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A avaliação é um breve comentário dissertativo sobre a noção de biopolítica (suas

conseqüências e desconstrução)... leitura dos textos fundamentais acerca... é para entregar


na próxima quarta (25/04)

Biopolítica

O nascimento da biopolítica
 Quieta non movere – não se deve tocar no que está quieto.
o O governo dos homens na medida em que, e somente na medida em que,
ele se apresenta como exercício da soberania política.
o Estudo da racionalização da prática governamental no exercício da
soberania política.
o “O estado só existe para si mesmo e em relação a si mesmo, qualquer
que seja o sistema de obediência que ele deve a outros sistemas como a
natureza ou como Deus”. (p. 7)
 As formas de governar
o O estado de polícia
o O estado de justiça
 “... cada estado deve se autolimitar em seus próprios objetivos...” (p. 9)
 Mas, e internamente?
o “Em compensação, na ordem do que hoje se chamaria de política interna,
o Estado de política implica o quê? Pois bem, ele implica justamente um
objetivo ou uma série de objetivos que poderíamos dizer ilimitados, pois
se trata precisamente, no Estado de polícia, para os que governam, de
considerar e encarregar-se não somente da atividade dos grupos, não
somente das diferentes condições, isto é, dos diferentes tipos de
indivíduos com seu estatuto particular, não somente de encarregar-se
disso, mas encarregar-se da atividade dos indivíduos até em seu mais
tênue grão” (p. 10).
 O direito como limitação do Estado
o Teoria do direito natural e direitos naturais
o Teoria do contrato para constituir um soberano
 Razão governamental Moderna: “ela consiste na instauração de um princípio de
limitação da arte de governar que já não lhe seja extrínseco como era o direito
no século XVII, [mas] que vai ser intrínseco a ela. Regulação interna da
racionalidade governamental” (14).
o “Dizer que há uma limitação de fato da prática governamental quererá
dizer que o governo que desconhecer essa limitação será simplesmente
um governo, mas uma vez não ilegítimo, não usurpador, mas um
governo inábil, um governo inadequado, um governo que não faz o que
convém” (15).
 A economia política: razão que irá legislar na autorregulação e limitação interna
do governo.
o “... o que a economia política descobre não são direitos naturais
anteriores ao exercício da governamentalidade, o que ela descobre é uma
certa naturalidade própria da prática mesma do governo” (21-22).
 A emergência do regime de verdade com o princípio de autolimitação do
governo.
o “trata-se de mostrar por que interferências toda uma série de práticas – a
partir do momento em que são coordenadas a um regime de verdade –,
por que interferências essas série de práticas pôde fazer que o que não
existe (a loucura, a doença, a delinquência, a sexualidade, etc.) se
tornasse porém uma coisa, uma coisa que no entanto continuava não
existindo” (p. 26-7).
o [...] o par ‘série de práticas/regime de verdade’ forma um dispositivo de
saber-poder que marca efetivamente no real o que não existe e submete-o
legitimamente à demarcação do verdadeiro e do falso. (27)
 O mercado:
o Obedece a mecanismos naturais que não devem ser modificados
o Se torna um lugar de verdade, pois deixa aparecer os mecanismos
naturais – o mercado deve dizer a verdade em relação à prática
governamental (45)
 Como pôr limites jurídicos para o exercício de um poder público.
 A axiomática fundamental dos direitos do homem e o cálculo utilitário da
independência dos governados
o (a lógica da estratégia – tem por função estabelecer quais são as
conexões possíveis entre termos díspares e que permanecem díspares
[...], é a lógica da conexão do heterogêneo, não é a lógica da
homogeneização do contraditório – p. 58)
 O interesse como princípio da troca e o critério de utilidade – a razão
governamental funciona com base no interesse (61).
o “Agora, o interesse a cujo princípio a razão governamental deve
obedecer são interesses, é um jogo complexo entre os interesses
individuais e coletivos, a utilidade social e o benefício econômico, entre
o equilíbrio do mercado e o regime do poder público, é um jogo
complexo entre direitos fundamentais e independência dos governados.
O governo, em todo caso o governo nessa nova razão governamental, é
algo que manipula interesses”.
o Qual o valor de utilidade do governo e de todas as ações do governo
numa sociedade em que é a troca que determina o verdadeiro valor das
coisas? (64).
 Objetivos do Estado
o Exteriores: balança europeia – fazer que não haja nenhum Estado que
prevaleça sobre os demais para reconstituir uma unidade imperial (72)
o Interiores: Estado de Polícia; regulamentação sem marcos determinados
a priori (72)
 Mercantilismo: lógica monetarista e exploração.
 Século XVIII – nova razão governamental
o Liberdade de mercado para adequar a balança europeia
 Concorrência em estado livre
 Posição da Europa como região de desenvolvimento
econômico ilimitado em relação a um mercado mundial.
o Cálculo do jogo em relação ao mundo
 Regulamentação do espaço marítimo
 Projetos de paz e organização internacional
o Ilimitação do mercado externo
 Kant – a garantia de paz perpétua (garantida pela natureza)
 É natural que os seres humanos tenham relações de troca
baseadas na propriedade
 Esse preceito será retomado como obrigação jurídica e
transformado em direito civil.
 A natureza distribuiu os seres humanos em diferentes regiões do
mundo
 Esse preceito será retomado e transformado em direito
internacional.
 A natureza quis que o mundo fosse povoado
 Direito cosmopolita ou direito comercial.
 Desse modo, “a garantia da paz perpétua é portanto, de fato, a
planetarização comercial” (80).
o “O que os fisiocratas deduzem disso tudo é que o governo tem de
conhecer esses mecanismos econômicos em sua natureza íntima
complexa. Depois de conhece-los, deve evidentemente comprometer-se a
respeitar esses mecanismos. Respeitar esses mecanismos não quer dizer,
contudo, que ele vai providenciar uma armadura jurídica que respeite as
liberdades individuais e os direitos fundamentais dos indivíduos. Quer
dizer simplesmente que ele vai munir sua política de um conhecimento
preciso, contínuo, claro e distinto do que acontece na sociedade, do que
acontece no mercado, do que acontece nos circuitos econômicos, de
modo que a limitação do seu poder não seja dada pelo respeito à
liberdade dos indivíduos, mas simplesmente pela evidência da análise
econômica que ele saberá respeitar. Ele se limita pela evidência, não se
limita pela liberdade dos indivíduos” (84).
 A arte de governar liberal consome liberdade, é obrigada a produzi-la e a
organiza-la. (86)
 Cálculo para a produção e organização da liberdade: segurança
o Até que ponto os interesses individuais não constituirão um perigo para o
interesse de todos.
 Crise do dispositivo de governamentalidade liberal

 A fobia do Estado
 “o Estado não é um universal, o Estado não é em si uma fonte autônoma de
poder. O Estado nada mais é que o efeito, o perfil, o recorte móvel de uma
perpétua estatização, ou de perpétuas estatizações, de transações incessantes eu
modificam, que deslocam, que subvertem, que fazem deslizar insidiosamente,
pouco importa, as fontes de financiamento, as modalidades de investimento, os
centros de decisão, as formas e os tipos de controle...” (p.106).
 A questão da legitimidade do Estado alemão
o A legitimidade a partir da liberdade econômica
 “Ela produz um consenso permanente, um consenco permanente
de todos os que podem aparecer como agentes no interior dentro
desses processos econômicos. [...] Todos esses parceiros da
economia, na medida mesma em que aceitam esse jogo
econômico da liberdade, produzem um consenso que é um
consenso político” (114-115).
 “[...] a economia produz sinais, produz sinais políticos que
permitem fazer funcionar as estruturas, produz mecanismos e
justificações de poder” (116).
 A concorrência não é pura e natural; “A concorrência pura deve
ser e não pode ser senão um objetivo, um objetivo que supõe, por
conseguinte, uma política infinitamente ativa. A concorrência é
portanto um objetivo histórico da arte governamental, não é um
dado natural a respeitar” (164).
 “O problema do neoliberalismo é, ao contrário, saber como se pode regular o
exercício global do poder político com base nos princípios de uma economia de
mercado. Não se trata portanto de liberar um espaço vazio, mas de relacionar, de
referir, de projetar numa arte geral de governar os princípios formais de uma
economia de mercado” (181).
 Como o neoliberalismo transformou o liberalismo
o Não vai se situar sob o signo do laissez-faire, mas sob o signo de uma
vigilância, de uma atividade, de uma intervenção permanente.
 O estado de direito – modelo do liberalismo alemão que influencia tanto na
política econômica francesa quanto em problemas e teorias estadunidenses.
 “[...] o objetivo princial de uma política social certamente não era considerar
todas as vicissitudes que podem ocorrer à massa global da população, mas que
uma verdadeira política social devia ser tal que, sem tocar em nada do jogo
econômico e deixando, por conseguinte, a sociedade se desenvolver como uma
sociedade empresarial, instaurar-se-ia um certo número de mecanismos de
intervenção para assistir os que deles necessitam naquele momento, e somente
naquele momento em que deles necessitam” (285).
 Inicia-se no neoliberalismo americano um processo em que “tentam utilizar a
economia de mercado e as análises características da economia de mercado para
decifrar as relações não-mercantis, para decifrar fenômenos que não são
fenômenos estrita e propriamente econômicos, mas são o que se chama, se vocês
quiserem, de fenômenos sociais” (329).
 Assim, aplica-se a lógica econômica ao casamento, à educação dos filhos, à
criminalidade. (365) – homo oeconomicus.
 Biopolítica – “a maneira como se procurou, desde o século XVIII, racionalizar
os problemas postos à prática governamental pelos fenô menos próprios de um
conjunto de viventes constituídos em população: saúde, higiene, natalidade,
longevidade, raças...” (431)
 Como esses problemas específicos de vida e da população foram postos no
interior de uma tecnologia de governo que, sem ter sempre sido liberal, longe
disso, não parou de ser acossada desde o fim do século XVIII pela questão do
liberalismo

Guarnição 102
Grelhado 122 -12,9 – adicional feijão tropeiro 2,50
Molho barbecue

Biopolítica é um termo foucaultiano que se refere à forma de governo que controla a Bios, a
vida da população em sentido estrito.
Para Foucault, a biopolítica emerge do liberalismo que, para ele “se opõe à razão de Estado,
ou antes, [a] modifica fundamentalmente sem talvez questionar seus fundamentos” (30).
A relação entre governo e indivíduos governados se modificou: no sistema político de
soberania anterior, Foucault mostra que havia uma série de relações jurídicas e econômicas
que obrigavam o soberano a proteger o súdito, mas apenas num contexto de ameaça de
inimigo externo. No liberalismo, ao contrário, o governo deverá “arbitrar a liberdade e a
segurança dos indivíduos em torno da noção de perigo” (90). Eis o paradoxo: pautar-se nas
liberdades – que sugerem jogar-se ao perigo –, mas geri-las a fim de trazer a segurança para
os indivíduos e para a coletividade.
Foucault também aponta que, a partir daí, criou-se uma cultura do perigo, em que, a partir
do século XIX “por toda parte vocês veem esse incentivo ao medo do perigo que é de certo
modo a condição, o correlato psicológico e cultural interno do liberalismo. Não há
liberalismo sem cultura do perigo” (91). Decorre daí a criação um contrapeso das
liberdades, com um sistema de coerção e controle.

Foucault - Soberano fora da biopolítica


Agamben, Mbembe - Recoloca-se o soberano na biopolítica e morte
Derrida Não se critica o estado biopolítico, mas zoobiopolítico

Esposito, anos depois, continua a análise da Biopolítica. Para ele, faltou a Foucault alguns
elementos de análise. Assim, Esposito adiciona um elemento à análise: a imunização, que
se caracteriza como o nexo peculiar entre biopolítica e a modernidade.
Com o passar do tempo, desde que Foucault discutiu e trouxe o tema à baila, muitas
transformações ocorreram na política internacional e nos paradigmas que sustentam as
sociedades. Esposito chama a atenção, por exemplo, para algumas categorias que perderam
ou tendem a perder o sentido, como “el dispositivo político de la soberania” (24), que sofre
um duplo caminho: ou gradualmente perde o sentido por ser uma categoria que vai
minorando, ou o perde por se estender de uma forma tão ampla (como no caso dos EUA)
que faz desabar os seus fundamentos iniciais.

Esposito inicia uma análise etimológica do termo. O termo grego biós é entendido como
“‘vida calificada’ o ‘forma de vida’” e é colocado em contraste com outro termo, “zoé”, “la
vida en su simple mantenimiento biológico”.
Recuperando textos anteriores a Foucault, Esposito mostra que a primeira elaboração da
biopolítica foi a de que “una política construída directamente sobre el bíos está siempre
expuesta al riesgo de subordinar violentamente el bíos a la política” (32).

Em seu extenso trabalho, Foucault buscou fazer uma “história dos regimes de veridição”,
como ´´e explicado no Nascimento da Biopolítica. Ao se tratar de uma história da verdade,
coloca como os termos da veridição são constituídos historicamente, não metafisicamente.
Trazendo essa ideia – aqui colocada e maneira rasa e simplificada – nos moldes os estudos
estéticos, a forma como o estudioso da estética se aproxima do objeto de estudo não se dá a
partir de verdades universais, mas da constituição de verdades que possuem variáveis
históricas, sociais e culturais bastantes diversas. Daí a multiplicidade de aproximações do
objeto de estudo e que, ao se propor um pensamento honesto de analise e de pensamento,
estão vinculadas a essas variáveis e se constituem na sua pertinência para um contexto geral
ou específico e se pautam na escolha do pesquisador. Sendo escolha, já se supõe um
processo de elencar os elementos que nortearão a aproximação do objeto estudado.
Nesse sentido, ao se tratar da Epistemologia do Romance, têm-se uma justificativa de
determinadas escolhas, não uma valorização universal de como se deve tratar o romance. O
desenvolvimento de categorias como leitor-pesquisador, gesto estético e outras são as
construções utilizadas para delimitar um âmbito e uma forma de análise que não se
pretende universal ou necessária. Não há, na Epistemologia do Romance, a pretensão de
negar outras formas de investigação; apenas a delimitação de uma escolha própria de um
grupo, com base em certos fenômenos e certas variáveis.
Acredito que as questões de verdade estão no cerne do desenvolvimento dos pensamentos
ocidentais e o que pautou as várias epistemologias construídas. Quando se trata da
veridição de ideias, de pensamentos que subtendem certas práticas – e, especificamente, no
caso do pensamento científico – a percepção estética sempre foi um problema. Até que
ponto a percepção estética age como um fator de construção de verdades?
Gadamer coloca isso no seu Verdade e Método. Ao tratar da epistemologia, coloca
inicialmente os dois tipos de pensamentos que entram em choque com a razão científica: o
estético e o histórico. Kant já problematizava a percepção estética, tentando aloca-la no
contexto de suas Críticas. O que se pode pensar, no contexto atual, sobre a estética?
Desse modo, a Epistemologia do Romance propõe a seguinte questão que norteia as suas
construções: como pensar a condição humana através de romances? Que isso é possível,
não se discute; o processo, agora, é fazê-lo.

Em seu extenso trabalg