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Rememorando:

A felicidade – eudaimonia – está relacionada com a “função própria” – ergon –


do homem. Isso se demonstra através do conhecimento sobre a natureza humana, que é
possibilitado (o conhecimento) a partir de nossas faculdades racionais.
O fim – télos – da filosofia prática em Aristóteles está em agirmos em
conformidade com a virtude, a qual aponta para nossa excelência e nos levará a vida
feliz. Tal excelência será nossa capacidade racional, ou seja, esse é o nosso ergon.
Logo, a eudaimonia será possibilitada pelo agir racional, especificidade própria do ser
humano.

Disposições do Homem, Virtudes e Como Alcançar a Felicidade:

Aristóteles nos dirá que temos certas disposições da alma, que nos auxiliam no
caminho para a felicidade. Teremos as disposições dianoéticas, ou intelectuais, que
dizem respeito à parte racional da nossa alma, parte mais elevada da alma, segundo o
filósofo. E teremos, também, as disposições éticas, que são disposições conciliadas por
duas partes da nossa alma, a racionalidade e a sensibilidade. As disposições dianoéticas
dizem respeito a nossa sabedoria, entendimento e sensatez; nós as adquirimos através da
instrução e do ensino. Já as disposições éticas dizem respeito ao campo do agir, e nelas
se encontram a generosidade e a temperança; nós evoluímos nossas disposições éticas,
segundo Aristóteles, através do cultivo de bons hábitos, através da prática. Agir com
coragem, habitualmente, nos torna corajosos. Mas como aplicar isso ao campo de
nossas ações de forma integral?
Nossas disposições éticas envolvem uma importante função da nossa alma, a
racionalidade. Através da racionalidade, nos é possibilitado o exercício o qual o filósofo
chama de mesótês, o ”meio-termo”. A habilidade de identificar o meio-termo entre dois
extremos nos leva ao agir virtuoso e, portanto, a eudaimonia.
Para evitar os vícios, que nos desvirtuam de nosso propósito enquanto seres
racionais, Aristóteles elenca as doze virtudes que fazem parte primordial para o
caminho a eudaimonia:

(1) Coragem – Aplicada a esfera do medo e da confiança;


Extremos (vícios): Temeridade e Covardia.

(2) Temperança – Aplicada a esfera do prazer e da dor;


Extremos (vícios): Libertinagem e Insensibilidade.
(3) Generosidade – Aplicado à esfera de dar e receber dinheiro, em pequenas
quantias;
Extremos (vícios): Prodigalidade e Avareza.

(4) Magnificência – Aplicado à esfera de dar e receber dinheiro, em grandes


quantias;
Extremos (vícios): Vulgaridade e Mesquinhez.
(5) Magnanimidade – Aplicada a esfera da honra e da desonra, sobre questões
maiores;
Extremos (vícios): Vaidade e Pusilanimidade.

(6) Ambição Apropriada – Aplicada a esfera da honra e da desonra, sobre questões


menores;
Extremos (vícios): Ambição e Desambição.

(7) Paciência – Aplicada a cólera;


Extremos (vícios): Fúria e Ausência de Espirito.

(8) Veracidade – Aplicado a auto expressão;


Extremos (vícios): Jactância e Subavaliação.

(9) Sagacidade – Aplicada a esfera da conversação;


Extremos (vícios): Bufonaria e Grosseria.

(10) Amabilidade – Aplicada a conduta social;


Extremos (vícios): Servilismo e Conflituosidade.

(11) Modéstia – Aplicada a esfera da vergonha;


Extremos (vícios): Acanhamento e Imprudência.

(12) Justa Indignação – Aplicada a esfera da indignação;


Extremos (vícios): Inveja e Despeito.

Os extremos das virtudes, os vícios, dizem respeito a seu excesso ou escassez;


porém, além da aplicabilização do “meio-termo”, como nos é permitido fazer a
distinção correta entre os vícios excessivos ou escassos? A partir do que Aristóteles
irá chamar de “reta razão”; A reta razão é a habilidade dos seres humanos de
fazerem seus julgamentos acerca do agir a partir da prudência, que é o hábito
voltado a deliberação.
Para atingirmos nosso fim, a eudaimonia, precisamos do agir virtuoso; para
sabermos distinguir o agir virtuoso do agir vicioso, nós necessitamos da
compreensão acerca da natureza humana, que nos dirá nosso ergon (a partir da
racionalização). Assim, a prudência – característica dos seres racionais – calculará,
ou seja, fará à deliberação de quais serão os meios necessários para que se atinja um
fim moralmente bom. A reta razão é essencialmente prática, portanto envolve
necessariamente a ação, relacionando-se com a nossa função própria individual, a
qual visa à felicidade, que só será desenvolvida e atingida de forma plena quando
aplicada ao meio social em que se vive.

Atividade:
Elenque algumas, no mínimo três, virtudes que Aristóteles dispõe como o
caminho para a eudaimonia, que você considera como atitudes moralmente boas nos
dias atuais. Justifique suas escolhas.