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ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO - CIEN

EDUCAÇÃO
AMBIENTAL

Técnico em Meio Ambiente – Módulo II 112


ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO - CIEN

Índice

1-A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL.......... 114


2- O CLUBE DE ROMA E O CRESCIMENTO ZERO............................. 114
3- A CONFERÊNCIA DE ESTOCOLMO.............................................. 114
4- A CONFERÊNCIA DE TBILISI..................................................... 115
5- NOSSO FUTURO COMUM............................................................. 116
6- CARTA BRASILEIRA PARA A EDUCAÇÃO AMBIENTAL................. 117
7-CONCEITOS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL...................................... 119
8- DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E/OU A ECONOMIA
ECOLÓGICA.................................................................................. 120
9- EDUCAÇÃO PARA SOCIEDADES SUSTENTÁVEIS.......................... 121
10-OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL............... 121
11- EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS ESCOLAS ................................... 122
12- ATUAÇÃO DAS ONGS.............................................................. 123
13-OS PROJETOS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL............. 125
14-GESTÃO AMBIENTAL................................................................ 126
15-LEGISLAÇÃO AMBIENTAL........................................................ 128
16-LEI DA POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL -
LEI 9795/99................................................................................ 129
17-O PRONEA........................................................................................ 131

Bibliografia

SECRETARIA DE MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO

Técnico em Meio Ambiente – Módulo II 113


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1. A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Histórico da Educação Ambiental

Considerando-se que educação ambiental é um processo em construção permanente e que,


portanto, torna-se um instrumento de aprendizagem em constante movimento, alguns
fatos e acontecimentos marcantes na história mundial têm sua importância para o estudo
proposto neste texto, como os que agora destacamos.

Em 1869, Ernest Haeckel propõe o vocábulo “ecologia” para os estudos das relações entre
espécies e seu ambiente. Três anos depois, é criado o primeiro Parque Nacional do mundo, o
de Yellowstone, nos Estados Unidos. Desde então, e principalmente após a 2ª Grande
Guerra quando do crescimento desenfreado da produção industrial e do conseqüente
acirramento da degradação do meio ambiente, começaram a surgir problemas de dimensões
globais, que rompiam fronteiras e extrapolavam a regionalidade, como a poluição de rios e
mananciais internacionais, a chuva ácida, o buraco na camada de ozônio, o efeito estufa, as ilhas
de calor nos grandes centros urbanos, entre outros.

Nesse momento, percebeu-se a importância de uma reflexão mais profunda e a necessidade de


um trabalho conjunto entre as nações, concentrando recursos financeiros e tecnológicos para a
solução dessas questões e/ou para minimização dos impactos desses fenômenos no meio
ambiente. Nesse sentido, diversas atitudes passam a ser tomadas, principalmente nos
países do hemisfério norte. Algumas delas são emblemáticas, tais como a fundação em
1947, na Suíça, a UICN – União Internacional para a Conservação da Natureza, a mais antiga
instituição ambientalista de que se tem registro.

No entanto, ainda não se relaciona diretamente as alternativas de solução aos problemas


ambientais a mudança de comportamento e a questão educacional. Só em 1965, foi utilizada
pela primeira vez, a expressão “Educação Ambiental” (Environmental Education), durante a
“Conferência de Educação”, da Universidade de Keele, na Grã-Bretanha.

2. O CLUBE DE ROMA E O CRESCIMENTO ZERO

Em 1968, é fundado o Clube de Roma pelo industrial italiano Aurélio Peccei e pelo químico
inglês Alexander King, que agregou 100 empresários, políticos, cientistas sociais,
preocupados com as conseqüências do modelo de desenvolvimento predatório adotado
pelos países ricos do ocidente e que rapidamente se espalhava por todo o globo terrestre. Em
1971, o Clube encomenda ao MIT – Instituto de Tecnologia de Massachussets, Estados Unidos -
um estudo sobre a situação do Planeta.

Como resultado é publicado no ano seguinte, um relatório que leva o nome de “Limites
do Crescimento”, que recomenda crescimento zero da atividade econômica e da população,
como forma de garantir a continuidade da existência da espécie humana do Planeta. Tal
documento é duramente criticado, principalmente porque congelava desigualdades e não
previa mudanças nos padrões de produção e consumo adotados pela sociedade, nem
tampouco propunha uma redistribuição de riquezas entre os países e as diferentes camadas
da população.

De qualquer modo, foi a primeira vez que um sério instituto de pesquisa, financiado por poderosos
empresários do primeiro mundo, apontava a situação a que o Planeta estava exposto. Por fim,
o mundo tomava conhecimento, oficialmente, das limitações ambientais ao crescimento.

3. A CONFERÊNCIA DE ESTOCOLMO

No mesmo ano da publicação, 1972, e como sua conseqüência direta, aconteceu a Conferência das
Nações Unidas, em Estocolmo, debatendo o tema “Crescimento Econômico e Meio Ambiente”, com a
presença de 113 países.

Esta Conferência é considerada um marco político internacional para o surgimento de políticas de


gerenciamento ambiental. Ali foram propostos novos conceitos como o do Ecodesenvolvimento,
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uma nova visão das relações entre o meio ambiente e o desenvolvimento; gerados e
criados novos importantes programas como o das Nações Unidas para o Meio Ambiente
(PNUMA); gerados documentos da relevância da Declaração sobre o Ambiente Humano, uma
afirmação de princípios de comportamento e responsabilidade que deveriam governar as decisões
relativas à área ambiental e o Plano de Ação Mundial, uma convocação à cooperação internacional
para a busca de soluções para os problemas ambientais.
A Conferência também constituiu o Dia Mundial do Meio Ambiente, a ser comemorado no dia 05 de
junho de cada ano.

A partir dela, a atenção mundial foi direcionada para as questões ambientais, especialmente
para a degradação ambiental e a poluição interfronteiras, popularizando o conceito da
dispersão, de grande importância para evidenciar o fato de que a poluição não reconhece
limites políticos ou geográficos e afeta países, regiões e pessoas para muito além do ponto em
que foi gerada.

A posição brasileira

O Brasil, a esta época em plena vigência do regime militar, havia adotado o chamado
modelo econômico “nacional-desenvolvimentista”, onde o crescimento a qualquer custo era visto
como ferramenta fundante para o progresso e para a melhoria da qualidade de vida da
população e vinha acumulando sucessivos índices positivos de crescimento do Produto Interno
Bruto.

Era a década do “milagre brasileiro” e os investimentos governamentais em grandes obras


eram consideradas prioritários, a rodovia Transamazônica, a Ponte Rio - Niterói, a Usina de
Energia Nuclear de Angra, entre outros, ampliavam a infra-estrutura que, por sua vez,
possibilitava o crescimento desenfreado que exigia ainda mais infra-estruturas de base. Novas
estradas, novos portos, novas fronteiras agrícolas, imensos conjuntos habitacionais e assim
consecutivamente. Não era de se estranhar, portanto que, diante das discussões em Estocolmo,
os representantes brasileiros não tenham reconhecido a gravidade dos problemas
ambientais.

Mesmo enfrentando discordâncias, a Conferência de Estocolmo representou um avanço


nas negociações mundiais e tornou-se o marco para o entendimento dos problemas
planetários e para a emergência de políticas ambientais em muitos países, adotando o slogan
“Uma Única Terra” e propondo a busca de uma nova forma de desenvolvimento para o mundo.
No mesmo Plano de Ação, foi recomendado o desenvolvimento de novos métodos e recursos
instrucionais para a Educação Ambiental e a capacitação de professores.

Congresso de Belgrado

Três anos mais tarde, o Congresso de Belgrado propõe a discussão de nova ética planetária
para promover a erradicação da pobreza, analfabetismo, fome, poluição, exploração e
dominação humanas. Censurava o desenvolvimento de uma nação à custa de outra e
propõe a busca de um consenso internacional. Sugeriu também a criação de um Programa
Mundial em Educação Ambiental.

Como resultado, a UNESCO cria, então, o Programa Internacional de Educação Ambiental


(PIEA), que até os dias de hoje tem continuamente atuado na EA internacional e regionalmente.
O PIEA mantém uma base de dados com informações sobre instituições de EA em todo o
mundo, além de projetos e eventos que envolvem estudantes, professores e
administradores.

4. A CONFERÊNCIA DE TBILISI

A reunião internacional que de fato revolucionou a EA foi a Conferência Intergovernamental


sobre Educação Ambiental, promovida pela UNESCO e realizada em Tbilisi, na Geórgia em 1977.
Embora o evento fosse governamental, participantes não-oficiais se fizeram presentes,
marcando posições e interferindo nas discussões. Conseguiram grandes avanços e
estratégias e pressupostos pedagógicos foram adicionados aos seus documentos.

A declaração final de Tbilisi estabelece os princípios orientadores da EA e remarca seu


caráter interdisciplinar, crítico, ético e transformador. Anuncia que a EA deveria basear-se na

Técnico em Meio Ambiente – Módulo II 115


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ciência e na tecnologia para a tomada de consciência e adequada compreensão dos
problemas ambientais, fomentando uma mudança de conduta quanto à utilização dos
recursos ambientais.

5. NOSSO FUTURO COMUM

Durante toda a década subseqüente, a humanidade buscou conhecimentos e acordos para


propor uma nova sociedade, de caráter local e global.

Em 1983, por decisão da Assembléia Geral da ONU, foi criada a Comissão Mundial de Meio
Ambiente e Desenvolvimento – CMMAD. Presidida pela então primeira ministra da Noruega, Gro
Harlem Brundtland, tinha como objetivo analisar a interface entre a questão ambiental e o
desenvolvimento e propor um plano de ações.

Essa Comissão, chamada de Comissão Brundtland, circulou o mundo e encerrou seus trabalhos
em 1987, com um relatório chamado “Nosso Futuro Comum”. E é nesse relatório que se encontra a
definição de desenvolvimento sustentável mais aceita e difundida em todo o Planeta:
“Desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem
comprometer a possibilidade das gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades”.

Segundo a Comissão, o desafio era trazer as considerações ambientais para o centro das tomadas
de decisões econômicas e para o centro do planejamento futuro nos diversos níveis: local,
regional e global.

Conferencia de Moscou

A conferência seguinte foi a de Moscou (capital da antiga União Soviética), que reuniu cerca
de trezentos educadores ambientais de cem países. Visou fazer uma avaliação sobre o
desenvolvimento da EA desde a Conferência de Tbilisi, em todos os países membros da
UNESCO.

A EA, nessa conferência não-governamental, reforçou os conceitos consagrados pela de


Tbilisi, a saber, a Educação Ambiental deveria preocupar-se tanto com a promoção da
conscientização e transmissão de informações, como com o desenvolvimento de hábitos
e habilidades, promoção de valores, estabelecimento de critérios padrões e orientações
para a resolução de problemas e tomada de decisões. Portanto, objetivar modificações
comportamentais nos campos cognitivo e afetivo.

Rio-92

A Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD),


oficialmente denominada de “Conferência de Cúpula da Terra” e informalmente de Eco-92 ou
Rio-92, foi realizada no Rio de Janeiro entre 03 e 14 de junho de 1992, 20 anos após a
Conferência de Estocolmo e teve grande importância para reforçar e ampliar essa nova
abordagem ambiental, que já vinha sendo discutida em documentos anteriores.

Fez história ao chamar a atenção do mundo para uma questão nova na época: a compreensão de
que os problemas ambientais estão intimamente ligados às condições econômicas e à justiça
social.

Reconheceu a necessidade de integração e equilíbrio entre as questões sociais e econômicas


para a sobrevivência da vida humana no Planeta. Reuniu 103 chefes de estado e um total
de 182 países e centenas de organizações da sociedade civil cuja ação teve relevante impacto
ao demonstrar claramente os limites da exploração dos recursos naturais. A Conferência aprovou
cinco acordos oficiais internacionais: a Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento; a Declaração de Florestas; a Convenção- Quadro sobre Mudanças Climáticas;
a Convenção sobre Diversidade Biológica e a Agenda 21, um documento que propõe novos
modelos políticos para o mundo em busca do desenvolvimento sustentável.

Paralelamente, as organizações não governamentais reunidas no Fórum Internacional das ONGS e


dos Movimentos Sociais, finalizaram e aprovaram o Tratado de Educação Ambiental para
Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global.

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Assim, no âmbito governamental e no da sociedade civil, o conceito de sustentabilidade
ganha força e esta nova visão implica na implantação de um modelo de desenvolvimento que
garanta a manutenção da Vida no Planeta sob todos os aspectos.

6. CARTA BRASILEIRA PARA A EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Paralelamente à Rio-92, o governo brasileiro, através do Ministério da Educação e Desporto –


MEC organizou um workshop, no qual foi aprovado um documento denominado “Carta Brasileira
para a Educação Ambiental”, enfocando o papel do estado, estimulando, em particular, a
instância educacional como as unidades do MEC e o Conselho de Reitores das Universidades
Brasileiras (CRUB) para a implementação imediata da EA em todos os níveis.

Quadro-síntese do histórico da Educação Ambiental no mundo

ANO ACONTECIMENTOS

SÉCULO XIX
1869 Ernst Haeckel propõe o vocábulo “ecologia” para os estudos das relações entre as
espécies e seu ambiente.
1872 Criação do primeiro parque nacional do mundo “Yellowstone”, USA

SÉCULO XX
1947 Funda-se na Suíça a UICN- União Internacional para a Conservação da Natureza
1952 Acidente de poluição do ar em Londres provoca a morte de 1600 pessoas
1962 Publicação da “Primavera Silenciosa” por Rachel Carlson
1965 Utilização da expressão “Educação Ambiental” (Enviromental Education) na
“Conferência de Educação” da Universidade de Keele, Grã-Bretanha.
1966 Pacto Internacional sobre os Direitos Humanos - Assembléia Geral da ONU
1968 Fundação do Clube de Roma
1972 Publicação do Relatório “Os Limites do Crescimento” - Clube de Roma
1972 Conferência de Estocolmo - Discussão do Desenvolvimento e Ambiente, Conceito de
Ecodesenvolvimento. Recomendação Educação e Meio Ambiente
1973 Registro Mundial de Programas em Educação Ambiental - USA
1974 Seminário de Educação Ambiental em Jammi, Finlândia – Reconhece a Educação
Ambiental como educação integral e permanente.
1975 Congresso de Belgrado - Carta de Belgrado estabelece as metas e princípios da
Educação Ambiental
1975 Programa Internacional de Educação Ambiental - PIEA
1976 Reunião Sub-regional de EA para o ensino Secundário Chosica, Peru. Questões
ambientais na América Latina estão ligadas às necessidades de sobrevivência e aos
direitos humanos.
1976 Congresso de Educação Ambiental em Brasarville, África, reconhece que a pobreza é
o maior problema ambiental.
1977 Conferência de Tbilisi – Geórgia. Estabelece os princípios orientadores da EA e
remarca seu caráter interdisciplinar, critico, ético e transformador.

1979 Encontro Regional de Educação Ambiental para América Latina em San José, Costa
Rica.
1980 Seminário Regional Europeu sobre EA , para Europa e América do Norte. Assinala a
importância do intercâmbio de informações e experiências.
1980 Seminário Regional sobre EA nos Estados Árabes, Manama, Bahrein. UNESCO -
PNUMA.
1980 Primeira Conferência Asiática sobre EA Nova Delhi, Índia
1983 Formação da Comissão Brundtland
1987 Divulgação do Relatório da Comissão Brundtland, Nosso Futuro Comum.

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1987 Congresso Internacional da UNESCO - PNUMA sobre Educação e Formação Ambiental
em Moscou, URSS. Realiza a avaliação dos avanços desde Tbilisi, reafirma os
princípios de Educação Ambiental e assinala a importância e necessidade da
pesquisa,e da formação em Educação Ambiental .
1988 Declaração de Caracas, Venezuela, sobre Gestão Ambiental na América. Denuncia a
necessidade de mudar o modelo de desenvolvimento.
1989 Primeiro Seminário sobre materiais para a Educação Ambiental em Santiago, Chile.
1989 Declaração de HAIA, preparatória da RIO 92, aponta a importância da cooperação
internacional nas questões ambientais.
1990 Conferência Mundial sobre Ensino para Todos, satisfação

das necessidades básicas de aprendizagem, Jomtien, Tailândia. Destaca o conceito


1990 ONU Declara o ano 1990 como Ano Internacional do Meio Ambiente.
1991 Reuniões preparatórias da Rio 92.
1992 Conferencia sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, UNCED, Rio/92 - Criação
da Agenda 21. Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis.
1992 FORUM das ONG’s - compromissos da sociedade civil com a Educação Ambiental e o
Meio Ambiente.
1992 Carta Brasileira de Educação Ambiental. Aponta as necessidades de capacitação na
área. MEC.
1993 Congresso Sul-Americano - continuidade Eco/92 - Argentina
1993 Conferência dos Direitos Humanos. Viena.
1994 Conferência Mundial da População. Cairo
1994 I Congresso Ibero Americano de Educação Ambiental. Guadalajara, México.
1995 Conferência para o Desenvolvimento Social. Copenhague. Criação de um ambiente
econômico-político-social-cultural e jurídico que permita o desenvolvimento social.
1995 Conferência Mundial da Mulher (Pequim, China)
1995 I Conferência Mundial do Clima (Berlim, Alemanha)
1996 Conferência Habitat II (Istambul, Turquia)
1996 II Conferência Mundial do Clima (Genebra, Suíça)
1997 II Congresso Ibero-americano de EA . Junho (Guadalajara, México)
1997 Conferência sobre Educação Ambiental (Nova Delhi, Índia)
1997 Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade: Educação e
Conscientização Pública para a Sustentabilidade, Thessaloniki, Grécia. Rio + 5 Sessão
especial da Assembléia Geral da ONU realizada em Nova York.
1997 III Conferencia das Partes (Quioto, Japão) onde foi proposto.

1999 O PROTOCOLO
Conferência DE QUIOTO,
Mundial do Climaacordo
(Bonn,para diminuição dos gases efeito estufa.
Alemanha)
2000 Conferência Mundial do Clima (Haia, Holanda)
2001 I FÓRUM SOCIAL MUNDIAL (Porto Alegre, Brasil)
2002 Rio + 10 (Joanesburgo, África)
2002 II Fórum Social Mundial ( Porto Alegre, Brasil)
2002 VIII Conferência Mundial do Clima, adoção da Declaração de Déli sobre Mudanças
Climáticas e Desenvolvimento Sustentável ( Nova Déli, Índia)
2003 III Fórum Social Mundial (Porto Alegre, Brasil) I Conferencia Brasileira de Meio
Ambiente
2004 IV Fórum Social Mundial (Índia)
2004 V Fórum de Educação Ambiental ( Goiânia, Brasil)

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7. CONCEITOS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Na Conferência de Tbilisi (1977), a Educação Ambiental foi definida como “uma dimensão dada
ao conteúdo e à prática da educação, orientada para a resolução dos problemas concretos do
meio ambiente, através de enfoques multidisciplinares e de uma participação ativa e
responsável de cada indivíduo e da coletividade”.

No entanto, os que convivem com a EA se depararam com uma surpreendente diversidade sob
o guarda-chuva dessa denominação. Atualmente, podemos encontrar uma gama imensa de
conceitos, práticas e metodológicas que, por sua vez, ora se subdividem, ora se antagonizam,
ora se mesclam.

Não é, pois, tarefa fácil analisar, qualificar e adjetivar a educação ambiental. Suas práticas
têm sido categorizadas de muitas maneiras: Educação Ambiental popular, crítica, política,
comunitária, formal, não formal, para o desenvolvimento sustentável, para a sustentabilidade,
conservacionista, socioambiental, ao ar livre, entre tantas outras.

Vejamos algumas destas principais correntes do ambientalismo e como se dá a inserção


da educação ambiental, em cada uma delas:

Conservacionismo:

Com significativa presença nos países mais desenvolvidos, ganha grande impulso com a divulgação
dos impactos sobre a natureza causados pelos atuais modelos de desenvolvimento. Sua
penetração no Brasil se dá a partir da atuação de entidades conservacionistas como a UIPA e
a FBCN, e da primeira tradução para o português de um livro (Tanner, 1978) sobre educação
ambiental.

A partir de então, esta corrente é mantida no país especialmente por ONGS de origem
internacional que se dedicam à proteção, conservação e preservação de espécies, ecossistemas e
do Planeta como um todo; à conservação da biodiversidade; às questões do aquecimento
global e o efeito estufa; ao enfrentamento da questão da rápida deterioração dos recursos
hídricos; ao diagnóstico e análise dos grandes fenômenos de degradação da natureza,
incluindo a espécie humana como parte da natureza; ao estudo e formulação de banco de dados
que sirvam de base para a conservação e utilização dos recursos naturais.

Na última década, no entanto, a atuação destas instituições no Brasil tem se alterado


substancialmente. Com freqüência, elas mantêm programas de Educação Ambiental, com as
comunidades do entorno de suas áreas de atuação, com caráter prioritário de disponibilizar
informações sobre os ecossistemas em estudo, mas também agregando projetos de inclusão
social e emancipação política.

Socioambientalismo

Tem suas raízes mais profundas fincadas nos movimentos de resistência aos regimes autoritários
na América Latina. No Brasil, esses ideais foram constitutivos da educação popular que rompe
com a visão tecnicista, difusora e repassadora de conhecimentos. Paulo Freire teve papel
preponderante na defesa deste tipo de educação e inspirou centenas de educadores brasileiros
e em todo mundo que romperam com a visão tecnicista e reprodutora de conhecimentos
para construir uma educação emancipatória, transformadora, libertária.

Uma importante vertente da EA se inspira nos ideais democráticos e emancipatórios da Educação


Popular e lhe acrescenta a dimensão ambiental buscando compreender as relações sociedade e
natureza para intervir nos conflitos socioambientais.

Entre as principais expressões desta corrente estão o histórico seringalista Chico Mendes e
sua discípula Marina Silva, hoje Ministra do Meio Ambiente. Seus pressupostos apontam para
o fomento de uma cultura de procedimentos democráticos; de estímulo a processos
participativos e horizontalizados; de formação e aprimoramento de organizações, de diálogo
na diversidade; de auto-gestão política; de inclusão social e de uma organização social mais
justa e eqüitativa.

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8. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E/OU A ECONOMIA


ECOLÓGICA

Vertente que surge na década de 70, inspirada no conceito de ecodesenvolvimento (Ignacy


Sachs, 1986) e no “O negócio é ser pequeno” (Schumacher, 1981). Ganha grande impulso na
segunda metade da década de 80, quando governos e organismos internacionais começam a se
preocupar com o futuro da vida no Planeta e passam a publicar documentos como “Nosso futuro
comum” , a propor mecanismos de regulação do uso dos recursos naturais, a criar novas
legislações.

Se expressa hoje, sobretudo no chamado “Capitalismo Natural” (Lovins, 2002) e no Ecodesign,


entendido como planejamento das intervenções antrópicas no ambiente, utilizando tecnologias e
materiais desenhados ecologicamente.

De grande influência nos países do hemisfério norte, esta corrente representa um grande
avanço no uso racional dos recursos naturais, na redução do consumo de energia, na
minimização de emissão de gases poluentes, na redução e no tratamento dos resíduos, na
ecoeficiência etc. Exerce grande influencia nos bancos internacionais e nos organismos
multilaterais e em especial em documentos do PNUMA, FAO, UNESCO entre outros.

Seu sucesso está intimamente relacionado ao surgimento dos conceitos de “responsabilidade social
e desenvolvimento sustentável”, frutos de décadas de trabalho dos movimentos da
sociedade civil, especialmente o movimento feminista, de direitos humanos e o ambientalista
que forjaram consumidores, eleitores e investidores mais exigentes.

Surge um grande número de fundações, institutos e associações governamentais, privadas e


mistas que passam a trabalhar a educação ambiental sob a ótica da construção de um novo
modelo de produção, distribuição, consumo e descarte.

Algumas ONGs ambientalistas que tradicionalmente trabalham a questão da Educação Ambiental


se associam e/ou firmam parcerias com instituições de pesquisa nacionais e internacionais e
passam a atuar fortemente com tais conceitos e práticas.

Ecopedagogia

Tem como fundamento a concepção de Paulo Freire da educação como ato político que possibilita
ao educando perceber seu papel no mundo e sua inserção na história.

A ecopedagogia prega um olhar global a partir das práticas do cotidiano. Nela a noção de natureza
está embasada na Hipótese de Gaia, de James Lovelock e no pensamento de Fritjof Capra e
Leonardo Boff e está associada a elementos espirituais.

Assim, os referencias teóricos que fundamentam suas práticas são: o holismo, a complexidade e a
pedagogia freireana.

As duas últimas características, especialmente, dão o tom da abordagem metodológica


desta vertente que busca contribuir para a formação de novos valores para uma sociedade
sustentável.

Compreende a educação a partir de uma concepção ”dinâmica criadora e racional onde a harmonia
ambiental supõe tolerância, respeito, igualdade social, cultural, de gênero e aceitação da
biodiversidade” (Gutierrez e Prado, 2000).

A ecopedagogia se afirma como movimento social em torno, principalmente, da formulação e


discussão da Carta da Terra.

Para saber mais, consulte: Carta da Ecopedagogia (em defesa da pedagogia da Terra):
www.paulofreire.terra.com.br

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9. EDUCAÇÃO PARA SOCIEDADES SUSTENTÁVEIS

Apresenta-se como uma possibilidade única de reconstruir nossa história, nossa relação
com a natureza, como o desejo de construir uma nova globalização, verdadeira, solidária capaz
de gerar valores que ofereçam novo sentido à existência humana no Planeta.

A falência do modelo de desenvolvimento adotado pelos humanos nos últimos dez mil
anos, a compreensão de que a dimensão social, econômica, ambiental, política e cultural de
cada sociedade estão absolutamente interconectadas, a percepção de que a
sustentabilidade só pode ser construída coletivamente através de um grande processo de
mudança cultural aponta os caminhos para esta vertente da EA no Brasil, que apresenta
características bastante peculiares e inovadoras.

Tomando como referência contribuições que a ciência e a tecnologia, especialmente na década


de 90, trazem à ecologia e aos movimentos ambientalistas, esta nova vertente acrescenta a eles a
sensibilidade social e a busca emancipatória advinda dos movimentos sociais.

Na prática, busca aplicar cientificidade aos projetos educacionais, incorporando a eles o arcabouço
científico da Teoria da Complexidade, da teoria dos Sistemas Vivos e do pensamento
sistêmico sem, no entanto, deixar de contemplar a dimensão social, cultural e pedagógica da
sustentabilidade.

Um dos pontos principais deste pensamento fundamenta-se nos princípios do respeito à


diversidade, na inclusão, na horizontalidade e no trabalho em rede.

É nesta corrente que está abrigada a pedagogia formulada pelo físico, ecologista e pensador
Fritjof Capra, a alfabetização ecológica, que parte do pressuposto que a sobrevivência da
nossa espécie no Planeta está diretamente vinculada à nossa capacidade de entender os
princípios de organização que os ecossistemas desenvolveram para sustentar a teia da
vida e assim obter o conhecimento e o comprometimento necessários para desenhar
comunidades humanas sustentáveis.

No Brasil, esta corrente vem ganhando adeptos entre ONGS e órgãos públicos e tem sido
aplicada especialmente em escolas de ensino fundamental.

Para saber mais consulte: www.ecoliteracy.org

Dentre os chamados projetos de construção de sociedades sustentáveis, se apresentam os


projetos ecologicamente desenhados, rurais e urbanos. A agroecologia, os projetos de
seqüestro de gases efeito estufa, os de energia alternativa com geração de renda para as
comunidades envolvidas, as ecovilas, os projeto s agro flo restais, nela se inserem,
apresentando , diferentemente do s projetos de ecodesenvolvimento, um forte viés de
desenvolvimento local sustentável, inclusão social e fortalecimento das comunidades.

As cinco correntes de educação ambiental citadas apresentam uma vasta diversificação de


temas, objetivos e estratégias, cada uma delas influenciando e se identificando com distintos
projetos de educação ambiental, em diversos locais do país.

Em comum, o desejo de contribuir para a conservação da biodiversidade, para a inclusão


social; para a participação na vida pública, para o aprimoramento individual e coletivo,
para um modelo de desenvolvimento mais justo e eqüitativo. Todas elas são uníssonas na
compreensão da fundamentalidade dos processos educativos para que este percurso se faça
possível.

10. OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL:

É fundamental que a EA esteja calcada em princípios básicos, por isso, a seguir, uma seleção dos
mais relevantes:

♦ Considerar o meio ambiente em sua totalidade, ou seja, em seus aspectos naturais e nos
criados pelos seres humanos, tecnológicos e sociais (econômico, político, técnico, histórico-cultural,
moral e estético);

Técnico em Meio Ambiente – Módulo II 121


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♦ Constituir um processo educativo contínuo e permanente, começando pelos primeiros anos
de vida e continuando através de todas as fases do ensino formal e não-formal;

♦ Aplicar um enfoque interdisciplinar, aproveitando o conteúdo específico de cada disciplina, de


modo que se adquira uma perspectiva global e equilibrada;

♦ Examinar as principais questões ambientais, do ponto de vista local, regional, nacional e


internacional, de modo que os educandos se identifiquem com as condições ambientais de
outras regiões geográficas;

♦ Trabalhar com o conhecimento contextual, com estudos do meio.

♦ Concentrar-se nas situações ambientais atuais, mas levando em conta, a perspectiva


histórica, resgatando os saberes e fazeres tradicionais;

♦ Insistir no valor e na necessidade de cooperação local, nacional e global para prevenir e


resolver os problemas ambientais;

♦ Considerar, de maneira explícita, os aspectos ambientais nos planos de


desenvolvimento e de crescimento;

♦ Ajudar a descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas ambientais;

♦ Destacar a complexidade dos problemas ambientais e, em conseqüência, a


necessidade de desenvolver o senso crítico e as habilidades necessárias para resolver os
problemas;

♦ Utilizar diversos ambientes educativos e uma ampla gama de métodos para comunicar-se e
adquirir conhecimentos sobre o meio ambiente, estimulando o indivíduo a analisar e
participar na resolução dos problemas ambientais da coletividade;

♦ Estimular uma visão global (abrangente/holística) e crítica das questões ambientais;

11. EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS ESCOLAS

Seria a Educação Ambiental “uma vocação da educação como prática social?” (Brandão, 1996).

Todas as vezes que são feitas reflexões sérias sobre os conceitos fundantes da Educação
Ambiental, detecta-se a necessidade de uma reavaliação profunda do processo de formação
do próprio sistema de educação de base em nosso país e em grande parte do Planeta.

No ensino formal, ainda se prioriza a disponibilização de uma enormidade de conteúdos e conceitos


aos alunos de diferentes graus e diversas realidades geográficas, sociais e ambientais,
de forma pasteurizada, segmentada e desintegrada do cotidiano e da realidade local dos
educandos.

Mais do que meramente informativa ou uma imposição de regras de bom comportamento


ecológico, a educação ambiental deve permitir que cada pessoa explore o seu potencial,
adquirindo habilidades necessárias para determinar e buscar soluções para sua emancipação.

Vejamos agora como os que querem trabalhar com educação ambiental no Brasil, vêm enfrentando
este problema.

O Ministério da Educação e Cultura, MEC, lança em 1997, os Parâmetros Curriculares Nacionais


com o objetivo de reorganizar e modernizar o instrumento de orientação ao ensino de base do
Brasil.

O novo PCN traz orientações para o ensino dos chamados “temas transversais na escola”,
meio ambiente e saúde, ética e cidadania, orientação sexual, pluralidade cultural, trabalho e
consumo.

A transversalidade é uma estratégia de trabalho onde o educador se coloca de forma aberta, com
vontade de dialogar e integrar o seu trabalho criativo ao trabalho de equipe.

Técnico em Meio Ambiente – Módulo II 122


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Desta forma, a temática ambiental não deve ser inserida como uma única disciplina, mas
deve fundamentar e enriquecer a prática pedagógica do educador, com a absorção da dimensão
ambiental nos conteúdos específicos das disciplinas.

A iniciativa do MEC esbarrou num problema sério: a falta de formação dos educadores em
trabalhar, de forma transversal, conteúdos ambientais, uma vez que advinham de práticas de
ensino fragmentado e o tema meio ambiente tradicionalmente era responsabilidade dos
professores de Ciências.

Em um primeiro momento, não havia materiais de apoio sobre a temática, adequados àquele
público. Em 2001, o MEC, preocupado em suprir lacunas dos PCNs, lançou o documento “O PCN
em Ação de Meio Ambiente”, com o objetivo de demonstrar possibilidades de perpassar as
atividades pedagógicas com a temática ambiental, a partir de exemplos concretos vividos em
situações cotidianas.

O documento disponibilizou aos educadores endereços onde encontrar maiores informações,


textos de apoio, sítios da Internet, indicação de materiais paradidáticos, além de exemplos
de atividades de educação ambiental para serem desenvolvidas com os alunos. O documento
mostrou também os ganhos que as diversas disciplinas têm ao trabalhar transversalmente o
tema ambiental, como a possibilidade de convívio harmonioso e enriquecedor entre o
conhecimento científico e as disciplinas de base.

Os PCNs e o PCN em Ação de Meio Ambiente são instrumentos de apoio específicos para o
educador e destinado ao envolvimento direto com os educandos.

As exigências e princípios traçados para a Ed. Ambiental e a orientação para que ela seja
adotada como eixo transversal, no contexto do projeto pedagógico de cada curso, possibilitam a
discussão e a análise do tema meio ambiente em diferentes áreas do conhecimento,
demandando a adoção de uma visão sistêmica e possibilitando discussões e práticas que
congreguem diferentes saberes, transcendendo as noções de disciplina, matéria e área.
Independentemente da exigência em nível das diretrizes curriculares, a questão ambiental
deve, por expressa previsão legal, obrigatoriamente integrar todos os níveis e
modalidades do processo educacional, no denominado eixo transversal. Essa obrigatoriedade
atinge, portanto, de forma integral, todos os níveis e modalidades da educação básica
(educação infantil, ensino fundamental e médio) e da educação superior (cursos seqüenciais,
de graduação, de pós-graduação e de extensão), uma vez que a degradação ambiental tem
alcançado níveis jamais vistos e vivemos hoje uma crise ambiental sem precedentes.

Nesse sentido, cabe à educação um papel de fundamental importância: formar cidadãos


comprometidos e capacitados para a preservação do meio ambiente, melhorar a qualidade
de vida e garantir a saúde de todos.

Para Reigota (1994), uma educação ambiental crítica, desta forma, apresenta-se impregnada da
utopia de mudar de forma radical as relações que hoje conhecemos, tanto entre a
humanidade, como entre esta e a natureza. Trata-se, portanto, de uma educação de natureza
política, onde se enfatiza antes a questão do “porque fazer” do que a questão do “como fazer”.

Para saber mais consulte: www.mec.gov.br

12. ATUAÇÃO DAS ONGS

O marco do surgimento das ONGS ambientalistas no Brasil pode ser datado em 1971, com a
criação, no Rio Grande do Sul, da Agapan, Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural.
A sociedade civil aos poucos se organiza em torno das questões naturais e/ou socioambientais e
passa a cumprir um papel fundamental na defesa dos recursos naturais e na mobilização pela
elaboração de novas leis ambientais, na elaboração e financiamento de projetos que visem à
conservação dos ecossistemas, na denúncia dos abusos cometidos e na melhoria da qualidade
de vida da população.

As organizações ambientalistas se colocam, desde sua formação, como instrumentos de resistência


democrática e de vanguarda conceitual. Agrupam intelectuais, acadêmicos, artistas, ativistas e
aos poucos se aproximam de lideranças populares, sindicalistas e populações tradicionais. Desta
forma se fortalecem a ponto de terem um alto grau de mobilização, passando a influenciar

Técnico em Meio Ambiente – Módulo II 123


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políticas públicas e a legislação vigente.

Um importante momento para o fortalecimento das ONGs foi o ano de 1992, quando,
paralelamente à RIO 92, realizou-se o FÓRUM GLOBAL, um significativo evento onde a
participação da sociedade civil foi altamente expressiva, reunindo milhares de ativistas de todo o
Planeta, em uma grande tenda armada na cidade do Rio de Janeiro.

Este evento assinalou o avanço da sociedade civil organizada e sua preocupação com as questões
ambientais, sobretudo pela ampla participação de entidades de diferentes natureza, como
universidades, organizações sindicais, associações comunitárias, ongs, de todo o mundo, que ali
defenderam conjuntamente seu direito de ter voz nas decisões governamentais cujas implicações
interferem no cotidiano de cada um dos humanos e na construção do futuro da humanidade.

Imbuídas do desejo de contribuir para uma mudança de paradigma em nosso processo


civilizatório, diversas instituições ambientalistas, fundadoras da Rede Brasileira de Educação
Ambiental – a REBEA – vinham elaborando o “Tratado de Educação Ambiental para
Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global”, e durante a Rio-92, a centenas de mãos,
finalizaram sua redação e o aprovaram em assembléia.

Este documento passou a inspirar e orientar as ações da sociedade civil organizada nos
anos seguintes e até hoje, ao lado da Agenda 21 e da Carta da Terra, é considerado um dos
documentos mais fundamentais para educadores, formais e não formais, de todo o Planeta.

Apesar dos esforços realizados pelas ONGS para divulgar estes documentos e difundir seus
princípios pode-se avaliar que ainda muito pouco se cumpriu das propostas traçadas no Fórum
Global. Este fato não invalida os princípios ali estabelecidos, que continuam em plena vigência e
atuam como orientadores gerais de grande parte das ações ambientalistas.

A construção da Agenda 21 local, por exemplo, apesar de não ter se transformado em


política pública de âmbito nacional, vem sendo realizados por diversas ongs brasileiras, em
consórcio com governos municipais, fóruns intersetoriais etc.

Recentemente, o Ministério do Meio Ambiente, por meio do FNMA, influenciado pela proficuidade
e legitimidade destas ações, criou uma linha especial de financiamento para a construção das
agendas.

Há que se destacar, como importante atuação das ONGS no Brasil, os Fóruns Nacionais de
Educação Ambiental que a REBEA vem realizando desde 1989, com os objetivos de possibilitar
a formação de um campo de diálogo, disponibilizar informações, debater o papel da
Educação Ambiental frente ao atual modelo de desenvolvimento, entre outros.

Estes importantes espaços de locução ocorreram nos anos de 1989, 1992, 1994 em São Paulo/SP,
em 1997 em Guarapari/ES e em 2004 em Goiânia/GO.

Nestes sucessivos encontros percebe-se claramente o poder diverso da EA nos trabalhos


apresentados e o número cada vez maior de participantes (4 500 em Goiânia).

O interesse cada vez maior de educadores, ativistas, estudantes, funcionários públicos entre
outros pelo tema e uma forte atuação articuladora da Rede Brasileira de Educação Ambiental –
REBEA fomentou e/ou fortaleceu o surgimento de 18 redes estaduais de educadores
ambientais como a Rede Paulista - REPEA e a Rede Mato-Grossense - REMTEA entre tantas
outras.

Inúmeros encontros de EA, além dos Fóruns Nacionais têm acontecido em todo o país,
mas é preciso destacar a Conferencia Nacional de Meio Ambiente realizada em Brasília em 2003
que congregou 5.660 000 pessoas em todo o país e em especial, a Conferencia Infanto-Juvenil
que contou com a participação de jovens de 15 452 de escolas, em uma iniciativa dos
Ministérios do Meio Ambiente e da Educação.

Pode-se afirmar também, que no grande e diverso universo das organizações não governamentais,
de caráter ambientalista, a EA ocupa lugar de grande destaque, perpassando as diversas áreas
de atuação. Em algumas delas, é fio condutor e missão, em outras é instrumento de promoção de
melhoria de qualidade de vida do público-foco do projeto, em muitas é vista como estratégia
para garantir os resultados dos trabalhos implementados, também como instrumento para
conservação da biodiversidade e assim por diante.

Técnico em Meio Ambiente – Módulo II 124


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Pode-se dizer que elas têm sido pioneiras nos processos de formulação e aplicação da Educação
Ambiental não-formal e têm colaborado fortemente na procura de alternativas metodológicas e
realização de experiências inovadoras na EA formal e na capacitação dos professores.

13. OS PROJETOS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL

A educação ambiental no Brasil tem sido adotada por escolas e por ongs como já vimos,
mas também por órgãos governamentais - como o IBAMA, que assumiu as ações
educativas voltadas aos diferentes segmentos sociais no processo de gestão ambiental em
Unidades de Conservação e Projetos de Manejo de Fauna por meio de seus Núcleos de
Educação Ambiental - e por empresas do setor público e privado.

Em alguns casos, os chamados projetos de EA se restringem à coleta seletiva e reciclagem


de resíduos sólidos, em outros a campanhas informativas de cuidados com o uso dos recursos
naturais não renováveis.

Ainda há poucos casos de projetos inovadores e de transformação social que sejam reconhecidos
como de educação ambiental. Normalmente são considerados projetos de desenvolvimento local
sustentável, recuperação de áreas degradadas etc. No entanto, em uma análise mais
profunda percebe-se o quanto de EA existe em cada um deles.

Vamos então dar uma olhada no cenário que se apresenta:

A respeito da natureza jurídica das organizações executoras de projetos de Educação Ambiental


no Brasil pode-se verificar que estes são desenvolvidos proporcionalmente tanto pelas
instituições não- governamentais como governamentais.

Um dado interessante apontado numa pesquisa realizada em 1997, por ocasião da I Conferencia
Nacional de Educação Ambiental, foi de que o eixo principal dos projetos, em sua maioria
(58,3%), era a Educação Ambiental, entretanto, um número quase tão expressivo (41,7%) era
de projetos que tinham na Educação Ambiental uma atividade relevante para o seu
desenvolvimento, mas centravam-se em atividades de desenvolvimento sustentável,
preservação de ecossistemas específicos, problemas da realidade local e questões referentes
ao lixo, reciclagem, contaminação de cursos de água, entre outras.

Tomando os projetos, que têm como eixo principal a Educação Ambiental, observa-se que a
maioria destes, 38,8%, trata da sensibilização da comunidade, 32,8% da educação não-formal e
27% da educação formal.
Neste aspecto, em particular, embora não haja dados sistematizados, percebem-se alguns
avanços relevantes que possivelmente tenham modificado este panorama:

A adoção do Meio Ambiente como tema transversal nos PCNs, a partir de 1997, e a introdução da
temática ambiental no ensino formal.

A aprovação da Lei 9795/99, Lei da Política Nacional de Educação Ambiental, que orientou a
implantação da Educação Ambiental nos diferentes âmbitos do ensino, formal ou não-formal.

A ampliação das ações de Educação Ambiental, fomentadas pela Diretoria de Educação Ambiental
do Ministério do Meio Ambiente.

O financiamento, pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente, da construção de Agendas 21 locais, da


Gestão de Resíduos Sólidos, da criação e fortalecimento de Fóruns e Redes de Educação
Ambiental, entre outros.

É importante frisar que em todas as áreas contempladas nos editais e nas ações da política
de meio ambiente no país, a educação ambiental é vista como pressuposto básico para a
elaboração dos projetos, sejam eles de conservação, de geração de renda, de fomento
florestal, agroecologia, e outros, assim como para o atendimento aos Termos de Ajuste de
Conduta, faz parte dos processos de licenciamento ambiental e dos processos de certificação das
ISO da série 14 000.

Dentre as atividades tradicionalmente tidas como de pura EA está a produção de materiais


didáticos e paradidáticos.

Técnico em Meio Ambiente – Módulo II 125


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Em 1996 foi lançado pelo Instituto Ecoar para Cidadania, com o apoio do Fundo Nacional do
Meio Ambiente, uma publicação intitulada “Avaliando a Educação Ambiental no Brasil” onde um
grupo de estudiosos analisou os materiais impressos de EA produzidos no país por
organizações governamentais e não governamentais. Esta publicação mostrou a
extraordinária diversidade de formas, conteúdos e linguagens nos materiais de EA, assim como
chamou a atenção para a quantidade de autores e publicações de material educativo nesta área.

Em 2001, reconhecida a proliferação dos meios audiovisuais, a democratização dos equipamentos


como televisores, vídeos e computadores nas escolas e nas comunidades, uma nova publicação foi
elaborada, desta feita avaliando a produção dos materiais áudio visuais de EA.

A pesquisa apontou a existência de inovações na linguagem dos materiais e nas formas


pelas quais os educadores os utilizavam, mostrando que vídeos, CD-ROM e internet têm
potencialidades didáticas que podem ser exploradas como aliadas do educador e da educadora
ambiental.

O livro publicado mostra a preocupação com o desenvolvimento de novos processos de


ensino- aprendizagem criativos, uma vez que a EA se propõe a formar jovens que conheçam,
entendam e respeitem o meio ambiente para intervir com qualidade nos caminhos da
sociedade.
No sistema de educação formal, a grande ênfase está nos Ensinos Fundamental e Médio, onde
o Plano Nacional de Educação faz referência explícita à Educação Ambiental.

Os profissionais da área de Biologia lideram os trabalhos de Educação Ambiental, seguidos


pelos Pedagogos e Geógrafos. No entanto, educadores com formação em outras áreas têm
participado cada vez mais dos trabalhos e projetos de EA nas escolas. Esta diversidade de
formação permite inferir, somada às orientações dos PCNS e àquelas emanadas da Lei 9795/99,
a consolidação futura da interdisciplinaridade, essencial para a efetivação dos trabalhos de
Educação Ambiental.

Para capacitá-los, o Ministério do Meio Ambiente preparou, durante o período de 1999/2000,


um Curso Básico de Educação Ambiental à Distância, lançado inicialmente para 23 municípios
dos Estados da Bahia e Espírito Santo.

O modo de fazer Educação Ambiental nas escolas e fora delas, vem, gradativamente, mudando em
nosso país, ampliando sua esfera de atuação para além da dimensão ambiental, uma vez que a
Lei 9795/99, em consonância com documentos internacionais, aponta para a inserção de
valores sociais, éticos, econômicos, políticos, psicológicos, científicos e culturais aos ecológicos
nos objetivos que perpassam as atividades ambientais.

Além disso, dentre os princípios básicos expressos nesta Lei, temos o enfoque humanista, holístico,
democrático e participativo; a concepção do meio ambiente em sua totalidade,
considerando a interdependência entre o meio natural, o sócio-econômico e o cultural, sob o
enfoque da sustentabilidade; o pluralismo de idéias e concepções pedagógicas; a vinculação
entre a ética, a educação, o trabalho e as práticas sociais; a abordagem articulada das
questões ambientais locais, regionais, nacionais e globais; o reconhecimento e o respeito à
pluralidade e à diversidade individual e cultural.

Desse modo, a EA terá um caráter muito mais plural, inserindo no seu escopo uma abordagem
socioambiental, como a que está expressa no Programa de Educação Ambiental do
Ministério do Meio Ambiente.

14. GESTÃO AMBIENTAL

O artigo 225 da Constituição Federal estabelece o “meio ambiente ecologicamente equilibrado”


como direito dos cidadãos deste país, definindo-o como “bem de uso comum e essencial à sadia
qualidade de vida”. Atribui ainda, ao “Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e
preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

No entanto, o processo de uso e gestão dos recursos ambientais é, em sua essência, conturbado,
dado os interesses em jogo e os conflitos que podem existir entre atores sociais que
atuam sobre o mesmo meio ambiente, físico/ natural ou construído. Os que objetivam a

Técnico em Meio Ambiente – Módulo II 126


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posse e o controle do recurso natural brigam entre si e com os grupos que defendem o
ambiente como patrimônio da humanidade.

A tensão entre a necessidade de assegurar às populações o direito ao meio ambiente saudável e


equilibrado, como bem público, e a definição de como, por quem e para que devem ser usados
os recursos naturais na sociedade, tem sido uma constante ao longo da história de nosso
modelo civilizatório.

Com a rápida degradação e até mesmo extinção de muitos destes recursos naturais, cada
vez mais a humanidade tende a deflagrar conflitos pelos que restaram. O escasseamento da
água doce potável é, por exemplo, questão potencialmente geradora de grandes disputas entre
as comunidades e as nações.

Fica claro, portanto a importância da educação no processo de Gestão Ambiental. Só o


entendimento contextual mais amplo pode fazer com que os atores envolvidos, os protagonistas e
os que sempre ficaram com o ônus histórico da degradação ambiental, possam
compartilhadamente pensar alternativas de solução harmônicas e apropriadas para o bem de
todos.

Ao se falar em Educação no processo de Gestão Ambiental, está se falando de uma concepção de


educação ambiental que tem como foco a organização e a capacitação das partes
interessadas para a interlocução qualificada e para a gestão conjunta do ambiente comum.

No Brasil, o IBAMA é o órgão executor da política ambiental no âmbito federal e, desde sua
criação, tem trabalhado a educação ambiental numa perspectiva de gestão ambiental. Deste
modo, com a criação formal do espaço da Educação Ambiental na sua estrutura organizacional
(1989) e dos NEAS (1992), nas 27 Representações Estaduais, alguns passos foram fundamentais
para o processo de institucionalização desta temática.

O primeiro foi a realização, ainda em 1992, de dois cursos intensivos (80 horas) de capacitação
para cerca de 70 técnicos, que queriam trabalhar com Educação Ambiental, ou já vinham
atuando na área em algumas representações, antes da criação dos NEAS.

Este curso, cujo foco foi a Conferência de Tbilisi, proporcionou as condições iniciais para que
todos os envolvidos pudessem ter um mínimo de entendimento comum sobre um campo ao qual
se atribui tantos significados como o da EA.

O passo seguinte foi a elaboração em 1994, pela Equipe de Educação Ambiental do IBAMA, de
uma proposta de Programa Nacional de Educação Ambiental. Em seu trabalho, a equipe propunha
que o Programa tivesse três linhas de ação: Capacitação (de educadores, gestores ambientais,
grupos sociais que usam diretamente recursos ambientais em suas atividades econômicas,
tomadores de decisão, formadores de opinião etc.), Desenvolvimento de instrumentos e
metodologias (para prática da EA) e Ações Educativas (na educação formal e na gestão
ambiental).

Esta proposta, acordada com o Ministério da Educação, serviu de base para o Programa Nacional
de Educação Ambiental – PRONEA, aprovado pelo Presidente da República, em 1994.

Com o PRONEA aprovado (que não incorporou integralmente a proposta apresentada, mas
grande parte dela), a equipe da Coordenação Nacional, após consultas aos NEAS, elaborou em
1995, as Diretrizes para Operacionalização do PRONEA pelo IBAMA. O documento consolidava e
oficializava a proposta de EA, estruturada a partir da problemática da Gestão Ambiental, que
vinha sendo construída desde 1992.

O terceiro passo foi a instituição de uma prática de EA, nacional e descentralizada, inspirada nos
princípios e orientações de Tbilisi. Com esta perspectiva iniciou-se o processo de elaboração do
Plano de Trabalho para 1995, tendo como base os temas indicados como prioritários pelas
Diretorias do IBAMA (Ordenamento Pesqueiro, Unidades de Conservação, Prevenção de
Queimadas e Incêndios Florestais, Proteção à Fauna etc.).

Com base nesta temática, cada NEA, em conjunto com setores internos da Representação
do IBAMA, escolhe o tema prioritário no Estado para elaborar e desenvolver os Projetos de EA,
com possíveis parceiros externos (órgãos estadual e municipal de educação e de meio ambiente,
Universidades, entidades da sociedade civil etc.). Era o passo inicial para estruturação das ações
educativas, com jovens e adultos, a partir das atividades de gestão ambiental promovidas pelo
IBAMA.
Técnico em Meio Ambiente – Módulo II 127
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O quarto passo fundamental foi o esforço para estruturar um processo de formação de educadores
voltado explicitamente para atuação na Gestão Ambiental. Em 1995, com o acúmulo de
conhecimentos e reflexões sobre as práticas dos NEAS, a equipe do PEA (Coordenação e
NEAS), sentiu-se madura para debater em um seminário o problema da formação de
educadores para atuarem nas atividades de gestão de meio ambiente. Deste seminário saiu a
proposta de um Curso de Especialização voltado especificamente para a Gestão do Meio
Ambiente. Adotando-se a modalidade de curso à Distância, esperava-se atender, além das
necessidades do IBAMA, aos órgãos estaduais e municipais de Meio Ambiente, e entidades da
sociedade civil envolvidas com a gestão ambiental. Este curso não se realizou.

A equipe do IBAMA iniciou então, em 1997, o Curso de Introdução à Educação no Processo


de Gestão Ambiental, com uma etapa de imersão total de 88 horas (duas semanas) e outra de
40 horas, à distância, para elaboração do projeto final.

Os núcleos das Representações Estaduais são responsáveis pela coordenação e execução


das ações de Educação Ambiental desenvolvidas nas atividades de Gestão do Meio Ambiente
de competência do IBAMA. São ações educativas executadas em Unidades de
Conservação e no seu entorno, no ordenamento do uso dos recursos pesqueiros e
florestais, no Licenciamento Ambiental, na prevenção de desmatamentos e incêndios florestais,
na proteção da fauna e outras atividades de gestão ambiental de responsabilidade do IBAMA.

Na configuração atual o MMA atua como órgão central do Sisnama, o IBAMA como entidade
executiva das atividades da competência da União, as Secretarias de Estado do Meio Ambiente e
os órgãos estaduais como órgãos seccionais e os municípios como órgãos locais do Sisnama. No
âmbito estadual as Secretarias de Meio Ambiente são as responsáveis pela política ambiental de
cada unidade da federação. No entanto, nem todos os estados têm tais secretarias. Alguns
mantêm diretorias, coordenadorias ou gerências de meio ambiente ligadas a outras Secretarias,
tais como Turismo e até mesmo Indústria e Comércio.

Na esfera municipal, a situação é dramática. Atualmente, segundo o MMA, dos 5.561 municípios
apenas 648 contem órgãos ambientais, e estes estão concentrados principalmente na região
sudeste. Ao longo da história, tem sido constituídos fóruns de discussão e de interlocução entre as
entidades da sociedade civil e as entidades públicas como, por exemplo, o Fórum Nacional de
ONGs e dos Movimentos Sociais – FBOMS - , o GTA – Grupo de Trabalho Amazônico, a Rede
Mata Atlântica, a REBEA, a ABONG - Associação Brasileira de ONGs entre outras muitas
disseminadas em todo o país.

As ONGS têm reconhecido o seu papel de representantes da sociedade civil organizada,


participando da Comissão de Julgamento e Aprovação de Projetos a serem financiados pelo
Fundo Nacional do Meio Ambiente – FNMA-, do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA
– e do órgão Gestor da Educação Ambiental, juntamente com o MMA e o MEC.

15. LEGISLAÇÃO AMBIENTAL

O marco zero da legislação ambiental no Brasil aconteceu em 1981 com o advento da Lei
federal 6.938 que estabeleceu a Política Nacional do Meio Ambiente e introduziu pela
primeira vez no Brasil, mecanismos de gestão colegiada e participativa através da criação do
Conselho Nacional do Meio Ambiente, o CONAMA, colegiado de natureza deliberativa, em cuja
composição já àquela época, assegurou-se a participação da sociedade civil.

Esta lei representa também a primeira iniciativa do poder Executivo Federal de organizar
nacionalmente a gestão ambiental ao instituir o SISNAMA, composto de órgãos e entidades
ambientais da União, estados e municípios.

A Constituição de 1988 traz um outro grande evento para a questão ambiental brasileira
ao proclamar em seu artigo 225 a necessidade de estudo de impacto ambiental para
toda atividade potencialmente causadora de danos e a publicação de um relatório sobre os
impactos. A obrigatoriedade de tornar público este relatório, modificou a relação entre a sociedade
e o meio ambiente no Brasil, permitindo que as ONGs, associações de moradores, sindicatos e
técnicos pudessem participar de audiências públicas sobre a realização dos grandes projetos de
intervenção urbana e rural.

Outras importantes leis de proteção e regulamentação do uso dos recursos naturais foram

Técnico em Meio Ambiente – Módulo II 128


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sendo promulgadas no Brasil, como a Lei Federal de Crimes Ambientais 9.605 de 12 de fevereiro
de 1999 e a Lei Federal 9.985 de 18 de julho de 2000 que cria o SNUC, Sistema Nacional de
Unidades de Conservação instituído para estabelecer critérios e normas para a criação,
implantação e gestão de Unidades de Conservação, regulamentado pelo Decreto 4 340 de
agosto de 2002.

O SNUC classifica as Unidades de Conservação em duas categorias: Unidades de Proteção Integral,


Estações Ecológicas, Parques Nacionais, Monumentos Naturais e Refúgios da Vida Silvestre) e
Unidades de Uso Sustentável (Áreas de Proteção ambiental, Áreas de Relevante Interesse
Ecológico, Florestas Nacionais, Reservas Extrativistas, Reservas da Fauna, Reservas de
Desenvolvimento Sustentável e Reservas Particulares do Patrimônio Natural).

Não se pode falar em Gestão Ambiental no Brasil sem citar a Lei Federal 9.433/97, a Lei das
Águas, que instituiu o Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos Hídricos (SNGRH),
consolidou os conceitos de gestão participativa em colegiado criando os Conselhos Nacional e
os Estaduais de Recursos Hídricos como instâncias máximas de deliberação sobre as políticas,
normas e padrões de gestão das águas nas respectivas esferas de poder.

Foram criados os Comitês de Bacias, lócus das decisões sobre a aprovação do plano diretor
de recursos hídricos da bacia, a definição das normas e procedimentos sobre a concessão
da outorga de direito do uso da água, a decisão sobre a cobrança pelo uso das águas,
prioridades e planos de investimentos. Cada comitê conta com uma agencia paraestatal
executiva e representa um novo mecanismo de cooperação multilateral entre os entes
federativos.

No Estado de SP, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente tem investido reiteradamente


na capacitação da sociedade civil para a participação qualificada nos comitês e subcomitês
de bacias. Um vasto trabalho de educação ambiental e de educação para a gestão vem sendo
realizado junto aos diversos subcomitês. Assim, a política das águas no estado de SP ganha
cores e formas mais democráticas e pluralistas. Dada a premência e relevância do tema, em
2001 foi criada a Agencia Nacional das Águas (ANA) para regular nacionalmente, as questões
ligadas aos recursos hídricos no Brasil.

16. LEI DA POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL - LEI


9795/99

Em 1993, o Deputado Fábio Feldmann propôs, na Câmara dos Deputados, o projeto de lei
3792/93, que instituía a Política Nacional de Educação Ambiental. Este projeto de lei, durante a sua
tramitação, foi submetido à análise por vários setores da população (MEC, IBAMA,
MMA, organizações não- governamentais, universidades, dentre outros) que fizeram várias
sugestões ao documento. Com o intuito de atender às sugestões apresentadas, o então
presidente da Comissão de Meio Ambiente, Deputado José Sarney Filho, apresentou o
substitutivo ao Projeto de Lei que, em 1999, foi aprovado pelo Congresso Nacional.Alguns
pontos desta Lei valem ser ressaltados por serem considerados grandes avanços.

A definição de EA (artigo primeiro) foge dos antigos padrões meramente biológico-ecológicos


e preservacionistas, inserindo o homem como agente das transformações e responsável pela
qualidade e sustentabilidade da vida no Planeta.

Desta forma, a inclusão da EA como componente da educação nacional (artigo 2º) em todos os
processos educativos garante um espaço privilegiado de ação, inserindo-se no âmbito da
educação formal e dos processos educativos não-formais.Do mesmo modo, (artigo 3º) a
definição das políticas públicas, por parte do poder público, com a incorporação da dimensão
ambiental, além de fortalecer a educação ambiental no espaço escolar propicia o engajamento
da sociedade nos processos de gestão ambiental.

Os princípios da EA ali apontados incorporam o enfoque humanista, ampliam a concepção de


meio ambiente, incorporam aspectos sócio-ambientais e culturais.

Além disso, a Lei imprime às abordagens da EA, o caráter participativo, democrático e amplo,
abrindo espaço para a participação efetiva da comunidade na construção dos marcos
referenciais, e das sínteses inovadoras entre os novos conhecimentos e o saber comunitário
tradicional.

Técnico em Meio Ambiente – Módulo II 129


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Garantir a democratização de informações, estimular a participação individual e coletiva na
solução dos problemas ambientais, estimular a cooperação entre regiões, entre ciência e tecnologia
e o fortalecimento da cidadania, são também objetivos desta Lei, mostrando e valorizando a
participação nos processo da EA e no desenvolvimento sustentável do país.

No artigo 6º é instituída a Política Nacional de Educação Ambiental. Isto significa dizer que a EA
não é mais pano de fundo das políticas públicas, mas é elemento determinante dessas
políticas, estruturada em princípios e objetivos claramente definidos.

Outro aspecto interessante que se nota neste instrumento legal é a preocupação com relação à
sua aplicabilidade, uma vez que consta como linhas de atuação, assim expressas no artigo 8º, a
preocupação com a capacitação, com a pesquisa e com a produção de material educativo.

O parágrafo 3, que trata da formação e atualização de pessoal, remarca a busca das alternativas
curriculares e metodológicas para a capacitação de recursos humanos, abrindo um novo campo de
pesquisa e experimentação em EA. Além disso, apóia as iniciativas e experiências locais e
regionais na produção do material didático e estimula a montagem de banco de dados da EA.

De modo a operacionalizar a inserção da EA no ensino formal de maneira interdisciplinar, a


lei é bastante clara ao tirar o aspecto disciplinar deste tema, incentivando a abordagem
integrada e contínua em todos os níveis e modalidades do ensino formal.

A exceção se faz para os cursos de pós-graduação e extensão universitários, onde,


quando necessário se fizer, pode ser criada disciplina de Educação Ambiental, com a
finalidade de avançar na capacitação de recursos humanos.

Destaca também o papel dos meios de comunicação de massa na divulgação dos temas
ambientais, dos princípios, objetivos e ações de EA. A lei estabelece a responsabilidade destes
meios com a sensibilização das pessoas e o acesso à informação sobre os problemas
ambientais, a situação ambiental do país, a divulgação de alternativas de soluções. Ao mesmo
tempo atribui à imprensa, como formadora de opinião pública, o papel de difundir valores e
gerar, a partir de exemplos, atitudes coerentes com a defesa do meio e a consolidação da
qualidade de vida das pessoas, minimizando a exacerbação do consumo supérfluo, dando
dicas sobre a importância da construção de uma sociedade sustentável e de um meio social
saudável, onde a participação democrática e a cooperação e solidariedade sejam entendidos
como valores básicos.

No âmbito da educação não-formal é destacado o papel das empresas, públicas e privadas,


na busca das alternativas tecnológicas, juntamente com as universidades e outros setores
da sociedade, reforçado pelas certificações de qualidade ambiental: a ISO 14000.

A sensibilização da comunidade para o uso dos espaços de preservação e áreas protegidas,


papel que historicamente tem sido desempenhado pelo IBAMA, passa a ter destaque especial
nesta lei.

As Empresas de Extensão Rural e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA


têm tido destacado papel no que se refere a sensibilização dos agricultores para os aspectos
ambientais, do mesmo modo que esta tem sido a preocupação da direção nacional do
Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST). Estas ações, até então isoladas, aí encontram
seu respaldo legal. De modo a garantir a exeqüibilidade desta lei, ficou definida no seu escopo
a figura de um órgão gestor. Este órgão gestor foi definido na Câmara Técnica de Educação
Ambiental do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), sendo formado pelos Ministérios
do Meio Ambiente e da Educação.

Para executar a Política Nacional de Educação Ambiental de modo descentralizado, o artigo 16


leva para a competência dos estados e do Distrito Federal a competência de elaborar as
diretrizes a partir de diagnóstico local. Para tanto foi feito um trabalho de sensibilização nos
estados, no sentido de se constituir as comissões interestaduais de educação ambiental.

Para conhecer a Lei na íntegra consulte: www.mma.gov.br

Técnico em Meio Ambiente – Módulo II 130


ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO - CIEN

17. O PRONEA
O Programa Nacional de Educação Ambiental é coordenado pelo órgão gestor da Política Nacional
de Educação Ambiental. Suas ações objetivam assegurar, no âmbito educativo, a integração
equilibrada das múltiplas dimensões da sustentabilidade - ambiental, social, ética, cultural,
econômica, espacial e política - ao desenvolvimento do país, resultando em melhor qualidade de
vida para toda a população brasileira, por intermédio do envolvimento e participação social na
proteção e conservação ambiental e da manutenção dessas condições ao longo prazo.

O ProNEA propõe-se a ser o grande articulador da criação de espaços de locução entre os


diversos órgãos do governo federal, em um constante exercício de transversalidade.

Parte do princípio que é necessário internalizar a educação ambiental na esfera governamental,


para que os princípios da sustentabilidade influenciem as decisões dos investimentos e das
grandes obras federais e para que se possa monitorar e avaliar, sob o ponto de vista da
sustentabilidade, os impactos socioambientais negativos e positivos de tais políticas. A utopia,
de acordo com o Pronea, é expandir esta prática a outros níveis de governo e para a
sociedade como um todo.

A versão do Programa Nacional de Educação Ambiental de 2004 revela os avanços obtidos


em relação à primeira versão aprovada em 1994, uma vez que contemplou uma ampla
discussão entre os Ministério da Educação e do Meio ambiente, e destes com universidades e
organizações da sociedade civil.

Conheça os princípios fundantes do ProNEA:

♦ Respeito à liberdade e apreço à tolerância;


♦ Vinculação entre ética, estética, educação, trabalho e práticas sociais;
♦ Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar cultura, o pensamento, a arte e o
saber;
♦ Compromisso com a cidadania ambiental ativa, transversalidade construída a partir de
uma perspectiva inter e transdisciplinar.
♦ Reconhecimento de que a definição dos sujeitos no processo educativo passa pela
identificação dos grupos sociais em condições de vulnerabilidade ambiental, decorrentes dos
riscos a que estão submetidos em função de preconceitos e/ou desigualdade econômica na
sociedade.

Com a regulamentação da Política Nacional de Educação Ambiental, o ProNEA compartilha a


missão de Fortalecimento do Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA), por intermédio do
qual a PNEA deve ser executada, em sinergia com as demais políticas federais, estaduais e
municipais de governo.

Dentro das estruturas institucionais do MMA e do MEC, o ProNEA compartilha da descentralização


de suas diretrizes para a implementação da PNEA, no sentido de consolidar a sua ação no
SISNAMA. Considerando-se a Educação Ambiental como um dos elementos fundamentais da
gestão ambiental, o ProNEA desempenha um importante papel na orientação de agentes
públicos e privados para a reflexão e construção de alternativas que almejem a
Sustentabilidade. Assim propicia-se a oportunidade de se ressaltar o bom exemplo das
práticas e experiências exitosas.

Para conhecer a versão do ProNEA 2004, na íntegra, acesse o site do Ministério do Meio
Ambiente: www.mma.gov.br

Técnico em Meio Ambiente – Módulo II 131