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COMPETÊNCIA

Art. 69. Determinará a competência jurisdicional:

I - o lugar da infração ("ratione loci") – fixação de comarca

II - o domicílio ou residência do réu ("ratione loci") – fixação de comarca

III - a natureza da infração ("ratione materiae")

IV - a distribuição

V - a conexão ou continência (prorrogação da competência)

VI - a prevenção

VII - a prerrogativa de função ("ratione personae")

• A competência pelo lugar da infração e pelo domicílio ou residência do réu tem por finalidade fixar a
comarca competente (ex. São Paulo, Ribeirão Preto ou Franca). Fixada, o critério da natureza da infração
serve para que se encontre o juízo competente (JECrim, Júri, Comum, Militar, Eleitoral etc.).

• Se há vários juízes competentes, aquele que se adiantar na prática de algum to relevante, ainda que antes do
início da ação, será prevento. Se não houver juiz prevento, a escolha é feita por distribuição.

• O critério do domicílio do réu apenas é utilizado quando desconhecido totalmente o local da consumação
do delito.

→ Exemplo: "A" pratica crime de roubo em São Paulo em prejuízo de uma agência do INSS. A competência
é da comarca de São Paulo. Porém, como o delito foi praticado contra autarquia da União, a competência é
da Justiça Federal de São Paulo.

• A competência por prerrogativa de função se verifica quando o legislador, levando em consideração a


relevância do cargo ou função (a prerrogativa é do cargo ou função, não da pessoa) ocupados pelo autor do
crime, estabelece órgãos específicos e preestabelecidos para o julgamento do caso.

→ Prefeito, Juiz e Promotor de Justiça são julgados no Tribunal de Justiça do Estado (ação penal
originária).

→ Presidente da República é julgado no Supremo Tribunal Federal.

• As competências em razão da pessoa e em razão da matéria são de ordem pública e absolutas. A


competência territorial é relativa, podendo ser prorrogada e alegada sem que haja nulidade.

1. COMPETÊNCIA PELO LUGAR DA INFRAÇÃO

• Conforme o art. 70 do CPP, é a regra no processo penal. Se for tentativa, o local competente é aquele em
que foi praticado o último ato de execução do crime (ex. "A", imbuído do fim de matar "B", desfere contra
ele um tiro enquanto a vítima ainda estava em Tocantins. Após se desvencilhar do agente criminoso, vai para
o Amazonas e não morre. A competência é do juízo de Tocantins).
• Regras específicas:

ATO CRIMINOSO COMPETÊNCIA


Execução iniciada no Brasil e consumada no exterior Local em que tiver sido praticado o último ato no Brasil
Último ato no exterior Local em que o crime produzir o resultado
Limite territorial incerto/jurisdição incerta Prevenção
Crime continuado ou permanente em mais de um Prevenção
território

• Casos específicos:

a) Crime de emissão de cheque sem fundos: A consumação corre quando o banco sacado nega-se a efetuar o
pagamento, não bastando a simples emissão fraudulenta do título.

- Súmula 521 do STF e Súmula 244 do STJ = O foro competente para o processo e julgamento dos crimes
de estelionato, sob a modalidade de emissão dolosa de cheque sem provisão de fundos, é o do local onde se
deu a recusa do pagamento pelo sacado.

b) Crime de estelionato mediante cheque falso: A consumação se dá no momento em que há obtenção da


vantagem ilícita, no caso, no local em que o cheque foi passado.

c) Crime de falso testemunho em precatória: O foro competente é o da comarca deprecada (que recebe a
carta), pois o crime se consuma onde o depoimento é prestado.

d) Crimes qualificados pelo resultado (ex. lesão corporal seguida de morte): O foro competente é o do local
onde ocorre o resultado agravador, pois é onde se reúnem todos os elementos do tipo penal.

e) Crime de extorsão mediante sequestro: A consumação se dá no momento em que a vítima é sequestrada,


ainda que não haja recebimento do valor do resgate e independentemente do local do cativeiro (ex. "A"
sequestra "B" em Franca e o leva para Ribeirão Preto. A competência será de Franca).

f) Crimes cometidos integralmente no exterior: Não serão julgados no Brasil, salvo se perfizer alguma das
hipóteses do art. 7º do CP. Nesses casos, o réu seja processado e julgado na capital do Estado onde por
último tenha residido em território nacional e, em caso negativo, em Brasília (art. 88),

g) Crimes cometidos em qualquer embarcação em águas territoriais brasileiras: Serão processados e julgados
pela Justiça do primeiro porto brasileiro em que tocara embarcação após o crime, ou, quando se afastar do
país, pela do último em que houver tocado (art. 89).

h) Crimes cometidos a bordo de aeronave nacional: Serão processados e julgados perante a Justiça da
comarca em cujo território se verificar o pouso após o crime, ou pela comarca de onde houver partido a
aeronave (art. 90).

• Nos casos do artigo 89 e 90, a competência pertencerá à Justiça Federal.

2. COMPETÊNCIA PELO DOMICÍLIO OU RESIDÊNCIA DO RÉU

• Apenas em caso de não conhecimento do lugar da infração, é exceção.

• Regras específicas:

RÉU COMPETÊNCIA
Mais de uma residência Prevenção
Sem residência ou paradeiro ignorado Juiz que primeiro tomar conhecimento do fato
• Na ação exclusivamente privada (ex. calúnia, injúria e difamação), o querelante terá o direito de optar pelo
domicílio ou residência do réu, ainda quando conhecido o lugar da infração.

3. COMPETÊNCIA PELA NATUREZA DA INFRAÇÃO

• Competência regulada pelas leis de organização judiciária (ex. lei que regula a criação de Vara específica de
violência doméstica ou crimes tributários), salvo o Tribunal do Júri.

• A competência do Júri são os crimes dolosos contra a vida, consumados ou tentados.

• Se houver desclassificação para infração de competência diversa (ex. homicídio doloso para lesão corporal
seguida de morte), haverá remessa do processo. Se a jurisdição for mais graduada que a do primeiro, terá a
competência prorrogada.

• Caso o juiz da pronúncia desclassifique o crime para aquele de competência de juiz singular, realizar-se-á
inquirição de testemunhas e diligências (art. 410). Se a desclassificação for feita pelo corpo de jurados, o crime
conexo ao doloso contra a vida será julgado pelo juiz presidente.

• Crimes militares:

- Próprios (previstos no Código Penal Militar, sem descrição idêntica na legislação comum, como o crime
de deserção): Competência da Justiça Militar e não gera reincidência na Justiça Comum.

- Impróprios (previstos no Código Penal Militar, mas com descrição idêntica na legislação comum, como o
estupro): Competência da Justiça Militar, mas deve estar em serviço.

- Crime doloso contra a vida de civil, praticado por militar em serviço: Competência da Justiça Comum.

• Crimes eleitorais são julgados pela Justiça Eleitoral, que, em primeiro grau, é formada por Juízes de Direito
comuns. Não há cargo específico de juiz eleitoral.

• Crimes federais: Todos aqueles que perpassam por alguma causa de competência federal prevista no artigo
109 da CF.

- A exceção são as contravenções penais, que são julgadas na própria Justiça Estadual Comum,
independentemente de serem praticadas ou não contra bens, serviços ou interesses da União.

- A competência é sempre federal quando o crime é praticado contra servidor público federal no exercício
ou em razão de sua função.

- Crimes em que for autor ou vítima o indígena devem ser processados e julgados pela Justiça Estadual.

- Há cinco TRFs: SP, RJ, RS, DF e PE.

• A Justiça Estadual possui competência residual, sendo acionada apenas se não se tratar de crime militar,
crime eleitoral ou crime de caráter estadual.

- Lei nº 11.340/06 orienta a criação de Juizados de Violência Doméstica, que possuem competência
criminal e cível para processar e julgar causas envolvendo violência doméstica e familiar contra a mulher.

- O JECrim possui competência para julgar os crimes de menor potencial ofensivo (pena máxima até dois
anos, com ou sem multa) e contravenções penais. Atenção para os institutos da transação penal e suspensão
condicional do processo.
4. PREVENÇÃO E DISTRIBUIÇÃO

• É possível que haja vários juízes competentes numa mesma circunscrição judiciária, de modo que a
precedência da distribuição fixará a competência nesses casos (art. 75).

• Súmula 706 do STF = É relativa a nulidade decorrente da inobservância da competência penal por
prevenção.

5. CONTINÊNCIA E CONEXÃO

• A conexão e a continência não são critérios para a fixação da competência, mas sim para sua prorrogação,
de modo que haverá tão somente um processo.

• Prorrogação da competência por CONEXÃO:

- Quando ocorrerem duas ou mais infrações, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas, em concurso
ou umas contra as outras (ex. rixa).

- Quando ocorrerem infrações para facilitar, ocultar, obter impunidade ou vantagem em relação a qualquer
delas (ex. homicídio qualificado – artigo 121, § 2º, inciso V).

- Quando a prova de uma infração influir na prova de outra.

• Prorrogação da competência por CONTINÊNCIA:

- Quando duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração.

- Quando o crime for praticado por "aberratio ictus" ou "aberratio criminis", com duplo resultado.

• Foro prevalente:

HIPÓTESE RESULTADO
Concurso entre Júri e jurisdição comum Prevalece o Júri
a) Lugar da infração onde foi cometido o crime mais
Concurso de jurisdições da mesma categoria grave (pena)
b) Lugar onde ocorreram mais infrações, se de igual
pena
Concurso de jurisdições de diversas categorias Prevalece a de maior graduação
Concurso entre a jurisdição comum e especial Prevalece a especial

• Se houver crime eleitoral (jurisdição especial) conexo com crime de competência do Júri (concurso de crime
doloso contra a vida), por exemplo, a corrente majoritária entende que deve existir separação de processos e
julgamentos, remetendo-os para a Justiça competente.

• É facultativa a separação dos processos quando as infrações tiverem sido praticadas em circunstâncias de
tempo ou lugar distintos, bem como no caso de excessivo número de acusados, quando o juiz entender
conveniente a separação.

• Se o juiz proferir sentença absolutória ou desclassificação para infração que não se inclua em sua
competência, continuará competente em relação aos outros processos.

• Se forem instaurados processos distintos, o juiz competente deverá avocar os processos que corram perante
outros juízes, exceto se já estiverem sentenciados.
7. COMPETÊNCIA PELA PRERROGATIVA DE FUNÇÃO

• Em virtude do cargo ou função exercida por determinadas pessoas, elas são julgadas originariamente por
órgãos superiores de jurisdição (julgados pelo STF, STJ, TRFs, TJs e TJDF), em relação aos crimes comuns e
de responsabilidade.

• Regras constitucionais de competência:

TRIBUNAL JULGADO
Presidente da República, Vice-Presidente,
Deputados Federais e Senadores, Ministros do STF,
Procurador-Geral da República, Ministros de
STF Estado, Comandantes da Marinha, Exército e
Aeronáutica, membros dos Tribunais Superiores,
membros dos Tribunais de Conta da União e chefes
de missão diplomática permanente.
Governadores dos Estados e do DF,
Desembargadores e membros dos Tribunais de
Contas dos Estados e DF, dos Tribunais Regionais
STJ Federais, Eleitorais e do Trabalho, os membros dos
Tribunais de Conta dos Municípios e os membros
do Ministério Público da União que oficiem perante
Tribunais.
Juiz Federal, inclusive Militares e do Trabalho,
TRF membros do Ministério Público da União que
oficiem junto à primeira instância.
Prefeitos, Juízes Estaduais inclusive Militares e seus
TJ auditores, e membros do Ministério Público
Estadual (Promotor de Justiça).

• Súmula 702 do STF = A competência do TJ para julgar Prefeitos restringe-se aos crimes de competência da
Justiça Estadual. Nos demais casos, a competência originária caberá ao respectivo tribunal de segundo grau
(ex. Prefeito comete crime eleitoral, deve ser julgado pelo TRE).

• Regras específicas:

- O foro por prerrogativa de função estende-se àquele que não goza da prerrogativa, mas pratica o crime
juntamente com os que dela gozam (Súmula 704 do STF).

- A denúncia deve ser oferecida pelo membro do Ministério Público com atuação junto ao Tribunal (ex. no
caso de Prefeito, quem denuncia é o PGJ).

- Estende-se a competência do Tribunal sobre seu jurisdicionado qualquer que tenha sido o local da prática
do delito (ex. Juiz Estadual de MG pratica crime em SP, será julgado em MG).

- O foro por prerrogativa de função prevalece ainda que o agente tenha praticado crime doloso contra a
vida, salvo se a prerrogativa decorrer de previsão constitucional estadual.

- Se a infração é praticada antes de o agente possuir o cargo ou função, os autos deverão ser remetidos no
estado em que se encontram ao Tribunal, assim que o agente assumir. Se a infração é praticada enquanto o
indivíduo está no cargo, mas deixa de exercê-lo antes do julgamento, segundo o STF, o ex-ocupante de cargo
ou mandato não tem direito ao foro por prerrogativa de função.

- Súmula 451 do STF = Não há foro por prerrogativa de função quando o delito é cometido após a
aposentadoria ou o término do mandato.

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