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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO TOCANTINS

PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO
CAMPUS DIANÓPOLIS

RICARDO SOUZA DE BRITO

DOS CRIMES CONTRA A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO (Arts. 197 a 207 CP)

DIANÓPOLIS/TO
SETEMBRO/2017
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO TOCANTINS
PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO
CAMPUS DIANÓPOLIS

RICARDO SOUZA DE BRITO

DOS CRIMES CONTRA A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO (Arts. 197 a 207 CP)

Trabalho apresentado à Disciplina Direito Penal III


como registro total para a avaliação do Curso de Direito
da Universidade Estadual do Tocantins - UNITINS,
Campus Dianópolis sob orientação do Professor Tenner
Aires.

DIANÓPOLIS/TO
JUNHO/2018
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Conceito

Os crimes contra a organização do trabalho tem previsão legal pelos arts. 197 a 207 do
Código Penal, e segundo o posicionamento do STF são crimes que violam as entidades
representativas de classe, no entanto, os crimes contra a organização do trabalho decorrem de
atos ilícitos praticados no, para, e, em função do exercício da profissão do trabalho, mediante
condutas de/com violência, grave ameaça e/ou fraude, contudo, essa violação acarreta não tão
somente o interesse individual, mais também coletivo sempre dos trabalhadores exigindo para
tal circunstancia o Animus Necandi, definindo, portanto a conduta do (os) sujeito (os) ativo
(os) que se deve ajustar. Como direito social, sua previsão legal está disposta na Constituição
Federal, direito a todo e qualquer cidadão assegurado pela carta magna, nos artigos 6º, 7º e
incisos.

Segundo Welzel, o Direito Penal tem, basicamente, a junção ético-social e preventiva.


A função ético-social é exercida por meio da proteção dos valores fundamentais da vida
social, que deve configurar-se com a proteção de bens jurídicos. Os bens jurídicos são bens
vitais da sociedade e do indivíduo, que merecem proteção legal exatamente em razão de sua
significação social.

O Direito Penal objetiva, assim, assegurar a validade dos valores ético-sociais


positivos e, ao mesmo tempo, o reconhecimento e proteção desses valores, que, em outros
termos, caracterizam o conteúdo ético-social positivo das normas jurídico-penais. A soma dos
bens jurídicos constitui, afinal, a ordem social.

O valor ético-social de um bem jurídico, no entanto, não é determinado de forma


isolada ou abstratamente; ao contrário, sua configuração será avaliada em relação à totalidade
do ordenamento social. A função ético-social é inegavelmente a mais importante do Direito
Penal, e, baseada nela, surge a sua segunda função, que é a preventiva.

Sendo direito garantido constitucionalmente expresso, sua violação contra o


ordenamento jurídico transcendem condutas ilícitas contra órgãos e instituições que se
propõem a proteção dos trabalhadores, tal como visam à proteção da dignidade da pessoa
humana, em seu art.1º CF/88, e seus direitos sociais em seus art’s. 6º e 7º CF/88, por
conseguinte, abstém-se de doutrinas que ratificam tanto sua competência jurisprudencial
quanto seu estímulo na efetivação da própria justiça.
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Bens Jurídicos

Os bens característicos a esta parte especial do código penal, referem-se aos bens
morais e imateriais, os quais dizem respeito, a honra e a liberdade, neste aspecto de exercer de
forma lícita o exercício de sua função em uma instituição empregadora, exercer um trabalho
de maneira honrosa e com total liberdade, vinculada legalmente ao indivíduo e/ou
coletividade.

Atentado contra a Liberdade do Trabalho

Art.197. Constranger Alguém mediante violência ou grave ameaça:

I – a exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a trabalhar ou não trabalhar
durante certo período ou em determinados dias:

Pena- detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência;

II – a abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar de parede ou


paralisação de atividade econômica:

Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

Apresentado em sua tipologia, o transcrito artigo, exige o Animus Necandi, que em


sua essência é o emprego deste constrangimento com violência ou grave ameaça, no
exercício de sua função, o trabalho e atividade econômica, contudo, este trabalho tem
que ser lícito, já o atentado tem que ferir a legislação e ter previsão legal para que seja
sancionado.

Previsto na Constituição Federal nos artigos 6º, 7º e incisos, há, portanto quatro
requisitos que neste caso sempre empregará violência ou grave ameaça: obrigar a exercer ou
não exercer de modo permanente um trabalho, a exercer ou não exercer um trabalho durante
certo período ou em determinados dias, a abrir ou fechar estabelecimento de trabalho e por
ultimo, e não menos importante, a participação de parede, que vem a ser greve, ou de
paralisação de atividade econômica, também descrito como locaute.

Tipologia
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Tem como objeto jurídico a organização do trabalho, e o exercício da atividade


econômica, tendo o crime em relação ao agente como comum, de forma dolosa em qualidade
material transpassando sua conduta, de maneira múltipla, e, em seu aspecto, resultado variado.

Porém, sua tipologia descrita prevalece em relação a lei 7.783/89, cuja mesma não
transcreve figuras tipicamente penais, mais dispõe sobre o exercício do direito de greve,
define suas atividades essenciais, regula o atendimento das necessidades inadiáveis da
comunidade, e dá outras providências. Sua competência diz respeito à ação penal pública
incondicionada, por se tratar de infração de menor potencial ofensivo, onde incidem as
disposições da Lei dos Juizados Especiais Criminais que compreende o instituto da suspensão
condicional do processo, disposto no art. 89 da Lei nº 9.099/95.

Atentado contra Liberdade de Contrato de Trabalho e Boicotagem Violenta

Art.198. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a celebrar contrato


de trabalho, ou a não fornecer a outrem ou a não adquirir de outrem matéria-prima ou produto
industrial ou agrícola:

Pena – detenção, de um mês a um ano, e multa, além de pena correspondente à violência.

De acordo com este artigo, de maneira implícita, o dispositivo, refere-se que a duas
condutas tipificadas, em sua essência delitiva emprega tanto ao agente-empregado quanto ao
agente-empregador, onde na primeira parte do presente artigo a tipicidade encontra-se no
obrigar o empregado a trabalhar para alguém, e na segunda parte do dispositivo há a conduta
delitiva de, boicotar a atividade econômica do empregador. Boicotar com o sentido de
arruinar uma atividade, fazendo com que lhe sejam cortados os meios, suprimentos, créditos,
clientes ou relações, isolando o agente passivo, para induzir apenas ao meio que diretamente
leva ao agente ativo, neste caso, ao agente da conduta delitiva.

Tipologia

No caso em questão, a doutrina e a própria legislação, discorre que a liberdade do


trabalho tanto do empregado quanto do empregador, é o objeto jurídico tutelado, em ação. No
entanto, a conduta delitiva, na primeira parte do dispositivo é consumada apenas com a
celebração do contrato, já na segunda parte do Art.198, CP, é tipificada com o não
fornecimento ou a forma de não adquirir a matéria prima. Contudo, sua competência também
diz respeito à ação penal pública incondicionada, como visto na disposição do art.197, CP,
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cujo mesmo também trata de infração de menor potencial ofensivo, onde incide nas mesmas
disposições da Lei dos Juizados Especiais Criminais que concomitantemente compreendem o
instituto da suspensão condicional do processo, disposto no art. 89 da Lei nº 9.099/95.

Atentado contra a Liberdade de Associação

Art.199. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a participar ou


deixar de participar de determinado sindicato ou associação profissional:

Pena – detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

O presente dispositivo trata da conduta do agente que emprega violência ou grave


ameaça, infringida contra a organização, impedindo o exercício dos direitos assegurados pelo
art. 5º, XVII, da Constituição Federal e pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, tendo
como seu elemento subjetivo, o dolo, é consubstanciado no ato de livre vontade consciente de
obrigar alguém a participar ou deixar de participar da associação profissional ou sindical.

Tipologia

No dispositivo que trata sobre o atentado contra a liberdade de associação, tem-se o


objeto jurídico tutelado é a liberdade de associação profissional ou sindical, ou seja, a
liberdade de associar-se a entidade, cujo mesmo é assegurado pelo art. 5º, XVII da CF/88,
contudo, somente há emprego do concurso de crimes, se houver o emprego de violência
contra o sujeito passivo, a pessoa, onde o agente do crime, responderá por concurso material
com um dos crimes atentado contra a pessoa, sejam eles homicídio, e/ou até mesmo lesões
corporais, sua competência dispõe sobre a Lei dos Juizados Especiais Criminais, onde incide
o instituto da suspensão condicional do processo discorrido no art.89 da Lei nº 9.099/95,
através da ação penal pública incondicionada, por se tratar de crime de menor potencial
ofensivo.

Paralisação de Trabalho, Seguida de Violência ou Perturbação da Ordem

Art.200. Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, praticando


violência contra pessoa ou contra coisa:

Pena – detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

Parágrafo único. Para que se considere coletivo o abandono de trabalho é indispensável o


concurso de, pelo menos, três empregados.
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Neste dispositivo, assim como nos anteriores, o objeto jurídico é o trabalho, porém a
prática deste delito ocorre, apenas em relação a quem participa da suspensão ou do abandono,
que na hipótese prática, vem a cometer violência contra pessoa ou contra coisa. A conduta
incriminada que consiste em participar da suspensão, como dito anteriormente, incorre
especificamente no Lock-out ou Locaute, que é o abandono do trabalho com a participação de
mais de um empregador ou patrão, e a greve, disposta no parágrafo único como o abandono
coletivo de trabalho só incorre na participação de pelo menos três empregados.

Porém, o delito será consumado e o sujeito somente será passivo, seja pessoa física
e/ou jurídica quando sofrer o dano pela violência ou prejuízo a si causado.

Tipologia

Este tem como elemento subjetivo o dolo, incorrido na livre e consciente vontade de
participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, com a prática de violência contra
pessoa física ou jurídica, ocasionando também prejuízo contra a coisa. A consumação do
delito ocasionará na prática do ato violento contra empregado ou empregador durante o
movimento, não descantando a possível tentativa. Como o crime é de menor potencial
ofensivo, sua competência também está prevista no art. 89 da Lei nº 9.099/95, com ação penal
pública incondicionada, nos Juizados Especiais Criminais. Porém algumas jurisprudências
para exemplificação do texto elaborado:

“O simples porte de armas brancas pelos piquetes grevistas não configura a violência
prevista no art. 200 do CP” (TACrSP, antigo, RT 363/206).

“A injustificada falta de prova pericial da violência contra coisa, praticada pelos


grevistas, torna insubsistente a condenação destes pelo delito do art. 200 do CP” (TACrSP,
RJDTACr 24/300).

Paralização de Trabalho de Interesse Coletivo

“Art. 201. Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, provocando a


interrupção de obra pública ou serviço de interesse coletivo:

Pena – detenção, de seis meses a dois anos, e multa”. (ANGHER, 2012, p.371)
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No artigo anteriormente citado, seja empregado, seja empregador, qualquer pessoa


pode ter o agente passivo desta conduta delitiva, entretanto, no que concerne ao sujeito
passivo, tem-se o entendimento de um crime vago, por se tratar da coletividade.

Constitucionalmente a greve é um direito assegurado, no que dispões o art. 9º da


CF/88, no entanto a Carta Magna dispõe que a lei deveria definir os serviços ou atividades
essenciais, além de garantir sobre o atendimento das necessidades fundamentalmente
inadiáveis da comunidade, o efetivou-se na vigência da Lei nº 7.783/89.

Tipologia

No que concerne ao agente ativo da atitude delitiva, tem-se crime próprio, já no que
diz respeito ao agente passivo encara-se como crime comum, pois é a coletividade como um
todo, o ato delitivo de paralisação de trabalho de interesse coletivo, somente poderá ser
praticado na forma dolosa, pois essa prática não abre possibilidade de haver previsão de
modalidade de natureza culposa.

Sendo admitida a tentativa do crime, o mesmo só poderá ser consumado, com a efetiva
interrupção de obra pública ou de serviço de interesse coletivo, por conseguinte, sua
competência para julgamento e suspensão condicional do processo incorre pela Lei dos
Juizados Especiais Criminais, conforme a ação penal pública incondicionada, por ser um
delito de menor potencial ofensivo previsto no art. 89 da Lei nº 9.099/95.

Invasão de Estabelecimento Industrial, Comercial ou Agrícola

Sabotagem

Art. 202. Invadir ou ocupar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola, com o


intuito de impedir ou embaraçar o curso normal do trabalho, ou com o mesmo fim danificar o
estabelecimento ou as coisas nele existentes ou delas dispor.

Pena – reclusão, de um a três anos, e multa.

O dispositivo estabelece o estudo de duas figuras delitivas criminosas, a primeira diz


respeito à invasão ou ocupação de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola, com a
intenção de impedir ou embaraçar o curso normal do trabalho, aquele trata do elemento
subjetivo do tipo e pode ser praticado por qualquer pessoa, sua redação, tem a finalidade de
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impedir ou embaraçar o curso normal do trabalho, onde impedir tem sentido de evitar ou
interromper atividades em curso, ou seja, já iniciadas.

A segunda figura criminosa consiste em danificar o estabelecimento ou as coisas nele


existentes ou delas dispor, com o fim de impedir ou embaraçar o curso normal do trabalho. A
sabotagem é realizada através de duas ações físicas: a) danificar – compreende a ação de
destruir, inutilizar, no caso, o estabelecimento ou as coisas nele existentes (máquinas, matéria-
prima, etc.); b) dispor – significa vender, trocar, locar as coisas existentes no estabelecimento.

Tipologia

O objeto jurídico deste dispositivo é a organização do trabalho, ou seja, o


estabelecimento industrial, comercial ou agrícola, e as coisas nele existentes, cuja forma
incriminadora decorre da invasão do estabelecimento e a sabotagem, além de qualquer pessoa,
o agente ativo responsável pela conduta delitiva também pode ser um terceiro que não seja
empregado. A competência

Frustação de Direito Assegurado por Lei Trabalhista

Art. 203. Frustrar, mediante fraude ou violência, direito assegurada pela legislação do
trabalho:

Pena – detenção, de um ano a dois anos, e multa, além da pena correspondente à violência.

§1º Na mesma pena incorre quem:

I – obriga ou coage alguém a usar mercadorias de determinado estabelecimento do serviço em


virtude de dívida;

II – impede alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza, mediante coação ou por


meio da retenção de seus documentos pessoais ou contratuais.

§2º A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos, idosa,
gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental.

Com a constante evolução do direito dos trabalhadores ao longo dos anos, tem-se
efetivamente constatado a plena busca para aperfeiçoar, elaborar as normas que possa
proteger os direitos da classe trabalhadora. O art. 203 do Código Penal prevê essa proteção,
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com o emprego de sanção de natureza penal, a qualquer ato que com frustação, fraude ou
violência, que nesses termos atinja o direito assegurado por legislação trabalhista.

Tratando-se de norma penal em branco, cuja fonte de consulta é obrigatória, para que
o operador do direito compreenda seu conteúdo em relação à proibição, para garantir os
direitos dessa natureza, encontra-se no rol dos direitos, mais retido do trabalho, a
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), bem como a Constituição Federal de 88 (CF) em
seu art’s. 6º e 7º, bem como em outra lei. Porém, é na CLT, que há previsão de garantias, com
mais precisão, dos direitos tanto dos trabalhadores quando dos empregadores.

Tipologia

No montante, a análise sobre o estudo do art. 203, CP, o bem juridicamente protegido
são os direitos da classe trabalhadora e dos empregadores, assegurados pela lei trabalhista, e o
objeto material em questão é a pessoa que mediante essa natureza do fato delitivo, se vê
frustrada em seus direitos trabalhistas. Em contrapartida, o empregador, o empregado ou
qualquer outra pessoa, sem nenhuma qualificação especial, por se tratar de crime comum,
pode ser o agente ativo. Já no polo de agente passivo, compreende tanto o empregado quanto
o empregador.

Tratando-se de infração penal de menor potencial ofensivo, sua competência


corresponde ao Juizado Especial Criminal, onde a legislação penal prevê o concurso material
de crimes entre as ações delitivas do artigo supramencionado em seu caput e §1º, além do
caráter de violência empregado.

Frustação de Lei sobre a Nacionalização do Trabalho

Art. 204. Frustrar, mediante fraude ou violência, obrigação legal relativa à


nacionalização do trabalho:

Pena – detenção, de um mês a um ano, e multa, além de pena correspondente à violência.

Compreendido em seu caráter, por ser norma penal em branco, o artigo citado é
complementado pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), especificamente em seus
art’s. 352 a 371. Contudo, para haver previsão nesta determinada conduta delitiva, é
necessário que a infração seja cometida com o emprego de fraude e violência. Por
conseguinte, o núcleo tipificado no artigo, é o ato de frustrar, com o intuito de privar, afastar e
enganar.
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A norma vigente em análise tem como escopo penalizar criminalmente o agente que
conduzir a conduta de maneira a frustrar, mediante fraude ou violência, obrigação legal
relativa à nacionalização do trabalho, ou seja, confere proteger o que a lei assegurada aos
trabalhadores nacionais, neste aspecto, brasileiros.

Tipologia

Como bem juridicamente tutelado, temos: “o interesse na nacionalização do trabalho,


particularmente o interesse do Estado em garantir a reserva do mercado para brasileiros”.
(BITENCOURT, 2003, p. 474). Já, “os contratos indevidamente celebrados podem ser
considerados como objeto material do delito”. (GRECO, 2012, p. 414).

Porém, sua consumação, dar-se no instante em que o agente, de fato, frustra, mediante
fraude ou violência, obrigação legal relativa à nacionalização do trabalho, ressalvado pela
legislação, o concurso material de crimes, pelo emprego da violência entre a conduta delitiva
de frustração de lei sobre a nacionalização do trabalho. Nestes termos sua ação penal é de
iniciativa pública incondicionada, em regra tendo como sujeito ativo o empregador, não
impedindo que, qualquer outra pessoa, como empregado ou terceiro, à relação do trabalho,
configure também neste polo, por se tratar de crime comum.

No entanto, apenas o Estado figurará na pessoa do agente passivo.

Por vincular uma infração de menor potencial ofensivo, sua competência


corresponderá ao Juizado Especial Criminal, com a proposta de suspensão condicional do
processo previsto no art. 89 da Lei 9.099/95.

Exercício da Atividade com Infração de Decisão Administrativa

Art. 205. Exercer atividade, de que está impedido por decisão administrativa:

Pena – detenção, de três meses a dois anos, ou multa.

Um crime próprio em relação aos seus agentes, tanto ativo quanto passivo, tendo a
palavra central exercer como pressuposto de habitualidade, este, como prática de determinado
comportamento, o qual o agente encontrava-se impedido por decisão administrativa.

Contudo, a atividade, “está ligado a qualquer profissão lícita, reconhecida pelo


Ministério do Trabalho, a exemplo do que ocorre com os médicos, contadores, advogados,
etc.”. (GRECO, 2012, p. 417).
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Tipologia

Possui por objeto material, a atividade desempenhada pelo agente, e o bem


juridicamente tutelado em estudo é o interesse do Estado no cumprimento de suas decisões.
Podendo apenas ser praticado dolosamente, o crime é de menor potencial ofensivo, sua ação
penal é de iniciativa pública incondicionada.

Por tanto, sua competência é do Juizado Especial Criminal.

Aliciamento para o Fim de Imigração

Art. 206. Recrutar trabalhadores, mediante fraude, com o fim de leva-los para
território estrangeiro:

Pena – detenção, de um a três anos, e multa.

O dispositivo discorre especificamente sobre emigrantes que atravessam as fronteiras


em busca de melhores condições de vida, seja pelo desemprego, pelas situações opressoras em
seu país, com guerras, política e até mesmo pela economia, que não dispõe alternativa de
melhoria para seus cidadãos, vulneráveis pelo sentimento promissor, sujeitam-se as mais
variadas formas de trabalho, pela ação mediante fraude do agente, que sempre prometem
realizações e subsistência.

O conjunto de atos preordenados levados a efeito pelo criminoso normalmente tem


início quando o aliciador adianta uma pequena parte em dinheiro ao trabalhador emigrante,
para atender de imediato às suas necessidades básicas. Começa então, a dívida do emigrante,
ainda no início, antes de sua partida para o futuro local onde prestará o serviço.

No intuito de punir o agente aliciador, a norma prevê sanção a aquele que alicia,
convence, seduz, atraindo trabalhadores, mediante fraude, com o fim de leva-los para
território estrangeiro. No entanto, essa conduta, apenas se tornará delitiva, ou seja, apenas será
consumada, com o recrutamento de trabalhadores, para território estrangeiro, não bastando
apenas induzi-lo, mediante fraude, para outra localidade nacional, pois tacitamente o art. 206,
CP, discorre para território estrangeiro.

Tipologia

Sendo crime comum, crime de menor potencial ofensivo, cabendo-lhe na Lei 9.099/95
em seu art. 89, a proposta de suspensão condicional do processo. A norma legislativa em
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estudo traz como bem juridicamente tutelado o interesse do Estado em manter os


trabalhadores em território nacional, não descartando seu objeto material, que são os próprios
trabalhadores recrutados, ou seja, aliciados.

Tratando-se de ação penal de iniciativa pública incondicionada, seu agente ativo passa
a ser qualquer pessoa, na condição de aliciadora para o fim de emigração, por conseguinte,
qualquer pessoa também poderá figurar no polo de agente passivo.

Aliciamento de Trabalhadores e um Local para outro Território Nacional

Art. 207. Aliciar trabalhadores, com o fim de levá-los de uma para outra localidade do
território nacional:

Pena – detenção, de uma a três anos, e multa.

§1º Incorre na mesma pena quem recruta trabalhadores fora da localidade de execução
do trabalho, dentro o território nacional, mediante fraude ou cobrança de qualquer quantia d
trabalhador, ou, ainda, não assegurar condições do seu retorno ao local de origem.

§2º A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço) se a vítima é menor de 18
(dezoito) anos, idosa, gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental.

Semelhante ao artigo antecedente, o art. 207, CP, prevê sanção para a ação de aliciar
emigrantes, porém, sua previsão incorre em território nacional, de uma localidade para outra,
o que o art. 206, CP, incorre em recrutar emigrantes, para território estrangeiro. No entanto, o
simples fato de aliciar, sem o emprego de fraude, já incorre na penalização.

Tipologia

Em se tratando de crime comum, tanto em relação ao sujeito passivo, quanto ao sujeito


passivo, de caráter doloso. Por meio de ação penal pública incondicionada, o sujeito ativo,
pode ser qualquer pessoa que comete a ação de aliciar o trabalhador, bem como o agente
passivo, que também poderá ser qualquer pessoa.

Cujo bem jurídico do artigo em análise, é o interesse do Estado em manter os


trabalhadores em seu território nacional, mais precisamente em suas diversas e heterogêneas
regiões, na intenção de prevenir o despovoamento de determinadas localidades. O objeto
material estudo na norma legal é precisamente os trabalhadores aliciados.
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Bem como artigo antecedente, o art. 207, CP, incorre na proposta de suspenção
condicional do processo, como prevê o art. 89 da Lei 9.099/95, “desde que não incida a
majorante constante do §2º do art. 207 do Código Penal”. (GRECO, 2012, p. 426).

Bibliografia:

CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal: Parte Especial. 11ª Ed. São Paulo: Saraiva.

GRECO, Rogério. Código Penal Comentado.11ª Ed. Rio de Janeiro: Impetus. 2017