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A humanidade de Jesus passou pelos diversos estágios de

desenvolvimento, como qualquer outro membro da raça humana. Da


infância à idade adulta houve crescimento constante, tanto em seu vigor
físico como em suas faculdades mentais. Não temos parâmetros para aferir
até que ponto sua natureza impecável exerceu influência em seu
crescimento. E claro, entretanto, pelas Escrituras, que seu crescimento e
suas limitações estiveram sujeitos às leis ordinárias do desenvolvimento
humano (Lucas 22.40; 24.39; João 11.33; Hebreus 2.14).
Nos evangelhos temos o relato do seu nascimento, sua vida, seus
milagres, sua morte, sua ressurreição, tudo registrado por seus discípulos,
principalmente no evangelho de Lucas, cujo propósito é apresentar a
humanidade do Salvador, mostrando-o como um homem genuíno, normal e
perfeito, que revelava Deus aos homens, com sua graça salvadora para a
humanidade caída. "Em sua reverência pelo Cristo divino, às vezes os
homens se esquecem do Cristo humano. Não se deve salientar o esplendor
da Sua divindade a ponto de obscurecer a Sua verdadeira humanidade."5
Foi o que fizeram os gnósticos e os docetas, de quem falaremos em outro
capítulo.
A Bíblia declara que o Senhor Jesus veio ou foi manifestado na carne: "E
o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e
vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai" (João 1.14). Aqui
precisamos ser muito cuidadosos. A Bíblia nos diz que Cristo se fez carne,
mas apenas na semelhança da carne do pecado. Romanos 8.3 diz:
"Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne,
isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne
pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne,
o pecado, a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não
andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito" (grifo nosso). Quando
Cristo se fez carne, Ele não tomou sobre si a corrupção da carne, mas
apenas sua semelhança. O termo "carne" denota a natureza humana de
Jesus. As Escrituras revelam claramente que Jesus possuía as
características essenciais da natureza humana, isto é, um corpo material e
uma alma racional.
Sua humanidade, conforme registrada nas Escrituras, é algo de que não
se pode ter dúvidas. Ao nascer, Jesus Cristo sujeitou-se às condições da
vida humana, bem como do corpo humano. Sua humanidade é
demonstrada:

Nascu de uma mulher: "Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim:


estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes
coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo" (Mateus 1.18). "Vindo,
porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher,
nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que
recebêssemos a adoção de filhos" (Gaiatas 4.4-5, grifo nosso).

Cresceu como uma pessoa normal: "E crescia Jesus em sabedoria,


estatura e graça, diante de Deus e dos homens" (Lucas 2.52).

Sentiu sofrimento e dor: "E, estando em agonia, orava mais


intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue
caindo sobre a terra" (Lucas 22.44).
Sentiu cansaço: "Estava ali a fonte de Jacó. Cansado da viagem,
assentara-se Jesus junto à fonte, por volta da hora sexta" (João 4.6).
Teve fome: "E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve
fome" (Mateus 4.2).

Teve sede: "Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para
se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede!" (João 19.28).

Tinha emoções: "Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e


exclamou: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste
estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó
Pai, porque assim foi do teu agrado" (Lucas 10.21). Na morte de Lázaro
"Jesus, vendo-a chorar, e bem assim os judeus que a acompanhavam,
agitou-se no espírito e comoveu-se" (João 11.33).

Possuía um corpo físico: "Porque os pobres, sempre os tendes


convosco, mas a mim nem sempre me tendes; pois, derramando este
perfume sobre o meu corpo, ela o fez para o meu sepultamento" (Mateus
26.11-12). "Caindo a tarde, veio um homem rico de Arimatéia, chamado
José, que era também discípulo de Jesus. Este foi ter com Pilatos e lhe
pediu o corpo de Jesus. Então, Pilatos mandou que lho fosse entregue. E
José, tomando o corpo, envolveu-o num pano limpo de linho e o depositou
no seu túmulo novo, que fizera abrir na rocha; e, rolando uma grande pedra
para a entrada do sepulcro, se retirou" (Mateus 27.57-60).

Possuía alma racional: "Então, lhes disse: A minha alma está


profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo" (Mateus 26.38).

Possuía espírito humano: "Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas
tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou" (Lucas 23.46).
Jesus se fez carne e foi sujeito ao pecado, embora nunca houvesse pecado.
Ele foi revestido do corpo humano porque o pecado entrou por um homem e
pela justiça de Deus tinha de ser vencido por um homem. A Bíblia diz que o
pecado entrou no mundo por meio de Adão: "Portanto, assim como por um só
homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a
morte passou a todos os homens, porque todos pecaram... Pois assim como,
por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação,
assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens
para a justificação que dá vida. Porque, como, pela desobediência de um só
homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da
obediência de um só, muitos se tornarão justos" (Romanos 5.12,18-19).

Desde que o homem pecou era necessário que ele sofresse a


punibilidade. A Bíblia mostra que todo gênero humano está condenado; que
o homem está perdido debaixo da maldição do pecado (Salmos 14.2-3;
Romanos 3.23). Era necessário que Cristo assumisse a natureza humana,
não somente com todas as suas particularidades indispensáveis, mas
também com todas as fragilidades a que está sujeita, depois da Queda, e,
assim, devia descer às profundezas da degradação em que o homem tinha
caído. As Escrituras são categóricas em afirmar que somente Deus pode
salvar: "Eu, eu sou o SENHOR, e fora de mim não há salvador" (ísaías
43.11). Portanto, somente "um Mediador verdadeiramente humano, assim,
que tivesse conhecimento experimental das misérias da humanidade e se
mantivesse acima de todas as tentações, poderia entrar empaticamente em
todas as experiências, provações e tentações do homem, Hebreus 2.17, 18;
4.15-5.2 e ser um perfeito exemplo humano para os Seus seguidores,
Mateus 11.29; Marcos 10.39; João 13.13-15; Filipenses 2.5-8; Hebreus
6
12.2-4; 1 Pedro 2.21". Jesus, o verdadeiro Deus e o homem perfeito,
tornou-se "carne" para suprir a necessidade da humanidade. Quando
assumiu a forma humana na Terra, Jesus não se apegou às prerrogativas da
divindade para vencer o diabo, mas aniquilou-se a si mesmo, "assumindo a
forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em
figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte
e morte de cruz" (Filipenses 2.7-8).