You are on page 1of 4

1

Teste de avaliação contínua de Direito das Sucessões


30 de maio 2018
Breves Notas de correção

I - Análise das liberalidades e vocações indiretas:


1) 1977:
Cláusula 1) Legado em substituição da legítima (artigo 2165.º) feito em
convenção antenupcial. Em primeiro lugar, poderia discutir-se a sua natureza, visto que
é realizado em benefício de um nascituro não concebido. Este tem capacidade
sucessória, na sucessão contratual e testamentária, nos termos do artigo 2033.º/2/a. No
entanto, não fará sentido exigir-se a sua aceitação para que a disposição tenha um valor
contratual, nos termos dos artigos 1704.º e 1705.º. Uma solução possível seria aplicar o
artigo 1889.º/1/j, por analogia. Como, neste caso, o disponente é um dos progenitores,
pode presumir-se que a disposição foi aceite.
No entanto, o legado em substituição da legítima não pode ser realizado através
de convenção antenupcial, pois, ao implicar a perda do direito à legítima, configura um
pacto sucessório renunciativo, nulo (artigos 2028.º/2 e 2170.º). A entender-se que não
teria havido aceitação, aplicar-se-ia o artigo 1704.º e a disposição converter-se-ia numa
deixa testamentária, sendo, por isso, válida. A disposição vale em benefício de
Edmundo, pois este foi o último filho de André a nascer.
Cláusula 2) pacto sucessório renunciativo, nulo, nos termos do artigo 2028.º/2.

2) 1999: Testamento público (2204.º, 2205.º). São respeitados os requisitos de


validade formal e substancial.
Cláusula 1) Legado em substituição da legítima (artigo 2165.º) em benefício de
Edmundo, válido, repetindo a disposição que foi realizada na convenção antenupcial,
visto que tal disposição não seria válida, como André suspeitava (artigo 2165.º). A sua
imputação dar-se-á na legítima subjetiva fictícia de André (artigo 2165.º/4). Após ser
realizada esta imputação, o que sobrar acrescerá aos restantes sucessíveis legitimários
(artigo 2137.º/2), visto que a aceitação do legado em substituição da legítima configura
uma causa de não poder aceitar a herança e não há direito de representação (artigo
2138.º).
A doutrina discute se o legatário em substituição será igualmente excluído da
herança legítima. Na posição assumida nesta regência, a resposta é negativa, tendo em
conta o elemento literal do artigo 2165.º/2, bem como o facto de não estar formalmente
em causa um repúdio da herança, a que se poderia aplicar o princípio da indivisibilidade
da vocação (artigos 2054.º e 2055.º). Posição contrária é sustentada por Duarte Pinheiro,
com base no referido princípio. O aluno poderia optar por qualquer uma das duas
posições.
Cláusula 2) Deixa testamentária a título de herança em benefício de Xerxes
(artigo 2030.º/2). A quota será calculada tendo em conta a seguinte fórmula: Valor total
da herança testamentária= R- P = 700-100 = 600 : 20 = 30. Xerxes poderá ser declarado
indigno, 2034.º/a. Coloca-se o problema de saber se a indignidade opera
2

automaticamente ou se tem de ser judicialmente declarada, havendo divergência


doutrinal nesta matéria. Hoje em dia, a mais recente alteração levada a cabo pela Lei n.º
82/2014, de 30 de dezembro, aponta no sentido de necessidade da declaração ação
judicial em qualquer caso.
De qualquer modo, o aluno poderia presumir que a indignidade operou. A
devolução da sucessão ao indigno tem-se por inexistente (artigo 2037.º/1). Não haverá
direito de representação em benefício de Ricardo, filho de Xerxes, não sendo a
indignidade um pressuposto do funcionamento desta vocação indireta na sucessão
testamentária (artigo 2037.º/2 a contrario, e artigo 2041.º/1). A quota atribuída a Xerxes
acrescerá àquela que foi atribuída a Zeferino, nos termos do artigo 2301.º, visto que não
há direito de representação (artigo 2304.º). Não estando a quota atribuída a Xerxes
onerada com qualquer encargo, o acrescer opera automaticamente (artigo 2306.º),
tratando-se, em rigor, de uma situação de não decrescer, de acordo com a distinção feita
na doutrina por Oliveira Ascensão.
Cláusula 3) Deixa a título de herança (artigo 2030.º/2), que terá o valor de 30, de
acordo com a fórmula já indicada para calcular a quota atribuída a Xerxes (artigo
2068.º). A esta, acrescem os 30 da herança a que não chegou a ser chamado Xerxes.
Imputação na quota disponível (60).

3) 2003: Testamento cerrado (artigos 2204.º e 2206.º). São respeitados os


requisitos de validade formal e substancial.
A doutrina analisa esta disposição como um legado por conta da quota,
entendendo que está em causa uma figura unitária denominada herança ex re certa. Na
conceção de Galvão Telles, estaria em causa um herdeiro-legatário, o que significa que
Zeferino não poderia repudiar autonomamente a deixa do bem x25. Apesar de a doutrina
maioritária entender que nada impede um cruzamento dos critérios do artigo 2030.º, foi
posição desta regência que a herança ex re certa é um conceito inadmissível, perante o
teor do artigo 2030.º, que afasta a relevância da vontade do testador na qualificação dos
sucessíveis, consagrando critérios objetivos dos quais resulta tal qualificação. Isto
significa que Zeferino será um herdeiro e, igualmente, um legatário num legado
particional, podendo repudiar este último e aceitar a herança (artigo 2250.º/2). A deixa
do bem x25 caduca.

4) 2006: Doação em vida (artigo 940.º) a Carlos tacitamente dispensada de


colação (artigo 2113.º/1), pelo que será imputada na quota disponível (artigo 2114.º/1).

5) 2009: Doação em vida a Daniel (artigo 940.º) sujeita a colação. Esta foi feita a
um presuntivo herdeiro legitimário prioritário no momento da realização do ato (artigos
2104.º e 2105.º), e preenche igualmente o âmbito objetivo da colação (artigos 2104.º,
2105.º e 2110.º). / A imputação da doação terá lugar na quota hereditária legal de Daniel
(artigo 2108.º/1).
3

II- Partilha
Concurso de cônjuge e descendentes: artigos 2133.º/1/a; 2134.º e 2135.º, por
remissão do artigo 2157.º.
VTH = R(700) + D(40+260) – P(100) = 900 (2162.º)
QI = 600 / QD = 300 (artigo 2159.º/1)
Divisão da QI por cabeça, artigo 2139.º/1, ex vi 2157.º.

-Mapa provisório-
QI 600 QD 300 Total
B 150 + 40(b)
C 150 + 40(b) K40 (f)
D 150 + 40(b) 70 (e)
(190)(c)
E (legatário em 150 (30)(a)
substituição)
Z --- 60 (d)
Total 600 170

(a) Imputação do legado em substituição a E na sua legítima subjetiva fictícia.


(b) Acrescer do que sobra após a imputação do legado em substituição a E.
(c) imputação da doação a D até ao limite da sua legitima subjetiva.
(d) Imputação da herança testamentária a Z, pressupondo que houve o acrescer sobre X
(30+30).
(e) Imputação do excesso da doação a D.
(f) Imputação da doação a C dispensada de colação.

Igualação: a) método das tentativas


1.º quota disponível livre = 300 – (40+70+60) = 130.
2.º Igualação, não sendo possível a atribuição de 70 a B, C e E (que também é
contabilizado, pois não é afastado na sucessão legítima), a QDL divide-se por cabeça =
130: 3 = 43,333
3.º Nada sobra para dividir.

Igualação: b) método do cálculo da Quota Hereditária Legal (QHL)


1) QHL = Legítima subjetiva + Parte na Herança Legítima Fictícia (HLF)
= 190 + 66,66 = 256,66
2) HLF = Quota disponível livre (130) + Parte da Doação em vida imputada na
QD (70) = 200
3) Divisão da HLF = 200 : 3 = 66,6 (conta-se com E pois, na posição desta
regência, este não foi afastado na sucessão legítima),
4

-Mapa definitivo-

QI 600 QD 300 Total


B 190 + 43,33 (a) 233,33
C 190 K40 + 43,33 (a) 273,33
D 190 70 260
E (legatário em 30 + 43,33 (a) 73,33
substituição)
Z --- 60 60
Total 600 170 900

(a) Igualação possível, visto que o valor da doação ultrapassa o valor da quota
hereditária legal.