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As plantas “falam”.

Cientistas
descobrem novo mecanismo
de comunicação
Por
ZAP
-
5 Maio, 2018

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Arabidopsis thaliana, a planta utilizada nesta investigação

Uma equipa de cientistas descobriu que as células das plantas


comunicam a partir de proteínas que existem nas células
cerebrais dos animais.

Um estudo realizado por uma equipa internacional de cientistas,


incluindo o português José Feijó, descobriu que as células das plantas
comunicam usando proteínas que existem nas células cerebrais dos
animais mas que desempenham funções distintas.
A erva-estrelada (Arabidopsis thaliana) foi a primeira planta a ter o
genoma completamente sequenciado, mas para esta equipa tem um
simbolismo especial: é a segunda vez que a investigação com esta
planta lhes garante a capa da Science, uma das mais exigentes revistas
científicas.

Nesta segunda capa, os investigadores presenteiam-nos com um novo


modelo para a comunicação entre as células das plantas, uma
investigação que é o culminar de quase oito anos de investigação.

Ao Observador, Meagan Phelan, diretora executiva Science Press


Package, esclarece que este artigo científico “destacou-se por ter um
interesse visual claro, com base nas imagens que os autores
forneceram”. Segundo a responsável, o objetivo é que as capas reflitam
a diversidade de disciplinas cujos trabalhos são publicados na revista,
mas a imagem deve também ser apelativa em termos gráficos.

(dr) Pedro Lima E José Feijó


Imagem de microscopia de fluorescência de uma flor de Arabidopsis

“A competição é feroz, porque a visibilidade que a capa de uma revista


destas acarreta é ridícula, e muitas vezes desproporcionada em
relação ao peso da ciência que lhe está associada. Quando se
consegue duas, como é até agora o nosso caso na Science, é jackpot”,
afirma José Feijó, um dos autores do artigo, ao jornal.

O estudo em causa permite compreender melhor a defesa das plantas


contra infeções, a sua reprodução e a sua resposta ao stress
ambiental.
Para esta investigação, os cientistas usaram células de pólen
da Arabidopsis thaliana, uma pequena planta herbácea com flor nativa
da Europa e da Ásia habitualmente utilizada nos laboratórios como
modelo para estudos de biologia de plantas.

A equipa descobriu que os recetores de glutamato, que são proteínas,


“têm um papel essencial na comunicação nas células das plantas”, ao
regularem os “níveis de iões de cálcio que existem dentro da célula”,
refere o Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) em comunicado.

Os iões de cálcio são fundamentais para “a resposta a stress ambiental,


como o provocado por alterações climáticas, e para a imunidade a
infeções causadas por insetos ou fungos”.

Os recetores de glutamato também existem nos animais, mas


desempenham uma função diferente dos das plantas, apesar de, em
ambos os organismos, estas proteínas deixarem entrar cálcio para
dentro da célula e, assim, permitirem “transmitir informação entre
células”, explica José Feijó à Lusa.

Nos animais, os recetores interferem apenas na comunicação entre


neurónios“ajudando na transmissão dos sinais nervosos de um
neurónio para outro”.

Já nas plantas, que não têm sistema nervoso, os recetores, sinalizados


em vários compartimentos da célula e cuja atividade é regulada por
outras proteínas, têm um papel ao nível da reprodução,
do crescimento e da imunidade contra doenças e pragas, além de
permitir a propagação de estímulos elétricos.

“Quase todas as plantas têm mais tipos de recetores de glutamato que


todo o nosso sistema nervoso, e esse facto sugere que sejam
importantes para muitas funções”, explica o investigador.
Este resultado permite compreender melhor as respostas imunitárias das
plantas, permitindo desenvolver “melhores estratégias de defender as
plantas de infeções e de adaptação às alterações climáticas“.

O estudo foi coordenado por José Feijó, investigador da universidade


norte-americana de Maryland, que começou a pesquisa quando ainda
trabalhava no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC).

ZAP // Lusa
https://zap.aeiou.pt/novo-mecanismo-comunicacao-plantas-201366