarem


correctamente as normas de transito? 30% dizem que chamaram atenção no decorrer
das aulas ou em outros contacto direito. 35% dizem que é tarefe dos encarregados de
educação; os outros 35% mostram-se indiferente. (Anexo III).

Inquerido se existe na grade curricular da 7ª 8ª 9ª Classe matérias ligadas a


educação para o trânsito? Foram unanimes em dizer que não. Questionados o porque
da não introdução, uma vez que a escola esta ladeada de estradas, e uma dela é a
que mais índice de acidente? Simplesmente mostraram-se indiferentes, alegando
nunca serem solicitados e ainda que não era da competência deles tal assunto; outros
também disseram que só tem uma aula por semana o que impossibilita falar de todos
os temas.

Debruçados ainda, se conhece alguma normas reguladora de transito?

30% Responderam que sim, por ter passado por uma escola de condução e ter-se
habilitado a conduzir; 35% disseram que não e que anda empiricamente, com
conhecimento acumulados ao longo dos anos; 35% nada disse. (Anexo IV).

40
Inquerido ainda se já vivenciou algum acidente/se já teve um aluno que sofreu
acidente? Foram unanime em dizer que sim, houve um atropelamento mortal de uma
estudante no ano 2013 em frente a escola, que deixou todos consternados.

Já solicitou ao corpo directivo alguma ajuda sobre como superar essa situação?
Foram unanimes a dizer que nunca; que a Direção da escola pouca coisa faz e ainda
disseram que raramente são aceite não aceita ideias que não seja dos líderes.
Outrossim a escola tem sofrido vários assaltos e as autoridades competentes foram
informadas e nada fazem para sanar, o que lava a total desmotivação.

Foram ainda questionados se nunca lhe passou pela cabeça falar da educação
rodoviária, mesmo vendo alunos a morrer e outros a serem mutilados?
Ao que afirmaram que existe total desmotivação, pois as entidades competentes, não
se importam com o que acontece na escola, uma vez que tudo lhes é informado.

Diante do exposto devemos lembrar que uma das competências do professor


é a de preparar os alunos capacitando-os para enfrentar as exigências de mercado.
Ou seja competências que se esperam de um professor na sala de aula são ser capaz
de ensinar aos alunos e despertar neles o desejo de aprender. Ser capaz de melhorar
o conhecimento nos alunos, porque a exigência do século XXI é maior do que nos
séculos passado. Para isso nos exige incorporar os elementos pedagógicos,
didácticos, informática, de leitura, aquilo que faz com que o professor seja capaz de
fazer a gestão da sala de aula para que todos os alunos alcancem as competências.

Na opinião de Nóvoa (2000), citado por Hagemeyer e Cely (2004) existem duas
competências essenciais da função docente para o século XXI que são as seguintes:

A primeira é uma competência de organização. Isto é o professor não é, hoje


em dia, um mero transmissor de conhecimento, mas também não é apenas uma
pessoa que trabalha no interior de uma sala de aula. O professor é um organizador
de aprendizagens. Deve saber tirar proveito dos novos meios de informação e as
realidades virtuais para criar situações de aprendizagens. Organizador do ponto de
vista da organização da escola, da organização da turma ou da sala de aula. Há aqui
portanto, uma dimensão da organização das aprendizagens não apenas dos simples

41
trabalho pedagógico, é mais do que o simples trabalho do ensino, é qualquer coisa
que vai além destas dimensões, e estas competências de organização são essenciais
para um professor.

A segunda competência relaciona-se com a compreensão do conhecimento.


Não basta o conhecimento para o saber transmitir a alguém, é preciso compreender
o conhecimento, ser capaz de o reorganizar, ser capaz de o reelaborar e de transpô-
lo em situação didática em sala de aula. Esta compreensão do conhecimento é,
absolutamente, essencial nas competências práticas dos professores. Tenderíamos,
portanto, a acentuar esses dois planos: o plano do professor como um organizador do
trabalho escolar, nas suas diversas dimensões e o professor como alguém que
compreende, que detém e compreende um determinado conhecimento e é capaz de
o reelaborar no sentido da sua transposição didática, como agora se diz, no sentido
da sua capacidade de ensinar a um grupo de alunos.

Pois os objectivos da educacionais mostram-se diversificados ao longo da


historia, uma vez que se refletem nas situações económicas, sociais e politicas de
cada época, bem como a necessidade humana de cada tempo.

Os fins da educação não pode se resumir apenas numa preparação mecânica


e conformista, através de um processo de aprendizagem passiva, mas esse processo
deve ser dinâmico, activo, progressivo, isto é, estar em constante ascensão, com a
própria vida.

Assim educação é a vida, e viver é desenvolver-se, é crescer. A vida e


crescimento não estão subordinados a nenhuma outra finalidade, o processo
educativo, não tem nenhum fim, alem de si mesmo, é o processo de contínua
reorganização, reconstrução e transformação de vida. O hábito de aprender
direitamante da própria vida, e fazer que as condições de vida sejam tais que todos
apreendem no processo de viver, é o produto mais rico que pode a escola alcançar.
Graças a este hábito, a educação, como reconstrução contínua de experiência, fica
assegurado como atributo permanente da vida humana. (Anésio Teixeira citado por
José Leles Pg.26).

42
N Nº DIFICULDADES
DIFICULDADES OBJECTIVO
OBJECTIVO ACÇÕES
ACÇÕES
º
1-A escola foi construída numa área, com -Aulas teóricas –na sala de aulas;
muito fluxo de viaturas e numa estrada com Instruir,
maior índice de acidente
6.Dificuldades e atropelamento
em realizar actividades Consciencializar, -Aulas pratica- fora da sala de aula, na rua ao
Educar as crianças desde tenra idade o
(vide anexo) humanizar, redor da escola;
com pais e encarregados de educação Desincentivar, cuidado a se ter com a via pública;
Criar, Jogo de trânsito- como o não te irrite e outro
Moralizar,
falte de
2-A sobre palestras,
educação
a aulas, seminários
ao trânsito e a cuja finalidade é despertar a observância pelos
Incentivar, Ensinar como se atravessa a estrada;
sobre educação para o trânsito na referida a cultura de transito no sinais;
posição do pedestre. Inculcar
escola. dia-a-dia dos alunos
a cultura de Mobilizar ou educar os filhos a terem
-Vídeo de reflexão que podem ser
transito no dia-a-dia comportamentos de solidariedade,
3-Falta de sinalização vertical e horizonta apresentados, numa tela todos os dias na hora
do cidadão interajuda e de compreensão com outros
nas estradas circundantes. do intervalo
transeuntes da via pública.
Fazer com que ao longo do mês ou da semana
todos os professores na perspetiva da
4.Dificuldades na realização
7.Dificuldades em realizarde semanas
actividades Desincentivar,
ou mês dedicados a causa sociais. Moralizar, No
interdisciplinaridade ou mês
fim de cada semanafalem nasdedicados a
suas disciplina
de impacto comunitário Incentivar, uma causa,
sobre quer seja,
educação aodedicado
transito.aoEx:
HIV, Que
ao o
5.dificuldades
8. Dificuldades
no noposicionamento do
conhecimentos das Inculcar
pessoal quer na estrada, quer na professor
a cultura de transito nocancro de mamã, educação
de Língua rodoviária,
Portuguesa coloque
fazer nas
passadeira
regras oureguladoras
passeio. de transito, pois dia-a-dia do cidadão uma campanha que envolva alunos e
sua aulas um texto sobre as regras de trânsito
em Angola só conhece as regras de
professores com
ou acidente; finalidade
o ade de despertar
matemática usa as afigura
transito, quem se habilita a condução.
sociedade e marcar
geométricas a vida
para falar dos
dos integrantes.
sinais de trânsito; o
Uma vez que não existe tal temamtica
de física deve falar da velocidade e o de
em nenhum subsistema de ensino.
biologia das sequelas e lesões que podem
causar o acidente na vida de cada um de nós.
cadeira de Educação Moral e Cívica na 7ª Classe na Escola 4 de Abril Saurimo.
2.4. Proposta metodologia para inserção das normas reguladoras de trânsito na

43

44
2.5. Conclusão.

 1. O estudo teórico das fontes bibliográficas dos diversos autores consultados


possibilitou-nos obter informação de carácter científico sobre a possibilidade da
inserção das normas reguladoras de transito no plano curricular da disciplina
de Educação Moral e Cívicas na 7ª classe da Escola 4 Abril em Saurimo.

 2. Mediante o diagnostico realizado sobre o estado actual da se determinaram


as insuficiências existentes na educação rodoviária e para o transito na escola
4 de Abril em Saurimo.

 3. Como solução ao problema científica identificada e dando cumprimento ao


objectivo desta monografia, elaborou-se a proposta do plano de acções
pedagógicas de gestão escolar e sua implementação, o vão contribuir para
melhorar inserção da educação rodoviária no plano curricular da Disciplina de
Educação Moral e Cívica.

45
Sugestões.

 Sugerimos que as entidades educacionais competentes, insiram e alarguem a


educação rodoviária no plano curricular da disciplina de Educação Moral e
Cívica de modos que esta seja compreendida como recurso facilitador quer
para diminuição de acidentes, quer para formar futuros motoristas;
 Que o professor compreenda que com a inserção da educação Rodoviária no
plano curricular da disciplina de EMC diminuirá o número de atropelamento,
mortes, grau de abstinência, fuga às aulas, pois a escola será um ambiente
acolhedor;
 Que com as brincadeiras como, não-te-irrites, matutino interdisciplinares,
acções de mobilização à porta da escola e para a comunidade, aumentara o
grau de consciência e de entrega dos estudantes a causas mais humanas.

46
2.6.Bibliografia

AA.VV. (2013). Regulamento Academico da Universidade Lueji Ankonde. Dundo:


Ulan.

Alverez, M. N. (2002). Valores e Temas Transversais no Curriculo. S.P: Arlmd.

Araujo, J. (1977). Educação de Transito na Escola.1ed. Florianapolis: D.N.E.R.

Bozza, A. (2012). Educação para o transito nas escola ainda caminha a pé. São Paulo:
Portal do Transito.

Brandão, C. R. (1993). O que é a Educação. São PAulo: Brasiliense.

Busquets, M. D. (2009). Temas Transversais em Educação: Base para uma Formação


Integral. São Paulo: Ática.

Dewey, J. (1978). Vida e Educação. 10 ed. S.P.: Melhoramento.

Ecco, I., & Banaszeski, A. A. (2009). Educação para o transito: um olhar para o
contexto escolar. Rio Grande do Sul: web.

Ferreira, A. B. (2008). Mini Dicionario de Lingua Portuguesa 7ª Ed. Curitiba: Positivo.

Martins, J. P. (2007). A educação de Transito: Campanha Eduvativas nas Escolas.


Belo Horizonte: Autentica.

Montivani, R. (2003). Vida em Transito. São Paulo: Lemos.

Moreno, M. (2001). Temas transversais. Um ensino voltado para o furuto. São Paulo:
Ática.

Psicologia, C. F. (2010). Experiencias na construção de Processos EEducativos na


Escola. 1. ed. Brasilia: CFP.

Rodrigues, J. P. (2007). O currículo interdisciplinar e a educação para o trânsito.


Revista Eletrônica de Divulgação Científica. . São Paulo: Guaraju.

Silva, A. A. (2012). Educação para o transito. Belo Horizonte: Centro Universitario de


B. Horizonte.

47
Souza, J. L. (2010). Sobre a Forma e o Conteudo de Educação para o transito no
Ensino fundamental. São Paulo: Universidade São Paulo.

Vasconcellos, & A., E. (1198). O que é o Transito, 3ºEd. Revisada e Amplada. São
Paulo: Brasiliense.

Anexo I. Questões colocados aos responsáveis e Professores.


48
1. Questões colocadas ao Director da escola.

A. A escola tem mobilizado os alunos quanto ao uso da via pública?


B. Tem havido palestras sobre educação para o trânsito?
C. Tem havido chamada de atenção no cuidado com a travessia?
D. Já houve alunos vítima de acidente de viação?
E. Já algum aluno foi vítima de atropelamento em frente a escola?
F. O que a escola já fez para formar os prof. Em educação ao trânsito?
G. Na reunião com os pais nunca abordaram tal situação?
H. A escola não solicita a colocação de lombadas ou passadeira?

2. Questões colocadas aos docentes

A Tem havido aulas ou chamada de atenção aos alunos quanto ao uso da estrada
e das normas de trânsito?
B Não há no programa da 7º8º9classes matérias ligadas a educação para o
trânsito?
C Conhece algumas normas reguladoras de trânsito?
D Já vivenciou algum acidente/ já teve um aluno que sofreu acidente?

E Já solicitou ao corpo diretivo ajuda sobre o assunto?

F Nunca lhe passou pela cabeça falar de tal tema mesmo vendo, alunos a
morrerem e outros a mutilarem-se?

49
ANEXO II

A. A ESCOLA TEM MOBILIZADO OS ALUNOS QUANTO


AO USO DA VIA PÚBLICA?
Mostraram-se
Indiferentes
5% Disseram que sim
45%
Disseram que Não
50%

Disseram que sim Disseram que Não Mostraram-se Indiferentes

ANEXO III

B. JÁ ALGUM ALUNO FOI VÍTIMA DE


ATROPELAMENTO EM FRENTE À ESCOLA?

SIM
Com meios
30%
próprios
35%

Fora da Escola
35%

50
ANEXO iV

OS PROFESSORES SE TEM LEVADOS OS ALUNOS A


USAREM CORRECTAMENTE AS NORMAS DE
TRANSITO?

Mostram-se Sim
Indiferentes 30%
35%

É responsabilidade
dos pais
35%

ANEXO V

DEBRUÇADOS SE CONHECE ALGUMA NORMAS


REGULADORA DE TRANSITO?

Sim por ter cartas


Mostrou-se de condução
Indiferente 30%
35%

Não usa a estrada


com
conhecimento
impirico
35%

51
Anexo VI- Imagem da Escola e as Estradas que a circundam.

Anexo VII- Imagem Frontal de Escola.

52
Anexo VIII- Imagem de demonstra má posicionamento do Transeuntes.
Anexo IX- Má posição do pedestre

Anexo X- Má posição do alunos


53
Anexo XI- Má Posição dos alunos

54
55
56
1.Dados Gerais Alunos matriculados 1.4. Questões colocadas ao Director da escola.
1.1 Classes MF F I. A escola tem mobilizado os alunos quanto ao uso da via pública?
A 7º 2.047 995 J. Tem havido palestras sobre educação para o trânsito?
B 8º 1.697 902 K. Tem havido chamada de atenção no cuidado com a travessia?
C 9º 1.762 942 L. Já houve alunos vítima de acidente de viação?

57
TOTAL 5.506 2.839 M. Já algum aluno foi vítima de atropelamento em frente a escola?
1.2.CORPO DOCENTE N. O que a escola já fez para formar os prof. Em educação ao
trânsito?
A PROFESORES 69 O. Na reunião com os pais nunca abordaram tal situação?
B PROFASSORAS 29 P. A escola não solicita a colocação de lombadas ou passadeira?
TOTAL 98
1.3.CONSTITUIÇÃO DA ESCOLA 1.5. Questões colocadas aos docentes
A Escola 01 A Tem havido aulas ou chamada de atenção aos alunos quanto ao uso da
estrada e das normas de trânsito?
B Nº de Salas 12 B Não há no programa da 7º8º9classes matérias ligadas a educação para o
trânsito?
C Salas anexas 5 C Conhece algumas normas reguladoras de trânsito?
D Turmas 51 D Já vivenciou algum acidente/ já teve um aluno que sofreu acidente?

E Já solicitou ao corpo diretivo ajuda sobre o assunto?

F Nunca lhe passou pela cabeça falar de tal tema mesmo vendo, alunos a
morrerem e outros a mutilarem-se?.

58