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UNIPÊ- CENTRO UNIVERSITÁRIO DE JOÃO PESSOA FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS E JURÍDICAS DIREITO DO TRABALHO I – 4° PERÍODO PROFESSOR: PAULO ANTONIO

MAIA E SILVA 1° ESTÁGIO FORMAÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO DO TRABALHO-REVOLUÇÃO INDUSTRIAL Etimologicamente, a palavra trabalho advém do latim tripalium, que designava um instrumento de tortura ou uma canga que era colocada sobre os animais de carga, e, a despeito do que hoje se concebe, nem sempre foi considerado como uma atividade digna do ser humano. A primeira forma humana de trabalho na história das civilizações foi a escravidão, na qual o escravo era considerado res, ou coisa, sem possuir personalidade nem sendo considerado como uma pessoa, condição privativa dos homens livres, principalmente em Roma. Sérgio Pinto1 nos conta que na Grécia antiga o trabalho braçal era tomado como uma atividade desonrosa pelos filósofos Platão e Aristóteles, visto que o conceito de dignidade do ser humano era aquilatado pelo exercício das discussões filosóficas e políticas das cidades. Posteriormente à escravidão, se encontra, como outra forma histórica do trabalho, a servidão, cuja relação era marcada por uma escravidão mitigada, eis que o senhor feudal, em troca da proteção política e física dos servos, cobrava-lhe a prestação de serviços na qual estes deveriam lhe entregar uma parcela substancial da produção rural. Em seguida à servidão, se pontualiza o surgimento das corporações de ofício, instituições cuja estrutura, que possuía uma organização hierárquica dividida em mestre, companheiro e aprendiz, era voltada para o desenvolvimento de regulamentação das técnicas de produção e da capacidade produtiva, por meio da exploração específica de determinado produto. No período das corporações de ofício se nota uma maior liberdade dos trabalhadores, todavia, ainda se mantinha grande distância de uma regulamentação protetiva do trabalho, havendo o interesse de proteção muito mais das corporações e de seus objetivos. O Direito do Trabalho, como ciência jurídica, apareceu como conseqüência da questão social seguida da revolução industrial do século XVIII, que transformou os antigos métodos de produção artesanal para as novas técnicas de especialização em linhas de produção e mecanização, gerando a transmutação do trabalho em emprego, e fez eclodir o liberalismo econômico, no qual caberia a força do mercado ditar o que seria devido ao empresário e ao trabalhador, e que se degenerou em um capitalismo selvagem no qual havia a exploração do trabalho pelo capital, com jornadas de 14 horas, nas piores condições de higiene, pagando-se baixos salários e com a exploração do trabalho da mulher e do menor. Os rebentos dessa exploração foram o movimento Sindical (ASSOCIAÇÃO DE TRABALHADORES COMO MEIO PRINCIPAL DE DEFESA DOS SEUS INTERESSES) e o movimento comunista (COLETIVISMO DOS MEIOS DE PRODUÇÃO E ECONOMIA ESTATAL).
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Direito do Trabalho, 15ª edição, p.34

o empresário terá uma responsabilidade de direito público. tem como premissa uma ordem política e trabalhista centralizada em forte intervenção estatal. repouso semanal. com 31 incisos. II-A CONSTITUIÇÃO DE WEIMAR – A Republica de Weimar. na França pósrevolução de 1789. INTERVENCIONISMO . Apesar de. III-CARTA DEL LAVORO(1927) – Formulada na Itália no período fascista de Benito Mussolini. . direito de greve. Tem como princípio a integração dos fins econômicos entre os fins do Estado. elaborou sua Constituição com um conjunto de preceitos trabalhistas tido por muitos como basilares das novas democracias sociais. e que proibia as associações e reuniões. continua com as relações que de desenvolvem ao seu redor. na Inglaterra. . período entre 1919 a 1933 na Alemanha. proibição do trabalho de menores de 12 anos. no seu início. como expressão da intervenção estatal. que passou a dirigir a atividade econômica. que propõe a inclusão de Direitos Trabalhistas e Sociais fundamentais nos textos das Constituições. de maneira que os produtores e suas associações são transformados em órgãos da política econômica estatal.CONSTITUIÇÕES QUE INFLUENCIARAM O DIREITO DO TRABALHO: I-CONSTITUIÇÃO DO MÉXICO (1917). que estruturaram o movimento trabalhista na era contemporânea.2 MOVIMENTO SINDICAL . neste sistema corporativo. porque o corporativismo considera a organização privada uma função de interesse nacional. no qual foram pela primeira vez consignadas. foram conhecidos oficialmente pela Lei dos Sindicatos. horas extras. o Direito do Trabalho nasceu também. e paralelamente. Apesar de grande parte destas disposições serem conhecidas já em outras nações. foram os sindicatos. de caráter parlamentar. democrático e social.Apesar das Corporações de Ofício. 123. são próprias do Direito Mexicano. salário mínimo. em 1871. direcionando-a a uma nova forma diante das relações sociais. higiene e segurança do trabalho. terem sido perseguidos pela mesma legislação oriunda da França. etc. a partir de 1799. de forma que a ação dos trabalhadores reunidos em associações em defesa dos direitos comuns é uma das mais evidentes forças modeladoras do Direito do Trabalho. entretanto. compreendendo normas sobre o descanso remunerado. proteção contra acidentes do trabalho. para protegê-las contra qualquer política de legislador ordinário.A constituição Mexicana deu início ao movimento do Constitucionalismo Social. sujeito às normas de direito privado. seu texto incluía direitos à jornada normal diária de oito horas e noturna de sete horas. a idéia de fazer do direito do trabalho um mínimo de garantias em benefício da classe trabalhadora e a de incorporar essas garantias na Constituição. importando em sua responsabilidade pública para que colaborem com a categoria econômica e profissional para a estruturação jurídica de órgãos que permitam a realização desses fins. Em seu art. duração do trabalho.Além da ação organizada dos trabalhadores em movimentos sindicais. A empresa. sendo suprimidas pela ojeriza que os pensadores da revolução tinham pelas corporações. terem engendrado uma primeira revolução trabalhista.Serviu de inspiração para várias Constituições européias do período.

e o ato de 1826 na Inglaterra.Período – O quarto e último período começa com fim da primeira guerra mundial e com o tratado de Versalhes. em 1796. quer dos movimentos de opinião.Período – O terceiro período tem seu marco original na Encíclica Papal “de Rerum Novarun”(coisas novas) em 1891”. nas quais ocorreram acontecimentos marcantes na história do Direito do Trabalho. pela autoridade pública das “Câmaras Sindicais”. de Marx e Engels (1848)”. e outros assinalam como início do terceiro período a conferência de Berlim (1891). que resultou em proposições regulamentando a duração do trabalho para adultos em Paris. que foi criada pela sociedade das nações. seguido da revolução francesa deste ano e sua Constituição. de grande repercussão no meio jurídico. que proclama a necessidade da união entre as classes do capital e do trabalho. inclusive as que chegam às raias da violência. com a finalidade de executar os nove princípios do Tratado de Versalhes e continuou existindo. instituindo um direito do trabalho do formato impreciso. tem por finalidade atingir . incentivando o interesse dos governantes pelas classes trabalhadoras. que permitiu à classe operária britânica conquistar o direito de associação mais de meio século antes dos trabalhadores franceses. XVIII até o “manifesto Comunista. fato histórico que abriu caminho à livre sindicalização em outros países. Verifica-se neste período. o qual preconizava nove princípios gerais relativos à regulamentação do trabalho. a tolerância. a conquista do direito a sindicalização na França. propriamente. a lei que instituiu a conciliação e arbitragem facultativa (1892) e a lei de acidentes do trabalho. social e econômico: Ele nasce e se desenvolve em vista da pressão dos acontecimentos. permanecendo até hoje como a instituição de cúpula do direito do trabalho. do Papa Leão XIII. no plano internacional. obedientes aos nove princípios. um decreto do Diretório da revolução francesa que regulamentou o trabalho nas tipografias. DIREITO DO TRABALHO NO BRASIL – O DIREITO POSITIVO E SUAS FORÇAS CRIADORAS – para compreendermos a evolução do direito do trabalho em nosso país. e marca o surgimento da OIT. que se recomendavam aos países que o firmaram. e finalmente. Primeiro período – Vai dos fins do séc. em 1884. quer da pressão propriamente vinda da classe interessada. A criação da comissão de Luxemburgo. temos que nos ater no ambiente político – social do final do Império e do início da República. bem como o trabalho noturno. uma lei Inglesa de1802. Aponta-se neste período. MOVIMENTOS ASCENDENTES – são todas as formas de luta.Neste período inicia-se.3 FASES DA EVOLUÇÃO DO DIREITO DO TRABALHO – O reconhecimento pelo estado da existência do Direito do Trabalho começou pela regulamentação do direito individual do trabalho. 4º. a atividade legislativa dos Estados em favor dos trabalhadores. Segundo período – O segundo período se inicia com a publicação do manifesto Comunista em 1848. 3º. que proibiu as crianças de trabalharem mais de doze horas por dia. é assinalado por uma escassíssima atividade regulamentar do Estado liberal. O processo de evolução do Direito do Trabalho tem uma relação direta com o ambiente político. o qual foi dividido pelos doutrinadores em etapas.

com a denominação imprópria de “Locação de Serviços”. com o espírito de classe bem nítido e a existência de indústrias ou atividades produtivas arregimentando grandes massas de trabalhadores. a falta de atividades econômicas que exijam grandes massas proletárias e os grupos não serem socialmente formados ainda. Não obstante ela não tivesse qualquer objetivo de regulamentar as relações de trabalho. o projeto do código civil dedicava apenas 22 artigos as questões de trabalho. LTr. Maurício Godinho. PRIMEIRAS LEIS – Encontraram-se no Império. contudo para criar na sociedade brasileira o ambiente propício para o desenvolvimento da relação de emprego. leis com dispositivos e conteúdos de caráter trabalhista. e não de um movimento popular para gerar a ação parlamentar. PERÍODOS DO DESENVOLVIMENTO DO DIREITO DO TRABALHO NO BRASILMarco Inicial. mesmo quando essas lutas objetivam atender os interesses de pequenos grupos.4 suas reivindicações e a sua solução. que extinguiu a escravidão no Brasil é considerada como a circunstância que deu início à história do direito do trabalho no Brasil.A lei Áurea(1888). p. A abolição dos escravos não teve repercussão nacional de caráter político e social.É o exemplo de nosso país. que é o trabalho livre. que focalizou unicamente o aspecto desumano e de inferioridade. com exceção dos senhores de escravos que perderam a mão de obra gratuita dos escravos. Contudo. AMBIENTE POLÍTICO SOCIAL NO IMPÉRIO – Neste tempo a atividade agrícola era realizada pelos escravos. mas nenhuma delas pode ser considerada fonte de nossa legislação atual. . os casos de rebelião ou fuga deviam-se apenas ao desejo de libertarem-se de senhores violentos. sem que implique na inexistência de uma questão social. com os trabalhadores fortemente apoiados por suas organizações profissionais.106. que vai de 1888—data em que foi promulgada a lei Áurea 2 DELGADO. elas servem de estímulo a outros grupos e a classe operária como um todo. os quais não se julgavam defensores de qualquer direito. e suas características são a inexistência de luta. Nessa época. e até mesmo nos tempos da colônia. serviu. e não o de buscar uma igualdade jurídica. não existiam indústrias desenvolvidas e o próprio problema da escravidão foi agitado e debatido por uma elite intelectual. de cima para baixo. como também algumas indústrias. visto que não representavam um sistema que tivessem qualquer encadeamento com as leis posteriores. esta forma de trabalho não possuía ainda elementos que a fizessem socialmente relevante e que gerasse a necessidade de regulamentação legislativa. Maurício Godinho Delgado2 informa que antes de a escravidão acabar pela lei áurea existia o trabalho livre no Brasil reunindo características da relação de emprego. Esse movimento é o responsável pela origem da legislação do trabalho em quase todos os países. 3ª edição. gerando a ação dos parlamentares. a falta de associações profissionais de expressão. MOVIMENTOS DESCENDENTES – É o movimento que resulta de uma ação governamental. São Paulo:2004. Os movimentos ascendentes caracterizam-se pela coexistência com uma história social marcada pela luta de classes. Primeiro período-No primeiro período da evolução do direito do trabalho no Brasil. Curso de Direito do Trabalho.

1932.8°. é considerado como o período da institucionalização do direito do trabalho no Brasil. evidentemente só podíamos contar com uma baixa atividade legislativa do Estado no que toca à regulação das relações de trabalho.1943) Terceiro período-O terceiro período da evolução do direito do trabalho no Brasil se dá com a Constituição Federal de 1988. Indústria e Comércio foi criado pelo decreto n° 19. CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS E O DIREITO DO TRABALHO – As primeiras Constituições brasileiras cuidavam apenas de regular a forma de . O decreto 19. O Ministério do Trabalho.1939.Por esta inserção. marcadamente nos primeiros quinze anos. Como ponto marcante desse período temos a consolidação da estrutura normativa juslaboralista em um único diploma legal. Um dos principais pontos que marcam o avanço democrático no direito do trabalho brasileiro na Constituição é a proibição de intervenção do Estado—por meio do Ministério do Trabalho— nas entidades sindicais. mas sim como leis esparsas.1931 criou a estrutura sindical oficial. o Estado implementa um sistema de solução judicial dos conflitos trabalhistas. compreendido entre 1930 a 1988. ou CLT(decreto-lei 5452. Segundo período-No segundo período. Em seguida temos o reconhecimento e o incentivo pelo Estado da utilização dos instrumentos de negociação coletiva autônoma (art. o que nas constituições anteriores era parte da ordem econômica e social. Como resultado desse quadro. de 26. de 19. submetido ao reconhecimento estatal e considerado como colaborador dele.03. seja pelos instrumentos de negociação coletiva ou pela atuação normativa estatal.11. por meio do decreto n° 21.443. O movimento operário ainda se revelava sem organização e pressão suficientes para influir na regulação das relações de trabalho de forma perene e consistente.5 —a 1930. findando com término da ditadura de Getúlio Vargas em 1945.03. onde só poderiam demandar os empregados pertencentes ao sindicato oficial. mas só foi incluída como integrante do Poder Judiciário na Constituição de 1946.396. rompendo o controle político-administrativo estatal sobre estas entidades(art.05.As poucas leis que foram criadas nesse período não são consideradas pela doutrina como pertencentes a um sistema juslaboralista. XXVI): a convenção coletiva e os acordos coletivos de trabalho. de 01. onde é firmado o modelo jurídico e institucional do direito do trabalho.7°. pelo decreto-lei 1.1930 e constituiu-se na primeira ação governamental dessa institucionalização.05. A CF também inovou de quando ao tratar dos direitos dos trabalhadores inseriu-os na parte referente aos direitos e garantias fundamentais. que tinha como base o sindicato único. desvinculadas portanto de um ordenamento jurídico trabalhista nacional. onde ocorre a chamada democratização do direito do trabalho em relação ao modelo nitidamente intervencionista estatal anterior.237. I). temos um ambiente social em que as relações empregatícias mais importantes se concentram apenas no setor cafeeiro nas cidades de São Paulo e no Rio de Janeiro. de 21.970. a Consolidação das Leis do Trabalho. Com a criação das Comissões Mistas de conciliação e Julgamento. os direitos trabalhistas são considerados no Estado brasileiro como direitos imprescindíveis ao atingimento da dignidade da pessoa humana.A Justiça do Trabalho foi regulamentada em 01.

Na constituição de 1988. manifestamente liberal e não intervencionista. o princípio da proteção deve ser enxergado. IV) e não apenas econômico. III. e manteve os que já existiam nas anteriores. que lhe emprestaria a juridicidade necessária para seu exercício. a Constituição de 1891 reconheceu a liberdade de associação e só na Constituição de 1934. só depois é que trataram de abordar os demais ramos do direito.na Constituição de 1946 se verifica novo avanço. se tratou especificamente de temas versando sobre as relações de trabalho. proposições genéricas das quais derivam as demais normas de um sistema. que o conteúdo material do princípio da proteção mantém-se inalterado. e também se considerando a conjuntura política e econômica da época. e é. se tornou necessária a sua proteção em face do empregador. com o passar do tempo. sobretudo. Inicialmente.Possuem também os princípios funções interpretativas e integradoras do direito. era absoluto.Todavia. proteção do trabalho da mulher e do menor. o que nas anteriores era parte da ordem econômica e social. se evidencia sobejamente uma nova maneira de o princípio . carregada pelos ventos do Constitucionalismo social.1°. se naquela época. no direito do trabalho a preocupação era. que institui o estado democrático de direito brasileiro e toda a sua estrutura jurídica. a de proteger a parte economicamente mais fraca. com a instituição da participação dos trabalhadores nos lucros. apregoando a liberdade de profissões. como um princípio atuante e colaborador da nova ordem social brasileira. ). atualmente se emprega aos princípios uma força normativa ou positiva. pois marcou a fase do Estado intervencionista de Getúlio Vargas. sofrendo ponderações no seu emprego. que não excluem outros. inserindo-os na parte referente aos direitos e garantias fundamentais. segundo Octávio Bueno Magano. assegurava-se a igualdade jurídica dos contratantes.1°. inclusive o Direito do trabalho. visando alcançar a igualdade substancial. Princípios do Direito do Trabalho – São linhas ou diretrizes que inspiram o sentido das normas trabalhistas.Se no início do direito do trabalho ele. através de uma superioridade jurídica. sua utilização se sobrelevará quando for necessária para a garantia da observância do princípio fundamental da dignidade da pessoa humana(art. a Constituição de 1824 aboliu as corporações de ofício. atualmente nem tanto assim. advindo a exploração do trabalhador e de sua sujeição a condições indignas de trabalho. por força das circunstâncias.Nesses dois aspectos. em que a liberdade sindical foi a principal atingida. que tem no trabalho um valor social(art. jornada de oito horas.Além disso. etc. Na Constituição de 1937 houve um retrocesso. liberdade sindical. no direito civil. direito de greve.Os princípios são. A Constituição de 1988 tratou dos direitos dos trabalhadores nos seus arts. no caso o empregado. à semelhança da norma. não sofrendo qualquer transformação em sua essência e naquilo que visa ser aplicado ou quando funcionar como critério interpretativo e integrador.6 organização do Estado. entretanto. do surgimento do emprego. PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO EM FACE DA CF/88 O princípio da proteção foi. no que foi repetida pela Constituição de 1967.Assim. como salário mínimo. férias anuais remuneradas.7° a 11°. bem como da total ausência de normas regulamentadoras e diante da manifesta desigualdade real e inferioridade econômica e social do empregado. a) PRINCIPIO DA PROTEÇÃO – Por ocasião da primeira revolução industrial e da transformação das relações de trabalho.É importante salientar .

3ª edição.Já os direitos relativamente indisponíveis são aqueles cuja alteração pela transação. Curso de Direito do Trabalho.7°. renunciar a esta proteção.9°. Maurício Godinho.gozo de férias anuais remuneradas com. as alterações contratuais mais benéficas suprimem as anteriores. CLT). consinta.7 da proteção ser aplicado na ordem constitucional e nas relações de trabalho. III)CONDIÇÃO MAIS BENÉFICA – a aplicação de norma nova. São Paulo:2004. . XVII . não pode implicar a diminuição das conquistas já alcançadas pelo trabalhador. não viola nenhum direito de ordem pública. e por isso. atualmente este princípio está mitigado com a flexibilização das normas legais em acordo coletivo ou convenção coletiva. convenção coletiva e costume).Há também os direitos trabalhistas relativamente indisponíveis. MODALIDADES: I) IN DÚBIO PRO OPERÁRIO – escolher. no caso os trabalhadores. de exercer uma interpretação mais favorável ao empregado.Este princípio tem como fundamento o principio da indisponibilidade.É exemplo a mudança da modalidade de 3 Art.Estes direitos não admitem sequer a transação4.Este princípio está manifestado no art. individualmente. no mínimo.Isto ocorre porque a norma trabalhista estabelece uma garantia mínima ao trabalhador. para que se consiga manter socialmente um mínimo de condições dignas de seus cidadãos. pelo menos. onde não teria sentido o ordenamento jurídico proteger o pólo mais fraco e este. à anotação da CTPS e os direitos relativos à proteção da saúde e segurança do trabalhador. convencional ou estatal.468 da CLT. utiliza-se a mais favorável ao empregador. lei. seja tacitamente. note-se. quando for mais favorável ao empregado. 4 DELGADO. será aplicada em detrimento de outra hierarquicamente superior. a indisponibilidade dos direitos trabalhistas não é absoluta. ao estatuir que as alterações no contrato de trabalho não podem acarretar prejuízos ao empregado.Contudo. em ambas as formas. sentença normativa.São exemplos o direito ao salário mínimo.Entretanto.Assim.Contudo. às férias. CLT).468. XVI . apesar de existirem os direitos laborais protegidos com esta condição. sob pressão do mais forte. que tanto aplica as normas menos favoráveis aos empregados que forem contratados quanto aos que estavam trabalhando. entre vários sentidos da norma. sendo. em cinqüenta por cento à do normal. e não obrigação. b) PRINCIPIO DA IRRENUNCIABILIDADE – é a impossibilidade de o trabalhador privar-se voluntariamente das vantagens conferidas pelo direito do trabalho. com a ressalva de que tal transação não acarrete prejuízos ao empregado(art. LTr. quebrando a hierarquia das normas.Quando o juiz estiver em dúvida quanto ao sentido de uma norma ele tem a faculdade. mesmo uma norma inferior do ponto de vista hierárquico.(Constituição Federal).Isso pode acontecer de maneira direta e unilateral(renúncia)ou de forma bilateral e negociada com o empregador(transação). transacionáveis(mas não renunciáveis). II) NORMA MAIS FAVORÁVEL – no caso de haver mais de uma norma aplicável (constituição. um terço a mais do que o salário normal. desde que não acarretem prejuízo. nulo o ato que implique a dispensa voluntária dos direitos trabalhistas(art. seja expressamente 3. p. mesmo que ele. aquele que seja mais favorável ao empregado.217-218. regulamento.Os direitos trabalhistas absolutamente indisponíveis são aqueles que revelam o interesse público predominante em seu conteúdo protetivo.remuneração do serviço extraordinário superior.

No direito do trabalho a renúncia do empregado é ato não aceito e até mesmo rejeitado pela ordem jurídica trabalhista positiva5.Contudo. apesar das modificações.8 pagamento do salário( de salário por unidade de tempo para salário por unidade de obra). onde há o acerto de direitos e obrigações em razão do reconhecimento do direito e a assunção da obrigação de cumpri-lo. com o seu prosseguimento. em juízo. não poderá ser impedido do exercício de suas funções. no caso o juiz. nem transferido para lugar ou mister que lhe dificulte ou torne impossível o desempenho das suas atribuições sindicais. daí se atribuir a relação de emprego a mais ampla duração. podendo homologá-lo ou não. impedindo as despedidas. devidamente autorizada por lei6. d) PRINCIPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE – significa que.Como sabido. Em juízo.A transação é admitida desde que o objeto a ser transacionado não seja um direito protegido pela indisponibilidade absoluta e desde que não acarrete prejuízo para o empregado. às convenções coletivas que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes. 444. o operário faz uma conciliação. impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. depois ampliando a admissão de transformações no contrato. verificadas na prática da prestação de serviços. 6 Art. do que os documentos que comprovam a relação contratual. sob a intervenção de um terceiro. autor e réu.112 do Código Civil).É ato unilateral. substituindo uma cláusula nula por uma válida. que é um ato judicial onde os sujeitos do processo. c) PRINCIPIO DA CONTINUIDADE – Presume-se que o contrato de trabalho deve durar por tempo indeterminado. dá-se preferência à realidade dos fatos.Isso se justifica pelo fato de que.A conciliação não implica em uma “ renúncia” juridicamente considerada. a renúncia é o ato pelo qual o titular de um direito dispensa esse direito sem que haja uma correspondência por parte da pessoa beneficiada pela renúncia. há situações excepcionais em que a renúncia é admitida. impedindo o rebaixamento e as transferências. o empregado tem a atuação do Estado.Difere da composição. Art. as partes acertam mutuamente direitos e obrigações(portanto ato bilateral). inicialmente ao preferir contrato por tempo indeterminado ao contrato por prazo determinado. Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar. acertam uma maneira de resolver o objeto de litígio no processo. na pessoa do juiz. por meio de cessões recíprocas para resolverem tal assunto.Já transação é o ato pelo qual quando determinado assunto envolve direito duvidoso. § 1º. 543. como no reconhecimento dos direitos dos trabalhadores ainda que decorrentes do trabalho ilícito. que possui condições de mensurar as condições em que o acordo judicial está sendo feito. quando houver discordância entre ambos. O empregado eleito para o cargo de administração sindical ou representação profissional. inclusive junto a órgão de deliberação coletiva. As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho. no direito do trabalho. O empregado perderá o mandato se a transferência for por ele solicitada ou voluntariamente aceita. 5 Art. . mantendo o contrato apesar das nulidades. RENÚNCIA E TRANSAÇÃO NO DIREITO DO TRABALHO. 9º. com a estabilidade provisória. Este princípio não faz mais do que revelar no direito do trabalho a noção do direito civil de que vale mais a intenção dos agentes do que a forma que fez transparecer esta vontade(art. seja pelos fatos ou pelo direito.

dada a sua complexidade. no caso do direito do trabalho. pelo menos na essência. 113 da CF. a qual foi extinta. independente da manifestação formal das partes.COMPOSIÇÃO E FUNCIONAMENTO – até a extinção do mandato dos juizes classistas em exercício. ela não se regia inteiramente pelos mesmos princípios da justiça comum. O QUE É REPRESENTAÇÃO PARITÁRIA7? Por se constituir em uma Justiça especial com uma jurisdição especial. passando os órgãos judiciários trabalhistas de 1º grau a atuarem monocraticamente e a se denominarem Varas do trabalho. antes de tudo ela era. aquilo que diz respeito ao conteúdo do contrato de trabalho não se restringe apenas ao que é escrito. uma justiça paritária o que implica em dizer que seus órgãos judicantes haveria em igual número de juízes escolhidos entre empregados e empregadores que eram denominados vagais ou classistas. a aplicação de um rito especifico às questões do trabalho. mas o conflito do trabalho. algo “em cuja constituição há membros que representam em pé de igualdade os trabalhadores e os empregadores (diz-se de órgão judicante da Justiça do Trabalho)”. suas necessidades e peculiaridades. foge a trama da justiça ordinária. Apesar do exagero da afirmação. ou seja. segundo o dicionário eletrônico Houaiss é algo “ formado por número par ('igual') de elementos para que não exista diferenciação de categorias”. as varas do trabalho. isto é. no âmbito do direito do trabalho deve se procurar descobrir a prática concreta do que era efetivada na prestação dos serviços. ou no sentido jurídico. nomeados para servir por um determinado período. por sua vez.9 Assim. esta proporcionalidade da composição dos órgãos do Judiciário trabalhista brasileiro era prevista no art. os Tribunais Regionais do Trabalho (TRT) e o Tribunal Superior do Trabalho (TST). ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO – A justiça do trabalho é organizada em órgãos judiciários distintos que tem sua jurisdição fracionada em relação à matéria a ser apreciada. Por isso. A JUSTIÇA DO TRABALHO “Todo Sistema de Direito deve ter seus próprios Juizes e seu próprio Direito Processual”. Até a redação da emenda constitucional nº 24. então denominadas de Juntas de Conciliação e Julgamento. a existência da Justiça do Trabalho é uma decorrência da autonomia do Direito do Trabalho. O desenvolvimento da economia capitalista e o acirramento dos conflitos de trabalho tornam a existência da justiça do trabalho imprescindível à solução dos mesmos. e a existência de um Juiz do Trabalho contribui. a especialização do direito a se aplicar é correspondente ao órgão Judicial aplicador. São seus órgãos as varas do trabalho. NECESSIDADE DE UMA JUSTIÇA ESPECIALIZADA – nem todos os Paises conhecem o Juiz do Trabalho. eram 7 Paritário. . em muitos existem apenas o processo do trabalho. mas também ao que acontece regularmente pela força do uso e pela prática habitual. a qual tem por características a matéria especifica de sua competência. para preservar a autonomia do Direito do Trabalho. a singularidade do seu rito processual e a peculiaridade de suas decisões. No processo do trabalho esse princípio é utilizado como meio para se descobrir a verdade real de uma relação trabalhista. VARA DO TRABALHO.

parágrafo único CF) um suplente para cada vogal (Art 117. subdivide-se em Regiões. eram indicados em listas tríplices pelas Federações ou seus Sindicatos.670. por eleição. vitalícios. inclusive seus suplentes. sendo: I . vitalícios e de dois classistas. 94. na representação dos empregados e outro na dos empregadores. § 2º. um dentre membros do Ministério Público da União junto à Justiça do Trabalho e os demais dentre juízes do Trabalho Presidentes de Junta da respectiva Região. podendo ser reconduzidos por igual período (Art 116. parágrafo único. na forma prevista no parágrafo anterior. instrui e julga os dissídios individuais ajuizados. e de dois vogais. As JCJ podiam funcionar com apenas um classista. de sete juízes togados. ou seja. na respectiva região. no mínimo. § 1º da CF e art.8 -Juizes classistas. e de dois classistas.CLT) para um mandato de três nos (art 117 da CF c/c ART 663/CLT). -Compõem os Tribunais Regionais: Juizes de Carreira. A CLT estabelecia. de oito juízes togados. ou seja. um deles será escolhido dentre advogados. e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de trinta e menos de sessenta e cinco anos. 670. e menos de onze. todos nomeados pelo Presidente da República. a ausência eventual de um Juiz classista não implicava em violação ao principio da paridade. prevalecendo o voto do juiz presidente em caso de empate (art 649/CLT). com a extinção do mandato classista. os da 3ª e 4ª Regiões. 115. então nomeados pelo Presidente do Tribunal Regional respectivo (Art 116. da CF c/c Art 660 da CLT). apenas o Juiz do Trabalho togado concilia. também. 662. da CLT). TRIBUNAIS REGIONAIS DO TRABALHO – COMPOSIÇÃO E FUNCIONAMENTO -A Justiça do Trabalho no Brasil. § 2º. sete juízes. Os Tribunais Regionais das 1ª e 2ª Regiões compor-se-ão de onze juízes togados. recrutados. no cargo de Juiz Substituto. que ingressa na careira por concurso público de provas e títulos. II . pelos respectivos sindicatos (art. vitalícios. observado o disposto no art. temporários. funcionando apenas o juiz presidente (art 649. Os Tribunais Regionais do Trabalho compõem-se de. até então com 64 magistrados.os demais. COMPOSIÇÃO -Os Juizes dos Tribunais Regionais são nomeados pelo Presidente da Republica.um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício. que na fase de execução os classistas não atuavam. 9 Art.10 compostas de um Juiz Presidente.670. temporários. quando possível. os da 5ª e 6ª Regiões. oriundos da Magistratura e através do “Quinto Constitucional”. temporários. vitalícios. dentre os nomes constantes das listas tríplices organizadas. de seis juízes togados. e de seis juízes classistas. as varas do trabalho funcionam jurisdicionalmente de forma monocrática ou singular.9 8 Art. isto é. os da 7ª e 8ª Regiões. sendo o que possui o maior numero o da TRT da 2ª Região (SP). parágrafo único da CF e Art 647/ CLT). da CLT) e Juizes oriundos do Ministério Publico do Trabalho. . Juizes oriundos da classe dos Advogados(art 115 com art 111. mediante promoção de juízes do trabalho por antigüidade e merecimento. -Os Tribunais não possuem o mesmo numero de Juizes. temporários. cada qual possuindo um tribunal. § 2. Atualmente. alternadamente Art. Nos Tribunais Regionais constituídos de seis ou mais juízes togados. e de quatro classistas.

§ 8º. com oito ministros. ou seja. com 13 ministros.Há Tribunais Regionais que possuem menor número. facultada essa divisão aos constituídos de. O Tribunal Superior do Trabalho compor-se-á de vinte e sete Ministros. com oito julgadores. incluindo Presidente e Vice-Presidente. contudo. sendo que do total. pelo menos. sem prejuízo das sessões Plenárias. Até a emenda nº 24/99 o TST era composto de 27 Ministros. por meio da Resolução CSJT Nº 32. 13ª Região (PB). uniformizar a aplicação do Direito do Trabalho em todo Pais. incluindo Presidente e Vice-Presidente. O conselho Superior da Justiça do Trabalho.11 . permitindo que tais Tribunais procedessem pela via do seu regimento interno a divisão em Turmas de julgamento. Seção Administrativa. escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos. com seis ministros. II . observado o disposto no art. com dezenove ministros. Seção de Dissídio Coletivo.os demais dentre juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho.03. 94. Os Tribunais Regionais da 1ª e 2ª Regiões dividir-se-ão em Turmas. que é sua jurisdição territorial. que são: 7ª Região (CE). que inseriu na Constituição o art. que vem a ser o “quinto constitucional”.111-A11. Cada turma se comporá de três juízes togados e dois classistas. um representante dos empregados e outro dos empregadores. FUNCIONAMENTO Os Tribunais Regionais compostos de.670.Eles apenas podim funcionar em sua formação plenária. 11ª Região (AM/RR). oriundos da magistratura da carreira. dispôs sobre a divisão.SDC. publicada no DJU de 29. escolhidos pelo Presidente da Republica. incluindo Presidente e Vice-Presidente e Turmas(seis turmas). com nove ministros. 11 Art.2007. incluindo Presidente e Vice-Presidente e Subsecção especializada de Dissídio individual 2. dos Tribunais Regionais do Trabalho compostos por oito magistrados. incluindo Presidente e Vice-Presidente. doze juízes.SDI 1.um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício. Seções especializadas —Subseção especializada de Dissídio Individual 1. pelo menos. cada qual composta por 05(cinco) juizes. TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHOCOMPOSIÇÃO E FUNCIONAMENTO – É o órgão de cúpula do Judiciário Trabalhista. com cinco ministros. 12(doze) juizes podem subdividir-se em turmas. -A atual composição do TST foi reformulada pela EC n° 45/2004. julgar em uma sessão em que estejam presentes o número total de seus juízes. como instância extraordinária. de 23 de Março de 2007. indicados pelo próprio Tribunal Superior. entre 35 e 65 anos de idade. 10 Art. sendo 17 ministros togados e vitalícios e 10 ministros classistas e temporários. um quinto é composto por membros da classe dos advogados e um quinto por membros do Ministério Público do Trabalho.10 Os Tribunais Regionais compostos de menos de 12(doze) juizes não podiam subdividir-se em turmas. .Todos os Ministros agora são togados e vitalícios. incluindo Presidente e Vice-Presidente. nomeados pelo Presidente da República após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal. formadas por 3 (três) magistrados. 14ª Região (RO/AC) e 16ª Região (MA). observado evidentemente o quorum mínimo exigido para a realização destas sessões. sendo: I . 111-A. em Turmas. -O Tribunal Superior do Trabalho divide-se em quatro órgãos colegiados: Tribunal Pleno. tendo como função principal a de.

.Tanto haverá juízes competentes para vários ramos do direito. inclusive coletivas. bem como os litígios que tenham origem no cumprimento de suas próprias sentenças. É a sua competência. a redação do art. abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta dos Municípios.Na justiça do trabalho. como também juízes cuja competência é restrita a um dos ramos do direito. e entre sindicatos e empregadores. II as ações que envolvam exercício do direito de greve. os juízes e tribunais do trabalho julgam os dissídios e controvérsias decorrentes da relação trabalho regida pelo direito do trabalho. do Distrito Federal e dos Municípios. é fixada na Justiça do Trabalho pelos mesmos critérios.114 da CF. pelo exame dos critérios pelos quais ela é determinada.2004. que se contrapõe. outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho. a jurisdição é dividida pelos diversos ramos do direito. entre sindicatos e trabalhadores. mas que também é um termo empregado às ações judiciais. como por exemplo na justiça trabalhista. COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA MATÉRIA (RATIONE MATERIAE) – Por este critério. como acontece na justiça comum estadual e federal.Para o nosso objeto de estudo atual. obrigatoriamente.12 COMPETÊNCIA DOS TRIBUNAIS DO TRABALHO – A competência. CRITÉRIO OBJETIVO – é o critério que distribui a competência atendendo objetivamente às lides. 114.Assim. sejam de outras justiças especializadas ou da Justiça comum. 114. isto é os litígios que geram as ações judiciais. de 08. III as ações sobre representação sindical. Em face da reforma procedida no art. levando em consideração fatores como o lugar. entre outros. o valor da causa.Essa forma de competência vem previamente designada em Lei(Constituição e nas leis de organização judiciária). Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: I as ações oriundas da relação de trabalho. dos Estados. ou princípios. a competência dos demais Juizes. e. a competência é determinada levando-se em consideração elementos certos e determinados—por isso que são objetivos— como a matéria do direito. dentro do poder Judiciário. conceituado processualista italiano. Compete à Justiça do Trabalho conciliar e julgar os dissídios individuais e coletivos entre trabalhadores e empregadores. o local em que a ação deverá ser proposta.Ele os dividiu em critérios objetivo e subjetivo.114 da CF. a matéria da lide.114 passou a ser dessa maneira: "Art. pela EC n° 45.12. que é o limite imposto ao exercício da Jurisdição. CRITÉRIOS DETERMINATIVOS DA COMPETÊNCIA – como ensina Chiovenda. Essa competência está estabelecida no art. dos Estados e da União. o estudo da competência passa. abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União. na forma da lei. que assim dispunha: Art. as pessoas. as pessoas que deverão compor a demanda ou ao valor da causa. do Distrito Federal. entre sindicatos. analisaremos apenas os critérios objetivos.

tribunal. inclusive de servidores públicos da União. Estados. 102. VII as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho. quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição. distribuídos por diferentes circunscrições Judiciárias. que se denomina “alçada” no processo do trabalho. . 195. com os juízes dos Juizados Especiais Cíveis que. -A competência pelo valor. porque poderíamos encontrar juizes de igual competência quanto a matéria e quanto ao valor da causa nas mais diferentes localidades. dentro dos casos previstos e enunciados pela Lei 9099/95 para a sua competência. um juiz será competente para apreciar e julgar este tipo de ação e outro não será. habeas corpus e habeas data . I. da sentença dos Juizes ou das juntas. V os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista. COMPETÊNCIA EM RAZÃO DO VALOR DA CAUSA É um critério objetivo uma vez que dependendo do valor econômico da ação.584/70ART 2º. seja qual for o valor do pedido. por exemplo. decorrentes das sentenças que proferir. Foro. obtendo liminar para sustar os efeitos da competência da Justiça do trabalho neste ponto. Assim.Caso ultrapassem este teto os Juizados não terão mais competência para tais ações. desde que prestadas por pessoa física. caberá ou não recurso (Sum 91/356 TST) (LEI 5. É o que acontece. IX outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho. segundo o dicionário eletrônico Houaiss é o local onde se processa a justiça. das contribuições sociais previstas no art. em qual delas seria proposta a ação? Para tanto. e seus acréscimos legais. Assim. VIII a execução. este estabelecimento ainda não seria suficiente. na forma da lei. Conforme o valor da causa. podem julgar as ações de sua competência material. tem por finalidade possibilitar a delimitação do valor econômico da demanda e assim ter um valor pelo qual servirá de base para serem recolhidas custas e o depósito recursal. agora compete a Justiça do trabalho apreciar todas as relações de trabalho existente. decorrentes da relação de trabalho. o . inclusive os de 1º grau. deve-se saber qual é o foro competente.Esta última parte. existindo juizes igualmente competentes em razão da matéria e do valor da causa. ressalvado o disposto no art.Não há uma separação de juízes em relação ao valor da causa no processo do trabalho. Municípios e demais entes públicos. COMPETÊNCIA TERRITORIAL OU EM RAZÃO DO LUGAR– Mesmo estabelecida a competência segundo um critério objetivo. nos dissídios individuais. Os juízes do trabalho.13 IV os mandados de segurança. a . tem também como delimitador quanto às ações que irão apreciar e julgar aquelas que possuírem o valor de até 40(quarenta)salários mínimos. referente aos servidores públicos. I. e II. de ofício.S 4º). VI as ações de indenização por dano moral ou patrimonial. foi atacada por ADIN junto ao STF.

ainda que tenha sido contratado noutro lugar. diferentemente do processo civil. isto é.Depois a CLT informa que o lugar que poderá ser proposta a ação pode variar.É a extensão territorial onde determinado juízo exerce sua competência REGRA GERAL – no processo do trabalho. a competência será das Varas trabalhistas brasileiras. .94 do CPC)12. É o que prevê o art. A competência das Juntas de Conciliação e Julgamento é determinada pela localidade onde o empregado. ainda que tenha sido contratado noutro local ou no estrangeiro. no foro do domicílio do réu. ou mesmo no estrangeiro.Nestes casos a lei trabalhista a ser aplicada será a lei do País 12 Art. em que e competência em razão do lugar. em geral. será competente a JCJ da localidade em que o empregado tenha domicilio ou a localidade mais próxima. EXCEÇÕES A REGRA GERAL DO ART. se nota que a fixação da competência territorial é feita em um primeiro momento tomando-se em consideração o tipo de empregado—agente ou viajante comercial— e da característica da sua forma de prestação do serviço— estar em constante deslocamento—. é determinada pelo domicilio do réu(art. a competência ratione locci das varas trabalhistas. pois se tratam de exceções e também porque são taxativas. e a ela o empregado esteja subordinado. 651. aqui entendido como o conflito entre empregado e empregador. A ação fundada em direito pessoal e a ação fundada em direito real sobre bens móveis serão propostas. É uma disposição legal que tutela o brasileiro que for trabalhar no estrangeiro como empregado. tenha alguma vinculação decorrente do contrato que lhe obriga a se dirigir àquela filial todas as vezes que passar ou estiver na cidade. I-Art 651. 94. § 1º da CLT – Quando for parte no dissídio agente ou viajante.Na primeira situação será o lugar em que a empresa tenha agência ou filial. devendo se observar o que é determinado nos § § 1°. da CLT. § 2º da CLT – Trata da competência da justiça do trabalho brasileira para dissídios ocorridos no estrangeiro. II . da CLT: Art.10. Neste caso. na falta. e a esta o empregado esteja subordinado. é competente a junta (vara) da localidade onde a empresa tenha agência ou filial. Quando ocorrer alguma das situações adiante descritas. em regra. não se aplicará a regra geral do art.99. ocorrido em agência ou filial no estrangeiro. que venha a gerar uma ação judicial.Art 651. ou seja uma representação física naquela cidade. prestar serviços ao empregador.651. seja para empresa nacional ou estrangeira. reclamante ou reclamado. 651. a CLT diz que ele deverá propor a ação na vara do trabalho de seu domicílio ou na da localidade mais próxima. caput.651 da CLT. No caso de não haver agência ou filial ou na de o empregado não estar subordinado a esta agência ou filial. e não houver tratado ou convenção internacional dispondo em contrato. dependendo de algumas circunstâncias. (Modificado pela Lei nº 9851 de 27. é fixada pela localidade onde o empregado (seja ele autor ou réu) presta serviços ao empregado. Quando houver dissídio. circunscrição judiciária. 2° e 3°.14 juízo.Devem ser interpretadas restritivamente. e seja o empregado brasileiro. antes a redação do parágrafo determinava a localidade em que o empregador tivesse domicílio).

“Nº 207 . Neste caso. mas presume-se que o empregado poderá ajuizar a ação na localidade onde a empresa possua sua sede ou ela tenha agência ou filial.13 A CLT não dispõe qual o local em que a ação trabalhista será proposta no Brasil. que é transferido para o exterior. naquilo que não for incompatível com o disposto nesta lei. . a ação trabalhista será processada no Brasil. os feirantes. uma ordem de prioridade entre os componentes deste órgão julgador ou relações de subordinação entre eles. A competência funcional pode ser verificada no plano vertical. ou seja. uma vez que neste caso eles se encontram em um mesmo grau ou instância. seja qual for a sua posição processual. havendo entre eles uma relação de subordinação. entre outros. como por exemplo. portanto. eventuais ou transitórios. visto que ela se estabelece em graus ou instâncias de julgamento. em locais incertos. independentemente da observância da legislação do local da execução dos serviços: I . inciso II. o ingresso em juízo em condições mais favoráveis a sua defesa.064/82. onde se constata nitidamente uma hierarquia nesta competência. Desta maneira. A empresa responsável pelo contrato de trabalho do empregado transferido assegurar-lhe-á. na forma do art. salvo se houver alguma norma jurídica internacional(tratado ou convenção)dispondo em contrário. os promotores de eventos.a aplicação da legislação brasileira de proteção ao trabalho. § 3º da CLT – No caso de o empregador realizar as atividades fora do lugar da contratação. a competência funcional horizontal vai se verificar apenas na distribuição de funções diferentes para cada juiz dentro do mesmo processo e perante o mesmo órgão.CONFLITOS DE LEIS TRABALHISTAS NO ESPAÇO. no conjunto de normas e em relação a cada matéria. 3º. a competência funcional separa as atribuições dos diversos Juizes num mesmo processo. III – Art 651.-Os poderes jurisdicionais de uns e outros Juizes são limitados ao exercício das atribuições compreendidas na função de cada qual dentro de uma mesma ação judicial. que a competência deve ser da justiça do país em que ocorrer o dissídio. os auditores. em uma vara do trabalho um juiz terá atribuição de realizar as audiências de conciliação. como os circenses. 13 Art. 3º. da Lei nº 7. conforme reza a súmula 207 do TST. onde o juiz de grau imediatamente superior tem atribuições diferentes das do juiz de instância inferior na condução do mesmo processo.Não há. quando mais favorável do que a legislação territorial. perante a justiça do trabalho brasileira. é regido pela legislação brasileira.” Todavia. quando mais favorável do que a vigente no território estrangeiro. O PORQUÊ – A fixação da competência em razão do lugar no processo do trabalho é diferente porque busca facilitar o litigante economicamente mais fraco.15 em que o trabalho estiver sendo prestado. Já no plano horizontal não há qualquer hierarquia entre os juízes. é assegurado ao empregado apresentar reclamação no local da celebração do contrato ou no da prestação dos serviços. COMPETÊNCIA FUNCIONAL . Mas o contrato de trabalho de empregado admitido no Brasil por empresa nacional. PRINCÍPIO DA LEX LOCI EXECUTIONIS A relação jurídica trabalhista é regida pelas leis vigentes no país da prestação de serviço e não por aquelas do local da contratação.

-O TST. ou de divergência jurisprudencial. ou os Juizes de Direito investidos da Jurisdição trabalhista. de direitos e obrigações dos membros desta categoria econômica. b e c da CLT) das decisões de última instância proferidas nos dissídios individuais. os dissídios coletivos que excedam os limites territoriais dos Tribunais Regionais (Lei 7.Contudo. dec lei 8. em caso de violação da Constituição ou de lei Federal. -Julga. -Julga. que são reclamações trabalhistas movidas por mais de um empregado contra o empregador (art 652/653 CLT). outro de cuidar da execução das sentenças. jornada de trabalho.701/88. Em 1ª instância.Os dissídios coletivos criam direitos subjetivos hauríveis (art 678/680) CLT. ele também têm atribuições de órgão judicial de 1° e de 2° grau ou instância. em 1ª instância. meio posto à disposição da parte para chegar ao TST em um dos casos do art. como piso salarial. . -Julgam também. etc. os dissídios coletivos apreciados pelos Tribunais Regionais. COMPETÊNCIA FUNCIONAL NOS ÓRGÃOS DA JUSTIÇA DO TRABALHO -As Varas do trabalho. em matéria trabalhista.Os dissídios coletivos são ações judiciais que tem como partes os sindicatos representativos dos empregadores e dos empregados de determinada categoria econômica e que tem por objetivo a fixação. o que ele faz por meio do recurso de revista. os dissídios individuais julgados nas Varas. a.16 outro de realizar as de instrução e de julgamento. em 1ª instancia. em 1ª instância. inclusive as reclamações plúrimas. em grau de recurso ordinário. em 2ª instância.896 da CLT. julgam em 1ª instância ou 1° grau.737/46). salvo os casos de alçada inferior ou igual ao dobro do salário mínimo (art 2º. os dissídios e controvérsias individuais do trabalho. salário utilidade.§ 4º lei 5584/70). etc. os dissídios coletivos ocorridos dentro dos limites territoriais de sua jurisdição. o TST tem por função básica exercer a função uniformizadora da lei e da jurisprudência em matéria trabalhista. pela via judicial. -Os TRTs julgam em 2ª instância. em grau de recurso ordinário.Por ser o órgão de cúpula da justiça trabalhista brasileira e ser também um tribunal superior. conhece por meio do recurso de revista (art 896.