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CURSO

DE GRADUAÇÃO EM DIREITO 8O SEMESTRE - NOTURNO


Disciplina: Direito Tributário I Data: 08/04/2016
Professor: Ivan Allegretti
PROVA I

ALUNO:_________________________________________________________________________________________________________________________________
Orientações
1. Antes de começar a prova preencha o nome no cabeçalho.
2. Leia com atenção cada uma das questões. A interpretação faz parte da avaliação.
3. A prova tem de ser feita com caneta azul ou preta e sem rasuras. Não é permitido o uso de corretivos de qualquer natureza (tinta branca, líquida ou em fita e similares).
4. Qualquer contato com celulares, laptops ou quaisquer outros aparelhos eletrônicos, implicará retirada da prova e anulação integral da nota.
5. Serão desconsideradas as respostas que se limitem a indicar o dispositivo legal aplicável ou apenas repetir seu texto.
6. Escreva com letra legível. Serão desconsideradas as respostas com palavras ou sentenças ilegíveis.

1) Responda se há ou não violação à Constituição nas seguintes situações, identi:icando qual o dispositivo
envolvido e explicando como se caracterizou o seu atendimento ou a sua violação.
1.1) Em razão da grave crise do setor automobilístico, foi editada Lei Federal concedendo às montadoras de
veículos isenção das contribuições sociais sobre o faturamento (PIS/Co:ins) em relação às receitas das
vendas de veículos populares, e também isenção do imposto sobre operações relativas à circulação de
mercadorias (ICMS) sobre as mesmas operações e do imposto sobre a propriedade de veículos
automotores (IPVA) em relação a estes mesmos bens; (0,5 ponto)
Uma Lei Federal apenas pode tratar de tributos da competência da União, de maneira que é
inconstitucional pretender tratar de ICMS e IPVA, por violação ao art. 155 da Constituição, que concede
exclusivamente aos Estados e ao Distrito Federal a competência para instituir e exigir tais impostos. Além disso,
é :lagrante a violação ao art. 151, III, da Constituição, que veda à União conceder isenção de tributos da
competência dos demais entes da Federação.
1.2) Deputado Distrital propôs projeto de lei para a criação de um novo imposto, incidente sobre a
propriedade de barcos e lanchas; (0,5 ponto)
Apenas a União possui competência residual para a instituição de novos impostos (art. 154, I, da
Constituição), não previstos na Constituição, de maneira que tal matéria não pode ser objeto de projeto de lei do
Distrito Federal.

1.3) O Município de Brazlândia instituiu por meio de lei a Taxa de Fiscalização Hospitalar, exigida
exclusivamente de clínicas e hospitais, cuja cobrança será feita anualmente, no mesmo boleto de
lançamento do IPTU, utilizando a mesma base de cálculo deste, ou seja, o valor venal do imóvel; (0,5 ponto)
A Constituição veda expressamente que as taxas utilizem base de cálculo própria de impostos (art. 145, §
2º, da Constituição), razão pela qual é inconstitucional a lei do Município que toma como base de cálculo da taxa
a mesma base de cálculo do IPTU.
1.4) Tendo sido regularmente criado um novo Território Federal, por meio da supressão de áreas que antes
pertenciam aos Estados do Amazonas e do Pará, quem passa a ter competência para cobrar o impostos
sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA) em relação aos automóveis e imóveis nele situados?
(0,5 ponto)
Quando ocorre a criação de um novo território, a competência em relação aos impostos estaduais passa a
ser da União, conforme previsto no art. 147 da Constituição.

2) Nas situações descritas abaixo, identi:ique pelo menos duas violações à Constituição, explicando no que
consistem.
a) diante da crise :inanceira, um Deputado Estadual apresentou projeto de lei para a criação de empréstimo
compulsório com a :inalidade de gerar recursos para aplicação na compra de merenda escolar para os
alunos da rede de ensino pública; (1 ponto)
Os Estados não têm competência para instituir empréstimo compulsório, pois a Constituição reserva
exclusivamente à União tal competência (art. 148 da Constituição). Além disso, a instituição de empréstimo
compulsório apenas pode se dar por meio de lei complementar, não sendo possível fazê-lo por meio de lei
ordinária. Ademais, a :inalidade de compra de merenda escolar não caracteriza investimento público de caráter
urgente.
b) o Prefeito de Belo Horizonte, por meio de Decreto publicado em 31 de dezembro de 2015, determinou a
majoração da alíquota do IPTU de 3% para 5% e também a atualização da base cálculo por meio da
aplicação de índice de correção monetária sobre o valor venal dos imóveis, determinando a aplicação dos
novos critérios para o imposto devido em relação ao mesmo ano de 2015; (1 pontos)
A majoração de alíquota do IPTU carateriza aumento de tributo, sujeitando-se ao princípio da legalidade
(art. 150, I, da Constituição), segundo o qual é necessária a edição de lei para tanto, sendo pois incosntitucional
veicular tal majoração por meio de decreto, que é ato infralegal. A atualização da base de cálculo não caracteriza
majoração (art. 97, § 2º, do CTN), de maneira que tal medida pode ser veiculada por meio de decreto, mas não
poderia pretender surtir efeito em relação aos fatos geradores já ocorridos anteriormente, nisto caracterizando
violação ao princípio da irretroatividade (art. 150, III, “a”, da Constituição).
c) o Presidente da República editou Decreto em relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI),
aumentando de 5% para 15% a alíquota do de cosméticos, reduzindo para 0% (zero) a alíquota incidente
sobre escovas de dente e concedendo isenção para os fabricantes de pasta de dente, determinando a
aplicação imediata de todas estas alterações em relação aos fatos geradores ocorridos a partir da data de
sua publicação; (1 pontos)
Um decreto, por se tratar de ato infralegal, não pode tratar de isenção, que é matéria reservada à lei (art.
150, § 6º, da Constituição). De outro lado, embora seja possível ao decreto alterar as alíquotas de IPI, a
majoração deve respeitar o princípio da anterioridade nonagesinal, visto que a Constituição apenas excepciona
o IPI da anterioridade de exercício (art. 150, § 1º, da Constituição).

3) O Presidente da República, por meio de Decreto publicado em 01/01/2015, promoveu a majoração da


alíquota do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e do impostos sobre importações (II) incidentes
sobre a produção e importação chocolates, determinando sua cobrança imediata, a partir da data de publicação.
Analise a constitucionalidade de tal medida sob a perspectiva do princípio da anterioridade de exercício e
nonagesimal. A partir de quando as novas alíquotas podem ser exigidas? (1 ponto)
A nova alíquota majorada do II pode ser exigida imediatamente, pois se trata de imposto excepcionado
tanto da anterioridade de exercício como da anterioridade nonagesimal. A alíquota majorada do IPI, no entanto,
apenas poderá ser exigida depois de 90 dias da data da edição do decreto, visto que se trata de imposto
excepcionado apenas da anterioridade de exercício, mas que se submete à anterioridade nonoagesimal.
4) O Município de Belo Horizonte promoveu a cobrança de imposto sobre a propriedade predial e territorial
urbana (IPTU), Taxa de Recolhimento de Lixo (TRL) e de Contribuição de Melhoria (CE) em relação ao Sindicato
dos Trabalhadores Rurais e ao Sindicato dos Fazendeiros. Os dois sindicatos pedem a sua consultoria para saber
se tais tributos são ou não devidos. Considerando o questionamento exclusivamente pelo que dispõe a
Constituição, qual será a sua resposta? Justi:ique. (2 pontos)
A imunidade é concedida pela Constituição exclusivamente em favor de sindicatos de trabalhadores, não se
aplicando a sindicatos de empregadores, razão pela qual apenas o Sindicado dos Trabalhadores Rurais goza de
tal imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, da Constituição. Ocorre que a imunidade em questão apenas se aplica
em relação a impostos, não alcançando outras espécies tributárias, razão pela qual a imunidade do Sindicato
dos Trabalhadores Rurais apenas impede a cobrança de IPTU, não impedindo a cobrança de TRL e CE, as quais
poderão ser exigidas. Quanto ao Sindicato dos Fazendeiros, visto que não é alcançado pela imunidade, está
sujeito à cobrança de todos os tributos - IPTU, TLR e CE - em relação a si.
5) A Igreja Luterana do Brasil, não tendo ainda capital su:iciente para realizar a construção da igreja em dos
imóveis de sua propriedade, decide alugá-lo para uma empresa que passa a desenvolver no local a exploração
de estacionamento para automóveis. Segundo o entendimento do STF, seria constitucional a exigência de IPTU
sobre este imóvel? E a exigência de Imposto de Renda (IR) em relação aos rendimentos de aluguel recebidos
pela Igreja? Justi:ique. (2 pontos)
O entendimento do STF é de que o imóvel permanece imune ao IPTU mesmo que alugado a terceiro, desde
que os rendimentos de alugueis sejam aplicados nas atividades para as quais a entidade foi constituída, de
maneira que tais rendimentos são considerados igualmente imunes do IR.