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Resenha dos capítulos 1 a 11 livro

“...Até aos Confins da Terra”

por

Rafael Fcachenco Filho

Trabalho apresentado em cumprimento


parcial das exigências da disciplina
História das Missões Cristãs,
ministrada pelo Professor Florêncio
Moreira de Ataídes, do Programa de
Mestrado em Missiologia do Centro
Evangélico de Missões – CEM.

Agudos
Junho de 2010

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TUCKER, Ruth A. “...Até aos Confins da Terra.” Uma História Biográfica das
Missões Cristãs. São Paulo: Vida Nova, 1986.

Escritora, professora e conferencista, Ruth Tucker é doutora em história


pela Northern Illinois University. Em julho de 2000, foi apontada como a primeira
professora feminina nos 125 anos de história do Calvin Theological Seminary, um
dos principais seminários teológicos norte-americanos. Ruth Tucker mora com
seu marido, John Worst, professor do Calvin College, e seus quatro filhos –
Kayla, Mitchell, Ashley e Zachary, em Grand River, Michigan. É autora de vários
livros publicados em inglês, três deles traduzidos para o português: Fé e
Descrença, publicado pela Editora Mundo Cristão, “...Até os Confins da Terra.”
Uma História Biográfica das Missões Cristãs, com sua primeira edição em
português em maio de 1986, e reeditado pela Editora Vida Nova sob o título
Missões até os Confins da Terra, e a co-edição com Ralph D. Winter e Steven C.
Hawthorne de uma coletânea de 118 textos de autores nacionais e estrangeiros
explorando as perspectivas bíblica, histórica, cultural e estratégica no
movimento de evangelização mundial, sob o título Perspectivas no movimento
cristão mundial, também publicado pela Editora Vida Nova.

1) Breve síntese da narrativa do autor


A autora vê a história de missões cristãs como a história das vidas de
milhares de homens e mulheres que se dedicaram a levar o Cristianismo a todos
os cantos da terra: seus esforços, suas lutas, suas emoções, suas tragédias,
aventuras, romances, intrigas e tristezas. Por isso, ela escreve do ponto de vista
biográfico, sintetizando seu conhecimento e sua interpretação da vida de vários
missionários.
Obviamente, não é possível saber tudo o que se passou. É possível
conhecer um pouco de suas vidas, baseando-se nos escritos que eles mesmos
deixaram, ou de outros que com eles conviveram e escreveram a respeito deles.
O seu enfoque concentra-se nos vultos missionários protestantes. Ela fala
de forma muito sucinta sobre os primeiros 1.600 anos de história de missões
cristãs. Dos primeiros 600 anos ela seleciona sete personagens: o apóstolo
Paulo, Policarpo, Justino e Perpétua, Úlfilas, Patrício e Columba, e dos próximos
1.000 anos ela seleciona mais seis: Bonifácio, Anskar, Raymond Lull, Bartolomeu

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de Las Casas, Francisco Xavier e Mateus Ricci. As biografias desses
personagens não ultrapassam 4 páginas, de forma que a um período de 1.600
anos são dedicados os dois primeiros capítulos, não mais que 40 páginas,
enquanto que Stephen Neill, em sua História das Missões, dedica ao mesmo
período 214 páginas.
Já a partir do capítulo terceiro ela passa a focar exclusivamente as
missões protestantes. Ela começa essa abordagem apresentando as principais
razões do seu despertar tardio. Entre as mais sérias estava a de cunho teológico.
Lutero e os calvinistas em geral criam que a Grande Comissão só se aplicava aos
apóstolos do Novo Testamento, que já haviam cumprido essa obrigação,
divulgando o Evangelho através do mundo conhecido, e isentando dessa
responsabilidade as gerações subseqüentes. Ela apresenta o movimento dos
irmãos morávios como a aurora das missões protestantes, destacando a figura
do fundador do movimento, o Conde Nicolaus Ludwig von Zinzendorf, como
quem levou a sério a Grande Comissão e abriu caminho para a grande era das
missões modernas, e seleciona como exemplos representativos desse
movimento dentre os inúmeros missionários enviados pelos irmãos morávios,
Christian David enviado aos esquimós na Groenlândia, e George Schmidt
enviado aos hotentotes na África do Sul.
O quarto capítulo é dedicado às missões protestantes aos índios norte-
americanos a partir do século XVII. Ela inicia com a narrativa do frutífero trabalho
de John Eliot entre os índios algonquinos, e a tragédia da destruição desse
trabalho extraordinário por causa da ganância, injustiça, cobiça e violência dos
“civilizados” na Guerra do Rei Filipe. Além de Eliot, ela nota a missão da família
Mayhew à população nativa em Martha’s Vineyard, o esforço de David Brainerd e
de como sua saúde se consumiu nesse esforço, ocasionando sua morte
prematura aos 29 anos, por tuberculose e de sua noiva Jerusha, filha de
Jonathan Edwards, da mesma doença, provavelmente contraída por ela ao cuidar
dele, 04 meses depois. Também escreve sobre Eleazar Wheelock e seu trabalho
de fundar escolas para treinar índios e brancos para o trabalho missionário entre
os índios, sobre David Zeisberger, o mais famoso missionário morávio entre os
índios, e sobre o início das missões batistas aos índios, iniciadas por Isaac
MacCoy e sua esposa, e a íntima ligação dessas missões à política de remoção
de populações indígenas adotada pelo governo dos Estados Unidos, a tragédia

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da remoção do cherokees, e a condenação do casal MacCoy à crueldade
desumana do processo. Ela termina esse capítulo com o relato da missão de
Marcus e Narcissa Whitman e Henry Spaulding e família no território de Oregon,
no extremo Oeste, a fundação do posto missionário de Waiilaptu por Marcus e
Narcissa Whitman, e o seu trágico fim com o massacre dos Whitman e mais 12
pessoas em Novembro de 1847.
O quinto capítulo inicia-se com o movimento iniciado com William Carey, o
“Pai das Missões Modernas”, que introduziu o “Grande Século” das missões
estrangeiras, e o esforço missionário resultante desse movimento direcionado ao
sul da Ásia Central com o envio de Carey à Índia, e de Adoniram Judson à
Birmânia. Ela retrata primeiramente o esforço de Carey, em preparar-se, a
oposição que enfrentou em virtude da igreja de seu tempo em geral considerar
que a Grande Comissão fora dada apenas aos apóstolos, a publicação do seu
livro “Uma Inquirição sobre a Responsabilidade dos Cristãos em Usarem Meios
par a Conversão dos Pagãos”, a Fundação da Sociedade Batista Missionária, seu
envio à Índia, as circunstâncias extremamente difíceis que ele enfrentou nos seis
primeiros anos em que esteve lá, inclusive a trágica morte do seu pequeno filho
de cinco anos, Peter, e as traumáticas conseqüências que essas circunstâncias
trouxeram para a família de Carey, especialmente para sua esposa, em virtude do
abismo em termos de preparo, estrutura e perspectivas existente entre eles.
Apesar de todos esses problemas, depois que Carey juntou-se a Josué
Marshman e William Ward em Serampore, formam uma equipe missionária que
realiza durante 34 anos um trabalho extraordinário e profícuo, que organiza
escolas, e empreende um importantíssimo trabalho lingüístico de tradução e
produção de literatura. Em seguida, ela discorre sobre o trabalho de Adoniram e
Nancy Judson na Birmânia, as dificuldades que eles enfrentaram no
desenvolvimento do trabalho missionário, que no início cresce vagarosamente, o
extenso e árduo trabalho de tradução da Bíblia para o birmanês, os problemas de
saúde (febre tropical), e com o governo birmanês, que culminam com a prisão de
Adoniram quando a Birmânia e a Inglaterra rompem relações, e todos os
estrangeiros são considerados espiões, e depois de tudo isso, a morte da própria
Nancy. Ela foca também os traumas emocionais, os problemas de saúde, e a alta
taxa de mortalidade que acompanhavam o trabalho missionário, e como tudo isso
atingia suas famílias. Adoniram Judson passou por três casamentos, perdeu duas

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esposas, e deixou a terceira viúva, com a saúde abalada. Seus filhos foram
muitas vezes separados deles, muitas vezes para não mais vê-los. Dos três filhos
que ele teve com sua primeira esposa, um foi natimorto, e dois morreram de febre
tropical. Dos oito filhos que teve com a sua segunda esposa, cinco chegaram à
idade adulta. Dos dois filhos que teve com a terceira, o último foi natimorto. E
essas experiências não eram exceções e sim a regra na vida daqueles que
vivenciaram esse movimento missionário. Ainda nesse capítulo, ela fala sobre o
trabalho de pregação e tradução de Henry Martyn na Índia e na Pérsia, e o
trabalho missionário educacional de Alexander Duff na Índia.
No sexto capítulo, ela fala sobre o movimento missionário direcionado à
África, a partir da vida de seis missionários. O primeiro deles é Robert Moffat e
sua esposa Mary, que serviram na África do Sul por 53 anos, com apenas uma
interrupção, de 1839 a 1843. Moffat demorou anos para compreender a
necessidade de aprender a língua do povo para comunicar o Evangelho, mas
após convencer-se dessa necessidade, dedicou-se ao aprendizado da língua do
povo, e realizou relevante trabalho de tradução, e seu trabalho foi a partir de
então frutífero. Dos dez filhos que teve, sete chegaram à idade adulta. É
considerado o patriarca missionário da África do Sul. Depois de Moffat, ela fala de
David Livingstone, desmitificando-o, e apresentando-o como um homem
temperamental, com várias falhas de personalidade que prejudicaram seu
ministério, e que apesar de suas fraquezas, foi usado por Deus mais que
qualquer outro para atrair a atenção do mundo para a África e suas
necessidades. Retrata a visão e os objetivos que o moviam a empreender as
viagens exploratórias que fez: somente a combinação de comércio legítimo e
cristianismo podiam salvar a África, e o sacrifício que isso significou: literalmente
deixar sua esposa e filhos na Inglaterra, que lá ficaram numa situação
deprimente. Ele foi primeiramente um explorador, mas nunca abandonou por
inteiro a evangelização. Levava em sua bagagem uma versão antiga de um
projetor de slides, com cenas bíblicas, e a partir delas plantou a semente para o
futuro trabalho missionário. Depois de Livingstone, ela fala sobre Henry M.
Stanley, sua viagem à África à procura de Livingstone, e posteriormente de sua
expedição à África de 999 dias, movimento seguido posteriormente pelas
sociedades missionárias. Retrata também o trabalho de George Grenfell na África

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Ocidental em Camarões, e posteriormente em Uganda, e termina com o relato do
trabalho de Mary Mitchell Slessor em Calabar, África Ocidental (Nigéria).
O sétimo capítulo retrata o trabalho missionário protestante no Extremo
Oriente, basicamente na China. Ela inicia apresentando a biografia de Robert
Morrison, e o seu trabalho de tradução da Bíblia para o cantonês em Cantão, não
deixando de retratar também os sacrifícios exigidos por esse trabalho, e os
traumas para a família de Morrison. Em seguida, ela apresenta a biografia de Karl
A. Gutzlaff, seu trabalho na Tailândia, sua fluência nas línguas orientais, e após a
morte de sua esposa e filha, sua ida à China e o trabalho itinerante de pregação
e distribuição de trechos das Escrituras ao longo da costa chinesa e também no
interior da China. Em seguida ela apresenta a biografia de Hudson Taylor.
Novamente, ela mantém seu padrão de em suas biografias apresentar os
missionários como seres humanos comuns, retratando Hudson Taylor não
somente da perspectiva da sua devoção, mas também da sua humanidade e das
suas necessidades e conflitos existenciais, sobrecargas, esgotamentos e traumas
familiares decorrentes do seu serviço missionário, sem deixar de assinalar a
relevância desse seu trabalho. A contribuição de Hudson Taylor está relacionada
sobretudo com a visão ampla que ele teve de alcançar uma grande área
geográfica, e com a adoção de um plano mais sistemático para alcançar esse
objetivo, que culminou com a organização da Missão para o Interior da China.
Depois de escrever sobre Hudson Taylor, ela termina esse capítulo com a
biografia de Jonathan e Rosalind Goforth, que viu como nenhum outro resposta
imediata ao seu trabalho, e que por onde quer que fosse, seguia-se um
avivamento.
No oitavo capítulo, ela retrata o esforço missionário protestante
direcionado às ilhas do Oceano Pacífico: Melanésia, Micronésia, e Polinésia. O
ponto inicial desse esforço foi a partida da Inglaterra, em agosto de 1796, de
trinta missionários, juntos com seis esposas, e três crianças para essa região, no
navio missionário Duff, rumo ao Taiti. Um dos principais problemas enfrentados
era o estilo de vida nativo extremamente promíscuo. As mulheres nativas desde o
início tentavam seduzir sexualmente inclusive os missionários, e em muitos
casos, infelizmente tiveram êxito. Havia também outros europeus vivendo entre
os nativos uma vida devassa, que consideravam os missionários uma ameaça ao
seu estilo de vida, e procuravam incitar os nativos contra os missionários. Não

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obstante, houve aqueles que permaneceram firmes, que resistiram às tentações
e perseveraram. Entre estes, a autora destaca a vida e o trabalho de Henry Nott
no Taiti, o de Hiram Bingham no Havaí, o de John Williams, chamado “Apóstolo
da Polinésia”, e o de John Patton na evangelização das ilhas do Pacífico Sul, o
de James Chalmers na Nova Guiné, o de John Coleridge Patterson, o primeiro
bispo anglicano da Melanésia, no recrutamento, preparo e envio de nativos de
volta às suas aldeias de origem para evangelizar e estabelecer igrejas, e o de
Florence Young entre os escravos cortadores de cana em Queensland e mais
tarde nas Ilhas Salomão.
No nono capítulo a autora chama a atenção para a contribuição feminina
para o trabalho missionário, dando um enfoque para o envolvimento de mulheres
solteiras em missões a partir de 1820, a discriminação que enfrentaram, o
surgimento das agências missionárias femininas e o crescimento da participação
feminina, cujo número excede o de homens pela primeira vez na primeira década
do século XX, e continua a crescer nas próximas décadas, e os principais motivos
desse envolvimento. Ela escolhe para retratar esse momento da história de
missões a vida e o trabalho de Charlotte Diggs Moon na China, o de Amy
Carmichael na Índia, o de Maude Cary no Marrocos, o de Johanna Veenstra na
África, o de Gladys Aylward na China, e o da médica missionária Helen
Roseveare no Congo.
No décimo capítulo, ela retrata o Movimento Voluntário Estudantil – o
envolvimento de jovens estudantes criados em meio à riqueza e ao conforto, que
cursavam boas universidades, na obra missionária, a partir do final do século XIX,
e na primeira metade do século XX, inúmeros deles num esforço para alcançar a
elite – as classes educadas que exerciam mais influência em seus contextos. Sua
dedicação e intensidade de propósito raramente foi igualada. A maioria desses
estudantes eram norte-americanos. Ela escolhe para retratar esse momento da
história de missões a vida e o trabalho de C. T. Studd na China, Índia e na África,
o de John R. Mott, que influenciou mais do que qualquer outro indivíduo a ida de
estudantes para o campo missionário nesse período, o de Robert E. Speer como
Secretário da Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos E.U.A., o
trabalho de Samuel Zwemer direcionado ao mundo islâmico, iniciado no Golfo
Pérsico, e depois no Cairo, o trabalho de Fletcher Brockman na China, e o
trabalho de E. Stanley Jones na Índia .

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No décimo-primeiro capítulo, ela retrata o movimento missionário da “fé”,
focalizado em áreas geográficas situadas no “interior” de regiões do mundo ainda
não alcançado com o início da fundação da Missão para o Interior da China por
Hudson Taylor, que influenciou direta ou indiretamente na fundação de mais de
quarenta novas juntas missionárias. Essas missões não garantiam uma renda
fixa para seus missionários, algumas delas inclusive adotavam uma política de
não solicitar ajuda financeira ou sequer tornar conhecidas as necessidades dos
missionários, que deveriam confiar inteiramente em Deus para a provisão das
suas necessidades financeiras. A maioria de seus missionários não tinha curso
superior, ou era formada em institutos bíblicos ou faculdades cristãs
conservadoras, entre os quais se destaca o Instituto Bíblico Moody. Ela escolhe
para retratar esse momento da história de missões a vida e o trabalho de A. B.
Simpson, que embora não tenha servido em campo missionário transcultural,
exerceu uma enorme influência para missões, fundando a Aliança Cristã e
Missionária, que após cinco anos, contava com quase 150 missionários em
quinze campos, o de Rowland Bingham, que funda a Missão para o Interior do
Sudão, e o de Peter Cameron Scott, que funda a Missão para o Interior da África,
e o de C. I. Scofield, fundador da Missão para a América Central. Apresenta
também dois retratos de como juntamente com a fé e a determinação de ganhar
almas para Cristo é necessário estudar melhor como, onde, quando, e o que
fazer para alcançar esse objetivo: a tragédia da morte de cinco missionários da
Missão Novas Tribos na Bolívia em 1943, um ano após a sua fundação, e a
tragédia da morte de mais cinco jovens no Equador em 1955, pertencentes a três
missões diferentes, que prepararam apressadamente a Operação Auca, sem
consulta virtual a seus líderes ou a missionários mais experientes. E termina com
um retrato de Eliza Davis George, uma missionária que pertenceu a uma das
obscuras e diminutas sociedades missionárias de fé que também surgiram nesse
período, a Missão Nativa Elizabeth para o Interior. Algumas dessas missões
realizaram uma obra extraordinária, e enviaram uma força coletivamente
poderosa de homens e mulheres dedicados, do qual Eliza e seu trabalho
constituem um maravilhoso exemplo.

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2) Pontos negativos do livro
Como já disse, ele aborda de forma muito sucinta os primeiros 1.600 anos
de história das missões cristãs. Além disso, no parco conteúdo referente a esse
extenso período, ele retrata uma visão da História das Missões da perspectiva da
Igreja do Ocidente. Ele nem sequer menciona a missão de Cirilo e Metódio aos
eslavos ou qualquer outra missão realizada pela Igreja do Oriente. Não será essa
perspectiva de História das Missões a partir da Igreja do Ocidente, ignorando a
História de Missões da Igreja do Oriente, um reflexo do cisma ocorrido entre a
Igreja do Ocidente e a Igreja do Oriente, em 1054? Novamente Stephen Neill, em
sua obra “História de Missões”, é mais completo, abordando, por exemplo, a
missão de Cirilo e Metódio à Grã-Morávia, e também as missões empreendidas
pelos nestorianos na China e na Índia, e pela Igreja Ortodoxa Russa nos
territórios conquistados pelo Império Russo, bem como na China, Japão e Alasca.
Embora a Igreja do Oriente tenha enfrentado circunstâncias que não
possibilitaram a ela desenvolver um trabalho missionário com as dimensões do
da Igreja do Ocidente, os empreendimentos missionários daquela, com seus
acertos e erros, também fazem parte da história das missões cristãs, e como tal
não podem e não devem ser ignorados.

3) Pontos positivos do livro


A autora escreve numa linguagem de fácil compreensão. Também a opção
da autora de ela escrever do ponto de vista biográfico, mostrando a história de
missões cristãs como a história das vidas de homens e mulheres que se
dedicaram a levar o Cristianismo a todos os cantos da terra, retratando seus
esforços, suas lutas, suas emoções, suas tragédias, aventuras, romances,
intrigas e tristezas, é extremamente apropriada para transmitir ensino de valores
simbólicos, e por isso adequada para transmitir valores missionários ao público
brasileiro. Ronaldo Lidório, em seu artigo “A identidade social do homem
brasileiro e suas implicações para a evangelização e pastoreio”, publicado como
o capítulo 03 do livro Revolução Silenciosa III, organizado por Rubens R. Muzio,
faz algumas observações quanto à comunicação em contexto brasileiro. Uma
delas (página 68) é que devido ao longo processo de miscigenação entre
segmentos culturais que valorizam e utilizam o simbolismo para transmitir
valores, nós nos tornamos uma sociedade gravemente simbólica e contadora de

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histórias. Ele diz que o homem brasileiro se comunica mais amplamente através
de histórias contadas e vividas, e que quanto menos escolarizado for o segmento
social brasileiro, mais simbólico ele tende a ser, e que não é por acaso que
novelas, mini-séries e contos fazem extremo sucesso e transmitem ensino (seja
ele qual for) à nossa população. Considerando esse aspecto, o livro pode ser um
instrumento muito útil de formação de consciência missionária em nosso povo.

4) Eu indicaria esse livro para os meus alunos?


Considerando o que expus no item Pontos positivos do livro, creio que o
mesmo é indicado não somente para o estudo das missões protestantes, como
também para o ensino de missões e valores missionários, deixando claro que
esse conteúdo é uma parte da História das Missões Cristãs. Didaticamente, pode
ser melhor começar a abordagem do conteúdo de História de Missões pelo que
nos é afim, pelo que está mais próximo a nós, para depois então vermos outros
conteúdos fora da nossa tradição.