You are on page 1of 82

GEOGRAFIA ECONÔMICA

1
Geografia SOMESB
Econômica Sociedade Mantenedora de Educação Superior da Bahia S/C Ltda.

Presidente ♦ Gervásio Meneses de Oliveira


Vice-Presidente ♦ William Oliveira
Superintendente Administrativo e Financeiro ♦ Samuel Soares
Superintendente de Ensino, Pesquisa e Extensão ♦ Germano Tabacof
Superintendente de Desenvolvimento e>>
Planejamento Acadêmico ♦ Pedro Daltro Gusmão da Silva

FTC - EaD
Faculdade de Tecnologia e Ciências - Ensino a Distância
Diretor Geral ♦ Waldeck Ornelas
Diretor Acadêmico ♦ Roberto Frederico Merhy
Diretor de Tecnologia ♦ Reinaldo de Oliveira Borba
Diretor Administrativo e Financeiro ♦ André Portnoi
Gerente Acadêmico ♦ Ronaldo Costa
Gerente de Ensino ♦ Jane Freire
Gerente de Suporte Tecnológico ♦ Jean Carlo Nerone
Coord. de Softwares e Sistemas ♦ Romulo Augusto Merhy
Coord. de Telecomunicações e Hardware ♦ Osmane Chaves
Coord. de Produção de Material Didático ♦ João Jacomel

EQUIPE DE ELABORAÇÃO/PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO:

♦ PRODUÇÃO ACADÊMICA ♦
Gerente de Ensino ♦ Jane Freire
Autor (a) ♦ Sandro dos Santos Correia
Supervisão ♦ Ana Paula Amorim
Coordenação de Curso ♦ Gisele das Chagas

♦ PRODUÇÃO TÉCNICA ♦
Revisão Final ♦ Carlos Magno

Equipe ♦ Ana Carolina Alves, Cefas Gomes, Delmara Brito,


Ederson Paixão, Fabio Gonçalves, Francisco França Júnior,
Israel Dantas, Lucas do Vale, Marcus Bacelar e Yuri Fontes
Editoração ♦ Fabio José Pereira Gonçalves
Ilustração ♦ Fabio José Pereira Gonçalves, Francisco
França Júnior, Cefas Gomes
Imagens ♦ Corbis/Image100/Imagemsource

copyright © FTC EaD


Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/98.
É proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios, sem autorização prévia, por escrito,
da FTC EaD - Faculdade de Tecnologia e Ciências - Ensino a Distância.
www.ftc.br/ead

2
Sumário

OS HOMENS, A NATUREZA E A ECONOMIA ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 07

A DISTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS NO PLANETA

A Importância dos Recursos para a Vida do Homem ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 07

Os Fatores que Influenciam a Distribuição dos Recursos ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 08

As Fontes de Energia e o Crescimento ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 11

O Perigo da Extinção dos Recursos e a sua Abordagem no Ensino


Fundamental e Médio ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 15

OS SETORES DA ECONOMIA - A TRANSFORMAÇÃO DA NATUREZA


EM MERCADORIA

Os Setores da Economia e a sua Abordagem no Ensino


Fundamental e Médio ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 21

O Setor Primário ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 23

O Setor Secundário ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 26

O Setor Terciário ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 33

OS HOMENS, A SOCIEDADE E A ECONOMIA ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 37

A SOCIEDADE DE CONSUMO E O ESPAÇO

A Circulação e os Transportes ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 37

Os Sistemas Econômicos e a sua Abordagem no Ensino


Fundamental e Médio ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 40

A Organização Econômica do Planeta e a sua Abordagem no


Ensino Médio ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 42

3
Os Processos de Produção ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 47

Geografia
Econômica
EM PROCESSO DE MUDANÇA – A SOCIEDADE DE CONSUMO
E O ESPAÇO

A Dinâmica da Mudança dos Processos Econômicos ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 53

A Formação dos Blocos Econômicos ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 58

As Redes Técnicas e a Fluidez ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 61

A Globalização ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 64

Atividade Orientada ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 70

Glossário ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 74

Referência Bibliográfica ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 77

4
Apresentação da Disciplina

A Geografia Econômica é a Geografia do homem ganhando a


vida, que estuda as atividades econômicas – extrativismo, agricultura,
pecuária, indústria, comércio e serviços – como elementos estruturais
do espaço geográfico e que procura entender a lógica das localizações
dessas atividades.
A Geografia Econômica dedica-se à utilidade das características
da terra para o homem, com a quantidade de sustento que lhe pode dar
e com as medidas que ele poderá tomar para utilizá-las.
O estudo da Geografia Econômica de um dado país precisa levar
em conta que existem fatos econômicos ocorrendo em nível mundial que
repercutem no nível nacional que, por sua vez, influenciarão na dinâmica
local.
Os temas transversais que serão tratados durante a leitura deste
material didático são a Economia, o Meio Ambiente e a Cidadania.
A partir daqui estaremos conversando sobre todas estas relações
econômicas no território. Recomendo que as suas atenções sejam
redobradas para estarmos retirando dúvidas e fortalecendo as nossas
informações sobre os atuais processos econômicos e os seus impactos
sobre os territórios do planeta.
Um forte abraço,

Professor Sandro Correia

5
Geografia
Econômica

6
OS HOMENS, A NATUREZA
E A ECONOMIA

É um bloco temático que trata da disposição dos recursos naturais no planeta e a


importância dos mesmos para a manutenção da vida, assim como a dinâmica da
transformação destes recursos em mercadoria e a influência que exerce na organização da
economia.

A DISTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS NO PLANETA

Este tema tem por objetivo demonstrar a importância da natureza para a vida do
homem, a sua distribuição e os principais recursos energéticos que estruturam o modelo
de desenvolvimento.

A IMPORTÂNCIA DOS RECURSOS PARA A VIDA DO HOMEM

Tem por objetivo caracterizar os tipos e a importância dos recursos.

1. O Recurso

O dicionário define recurso como “um meio de sustento” –


isto é, sustento para a vida animal de nosso globo e, em especial,
para o homem. O que constitui um recurso? Como podemos
avaliar os recursos de uma determinada comunidade? O nosso
pensamento deve incluir alguns itens. O primeiro, e o mais obvio,
é um conjunto de condições naturais de que nosso planeta, nas
suas varias partes. O segundo seriam os recursos humanos e o
terceiro, os recursos tecnológicos.

2. Recursos Naturais

É, em grande parte, fixo e nada podemos fazer para afetá-los, não depende de
qualquer outra variável que esteja sob o controle do homem, sob seu controle está apenas
a descoberta destes. Os recursos rochas, minérios, terra, água, vegetação e animais
selvagens. É normal falar desses recursos como “naturais”, no sentido em que formam uma
categoria cuja existência, na sua maioria, é independente das ações do homem: estavam
aqui, na terra, do homem e, embora este possa usá-los e abusar deles de modo a diminuir
sua quantidade, não poderá afetar sua distribuição básica, que é um resultado de um acidente
geológico, de uma posição no globo ou de um processo físico que foi iniciado no começo
dos tempos.
Esses recursos naturais são dados, a partir dos quais o homem tem de agir e planejar.
Para isso, deve começar aceitando o fato de que sua distribuição é desigual, de que algumas

7
regiões são mais favorecidas do que outras –
favorecidas além de quaisquer limites de
Geografia
compensação para o usuário ou por ele.
Econômica

2.a - Divisão dos Recursos Naturais


Os mesmos são divididos em recursos naturais
renováveis e recursos naturais não-renováveis:

2.a.a - Recursos Naturais Renováveis


São definidos como aqueles recursos que podem ser
renovados através dos ciclos da natureza, tendo como exemplo o
ciclo da água.

2.a.b - Recursos Naturais Não-renováveis


São definidos como aqueles recursos que não são renovados,
mas são encontrados na natureza em condições limitadas, tendo
como exemplo o petróleo “hidrocarbonetos”.

3. Recursos Humanos

Os recursos humanos podem ser aplicados diretamente, pelo trabalho de cavar,


construir e combater ou, então, indiretamente, aplicando sua inventiva a essas e outras
tarefas, especialmente ao criar máquinas para fazerem o trabalho e, o mesmo tempo,
aumentarem a capacidade do trabalhador. Estes recursos estão ligados às pessoas
existentes para a realização de uma determinada atividade.

4. Recursos Tecnológicos

A associação entre natureza e tecnologia nos mostra que um recurso sozinho não
pode ser o único responsável pelo desenvolvimento de um território. Mas, muitas vezes, sua
tecnologia poderá ser suficientemente avançada para lhe proporcionar uma escolha dos
meios de sustentação e o equipamento para usá-los muito rapidamente. Terá de decidir,
então, quanto pode permitir-se usar no presente e quanto deverá ser guardado para o futuro;
que minérios deverão extrair ou que florestas deverão ser preservadas. Na prática, quase
todas as comunidades , até mesmo as mais tecnologicamente atrasadas que conhecemos,
tomam decisões sobre essas questões e as põem em execução por vários meios. E, na
prática, também, o número e a importância dessas decisões estão sempre aumentando, já
que o numero de pessoas apinhando-se no nosso globo aumenta constantemente e o valor
que damos a nossos recursos vai-se tornando um fator de sobrevivência cada vez mais
critico.

OS FATORES QUE INFLUENCIAM A DISTRIBUIÇÃO DOS


RECURSOS

Tem por objetivo observar os fatores importantes na


distribuição e nas mudanças dos recursos.

8
1. Fatores Importantes na Distribuição e na Disposição dos Recursos

1.1 Os Recursos, o espaço e o tempo


Mas, se é verdade que essa camada de recursos varia no espaço, também é verdade
e tão importante que varia no tempo. Como é a aplicação de recursos humanos à riqueza
natural que lhe dá seu valor, devemos sempre perguntar que recursos humanos ou técnicos
estão sendo aplicados. Serão os da Idade da Pedra? Nesse caso, os minérios metálicos
não têm valor. Serão os de beduíno? Então, os nômades poderão cavalgar sobre todos os
campos petrolíferos do Oriente Médio e morrer de sede, a não ser que tenham alguma
forma de extrair o petróleo, vendê-lo aos que podem usá-lo e, com o produto dessa venda,
comprar para si um abastecimento de água suficiente. Em outras palavras, à medida que o
tempo corre, o padrão dos recursos do mundo muda, não pelo fato da distribuição básica
da natureza se alterar, mas devido à mudança naquilo que constitui um recurso.

1.2 Recursos, população e nível de vida


Devemos acrescentar às distribuições dos recursos naturais e dos recursos técnicos,
a variável população, que se manifesta de forma desigual, por não variar diretamente em
relação às outras, pois existem populações densas em áreas pobres e vice-versa, devido
aos recursos técnicos.
Essas discrepâncias persistem em razão de haver outra variável; o nível de vida, o
consumo ou a utilização de recursos por certos grupos é muito maior do que por outros.
Comparando o volume de posses e de consumo diário de alimento, energia, materiais, ou
jornais do norte-americano médio, com os do indonésio, para conhecer como é diferente
em escala a utilização dos recursos de cada um deles.

1.2.1 - A População – Numa comunidade que vive perto da natureza,


há sempre uma correlação inicial e simples entre as distribuições de
população e de recursos naturais. Isso envolve fatores permissivos, que são:
o progresso tecnológico (mais pessoas sobrevivendo num espaço menor) e
restritivo, que impede que a distribuição da população se ajuste aos níveis
atuais de recursos. Políticos, sociais e ou culturais, e por vezes são técnicas.

1.2.2 - Superpopulação – Assim existem discrepâncias entre essas


distribuições inter-relacionadas. Por vezes, essas discrepâncias tornam-se
tão acentuadas que criam uma condição de superpopulação, A definição
de superpopulação deveria combinar todos os quatro elementos que
estamos discutindo, pois a superpopulação representa um estado crônico
de desequilíbrio entre eles num determinado ponto do tempo. Em
determinadas circunstâncias, portanto, uma área poderá ser considerada
superpovoada:

1 – Se o crescimento vegetativo da população que a ocupa conduzir


a uma queda do nível de vida;
2 – Se um aumento no número de trabalhadores na força de trabalho
conduzir a um decréscimo da produção por trabalhador;
3 – Se o progresso tecnológico à taxa corrente produzir uma mudança
zero ou negativa na disponibilidade de recursos per capita.

A constante emigração de uma região é um dos principais


indicadores de superpopulação.
A idéia de superpopulação é sempre relativa aos recursos de que a
comunidade dispõe e que esses recursos mudam com o decorrer do tempo.

9
1.3 Níveis de Vida
Numa sociedade que subsiste com base nos seus recursos naturais,
depende da quantidade e disseminação desses recursos, e varia com a
extensão de seus terrenos de caça e as horas de dedicação ao recolhimento.
Geografia
Mas a essa correlação simples se sobrepõem outros fatores como: o nível
Econômica
tecnológico e em segundo a estrutura social.

1.4 Redução
O objetivo da substituição é alcançar a combinação de insumos que, para qualquer
dada quantidade de produto, reduza os necessários insumos a um mínimo. Na verdade,
podemos afirmar com segurança que, se a redução não tivesse sido alcançada, a nossa
terra já há muito se teria provado inadequada para sustentar seu crescente numero de
habitantes. O que aconteceu foi que o homem exerceu seu engenho para economizar no
uso de seus dois recursos mais escassos e mais valiosos – sua terra e seu próprio trabalho
– empregando recursos de técnica e de capital em quantidades cada vez maiores.

1.5 Política de Recursos


Já que a aplicação de recursos humanos de tecnologia a recursos naturais de uma
área pode multiplicar sua capacidade de sustento da população e, ao mesmo tempo, elevar
o nível de vida, depreende-se que a manipulação dos fatores que os produzem é um assunto
da maior importância.

2.1. As mudanças na distribuição e disposição dos recursos estão associadas a


valores culturais, sociais e históricos de uma sociedade. De um modo geral, tem sido atribuída
a três categorias principais:

a) Tem havido mudanças naquilo que o homem necessita, que conduziram


a uma reavaliação de certas mercadorias. O melhor exemplo desse tipo de
mudança talvez seja o comércio de especiarias. A Grande Época dos
Descobrimentos, que surgiu na Europa, no século XV, viu os portugueses
contornarem a África e estabelecerem um império no Extremo Oriente; levou os
espanhóis para o oeste, em busca das mesmas metas orientais, com os ingleses e
os holandeses gastando anos em busca de uma passagem para o Oriente pelo
norte. No centro de todo esse imenso esforço internacional havia o desejo de
obter o controle do comércio de especiarias. A Europa, na idade média, vivia seu
inverno com base na carne salgada e as especiarias eram importadas para torná-
la mais saborosa. Depois do próprio ouro e talvez da seda, não havia recurso mais
procurado do que as raízes e nozes das ilhas das Índias Orientais. A Europa travou
guerra após guerra por causa do comércio de especiarias da mesma forma como
aconteceu, no século XVIII, em relação ao comércio de açúcar das Índias Ocidentais.
Atualmente, não é provável que houvesse uma guerra por causa de especiarias
ou açúcar. A importância das especiarias diminuiu pelo fato de já ser muito simples,
com o progresso das tecnologias, conservarem alimentos, de uma forma
perfeitamente saborosa, de um ano para o outro. Uma guerra, hoje, poderia ser
travada por causa de petróleo ou talvez até de cobre ou urânio, mas não de
especiarias.

A tecnologia, mais uma vez, foi definidora no


abandono de um recurso, tendo como exemplo, as
especiarias. Já com o petróleo, ainda não foi possível
encontrar uma tecnologia que o substituísse inteiramente;
as que hoje dividem o desenvolvimento com o petróleo
são também escassas.

10
b) Mudanças em fontes de suprimento que afetam a importância de recursos
naturais específicos. Novas formas de obter um produto acabado são descobertas
e a antiga forma, justamente com as matérias-primas nela usadas, são
abandonadas.

c) Ocorrem mudanças naquilo em que o homem pode encontrar em uso.


Desde a economia dos povos primitivos, procuravam apenas alimento, roupas e
armas, até a economia imensamente sofisticada das sociedades modernas que
dependem de milhares de diferentes componentes materiais. A história do avanço
técnico tem sido a de uma constante descoberta de novos usos para materiais
que, antes, tinham pouco ou nenhum valor. Um exemplo individual poderá servir
para ilustrar o que pode acontecer.

AS FONTES DE ENERGIA E O CRESCIMENTO

Objetivos

Analisar a importância das fontes de energia para o


desenvolvimento da atividade econômica.

Os minerais são muito importantes como matéria-prima para a indústria. As fontes


de energia são matérias para produzir calor, eletricidade ou movimento. Uma fonte de
energia pode ser, também, matéria-prima, como acontece com o carvão e o petróleo, que
alimentam importantes indústrias.
O carvão e o petróleo são combustíveis fósseis encontrados em bacias sedimentares.
A produção de fontes energéticas e recursos minerais caracteriza-se pela
concentração em determinadas áreas geográficas. Entretanto, os países pobres têm
dificuldades de explorar tais recursos, precisando quase sempre da interferência dos países
ricos neste setor.
As fontes de energia secundárias, como a energia nuclear, são mais desenvolvidas
nos países ricos, porque necessitam de uma tecnologia avançada.

11
1. As Fontes de Energia

A quantidade de consumo de energia per capita oferece uma correlação


muito mais estreita com os níveis de renda do que oferecia um mapa que
Geografia
mostrasse, simplesmente, quanto carvão, petróleo ou arroz cada país produz.
Econômica
Os recursos de uma comunidade, assim, consistem numa riqueza natural
somada a um estado de capacidade tecnológica.

1.1 Tipos de combustível e de energia


A energia nuclear: A energia elétrica gerada pelas usinas nucleares baseia- se na
quebra do átomo, tendo por matéria-prima o urânio ou o tório, que são dois minérios
altamente radioativos. Quando os átomos de urânio ou tório são bombeados por nêutrons,
seus núcleos fragmentam-se, liberando enorme quantidade de energia. Os nêutrons dos
átomos fragmentados, por sua vez, vão bombardear outros átomos, que também se quebram,
e assim sucessivamente, numa reação em cadeia. Nas usinas atômicas, a fissão nuclear é
provocada sob controle no reator atômico, o elemento fundamental desse tipo de usina. A
energia liberada na fissão produz calor, que vai aquecer certa quantidade de água,
transformando-a em vapor; este converte a energia mecânica proveniente da turbina em
energia elétrica. Os países onde a energia elétrica gerada em usinas nucleares ocupa melhor
posição são a França, a Bélgica e a Suécia. No entanto, o maior desenvolvimento dessa
tecnologia e o maior número de usinas construídas ou em construção encontram-se nos
Estados Unidos e no Japão. O Brasil começou a desenvolver seu programa nuclear em
1967, com a criação de um grupo de trabalho integrado por representantes do Ministério
das Minas e Energia, das Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás) e da Comissão Nacional
de Energia Nuclear (CNEN). Em 1969, o Brasil comprou da empresa americana
Westinghouse Eletric Company o primeiro reator nuclear. Em 1972, foram iniciadas as obras
da Usina Nuclear Angra I (Praia de Itaorna – Angra dos Reis, no Rio de Janeiro) que só foi
inaugurada em 1981. Em 1975, o Brasil assinou um acordo com Alemanha Ocidental para
a aquisição de oito usinas nucleares e a transferência de tecnologia alemã para o Brasil.
Apesar de ter consumido bilhões de dólares, a produção de eletricidade nuclear é muito
pequena e tem sido objeto de muitas críticas.

1.2 A energia solar


A superfície recebe uma quantidade fantástica de energia com os raios solares. O
problema está em descobrir como aproveitar essa energia de forma econômica e como
armazena–la (construção de “baterias solares”). Atualmente, ela é usada para aquecimento
de água e de interiores de prédios e na indústria eletrônica, em calculadoras pequenas.

1.3 A energia dos mares


A utilização do movimento diário de subida e descida das águas do mar vem gerando
eletricidade no Japão, Inglaterra, França e outros países. Usinas marelétricas aproveitam a
força das águas marinhas para mover turbinas e gerar energia elétrica para localidades
pequenas e costeiras.

1.4 A força dos ventos


São geradores que produzem eletricidade a partir da força eólica (do vento). Estão
presentes principalmente nos Estados Unidos e Dinamarca.

1.5. A energia geotérmica


É a utilização do calor que vem do interior planeta, nas rochas subterrâneas próximas
a vulcões ou nos gêiseres (fontes de água quente com temperaturas às vezes superiores a

12
100o C) que expelem a água verticalmente e de forma intermitente, com intervalos que podem
variar de horas até semanas.

1.6. O álcool
O álcool pode ser produzido a partir da cana-de-açúcar, da beterraba, da cevada, da
batata, da mandioca, do girassol, do eucalipto, etc. Além de usado em bebidas e como
desinfetante, ele serve também como fonte de energia, podendo ser empregado como
combustível em veículos automotores e também para produzir eletricidade.

1.7. O hidrogênio
O uso do hidrogênio como combustível vem aumentando, existindo vários carros nos
países desenvolvidos que são movidos a hidrogênio. Esses carros descarregam vapor de
água em seus escapamentos. Será uma fonte de energia barata e não poluidora.

1.8.O xisto betuminoso


É um betume em forma sólida, uma substancia natural formada por hidrocarbonetos.
Seu aproveitamento econômico é feito com o aquecimento, que irá separar o betume e de
energia do restante da rocha. A produção de betume e de energia a partir dessas rochas já
existe em varias usinas de processamento do xisto (inclusive no Brasil), embora numa escala
muito pequena. As principais reservas encontram-se nos Estados Unidos, no Canadá, na
Venezuela e no Brasil.

1.9. A biomassa
O conjunto de organismos que podem ser aproveitados como fontes de energia:
diversos tipos de arvores (lenha e carvão vegetal), o plâncton (minúsculos animais e algas
que vivem em suspensão nas águas dos rios mares), alguns óleos vegetais (mamona,
amendoim, soja, dendê), além da cana-de-açúcar e o eucalipto. Em geral, são energias
“limpas”, que não produzem poluição e nem se esgotam, pelo contrário, até podem contribuir
para eliminar parte da poluição pelo uso produtivo que fazem do lixo e outros detritos. Por
suas pequenas dimensões (em comparação ao tamanho das usinas nucleares, hidrelétricas
ou termelétricas), as usinas biogás causam menor impacto ambiental, ou seja, não alteram
o meio ambiente onde são construídas e não oferecem grandes riscos em casos de
acidentes. O biodigestor é um equipamento que reaproveita os resíduos para produzir gás.
O gás e liberado a partir de decomposição, feita por certas bactérias, de esterco, palha,
bagaço de vegetais e mesmo lixo, depois de uma separação dos elementos inutilizáveis,
como vidro e plástico.

1.10 Petróleo
É a segunda fonte de energia mais consumida atualmente no Brasil. A maior parte
do petróleo é consumida pelo setor de transportes, depois pelas indústrias, residências,
agricultura, energia, comércio e, por último, o setor publico. O petróleo teve participação
decisiva no processo da industrialização do Brasil, pois assegurou o desenvolvimento de
uma das mais importantes indústrias do país, tais como autopeças, vidros, artefatos de
couro, borracha, pneumáticos, eletroeletrônica e siderúrgica. Petróleo significa óleo de pedra
e é encontrado na natureza em áreas de camadas de rochas sedimentares. Ocorre em
profundidades variáveis, que podem atingir, às vezes, 7.000 metros. É o resultado de
depósitos de minúsculos seres vivos soterrados em mares rasos, há milhões de anos. Para
que tenha início o processo de formação do petróleo, é necessário que haja pouca circulação
e oxigenação no fundo das águas, para impedir a ação destruidora das bactérias. Mares
interiores, baias fechadas e golfos são os ambientes mais propícios à formação do petróleo.

13
Pode ser encontrado tanto no continente como sob os oceanos. Isso acontece
porque ele migra através das fissuras das rochas até encontrar uma área que
o retenha. A rocha na qual o petróleo se formou pode estar a centenas de
quilômetros da rocha que o armazena. Além disso, muitas áreas que eram
Geografia
marinhas foram soerguidas por tectonismo, podendo, então, dar origem a
Econômica
reservas de petróleo próximas da superfície. A maior parte do território
brasileiro é formado por bacias sedimentares, que foram depressões que
facilitam o deposito de matéria orgânica, mas as reservas de petróleo
conhecidas são modestas.

1.11 Carvão
É uma rocha sedimentar de origem orgânica, resultante da transformação de restos
vegetais soterrados há milhões de anos (cerca de 350 milhões de anos). Foi a primeira
fonte de energia moderna e só começou a perder importância no consumo energético a
partir da segunda metade do século XIX, com a descoberta do petróleo e do início da
produção de eletricidade de origem hidráulica, mas se manteve como a principal fonte de
energia do mundo até a primeira metade do século XX.

Quadro 1 -
RECURSOS ENERGÉTICOS
(Quadro Resumo)

14
O PERIGO DA EXTINÇÃO DOS RECURSOS E A SUA ABORDAGEM NO
ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO

Tem por objetivo analisar os limites dos recursos com o avanço das atividades
humanas sobre os mesmos.
É notória a diminuição no oferecimento dos recursos no planeta. Este fato abala
profundamente a vida das pessoas e o processo de desenvolvimento das atividades
econômicas. Mesmo com este perigo o homem vem tendo uma postura nociva para com os
recursos que o mantém. Houve um avanço significativo na legislação ambiental e na
consciência das pessoas com relação ao uso destes recursos com práticas de educação
ambiental. Vamos avaliar um trecho da Carta da Terra que estabelece limites no uso destes
recursos para que os mesmos possam ser utilizados pelas futuras gerações, vamos ver!

1. “Carta da Terra”

A conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, tendo-


se reunido no Rio de Janeiro, de 3 a 14 de junho de 1992, reafirmando a declaração de
Estocolmo, e buscando basear-se nela, com o objetivo de estabelecer uma nova e justa
parceria global através da criação de novos níveis de cooperação entre os Estados, setores
importantes das sociedades e o povo; trabalhando com vistas a acordo internacionais que
respeitem os interesses de todos e protejam a integridade do meio-ambiente global e o
sistema de desenvolvimento; reconhecendo a natureza integral e interdependente da terra,
nosso lar; proclama:

Artigo I
vista das diferentes contribuições para
Os seres humanos estão no centro das a degradação ambiental global os
preocupações com o desenvolvimento Estados têm responsabilidades comuns
sustentável. Taêm direito a uma vida diferenciadas. Os países
saudável e produtiva, em harmonia com desenvolvidos reconhecem a
a natureza. A sociedade deve-se responsabilidade que tem na busca
desenvolver sem destruir a natureza. internacional do desenvolvimento
sustentável em vista das pressões que
Artigo XVII suas sociedades exercem sobre o
meio ambiente global e das tecnologias
Os Estados devem cooperar em espírito e recursos financeiros que dominam. A
de parceria global para conservar, defesa da natureza é uma tarefa
proteger e restabelecer a saúde e comum em que cada país deve
integridade do ecossistema da terra. Em participar de acordo com suas
possibilidades.

15
Ao lermos o trecho da Carta da Terra nos deparamos com a
materialização desta crise e um destes exemplos é a crise do petróleo, conheça
Geografia o texto:
Econômica
2. A Crise do Petróleo

Crise mundial provocada pelo embargo ao fornecimento de petróleo


aos Estados Unidos e às potências européias estabelecido em 1973 pelas nações árabes,
membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A medida é tomada
em represália ao apoio dos EUA e da Europa Ocidental à ocupação, no mesmo ano, de
territórios palestinos por Israel, durante a Guerra do Yom Kipur. Após o embargo, a Opep
estabelece cotas de produção e quadruplica os preços. Essas medidas desestabilizam a
economia mundial e provocam severa recessão nos EUA e na Europa, com grande
repercussão internacional. Donos de dois terços das reservas de petróleo do mundo, países
como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Kuweit controlam o volume de produção e o preço do
produto desde 1960, quando criam a Opep. Por causa do obstáculo iniciado em 1973,
conhecido por primeiro choque do petróleo, os países industrializados acabam os anos de
1974 com um déficit de cerca de US$ 11 bilhões e os subdesenvolvidos, de quase US$ 40
bilhões. Em 1979, acontece o segundo choque do petróleo, causado pela revolução iraniana
que derruba o xá Reza Pahlevi (1919-1980) e instala uma república islâmica no país. A
produção de petróleo é gravemente afetada, e a nação não consegue atender nem mesmo
às suas necessidades. O Irã, que era o segundo maior exportador da Opep, atrás apenas
da Arábia Saudita, fica praticamente fora do mercado. O preço do barril de petróleo, então,
atinge níveis recordes e agrava a recessão econômica mundial no início da década de 80.

Anda, quero te dizer nenhum segredo


Falo desse chão, da nossa casa, vem que tá na hora de arrumar
Tempo, quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante, nem por isso quero me ferir
Vamos precisar de todo mundo prá banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado e quem não é tolo pode ver
A paz na Terra, amor, o pé na terra
A paz na Terra, amor, o sal da...
Terra, és o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro, tu que és a nave nossa irmã
Canta, leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com teus frutos, tu que és do homem a maçã
Vamos precisar de todo mundo, um mais um é sempre mais que
dois
Prá melhor juntar as nossas forças é só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora para merecer quem vem depois
Deixa nascer o amor
Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor
Deixa viver o amor

O Sal da Terra
Composição: Beto Guedes/Ronaldo Bastos

16
Geografia econômica mundial1

“A ‘segurança energética’ de longo prazo, transformou-se num


tema absolutamente decisivo da atual agenda geoestratégica das Grandes
Potências…”
(Financial Times, 17 de março de 2005.)
Jose Luís Fiori

No início do século XXI, o eixo econômico do sistema mundial já está completamente


refeito, e não deve ser alterado nas próximas décadas. Depois de 1945, a economia
capitalista cresceu liderada pelos Estados Unidos, e pela Alemanha e o Japão, seus dois
protetorados militares que se transformaram em cadeias transmissoras do dinamismo global,
na Europa e no Sudeste Asiático. Um tripé que funcionou, de forma absolutamente virtuosa,
até 1973, unificado pela reconstrução do pós-guerra e pela competição com a União
Soviética, enquanto se desfaziam os velhos impérios coloniais europeus. Este eixo dinâmico
da economia mundial entrou em crise na década de 70, e perdeu seu fôlego global na
década de 80, logo antes que as economias alemã e japonesa entrassem em estado de
letargia crônica, nos anos 90. Ao contrário dos seus antigos parceiros, os Estados Unidos
cresceram durante as duas últimas décadas do século XX, de forma quase contínua, liderando
uma reestruturação profunda da economia mundial. Foi o período em que a economia
nacional da China - e logo depois, a da Índia - foram assimiladas pelo “território econômico”
do capital financeiro norte-americano e se transformaram na fronteira de expansão e
acumulação capitalista do sistema mundial. Dentro desta nova arquitetura, a Alemanha e o
Japão ainda não perderam seu lugar na hierarquia das economias nacionais, nem deixaram
de ser países ricos, cada vez mais ricos, apenas perderam o seu protagonismo e a sua
liderança do processo de acumulação do capital, a escala global. Foram substituídos pelo
novo tripé, e esta mutação geológica da economia mundial não tem mais como ser revertida
a médio prazo, mesmo que alguns setores do establishment político e acadêmico americano
sigam propondo o bloqueio da expansão asiática, e da China, em particular. Daqui para
frente, o entrelaçamento econômico deste novo tripé será cada vez maior, mesmo quando a
sua competição geopolítica crescer até o limite do enfrentamento explícito.
É interessante observar que esta revolução renova, de fato, uma das relações mais
antigas e permanentes da história econômica moderna. A relação do “ocidente” com as
“Índias”, que está na origem do”milagre europeu” e da economia capitalista, e de todos os
grandes impérios que se constituíram, depois dos “descobrimentos”. Neste sentido, a nova
geografia do capitalismo mundial mantém, atualiza e potencializa, a um só tempo, a relação
transcontinental que está na origem da globalização do capitalismo europeu.
Esta”permanência” do sistema mundial, entretanto, não elimina a novidade revolucionária
da nova geografia econômica do sistema, nem diminui o seu impacto sobre a economia
mundial. É muito difícil de prever todas as suas conseqüências, mas já e possível mapear
os primeiros “congestionamentos” e conflitos que estão sendo provocados por deste
deslocamento geo-econômico. Nestas horas de mudança radical, a economia e a política
tendem a convergir, mais do que de costume, e fica mais fácil identificar conexões e
sobreposições entre o jogo geopolítico da defesa e da acumulação do poder, e o jogo geo-
econômico da monopolização e da acumulação da riqueza. Como se pode ver, por exemplo,
neste momento, com relação ao problema da “segurança energética” desta nova máquina
de crescimento, um verdadeiro quebra-cabeça, do ponto de vista da reorganização e
redistribuição - política e econômica - dos recursos disponíveis e escassos, nos vários pontos
do mapa energético do mundo. Não é difícil de entender a complexidade do novo arranjo

Conteúdo
pesquisado em 17
http://www.desempregozero.org.br/artigos/
geografia_economica_mundial.php
que está em curso, basta olhar para as duas pontas do novo sistema e para
as projeções de suas necessidades, se for mantido seu dinamismo atual.
Em conjunto, a China e a Índia, detém um terço da população mundial,
e vêm crescendo nas duas últimas décadas a uma taxa média entre 6 e 10%
Geografia
ao ano. Por isto, ao fazer seu Mapa do Futuro Global, o Conselho de Inteligência
Econômica
Nacional dos Estados Unidos previu, em 2005, que até 2020, a China deverá
aumentar em 150%, o seu consumo energético, e a Índia em 100%, se forem
mantidas suas atuais taxas de crescimento econômico. E nenhum dos dois
países tem condições reais de atender suas necessidades internas através do aumento de
sua produção doméstica de petróleo ou de gás. A China já foi exportadora de petróleo,
mas, hoje, é o segundo maior importador de óleo do mundo; importações que atendem um
terço de suas necessidades internas. No caso da Índia, sua dependência do fornecimento
externo de petróleo é ainda maior do que a da China e, nestes últimos 15 anos, passou de
70 para 85% do seu consumo interno. Para complicar o quadro das necessidades asiáticas,
o Japão e a Coréia permanecem altamente dependentes de suas importações de petróleo
e de gás, o que contribui ainda mais para a intensificação da competição econômica e
geopolítica dentro da própria Ásia. A necessidade urgente de antecipar-se e garantir o
fornecimento futuro de energia é que explica, por exemplo, neste momento, a aproximação
de todos estes países asiáticos com o Irã, a despeito da forte oposição dos Estados Unidos.
Como explica também a ofensiva diplomática e econômica recente - massiva, em alguns
casos - da China na Ásia Central, na África, e até mesmo na Venezuela; e a presença
crescente da Índia, em Burma, Sudão, Líbia, Síria, Costa do Marfim, Vietnã e na própria
Rússia. Além da sua participação conjunta na disputa competitiva, quase belicosa, com os
Estados Unidos e com a Rússia, pelo petróleo do Mar Cáspio e seus oleodutos alternativos
de escoamento, através da Ucrânia, Geórgia, Arzebaijão, Turquia, Polônia, ou Afeganistão
e Paquistão. Seguindo a mesma estratégia dos seus governos, as grandes corporações
públicas ou privadas chinesas e indianas também têm feito investidas fora de sua zona
imediata de atuação tradicional, para controlar empresas estrangeiras que garantam o
fornecimento futuro de petróleo para seus países. Como foi o caso da China National Offshore
Corporation que já comprou participação acionária em empresas no Irã, como também no
grupo Yukos na Rússia, e na Unocal, dos Estados Unidos, o mesmo caminho que vem
sendo trilhado pelas grandes empresas estatais indianas - a ONGC e a IOC - que já
anunciaram novas associações na Rússia, no Irã e na própria China. Por fim, o Instituto
Internacional de Estudos Estrategicos de Londres atribui a esta mesma disputa energética,
a recente reestruturação naval e a presença militar crescente dos chineses e indianos no
Mar da Índia e no Oriente Médio. Como se quisessem relembrar aos economistas mais
ingênuos, o parentesco muito próximo que existe entre os caminhos do mercado e a
competição militar.
No outro lado da ponta deste novo eixo dinâmico da economia mundial está os
Estados Unidos que já eram e seguem sendo os maiores consumidores de energia do
mundo e que, além disto, estão empenhados em diversificar suas fontes de fornecimento,
para diminuir sua dependência dos países do Oriente Médio. Hoje, a Arábia Saudita só
atende 16% da demanda interna dos Estados Unidos que já conseguiu deslocar a maior
parte do seu fornecimento de energia para dentro de sua zona imediata de segurança
estratégica, situada no México e no Canadá, aparecendo a Venezuela logo em seguida,
como seu quarto fornecedor mais importante. Mas, além disto, Os Estados Unidos vêm
trabalhando ativamente para obter um acordo estratégico de longo prazo com a Rússia, e
vem avançando de forma agressiva e competitiva em cima dos novos territórios petrolíferos
situados na África sub-sahariana e na Ásia Central, na região do Mar Cáspio. Isto é, na sua
condição de poder global, os Estados Unidos estão disputando todos os territórios que

18
tenham disponibilidade atual ou que apresentem algum potencial futuro, capaz de garantir a
expansão contínua do seu poder econômico e político. Para complicar este quadro, na sua
área imediata de influencia tradicional, a Grã-Bretanha, depois de alguns anos, voltou a sua
condição de importadora de petróleo, ao lado dos seus demais sócios da União Européia,
que hoje importam da Rússia 49% do seu gás, e que deverão estar importando da mesma
Rússia algo em torno de 80%, por volta de 2030. Por isto, o governo Putin está trabalhando,
hoje, de forma tão agressiva para transformar a Rússia num “gigante mundial da energia”,
unificando e reestatizando suas empresas produtoras, segundo o modelo ARAMCO, da
Arabia Saudita. Esta nova mega-empresa deve transformar-se num instrumento fundamental
de poder, na luta russa para se recolocar dentro do jogo econômico das grandes potências
e para aumentar a margem de manobra e negociação da Rússia, dentro da própria Europa.
Em síntese, o que se está assistindo hoje no mundo do petróleo e do gás natural, é
uma expansão veloz da demanda e um aumento da intensidade da competição, entre os
velhos e os novos grandes consumidores da energia disponível no mundo. Mas esta não é
apenas uma disputa normal de mercado, nem é o produto de alguma manobra da OPEP ou
do aumento puro e simples das taxas de crescimento da economia mundial. Pelo contrário,
é o produto de uma gigantesca mutação geo-economica do capitalismo mundial que está
exigindo não apenas um aumento da produção da energia, mas também uma redistribuição
radical de suas fontes de produção. Por trás desta transformação, entretanto, esconde-se
uma outra mudança ainda mais complexa: a entrada, no tradicional “jogo” de poder das
grandes potências, de alguns países que faz mais de 500 anos que se transformaram no
“objeto do desejo” dos europeus e que foram suas colônias ou protetorados até meio século
atrás. Agora, são eles que estão batendo na porta, anunciando sua passagem.

#
[ ] Agora é hora de
TRABALHAR

1 Qual a importância de um recurso para a vida 3 Este recurso é transformado em seu município?
humana? Descreva o processo.
_______________________________________________________________ _______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________ _______________________________________________________________

2 Em seu município existe algum recurso importante 4 Qual a relação entre o recurso, o espaço e o
para o desenvolvimento? tempo?
_______________________________________________________________ _______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________ _______________________________________________________________

19
5 Quais são as mudanças ocorridas
_______________________________________________________________

na constituição de um recurso?
_______________________________________________________________
9 Quais são as fontes de energia não-renováveis?
Geografia __
_
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
_ _______________________________________________________________
Econômica __
__
_
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
_
__ ______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________

6 Qual a relação entre recursos,


10 Quais são as principais vantagens e desvantagens
população e nível de vida?
_______________________________________________________________ dos recursos energéticos?
______________________________________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________

7 Pesquise o nível de vida do norte-americano de


11 De acordo com o texto “A Crise do Petróleo”,
classe média e do indonésio e observe as diferenças
do poder de compra de cada um. estabeleça uma discussão a respeito dos limites dos
_______________________________________________________________ recursos naturais e de que forma é possível a
______________________________________________________________________________________________________________________________ tecnologia amenizar esta escassez.
______________________________________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________
_______________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________

8 Quais são as fontes de energia renováveis?


_______________________________________________________________

_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________

20
OS SETORES DA ECONOMIA - A
TRANSFORMAÇÃO DA NATUREZA
EM MERCADORIA

Este tema tem por objetivo demonstrar como o homem se organiza para transformar
a natureza.

OS SETORES DA ECONOMIA E A SUA ABORDAGEM NO ENSINO


FUNDAMENTAL E MÉDIO

Tem por objetivo descrever e avaliar a teoria dos setores da economia


como forma de organização do espaço produtivo.

Setores da Economia

Tradicionalmente, as atividades econômicas reúnem três setores: setor primário,


que agrupa o extrativismo vegetal, mineral e animal; setor secundário, que abrange as
indústrias de beneficiamento, construção civil e transformação - setor terciário, que designa
o comércio em geral, bancos, administração, serviços diversos: transporte, educação, saúde,
etc. Hoje, já existe a possibilidade da existência do setor quaternário.

1. A TEORIA DOS TRÊS SETORES DA ECONOMIA

A teoria dos três setores da economia foi sistematizada pelo economista Colin Clark,
na década de 30, num contexto econômico muito diferente do atual. Os critérios subjacentes
a essa classificação já nem são mais conhecidos.
Clark chamou de setor primário todas as atividades econômicas que, para serem
realizadas, contassem com a participação do trabalho humano e da natureza. Nesse caso
se enquadrariam:

- as atividades extrativas – vegetal animal e mineral (o homem extrai,


mas quem “produz” é a natureza);
- a agricultura (o homem prepara a terra – meio de produção, semeia,
toma cuidados e colhe, e a natureza faz o restante);
- a pecuária (criação de animais, também combinado trabalho humano
e mecanismos naturais). Essas atividades são desenvolvidas no campo.

Já o setor secundário seria a produção de bens materiais elaborados a partir de


elementos oferecidos pela natureza, contando somente com a participação do trabalho
humano. A isso se chama atividade industrial. Nas sociedades modernas essa atividade é
desenvolvida nas fábricas, localizadas principalmente no espaço urbano. O setor terciário
seria composto por outras atividades que não se refiram à produção de bens materiais
(setor primário e secundário), mas sim à de bens imateriais (serviços em geral – transportes,
comunicações, serviços públicos, bancos, oficinas, manutenção, comércio, etc.), juntamente

21
com o comércio. Seu desenvolvimento básico também ocorreria no espaço
urbano. Setor primário, secundário e terciário são expressões incorporadas
à linguagem corrente. No caso do terciário, as novas atividades não aparecem
nas estatísticas, pois se trata de um setor extremamente heterogêneo e só
Geografia
através de uma preocupação teórica é que podemos criticar a rigidez (imposta
Econômica
pela “teoria dos três setores”) com que se coletam os dados estatísticos”.

Problemas teóricos da teoria dos três setores

:: Surgem novas formas de organizar um empreendimento econômico, que


alteram a estrutura do emprego (do trabalho) e também a estratégia de localização
geográfica das empresas. Essas novas formas escapam às classificações tradicionais,
mas não podem escapar de nossos olhos se quisermos entender a realidade;
:: No início do século, as empresas se organizavam do seguinte modo: mais de
90% da mão-de-obra empregada trabalhava diretamente na produção. Assim, só uma
pequena parte dos trabalhadores exercia funções administrativas (burocráticas). Esse
pequeno setor administrativo funcionava, em geral, no mesmo edifício onde se realizava
a produção. Existia também certa correspondência entre a localização da empresa e
as fontes de energia, matéria-prima e mercado (era tudo mais ou menos próximo);
:: Numa empresa atual, a realidade é completamente diferente. Cresceu
significativamente o setor administrativo, com mudanças qualitativas. Chega em alguns
casos a corresponder a mais de 50% dos empregados. São novas profissões ligadas ao
planejamento, ao marketing, aos recursos humanos, à contabilidade, à pesquisa
cientifica etc.
:: Além desse crescimento, tornou-se comum separar no espaço geográfico os
locais de instalação da unidade produtiva e do setor administrativo. O setor produtivo
pode estar na área periférica de uma cidade, enquanto o setor administrativo pode
estar no centro. Indo mais longe, pode haver separação entre regiões ou até entre
países. A sede administrativa da Sony fica no Japão e as unidades produtivas se
espalham pelo mundo, como, por exemplo, em Manaus. Também não há
correspondência geográfica entre os locais de produção, fonte de matérias-primas e
fontes de energia. Os meios de transporte e de comunicação moderno refazem, com
eficiência, a ligação perdida.

Com a terceirização, terceiros (empresas especializadas que prestam serviços –


faxina, restaurante, informática, manutenção de equipamentos, etc.), a questão se complica
mais ainda.
Mas as mudanças tecnológicas e organizativas nas atividades agropecuárias
produzem outras conseqüências. Elas seguiram a mesma lógica das modificações nas
indústrias. A tal ponto que dizer qual é, na essência, a diferença entre uma indústria e um
empreendimento agrícola capitalista moderno tornou-se difícil. Daí o terno agroindústria. A
dúvida é saber até onde natureza ainda influencia a produção agropecuária. Avanços como
os da biotecnologia permitiram aumentar a produção (via seleção, as adaptações de
espécies a variam condições climáticas, criação de novas espécies e assim por diante).
Outros avanços no preparo e correção do solo e na mecanização das tarefas diminuíram
significativamente a dependência da natureza. Da relação de produção original homem-
natureza, a produção agropecuária está baseada hoje na relação homem-homem, típica do
setor secundário.
Trabalho em grandes empreendimentos agrícolas cada vez mais se assemelha ao
trabalho na fábrica: as tarefas são subdivididas, os trabalhadores operam máquinas, são
assalariados e muitos moram nas cidades, inserindo-se num modo de vida urbano.
Sintetizando, as atividades terciárias permeiam o setor primário e o secundário. O primário

22
moderno se confunde com o secundário. O terciário, que complementava a produção, agora,
em grande, medida antecipa-a. Ora, são tantas as incompatibilidades da teoria dos três
setores com realidade que quase não há mais razões para mantê-la.

O SETOR PRIMÁRIO

Tem por objetivo analisar, avaliar e descrever a importância do Setor Primário da


Economia na organização do espaço.

1. O setor primário

As atividades do setor primário são:


atividades extrativas, a agricultura e a pecuária.
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567
A Agricultura pode ser dividida em:
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567
de subsistência, comercial, especulativa, coletivista,
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567
moderna e agroindústria.
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567

2. A agricultura no mundo

Quase todas as atividades realizadas pelo homem têm caráter econômico, ou seja,
envolvem trocas monetárias: a produção de mercadorias agrícolas e industriais, o comércio
desses produtos, as atividades imobiliárias, educacionais, esportivas, etc. Por meio da
atividade econômica a sociedade produz os bens que necessita, tanto os materiais quanto
os imateriais ou serviços.
No ato de produzir, consumir e trocar produtos, o espaço está sendo transformado.
No entanto, nenhum elemento que já existisse no planeta é utilizado para a criação de novos
produtos. O que se altera é o modo de combinar os mesmos elementos, os novos
instrumentos desenvolvidos para executar as tarefas e o trabalho humano empregado.

23
No período pré-capitalista, as sociedades eram basicamente agrícolas
e não se diferenciavam muito umas das outras quanto ao estágio de
desenvolvimento. A diferenciação só se acentuou com o capitalismo, quando
a atividade industrial começou a se tornar predominante em alguns países.
Geografia
O setor primário, tradicionalmente caracterizado como rural, com
Econômica
pequena participação nos índices nacionais de produção e técnicas
rudimentares, passou por uma grande evolução nas últimas décadas. As novas
tecnologias permitem realizar melhoramentos genéticos na agropecuária e
aumentar a produtividade, imprimindo um ritmo industrial a essa atividade.

3. O campo e a cidade

Nas sociedades antigas, a agricultura era a principal atividade econômica. Mesmo


naquelas que se celebrizaram pelo esplendor de suas cidades, a grande maioria da
população que trabalhava vivia nos campos. Na antiguidade, o campo constituía o espaço
da produção; a cidade, o espaço da circulação e do consumo das mercadorias produzidas.
A cidade foi, também, o espaço da política, do ócio, das artes e da ciência.
As civilizações urbanas que se desenvolveram na Mesopotâmia e no Egito eram
sustentadas pelo trabalho dos camponeses. O excedente da produção rural se transformava
em tributos pagos aos governantes e sacerdotes, habitantes das cidades.
A agricultura também foi a base econômica durante toda a Idade Média. Nesse caso,
o trabalho agrícola cabia aos servos, e o excedente da produção alimentava os senhores
feudais (inclusive o clero) e seus exércitos.
Nas sociedades pré-industriais, o campo abrigava a grande maioria da população e
era responsável pela quase totalidade da produção de riquezas. Por meio de diferentes
mecanismos de coerção política, o excedente da produção agrícola acabava sendo
canalizado para o sustento das populações urbanas e dos homens em armas.

4. O campo se moderniza

Nos países desenvolvidos, o emprego massivo de tecnologia na agricultura produz


uma forte integração entre o setor agrícola e o setor industrial. Nesse caso, utiliza-se a
expressão agricultura industrializada.
Ao mesmo tempo que atende às demandas urbano-industriais, a agricultura, nesses
países, constitui um poderoso mercado de consumo para as indústrias urbanas. Tratores,
semeadeiras e colhedeiras mecânicas, fertilizantes, adubos químicos e até computadores
fazem parte do arsenal de insumos industriais que explica as elevadas taxas de produtividade
agrícola.
Apesar de toda a tecnologia empregada, o trabalho na agricultura é menos produtivo
do que o trabalho na indústria.
Nesses países, a participação do setor agrícola no PIB é sempre inferior à
porcentagem da PEA empregada na agricultura. A indústria, em contrapartida, apresenta
uma participação no PIB superior à PEA empregada no setor. Isso significa que uma mesma
porcentagem de trabalhadores produz menos riquezas na agricultura do que na indústria.
Esse diferencial negativo de produtividade indica que, apesar dos altos investimentos em
tecnologia, a agricultura jamais se industrializa completamente. Mesmo mecanizada e
automatizada, a agricultura continua vulnerável aos ciclos vegetativos impostos pela natureza,
bem como às alterações climáticas que escapam ao controle humano e impõem barreiras
à aceleração do ritmo de produção.

24
Entretanto, a reduzida participação da agropecuária na geração do PIB e na absorção
da PEA escamoteia a verdadeira importância do setor na economia dos países
desenvolvidos. Em muitos deles, o setor primário dinamiza inúmeros ramos industriais.

5. A agropecuária em países desenvolvidos

De maneira geral, a agricultura e a pecuária são praticadas de forma intensiva, com


grande utilização de técnicas biotecnológicas modernas. Em razão disso, é pequena a
utilização de mão-de-obra no setor primário da economia (conforme tabela acima).
Nesses países, além dos elevados índices de produtividade, obtém-se também um
enorme volume de produção que abastece o mercado interno e é responsável por grande
parcela do volume de produtos agropecuários que circulam no mercado mundial. Uma
quebra de safra de qualquer produto cultivado nos Estados Unidos tem reflexos imediatos
no comércio mundial e na cotação dos produtos agrícolas.

6. A agropecuária em países subdesenvolvidos

Nos países subdesenvolvidos é impossível estabelecer generalizações, já que os


contrastes verificados entre os membros desse bloco repetem-se também no interior dos
próprios países, onde convivem, lado a lado, modernas agroindústrias e pequenas
propriedades nas quais se pratica a agricultura de subsistência. Tanto nos países
subdesenvolvidos, cuja base econômica é rural, como nas regiões pobres dos países
subdesenvolvidos industrializados, há um amplo predomínio da agricultura de subsistência,
contrastando com o sistema de plantation. Essa situação é uma herança histórica do
período em que esses países foram colônias. Desde então, excluem a população dos
benefícios econômicos atingidos.
O setor primário constitui a base da economia nesses países. Como se pratica uma
agricultura predominantemente extensiva, o percentual da população economicamente ativa
que trabalha no setor primário é sempre superior a 25%, atingindo, às vezes, índices
espantosos. Porém, isso não significa que esses países são os maiores produtores de
alimentos, bem como também não são grandes exportadores.
A maior quantidade de alimentos por trabalhador agrícola não é produzida pelos
países com maior concentração populacional no campo. Ao contrário, a alta produtividade
é característica dos países mais urbanizados, mais industrializados, mais mecanizados e
com maiores investimentos em pesquisas tecno-científicas. Isso nos permite afirmar que os
países ou regiões onde a economia tem por base a produção agrícola são os que passam
por maiores dificuldades econômicas e, por conseguinte, a maioria de sua população tem
problemas (grave, às vezes) de desnutrição ou subnutrição.

A alta mecanização
é uma das
características
marcantes na
agropecuária
dos EUA.

25
Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
Geografia
Econômica E se fartar de pão
Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel
Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, a propícia estação
E fecundar o chão

O Cio da Terra
Composição: Milton Nascimento e Chico Buarque de
Holanda

O SETOR SECUNDÁRIO

Tem por objetivo analisar, avaliar e descrever a importância do Setor Secundário da


Economia na organização do espaço.

O setor secundário

INDÚSTRIA: Parte da economia que engloba empresas cujas principais


atividades são a industrialização de matérias-primas e a manufatura de
bens para consumo ou elaboração adicional.

1. A evolução da indústria

Indústria é o conjunto das atividades realizadas na transformação de objetos em


estado bruto, as chamadas matérias-primas naturais ou não, em produtos que tenham uma
aplicação e satisfaçam as necessidades do homem. Quanto a sua evolução histórica,
podemos reconhecer três estágios fundamentais: o artesanato, a manufatura e a
maquinofatura. Com a Revolução Industrial o homem aumentou a sua capacidade de
produção.

Por causa da sua diversidade, a indústria comporta diferentes tipos e inúmeras


classificações.

1. A indústria pode ser de beneficiamento, de construção ou de transformação:

- Beneficiamento: consiste em transformar um produto para que possa ser


consumido, como descascarem cereais ou refinar o açúcar.
- Construção: utiliza diferentes matérias-primas para criar um novo produto,
com o a construção civil.
- Transformação: emprega sistemas, com diferentes graus de sofisticação,
nas atividades de reelaboração de uma matéria – prima.

26
2. Outra maneira de classificação (a mais utilizada) é a que leva em conta a destinação
de seus produtos: de bens não-duráveis e de bens duráveis.

- Indústria de bens não-duráveis: produz bens que são consumidos num tempo
breve, como os produtos alimentares, cigarros, confecções, bebidas, calçados e
medicamentos.
- Indústria de bens duráveis: que produz bens de longa duração, como
eletrodomésticos, máquinas, motores e veículos.

3. Podemos classificar as indústrias de uma maneira mais genérica, como:

- Indústria de base: é aquela que produz bens que servirão de base para outras
indústrias, como a metalurgia, a indústria química, fabricação de cimento.
- Indústria de bens de produção: é considerada a mais importante, pois é por
meio dela que são criadas as condições necessárias a outras indústrias. É a indústria de
máquinas e ferramentas, cuja existência determina o caráter da economia de um país:
dependente ou independente. Assim, se um país produz seus bens de consumo e de uso,
mas não produz os meios com os quais possa realizar tais produções, estará na
dependência de outros que lhe forneça os equipamentos indispensáveis.
- Indústria de bens de consumo: é aquele que vai, com produtos da indústria de
bens de produção (máquinas), fabricar aquilo que o mercado consumidor necessita. Nesse
caso, podemos ter:

a) a indústria de bens finais: produz bens prontos para o uso ou consumo.


b) a indústria de derivados: é aquela que emprega como matéria-prima bens já beneficiados
ou semi-acabados, dando-lhes um novo acabamento (exemplo: indústria de confecções)

4. Quanto à tonelagem de matérias-primas empregadas e à quantidade de energia


consumida, a indústria pode ser:

a) leve: produtos alimentares, têxteis, fumo, bebidas, produtos


farmacêuticos e calcados.
b) pesada: metalúrgica, siderúrgica, fabricação de máquinas, veículos
automotores e navios.

1.1 A indústria automobilística


Durante os anos de expansão econômica (1950-1973), o automóvel foi o símbolo da
sociedade de consumo. Este enorme desenvolvimento da produção automobilística deu

27
lugar a vários problemas, como a saturação do consumo em muitos países e
a forte concorrência entre as marcas. Para frear a crise, propuseram-se
soluções como a fusão de empresas e a automação da produção, o que
provocou uma considerável redução dos postos de trabalho.
Geografia
Econômica
1.2 As indústrias tradicionais ou dinâmicas
As indústrias tradicionais são aquelas ligadas às descobertas da
Primeira Revolução Industrial. Utilizam muita mão-de-obra e pouca tecnologia.
As indústrias de ponta, ao contrário, utilizam muito capital e tecnologia e pouca força
de trabalho (mão-de-obra).

1.3 As indústrias de ponta


Denominam-se indústrias dinâmicas ou de tecnologia de ponta aqueles setores nos
quais a pesquisa exerce um papel fundamental. Sua atividade depende em grande parte
das inovações que geram. Estas indústrias necessitam de grandes investimentos para
funcionar e dedicam grande parte deles ao desenvolvimento de novas pesquisas, para criar
novos processos de produção e novos produtos. Esta denominação engloba setores como
o farmacêutico, o da informática, o aeroespacial e o das telecomunicações.

1.4 Os fatores de localização industrial


As indústrias buscam localizar-se naquelas zonas que permitem baratear seus custos
de produção. Tradicionalmente, as empresas, sobretudo as pesadas, tendem a localizar-
se onde o custo do transporte é menor, aproximando-se das fontes de energia ou das
matérias-primas. Outros setores industriais, especialmente os leves, tendem a localizarem-
se próximos aos mercados de consumo.

1.5 As grandes regiões industriais do mundo


As indústrias tendem a concentrarem-se geograficamente ao longo dos grandes eixos
de comunicação e dos espaços urbanos bem conectados. Quando a concentração é
considerável, formam-se as denominadas regiões industriais. As tradicionais zonas
industriais correspondem aos países ricos: áreas produtoras de carvão e ferro, vales
industriais, zonas urbanas e portuárias.

1.6 Expansão da indústria mundial


Já a maioria das novas regiões industriais, mais bem adaptadas aos novos
processos de produção, encontra-se nas regiões dinâmicas dos países do Extremo Oriente,
ou ao redor das grandes metrópoles dos países desenvolvidos. Nas últimas décadas, alguns
países asiáticos experimentaram um rápido crescimento econômico. Os denominados
“Tigres” (entre eles Hong Kong, Taiwan e Coréia do Sul) estão conseguindo consolidar sua
posição mundial industrialmente, ainda que as rápidas transformações socioculturais tenham
gerado certos desequilíbrios.
Nos últimos anos, a indústria chinesa também começou a despontar graças à
aplicação de novas políticas econômicas. As denominadas Zonas Econômicas Especiais
do litoral chinês, que gozam de ampla liberdade econômica, situam-se entre as regiões
mais dinâmicas do mundo.

1.7 Distribuição industrial no Brasil


No Brasil, as principais regiões industriais estão concentradas na região Sudeste,
no triângulo formado pelas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo
Horizonte.

28
Outras áreas podem ser chamadas de periféricas: áreas metropolitanas de Curitiba,
Porto Alegre, Recife e Salvador; Zona Franca de Manaus, Goiânia (GO), Campo Grande
(MS) e Vale do Itajaí (SC).

OS NICs – NOVOS PAÍSES INDUSTRIALIZADOS2

A partir dos anos 50, passou a ocorrer uma intensificação no processo de expansão
das multinacionais em direção a diversas regiões do mundo. Com esse processo, a produção
industrial, até então concentrada na Europa, no Japão, nos Estados Unidos e no Canadá,
passou a se disseminar por vários países.
Num primeiro momento, os países sub-desenvolvidos que mais receberam filiais
das multinacionais foram Brasil, Argentina, México e África do Sul, todos com grande
mercado consumidor e com capacidade de processamento de algumas matérias-primas
necessárias às multinacionais. Posteriormente, a partir de meados da década de 60, tal
processo de expansão das multinacionais e disseminação da atividade industrial atingiu a
Coréia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Cingapura. Todos esses países que passaram por um
processo de industrialização mais intensa após a década de 50 recebem a denominação
de NICs (Newly Industrialized Countries). Mais recentemente ainda, a partir dos anos

Conteúdo encontrado em
http://orbita.starmedia.com/geoplanetbr/economia.htm 29
80, outros países do sudeste asiático começaram a ter, gradativamente, a
indústria como um setor importante da economia. É o caso da Malásia, da
Tailândia e da Indonésia.
Se observarmos em um mapa, as áreas de maior concentração
Geografia
industrial não se restringem mais aos países desenvolvidos do hemisfério
Econômica
Norte. Fora das regiões tradicionalmente industrializadas da Europa, da
América do Norte e do Japão, surgiram várias outras: no sudeste do Brasil;
nas regiões em torno de Buenos Aires e da Cidade do México; em Pretória e
em Johannesburgo, na África do Sul; no leste da China; no sudeste da Ásia e nos tigres
asiáticos.
As trajetórias da industrialização dos NIC’s não foram as mesmas, mas se apoiaram
em políticas industriais nas quais a participação do Estado foi decisiva.
No caso dos países latino-americanos, como Brasil, México e Argentina, a
industrialização baseou-se na substituição de importações e posteriormente na
internacionalização do mercado.
Nas principais crises econômicas mundiais do século XX, particularmente na de
1929, os países da América Latina viram-se impossibilitados de importar as mercadorias
fabricadas no mundo industrializado. Além disso, diante da conjuntura desfavorável à
exportação de produtos agrícolas não-essenciais, os investimentos passaram a se destinar
à produção local de manufaturados. Os bens de consumo que antes eram importados
passaram a ser produzidos pelas antigas nações importadoras. Daí o nome dado ao
processo de industrialização desses países: ISI (Indústria Substitutiva de Importação).
Após a década de 50, as práticas substitutivas apoiaram-se na internacionalização
do mercado. Brasil, Argentina e México atraíram os investimentos internacionais co-mo forma
de acelerar o desenvolvimento industrial.
As políticas industriais de atração dos investimentos estrangeiros ofereciam mão-
de-obra barata, investimentos estatais em infra-estrutura de transpor-te, energia e
processamento de matérias-primas essenciais à instalação industrial. Os incentivos fiscais,
a participação nos mercados internos sem a necessidade de transpor barreiras
alfandegárias, e a facilidade de remessa de lucros eram atrativos tentadores às empresas
estrangeiras.
O caminho seguido pelos NIC’s asiáticos foi diferente. A estratégia industrial traçada
por Taiwan, Cingapura, Coréia do Sul e Hong Kong apoiou-se na IOE (industrialização
Orientada para a Exportação). As multinacionais que se estabeleceram nesses países, e
mesmo as empresas nacionais, tinham como objetivo principal o comércio externo. Daí a
expressão plataformas de exportação para designar os tigres asiáticos.
Enquanto na ISI foi preponderante a participação do capital norte-americano e do
europeu, no caso da IOE, a principal fonte de investimentos foi o capital japonês.
O crescimento econômico dos tigres foi alicerçado na associação entre as empresas
privadas e o governo, que garantiu proteção às empresas nacionais por meio de barreiras
alfandegárias e criou os mecanismos legais de incentivos às exportações e aos
investimentos estrangeiros. Além disso, investiram na educação e, conseqüentemente, na
qualificação da mão-de-obra.
No entanto, todo o processo de evolução econômica e industrial foi traçado sob um
regime ditatorial, com exceção de Hong Kong. A liberdade de imprensa e de expressão e
as eleições livres não faziam parte do dia-a-dia dos habitantes desses países.
Durante a década de 70, os tigres asiáticos apresentaram taxas de crescimento
econômico próximas de 10% ao ano e, na década de 80, próximas de 7,5%. Nos primeiros
anos da década de 90, passou a ocorrer uma desaceleração do crescimento econômico.

30
Mesmo assim, as taxas desses países são superiores às apresentadas pelas nações mais
industrializadas do globo.
A passagem de economias predominantemente agrícolas para países industrializados
e com parques industriais diversificados, no curto período de duas décadas, evidentemente
acontece em ritmo de cresci-mento econômico bastante acelerado. Atingindo tal grau de
industrialização, é natural que o ritmo de crescimento passe a ser menor. Como se pode
observar no gráfico, é o que acontece com os tigres asiáticos.

O NOVO EIXO DE PROSPERIDADE DO PACÍFICO3

É ainda muito cedo para que se aceite a afirmação de que o grande centro econômico
do século XXI seja a região do Pacífico, sob a liderança do Japão. Entretanto, o ritmo de
crescimento industrial e a capacidade dos investimentos japoneses têm indicado forte
liderança dessa região na nova ordem mundial que se está esboçando.
Atualmente, em volume de depósito, os dez maiores bancos do mundo são japoneses.
E entre os dez maiores conglomerados financeiros mundiais nove são japoneses. Até
meados dos anos 60, não aparecia nenhum banco japonês entre os cinqüenta maiores.
O Japão é, sem dúvida, o expoente máximo de uma região que, nos últimos 30
anos, tem conquistado inigualável crescimento econômico: o leste e o sudeste da Ásia, na
região do Pacífico. No início da década de 90, enquanto a economia mundial assegurava
míseros 0,3% de crescimento econômico, essa região do Pacífico expandia-se na ordem
de 5,8%.
As exportações dos quatro tigres passaram de 2 bilhões de dólares, em 1960, para
mais de 377 bilhões, em 1993. Na pauta de exportações, predominam os produtos
eletroeletrônicos (televisores, videocassetes, aparelhos de som, fornos de microondas),
acessórios para computadores e telecomunicações, tecidos sintéticos, roupas, plásticos e
veículos.
A China, com 20% da população da Terra, caminha a passos largos para transformar
seu mercado potencial num grande mercado de Consumo. Na década de 80, obteve as
maiores taxas de crescimento econômico. É claro que essas taxas têm validade relativa, já
que a base anterior da economia era muito baixa e o modelo de desenvolvimento industrial
chinês ainda está baseado na utilização de mão-de-obra barata e no baixo índice
tecnológico.
Em meados da década de 90, surgiram várias denúncias de que parte dos produtos
industrializados chineses, que têm conquistado o mercado mundial devido aos baixos preços
e não à boa qualidade, são fabricados em campos de concentração com a utilização de
mão-de-obra, a custo zero, de prisioneiros que trabalham os 7 dias da semana.
Nestas duas últimas décadas, juntamente com o Japão e a China, os tigres formaram
um importante pólo econômico no extremo oriente da Ásia.
A Coréia do Sul possui empresas conhecidas mundialmente, como a Sansung
(computadores, eletroeletrônicos), a Hyundai e a Daewoo (automóveis). Vários setores
industriais têm hoje destaque na economia coreana: construção naval, brinquedos,
eletro-eletrônicos, computadores, relógios e outros.
Hong Kong, além de um setor de bens de consumo bastante diversificado, está
entre os maiores centros financeiros internacionais e seu porto é o terceiro entreposto
comercial do mundo.
O desenvolvimento industrial de Taiwan e a forte penetração dos seus produtos no
mercado externo fazem com que esta pequena ilha do Pacífico tenha uma das maiores
reservas cambiais do mundo.

Conteúdo encontrado em
http://orbita.starmedia.com/geoplanetbr/economia.htm 31
Cíngapura, cuja área é 68 vezes menor que a ilha de Marajó, exportou,
por sua vez, 97 bilhões de dólares, em 1994, mais que o dobro das exportações
brasileiras, que atingiram 44 bilhões de dólares no mesmo ano.
O crescimento econômico nesta região do Pacífico tem arrastado outros
Geografia
países: Tailândia, Malásia, lndonésia, Filipinas e Vietnã. A Tailândia, por
Econômica
exemplo, exporta hoje mais produtos têxteis e eletroeletrônicos do que arroz e
borracha, seus tradicionais itens de exportação. Um aspecto importante do
crescimento econômico desses países é o fato de os tigres asiáticos estarem
entre os maiores investidores externos, aspecto que reforça o dinamismo econômico da
região do pacífico.

AS ZEE’S (ZONAS ECONÔMICAS ESPECIAIS)4

A China tem-se adaptado às grandes transformações econômicas mundiais de for-ma


gradual. A introdução da economia de mercado está sendo feita pelo próprio PCC (Partido
Comunista Chinês), em áreas determinadas pelo governo, que receberam a denominação
de ZEEs (Zonas Econômicas Especiais).
As ZEEs foram idealizadas por Deng Xiao-ping e implantadas a partir de 1978. Elas
se constituíram no modelo chinês para suplantar a estagnação econômica que, naquele
momento, atingia o conjunto dos países socialistas e os afastavam, cada vez mais, do nível
de desenvolvimento do mundo capitalista.
Nas cidades escolhidas para a criação dessas zonas de economia de mercado,
abriram-se as portas para o investimento estrangeiro e estabeleceram-se medidas
semelhantes às adotadas nos tigres asiáticos: baixos impostos, isenção total para a
importação de máquinas e equipamentos industriais e facilidades para a remessa de lucros
ao exterior. Além disso, as empresas que nelas se instalaram contam com a mão-de-obra
mais barata do mundo, o que torna os preços dos pro-dutos de baixo aporte tecnológico
(têxtil, calçados e brinquedos) imbatíveis no mercado internacional.
A localização das ZEEs é estratégica. Estão situadas próximas às áreas litorâneas,
a pouca distância dos outros grandes centros econômicos do Pacífico. Em 1992, o governo
chinês criou 28 novas zonas de livre mercado, mais para o interior, ao longo do rio Yang-tse-
kiang.
Entretanto, o desenvolvimento da economia chinesa irá encontrar pela frente uma
série de obstáculos. De modo diverso ao que ocorreu no grupo dos quatro tigres, onde
houve uma política governamental de investimento pesado em educação e em infra-estrutura
básica, a China não tem caminhado nessa mesma direção. O índice de analfabetismo chinês
atinge 73% da sua população e os estudantes universitários não chegam a 1,5 milhão, num
país de 1,2 bilhão de habitantes.
O sistema portuário é bastante incipiente e a China não conta com estradas de
rodagem e ferrovias adequadas à circulação de mercadorias, fundamentais à dinamização
de seus mercados interno e externo. Consta que os últimos trilhos das ferrovias chinesas
foram instalados há 7 décadas.
Os baixos salários constituem outra barreira à criação de um mercado interno forte.
Embora existam mais de 400 milhões de pessoas na costa do Pacífico vivendo numa
economia de mercado, o consumidor chinês é uma minoria privilegiada.
O alastramento das ZEEs e a introdução da economia de mercado na China elevaram
os casos de corrupção. Muitos funcionários do Partido Comunista foram acusados de cobrar
propina para autorizar viagens, mudanças de emprego e para fazer vistas grossas à gravidez,
burlando o controle de natalidade.

Conteúdo encontrado em
32 http://orbita.starmedia.com/geoplanetbr/economia.htm
O principal problema do modelo chinês é o fato de a abertura econômica não ter
sido acompanhada pela abertura política. A liberdade de mercado não foi estendida às
outras instâncias da vida social. Ainda é vedada à sociedade chinesa a liberdade cultural,
de organização sindical e partidária, de expressão e de comunicação.
Em 1993, o país introduziu o capitalismo na Constituição, especificando que a China
tem uma economia socialista de mercado.

O SETOR TERCIÁRIO

Tem por objetivo analisar, avaliar e descrever a importância do setor terciário da


Economia na organização do espaço.

O setor terciário

Conhecido como setor de serviços, encarrega-se de parte da economia que


inclui as ocupações de comércio, corretagem de valores, seguro, transportes,
serviços de consultoria, intermediação financeira /atividades bancárias.

Concentrar-nos-emos nas atividades comerciais. As mesmas são representadas pelo


comércio, sendo que os principais tipos são: externo, interregional, intra-regional, livre. Assim,
vamos conhecer algumas teorias geográficas ligadas ao comércio.

1. Algumas teorias geográficas ligadas à discussão do comércio

1.1 CHRISTALLER - 1933. (A Teoria da Localidades Centrais)


Residência de níveis estratificados de localidades centrais, nos quais os centros de
um mesmo nível hierárquico oferecem um conjunto semelhante de bens e serviços e atuam
sobre áreas semelhantes no que diz respeito à dimensão territorial e ao volume da população.
Os mecanismos fundamentais que atuam gerando essa hierarquia de centros são de um
lado, o alcance espacial máximo e, de outro, o alcance espacial mínimo. Christaller – um
lugar central não distribui somente bens e serviços relativos a sua importância, mas também
a centros colocados em uma posição inferior. Não é possível que todos os bens e serviços
sejam oferecidos em todas as localidades centrais, fazendo decorrer daí o principio de
hierarquia. O princípio básico é o de mercado.
Existem princípios gerais que regulam os números, tamanho e distribuição dos
núcleos de povoamento: grandes, médios e pequenas cidades, a ainda minúsculos núcleos
semi-rurais, todos são considerados como localidades centrais. Todos são dotados de
funções centrais isto é, atividades de distribuição de bens e serviços para uma população
externa residente na região complementar (hinterlândia, área de mercado, região de
influência), em relação a qual localidade central têm uma posição central. A centralidade de
um núcleo, por outro lado, refere-se ao seu grau de importância a partir de suas funções
centrais: maior a população extrema atendida pela localidade central, é maior a sua
centralidade. Christaller definiu ainda 2 outros conceitos, o alcance espacial (maximum range)
e o de alcance mínimo (minimum range Threshold). O primeiro refere-se à área determinada
por um raio; a partir da localidade central dentro desta área os consumidores efetivamente
deslocam-se para a localidade central visando a obtenção de bens e serviços. A área em
questão constitui a região complementar. Para além dela, os consumidores deslocam-se
para outros centros que lhe estão mais próximos, implicando em menores custos de
transporte. O alcance espacial mínimo, por sua vez, compreende a área em torno de uma

33
localidade central que engloba o número mínimo de consumidores que são
suficientes para que uma atividade comercial onde serviços, uma função
Geografia central, possa economicamente se instalar.
Econômica
1.2 A REDE DENDRÍTICA
Origem colonial. Valorização dos territórios conquistados pelo capital
europeu que nasce e se estrutura uma rede dendrítica. As principais
características são:

1 – Concentra as principais funções econômicas e políticas da hinterlândia. Transforma-


se em um núcleo muito grande em relação aos demais centros da hinterlândia. Cidade
primaz comercial. Sistema primaz concentra a maior parte do comércio atacadista exportador
e importador.

2 – Excessivo número de pequenos centros. Pequenos pontos de renda indiferenciados


entre si. E assim por causa do baixo nível de demanda da população e de sua limitada
mobilidade espacial e da prioridade das vias e dos meios de transporte. Cada centro da
rede recebe de e envia para um núcleo maior e mais próximo da cidade primaz. Tal padrão
espacial de interações constitui-se, por outro lado, em um esquema de drenagem de recursos
em geral; drenagem esta que privilegia parcialmente a cidade primaz em detrimento de
sua hinterlândia. Em velocidade, na rede dendrítica verifica-se, em conseqüência do padrão
espacial de interações, que á medida que se afasta da cidade primaz, os centros urbanos
diminuem gradativamente de tamanho populacional, no valor de vendas do comércio
atacadista e em termos de expressão política. As redes urbanas regionais de Piauí e Maranhão
oferecem um exemplo de rede dendrítica.

1.3 A TEORIA DOS DOIS CIRCUITOS (Circuito Superior e Inferior da Economia)


O processo de modernização tecnológica, verificada nos países subdesenvolvidos
após a segunda guerra mundial, por atuar de forma muito relativa, teve o papel, segundo
Santos, de dividir a vida econômica desses países em dois circuitos de produção,
distribuição e consumo. Um deles (o circuito superior) é diretamente resultante da
modernização tecnológica, enquanto o outro (inferior) deriva, indiretamente, da citada
modernização tecnológica, dirigindo-se aos indivíduos que poucos ou nada se beneficiam
com progresso, diferenças qualitativas e quantitativas de consumo. Os dois circuitos são
uma bipolarização e possuem o mesmo conjunto de causas, apresentando-se interligados.
Os 2 circuitos em realidade, não estão isolados entre si. A existência de uma classe média
que utiliza um e outro circuito impede o isolamento. Em segundo lugar, porque existem
articulações de complementaridade e de dependência, envolvendo intercâmbios de insumos
entre os 2 circuitos. Em longo prazo, aparece a dependência do circuito inferior ao superior.
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
Circuito Superior – bancos, comércio, indústria. Voltados para exportação
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
indústria moderna, serviços modernos, empresas atacadistas e de transporte. Por sua
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
vez, o circuito inferior é construído por atividades que não utilizam capitais de modo
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
intenso, possuindo ainda uma organização primitiva: á fabricação de bens, certas formas
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
de comércio e serviços compõem a ampla gama do circuito inferior, que atende, sobretudo,
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
as classes pobres.
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567

34
1.4 As proposições de JACQUELINE BEAUJEAU GARNIER
O comércio aparece, sem dúvida, como o elemento que melhor traduz o tipo de
sociedade onde está implantado. Esta importância reflete-se, materialmente, em instalações
variadas quanto ao local, à composição, ao nível de preços. Nos países capitalistas, a regra
absoluta é a de atrair o máximo de clientes, os de maior rendimento possível, e vender-lhes
o máximo. A nação de concorrência. O comércio por grosso na cidade. A implantação do
comércio por grosso em meio urbano. No entanto foi possível distinguir 5 tipos de localização.
Essa tipologia apóia-se, essencialmente, nos mecanismos das operações e nos
estabelecimentos através das quais elas se realizam.

1 – Escritórios de grandes sociedades nacionais ou internacionais,


ou de grupos industriais que representam o ramo de comercialização. Os
escritórios situam-se no centro de negócios. Alguns possuem armazéns
na periferia da própria cidade ou em localidades vizinhas.

2 – O escritório e o armazém encontram-se nos bairros periféricos,


em busca de espaços variados e mais baratos.

3 – De grossistas especializados, associa o fabrico à venda, isto é,


a fabrica à loja. Vendem a outros grossistas da cidade ou de países
estrangeiros. Isto dá lugar ao nascimento de bairros muito especializados
(confecções e peles em Paris; confecções, em Nova York.).

4 – Comercialização de produtos pesados: precisam de vias de


comunicação (cais, docas de mercadorias, ramais especiais, passagens
de estados) precisam de áreas vastas, mais ou menos arranjadas, de
lugares, de terrenos livres e baratos. Os lugares de escritório ocupam áreas
muito pequenas.

5 – Constituído por intermediários que se ocupam da


comercialização de produtos alimentares frescos. Estes cinco tipos
aparecem, portanto, fundamentalmente ligados às comunicações: telex,
e telefone, os escritórios centrais, visitas de compradores aos tipos vistos,
produção, comercialização, transporte de materiais ou de produtos
acabados.

35
#
Geografia

[ ]
Econômica

Agora é hora de
TRABALHAR

1 O que você entende sobre a teoria dos três setores 6 Como se caracterizam as grandes regiões
da economia? industriais do mundo?
_______________________________________________________________ _______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________ _______________________________________________________________

2 Quais são as atividades do setor primário? 7 Cite algumas teorias desenvolvidas sobre o
_______________________________________________________________ comércio.
______________________________________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________

3 Como a agricultura pode ser dividida?


8 Qual a lógica da Teoria das Localidades Centrais?
_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________

4 De acordo com o funcionamento de cada tipo de


9 Qual a lógica da rede dendrítica?
agricultura, estabeleça um paralelo com o
abastecimento agrícola de sua cidade, desenvolvendo _______________________________________________________________
uma discussão no aspecto da dependência da cidade ______________________________________________________________________________________________________________________________
ao campo. ______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________ _______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________ 10 Como é desenvolvida a idéia da teoria dos dois

5
circuitos?
Quais são os fatores da localização industrial? _______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________

36
OS HOMENS, A SOCIEDADE
E A ECONOMIA

Este bloco temático trata da forma que os homens se organizam para gerir a economia,
desde as formas de organização do homem para gerir o acesso aos bens produzidos por
esta sociedade até os processos de produção.

A SOCIEDADE DE CONSUMO E O ESPAÇO

Tem por objetivo demonstrar como os territórios se organizam para a atividade


econômica. Demonstrando as estratégias e como se dão as relações entre estes territórios,
como também as formas que o homem se organiza para a regulação dos bens gerados
nessa sociedade.

A CIRCULAÇÃO E OS TRANSPORTES5

Tem por objetivo analisar, descrever e avaliar a importância dos


transportes e das comunicações para a atividade econômica através dos
seus usos e aplicações.

1. Transportes

Conjunto de todos os meios utilizados para conduzir pessoas e bens no espaço.


Este tipo de serviço faz parte de setor terciário da economia.

2. A importância dos transportes na economia moderna

Na economia moderna, com as pessoas e as mercadorias se deslocando com a


maior facilidade para os lugares mais diversos, os sistemas de transportes têm grande
importância, grande significação. Dois elementos possibilitam esta circulação de pessoas
e de mercadorias: a rapidez e a capacidade de carga dos veiculo para transportar grandes
volumes e pesos. Comparando o tempo gasto na viagem e peso das mercadorias
transportadas, compreende-se por que pode haver tão grande intensificação das relações
comerciais no ultimo século. A mesma revolução operou-se no interior dos continentes, onde
os transportes eram feitos em lombos de burros ou em carros de tração animal e passou a
ser feito em caminhões e trens, com muito maior velocidade e capacidade de carga.
A distribuição das vias férreas e das rodovias no interior dos continentes, porém, é
feita de forma muito irregular, havendo grande concentração em algumas áreas – onde a
pequena densidade demográfica não permite a existência de ferrovias ou rodovias
economicamente viáveis e onde ainda são usados processos primitivos no transporte de
mercadorias e de pessoasruçer de compra de cada um.. A exploração madeireira, os
desenvolvimentos da pecuária, da agricultura e da exploração mineral são apontados como

5
Conteúdo construído com a
contribuição da Bibliografia de
(ANDRADE, 1985). 37
fontes de recursos que compensarão os investimentos feitos. Além,
naturalmente, do peso das razões geopolíticas.
As reflexões do professor Manuel Correia de Andrade nos remete à
importância dos transportes para a construção da atual configuração do
Geografia
espaço no que diz respeito ao desenvolvimento das atividades humanas.
Econômica 123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789
Os tipos de transporte são classificados em: transportes
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789
terrestres, transportes marítimos e transportes aéreos.
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789

3. Os transportes terrestres

Classificados em ferroviários e rodoviários:


12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
3.1 Ferroviários: Foi graças às ferrovias que se intensificou, na metade do
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
Século XIX, o comércio entre os portos e as regiões centrais, permitindo uma integração
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
nacional. São chamadas estradas de penetração, que aparecem isoladas, como traços
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
nos mapas, ao contrario das densas redes ferroviárias dos países desenvolvidos.
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
As estradas de ferro no Brasil da segunda metade do século passado, nunca
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
tivemos uma grande rede ferroviária, em virtude de condições, como o relevo, a
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
concentração dos produtos de exportação em áreas restritas, próximas ao litoral etc.
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
3.2 Rodoviários: A princípio, os transportes rodoviários não foram
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
utilizados para as grandes distâncias, e sim como complementares da rede
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
ferroviária, transportando pessoas e mercadorias até às estações e, dessas, ao local
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
de destino. As construções de grandes rodovias e as ampliações da capacidade de
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
carga dos veículos tornaram a mesma uma grande concorrente e não uma
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
complementadora da rodovia. No Brasil, as estradas foram construídas nas três
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
primeiras décadas do século XX, sem obedecer a qualquer plano; Durante a Segunda
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
Grande Guerra, porém, foi que se compreendeu a necessidade de construir uma
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
verdadeira rede nacional, quando, com o torpedeamento de navios em nossas costas,
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
as varias porções do país ficaram praticamente isoladas umas das outras. A construção
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
dessas estradas possibilitava a saída de uma fase de rodovias de penetração para
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
uma verdadeira rede rodoviária que seria um grande fator de integração nacional.
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345
1234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012345

4. Os transportes marítimos

Os grandes petroleiros – que transportam para os pontos mais distantes o petróleo,


os cereais, o café, o chá, as matérias-primas vegetais, etc., podendo fazê-lo a baixo custo,
aproximando das áreas produtoras de matérias-primas as áreas industrializadas mais
distantes. Não fosse a evolução dos transportes marítimos e o Japão, pobre em recursos
minerais, não poderia ser hoje a terceira potencia industrial do mundo. A importância do
porto depende, de modo geral, de sua localização geográfica, das condições que oferece
às embarcações e dos equipamentos que possui. Os rios tem sido o caminho natural de
penetração nos continentes, dando grande contribuição ao povoamento dos mesmos.
Existência aí de portos que se colocaram entre os mais movimentados e importantes do
mundo. Na Europa, onde a rede fluvial é largamente utilizada para navegação e os rios são
ligados uns aos outros por canais, ela tem ainda hoje importância fundamental no transporte
de certas mercadorias, como o carvão e o petróleo.

38
5. Os transportes aéreos

Os transportes aéreos tiveram grande desenvolvimento no pós-guerra.


Posteriormente, graças à sua rapidez, a aviação passou a ser largamente usada no
transporte de passageiros e de mercadorias, leves ou muito valorizadas, nos países que
possuíam grande extensão territorial e deficiência de estradas. Daí sua maior utilização na
América Latina e na África, inicialmente, do que na Europa e nos Estados Unidos, servidos
por excelentes rodovias e ferrovias.

6. As comunicações

O mundo moderno está bastante integrado, provocando a existência de uma grande


rede de comunicações. Visando a fins comerciais, afetivos e culturais, a humanidade usa,
de forma dinâmica, os mais diversos meios para se comunicar. Dispondo de uma rede de
transmissão potente, que se sucedem a grandes distâncias, como corridas de automóvel,
jogos de futebol, de basquetebol ou outros esportes e acontecimentos, programados com
antecedência. Quanto às comunicações individuais ou de empresas, para transmissão de
notícias de interesse apenas para determinados grupos, podem ser feitas de forma discreta
pelo telégrafo, pelo telex e até por transmissões de radioamadores. Utilizando cabos
submarinos, o telégrafo, porém, perdeu importância, em face do sistema de transmissão
pelo rádio, ou por meio de satélites, além das comunicações telefônicas, com o uso do
DDD e do DDI, permitindo ligações diretas interurbanas e internacionais, fazendo com
que as pessoas se comuniquem rápida e diretamente a grande distância.
Alguns meios de comunicação de ordem cultural, cuja transmissão não necessita
ser imediata, continuam a desfrutar de prestígio e de grande difusão. Assim, as idéias e as
notícias detalhadas de acontecimentos são transmitidas ao grande público, através de
periódicos – revistas e jornais. No Brasil, cidades centro – regionais. tem larga difusão
nos respectivos Estados e nos Estados vizinhos, enquanto o das capitais e cidades
importantes, mas cuja influência não vai além das fronteiras estaduais, se circunscreveram
ao Estado ou à sub-região em que são impressos. Os jornais do Rio de Janeiro e de São
Paulo, que fazem uma cobertura mais completa dos acontecimentos nacionais e
internacionais, têm, graças ao rápido transporte aéreo, circulação em todo país. Há jornais
que são difundidos por todo o mundo, que resumem os acontecimentos da semana, como
o famoso Le Monde. Os correios adquiriram tal eficiência que é comum fazer compras de
artigos mais especializados que utilizam os serviços de reembolso postal. Os bancos
também desempenham grande ação de comunicação, transferindo, através de ordem de
pagamento, importância de uma para outra praça.
O desenvolvimento da tecnologia e a acumulação do capital, a nível nunca dantes
conhecido, têm facilitado a integração dos países, quer do ponto de vista nacional quer do
internacional. Que esta tecnologia e este capital sejam utilizadas em benefício do homem e
não com fins de dominação e conquista é um desejo da maioria absoluta da humanidade.

39
OS SISTEMAS ECONÔMICOS E A SUA ABORDAGEM
NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO

Geografia Tem por objetivo analisar, caracterizar e avaliar


Econômica a importância dos sistemas econômicos para a
organização do espaço geográfico.

1. Os Sistemas Econômicos

Os sistemas econômicos que tiveram influência na vida da humanidade foram: o


capitalismo, o socialismo, o comunismo, o liberalismo e o neoliberalismo. Estaremos expondo
cada um deles, dando uma ênfase maior para o capitalismo pelo fato do mesmo ter um
maior raio de influência no Planeta.

2. O sistema capitalista

Capitalismo Sistema econômico assentado na hegemonia econômica, política e


social dos detentores de capital, isto é, da burguesia que controla os meios de produção,
circulação e distribuição de bens. O desenvolvimento do capital industrial gerou o
aparecimento de classes, como a própria burguesia industrial e o proletariado, principalmente
urbano, formado por aqueles que, destituídos de capital, vendem sua força de trabalho
como assalariados dos capitalistas, estabelecendo com estes relações de produção
capitalistas.
As origens do sistema capitalista remontam à Baixa Idade Media (séculos XI – XV),
quando a economia de mercado superou a economia de subsistência. Os bens produzidos
tornaram-se mercadorias, pois passaram a ser vendidos em troca de dinheiro. Em geral
um grupo social ou unidade familiar produziu apenas para o seu consumo.
Desde suas origens, o capitalismo tem passado por sucessivas mudanças, até atingir
sua fase atual. A partir dos séculos XV e XVI, com as Grandes Navegações, os europeus
perceberam que as novas regiões descobertas poderiam ser importantes fornecedoras de
produtos comerciáveis – matérias-primas, açúcar, ouro, prata e especiarias – além de se
tornarem consumidores dos produtos fabricados na Europa. Essa fase do capitalismo ficou
conhecida como capitalismo comercial, pois a principal atividade desenvolvida nesse
momento era a circulação de mercadorias. Surgiu, assim, o mercado mundial ou
internacional, ou seja, diferentes partes do mundo tornaram-se produtoras e consumidoras
de mercadorias. A segunda grande fase da história do capitalismo veio com a Revolução
Industrial no século XVIII. Nesse período foram introduzidas muitas inovações na produção
de mercadorias. As principais foram:

- A invenção da máquina a vapor, que tornou a produção mais rápida,


permitindo fabricar uma grande quantidade de produtos.
- Novas formas de organizar os trabalhadores, como agrupá-los em
fábricas e dividir as tarefas por setores, fundamentais para o aumento da
produtividade. Cada setor e cada trabalhador, especializando-se numa certa
atividade necessária à elaboração do produto final, puderam tornar-se, assim,
muito mais eficientes.

Os avanços do capitalismo industrial ocorreram a partir da Europa, particularmente


da Inglaterra, de início, e, mais tarde, dos Estados Unidos, transformando profundamente
as formas de produção e as relações internacionais.

40
A industrialização foi a causa do grande crescimento da economia européia e norte-
americana, o que levou, no século XIX, a uma nova colonização, particularmente da África e
da Ásia.

3. Comunismo

Sistema econômico, político e social baseado na propriedade coletiva dos meios


de produção e na abolição do Estado. Para os materialistas históricos, seria uma etapa
superior do socialismo, após a superação do capitalismo e o desaparecimento das classes
sociais. V. modo de produção, socialismo.

4. O sistema socialista

A concepção de uma sociedade socialista, na qual os interesses sociais


prevalecessem sobre os interesses individuais e houvesse igualdade entre as pessoas,
começou a se desenvolver no século XVIII e definiu-se melhor no século XIX. Concretamente,
só no início do século XX foram instalados governos socialistas, primeiramente na União
Soviética e, mais tarde, em outros países, em especial no leste da Europa.
O principal objetivo do socialismo é construir uma sociedade com o mínimo de
desigualdades. Para conseguir isso, o socialismo tem como princípios básicos a propriedade
coletiva dos meios de produção, pelos menos dos mais importantes, como as terras, as
fábricas, os bancos. Além disso, o sistema não admite que uns se apropriem dos frutos do
trabalho de outros para fins de enriquecimento. A riqueza, portanto, incluindo suas fontes,
deve pertencer a toda a sociedade. As terras, as fabricas e os bancos, mas até as pequenas
lojas, as oficinas mecânicas, as quitandas, as padarias, as farmácias, tudo era propriedade
do Estado. Havendo um único e grande patrão, os trabalhadores passaram a serem
empregados do governo, recebendo salário por seu trabalho.
Como senhor absoluto das decisões nacionais, o governo planejava e dirigia a
economia, tendo em vista os interesses e objetivos que ele próprio estabelecia como sendo
de toda sociedade. Para executar suas numerosas funções, o Estado foi pouco criando um
imenso quadro de funcionários, nem sempre necessários ao bom desempenho das
atividades governamentais. Surgiu assim uma enorme burocracia, responsável pelo consumo
de boa parte dos recursos nacionais. Esses recursos seriam mais bem aproveitados se
fossem destinados a obras e serviços em beneficio da população.
Além disso, os dirigentes dos órgãos do governo obtiveram vantagens que a maioria
da população não possuía, como altos salários, residências confortáveis, automóveis, etc.
Apesar dos desvios sofridos pelo socialismo, a União Soviética e os países do Leste da
Europa passaram a apresentar indicadores econômicos típicos dos países desenvolvidos.
E isso, graças, sobretudo à planificação econômica introduzida pelo novo sistema. O plano
regulava o que, onde, como e quanto produzir, bem como a forma de distribuir a produção.
O governo aplicava os lucros da produção em obras para desenvolver a economia, corrigir
as diferenças regionais e prestar serviços, como assistência médica e educação, que eram
gratuitas.
Foi assim que tais países tiveram um grande crescimento econômico, um considerável
avanço da ciência e da tecnologia, uma melhoria substancial dos transportes e das
comunicações.
A falta de liberdade e o exagerado poder do governo criaram problemas muitos sérios,
que foram se agravando com o tempo. A situação econômica dos países socialistas tornou-
se muito difícil.

41
Havia muita corrupção e muitos privilégios entre altos funcionários. As
transformações iniciaram-se por volta de 1986, na União Soviética, e atingiram
grande intensidade a partir de 1989, tanto no campo econômico quanto social
e no político. Propriedade particular, liberdade de produção, greves por
Geografia
melhores salários, instalação de empresas multinacionais, organização de
Econômica
sindicatos, liberdade de imprensa e religião, eleições livres – todos esses
fatos, ausentes por muitas décadas nos países de formação socialista,
tornaram-se comuns na década de 1990. As transformações ocorridas nesses
países produziram resultados diversos. Alguns antigos países socialistas, com certa
homogeneidade étnica e cultural e que, sobretudo, já tinham tradição industrial, assemelham-
se agora a países desenvolvidos capitalistas.

5. Liberalismo

Doutrina econômica, política e social que preconiza a legitimidade da propriedade


privada dos meios de produção e do lucro e apregoa a livre concorrência em uma economia
de mercado sem interferência estatal, no plano econômico; liberdade de organização e de
expressão, pluralismo partidário, eleições, sistema constitucional, autonomia dos poderes,
no plano político; criação de mecanismos de intervenção do Estado, que permite a criação
de oportunidades, como o acesso à educação para todos. No liberalismo, o Estado
desempenha funções mínimas, deixando a responsabilidade do mercado em organizar a
sociedade.

6. Neoliberalismo

Corrente teórica que prega a redução de interferência estatal, especialmente na


economia, responsabilizando-a pelos problemas como recessão e inflação, sendo a favor
da chamada “livre concorrência” submetida à lógica do mercado. Um dos exemplos da
atuação deste sistema foi a privatização da Coelba, e da Vale do Rio Doce. Demonstrando
que o controle de um setor foi transferido para a iniciativa privada.

A ORGANIZAÇÃO ECONÔMICA DO PLANETA E A SUA


ABORDAGEM NO ENSINO MÉDIO

Tem por objetivo caracterizar, analisar e avaliar a


organização econômica do planeta para o espaço.

1. A organização econômica do planeta

Para discutirmos a organização econômica do planeta levaremos em consideração


as reflexões anteriores ligadas aos setores da economia e principalmente aos sistemas
econômicos, desde a organização da sociedade, aos territórios de como são organizados.

42
A atual organização do planeta sofre as influências da Revolução Industrial ocorrida
na Inglaterra no que diz respeito à produção e aos procedimentos econômicos com a
participação dos EUA nesta renovação dos procedimentos econômicos. Também não
podemos esquecer de que a política é essencial para validar os processos econômicos e
esta influência nos foi dada pela Revolução Francesa ao criar esta forma de território através
da nação e dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Esta organização do Estado se
mantém até hoje, dando o tom das relações entre os territórios. Vamos aos conteúdos:

2. Os três mundos

A ampliação do mundo socialista, desde o fim da Segunda Guerra (1945), permitiu


uma outra classificação do espaço mundial, baseada em critérios políticos, além de
socioeconômicos:

- Primeiro Mundo – países capitalistas desenvolvidos


(Estados Unidos, Reino Unido, França, etc.).
- Segundo Mundo – países desenvolvidos socialistas
(União Soviética, Hungria, Tchecoslováquia, etc.).
- Terceiro Mundo – países subdesenvolvidos, constituindo
um conjunto muito heterogêneo (Brasil, Nigéria, Índia, etc).

Com as profundas alterações sofridas pelos países socialistas, o Segundo Mundo


desintegrou-se, deixando de existir como tal. Assim, a classificação do espaço mundial em
três mundos perdeu a atualidade, pois não mais espelha a realidade de hoje.
No entanto, por força da tradição, ainda se usa muito a expressão Primeiro Mundo,
principalmente para identificar os países mais avançados do ponto de vista do
desenvolvimento econômico e tecnológico e da organização da vida social e política. Também
permanece a expressão Terceiro Mundo, usada para designar o conjunto de países marcados
pela subordinação externa (econômica, tecnológica e política) e por grandes desigualdades
sociais internas.

3. A oposição norte – sul

No fim do século XX e início do novo milênio é possível dividir o espaço mundial


entre países ricos e países pobres, as desigualdades entre esses grupos, alias, acentuaram-
se nos anos 1980 e 1990.
Com exceção da Austrália e da Nova Zelândia, os países ricos, desenvolvidos em
graus variados, localizam-se no hemisfério norte. No Sul ficam os países pobres,
considerados subdesenvolvidos. Por isso, os países ricos são chamados de países do
Norte, enquanto os países pobres são conhecidos como países do Sul.

4. Os níveis de desenvolvimento

O capitalismo avançou de maneira diferenciada no espaço mundial. Num primeiro


momento surgiu nos países europeus e, posteriormente, foi estendido às colônias, tanto ao
longo dos séculos XVI e XVII quanto a partir do século XIX, com a chamada fase imperialista.
Assim, sua evolução influiu de modo significativo na organização do espaço e nas diferentes
paisagens geográficas, pois determinou o nível de desenvolvimento dos países,
principalmente no decorrer do século XX.

43
Desde início dos anos 1990, a ONU classifica anualmente os países
segundo o que denominou IDH – Índice de Desenvolvimento Humano.
Esse índice expressa a qualidade de vida das pessoas com base na
renda per capita, no grau de saúde e nas condições educacionais da
Geografia
população. O grau de saúde é indicado pela expectativa de vida, isto é, pelo
Econômica
número de anos que as pessoas vivem em média, o que, por sua vez, depende
muito da mortalidade infantil. As condições de educação referem-se ao
analfabetismo e à taxa de matrículas no ensino fundamental, médio e superior.

4.1. Os países desenvolvidos


As principais características dos países desenvolvidos são:

- Agricultura intensiva, isto é, moderna e racional, com emprego


de máquinas, técnicas eficientes de produção e mão-de-obra qualificada.
Como conseqüência, uma pequena parcela da população empregada
na agricultura consegue elevada produtividade, geralmente capaz de
sustentar a população de todoo país.
- Nível científico e tecnológico elevado, responsável por um
constante aperfeiçoamento das atividades humanas.
- Meios de transporte e comunicação modernos e eficientes.
- Forte predomínio da população urbana sobre a população rural.
- Baixo crescimento natural da produção.
- Elevada qualidade de vida da população, características
expressas através de:
- baixas taxas de mortalidade infantil;
- alta expectativa de vida;
- reduzido número de analfabetos;
- boas condições de alimentação e habitação.

Mas há significativas diferenças entre os países desenvolvidos. Alguns atingiram um


elevado nível de desenvolvimento tecnológico e comandam as principais empresas mundiais.

4.2. Os países subdesenvolvidos


Os países subdesenvolvidos apresentam duas características essenciais:

- Grandes desigualdades sociais, que se expressam pela existência


de uma minoria rica ou muita rica, enquanto a maioria da população é pobre
ou muito pobre;
- Dependência econômica em relação a países desenvolvidos,
característica que se manifesta sobre tudo através de:
- considerável divida externa para com governos e principalmente
bancos estrangeiros;
- forte influência de empresas estrangeiras, chamadas multinacionais
ou transacionais, que controlam grande parte das atividades econômicas
dos países subdesenvolvidos.

Os países subdesenvolvidos possuem, ainda, outras características, quase sempre


ligadas às duas principais. São elas:

- Grande população trabalhando na agricultura, mas com baixa


produtividade, devido à falta de técnicas e meios modernos de produção
(agricultura extensiva).
- Baixo nível de conhecimento científico e tecnológico;
- Sistemas de transporte insuficientes;
- Elevado crescimento natural da população;

44
- Cidades com crescimento muito rápido e cercadas por bairros
pobres e miseráveis;
- Grandes diferenças entre uma região e outra, como, por exemplo,
entre o Sudeste e o Nordeste do Brasil;
- Baixa qualidade de vida da maior parte da população,
característica expressa por:
- alta taxa de mortalidade infantil;
- más condições alimentares, que trazem como conseqüência baixa
capacidade para o trabalho e grande facilidade em contrair doenças;
- baixa expectativa de vida da população;
- elevada proporção de analfabetos.

Existem grandes diferenças entre os países subdesenvolvidos. Alguns chegam a ter


certas características de país desenvolvido, como agricultura intensiva e predomínio da
população urbana sobre a rural.
Mas todos apresentam algumas semelhanças fundamentais, como a dependência
em relação aos países desenvolvidos e a grande concentração de renda. Esta é
responsável pela situação de pobreza e miséria em que vive grande parte da população.

5. Organizações que influenciam nas relações econômicas do planeta

G – 7: O Grupo dos Setes Países Mais Industrializados reúne, desde meados dos
anos 70, os Estados Unidos, o Japão, a Alemanha, a França , o Reino Unido e o Canadá. O
presidente da União Européia participa de suas “reuniões de cúpula” e, desde de 1994, a
Rússia está em seus planos políticos.

OPEP: A Organização dos Países Exportadores de Petróleo foi fundada em Bagdá, em


1960, por iniciativa da Venezuela e por mais 13 membros.

A ONU (Organização das Nações Unidas): fundada em 1945, está dirigida para
importantes objetivos. É composta por seis órgãos principais: Assembléia Geral, Conselho
de Segurança, Conselho Econômico e Social, Conselho de Tutela, Corte Internacional de
Justiça e Secretaria Geral.
Além disso, cerca de trinta organizações especializadas, que constituem o que é
conhecido por Sistema das Nações Unidas, cobrem praticamente todos os campos do
desenvolvimento. É preciso, ainda, distinguir, de um lado, as instituições que, mesmo
pertencendo ao sistema das Nações Unidas, são autônomas (FAO, UNESCO, FIDA, OMS,
OIT, ONUDI, etc, bem como o FMI, o grupo do banco mundial – BIRD, AID, SIF) e, de outro
lado, os órgãos propriamente ditos das Nações Unidas (PNUD, CNUCED, UNICEF, HCR,
PAM, UNITAR, FNUAP etc.). Pelo fato de possuírem caráter e influencia próprios, o FMI e o
Banco Mundial conquistaram grande independência.

PRINCIPAIS ORGÂOS DA ONU


Assembléia Geral: É o principal órgão deliberativo. Cada estado – membro dispõe
de um voto. A assembléia se reúne em sessões. O funcionamento repousa em sessões
plenárias e em sete grandes comitês:

- Primeiro comitê: questões políticas e de segurança;


- Comitê político especial: questões políticas diversas;
- Segundo comitê: questões econômicas e financeiras;
- Terceiro comitê: questões sociais, humanitárias e culturais;
- Quarto comitê: território sob tutela e territórios não autônomos;
- Quinto comitê: questões administrativas e judiciárias;
- Sexto comitê: questões jurídicas.

45
CONSELHO ECONÔMICO E SOCIAL
Colocado sob a autoridade da Assembléia Geral, o conselho econômico
e social coordena as atividades econômicas e sociais das Nações Unidas e
das instituições especializadas. É composto de 54 membros, dentre os quais
Geografia
18 são eleitos anualmente por um período de três anos.
Econômica
Os comitês permanentes, que tratam das questões de programa e
coordenação, organizações não-governamentais, recursos naturais, ciências
e técnicas a serviço do desenvolvimento, etc. A comissão das sociedades
transnacionais e a comissão das instituições humanas são, também, órgãos permanentes.
As comissões econômicas regionais: Comissão Econômica para a Europa, CEE.
Comissão Econômica e Social para a Ásia e Pacífico (CESAP, com sede em Bancoc),
Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL, com sede em Santiago do
Chile), Comissão Econômica para a África (CEA, com sede em Adis Abeba) e a Comissão
Econômica para Ásia Ocidental (CEAO, com sede em Bagdá).
As comissões técnicas: Comissão de Estatística, Comissão da população,
Comissão do Desenvolvimento Social, Comissão dos Direito Humanos, Comissão da
Condição da Mulher, Comissão dos Estupefacientes.

CNUCED
Criada em 1964, porque os países em desenvolvimento julgavam o GAT (Acordo
Geral de Tarifas e Comércio) preocupado demais apenas com as posições dos países
industrializados, a Conferencia das Nações Unidas sobre Comercio e Desenvolvimento
(CNUCED). É uma organização que desenvolve a analise e o debate norte-sul. Tem por
órgão permanente o Conselho do Comercio e do Desenvolvimento.

OIT
Organização Internacional do Trabalho. Tornou-se, a primeira instituição especializada
das Nações Unidas. A OIT reúne os representantes dos governos, empregados e
trabalhadores, com o objetivo de recomendar normas internacionais básicos e redigir
convenções internacionais no campo do trabalho. A OIT é constituída por uma conferência
geral anual, por um conselho de administração composto de 56 membros.

FMI
Fundo Monetário Internacional. Aconselha os governos no campo financeiro. O Fundo
pode, também, vender divisas e ouro a seus membros para facilitar-lhes o comércio
internacional. Ele criou uma moeda internacional, o DES (direito de emissão especial). O
fundo é constituído por um Conselho de Governadores nomeados por cada um dos estados
membros, por administradores e por um diretor geral.

BANCO MUNDIAL
A criação do Banco Mundial foi decida ao mesmo tempo que a do FMI, por ocasião
da Conferência Monetária e Financeira de Bretton Woods em 1944. O grupo do Banco
Mundial compreende atualmente:

- BIRD (Banco Internacional de Reconstrução e


Desenvolvimento, citado em 1945);
- AID (Associação Internacional para o Desenvolvimento),
fundo criado em 1960;
- SFI (Sociedade Financeira Internacional) criada em 1956;
- AMGI (Agência Multilateral de Garantia dos Investimentos),
criada em 1988.

46
OMC
Organização Mundial do Comercio Criada nas discussões finais da Rodada do
Uruguai do GATT, para assumir a coordenação e regulamentação das políticas de comércio
e serviços, a partir de 1 de janeiro de 1995, em substituição ao GATT – Acordo Geral de
Tarifas e Comércio, criado em 1948.

OS PROCESSOS DE PRODUÇÃO

Tem por objetivo analisar, caracterizar e avaliar a importância dos processos de


produção para a atividade econômica.
Os processos de produção que nos propomos a analisar são forjadas em
determinados territórios e momentos históricos. Inseridos em aspectos políticos/ culturais e
obedecendo, várias vezes, objetivos comerciais e econômicos que não consideram os
mesmos processos (políticos, culturais, históricos e sociais) no momento da sua aplicação.

1. O TAYLORISMO

Dentre estas formas de gestão o Taylorismo se caracteriza por racionalizar a


produção, padronizando os tempos e movimentos do trabalhador disciplinando-o e
controlando-o através de horários, fardamento, etc.
O taylorismo controla o tempo do trabalhador e o limita através da hierarquização na
estrutura da fábrica, se apropriando do conhecimento desenvolvido pelo trabalhador, tendo
como principal representação, o artesão, que possuía todo o controle da sua produção
individual, mas, que foi perdendo este controle pela subordinação do trabalho ao capital.
Desta forma, acontece a hierarquização dentro da fábrica através da tomada de decisões
vinda exclusivamente da gerência, havendo uma separação entre os que pensam e os que
executam.

2. O FORDISMO

O Fordismo tem características muito próximas ao Taylorismo, destacando-se a


racionalização da produção e padronização de tempos e movimentos do trabalhador,
disciplinando-o, também, através de horários e fardamento e outras tarefas executadas
dentro da fábrica, diferenciando o chão da fábrica do teto da mesma, objetivando a separação
do pensamento (gerência) e da ação (o trabalhador/operário). Havia persuasão para um

47
bom funcionamento das fábricas. Com incentivo à produção através do
consentimento de salários mais altos, benefícios e ganhos de produtividade.
Geografia Com o Fordismo é assumida a exploração existente entre o empregado e
Econômica
empregador (a mais valia), assumindo esta desvantagem para com o
trabalhador através do pagamento de bons salários e a elaboração de leis
trabalhistas, assumindo assim o pacto social (Estado de bem estar social).
Existe um grande controle do trabalhador para que o mesmo se dedique
exclusivamente a fábrica através da vigilância a sua atividade sexual, política e de lazer;
não permitindo que o mesmo se desviasse do pensamento da produção. Outras
características estão no parcelamento de tarefas, avanços da mecanização através da
introdução da esteira rolante, produção em massa de bens padronizados, salários
relativamente elevados e crescentes (incorporando ganhos de produtividade). Além da
incorporação de amplos segmentos aos mercados de trabalho e de bens de consumo,
políticas de pleno emprego, pacto com os sindicatos (estes reconheciam a direção da fábrica
em troca de aumentos reais de salários).
Propondo-se a não somente mudar a estrutura econômica de uma época, mas
também em mudar a concepção do homem, adaptando-o nos aspectos culturais e
sociológicos.
A década de 1980 presenciou, nos países de capitalismo avançado, profundas
transformações no mundo do trabalho, nas suas formas de inserção na estrutura produtiva,
nas formas de representação sindical e política. Esta década se caracterizou por um salto
tecnológico, a automação, a robótica e a microeletrônica invadiram o universo fabril,
inserindo-se e desenvolvendo-se nas relações de trabalho e de produção do capital. Vive-
se, no mundo da produção, um conjunto de experimentos, mais ou menos intensos, mais ou
menos consolidados, mais ou menos presentes, mais ou menos tendenciais, mais ou menos
embrionários. O fordismo e o taylorismo já não são os únicos e mesclam-se com outros
processos produtivos (neofordismo, neotaylorismo, pós-fordismo), decorrentes das
experiências da “Terceira Itália”, na Suécia (na região de Kalmar, do que resultou o chamado
“Kalmarianismo” ou “Volvismo”), do Vale do Silício, nos EUA, em regiões da Alemanha,
entre outras, sendo, em alguns casos, até substituídos, com a experiência japonesa a partir
do toyotismo.
As mudanças das atuais condições da conjuntura internacional, iniciadas na década
de 80, que têm como principais características: a globalização e o neoliberalismo são
transformações marcadas por grandes avanços tecnológicos e a ruptura do pacto social.
Este contexto trouxe a procura de novas formas de gestão que conseguissem se adaptar a
nova realidade do mercado. Dentre estas novas formas de gestão estão: o toyotismo, a
Terceira Itália e o Volvismo.

3. Os novos processos de produção

O trabalho repetitivo tem sido substituído pelo trabalho criativo, que atende às
constantes variações do cotidiano da linha de produção. Começam a surgir os Círculos de
Controle de Qualidade, nos quais grupos de trabalhadores reúnem-se e discutem a melhoria
da qualidade do produto e o aumento de produtividade. Em contraste com o fordismo e o
taylorismo, onde a responsabilidade e a habilidade de cada trabalhador ficavam restritas a

48
uma única tarefa, nos Círculos de Controle de Qualidade implantados nas empresas mais
modernas, o trabalhador passa a ter conhecimento de todo o processo produtivo e nele
intervir. É provável que em pouco tempo o trabalho repetitivo, característico da indústria até
recentemente, fique restrito à ação das máquinas.
O Japão tem sido pioneiro na criação dos novos métodos de produção, mais ágil e
flexível, que estão sendo adaptados às indústrias em quase todo o mundo.

3.1. O TOYOTISMO (modelo japonês) caracteriza-se pela: racionalização do


trabalho, flexibilização da produção e do trabalho; produtividade, redução de custos/
melhor qualidade; mobilização do saber operário e o envolvimento dos trabalhadores
com o trabalho; polivalência; constituição do trabalho parceiro/produtivo; gerência
científica, separação entre concepção e execução do trabalho, gerência participativa,
cultura da qualidade total, cooperação e parceria entre capital e trabalho, produtivismo/
competitividade/prêmios.
Houve inovação no toyotismo com a microeletrônica (nova base tecnológica),
trabalho em equipe, just-in-time, kanban, CCQs, CEP; prêmios/participação; programas
de TQC/terceirização/subcontratação; seleção para empresa (não por posto);
envolvimento incitado.
As implicações sócio–políticas são: nova mobilização do saber/ nova
qualificação; constituição de duas categorias: “estáveis” e os subcontratados;
desregulamentação do mercado de trabalho; desemprego estrutural; precarização das
condições de trabalho/saúde/ação coletiva. A relação com os sindicatos acontece através
do: despotismo hegemônico (camuflar o confronto – diluição do confronto – classes
sociais / patrão e empregado); desmantelamento dos sindicatos; sindicato – empresa;
individualização e destruição dos coletivos de trabalho; precarização da ação coletiva e
sindical.

123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
3.2. O MODELO ITALIANO – TERCEIRA ITÁLIA: caracteriza-se
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
pela produção de pequenas e médias empresas em distritos industriais
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
acompanhada de uma complementaridade, uma solidariedade entre as
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
empresas, recebendo um apoio das prefeituras. As mudanças trazidas estão
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
na produção em massa, na desverticalização da atividade produtiva,
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
surgimento de novos padrões de divisão do trabalho, desconcentração
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
produtiva, inserção do trabalhador no processo produtivo (integração de cada
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
indivíduo ao grupo).
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234

3.3. O VOLVISMO: com relação ao Volvismo, o mesmo se caracteriza por


um conceito de administração da produção desenvolvida nas fábricas da Volvo, na
Suécia, a partir do início dos anos 70, e que representava uma combinação de
incorporação do progresso técnico e formas tradicionais de produção, isto é, a
introdução da automação com métodos manuais de fabricação, o que resultou em
grande flexibilidade de produto e de processo, além de representar uma redução
da intensidade de capital. Em grande medida, esta forma combinada deveu-se à
participação ativa dos Sindicatos de trabalhadores na incorporação de novas
tecnologias nos processos produtivos. Além destes padrões, pode-se destacar:
modelo de organização baseado no trabalho em grupo, na união da execução e
concepção, no enriquecimento dos cargos com a junção de tarefas antes separadas
pela divisão do trabalho, na qualificação dos operários; Grande intervenção jurídica
e uma jurisdição que beneficiava o trabalhador.

49
Antes mundo era pequeno porque Terra era grande
Hoje mundo é muito grande porque Terra é pequena
Do tamanho da antena parabolicamará
Geografia Ê volta do mundo camará,ê mundo da volta camará
Econômica Antes longe era distante perto só quando dava
Quando muito ali defronte e o horizonte acabava
Hoje lá trás dos montes dendê em casa camará
Ê volta do mundo camará, ê ê mundo da volta camará
De jangada leva uma eternidade, de saveiro leva uma
encarnação
De jangada leva uma eternidade, de saveiro leva uma
encarnação
Pela onda luminosa, leva o tempo de um raio
Tempo que levava rosa pra aprumar o balaio
Quando sentia que o balaio ia escorregar
Ê volta do mundo, camará, ê ê mundo da volta camará
Esse tempo nunca passa não é de ontem nem de hoje
Mora no som da cabeça, nem tá preso nem foge
No instante que tange o berimbau, meu camará
Ê volta do mundo, camará, ê ê mundo da volta camará
uma eternidade, de saveiro leva uma encarnação
De jangada leva uma eternidade, de saveiro leva uma
encarnação
De avião o tempo de uma saudade
Esse tempo não tem rédea vem nas asas do vento
O momento da tragédia, Chico Ferreira e Bento
Só souberam na hora do destino apresentar
Ê volta do mundo camará, ê ê mundo da volta
camará...

Parabolicamará
Gilberto Gil

#
[ ] Agora é hora de
TRABALHAR

1 Quais são os elementos que possibilitam esta 2 Como se dá a distribuição das vias férreas e das
circulação de pessoas e de mercadorias? rodovias no interior dos continentes?
_______________________________________________________________ _______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________ _______________________________________________________________

50
3 Qual a importância dos transportes terrestres?
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
11 O que significa capitalismo?
_______________________________________________________________

4 Qual a divisão dos transportes terrestres?


______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
12 O que significa comunismo?
_______________________________________________________________

5 Qual a importância dos transportes ferroviários?


______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
13 O que significa socialismo?
_______________________________________________________________

6 Qual a importância dos transportes rodoviários?


______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
14 O que significa liberalismo?
_______________________________________________________________

7 Qual a importância dos transportes marítimos?


______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
15 O que significa neoliberalismo?
_______________________________________________________________

8 Qual a importância dos transportes aéreos?


______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
16 Observando a figura, avalie a capacidade que
o capitalismo tem de se adaptar e indique as suas

9 Qual a importância das comunicações para a


principais causas.
_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
economia? ______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________ _______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________ 17 Como se dá a relação econômica entre os

10 Quais são os equipamentos tecnológicos


territórios?
_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
utilizados para a organização das comunicações? ______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________ _______________________________________________________________

51
18 Quais foram as revoluções que
25 Quais são as principais características do
volvismo?
estruturaram a atual relação entre os _______________________________________________________________
Geografia territórios? ______________________________________________________________________________________________________________________________
Econômica _______________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
__
_
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
_ _______________________________________________________________
__
__
_
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
__
_
__
_______________________________________________________________
26 Observando a música Parabolicamará, avalie

19 Qual a idéia dos três mundos? a influência da tecnologia nas mudanças do território
e na vida das pessoas.
_______________________________________________________________ _______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________ _______________________________________________________________

20 Qual a idéia da relação Norte-Sul?


_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________

21 Quais são as organizações que influenciam na


vida econômica do planeta?
_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________

22 O que significa taylorismo?


_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________

23 O que significa fordismo?


_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________

24 O que significa toyotismo?


_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________

52
EM PROCESSO DE MUDANÇA – A SOCIEDADE
DE CONSUMO E O ESPAÇO

Tem por objetivo demonstrar as atuais mudanças na configuração do espaço


geográfico através das atividades econômicas.
Acabamos de acompanhar as características da atividade econômica no espaço. A
forma que o homem se organiza para ter acesso aos bens e mercadorias que transformaram
a natureza. Afetando, assim, o comportamento da sociedade na dominação desta natureza.
Vamos, agora, acompanhar as mudanças que estão em curso na forma que o homem
se organiza para a obtenção de bens e mercadorias, mas, antes, você vai ler atentamente
a atividade orientada para entendermos com clareza estas mudanças que chegaram até o
processo da globalização.

A DINÂMICA DA MUDANÇA DOS PROCESSOS ECONÔMICOS

Tem por objetivo analisar a dinâmica das mudanças dos processos


econômicos e as suas características.

1. Estados Unidos como Primeira Potência Mundial

Esse dinheiro fez com que a indústria e a agricultura dos Estados Unidos
conhecessem altos índices de crescimento. Foi uma época de prosperidade material que
fez com que esse país se tornasse exemplo e modelo de sociedade em oposição ao
socialismo da Rússia soviética.
Os Estados Unidos se tornaram, assim, o país mais rico do mundo depois da Primeira
Guerra Mundial. Uma aparência de riqueza generalizada tomou conta da população norte-
americana que pensava em desfrutar condições de vida melhores que a de outros povos.
Os capitais das pessoas influentes participavam em investimentos em todos os países do
planeta. A euforia dos anos 20 era incontrolável para os americanos e essa década ficou
conhecida como os Loucos Anos 20. Pois, para quem era maior de idade e pertencia à
classe média ou a burguesia, nas grandes cidades dos Estados Unidos, foram dez anos de
uma grande farra. Para começar fazer compras virou parque de diversão dos adultos e o
ideal dessas famílias era possuir o último modelo de carro, geladeira, fogão, rádio, aspirador
de pó. A indústria não parava de inventar novos bens de consumo.
Nessa era defendia-se a idéia de que consumir era um ato de patriotismo, ajudava
os Estados Unidos a continuar crescendo. A classe media estava adorando e quase todo o
planeta invejava o american way of life (modo de vida americano).
Para se ter uma idéia, de cada 100 carros que o mundo inteiro produzia, 85 eram
americanos. As fábricas americanas, sozinhas, produziam mais que o quíntuplo de
automóveis de todas as outras fábricas do mundo industrial. E isso não ficava somente nos
automóveis, os Estados Unidos eram os maiores produtores mundiais de aço, comida
enlatada, carvão, petróleo, rádio, e quase tudo que se possa imaginar.
A indústria cinematográfica surgiu naquela época ajudando a difundir o estilo de vida
americano em todo o mundo, inclusive no Brasil. Foi nos anos de 1920 que Hollywood, na
Califórnia, ganhou a fama de capital mundial no cinema, e milhares de salas de projeção

53
foram abertas em várias partes do mundo. Igualmente importante na época
foi o crescimento da indústria radiofônica e a criação de centenas de estações
de rádio nos Estados Unidos, pois, pela primeira vez na história, pessoas que
nunca haviam se visto partilhavam das mesmas alegrias e tristezas, ouviam e
Geografia
debatiam os mesmos acontecimentos.
Econômica
O cinema e o rádio também ajudaram na campanha das mulheres na
conquista pelo direito ao voto em agosto de 1920, depois de décadas de
lutas e debates, as mulheres norte americanas com mais de 21 anos
conquistaram o direito de votar e de disputar todos os cargos eletivos.
Toda essa euforia econômica também se refletia nas manifestações culturais. Foi
um período de grande produção musical em um gênero que ficou mundialmente famoso: o
jazz. Assim como o rap e o hip hop, o jazz é um gênero musical surgido entre a comunidade
negra e pobre dos Estados Unidos e muitas de suas letras eram inspiradas nas experiências
sociais dos seus compositores e interpretes; negros, pobres que buscavam na música canais
de expressão de sua condição humana. No final do século 20, o jazz ainda dividia opiniões.
Os grupos mais conservadores da sociedade americana o consideravam uma música
indecente ligada a marginais, prostitutas e alcoólatras. Pouco a pouco, no entanto, o jazz
encontrou muitos ouvintes fazendo sucesso também entre as platéias brancas e ricas.

2.”O crack da bolsa: começa a crise mundial”

Na quinta-feira “negra”, 24 de outubro de 1929, começou a pior crise econômica da


historia do capitalismo. A bomba estourou na “bolsa de valores de Nova Iorque”. De repente
as ações das grandes empresas sofreram uma queda vertiginosa, perdendo quase todo o
seu valor financeiro. Os investidores correram para vender as ações, mas ninguém queria
comprar, só vender. E os valores continuaram despencando.
As empresas foram forçadas a reduzir o ritmo de sua produção. Em função disso,
promoveram a demissão em massa de seus funcionários. Terminava o sonho do “American
way of live”. Durante a crise, somou-se 15 milhões de desempregados. Muitos empresários
simplesmente não puderam sobreviver à queda brutal das encomendas, tiveram tantos
prejuízos que não conseguiram pagar as dívidas foram à falência, e muitos bancos não
receberam de volta o que haviam emprestado, e foram à falência também.
O crack (quebra) da bolsa de valores de Nova Iorque era apenas o começo, naquela
época a economia mundial já estava bastante interligada. A crise americana fez com que os
Estados Unidos importassem menos de outros países. Os outros países tinham uma porção
de mercadorias que antes exportavam para os Estados Unidos e agora estão encalhadas,
e ai entravam na roda da crise também. Um sintoma da crise mundial foi o fato de, apenas
algumas horas depois da queda da bolsa de Nova Iorque, estouraram também: Londres,
Berlim e Tóquio, países altamente industrializados.
Mas para ninguém se enganar, a crise realmente começou em 1929, mas em 1930
ela estava pior ainda, e foi piorando a cada ano que passava. Essa terrível crise atravessou
a década inteira, período que ficou conhecido como A GRANDE DEPRESSÃO.
Com a crise de 1929, grande parte do volumoso estoque de café produzido no Brasil
ficou sem mercado consumidor. Milhares de sacas de café foram queimadas, numa
desesperada atitude para se manter os preços. Tudo em vão. Foi impossível conter o
desastre econômico que abalou a classe cafeicultora brasileira e, por conseqüência, as
próprias estruturas políticas da Republica Velha, abrindo caminho para a Revolução de
1930, que levaria Getulio Vargas ao poder. Entretanto, houve uma exceção, a URSS isolada
e socialista, quase não sofreu com a crise de 1929 que abalou o mundo inteiro.

54
3. Crise econômica: rumo a um novo modelo de desenvolvimento

A partir de meados dos anos 60, o modo de desenvolvimento fordista entra


abertamente em crise. As alavancas macroeconômicas que asseguraram o crescimento
de ouro dos “Trinta Gloriosos” (trinta anos de crescimento) se revelam fragilizados ou servem
até mesmo de obstáculo à acumulação capitalista. O fordismo aparece com perda de
velocidade, entravado em seu impulso pela conjunção de uma crise de eficácia e de um
esmorecimento de legitimação: a cadeia de produção peca por “rigidez”, ao passo que a
“cadeia” das certezas de um desenvolvimento ineuxarível é quebrada de maneira patente. A
adoção das diversas estratégias pelos dirigentes capitalistas não logrou impedir nem o
agravamento dos problemas estruturais de lucratividade, nem (no nível macroeconômico),
a perda de eficácia do complexo modo de “regulação”fordista”. Por isso o sistema de
produção em massa se encontra abalado, desvitalizado tanto pela crise disciplinar dos
métodos taylorianos/fordistas , como pelo espectro da não-reprodutibilidade do
“compromisso” fordista rastejante. Se durante o período do crescimento da base material
do “compromisso” era assegurado (“a maré montante soerguia os barcos”), os tempos de
crise transformam o compromisso em “confrontação aberta sem compromisso” (Bihr, A.,
1991). Adotam-se estratégias de “saída” do fordismo, e tendências à experimentação flexível
do trabalho se esboçam para fazer face à escassa produtividade da coerção direta. O
capital, tendo como principal objetivo a restauração do lucro, questiona o “compromisso”
da relação salarial num esforço para tornar concorrencial o conjunto dos componentes da
relação salarial fordista (flexibilidade). Como sublinha R. Boyer, “de um ponto de vista geral
o problema – chave, para as economias capitalistas, é o da restauração das condições de
valorização, sem que sejam solapadas as bases da realização. Uma vez em que a
reprodução da força de trabalho é parte integrante e quantitativamente importante do circuito
do capital, a relação salarial deveria tentar “internalizar” o caráter fundamentalmente
contraditório desses dois imperativos. Neste contexto, as estratégias capitalistas de
racionalização/flexibilização – comparáveis a uma revanche de classe de alcance histórico
– remodelam a totalidade das praticas de socialização fordista. Daí uma ruptura, “sem
duvida parcial, gradual, menos marcada nos fatos que nos discursos, mas ruptura, e que
nem por isso é menos real e costumada” (Bihr, A., 1991).
A ruptura na qual o capital aposta sua “salvação” é antes de tudo uma modalidade
de aprofundamento das relações capitalistas. A era “eletrônica” da acumulação capitalista
não é a de um lento refluxo da exploração da força de trabalho pelo capital, mas, ao contrario,
um momento histórico singular em que o reexame do “compromisso’ da relação salarial
fordista e busca de novas fontes de produtividade se conjugam (pelo jogo de praticas
imanentes) com a complexificação da concorrência intercapitalista e uma nova configuração
internacional da divisão do trabalho (mudanças na composição intersetorial da acumulação,
deslocação das unidades para zonas de baixos salários, tendência a privilegiar unidades
de produção menores, em que o processo de trabalho é mais flexível e em que se efetuem
economias máximas nos custos de produção. A hipótese da crise do fordismo como
aprofundamento das relações capitalistas é aqui conceptualizado como destruição dos
quadros de reprodução social em vigor por meio de um processo de desintegração social
cujo triunfo outra coisa não é senão a consolidação de um novo bloco hegemônico de
classe que alta a classe capitalista, a classe do enquadramento capitalista e largas camadas
da pequena burguesia intelectual e técnica. A eclosão e a recomposição do mundo do
trabalho – num contexto socioeconômico em que o campo sistemático de integração se
encolhe – marcam esse período de “transição” de contornos incertos. Se o regime de
acumulação fordista é deslocado (estando o movimento operário, por ora, incapaz de sair
do limiar do “compromisso” fordista), o projeto de um novo modelo de desenvolvimento é

55
indefinível e confuso. Como as novas estratégias capitalistas (em suas
variações “liberal-produtivistas” ou “social-produtivistas”, para retomar a
distinção proposta por Alain Lipietz) têm estruturalmente a iniciativa, elas
subvertem as relações de produção e os equilíbrios sóciopolíticos ao redistribuir
Geografia
os mapas do poderes. O aumento das “marginalizações sociais de massa”
Econômica
que acompanham o desdobramento dessas estratégias é um índice
apropriado para se avaliar o seu impacto sociopolítico.
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
A nova geografia do mundo
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
Marcos Sawaya Jank, Presidente do ICONE.
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
“O Estado de São Paulo” - 01/06/2004 - p. A2.
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
Em suas viagens, o presidente Lula tem mencionado a necessidade de os países
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
em desenvolvimento estabelecerem uma nova geografia de relações econômicas e comerciais.
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
No nosso caso, o novo traçado passaria pela integração da América do Sul, pela reaproximação
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
com a África e a Ásia e pelo fortalecimento das relações com as demais grandes baleias -
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
China, Índia e Rússia.
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
A união comercial dos países em desenvolvimento vem sendo cantada em eloqüentes
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
discursos pelo mundo afora desde o fim da era colonial. Uma nova tentativa para avançar na
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
matéria vai ocorrer de 14 a 18 de junho, quando centenas de países e ONGs se encontrarão
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
aqui, em São Paulo, para a XI Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
Desenvolvimento (Unctad).
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
Faz todo o sentido baleias e peixes, de todos os tamanhos, dos mares do Sul se
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
reunirem com maior freqüência, principalmente se tais encontros resultarem na abertura
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
recíproca das suas economias, cujos benefícios vêm sendo assinalados por centenas de
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
estudos nas últimas décadas.
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
O resultado mais provável, no entanto, será os países constatarem mais uma vez
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
que a nova geografia comercial do mundo em desenvolvimento tem sido bem mais efetiva no
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
discurso do que na realidade, e que o chamado Terceiro Mundo é muito mais heterogêneo do
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
que parece aos desavisados. Basta tomar o caso da agricultura: enquanto países como o
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
Brasil brigam pelo livre comércio, a maioria dos países em desenvolvimento luta para preservar
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
as suas elevadas proteções comerciais e tornar permanentes as condições preferenciais de
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
acesso que recebem dos países desenvolvidos. Comércio livre versus comércio preferencial
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
é apenas uma das áreas de conflito de interesses entre países em desenvolvimento.
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
A nova geografia do mundo está longe de ser Sul-Sul, não é Leste-Oeste, marca
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
principal dos tempos da guerra fria, nem mesmo Norte-Sul, no sentido do velho paradigma
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
das relações de dependência centro-periferia. Ocorre que a globalização está enterrando
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
todas as formas de compartimentalização hemisférica, continental ou mesmo sub-regional
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
do mundo. Ou seja, a geografia econômica tende a ignorar as geografias física e humana.
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
Por exemplo, novos acordos bilaterais do tipo Japão-México e Chile-China contradizem a
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
lógica das fronteiras físicas. O outsourcing de contadores, engenheiros e call centers na
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
Índia redesenha o mapa do trabalho.
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
A China e a Índia ganharam destaque do novo mapa econômico-comercial
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
principalmente porque milhões de consumidores potenciais estão deixando a auto-suficiência
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
primitiva e a pobreza absoluta nesses países. Na base da revolução dos dois gigantes, que
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
somam um terço da população mundial, se encontra a combinação de reformas institucionais
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
profundas com um lento e seguro movimento de abertura e integração comercial ao exterior.
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
Vários outros países do Sudeste Asiático ocupam posições centrais no novo mapa comercial
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
porque souberam implementar reformas institucionais profundas e equilibrar os fundamentos
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
macroeconômicos. Alguns deles se destacam também por suas políticas horizontais de
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
investimento em educação, saúde e infra-estrutura.
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
Na última década, o Brasil certamente avançou no rumo correto e Lula tem conseguido
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
manter o rumo da nau, mas ainda falta percorrer um bom pedaço do caminho. Continuaremos
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
inseridos no mapa se o governo mantiver o equilíbrio das contas públicas e não obstruir o
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
movimento de capitais, se soubermos manter a estabilidade das regras do jogo, se
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
conseguirmos completar projetos inacabados, como a reforma tributária e a consolidação do
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890
123456789012345678901234567890121234567890123456789012345678901212345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890

56
Mercosul, e se não fecharmos opções de integração como a Alca e o acordo com a União
Européia.
Tenho tido o privilégio de vivenciar de perto um período extraordinário da história do
agronegócio brasileiro, que hoje desperta enorme interesse, curiosidade e respeito em todos
os cantos do planeta. Explodimos no mapa do agronegócio mundial simplesmente porque
permitimos que as nossas vantagens comparativas seculares se transformassem em renda,
comércio e eficiência.
Abrimos a economia e reduzimos a intervenção do Estado no setor. Investimos em
pesquisa e tecnologia tropical e, apesar dos percalços, conseguimos avançar na infra-estrutura
de suporte e no respeito aos contratos e direitos de propriedade, ainda que estas duas últimas
áreas estejam agora se deteriorando a olhos vistos. A respeitabilidade internacional do
agronegócio nasceu com os índices de crescimento contínuo da produção e produtividade e
ganhou maturidade com as investidas recentes da política comercial brasileira nos contenciosos
do algodão e do açúcar e na liderança inconteste do Brasil no G-20 - o grupo de países em
desenvolvimento que se formou nas negociações agrícolas da Rodada de Doha da Organização
Mundial do Comércio (OMC). Graças à agricultura, deixamos de ser um país eminentemente
defensivo na arena mundial, que buscava apenas preservar as suas políticas protecionistas, e
passamos a ocupar uma posição central e ofensiva como demandantes de um comércio mais
livre e justo.
Em suma, o Brasil fará parte da nova geografia do mundo se souber fazer a economia
crescer com eficiência, eqüidade e sustentabilidade. Se conseguir aumentar o fluxos de
exportações, importações e turistas, atrair investimentos, exportar as suas marcas e empresas
e mudar as percepções negativas sobre o País que ainda persistem no exterior. A nova geografia
comercial não é mais aquela derivada das chagas da era colonial, das teorias conspiratórias
sobre a perversidade do grande capital, de discursos terceiro-mundistas vazios e de patriotadas
desnecessárias. Ela é, sim, traçada por países que estão buscando criar novas oportunidades
de integração comercial, que completam reformas institucionais profundas e conseguem manter
as regras do jogo, mostrando resultados concretos em termos de estabilidade, crescimento
econômico e atração de investimentos produtivos. A nova geografia do mundo é determinada,
acima de tudo, pela eficiência econômica.

OS GRANDES DESAFIOS ECONÔMICOS DO MUNDO ATUAL6

Aos avanços decorrentes dos processos de radicalização ideológica e de


reassimilação leste-oeste contrapõem-se, porém, novos desafios. A nova ordem geopolítica
mundial resultante das grandes mudanças do final da década de 80 e início da de 90 traz,
entre outros, dois desafios de alta relevância:
A transposição do modelo bipolar, fundamentado em radicalizações ideológicas, para
o modelo multipolar, centrado na capacidade de competição no campo econômico.
A consolidação dos processos de integração econômica e política e a dilatação das
novas esferas macro regionais de co-prosperidade.
As questões globais para o futuro dizem respeito a pelo menos quatro grandes
desafios.
O primeiro é a consolidação da nova ordem geopolítica que emergiu da
desradicalização político-ideológica e da reassimilação leste-oeste. O segundo é a
universalização do desenvolvimento: um desafio que implica o rompimento dos círculos
viciosos do retardamento econômico, há muito tempo instalados em grande numero de
países pobres. O terceiro é conciliar a expansão da competitividade das empresas, que
implica tecnologia avançada de produção e de gestão e estruturas organizacionais enxutas,
com a expansão das oportunidades de emprego para fator trabalho. E a quarta é a
sustentação do crescimento econômico, em face das exigências globais de preservação
do meio ambiente. Estas quatro questões podem ser sintetizadas em uma só: a conciliação
de desempenho econômico satisfatório som liberdade políticas amplas.

6
Texto construído com (ROSETTI, 1997).

57
O primeiro grande desafio tem estreitas relações com a consolidação
da nova tendência político – ideológica centrípeta – o que implica a superação
de confrontações ancoradas em radicalismos. Desde o pós-guerra ate a
metade dos anos 80, o mundo ficou dividido entre duas ideologias antagônicas.
Geografia
O modelo era bipolar, fundamentado em radilizações políticos. Agora
Econômica
consolida-se uma ordem geopolítica multipolar, centrada na capacidade de
competição de grandes blocos no campo econômico. A consolidação dos
processos de integração econômica, que dão suporte a nova ordem
geopolítica, e a dilatação das esferas de co-prosperidade que dela decorrem sintetiza esse
primeiro desafio.
O segundo é uma espécie de subproduto desta nova ordem: a universalização do
desenvolvimento.
O terceiro grande desafio é também um subproduto da nova ordem geopolítica:
conciliar a expansão da competitividade das empresas com a expansão das oportunidades
de empregos para o fator trabalho. O outro grande desafio tem a ver, de um lado, a expansão
da produção; de outro lado, a preservação ambiental.

A FORMAÇÃO DOS BLOCOS ECONÔMICOS7

Tem por objetivo caracterizar, analisar e avaliar a formação e a


importância dos blocos econômicos para a atividade econômica.

Os Blocos Regionais

Para iniciarmos a discussão da mudança da lógica econômica é importante


compreendermos a transição das economias nacionais para as economias em blocos
regionais, vamos ver o conceito de bloco econômico:

1. Bloco econômico

Acordo visando a associação e integração de políticas econômicas entre os países


de uma determinada região geográfica ou área de influencia, no sentido de ampliação dos
mercados e fortalecimento de suas respectivas economias nacionais. A criação de blocos
econômicos tem se intensificado com o processo de crescente globalização ou
mundialização da economia, e suas propostas são de alcance diferenciado, ou seja, alguns
blocos econômicos se limitam a promover políticas de isenção alfandegária sobre os
produtos dos países membros, enquanto outros avançam no sentido de promover uma moeda
única e completa integração dos mercados. Os blocos econômicos mais importantes, por
ordem dos respectivos PIBs acumulados, são: APEC – Associação de Cooperação
Econômica da Ásia e do Pacifico, NAFTA – Acordo de Livre Comercio da América do
Norte, UE – União Européia. Os Estados Unidos da América do Norte participam dos
primeiros.

2. A reorganização da economia mundial

A formação de blocos econômicos não é um fenômeno que surgiu do nada.


Principalmente após a Segunda Guerra Mundial, muitos organismos multinacionais (entre
nações) vêm sendo articulados, com o objetivo de aumentar os mercados e os laços de

7
Conteúdo consttruído com (BENKO,
1996),
58
cooperação econômica entre os países membros. Com a economia mundial globalizada, a
tendência comercial é a formação de blocos econômicos. Estes são criados com a finalidade
de facilitar o comércio entre os países membros. Adotam redução ou isenção de impostos
ou de tarifas alfandegárias e buscam soluções em comum para problemas comerciais. Em
tese, o comércio entre os países constituintes de um bloco econômico aumenta e gera
crescimento econômico para os países. Geralmente estes blocos são formados por países
vizinhos ou que possuam afinidades culturais ou comerciais. Esta é a nova tendência mundial,
pois cada vez mais o comércio entre blocos econômicos cresce. Economistas afirmam que
ficar de fora de um bloco econômico é viver isolado do mundo comercial.

3. Os novos blocos comerciais e a crise econômica mundial

Parece haver um pouco de tudo, mas a crise tem sido o fator preponderante, pois a
própria constituição desses blocos tem gerado novas tensões e está longe de ser
harmoniosa. Caso fosse apenas um aperfeiçoamento, qualquer iniciativa seria aplaudida
pela comunidade internacional. Mas não é o que ocorre. Há muito temor de que a situação
mundial se agrave e que muitos saiam perdendo. Vejamos o caso a seguir.
Em Agosto de 1992, EUA, Canadá e México assinaram um acordo para a criação
de uma zona norte-americana de livre comércio – o NAFTA. Imediatamente o Japão (e sua
área de influência) e a UE (União Européia) reagiram, declarando que saúdam o acordo,
mas desde que ele respeite as regras do comércio internacional. Condicionaram seu apoio,
pois desconfiam que o acordo signifique a construção da “Fortaleza América”, que se fecharia
ao comércio mundial. A expressão “Fortaleza América” é irônica e uma provocação aos
EUA, que constantemente manifestam seu temor de que a UE significaria uma “Fortaleza
Europa” fechada ao comércio mundial, tal volume de medidas protecionistas (que protegem
os produtores locais, taxando fortemente os produtos estrangeiros).

Veremos abaixo uma relação dos principais blocos econômicos da atualidade e


suas características.

3.1. UNIÃO EUROPÉIA


A União Européia (UE) foi oficializada no ano de 1992, através do
Tratado de Maastricht. Este bloco é formado pelos seguintes países:
Alemanha, França, Reino Unido, Irlanda, Holanda (Países Baixos), Bélgica,
Dinamarca, Itália, Espanha, Portugal, Luxemburgo, Grécia, Áustria, Finlândia e Suécia.
Este bloco possui uma moeda única que é o EURO, um sistema financeiro e bancário
comum. Os cidadãos dos países membros são também cidadãos da União Européia
e, portanto, podem circular e estabelecer residência livremente pelos países da União
Européia.
A União Européia também possui políticas trabalhistas, de defesa, de combate
ao crime e de imigração em comum. A UE possui os seguintes órgãos: Comissão
Européia, Parlamento Europeu e Conselho de Ministros.

União Européia: a realização de uma perspectiva


Foi na Europa que concretamente esses esforços de cooperação regional
vingaram. Já havia algum tempo funcionava o MCE – Mercado Comum Europeu, que
preparou a atual UE – União Européia. Em 1957 foi firmado o Tratado de Roma, que
fecundou a idéia de unificação européia no então MCE.
A reconstrução da Europa, após a Segunda Guerra Mundial, passava não
apenas pela organização de um sistema conjunto de defesa, mas exigia alguns laços
de cooperação das economias nacionais. Em 1957, a então Alemanha Ocidental,
Bélgica, França, Itália, Luxemburgo e Holanda assinaram o Tratado de Roma, criando
a CEE – Comunidade Econômica Européia – ou MCE – Mercado Comum Europeu.
Em 1973 entrariam Dinamarca, Grã – Bretanha e Irlanda. Em 1981, a Grécia e, em
1986, Portugal e Espanha.

59
A Europa já vinha de experiências anteriores, como a CECA – Comunidade
Européia do Carvão e do Aço – criada em 1951 e integrada pela antiga Alemanha
Ocidental, França, Itália e países de outra instituição de cooperação econômica, o
Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo).
Geografia
- unidade política: cria a figura do cidadão europeu. Esse cidadão
Econômica
poderá morar e trabalhar em qualquer país membro, assim como votar e
candidatar-se em eleições municipais (um grego pode vir a ser prefeito
numa cidade italiana, por exemplo) ou ao parlamento europeu;
- união econômica e monetária: prevê a criação, em varias fases,
de uma moeda única e um Banco Central único. A moeda única será adotada
em 1 de janeiro de 1997 – se não houver problemas de ajustes. De outro
modo, será adotada de qualquer modo em 1 de janeiro de 1999;
- igualdade social: a comunidade compromete-se a diminuir as
diferenças nos padrões de vida dos povos dos países membros, através da
canalização de recursos extras para os países mais pobres;
- área de interferência: a UE ganha autoridade para atuar em áreas
como assuntos externos e de segurança, comércio, agricultura e pesca,
transporte, meio ambiente, indústria, pesquisa e desenvolvimento, saúde,
justiça, educação, proteção ao consumidor, energia e turismo.

Os problemas da unificação européia


A PAC – Política Agrícola Comum – da UE foi concebida inicialmente em
1962 pelos seis países que compunham na ocasião a CEE.
Seu objetivo era controlar a produção e os dos produtos agrícolas, tendo
em vista cinco aspectos estratégicos:

1. aumentar a produtividade;
2. proporcionar bem-estar aos agricultores;
3. estabilizar o mercado;
4. garantir segurança alimentar;
5. oferecer preços razoáveis para os consumidores.

Outro problema refere-se à corrida que se faz em direção à UE (migrações,


por exemplo). Muitos países europeus reivindicam sua participação na UE,
pressionando através da busca de aliados no interior da UE, criando focos de tensão,
entre Alemanha e França, entre Franca e Inglaterra e assim por diante. Não se
pode esquecer a já mencionada questão do Leste europeu, que caso não seja
resolvida a contento pode abalar a unificação.

3.2. NAFTA
Outro organismo poderoso que foi criado é o NAFTA – North American Free Trading
Association - o mercado comum norte-americano.
Fazem parte do Nafta (Acordo de Livre Comércio do Norte ) os seguintes países :
Estados Unidos, México e Canadá. Começou a funcionar no início de 1994 e oferece aos
países membros vantagens no acesso aos mercados dos países. Estabeleceu o fim das
barreiras alfandegárias, regras comerciais em comum, proteção comercial e padrões e leis
financeiras. Não é uma zona livre de comércio, porém reduziu tarifas de aproximadamente
20 mil produtos.

3.3. MERCOSUL
O Mercosul (Mercado Comum do Sul) foi oficialmente estabelecido em março de 1991. É
formado pelos seguintes países da América do Sul: Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. Futuramente,
estuda-se a entrada de novos membros, como o Chile e a Bolívia. O objetivo principal do Mercosul é
eliminar as barreiras comerciais entre os países, aumentando o comércio entre eles. Outro objetivo
é estabelecer tarifa zero entre os países e num futuro próximo, uma moeda única.

60
3.4. PACTO ANDINO
Outro bloco econômico da América do Sul é formado por: Bolívia, Colômbia,
Equador, Peru e Venezuela. Foi criado no ano de 1969 para integrar economicamente os
países membros. As relações comerciais entre os países membros chegam a valores
importantes, embora os Estados Unidos seja o principal parceiro econômico do bloco.

3.5. APEC
A APEC (Associação de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico) foi
criada em 1993 na Conferência de Seattle (Estados Unidos). Integram este bloco
econômico os seguintes países: EUA, Japão, China, Formosa (Taiwan), Coréia do Sul,
Hong Kong, Cingapura, Malásia, Tailândia, Indonésia, Brunei, Filipinas, Austrália, Nova
Zelândia, Papua Nova Guiné, Canadá, México, Tigres Asiáticos, Chile e países da
ASEAN.Somadas a produção industrial de todos os países, chega-se a metade de
toda produção mundial. Quando estiver em pleno funcionamento, será o maior bloco
econômico do mundo.

3.6. Outros Blocos


- CEAO (Comunidade Econômica da África Ocidental), formada por Benin, Costa do
Marfim, Mali, Mauritânia, Niger, Senegal e Burkina Faso;
- ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático), cujos membros são:
Cingapura, Filipinas, Indonésia, Malásia e Tailândia;
- AELC (Associação Européia de Livre Comercio), que reúne Áustria, Finlândia,
Islândia, Noruega, Suécia e Suíça;
- ALADI (Associação Latino – Americana de Desenvolvimento e Intercâmbio), cujos
membros são Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru,
Uruguai e Venezuela.

AS REDES TÉCNICAS E A FLUIDEZ8

Tem por objetivo analisar, caracterizar e avaliar a importância das redes técnicas
para a atividade econômica através dos seus usos e aplicações.
O território do planeta está passando por um processo de reorganização geográfica
capitaneado pelas redes técnicas (computadores, fios elétricos, etc). Como o Brasil está
no planeta, o mesmo participa do processo de reorganização do território.

8
Conteúdo construído com (SANTOS, 1996),
(SANTOS; SILVEIRA, 2001)
61
A implantação das redes técnicas no território brasileiro faz parte da
estrutura que comanda a globalização, o avanço tecnológico e a ciência. Este
conjunto de intervenções físicas (próteses) no território, integrando-o ao mundo
e entre si (o território brasileiro), pelas suas dimensões continentais.
Geografia
A instalação desta rede técnica acompanhou o processo histórico vivido
Econômica
no Brasil e no planeta. Assim, foi se instalando no Brasil, um conjunto de
condições para que o país começasse a fazer parte deste projeto de
globalização. Só que os interesses deste conjunto de equipamentos está na
condução das grandes corporações (transnacionais) para a garantia de grandes lucros em
países em desenvolvimento que podem oferecer condições favoráveis de investimento em
bolsas de valores e outras transações financeiras internacionais.
Assim, pretendemos analisar a influência e importância destas redes na formação
do território brasileiro na atualidade.
As redes são formadas por troços, instalados em diversos momentos, diferentemente
datados, muitos dos quais já não estão presentes na configuração atual e cuja substituição
no território também se deu em momentos diversos. Podemos, grosso modo, admitir, pelo
menos, três momentos na produção e na vida das redes. Um largo período pré-mecânico,
um período mecânico intermediário e a fase atual.
Se compararmos as redes do passado com as atuais, a grande distinção entre elas
é a respectiva parcela de espontaneidade na elaboração respectiva. Quanto mais avança
a civilização material, mais se impõe o caráter deliberado na constituição de redes. Com
os recentes progressos da ciência e da tecnologia e com as novas possibilidades abertas
à informação, a montagem das redes supõe uma antevisão das funções que poderão exercer
e isso tanto inclui a sua forma material, como as suas regras de gestão.
Vamos ver como estas redes se implantaram no Brasil.
Nos últimos decênios, o território conhece grandes mudanças em função de
acréscimos técnicos que renovam a sua materialidade, como resultado e condição, ao
mesmo tempo, dos processos econômicos e sociais em curso. Destacamos, aqui, as infra-
estruturas de irrigação e as barragens, os portos e aeroportos, as ferrovias, rodovias e
hidrovias, as instalações ligadas à energia elétrica, refinarias e dutos, as bases materiais
das telecomunicações, além de semoventes e insumos ao solo.

2. – Construções, irrigações e barragens

Em meados do século XX, as transformações na escala de produção agrícola e a


importância de estocá-la à espera da comunicação levaram à necessidade de construir
depósitos, paióis e silos no campo. Desde cedo, o Sul incorpora técnicas a uma agricultura
que desse modo já não era inteiramente dependente dos fatores climáticos e naturais. A
construção de barragens tem possibilitado o aumento de terras irrigadas. No Nordeste,
representavam 24,08% em 1996 do total nacional e eram somente 14,6% em 1970, ano em
que a Bahia e o Ceará já contavam, juntos, com 34.493 hectares beneficiados, o que significa
65,4% das terras irrigadas do Nordeste. Paralelamente aos progressos da biotecnologia, à
função da Embrapa e a todo um leque de manifestações da mecanização, da informatização
e da quimização, as técnicas de regadio tiveram papel fundamental na transformação de
áreas quase desertas em zonas de agricultura de exportação marcadas sobretudo pela
presença da soja. É o caso da região Centro-Oeste (com 1,8% das terras irrigadas do país
em 1970 e 8,35% em 1996) e dos cerrados baianos nas décadas de 1970 a 1980 (em
1996 a Bahia representava 6,71% do total nacional das terras irrigadas).
Quanto à construção de barragens, dois programas têm sido as suas bases
organizacionais, desde os albores do século XX. Trata-se da açudagem pública do

62
Departamento Nacional de Obras de Contenção da Seca e da Açudagem em cooperação
com agentes privados.

3. – Aeroportos e portos

Foi a partir da década de 1970 e, ainda mais, nos anos 80 que se construíram novos
aeroportos, como os internacionais de Guarulhos, em São Paulo, e Tancredo Neves em
Belo Horizonte. O critério de classificação da Infraero leva em consideração a infra-estrutura
física (medidas de pistas, dos pátios e dos terminais de passageiros e de carga), a chamada
infra-estrutura operacional (Instrument Landing System – ILS –, Sistema Informativo de Uso
– SIU – e emergência médica) e a estrutura administrativa. Conforme esses critérios, a
região Sudeste possui os dois únicos aeroportos especiais, Guarulhos, em São Paulo, e
Galeão, no Rio de Janeiro, e, além desses, a maior concentração de aeroportos da
hierarquia consecutiva, os aeroportos internacionais Tancredo Neves e Viracopos e o
aeroporto de Congonhas (São Paulo) (categoria 1), e os aeroportos de Belo Horizonte,
Santos Dumont (Rio de Janeiro), Macaé, Jacarepaguá e São José dos Campos. São as
regiões Sul, Nordeste e Norte que possuem o maior número de aeroportos da menor
classificação.

4. – Ferrovias, rodovias, hidrovias

Com desenhos mais ou menos retilíneos interior – litoral nos Estados nordestinos do
Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia,
algumas ferrovias se complementam com trechos que, mais ou menos paralelos à costa
marítima, unem as cidades-sede de funções portuárias, políticas e econômicas. A exploração
e o rápido escoamento de minérios no Norte e no Nordeste exigiram sistemas de engenharia
eficientes especializados, ligando os portos regionais com a ferrovia do Amapá, construída
na década de 1970 e destinada ao transporte de manganês, com a Estrada de Ferro Carajás
(889,34 quilômetros), em funcionamento desde 1985, que liga a mina de Carajás, no Pará,
ao porto de Itaqui, em São Luís do Maranhão e à ferrovia do Aço.

5. – Energia elétrica

A difusão da energia elétrica no território nacional leva, num primeiro momento, à


construção de sistemas técnicos independentes, chamados a atender às necessidades
locais. Mais tarde, a ocupação e a urbanização do território, o processo de industrialização,
o aperfeiçoamento das técnicas de geração e transmissão e a organização centralizada do
setor em torno da Eletrobrás convergem para interligar boa parte dos sistemas isolados. O
primeiro iniciou-se com a Usina Paulo Afonso em 1955, atingindo Salvador, Recife e Fortaleza
em 1966. Em 1981 entra em operação a linha de transmissão que une Sobradinho,
Imperatriz, Tucuruí. O segundo subsistema, mais denso, foi interligado a partir de 1963, com
a Usina de Furnas no Rio Grande e a interconexão do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas
Gerais. Verifica-se, assim, uma expansão das linhas de transmissão no Brasil, passando
de 4.513,3 quilômetros em 1955 para 159. 291,6 quilômetros em 1995.

6. – Refinarias e dutos

A configuração do equipamento petrolífero brasileiro revela claramente, nas suas


camadas técnicas e nas suas localizações, as especificidades da sua política para o setor.
Nas regiões Sul e Sudeste do país, e com predomínio de localizações litorâneas, as refinarias

63
foram construídas, em grande parte, para realizar o processamento final de
um petróleo que era importado da Venezuela e do Peru, da União Soviética e
dos países árabes. Definida durante o governo Vargas, essa política visava
diminuir a importação de produtos acabados derivados do petróleo, num país
Geografia
que praticamente não havia descoberto reservas no seu território. Daí que,
Econômica
tendo precedido à exploração, as refinarias se localizem longe das áreas hoje
em produção. No entanto, as refinarias construídas após a década de 1960,
uma vez descobertas variam das jazidas do litoral entre Maranhão e Rio de
Janeiro, imitaram o antigo padrão, pois preferiram à proximidade do core industrial do país.
O refinamento antecedeu à exploração.

7. – Bases materiais das telecomunicações

A revolução das telecomunicações, iniciada no Brasil dos anos 70, foi um marco no
processo de rearticulação do território. Novos recortes espaciais, estruturados a partir de
forças centrípetas e centrifugas, decorriam de uma nova ordem, de uma divisão territorial
do trabalho em processo de realização. Do telegrafo ao telefone e ao telex, do fax e do
computador ao satélite, à fibra óptica e à Internet, o desenvolvimento das telecomunicações
participou vigorosamente do jogo entre separação material das atividades e unificação
organizacional dos comandos.

8. – Semoventes e insumos ao solo

A difusão pelo campo brasileiro de tratores, arados, grades, semeadeiras,


cultivadores, ceifadores e colhedeiras de tração mecânica, incipiente nos anos 20, vai se
tornando generalizada nos dias de hoje. Nas primeiras décadas do século XX, a região Sul
ostentava as manchas de um meio técnico parcialmente espalhado tanto nos seus
acréscimos fixos como nos semoventes. Essa região reunia 59,03% dos tratores e mais de
70% das grades e semeadeiras do país em 1920, mostrando sua precoce vocação para
uma agricultura mecanizada.

9. – Geografia da pesquisa e da tecnologia

Há, entretanto, outros fatores que tornam mais complexa essa incorporação de
insumos ao solo. A localização de serviços técnicos, escolas de agronomia, institutos e
centros de pesquisa obrigam a reconhecer o papel de um poder publico que ora precede,
ora acompanha, sucede ou busca compensar a ação das empresas no território nacional e,
assim, participa mais ou menos ativamente na construção de especializações territoriais.
Já nas primeiras décadas do século XX, havia a preocupação de criar apoios técnicos e
institutos de experimentação agropecuária. Em união indissolúvel com a hierarquia produtiva
mundial própria de cada momento histórico, criam-se no Brasil serviços técnicos para a
cultura de algodão (1915), defesa animal (1920), florestal (1921), café (1933) e, a partir dos
anos 40, institutos orientados para o desenvolvimento regional (Amazônia, Centro-Oeste,
Bahia, Recife). O mercado mundial demandava com força crescente carne e leite, café,
madeira e derivados e insumos para a indústria têxtil. Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo
eram também grandes consumidores de algodão, pois já vinham desenvolvendo a
manufatura têxtil desde o século XIX. Desse modo, surgem, aqui e ali, embriões do que iria
construir, na década de 1970, uma verdadeira rede de centros de investigação em território
brasileiro, sobretudo com a criação da Embrapa, em 1972, sem esquecer organizações
anteriores, como o Departamento de Pesquisas e Experimentação Agropecuária (DPEA),

64
com sede no Rio de Janeiro. Mas a criação da Embrapa inicia o funcionamento de uma
estrutura unificadora, que irá desenvolver novos centros e acompanhar as novas exigências
de qualidade.

A GLOBALIZAÇÃO

Tem por objetivo caracterizar, analisar e avaliar o impacto do fenômeno da globalização


para a atividade econômica.

1. A globalização

Processo acentuado nas últimas décadas do século pela aceleração e padronização


dos meios técnicos, a instantaneidade da informação e da comunicação e a mundialização
da economia, e que promove a reorganização e reestruturação dos espaços nacionais e
regionais, em escala mundial, a partir do controle e regulamentação dos centros
hegemônicos. Para Milton Santos, essa globalização cria, como nunca ocorreu no passado,
um meio técnico, científico e informacional em contraposição ao meio natural; promove a
transformação dos territórios nacionais em espaços nacionais da economia internacional;
intensifica a especialização e a divisão social e territorial do trabalho; concentra e aumenta
a produção em unidades menores, entre outros aspectos. O enfraquecimento dos Estados
Nacionais e o acirramento da tensão entre o local e o global, com o avanço a globalização,
também é apontado pelo autor citado.

2. Uma globalização do espaço (SANTOS, 1996)

Pode-se, então, pensar numa globalização do “espaço” no sentido de que seu


manejamento e atualização incumbam ao “mundo”?
Se o “mundo”, hoje torna-se ativo, sobretudo por via das empresas gigantes, essas
empresas globais produzem privatisticamente suas normas particulares, cuja vigência é,
geralmente e sob muitos aspectos, “indiferente” aos contextos em que vem inserir-se. Por
sua vez, os governos “globais”, por exemplo, o Banco Mundial e o Fundo Monetário
Internacional, cuidam de interesses “globais”. As demais empresas e instituições raramente
têm uma força “global”. De alguma forma o Banco Mundial vem exercendo esse papel,
quando intervém, direta ou indiretamente, na criação de infra-estruturas ou na transformação
dos transportes. Mas, por mais maciças que sejam essas intervenções elas também são
tópicas, mesmo que possam ter feitos profundos e mais gerais sobre espaços mais amplos.
Assim, enquanto o “mundo” intervém no espaço e o transforma unilateralmente, para
responder localmente a imperativos ditos globais, mas exclusivos, - como os interesses
das transnacionais-a complexidade da organização espacial é agravada, como um problema
coletivo. A luta pelo uso do espaço coloca em posição ativa as empresas gigantes e reserva
às demais uma posição passiva, subordinada. Essa é uma situação de conflito, a ser mantida,
atenuada, suprimida, segundo as circunstancias, mas, em todo caso, regulada, o que constitui
tarefas do poder nacional e dos poderes locais, nos seus diversos níveis.
Mas, enquanto no “mundo” só que conta é o global, nos territórios nacionais, tudo
conta. Empresas e instituições dos mais diversos níveis, e não só empresas gigantes
convivem no conflito. Convivência necessária, conflito inevitável. Quanto mais desigual a
sociedade e a economia, tanto maior o conflito. É o caso dos países subdesenvolvidos,
sobretudo em suas grandes cidades. Mas em todos os casos há conflitos, reclamando

65
regulação, isto é, produção de normas. Mesmo quando não podem atenuar
ou suplantar as normas globais, as normas territorializadas enfrentam o mundo,
mesmo, quando, aparentemente, colam aos interesses globais. As diversas
empresas regulam as suas necessidades produtivas segundo regras que
Geografia
estabeleçam, e tanto vigoram no interior da firma como o suas relações verticais
Econômica
e horizontais. Mas o fato de que a norma se tornou indispensável ao processo
produtivo, conduz, ao mesmo tempo, à sua proliferação e leva, naturalmente,
a um conflito de normas que o mercado não basta para resolver.
Muitos desses conflitos pulam da ordem privada para a ordem publica. Por exemplo:
o próprio uso do espaço. Como alcançar um uso coordenado do espaço quando a lei da
concorrência (hoje, a competitividade) sugere uma utilização cada vez mais privatista? Outro
exemplo: objeto de normas locais, a velocidade é, por si mesma, um conflito. O interesse
das grandes empresas é economizar tempo, aumentando a velocidade da circulação. O
interesse das comunidades locais e até mesmo das menores empresas (por exemplo, os
comércios locais) freqüentemente é oposto. A regulamentação de uso da via publica
responde a esse conflito, seja harmonizando interesses, seja privilegiando este ou aquele.
Considere-se, também, o conflito pelo uso dos recursos públicos destinados às infra-
estruturas. A corporatização do território, com destinação prioritária de recursos para atender
às necessidades geográficas das grandes empresas, acaba por afetar toda a sociedade,
já que desse modo à despesa publica ganha um perfil largamente desfavorável à solução
de problemas sociais e locais. O orçamento é uma norma que, nesse caso, resolvendo um
aspecto do conflito distributivo, em favor da economia globalizada, agravam outros. Mas o
orçamento não é global, mas nacional, territorializado. A formação social nacional funciona,
pois, como mediação entre o Mundo e a Região, o Lugar. Ela é, também, mediadora, entre
o Mundo e o território.
Mais do que a formação socioeconômica, é a formação socioespacial que exerce
esse papel de mediação: este não cabe ao território em si, mas ao território e seu uso, num
momento dado, o que supõe de um lado uma existência material de formas geográficas,
naturais ou transformadas pelo homem, formas atualmente usada e, de outro lado, a
existência de normas de uso, jurídicas ou meramente costumeiras, formais ou simplesmente
informais. A utilização dos lugares pelas empresas, sobretudo as firmas gigantes, depende
desses dois dados e não apenas de um deles. Formas e normas, pois, trabalham como um
conjunto indissociável.
E ainda que não se formulem outras normas escritas ou consuetudinárias de seu
uso, o território nacional, ou local, é em si mesmo, uma norma, função de sua estrutura e de
seu funcionamento.

Uma ordem global, uma ordem local (SANTOS, 1996)

A ordem global busca impor, a todos os lugares, uma única racionalidade. E os


lugares respondem ao Mundo segundo os diversos modos de sua própria racionalidade.
Serve-se de uma população esparsa de objetos regidos por essa lei única que os constitui
em sistema. A ordem local é associada a uma população contígua de objetos, reunidos
pelo território e como território, regidos pela interação. No primeiro caso, a solidariedade é
produto da organização. No segundo caso, é a organização que é produto da solidariedade.
A ordem global e a ordem local constituem duas situações geneticamente opostas, ainda
que em cada uma se verifiquem aspectos da outra. A razão universal é organizacional, a
razão local é orgânica. No primeiro caso, prima a informação que, alias, é sinônimo de
organização. No segundo caso, prima a comunicação. A ordem global funda as escalas
superiores ou externas à escala do cotidiano. Seus parâmetros são a razão técnica e

66
operacional, o calculo de função, a linguagem matemática. A ordem local funda a escala do
cotidiano, e seus parâmetros são a co – presença, a vizinhança, a intimidade, a emoção, a
cooperação e a socialização com base na contigüidade.
A ordem global é “desterritorializada”, no sentido de que separa o centro da ação e a
sede da ação. Seu “espaço”, movediço e inconstante, é formado de pontos, cuja existência
funcional é dependente de fatores externos. A ordem local, que “reterritorializa”, é a do espaço
banal, espaço irredutível (T. dos Santos, 1994, p. 75) porque reúne numa mesma lógica
interna todos os seus elementos: homens, empresas, instituições, formas sociais e jurídicas
e formas geográficas. O cotidiano imediato, localmente vivido, traço de união de todos
esses dados, é a garantia da comunicação. Cada lugar é, ao mesmo tempo, objeto de uma
razão global e de uma razão local, convivendo dialeticamente.

#
1
[ ] Agora é hora de
TRABALHAR

O que significa o termo “american way of life” e


quais as suas características?
5 O que significa bloco econômico?

_______________________________________________________________ _______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________

6
2 O que foi o crack da Bolsa de 1929?
Qual a tendência da economia mundial?

_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
7 Quais são as características da economia mundial

3 Quais foram as principais transformações no leste


após a Segunda Guerra Mundial?
_______________________________________________________________
europeu? ______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
8 Quais são os principais blocos econômicos?

4 Como se comportava o sistema financeiro


_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
internacional? ______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________ _______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________

67
9 O que são redes?
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
Geografia _
Econômica _
______________________________________________________________
______________________________________________________________
16
Qual a contribuição das refinarias e dutos?

_______________________________________________________________ _______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________

10 ______________________________________________________________________________________________________________________________
De que são formadas as redes?

_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
17 Qual a contribuição das bases materiais das

______________________________________________________________________________________________________________________________ telecomunicações?
_______________________________________________________________ _______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
11 Quais são as mudanças ocorridas no território _______________________________________________________________
após os acréscimos técnicos?
_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
18 Qual a contribuição dos semoventes e insumos

______________________________________________________________________________________________________________________________ do solo?
_______________________________________________________________ _______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
12 Qual a contribuição das construções, irrigações _______________________________________________________________
e barragens?
_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
19 Qual a contribuição da Geografia da Pesquisa e

______________________________________________________________________________________________________________________________ da Tecnologia?
_______________________________________________________________ _______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
13 Qual a contribuição dos aeroportos e portos? _ ______________________________________________________________
_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
20 O que significa globalização?

_______________________________________________________________ _______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
14 Qual a contribuição das ferrovias, rodovias e _______________________________________________________________
hidrovias?
_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
21 Quais são as características da globalização?

______________________________________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________
_______________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________

15 Qual a contribuição da energia elétrica?


_______________________________________________________________

_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
22 O que representa esta globalização do espaço?

68
_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________

23 Qual o papel das transnacionais na globalização?

_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________

24 Como se caracteriza a globalização nos países


desenvolvidos?
_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________

25 Como se caracteriza a globalização nos países


subdesenvolvidos?
_______________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________

26 Construa um quadro que contenha as principais


mudanças ocorridas no seu município, como: abertura
de escolas, inauguração de agências bancárias,
instalação de antena de captação de sinal de celular,
inauguração de estradas e outras obras para a melhoria
das condições de vida no município.

69
Atividade
Geografia
Econômica Orientada
Ao ser executada, a atividade orientada possibilita que você estabeleça as relações
possíveis entre os conteúdos até então trabalhados e a realidade prática. As propostas
apresentados poderão, também, ser utilizadas no exercício de sua docência. Além disso,
permite que o corpo discente aprofunde na teoria e na prática conceitos e teorias
indispensáveis à compreensão do espaço geográfico.

Etapa 1 (Totorias 3 e 4)

Ao consumir determinada mercadoria normalmente não se imagina sua origem e


qual (is) matéria(s) prima(s) foi (foram) utilizada(s) em sua produção. Entender a
geoeconomia de um país, de uma região ou mesmo de um município é de extrema relevância
para quem se interessa em estudar Geografia. Nesse sentido, propõe-se a execução dessa
e das etapas seguintes da atividade orientada.

1. Individualmente, escolha 4 produtos alimentícios industrializados utilizados em sua


casa e faça uma pesquisa.

2. Recolha os rótulos e escreva as seguintes informações, no caderno, sobre eles:

· Nome do produto;
· Marca;
· Preço;
· Lugar onde foi produzido;
· Matéria-prima utilizada, etc.

3. Em grupo, de no máximo três integrantes, construa um painel, no qual os rótulos


deverão ser colados e as informações sobre eles escritas, in box, abaixo ou ao lado dos
mesmos;

4. Na seqüência, a equipe deverá apresentar o painel citando informações de pelo


menos cinco rótulos pré-selecionados.

5. Leia o texto abaixo:

A revolução tecnológica está provocando transformações, embora ainda


persista a essência do problema (concentração de terras e precárias relações

70
de trabalho). A lógica do sistema de produção está mudando. O ritmo de
comercialização atual requer rotatividade mais rápida no ciclo produção-
comercialização. O custo-oportunidade das inversões no campo concorre, hoje,
com alternativas atrativas, buscando capitais que, no passado, tinham menos
opções de aplicações. A produtividade do trabalho no campo tornou-se uma
variável mais importante, de forma semelhante ao que ocorre no meio urbano.
Os custos referentes às obrigações trabalhistas praticamente inviabilizaram o
modelo antigo de grandes fazendas com elevado número de trabalhadores e
outras formas de agregados. Tudo isso induz à utilização mais intensa do solo,
desestimula as megapropriedades e torna anacrônicos os latifúndios improdutivos.
Na outra extremidade, ocorre fenômeno preocupante. Os pequenos
estabelecimentos têm dificuldade de incorporar novas tecnologias e
equipamentos, os quais exigem nível de profundidade e escala mínima de
produção. E, se continuam no sistema produtivo tradicional, têm poucas chances
de melhorar as condições de vida de seus ocupantes e de subsistir. Recentemente,
surgiu mais um desafio: oferecer produtos a compradores com exigências
crescentes, seja aos industriais seja aos comerciantes. A apresentação do produto
e suas características intrínsecas podem abrir ou fechar mercados, além de
condicionar a remuneração. Para tanto, são necessários equipamentos e
tecnologia modernos. Excetuando nichos de mercado, essas novas exigências
colocam mais dificuldades aos pequenos do que aos grandes produtores. Assim,
infelizmente, os pequenos produtores que não acompanham a inovação
tecnológica são rejeitados pelo mercado e derivam para um modelo de
subsistência, com baixas produtividades e renda. Entretanto, suas chances de
competir aumentam quando ingressam na trilha do associativismo e do
cooperativismo, onde podem assimilar inovações tecnológicas em grupo.

(...) SANTO, Benedito Rosa do E. Os caminhos da agricultura brasileira.


São Paulo: Evoluir, 2001. p.97.

Responda as questões de acordo com o texto lido:

A) Qual a idéia principal do texto?


B) Que (is) relação (ões) existe (m) entre a fabricação dos produtos representados pelos
rótulos coletados e a idéia central do primeiro capítulo do texto? Justifiquem.
C) Cada produto, indicado pelos rótulos, foi fabricado a partir do uso de velhas ou novas
tecnologias? Justifiquem
D) Em quais setores da economia os homens trabalharam desde a extração da matéria-
prima até o produto finalizado para o consumo? Justifiquem.
E) De acordo com o texto, “os pequenos estabelecimentos têm dificuldade de incorporar
novas tecnologias e equipamentos...”. Que relações existem entre a condição dos pequenos
produtores, frente à inovação tecnológica, discutida no final do segundo parágrafo, e a origem dos
produtos hortifruteiros comercializados nas feiras livres.

As visitas técnicas são necessárias ao estudante de Geografia. Os alunos, desde


o início do curso, precisam estar atentos ao espaço que os cerca e fazendo as relações
possíveis entre os conteúdos estudados nas disciplinas e a realidade observada. As próximas
etapas desta atividade orientada conduzir-lhes-ão no planejamento, na execução e na
construção de um relatório a partir de uma visita a campo. Além disso, os alunos apresentarão
oralmente esses relatórios e debaterão acerca das principais questões teóricas e práticas
sustentadoras dessa atividade orientada.

71
Geografia
Etapa 2 (Tutorias 5 e 6)

Econômica
Esta etapa, assim como a próxima, deverá ser feita em grupo. Os
mesmos trios que construíram a etapa 1 deverão continuar trabalhando
O local a ser visitado será a feira livre do município onde a maioria dos
integrantes de cada grupo reside. Quase totalidade das sedes municipais brasileiras possui
feira livre. A maioria dos povoados e/ou distritos desses municípios também a possui; no
entanto, acontece em dia diferente da feira da sede municipal. Caso não exista feira livre na
cidade onde um dos membros da equipe reside, a equipe poderá visitar a feira livre da
localidade mais próxima.
Na realização da visita os alunos deverão registrar as informações abaixo
relacionadas. Essas informações lhes auxiliarão na construção do relatório.

A) Local da visita (Ex. Feira do município de Maiquinique-BA);


B) Dia da visita;
C) Horário da visita;
D) Origem dos consumidores (cidade, estado em que reside);
E) Origem dos comerciantes (cidade, estado em que reside);
E) Origem dos produtos (cada equipe deverá ficar responsável por
coletar informações sobre um determinado grupo de produtos comercializados
na feira, p. ex.: o grupo A ficará responsável por coletar informações sobre
confecções, o grupo B, por produtos hortifruteiros, o grupo C por carnes, etc.)
Embora cada grupo ou equipe se responsabilize por determinado produto,
todos os alunos deverão identificar os produtos vendidos na feira livre visitada.

Essa etapa se finalizará com a construção do relatório da visita técnica. Cada equipe
construirá um relatório que deve conter o máximo de informações acerca da feira e do
produto, a ser visitado e pesquisado. A equipe deverá ilustrar o relatório com fotografias do
local visitado. Para tanto, recomenda-se o uso de máquina fotográfica em campo.

Etapa 3 (Tutorias 7 e 8)

Nesta etapa, o corpo discente socializará, em forma de seminário, o relatório


produzido na etapa anterior.
A etapa 3 será concluída com debate, debate esse que será conduzido pelo tutor,
que orientará a discussão a partir dos seguintes questionamentos:

1. Conceitue a feira livre?


2. A origem da maior parte dos produtos comercializados na feira
é do próprio município ou de outro Estado?

72
3. Em relação aos consumidores, a feira livre visitada tem
importância apenas para o município onde está inserida ou para outros
municípios?
4. Entendendo que o ato de ir à feira é um hábito ou costume
das populações locais, pode-se afirmar que ela está com o fim
determinado? Justifique.
5. As pessoas vão à feira apenas para comprar?
6. Quais relações existem entre o conteúdo de Geografia
Econômica e as informações obtidas via visita à feira.
7. Conduzir alunos de qualquer série do Ensino Fundamental
e/ou Médio à feira livre permitirá que eles construam quais
conhecimentos geográficos, ligados ou não à Geografia Econômica?
8. As feiras livres têm maior importância para o conjunto da
população de qual das cinco regiões brasileiras? Justifique.

73
Geografia
Glossário
Econômica

AGRICULTURA COMERCIAL – É destinada à venda, portanto quem


define a produção é o mercado consumidor. Atividade agrícola praticada em
larga escala de produção, dirigida para o abastecimento dos grandes mercados
consumidores, nacionais e internacionais.

AGRICULTURA COLETIVISTA – Organizada segundo as necessidades


sociais do país onde é praticada, não se volta para o mercado externo, a procura
de lucros. (ex: kibutzim em Israel, fazendas estatais com trabalho comunitário,
elevados níveis de integração social e finalidade de defesa militar).

AGRICULTURA ESPECULATIVA – Organizada para a exportação, não


se relaciona com os interesses da economia e da sociedade local. (ex: a
plantation).

AGRICULTURA MODERNA – Encontra-se principalmente nos países


desenvolvidos e possui as seguintes características: utilização intensiva de
maquinas agrícolas, como tratores, semeadeiras, colheitadeiras; uso de técnicas
de cultivo, com proteção ao solo e à lavoura; uso intensivo de adubos,
fertilizantes, corretivos e defensivos agrícolas; adoção, em larga escala, por
parte dos agricultores, de cooperativas agrícolas; construção, em larga escala,
de silos, câmeras frigoríficas e outros meios de armazenagem da produção;
apresentação de uma rede de transporte estruturada, permitindo rápido acesso
entre as áreas de produção e de consumo; utilização da pesquisa agronômica
com o objetivo de aperfeiçoamento genético das espécies.

AGRICULTURA DE SUBSISTÊNCIA – A produção destina-se ao


consumo do próprio produtor. Atividade agrícola praticada em pequena escala
de produção. Características principais: pequena propriedade, técnicas
rudimentares, baixa produtividade, mão-de-obra familiar e consumo local.

AGROINDÚSTRIA – Indústria instalada em áreas rurais onde são


processados cereais, frutas, madeiras, álcool, açúcar, etc., provenientes dos
cultivos da área. Exemplo: agroindústria açucareira do Nordeste brasileiro.

ARTESANATO – Estágio em que o produtor (artesão) executava sozinho


todas as fases da produção e até mesmo a comercialização do produto. Não
havia divisão do trabalho nem o emprego de máquinas, somente de ferramentas
simples. (até o séc. XVII)

CLASSES SOCIAIS – Genericamente, o termo refere-se às diferentes


posições em que se encontram as pessoas dentro de uma estrutura sócio-
econômica. Segundo o próprio povo classifica, de acordo com a sua percepção,

74
há “os bens de vida” (aqueles “ricos mesmo”), os “remediados”, os “pobres
mesmo” os “de cima” (a classe “alta”), os de baixo (a classe “baixa”).

COMÉRCIO – Parte do setor terciário da economia (setor de serviços)


que engloba as empresas cuja principal atividade consiste em comprar e vender.
CONCENTRAÇÃO DE RENDA – Nível de apropriação da renda
nacional pela minoria mais rica, que fica com a maior parte da renda, ficando a
maioria mais pobre com baixa participação na renda. O Brasil é um país que
apresenta grande concentração de renda, tendo, na atualidade, uma das piores
distribuições de renda do mundo.

HIDROCARBONETO – Composto formado apenas por átomos de


carbono e hidrogênio.

HINTERLÂNDIA – Território localizado no interior, atrás de uma costa


marítima ou de um rio.

INDUSTRIALIZAÇÃO – Processo de construção da capacidade de um


país de processar, através de suas indústrias, matérias-primas e de
manufaturar bens para consumo ou elaboração adicional.

MAIS-VALIA – Conceito desenvolvido por Karl Marx (1818-1883), em


seus estudos de Economia Política (especialmente em sua obra O Capital),
retomando concepções sobre a teoria do valor de Adam Smith (1723-1790) e
David Ricardo (1772-1823). Marx afirma que o valor de troca (o valor de
mercado) das mercadorias é determinado pela quantidade (tempo) de trabalho
socialmente necessário para sua produção e que esse valor é apenas
parcialmente repassado aos trabalhadores que as produziram, em forma de
salário; o valor excedente, o sobre valor criado pelo trabalho.

MANUFATURA – A manufatura corresponde ao estágio intermediário


entre o artesanato e a maquinofatura. Nesse estágio já ocorria a divisão do
trabalho (cada operário realizava uma tarefa ou parte da produção), mas a
produção ainda dependia fundamentalmente do trabalho manual, embora já
houvesse o emprego de máquinas simples. Esse estágio corresponde a fase
inicial do capitalismo. (1620-1750).

MAQUINOFATURA – É o estágio atual, iniciado com a Revolução


Industrial. Podendo ser caracterizado pelo emprego maciço de máquinas e
fontes de energia modernas (carvão mineral, petróleo, etc.), produção em larga
escala, grande divisão e especialização do trabalho. (1750 até hoje).

MATÉRIA-PRIMA – Substância bruta principal e essencial com que se


faz alguma coisa.

MODO DE PRODUÇÃO – Conceito marxista que trata da forma como


os homens organizam a produção e reprodução dos bens necessários à sua
existência em dada sociedade e conceito histórico, a partir das condições
materiais herdadas das gerações anteriores.

75
MONOPÓLIO – Tráfico, exploração, posse, direito ou privilégio
exclusivos.
Geografia
OLIGOPÓLIO – Situação de mercado em que a oferta é controlada
Econômica
por um pequeno número de grandes empresas.

OPEP – Organização dos países produtores de petróleo. Instituída em


1960, com sede em Viena, Áustria. Responsável pela coordenação e unificação
da política da comercialização do petróleo, tendo como países membros a
Argélia, Abu Dhabi, Arábia Saudita, Bahrein, Equador, Gabão, Indonésia, Irã,
Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria, Qatar e Venezuela.

PEA (População Economicamente Ativa) – Parte da população formada


por pessoas com mais de 10 anos de idade que exerçam um trabalho
remunerado.

PIB (Produto Interno Bruto) – O total de bens e serviços gerados por


uma região, estado ou país no período de hum ano, calculando a preços
deflacionados e convertidos em dólares americanos como padrão de
comparação. Não considerar, ao contrário do PNB, os rendimentos de capital,
como juros, recebidos da balança de pagamento com o exterior. Quando se
desconta do PIB o cálculo de depreciação de instalações e bens de produção,
obtêm-se o produto interno líquido que serve de base para o cálculo da renda
nacional, adotada como um dos indicadores do grau de desenvolvimento sócio-
econômico de uma região, estado ou país, assim como serve de base para
cálculo da renda per capita.

PNB (Produto Nacional Bruto) – Total de bens e serviços gerado em


todo o território de uma nação no período de hum ano, calculando a preços
deflacionados (é descontada a inflação) e convertido em dólares americanos
como padrão de comparação. Inclui nos cálculos os rendimentos de capital,
como os juros, recebidos da balança de pagamentos com o exterior.

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL – Por Revolução Industrial podemos


entender as profundas transformações resultantes do progresso da técnica
aplicada à indústria, ou seja, a passagem de uma sociedade rural e artesanal
para uma sociedade urbana e industrial. Com o seu desenvolvimento, a indústria
se expande da Inglaterra, estabelecendo-se em outros países europeus, como
Alemanha, Bélgica, França e, mais tarde, para outras áreas fora da Europa
Ocidental como Japão, Estados Unidos, Rússia, etc.

SETOR QUATERNÁRIO – É citado recentemente para referir-se às


atividades profissionais vinculadas à Revolução Tecno-cientifica.

76
Referências
Bibliográficas

ALVES, Luci Imaculada de Oliveira; CARVALHO, Rosângela Miranda de; LASMAR, Idárci
Esteves. Espaço em construção. 7ª série. Belo Horizonte, Lê, 1996.

ANDRADE, Manuel Correia de. Geografia Econômica. 8ª ed. São Paulo, Atlas, 1985.

BENKO, Georges. Economia, Espaço e Globalização. Na aurora do século XXI. São Paulo,
Hucitec, 1996.

BAHIA, Governo do Estado da. Regularização do Fluxo Escolar (5ª a 8ª série). Geografia,
segmento B, Salvador, Fundação Luiz Eduardo Magalhães, 2001.

BRASIL, Minietério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecológica.


Parâmetos curriculares nacionais: ensino médio. Brasília, Ministério da Educação, 1999.

CASTELLAR, Sônia; MAESTRO, Valter. Geografia. 6ª série. São Paulo, Quinteto Editorial,
2002.

CORRÊA, Roberto Lobato. O espaço urbano. 2. ed. São Paulo: Editora Ática, 1993.

CORRÊA, Roberto Lobato. Trajetórias Geográficas. Rio de Janeiro, Bertrand, 1997.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Minidicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro,


Nova Fronteira, 1993.

GIOVANNETI, Gilberto. Melhoramentos: Dicionário de Geografia: termos, expressões,


conceitos. São Paulo, Melhoramentos, 1996.

MOREIRA, Igor Antônio Gomes. Construindo o Espaço. 7ª série. Geografia. São Paulo, Ática,
2002.

OLIVA, Jaime; GIANSANTI, Roberto. Espaço e Modernidade: temas da geografia mundial.


São Paulo, Atual, 1995.

O MUNDO HOJE 1995-1996: Anuário Econômico e Geopolítico Mundial. São Paulo, Ensaio,
1996.

PATERSON, J.H. Terra, Trabalho e Recursos. Uma Introdução a Geografia Econômica. Rio
de Janeiro, ZAHAR Editores, 1975.

ROSETTI, José Pascoal. Introdução a Economia. São Paulo, Atlas, 1997.

SANTOS, Milton. Economia Espacial: críticas e alternativas. São Paulo, Editora da Universidade
de São Paulo, 2003.

_______. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 6ª ed.
Rio de Janeiro: Editora Record, 2001.

_______. O Natureza do Espaço. Técnica e Tempo. Razão e Emoção. São Paulo: Editora
Hucitec, 1996.

77
_______. Técnica Espaço Tempo. Globalização e meio técnico científico informacional. São
Paulo: Editora Hucitec, 1994.

_______. O Espaço do cidadão. (Coleção Espaços).São Paulo: Editora Nobel, 1987.


Geografia
_______. Pobreza Urbana. Segunda Edição. (Coleção Estudos Urbanos). São Paulo: Editora
Econômica
Hucitec, 1979.

SANTOS, Milton; SILVEIRA, Maria Laura. O Brasil. Território e Sociedade no início do século
XXI. Rio de Janeiro, Record, 2001.

SENE, Eustáquio de; MOREIRA, João Carlos. Trilhas da Geografia. A Geografia no dia-a-dia:
5ª série. São Paulo, Scipione, 2000.

_______. Trilhas da Geografia. O Espaço Geográfico Brasileiro e Cidadania: 7ª série. São


Paulo, Scipione, 2000.

SERPA, Ângelo. Fala Periferia! Uma Reflexão sobre a produção do espaço periférico
metropolitano, Salvador, 2000.

Sites
http://beto-guedes.letras.terra.com.br/letras/44544/

http://gilberto-gil.letras.terra.com.br/letras/68924/

http://chico-buarque.letras.terra.com.br/letras/86011/

http://www.desempregozero.org.br/artigos/geografia_economica_mundial.php

http://www.funcex.com.br/bases/75-MERCOSUL-ALEX%20S.pdf

http://www.anpec.org.br/encontro2005/artigos/A05A116.pdf

http://www.econ.fea.usp.br/novo_site/publicacoes/estudos_economicos/33_4/borges-
dinizmoro.pdf

http://www.redmercosur.org.uy/Libros/El%20desafio%20de%20integrarse/15-desaf.pdf

http://www.iconebrasil.org.br/portugues/
conteudo.asp?idCategoria=1&iddocumento=13&Currpage=6&Integra=Sim

http://www.galizacig.com/index.html

http://orbita.starmedia.com/geoplanetbr/economia.htm

http://www.feth.ggf.br/Geografia%20Econ%C3%B4mica.htm

78
Anotações

79
Geografia
Econômica

FTC - EaD
Faculdade de Tecnologia e Ciências - Educação a Distância
Democratizando a Educação.
www.ftc.br/ead

80