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Sumário da entrevista com Bruna Buldrini Barbosa

SUMÁRIO

FITA 01 – LADO A
• Nasceu em Belo Horizonte em 1938
• Teve sete filhos
• Mora no bairro Cidade Nova desde 1970
• Passou a infância no bairro Carlos Prates
• Casou-se em 1959
• Fala das diferenças da Cidade Nova em relação ao Carlos Prates
• Os filhos estudaram no colégio Madre Paulina e Santo Agostinho
• José Cândido da Silveira era dono dos loteamentos do bairro Cidade Nova
• Era proibido a construção de prédios na região
• A Cristiano Machado era uma rua comum
• Fala da melhoria do acesso ao Centro com a construção do túnel da Lagoinha
• O marido era presidente da Associação de pais e mestres

FITA 01 – LADO B
• Havia apenas um telefone no bairro na época
• Fala dos políticos do bairro
• Comenta sobre o crescimento do bairro e da construção do Minas Shopping
• Gostaria de mudar-se para um apartamento
• Faz compras na Cidade Nova mesmo
• Quase não vai à outras regiões da cidade
1A – BBB - 1

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS


FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
CENTRO DE ESTUDOS MINEIROS
PROGRAMA DE HISTORIA ORAL
PROJETO INTEGRADO: MEMÓRIA E HISTÓRIA : VISÕES DE MINAS
ENTREVISTADORA: THAÍS VELLOSO COUGO PIMENTEL E
CARLOS AURÉLIO PIMENTA DE FARIA
ENTREVISTADO: BRUNA BULDRINI BARBOSA
LOCAL: BELO HORIZONTE
DATA: 06 DE DEZEMBRO DE 1990

Entrevista – fita 01 – lado A

CP: Entrevista com Bruna Buldrini Barbosa, 06 de Dezembro de 1990.

TP: Bom, então para começar nós queríamos, o que nós fizemos com a D. Inês, também, os seus dados
pessoais. Você pode nos dar para a gente deixar registrado, não é!? O seu nome completo nós já
sabemos: Bruna Buldrini Barbosa. É, data de nascimento?

BBB: 08/08/38. Inés Buldrini – Mãe da entrevistada: Alto lá. Não faz isso não. [Interrupção de fita.
Divergência entre o dia certo de nascimento e o dia do registro em cartório].

TP: Então a data de nascimento é oito.

BBB: De agosto de 38.

TP: De 38. Você nasceu em Belo Horizonte?

BBB: Sim.

TP: Os pais. Os nomes deles, faça o favor.

BBB: Bruno Buldrini e Inês Berlini Buldrini.

TP: Seu estado civil?

BBB: Casada.

TP: E o nome do seu marido?

BBB: José Barbosa Martins.


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TP: E o número de filhos?

BBB: Sete. Com o mesmo marido.

TP: Bom. Bruna, nós queríamos saber de você um pouco sobre a sua mudança para o bairro Cidade Nova,
não é!? Onde você mora desde... . Você podia repetir para a gente o ano?

BBB: 1970.

TP: 1970.

BBB: 14 de fevereiro de 1970.

TP: Que você se mudou para cá.

BBB: Certo.

TP: Para essa casa especialmente.

BBB: Para essa casa.

TP: Ótimo. A gente sabe, não é!? Já que você foi criada, nascida e criada num bairro tradicional da cidade.
Um bairro dos mais antigos de Belo Horizonte que foi o Carlos Prates, não é!? E você morou no Carlos
Prates durante toda a sua infância e mesmo uma parte da vida adulta, não é!?

BBB: Certo.

TP: Quando você se casou, você ainda morou alguns anos lá.

BBB: Fiquei morando lá, na mesma rua Rio Casca.

TP: Na rua Rio Casca.

BBB: E depois na Patrocínio.

TP: você podia dizer a data do seu casamento para nós?

BBB: 04 de julho de 1959.

TP: Em 59 você se casou e continuou morando...

BBB: No Carlos Prates.

TP: No Carlos Prates.

BBB: Quando foi em 70 mudamos para aqui.

TP: Hum... hum. E você podia dizer para nós como é que foi a mudança para cá. A decisão pela mudança
para cá. Como é que isso teve origem.

BBB: Um amigo do meu marido.

TP: Hum.
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BBB: Que, o meu marido comentando a respeito que precisava construir um chalezinho e ele falou assim:
“Olha, lá na Cidade Nova onde eu comprei, tem uns, eles estão fazendo um loteamento muito bom lá.
Com ruas asfaltadas, com luz de mercúrio, muito organizado.” Então meu marido veio aqui ver. E ficou
sabendo sobre as condições de pagamento também, não é!? Porque nós já tínhamos 05 filhos menores,
pequenos. E compramos aqui por quatro, 4.700.

TP: Só uma coisinha antes disso.

BBB: Hum...

TP: Quando vocês moravam ainda na rua Rio Casca.

BBB: Patrocínio.

TP: Patrocínio.

BBB: Certo.

TP: você se mudou da Rio Casca e foi para a Patrocínio.

BBB: Fui para a Patrocínio. É.

TP: Quando você se casou você se mudou para a Patrocínio.

BBB: É, é.

TP: Tá. E vocês é, vocês moravam em casa própria?

BBB: Não, minha sogra.

TP: Ah! Morava com a sogra.

BBB: Com minha sogra.

TP: Era casa dela?

BBB: é.

TP: Hum... hum.

BBB: E de lá ela falava: “Vocês não vão sair daqui enquanto não forem para a sua casa própria.”

TP: Hum... hum. E aí então vocês tiveram notícia desse loteamento por um amigo do seu marido.

BBB: Um amigo. E meu cunhado também entusiasmou, sabe!?

TP: Hum... hum.

BBB: Ajudou no princípio até, com a parte de financiamento... para poder construir. Paramos umas 3, 4
vezes. Vende carro, troca carro, aquela confusão toda, sabe!?

TP: Hum... hum.


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BBB: Mas enfim conseguimos, não é!? Com muito sacrifício.

TP: Mas, um pouco antes disso, quando vocês tiveram notícia, seu marido veio ver e aí.

BBB: E gostou.

TP: Ele gostou.

BBB: Gostou.

TP: Você veio com ele da primeira vez?

BBB: Não, não.

TP: Não. E ele te deu notícia que era bom.

BBB: Um bairro bom.

TP: Hum... hum.

BBB: Que não era muito longe do centro. Já sabia até que ia haver o túnel, não é!?

TP: Sei.

BBB: Para facilitar mais ainda.

TP: Hum... hum. E que, que. Qual foi sua impressão nesse momento?

BBB: Ah! Eu adorei, não é!?

TP: Você gostou da idéia?

BBB: Adorei!

TP: É!?

BBB: Nossa Mãe! Ele levou a planta. Foi levar engenheiro para ver a planta.

TP: Hum... hum. E você veio logo conhecer o bairro?

BBB: Vim logo conhecer. Quando começou a fazer a casa não, não vinha muito.

TP: Hum... hum.

BBB: Porque eu vinha e mandava desmanchar, então ele não me trazia mais. [risos].

TP: Era muito exigente com a construção.

BBB: Apontava os defeitos, não é!? [risos]. “Então eu não te levo mais não.” E pronto... Mas eu adorei. Só
que eu tinha muito medo.

TP: Sei.

BBB: Eu sempre morei nos fundos, não é!? Quando eu mudei para aqui, não tinha ninguém praticamente. Só
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essa casa da esquina que a família tinha mudado em dezembro de 69.

TP: Hum... hum.

BBB: E eu mudei em fevereiro de 1970. E um barzinho do lado de lá. Só. Tinha a construção dos prédios, não
é!? Aquele bloco ali, sabe!?

TP: Sei.

BBB: Mas quase não tinha morador ainda.

TP: Hum... hum.

BBB: Então ficou eu e essa vizinha. Mas eu só cá para dentro, ocupada, batia a campainha eu morria de
medo, não é!?

TP: É, não é!?

BBB: Era mato mesmo. :á para baixo era morro mesmo. A fazendinha, não é!?

TP: Sei.

BBB: Morro mesmo.

TP: E me conta uma coisa. Você...

BBB: Só essa parte de cima que estava asfaltada.

TP: Essa aqui mais próxima de você mesmo.

BBB: E mais próxima aqui.

TP: Hum... hum.

BBB: Do lado de lá era bairro União.

TP: Sei.

BBB: Agora mudou, não é!? Agora é Vilas Reunidas. Era Vilas Reunidas, agora que mudou para bairro
União.

TP: Hum... hum. Ô Bruna, e quando você disse que a construção da casa durou quanto tempo? Você se
lembra disso?

BBB: Foi mais ou menos um ano e pouco.

TP: Então entre...

BBB: Eu sei que meus meninos estavam, saíram do grupo e começaram a estudar aqui no Madre Paulina.
Então meu marido vinha trazer de manhã, na hora do almoço buscava, ficava com eles aqui na
construção e depois levava. Era aquela confusão.

TP: Hum... hum.


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BBB: Os 3 menores.

TP: Hum... hum. Mas então você disse que vocês se mudaram para cá em 70. Quer dizer que ele comprou o
lote antes disso porque...

BBB: Antes disso.

TP: Você só veio com a casa pronta, não é!?

BBB: Só com a casa pronta, prontinha.

TP: Então ele comprou o lote possivelmente no ano de 68.

BBB: É, mais ou menos, é.

TP: Hum... hum. E você então desde o início ficou entusiasmada com a idéia de mudar para cá.

BBB: Fiquei demais, nossa mãe, adorei.

TP: Apesar do medo que você sentiu por ser meio solitário o lugar. Agora, e como é que eram as condições
do bairro mesmo? Você está dizendo que você tinha quase nenhuma vizinhança, que aqui era, nessa
época, uma região de sitiozinhos ainda, não é!?

BBB: É.

TP: Mas como é que eram as condições assim do dia a dia no bairro? Onde é que você fazia compras?

BBB: Ah! Isso foi toda vida o meu marido quem fez, não é!?

TP: Ah é?

BBB: Toda vida.

TP: Mas ele não...

BBB: Só saio mesmo para pão e leite, mas como não tinha nada ele trazia.

TP: Sei.

BBB: Do centro.

TP: Do centro normalmente, é onde ele fazia compras.

BBB: Do centro, é, é.

TP: Então você não achou, em princípio você não viu nenhuma dificuldade pelo bairro não ter esse tipo de
equipamento?

BBB: Não, não.

TP:E com relação a transporte, como é que era?

BBB: Tinha o bairro União, não é!?


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TP: Hum... hum.

BBB: Vilas Reunidas. Passava aqui na minha porta. Em 72 foi inaugurado o Cidade Nova.

TP: Ah, tá. Uma linha...

BBB: Inaugurou dia 07 e eu andei ainda, não é!? De ônibus e dia 08 eu ganhei a Daniele.

TP: É mesmo?

BBB: É, eu lembro direitinho. Dia 07. Eu levei os meninos todos para andar de ônibus. De graça, não é!?
[risos].

CA: E a Cristiano Machado, Bruna?

BBB: Era pura terra, não é!? Era uma rua comum.

CA: Hum... hum. Estreita?

BBB: Estreita. Horrível! Esburacada.

TP: Hum... hum. Mas quando vocês compraram o terreno aqui vocês já sabiam a idéia da Prefeitura de abrir
ali uma avenida?

BBB: Já, já.

TP: Tinham essa notícia?

BBB: Já.

CA: E o caminho que vocês faziam normalmente do centro para cá, qual era?

BBB: Nós pegávamos Jacuí, pegava Ponte Nova, ainda passava o trem. Lembra quando passava o trem ali na
Ponte Nova?

TP: Hum... hum.

BBB: E atravessava a Contorno... é, isso mesmo.

TP: E inicialmente, logo que você se mudou...

BBB: Ou descia a Pouso Alegre, entendeu?

TP: A gente sabe que a sua mãe continuou a morar lá no Carlos Prates.

BBB: É.

TP: Não é!? E pelo visto a sua sogra também, onde você morou um tempo.

BBB: É, certo.

TP: Você, logo que mudou para cá, você sentia muita falta do Carlos Prates? Você ia muito lá?

BBB: Não, da rua Patrócinio não, da rua Rio Casca eu senti.


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TP: É? E você costumava ir muito lá, visitar a sua mãe? Os irmãos?

BBB: Ah, todo domingo.

TP: Todo domingo. Durante a semana você não costumava ir!?

BBB: Não, não. Só aos domingos.

TP: Hum... hum. E com relação a... Você disse que já tinha cinco filhos quando você mudou para cá, não?

BBB: Certo.

TP: Mudou alguma coisa em relação à criação de seus filhos em termos do espaço novo que tinha aqui...

BBB: Demais.

TP: Do espaço novo que eles tinha aqui?

BBB: Demais.

TP: Como que foi isso?

BBB: Até o meu menino que sofria de bronquite, acabou a bronquite dele. Tinha mais espaço para brincar.
Quintal, mais liberdade, ,não é!?

TP: Hum... hum.

BBB: O ar puro daqui. Não tinha poluição não tinha nada. Não tinha movimento nenhum.

TP: Hum... hum.

BBB: Mudou completamente.

TP: Era como viver...

BBB: Porque lá eu vivia em barracão de 3 cômodos. Quarto, cozinha e banheiro, não é!?

TP: Hum... hum.

BBB: E o quartinho deles não tinha ventilação, porque era divisa, sabe!?

TP: Sei.

BBB: Então dormia ele e minha menina. O quarto pequeníssimo, ,não é!? Depois nasceram os gêmeos. Eu
fiquei com 07 lá ainda, não é!?

TP: Hum... hum.

BBB: Então ele teve que dormir na sala, com uma cama de abrir, com minha menina.

TP: Sei.

BBB: Sabe!?
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TP: Hum... hum.

BBB: E o médico já mandava ficar num quarto sozinho, arejado. Você já viu. Que condição que tinha?
Nenhuma, não é!?

TP: Hum... hum.

BBB: Aí quando mudou para cá, o quarto maior, ficou 03 do mesmo jeito, não é!?

TP: Hum... hum.

BBB: Mas distanciados pelas condições da casa nova, não é!?

BBB: É.

TP: E você acha...

BBB: Mais espaço, não é!?

TP: Hum... hum.

BBB: Porque lá não tinha liberdade, não é!? Porque eu cortava muito mesmo a liberdade deles lá.

TP: Sei.

BBB: Porque além do meu barracão tinha outro.

TP: Hum... hum.

BBB: O outro alugava. Então eu não deixava, sabe!?

TP: Hum... hum.

BBB: Foram criados em cima de mesa.

TP: Sei.

BBB: Pegava tudo quanto é lataria, ficavam os 03 em cima da mesa e brincavam.

TP: Hum... hum.

BBB: Tinha horário de dormir, não é!? Tarde. Depois assistia televisão.

TP: Hum... hum.

BBB: Branca e Preta,. Não é!? Porque naquela época era branca e preta.

TP: Pois é. E logo...

BBB: Mas aqui, nossa mãe!? Adoraram. Tinha um gramado enorme. Aqui tudo era gramado.

TP: Hum... hum.

BBB: Jogavam bola. Vinham os primos para cá, para brincar. Eu mudei no sábado, no domingo tava cheio.
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Fiz almoço, acabei com a água da caixa.

TP: Hum...

BBB: Para começar! [risos]. Acabei com a água da caixa.

TP: Hum... hum. Então em relação ao espaço que vocês tinham lá vocês ganharam muito, não é!? E você
sentiu alguma perda, em relação a outro tipo de coisa, por exemplo convivência. Lá, no Carlos Prates, o
tempo todo que você morou lá você devia ter muitos amigos, não é!?

BBB: Certo. Eu senti, senti sim. Mas vinham me visitar, sabe!?

TP: Sei.

BBB: A gente tinha contato.

TP: E você via positivamente o fato de você ter mais espaço aqui.

BBB: Certo. Foi outra coisa. Caiu do céu.

CA: Ô Bruna, e tinha água encanada ou era cisterna?

BBB: Tudo, não. Água encanada. Tudo.

TP: E você se lembra, porque eu não tenho conhecimento disso, e você se lembra qual foi o prefeito que abriu
esse bairro?

BBB: Pois é, não lembro. Esqueci de perguntar ao meu marido...

TP: Você não lembra disso?

BBB: Eu só lembro o dono dos loteamentos aqui.

CA: Quem que era?

BBB: Era o José Cândido da Silveira. Tanto que todas as gerações, que ele cedeu até o terreno para o Colégio
Madre Paulina, hoje Santo Agostinho 3.

TP: Sei.

BBB: Então todos, de todas gerações, ninguém paga colégio. Porque ele cedeu o colégio. Cedeu o terreno.

CA: Até hoje e para o futuro.

BBB: Até hoje e para o futuro. Todas as gerações...

CA: Isso fez parte de um contrato, alguma coisa assim?

BBB: É, foi contrato. Agora dizem que o Santo Agostinho comprou, das irmãs Madre Paulina. Não sei. Não
tenho certeza.

TP: Então o colégio, quando vocês se mudaram, você já trouxe as crianças...


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BBB: Para cá, Colégio Madre Paulina, das irmãs,

TP: Para o Colégio Madre Paulina.

BBB: O único colégio que tinha. Na Nova Floresta, não é!?

TP: Sei.

BBB: Porque eles falam Cidade Nova porque, não sei porque. Porque lá é Nova Floresta.

TP: Hum... hum. Mas era a alternativa que você tinha aqui na região.

BBB: É, único. Tinha um grupo lá para cima, no bairro coisa, que não ia colocar mesmo, não é!?

TP: Sei.

BBB: E... Fizeram o primário aí.

TP: Sei.

BBB: Porque aí não tinha masculino. Meu menino foi para o Central direto, fazer o ginásio lá. Minha menina,
as duas, tiraram o ginásio aqui, no Madre Paulina mesmo.

TP: Sei.

BBB: Quando foi na época dos gêmeos, já o Santo Agostinho já tinha comprado.

TP: Hum... hum.

BBB: Mais ou menos em que época o Santo Agostinho comprou?

BBB: Deixa eu ver. A Mônica saiu com... 14, 17, 14 anos a Mônica tirou o ginásio... Os gêmeos, deixa eu
ver... A segunda não fez o ginásio todo aqui não. Ela quis fazer no Santo Agostinho, da 3a. série em
diante ela fez lá... 10 anos, tem 10 anos. Fez 10 anos. É isso mesmo, teve a festa.

TP: Que o Santo Agostinho comprou.

BBB: Comprou.

TP: Hum... hum. Ô Bruna, o seu dia a dia é muito caseiro, assim...

BBB: Não saio.

TP: Você é uma pessoa muito caseira. Mas você acompanhou, nesse tempo todo que você mora aqui, você
acompanhou o crescimento do bairro.

BBB: Sim, certo.

TP: Porque você não sai muito de casa, mas você sai assim para, tem contato com a vizinhança.

BBB: Tenho, demais. São ótimos vizinhos.

TP: Hum... hum.


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BBB: Então quando mudava a gente visitava, não é!?

TP: Ah é!? Vocês tinham...

BBB: É, visitávamos.

TP: Tinham esse hábito de a cada família que mudava aqui para perto.

BBB: Que mudava, é, a gente fazia...

TP: É!? E você sabe me dizer se tem, se o bairro da Cidade Nova tem alguma associação de bairro ou pessoal
que se liga a um trabalho paroquial. Você participa de algumas dessas coisas?

BBB: Não, não.

TP: Não.

BBB: Não tem, porque minha vizinha aqui faz parte da... como é que fala gente?

TP: Uma associação?

BBB: É, mas ela visita os doentes.

TP: Sei.

BBB: Tem um nome, não me lembro.

TP: Hum... hum. Mas você nunca chegou a participar.

BBB: Não, não. Eu freqüento a Igreja, sabe!? Procissão e tudo. Eu freqüento. Vem a santa aqui para casa.
Toda vez que passa vem.

TP: Sei. Hum... hum.

BBB: Fica aqui em casa, sabe!? Faço parte de tudo. Só não dediquei assim.

CA: Ô Bruna, essas visitas de boas vindas, elas eram feitas em conjunto com uma pessoa de cada casa ou
cada dia ia uma, era uma coisa combinada?

BBB: De vez em quando a gente reunia a turma e ia visitar.

CA: Hum... hum.

BBB: Dois, três casais, a gente visitava.

CA: E era uma coisa que normalmente ia marido e mulher, à noite.

BBB: É, à noite, é...

TP: E a vizinhança que você tem mais próxima, ela é a mesma que veio se mudando para cá?

BBB: Certo, certo.

TP: Ou muda muito?


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BBB: Não, é a mesma.

TP: A mesma. As pessoas...

BBB: Só aqui, que é até espanhol que mudou daí. Miguel. É da Federal também. Miguel Arroyo, um
espanhol. Conhece?

TP: Um professor, conheço.

BBB: Nó, espetacular, nossa senhora , adoro ele, não é!?

TP: Professor da Faculdade, é.

BBB: Nossa Senhora, adoro o Miguel. Eles mudaram para cá também, a casa deles no princípio, todos
perguntavam se era posto de gasolina, porque ela é toda torta, não é!? A casa dele era iluminação nos
quartos todos, direto.

TP: Sei.

BBB: Então eles batiam aqui para saber se era posto de gasolina, o quê que era, se era Igreja, que diabo que
era. Porque ele já foi padre, você sabe!?

TP: Hum... hum.

BBB: Isso aqui você não vai mostrar para ele não, vai?

TP: Não, ele não é da nossa faculdade, é de outra.

BBB: Pois é. Então ela vinha para cá quando começou a, ela veio para cá, ficou grávida, então ficou amiga.
Só tinha eu aqui e ela depois, não é!? E ele freqüentava muito aqui em casa. Ele começou a estudar
inglês, ela ficava aqui com a menininha dela até ele voltar, 11, 11 e meia da noite. Isso era toda noite,
ela ficava aqui em casa.

TP: Sei.

BBB: Foram para os Estados Unidos, porque ele foi fazer um curso, não é!? A menina dele tinha 2 anos e a
Daniele tinha, 3, 4. Não é!?, mãe? A Daniele era mais nova? A Michele dos gêmeos... A Michele da
[Marta].

D. Inês: [inaudível].

BBB: Não, ela é mais velha que a Daniele, sim.

TP: Hum...

BBB: E tinha muita amizade com meus gêmeos e tal. Ela chamava Patati, Patata.

TP: Hum... [risos].

BBB: Eles mudaram lá para Nova Lima, não é!? Porque ele alugou a casa.
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TP: Sei.

BBB: É o segundo ou terceiro morador.

TP: Hum... hum. Mas no geral...

BBB: Só, só, são os mesmos vizinhos.

TP: São os mesmos, que foram se mudando e ficaram.

BBB: Ficaram.

TP: Então tá.

BBB: E foi de repente. De repente é que encheu.

TP: É?

BBB: De repente.

TP: Porque o pessoal começou a construir.

BBB: Começou a construir e mudar.

TP: Hum... hum.

BBB: Num instantinho.

TP: E como é que foi para você, eu pergunto isso porque hoje a gente tem esse tipo de problema em Belo
Horizonte, como em determinados bairros você tem muita destruição para, de casa para construir
prédios, não é!?

BBB: Certo.

TP: E aqui o que você acompanhou foi um processo diferente.

BBB: Certo.

TP: Você acompanhou um processo de construção, não é!?

BBB: É, aqui não podia fazer barracão.

TP: Hum... hum.

BBB: Já vinha no contrato, estava no contrato. Depois, andaram falando que não podia fazer prédio. Sabe!?
Hoje é o que mais tem, não é!?

TP: Hum... hum.

BBB: Eles lutaram para poder conseguir fazer prédio aqui, porque era só casa mesmo.

TP: Porque isso, na planta original do bairro, não é!?

BBB: Certo.
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TP: Você tinha., você tinha uma delimitação, então, de que não podia construir prédio.

BBB: Não, não podia não. Nem prédio nem barracão.

TP: Mas você sabe se isso era uma definição da Prefeitura ou de quem loteou o terreno?

BBB: Isso eu não tenho certeza.

TP: Você não sabe!?

BBB: Deve ser quem loteou, não é!?

TP: Você disse que comprou, que vocês compraram o terreno de um particular, não é!?

BBB: Certo.

TP: Que era o dono desse terreno, enfim, mas certamente não era de todo o bairro, não é!? Você não tem
conhecimento disso!?

BBB: Não, não tenho não.

TP: Hum... hum.

CA: Mas ele devia ter uma área grande por aqui. Até doou um lote para o colégio, não é!?

BBB: É, isso aqui era enorme.

CA: Hum... hum.

BBB: Enorme. Ia até lá em cima.

TP: Agora , diga uma coisa para nós. Você, como eu estava dizendo, você acompanhou o processo de
crescimento do bairro, não é!?

BBB: Certo.

TP: Como é que você e o seu marido, enfim, como é que vocês viam isso? Vocês viam, achavam bom quando
via que ia ter uma outra construção ou reclamava da construção?

BBB: Nossa Senhora! Não, achava ótimo.

TP: É?

BBB: Era bom demais, não é!?

TP: Sei.

BBB: Nós adorávamos, quando começava a construir, oba, procurava saber se era família, quantas pessoas
que eram, se tinha criança, não é!? Para fazer justamente amizade com os da gente.

TP: Ninguém se chateava. Hum... hum.

BBB: A gente logo procurava saber.


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TP: Então vocês...

BBB: Hoje meu marido, há pouco tempo atrás disse: “É, essa rua não é a mesma, esse bairro não é o
mesmo.”

TP: Hum... hum.

BBB: O sossego que era antes. O Miguel é um deles, que mudou por causa do, de tanto barulho.

TP: Hum... hum. Quer dizer que vocês, a cada construção, vocês ficavam eram satisfeitos.

TP: Contentes, é.

BBB: Não, não, de jeito nenhum. [inaudível] trator, meus meninos ficavam dependurados em cima do muro
para olhar o trator passar. Adorava, dava sossego. [risos]. Aqui é ótimo, nossa! Acho que não mudo
daqui para lugar nenhum no mundo.

TP: É?

BBB: Os vizinhos são um espetáculo, prestativos.

TP: E com relação ao resto da cidade, por exemplo, quando você ia lá, até o Carlos Prates, ou para visitar a
sua mãe ou para visitar os amigos.

BBB: Certo.

TP: Que ficaram por lá, qual era a impressão que as pessoas tinham do bairro, da Cidade Nova? Você saberia
nos dizer, assim, quando você falava que morava aqui, o que as pessoas diziam?

BBB: “Ah, bairro chique, heim Bruna?” “Não é nada, heim?” “Nos deixou, heim? Saiu daqui foi para lá,
heim!?”

TP: Lá no Carlos Prates o pessoal via como um bairro chique.

BBB: É, como um bairro chique.

TP: Porque era novo!?

BBB: É, bairro novo, não é!?

TP: E porque sabiam que...

BBB: E quando vieram conhecer a minha casa, viam as condições em que eu morava, achavam que eu era
milionária, não é!?

TP: Hum... hum. Agora você está falando disso, está me fazendo lembrar que uma das primeiras vezes que
nós estivemos aqui na sua casa, você comentou que aqui na Cidade Nova, os serviços, eles são
normalmente mais caros, não é!?

BBB: Tudo, tudo que você for comprar é mais caro.


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TP: Porque? Você tem idéia de porque que é isso?

BBB: Sei lá! Acho que o poder aquisitivo aqui deve, acho que é mais alto. Não é, porque todo mundo aqui é
mais ou menos num nível só.

TP: Hum... hum.

BBB: Todo mundo luta com dificuldade, não é!? Toda regra há exceção, não é!?

TP: Hum... hum.

BBB: Mas aqui tudo é mais caro.

TP: É mesmo?

CA: Todo tipo de gênero?

BBB: Tudo, tudo é mais caro.

TP: Desde gêneros alimentícios até serviços que você paga, por exemplo empregada, jardineiro?

BBB: É, qualquer coisa que você for pedir, lavadeira, passadeira, tudo. [inaudível] Se você for dar uma
esmola – Nossa Senhora, morando numa casa dessas, dar isso aqui de esmola! Fala é assim.

TP: Sei.

BBB: Porque pedinte tem o dia inteiro, não é!?

TP: Hum... hum.

BBB: Tem o dia inteiro.

TP: Tem favelas próximas daqui, Bruna?

BBB: Não!

TP: Não, não é!? Não é um bairro...

BBB: Aqui no União, não é!? Agora está melhorando no bairro União porque a Cidade Nova está subindo,
não é!?

TP: É.

BBB: Tanto que era Vilas Reunidas, mudou até de nome, não é!?

TP: Hum... hum.

BBB: Está tomando conta. A Cidade Nova está tomando conta lá para cima.

TP: Hum... hum.

BBB: Tem muita casa boa. Tem casa mansão, menina!

CA: Pois é, a Cidade Nova era um bairro tão bem, considerado na cidade que os bairros limítrofes passaram a
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tomar o nome mesmo, não é!?

BBB: Certo. Você não vê o Porto aqui [restaurante], na Conselheiro Lafaiete, já está na Cidade Nova.

TP: Hum... hum.

BBB: E naquele pedaço só tem casa bonita.

CA: Aquela região do Porto é qual?

BBB: É Sagrada Família.

CA: Sagrada Família.

BBB: Sagrada Família, conselheiro Lafaiete.

TP: Hum... hum. [inaudível] Mas então você acha que, você está dizendo que desde o início o pessoal, por
exemplo no Carlos Prates, achava que você morava em um bairro que tinha uma distinção em relação ao
Carlos Prates, mesmo, não é!?

BBB: É, certo.

TP: E você tinha, por exemplo, as pessoas que vinham aqui reclamavam de ser um bairro longe, os seus
amigos ou mesmo a sua mãe, quando vinha aqui?

BBB: No princípio achava longe, não é!?

TP: É, porque você não tinha nenhum túnel, não tinha a Cristiano Machado.

BBB: Tinha que descer a Jacuí, passar pela Floresta, não é!?

TP: Hum... hum. Porque na verdade você vinha por dentro de outros bairros, não vinha diretamente.

BBB: É, dentro, de outros bairros, é.

TP: Do centro, não é!?

BBB: Passava por outros bairros, é.

TP: Hum... hum. E você tem lembrança de quando foi que o túnel ficou pronto? [inaudível] Foi na década de
70 ainda, não foi? Ou foi 80 já?

BBB: [inaudível] Não, demorou [inaudível] Não sei, é que eles asfaltaram tudo aí para depois abrir o túnel,
não é!?

TP: A senhora não lembra D. Inês? Quando o túnel ficou pronto?

D. Inés Buldrini: [inaudível] Se fosse na Itália, não é!? [risos].

BBB: Deve ter uns 15 anos, viu?

TP: Uns 15 anos.


1A – BBB - 19

BBB: é, uns 15 anos.

TP: Eu tenho a impressão que foi ainda na década de 70, não é!?

BBB: Hum... hum.

TP: E foi um acontecimento para o bairro!?

BBB: Nó, foi uma beleza, ,não é!?

TP: É? Teve festa de inauguração?

BBB: Teve.

TP: Ah, sim? E vocês foram?

BBB: Não, não fui não, porque meu marido não gosta de confusão assim, não.

TP: Sei. E do que, que vocês, desde o início, você está dizendo que vocês visitavam as pessoas que se
mudavam para cá. E do quê que vocês participavam no que diz respeito à vida coletiva do bairro? Você
me disse que freqüenta igreja, não é!? Mais alguma coisa, assim? É, associação de pais e mestres na
escola?

BBB: Meu marido sempre foi presidente, não é!?

TP: Ah é!?

BBB: O líder. Tanto Madre Paulina quando Santo Agostinho. Ele saiu agora.

TP: Sei.

BBB: Mas custou a ser liberado. Porque ele também toda vida estudou no Santo Agostinho Central, não é!?

TP: Hum... hum. Sei.

BBB: Formou lá, ficou conhecendo todos os padres.

TP: E depois todos os filhos passaram por lá.

BBB: Passaram por lá.

TP: Hum... hum.

BBB: E ele sempre foi presidente dos Pais e Mestres.

TP: Sei.

BBB: Fazia palestras lá também, porque ele é psicólogo, então já era chamado para fazer as palestras lá.

TP: Hum... hum.

BBB: Fizemos encontro de casais também.

TP: Hum... hum.


1A – BBB - 20

BBB: Teve um encontro no Santo Agostinho Central.

TP: Sei. [inaudível] E você então acabava participando também.

BBB: Certo, é.

TP: Uma vez que ele era presidente, você...

BBB: Não ia em todas as reuniões, não, porque eu não podia. Tinha reunião que era à tarde, eu não podia sair
daqui, não é!?

TP: Para ver as palestras que ele dava. Mas também reuniões eu não ia em todas não. Eu já estava careca de
saber que, que ia falar lá, porque eu criei 7 lá, naquele colégio. [risos].. Hoje eu estou liberada.

CA: Mas, por exemplo, os filhos da senhora, quando eles saem, eles têm uma certa turma de bairro, a maior
parte dos amigos deles são da redondeza?

BBB: A minha mais velha, quando mudou, uns dois anos depois arranjou uma coleguinha, freqüentavam
juntas a escola, fizeram vestibular juntas, e tal, ficaram amigas.

CA: A mais velha quando a senhora mudou tinha quantos anos? Quando a senhora mudou para cá, em 70.

BBB: Mônica. Ela é de 60. 10 anos.

CA: 10 anos, Hum... hum. Bastante nova.

BBB: O Christian. É o 2º, nunca teve um amigo.

TP: Hum.

BBB: Tinha 9 anos. Porque não tinha nenhum por aqui.

TP: Sei.

BBB: Já os gêmeos, tinham 3 anos, logo depois essa vizinha construiu. Então os gêmeos têm amizades
enorme e as meninas. Agora o meu menino não.

TP: Hum... hum.

BBB: Nunca teve um amigo aqui. O 2º. A turma dele foi do Santo Agostinho, porque fez ginásio lá.
Continuou.

TP: Sei.

BBB: A turma dele é do Gutierrez.

TP: Hum... hum.

BBB: Já a Daniela é demais até.

TP: Hum... hum.

BBB: E a Michele. A Michele tem pouco, porque aqui, nesse pedaço, só da homem, não é!?
1A – BBB - 21

TP: Sei.

E ele é temporona. Então tem uma outra vizinha, essa que está com ela hoje, que é temporona também, tem só
as duas.

TP: Hum... hum.

BBB: Meio quarteirão. Aqui tudo é menino.

TP: Sei.

CA: Ô Bruna, e os meninos hoje, quando eles saem de noite, quando eles saem no final de semana, eles têm o
costume de ir para barzinho aqui na região ou normalmente vão para a cidade, para a Savassi?

BBB: Para a Savassi. Sai mais em turma, não é!?

CA: Mas em turma que fica normalmente pelo bairro ou que vai para os lugares?

BBB: Não, ficam aqui no bairro também. Sabe!?

CA: Hum... hum. Freqüentam barzinho, pizzaria essas coisas por aqui.

BBB: Certo. Pouco, não é muito não.

CA: Não é muito não, não é!? E porque que a senhora acha que eles não ficam mais por aqui? Sendo que tem
tudo. A gente viu. Tem bastante barzinho, tem restaurante, tem boite.

BBB: Mas um gêmeo tem namorada, não é!? Um dos gêmeos.

CA: Hum... hum.

BBB: O outro já não tem. De vez em quando gostam de ir para o sítio, sabe!?

TP: Hum... hum.

BBB: Um dos gêmeos. Fica aqui também quando tem festinha. Aqui do lado também tem sempre festinha.
Eles estão sempre juntos, sabe!?

TP: Sei.

BBB: Mas ele não é de sair muito, não.

TP: Sei.

BBB: Quando sai, vão juntos. Vão os 2 irmãos juntos e a turminha dos vizinhos.

TP: Hum... hum.

BBB: Tá? É sempre uma turminha assim muito boa.

TP: Hoje você já tem, quer dizer, tem uma parte dos seus filhos já adultos, não é!?

BBB: Já.
1A – BBB - 22

TP: Mas quando eles, esses que são adultos hoje. Enquanto eles eram adolescentes, como é que era isso aqui,
em termos de, porque o bairro, como você disse era um bairro ainda pouco povoado, não é!?

BBB: É.

TP: Você tinha preocupações com eles assim...

BBB: Tinha, eles quase não saíam.

TP: Sair de casa. Você na gostava?

BBB: Não, não deixava não.

TP: É? Porque tinha preocupação de como é que eles voltariam?

BBB: Não, não deixava não.

TP: É? Porque tinha preocupação de como é que eles voltariam?

BBB: Não, toda vida ele levou e buscou.

TP: Sei.

BBB: Toda vida. Enquanto o filho não chegava ele não dormia.

TP: Ah é!?

BBB: Até hoje. Ele não dorme. Fica assistindo televisão. Dorme, cochila, sabe!?

TP: Sei.

BBB: Mas ele não dorme até hoje, enquanto o último não chega.

TP: Hum... hum. Mas essa é uma preocupação do tipo da pessoa que ele é ou diz respeito ao espaço físico,
assim, ao bairro, por exemplo.

BBB: Não, não, não, esse é o tipo dele.

TP: Dele, é um estilo dele. Sei.

BBB: Dele mesmo.

TP: Hum... hum. Quer dizer que nesse sentido se vocês continuassem morando lá...

BBB: Aí eu dormia, ele ficava...

TP: Se vocês continuassem morando lá...

BBB: Era a mesma coisa.

TP: A mesma coisa.

BBB: A mesma coisa.


1A – BBB - 23

TP: Não é porque era aqui na Cidade Nova.

BBB: Não, não.

TP: O fato de ser aqui não dava maiores preocupações não, não é!? [inaudível] Hum... hum. [inaudível]
Agora, do outro aspecto, quando os seus filhos eram meninos, os que viveram a maior parte da infância
aqui, os que nasceram aqui e os que vieram pequenos ainda, no dia a dia, durante o dia, como é que era?
Esses meninos foram criados soltos? Por exemplo, a rua era um espaço de convivência para eles, com os
amigos?

BBB: No princípio não.

TP: Não.

BBB: Depois quando vieram esses vizinhos eu já deixava. Mas também ficava lá no portão.

TP: Sei.

BBB: Tinha o pai que fazia patinete, sabe!?

TP: Hum... hum. Sei. Mas eles brincavam na calçada!?

BBB: Brincavam na calçada.

TP: Hum... hum.

BBB: Brincavam.

TP: E os lotes vagos? [risos] Não eram freqüentados, não?

BBB: Era puro mato. Era mato. Você sabe que não tinha muito até ladrão? Porque era para ter. Não tinha
[inaudível] e logo depois veio o policiamento também.

TP: Sei.

BBB: Sabe!? Aí em frente à Feira.

TP: Quando você mudou para cá já tinha policiamento?

BBB: Veio logo.

TP: Logo em seguida.

BBB: Logo em seguida.

TP: Hum... hum. [inaudível] E você, ou por você mesma ou pelos meninos, aqui nessa região, quando vocês
vieram, eles tinham desmatado muito a região? Esses lotes vagos eles tinham ainda algum tipo de
vegetação assim...

BBB: Tinha, tinha. Vinha o gado da fazendinha.

TP: É.
1A – BBB - 24

BBB: Esse meu vizinho aqui vivia cheio de animais.

TP: E tinha pé de fruta ainda, essas coisas?

BBB: Não, não.

TP: Não, não é!?

BBB: Lá em baixo na fazendinha tinha, porque era, o meio deles se comunicarem lá pelo Santo Agostinho,
Madre Paulina.

TP: Sei.

BBB: Então eles viravam aqui, desciam, eu ficava do morro.

TP: Hum... hum.

BBB: Dali eu avistava eles subirem o morro para entrar no Madre Paulina.

TP: Hum... hum. [inaudível] E uma outra coisa...

BBB: Não tinha perigo nenhum. Ou a gente buscava, não é!? Porque eu não tinha carro, não é!? Ou então
ficava no morro, esperando.

TP: Hum... hum.

BBB: Vinha com pedra, vinha com pau [risos], tudo caindo, morto de cansado. Adorava, porque subia morro,
descia morro, via vaca, via cavalo, via cachorro. Um dos gêmeos de vez em quando trazia cachorro para
cuidar dele aqui.

TP: Hum... hum.

BBB: Morto de fome, faminto. Adorava.

CA: Por falar em cachorro, Bruna, vocês sempre tiveram cachorro em casa?

BBB: Tiver pastor alemão.

CA: Hum... hum. Mais como função de cão de guarda ou porque vocês gostam de...

BBB: Não, de guarda mesmo. Tanto que aqui nunca entrou, não é!?

TP: Hum... hum.

BBB: E esse aí, porque meu marido ganhou pequenininho, como é que eu vou desfazer dele? Late demais,
não agüento.

TP: Hum...

BBB: E é muito bravo.

CA: Doberman é muito bravo.


1A – BBB - 25

BBB: Pastor alemão é uma gracinha.

TP: Hum... hum.

BBB: E o filhotinho de 11, a coisinha mais linda...

FIM DO LADO A DA FITA 01


1B – BBB - 26

Entrevista – fita 01 lado B

TP: Sei, mas vocês quando mudaram para cá não tinham telefone.

BBB: Não, não tínhamos.

TP: E o bairro tinha telefone público por perto?

BBB: Não.

TP: E você tinha a sensação de estar muito longe da cidade? Ou não? Como é que era isso?

BBB: Ah, era horrível, não é!? Porque eu precisava, não, aliás tinha, lá em cima, um ano depois. No 726.
Essa rua mesmo.

TP: Sei.

BBB: Quando eu precisava eu tinha que ir lá em cima para telefonar.

TP: Hum... hum.

BBB: Casa da D. Déia. Ela mora aí até hoje.

TP: Falar nisso, falar no nome dessa rua, que chama Dr. Júlio Otaviano Ferreira.

BBB: Certo.

TP: Sempre teve esse mesmo nome, desde que você se mudou para cá.

BBB: Sempre, sempre.

TP: E você por acaso sabe quem é Dr. José, Júlio Otaviano Ferreira?

BBB: Não, não sei não.

TP: Só uma curiosidade. [risos].

CA: D. Bruna, hoje, hora que a gente chegou, a gente presenciou uma reforma na avenida aqui na frente da
casa da senhora. Eles estavam fazendo quebra-mola, um pouco mais para baixo, estavam dividindo as
duas pistas com faixas amarelas e colocando aqueles olhos de gato.

BBB: É, é.

CA: O quê que a senhora acha dessas mudanças?

BBB: Ah, aqui nessa minha rua precisaria, precisava mesmo, sabe!?

CA: Hum... hum.

BBB: Tanto que foi até um abaixo-assinado que houve.


1B – BBB - 27

TP: Ah, é? Vocês fizeram em abaixo-assinado?

BBB: Foi abaixo-assinado para, por causa de [inaudível] o movimento que estava demais. Geralmente 6a.
feira é uma coisa horrorosa, sabe!?

TP: Hum... hum.

BBB: Batida demais e rodopiando, como é que chama esse...

CA: Cavalo de pau.

BBB: Cavalo de pau. Faziam demais mesmo.

TP: Hum... hum.

BBB: As motos vinham assim dependuradas e tudo. Melhorou bem, viu?

TP: É!?

BBB: Agora eles estão passando pela rua de lá, não é!? [risos]. Meu pedacinho está melhorando.

TP: Mas então foi uma decisão da vizinhança de pedir a prefeitura...

BBB: É, é e do Osmânio, o candidato aqui. Ele ganhou, não é!?

TP: Ah, o candidato daqui da região?

BBB: Do bairro, é.

TP: Hum...

BBB: DA Igreja, então ele prometeu mesmo.

TP: Ele é um vereador? Candidato a que?

BBB: Foi deputado, deputado.

TP: Deputado. Hum... hum.

BBB: E o Fernando Lanza também que faz parte aqui do bairro da Cidade Nova, não é!?

TP: Sei. Hum... hum. [inaudível]

BBB: Jornalzinho da Cidade Nova...

CA: Ô, Ô Bruna. Essa rua ela serve, essa avenida Júlio Otaviano, ela serve de ligação entre bairros ou ela é só
de trânsito local?

BBB: Não, de ligação. Porque aqui ela vai para o bairro São Paulo, não é!?

CA: Hum... hum.

BBB: Desceu aqui, pega a Cristiano Machado.


1B – BBB - 28

TP: Hum... hum.

BBB: Aqui ela pega para ir para Sabará, para outros bairros, Gorduras.

TP: Se a gente for para cima aqui, a gente vai ...

BBB: Você faz o retorno, vai para Sabará, para o Gorduras, outros bairros, Tupi, um monte de bairros.

TP: Ah, certo! Hum... hum. Então ela é uma rua de passagem mesmo!?

BBB: É, de passagem.

TP: Por isso que o trânsito aumentou muito.

BBB: Porque a paralela a essa não pode subir, não é!? E contra-mão. Então sobre a avenida.

TP: Hum... hum. Agora, ô Bruna, tenho uma curiosidade, que diz respeito a isso que a gente está
conversando, não é!? De como é que vocês viram positivamente o crescimento do bairro, a cada vizinho
que chegava vocês achavam bom, porque vocês vieram para cá numa época em que o bairro estava
sendo aberto. Mas hoje em dia, por exemplo, com a construção de muitos prédios, a Cidade Nova é um
bairro que cresceu muito nos últimos anos, não é!?

BBB: É, rápido, não é!?

TP: E muito rápido mesmo, não é!? Como é que você vê isso? Por exemplo, a possibilidade desses prédios
estarem chegando mais perto de você aqui. Que, que você sente com relação a isso?

BBB: Vai, a gente fica feliz. Eu fico feliz de morar num bairro desses.

TP: Hum... hum.

BBB: Porque eu não esperava, eu não achava que ia acontecer o que está acontecendo, não é!?

TP: Hum... hum.

BBB: De ser tão populoso assim, não é!? E... eu gosto demais daqui, sabe!?

TP: Sei. Hum... hum. Mas você não teme um pouco assim que a velocidade do crescimento...

BBB: Agora, é, é como o meu vizinho estava falando, que no futuro essa minha rua aqui vai ser um bairro
como a Savassi.

TP: Sei.

BBB: Comercial, área comercial.

TP: Hum... hum.

BBB: Porque um Shopping já vai abrir até, não é!? Ano que vem ou em 92, eu não sei, não é!?

TP: Hum... hum. Sei.

BBB: Então me parece que isso tudo aqui deve ser...


1B – BBB - 29

CA: O Minas Shopping, não é!?

BBB: Minas Shopping, é. Então, porque aqui já tem diversas, já tem o CCAA aqui, não é!?

TP: Hum... hum.

BBB: Aqui para cima já estão abrindo mais coisas na minha rua, sabe!?

TP: Sei, já está se tornando uma rua mais comercial.

BBB: Mais comercial. Aquela rua lá de baixo você viu.

TP: É.

BBB: Casas lindas já se transformaram, não é!? Em curso de inglês, não é!?

TP: Pois é, essa é uma curiosidade. Porque como o bairro é muito novo, o comércio que está se estabelecendo
aqui, ele constrói para se estabelecer ou ele está usando casas que antes moravam famílias?

BBB: Casas, casas.

TP: É? Então tem gente já se mudando da Cidade Nova.

BBB: Já, mudando, vendendo, mudando.

TP: É mesmo?

BBB: Oh, é duas casas acima, eles vivem pelejando, porque é de dois andares.

TP: Hum... hum.

BBB: Quer dizer, a parte de baixo mais é uma garagem, em cima residencial.

TP: Hum... hum.

BBB: Para fazer restaurante.

TP: É?

CA: Fazem muitas ofertas?

BBB: É... Tanto que agora falou que não, não vende, tal, agora parou, sabe!?

TP: Hum... hum.

BBB: Porque tem um estilo bom até.

TP: Sei.

BBB: Aqui uma casa que se transformou em clínica. Essa casa do Miguel.

TP: Hum... hum. Quer dizer que já há um movimento de saída do bairro porque o bairro está crescendo
muito.
1B – BBB - 30

BBB: Já, um movimento, certo. E essa nossa avenida vai ser uma coisa horrorosa, ,não é!?

TP: Hum... hum. E como é que vocês estão vendo aqui, quer dizer você, os amigos, vizinhos, como é que
você está vendo a construção do Shopping? Vocês acham...

BBB: Oh, uns não estão gostando muito não.

TP: É, tem gente que não está gostando?

BBB: A maioria não está gostando muito não.

TP: Mas não está gostando porque motivos especialmente? Porque acha que vai desvalorizar ou vai ficar...

BBB: Não, vai ficar até mais valorizado, não é!?

TP: Hum... hum.

BBB: Vai ficar até mais valorizado. Mas o movimento.

TP: Sei.

BBB: Que vai ser demais... principalmente na Cristiano Machado, que já tem o nome de “Corredor da
Morte”, não é!? Tanto que deve ser por causa disso que fizeram a passarela, não é!?

TP: Hum... hum.

BBB: Foi inaugurada agora há pouco tempo, antes das eleições.

TP: É.

BBB: E agora estão fazendo esses quebra-molas aqui.

TP: Hum... hum. Você falou para nós há pouco sobre dois políticos, não é!? Que foram candidatos a
deputado, não é!?

BBB: É. O Fernando Lanza não, o Fernando Lanza foi assessor do Ferrara, não é!? [inaudível] meu vizinho
aqui. Mas ele faz parte do jornal... Cidade Nova.

TP: Ah, tem um jornal da Cidade Nova.

BBB: Tem um jornal da Cidade Nova. Dá todas as notícias.

TP: Ah, é!?

BBB: A ACM está vindo para cá, não é!?

TP: Hum. Esse jornal é um jornal de notícias ou também de pequenos anúncios?

BBB: Notícias. É, pequenos anúncios, propagandas, não é!?

TP: Hum... hum. E é um jornal que sai.

BBB: Todo Domingo.


1B – BBB - 31

TP: Ah, todo Domingo.

BBB: É, e ele é gratuito?

BBB: É gratuito.

CA: Distribuído de porta em porta.

BBB: De porta em porta, tem até um plástico.

CA: Tipo Jornal de Casa. E o Jornal de Casa chega aqui também? Lógico, não é!?

BBB: Todo Domingo.

CA: Todo Domingo.

BBB: Não sei se em outros bairros vão.

TP: Nem todos os bairros.

BBB: Porque o bairro da minha irmã não vai... Aqui costumam jogar até dois.

TP: É?

BBB: É.

TP: E esse tipo, por falar em jornal, esse tipo de equipamento assim, como banca de jornal, quer dizer,
parece, a gente que não conhece muito o bairro, tem a impressão que a região comercial dele começou a
crescer ali embaixo mesmo...

BBB: Certo.

CA: Na Praça do Mercado.

TP: É, atrás do Mercado.

BBB: É.

TP: Foi por ali mesmo que começou a crescer o comércio.

BBB: Logo depois que veio a Feira dos Produtores, aí começou.

TP: Hum... hum. E você nos disse que...

BBB: [inaudível] de lojas, não é!?

TP: Hum... hum. Você nos disse que você não se preocupa muito com as compras porque o seu marido é que
faz.

BBB: Ele faz, é.

TP: E que antes ele fazia no centro. E hoje em dia, ele faz essas compras aqui no bairro ou ele ainda faz no
centro.
1B – BBB - 32

BBB: Não, ele faz ou no Jumbo, a parte de mercado.

TP: Hum... hum.

BBB: Ou então Carrefour.

TP: Sei.

BBB: Antigamente ele ia no Ceasa, não é!? Acordava cedinho e ia no Ceasa.

CA: E a parte de feira?

BBB: Ele também. Tudo é ele.

CA: Hum... hum. Mas aqui na Feira dos Produtores?

BBB: Eu vou pouco. Só quando falta alguma coisinha, não é!? Que eu vou. Porque traz para a semana toda,
carne, tudo, tudo é ele.

TP: É mesmo?

BBB: Porque eu nunca pude sair, não é!? Com a filharada, ,como é que eu saía? Para comprar as coisas? Toda
vida ele pôs tudo dentro de casa.

CA: D. Bruna, e do outro lado da Cristiano Machado ainda é Cidade Nova, não é!?

BBB: Eles falam bairro Pal, Palmares não, como é que é aquele bairro? Onde a Luciene mora, mãe?

D. Inés Buldrini: Eles falam que é Cidade Nova, mas não é não.

CA: Bairro da Graça?

BBB: Bairro da Graça é depois.

CA: É um pouco para cima.

BBB: Para cima, não é!? Palmares é para baixo, para cá. Como é que é o nome do bairro lá, gente?

CA: Mas ele é conhecido também como Cidade Nova, não é!?

BBB: É, é. Tanto que o Santo Agostinho é lá para cima e é Cidade Nova.

CA: Santo Agostinho Cidade Nova, não é!?

BBB: Tudo aqui vai para lá, não é!?

TP: Hum... hum.

CA: E que, que vocês acham disso, do bairro crescer tanto assim? [risos]

BBB: Beleza!

CA: Vai assim, tomando conta dos outros, menos famosos.


1B – BBB - 33

TP: Agora me diz uma coisa. Aqui, embora você esteja nos dizendo que o comércio já está se apropriando de
casas que até pouco tempo eram casas residenciais.

BBB: De casas, certo, residenciais.

TP: Mas ainda não há aqui um processo de demolição de casas!?

BBB: Não, não, não.

TP: Isso você não viu acontecer ainda não?

BBB: Não, já.

TP: Já?

BBB: Já, na esquina, descendo, logo numa esquina, Não sei o que eles vão fazer ali. Deve ser um imenso.

TP: Já estão demolindo...

BBB: Casa linda.

TP: É mesmo?

BBB: Não é mãe? Aquela de esquina?

D. Inês Buldrini: Nossa Senhora!

BBB: Casa linda.

TP: Ou seja, uma casa que deve ter no máximo quantos anos? Uns...

CA: 15 no máximo.

TP: 15 no máximo.

BBB: 15 no máximo.

D. Inês Buldrini: Nem isso.

BBB: Não tinha nem isso.

TP: Porque você é das primeiras. Quer dizer uma casa que não tem nem 15 anos.

BBB: Linda, de esquina, mas linda, novinha.

TP: Já demoliram.

BBB: Não sei o que vão fazer, mas é uma construção enorme.

TP: É?

D. Inés Buldrini: Nossa, deve ser um estrondo por aí.

BBB: É logo na esquina, você descendo à esquerda.


1B – BBB - 34

TP: Vocês aqui nunca foram procurados por construtora nenhuma.

BBB: Não, não. Só um que passava: “Quer vender, quer vender.” [risos].

TP: Mas isso é.

BBB: Corretor, corretor mesmo, de pastinha.

TP: Sei. Hum... hum. Mas por construtora mesmo, assim com o objetivo de construir prédio? Vocês ainda
não tiveram esse tipo de problema, não?

BBB: No, não, não, não.

CA: Não deve demorar muito, não é!? [risos].

TP: Pelo visto.

BBB: Até que um apartamentozinho eu ia ficar bem feliz da vida.

TP: Você tem vontade?

BBB: Ah, eu tenho loucura com apartamento.

TP: É mesmo?

BBB: Aí que bonitinho, todo arrumadinho, um brinquinho.

TP: Mas me conta um pouquinho disso. Vocês quando construíram aqui, a decisão por, você sempre morou
em casa!?

BBB: É.

TP: Sempre morou em casa, lá no Carlos Prates, não é!?

BBB: É, Carlos Prates, é.

TP: Sempre em casa...

BBB: Depois que eu casei não.

TP: Ou na frente ou nos fundos, mas sempre em casa.

BBB: É.

TP: Agora, quando o seu marido comprou aqui, como era um bairro novo, a idéia foi desde o início construir
uma casa, não é!?

BBB: Certo.

TP: Mas você tem algum tipo de expectativa assim em relação a apartamento?

BBB: Nossa, sou apaixonada, sou louca com apartamento.

CA: Gostaria de mudar...


1B – BBB - 35

BBB: Nossa mãe!

CA: Porque?

BBB: Ah, metade do serviço, pelo amor de Deus.

TP: Você acha que uma casa dá muito mais trabalho.

BBB: Nossa!

CA: E a questão do espaço, que todo mundo gosta?

BBB: Eu fico dentro de casa mesmo, meus meninos vivem estudando, meu marido sai de manhã vem de
noite. Para que? Tem o sítio para lazer. Vai para o sítio. Ah, mas ele não vai nem, nem. Falo: “No dia
que você morrer, no dia seguinte eu oh, vendo isso aqui por um apartamento.” [risos] Ah, eu gosto.
Você não gosta não, Thaís? Meus dois filhos moram em apartamento.

TP: É?

BBB: É [inaudível] Meus dois filhos moram em apartamento... Porque trabalho você já viu. A esposa
trabalha, o marido trabalha.

TP: Quer dizer que se dependesse de você, você trocava a casa por um apartamento?

BBB: Nossa!

TP: Fácil.

BBB: Trocava de olho fechado.

TP: Mas o seu marido não admiti a idéia.

BBB: De jeito nenhum. Vai deixar por escrito. [risos].

TP: Mas quando vocês decidiram, eu estou curiosa com isso, quando vocês decidiram construir aqui, era mais
fácil, do ponto de vista financeiro, eu estou perguntando, construir uma casa aqui do que pensar em
comprar um apartamento. Era mais barato?

BBB: Ah, devia ser, não é!? Eu acho.

TP: É? Na época não se colocou essa perspectiva de vamos ver um apartamento...

BBB: Não, não. Porque tinha ali na esquina, nesse bloco enorme...

TP: Aqui mesmo já tinha, não é!? Apartamentos é.

BBB: Não tinha moradores ainda, mas o prédio estava pronto.

TP: Hum... hum.

BBB: Podia, se quisesse...

TP: Mas o seu marido não chegou a pensar nesse assunto.


1B – BBB - 36

BBB: Não. Nunca gostou de apartamento.

TP: Hum... hum.

BBB: Por causa da liberdade, falta liberdade. Ele gosta de mexer com carro, não é!? Ferramenta aqui,
ferramenta lá, não dá, não é!?

TP: Tudo é questão de ponto de vista, não é!?

BBB: É, é.

TP: Já você, que tem de lidar com a casa, não é!?

BBB: É, é.

TP: Administrar e tal.

BBB: Adoraria.

TP: Agora, deixa eu te fazer uma outra pergunta. Você está dizendo para nós que tem bastante trabalho em
casa, tem muitos filhos, mas você, desde que veio para cá, você sempre teve empregada doméstica? Ou
não?

BBB: Quando eu vim para cá eu peguei, lacei uma na porta, sabe!? Que era até véspera de aniversário dele,
então eu fiz uma festa.

TP: Hum...

BBB: Muito boa por sinal, mas era uma mãe de família, e ela tinha problema de doença, dava ataque, sabe!?

TP: Hum...

BBB: Era, era...

CA: Epiléptica.

BBB: Epiléptica, tá? E... passava o maior aperto com ela, desmaiava. Eu corria com os engenheiros, cansaram
de levar ela para mim para o Pronto Socorro. Aí depois, ela é minha amiga até hoje, freqüenta aqui em
casa até hoje.

TP: Sei.

BBB: D. Maria, até. Mas eu prefiro mais ficar sozinha.

TP: É? Você não gosta muito de ter empregada.

BBB: Não.

TP: E quando...

BBB: Essa aqui foi minha antiga. Ficou 2 anos, depois e já não estava agüentando, mandei embora.

TP: Hum... hum.


1B – BBB - 37

BBB: Depois ela tornou a voltar, ficou mais um tempo. Agora ela pega só bico aqui em casa porque, ela
precisa, sabe!? E ela trabalha à noite no restaurante do meu genro.

TP: Hum...

BBB: Então aqui em casa chega 11 horas, 11 e meia, eu faço almoço para ela.

TP: Sei.

BBB: Aí, não é!? Ela almoça [risos].

TP: Hum... hum. Então você prefere contratar assim diarista, ter uma pessoa para te ajudar de vez em quando
a ter uma pessoa constante.

BBB: É, é. Ela vem só 3 vezes por semana.

TP: Hum... hum.

BBB: Porque ela tem mais dois empregos.

TP: Sei.

BBB: E trabalha a noite toda, quer dizer, dorme, não é!? Na parte da manhã, já chega aqui tarde.

TP: Hum... hum.

BBB: Mas eu não tenho mais paciência, não, sabe!? De mandar, prefiro pegar e fazer.

TP: Hum... hum.

BBB: Porque também sou igual a um foguete, não é!? Em que ser.

TP: Você hoje tem quantos filhos morando com você

BBB: Tenho 5, ,não é!? Mas para alimentar tem mais, não é!?

TP: É. [risos]. Então é sempre uma casa de muita gente, de muito movimento, não é!?

BBB: De muita gente, é. Aqui não fica sem ninguém não.

TP: Hum... hum. Me diz uma coisa, vocês têm hoje uma preocupação específica com segurança, assim, você
já nos disse que você tem o cachorro para isso mesmo, não é!?

BBB: Certo.

TP: Mas você, por exemplo, deixa a casa vazia, às vezes, quando saem de férias, alguma coisa assim?

BBB: Não, dificilmente sai a turma toda.

TP: É? Sempre tem gente em casa?

BBB: Sempre, sempre fica gente, sabe!?

TP: Hum... hum.


1B – BBB - 38

BBB: E uma vez que viajou todo mundo, ficou um amigo do meu marido dormindo aqui.

TP: Sei.

BBB: Aí nunca botamos vigia não.

TP: Hum... hum.

BBB: Os vizinhos todos põem, sabe!?

TP: É?

BBB: Mas, graças a Deus nunca deu ladrão.

TP: Vocês nunca tiveram problema com ladrão?

BBB: Não, não.

CA: E na vizinhança, é comum?

BBB: Não, aqui foi uma vez só, aqui do lado. Porque eles viajaram, mas ele vinha só para dormir e foi
durante o dia. Roubou as jóias dela todas.

TP: Sei.

BBB: E eu pintando aqui, escutei o telefone batendo o dia inteiro. Eu falei: “Nossa Senhora, mas quem será?”

TP: Hum... hum.

BBB: Ia no portão e voltava, ia no portão e voltava. Uma vez entrada e saída que eu dei, eles entraram.
Abriram a porta da frente.

TP: É mesmo?

BBB: Entraram pela frente.

TP: Mas então não é muito comum aqui nessa região.

BBB: Não, não, muito difícil, não é, mãe? A gente ouvir falar. Agora de carro está vindo mais, sabe!?

TP: Sei.

BBB: Roubar toca-fitas, sabe!?

TP: Sei, mas...

BBB: Em garagem de prédio, em garagem de prédios, sabe!?

TP: Hum.. Mas de entrar em casa mesmo não é uma preocupação que vocês tinham constantemente.

BBB: Não, não. Muito difícil. Aqui em casa fica aberto o dia inteiro. Você pode ver aí, não tem nada
trancado.

TP: Hum... hum.


1B – BBB - 39

BBB: O dia que entrar vai carregar todo mundo [risos].

TP: Ô Bruna, e como é que é a sua relação com o resto da cidade de Belo Horizonte hoje, depois que você
veio morar na Cidade Nova, que é um bairro, não é!? Dos mais novos da cidade que se desenvolveu
muito, é um bairro que tem um progresso, não é!? Muito evidente. Você vai muito a outras regiões da
cidade? Você passeia?

BBB: Não, eu quase não saio.

TP: Não?

BBB: Não.

TP: E não sente falta!?

BBB: Não, estou igual a Isaura. [irmã da entrevistada, conhecida de Thaís] [risos]. Não tenho ânimo mais
para sair, não gosto.

TP: É? E quando você quer, por exemplo, fazer uma compra, alguma coisa.

BBB: Não, eu tenho minhas boutiques preferidas aqui perto.

TP: Aqui mesmo, você faz isso aqui mesmo.

BBB: É, eu faço aqui mesmo. Eles me telefonam, chegou!

TP: Por exemplo o centro da cidade, uma região da Savassi?

BBB: Não, não, já passei um ano, dois anos sem ir.

TP: É?

BBB: É.

TP: E mesmo o Shopping, por exemplo, é um lugar que você tem costume de ir?

BBB: Não, é difícil. Não, não vou.

TP: É?

BBB: Quase não vou.

TP: Então qualquer coisa que você precisa...

BBB: Eu vou a passeio, de vez em quando minhas meninas: “Vamos, mãe? Vamos no Shopping?”

TP: Hum... hum.

BBB: Porque para comprar já tenho minhas boutiques aqui.

TP: É? Você faz tudo aqui nas imediações, o que você precisa.

BBB: É.
1B – BBB - 40

TP: Hum... hum.

BBB: Aqui tem de tudo, não é!? Eu já compro tudo mesmo.

TP: Hum... hum.

BBB: Mais caro mas eu compro, não é!? Eu prefiro. Pego o carro, vou ali na esquina e já compro tudo que eu
tenho para comprar.

TP: Hum... hum. Você não se incomoda de pagar mais caro porque é mais prático para você.

BBB: Não me incomodo, não, mais prático. Eu não animo sair à noite.

TP: Hum... hum.

BBB: Para comprar nem ir na cidade, não.

TP: Hum... hum.

BBB: Só épocas assim especiais, como casamento, que tem que olhar um sapato melhor, não é!? Porque
roupa eu tenho meu costureiro, não é!?

TP: Sei.

BBB: Então, ele é que faz mesmo, tem 20 anos que ele costura para mim.

TP: Hum... hum. Mas é daqui do bairro também, não?

BBB: Não, é do Jaraguá.

TP: Aí você vai longe, então.

BBB: É. Não, ele tem um salão aqui, na Cidade Nova.

TP: Ah, é!?

BBB: Salão e boutique, sabe!?

TP: Hum...

BBB: Costura tudo. Ele faz de tudo.

TP: Hum... hum.

BBB: Então já ambientei com ele, já acostumei com ele, é só ele que serve para mim, sabe!?

TP: Sei.

BBB: Toda vida, tem 20 anos.

TP: Hum... hum.

BBB: 20 não, 18 anos, não é!? Ele veio para cá, tinha 2 anos que eu morava aqui.
1B – BBB - 41

TP: Hum... hum. Muito bem.

CA: Cremos que é isso, não é!?

FIM DO LADO B DA FITA 01

B
Belo Horizonte, 1, 2, 17, 46

C
Carlos Prates, 2, 3, 9, 12, 19, 22, 41
Cidade Nova, 2, 3, 8, 13, 14, 19, 20, 21, 27, 33, 35, 36,
38, 39, 47, 48
Cristiano Machado, 8, 22, 33, 36, 38

F
Feira dos Produtores, 38
Fernando Lanza, 33, 36

J
Jacuí,, 8, 22
José Cândido da Silveira, 12

M
Madre Paulina, 6, 12, 13, 23, 29
Minas Shopping,, 34

S
Sagrada Família,, 22
Santo Agostinho, 12, 13, 14, 23, 24, 25, 29, 39
Savassi, 25, 34, 47

U
União, 6, 8, 21

V
Vilas Reunidas, 6, 8, 21
1B – BBB - 42