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Anais do IV Congresso da ANPTECRE

“Religião, Direitos Humanos e Laicidade”


ISSN:2175-9685

Licenciado sob uma Licença


Creative Commons

SOBRE BRICOLAGENS E INTERLOCUÇÕES: EXPERIÊNCIAS DE


ESPIRITUALIDADE NO TAI CHI CHUAN E NO AIKIDO

Matheus da Cruz e Zica


Pós-Doutor
PPGCR/UFPB
CAPES/CNPq

ST 08 – ESPIRITUALIDADES E RELIGIÕES NA CONTEMPORANEIDADE: DIÁLOGOS E INTERLOCUÇÕES

Resumo: Tanto o Tai Chi Chuan como o Aikido foram criados como “artes de defesa”, termo
mais adequado do que “artes marciais”, já que na mitologia romana Marte está muito mais
relacionado ao ataque e à sede de sangue do que propriamente com a esquiva e o bloqueio.
No caso do Tai Chi Chuan, também são bastante propagandeados os seus benefícios físicos. O
que precisa ficar claro é que essas práticas têm também todo um investimento na dimensão
espiritual dos praticantes. O Tai Chi Chuan floresce nos mosteiros taoistas chineses, há
aproximadamente seis séculos atrás. Já o Aikido surge ancorado por uma religião japonesa do
início do século XX, chamada Oomoto Kyo, bastante influenciada pela tradição xintoísta. Nesse
trabalho pretendemos elucidar a maneira como os próprios agentes do trânsito cultural Brasil-
China e Brasil-Japão, pela via da divulgação do Tai Chi Chuan e do Aikido nesse país,
constroem representações de si mesmos e de suas ações. Que narrativas produzem a partir
dessas práticas que em seus primórdios estiveram ligadas a religiões bastante definidas? De
que modo a menção às experiências de espiritualidade aparecem relacionadas aos exercícios
físicos que caracterizam essas modalidades práticas? Para alcançarmos as informações de que
necessitávamos utilizamos algumas obras significativas sobre essas culturas corporais e
espirituais, traduzidas e produzidas no Brasil nos últimos anos. Os divulgadores dessas
tradições parecem não exigirem que os participantes dos cursos de Tai Chi Chuan que
oferecem tenham alguma crença religiosa determinada. No caso do Aikido, algo semelhante
acontece. Do mesmo modo que as escolas de Tai Chi Chuan, elas também não demandam do
praticante filiação a tradição religiosa alguma. Essas artes corporais são, portanto, “lugares
culturais” propícios para que as bricolagens e diálogos inter-religiosos aconteçam. Na medida
em que podem ser praticadas e têm sido procuradas por pessoas que não compartilham
obrigatoriamente das crenças religiosas que marcam a origem de cada uma das artes corporais
em questão, embora sempre marcadas pela dimensão espiritual, em muitos casos poderíamos
compreendê-las como verdadeiros canteiros experimentais de “espiritualidades não-religiosas”.

Palavras-chave: Tai Chi Chuan; Aikido; Espiritualidades não-religiosas.

Anais do Congresso ANPTECRE, v. 05, 2015, p. ST0811


Uma das referências bibliográficas mais facilmente disponíveis em idioma
português para consulta sobre a prática do Tai Chi Chuan é o Livro Completo do Tai
Chi Chuan, publicado originalmente no inglês britânico em 1996, que em 2011 recebeu
sua sexta edição da tradução brasileira. Wong Kiew Kit, autor do texto, foi monge
interno do mosteiro Shaolin durante 20 anos e teve oportunidade de aprender não só
diferentes estilos de Kung-Fu externos praticados naquele recinto, como também as
três modalidades mais influentes de Tai Chi Chuan na atualidade: Wudang; Chen; e
Yang. Após todo esse percurso, o Mestre Wong Kit desenvolveu uma noção clara de
que:

Mais significativos do que a correlação entre o Tao Te King e o Tai Chi


Chuan para a saúde e o combate, são os princípios e a prática por trás
da mais elevada realização nessa arte, também derivada do clássico de
Lao Tsé. (Kit, 2011 [1996], p.309)

Nesse trecho fica bastante evidente a noção de que a prática do Tai Chi Chuan
está associada a uma cultura que é textual, com menção que faz ao Clássico do
Caminho – Dao De Jing. Fala também da busca por uma realização maior, algo que
práticas de espiritualidade procuram perseguir. Continuando em sua explicação afirma:

O objetivo mais elevado do Tai Chi Chuan é ter vislumbres das verdades
cósmicas e finalmente vivenciar de modo direto a realidade máxima. Em
termos taoistas e do Tai Chi Chuan, isso significa alcançar o Tao ou
retornar ao grande vazio. (Kit, 2011 [1996], p.312)

Nessa citação o autor retira a diferença entre a cultura corporal do Tai Chi Chuan
e a cultura textual do Dao De Jing, nivelando-as a partir do objetivo semelhante que
perseguem: a) ter vislumbres das verdades cósmicas; e b) vivenciar de modo direto a
realidade máxima. Na tradição da filosofia ocidental, Michel Foucault nos chamou
atenção para a riqueza de culturas espirituais não religiosas de muitos filósofos gregos
e romanos que tinham como metas principais esses mesmos dois temas apontados
pelo Mestre Kiew Kit.

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Em seu curso de 1982, pensando numa possível hermenêutica dos sujeitos,
Foucault se perguntava sobre o porquê da noção de epiméleia heautoû (cuidado de si)
ter sido desconsiderada no modo como a filosofia ocidental acabou refazendo sua
própria história. “O que ocorreu para que se tenha privilegiado tão fortemente, para que
se tenha dado tanto valor e tanta intensidade ao “conhece-te a ti mesmo” (gnôthi
seautón)?” (Foucault, 2011 [1982] p.12-13). Naquela conjuntura, o cuidado de si tinha
em seu âmago uma série de exigências espirituais com as quais estavam relacionadas
as buscas filosóficas de conhecimento de si e de conhecimento do mundo.

Durante todo o período que chamamos Antiguidade e segundo


modalidades que foram bem diferentes, a questão filosófica do “como se
ter acesso à verdade” e a prática de espiritualidade (as transformações
necessárias no ser mesmo do sujeito que permitirão o acesso à
verdade) são duas questões, dois temas que jamais estiveram
separados. Não estiveram separados para os pitagóricos, é claro. Não
estiveram separados também para Sócrates e Platão: a epimeléia
heautoû (cuidado de si) designa precisamente o conjunto das condições
de espiritualidade, o conjunto das transformações de si que constituem a
condição necessária para que se possa ter acesso à verdade. (Foucault,
2011 [1982] p.17)

Bem como o Mestre Keiw Kit tem afirmado para o caso do Tai Chi Chuan e do
Daoísmo, o filósofo francês que temos citado também destaca “o encontro com a
verdade” como o ponto mais importante, culminante mesmo, almejado pelos processos
de busca empreendidos pela maioria dos filósofos gregos e romanos.

A espiritualidade postula que, quando efetivamente aberto, o acesso à


verdade produz efeitos que seguramente são consequência do
procedimento espiritual realizado para atingi-la, mas que ao mesmo
tempo são outra coisa e bem mais: efeitos que chamarei “de retorno da
verdade sobre o sujeito”. Para a espiritualidade, a verdade não é
simplesmente o que é dado ao sujeito a fim de recompensá-lo, de algum
modo pelo ato do conhecimento e a fim de preencher esse ato de
conhecimento. A verdade é o que ilumina o sujeito; a verdade é o que
lhe dá beatitude; a verdade é o que lhe dá tranquilidade de alma. Em
suma, na verdade e no acesso à verdade, há alguma coisa que
completa o próprio sujeito, que completa o ser mesmo do sujeito e que o
transfigura. (Foucault, 2011 [1982], p.16-17)

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Ainda nessa linha argumentativa, o Mestre Wong Kiew Kit acrescenta um novo
elemento nessa discussão:

Os mestres clássicos afirmavam que existem três níveis de realização


no Tai Chi Chuan. No primeiro, os praticantes podem executar
graciosamente uma série de Tai Chi; assim obtém-se boa saúde. No
nível intermediário, desenvolve-se a força interior e pode-se aplicar
impecavelmente os movimentos do Tai Chi Chuan para lutar; eles
proporcionam a eficiência no combate. No nível mais elevado, os
mestres estão no caminho da imortalidade; eles alcançam a plenitude
espiritual, independentemente de sua religião, ou falta dela. (Kit, 2011
[1996], p.306)

Ao mesmo tempo em que reforça a relação entre o Tai Chi Chuan e o Daoísmo,
acaba se encaminhando para um argumento que de certa forma procura retirar o viés
religioso da prática, reivindicando, nesse mesmo movimento, uma centralidade da
experiência espiritual que independeria dos conteúdos ensinados por diferentes
tradições discursivas.

III.

Um dos grandes nomes responsáveis pela expansão do Tai Chi Chuan em


território brasileiro é o do Mestre Liu Pai Lin, chinês que imigra para Taiwan no período
da Revolução Comunista e que, em seguida, chega em São Paulo no ano de 1975,
ensinando nessa cidade até seu falecimento, no ano de 2000. Mestre Liu já era
profundo conhecedor de teorias daoístas provenientes de diferentes linhagens da
China. Assim começa sua atividade no Brasil. Falando para pequenos grupos de
chineses que viviam na capital econômica do país. É, no entanto, através da linguagem
corporal que começa a contar com a presença de brasileiros em suas aulas.
Praticando o Tai Chi Chuan, sem pronunciar uma palavra sequer, paulistanos
começavam a experimentar a cultura chinesa por meio de seus movimentos corporais.
Mesmo integrando o Daoísmo institucionalizado, o que ocidentais tendem a
compreender através da palavra religião, Liu Pai Lin jamais rejeitou alunos que
quisessem aprender as práticas corporais chinesas que sabia. Dentre elas o Tai Chi
Chuan. Isso nos dá mais um indicativo de que o Tai Chi Chuan poderia ser bem

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compreendido através do conceito de espiritualidade não-religiosa, visto que tem
relação com textos canônicos cultuados por grupos institucionalmente organizados,
mas que, no entanto, é praticado e procurado por pessoas que não necessariamente
compartilham dessa esfera de crenças simbólicas e culturais.

Não sendo ginásticas, no mesmo sentido em que normalmente se usa


este termo para designar alguns sistemas ocidentais de exercício físico,
nem sendo as artes marciais meras técnicas de combate, fica difícil
delimitar, nas situações de treinamento, fronteiras rígidas entre técnicas
de movimento, treinamentos de energia, visualizações, posturas e
meditações. (Bizerril, 2007, p.160-161)

Esse aspecto parece também ser válido para o Aikido1, arte “marcial” japonesa
introduzida no Brasil pelo mestre japonês Reishin Kawai, a partir do início da década de
60 em São Paulo. Dentre os vários livros disponíveis em língua portuguesa sobre o
Aikido, este é um dos mais procurados, por conter palavras diretas do próprio fundador
daquela arte, palavras do Grande Mestre Morihei Ueshiba: Ensinamentos Secretos do
Aikido, publicado pela Cultrix em 2010. Wagner Bull, um dos professores de Aikido mais
famosos do Brasil, tradutor de várias obras sobre essa cultura corporal japonesa para o
português, é quem escreve a apresentação à edição brasileira dessa obra. Como as
palavras do Grande Mestre sobre sua própria prática são muito vinculadas ao Xintoísmo
e ao misticismo de uma recém-surgida religião japonesa intitulada Oomoto Kyo, do
início do século XX, referências culturais bastante distantes do universo cultural
compartilhado pela maioria dos brasileiros, Mestre Wagner Bull parece tentar esclarecer
alguns pontos, delimitar certas fronteiras, e definir melhor os conceitos:

Chamo a atenção do leitor para que não associe conceitos religiosos do


xintoísmo com os termos empregados por Ueshiba. É fundamental para
o leitor – cristão, católico, ortodoxo ou evangélico, mulçumano, judeu,
praticante de religiões de origem africana e outras – estar ciente desse
fato para evitar o preconceito religioso ou filosófico, e não perder a
oportunidade, por meio da prática do Aikido, de evoluir espiritualmente,
complementando e nunca contrariando, como temem alguns, as práticas
de suas próprias religiões. Eis por que o fundador disse claramente que

1
Embora o fundador dessa arte “marcial”, Morihei Ueshiba (1883-1969), já viesse desenvolvendo um estilo próprio
desde a década de 20 do século passado, ela só se padroniza e toma a nomenclatura atual nos anos que se seguem ao
final da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

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o Aikido não é uma religião, mas contém sua essência. Os religiosos
precisam entender que, ao buscar ensinamentos e práticas espirituais
por meio da prática do Aikido, não estão de modo algum contrariando o
que sua religião busca. (Bull, 2010, p.12)

O professor Wagner Bull traz também o testemunho de sua própria longa


experiência de ensino do Aikido, no esforço de tornar ainda mais clara a questão:

Comprovei, ensinando durante 22 anos no Instituto Takemussu, que a


prática do Aikido torna ainda mais religiosos os seguidores de alguma
religião; porém, com o tempo, eles efetivamente perdem seus
preconceitos e começam a ter uma visão mais nítida dos princípios que
sua religião professa, pois passam a pensar, a sentir e a julgar por si,
por sua experiência, e não mais influenciados por ideias exteriores. (Bull,
2010, p.13)

Tanto o Tai Chi Chuan, como o Aikido, são práticas que têm suas origens
inegavelmente associadas a textos clássicos considerados por muitos chineses e
japoneses como sendo sagrados e míticos. No entanto, são práticas que não são
excludentes, por que foram desenvolvidas com o intuito de elaboração pessoal e
autoconhecimento, ponto importante para as religiões orientais que não veem nisso um
contraponto em relação à lógica religiosa. Ao contrário, essa autoelaboração é condição
mesma para o progresso dos sujeitos em suas relações com o que transcende a
realidade concreta, de acordo com essas tradições. Essa característica não deixa
também de ser um trunfo dessas artes corporais, no que diz respeito à sua capacidade
de expansão no interior dos mais diversificados contextos culturais.

III.

Para pensarmos o caso da expansão do Aikido e do Tai Chi Chuan no Brasil e


no mundo não podemos deixar de mencionar o conceito de “espiritualidade não-
religiosa”. São práticas que admitem um profundo trabalho interior no ser e em sua
relação com o transcendental, mas que negam a necessidade de filiação exclusiva a
um cânone textual ou religioso específico.

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Entretanto, ao aproximarem-se dessas práticas os sujeitos vão se apropriando
de linguagens que fazem parte de uma outra tradição. Ao se interessarem pela história
dessas práticas, acabam tomando conhecimento dessas religiões orientais que marcam
a fundação dessas artes corporais. Assim, divulgam os textos clássicos chineses e
japoneses no Brasil. Criam mesmo essa demanda por conhecimento desses clássicos.
Se tornam mais exigentes com as traduções. Muitas vezes chegam a tornarem-se
adeptos dessas tradições religiosas.
O próprio Wagner Bull, que na citação acima nos falava sobre essa
imparcialidade religiosa do Aikido, relata em outro trecho que “em 1984, depois de
quinze anos praticando o Aikido, conheci o monge xintoísta Masano Ueno e percebi
que havia praticado e estudado até então uma visão bem limitada desse vasto
Caminho. Foi uma virada em minha via e no Aikido” (Bull, 2010, p.19).
No caso de Wagner Bull, o encontro com o Xintoísmo parece ter sido
fundamental para uma maior compreensão de sua prática. Em relação ao Tai Chi
Chuan, a proximidade com o universo do Daoísmo também vai enriquecendo a sua
compreensão prática. José Bizerril, antropólogo que relata sua experiência com o Tai
Chi Chuan via ensinamentos do Mestre Liu Pai Lin, também depõe a favor do salto
qualitativo da compreensão dessa prática quando associada ao estudo dos clássicos
com os quais está relacionada em suas origens.

...basta afirmar que tomando por base esta verdadeira rede de


correspondências [entre o corpo dos homens e o corpo do mundo]
estabelece-se uma relação de continuidade entre a ordem da natureza e
o mundo humano, que formam os dois termos de um Taiji [símbolo
circular do claro e escuro, representando a complementaridade de Yng e
Yang]. Neste contexto, considerando as práticas taoistas como meio de
realizar essa integração, o Mestre Liu Pai Lin considerava que “a prática
do Taiji Quan é um namoro do Ser Humano com o Céu”.
(Bizerril, 2007, p.144)

Quisemos mostrar nesse texto, portanto, que a divulgação dessas práticas


corporais “marciais” no Brasil trazem consigo toda uma simbologia e uma história que
desperta o interesse dos brasileiros que com elas têm de lidar de alguma forma. Mesmo
que se afirme sua despretensão religiosa, a busca por referências clássicas da cultura
chinesa e japonesa tem marcado o cotidiano de muitos que se aproximam desse
universo de práticas “marciais” no contexto brasileiro. Potencializam, assim, as pontes

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culturais entre Brasil, China e Japão, bem como incrementam a diversidade religiosa do
país, atraindo grupos para o conhecimento de outras tradições de lidar com a
espiritualidade e o transcendental.

Referenciais

BIZERRIL, José. O retorno à raiz: uma linhagem taoista no Brasil. São Paulo:
CNPQ/PRONEX e Attar Editorial, 2007.

BULL, Wagner. Prefácio à edição brasileira. p.9-15. In: UESHIBA, Morihei.


Ensinamentos Secretos do Aikido. São Paulo: Cultrix, 2010.

FOUCAULT, Michel. A Hermenêutica do Sujeito. São Paulo: Martins Fontes, 2011.

KIT, Wong Kiew. O Livro Completo do Tai Chi Chuan. São Paulo: Pensamento, 2011.
[1ª ed. 1996]

LAOZI. Dao De Jing. Tradução direta do chinês para o português por Wu Jyh Cherng.
Rio de Janeiro: Mauad X, 2011. [1ª ed. 1996]

UESHIBA, Morihei. Ensinamentos Secretos do Aikido. São Paulo: Cultrix, 2010.

ZICA, Matheus da Cruz e. Religião, Educação e Marcialidade na formação histórica do


Kung Fu: alguns apontamentos sobre um campo de pesquisas recente no Brasil.
Religare (UFPB). v.9, p.162 – 166, 2012.

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