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O multiculturalismo e o ensino

das Artes Visuais no Brasil
Elisa Iop*

Resumo

Este artigo aborda uma das principais perspectivas que influenciam o ensino
das Artes Visuais no Brasil, a multicultural. Destaca algumas contribuições e
experiências como a Proposta Triangular de Ana Mae Barbosa, reconstruída
a partir de um enfoque multicultural, o projeto de sua autoria denominado
Estética das Massas; a experiência sobre a Estética do Cotidiano, proposta
por Ivone Mendes Richter; a inclusão Pluralidade Cultural nos Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCNs), seja como um tema transversal ou não, e
a Abordagem e Diversidade Cultural, na Proposta Curricular do Estado de
Santa Catarina. Também, apresentam-se alguns encaminhamentos para a re-
alização de experiências concretas fundamentadas na perspectiva multicul-
tural.
Palavras-chave: Multiculturalismo. Artes Visuais. Ensino. Brasil.

1 INTRODUÇÃO

No Brasil, o ensino da arte tem contemplado pouco as questões relativas
à diversidade étnica e cultural, os diferentes modos de aprendizagem e outras
características dos diversificados grupos culturais que compõem a sociedade e
a cultura brasileira. Uma das características mais importantes da multiculturali-

*
Mestre em Educação; professora da Universidade do Oeste de Santa Catarina Campus de Xanxerê, da Celer
Faculdades de Xaxim e da Escola Municipal de Artes de Chapecó; BR 282, Km 528, 89825-000, Xaxim,
SC; elisadida@yahoo.com.br

Visão Global, Joaçaba, v. 11, n. 2, p. 151-162, jul./dez. 2008 151

pois toda grande arte assim o é.Elisa Iop dade brasileira. além do racismo.. 10). p. Peregrino (1995. Esse problema é explicado por Santaella (1982. de certo modo a alta cultura. a pretexto de reforçar nossa identidade cultural. 11. por uma imposição unilateral e intencional da classe dominante. p. as divergências ou contradições são abafadas para que não constem nos currículos escolares. Segundo Nascimento (1996. preservassem e estimulassem a cultura popular em seu dinamismo e por outro. 64). porque se materializa com um ponto de confluência histórica de várias ideologias. os mecanismos de acesso à arte. 2. eles não incluem os esforços e as contribuições dos grupos que.. seria necessário criar mecanismos que. Na outra. Para Saviani (1992. por questões econômicas. portanto de forma fixa e sem dinamismo. 151-162./dez. nos termos de Chauí (1986) e. Não sem razão. “[. enfocada como “guardiã das tradições”. estimulam e exaltam a cultura popular. como livre expressão. parecem seguir duas tendências. momento em que prevaleceu a concepção de arte. estão à margem da produção cultural dominante. O autor entende que a supressão cultural é a total ausência de diferenciação cultural nas aulas de artes. Na sociedade brasileira. a supressão cultural ocorreu no período da Escola Nova. 2008 . p. acaba-se por desvalorizar. p. histo- ricamente privilégio das elites. oriundas de classes diversas.] esta tendência pedagógica correspondeu a um refluxo e até mesmo um desaparecimento daqueles movimentos populares que advogam uma escola mais democrática aos seus interesses. essas duas visões poderiam denominar-se su- pressão cultural e ênfase unilateral de cultura. Joaçaba. jul. Os professores que trabalhavam nessa concepção não incluíam ou consideravam as contribuições dos diversos grupos minoritários. é a influência dos fatores econômicos e sociais que promovem uma diversidade marcada pela divisão de classes. por um lado. 20): Por terem em mãos o poder econômico e político as classes opressoras dele fazem uso para ensurdecer ou neutralizar as divergências ou contradições. 39) afirma: Os programas de arte-educação. Ao invés de se trabalhar acirrando as diferenças e acentuando a falta de comunicação entre os dois tipos de cultura. v. de um modo geral. e a ênfa- se unilateral de cultura deve-se à enorme valorização atribuída à cultura popu- lar. p. Desse modo. Na primeira.” A ênfase unilateral de cultura foi 152 Visão Global. em sociedades de clas- ses são rigidamente controlados. assegurassem o acesso de todos à chamada cultura erudita. Para Nascimento (1996). n.

ao mesmo tempo. apontando. 24). a educação em arte “[. sobretudo. enfatizava a história da arte como um componente do processo de ensino-aprendizagem. 33). não se promove o acesso à arte erudita.” (BARBOSA. 37): Visão Global. p. crítica e produção. uma coletânea de textos. 1994.] deve exercer o princípio democrático de acesso à informação de todas as classes sociais. A Proposta Triangular entende que o fazer artístico. Ainda em A Imagem no Ensino da Arte. 1994. propi- ciando-se na multiculturalidade brasileira uma aproximação de códigos culturais dos diferentes grupos. publicado em 1991. entre o ano de 1987 e 1993. para a importância da multiculturalidade. 21). Joaçaba.” Salientava “[.. p. Segundo Barbosa (1994. ou seja. pode criar guetos culturais e manter os grupos amarrados aos códigos de sua própria cultura sem possibilitar decodificação de outras culturas. p. a cultura popu- lar. v.] a ideia de reforçar a herança artística e estética dos alunos com base em seu meio ambiente. alguns já pu- blicados em revistas nacionais e estrangeiras. Afirma que essa proposta. estética.. a leitura e a contextualização dos objetos artísticos. afirma: “[./dez. No livro A imagem no ensino da arte. No livro Tópicos Utópicos (1998).” (BARBOSA. opõe-se a ele quanto à ênfase na disciplinarização das quatro áreas do conhecimento artístico. a autora menciona uma visão multicultural para o ensino das artes visuais. história da arte. 151-162. eixo fundamental da Proposta Triangular. p. Valoriza-se nela.. Segundo Barbosa (1998. uma das primeiras arte-educadoras a mencionar a abordagem multicultural para o ensino das artes visuais foi Ana Mae Barbosa. produzidos pelas diversas culturas. p. jul. n.] acredito que na década de noventa as teorias e práticas multiculturais dominarão a cena.. apesar de ser uma adaptação do Disciplined Based Arte Education (DBAE). O multiculturalismo e o ensino das Artes Visuais no Brasil estimulada pela ideologia populista. embora não aprofunde a questão sob o ponto de vista teórico/metodo- lógico. 11. 2008 153 ... devem ser abordados de forma integrada. 2. Ana Mae Barbosa faz uma revi- são dos pressupostos centrais que norteiam a Proposta Triangular. 2 ALGUMAS CONTRIBUIÇÕES E EXPERIÊNCIAS No Brasil. Quando aplicada no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (MAC/USP). [advertindo que] se não for bem concluída.

geográfica. p. 159): Não existe arte pela arte. 154 Visão Global.. mas a um conjunto de saberes interdisciplinares ou não.. “[. 151-162. social.. apresentando aos estrangeiros expressões maiores como Anita Malfatti e Tarsila do Amaral.. jul.” Aponta a existência de teorias de interpretação mais contemporâneas.] a leitura é a construção de significados pelo observador. no artigo – O ensino da arte nos países do terceiro mundo. 2. até então. Como existem muitas culturas. Discute a importância de se incluir nas escolas o estudo da arte das minorias – doentes mentais e terceira idade –. entre outras. n. biológica. a qual pode ser histórica.] A arte tem muitas linguagens. Joaçaba. associando o pensamento não apenas a uma disciplina. p. 46).. ao contrário do que muitas culturas consideram. há muitas formas de arte que devem se relacionar reciprocamente nos programas edu- cativos nos países de terceiro mundo [. o des- construcionismo. de um povo ou valores de um grupo e a forma de vida social das comunidades. p..] interpretações de uma obra po- dem ser tão diferentes quantos forem os interpretantes. Salienta a importância de se propor outras formas de criação artística. v. a leitura é interpretação. amparado nos posicionamentos defendidos por Bugus Fatuyl. O autor propôs um diálogo metodológico entre a Proposta Triangular e a multiculturalidade no ensino da arte. A au- tora salienta a importância da pluralidade de leituras. Para Fatuyl (1990. por exemplo. Ela é dialética e comunicativa [. etc. Consoante Barbosa (1998. a semiótica. enfatizando o papel da artista mulher na arte brasileira. psicoló- gica.1 Ainda em Tópicos e Utópicos. Barbosa (1998) também aborda a questão do gênero no ensino da arte. ampliamos o espectro da experiência nomeando-a contextualização. 2008 . de 1994. a contextualização está aberta à interdisciplinaridade. A necessidade de se propor um enfoque multicultural na Proposta Trian- gular já havia sido enfatizada pelo artigo de Nascimento (1996) – Perspectivas multiculturais na Proposta Triangular.]. além da releitura. 11./dez. pouco enfatizada no livro A imagem no ensino da arte. antropológica. a arte representa os símbolos de uma cultura.Elisa Iop Com o passar do tempo.” Para Barbosa (1998.. e as “[.. ecológica. Nesse sentido. Relata experiências educacionais que investigaram as possibilidades de desenvolvimento da capacidade de construção estética e de percepção do meio ambiente.. 44). o feminismo. fazendo algumas reflexões sobre a obra do artista Arthur Bispo do Rosário. A arte tem uma funcionalidade e um propósito. p.

que considerem todas as culturas como válidas e legítimas. bem como a de outros grupos não dominantes são pouco enfatizadas pelos arte-educadores brasileiros. fizeram. 151-162. 1998. Segundo Bar- bosa (1998.” Contudo. denominado Estética das Massas. para Nasci- mento (1996. destacando-se as realizadas no período entre 1987 e 1993.. nos países de terceiro mundo. Em 1988. 2008 155 . Portanto. p. Desse modo. “[. 2. 81). a exposição Estética do Candomblé. p. tem muito a contribuir para a construção de propostas educativas mais inclusivas.] contra o desejo dos historiadores tradicionais de arte e curadores da Universidade. além da intenção. p. os professores que abordam a Proposta Triangular desenvolvem ações educativas que. A cultura na qual o aluno está inserido. v. os programas curricu- lares de arte deveriam desenvolver a exposição do conhecimento na área. mas muito bem aceito pelos antropólogos e muitos críticos de arte. jul. conhece- dores do sincretismo religioso brasileiro. o enfoque multicultural na Proposta Triangular. levando para o mu- seu alegorias das escolas de samba do carnaval carioca e paulista. geralmente. Em sua atuação como diretora do MASC/USP e nas atividades desenvolvi- das. o projeto foi realizado “[. o acesso a outras culturas.” (BARBOSA. Visão Global.. por meio de métodos exploratórios e interdisciplinares... O multiculturalismo e o ensino das Artes Visuais no Brasil O autor sugere que. Ana Mae Barbosa realizou diversas experiências mul- ticulturais. o europeu branco. uma instalação esteticamente interpretativa de um orixá (entidade do candomblé).” Em 1987. foi realizada a exposição Carnavalescos. para promover o encontro. no MAC/ USP. privilegiam o código estético dominante. Joaçaba. p. 81)./dez. n. conceben- do outro sincretismo religioso resultante da simbiose arte erudita versus arte popular.] um espetáculo de estética das massas é sempre a busca de comunicação com as preferências do público.2 O projeto consistia em trazer para o museu pelo menos uma exposição por ano sobre os códigos estéticos das mino- rias. ao mesmo tempo de influen- ciar a formação do gosto pelas massas. “A contribuição da interculturalidade na Proposta Trian- gular remete-nos à importância que deve ser dada às abordagens antropológicas e etnográficas e à apreciação de conteúdos embutidos numa concepção de arte etnocêntrica. ao propor a abordagem dos códigos estéticos e culturais nos quais o próprio educando está inserido. como arte-educadora. 11. 10). cada um. na qual cinco artistas eruditos.

A tese. A outra instalação. sobre uma toalha de mesa tecida à mão. fo- ram criadas instalações pelos trabalhadores da construção civil.. da qual participaram artistas populares e eruditos. proposta pela profes- sora/pesquisadora Ivone Mendes Richter. Marta Kruger realizou um outdoor.. p. um grupo de artistas populares foi convidado a desenhar um tapete de areia – comumente uti- lizado nas festas de Corpus Christi – que começava na rua. jul. artistas eruditos. lembra a imersão da indústria cultural no cotidiano (BARBOSA. junto com o código dominante. p. na época em que era professora da Universidade Federal de Santa Maria (RS). n. em 1992.3 em 1989. “A declaração pró-feminista de Kruger em seu outdoor Mulheres não devem ficar em silêncio entrou no museu – metaforicamente – caminhando pelo tapete de areia colorida. versa sobre o ensino intercultural das Artes Visuais na escola. Na exposição Arte e Minorias.Elisa Iop Na exposição Combogós. Foi também realizada uma instalação pela mineira Ismênia Aparecida dos Santos. no ano de 2000 e publicada no ano de 2003. 1998. 86). de acordo com categorias de gênero.] a linguagem tradicional. 2. ajudada pelas mãos do povo. Em 1991. composta por escapamentos de carros. defendida na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). 87). 2008 . v. ritual e popular. p. 82-83). p. foi realizada a exposição interdisciplinar e intercultural intitulada As Representações Estéticas da Mata nas Artes e Ciências./dez. Segundo Barbosa (1998. Joaçaba. a exposição Mulheres em Diálo- go e Civilidades da Selva: Mitos e Iconografia Indígena na Arte Contemporânea. Dias constrói pisos de cerâmica e Tomé cria utensílios de cozinha e jardim. atravessava o jardim e chegava até a entrada do museu.” Outro trabalho igualmente importante é a Tese intitulada Interculturali- dade e estética do cotidiano no ensino das Artes Visuais. 151-162. foram convidados para traba- lhar na interpretação dos códigos negros e índios. composta por uma mesa com pratos e comidas de argila. Na inauguração do prédio novo do Museu de Arte Contemporânea da USP. Nessa ocasião. No mesmo momento. a partir de latas vazias. foi celebrada “[. os quais demons- travam uma preocupação estética em suas atividades cotidianas. 11. ou para se organizar. ainda. Destacam-se. 1998. Latas e Sucatas: Arte Periférica.” (BARBOSA. sem distinção de raça. As instalações criadas por Amerides Dias e José Tomé – casa de lata (flores de flandres) – origi- naram-se das suas atividades cotidianas. sendo constituído por dois eixos principais: a multiculturalidade no Brasil e a estética feminina do 156 Visão Global.

Para Richter (2000. desenvolveu uma pesquisa a campo sobre a estética feminina do cotidiano5. de ensino básico. Estes afirmam que o valor estético se relaciona com as experiências que o ser humano vivencia. p. aceitos como códigos básicos dos quais se deve construir a compreensão e imersão a outros có- digos culturais. associadas com a arte de artistas contemporâneos que utilizam esse mesmo referencial em sua obra. não se necessita de explanação ou justificativa. p. A experiência estética realizada nessa escola. de suas famílias. Contudo. Barbosa (1998. Para eles. Questões relativas à diversidade cultural também são abordadas nos Pa- râmetros Curriculares Nacionais (PCNs) para o ensino fundamental (1ª a 4ª série). da família. comunidades. Joaçaba. jul. configuram-se como um importante aspecto da estética do cotidiano. p. mediante esses exemplos familiares do cotidiano./dez. publicados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O multiculturalismo e o ensino das Artes Visuais no Brasil cotidiano. a Pluralidade Cultural foi lançada como Tema Transversal. possibilitou questionamentos sobre o cotidiano. segundo a autora. as questões relati- vas a multiculturalidade só serão resolvidas pela flexibilização de atitudes e Visão Global.] mais que um mero tema de estudo de todas as disciplinas. em que padrões culturais e estéticos da comunidade. o estudo desses “fazeres especiais”6 presentes na vida dos educandos. 29) argumenta: “[. 84): [. A esse respeito. A professora/pesquisadora. em 1997. presente no contexto cultural dos educandos de uma escola municipal. Tais questionamentos foram suscitados a partir de práticas artístico-femininas do cotidiano.] o ensino da arte deve se caracterizar por uma educação predominan- temente estética. no ensino fundamental. quando a experiência estética vem a nós. que deve estar refletido nas aulas de artes. 11. 2008 157 . ao trazer à tona a discussão do que é valor estético. aponta as contribuições dos autores Melvin Rader e Bertran Jessup (1976).. como o prazer de olhar os objetos. sejam respeitados e inseridos na educação. não se precisa de razões. da cidade de Santa Maria (RS). 151-162. a crítica social (gênero e etnia) e a expressão criativa. Portanto.. A autora. a natureza.. v.. além de discutir as tendências contemporâneas internacio- nais sobre educação intercultural4 e o ensino das artes visuais. ao longo de sua vida. de arrumar uma mesa atrativa ou um canteiro de flores. 2. n.

destacando-se a Proposta Triangular de Ana Mae Barbosa. as questões relativas à diversidade étnica e cultural passam a ser discutidas no ambiente escolar.. embora ainda de forma incipiente. Essas devem objetivar: 158 Visão Global. o ensino fundamental (5ª a 8ª série) e ensino médio.” Portanto. 1998. 2008 . 3 CONCLUSÃO Embora nos últimos anos o multiculturalismo tenha ganhado força nos debates educacionais. a inclusão do Plu- ralismo Cultural nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). jul./dez. as questões relativas à pluralida- de cultural são enfatizadas nos Temas Multidisciplinares. 151-162. na Proposta Curricular do Estado de Santa Catarina e os estudos que buscam desenvolver práticas engajadas nessa pers- pectiva ainda são insuficientes no Brasil. Na Proposta Curricular de Santa Catarina. p. 1999. 2. proposta por Ivone Mendes Richter. na temáti- ca Abordagem às diversidades no processo pedagógico. p.” (SANTA CATARINA. que contempla a Pluralidade Cultural no inte- rior de cada um dos documentos. 81). enfatiza- se a importância de se compreender o currículo como artefato social e cultural e “[. mas básico para uma sociedade que se configure como democrática. em especial.. referentes ao ensino das Artes Visuais. Por outro lado. 90) afirma que: “[. torna-se necessário desenvolver ex- periências concretas fundamentadas na perspectiva multicultural. Moreira (1998 apud CANEN.. no ensino das Artes Visuais. n. seja como um tema transversal ou não. e as discussões acerca da Abordagem à Diversidade Cultural no Processo Pedagógico. v..] uma maior articulação de estudos teóri- cos com aqueles que mergulham nas práticas curriculares em diferentes espaços educacionais poderia aprimorar projetos emancipatórios em educação e forma- ção docente. Nesse sentido. 11.” A partir desse documento e como lançamento dos PCNs para a educação infantil. Joaçaba. não se trata de um tema transversal. bem como o projeto Estética das Massas. a experiência sobre a Estética do Cotidiano.Elisa Iop valores. p. A esse respeito.] cultura como um terreno em que se enfrentam diferentes e conflitantes concepções de vida social. reconstruída a partir de um enfoque multicultural.

ainda. regional. tendo referenciais para compreender as inter-relações e mediações do contexto global. Joaçaba. na experiência pedagógica. arte e ecologia. p. em contextos sociocul- turais particulares. já que ela varia conforme o contexto cultural do interpretante. suas experiências de vida e visões de mundo. entendendo que o conhecimento deve estar situado no interior e não no exterior. as narrativas construídas por grupos particulares. bem como de outros produtores culturais. f) análise da cultura dominante. no qual o objeto artístico foi pro- duzido e no processo de criação vivenciado pelos diversos produtores culturais. em nível local. de suas famílias e culturas específicas. 11. 2. dentro da experiência pedagógica. principalmente da cultura de massa e dos problemas relativos ao etnocentrismo e aos diversos tipos de discrimi- nação. Visão Global. enfatizar: a) o conhecimento da arte produzida pelos diferentes grupos culturais. c) enfatizar a importância do significado que os educandos atribuem ao conhecimento. b) valorizar o conhecimento que se origina do cotidiano dos alunos. 151-162. c) o conhecimento de artistas contemporâneos que abordam em seus tra- balhos a relação entre arte e identidade cultural. b) a necessidade de se conceber a arte como possibilidade de transcender fronteiras culturais. n. de formar novas identidades. E. d) valorizar a interação entre alunos e professores e entre os próprios alu- nos. O multiculturalismo e o ensino das Artes Visuais no Brasil a) dar “à voz”. d) ênfase no contexto histórico-cultural. a partir de suas vivências como pessoas. g) o significado que os alunos atribuem ao conhecimento construído. e) as múltiplas possibilidades de interpretação de uma única obra. o que pressu- põe a valorização do processo de aquisição do conhecimento e uma posição crítica em relação a ele. ricas e híbridas./dez. 2008 159 . v. jul. destacando-se a desen- volvida por grupos culturais particulares minoritários. nacional e internacional.

Visual Arts.. REFERÊNCIAS BARBOSA. 2 Designação proposta por Nilza de Oliveira. Keywords: Multiculturalism. Teaching. Also proposes some routes to the fulfillment of concret experiences based on multicultural perspective. recons- tructed from a multicultural approach. being a traverse theme or not. e sim criação. and the “approach and cultural diversity” in the Curriculum Proposal of Santa Catarina’s State.Elisa Iop Multiculturalism and the Visual Arts teaching in Brazil Abstract This article approaches one of the main prospects that have been influenting the visual arts teaching in Brazil. originário dos estudos da arte como comportamento humano da antropóloga Ellen Dissanayake. 2. It’s highlighted some contribu- tions and experiences like the Triangle Proposal of Ana Mae Barbosa. p. 5 Richter (2000. com base em um texto referencial. M. transformação. 11. 2008 . o termo “fazer especial”. v.. 1994. embora seja consagrado na literatura. ed. também principalmente. Notas explicativas 1 Releitura não é cópia. Brazil. Joaçaba. jul. 160 Visão Global. implica uma inter-relação. requer intenção ou deliberação e está carregado de sentido. 4 A autora afirma que o termo multiculturalismo. segundo ela. proposed by Ivone Mendes Richter./dez.] a estética do cotidiano subentende. 3 Sob a curadoria de Glaucia Amaral e May Suplicy. the experience around the daily aesthetics. the multicultural. 151-162. n. the inclusion “Cultural Plurality” in National Curriculum Parameters (NCPs). p. em um texto visual que poderá estar implícito ou explícito na produção artística final. prefere utilizar o termo interculturalidade que. tanto na área de edu- cação quanto de arte-educação.” 6 Para a autora. A imagem no ensino da arte. 9): diz que “[. troca entre culturas. São Paulo: Perspectiva. a project of her writing called “Mass Aes- thetics”. 2. considerados como possuindo valor estético por aquela cultura. A. além dos objetos ou atividades presen- tes na vida comum. a subjetividade dos sujeitos que a compõem e cuja estética se organiza a partir de múltiplas facetas do seu processo de vida e transformação.

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