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Clínica cirúrgica II – Varizes de Membros Inferiores 1

CLÍNICA CIRÚRGICA II
AULA: DR. NEIVALDO (30/05/2016)
ELABORAÇÃO: JOÃO CAVALCANTE/ LEANDRO MORAES

VARIZES DE MEMBROS INFERIORES

 CONSIDERAÇÕES GERAIS:

Segundo o professor é altamente frequente. A maioria das mulheres apresentam essa


patologia. [As mulheres se cuidam mais que os homens, isso é fato].

Nos ambulatórios de vascular 80% dos pacientes apresentam úlceras varicosas como
queixa principal. Além dessa, há também outros casos, porém, em menores percentuais,
como oclusão arterial crônica e trombose venosa profunda (TVP).

Varizes é o tipo de patologia que pode “enganar” você, no caso, se o médico apenas
visualizar as varizes do paciente, dependendo do tipo, pode pensar que não é grave ou
que é gravíssimo. Isso pode ocorrer pois não há correlação da lesão apresentada com a
clínica do paciente. Por exemplo, o paciente pode apresentar varizes discretas, porém,
possuir muita exacerbação da doença, como peso nas pernas, dor em período pré-
menstrual. Assim, como pode acontecer, de pacientes terem macrovarizes e não sentir
nada.

Repetindo: não há correlação clínica entre sinais e sintomas nas varizes.

Polêmica: Quem tem varizes terá embolia pulmonar! Nem todos terão é claro. Mas não
há dúvida de que se deve tratar o paciente que apresenta varizes.

 EPIDEMIOLOGIA:

 Alta prevalência: 40% da população apresenta varizes.


 Em 90% das pacientes estão presentes telangiectasias (“aranhas vasculares”).

 DEFINIÇÃO:

Veias permanentemente dilatadas, com alteração de suas paredes ocasionando uma


insuficiência valvular ou em função de uma trombose venosa profunda (TVP).

 CLASSIFICAÇÃO:

Classifica-se em:

I. Primária: idiopática ou essencial. São varizes em que não há causa específica,


por exemplo, não houve gravidez anteriormente, não utilizava contraceptivos,
não houve traumas. Nada para que possamos pensar na possibilidade do que
levou o paciente a ficar com varizes. Nessa situação o FATOR HEREDITÁRIO
prepondera, ou seja, “o pai tem, a filha também vai ter” (PLETXCAN, 2016).
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II. Secundária: ocorre em função de uma causa predisponente. Por exemplo, uso de
contraceptivos ou em função da própria idade, gravidez, TVP.

 ANATOMIA:

O retorno venoso é realizado por três sistemas.

1. Sistema venoso profundo;


2. Sistema venoso superficial;
3. Sistema perfurantes comunicantes.

Destes o que vamos estudar hoje é o sistema venoso superficial, pois estamos falando de
varizes.

O sistema que comunica os outros dois sistemas (superficial e profundo) é o sistema


perfurante comunicante.

O sangue geralmente passa do superficial para o profundo (subaponeurótico), e ascende


até o coração.

 SISTEMA VENOSO PROFUNDO:

É o principal sistema, pois 80% do sangue que retorna dos membros passa por ele. A
oclusão desse sistema, chamada trombose venosa profunda, caso não seja tratada poderá
levar a outra patologia chamada embolia pulmonar.
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Sistema venoso profundo: começando pelos pés, tem-se as veias dorsais com trajeto
ascendente => tíbias => trato poplíteas => femoral superficial => femoral profunda =>
veia femoral comum => ilíaca => veia cava.

 SISTEMA VENOSO SUPERFICIAL:

Por esse sistema ocorre o retorno de 20% do sangue. Há duas veias importantes:

1. Veia safena magna ou interna;

Com trajeto anterior ao maléolo medial, seguido de um trajeto ascendente um pouco


mais posterior ao maléolo medial do joelho e geralmente desemboca na veia femoral
comum.

2. Veia safena externa ou parva:

Com trajeto posterior ao maléolo lateral, sendo que 10 a 15 cm, ela fica
subaponeurótica, a manobra de SCHWARTZ (importante para pesquisa de refluxo) não
é realizada nela porque ela é fica subaponeurótica.

3. Tributárias da croça:

São 05:

1. Safena acessória lateral;


2. Safena acessória medial;
3. Pudenda interna;
4. Circunflexa ilíaca superficial;
5. Epigástrica superficial.
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Elas são importantes para quando o cirurgião realizar safenectomia (desconectar a


safena da femoral e em seguida removê-la), onde logo após deve-se ter o cuidado de
ligar as 05 tributárias, do contrário, você irá lesar outras estruturas.

Repetindo:

O sistema venoso superficial é composto pelas duas safenas (interna e externa) e as


tributárias da croça. Lembre-se que esse sistema é responsável por 20% do retorno
venoso.

 PERFURANTES COMUNICANTES:

São 160, porém, as mais importantes são as seguintes:

 Perfurantes de Cockett (I, II, III). Ocorre a gênese das úlceras flebopáticas.
 Perfurante de Boyd’s. Localizada um pouco abaixo do joelho, medialmente.
 Perfurantes de Dodd’s.

Professor pediu para gravarem esses nomes. Então, DECORA!

 ETIOLOGIA:

 Trauma: em fistulas arterio-venosas (comunicação anormal da artéria com a


veia), passando sangue arterial para a veia, aumentando a pressão, levando a
uma exacerbação do sistema nervoso superficial.
 Contraceptivos: por dois motivos, sendo o fator hormonal o principal, e também
a alteração dos fatores de coagulação de modo geral.
 Obesidade: associada ao sedentarismo predispõe o surgimento das varizes.
 Gravidez: por duas maneiras, pela alteração do fator hormonal da mesma forma
que os contraceptivos e pela própria evolução da gravidez com aumento do útero
diminuindo o retorno venoso, por isso pede-se para a gravida deitar-se em
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decúbito lateral esquerdo para diminuir a pressão na veia cava e melhorar o


retorno venoso.
 Calçados inadequados: segundo o professor o calçado ideal é de base uniforme
(Anabela e plataforma – dicas de Neivaldo). Os inadequados são os de salto alto
com ponta fina, agulha [sei lá explicar isso], por que não pode utilizá-los?
Segundo o professor é porque quando a mulher pisa, ocorre mais sobrecarga no
calcanhar do que no “ante-pé” e com isso o retorno venoso é realizado mais
pelas veias superficiais.
 Atividade física: qualquer atividade aeróbica é permitida, mas deve-se evitar
sobrecarregar as pernas com peso. A caminhada física mais adequada para quem
tem varizes são caminhada e hidroginástica.
 Hereditariedade: levando em consideração principalmente o tipo de varizes
primaria.

 FISIOLOGIA VENOSA:

Fisiologicamente teríamos a passagem do sangue contido nas veias superficiais para o


sistema venoso profundo ascendendo para o coração.

As veias possuem válvulas que impedem o refluxo do sangue e assim ajudam na


drenagem do sistema venoso. Por exemplo, imagine você mesmo em pé, o sangue
venoso contido nas suas pernas ascende pelas veias safenas, quando o mesmo tenta
retornar (por ação da gravidade), as válvulas das safenas se fecham impedindo o
refluxo, e assim você, meu caro amigo leitor, não tem varizes.
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 DEFINIÇÃO DE VARIZES:

VEIAS PERMANENTEMENTE DILATADAS COM ALTERAÇÃO DE SUAS


PAREDES, OCASIONANDO UMA INSUFICIÊNCIA VALVULAR.

Imagine que o diâmetro normal da safena magna seja de 2cm, e com o passar do tempo
(idade avançada) esse diâmetro atinja 2,5cm assim as válvulas que antes se fechavam de
forma adequada, agora se fecharão inadequadamente com uma pequena abertura em seu
meio, a isso denomina-se insuficiência valvular.

Relembrando:

Válvulas suficientes são aquelas que fecham de forma adequada, impedindo o refluxo
sanguíneo.

Válvulas insuficientes são aquelas que ao se fecharem, em função do diâmetro


aumentado por conta da idade por exemplo, permitem o refluxo venoso.

Em pacientes com varizes possuem as paredes dos vasos enfraquecidas, com maior
abertura e com isso o paciente tem uma insuficiência valvular. As válvulas não se
fecham adequadamente.

Nas veias saldáveis não há refluxo sanguíneo porque as válvulas se fecham


adequadamente.
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INDIVÍDUO NORMAL:

Em pé parado...............................................87mmHg

Sentado........................................................65mmHg

Deitado........................................................10mmHg

Ao deambular..............................................23mmHg

EM PÉ PARADO:

Os pacientes: normal, com varizes e com TVP apresentam a mesma pressão.

AO DEAMBULAR:

Paciente normal: queda da pressão acentuada 87 para 23mmHg.

Paciente com varizes: queda discreta 87 para 57 mmHg.

Pacientes com TVP: quase não se altera 87 para 77mmHg.

O professor leu essa tabela que está acima. Gravem o que está em destaque, segundo ele
CAI EM PROVA DE RESIDÊNCIA TODO ANO.

 FISIOLOGIA DO RETORNO VENOSO:

Acredita-se que o sangue retorna por 04 motivos:

1. Vis a Lateri: Batimento arterial satélite.


2. Vis a Tergo: Bomba cardíaca – ventrículo esquerdo.
3. Vis a Fronti: Respiração – caixa torácica.
4. Bomba muscular: Panturrilha e plantar. [Teoria mais aceita].

Explicando as teorias, pois é preciso ter uma “construção tiórica” (BOTELHO, 2014).

Vis a Lateri: o batimento arterial satélite, ou seja, a artéria junto a veia ao fazer o
batimento arterial impulsionava o sangue para retornar ao coração.

Vis a Tergo: a contração do ventrículo, durante a sístole, faz o retorno sanguíneo ser
maior.

Vis a Fronti: a inspiração faz com que aumente a caixa torácica, fazendo com o que
débito fique maior, melhorando o retorno venoso.

Bomba muscular: por contração dos músculos da perna e com isso pressiona as veias
profundas, fazendo as válvulas se abrirem, forçando o sangue a seguir para o coração.
[De todas as 4 teorias, essa é a mais aceita].
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[Coloquei a foto do slide para você não esquecer].

 CLASSIFICAÇÃO CEAP:
 Clínica;
 Etiologia;
 Anatomia;
 Patologia .

1- Classificação Clínica:

Em relação a parte clínica o mais importante:

C0 – Normal. (Paciente sem varizes)

C1 – Microvarizes e varizes reticulares.

C2 – Veias varicosas sem alterações cutâneas.

C3 – Edema sem alterações cutâneas.

C4 – Dermatite ocre, dermatoesclerose, hiperpigmentação eczema e alterações cutâneas.

C5 – C4 + Úlcera cicatrizada.

C6 – C4 + Úlcera ativa.
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CEAP 1 são varizes vermelhas discretas, chamadas de telangiectasias “aranhas


vasculares”. Neste tipo é possível realizar a escleroterapia. Atualmente existe a
possibilidade de se fazer a escleroterapia no CEAP 2, procedimento chamado de

escleroterapia ampliada.

CEAP 2 são macrovarizes.

[Professor lembra que não há relação de sintomas com os sinais observados no


paciente, muitas vezes o paciente com CEAP 1 pode ser mais sintomático que o
paciente com CEAP 2].
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CEAP 3 são varizes com certo grau de edema. [TVP pode gerar edema uni ou bilateral
(mais frequente ser unilateral)].

CEAP 4 alteração cutânea, como hiperpigmentação. [Ocorre uma hipertensão do


sistema venoso superficial com ruptura dos capilares, seguida da liberação de
hemoglobina que em contato com o sol se transforma em hemossiderina e se fixa na
pele].
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CEAP 5 é o CEAP 4 com uma úlcera cicatrizada.

CEAP 6 é o CEAP 4 com uma úlcera ativa. [lembre-se das perfurantes de Cockett].

2 – Classificação Etiológica:

Lembre-se C – E – A – P. Classificação etiológica é o E do CEAP.

 Congênita – (E c).
 Primária – ( E p) causa indeterminada. Pode ser em função de fatores
hereditários.
 Secundária – (E s) causa conhecida:
o Pós trombótica
o Pós traumática
o Outros.
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3 – Classificação Anatômica:

C-E-A-P. A de anatômico.

1- Telangiectasias – reticulares.
2- Veia Safena Magna (VSM) suprageniculares
3- VSM infrageniculares
4- Veia Safena Parva
5- Não safena
6- VCI
7- Ilíaca comum
8- Ilíaca interna
9- Ilíaca externa
10- Pélvica, gonodal, lig. Largo.
11- Femoral comum
12- Femoral pofunda
13- Fermoral superficial
14- Poplítea
15- Crural – Tibial Anterior, Tibial Posterior, Fibular
16- Musculares – perna
17- Profundas coxa
18- Perfurantes perna

[Professor falou que se você decorar até o número 06 dá para ir bem na prova, mas
antes disso ele falou até o 10, então...].

3 – Classificação Fisiopatológica:

C-E-A-P. P vem de Pathophysiological.

 Refluxo ( P R ) – varizes em função de alteração valvular.


 Obstrução ( P O ) – varizes oriundas em função de uma obstrução como TVP.
 Refluxo e obstrução – varizes em função de refluxo e obstrução.

CEAP – EXEMPLOS:

C3EsA2, 3Pr => varizes com edema, utiliza contraceptivo injetável a longo tempo, a
nível de coxa e perna, com teste de SCHWARTZ positivo [imagine o pletxcan falando
esse nome rsrs.].

Vou detalhar essa criança para você k..

C3 – varizes com edema [lembra?].

Es – causa secundária (contraceptivo injetável) [lembra?].


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A2,3 – revise a lista de vasos sanguíneos da anatomia (2- Veia safena magna
suprageniculares, 3 - VSM infrageniculares), [lembra?].

Pr – significa que tem refluxo. Pr positivo = refluxo. [lembra?].

[Caso não tenha lembrado de nada. Não tem problema, DECORA! ORA].

Segue outros exemplos para você brincar:

C2,5EsA1,3Po => telangiectasia e macrovarizes a nível de perna, com úlcera em


maléolo medial cicatrizada, com história de TVP.

C1EcA1,2,3Pn => Telangiectasia e veias reticulares, a nível de perna e coxa, com fator
hereditário. [Pn nesse caso significa que não tem fator algum associado].

C6EsA3,4Pro => Varizes a nível da perna e na região posterior da perna com úlcera
ativa em maléolo medial, história pregressa de TVP, com teste de Schwartz positivo.

 QUADRO CLÍNICO:
 Sensação de peso e cansaço nas pernas.
 Câimbras noturnas.
 Dor ao deambular (Claudicação venosa).

[Neste momento o professor disse que iria repassar esses slides... Então, kdê?].

Lembrar que não há correlação clínica entre varizes e dor, e que nas mulheres existe
uma exacerbação de sintomas no período pré-menstrual e menstrual. [Por isso, nós,
homens, devemos amar esses “ser-humaninhos” lindos].

 DIAGNÓSTICO:
 Anamnese.
 Exame físico – provas funcionais.
 Exames complementares (lembrar do duplex scan, flebografia).

 EXAME FÍSICO – PROVAS FUNCIONAIS:


 Schwartz: Serve para verificar se tem refluxo das safenas magna e parva.
 Adams: Para verificar se tem insuficiência a nível de croça de safena.
 Brodie-Trendelenburg: Para verificar se a veia safena magna está
insuficiente.
 Hayerdale-Anderson: Serve para avaliar somente a safena parva.
 Humberto Barreto: Avalia os três sistemas (profundo, superficial e
comunicantes).
 Foote: Serve para avaliar o sistema venoso profundo.
 Pratt: Serve para avaliar o sistema venoso profundo.
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 Prethes: Serve para avaliar o sistema venoso profundo.


 Ochsner: Serve para avaliar o sistema venoso profundo.

 TESTE DE PERCUSSÃO DE SCHWARTZ:

Para fazer a manobra você colocará uma mão (mão esquerda por exemplo) no
terço médio da perna do paciente e com a outra mão você irá percutir a nível de
fossa poplítea. Se você sentir uma onda batendo em seus dedos (que está no terço
médio), você deduz que está havendo refluxo. Significa que a válvula está
insuficiente.
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 BRODIE-TRENDELENBURG (Safena Magna):

Imagine que o paciente tenha muitas varizes, então, você irá elevar a perna dele
para esvaziar o sistema venoso todo, deixando-o sem varizes, ajudando também
com uma manobra manual.

Depois de você “esvaziar” as varizes você irá colocar um garrote a nível da coxa
proximal, pede para o paciente ficar de pé, seguida da soltura do garrote, se ao
soltar o garrote você perceber que houve refluxo significa que as válvulas estão
insuficientes.

Lembrar que quando se fala em insuficiência valvular significa que a válvula está
aberta.
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 MANOBRA DE ADAMS OU MANOBRA DA TOSSE (Safena Magna):

Você irá palpar o forame ovário [entender o que o pletxcan fala é complicado,
mas foi isso mesmo que ele disse: forma ovário] e pulso femoral.

Você sabe que as estruturas anatômicas estão dispostas em Nervo, Artéria e Veia
(NAV), palpando a artéria sabe-se que ao lado dela está a veia. Então, você irá
posicionar seu dedo ao lado da artéria, e em seguida irá pedir para o paciente
tossir, e se você sentir refluxo, significa que a croça da veia safena está
insuficiente. VALC

 HAYERDALE-ANDERSON: Serve para avaliar somente a safena parva.


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Paciente com várias varizes, eleva-se a perna colocando o garrote ou faz-se


compressão com a mão na região poplítea e ao soltar percebe-se que há
reenchimento da v. parva.

 HUMBERTO BARRETO: Avalia os três sistemas (profundo, superficial,


comunicantes, ademais, TVP)

O paciente fica em decúbito, eleva-se sua perna e se coloca garrote em perna


proximal e distal e coxa proximal e distal (quatro no total) após secar as varizes.
O indivíduo fica então em pé e se pode ver o enchimento das veias superficiais.
Sendo assim, o primeiro sistema que esse teste avalia é o das
Perfurantes/Comunicantes, pois, se houve enchimento das superficiais, o sistema
válvula das Perfurantes/Comunicantes está insuficiente. O segundo sistema
avaliado é o venoso profundo, solicitando-se que o paciente deambule, o que não
será possível se houver um trombo no sistema. O terceiro sistema avaliado é o
superficial através da retirada de alguns garrotes e análise da direção de
enchimento das veias.

 PROVAS DE FOOTE, PRATT, PERTHES E OCHSNER – identificação


de TVP.
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Todos esses testes possuem o mesmo mecanismo de ação: realiza-se uma


compressão na perna do paciente, para que o sangue passe para o sistema
profundo e ele não consiga deambular. Se o paciente possuir uma TVP, o sangue
não consegue ascender. O que diferencia cada teste é a forma de compressão
aplicada ao sistema superficial.

Exames Complementares

 Arteriografia
 Pletismografia
 Flebografia - Continua sendo o padrão ouro, quase não se faz.
 Duplex scan - O mais utilizado.

SE CASO CAIR NA PROVA, O PADRÃO OURO É A FLEBOGRAFIA!

Arteriografia – Em caso de trauma

Pletismografia – Análise de possibilidade futura de ocorrência de úlceras


flebopáticas em macrovarizes. Seu mecanismo é a avaliação do volume de
sangue residual presente em certo compartimento.

Flebografia – Está entrando em desuso para estudo de varizes, mas ainda é o


padrão-ouro. Tem indicação, principalmente, em duas situações de acometimento
vascular, a Síndrome de Cockett ou de May Thurner e a Trombose Axilo-
subclávia ou Síndrome de Paget-Schroetter. Possibilita o diagnóstico de TVP,
insuficiência valvular, perviedade do sistema venoso profundo, entre outras
indicações variadas. Antigamente, fazia de forma ascendente e descendente. Na
ascendente, puncionava-se a veia dorsal do hálux com scalp e se injetava sobre
pressão o contraste com garrote no tornozelo do indivíduo para forçar o contraste
a ir para o sistema venoso profundo. Se houvesse refluxo através do sistema
venoso superficial, o a veia safena magna estava insuficiente. A descendente
possui o mesmo mecanismo, mas se faz punção da veia femoral com cateter. A
flebografia descendente avalia a presença de refluxo através da safena magna. O
grau de refluxo é analisado através da porção da safena em que ocorre o refluxo
(coxa proximal é grau I, coxa distal é grau II, perna proximal grau III e distal
grau IV).

Duplex Scan – É o mais utilizado e permite diagnóstico com precisão de TVP,


insuficiência valvular, entre outras patologias. O refluxo, geralmente, é percebido
pela alteração de cor ao exame quando o paciente faz a manobra de Vasalva.
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TRATAMENTO

Tem-se o tratamento clínico e o cirúrgico.

TRATAMENTO CLÍNICO

 Compressão elástica - É o elemento mais importante em relação ao


tratamento das varizes.
 Flebotônicos
 Atividades físicas

Elastocompressão

O principal elemento no tratamento clínico das varizes é a elastocompressão, que


é divida em:

 Suave compressão (10-20 mmHg)


 Média compressão (20-30 mmHg)
 Alta compressão (30-40 mmHg)
 Pós-trombótica (foi impossível entender o valor)

Os tipos de meia de compressão disponíveis são 3/4 (até o joelho), 7/8 (não é boa
para compressão, pois ela não tem boa fixação e desce em pernas mais grossas,
mas, é indicada para sair à noite, por exemplo, e meia-calça. Para profilaxia, as
meias de suave compressão são indicadas, mas, para varizes, deve-se utilizar
média de alta compressão.

FLEBOTÔNICOS

Outra opção para o tratamento clínico das varizes são os flebotônicos, que
melhoram muito o quadro. Os flebotônicos tem como ação o aumento do tônus
vascular e diminuem a permeabilidade capilar, atenuando a resposta inflamatória.
(fiz o máximo para entender e saiu esta frase.) .

Os medicamentos disponíveis são: Hidroxibutina, Diosmina com Hesperidina,


Castanha-da-Índia, Ginkgo biloba, entre outros.

Ainda no tratamento clínico, tem-se outras indicações como atividade física


regular e uso de salto Anabela.
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TRATAMENTO CIRÚRGICO

Tem sido modificado com o passar dos anos e é muito variável, contando com:

 Minicirurgias
 Endolaser
 Escleroterapia Ampliada
 Cirurgia convencional
 laser-terapia.

Minicirurgia com lâmina 11 – Ainda é muito realizada, principalmente em


locais sem recursos para realização de Escleroterapia Ampliada e em Hospitais
Universitários. Realizam-se incisões pequenas e escalonadas com lâmina 11 e se
“pesca” com agulha de crochet o vaso para depois usar as mosquitinhos para
manipulação do mesmo. Não é um procedimento muito estético.

Minicirurgia com agulha de Crochê – É um procedimento melhor que anterior.


Utiliza-se uma agulha de transfusão (40x12) e se fura próximo às varizes,
“pescando-se” o vaso com a agulha de crochê para manipulá-lo. (esse é bem
estético)

Safenectomia – Quase não é realizada atualmente. Em paciente com


macrovarizes em perna e insuficiência de safena evidenciada ao Duplex Scan ao
nível de coxa, por exemplo, é indicado. O professor prefere a realização de
Safenectomia parcial, ou seja, faz-se uma incisão perimeolar, passa-se o
Fleboextrator e, onde o instrumento parar faz-se outra incisão e se retira a safena
até aquele segmento. A preferência pela parcial é devido à possibilidade de o
paciente necessitar posteriormente de safena para revascularização. O
Fleboextrator é similar a um fio-guia de maior calibre e, em veias insuficientes,
ele passa com maior facilidade.

Caso se faça a Safenectomia Radical, deve-se fazer dupla ligadura, tanto dupla
laçada quanto transfixação, a qual deve ser realizada abaixo da ligadura normal
para evitar o sangramento. Após a retirada da safena, deve-se comprimir o local
por 10 minutos, que é o tempo de coagulação médio do organismo.

AS CONTRAINDICAÇÕES PARA CIRURGIAS DE VARIZES


INCLUEM:

 Úlceras distais ativas infectadas


 Varizes em membro isquêmico - Este nunca operar.
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 Hipo ou agenesia do sistema venoso profundo


 Infecção sistêmica
 Doença grave associada
 Linfedema do membro
 Alterações hemorrágicas - Hemofilia, por exemplo.
 Gravidez (relativo)
 Idade avançada ( também é relativo).

AS COMPLICAÇÕES DAS CIRURGIAS DE VARIZES INCLUEM:

 Hemorragia - Ligadura inadequada.


 Linforragia - Um linfoma intempestivo começa a lesar os linfáticos da
região inguinal.
 TVP e TEP - São raros de ocorrer.
 Infecção - Antissepsia inadequada.
 Lesão de veias profundas - Pouco possível.
 Lesão arterial
 Lesão nervosa - É frequente, pois, o nervo safeno passa adjacente à veia
safena e o indivíduo cursa com parestesia no membro que regride
posteriormente.
 Queloide - Mais frequente na raça negra.
 Recorrência - Não se conseguiu retirar adequadamente o vaso, sendo
necessário reoperar o local.
 Tromboflebite - Infecção dos vasos residuais.

Escleroterapia – Consiste em injeção de uma substância no interior do vaso com


o objetivo de se causar reação inflamatória do mesmo. A reação inflamatória
determina endofibrose, que faz o vaso colabar. As substâncias utilizadas são
Glicose hipertônica em várias concentrações (atualmente só se usa a 75%),
Ethamolin (é uma espécie de detergente), Polidocanol (Aetoxisclerol).

As principais indicações são varizes reticulares e telangiectasias, no entanto,


atualmente já é possível se tratar microvarizes, mas com o uso de substância
distinta.

Pode-se usar o Emla, que é um creme antisséptico transdérmico destinado à


anestesia do local, com auxílio de um adesivo, ou o Siberian pode ser usado em
nível ambulatorial e que dispensa a utilização do Emla. Para realização do
procedimento é necessária uma lupa de grande aumento, seringa de 3 ml luer
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lock (é aquela que enrosca, pois, a agulha pode se soltar à injeção se não for
enroscada), agulha de 30 g1/2 (bem fina), atadura, etc.

Orbach criou uma técnica (Técnica de Orbach), na qual se deixa uma bolha na
frente da injeção, para que, quando a bolha fosse injetada, distendia-se o vaso e
se injetava a substância, o que é apenas para conhecimento histórico, pois não é
mais utilizado.

AS COMPLICAÇÕES INCLUEM:

 FLEBITE SUPERFICIAL
 DOR NO DIA SEGUINTE
 REAÇÕES ALÉRGICAS - É importante investigar qualquer tipo de
alergia antes de realizar o procedimento.
 EDEMA TRANSITÓRIO - Deve-se ter cuidado principalmente quando
o procedimento é realizado nos pés.
 HIPIGMENTAÇÃO - Mais frequente e ocorre devido à exposição solar
no período que deveria ser restrita.
 ESCARA COM LESÃO TRÓFICA - Complicação mais temida.

Laserterapia ou Vasculight – Tem resultados excelentes, porém, deve-se ter


indicação adequada (ele não falou as indicações).

Endolaser – Coloca-se uma cânula na safena e dispara-se com o laser para


queimar o vaso.

Bons Estudos Galera!!!!

Um grande abraço, de seus amigos Leandro Moraes e João Cavalcante.


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