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Conselho edUorial Dr. 1\-0Jo.<é Both (1'r<<i.k~IC)


O••Ekn. Go..loy
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Or. N,lson Luis Di ••
Dr.l,llfGr<gor Raro"o\\'

Edllor-chele U",1s.>1: A","1><~.

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MaI'CclaMarian:t de Abreu

Editor de arte R.phad Bctl\.~elli

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1" edição. 2010.

foi leito o <Jepósllo Ioga!.

InJormamos QUO ~ de Int •• a 'eaponsa~&cJe do~ autores a emiSSãO de conceitos. l~\.


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A disti~ção centralentr~ ageStã() desenvolvida a partird:tt.tia:i:1J(':


raçã~ do capitalismo e a:q\le fig~ra\,a 110selJ1briõesd~~se'rn.o.~o
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de produção, ocorre no F0':\trole sobre processo de prodl1~ã~. '
Como,vimos, as primeiras formaS de gestão'nã~ sebaseav~~h(;
controle sobre o trabalhó, uma vez que o trabalhador era reSpon-
sá~el pela produção das:rnerçadorias que s.eriam rev.endidE:,uQ
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mercaqo pelos primeiros capitalistas:

Em seus inlcios, o capitalismo'não muda o processo de trabalho. O


produtor direto, agora empregado pelo Capital,continua a realizar
, ' seu oHcio da mesma maneira que antes, 'quando lhe'pertênc.iam as
condiçóes objetivas de trabalho. Os instrumentos de trabãlho con-
-"., ......•.... ....
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, tinua~o~ ~es~~~;'1t~íi}p;ii4~J_-ri\~fua~tiçã?'4.é_~~diãd~t.J~t.r.~:',':,'
, o homem ió óbje'cp'decrabathó; Éô'tritba1hadó~:qúe iIlahéjãiüâ:'

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Mas essai~rma,d~ gestãodOfrabat~6~eve-~!~2;(;-~~~i~i~


dade curto; pois râpidáiiléíite'surgíramp~óbleriias~riess~si*ttilia-'--
de subcontratação e priQcipalrnent~ p~rque ~s-~pitalisi:a~16go-
descobriram que seria muito mais lucrativo reunir vários traba-
lhadores num mesmo locai e f~er com que eles seguissem suas
imposições de trabalho., Fazendo valer o controle sobre o pro-
~'. cesso de trabalho, os capitalistas e seus representantes poderiam
fiscalizar a qualidade das m'ercadorias e:determinar o ritmo e a
organização da produção.

" .:
A partir daquele moment~, o capitalista não estava mais Precisamos ressaltar que, quando afirmamos que o traba-
preocupado em comprar o fruto da produção dos trabalhadores, lho dentro de uma empresa capitalista não satisfaz o trabalhador,
mas em adquirir a disponibilidade de trabalho a ser utilizada na não estamos nos referindo a llll).a opção de gosto. Não se trata
sua empresa; da:maneira que julgasse ser mais eficiente. Ou seja, de gostar ou não gostar do trabalho e das pessoas que compõem
no lugar de comprar o resultado do trabalho dos empregados, o a empresa na qual se trabalha. mas da condição ontológica que
capitalista passou a apropriar~se da energia física e mental do afasta'o trabalhador de sua condição de vida: a possibilidade
trabalhador, impondo a finalidade que desejasse. Assim, "o que o de decidir de que forma deverá efetuar o seu trabalho. Como
tr:abalhador vende e que o capitalista compra não é uma. quan~ nas empresas capitalistas o trabalho não é seu, mas a posse é do
tidade contratada de trabalho, mllS a força.para trabalhar 'por patrão, ocorre, mesmo que o trabalhador não tenha consciência
u~ período -~on~ratado de tempo" (Bravt;.rrnan, 198i~~;5.6, disso, o processo de alienação. Por não apreenderem corretamen~
gnfo ~o origin~Q. te essa contradição do modo de produção capitalista, as várias
teorias motivacionais presentes no desenvolvimento da gestão
A mudança ocorrida nã organização da produção promo~
capitali~ta se dedicaram, sem sucesso, a resolver esse paradoxo •
.' .;.veu impactos diretos da regulação entre o homem e o processo
Grande parte delas, para resgUardar o-domínio dos capitalistas
de trabalho de tal grandeza que os dois chegaram a tornar~se
sobre ~s trabalhadores, advoga que a insatisfação do trabalhador
. palas antagônicos de uma mesma relação. Com a vigê~cia do
~dvém de problemas individuais, coletivos ou ambientais, mas
capitalismo, o trabalhador foi desapropriado do controle não
. nunca. ~a própria estrutura da produção.
so~~nte dos meios de produção, como do futuro do produto
. por ele produzido, mas também de todo o processo 'de trabalho. Com base nessa perspectiva, o primeiro representante clás~
Este, reduzido. à força de trabalho, transforma~se numa merca~ sico da gestão capitalista, Taylor, elucidaI de forma concreta, que
daria à disposição do capitalista, como qualquer~utra presente .cabecxatamente ao gestor a função de fazer com que o trabalha~
no mercado. O trabalhador foi, ao mesmo tempo, expropriado dor produza o máximo possível e que ainda seja muito feliz com
.'.. dos meios eSlienciais de produção, do fruto do seu esforço pro~ .à ~a'io-t exploração de seu trabalho, ou seja, que mantenha o sor-
'-'-'~.' dutivo e'da capacidade de decidir como usar sua força de traba~ riso mesmo que esteja sendo obrigado a trabalhar para manter a
,L- lho. No modo de produção capitalista, o domínio sobre todos riqueza do capitalista:
',-i:" ,":. ,.. ~' . . os elementos necessários à produção das condições materiais de
.Verificamos que o carregall1ento mêdio era de 12% toneladas por dia
sobrevivência das pessoas que integram a' sociedade fica restrito
. ~•..-'. . a uma pequena quantidade de pessoas: a classe capitalista.
e por homem. Depois de 'estudar o assunto, surpreendemo-nos ao
comprovar que os carregadores melhores podiam transportar entre
Em paralelo ao processo de oposição do trabalhad~; ao . '. 47 e 48 toneladas por dia, em ve2;de 12% toneladas.
resultado do seu trabalho, surge, então, uma nova forma de ... Nosso dever consistia em providenciar que as 80.000 toneladas de
barras fossem colocadas nos vagÕes na. proporção de 47 toneladas
alienação, entre o trabalhador e o processo de trabalho. Como
por homem e por dia, em vez de 12%, como estavam sendo trans-
o trabalhador entr<i n<l,c;:mpresa para acatar ordens e efetuar' seu
, porradas anteriormente. E, .alêm disso, era tambêm nossa obrigação
\ trabalho de acordo com as imposições de seus chefes, é deter~
cogitar que tal serviço fos~e ~xecutado sem discussóes graves e, 'de
minante.que ele não sinta essa ,atividade como integrante de sua 1 modo,
l•• que os operário~ se sentissem tão satisfeitos em carregar
vida. Como esta é uma realidade imanente e eterna do modo de 47 toneladas em ~édia 'côfuo as 12% na forma antiga. (Taylor, 1982,
. produção capitalista, cabe aos capitalistas e seus representantes p.53-54)
solucionar este paradoxo: fazer com que o trabalhador se dedi-
que ;lO máximo numa atividade que não lhe satisfaz.

44
I..:
1'[ Nesse sentido, a gestão proporciona falsas soluções pat'a a da grande:ta normal. Ocorre aqui, portanto, uma antino.mia, direito
I.', oposição de interesses entre trabalhadores e capitalistas, alme,' contra direito, ambos apoiados na lei do intercâmbio de mercadorias.
f I
. Entre direitos iguais decide a força. E assim a regulamentação da
jando uma' disfarçada harmonia no interior da empresa. Se por .
f
! um lado, o gestor precisa estar em contato direto com os ttaba,
jornada d~~rabalho apresenta-se na hist6ria da produção capitalista
co.mo uma lut~ ao redor dos limites da jornada de trabalho - uma
lhadores, conhecendo a realidade; os problemas e as limitàçóes
lutà entre o capitalista coletivo, isto é, a classe dos capitalistas, e o tra'
deles, por outro lado, não é a vont~de dos trabalhadores que ele balhador coletivo, ou a classe trabalhadora. (Marx, 1985a, p.190)
deverá atender, mas a dos capitalistas. Podemos cónstruir' a se~
guinte imagem: enquanto está com os pés no trabalho, o.gestor
tem a cabeça no capital. __ . Todavia, mesll).~entre os gestores capitalistas, tese da a
harmc"nia entre trabalhadores e capitalistas não constitui una'
Dia~te dessa localização ~péc.íficã no tSpaço ci~produçã~ .. :.:.~ nimidade. Ao exporás razões pelas quais os capitalistas não
capitalista, o gestor aporta uma mediação entre os trabalhadores - deveriam permitir, a participação dos trabalhadores no lucro da
e capitalistas e, por isso, seu di~cursõ natural é q~e s~ja um prove' : empresa, Fayol, um ~litro autor clássico da gestão, admite que
dor de relações harmônicas entre eSses polos. N~ c~so deTaylor, existem conflitos ,entre o trabalho e o capital e que o papel da
o apresentador de sua obra mais famosa apontab~~.para o uso gerência é tenti~apa~iguá-Ios:
desse recurso: "representa também, pelo ren~me que alcançou,
um marco crucial a evolução das ideias sobre. produção, rique, . Não me parece' que 'se possa contar, ao menos no momento, com
za e relações harmônicas entre empregadores'e empregadosl!)" este modo de retribuição, para apaziguar os conflitos entre o capital

(Gerencer, 1982, p. 11). Não obstante os esforços dos teóricos e ot-rab~lho. Felizmente, tem havido até O presente outros meios
suficientes para assegurar à sociedade uma paz relativa; esses meios
da gestão capitalista voltados para o convencimento dessa" te~e!
ni~ perderam' sua eficá.cia. Cabe aos chefes estudá-los, aplicá-los e
a realidade da empresa é inquestionável: nãôsepóde pro mo, .
f3::ti-l~s triunfar. (Fayol, 1970, p. 52)
ver relações harmônicas quando existem dois "po16s antàgônl;"
cos, não apenas com interesses, mas com necessidades opostas. ." .'-?;..;.

Enquanto o trabalhador luta para diminuir a exploração sofrida, .:' , Fant~iar uma relação harmônica entre trabalhadores e ca-
o capitalista combate as conquistas trabalhistas que reduzem pitalistas não p;ssa, portanto, de efeito ideológico para legitimar
sua margem de lucro: a exploração do trabalho, mas, mesmo assim, é necessária p:ra
a manutenção dó gestor, pois acarreta recebimento de saláriOS,
o capitalista afirma seu direito como comprador, quando procura ou outras formas de rendimento, no final do mês. Como quem
prolongar o mais possível a jornada de trabalho e transformar onde lhe foinece a rÚriuneração são os capitalistas, nada mais natural
for possível uma jornada de trabalho em duas. Por OUtro lado, a na- , que o gestor rrlistifique a realidade da empresa, a fim de manter
tureu especifica da mercadoria vendida implica um limite de seu
a situação o mais calma e tranquila possível. Basta citarmos a
consumo pelo comprador, e o trabalhador afirma seu direito como .
~.
existência da mais,valia, que representa, na prática, a exploração
vendedor, quando quer limitar a jornada de trabalho a determina-
dos trabalhadores pelos capitalistas, para desmistificar toda essa
conjectura. Estando consciente desse fato, podemos afirmar,q.ue
1 A busca pela harmonia entre empregados e empregadores é uma qualidade im- a imagem de ~elação harmônica dentro das empresa~, pratica
prescindível para o funcionamento da empresa capitalista e, POt isso, o desejo de discur~ivatãotepetida nos manuais de gestão, serve, Unicamente,
todo capitalista é que ela nunca seja abalada. Brccht (1990, p. 80) exemplilica bem
o discurso capitalista voltado para esse lim: .Irmãos, que mome'nto! O mercado
. para encobrir ~ existência da exploração de uma classe pela outra
volta à vida; O pior já passou, a crise está vencida; Benditos os empregadores, com vistas à promoção de relação pacífica entre elas.
benditos OI empregados; Que à fábrica tomam felizes e congraçados; A voz da
razão ouvida com maturidade; Trouxe o bom senso à nossa sociedade; Abram-se
os portões. funcione o parque industrial; ~ no trabalho que se entendem proleta-
riado e capital':

46
Por trás do senso comum presente nos manuais da ges- dos principais problemas que afligem a função da ~e~ênci~.E~se
tão capitalista, procura-se manter e legitimar os interesses dos resultado ficou conhecido como"gerência, ou admlnlstmçao cIen-
capitalistas, difundindo-os como universais. Tanto este como tífica, e pode ser definido como ~'umempenho no sentido de apli-
outros artiflcios são utilizados cotidianamente na gestão capi- car os métodos da ciência aos problemas complexos e cres~entes
talista para um fim determinado: sobrepujar a insatisfação dos do controle do trabalho nas empresas capitalistas em rápIda ex-
trabalhadores e acabar com a resistência contra a exploração do pansãon (Braverman; 1987; p. 82).
.í trabalho. Em outras palavras, "a superação do desinteresse do .
.:,.:.=:-- .:'
'. , A grande contribuição de Taylor não foi ter realizado. algu-
trabalhador e a neutralização de sua resistência às condições de ma descoberta importante que tenha alterado ~ d~senv~lvImen-
trabalho impostas pelo capital são puscadas. ~través da gerência" to da gestão, mas sinl ter sintetizado as expenencIas eXIstentes,
(Paro, 1988, p. 60,-grifo do o~iginal). _ . ,. ~'":.-, .'~~','
... .
" .. classificado-as e retirado técnicas para organização do trabalho,
~o se analisarem as obras teóricas do~ autores mais fam~- . corno ele mesmoadmitiu2;
sos da gestão capitalista,. constata-se que existe, na sua grande
A administração ciendfica não encerra, necessariamente, invenção,
maioriá, uma defasagem .entre o que está escrito e a realidade
nem descoberta de fatos novos ou surpreendentes. Consiste, entre-
que está presente no inte.rior das empresas. Por isso, devemos
tanto, e~ certa' combinação de elementos que não fora antes reali-
terpreçaução metodológica em não aceitar discursos que fanta-
:tada isto é, c~nhecimentos coletados, ana.lisados,agrupados e elas-
siam a realidade. Esta, e não as suposições sobre ela, é que deve sific~dos,para efeito de leis e normas que constituem uma ciência
ser a medida para as pesquisas, e os estudos sobre a gestão não segUida.de completa mudança na atitude mental d~s trab~lh~~ores
fogem à'regra. Nesse sentido, deve existir uma prioridade onto- e da direção; qÍÍer reciprocamente, quer nas respectivas attlbUlçoes e
lógica do objeto sobre a pesquisa realizada, ou seja, não cabe ao p.
. respónsabilidades. (Taylor, 1982, 125, grifodo original)
pesquisador imaginar os acontecimentos, mas deve ser fiel aos {o'
fatos evidenciados. Com isso, não queremos afirmar que a reali- r::: .
LO ; "._ . ",TayJor~preéci~so~'da gestão capitalista nos Estados t..:,nidos
dade não pode ser transformada, porque seria natural ou eterna. ~~'- - .
do 6nal'do séculó XIX, pode ser qualifi.cado como um 9bses-
Explicamos apenas que é a partir 'da apreensão das principais "'1'" o"

-j;, , '~':~ivo'pe~q~isad~r pragmático': uma ve~. que dedicava a maior


determinações que se pode desenhar de forma lidedigna a reali- .. parte de suas en.ergias realizando pesqU1s~ extenuantes .(como
L..,
dade. Como nos ensinou Ma'rx, a teoria é a representação mental l' o fato de ter passado mais de 20 anos realIzando pesqUIsas no
~!
;,
do movimento do real e, inclusive para transformar a realidade, é .~:
corte do aço) sem, contudo, preocupar-se em refletir sobre os
preciso conhecer muita bém suas qualidades estruturais. É com impactos sociaiS' provenientes das suas proposições. A. falta d~
base nesse pressuposto metodológico que podemos .desmistifi- ' uma reflexão que apreenda as relações entre as pesqUisas reah~
car alguns sensos comuns da gestão.
zadas e seus impactos na sociedade permanece, ainda hoje, uma
constante em várias áreas do conhecimento. Em muitos ca~os,
costuina~se, também na gestão escolar, realizar uma práti~a ~ná-
Frederick Winslow Taylor Ioga à de Taylor: o emprego de pr~ndpi~s da .g~stão capItal~sta
como portadores de qualidades umversaIS. Utilizam-se técll1~as
Já foi dito que os represeritantes clássicos da gestão capitalista, e ferramentas oriundas do espaço interno das empresas capIta-
que iniCiaram a estrutura desse campo de conhecimento e iriter- listas para dar conta de um~l:>iente com outros objetos e ob-
venção, tiveram por base a busca pelo controle do trabalhador. jetivos sociais. Omite~se o s~guinte: o que o autor chamava de
Nesse sentido, podemos afirmar que, c~rtamente, Taylor repre-
senta a:primeira tentiltiv~sÚtemática de produzir um acúmulo
2 . Sobre o p3p~i.~eTaylor co';'o sinc~ti~dor da. exptriênd•• iniciai. da gescãoca-
de sab~r oriundo da prática empresarial para tentar dar conta "pírali5ta, ver Bcaverman, 1987, p~82'1l1.

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,
i
\-. adm~nis~rafãO cientifiea imparcial era, na verdade, um conjunto do conhecimento dos trabalhadores [e, assim,) [••.) dai por diante
li' de t~cnIcas e ferramentas de gestão e organização do trabalho deve dep~nder não absolutamente c;las~pacidades dos trabalhado-
dest~nado ao uso da classe capitalista. Os estudos de Taylor se res/.mas inteiramente das pollticas gerenciais. [grifo do original)
basela~ n~o .numa perspectiva social para todas as pessoas, mas
num prmclplO básico do modo de produção capitalista: o con~ Além de c~ntralizar o controle sobre a relação entre os em-
trole sobre o trabalho explorado. Por isso,.não podemos aCeitar pregados e. os cargos; decidindo qual o lugar a ser ocupado por
suas conclusões acrfticamente. cada trabalhador, cabe à gestão também a separação entre as ativi-
dades de planej;unento e as de execução. De acordo com seu bió-
. Tendo em vista a necessidade de controle sobre o prbc~sso
grafo e defensor/'um dos pontos principais do trabalho de Taylor
de trabalho, !"aylor propÔs q~~ a gerência -deveria investir em
. é a separação eNre as funções de preparação e as de execuçãó'
t~cnicas de seleçã~ e tr~inafnellt(j'dos trãbalhádores ~m' ~ '~bj~~
"~

tlVOd~ serem ma.ts bem aproveitados em suas atividades isto é (Gerencer, i98Z; p. 22)~ A principal vantagem dessa separação
para o capita1i~taê que cada vez mais os trabalhadores não con-
"selec~onar o ":,~hor tra~~haaor para cada serviço, passa~do em'
segUida a e~stna~lo, trema-lo e formá-lo, emlugar do antigo 'ços- seguem planejar.o processo de trabilho, passando a depender da
tume de deIxar a ele que selecionasse o seu serviço e se formasse, gerência,qué~Qncentrará as funções de planejamento.
da melhor maneira possível" (Gerencer, 1982, p. 21). .' A organização da produção, o ritmo e a jornada de traba-
lho, a alocação dos trabalhadores, a idealização da linha de fabri~
A lição escondida nessa formulação é que, quando o traba-
l~ador perde o domínio sobre o cargo ocupado, torna~se mais fá- cação da' t:ne.rc.aclpria,
_e!!.fim,.todo o planejamento da produção
deve, segund~'~sse prin~ípio, ser expropriado çlos trabalhadores,
ctl d~ ser ~ontr~lado pelos representantes dos capitalistas. Essa
~ed~da fOI ~e Importância fundamental nos primórdios do' ca- ... obrigando~o~ .a~eguir os imperativos da gerência. O trabalha-
- .t
; ..
. dor dev~ 's~r :ie~~Jo a cooperar com a direção e seguir as deter-
pltahs~?, VIsto qu~ os trabalhadores eram herdeiros da tradiç[o
.',.
dos ofiCIOSe, por ISSO,detinham conhecimento e controle so~ . ":"
.
minações d;t ad~nistração científica para "criar um espírito de
~:. profundacQQP.çt3;Çã~ entre a direção e os tr<1balhadores, com o
bre todo o processo de trabalho. Se esse costume se mantivesse
dentro das empresas capitalistas, como os tr'abalhadores ér:Ün as
objetivo d.e q;"e atividades se desenvolvessem de acordo com
os princípios da ciência aperfeiçoadá' (Gerençer, 1982, p. 21).
respon~áveis ~e~~ pr?dução, teriam maior poder de negociação,
o que Imposslblhtana maiores taxas de lucro. Dissociar as ha- Em outros termos, a gestão deve voltar-se para a direção sobre
'0 trabalhador, visto que apenas este é responsável pelas imposi.
bilidades do trabalhador das atividades dos 'cargos acarretou,
portanto, uma grande vantagem para os capitalistas. . ções do tríJ:balho,pois detém a função de planejamento. Essa é a
configuraçã~ d~ "ciênciaaperfeiçoadá:
Com esse principio, o controle sobre a relação entre empre~
De ~cordo com B~averman (1987, p.107), o princípio da
gados e cargos a serem ocupados não se encontra com os traba-
separação; entre' concepção e execução, além de servir para garan-
~had~re~, mas nos representantes dos empregadores:"à gerênda
~. tir o controle sobre o trabalhador, também se destina ao bara-
e atnbulda, por exemplo, a função de reunir todos os conheci~
mentos tradicionais e então classificá.los, tabulá-los, reduzi.los teamento~da força de trabalho:
a nor~as, leis ou fórmulas, grandemente úteis ao operário para
Eio conclusão, tanto a fim de assegurar o controle pela gerência
execuçao do seu trabalho diário" (Taylor, 1982, p. 51). Citando como báratear o tiibalhador, concepção e execuçãodevem tornar-se
as palavras de Braverman (1987, p. 103), esferas separadas do trabalho, e para esse fimo estudo dos processos
,'dt trabalho devem reservar-se ~ gerência e obstado aos trabalhado-
podemos chamar a este primeir~ principio de dissociação do proces- ~. rJs, a quem seus resultados são comunicados apenas sob a forma
so de trabalho das especialidades dos tmball,adorts, [pois neste] [...] o d funções simplificadas, orientadas por instruções simplifi~ada~o

50
processo de trabalho deve ser independente do oficio, da tradição e
t "'
r;"'
q e é seu dever seguir sem pensar e sem compreender os raclOclmos

d,"'" "bj="~.

1 _
o primeiro autor que elucidou que a separação entre pla- não foi implementado no sentido,de facilitar a vida do trabalha-
nejamento e execução é irnportante para a gestão capitalista, por- :dor, mas para torná-lo uma criatura mais facilmente controlável
que repercute em barateamento da força de trabalho, foi Charles e mais acessível de ser comprada.
Babbage e, por isso, esse princípio carrega seu nome: .No erl~anto, é preciso ressaltar que, como já abordamos
anteriormen.te, quando nos reportamos ao trabalho nas suas
o principio de Babbage é fundamental para a evolução da divisão
qualidades ontológicas e na.e,,:istência inalienável da capacidade
do trabalho na sociedade capitalista. Ele exprime n'ão um aspecto
técnico do trabalho, mas seu aspecto social. Tanto quanto o trabalho teleológica, o ser humano pod,e realizar a separação entre plane-
pode ~er dissociado, pode, ser sc:parado em elementos, alguns dos jamento e execuçã03 e, por isso, essa atividade não precisa, neces-
quais ~ão mais simples que ~utrõs e 'cada 4"al mais simpl~s: 9..u~~. sariament~, acontecer de forma opositora. Entretanto, esse prin-
todo. Tradl1%ido em termos de nlercadõ, isrersignifica ÍJEe a [prça (Íé cípio nunca deixará de ser realizado de forma opositora quando
trabalho. capaz de executar o processo pode ser comprada mais b~'- se estruturar mediante classes Sociais com interesses opostos:
rato com elementos dissõdados do que como capacidade integrada uma querendo apropriar-seda riqueza socialmente produzida
num s6 trabalhador. Aplicado primeiro aos artesanatos e depois aos
p~la oUúa. A gerência, se~pre que servir ao capital, será marca-
oficios mecânicos, o princlpio de Babbage torna-se de fato a força
da por u~a oposição aos interesses dos trabalhadores e, assim,
subjacente que governa todas a~ formas de trabalho na sociedade ca-
consubstanciará técnicas ~ ferramentas para ampliar a explora-
pitalista, seja qual for a sequência ou rilvel hierárquico. (Braverman,
1987, p. 79) ção e a dominação sobre a classe trabalhadora.
Não podemos deixar de citar que as pesquisas de Taylor re-
. Numa sociedade baseada: nUtoca e na venda de força de perc:;utiram.em economia de tempo e de força de trabalho, e isso
trabalho, a organização do trabalho e,'em éspecial, a divisão e ,representau':Trpotencial de progresso para toda a humanidade .
.o,parcelamento do processo produtivo não ocorrem de forma No entallto,',no modo de produção capitalista, esse potencial
natural para possibilitar o potencial de realização do trabalho .não sê reali~a para 'todos, visto que, apesar dos avanços de a or-
hU!TI-ano,mas são determinados pela busca de maior lucro. Não .ganização do trabalho prov.ir de um esforço social, apenas pou-
afirmamos que a divisão e o pa_rc~lamento do trabalho não pos- cas pessoas recebem os ftutosdesse desenvolvimento. O estudo
sam repercutir e~ for,?as men()s d.t~pendiosas de trabalho e, por dostemFos e movimentos realizados por Taylor, por exemplo,
isso, facilitem a vida do trabalhador. Apenas elucidamos que, di- propor~iona uma incrível economia de trabalho no sentido geral,
ferentemente dessa possibiüdad~,ou potencial de melhoria da mas póucas vezes isso é traduzido em melhoria da qualidade de
qualidade de vida do trabalhaÇlor dentro da empresa, o fator vida dos trabalhadores. Como percebemos na realidade, estes e
motivador para a. implementação de tais práticas é a busca por outros avanços tecnológicos. que ampliam a produtividade, não
maiores taxas de lucr~tividade :l pa~çir de uma maior exploração acárretam diminuição.dajornada de trabalho •.
do trabalhador. ". . .
Com a pesquisa detalhada de tempos e movimentos nas
... No modo de produção capitalista, em que o capital tece os empresas, tornou-se possível não somente a adoção de novas
fios que geram as. determinações' sobre as criações humanas, o ~.. técnicas de trabalho e a alteração das atribuições de cada ocupa-
espaço interno da empresa {o lócus privilegiado para alcançar ção, mas uma substituição de movimentos mais precisos no lu-
os objetivos do cal'italisra. Pori~~o, a divisão e o parcelamento
\
do trabalho n,ão se baseiam no interesse da pessoa que mais di- I
retamente vai integrar esse processo - o trabalhador -, mas no
desejo daquele qu~ terá o controle sobre a r~queza produzida •. 1 3 Porser <locadoduapacidade teleológica, o homem é o único ente capaz de romper
a unidade entre concepção e execução."Assim,nos sues humanos, diferentemente

Assim, o princípio da separação entre planejamento e execução f dos àni~is. não é inviolável a uriÚlade entre a força motivadora do trabalho e o
trahalho em si mesino. A unlda<le de concepção e execução pode ser dissolvida"
(Braverm.n.1987, p. 53, grifo do original).

52

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I:
j!
gar de uma gama de atividades desnecessárias. O incremento. de . mento e poder de decisão e conçentra-os nas funções de gestão
produtividade e a redução do dispêndio de força de trabalho é capitalista.
uma resultante inequívóca e, sendo assim, mesmo que se;tltere o
O monopólio do conhecimento expropriado dos traba-
sistema social, ela não pode ser descartada. Se existem n.ovas for-
lhadores nas funções gerenciais da empresa segue, portanto, as
mas de gerir e organi:l;ar a produção que conceben} econóini!l, cle
imposições dos princípios anteriores, fornecendo maior subs-
trabalho, estas devem ser 'analisaetas. e, caso propo'rciox}em.me-
tância de controle à gestão capitalista. Nesse senti.do,"se o pri-
lhoria na qualidade de vida das pes~óas queintegràffi a 'produção,
meiro princípio é a ~oleta e desenvolvimento dos processos de
devem ser adotadas4• O problema é que; no capitalismo, leva-se .
trab~ho como atribuição exclusiva da gerênciá: seguindo do
em conta apenas a primeira parte da senten.ya anterior,'r,.:a' e- . m segundo que detennina "a ausência desse conhecimento entre
. -
lho ria da vidá do trabalhador n~~c:a é urna v~riável privllegiãd:i-; ". _.
- .- .. os 'trabalhadores': o terceiro completa e fortalece os dois por
É por isso"que, n~ capi.~ism.o, a separação entre concep- meio da "utilização ..deste monop6lio do conhecimento para
ção e execução toma contornos expressivos de crueldade huma- controlar cada'fas~ do processo de trabalho e seu modo de
na, visto que é por meio dessa dualidade que se efetiva uma das 'execução:'(Brav~rman,1987, p.108, grifo do original).
formas mais perversas de alienação do trabalho. Não se trata
Segundo Taylor (1982, p. 51), esse monopólio acontece na
apenas de perder o controle sobre o produto resultante do traba-
prática da seguinte ~rma:
lho, mas de abolir o domínio inteléctivó que o trabalhador pos-
sui sobre o processo de trabalho. É claro que a extin~ão total do .'. o trabalho de éÍtda operário é completamente planejado pela direção,
conhecimento do trabalhador sobre o processo de, tJ:l\balho ,se pdo menos, comum dia de antecedência e cada homem recebe, na
torna uma meta impossível de ser alcançada, e não é meSmo isso maioria dos casos, instruções escritas completas que minudenciam a
que o capitalista deseja. O que está em jogo na separação entre : ~~
•... tarefa de q\le é en,carregado e também os meios usados para realizá-
concepção e execução é anular a visualização sobre i'tbtaJidade /. ~~
~~"':-' ~-
".- . ,'-. la. [••.] Na tarefa é especificado o que deve ser feiro e rambém como
do processo de trabalho, a tal ponto queb 'rraba.lha.dorse sirii:à mê-Io, além do.tempo exato concebido para a execução.

refém da gerência para conseguir reali:l;ar as funções solicitadas.


O trabalhador, assim, mesmo' apreendendo partes do processo No entanto, para que o controle do trabalhador pela dire-
de trabalho, dificilmente conseguirá refletir sobre as relações en- ção seja efetivo, não basta o monopólio do conhecimento; preci-
tre as diversas partes, pois desconhece a sequência de transfor- .' ',' sa-se também da concentração do poder.
mação da matéria-prima em mercadoria, desde sua origem até
sua apresentação final.

Como proposição sequencial e complementar à separação .' 'I


Jules Henri Fayol
entre planejamento e execução, surge a necessidade de outro
princípio da gestão capitalista: o monopólio do conhecimen- Um dos grandes representantes da gestão capitalista, que estu-
to na gerência. Ocorrendo a separação entre planejamento e dou e implementou formas mais avançadas de controle do tra-
execução, e estando os trabalhadores expropriados do conheci- .balhador pela direção da empresa, foi Henri Fayol. No enten-
:,mento sobre o processo dettabalh~, todo o saber, assim como o dimento deSse autor (1970, p. 12), para efetivar esse princípio,
.i, poder de decisão e de planejamento sobre a produção, deve ficar o'gestor precisaria ter "um primordial cuidado em definir exa-
;'limitado à gerência. Expropria-se do trabalhador todo conheci- támente o chefe para isolar a função direcional das atividades
diversas com as quais anda sempre misturada e frequentemente
No' caplculo 4. discuciremos os avanços e os Iimices provenientes da ucilização
confundidá:
desses escudos nUma sociedade volrada para a superação do capitalismo.
;-.
54

___ o _,,_
Fayol, conhecido representante teórico e prátiço da gestão compõem, apontan~Q para a concentração de poder de decisão
capitalista na França entre o final do século XIX e começo do dos representantes do capital e.m detrimento daqueles que exe~
XX, desde muito cedo se consagrou nos estudos pela busca da cutam o trabalho:
organização mais eficiente de cargos e pessoas nas empresas.
Da esquerda para a direita vemos primeiro o grupo dos acionistas,
Dentro desse campo de pesquisas, elegeu como foco a relação
depois o Con;elJ1ode Ad~inistraçáo, em seguida a direção-gerai.
. çntre çs gestores e os empregados, a partir das funções exercidas Até ai o poder ..est~ye.concentrado. Desse ponto em diante, ele se
pela direção .e,por isso, suas contribuições podem ser agrupadas dispersa e atinge os confins;di empresa, passando pelas direções re-
em torno de uma doutrina que busca a formação da direção ou, gional e locais e pdos diversos chefes de serviço.(Fayol,1970, p. 89)
em outras palavras, que sirva como uma escola para chçfés.de .
empresas (F:i.X91,.1970,p. 11). Algunnle StLlS principais' subM>' ..
A síntese dessasa~as .qualidades que integram esse princí-
dios ~ gestão capitalista se deram na determinação da au."torida~.. '.
pio da gestão c~pitaÍi_si:a- o monopólio do conhecimento e do
de .do capitalista e seus representantes sobre os trabalhadores a
poder - está relacio~ad~ com a divisão do trabalho na empresa:
respeito da qual ele se express'ava da seguinte forma: "a autorida~
os que planejam sãQ.º$ qti.ç mandam e os que executam são os
de consiste no direitod~màndar e nó'poder de se fazer obedecer"
que obedecem àquelês. Construindo um eufemismo sobre essa
(p.41). .
realidade, os defensores da gestão capitalista apregoam que não
Para alcançar as ffi.l;:tas~ os objetivo~ traçados pelos empre~ existe uma distância tão grande entre capitalistas e seus repre-
sários, a direção deveria exercer de forma eficiente o comando sentantes .dos trabalhadorês, mas apenas uma "divisão do traba~
sobre os trabalhadores. P:.trá rãnto, a autoridade do capital sobre lho de quase iguais .processos entre a direção e os trabalhadores"
otrábalho refere~se a um atributo indispénsável e sua execução .(Gerencer, 1982,p. 21). 0 problema é precisamente essa qua~
.dêve seguir alguns padrões definidos. A autoridade não deveria se igualdade, a qual.tx:p~essa que, enquanto uma classe social
. representar um direito resultante de um processo de participa~ controla os meios de'prõdüçio e o processo de trabalho, a outra
f
ção em que todos os integrantes da empresa tenham poder de precisa limitar-se ao cumprimento de ordens impostas. -
r
. _. decisão sobre os detalhes da estrutura organizativa interna, as~
Como exposto, a ordem dos princípios integrantes da ges-
1 sim como sobre as metàs e os objetivos a serem atingidos. A em~
tão capitalista é simple$: t.rata-se de uma dinâmica gradativa que
presa não representa, põitàÍlto~ um espaço de democracia, mas
retira o controle do trabalhador e passa para o capitalista e seus
I: de imposição dos interes.ses. dos capitalistas sobre os trabalha~
r representantes dentro da empresa. Primeiro promove a diss~cia-
dores. Tal evidência destrói o senso comum de que a empresa
ção entre o processo de trabalho e as habilidades dos trabalha~
consistiria num interesse geral, pois, se realmente fosse um inte~
doresj em segundo lugar, separa, as atividades de planejamento
resse geral, por que os trabalhadores estariam alijados do pocler
das de execuçãoj e em terceiro lugar, concentra todo o poder de
de decisã05? . :.. . '., .
decisão e planejamento no processo de trabalho na gerência e
. Ao desenhar as f~iações de poder numa grande empresa, proprietários das empresas. Assim, a gestão capitalista elevou o
Fayol apresenta a desigtr"aldade de poder entre as pessoas que a controle a uma imposição sobte todas as partes do trabalho •

.Antes da gerência científica, o controle já existia e impe-


rava sobre o trabalhador de diversas formas: agrupando vários
5 No pr6ximo t6pico (.eçio 2.1), ao tratarmo. du mudança. acarr~t2das p~-
lu n~v2Sfotmas de g~stão capitalista, analisar~mos as usa d~ que, a partir do
trabalhadores sob. o mesmot~Ú) e impondo tempos determi-
toyotlsmo, os trabalhador~s aportariam condiçõ~s iguais de decidir sobre o futuro . nados de trabalho, fiscalizando.paraevitar paradas no trabalho,
da ~mpresa. Ar~ aqui cabe ilirmar. que, em nenhum momento, essas inovaçõe.
acompanhando o dtmo e â lntêilsidade, determinando padrões
ferem o principio da centralização do poder do capital sobre os trabalhadores,
sendo des<:entralizad•• ap~na. decisões laterais, que não democratizam o controle mínimos de qualidade e d~, qU:~tid~de a serem alcançados e
.obre o processo de produção.

56
impondo atenção voltada para impedir distrações no .trabalho. Devido a esse fato, apesar da promoção de alterações nas for-
No entanto, a partir das práticas de organização do trabalho . mas da g«:~tãocapitalista, mantiveFam. sua. razão de existência:
iniciadas por Taylor e aprofundadas por seus seguidores, co'mo o adestramento e a exploração da força de trabalho. Muita tin-
Fayol, o controle assumiu patamares inusitados, ultrapassando ta e papel foram gastos. para aperf~içoar Os princípios da gestão
os limites que resguardavam resquícios de autonomia do tra- capitalista sem~em nenhum momçnto,colocar em debate seus
balhador. Do controle sobre o trabalhador, a gestão capitalista objetivos mais óbvios. <

passou a implementar um controle sobre todo o pl;ocesso de tra- Se a~n.tiise crítica desses pr~ncípi~s deve ser importante
balho, perpassando todas as fases e os momentos' da produção. para a gestão em qualquer organização qué se distinga da empre-
A gestão capitalista impôs o contr.ole ~'com.l).umà:ti,eces.tida.de. sa capit~lista, pa~a a gestão escolar, pela pr6l?ria peculiaridade de
absoluta para ...a gerência adequada a ;mp.osiçáQ ao trabâihil>'.:: :~
dor [~ic] da maneira rigorosa pela qual o t~ahalh~ de~e se'r . ..
.: ..... seus objetivos e funçÕes, eSsa é um~ condição imprescindível.

executado" (Braverman, 1987, p. 86, grifo do original). .., .


{ .;.
Esses princípios, assim como as principais contribuições !
. . ,i . ,
dos primeiros teóricos da gestão capitalista, representam a base .
e
desse.campo de estudo fornecem as regras básicas para a orga- ..
2.1 Outrbs:êl~mentosda
~ "; ,
gé~tãocapitalista.
; .

nização do processo de trabalho dentro da empresa capitalista. " . Já afirmamos que; durànteoprocdso hist6dcode nàscimento e
Todos possibilitaram um grande avanço em téc~icas, ferramen- ~~~!:.-~~
',.
~ .
. . , desenvõ~qrri~ntÓ dofuodóde pró4u~[b "C3:pltalista;oestUdo da
tas e tecnologias da produção sem; contudo;'qu~iiQnar o run-.
~:~{~.;/~.
~~ •. gestáoe d~,~~g:u.tizaçãocio trabillh? Passoiipor mudanças~iglU-
damento da gestão capitalista: a blisca põi: iriai~i'lúêrativid~di.-""
ficátivas sem, cpntudo, alterar sua f4nção social. Dominada pelos
Nesse sentido, o papel por eles exúcido fo'i>aÍé~,d:Í~desenv~i~l~ '
; . deternUn.a~tes s!iciais 'que imper~ sobre aS9ciedade capitalis-
mento da gestão capitalista, sua nat~raÍi7;aç~o}~oo.<?~m conj~l~-
ta, a gêstão ~apit3;lista nasceu e se d,~senvolveucom o objetivo de
to de saber destinado a todas as organizações 'sociais. , . "
. . encontrare implementar formas màis avançadas de exploração e
Por não problematizarem os fundamentol"'estruturaisda adestrame~t~'cia forçá de ~rabalho. Trata-se'. portanto!.c4 área q,e
gestão capitalista, ou seja, a su~ função social, autores como Fayol conhecim~nto frurlS esped1icáment~ voltadãparaa sattsfáção dós,
(1970, p.12) achavam que suas formulações teriam"por objetivo interessêsirn~cÍiat~~'do capital. Im4diatos porque é por meio da
facilitar a gerência de empresas, sejam industriais, militares ou gestão capitalista que se originam ~s formas mais 'avánçadas de
de qualquer Índole. Seus princípios, suas regras e l;eus proces- explotaç~:4~~taba1ho t, ~ssim, ge~a~l~.t(jndiçÕê~p:lr~'q~~ os
•....' 'sos devem, pois, corresponder tanto às necessidades do Exército capitalistas se apropriem de parte d~ riqueza produzida pelos tra-
como às da indústriá: Da mesma forma, Taylor (1982, p. 29) balhadores; Peréebemos, assim, a importând~ dá gestão capitalista
advogava que a gestão capitalista poderia servir tanto ao patrão para areptôpução material da class~ capitali'Sta;Nio descartamos,
como ao empregado, pois''o principal objetivo da administração . ':~;. com isso,~a,necessidade de existência de-ouiras ciências e entida-
deve ser o de assegurar o máximo de prosperidade ao patrão e, ~.
'.:
des para assegurar essa exploração ~ domínio da dasse capitalista,
ao mesmo tempo, o máximo de prosperidade ao empregado': como é o caso das organizações que se voltam para o domínio
F..
ideológico~. Ainda assim, podemo$ ahrma:r' que- esse campo de
Mesmo com o passar dos anos, os representantes da ges-
estudo representa um fértil objeto de análiiê para aqueles que de-
~. tão capitalista não modificaram seu discurso e permaneceram
sejam conhec.er de que forma se manifesta .concretamente odes-
o; na conjectura de uma ciência que poderia servir para melhorar
dobra~ento dos interesses mais diretos dos capitalistas.
~. . igualmente a vida de todas as pessoas na sociedade, quando, na
~.:::'verdade, privilegiava apenas umá 'classe social: os c~pitalistas.
6 Voltaremos 0 ••.• 0 discuss50 no capitulo 4.
58
."ft
. '~'i:~1
':'d Um dos primeiros marcos da luta antagônica dent~o da
.Não obstante o fato de que o gestor capitalista tenha mu-
~ empresa e que repercutiu em mQvimentos políticos que pL~orll,o-
dado de origem social, pois, a partir do momento em que o ca-
~1 veram impactos em toda a sociedade foi a luta pela determÍIlaçáo

l
pit~lista acumula quantidade significativa de capital, torna-se
da jornada de trabalho. Se, de um lado, os trabalhadores lutavam
.l!
';
prescindível para ele o controle sobre sua empresa, o fundamen-
pela redução da jornada de trabalho, os capitalistas buscavam
.to que conduz suas decisões não. muda. Sobre isso, afil"ma Marx
todas as formas para reprimir a concretização desses anseios.
,: (1985a,p.263-264):
Uma das primeiras manifestações econômicas da luta dos ~raba-
como o capitalista, de inIcio, é libertado do trabalho manual, tão lhadores contra os imperativos do capital em seu espaço interno
1, logo seu capital tenha atilJgido aquela grandeza mfnima, com a qual da empresa foi o chamado Mov.imento Ludita. No final dq s~culo
a p~ução vetdadeiramente .cápitalista apenas começa, ~jlIl ~Le.. XVIII, na Inglaterra; o principal representante desse movimen-
L tral1sfere agora a fUnção de supervisão direta e con~ittua do trãÍ;a~':.
lhador individual ou de grupos de trabalhadores a uma espécie p;r' .
. to, Ned Ludd, apregoavà a quebra de máquinas e equipam~ntos
. ~omo forma de protesto coritra a ampliação do desemprego e
ticular de assalariados. -.
as precárias condições impostas aos trabalhadores. Apesar de
representar um marco na luta dos trabalhadores contra os ca-
. A transferência da gestão da empresa, do capitalista para pitalistas, esse movimento apresentava ainda uma consciência
seu representante, não altera em nada a lógica que determi- limitada das determinações soCiais, elegendo a tecnologia como
. na s~as decisões, visto que, para ser. aceito e mantido, o gestor a causa dos males que afligiam.a classe trabalhadora.
I . precisa atender a algumas regras superiores. A função de inter-
A maior co~s~ientizaçãQdos trabalhadores fez com que
mediário entre o trabalho e oC:J.pital não é, todavia, tarefa fácil,
essa luta, que s~ iniciou nQ.aspecto econômico, a,os poucos im-
. mas contraditória, e exige desdobramentos diflceis, uma vez que,
.~.'~" ',' .. ,_. pulsionass:e'.u~a fo~mação poli~~a e, ness'e sentido, ampliasse o '
. .-apesar de conviver cotidianamente com os trabalhadores, o ges-
.(' .. .tor não pode seguir'os interesses deles, mas as imposições dos
. .,. e.sp'~çode.l!l~a, ultr~passando o,s limites da empresa e abarcasse
'~asentidades políticas qu~ regutam a sociedadeOCom a união e a
proprietári.os dos meios de produção: ..(fi;~~1
~ • , __ o

I. " '.i."" organização d~s trabalhadores, a luta pelos avanços na legislação


, . \;..::~
trabalhista repercutiu em limitação e redução da jornada de tra-
'

.t.
I.

f

Ao procurar minimizar esse .movim~nto de repulsa do trabalhador
às condições~o t~abalho capitalista, ao mesmo tempo em que pro- balho, o que impôs a necessidade do capitalista enco~trar novas
move a organi:z;ação,sistemati:zação e rotini:z;açãodas atividades no formas de extração demais~valia.
interior datmpresa, li administração capitalista tem como fim o in-
De toda forma~ a jornada de trabalho, mesmo abrangendo
cremento da produtividade geral do trabalho, com vistas à expansão
o máximo de horas possíveis, n~o poderia ultrapassar um iími-
do capital. Ela assume;' po;.tanto, a função de mediação entre ocapi-
te básico: o descanso não pod.~. ficar abaixo da quantidade de
tal e o processo de produção de mais-valia, a serviço do primeiro e
justificando o s~gundo. (Paro, 1988, p. 72) tempo necessária para o trabalhador se restabelecer do dia de
trabalho e ficar pronto pa.ra o dia seguinte. Assim, mesmo q~e a
',.,.
.~ :~~:,C-'
~'. .
~!~_ .
legislação trabalhista nãoapre$.entasse avanços7, a gestão capita-
Ainda que, a partir do século XIX, os gestores tenham se 0••

. : ";i ~::'", ".; , lista não poderia prolongar de (orma indeterminada a extração
tornado também assalariados, não são os assalariados quem es- .....
,

tes procuraram. e procuram defender, pois são remunerados ape- i;":;


nas. quanqo se posicionam contra o interesse de 'todos aqueles
que recebem salários. Sua m~ta absoluta é proporcionar maiores
taxas de mais-valia originadas pela exploração dos trabalhadores
r'f. 7 .. Como a configuração da legislaçãõ:trabalhista não é eterna, mas represe:nta uma
expressáo da luta de classes entre trJlb.•lhadores e capitalistas, os avanços' conquis.
tados podem retroceder. comei oc';rit~U na m.ioria dos palse. a partir aos anoS
e apropriadas pelos capitalistas. l'
v.
.~;
1970 e a implement.ção das politiea. neoliberais. Um bom texto intr{>dur6rin
sobre esse tema é o de Perry Anderson. 2003. i
60
I
.1
1
Se ~ "radonali%ação. taylorista permitiu um;1 ~ignificativa intensifica-
de mais~valia. Por isso que, logo nos seus .primeiros passos, os
ção do trabalho humano através do controJ~ pela cronometragem dos
gestores souberam. que era preciso investir em novas maneiras
tempos de operação parciais, no sistema fordista é a velocidade auto-
de alcançar o lucro e, por isso, precisariarI!-~e for.inás .de ext~ação mática da linha de série (do objeto de trabafuo. portanto) que impõe
de mais~valia. Não sendo possível o aumento ilimitado da jorna~ ao trabalhador. (o sujeito do trabalho). a sua condição de disposição
da de trabalho, a gestão capitalista destinou~se à implementação para o labor, estabelecendo, dentro dos limites éada Ve?;mais estreitos
de novas formas de organização que induziram o trabalhador a de tempo, a "melhor manéirà" de trabaihar. (PInto. 2007, p.45)
produzir mais, as quais podiam ser realizada~ a p~rtir de d~as
maneir~ básicas: pela maquinaria e pela subjetividade •..-
A est~ira rolante transportadora torn()U-se o instrumento
central da organização do trabalho, na qual "~s componentes do
o:. ::.:'I! . carro eram transportados': e que, a partir dotIrmo imposto, "com
;.

Fordismo ;: .:.::::
.. .. paradas peri6dicas, os -ho~ens execuravanl operações simples"
I ~. ~

.:1 r:":;. (Braverman, 1987, p. 130). Com a vigência déSsa inovação tecnoló-
Um dO$ maiores exemplos do uso da tecnologia p-arairiCretrien~
.~I.;;,'.
':h.' . gica, as máquinas passarani, portànto, de função de apoio ao pro~
tar a pr~dutividade e controlar o processo de trabalho advém da
~ j;' '~:;~~7t~". cesso de trabalho a um pai:árri.arsuperior, tornando-se o epicentro
empresá de fabricação de automóveis Ford. Henry Ford, funda~ . das decisões, pois o trabalhádor precisou submeter-se ao seu fun~
dor da Ford Motor Company, tornou~se Uma figura ba~tante co~ cionamento. Assim, não foram mais os trabalhadores que usaram
.. J {. o,r
as llláquinas, mas elas que os usaràm (Marx, 1980b, p. 385).
nhecida,no início do século XX não apenas nos Estados tJnidos,
n:as em~todo o mundo, devido às inovações na gestão.l1~a,.?rga~ Quando entrou em ,.rigor, a l!nhad.e montagem trans-
mzação; do trabalho. Entre elas, pode~<?s Aesraca.r .~:~ti~~af.ão . .- 'formou-se em- marco na org~nização do processo de trabalho
da linh4 de montagem como seu grande:~fe~e!1cial co"?-p.eti~ivo, .'.po-rque -proporCiõrioii -elevação extremamente significativa da
alcança~do níveis de produtividade impen,s"áveisparaaépo~a. . produtividade' n"aempresa:; a pont() d~incidir nas relações eco~
N! produção do automóvel Ford modeloT, foi empregado nômicas do mercado capitalista. A descoberta de Ford, ao ser
um equipamento que ampliou as possibilidades do aumentõ da ampliada e disseminada pelas mais distintaS empresas, possibili-
produtividade do. trabalhador e, assim, da elevação da extração tou uma.grande diminuição do tempo de trabalho para produzir
de mais~valia: a ~steira rolante. A utilização desse equipamento as mercadorias e, com isso, deu suporte para a criação de um
para tr~nsportar os componentes do produto durante todo o
't. mercado de massas. O capital encontrou na linha de montagem,
processo de trabalho gerou uma grande economia, pois se ra- 1. desse modo, uma ferramenta crucial que tornou possível atender
:f.0 ao seu:imperativo maior: a ampliação do lucro.
cionaliz~va o gasto do tempo com o deslocamento tanto dos tra-
. :."
balhadores como dos equipamentos e insumos. Mas. o p;incipal Não obst~nte, o fordismo, como ficou conhecido, não se
resultado da implantação desse equipamento foi a ampliação do resutdiu a apenas um 'novo modelo empresarial de organização
controle sobre o processo de trabalho, pois, no lugar do traba- da pr~dução, mas seus. impactos sociais foram tão grandes que
lhador detetminar o ritmo de trabalho, essa função foi ocupada forneieram condições para um relativo barateamento das mer-
pela nova máquina8• cador~as, possibilitand~ a formação de um mercado de massas.
O objetivo de Ford era a formação de' um mercado consumi~
dor capaz de absorver todas as mercadorias a serem produzidas
8 A mudança da gestão e organização do trabalho, no qual o trabalhador; mesmo com essa nova forma de gestão e organização do trabalho por
que 'aererminado pelo inreruse do capiral. permanece no conerole da produção e
ele"implementada. No entanto, apesar do discurso de pacifismo
das miquinas, para o nlvel em que se torna merô aplndice da máquina e precisa
acender aos ritmos por essa ditados. Marx (2004) chama de paJSagctll da slIbsun. e igualdade realizado por Ford, o que estava por trás daquele
f.lo Jomh,l.lo Imb.l!l,o no "'pital.\ subSllllç.lo rr.1! .lo t",ball,o "" "'pital. projeto de mercado de massas era o tão propalado sonho dos
62
Enfoque nos elementos subjetivos
Na busca pelo convencimento do trabalhador, corri o objetivo
de torná-lo mais dócil ao processo de exploração dentro da em~
presa. a gestão capitalista instalou maneiras de conquistar sua
subjetividade. Nada mais problemático para a normalidade da
empresa que a resistência dos trabalhadores. chegando a ponto
de interferir diretamente no ritmo e nas previsões da produção .
.Por isso. para não p~omover impactos negativos nos trabalha~

:~t: ••
.~".:'."
dores a ponto de eles se sentirem agredidos. a gestão capitalista
precisa utilizar técnicas que sejam. ao mesmo tempo, eficazes c
.mistificadoras: .

Numa sociedade em que, 'ao menos no nivel da justificação da or-


. ~}::;",.. dem ~ocial vigent~. a coerção fisica pura e simples é condenada, a

:~.~r:
-:;
. .
administração capitalista precisa lançar mão de tecursos, ao mesmo

•1 ':".'
'


tempo eficientes e dissimuladores, que lhe permitam exercer, com

:,~' ~,*_t. legitimidade, ao menos aparente, o controle exigido para a expansão


do capital. (Paro, 1988, p. 61)

o prindpio sU\;Jacenre e que inspira todas essas investigações do tra-


. PQr)~sqqu~. aq.~ef~~ir-s,e.~empresa capitalista. Taylor uti~
balho.é o que encata os seres humanos em termos de máquina. Visto
que a gerência não está í~t~ressada na pessoa do trabalhador, mas no
ttibalhador como ele ou ela são utilizados no eScritÓrio, na fábrica, no
armazém, no emp6rio ou nos processos de transporte, esse modo de
I!'l' r ..1izava m~~áforas .nas quais todos os integrantes desse conjunto
social são ig.ualment~. respc;>Qsáyeispelo futUro da equipe. Da
mesma form~ ,que um jogo de ,ricket, a empresa teria. no dis-
encarar ser humano é, do ponto de vista gerencial, não apenas emi-
f.:' curso desse autor. um sentido de grupo "tão forte que. se algum

~'r(
Q

nentemente racional mas, t:i~bém, a base de todo <> cálculo. O ser hu- homem deixa de dar tudo o que é capaz 'no jogo; é considerado
mano é considerado n~~~: ~~so como um mecanismo articulado por traidor e tratado com desprezo pelos. companheiros" (Taylor.
dobradiças,juntas e mariciii1':cle"esfera etc. (Braverman, 1987, p.156) 1982, p. 32, grifo do original). O trabalhador passava de vítima
. ',;:.

da exploração a sentir~se não somente partícipe da empresa, mas


Por todas essas medic{a$; ficou prati~amente impossível responsável.pelos seus problemas.
evitar problemas advindos ci~' insatisfação dos trabalhadores
O g~ande objetivo d~sse discurso se encontrava na tentativa
dentro da fábrica de autom6veisFord. O descontentamento dos
de evitar as greves e outraS formas de resistência dos trabalhadores
trabalhadores da Ford torno.ü~~.egeneralizado a ponto do aban~
contra as imposições do capital, proporcionando uma situação de
dono do trabalho. se ampli~t;' ~m
380% apenas no ano de 1913.
normalidade na empresá, na qual <>trabalhador esteja explorado e
Assim} no momento em qu~' ~~p~ecisava aumentar a capacidade
satisfeito. O modelo de gestão adotado por Taylor (1982. p. 122)
produtiva, para se contrata,r.JOO trabalhadores,.era necessária a
era. segundo sua própria d~criçio. valioso nesse sentido:
ad~issão d~ p~lo ~~nos 963TBraverman} 1987, p. 132)~ Ficou
patente que} para al.cançar mai~res taxas de exploraçio do traba- Neste'particular, é oportuno salientar outra vez que, durante os trin-
lho}não bastavam novas tecnologias} mas era preciso investir em ta 'ailos que nos temos dedicado a implancar a administração cienti-
formas de conquistar a subjetividade do trabalhador. fica, não houve uma s6 greve entre aqueles que estavam trabalhando

64
de acordo com os seus prindpios, mesmo durante o perlodo crítico m?-sque servissem para estimular a competição entre seus subor-
de mudança do velho para o n(J~osist~ma. Se métodQ~p~óprios fo- dinados. Esse representante da gestão capitalista nunca expunha
rem usados por homens que têm experiência nesse .trabalho não
uma proposta a todos os trabalhadores, mas tentava seduzi-los
haverá absolutamente perigo de greves e out~as perturbações.
[grifo do original] . . .. -. .. . S'~~'~
. individualmente, com vistas ao alcance da fragmentação de suas

:,~f"
'.~.~:':'
forças e, portanto, de sua desmobilização:

Também Fayol não ficou atrás e demonstrou a prioridade , :}1. ' - . Neste novo sistema de administraç~~{regra inllexívd falar e tratar
que a gestão capitalista precisava dar ao combate às greve~. Entre ?j:-:?,:. com um trabalhador de cada vez, desde que cada um possua aptidões
as funções da gestão capitalista, o ~ut?r de~t~coua irilpor,tância ., ~,(,',. próprias e contl'aindicaçõesespeciais,e que não esramoslidando com
do departa~ent'? de segurança, q,ue teria p~r missão " hteger':'" pr 1
.~" homens em grupo, mas procurando aumentar individuálmente a
.

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os b~ns e as p~~~?as contra o roubo, o incêlldio e a inundação',~e ,"

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evitar as greves, os atentados,e, em,geral, todos os obstáculos de -
ordem social que possam comprometer o progresso e mesmo a
vida da empresa" (Farol, 1970, p. 19). Ou seja, para o autor, a
greve seria uma forma de fatalidade que colocaria em xeque a .IK;~'l': privilegiar a organização do trabalho, mas também as condições
normalidade da empresa, tal qual um acidente, seja natural ou
não. Além disso, a greve poderiase.r,cotnparada a uma forma de
crime, como o roubo, mesmo queo_trabalhador ..esteja,apenas
li'
.~}f.':~';:'_,,'" ,"
=:=.::~::::'.:::.: :'::::::.
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tividade, existe uma: diferença entre elas: 'centrando-se nas con-
defendendo seus direitos ou, ante~,Qpr:oduto resultante de seu ,~py.~~'., l'" dições materiais, busca-se a determinação da forma e do ritmo
~ra~,alh09. ,_ . ,., _ ~"I';':',,~" -,_ ..,." como se produzem as mercadorias; enquanto isso, ao enfocar
,<;>s
..elementos subjetivos, procura-se entender os valores psi-
.: --Para minar a 'solidariedade' cfcIs' i:r;lbarhàdore~''''d.ése'stimli~ '
~:~ ;~':" -,'~:',:- ",'~'_ ~o~ógicose so~iais.qúe induzem os trabalhadores a um maior
lando-os:do exercído da resistêjid.i~~htra as infpd~iç~~~do: ges-
'., rendimento.
tor, outra estratégia precisa é a' 'desmôbilização dos trabalha- J.
i;..
dores. É bem diferente a luta individual do trabalhador contra ,.lj . ~ Essa diferença fica mais clara a partir do, século XX, quan-
as imposições da gerência da pressão de todos os trabalhadores do .surgem as primeiras escolas de gestão q!1eenfocam o traba-
juntos e,por isso, cabe à gestão capitalista tentar encontrar meios
de separar os trabalhadores. Essa foi'uma regra apreendida por
,lI- lhador a partir dos.fatores que influenciam a motivação dentro
da emp,resa. Assim, diferentemente das. primeiras experiências
Marx, ao mostrar "que, diferentemente dos generais, que vencem
suas .guerras pelo recrutamento de. exércitos, os capitães da in-
1"
'ttJ:{: :"
tfi, .~~~.~.
da gesião capitalista, nas quais o enfoque de estudo era a maior
produ~ão por meio de organização do trabalho, fluxo da pro-
dústria ganham suas guerras pela desmobilizaçáo de exércitos" dução, ,uso de ~áquinas e equipamentos etc., as posteriores ele-
(Braverman, 1987, p. 203). geram como prioridade elementos como cultura, valores, clima,
ambierite de trabalho etc. ,Em síntese,
Taylor dominava com louvor essa estratégia, pois' fazia' par-
te de seu pacote de práticas gerenciais o trato individual com o aspecto básico dessas diversa~escolas e das correntes no seio delas
os trabalhadores, 'propondo acordo não somente às e~condidas, : é que, diferentemente do movimento da ger~ncia científica, não se
: interessam em geral pela organização do trabalho, mas pelas condi.
ções sob as quais o trabalhador pode ser induzido mdhor a coope-
9 ,<\quiF.yol externa sem rodeios e de maneiro expllcita sua visá~ .c.p-itolisra da
rar no esquema de trabalho organizado pela engenharia industrial.
gestáo, no sentido de resguord•• os bens expropri.dos dos troballl.dores pelos
capitalist.s. seja pdo furto. seja pela greve. Na verd.de. se fosse mesmo contra o (Braverman,1987, p.125)
rouho. deveria &trnão apenas a favor d. greve, cumo contr. a existência da expio.
ração do tr:lb.lho. Deveri. defender o. 'trahalhadores e não os c.pitalist ••.

ti6
No entanto, apesar de mudar o foco das pesquisas, as no- para tanto, as pesquisas 'aportaram ingredientes da psicologia.
, vas escolas da gestão capitalista não romperam com as determi- , Mas, em pouco tempo, Mayo admitiu que, para apree'nder as
nações originais desse campo de estudo. Na verdade, não rom- bases da' motivação dos trabalhadores, não se alcançariam resul-
peram sequer com as formulações advindas dos seus primeiros tados suficientes limitando-se ao estudo individual; precisava-se
representantes, como é o caso das premissas apregoadas por ampliar os horizontes, No. lugar do trabalhador individual, op-
Taylol'. Nesse sentido, não somente cristalizaram a função da tou-se pelo ambiente de trabalho e, nesse sentido, foram buscar
gestão capitalista como elo de exploração e dominação dos tra- . na fisiologia a base.para as pesquisas. Münsterberg elaborou um
balhadores a serviço dos capitalistas, como mantiveram práticas conjunto de fatores determinantes para o desempenho do traba-
'de décadas atrás.Porisso, podemos ,afirtl\ar que, mesmo 'ocor- " lhador e, desde iluminação, arranjo de máquinas e equipamentos,
rendo al,teráç~e~ na forma da,-gestão Gapit;.:ilista,seu Cb;;'tê~do"" ". esforço gasto nos movimentos executados, entre outros, estudou
permaneceu ~ m,esmo'. Criararri~se novos adereços para ã velha.' '" os detalhes do ambiente de trabalho, Mas, apesar do esforço, não
fantasia: -. . conseguiu grandes avanços,

o trabalho i
em si orgariizado de ~cord~ com os princípios taylo-
Não obstante, como os resultados também não foram sa-
ristas, enquanto o;;departamentos "de pessoa e acadêmicos têm-se tisfatórios, no lugar,.dà trabalhador individual ou do ambiente
ocupado com a seleção, adestramento, manipulação, pacificaçáo e de trabalho, priorizou-se o grupo social, e a ciência requerida
ajustamento da "IIlão.de.obrã para adaptá-la ao processo de traba- . foi a sociologia. Mesmo com a criação da sociologia industrial
lho ass.imorgani~ado~O tayl<:>rismo domina o mundo da produção; e a instauração de novas particularidades analíticas, a tendência
os que praticam à.í "relações"humanas"e a "ps'icologiaindustrial" são derivou na mesmaJimitação: estudos para compreender as inte-
as turmas de manutenção da maguinaria humana. Se o taylorismo rações humanas' na fmpresa, com vistas a um melhor aproveita-
não existe hoje como uma escola distinta deve~sea que, além do mau niento do trabalho. a.-serviço do';capital, dando como condição
cheiro do nome, n~~ é mais propriedade de uma facção, visto que
... l1~gIigenciada i ':lhtihÓ~ia entre trabalho e capital. Assim, a base
seus ensinamentos fundamentais tornaram-se a rocha viva de todo
da. gestãa"~~pit~ii~t~"~e~ànteve
....
e' ocorreram apenas mudanças
, projeto de trabaIJio. (Braverman, 1987, p. 84) . ,

laterais. .

É ce~to que autores como' George Elton Mayo ou Hugo Em sintese, .o que buscava,m esses autores eram as meIho~
Münsterberg promoveram inovações no campo da gestão ca- res formas de intermediar a éscolha do trabalhador para deter-
pitalista, mas trata-se de equívoco afirmar que essas novidades minada função, de maneir~ tal que ocorresse uma simbiose entre
promoveram alguma 'i~flexão significativa. E~ses autores davam os dois, de maneira. que o trai:>aJhador não exercesse a função
como rré-requisito natural e eterno a exploraç.ão do trabalha- ,delegada de maneira displicente, mas que se sentisse interessa-
dor e erguiam suas Pt:~p.o~tas a partir de uma organização do do e realizado. A escala de .medir a satisfação e a motivação do
trabalho já definida anteriormente. Assim, apesar de centrar as trabalhador se estruturo~, pç>rtanto, pela disposição desses dois
análises nos aspectos que influem diretamente na motivação dos . polos - o i:rab~lhador e o cargo ocupado -, gerando maiores
empregados, descartaram a influência direta do antagonisltl~ pontuações e melhor avaliação. quando mais próximos estives-
entre os trabalhidores,e os capitalistas na conformaçãó da con- sem da qualificação para, ocup~~,~ cargo e o perfil aprese~tado
figuração subjetiva," Coino consequência dessa falha, aos poucos pelo candidato. Em regrageral~,éassin'1 que se baseiam as várias
perce~eram as lacunas .de suas descobertas,' teorias motivacionais que almejam alcançar o milagre buscado
em toda gestão capitalista, desde Taylor até os dias atuais: um
Á primeira etapa'd~$as pesquisas foi dedicada ao estudo trabalhador que seJá, iomesmô tempo, extremamente explora-
dos elementos individualmente motivadores do trabalhador e, . do e que se sinra bem feliz pór isso;

68
Se, por um lado, o enfoque dessas pe~quisas aponta para Para tanto, contando com a permissão e ajuda dos EUA, que.
uma suposta preocupação com OS funcionários da emp~sa, por perceberam naquela oportunidade, além da fonte de lucros, uma
outro exacerbam ainda mais as tentativas de falsificar'a ~ealidad~ influência bélica sobre a -região, as empresas japonesas se esfor-
e instaurar um discurso que legitime a necessidade do' capitalis- çaram para encontrar formas mais eficientes e flexíveis de produ-
ta. Nesses momentos, podemos nos perguntar se não seria mais çã012• Êntre elas, o destaque maior c.abe à fábrica Toyota.
progressista o discurso ao mesmo tempo cruel e honesto de .
Taylor, visto que, ao menos, não tergiversavas~bre os objetivos Desenvolvido por Taichii Ohno, o toyotismo representou
.da administração capitalista. . um modelo de gestão e organização de trabalho que presume a
intensificação da produção a níveis inéditos, por meio de algu- .
' .. ,._. :- mas condições básicas: a alteração da estrutura organizacional,
a utilização de novas tecnologias que ampliavam o controle so-
Toyotismo .. ' bre o trabalhador e a instauração de formas mais avançadas de
- ..~ motivação. Aliando o crescimento ampliado da produtividade, o
A partir da década de 1950 surgiu um modelo de gestão que aprofUndamento do controle da gerência sobre os trabalhado-
promoveu distúrbios na normaljdade da gestão. capitalista, pois res e as técnicas de fragmentação da consciência coletiva, esse
ampliou e unificou diretamente a busca pela dominação da sub~ modelo tornou-se, aos poucos, hegemÔnico em todo o mundo.
jetividade do trabalhador com o desenvolvimento de formas Especialmente a partir da crise do capital nos anos de 1970, que
mais avançadas de organização da produç.ã9o O toyotismo ,... impÔs taxas menores-de lucro para as grandes empr~sas mun~
como ficou conhecida a experi~ncia implem~m;tdana fábrica ja- diáis, àS postulados do'coyotismo passaram a integrar a cartilha
ponesa de automóveis Toyota - conduziu gt;!..Qde.partedasmuc., dé'gránckl'árte dos .executivos e compor o senso comum da ges-
danças de gestão e organização:do trabalho, pois conseguiu aliar tão c:l.pitiil.ista.
o uso de máquinas e equipamentos mais avançados com táticas
. E~~re as principais mudanças na ~trutura organizacio-
sofistiCadas de persuasão sobre os empregados"-' ,... ":'.' r' ,.',-,-
nal, o toyotismo pautou~se por um processo de redução não
Inserido num contexto de guerras, pois: aiém d~~c~rr~; de~' somente de empregados, mas também de ocupações, gerando
pois da Segunda Guerra Mundial, o contexto histórico marcava uma empresa menor, com menos hierarquia, menos custosa e
a fase inicial da Guerra Fria, expresso na Guerra das Coreias, o mais eficiente, que ficou conhecida como "empresa enxutá: Com
Japão dos anos de 1950 caracterizava-se, ao mesmo tempo, por, a demissão de vários trabalhadores e'a redução dos cargos tidos
uma situação precária e promissora. Ainda erguendo os destro- como desnecessários, a gestão ampliou o escopo d~ processo de
ços advindos da Segunda Guerra Mundialll,empresas e indús- trabalho', adestrando seus empregados para a realização de múl-
trias japonesas ficaram diante de uma grande pportunida.de de tiplas, a~ividades, reduzindo a níveis mínimos o tempo de des-
negócios, pois, com a guerra entre a Coreia do Sul e a Coreia ' canso,:o:que ficou conhecido como polivalência. Se.ndo adestra-
do Norte, ambos os países necessitaram de artefatos e utensílios dos para uma maior quantidade de ocupações, os trabalhaqores
complementares para as batalhas, como rouPas e autonl.óveis. passaram por processos de flexibilização, nos quais, sempre que
preciso, foram obrigados a realizar atividades diferentes, redu-
zindo _o tempo de descanso.
11 Para visualizarmos a situaçiio predria em que se encontrava o Japão, basta lem-
brarmos que seu territ6rio foi atingido por duas bomba. nucleare.: a primeir.,
apelidada de "lirde boro pelos estadunidenses, cau.ou a rilór.e de pelo menos 250
mil pessoa. na cidade de Hiroshima. enquanro a segunda, em Nagasaki, batizada
12 Vale'Iembrar que, com a d~rrota -na Segunda Guerra M,mdial, o Japão p.ssou a
dejat ",,,,," em homenagem à_ formas .rredondadas do primeiro mini_no ingl~,
exterminou imediaramente cerca de 40 o,il vidas hum.nas. 1I ser contl'olado pelos imperàtivos dos EUA, além d. intervençiiodireta do General
l'vt.cA,;hur.
I
. 70:. ~
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;
de Controle de Qualidade (CCQ), nos quais foram utilizadas
Com a imposição de que o trabalhador precisa se dedicar o
técnicas de intensificação do trapalho e de responsabilização do
máximo à empresa ou, nas palavras do senso comum da gestão
capitalista, que precisa"vestir a camisa da empresá; o seu tempo trabalhador pela sua própria exploração.
de descanso se tornou muito reduzido. Para cumprir a máxi~ Tendo por base abusca por maior produtividade e compro-
ma capitalista de "proteger nossa empresa para defender a vidá' .metimento do trabalhador, essa forma de gestão e organização
(Oliveira, 2004, p. 65), o trabalhador precisa produzir novas do trabalho ensejou novas"tecnologias. Entre as mais utilizadas,
sugestões diariamente, até os momentos de lazer e em que está destacam~se o Kanban e o Just'-in-time, que se complementam
com a fanlília serã~ tencionados pelas imposições do capital. para estabelecer a produção em ritmo sempre mais elevado, sem
nenhuma parada. Enquanto o Kanban expressa um uso de car-
Os .pr?cessos de flexibilização 'da ptodução foraTI1.i~ç(e-.
mentadosde.-d.üas formas: fora dentro e clã
emprésa. Para'
eiripresa; com'vistas à reauç~? dos custos, o processo de flexibili--
ª;. tões para agilizar o fluxo da produção, denunciando e constran~
gendo o trabalhador culpado pela parada, o Just-in-time consti-
tui a base para redução de tempo e custos com a armazenagem,
~ação fô! desenvolvido por meio do retorno das relações de sub-
contt'ií.taçáo, ou seja, pela terceirização13, no qual trabalhadores por meio da meta do ~stoq~e Zero. Essas novidades impuseram
um processo de trabalho que funcionava autonomamente, sem
.~e outras empresas ou autônomos, com ou sem contratos, passa-
ram a exercer atividades produtivas. Com isso, a exploração não interferência humana.e que, por isso, conseguiram retirar o
se deu mais .somente entre trabalho e capital na empresa, mas máximo de energia física e mental do trabalhador. Trata-se da
e
entr~ empresa maior empresa menor, visto que, ao delegar ati- "autonomaçáo'; de£inidapor Pinto (2007, p. 74) como
vidades entre uma empresa terceira, o objetivo era diminuir os
un<n~ol~gi.smo~;i~d~~pa~tirda junção das palavras "autonomiá' e
custos e aumentar o trabalho excedente apropriado. Tudo isso "automação'; pois si tráta de u~ processo pelo qual é acoplado às má-
implicou aumento do trabalho precário e conc~ntração amplia- quin~s u"mmec~nisin~ de par:ida automática em caso de derectar-se
da do capital. algum defeito no transcorrer da fabricação, permitindo-as assim a
func~nar autonoma,l)1en~e_ (~ndependente da supervisão humana
No espaço interno da empresa, forjou-se a base para a ~x-
dire-ta), sem que s~ ~~~d~ússem peças defeituosas.
ploração coletiva do. trabalho e, no lugar da determinação do rit-
mo de trabalho individual, as metas produtivas foram impostas
às equipes de trabalho. Cada um desses grupos pode ser deno- o trabalhador precisava, ao mesmo tempo, executar o tra-
o minado de '''células de produçãó e ~onstitu.em-se de equipes de balho de acordo com oS ritmos ditados pelas máquinas e fiscali~
trabalhadores, que podem alternar-se em seus postos conforme zar se a sua equipe está .c~mprindo as metas estabelecidas pela
o volume de produção pedido, ou metas de qualidade exigidas gerência. O fato de os trabalha,dores serem forçados a tornarem-
ou outro motivo" (Pinto, 2007, p. 80). se também fiscais do capital promoveu impactos diretos na so~
lidariedade classista, o, qu.e facilitou o domínio do trabalhador
Quando a eq~ipe passou a ser responsável pelo cumpri-
pela gestão capitalista. Nesse sentido, o aspecto ideológico do
o

mento dO.ritmo de tr~balho, os próprios trabalhadores passaram


toyotismo deve ser ressaltado' Como uma grande conquista dos
a exerc~r a~iviclades de fiscalização, exigindo do seu companhei~
capitalistas contra os ir:lbaUiad6res:
ro o.cumprimento das metas impostas pela gestão capitalista.
Essa união entre as funções de execução e fiscalização da pro~ o ioyoti~mo apr~serita-sê°'tanto como uma reestruturação em dire-
dução pelas equipes de trabalho ficou conhecida como Círculos ção ao trabalho flexível e autônomo - mais ideologia que reálidade -
quanto como uma estratégia de des-identídade, ou de redefinição das
~i :. identidades no mundo. operário. Para resumir uma longa literatura,
13 Depois da terceiri:z:açáo,na qual uma empresa delegava parte de suas atividades
é t1~a ~per~çã-oide6oI6gicâiii>.soe[ltido de operar a çransferência da
para outra, P""ou a existir a quarteiti:z:aç2o,na qual apropria emprésa terceiríza- ..-.: .
da utiliza atividades de outra empresa.

72

1:.
• .;:~

'r~
!.
!I
~-: identidade da classe e do sindicato para a empresa. A reengenharia é
'li simultaneamente. pois, a nova forma técnica e a nova forma ideoló-
Indicações culturais
j..: gica. Este é o terreno onde está se travando uma das lutas deci~ivas
I~
' para o futuro do trabalho ou, mdhiéôizerido,
quer dizer trabalho. (Oliveira. 2000: p. 'Ú)
para se definir
, ,
<> que
PÃO e rosas. Direção: Ken Lo~ch. Produção: Rebecca O'Brien. Inglaterra:
Uons Gate Rlms Inc.lFilmes do Estação, 2000. 110 mino

O filme expõe a prec;triedade das mnções de trabalho me~


I nos qualificadas e como tal fato torna-se agravado a partir da
Assim, as inovações 110 campo de gestão e organi~açãó do
I
I
,trabalho, oriundas dessas experiência~ estabelecem~sesegi.lindo divisão internacional do trabalho, com a incorporação de empre-
as máximas de ampliação da exploração 'e dominação do.traba-. gados imigrantes, a q~em são negados vários direitos.
lhador, aumentando a subordin~ção do t'rabalha49r aO:eapitaI. '_
NORMA Rae. Direção: Martin Ritt. Produção: Tamara Asseyev e Alexandra
por meio 'de'in~quin:l;s e apropr~ção da-
sü~ subjetividade a' ;~r~' '. Rose. EUA: 20'" Century Fax, 1979. 114 mln.
viço- do capit'a1.'Seguem, p.9_rtant~,os' ~esmos pilares que con~'
:.)';:{.
~.~
O filme expõe duas grandes dificuldades na vida dos. tra~a~
substanciaram seu nascimento. ' . ----
)::t:k", lhadores de uma empresa capitalista: a luta pela sua orgamzaçao
! ,.;..
e a criação de um sindicato, e as complicações relativas ao traba~
1
lho feminino.

Atividades ROGER & eu. Direção: Michael Moore. Produção: Mlchael Moore e Wendey
Stanzler. EUA: Warner Bros., 1989.91 mino

1. Comente a seguinte afirmação: ~'Em'paralelo ao processo, de O 6lme'apresepta exemplos da divisão internaci~nal do


oposição do trabalhador aoresultadQ do seu trabalho(surge, ,.;i',', ,..--.'trabalho, em que empresas capitalistas transitam entre clda~es e
então, uma nova forma de alienação,,~n~e o trabalhador o ' e " : ,-países'à procurade-força de 'trabalho com menos custos, delxan~
processo de trabalho': . - do um rastro de desemprego e miséria. .

2. Disserte sobre a separação entre concepção e execução do


'( '. processo de trabalho.

3. Quais os principais representantes da gestão capitalista?

4. "Poderíamos construir a seguinte imagem: enquanto está


com os pés no trabalho, o gestor tem a cabeça no capital':
Explique a relação do gestor com o capital e o trabalho na
empresa capitalista. ,

5. Compare o fordismo com o toyotismo.