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CONTABILIDADE

INTERMEDIÁRIA 2 Fernando Nascimento Zatta

Universidade Aberta do Brasil Ciências Contábeis
Universidade Federal do Espírito Santo Bacharelado

E ste texto dá importância à
elaboração e compreensão das
demonstrações contábeis, dando
continuidade às demonstrações
estudadas na disciplina de
Contabilidade Intermediária 1
formando assim, o conjunto das
demonstrações contábeis obrigatórias.
Esta abordagem é justificada por
diversas razões. A elaboração e
compreensão são processos vitais
para a aplicação do conhecimento da
contabilidade para fins práticos. Ainda,
a compreensão é relevante em função
do crescente uso da contabilidade
por profissionais não contadores, a
partir das informações preparadas e
analisadas por contadores.

UNIVERSIDADE F E D E R A L D O E S P Í R I TO S A N TO
Núcleo de Educação Aberta e a Distância

Contabilidade
Intermediária 2
Fernando Nascimento Zatta

Vitória
2011

Todos os direitos desta edição estão reservados ao ne@ad. A reprodução de imagens de obras em (nesta) obra tem o caráter pedagógico e cientifico. 9610/1998. Maria Auxiliadora de Carvalho Corassa Revisor de Conteúdo Secretário de Educação a Distância Diretor-Presidente do Núcleo de Fernando José Arrigoni Carlos Eduardo Bielschowsky Educação Aberta e a Distância . por qualquer meio eletrônico.ES Coordenadora do Sistema Universidade (27)4009-2208 Aberta do Brasil na Ufes Maria José Campos Rodrigues Laboratório de Design Instrucional Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP) (Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo. Fernando Nascimento.Bacharelado. Gerência 111 f.514 - CEP 29075-910. na medida justificada para o fim a atingir. Reinaldo Centoducatte Revisora de Linguagem DED . sem a prévia autorização. 2 / Fernando Nascimento Zatta. entre elas as previstas no inciso III (a citação em livros. Reinaldo Centoducatte em Ciências Contábeis . Fernando Ferrari. . Brasil) LDI coordenação Heliana Pacheco Zatta. indicando-se o nome do autor e a origem da obra). n. Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida. jornais. modalidade a distância Ministro da Educação Pró-Reitora de Ensino de Graduação Marília Nascimento Fernando Haddad Profª. da Coordenação Acadêmica do Curso de Graduação em Química. Contabilidade. 46 da Lei no. transmitida e gravada. na modalidade a distância.ne@ad Prof. I.Laboratório de Design Instrucional Diretor Pedagógico do ne@ad ne@ad Julio Francelino Ferreira Filho Av. 2011. de passagens de qualquer obra. amparado pelos limites do direito de autor no art. UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO Presidente da República Reitor pro tempore Coordenadora do Curso de Graduação Dilma Rousseff Prof. sendo toda reprodução realizada com amparo legal do regime geral de direito de autor no Brasil. José Otavio Lobo Name Z38c Contabilidade intermediária. Susllem Meneguzzi Tonani Inclui bibliografia. Capa Marianna Schmidt CDU: 657 Impressão Copyright © 2011. Goiabeiras . revistas ou qualquer outro meio de comunicação.ne@ad Design Gráfico João Carlos Teatini de Souza Clímaco Maria José Campos Rodrigues LDI . ES.Diretoria de Educação a Cleonara Maria Schwartz Distância Sistema Universidade Aberta Diretora Administrativa do Núcleo de do Brasil Educação Aberta e a Distância . para fins de estudo.Vitória : Universidade Federal do Espírito Santo. Ricardo Esteves .Vitória . crítica ou polêmica. por escrito. Editoração ISBN: 978-85-8087-031-2 Marianna Schmidt 1. : il. por fotocópia e outros. Núcleo de Educação Aberta e a Distância. Título.

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Introdução e histórico 11 3. Inclusão da DLPA na DMPL 33 11. Demonstração dos fluxos de caixa (DFC) 36 12. Demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL) 22 9. Demonstrações contábeis 20 8. Princípios de contabilidade 19 7. Demonstrações contábeis em moeda de capacidade aquisitiva constante 103 Referências bibliográficas 108 . Substituição da DOAR pela DFC 46 13. Demonstração do valor adicionado (DVA) 61 15. Objetivo das demonstrações contábeis 11 4. Demonstração de origens e aplicações de recursos (DOAR) 53 14. Usuários das demonstrações contábeis 12 5.sumário 1. Notas explicativas 72 Notas Explicativas | Exemplos 82 16. Legislação societária 14 6. Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DLPA) 27 10. Apresentação 7 2. Relatório da Administração 98 17.

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que se iniciou nos anos de 1990 e tem se acelerado vertiginosamente desde então. para as partes que se interessam pelas informações por ela geradas. bem como procuram por meio das informações contábeis inferirem estudos para prospecção futura. que vão se aprofundando. no âmbito do Fórum das Esta- tais pela Educação com foco nas Políticas e a Gestão da Educação Supe- rior. Além desses usuários que requerem informações necessárias para aferição das condições em que uma empresa se encontra. provocou e está provocando transformações profundas em todas as esferas sociais.1 Apresentação Segundo a Universidade de Brasília (UnB. consequen- temente. no âmbito do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Especialmente no sistema produtivo. da mesma forma. o avanço das tec- nologias da informação e comunicação (TICs). Este fascículo foi desenvolvido de acordo com o Plano de Curso da Disciplina Contabilidade Intermediária II a ser aplicada na modalidade de Educação Distância do curso de Ciências Contábeis da UFES. o reflexo do progresso tecnológico pode ser percebido na expansão do mercado de trabalho e. Trata-se de uma política pública de articulação entre a Secretaria de Educação a Distância (SEED/MEC) e a Diretoria de Educação a Distância (DED/CAPES) com vistas à expansão da educação superior. do qual a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) faz parte. São elas os usuários internos e externos. A Contabilidade tem como finalidade evidenciar a situação patrimo- nial e financeira das entidades. em parceria com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior – ANDIFES e Empresas Estatais. sejam com ou sem finalidade de lucro. Esperamos que os assuntos aqui tratados sejam de fácil assimilação. também fazem uso dessas infor- 7 . A contabilidade possui diversos níveis de complexidade. na demanda por ampliação da oferta de ensino para a forma- ção de quadros profissionais qualificados e continuamente atualizados. O nível in- termediário envolve temas que são advindos dos conhecimentos básicos e introdutórios. 2010). Es- sas pessoas que se utilizam da informação contábil fazem parte direta ou indiretamente da empresa. Desta forma foi criado o Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) pelo Ministério da Educação no ano de 2005. apresentados no tópico “Usuários das Demonstrações Contábeis” deste fascículo.

Notas Explicativas. de aplica- ção ilimitada e de uso global. que dispõe sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade. estruturando um modelo de contabilidade pessoal. Demons- trações Contábeis em Moeda de Capacidade Aquisitiva Constante (CMI). identificar como as modificações patrimoniais poderão ser representadas nos demonstrativos contábeis. Quanto ao conteúdo programático da disciplina Os conteúdos da disciplina Contabilidade Intermediária II são apre- sentados a seguir: Princípios de Contabilidade: Em 28 de maio de 2010 o Conselho Federal de Contabilidade (CFC). para elaborar um controle e equilíbrio nos seus orçamentos domésticos. Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC). por meio da RESOLUÇÃO CFC Nº 1282/10. atualizou e consolidou os dispositivos da Resolução CFC nº. 1. Demonstração das Origens e Aplicações de Re- cursos (DOAR): Apresentação. tendo em vista que o Conselho Federal de Contabilidade emitiu a NBC T 1 – Estrutura 8 . Demonstração do Valor Adicionado (DVA). Conteúdo Programático O Plano de Curso abordado na Disciplina Contabilidade Intermediá- ria II constitui-se dos seguintes tópicos: Quanto ao objetivo da disciplina Expor a utilidade e a importância de cada demonstrativo contábil. desenvolver técnicas que possibilitem a correta interpretação e elabo- ração dos demonstrativos contábeis. uma profissão de natureza contínua. Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA). com conhecimentos básicos de Contabilidade. 750/93. na visão deste conteudista. Quanto à ementa da disciplina Princípios fundamentais de contabilidade: revisão. Vocês escolheram. Demonstração das Mutações do Patri- mônio Líquido (DMPL).1. Estrutura Con- ceitual Básica da Contabilidade e Pronunciamento Conceitual Básico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). Tal atualização e consolidação se deram por conta do processo de convergência às normas internacionais de contabilidade. mações as pessoas físicas.

Neste sentido. relevância / materialidade. que discute a aplicabilidade dos Princípios Fundamentais de Conta- bilidade contidos na Resolução CFC n. Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade Trata dos pressupostos básicos dos Regimes de Competência e da Continuidade. Métodos de elaboração. confiabilidade. Técnicas de elaboração. pru- dência. quais sejam: compreensibilidade. Trata das características qualitativas das Demonstrações Contá- beis. equilíbrio entre custo e benefício.Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contá- beis. julgando ser suficiente para o perfeito entendimento dos usuários das Demonstrações Contábeis e dos profissionais da Contabilidade. primazia da essência sobre a forma. neutralidade. a Resolução CFC n. integridade. há a necessidade de harmonização dos dois documentos vigentes (Resolução CFC n. que são a: representação adequada. Para assegurar a adequada aplicação das Normas Brasileiras de Contabilidade à luz dos Princípios de Contabilidade. Trata das limitações na relevância e na confiabilidade da infor- mação contábil. Demonstração do Resultado Abrangente (DRE-A) Aspectos introdutórios. Balanço Patrimonial (BP) e Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) Revisão e combinação com as demais demonstrações.º 750/93 e NBC T 1). equilíbrio entre características qualitativas.º 750/93. o CFC alterou a denominação de Prin- cípios Fundamentais de Contabilidade para Princípios de Contabilidade (PC). em consideração à importância do conteúdo doutrinário apresentado nesta Re- solução. 9 . Trata dos atributos que devem ser observados para alcançar a confiabilidade da informação contábil. nesse novo cenário convergido em alicerce para o julgamento profissional na aplicação das Normas Brasileiras de Contabilidade. Por conta dessa harmonização.º 750/93 foi e continuará sendo re- ferência para outros organismos normativos e reguladores brasileiros e. continua sendo. definidas como: tempestividade. dos princípios e convenções. A aplicação dos postulados. e alguns exemplos práticos serão vistos dentro de cada tópico explicitado nas de- monstrações elencadas na ementa. comparabilidade.

Outras notas explicativas. Notas explicativas em demonstrações contábeis comparativas de acordo com as normas brasileiras de contabilidade técnicas (NBC T’s) emanadas do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). 10 . Substituição da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumula- dos pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido. forma de elaboração. Demonstrações das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) Aspectos Introdutórios. Apresentação. Aplicação às Companhias Abertas. Técnicas de elaboração. Métodos de elaboração. Mutações nas contas patrimoniais. Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) Aspectos Introdutórios. origem das parcelas. Conteúdos. Técnicas de elaboração. Demonstração do Valor Adicionado (DVA) Aspectos introdutórios. Notas Explicativas: Aspectos introdutórios: as notas explicativas conforme a lei das socie- dades por ações e normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Metodologia de Avaliação A metodologia de avaliação é constituída pelas diretrizes para o Ensino Superior a Distância estabelecidas pela UFES. Técnicas de elaboração. Demonstrações dos Fluxos de Caixa (DFC) Aspectos Introdutórios. Comentários sobre as notas da Lei das Sociedades por Ações. Forma de apresentação. Métodos de elaboração.

reeleger ou substituir os membros da administração. 3 Objetivo das demonstrações contábeis O objetivo das Demonstrações Contábeis é fornecer informações so- bre a posição patrimonial e financeira. 11 . uma vez que retratam os efeitos financeiros de acontecimentos passados e não incluem. manter ou vender seus investimentos na entidade. a Con- tabilidade identifica. elas não fornecem todas as informações que os usuários possam necessitar. O nível in- termediário envolve temas que extrapolam conhecimentos básicos mais aprofundados no pressuposto de formar um alicerce para os temas apli- cados no nível avançado. As Demonstrações Contábeis buscam atender às necessidades co- muns da maioria dos seus usuários. Entretanto. A principal finalidade da Contabilidade é fornecer informações para serem usadas pelos usuários no processo decisório. As Demonstrações Contábeis também objetivam apresentar os re- sultados da atuação da administração na gestão da entidade e sua ca- pacitação na prestação de contas quanto aos recursos que lhe foram confiados. A Contabilidade possui diversos níveis de complexidade. que sejam úteis a um grande número de usuários em suas avaliações e tomadas de decisões econômicas. Aqueles usuários que desejam avaliar a atuação ou prestação de contas da administração fazem-no com a finalidade de estar em con- dições de tomar decisões econômicas que podem. o desempenho e as mudanças na posição patrimonial e financeira da entidade. mensura e demonstra os eventos econômicos de uma entidade.2 Introdução e histórico A Contabilidade tem como objetivo básico o controle do patrimônio das entidades com ou sem finalidades de lucro. neces- sariamente. incluir. bem como o das pessoas naturais. Diante disso. informações não-financeiras. por exemplo.

A alta-admi- nistração pode utilizar a contabilidade em diferentes situações. de acordo com as necessidades da organização. Usuários internos: são todas as pessoas ou grupos de pessoas rela- cionadas com a empresa e que têm facilidade de acesso às informações contábeis. custos de fabricação ou de venda. a elaboração de um projeto para conhecer a viabilidade econômico-financeira de um produto. tais como: Gerentes ou Administradores: para a tomada de decisões. despesas de funcionamento. 12 . contas a receber. contas a pa- gar. mensalmente. disponibilidades. entre outros períodos. semanalmente. seus benefícios e suas oportunidades de emprego. Os relatórios específicos podem abranger quaisquer áreas de infor- mação (fluxo financeiro. para de- cidir sobre um novo produto. pode solicitar a elaboração de relatórios específicos para auxiliar na gestão dos negócios. Funcionários e empregados: com interesses em melhorias e bene- fícios estão interessados em informações sobre a estabilidade e a lucratividade de seus empregadores. O usuário interno principal na organização é a alta-administração que. empreendimento ou de um negócio. Diretores: para a execução de planejamentos organizacionais. Usuários externos: são todas as pessoas ou grupos de pessoas quem não têm a mesma facilidade de acesso direto às informações. 4 Usuários das demonstrações contábeis Os usuários das Demonstrações Contábeis podem ser classificados em internos e externos. entre outras) e podem ser elaborados em períodos determinados (diariamente. entre outras decisões. Interessam-se por infor- mações que lhes permitam avaliar a capacidade da entidade de prover sua remuneração. mas que as recebem por meio de publicações. pela proximidade à Contabilidade. bem como mensurar o quanto o seu trabalho agrega de valor ao negócio.

Outros credores por empréstimos: são os interessados em informa- ções que lhes permitam determinar a capacidade da entidade para pagar seus empréstimos e os correspondentes juros no vencimento. manter ou vender investimentos. espe- cialmente quando têm um relacionamento a longo prazo com ela. essa atuar sobre o resultado operacional no que concerne à parcela de tributação e planeja- mento macroeconômico (base para determinar a renda nacional e estatísticas para fins diversos). tendo em vista a menor possibilidade de obter essas informações sobre a en- tidade. os governos e suas agências estão interessados na destinação de recursos e. Para esses usuários as fontes de informações importantes são as Demonstrações Financeiras publicadas. Outros Credores Comerciais: além dos fornecedores. Fornecedores: interessados em conhecer a situação da empresa para poderem continuar ou não as transações comerciais. Bancos: interessados nas demonstrações financeiras a fim de ana- lisar essa concessão de empréstimos e financiamos e medir essa capacidade de retorno do capital emprestado. além de avaliarem a capacidade futura de recebimento. ou dela dependem como fornecedor importante. Clientes: interessados em medir a integridade da empresa e a ga- rantia que seu pedido será atendido nas especificações e termos contratuais ajustados. Os acionistas também estão interessados em informações que os ha- bilitem a avaliar se a entidade tem capacidade de pagar dividendos. Necessitam também de informações a fim de regulamentarem essas atividades das entidades e estabe- lecerem políticas fiscais. Estes usuários possuem acesso mais limitado às informações. Governos e suas Agências: necessitam obter informações sobre as receitas e as despesas para poder. portanto. Os clientes também têm interesse em in- formações sobre a continuidade operacional da entidade. apuradas em conformidade com as normas e práticas contábeis vigentes. Concorrentes: interessados em conhecer a situação da empresa para poderem atuar no mercado. Eles necessitam de informações para ajudá-los a decidir se devem comprar. nas atividades das entidades. Investidores: provedores de capital de risco e seus analistas que se preocupam com o risco inerente ao investimento e ao retorno que ele pode produzir. Além disso. outros credo- res estão interessados em informações que lhes permitam avaliar 13 .

385.638/07. por exemplo. em suas disposições de natureza contábil. e juntamente com a Lei das Sociedades por Ações (Lei 6. Público (outros usuários): As entidades afetam o público de diversas maneiras. de 7 de dezembro de 1976. foram preparadas de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil. a Contabilidade é regulada pela Lei das Sociedades Anô- nimas. se antecederam e pu- blicaram suas Demonstrações Contábeis referentes ao exercício findo em 31 de dezembro de 2007 de acordo com a nova lei. instituída pela Lei 6. nos Pro- nunciamentos.404/76. Seu poder normatizador abrange todas as matérias referentes ao mercado de valores mobiliários. alterada pela Lei nº 11.404/76) disciplinará o funcionamento do mercado de valores mobiliários e a atuação de seus protagonistas. normatizar e fiscalizar a atuação dos diversos integrantes do mercado. 449/08 convertida na Lei nº 11. que introduziu modificações na Lei nº 6. a não ser que dependam da continui- dade da entidade como um cliente importante.   14 . inclusive empregando pessoas e utilizando fornecedores locais. Em 28 de dezembro de 2007. nas Orientações e nas Interpretações emitidas pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). com base nas disposições contidas na Lei das Sociedades por Ações. 1 Comissão de Valores Mobiliários .404/76. referentes ao exer- cício findo em 31 de dezembro de 2008.A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda do Brasil. Lei nº 6. sendo que alguns ajustes são relativos à situação de natureza tributária. Outras sociedades. mesmo não havendo exigência.404/76 e suas alterações. bem como nas normas estabelecidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM)1. 5 Legislação societária No Brasil. se as importâncias que lhes são devidas serão pagas nos respec- tivos vencimentos.638/07 e pela Medida Provisória no. Os credores comerciais provavelmente estão interessados em uma entidade por um período menor do que os credores por empréstimos.931/09. para o fim de possibilitar a com- parabilidade com o exercício findo em 31 de dezembro de 2008 e seguintes. foi sancionada a Lei nº 11. As Demonstrações Contábeis de algumas sociedades. Essa lei entrou em vigor em primeiro de janeiro de 2008. Elas podem. fazer contribuição substancial à economia local de vários modos. As Demonstrações Contábeis podem ajudar o público fornecendo informações sobre a evolução do de- sempenho da entidade e os desenvolvimentos recentes. A CVM tem poderes para disciplinar. Lei nº 6.

e introduziu novos conceitos quanto a alguns aspectos que a seguir são relatados. sendo os saldos registrados na conta de ou- tras receitas e despesas operacionais. orientações e pelas interpretações emitidas pelo Co- mitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). As principais alterações são as seguintes: a) Substituição da Demonstração das Origens e Aplicações de Re- cursos pela Demonstração do Fluxo de Caixa. 15 . em 31 de dezembro de 2008. b) Eliminação da rubrica “Resultados Não Operacionais” na de- monstração do resultado conforme regulamentado pela Medida Provisória no. Sumário das Práticas Contábeis Modificadas A seguir são apresentadas as principais alterações nas práticas con- tábeis promovidas pela Lei nº 11. Essas Demonstrações Con- tábeis foram preparadas de acordo com o Pronunciamento Contábil CPC nº 13 aprovado pela Deliberação CVM no. 5. Alterações estas também feitas por meio de normas estabelecidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). c) Eliminação da reserva de reavaliação de ativos. 565/08.1. Adoção Inicial da Lei nº 11. pelos pronunciamentos. A nova lei surgiu trazendo mudança de filosofia.2. Todo este arcabouço aplicá- vel às sociedades mercantis surgiu para ser adotado para elaboração das Demonstrações Contábeis referentes ao exercício findo em 31 de dezem- bro de 2008.638/07 e pelos artigos 36 e 37 da Me- dida Provisória no. 449/08. neste caso. 449/08.638/07 e Medida Provisória no 449/08 As Demonstrações Contábeis para o exercício findo em 31 de de- zembro de 2008 foram as primeiras apresentadas de acordo com as novas práticas contábeis adotadas no Brasil.5. postura e pensa- mento. Os saldos existentes nas reservas de reavaliação deverão ser mantidos até sua efetiva rea- lização ou deveriam ter sido estornados até o fim do exercício social em que a lei entrou em vigor.

Este tópico leva em consideração a subs- tância e a realidade econômica.638/2007 modificou a definição do Imobili- zado. independentemente de haver a transferência de propriedade. A nova lei incluiu um novo conceito para classificação no ativo imobilizado: de acordo a nova lei são classificados como imobilizados os bens decorrentes de operações em que haja a transferência de benefícios e controle do risco. Por exemplo. Neste caso. da Lei nº 6. a partir do novo texto. a Lei nº 11.404/76. por exemplo. no ativo imobilizado.3. Com isso a alteração no artigo 179. na “Primazia da Análise de Riscos e Benefícios Sobre a Propriedade”. Uma vez estando presentes esses atributos. independentemente da propriedade jurídica. e não meramente sua forma legal.4. IV. Primazia da Análise de Riscos e Benefícios Sobre a Propriedade Jurídica A nova Lei nº 11. 5. baseada. 5. Em tais circunstâncias. Primazia da Essência sobre a Forma Considerada uma das mudanças mais relevantes. fundamentalmente. as operações de leasing financeiro incluídas. riscos e controle de bens como. promove a convergência às práticas das normas in- ternacionais (IAS 17). poderão existir acordos que assegurem que a entidade continuará a usufruir os futuros benefícios econômicos gerados pelo ativo e o recomprará depois de certo tempo por um montante que se aproxima do valor original de venda acrescido de juros de mercado durante esse período.638/07 introduziu alterações nos critérios de conta- bilização e mensuração relativas a ativos imobilizados. o ativo precisa ser contabilizado no balanço da entidade. para que a infor- mação represente adequadamente as transações e outros eventos que ela se propõe a representar. A essência das transações ou outros eventos nem sempre é consistente com o que aparenta ser com base na sua forma legal ou artificialmente produzida. qualificando as operações que transfiram a com- panhia os benefícios. 16 . repor- tar a venda não representaria adequadamente a transação formalizada. uma entidade pode vender um ativo a um ter- ceiro de tal maneira que a documentação indique a transferência legal da propriedade a esse terceiro. Entretanto.

c) Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA).6. e) Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis. órgãos reguladores ou autoridades fis- cais. Governos. tendo em vista suas finalidades distintas e necessidades diversas. preparar e emitir pronunciamentos técnicos sobre procedimentos de contabilidade e divulgar informações dessa natureza. levando sempre em consideração o processo de con- vergência às normas internacionais. por exemplo. e f) Instituto dos Auditores independentes do Brasil (IBRACON). podem especificamente determinar exigências para atender a seus próprios fins. au- menta-se a responsabilidade do auditor. 17 . b) Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (APIMEC). Atuariais e Finan- ceiras (FIPECAFI/USP). bem como a entidade e a gestão.5. Nesse caso o contador passa a ter um poder de responsabilidade incrementado. O CPC tem por objetivo estudar. O CPC é composto em sua maior parte por instituições representa- tivas dos contadores.5. de igual modo. Normas Orientadas em Princípios e Julgamentos Esta é uma adoção da filosofia de que as normas contábeis devem ser posicionadas nos princípios e nos objetivos do que se pretende obter com a informação do que em observância a um enorme conjunto de regras. visando a permitir a emissão de normas uniformes pelas entidades-membro. 5. que precisa ter conhecimento da operação registrada e de sua essência econômica para fazer o exercí- cio de julgamento ou opinião profissional. d) Conselho Federal de Contabilidade (CFC). Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade As Demonstrações Contábeis são preparadas e apresentadas para usuários externos em geral. O Pronunciamento Conceitual Básico do Comitê de Pronunciamen- tos Contábeis (CPC) é uma tradução do documento original Framework for the Preparation and Presentation of Financial Statements do Inter- national Accounting Standards Booard (IASB). Atualmente o CPC é composto por seis entidades: a) Associação Brasileira das Companhias Abertas (ABRASCA).

A expressão “princípios contábeis” foi originada pela Circular nº 179/72 do Banco Central e pela Resolução nº 321/72 do CFC. Relevância / Materialidade. Características Qualitativas das Demonstrações Contábeis Compreensibilidade. Confiabilidade. e Integridade. seria necessária a aplicação dos seguintes pressupostos: Pressupostos Básicos Regime de Competência. Esse pronun- ciamento definiu que. 1. O Pronunciamento Conceitual Básico tem como objetivo assegu- rar que as Demonstrações Contábeis elaboradas forneçam informações sobre a posição patrimonial e financeira da entidade. e do que a Deliberação CVM nº 29/86. que trata dos Princípios Contábeis Geralmente Aceitos. sobre seu desem- penho e sobre as modificações na sua posição financeira. a “Estrutura Con- ceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis”. Essa estrutura conceitual é considerada como mais abrangente do que a Resolução CFC nº 750/93 que trata dos Princípios Fundamentais de Contabilidade. Continuidade. Em 28 de março de 2008 o Conselho Federal de Contabilidade apro- vou por meio da Resolução CFC nº. Atributos que devem ser observados para alcançar a “Confiabilidade da Informação” contábil Representação Adequada. Neutralidade. Prudência. para que as normas contábeis brasileiras sejam convergentes com as normas contábeis internacionais. e Comparabilidade.121/08 a NBC T 1. Essas características são os atributos que tornam as Demonstrações Contábeis úteis para seus usuários. Essa estrutura conceitual havia sido adotada pelo IASB em abril de 2001. Primazia da Essência sobre a Forma. 18 .

e Equilíbrio entre Características Qualitativas. Equilíbrio entre Custo e Benefício. Resoluções CFC nº. estão disponíveis na Plataforma Moodle. por ato do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). desde Fundamentais de Contabilidade e 28 de maio de 2010. de acordo com as como PRINCÍPIOS DE CONTABILIDADE. 19 . 750/93 e 1282/10. Os Princípios anteriormente conceituados como PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS. Limitações na Relevância e na Confiabilidade da Informação Contábil Tempestividade. 6 Princípios de contabilidade Os Princípios Fundamentais de Contabilidade aplicados no Brasil. respectivamente. passaram a ser conceituados Contabilidade. os Princípios de por meio da RESOLUÇÃO CFC Nº 1282/10. Visão Verdadeira e Apropriada (True and Fair View) A aplicação das principais características qualitativas e de normas e práticas de contabilidade apropriadas normalmente resultam em De- monstrações Contábeis que refletem aquilo que geralmente se entende como apresentação verdadeira e apropriada das referidas informações (true and fair view).

as Demonstrações Contábeis que integram a ementa são as seguintes: 1.1. Demonstrações Contábeis em Moeda de Poder Aquisitivo Constante 7. Notas Explicativas. Demonstração do Valor Adicionado – DVA. c) Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) (in- clusa a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA). os mais importantes são as Demons- trações Financeiras (terminologia utilizada pela lei das S/A). as seguintes Demonstrações Contábeis: a) Balanço Patrimonial (BP). 7.404/76 A Lei nº 6.2. e) Notas Explicativas. Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL. b) Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). 7 Demonstrações contábeis 7. • Substituição da Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos – DOAR pela DFC. a diretoria fará elaborar. 4. Introdução Recapitulando o que verificamos no item: Conteúdo Programático. 20 . Demonstrações Contábeis (Financeiras) Entre os relatórios contábeis. • Substituição da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados – DLPA pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL. com base na escrituração contábil. 5. 3. d) Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos (DOAR).404/76 (Lei das S/A) estabelece que ao fim de cada exer- cício social.3. 2. Demonstração dos Fluxos de Caixa – DFC. Demonstrações Contábeis pela Lei nº 6. ou Demons- trações Contábeis (terminologia preferida pelos contadores).

Note que a DOAR não é mais obrigatória.638/07 tínhamos como obriga- tórias as seguintes demonstrações: Balanço Patrimonial (BP).638/2007 Como observado. Demonstrações Contábeis Instituídas pela Lei nº 11. A sua elaboração e publicação não será obrigatória para companhias fechadas com patrimônio líquido. é a intro- dução obrigatória da DVA para todas as companhias abertas.404/76 acerca da escrituração e elaboração de Demonstrações Contábeis (obri- gatoriamente auditadas para as companhias de grande porte). Com o advento da Lei nº 11. Assim.000. sendo esta exclusiva para companhias de capital aberto. Demonstração de Origens e Aplicações dos Recursos (DOAR). Modificações introduzidas pela Lei nº 11. A DFC passou a ser obrigatória para todas as companhias abertas e para todas as companhias fechadas com Patrimônio Líquido superior a R$ 2.000. antes da Lei nº 11. 21 . mesmo que não sejam sociedades por ações. inferior a dois milhões de reais. Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA). Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).638/07 surgiram como obrigatórias as seguintes novas demonstrações: Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC). A outra modificação introduzida pela Lei nº 11.638/07 A Lei nº 11.7. Houve a substituição da DOAR pela DFC.638/2007.00 (dois milhões) de re- ais na data do balanço. e Demonstração de Valor Adicionado (DVA). A DOAR não foi abolida do conceito contábil.4.638/07 introduziu novas disposições à Lei nº 6. a Demonstração de Origens e Aplicações dos Recursos deixou de ser obri- gatória e surgiu a Demonstração dos Fluxos de Caixa como obrigatória. A Demonstração de Valor Adicionado tornou-se obri- gatória apenas para as companhias de capital aberto. apenas não é mais obrigatória pela Lei das S/A. na data do balanço.

Auxilia na elaboração da Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos. Esclarece sobre o cálculo dos dividendos obrigatórios. Fornece informações complementares ao Balanço Patrimonial e à Demonstração do Resultado do Exercício. 8 Demonstrações das mutações do patrimônio líquido (DMPL) 8. Mutações das contas patrimoniais As operações que formam a mutação patrimonial consistem nos se- guintes destaques demonstrados a seguir: a) Operações que não influenciam no total do Patrimônio Líquido: • Transferências das contas de Reservas para a conta de Capital. Introdução Esta demonstração não é de divulgação obrigatória pela Lei nº 6. Auxilia na avaliação dos investimentos pelo método de equiva- lência patrimonial. 22 .1. portanto. Porém a sua publicação é exigida pela CVM. a divulgação das duas demonstrações. Indica o fluxo movimentado de uma conta para outra.404/76 e nº 11. para as companhias de capital aberto. Na apresentação e divulgação da DMPL a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados passa a ser parte integrante desta demonstra- ção. de acordo com a Instrução CVM nº 59. de 22/12/86. A DMPL tem como importância os seguintes aspectos Indica a formação e utilização de todas as reservas. Indica a origem e o valor de cada acréscimo ou diminuição no Pa- trimônio Líquido. não necessitando.638/07. Utilidade da DMPL Fornece a movimentação ocorrida nas diversas contas que com- põem o grupo de Patrimônio Líquido.

no topo de cada coluna. A técnica mais apropriada é abrir um papel de trabalho e fazer constar de forma sumariada e coordenada a movimentação ocorrida durante o exercício nas diversas contas do Patrimônio Líquido. Somar os saldos por conta para preencher a coluna “Total”. levando em consideração alguns procedimentos a serem seguidos. Transcrever o saldo de abertura de cada conta na data do Balanço Fi- nal do exercício anterior. b) Operações que modificam o total do Patrimônio Líquido: • Aumento da conta Capital com incorporação de bens ou dinheiro. Abrir um papel de trabalho colunado. no período. a saber: 23 . Os procedimentos a serem seguidos são: 1. no qual se transcreve. • Distribuição de lucros (dividendos). as colunas. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido pode ser apresentada de duas formas. e uma coluna final para o total. Totalizar. e totalizar também as linhas. 3. • Acréscimo ou redução por ajustes de exercícios anteriores. 2. abrindo linhas para cada natureza de transação. 5. Essa movimentação deve ser extraída das fichas do Livro Razão dessas contas. os nomes das contas. 4. Adicionar ou subtrair os movimentos ocorridos nas referidas contas. • Ajustes de Avaliação Patrimonial. tendo em vista que basta representar de forma resumida as movimentações ocorridas durante o exercício nas diversas contas do Patrimônio Líquido. Técnica de preparação da DMPL A preparação dessa demonstração é de fácil entendimento. • Acréscimo pelo lucro ou redução pelo prejuízo líquido do exercício. • Entrada de novas Reservas de Capital. • Reversões de Reservas da conta de Lucros do período para Lucros Acumulados. ao final. reservando espaço nas primeiras colunas para descrição da natureza das transações. • Transferência da conta de Lucros Acumulados para a conta Capital. cujos saldos devem coincidir com os sal- dos do Balanço.

Modelo detalhado Possui a vantagem de ser mais completa e demonstra o movimento em cada conta do patrimônio. Este modelo é demonstrado no Quadro 1. Quadro 1 – Modelo detalhado da DMPL Reserva de Movimentações Reservas de Lucro Capital Lucros ou Capital Ágio na Prejuízos Total Saldo em realizado Lucros a Acumulados Emissão de Legal Estatutária Contingência Orçamentária 31-12-X7 realizar Ações (+ -) Ajustes de Exercícios Anteriores Aumento de Capital Reversões de Reservas Lucro Líquido do Exercício Proposta da Administração de Destinação do lucro Reserva Legal Reserva estatutária Reserva orçamentária Reserva de Contingências Reserva de Lucros a Realizar Dividendos Saldos em 31-12-X8 Fonte: o autor 24 .

e não por conta. Quadro 2 – Modelo sumariado da DMPL Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido do Exercício Findo em 31-12-X9 Capital Reservas de Reservas de Lucros Natureza das transações Total realizado Capital Lucros Acumulados 1 . Nesse modelo as reservas de capital e as re- servas de lucros são apresentadas por seu total.Aumento de Capital Com lucros e reservas Por subscrição realizada 4 .Ajustes de Exercícios Anteriores: Efeitos da mudança de critérios contábeis Retificação de erros de exercícios anteriores 3 .Reversões de reservas: De Contingências De Lucros a realizar 5 . de forma que seus subtotais coincidam com os totais das colunas da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.Proposta de destinação do lucro Transferência para reservas: Reserva Legal Reserva de Lucros a Realizar Dividendos a distribuir (R$ por ação) 7 . Modelo sumariado Por esse modelo a técnica de preparação tem como objetivo uma apresentação mais objetiva.Saldos em 31-12-X7 2 . as contas do Patrimônio Lí- quido devem estar expostas individualmente no Balanço. Quando adotado o modelo sumariado.Lucro Liquido do exercício 6 .Saldos em 31-12-X8 Fonte: o autor 25 . Esta forma de apresentação pode ser observada no Quadro 2.

terá que publicar a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados formando o conjunto das Demonstrações Contábeis. a empresa. Neste caso. evidencia a movimentação de uma única conta do Patrimônio Líquido (Lucros Acumulados).A. e é importante para as empresas que avaliam seus in- vestimentos permanentes em coligadas ou controladas pelo método da Equivalência Patrimonial. 3. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido evidencia a movimentação de todas as contas do Patrimônio Líquido ocorrida du- rante o exercício. sendo que a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados incluída nesta). A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido evidencia a movimentação de todas as contas do Patrimônio Líquido. e sim pela Comissão de Valores Mobiliários para as companhias abertas. a DMPL pode ser preparada e apresentada como uma informação complementar em Nota Explicativa às Demons- trações Contábeis. 8. 26 .. 2. se assim proceder.2. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido não é exi- gida pela Lei das S. Resumo do capítulo 1. por ser mais completa e abrangente que a Demons- tração de Lucros ou Prejuízos Acumulados. De forma alternativa.

reservas essas que estarão sujeitas a dividendos obrigatórios. Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA). 27 . a sua distribuição e a movimentação ocor- rida entre períodos no saldo da conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados. Importância da DLPA Essa demonstração assume importância tendo em vista a distribui- ção do dividendo obrigatório.1. Demonstração do Resultado Abrangente (DRE-A). Estudaremos a partir de agora a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA). quando forem revertidas para a conta de Lucros Acumulados. das reser- vas de lucros a realizar e das reservas para contingências.638/07.404/76. Na Figura 1 é apresentado um esquema demonstrando a integração da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados com o Balanco Pa- trimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício. prevê quais Demonstrações Contábeis devem ser elabo- radas pelas companhias ao final de cada exercício social: Balanço Patrimonial (BP). Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC). sendo esta exclusiva para companhias de capital aberto. Introdução Conforme explanado anteriormente. cujo objetivo é possibilitar a evidenciação clara do lucro ou prejuízo do período. Momento de elaboração da DLPA A DLPA deverá ser elaborada após todos os ajustes finais. Demonstração de Valor Adicionado (DVA).9 Demonstrações de lucros ou prejuízos acumulados (DLPA) 9. alterada pela nº Lei 11. a Lei nº 6. ou seja. após o levantamento do Balanço Final do exercício e encerramento do resultado do exercício. bem como a possibilidade de segregar as parcelas do lucro do exercício para formação da reserva legal. Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).

pag. 2 = = - = 3 Fonte: Iudícibus. Marion (1995.) 28 . Figura 1 – Esquema gráfico – integração da DLPA com o BP e DRE 1 - .

no exercício social anterior. deverão seguir as disposições da lei societária. 2 Incluem-se no conceito de sociedade de grande porte as sociedades que. ativo total superior a R$240 milhões ou receita bruta anual superior a R$300 milhões. 3. que a conta “Lu- cros Acumulados” deixou de existir. Outras movimentações do Patrimônio Líquido. Porém. demonstrado no Balanço Patrimonial. Entendendo a integração entre a DPLA e o BP e DRE. como distribuição de dividendos. por exemplo. para as sociedades por ações e para os balanços do exercício social terminado a partir de 31 de de- zembro de 2008.638/07 as sociedades de grande porte2. individualmente ou em conjunto com outras sociedades sob o mesmo controle. Obrigatoriedade de elaborar e publicar a DLPA De acordo com a Lei nº 11. O resultado das operações realizadas durante o exercício (de- monstrado pela DRE) é acrescido ou diminuído do saldo inicial. demonstrada na Figura 1: 1. tiverem. aumento de capital ou distribuição de lucros)? Com o advento da Lei nº 11. também são evidenciadas na DLPA. 2. essa conta possui natureza transitória. O saldo inicial da DLPA é o mesmo registrado no Patrimônio Lí- quido no início do exercício. Isto não significa. no que tange à elaboração de Demonstrações Financeiras. ainda que não constituídas sob a forma de sociedades por ações de ca- pital aberto. o saldo final de “Lucros ou Prejuízos Acumulados” não poderá mais ser credor. Características informacionais da DLPA A DLPA possui capacidade de responder às seguintes perguntas dos usuários da informação contábil: Qual foi o resultado do período (lucro ou prejuízo)? Quais eram os resultados acumulados? Quais foram as destinações do resultado (constituição de reservas. e será utilizada para servir de contrapartida às reversões das reservas de lucros e às destinações do lucro. entretanto. 29 . O saldo final do exercício demonstrado na DLPA é exatamente o mesmo saldo do Patrimônio Líquido do exercício subsequente após ajus- tes.638/07.

000 por ação) Saldo no final do período Fonte: o autor 30 . a parcela do lucro incorporada ao capital e o saldo do período. 186 da Lei nº 6. essa demons- tração dever ser elaborada e apresentada da seguinte forma: Quadro 3 – Forma de elaboração da DLPA Descrição 2009 2008 Saldo no início do período (+/-) Ajustes de exercícios anteriores: Efeitos da mudança de critérios contábeis Retificações de erros Reversão de reservas: De contingências De lucros a realizar Lucro líquido do exercício Saldo disponível Proposta da administração para distribuição do lucro Reserva legal Reservas estatuárias Reservas para contingências Reserva orçamentária Reserva de Lucros a Realizar Dividendos a distribuir ($0. de acordo com a Lei das S/A. II.o saldo do início do período e os ajustes de exercícios anteriores. os dividendos. Conforme comentado.as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício. a DLPA discriminará: I.404/76. III. Conteúdo e forma de elaboração De acordo com o Art.as transferências para reservas.

pode ser revertida para distribuição de dividendos. sem afetar as receitas ou despesas do período Como exemplos: 1. falta de registro referente a baixa de bens do ativo permanente.Origem das parcelas: a) Ajuste de exercícios anteriores . mudança no método de avaliação dos investimentos (do mé- todo do custo para o da equivalência patrimonial). first Out). Transferência do saldo total ou parcial da conta de Reserva de Capital para a conta de Reserva de Lucro. por inferência. 2. não provocam influência na determinação do lucro e. c) Reversões e Transferências de Reservas . tais como inversão de lançamento.Quando a reserva perde seu objetivo. na conta- bilização do Imposto de Renda (e outros passivos). Neste caso. que em português significa primeiro a entrar. Exemplos: 1. entre outros). cuja Nota Fiscal já foi objeto de cancelamento. contrapartida a débito em conta indevida ou con- trapartida a crédito em conta indevida. no resultado tributá- vel do exercício. 2. 4. 2. primeiro a sair. alteração do método de avaliação dos estoques (do custeio di- reto para o custeio por absorção ou do FIFO (First In.Quando ocorre a transferência do saldo de uma reserva para outra. 3. Transferência . b) Retificação de erro de exercícios anteriores Como exemplos: 1. despesa lançada a menor do que a efetivamente paga ou incorrida.serão registradas diretamente na conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados. 3. erros cometidos com contas patrimoniais. e aumento de capital. 31 . receita lançada a maior ou manutenção na contabilidade de valor de receita. Reversão da Reserva de Expansão. passagem do regime de caixa para o de competência. 3. para Custo Médio.

As participações nos lucros já foram computadas nesse resultado. os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório a metade do lucro líquido ajustado. (-) Valor destinado à formação da Reserva para Contingências. Na hipótese do estatuto ser omisso. Cálculo do dividendo por ação do Capital Social: Dividendos distribuídos (ou a distribuir) no ano Número de ações em circulação 32 . (+) Reversão das Reservas para Contingências formadas em exercícios anteriores. g) Lucro Líquido ou prejuízo ajustado Lucro Líquido do exercício: (+/-) Quota destinada à constituição da Reserva Legal. Transfe- rências para Reservas Patrimoniais (Legal Estatutária e Lucros a Realizar). d) Lucro ou Prejuízo Líquido do Exercício . (+) Reversão de Reservas de Lucros a Realizar.O estatuto social da companhia poderá estabele- cer os critérios de determinação dos dividendos. Dividendos por Ação: A DLPA deverá indicar o montante do dividendo por ação do capital social. Essa informação é uma das que mais influencia o valor da ação no mercado.Apropriação do lucro. e) Transferência para Reservas . (-) Lucro a Realizar transferidos para a respectiva Reserva. f) Dividendos . Pode ser indicada na própria linha que indica o valor dos dividen- dos. desde que sejam regu- lados com precisão e minúcia e não sujeitem os acionistas minoritários ao arbítrio dos órgãos da administração ou da maioria. não usado.

que estabelece que a DLPA. 274 do RIR/99). sendo que. • Não serão constituídas outras reservas. Portanto. a DMPL pode substituir a DLPA e não haveria então a necessidade de elaborar e publicar as duas demonstra- ções.638/07 mantém a mesma opção de acordo com o §2º do art. • O lucro servirá de base para o cálculo do Imposto de Renda à razão de 15%.404/76.10 Inclusão da DLPA na (DMPL) De acordo com o artigo 186.000 ações ordinárias. • A política de distribuição de dividendos é de 50% sobre o capital. • A reserva legal será calculada dentro dos limites permitidos por lei. poderá ser incluída na demonstração das mutações do patrimônio líquido.000. incluir a demonstração de lucros ou pre- juízos acumulados nas demonstrações das mutações do patrimônio líquido. 33 . Exemplo de Estruturação da DLPA. durante 5 anos serão extraídos 20% do Lucro. a companhia poderá. destinado aos projetos de expansão da empresa. A DLPA é obrigatória para as sociedades limitadas e outros tipos de empresas. adiante transcrito. 186 da Lei 6. se elaborada e pu- blicada pela companhia. com os dados que se seguem: • O lucro antes do Imposto de Renda é R$ 50.” A Lei nº 11. conforme a legislação do Imposto de Renda (art.404/76. • O Capital Social Integralizado é constituído por 4. “A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados deverá indicar o montante do dividendo por ação do capital social e poderá ser inclu- ída na demonstração das mutações do patrimônio líquido. • Foi aprovado um projeto de expansão da fábrica. à sua opção. se elabo- rada e publicada pela companhia. § 2º da Lei nº 6.

1.00 ( .00 (20% do Lucro Líquido) Subtotal 32.400.) Dividendos (50% Capital) 2. A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados serve de “ponte” entre a Demonstração do Resultado do Exercício e o Balanço Pa- trimonial. reserva para contingência.00 Saldo Final 30.00 Lucro líquido 42.00 ( . 34 .00 (+/-) Lucro Líquido do Exercício 42.) Reserva Orçamentária (de expansão) 8.300. Resolução: Cia Teste Situação em 31-12-2009 Demonstração do Resultado do Exercício – DRE Lucro antes do IR 50.000) 10.600/4.00 ( .000. em seguida constituir-se a proposta de distribuição de dividendos.125. Em seguida reconhece-se as destinações para as contas de reservas e.600.) Provisão para IR 7. uma vez que após apurar o lucro do exercício elabora-se o Ba- lanço Patrimonial. 2. somando-se o lucro ou prejuízo apurado no exercício ao saldo remanescente de lucros ou prejuízos acumulados. reserva estatutá- ria. As possíveis classificações que podem ser dadas com relação às distribuições dos lucros são: Reservas de Lucros que podem ser reserva legal. Resumo do capítulo 1.600.00 Lucro líquido por ação de capital (42.600.) Reserva Legal (5% do Lucro Líquido) 2.000.075.300.00 Fonte: o autor 10.625 Cia Teste Situação em 31-12-2009 Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados – DLPA Saldo inicial 42. reserva orçamentária e reserva de lucros a realizar.00 ( .

7. 6. 4. deve conter um projeto de investimento com a determinação do prazo de execução desse projeto. em exercício futuro. que poderá ter duração de até cinco anos. A Reserva Legal tem como finalidade assegurar a integridade do capital social e só poderá ser utilizada para compensar Prejuízos ou au- mentar Capital. A conta Ajustes de Exercícios Anteriores evidencia os efeitos da mudança de critério contábil ou retificação de erro imputável a determi- nado exercício anterior e que não possa ser atribuído a fatos subsequen- tes e não deva ser considerada na DRE. A Reserva para Contingência deve ser constituída quando hou- ver a necessidade de compensar. devemos incluí-la na De- monstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados. 3. fixo ou circulante. • Reserva para Contingência. • Dividendos. Dividendos. 5. Essa reserva será revertida no exercício em que deixarem de existir as razões que justificaram sua constituição ou em que ocorrer a perda. no caso de prazo superior. Os dividendos a distribuir devem ser calculados após obtenção do lucro disponível. devendo compreender todas as fontes de recursos e aplicação de capi- tal. • Reserva de Lucros a Realizar. • O estatuto poderá estabelecer o dividendo com porcen- tagem do lucro ou do capital social ou fixar outros critérios para determiná-lo. quando da elaboração da destinação do lucro na Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados. Se uma empresa apurar lucro em determinado exercício. 35 . Portanto. ou. • Reserva Orçamentária. cujo valor possa ser esti- mado. a diminuição do lucro decorrente de perda julgada provável. poderá destiná-lo da seguinte forma: • Reserva Legal (5%). • Reserva Estatutária. Para constituição da Reserva Orçamentária é necessário apre- sentar a justificativa da retenção de lucros proposta à Assembléia Geral. pois o princípio de competência de exercícios deve ser respeitado.

638. que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício: I . principalmente quando analisadas em conjunto com as demais demonstrações quanto: a) à capacidade de a empresa gerar futuros fluxos de caixa líquidos. Finalidade A finalidade da DFC é permitir aos usuários das Demonstrações Contábeis informações.638/07): Art. b) à capacidade de a empresa honrar seus compromissos. ocorridos num de- terminado período. II . Ao fim de cada exercício social.2. Introdução A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) com a introdução da Lei nº 11.Demonstração do Resultado do Exercício. III . Demonstração de Valor Adicio- nado. (Incluído pela Lei nº 11. De acordo com a legislação societária (Lei nº 11. de 2007) V – se companhia aberta. em dinheiro. O objetivo primário da DFC é prover informações relevantes quanto a pagamentos e recebimentos. e (Redação dada pela Lei nº 11. as seguintes De- monstrações Contábeis.1. a diretoria fará elaborar. e IV – Demonstração do Fluxo de Caixa. com base na escrituração mercantil da companhia. 11 Demonstração dos fluxos de caixa (DFC) 11. 176.638/07 passou a ser obrigatória no Brasil.638.Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados.Balanço Patrimonial. 36 . 11. de 2007). pagar dividendos e liquidar empréstimos contraídos.

638. que são a base para a avaliação da situação financeira da empresa e sua capacidade de pagamento de obrigações.12. entre outros aspectos. 11. por elimi- nar os efeitos de distintos tratamentos contábeis para as mesmas transações e eventos. 176 da Lei nº 11. no saldo de caixa e equivalentes de caixa. 11. sobre a posição financeira da empresa. de alta liquidez. art. Evidencia também as origens e aplicações de caixa. c) à liquidez (capacidade de pagamento em curto prazo). Definições básicas Caixa: numerário em espécie e depósitos bancários disponíveis.2007. 37 . g) aos efeitos. e) ao desempenho operacional de diferentes empresas.5. f) ao grau de precisão das estimativas passadas de fluxos de futu- ros de caixa. Fluxos de caixa: entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa. de 28. em substituição à DOAR (Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos) Regulamentada pelo Pronunciamento Técnico CPC 03. das transa- ções de investimento e de financiamento. d) à taxa de conversão. Conceito da DFC A DFC é uma Demonstração Contábil que evidencia as alterações ocorridas durante o exercício. 11. Equivalentes de caixa: aplicações financeiras de curto prazo. solvên- cia (capacidade de pagamento em longo prazo) e flexibilidade fi- nanceira da empresa. prontamente conversíveis em montante conhecido de caixa e que estão sujeitas a um insignificante risco de mudança de valor. relacio- nado à norma internacional IAS7. Regulamentação Instituída pelos incisos IV.4.3. ou capacidade de transformar lucro em caixa.

000.6. credores e outros usuários . Permitem a avaliação da capacidade de geração de recursos.8. a obrigatoriedade foi a partir de 01/01/2008. solvência e flexibilidade financeira da empresa. A DFC quando analisada em conjunto com as demais demonstrações contábeis. à capacidade de conversão de lucro em caixa.informações suficientes para permitir uma avaliação da empresa e uma consequente tomada de deci- são.00. Benefícios das informações geradas pela DFC: Habilitam ao usuário avaliar a estrutura financeira da empresa (liquidez e solvência). Melhoram a comparabilidade dos resultados com os de outras empresas. à capacidade de a empresa honrar seus compromissos. Também para as Empresas de Capital Fechado. 11. sendo que sua aplicação se tornou obrigatória a partir de 01/01/2008. permite avaliar: à capacidade de a empresa gerar futuros fluxos líquidos positivos de caixa. pagar divi- dendos e retornar empréstimos obtidos. na data do Balanço.investidores.000. Permitem examinar a lucratividade e o impacto das variações de preços. Permitem que as informações históricas sejam usadas como indicado- res de valor. Obrigatoriedade Para as Empresas de Capital Aberto. época e grau de segurança para fluxos de caixas futuros. ao grau de precisão de estimativas passadas. para companhias cujo Patrimônio Lí- quido seja igual ou superior a R$ 2.7. 11. Objetivo da DFC Prover informações relevantes sobre a capacidade da entidade de geração de caixa em determinado período disponibilizando aos usuários . à liquidez. 11. 38 .

Equivalentes de caixa São investimentos de altíssima liquidez. Ex. em Notas Explicativas. a finalidade da DFC é cumprida por meio de mo- delos adotados.11. mas não impactam diretamente os fluxos de caixa do período. Classificação das movimentações de caixa As movimentações de caixa podem ser classificadas de três formas distintas. Evidenciar.9. e por atividades de financiamento.11.10. doação (exceto em dinheiro). Reconciliar o resultado líquido (lucro/prejuízo) com o caixa líquido gerado ou consumido nas atividades operacionais. por atividades de investimentos. as transações de investimento e de financiamento que afetam a posição patrimonial da empresa. 11. 11. que deve atender aos seguintes requisitos: Evidenciar o efeito periódico das transações de caixa segregadas por atividades operacionais. Estudaremos cada uma delas a seguir. atividades de investimento e ativida- des de financiamento. prontamente conversíveis em uma quantia conhecida de dinheiro e que apresentam risco insigni- ficante de alteração de valor. a saber: movimentação por atividades operacionais. Requisitos Como requisito. 39 . que possam expressar essa finalidade. Na definição adotada pelo IASB.: Dívidas convertidas em aumento de capital. somente investimentos resgatáveis em até 3 meses em relação à sua aplicação são considerados como equivalentes de caixa.

(comerciais e bancários) obtidos. que não sejam investimento ou financiamento. anfândega e empréstimos concedidos. Fonte: o autor 40 . 11. Recebimento de dividendos pela Pagamento dos juros (despesas participação no patrimônio de financeiras) dos financiamento outras empresas. refere a compra. Ex: Sentenças — judiciais. Recebimento pela venda de produtos pagamento do principal dos títulos e serviços à vista. Outros. referente Recebimento de juros sobre a impostos.12. outros tributos. multas. Quadro 4 – Atividades Operacionais da DFC Atividades Operacionais Entradas Saídas Pagamento a fornecedores. sinistros e reembolso de fornecedores. Atividades operacionais Envolvem todas as atividades relacionadas com a produção e a entrega de bens e serviços e com os eventos que não sejam defi- nidos como atividades de investimento e financiamento. Pagamento aos Governos. ou a prazo e de curto ou longo prazo a que se descontos de duplicatas. Normalmente relacionam-se com as transações que aparecem na Demonstração de Resultados.

Pagamento pela aquisição de Recebimento pela venda de títulos títulos de investimentos de outras de investimento a outras entidades. equipamentos pelo resgate de participações pelas ou outros ativos fixos utilizados na entidades investidas. produção. Incluem a concessão e recebimento de empréstimos. Quadro 5 – Atividades de Investimento da DFC Atividades de Investimento Entradas Saídas Desembolso dos empréstimos concedidos pela empresa e Recebimento do principal dos pagamento pela aquisição de empréstimos concedidos. a aquisição e a venda de instrumentos financeiros e patrimoniais de outras en- tidades e a aquisição e a alienação de imobilizado.11. Atividades de investimento Relacionam-se normalmente com o aumento e a diminuição dos ati- vos de longo prazo que a empresa utiliza para produzir bens e serviços. no momento da compra Recebimento pela venda de ou em data próxima a essa de participações em outras empresas e terreno. Fonte: o autor 41 . edificações. títulos de investimento de outras entidades. empresas. Recebimento pela venda de imobilizado e outros ativos fixos — utilizados na produção.13. Pagamento.

14. títulos de dívida (exceto juros). incluindo o resgate de ações da própria empresa. Fonte: o autor 11. Dívidas convertidas em aumento de capital. por expressa determinação dos Pagamento do principal referente a doadores. Quadro 6 – Atividades de Financiamento da DFC Atividades de Financiamento Entradas Saídas Pagamento de dividendos ou outras Vendas de ações emitidas. 42 . ou do próprio reembolso do investimento. ou outros instrumentos. tem a finalidade estrita imobilizado adquirido a prazo. de caráter permanente ou temporário. via emissão de letras hipotecárias. Recebimento de contribuições. Empréstimos obtidos no mercado. mas não impactam no caixa devem ser evidenciadas em Nota Explicativa. construir ou expandir a planta instalada. que. Aquisição de imobilizado via contrato de arrendamento mercantil.15. Incluem a obtenção de recursos dos donos e o pagamento a estes de retornos sobre seus investimentos. Atividades de financiamento Relacionam-se com os empréstimos de credores e investidores à entidade (obtenção de empréstimos junto a credores e a amorti- zação ou liquidação destes). distribuições dos donos. de curto ou longo prazo. Transações de investimento e financiamento sem efeito no caixa As transações que afetam o Ativo e o Passivo. de adquirir. 11. Pagamento dos empréstimos obtidos notas promissórias.

assim como os dividendos pagos representam um custo para ob- tenção de um financiamento. O IASB faculta a classificação. Neste caso: Juros pagos Dividendos pagos Atividade Operacional Atividade de Financiamento Quanto ao IASB. o FASB exige o seu registro no grupo das operações por ser um elemento que transita pela DRE. • ASB classifica como Atividades Operacionais. contas redutoras do Ativo. 43 . Amortização e Exaustão. Transações que não afetam o caixa: Depreciação. Pontos polêmicos presentes na classificação do FASB: Quanto aos Juros Pagos. entre o grupo de investimento e ope- racional de: Duplicatas Descontadas • FASB não faz referência.11. Porém os juros pagos. ele faculta a classificação de juros pagos e dividen- dos recebidos da seguinte forma: mantidos no grupo das operações os elementos que transitam pela DRE. Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa (PCLD) – estima- tiva de prováveis perdas com clientes que não representam de- sembolso para a empresa. Porém os juros e dividendos recebi- dos correspondem à remuneração do capital investido. quando derivarem de outras transações que envolvam o negócio principal da empresa.17. 11.16. Acréscimos ou diminuição de itens de investimentos pelo método de equivalência patrimonial.

como os e o caixa gerado pelas operações. Pagamento de Investimento Adquirido à Prazo Os investimentos adquiridos a prazo nunca figurarão nas atividades de investimento. já que as saídas de caixa decorrentes de seus pagamen- tos ocorrerão no futuro (podendo ser em várias parcelas. período. Fonte: o autor 44 . 11. por exemplo). Por recebimentos pelas vendas de produtos e isso é também chamado de método da serviços e os pagamentos a fornecedores reconciliação.18. Ato desconto do título atividade de financiamento. Outras interpretações: Fato Gerador se: vendas a prazo atividade operacional.Distinções entre o método direto e o método indireto Método Direto Método Indireto Explicita as entradas e saídas brutas de dinheiro dos principais componentes Faz a conciliação entre o lucro líquido das atividades operacionais. e empregados. Método Indireto. Métodos de elaboração Existem dois métodos de elaboração da DFC: Método Direto. Mais utilizado pelas empresas que já têm — a DFC regulamentada. O saldo final das operações expressa o volume líquido de caixa provido ou Permite avaliar quanto do lucro está se consumido pelas operações durante um transformando em caixa. Quadro 7 .19. 11. classificando-se assim como atividades de financiamento.

Quadro 8 .Estrutura do Modelo Direto e o Modelo Indireto da DFC Demonstração do Fluxo de Caixa em 31/12/XX Demonstração do Fluxo de Caixa em 31/12/XX MODELO DIRETO MODELO INDIRETO Atividades Operacionais Atividades Operacionais Recebimentos de clientes Lucro líquido do período Aumento (diminuição) dos itens que não afetam Pagamentos de fornecedores de estoques o caixa: Pagamentos de impostos sobre vendas Depreciação e amortização Pagamentos de despesas com vendas e Variações monetárias líquidas devedoras administrativas Pagamentos de despesas financeiras Resultado de equivalência patrimonial Recebimentos de receitas financeiras Dividendos recebidos de sociedades investidas Dividendos recebidos de sociedades investidas Lucro na venda de investimentos Pagamento de IR e CS Lucro na venda de ativos imobilizados Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais Aumento de contas a receber de clientes Atividades de Investimentos Aumento dos estoques Valor da venda de ativos imobilizados Aumento de fornecedores de estoques Aquisições de ativos imobilizados Aumento de contas a pagar Fluxo de Caixa das Atividades de Investimentos Aumento de impostos sobre vendas Atividades de Financiamentos Aumento de impostos sobre lucro Recebimentos de empréstimos e financiamentos Aumento de despesas antecipadas Pagamentos de empréstimos e financiamentos Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais Recebimento de integralização de capital Atividades de Investimentos Dividendos pagos Valor da venda de investimentos Fluxo de Caixa das Atividades de Financiamentos Valor da venda de ativos imobilizados Aumento Líquido no Caixa Aquisições de investimentos Caixa no inicio do período Aquisições de imobilizado Caixa no fim do período Empréstimos concedidos — Recebimentos de empréstimos concedidos — Aplicações de renda fixa e renda variável Recebimento de aplicações de renda fixa e renda — variável — Fluxo de Caixa das Atividades de Investimentos — Atividades de Financiamentos — Recebimentos de empréstimos e financiamentos — Pagamentos de empréstimos e financiamentos — Recebimento de integralização de capital — Dividendos pagos — Compras de ações em tesouraria — Fluxo de Caixa das Atividades de Financiamentos — Aumento Líquido no Caixa — Caixa no inicio do período — Caixa no fim do período Fonte: adaptado de vários autores 45 .

A Tabela 1 apresenta uma classificação de operações de origens e aplica- ções de caixa. a DOAR não foi abolida do conceito contábil. uma delas foi a substituição da Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR) pela De- monstração do Fluxo de Caixa (DFC). Por- tanto. No entanto. A DOAR.638/07 deixou de ser obrigatória a partir de 1 de janeiro de 2008. entendemos prudente o conhecimento da referida demonstração.638/07 e pelos artigos 36 e 37 da Medida Provisória no. 449/08 convertida na Lei nº 11. nos pronunciamentos.941/09. de acordo com a Lei nº 11. nas normas estabelecidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). ela agora apenas não é obrigatória pela Lei das S/A. 46 . orienta- ções e interpretações emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Con- tábeis (CPC) aplicáveis às sociedades. Tabela 1 – Origens e aplicações de caixa Descrição Origem Aplicação Lucro Líquido x Prejuízo do exercício x Aumento em conta ativa x Diminuição em conta ativa x Aumento em conta passiva x Diminuição em conta passiva x Aumento de depreciação x Diminuição de depreciação x Fonte: o autor 12 Substituição da DOAR pela DFC Dentre as principais alterações nas práticas contábeis promovidas pela Lei nº 11.

223.20 -846.00 1.40 Veículos 5.00 Duplicatas a receber 3.600.80 7.348.397. Elaboração da Demonstração dos Fluxos de Caixa De acordo com os dados abaixo vamos elaborar a DFC da empresa Estrela Ltda.36 21.00 (-) Depreciação acumulada -282.1.361.397.44 -291.217. Dados: a) Em 31/12/20x9: aumento capital social de R$ 1.60 Total do Ativo 10. Vamos a um exemplo de elaboração da Demonstração dos Fluxos de Caixa.00 157.96 Estoques 1.705.00 (-) PCLD -97. Balanço Patrimonial: Ativo 20x8 20x9 Ativo Circulante 4. apresentamos uma visão sobre a DOAR que tem o objetivo de apresentar de forma ordenada e sumariada as informações re- lativas às operações de financiamento e investimento da empresa durante o exercício e evidenciar as alterações na posição financeira da empresa.067.56 13.00 9.00 b) Em 31/12/20x9: financiamento de R$ 1.04 Disponível 207.00 8.361.40 Imobilizado 5.000.00 Ativo Não Circulante 5. Diante do exposto.732.248.644.500.820.44 47 .244.00 c) Em 31/12/20x9: aquisição de ativo imobilizado R$ 2. 12.80 7.00 4.

Demonstração do Resultado do Exercício: Demonstração do Resultado do Exercício 20x9 Receita Líquida Operacional 26.00 6.825.00 6.00 Contas a pagar 70.211.017.36 6.00 Provisão para IR a Recolher .217.071.36 Reservas de Lucros .810.00 Patrimônio Líquido 5.52 (-) Depreciações -564.067.40 (-) Despesas financeiras -765.46 (=) Lucro Líquido 4.00 (-) Despesas de PDD -194. 852.46 Fornecedores 701.98 Capital Social 5.36 11.055.830.00 221.405.00 (=) Lucro Líquido Operacional 5.00 (-) Despesas gerais -1.225.00 (=) Lucro Bruto 13.00 Salários e encargos sociais 246.225.46 Passivo Não Circulante 3.573.00 (-) CMV -13.00 Exigível a longo prazo 3. Passivo + Patrimônio Líquido 20x8 20x9 Passivo Circulante 1.62 Fonte: o autor 48 .00 787. 4.090.00 2.405.08 (-) Provisão para IR -852.625.44 Fonte: o autor 2.090.825.683.36 21.00 (-) Despesas de salários e encargos -4.62 Total do Passivo 10.00 4.225.830.

810.211.00 (+) Fornecedores (saldo inicial) 701.00 Caixa Líquido das Atividades Operacionais 52.00 (-) Compras 16.00 CMV 13.223.00 (+) Estoque Final 4.506.00 Pagamento de Despesas e impostos .ESTOQUE INICIAL + ESTOQUE FINAL Demonstração de Fluxo de Caixa .280.770.5.732.00 49 .348.00 (-) Fornecedores (saldo final) 2.00 (-) Saldo Final -9.405.00 CMV = ESTOQUE INICIAL + COMPRAS . Resolução pelo Método Direto: Clientes Vendas 26.00 (+) Saldo Inicial 3.326.Método Direto Fluxos de caixa das Atividades Operacionais Recebimento de Clientes 20.770.00 (=) Pagamento a fornecedores 14.00 (=) Recebimento 20.ESTOQUE FINAL COMPRAS = CMV .14.248.328.00 Pagamento a Fornecedores .00 (-) Estoque Inicial -1.

mas em todas as contas de disponibilidades. Observamos que houve lucro econômico R$ 4. mas quanto desse valor entrou efetivamente em Caixa? Será que o fluxo de caixa (fi- nanceiro) acompanhou o fluxo econômico? Note que apenas R$ 20. Por exemplo. e que representa as aplicações que podem ser resgatadas ime- diatamente.50.830. Sabemos que a Contabilidade calcula o resultado do exercício se- gundo o regime de competência (resultado econômico). conta integrante do disponível da empresa. as receitas e despesas apresentadas lá figuram porque seus fatos geradores ocorreram. Assim.00 Caixa e Equivalentes de Caixa – Final 157.2.00 Caixa Líquido das Atividades de Financiamento 2. O resultado apurado pelo regime de caixa (resultado financeiro) pode ser diferente do resultado econômico.600. que corres- ponde às Aplicações de Liquidez Imediata. isto é. sendo normalmente diferente. a DFC não evidencia apenas as mudan- ças na conta Caixa.00 Fluxo Líquido de Caixa .000.2. apresentando. saída ou entrada de numerário no Caixa (Caixa em sentido amplo. O fluxo de caixa não é ne- cessariamente coincidente com o fluxo econômico.00 Fluxo de Caixa das Atividades de Financiamento Aumento de Capital 1. Um conceito importante é o de equivalente de caixa. portanto.328. significando Caixa ou Bancos Conta Movimento). a empresa pode apurar lucro econômico (apre- sentado na DRE).00 Caixa e Equivalentes de Caixa – Início 207.00 50 . apesar do nome.600.500.62.00 Financiamento de Longo Prazo 1.00 Fonte: o autor Explicando o Fluxo Líquido de Caixa: Note que.00 Caixa Líquido das Atividades de Investimentos . baixo risco de alteração de seu valor.500. inde- pendentemente de ter havido pagamento ou recebimento. na De- monstração do Resultado do Exercício (DRE). e prejuízo financeiro (evidenciado na DFC). Fluxo de Caixa das Atividades de Investimentos Compra de Ativo Imobilizado .

II – Se o ativo circulante diminuiu. ou seja. que nem todas as compras foram pagas.000. III – Se o passivo circulante aumentou. não geraram diminuição do Caixa (depreciação e amortização). ainda. O critério é tratar das movimentações do Circulante da seguinte maneira: I – Se o ativo circulante aumentou. daí a grande importância dessa demonstração na análise da situação financeira de uma empresa. 51 . IV – Se o passivo circulante diminuiu.de vendas foram recebidos. como foi dito acima: 1.00. Veja que. deve ser ajustado o lucro líquido do exercício à movimentação do disponível para destacar a in- fluência do resultado nas atividades operacionais. O exemplo informa. nega- tivo. diminui o valor no ajuste ao lucro. Para aplicar esse critério deve-se excluir as variações do circulante que foram afetadas pelo aumento ou pela diminuição do não circulante. embora in- corridas. 2.830. diminui o valor no ajuste. Quanto aos métodos de elaboração da DFC. Além disso.62. Método Indireto ou da Reconciliação. o resultado financeiro da empresa foi de R$ 50. existem despesas que. São eviden- ciados. Método Indireto Na elaboração do fluxo de caixa indireto. todos os pagamentos e recebimentos feitos no período. embora tenha havido. portanto. resultado econômico positivo de R$ 4. Método Direto No modelo direto. As diferenças entre os dois métodos referem-se apenas à forma de evidenciação dos fluxos das atividades operacionais. os fluxos operacionais são evidenciados pela aná- lise direta das entradas e saídas de dinheiro em Caixa e Bancos. Os fluxos das ativi- dades de financiamento e das atividades de investimento são demons- trados de igual maneira nos dois métodos. Este resultado financeiro é evidenciado na Demonstração dos Flu- xos de Caixa. existem dois métodos. aumenta o valor no ajuste. aumenta o valor no ajuste ao lucro. retirar as variações que se originaram das atividades de finan- ciamento e de investimentos. Método Direto.

que indicará o momento em que a empresa deverá contrair empréstimos para cobrir a falta de fundos.2. bem como quando aplicar no mercado financeiro o ex- cesso de dinheiro. 4. a movimentação do Disponível. 52 . a DFC é elaborada a partir da análise do Balanço Patrimonial e da Demonstração do Resul- tado do Exercício. 12. A Demonstração dos Fluxos de Disponível é a denominação mais adequada para a Demonstração dos Fluxos de Caixa. 3. 2. A Demonstração dos Fluxos de Caixa auxilia o gerente finan- ceiro na elaboração de melhor planejamento financeiro. A Demonstração dos Fluxos de Caixa apresenta a movimentação ocorrida em determinado período na conta caixa. A Demonstração dos Fluxos de Caixa é dinâmica porque eviden- cia o que ocorreu no período em termos de saída e entrada de dinheiro no Caixa e o resultado desses fluxos. Tanto no método direto quanto no indireto. Resumo do capítulo 1. ou seja. uma vez que nesta última apresentamos a movimentação das contas Caixa e Bancos C/ Mo- vimento.

ou seja. Origens Representam os aumentos no Capital Circulante Líquido (quando ao Ativo Circulante for superior ao Passivo Circulante. bem como evidenciar as alterações na posição financeira da mesma. caso contrário (AC < PC = CCL negativo). informações relativas às operações de financiamento e investimento de uma entidade durante o exercício so- cial. tem como objetivo apresen- tar. como seu próprio nome indica.2.1. Figura 2 – Esquema gráfico do Capital Circulante Líquido FINANCIAMENTOS INVESTIMENTOS ORIGENS RECURSOS APLICAÇÕES CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDO = ATIVO CIRCULANTE . como os Fluxos de Caixa. Descrição das origens: a) Das próprias operações. c) De terceiros. AC > PC = CCL positivo). 53 .PASSIVO CIRCULANTE Fonte: o autor 13. Ela demonstra as mutações na posição financeira da empresa em sua totalidade. A DOAR não pode ser confundida com as demonstrações que vi- sam a apresentar somente o fluxo de disponibilidades. b) Dos acionistas. Introdução A DOAR.13 Demonstração de orgigens e aplicações de recursos (DOAR) 13. de forma padronizada e sumariada.

Está relacionada com o Balanço Patrimonial e a DRE. 13. c) Integralização do Capital em Bens do Ativo Permanente. Origens e aplicações que não afetam o CCL. Descrição das aplicações: a) Inversões Permanentes. sendo complementar a ambas. 3. Importância Pela natureza das informações a DOAR foi muito utilizada tendo em vista as características que possui: 1. porém são representadas como origens e aplicações.5. mas aparecem na DOAR: Além das origens e aplicações acima relacionadas existem outras transações que não interferem no Capital Circulante Líquido. b) Conversão de Empréstimos de Longo Prazo em Capital. 13. Informa a modificações na posição financeira da empresa pelo fluxo de recursos.4. Por exemplo: a) Aquisição de Bens do Ativo Permanente a Longo Prazo. 13. d) Venda de Bens do Ativo Permanente recebível a Longo Prazo. 2. Fornece dados importantes que não constam das demais De- monstrações Financeiras. c) Remuneração de Acionistas. Aplicações As aplicações são representadas pelas diminuições do Capital Cir- culante Líquido. b) Pagamento de Empréstimo a Longo Prazo.3. 54 .

Outros aspectos importantes:
Conhecimento da política de inversões permanentes;
Recursos gerados pelas operações próprias;
Verificação da aplicação dos recursos com novos empréstimos;
Como a empresa está mantendo seu CCL; e
Compatibilidade entre Dividendos e posição financeira da empresa.

13.6. Obrigatoriedade
Com o advento da Lei nº 11.638/07 a elaboração da DOAR deixou
de ser obrigatória.

13.7. Forma de apresentação da DOAR
1. Origens dos Recursos, por natureza, onde são representadas as
origens dos recursos obtidos.

2. Aplicação dos Recursos, por natureza onde são relacionadas as
aplicações e onde é demonstrado seu valor total.

3. Aumento ou Redução no CCL representa a diferença entre o to-
tal das origens e o total das aplicações.

4. Saldo Inicial e Final do Capital Circulante Líquido e Variação,
onde são evidenciados o Ativo e Passivo Circulante do início e do fim do
exercício com o respectivo aumento ou redução.

13.8. Origens de recursos das operações
Apresenta os recursos originados das próprias operações, que, por
conseguinte representam aumento no Capital Circulante Líquido de-
monstrado da seguinte forma:

Lucro Líquido das operações ajustado pelas receitas e despesas que
não afetam o CCL:

Depreciação, Amortização e Exaustão;

55

Variação nos Resultados de Exercícios Futuros, sendo que com ad-
vento da nova lei: O saldo existente no Resultado de Exercícios
Futuros em 31 de dezembro de 2008 teve por exigência, ser re-
classificado para o Passivo Não Circulante em conta representa-
tiva de receita diferida. (texto incluído pela Medida Provisória nº
449, de 2008). O registro desse saldo deve evidenciar a receita di-
ferida e o respectivo custo diferido.

Essas variações alteram o resultado sem, entretanto, afetar o capital
circulante líquido, que são os seguintes casos:

Lucro ou Prejuízos decorrentes de equivalência patrimonial;
Ajuste de Exercícios Anteriores;
Variação Monetária de Dívidas de Longo Prazo.

13.9. Casos em que há prejuízos
Quando a situação for de prejuízo, significa que as operações conso-
mem Capital Circulante Líquido e isso representará uma aplicação. Neste
caso, o lucro e seus ajustes são representados no agrupamento de aplicações.

13.10. Origens de recursos dos acionistas
Integralização de Capital dos Acionistas;
Reservas (Ágio, Bônus de Subscrição, Produto da Alienação de
Partes Beneficiárias).

13.11. Origens de recursos de terceiros
Aumento do Passivo Não-circulante;
Redução do Ativo Não-circulante;
Alteração e Baixa de Investimentos de Bens e Direitos do Imobilizado;
Doações e Subvenções.

Na página ao lado, é apresentado um modelo de papel de trabalho,
para dar suporte ao processo de levantamento das variações de origens
e aplicações entre exercícios sociais.

56

Balanço Patrimonial em 31-12-x9

Ativo x8 x9

Ativo Circulante 13.000,00 28.400,00

Bancos 3.000,00 6.000,00

Contas a receber 8.000,00 18.000,00
Estoques 2.000,00 4.400,00

Ativo Realizável a LP 2.400,00 1.000,00
Ativo Permanente 9.300,00 8.600,00

Total 24.700,00 38.000,00

Passivo x8 x9

Passivo Circulante 10.800,00 22.270,00

Contas a pagar 2.800,00 18.770,00

Empréstimos (4) - 1.000,00

Financiamentos (6) 5.000,00 2.500,00

Dividendos a pagar (5) 3.000,00 -

Passivo Exigível a LP 170,00 1.600,00

Patrimônio Líquido (3) 13.730,00 14.130,00

Total 24.700,00 38.000,00

Demonstração do Resultado do Exercício em 31-12-X9

Receitas 30.200,00

(-) Despesas Operacionais -8.100,00

(-) Despesas Não Operacionais -12.000,00

(-) Depreciação -300,00

(=) Lucro antes IR 9.800,00
(-) Provisão para IR -1.470,00

(=) Lucro Líquido do Exercício 8.330,00

57

00 (-) Variações Monetárias Passivas -200.00 6. Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos em 31-12-X9 1 – Origens 1.500.030.00 (-) Lucro na Venda de Imobilizado (2) -400.00 2 – Aplicações Pagamento de Dividendos (5) 3.00 (=) CCL 2.00 3 .Variação do Capital Circulante Líquido 3.930.930.00 Demonstração das Variações do CCL Elementos 31-12-X8 31-12-X9 Variações AC 13.500.800.2 Dos Proprietários Integralização de Capital Social (3) 400.3 De Terceiros Empréstimos (4) 1.00 Fonte: o autor 58 .00 5.130.330.1 Das Operações Lucro Líquido do Exercício (1) 8.270.00 15.00 3.400.00 22.00 1.00 28.470.00 11.00 (+) Despesa de Depreciação (2) 300.000.00 (-) PC 10.00 8.000.00 1.400.000.00 1.00 400.200.00 Pagamento de Financiamentos (6) 2.000.

600.00.930.330. Com o auxílio da DOAR. Podemos observar a depreciação na DRE. tais como os que se encontram a seguir descritos: Conhecimento da política de inversões permanentes e fontes de recursos.13. que pas- sou de R$ 9. Assim como o efeito da venda de imobilizado no Balanço Patrimonial. A DOAR fornece auxílio em importantes aspectos. Entendendo a DOAR • Para a elaboração da DOAR partimos do Lucro Líquido do Exercício. sendo assim a DOAR evidencia apenas o resultado das variações do Não Circulante que provocam alterações no Circulante. 13. no valor de R$ 8. podemos observar deta- lhadamente qual foi o percurso percorrido pela companhia até chegar ao resultado de R$ 3.00 para R$ 8.12. Resumo do capítulo 1. conforme demonstrado na DRE. Verificação de como foram aplicados os recursos obtidos com no- vos empréstimos de longo prazo. pois este só varia com operações Não Circulantes x Circu- lante. 59 .00 referentes à deprecia- ção e R$ 400 referentes à venda do imobilizado.300. A DOAR tem como objetivo mostrar o como e o porquê da mu- tação do CCL. • São feitos os ajustes com base nos eventos que alteram o CCL (Capi- tal Circulante Líquido). Verificação da compatibilidade entre os dividendos e a posição financeira da empresa. Constatação de como a empresa está se mantendo.00 (R$ 300.00 de variação. Constatação dos recursos gerados pelas próprias operações.13. • Observe que a Demonstração das Variações do CCL evidencia de forma simplificada (Ativo circulante – Passivo Circulante) a movimentação fi- nanceira da empresa.

porém não reduzem o Capital Circulante Líquido. Os grupos de contas considerados são: • Circulante: Ativo Circulante e Passivo Circulante. Ativo Realizável a Longo Prazo. como é o caso da equivalência patrimonial. 2. porém a conta Caixa/Bancos c/ Movimento aumentou em $ 12. Passivo Exigível a Longo Prazo e Patrimônio Líquido. As despesas incorridas.000. Uma reavaliação dos bens da empresa será considerada como aplicação na DOAR. 4. 8.000. 7. Sempre que houver uma operação envolvendo contas de Circu- lante/Não Circulante haverá alteração no CCL. porque existem receitas e despesas que aumentam e diminuem o lucro líquido. 9. 10. Tem-se que fazer alguns ajustes ao lucro líquido quando da ela- boração da DOAR. A DOAR evidenciará sempre as operações que envol- vam contas dos grupos Circulante e Não Circulante e nunca de opera- ções que envolvam contas apenas do Circulante como citado acima. ou seja. pois são itens não monetários .000.000. Algumas possíveis reduções do Capital Circulante Líquido são: aquisição de bens ou direitos que integrarão o Permanente ou o Realizá- vel a Longo Prazo. da depreciação etc. que é a principal fonte de recursos da empresa. 3. • Não Circulante: demais grupos de contas do Balanço Patri- monial. 6. exaustão e variação cambial. por exemplo. A DOAR evidencia. Distribuição de Dividendos.000. um empréstimo de curto prazo investido no Caixa. redução das Exigibilidades a Longo Prazo. evidenciada na DOAR. A maneira mais primária de uma empresa obter e aplicar recur- sos é através da obtenção do Lucro Líquido. 60 . pois nesta venda à vista a conta Estoque diminuiu em $ 10. 5. que não afetam a posição financeira são: amortização.000. Essa afirmativa não está correta uma vez que a rea- valiação não pode ser considerada uma aplicação na DOAR porque esta não representa saída de recursos do Ativo Circulante. O Capital Circulante Líquido foi afetado em $ 2. Ativo Perma- nente.

14 Demonstração do
valor adicionado (DVA)
14.1. Introdução
A Lei nº 11.638/07 introduziu para todas as companhias abertas,
a obrigação da elaboração e divulgação da Demonstração de Valor
Adicionado:

Art. 188. As demonstrações referidas nos incisos IV e V do caput do
art. 176 desta Lei indicarão, no mínimo:

I – Demonstração do Fluxo de Caixa – as alterações ocorridas, du-
rante o exercício, no saldo de caixa e equivalentes de caixa, segre-
gando-se essas alterações em, no mínimo, 3 (três) fluxos:

a) das operações;
b) dos financiamentos; e
c) dos investimentos.

II – Demonstração de Valor Adicionado – o valor da riqueza gerada
pela companhia, a sua distribuição entre os elementos que contribu-
íram para a geração dessa riqueza, tais como empregados, financia-
dores, acionistas, governo e outros, bem como a parcela da riqueza
não distribuída. ” (BRASIL. LEI FEDERAL Nº 11.638/07, grifos nossos)

Essa alteração do art. 176 da Lei nº 6.404/76 pela Lei nº 11.638/07
incluiu a Demonstração de Valor Adicionado – DVA no conjunto das
Demonstrações Contábeis a ser elaborada, divulgada e aprovada pela
Assembléia Geral Ordinária, no caso de companhias abertas. A Lei nº
11.638/07 não menciona aspectos quanto ao modelo a ser utilizado, li-
mitando-se a determinar alguns elementos que a referida demonstração
deverá indicar. Quanto a sua elaboração as normas constam da Delibe-
ração CVM nº 557/08.

61

14.2. Informações relevantes
O Prof. Eliseu Martins, em artigo publicado no jornal Gazeta Mer-
cantil, de 18/09/97, explicita que esta demonstração representa:

extraordinária forma de ver a função social da empresa, além de qual
a sua parcela na criação de riqueza global do País, o PIB, em vez de
só dar ênfase apenas à linha final da demonstração do resultado tra-
dicional, de interesse exclusivo dos proprietários (GAZETA MERCANTIL
de 18/09/97)

Desta forma, a DVA ampliou, sobremaneira, o conceito de Balanço
Social. Martins expõe também que finalmente o Balanço Social veio,
mais recentemente, a encampar o conjunto de informações à sociedade
sobre a relação da empresa com o meio ambiente, evidenciando o que é
obrigada a gastar, ou voluntariamente o faz, para prevenir ou remediar
o que produz de consequências sobre ele, quais as metas de controle de
poluição está obrigada a cumprir, quais as restrições que possui para
operar, etc.
A DVA evidencia de forma transparente o valor gerado pelas corpo-
rações, ou seja, a riqueza nova gerada a partir de sua atividade opera-
cional e sua repartição aos segmentos beneficiários.

14.3. Objetivo da DVA
A Demonstração de Valor Adicionado é a demonstração contábil
que tem por objetivo apresentar, de forma ordenada e resumida, a ri-
queza gerada pela empresa em determinado período ou exercício social,
e a sua distribuição a terceiros diversos. A DVA apresenta a riqueza ge-
rada pela empresa, de forma geral medida pela diferença entre o valor
das vendas e os insumos adquiridos de terceiros. Além disso, Inclui o va-
lor adicionado recebido em transferência, ou seja, produzido por tercei-
ros e transferido à empresa.

62

Quadro 9 – Modelo de DVA de acordo com NBC T 3.7
Demonstração de valores adicionados dos exercícios findos em 31 de dezembro, em milhares de reais
1 – RECEITAS

1.1. Vendas de mercadoria, produtos e serviços
1.2. Provisão para devedores duvidosos
1.3. Resultados não-operacionais
2 - INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS
2.1. Materiais consumidos
2.2. Outros custos de produtos e serviços vendidos
2.3. Energia, serviços de terceiros e outras despesas operacionais
2.4. Perda na realização de ativos
3 – RETENÇÕES
3.1. Depreciação, amortização e exaustão
4 - VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE
5 - VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA
5.1. Resultado de equivalência patrimonial e dividendos de investimento avaliado ao custo
5.2. Receitas financeiras
5.3. Aluguéis e royalties
6 - VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR
7 - DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO
7.1. Empregados
Salários e encargos
Comissões sobre vendas
Honorários da diretoria
Participação dos empregados nos lucros
Planos de aposentadoria e pensões
7.2. Tributos
Federais
Estaduais
Municipais
(-) incentivos fiscais
7.3. Financiadores
Juros
Aluguéis
7.4. Juros sobre capital próprio e dividendos
7.5. Lucros retidos/prejuízo do exercício
Fonte: NBC T 3.7 do CFC
63

no princípio da competência. valor total adicionado a distribuir. a Demonstração de Valor Adicionado apresenta uma parcela de contribuição que a empresa tem na formação do Produto Interno Bruto (PIB). Obrigatoriedade de apresentação A obrigatoriedade da sua publicação é para as companhias abertas. os insumos adquiridos de terceiros. Relação com o Produto Interno Bruto De uma forma geral. 14. 14. de acordo com o item 10 da Deliberação CVM nº 557/08. Componentes da DVA I A Demonstração do Valor Adicionado deve evidenciar. no mínimo. enquanto que o PIB calculado pela contabi- lidade está alicerçado no conceito de realização de receita. Com relação ao International Accounting Standards Board – IASB (Conselho de padrões de Contabilidade Internacional). o cálculo do valor adicionado contábil apresenta dife- rença do econômico à medida que o PIB calculado pela economia baseia-se na produção. os seguintes componentes: as receitas. bem como aos United States Generally Accept Accounting Principles (US-GAAP) (princí- pios de contabilidade geralmente aceitos norte-americanos) a DVA não faz parte do escopo da estrutura para a preparação e a apresentação das Demonstrações Contábeis. 64 . isto é. 14. os valores retidos pela entidade.6.4. os valores adicionados recebidos em transferência de outras entidades. e distribuição do valor adicionado.5. Porém.

energia. juros e aluguéis. impostos. referentes a constituição ou reversão de provisão para perdas por desvalorização de ativos. contidas na DRE. investimen- tos.14. deve ser detalhada. das mercadorias e dos serviços vendidos: não incluem gastos com pessoal próprio. Componentes da DVA II O item 6 da deliberação CVM nº 557/08 estabelece que a distribuição da riqueza. Insumos adquiridos de terceiros De acordo com o item 14 da Deliberação CVM nº 557/08.7. no mínimo. Grupo de receitas No grupo de receitas devem ser apresentados. neste grupo devem ser apresentados: Custo dos produtos. serviços de terceiros e outros: inclui valores re- lativos às despesas originadas da utilização desses bens. Outras receitas: inclui os valores resultantes de outras receitas operacionais decorrentes das atividades-fim da entidade. 65 . os seguintes itens de formação de receita: Vendas de mercadorias. juros sobre o capital próprio e dividendos. imobilizados. Perda e recuperação de valores ativos: inclui valores relativos a ajustes a valor de mercado de estoques. produtos e serviços: será evidenciada neste item a receita bruta de vendas líquida das devoluções de vendas e dos abatimentos incondicionais. exceto aquelas recebidas em transferência de terceiros. Provisão para créditos de liquidação duvidosa: inclui os valores rela- tivos à constituição e à reversão da provisão para créditos duvidosos. Materiais. de acordo com o item 14 da Deliberação CVM nº 557/08. lucros retidos/prejuízos do exercício. bem como os valores reconhecidos no resultado do período. tais como ganhos ou perdas de capital. taxas e contribuições. inclusive tributos recuperáveis. contendo os seguintes itens: pessoal e encargos. utilidades e serviços adquiridos junto a terceiros.

8. segundo o item 14 da Deliberação CVM nº 557/08. Distribuição do valor adicionado II Pessoal Valores apropriados ao custo e ao resultado do exercício na forma de: Remuneração direta . comissões. Distribuição do valor adicionado I Na segunda parte da DVA. exceto para en- tidades financeiras que devem classificá-las como receita bruta. amortização e exaustão relativa aos bens utilizados no processo produtivo industrial. e remuneração dos capitais próprios. remuneração dos capitais de terceiros.9. 13º salário. de- vem ser apresentados: Resultado de equivalência patrimonial: o ganho ou a perda de equivalência patrimonial. deve ser apresentada de forma detalhada como a riqueza obtida pela empresa foi distribuída. amortização e exaustão. Valores adicionados recebidos em transferência de terceiros Nesse grupo. férias. Outras receitas: os dividendos recebidos de investimentos avalia- dos pelo método de custo. comercial ou serviços. participação de empregados nos resultados etc. Receitas financeiras: as receitas financeiras relativas a quaisquer operações com instituições financeiras. impostos. entidades do grupo ou terceiros. Os principais componentes dessa distri- buição são: pessoal. as receitas de aluguéis ou royalties. Nele são incluídas a depreciação. inclusive as variações cambiais ativas. Depreciação. 14. honorários da administração (inclusive os pa- gamentos baseados em ações). contribuições e taxas. amortização e exaustão Nesse grupo. conforme dispõe o item 15 da Deliberação CVM nº 557/08. 14. 66 . deve ser apresentada a despesa com depreciação. horas extras. de entidade que não tenham como objeto essas atividades etc.representada pelos valores relativos a sa- lários.

Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). planos de aposentadoria etc. Aluguéis . bem como os demais impostos e contribuições a que a empresa esteja sujeita. que representam a diferença entre os impostos e con- tribuições incidentes sobre as receitas e os valores embutidos nos insu- mos adquiridos de terceiros. empresas do grupo ou outras formas de obtenção de recursos. FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) – representado pelos valores depositados em conta vinculada dos empregados.representados pelos valores relativos à assistência médica. Contribuição de Inter- venção no Domínio Econômico (CIDE). Comunicação e Radiodifu- são (ICMS). Inclui os valores que te- nham sido capitalizados no período. Para os impostos compensáveis. inclusive as variações cam- biais passivas. 14. Imposto sobre Serviço (ISS).incluem os aluguéis (inclusive as despesas com arren- damento operacional) pagos ou creditados a terceiros. Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). transporte. os valores do Seguro de Acidentes do Trabalho) que sejam ônus do empregador. inclusive a contribuição sindical patronal. taxas e contribuições Valores relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Transportes. Distribuição do valor adicionado IV Remuneração de capitais de terceiros Valores pagos ou creditados referentes à: Juros .inclui as despesas financeiras. devem ser considerados apenas os valores devidos ou já recolhidos. Benefícios . 14. tais como Imposto so- bre Circulação de Mercadorias. Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguri- dade Social (COFINS).11. Distribuição do valor adicionado III Impostos. inclusive os acrescidos aos ativos. 67 . relativas a quaisquer tipos de empréstimos e finan- ciamentos junto a instituições financeiras.10. alimentação. contribuições ao Instituto Nacional do Se- guro Social (INSS) (incluídos neste. Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSSL).

incluem outras remunerações que configurem transfe- rência de riqueza a terceiros. não se considera a par- cela referente a lucros acumulados. Já os gastos com serviços de terceiros e materiais são apropriados como insumos. e eventuais juros ativados e tributos também recebem esse mesmo tratamento. franquia. Ajustes de exercícios anteriores Conforme dispõe o item 18 da Deliberação CVM nº 557/08. sendo assim. isto é. Distribuição do valor adicionado V Remuneração de capitais próprios Valores relativos a: Juros sobre o capital próprio (JCP) e dividendos . seu valor contábil total deve ser considerado como receita. 14. Ativos construídos pela empresa para uso próprio De acordo com o item 19 da Deliberação CVM nº 557/08.inclui os valores pagos ou creditados aos acionistas por conta do resultado do perí- odo. direitos autorais etc. uma vez que já foram tratados como “lucros retidos” no exercício em que foram gerados.14. os ajustes de exercícios anteriores. Outras . 14.incluem os valores relati- vos ao lucro do exercício destinados às reservas.12. inclusive os JCP quando tiverem esse tratamento. tais como royalties. mesmo que originadas em capital intelectual. Devem ser incluídos apenas os valores distribuídos com base no resultado do próprio exercício.13. 14. decorrentes de efeitos provocados por erro imputável a exercício anterior ou de mudança de critérios contá- 68 . Lucros retidos e prejuízos do exercício . A mão-de-obra própria alocada é considerada como distribui- ção dessa riqueza criada. Também inclui as participações estatutárias relativas aos acionistas. a cons- trução desses ativos equivale à produção vendida para a própria em- presa.

beis que vinham sendo utilizados pela empresa. Distribuição de lucros referentes a exercícios anteriores A companhia pode distribuir dividendos não só com base no lucro do período. devem ser adaptados na DVA relativa ao período mais antigo apresentado para fins de compara- ção. Figuras 4 e 5 – Gráficos de distribuição de DVA Comportamento da distribuição do valor adicionado em 2009 e 2008 2009 – 12.881 milhões 2008 – 949 milhões 32% Prejuízos 52% Prejuízos 29% Juros 18% Juros 13% Empregados 15% Empregados 26% Impostos 15% Impostos Fonte: elaborado pelo conteudista 69 . o Quadro 10 apresenta um modelo de DVA. os dividendos que compõem a riqueza distribuída pela companhia devem restringir-se exclusivamente à par- cela relativa aos resultados do próprio período. bem como os demais valores comparativos apresentados. Os gráficos a seguir apresentam a distribuição da riqueza gerada através das atividades da empresa. Dividendos distribuídos relativos a lucros de períodos anteriores não são considerados. Diante disso. pois já figuraram como lucros retidos naqueles respectivos períodos. mas também com base em reservas de lucros e à conta de reserva de capital. Na página a seguir.15. como se a nova prática contábil estivesse sempre em uso ou o erro fosse corrigido na data da sua ocorrência. 14.

00 VALOR ADICIONADO BRUTO 10.790.00 Juros e aluguéis 10.174.696.123.483.00 Custo das mercadorias e serviços vendidos – – Materiais.646.00 Vendas de mercadorias.100.327.883.453.00 Perda/Recuperação de valores ativos 538.00 24.00 4.) (528.157. taxas e contribuições 9. serviços de terceiros e outros 15.00 Matérias-primas consumidas 15.176.070.824.863.00 7.206.404.492.00 2.00) Não operacional (1.00 4.00 24. produtos e serviços 44.00 27.00 Resultado de esquivalência patrimonial – – Receitas financeiras 5.00) Pessoal e encargos 4.00) (2.00 2.00) (14.702.00 2.962.00) INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS 31.172.00 Provisão p/ devedores duvidosos – Reversão/(Const.00 (3.00) (104.157.00 6.00 VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR 12.981.526.00) VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA 5.174.00 Juros sobre capital próprio e dividendos – – Lucros (prejuízos) retidos (11.00) Fonte: modelo que foi usado pela Indústria Braspérola 70 .356.00 5.00) DEPRECIAÇÃO/AMORTIZAÇÃO/EXAUSTÃO 2.00 (949. Balanço social Demonstração do valor adicionado – DVA 2009/2008 Em milhares de reais DESCRIÇÃO 2009 2008 RECEITAS 41.951.00 10.275.726.402. energia.761.00 Impostos.00 VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE 7.00 (172.

7 comenta que a Demonstração de Va- lor Adicionado deve ser consistente com a demonstração do resultado e conciliada em registros auxiliares mantidos pela entidade. As informações contábeis contidas na Demonstração de Valor Adicionado são de responsabilidade técnica de contabilista registrado no Conselho Regional de Contabilidade.3.9. A Demonstração de Valor Adicionado deve ser objeto de revisão ou auditoria se a entidade possuir auditores externos independentes que revisem ou auditem suas Demonstrações Contábeis.7 cita que.1 da NBC T 2.14. 71 . a entidade deve acrescentar ou detalhar outras linhas na Demonstração de Valor Adicionado quando o montante e a natureza de um item ou o somatório de itens similares forem de tal magnitude que a apresentação em separado ajude na apresentação mais adequada da Demonstração de Valor Adicionado.3. O item 3.7. 5.7.7. 2.2. além das informações con- tidas nos itens 3.2 da NBCT 3. 4. 3. O item 3.2.16. A Demonstração de Valor Adicionado deve conter representação percentual participativa.7.4 a 3. Resumo do capítulo: 1.

para determinadas contas ou operações específicas e ainda para composição e de detalhamento de certas contas. ou mesmo englobar outras De- monstrações Contábeis complementares e necessárias ao melhor e mais completo entendimento e esclarecimento dos resultados e da situação financeira e patrimonial da empresa. a nota é obrigatória. 15. O uso de Notas para demonstrar composição de contas auxilia tam- bém à estética das Demonstrações Contábeis.A. representando parte integrante destas. Deve-se considerar outro aspecto que é a menção de erro contábil em nota explicativa. porém o erro persiste. 15 Notas explicativas 15.2. com os detalhes necessários para aprofundar o entendimento das informações dadas.1. É um assunto ligado ao aspecto de evidenciação e tem sido o dimensionamento da qualidade e da quantidade de informações que atendam às necessidades dos usuários das Demonstrações Contábeis em determinado momento. As Notas Explicativas da Lei das S. pois a sua menção deve servir para esclarecimento do usuário da demonstração contábil. e esse erro não é sanado simplesmente com uma nota explicativa que evidencie o fato. apesar de mencionado. as Demons- trações Contábeis das Sociedades por Ações deverão ser complementa- 72 . Introdução As Notas Explicativas são informações complementares às Demons- trações Contábeis. Como exemplo. efetuar-se o diferimento de uma despesa que deveria estar considerada como requerida no resultado é um erro. Nesse caso. uma vez que pode fazer constar determinada conta por seu total.404/76. pois o erro deve ser acertado por meio de ajustes pertinentes. Conforme o parágrafo 4º do art. A publicação de Notas Explicativas às Demonstrações Contábeis é considerada um dos grandes desafios da Contabilidade. As Notas Explicativas podem ser expressas tanto na forma descritiva como na forma de quadros analíticos. As Notas podem ser utilizadas para explicações adicionais pelas em- presas. mas as demonstrações continuam erradas e não se deve considerar essa evidenciação como atenuante. 176 da Lei nº 6.

dos cálculos de depreciação. 176 da Lei das S/A menciona um número de nove tipos de Notas Explicativas obrigatórias sem. entretanto. 73 . necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício.das por Notas Explicativas e outros quadros analíticos ou Demonstrações Contábeis.” Principais critérios de avaliação: a) Das aplicações temporárias (custo atualizado ou valor de mercado). c) Mostrar modificações ocorridas durante o exercício. bem como poderá ocorrer de algumas não serem aplicáveis a determinado caso. LEI FEDERAL Nº 11.638). Nota Explicativa nº 2 “Os investimentos em outras sociedades. do art. c) Do imobilizado (depreciação ou exaustão). e visa a fornecer informa- ções complementares às Demonstrações Contábeis. §4. Podem ser expressas de forma descritiva ou em forma de quadros analíticos. Observa-se que. d) Dos estoques (custo médio ou valor de mercado). A publicação das Notas Explicativas está prevista no artigo 176. b) Explicar a característica dos investimentos em coligadas e controladas. de acordo com Artigo 176.404/76: “As demonstrações serão complementadas por Notas Explicativas e outros quadros analíticos ou Demonstrações Contábeis necessá- rios para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício. § único). de acordo com a particularidade de cada em- presa.” a) Considerar critérios de avaliação dos investimentos (Custo ou Equivalência Patrimonial). e dos ajustes para atender a perdas prováveis na realização dos elementos do ativo. es- pecialmente estoques. As Notas Explicativas são uma exigência da Lei das S. O parágrafo 5º. b) Da base da provisão para devedores duvidosos.404/76. esgotar o assunto.” (BRASIL. § 4º.A. da Lei nº 6. Nota Explicativa nº 01 “Os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais. da Lei nº 6. de constituição de provisões para encargos ou riscos. ou ainda sob ou- tras Demonstrações Contábeis. quando relevantes (artigo 247. amortização e exaus- tão. poderá haver necessidade de notas adicionais.

” a) Ônus. indicando ainda a possibilidade de perda ou ganho e se foi feita Provisão. variação cam- bial e a composição dos credores.” Nota Explicativa nº 04 “Os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo. garantias dadas.” 74 . prazos de vencimento. § 3). Nota Explicativa nº 03 “O aumento de valor dos elementos do ativo por novas avaliações (artigo 182. e de responsabili- dade civil (riscos de seus produtos usados por seus con- sumidores). Nota Explicativa nº 07 “A opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício.” Capital Social: Evidenciar: número. • E as responsabilidades assumidas por conta de Contratos de natureza financeira (leasing.” Empréstimos e Financiamentos: Evidenciar: taxas de juros. • Contingências fiscais ou trabalhistas. as datas de vencimento e as garantias das obriga- ções a longo prazo. Composição do capital entre residentes no país e exterior e o valor do capital au- torizado. correção mone- tária. tais como os dados em: • Ônus de empréstimos e financiamentos. mercado futuro). moeda. as garantias pres- tadas a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes. espécies e classes de ações. Nota Explicativa nº 05 “A taxa de juros. espécie e classes das ações do capital social. Garantias e Outras Responsabilidades: b) Visa evidenciar os ativos dados em garantia e seus valores cor- respondentes aceitos pelo credor. valores financiados. Nota Explicativa nº 06 “O número.

a Comissão de Valores Mobiliários vem apresentando recomendações sobre a 75 . variações bruscas na taxa de câmbio. Nota Explicativa nº 09 “Os eventos subseqüentes à data de encerramento do exercício que tenham. necessário para melhor compreensão da situação patrimonial e financeira da empresa e de suas operações. de exprimir com clareza a composição do patrimônio da em- presa e evidenciar suas mutações num determinado período. ou possam vir a ter. para um melhor entendimento das Demonstrações Contábeis pelos seus usuários. efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuros da companhia. alteração de legislação fiscal. ou retifi- cação de erros de exercícios anteriores. para atingir o objetivo das Demonstrações Contábeis.4. Sumário das principais práticas contábeis Nas Notas Explicativas. existe a necessidade da divulgação dos principais critérios de avaliação dos ele- mentos patrimoniais. Podem ser: sinistros por incêndio. Como complemento às Notas Explicativas previstas na Lei das S/A.” Esta Nota serve para explicar os eventos que afetarão o Patrimônio após o Levantamento do Balanço e antes de sua Publicação. Nota Explicativa nº 08 “Os ajustes de exercícios anteriores (artigo 186. 15.3. 15. § 1º). Notas recomendadas pela CVM Como complemento às Notas Explicativas. Evidenciar: efeitos de mudanças de práticas contábeis. a Comissão de Valores Mo- biliários (CVM) sugere a divulgação de diversos assuntos relevantes. processos na justiça. também chamado sumário das práticas contábeis que se destina a permitir aos usuários o conhecimento das práticas con- tábeis.” Os ajustes de exercícios anteriores serão contabilizados direta- mente na Conta Lucros e Prejuízos Acumulados.

Ágio/deságio. são os seguintes: Contexto operacional. Ônus. estrutura de capital. considerados importantes. suas bases operacionais e mercados em que a em- presa opera. Ajustes de exercícios anteriores. para que possam melhor avaliar a situação da empresa e seus resultados.Muitas empresas apresentam o contexto operacional em seu Relatório de Administração. Contexto operacional A nota sobre as operações ou contexto operacional é muito usada por analistas e outros usuários das Demonstrações Contábeis.detalhamento. Opção de compra de ações A seguir é apresentado um detalhamento das notas recomendadas pela CVM. reorganização ou em expansão. Destinação do resultado Demonstrações em moeda do exercício. Investimentos societários no Exterior. garantias e contingentes. Serve também para que se conheça qual é o objetivo social da empresa. Provisões para créditos de Remuneração dos administradores. Mudança de critério contábil. liquidação duvidosa. Retenção de lucros. Reavaliação de bens. Dividendos . consolidadas.cálculo. entre outros.5. que de acordo com as suges- tões da CVM devem constar das Notas Explicativas. Capital realizado atualizado. Equivalência patrimonial. Transações entre partes relacionadas Programa de desestatização. Lucro/prejuízo por ação. qual o estágio de empreendimento. Ações em tesouraria. sol- vência. 15. Arrendamento mercantil. ou seja. Ativo diferido. liquidez. 76 . divulgação de diversos assuntos relevantes para efeito de melhor entendi- mento das Demonstrações Contábeis. Os itens. Obrigações de longo prazo. bem como se a empresa estiver em implantação. Reservas . de capacidade constante. Empreendimentos em Demonstrações Financeiras fase de implantação. bem como julgar com certa razoabilidade por meio de índices de rentabilidade. Debêntures. Planos de aposentadoria e pensões. qual é a sua atividade.

direitos. Debêntures É uma fonte de financiamento da empresa que deve ser divulgada em NE. (séries. valor do contrato. Tais informações devem ser expressas na DRE. responsabilidades ou interesses cobertos por seguros (montantes e modalidades). valor. Leasing Deve apresentar: a natureza dos bens arrendados. re- muneração. quantidades emitidas. hipotecas concedidas em favor de coligadas e controladas. garantias. este deve ser demonstrado em NE. tipo de operação.). Amortização do ágio/deságio Deve apresentar: os fundamentos econômicos que deram origem ao ágio e/ou ao deságio. Seguros As NE devem trazer os ativos. datas de vencimento. prazos. Prejuízos fiscais a compensar Quando da apuração do lucro real para apuração do IR houver prejuízo. Lucro por ação e dividendo por ação Há obrigatoriedade de menção do valor do lucro por ação e do dividendo por ação. registro no CVM etc. Segregação entre circulante e longo prazo No caso de empresas em que o ciclo operacional seja superior a um ano as NE deverão mencionar os critérios de segregação de Ativos e Passivos en- tre circulante e longo prazo. 77 . Transações entre partes relacionadas Com relação às coligadas e controladas mostrar: a) Créditos e obrigações entre coligadas e controladas. b) Avais. assim como os 30% da compensação. DMPL ou DLPA.

e) Taxas de Contribuição. b) A indicação do projeto para o qual se destinou o subsídio. Planos de aposentadoria e pensões As NE devem conter explicações sobre existências desses Planos tais como: a) Custo anual para a Companhia. b) Regime de apuração de Custos. d) Compromissos Estatutários da Companhia. São Considerados Ativos e Passivos Financeiros: a) Ativos: disponibilidades. restou ao IBRACON pronunciamento: são valores em caixa e depósitos em banco (AC) com destinação específica. misto). c) Tipo de Plano (benefício definido. Devem constar em NE os crité- rios de avaliação desses Ativos (valor de mercado). Subsídios governamentais Deve ser apresentado em NE: a) A natureza e valor do subsídio. b) Passivos: pagamentos em moeda ou instrumentos financeiros. c) Condições contratuais. contribuição definitiva. títulos de participações em outras entidades. Divulgação de instrumentos financeiros É toda operação que dá origem a um ativo financeiro em uma entidade e um passivo financeiro em outra entidade. 78 . O IBRACON recomenda que sejam mencionadas em NE. Disponibilidades: A Lei Societária e a CVM não fazem menção sobre disponibilidades. Ações em tesouraria: As ações em tesouraria de acordo com a Lei das S/As devem ser eviden- ciadas no Balanço Patrimonial como dedução do PL. f) Data da última reavaliação aprovada. direitos recebíveis em moeda ou outros ins- trumentos financeiros. De acordo com a CVM deverão ser mencionadas em NE: a) O objetivo de aquisição de suas próprias ações.

cisão ou dissolução). Empresas em fase pré-operacional Os gastos pré-operacionais são diferidos para posterior amortização com os resultados produzidos. 79 . Continuidade normal dos negócios Para a CVM. b) As Quantidades e classes de ações adquiridas ou alienadas no curso do exercício. Já o Parecer de Orientação CVM nº 4/79 define que “O valor da remuneração dos adminis- tradores deverá ser divulgada no corpo da DRE ou em Notas Explicativas”. Caso a empresa obtenha ganho durante a fase de implantação. mencionar em NE: a) Modalidade Operacional da Privatização (leilão. transformação. d) O valor de mercado das espécies e classes de ações em tesouraria. deve constar em NE. b) Histórico do processo de privatização e seu estágio atual. Programa de desestatização Empresas Públicas e de Economia mista sob o controle Municipal. c) Valor contábil do investimento privatizável. g) Informar das pendências judiciais e trabalhistas. qual o método de avaliação e o valor da avaliação e preço mínimo de venda. c) Os custos de aquisições e os resultados líquidos de alienações. f) Montante dos recursos da privatização a serem usados na qui- tação de dívidas do setor público. tal fato deve ser evidenciado em NE. d) Montante da provisão para desvalorização ou perda de permanente. deve mostrar em NE o confronto entre receitas e despesas. e) Informações precisas entre operações com partes relacionadas. para dar ciência do fato aos interessados (avaliação de produção e resultados). Remuneração dos administradores A Legislação Societária não faz menção desta NE. quando houver risco iminente de descontinuidade da Companhia. Esta- dual ou Federal incluídas no processo de privatização deve segundo a CVM. Capacidade ociosa De acordo com a CVM.

a remuneração do capital próprio configura distribuição do resultado e não despesa financeira. Pela CVM e legislação societária. Face o entendimento do Fisco/Legislação Societária e CVM. 80 . Juros sobre o capital próprio Pela legislação fiscal os juros pagos pelo capital próprio são dedu- tíveis para efeito de apuração do lucro real. b) conciliação das diferenças apuradas no Lucro (prejuízo). escri- turação mercantil e correção integral. e estas forem relevantes. com o demonstrativo de seu montante (PARECER 21/90). devendo o mesmo ser re- gistrado como despesa financeira. Mudanças de práticas contábeis Caso não haja uniformidade das práticas entre os exercícios. c) o montante do IR incidente. Determinou ainda a CVM que os juros sobre o capital próprio sejam contabilizados na Conta Lucros Acumulados. Vendas ou serviços a realizar Quando a Companhia tiver garantias formais. as NE deverão informar: a) os critérios utilizados para apuração (juros. Esta Demonstração comple- mentar (CVM) deverá aparecer em NE e evidenciar: a) os critérios adotados na elaboração desta demonstração (índice de correção e contas atualizadas). Demonstração em moeda de capacidade aquisitiva constante A comparabilidade dos exercícios fica afetada se as Demonstrações Contábeis não forem apresentadas em moeda de poder aquisitivo cons- tante (Correção Monetária Integral . essa in- formação deverá constar de NE. sem afetar o resultado do exercício.CMI). d) seus efeitos sobre os dividendos obrigatórios. b) as políticas usadas para sua distribuição. contabilização e evidenciação). do recebimento no futuro de serviços ou vendas a realizar. de- vem-se mencionar em NE as mudanças introduzidas no exercício cor- rente em relação ao anterior.

as informa- ções devem conter esclarecimentos acerca de Leis.6. aprovada pela Resolução CFC nº 737/92 trata no subitem 6. Informações do ano anterior que sofrem alterações. autenti- cidade. observadas pelas em- presas para efeito de elaboração das Notas Explicativas. f) Sempre que necessário ao atendimento e validade. Decretos. Destinação do lucro Caso não haja distribuição de lucros a acionistas. deve-se justificar em NE a razão da retenção. A Resolução do CFC nº 737/92. A seguir são apresentados exemplos práticos de notas explicativas como parte integrante das Demonstrações Contábeis.2das informações mí- nimas que devem constar das Notas Explicativas. c) Os assuntos devem ser abordados conforme ordem das De- monstrações Contábeis. precisão.6. devendo sempre levar em conta as informações complementares neces- sárias a um melhor entendimento do que se refere a práticas contábeis específicas do ramo de atividade da empresa. quando existirem. d) Os assuntos devem ser agrupados segundo as característi- cas comuns. Normas do Conselho Federal de Contabilidade A Norma Brasileira de Contabilidade Técnica NBC T . b) Os textos devem ser simples. 15. NBC T-6. orienta na elaboração das Notas Explicativas: a) As informações devem estar baseadas na integridade. São várias as informações que podem compor as Notas Explicativas. 81 . e) Os dados atuais devem permitir a comparação com datas de períodos anteriores. sinceridade e relevância dos fatos. como exemplo. NBC e Atos Normativos. quando relevan- tes são dignas de repetição. tributárias e trabalhistas. causas judiciais. . objetivos e claros.

666 Depósitos judiciais 318.741.737 3.Notas Explicativas | Exemplos Balanços Patrimoniais em 31 de Dezembro (em reais) 2007 2006 Ativo Circulante Caixa e bancos 282.064.755.965 Outros créditos e valores 175.959.359 4.093 809.405 Provisão para devedores duvidosos (686.223 Outros créditos e valores 6. 698.480 Cobranças judiciais 1.927 407.352 Contas a receber de clientes 986.898 1.023 319.767 Estoques 96.259 34.287 62.637.718.759 124.853 31.528 Valores bloqueados pela justiça 868.355 42.823.879.388.085.847 Imóvel alienado em fase de recebimento 942.529 2. 217.375 Despesas antecipadas 80.447 287.272 189.815 176.388.215) 4.676 Permanente Imobilizado 32.568 Ativo Não Circulante Realizável a longo prazo Desapropriação de imóveis a receber 2.331 Tributos a recuperar 155.589 Valores a receber de imóveis vendidos .622 2.177.474) (640.377 1.903.939 As Notas Explicativas da administração são parte integrante das Demonstrações Contábeis 82 .695 Total do Ativo 39.660 Adiantamentos concedidos 21.649 Aplicações financeiras .290 109.

567 3.176.840 268.865.168 Parcelamento REFIS 5.939 As Notas Explicativas da administração são parte integrante das Demonstrações Contábeis 83 .436 31.707 3.700 - Outras obrigações a curto prazo 48.465.873 Patrimônio Líquido Capital Social 161.056 Salários e contribuições previdenciárias 793.343 200.184) (129.024 Parcelamento REFIS 243.804 Total do Passivo 39.988 50.458.511 6.816) 29.620 Prejuízos acumulados (131.615 Obrigações tributárias 118.355 42.194 Provisão para tributos a recolher 721.713. 1.262 Passivo Não Circulante Exigível a longo prazo Provisão para contingências .000 Acordos trabalhistas 947.743.212 7.911. Balanços Patrimoniais em 31 de Dezembro (em reais) 2007 2006 Passivo e Patrimônio Líquido Circulante Fornecedores 906.000 Provisão para contingências 654.637.718.640 708.126.264.620 161.389.903.500.176.720 384.373 1.572 5.768.743 723.

617.976.212.627) ICMS (2.509 396.212.599) PIS Não Cumulativo (211. Demonstrações de Resultados Exercícios Findos em 31 de Dezembro (em reais) 2007 2006 Receita Operacional Bruta Venda de Mercadorias e Serviços 12.793 11.581.039 556.771 Custos dos produtos vendidos e dos (8.6642) Quantidade de ações ao final do exercício 40.138.625) Prejuízo Operacional (3.561 As Notas Explicativas da administração são parte integrante das Demonstrações Contábeis 84 .509 1.805.581.116.828.576 1.341 Outras receitas operacionais líquidas 1.240) (893.784) (3.775) (354.857.762) Prejuízo Líquido do Exercício (2.516.644.011) (3.788.762) Prejuízo líquido por lote de mil ações do capital social (0.392.880 Receitas (despesas) financeiras líquidas 33.200 (42.760) (3.104) (8.392.109.0059) (0.497.809 Prejuízo Antes do Imposto de Renda e Contribuição Social (2.668.210) Créditos PIS/COFINS não cumulativos 413.680 10.516.119.311) (107.974) Depreciação (3.745) (2.082) Reversão de provisões constituídas 702 6.882) serviços prestados Lucro Bruto 2.870) ISSQN (387.889 Receitas (Despesas) Operacionais Despesas gerais e administrativas (4.296) (193.276.623 Impostos e Outras Deduções da Receita COFINS Não Cumulativa (973.788.571) Resultado não operacional Alienação de imóveis 1.561 40.787.770.745) (2.454 Receita Operacional líquida 11.

620 (131.911.762) (2.953.762) Saldos em 31 de dezembro de 2006 161. (2.804 Ajustes de exercícios anteriores .745) Saldos Em 31 de dezembro de 2007 161.581.176.642.468 85 .294) 35.534. (60.620 (126.019. (40.378 287.341) Atualizações e juros do exigível a longo prazo 225.745) (2.264.176.568.436 As Notas Explicativas da administração são parte integrante das Demonstrações Contábeis Demonstrações das Origens e Aplicações de Recursos Exercícios Findos em 31 de Dezembro 2007 2006 Origens de recursos Nas operações sociais Despesas (receitas) que não afetam o capital circulante Reversão de provisão (702) (6.718.509.250 Total dos recursos obtidos 2.180 De terceiros Redução do realizável a longo prazo 1. Demonstrações das Mutações do Patrimônio Líquido Exercícios Findos em 31 de Dezembro (em reais) Capital social Prejuízos Total integralizado acumulados Saldos em 31 de dezembro de 2005 161.891 2.326 Ajustes de exercícios anteriores .623) Prejuízo líquido do exercício .042 1. (2.623) (60.816) 31.312.392.760) (40.129 35.620 (129.392.581.892 Alienação de Imobilizado 1.044 1.458.760) Prejuízo líquido do exercício .184) 29.487 Aumento do exigível a longo prazo 13.176.127.

639.088.427 Transferência do exigível a longo prazo para o circulante 1.119.392.580 1.126.730) Passivo circulante No início do exercício 3.762 Lucro na venda de imobilizado 1.445 (1.262 587.741 As Notas Explicativas da administração são parte integrante das Demonstrações Contábeis 86 .394.568 (322.167 2.733 No fim do exercício 3.831) (1.064. 609 Aumento do realizável a longo prazo 777. Demonstrações das Origens e Aplicações de Recursos Exercícios Findos em 31 de Dezembro 2007 2006 Aplicações de Recursos Das operações sociais Prejuízo líquido do exercício 2.810 Despesas (receitas) que não afetam o capital circulante Depreciação (3.745 2.298 No fim do exercício 2.307 Total dos recursos aplicados 3.153.268.471) Aumento (Redução) do capital circulante líquido (910.737 3.064.568 4.625) Variações monetárias passivas .276.276) 179.809 Ajustes de exercícios anteriores 59.921 33.087.725 945.168 687.581.011) (3.479.741.628 Adições de imobilizado 442.707 3.039 556.713.262 4.727 Aumento (redução) do capital circulante líquido Ativo circulante No início do exercício 3.773.109.126.

que altera e introduz novos dispositivos à Lei das Sociedades por Ações. Em 28 de dezembro de 2007. 87 . executando os serviços conexos e praticando os atos pertinentes a essas finalidades. que entra em vigor a partir do exercício que se inicia em 1º de janeiro de 2008.Programa Nacional de Desestatização. não havendo qualquer modificação das atividades opera- cionais. bem como exercer o comércio de pro- dutos similares aos recebidos em depósitos. Em 26 de maio de 2000. mediante contrato de compra e venda. foi promulgada a Lei no. 11. na forma do Decreto nº 3855 de 03 de julho de 2001.638/07. No início do exercício de 2008. especificamente em relação ao capítulo XV. realizou-se a transição acionária do Governo do Estado de Minas Gerais para a União. sendo que outras dependem de normalização por parte dos órgãos reguladores no Brasil.Notas explicativas da administração às demonstrações contábeis em 31 de dezembro de 2007 e em 31 de dezembro de 2006 (em reais) 1. Tem como principal objetivo armazenar e ensilar produtos do agronegócio. Contexto operacional A Companhia de Armazéns e Silos do Estado de Minas Gerais (CA- SEMG) é uma sociedade por ações. Encontra-se a empresa incluída no PND . 2. constituída através da Lei n° 1643 de 06 de setembro de 1957. sobre matéria contábil. algumas altera- ções são aplicáveis. A referida Lei tem como principal objetivo atualizar a lei societária brasileira para possibilitar o processo de convergência das práticas con- tábeis adotadas no Brasil com aquelas constantes das normas interna- cionais de contabilidade e permitir que novas normas e procedimentos contábeis sejam expedidos em consonância com os padrões internacio- nais de contabilidade. Apresentação e elaboração das Demonstrações Contábeis As Demonstrações Financeiras foram elaboradas e estão apresen- tadas em conformidade com as práticas contábeis adotadas no Brasil e com observância às disposições emanadas da Lei das Sociedades por Ações e as Normas do Conselho Federal de Contabilidade. e operando como Armazéns Gerais em 20 Unidades de Armazenagem e Negócios no Estado de Minas Gerais.

As Demonstrações Contábeis integram as alterações trazidas pe- los normativos contábeis Normas e Procedimentos de Contabilidade – NPC no 27 – Apresentação e Divulgações. As Demonstrações Contábeis referentes ao exercício findo em 31 de dezembro de 2010 foram reclassificadas para fins de comparabilidade com as do exercício corrente. Passi- vos. em 03 de outubro de 2005. 3. a partir do exercício a findar-se em 31 de dezembro de 2008 são as seguintes: Substituição das Demonstrações das Origens e Aplicações de Re- cursos (DOAR) pela Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC). 88 . Obrigatoriedade de a Companhia analisar a capacidade de recu- peração dos valores apresentados no ativo imobilizado e intangí- vel. Estão clas- sificados no circulante os ativos cuja realização ou pagamento dar-se-á em período inferior a um ano. as quais foram aprovadas pelas Deliberações CVM no 488 e no 489. As alterações resultantes dos normativos citados foram as seguintes: Apresentação dos grupos “Não Circulante” no ativo e no passivo. Resumo das principais práticas contábeis a) Ativos circulante e não circulante São apresentados por valores de custo ou de realização. Publicação da Demonstração de Valor Adicionado (DVA). Contingências Passivas e Contingências Ativas. as principais alterações que terão efeito imediato sobre as Demonstrações Financeiras da Companhia. Como decorrência dessa lei. Demonstração de novos subgrupos de contas: intangível e ajustes de avaliação patrimonial no grupo do patrimônio líquido. e no 22 – Provisões. e inclui quando requerido. ambas emitidas pelo IBRACON – Instituto dos Auditores Independentes do Brasil. as variações monetárias e os rendimentos. periodicamente. Classificação da provisão de contingências de acordo com os pa- râmetros para fins de reconhecimento dos ativos e passivos em contingentes ou não. respectivamente.

con- siderando as estimativas de vida útil-econômica dos bens (Nota no. líquidos da provisão para devedores duvidosos. h) Provisão para contingências É relacionada a processos de natureza tributária. d) Estoques Os estoques estão representados por materiais de manutenção e consumo nos Armazéns Gerais. constituída com base na avalia- ção da situação de cada cliente. acresci- dos. acrescidos dos rendimentos auferidos até a data do balanço. A depreciação é calculada pelo método linear. corrigido mone- tariamente até 1995. quando aplicável. e incluem quando aplicável. dos correspondentes encargos das variações mo- netárias ou contratuais incorridas. dos dois o menor. A provisão para créditos de liquidação duvidosa é constituída sobre os créditos que envolvem riscos e em montante suficiente para a cober- tura de possíveis perdas. c) Contas a receber São apresentadas pelos respectivos valores de realização. 9). trabalhista e cível. e) Imobilizado Registrado ao custo de aquisição ou de construção. sendo provável que um recurso eco- 89 . e é reconhecida quando a Companhia á parte de uma obrigação legal ou como resultado de eventos passados. g) Classificação dos passivos circulante e não circulante São demonstrados pelos valores conhecidos ou calculáveis. não sendo registrado em balancete. f) Demais ativos circulante e não circulante Os demais ativos circulante e realizável a longo prazo são demons- trados pelo valor de custo ou líquido de realização. O estoque de mercadorias de clientes é registrado no livro de Inventário. As aplicações financeiras estão demonstradas pelos valo- res aplicados. acrescidas dos rendimentos auferidos até a data do balanço. considerados tais valores de realização suficientes pela Administração para fazer face às eventuais perdas no recebimento dos créditos. os rendimentos proporcionais auferidos até a data do balanço. b) Disponibilidades e aplicações financeiras Estão avaliadas ao custo.

As provisões devem ser re- conhecidas considerando as melhores estimativas da Administração. limitada a 30% do lucro real anual. mediante pre- missas que incluem a provisão para devedores duvidosos.689/88 incidem direta ou indiretamente sobre o resultado apurado pela companhia. e provisão para contingências. Os resultados efetivos podem se apresentar diferentes dessas estimativas e julgamentos feitos pela Administração. j) Apuração do resultado O resultado das operações é reconhecido por regime contábil de competência. Consideram a compensação de prejuízos fiscais e base negativa de contribuição social. e de 9% sobre o lucro tributável para contribuição social sobre o lucro lí- quido. disciplinados na legislação tributária. l) Estimativas contábeis De acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil. nômico seja requerido para saldar a obrigação. valor residual do imobilizado. a elabora- ção das Demonstrações Contábeis requer o uso de julgamento na deter- minação e reconhecimento de estimativas contábeis. do exercício corrente. A Administração da Companhia revisa as estimati- vas e premissas anualmente. ajustado se- gundo critérios fiscais. o Adicional de Imposto de Renda e a Contribuição Social de que trata a Lei nº 7. 90 . são calculados com base nas alíquotas de: 15%. k) Imposto de renda e contribuição social refletidos nos resultados O Imposto de Renda Federal. O imposto de renda e a contribuição social. As estimativas da Administração envolvem a análise de ativos e passivos. i) Demais passivos circulante e não circulante São demonstrados pelos valores conhecidos ou calculáveis acresci- dos dos correspondentes encargos até a data do balanço. acrescida do adicional de 10% sobre o lucro tributável excedente de R$ 240 mil para imposto de renda.

983 Patos de Minas 86.186 6.935 Tupaciguara 10.446 52.561 163.187 Centralina 5.624 78.179 Patrocínio 77. Contas a receber de clientes O saldo de R$ 986.829 118.769 Sacramento 19.076 Santa Vitória 17.287 68. de- correntes da prestação de serviços de armazenagem (serviços prestados e não recebidos até 31 de dezembro) conforme demonstrado a seguir: Unidades armazenadoras Posição em 2007 Posição em 2006 Alfenas 0 20.204 54.725 0 Buritis 1.686 Capinópolis 68.554 Ipiaçu 137 212 Ituiutaba 124.548 Conceição das Alagoas 0 0 Frutal 20.278 Total 986.599 169.792 Uberaba 30.704 Monte Carmelo 47.377 em 31 de dezembro de 2007 (R$ 1.611 Uberlândia 269.645 35.813 9.085.000 Araguari 26.978 5.884 28.247 3.879 118.626 Paracatu 50.767 Fonte: Demonstrações Contábeis publicadas (CASEMG.627 Passos 17.926 Unaí 99.827 48.074 Bonfinópolis 10.700 5.085. 2007) 91 .377 1.805 97. 4.767 em 31 de dezembro de 2006) refere-se a valores a receber de clientes.

401 2. Os valores a receber das Prefeituras de Ipanema e Muriaé originam-se de ações que contam com julgamen- tos favoráveis à CASEMG.278. no valor de R$ 122.681 Prefeitura Municipal de Centralina 9. com saldo remanescente em 2007 de 14 parcelas.235.528 (-) Provisão para perdas (254.798 2.730) 2.302.489 Prefeitura Municipal de Ipanema 459.235. pelo valor de R$ 1.190. posto estarem em fase de execução. em 2006 pelo valor de R$163. Outros créditos e valores Referem-se basicamente à concessão de direito real de uso de imó- veis. em 2007.553 942. 92 .957 459.401 9.528 2. A pro- visão para perdas demonstrada está baseada na expectativa de êxito no mérito das ações informada pelos assessores jurídicos da Companhia.133.957 Prefeitura Municipal de Muriaé 1.133.000 para pagamento em 10 parcelas mensais.730) (254.374 871. por se tratar de execução de título extrajudicial (Escritura Pú- blica de Desapropriação Amigável).388. Desapropriação de imóveis a receber em cobrança judicial 2007 2006 Prefeitura Municipal de Gov. Na ação contra a Prefeitura de Governador Valadares a certeza do direito é latente.927 6. da seguinte forma: São Francisco Contagem Total Valores a receber no curto prazo 71.681 1.489 683. Distrato de Es- critura Pública Declaratória de Distrato de Doação com o município de Contagem. com precatórios já constituídos. para pagamento em 30 meses. à venda de imóveis nas cidades de São Francisco.388. com trânsito em julgado quanto ao mérito e pleno reconhecimento do direito da Companhia.927. 5. Em 31 de dezembro de 2007 restam a ser recebidos R$ 942.Valadares 683.798 Fonte: Demonstrações Contábeis publicadas (CASEMG. 2007) Estes valores a receber estão sendo discutidos judicialmente.

Gurinhatã e Espinosa encontram-se ainda em fase de conhecimento.230 Iconomil 135.744) (385.580 132.802 34.828 192.230 209.154 1.898 1. sem trânsito em julgado por existirem recursos às instâncias superiores.823.421 Líria de Cássia Salomão 34.181 Fonte: Demonstrações Contábeis publicadas (CASEMG.828 Prefeitura Municipal de Gurinhatã 132. 2007) Esses valores a receber estão sendo discutidos judicialmente.755.370.823.580 Prefeitura Municipal de São Francisco 18.666 (-) Provisão para perdas (431.532 1.402 Valdir José Faria 1.585 Usapanos Panos Limpeza 209.287 1. decorre de valores a receber relativos a concessões de direito real de uso e duplicatas a receber em cobrança judicial.178 18. Cobranças judiciais O saldo desta conta em 31 de dezembro de 2007. A ação contra a Prefeitura de Frutal constitui matéria de Direito e está em fase de execução de sentença. Por se tratar 93 .403 22.174 Prefeitura Municipal de Felixlândia 192.585 99.485) 1.421 135. de R$ 1. 7. sem julgamento do mérito. no intuito de recebimento e/ou com- pensação de créditos junto ao município.392. 2007 2006 Prefeitura Municipal de Frutal 888. As ações judiciais frente às Prefeituras de Felixlândia. embora esteja em fase de negociação extrajudicial.410 18.287 Cezar Dalbert Bizinoto – 2.646 Outros Valores em cobrança judicial 89. com julgamentos favoráveis à CASEMG em 1ª e 2ª instâncias.174 888.898.802 Oliveiros Fernando Nogueira Lima 22. A provisão para perdas demonstrada está baseada na expectativa de êxito no mérito das ações informada pelos assessores jurídicos da Companhia.178 Prefeitura Municipal de Espinosa 99.

de descumprimento de contratos.259 32.406 1.409. do imóvel de Espinosa e do distrato de escritura pública de promessa de doação do município de Contagem.931.105 5.177.665 Direitos de Propriedade – 216.776) Total 32.541 215.008 148.252 Obras em andamento – 198.841 47. 94 .707.844 Móveis e Utensílios 10% 1.156 Edificações 4% 8. cujo resultado líquido.704 Máquinas e Equipamentos 10% 47. 8.060. 2007) Em 2007 ocorreram baixas no imobilizado por força de alienações provenientes de leilões oficiais de bens móveis. Depósitos Judiciais O saldo de R$ 318.050 Veículos 20% 137. A com- panhia constituiu provisão no passivo para suportar eventuais perdas.708. 9.276.051 Armazéns e Silos 4% 88.168.775.358.011 8. está apresentado no balanço pelo ga- nho de R$ 1.038 89.695 Fonte: Demonstrações Contábeis publicadas (CASEMG.471 (-) Depreciação acumulada (116.345. constituindo-se matéria exclusiva- mente de Direito.214 620.638 391.449. Imobilizado Taxa anual de 2007 2006 depreciação Terrenos – 592.766. há plena possibilidade de êxito quanto ao reconhe- cimento dos créditos da Companhia.965 148.741 Equipamentos de Informática 20% 387.478.171 132.879.705) (113.039.023 decorre de valores depositados judicialmente para fazer face a depósitos recursais relativos a ações trabalhistas.

Em 31 de dezembro de 2007.774. conforme nota técnica.849. Em 31 de dezembro de 2007 e 2006.423. de exercí- cios anteriores a 2000.599.968.602. Provisão para contingências trabalhistas.378 287.180 Saldo devedor REFIS 5.073. e registro de provisão no montante de R$ 1.397 315. apresen- tando uma insuficiência não provisionada em 31 de dezembro de 2007 de aproximadamente R$ 1.768. por acordo nos autos ou por execução de sentença. com acordo já firmado no valor de R$ 947. Parcelamentos REFIS Está composto por débitos de INSS.982.047.373.110.310.797 5. COFINS.541 Pagamento de parcelas no exercício (206.145) (5.700. cíveis e valores bloqueados pela justiça A empresa mantém provisão para contingências registrada no Pas- sivo Circulante.145) Dívida Consolidada 5.986. conforme registrado na rubrica “Acordos Trabalhistas” no Passivo Circulante.194 Fonte: Demonstrações Contábeis publicadas (CASEMG. PIS e FUNDAF.539.194 Dividido em: Passivo Circulante 243.657) (174. Em 2007 foram li- quidadas ações trabalhistas. como segue: 2007 2006 Débito total 10.094.942 10.310. 10.343 200.942 Compensação de Prejuízos Fiscais (5.00.572 5.849.000 Exigível a Longo Prazo 5.324) Atualização TJLP no exercício 225.743. de R$ 654.915 5. para fazer face às eventuais perdas futuras com reclamações trabalhistas e cíveis. 2007) 11.428.310.539. O valor relativo às contingências trabalhistas e cíveis.797 Acréscimo (decréscimo) da dívida 428. 95 . o saldo dos valores bloqueados pela Justiça do Trabalho para garantir o pagamento de indenizações de ações trabalhistas que estão sub júdice totaliza R$ 868. já homologado equivale a R$ 4. no valor total de R$ 2. sendo que a empresa dispõe de depósitos recursais de R$ 1.

13.974) Fonte: Demonstrações Contábeis publicadas (CASEMG.022 TJLP sobre REFIS 225.534 148.954 434.315 Taxa de Permanência 133.Juros e VM.753) (477.289) .939 Receitas Financeiras 377.201 (42. de R$ 60.87% em ações ordinárias e 5. decorrem basicamente de estorno de provisão de faturamento indevida.176. Ajustes de exercícios anteriores Os ajustes de exercícios anteriores lançados em 2007. os quais estão sendo discutidos judicialmente.05%). deduzidas das re- ceitas financeiras. no valor de R$ 721.14%). Provisão para tributos a recolher O ISS e o IPTU a recolher.21%). no valor R$ 161.657) 91.310 194.378 287.Multas dedutíveis e indedutíveis (206.180 Comissões.343 91.399 Apropriação de juros e multas 218.623. é dividido em 94.110 91. cuja composição acionária é a seguinte: Governo Fe- deral (92.6%). BDMG (0. 2007) 96 . despesas bancárias e outras 243. Despesas financeiras líquidas Os saldos em 31 de dezembro de 2007 e 31 de dezembro de 2006 referem-se às despesas financeiras pagas ou incorridas. 14. Outros (0. CONAB (7.188 Renda de aplicação financeira 26. 12.397 7.640. referem-se a débi- tos mantidos junto à Prefeitura de Frutal desde 1991. pagos ou incorridos 428. são: 2007 2006 Despesas Financeiras (344. 15.12% em ações preferenciais sem valor nominal.148 . Capital social Em dezembro de 2007 o Capital Social.728 Total 33.620.

500 e R$ 6. originados por operações envol- vendo instrumentos financeiros derivativos naquela data-base. e dos empregados são R$ 4.800. respectivamente. 16. deposita- das em seus armazéns. 17. Cobertura de seguros Em 31 de dezembro de 2007 a Companhia possuía cobertura de se- guros contra incêndio e intempéries em valores considerados suficientes para cobrir eventuais sinistros com as mercadorias de terceiros. respectivamente. Instrumentos financeiros A Companhia não possuía valores apresentados nas Demonstrações Contábeis em 31 de dezembro de 2007. Passemos agora para o estudo sobre o Relatório da Administração 97 .497 e R$ 380. que re- queressem divulgação específica. 16. Remuneração de empregados Os valores da maior e menor remuneração dos Administradores da Companhia são R$ 7.

não só ao fornecer projeções previstas para o futuro. dessa forma. Demonstrações Contábeis e Notas Explicativas que a elas são integradas. indicativas de ten- dências futuras. sobretudo ao fazer análises do passado. 133 da Lei nº 6. Parecer de Auditores Independentes. O Relatório da Administração é descritivo e menos técnico que as Demonstrações Contábeis. Ele reúne condições de entendimento por uma maior parcela de usuários. O RA representa uma “prestação de contas” da Companhia e abrange: Relatório da Administração. mas. Por isso. evidenciar conclusões a uma maior parcela de usuários da informação contábil sobre a empresa. No Brasil. até 1 (um) mês antes da data marcada para a realização da assembléia-geral ordiná- ria. 16 Relatório da Administração 16. em termos de permitir o fornecimento de dados e informações adicionais que sejam úteis aos usuários em seu julgamento e processo de tomada de decisões. por anúncios publicados na forma prevista no artigo 124. O Relatório da Administração (RA) faz parte de um conjunto de in- formações que deve ser divulgado por uma sociedade. Os administradores devem comunicar.404/76: Documentos da Administração Art. Introdução Para melhor compreensão do conjunto de informações que abrange as Demonstrações Contábeis. ele tem um maior poder de co- municação que poderá. esse conjunto representa os Documentos da Admi- nistração como requeridos no art. faremos uma apresentação do Relatório da Administração. O RA tem sido adotado em vários países com forma e conteúdos variados. que se acham à disposição dos acionistas: 98 . O Relatório da Administração representa um necessário e impor- tante complemento às Demonstrações Contábeis publicadas.1. 133. É por meio do RA que a Administração pode fornecer importante contribuição aos usuários.

inclusive votos dissidentes.303. Contabilidade das Sociedades Por Ações. pelo menos. se houver. IV . nas condições previstas no § 3º do artigo 124. servindo de parâmetro para as empresas.o parecer dos auditores independentes. mas é obrigatória a publicação dos documentos antes da realização da assembléia.303. em março de 1989. § 5º A publicação dos anúncios é dispensada quando os docu- mentos a que se refere este artigo são publicados até 1 (um) mês an- tes da data marcada para a realização da assembléia-geral ordinária. de 2001) V . e (Incluído pela Lei nº 10. antes da data marcada para a realização da assembléia-geral. (Incluído pela Lei nº 10. II . se houver. § 3o Os documentos referidos neste artigo. publi.demais documentos pertinentes a assuntos incluídos na or- dem do dia.2. sobre Relatório da Administração.o relatório da administração sobre os negócios sociais e os principais fatos administrativos do exercício findo. 16. 99 . serão publicados até 5 (cinco) dias.303. à exceção dos cons- tantes dos incisos IV e V. III . Estudo da ONU A ONU estudou o assunto por meio da Comissão de Cooperações Para mais informações Transnacionais da ONU um Grupo Intergovernamental de Especialistas pesquise o em Padrões Internacionais de Contabilidade e. I . de 2001) § 1º Os anúncios indicarão o local ou locais onde os acionistas poderão obter cópias desses documentos. de 2001) § 4º A assembléia-geral que reunir a totalidade dos acionistas poderá considerar sanada a falta de publicação dos anúncios ou a inobservância dos prazos referidos neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.a cópia das Demonstrações Financeiras.o parecer do conselho fiscal. capítulo do Manual de cou um modelo básico. § 2º A companhia remeterá cópia desses documentos aos acio- nistas que o pedirem por escrito.

16.5. meio ambiente e seus consumidores). mudanças de estratégia e resultados globais eventos externos que afetaram o desempenho do grupo. abranger operações internacionais ou por áreas geográficas.4. projeções futuras. investimentos. por ramo de atividades. quando apropriado: estratégia corporativa. por áreas geográficas: abranger análise de segmentos individuais. contemplando: as atividades globais do grupo (análise corporativa).3. informações mais detalhadas das atividades de ramos ou segmen- tos individuais (análise setorial). inclusive com maiores deta- lhes e com dados consistentes. informações sobre seus RH (política e DVA). 16.4. responsabilidade social (comunidade. Análise corporativa Deve enfocar e permitir uma visão das atividades da empresa. por ramo de atividades. compras ou vendas de ativos e seus reflexos no grupo. 16. análise dos resultados e da posição financeira do grupo (análise financeira) 16. Análise financeira O Relatório da Administração deve conter nesta parte: 100 . Conteúdo básico (ONU) A forma de apresentação do Relatório da Administração deve in- cluir uma discussão e análise pelos Administradores. Análise setorial: O Relatório da Administração deve abranger a análise de segmentos individuais. ou seja. atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D).

c) Recursos Humanos. As Notas Explicativas: tratam de explicar os valores incluídos nos balanços e as atividades off balance da empresa. 16. d) Investimentos.6. como operações com derivativos. Sua natureza é de reportar fatos ocorridos e riscos já identificados. A seguir apresentam-se as recomen- dações do Parecer de Orientação CVM 15 de 28/12/87 a) Descrição dos Negócios. A Situação no Brasil e o conteúdo proposto pela CVM Embora a Lei nº 6. g) Reformulações Administrativas. inserção social da empresa na comunidade. de maneira geral os relatórios de administração são considerados como insuficientes quanto à divulgação. etc. emissão de cartas de créditos. Produtos e Serviços. situação de liquidez e fontes de capital.7. os resultados operacionais. conjuntura econômica. Diferença entre relatório da administração versus notas explicativas O Relatório da Administração: é dedicado a informar sobre estra- tégias da empresa. b) Comentários sobre Conjuntura Econômica Geral. 101 . prestação de fianças. efeitos da variação na taxa de câmbio e os aspectos de análise. 16.404/76 obrigue à divulgação dos fatos indicados. h) Investimentos em Controladas e coligadas. f) Proteção ao Meio Ambiente. etc. j) Perspectivas e plano para o exercício em curso e os futuros. avaliação dos ativos e o impacto inflacionário. Novos Produtos e Serviços. i) Direitos dos acionistas e dados de Mercados. e) P&D.

Exemplos práticos de Relatório da 5. “excelentes pers- pectivas”. visto que a publicados serão disponibilizados informação relevante diz respeito ao comentário ou apreciação dos fa- na Plataforma tores endógenos e exógenos que influenciaram as variações ocorridas. Algumas informações necessárias que devem estar contidas no Relatório da Administração: aquisição de debêntures de sua própria emissão. “ótimo desempenho”. deve complementar as peças contábeis e as Notas Explicativas. O Parecer de Orientação CVM nº 15/87 determina que o rela- tório da administração. Moodle. Não são válidas simples apresentação de percentuais que podem Administração ser obtidos por qualquer leitor das Demonstrações Contábeis. para ser acessível ao maior número possível de leitores. 16. evidenciando as modificações ocorridas durante o exercício. devendo ser publicado jun- tamente com as Demonstrações Contábeis do encerramento do exercí- cio social anual. 3. 2. 102 . O Relatório da Administração deve ser redigido com simpli- cidade de linguagem. política de reinvestimento de lucros e distribuição de dividendos. Vimos no presente capítulo que o objetivo do Relatório da Administração é dar informação sobre os negócios sociais e sobre os principais fatos administrativos da empresa. 4. constante de acordo de acionista. como peça integrante das Demonstrações Con- tábeis. observada a devida coerência com a situação nelas espelhada. negócios sociais e principais fatos administrativos ocorridos no exercício. Resumo do capítulo 1.8. “baixo endividamento”. Passamos agora para o último capítulo da disciplina de Contabilidade Intermediária II. relação dos investimentos em sociedades coligadas e/ou controla- das. devendo ser evitados adjetivos e frases tais como: “excelente re- sultado”. que trata da Correção Integral das Demonstrações Contábeis. a menos que corroborado por dados comparativos ou fatos.

como servir de base para a análise econômico-financeira da empresa. Quando da época da correção monetária. Introdução Também denominada Correção Monetária Integral das Demons- trações Contábeis (CMI). 17. tanto ex- ternos como internos da empresa. Em princípio. esse tipo de análise era feita considerando os números corrigidos com um índice que demonstrasse a perda de poder aquisitivo da moeda. Muitas empresas que hoje não divulgam essa informação já o fizeram no passado e outras nunca se preocuparam em fazê-lo. os índices passaram a ser calculados a partir dos balanços apurados de acordo com a legisla- ção societária. com a extinção da metodologia de reconheci- mento da inflação nas Demonstrações Contábeis. algumas falhas originais da sis- temática oficial de correção monetária. As Demonstrações Contábeis possuem uma série de utilidades.17 Demonstrações contábeis em moeda de capacidade aquisitiva constante 17. Obrigatoriedade de elaboração e divulgação As companhias abertas foram sujeitas à elaboração e à publicação de Demonstrações Contábeis complementares. passaram a 103 . é uma demonstração que apresenta os refle- xos das defasagens de índices e do não reconhecimento da inflação externa nos balanços das empresas. então vigente.1.2. em moeda de capacidade aquisitiva constante para atendimento ao Princípio do Denominador Comum Monetário de acordo com a IN CVM nº 201/93. A partir de 1996. esse procedimento não causaria problemas comparativos em re- lação aos anos anteriores. se o nível de inflação tivesse sido reduzido a zero. Como consequência das altas taxas inflacionárias e da evolução nas necessidades de informação dos diferentes usuários.

com correção integral. Em seguida. Diferenças entre correção monetária de balanço e correção monetária integral Correção Monetária do Balanço (CMB) Definida pela Lei nº 6. além de exigir a apresentação das informações trimestrais (ITR) e Demonstrações Contá- beis em consonância com a Lei nº 9.249/95. tornou facultativa a elabo- ração e divulgação em moeda de capacidade aquisitiva constante. passou a exigir das companhias abertas Demonstrações Contábeis complementares elaboradas em moeda de poder aquisitivo constante. A CVM em 29 de março de 1996 emitiu a Instrução CVM nº 248.249/95 introduziu a figura dos Ju- ros Sobre o Capital Próprio com opção de uso da Taxa de Juros a Longo Prazo (TJLP). apresentar distorções muito significativas dos componentes da de- monstração do Resultado. a Instrução CVM nº 191/92 substituiu a Instrução CVM nº 64/87 e instituiu a Unidade Monetária Contábil (UMC) como unidade de referência a ser usada pelas companhias abertas para elaboração de Demonstrações Contábeis em moeda de capacidade aquisitiva constante. denomi- 104 . O efeito líquido dessa atualiza- ção era reconhecido em uma linha no resultado do exercício. a qual. era uma técnica contábil simplifi- cada que determinava a atualização monetária das contas do ativo permanente e do patrimônio líquido. A UMC veio substituir a Unidade Fiscal de Referência (UFIR). No mesmo sentido. Por fim.404/76. foram estabelecidos os requisitos e conteúdos mínimos a serem seguidos pelas empresas que optassem por divulgar voluntariamente in- formações complementares. conhecido como Correção Monetária Integral (CMI). de 11 de abril de 1996. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM). por meio da Instrução CVM nº 64/87. 17. foi necessária a adoção de um sistema mais completo de reconhecimento dos efeitos nas Demonstrações Contábeis.3. e a idéia básica era ter sempre um índice que representasse de forma ade- quada as variações de preços da economia brasileira. ou seja. através do Parecer de Orientação CVM nº 29. cujo objetivo era for- necer informação completar às informações da Legislação Societária (LS). Diante do exposto. taxa essa que representa parcialmente a correção monetá- ria do capital próprio. a Lei nº 9.

105 . mantendo-se. o resultado seria uma receita. eram creditadas. ainda. Caso contrário. uma despesa. com base em índices de desvalorização da moeda nacional dos custos de aquisição dos elementos do Ativo Permanente e os saldos das con- tas do Patrimônio Líquido.nada “correção monetária do balanço”. por exigência fiscal e societária.4. essa técnica era aplicada apenas às companhias de capital aberto e re- conhecia os efeitos inflacionários de modo integral. A Lei nº 6404 de 15 de dezembro de 1976. não devendo ser confundido com valores de mercado ou de reposição. as contas do Ativo são de- bitadas pelo valor equivalente a esta e a contrapartida creditada na conta Resultado da Correção Monetária por corresponder a uma re- ceita. em seu art. As despesas e receitas financeiras reais são apenas as que excedem a inflação. Aplicação da correção monetária integral (CMI) A aplicação da Correção Monetária Integral consiste em a empresa manter uma contabilidade complementar indexada em UMC. Se o ativo permanente fosse maior do que o patrimônio líquido. A contrapartida era de- bitada na conta Resultado da Correção Monetária. Correção Monetária Integral (CMI) Regulamentada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). portanto. 17. Ressalte-se. o Princípio do Custo Original como Base de Valor. As contas de patrimônio Líquido tinham seu valor aumentado com a correção e. entre outros. Por terem seus valores aumentados. esta- belece que nas Demonstrações Financeiras deveriam ser considerados os efeitos da modificação do poder de compra sobre os elementos do patrimônio e do resultado do exercício. apresen- tando Demonstrações Financeiras em moeda de poder aquisitivo cons- tante. Ou seja. todas as contas das Demonstrações Contábeis eram evidenciadas em moeda de uma mesma data.185. Consistia em atualizar o valor. É um meio que as empresas dispõem para avaliar gerencialmente de forma correta a situação patrimonial e seu desempenho em termos de lucratividade e rentabilidade. que esse sistema mantém atualizados todos os valores históricos das Demonstrações Con- tábeis para uma única data. como o próprio nome diz. Este método era obrigatório para todas as empresas. portanto.

Por esse índice são atualizados os saldos contábeis. as seguintes vantagens da aplicação da correção monetária integral: a) apresenta os efeitos da inflação em todos os elementos das De- monstrações Contábeis. Vantagens da aplicação da correção monetária integral Destacam-se.7. b) corrige saldos finais de itens não monetários (depreciação e equivalência patrimonial como exemplo) que na legislação socie- tária não eram contemplados. sendo que na legislação societária nenhum ajuste é reconhecido. para satisfazer o registro num mesmo padrão monetário. que provoca reflexo no patrimônio líquido. 17. dentre outras. c) determina a inclusão do ajuste a valor presente nos valores pre- fixados de contas a receber e a pagar. 106 . é necessária a adoção de um índice que reflita a perda do poder aquisitivo da moeda corrente. e seus efeitos são reconhecidos no resultado do exercício. a única diferença decorrente da aplicação do método da correção monetária integral foi no item rela- tivo ao estoque. Comparação das demonstrações contábeis com a correção integral e a correção da legislação societária No exemplo da página a seguir. 17. A Correção Monetária Integral provoca o registro da atualização do valor do estoque final. bem como explicar os efeitos da inflação sobre cada conta.5. como ganhos e perdas nos itens monetários e não monetários. Isso se aplica aos demais itens que não são corrigidos pela legislação societária. A finalidade desse sistema é produzir demonstrações em uma única moeda para todos os itens componentes das Demonstrações Contábeis. Nesse caso. 17. é suficiente colocá-los ou trans- formá-los em moeda da mesma data.6 Finalidade da correção de balanços Para a correção dos balanços.

às condições de juros nominais de mercado. segundo o qual as demonstrações devem estar expressas em termos de moeda de mesmo poder aquisitivo.20 Total 1.00 Permanente Patrimônio Líquido Bem 600. Os itens monetários ativos e passivos de operações prefixadas devem ser traduzidos a valor pre- sente.80 Total 1.20 1.00 Lucros Acumulados -231.00 Capital Corrigido 1. Uma taxa média nominal de juros que foi usada era divulgada diariamente pela Associação Nacional dos Bancos de Investimento – ANBID.468. No Brasil a prática do sobre-preço é conside- rada altamente usada ante as expectativas inflacionarias. orien- tamos ler o livro Aprendendo Contabilidade em Moeda Constante. por se tratar de uma obra de fácil entendimento. dada a sua aplicação e desenvolvimento para o apren- dizado. a partir da data de sua forma- ção ou aquisição. devem ser ajustados a valor presente.20 Fonte: O autor – material usado em aulas na graduação Ajuste a Valor Presente de Direitos e Obrigações. enquanto os direitos a receber. editado pela FIPECAFI com o CFC. de forma sucessiva. Na Correção Integral itens como estoques. O método da correção monetária integral está de pleno acordo com o Princípio do Denominador Comum Monetário.00 40.00 600. Tendo em vista a não obrigatoriedade de elaboração e de divulga- ção das Demonstrações Contábeis em moeda de capacidade aquisitiva constante.00 Estoques 60. Balanço Patrimonial Ativo CM Integral CM Societária Passivo CM Integral CM Societária Circulante Circulante Caixa 808.468.448. com base na taxa de juros vigente na data do balanço. as obrigações com vencimentos futuros e os montantes prefixados (itens monetários).00 1. o valor das ven- das à vista difere do valor a prazo.468. os bens do ativo per- manente e o patrimônio líquido (itens não monetários).20 Fornecedores 200. Isto ocorre para a proteção dos efeitos inflacionários. para os alunos que se interessarem pela matéria.500.20 808. comumente.20 1. bem como. 107 .80 -231. devem ser controlados em quantidades de UMC.00 200.500.

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Mestre em Contabilidade e em Finanças pela FUCAPE/ES. Auditor interno associado ao Instituto dos Auditores Internos do Brasil (AUDIBRA) e (IIA-USA). Docente da Universidade Federal do Espírito Santo – UFES. Auditor interno na prática de Control Self-Assessment (CSA) e Gestão de Riscos Corparativos e Controles Internos (GRCI).Fernando Nascimento Zatta Doutorando em Engenharia de Produção (PPGEP) em Gestão e Estratégia pela UNIMEP/SP. em Engenharia de Produção pela UFES. Seção Espírito Santo. Membro da Sociedade Brasileira de Finanças (SBFin). 115 . Pós-graduado em Contabilidade pela EPGE/ FGV. Associado da Associação Brasileira de Engenharia de Produção – ABEPRO. Graduado em Ciências Contábeis UVV e Pós MBA em Inteligência Empresarial pela FGV. Membro do Instituto Brasileiro de Finanças (IBEF). Auditor Independente (CNAI) do CFC. Auditor do Sistema de Garantia da Qualidade (SGQ).

neaad. www.br (27) 4009 2208 116 .ufes.