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Alimento

geneticamente
modificado

Mamão geneticamente modificado para resistir ao


vírus Potyvirus.
Alimentos geneticamente modificados,
alimentos transgênicos (português brasileiro)
ou alimentos transgénicos (português
europeu) (AGM) são alimentos produzidos
com base em organismos que, através
das técnicas da engenharia genética,
sofreram alterações específicas no DNA.
Essa técnica tem permitido a introdução
de culturas agrícolas de traços
diferenciados, assim como um controle
sobre a estrutura genética bastante
superior em relação ao que proporciona
a mutação artificial e a seleção
artificial.[1]

Os AGM surgiram como uma promessa


de resolver o desafio da fome no mundo,
de baratear os custos de produção, de
reduzir o uso de agrotóxicos e de
oferecer produtos de qualidade superior,
ao mesmo tempo potencialmente mais
nutritivos e mais resistentes a pragas.
No entanto, as alegadas vantagens, se
em alguns casos se mostraram reais, em
outros não atenderam às expectativas ou
trouxeram resultados negativos
imprevistos. Ao mesmo tempo, uma
série de estudos independentes tem
alertado que a facilidade com que as
instâncias governamentais de alguns
países como o Brasil e os Estados
Unidos, dois dos maiores cultivadores
mundiais de AGM, têm liberado esses
produtos para consumo, é fruto do lobby
político e econômico e não condiz com
os critérios científicos de biossegurança.
Outros estudos têm apontado uma série
de problemas para o homem e para o
meio ambiente que podem derivar do
cultivo e consumo dos AGM, como
reações alérgicas, intoxicações,
formação de tumores, declínio da
biodiversidade, contaminação genética e
vários outros.

Essa tecnologia é muito recente, o


conhecimento científico sobre seus
riscos ainda é fragmentário e
insuficiente, e os estudos que negam
efeitos daninhos em geral são
produzidos pelas próprias companhias
de biotecnologia num contexto de
conflito de interesses, ou são de curto
prazo, produzindo resultados pouco
confiáveis ou de valor bastante limitado.
Vários organismos nacionais e
internacionais apresentam os AGM
como portadores de um risco à saúde
não significativamente diferente dos
cultivos tradicionais, mas eles têm sido
contestados amplamente, outros
organismos equivalentes recomendaram
mais cautela e mais pesquisas ou
impuseram restrições, a polêmica em
torno do assunto permanece grande e
ainda restam muitas dúvidas não
respondidas.
História

Distribuição global dos cultivos transgênicos em


2005. Os cinco países coloridos em laranja cheio
concentravam cerca de 95% de todos os cultivos.

Em 1946, os cientistas descobriram pela


primeira vez que o DNA pode ser
transferido entre organismos.[2] No
princípio da década de 1990, a
quimosina recombinante foi aprovada
para uso em diversos países,
substituindo o coalho na fabricação de
queijo.[3] Em 1994, o tomate transgênico
Flavr Savr foi aprovado pela FDA (Food
and Drug Administration) para
comercialização nos EUA. A modificação
proporcionou um retardo na maturação
do tomate após o seu colhimento.[4] A
venda dos alimentos geneticamente
modificados começou em 1994, quando
a empresa Calgene (hoje posse da
Monsanto) comercializou pela primeira
vez seu Flavr Savr.[4] Nos Estados
Unidos, durante o ano de 1995, as
seguintes culturas transgênicas
receberam aprovação para serem
comercializadas: canola com a
composição do óleo modificada
(Calgene), Bacillus thuringiensis (Bt),
milho (Ciba-Geigy), algodão resistente ao
herbicida Bromoxynil (Calgene), algodão
Bt (Monsanto), batata Bt (Monsanto),
soja resistente ao herbicida glifosato
(Monsanto), abóbora resistente a vírus
(Monsanto-Asgrow).[4]

Em 2000, com a criação do Arroz-


dourado, os cientistas, pela primeira vez,
obtiveram êxito em modificar
geneticamente um alimento com a
finalidade aumentar seu valor nutritivo.
Em 2011, os EUA lideraram uma lista,
com diversos países, na produção de
culturas geneticamente modificadas, e
25 culturas geneticamente modificadas
receberam aprovação para cultivação
comercial.[5] Em 2013, cerca de 85% do
milho, 91% da soja e 88% do algodão
produzidos nos Estados Unidos eram
geneticamente modificados.[6] Até hoje, a
maioria das modificações genéticas nos
alimentos tem priorizado as culturas
mais lucrativas e que estão em alta
demanda por parte dos agriculturas, tais
como soja, milho, canola e óleo de
algodão. Essas culturas tem sido
projetadas para resistirem a agente
patogénicos e herbicida e para
apresentar melhores perfis nutricionais.
Modificações genéticas aplicadas à
pecuária também tem sido desenvolvida,
embora, até novembro de 2013, nenhum
produto estivesse disponível no
mercado.[7]
Métodos

Plantas sendo transformadas através da ação das


agrobactérias.

Há várias maneiras de realizar a


manipulação genética. A biolística insere
diretamente genes escolhidos em uma
célula através de uma "pistola de DNA",
que projeta microesferas de metais
cobertas por frações de DNA, o qual vai
ser incorporado ao material genético da
célula-alvo.[8] A eletroporação aplica um
campo eléctrico nas células, de modo a
aumentar a permeabilidade da
membrana celular, permitindo que
produtos químicos, medicamentos ou
DNA possam ser introduzidos.[9] A
microinjeção insere genes nas células
através de uma agulha.[10] As
agrobactérias são parasitas de plantas
que possuem a capacidade de transferir
naturalmente seus genes para as plantas
parasitadas, num processo conhecido
como transferência horizontal de genes;
elas são modificadas para receber genes
escolhidos, e os transferem para as
células-alvo.[11] O sistema CRISPR/Cas
usa fragmentos de RNA com capacidade
de editar a sequência do DNA e
introduzir alterações.[12] Já o sistema
TALEN usa proteínas que possuem
capacidade de reconhecer nucleotídeos
específicos e permitem a alteração
específica de praticamente qualquer
gene em uma ampla variedade de tipos
de células e organismos.[13]

Critérios usados para avaliar


a segurança dos AGM
O critério mais usado nas Américas para
atestar a segurança alimentar dos AGM
tem sido o da equivalência substancial
(ES). Ele primeiro identifica o AGM e sua
fonte, e em seguida compara-o com
alimentos naturais equivalentes para
verificar se tem as mesmas
características e propriedades físicas,
químicas e nutricionais dos produtos
naturais (por exemplo, cor, textura, teor e
composição de óleos, aminoácidos e
outros compostos químicos), e avalia os
efeitos do processamento e
transformação do alimento bruto. Se o
AGM se comporta como o alimento
convencional, então é declarado
"substancialmente equivalente", porque
sua substância se mostra equivalente à
do alimento natural, e em geral nesta
etapa já é liberado para o consumo, com
base na presunção de que
características similares causarão
efeitos similares no ser humano. Se
surgem evidências de problemas ou
riscos significativos, então é
recomendada a realização de mais
pesquisas para esclarecer as dúvidas,
que em geral envolvem testes que
avaliam sua potencial toxicidade e seu
risco de causar doenças ou
contaminação genética para o
consumidor. Testes adicionais podem
ser recomendados para avaliar impactos
ambientais ou outros. A ES avalia o risco
relativo, e não o risco absoluto.[14][15]
Tomate transgênico.

A ES foi definida pela primeira vez em


1993 pela Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento
Econômico, e foi adotada em 1995 pela
Organização Mundial de Saúde (OMS)
como um parâmetro decisório na
avaliação da segurança alimentar dos
transgênicos.[14] A Organização das
Nações Unidas para Alimentação e
Agricultura (FAO) declarou que o
conceito foi elaborado por questões de
praticidade, para contornar a
impossibilidade de aplicação de testes
toxicológicos convencionais em todos os
alimentos, tendo também a vantagem de
reduzir o número de cobaias usadas nos
testes, mas embora considerando-o um
parâmetro robusto e o melhor disponível
no momento, reconheceu que seria
recomendável um aperfeiçoamento e
que ele tem recebido críticas.[16] O
conceito tem sido interpretado e
aplicado de maneiras variadas nos
diversos países, com mais ou menos
rigor, muitas vezes a avaliação se limita
às primeiras etapas, e isso tem dado
margem a uma intensa
controvérsia.[17][14][18][15] Em vista disso
tanto a FAO como a OMS retiraram o
conceito de suas recomendações de
segurança, e o Codex Alimentarius
reconheceu sua fragilidade e
recomendou uma revisão.[14] Não
obstante, depois de outra avaliação, em
2000 a FAO, em declaração conjunta
com a OMS, voltou a afirmar que "no
momento não há uma alternativa melhor
para garantir a segurança dos AGM do
que um uso adequado do conceito de
equivalência substancial".[19] A ES
permanece como o principal parâmetro
de segurança usado pelas agências
reguladoras governamentais dos
principais países produtores de AGM —
onde se incluem os Estados Unidos,
Brasil, Canadá, Argentina, Chile e
Austrália — bem como pelas suas
principais associações científicas.[20][15]
O mesmo conceito permanece usado por
grande parte da bibliografia sobre
segurança alimentar, mas suas
interpretações e aplicações
metodológicas são muito variadas,
aumentando a controvérsia.[15][21]

Além disso, seus críticos consideram a


ES um conceito muito limitado, simplista,
mal-definido, imediatista e de certa
forma pseudocientífico, avaliando
centralmente os efeitos do consumo a
curto prazo (em geral as análises são
feitas para períodos de 90 dias), mas não
avaliando riscos de longo prazo,
ignorando o princípio da precaução, e
não levando em conta aspectos
paralelos indissociavelmente vinculados
à produção dos AGM, onde se incluem
efeitos sobre o meio ambiente, sobre os
sistemas de produção agrícola, sobre as
comunidades produtoras, a sociedade
em geral, a cultura, a economia e o
mercado.[14][22][23][17][24][25][26] A Royal
Society do Canadá fez uma avaliação do
conceito e sua aplicação e concluiu que
restringir as avaliações às primeiras
etapas da ES, como tem ocorrido muitas
vezes, e usar esse nível mínimo como
justificativa suficiente para isentar os
AGM de uma avaliação científica
rigorosa e completa "é uma atitude
cientificamente injustificável e
inconsistente com as regulamentações
de precaução sobre a tecnologia".[14]

A equivalência substancial também é


criticada como sofrendo influência de
ideologias políticas, jurídicas e
mercadológicas.[24][22][15][26][27] Na
avaliação de Millstone, Brunner & Mayer
em artigo na revista Nature, "a
equivalência substancial é um conceito
pseudocientífico porque é um
julgamento comercial e político
mascarado de científico. Ele é, além
disso, inerentemente anticientífico,
porque foi criado primeiramente para
fornecer uma desculpa para não se
requererem testes bioquímicos e
toxicológicos. Ele ainda serve para
desencorajar e inibir pesquisas
científicas potencialmente
informativas".[24] Segundo Victor Pelaez,
"os defensores dos OGMs — tanto as
empresas produtoras quanto grande
parte da comunidade científica e das
agências reguladoras — justificam a
produção e a rápida liberação desses
produtos baseados em três normas
fundamentais: o malthusianismo, o
positivismo e o liberalismo. [...] A
avaliação tecnológica proposta pelos
especialistas e pela maioria das
agências reguladoras é baseada em uma
análise do tipo risco-benefício, limita a
discussão a uma análise quantitativa e
probabilista de controle dos riscos
previamente estabelecidos. Os impactos
socioeconômicos da adoção da nova
tecnologia — como a perda de
autonomia dos agricultores na
reprodução de seu material vegetal —
são descartados na medida em que se
presume que a avaliação do risco deve
ser politicamente neutra".[22] Para Nodari
& Guerra, a ES "pode ser útil à indústria,
mas é inaceitável do ponto de vista do
consumidor e da saúde pública. [...] Esta
estratégia baseada na ES foi introduzida
para evitar que as indústrias tivessem
custos maiores com testes de longa
duração, como na área farmacológica.
Quando se utiliza a ES, nenhum teste é
requerido para excluir a presença de
toxinas prejudiciais, carcinogênicas e
mutagênicas. Este princípio da ES é
equivocado, carece de base científica e
deveria ser abandonado em favor de
testes biológicos, toxicológicos e
imunológicos mais aprofundados e
eficazes".[18]

Já a União Europeia prefere o princípio


da precaução, e por isso a aprovação
dos AGM em seu território tem sido mais
difícil.[22][17][15] Esse princípio estabelece
que na ausência de um sólido consenso
a respeito de uma questão, se na ação
pretendida há risco de eventualmente
serem produzidos efeitos nefastos ou
irrecuperáveis, a ação deve ser evitada. O
princípio implica uma postura de
responsabilidade social dos agentes no
sentido de anteciparem e evitarem um
possível prejuízo à população ou ao
ambiente. Na sua formulação rigorosa, o
princípio da precaução só pode ser
relaxado quando for conseguida prova
robusta de que nenhum mal será
produzido. Ele foi adotado em larga
escala primeiro na Carta Mundial da
Natureza de 1982 das Nações Unidas, e
mais tarde estendido a outras
regulamentações transnacionais, como o
Protocolo de Montreal, a Declaração do
Rio sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento, e o Protocolo de
Cartagena sobre Biossegurança,
estabelecido no âmbito da Convenção
sobre Diversidade Biológica.[28][29] Nas
palavras de Camara et al., "em síntese, na
discussão sobre os alimentos
transgênicos a equivalência substancial
se contrapõe ao princípio da precaução,
pois enquanto a primeira evita a
identificação de riscos e não leva em
conta as incertezas científicas, o
segundo preconiza essencialmente o
contrário".[30] Contudo, também este
princípio tem sido criticado como
impreciso, tem sido interpretado de
variadas maneiras e há muitas
divergências a respeito de quando ele
deve ser invocado e sobre que nível de
solidez e certeza deve ser exigido das
provas de segurança. Para alguns
críticos, sua formulação rigorosa
representa na prática um impedimento
quase total a qualquer inovação, uma vez
que é improvável que em qualquer
campo científico sejam conseguidas
certezas absolutas. A formulação
rigorosa também é criticada como
irrealista, considerando que riscos são
parte inerente da vida.[31][32][33]

Posicionamentos favoráveis
Organismos oficiais e importantes
associações científicas — entre eles a
Associação Americana para o Avanço da
Ciência, a Associação Médica
Americana, a FAO e a OMS — deram
declarações favoráveis sobre os
alimentos geneticamente modificados,
alegando que até agora seu consumo
não demonstrou representar um risco à
saúde humana maior do que os
alimentos naturais. Uma grande série de
estudos isolados, bem como várias
revisões da literatura, sustentam a
mesma
posição.[34][35][36][37][38][39][40][41][42]
A Associação Médica Americana, por
exemplo, assim se expressou a respeito
da questão em seu parecer favorável: "Os
alimentos transgênicos têm sido
consumidos por cerca de 20 anos, e
neste período, não foram relatadas e/ou
confirmadas consequências observáveis
sobre a saúde humana na literatura
sujeita à revisão por pares".[36] A
Organização Mundial de Saúde se
manifestou de forma semelhante: "Os
AGM atualmente disponíveis no mercado
internacional passaram por avaliações
de segurança e não é provável que
representem riscos para a saúde
humana. Além disso, não foram
demonstrados efeitos para a saúde
resultantes do consumo desses
alimentos na população em geral dos
países em que foram aprovados". A OMS
também enfatizou que muitos alimentos
convencionais podem ser nocivos para a
saúde de algumas pessoas ou grupos
por uma variedade de razões, entre elas
uma sensibilidade especial a certas
substâncias químicas presentes em sua
composição, produzindo por exemplo
alergias e efeitos tóxicos que não são
observados no restante da população,
mas que a ocorrência desses casos não
invalida o conceito de que tais alimentos
são considerados seguros de uma
maneira geral. A OMS também observou
que alimentos convencionais
usualmente não são testados
laboratorialmente para pesquisar
possíveis efeitos adversos, porque eles
têm uma longa história de consumo
genericamente seguro, ao passo que os
AGM são testados.[35] Um estudo
conjunto do Instituto de Medicina e do
Conselho Nacional de Pesquisa dos
Estados Unidos declarou: "Ao contrário
dos efeitos adversos para a saúde que
são associados a alguns métodos de
produção de alimentos tradicionais,
efeitos negativos sérios semelhantes
não foram identificados como resultado
de técnicas de engenharia genética para
a produção de alimentos. Isso pode ser
explicado porque os organismos
geneticamente modificados passam por
extensos testes de composição para
determinar que todas as suas
características são desejáveis e para
assegurar não tenham ocorrido
mudanças não intencionais nos
principais componentes do alimento".[43]

Para muitos esse conjunto de


posicionamentos, que incluem fontes de
grande prestígio, é uma evidência de que
a segurança dos AGM para o consumo
humano tornou-se um consenso na
comunidade científica. Uma revisão do
assunto de 2011 resumiu a questão: "Há
um amplo consenso científico de que
AGM hoje disponíveis no mercado são
seguros para consumo. Depois de 14
anos de cultivo e um total de 2 bilhões de
acres plantados, nenhum efeito adverso
para a saúde ou para o ambiente
resultou da comercialização de AGM.Ver
nota:[44] Tanto o Conselho Nacional de
Pesquisa dos Estados Unidos como o
Centro Comum de Pesquisa (o
laboratório e centro de pesquisa da
União Europeia e parte integral da
Comissão Europeia) concluíram que há
um extenso corpo de conhecimento que
avalia adequadamente a questão da
segurança para consumo dos AGM.Ver
nota:[45] Estes e outros relatórios recentes
concluem que o processo de engenharia
genética e o de cultivo tradicional são
são diferentes em termos de
consequências imprevistas para a saúde
humana e o ambiente".[39]

Entre os alegados benefícios dos AGM


estão a redução dos custos de produção,
do uso de água, da erosão do solo, da
emissão de gases estufa, do
desmatamento e do uso de agrotóxicos;
aumento da lucratividade; a
possibilidade de criar de culturas mais
nutritivas, mais resistentes a pragas e a
ambientes adversos, e com propriedades
medicinais, além de potencialmente
trazerem alívio para os problemas da
fome e da pobreza.[46][47]
Contestações e conflitos de
interesses
Muitos organismos e estudos, ao
mesmo tempo que se posicionam
favoravelmente sobre a segurança dos
AGM, reconhecem a existência pelo
menos de algum grau de controvérsia e
incerteza, reconhecem que há ou pode
haver riscos desconhecidos, mal
avaliados ou imprevistos, e enfatizam a
escassez de informação sobre vários
aspectos e a necessidade de mais
estudos. No primeiro testemunho citado
antes, da AMA, acrescenta-se que "existe
um pequeno potencial de consequências
adversas. Esse potencial está centrado
na transferência horizontal de genes, na
capacidade de causar reações alérgicas
e na toxicidade".[36] No segundo, da OMS,
foi reconhecido um potencial para riscos,
os principais sendo reações alérgicas,
transferência de genes e outcrossing
(migração de genes de cultivos
transgênicos para cultivos convencionais
ou para espécies selvagens
relacionadas). Também foi reconhecida
a possibilidade de efeitos nocivos para o
ambiente e a biodiversidade, e a
possibilidade de provocar um uso
aumentado de agrotóxicos, além de
mencionar a persistência de uma
polêmica em muitas partes do mundo
sobre variados aspectos, muitas vezes
por fatores alheios à ciência, como
tradições locais resistentes a inovações
e desinformação do público.[35] Uma
revisão bibliográfica de 2013 afirmou:

"É necessário concordar que há


muitas opiniões referindo uma
escassez de dados sobre os
possíveis riscos para a saúde dos
AGM, mesmo que eles devam ser
testados e aprovados antes de sua
introdução. Embora seja alegado
que as pequenas diferenças entre os
AGM e os alimentos convencionais
têm pequena significância biológica,
opina-se que a relação entre a maior
parte dos AGM e seus similares
naturais cai fora da definição de
equivalência substancial. De
qualquer modo, precisamos de
novos métodos e conceitos para
pesquisar as diferenças
composicionais, nutricionais,
toxicológicas e metabólicas entre os
AGM e os alimentos convencionais
e a segurança das técnicas
genéticas usadas no
desenvolvimento de AGM se
queremos colocar essa tecnologia
sobre fundamentos científicos
adequados e dissipar os temores do
público em geral".[48]

Muitos estudos favoráveis ao AGM


foram questionados como falhos,
insuficientes, artificiosos e/ou
comprometidos com as
indústrias.[49][50][51][52][53][54][55]
Declarações favoráveis de instituições
prestigiadas como a Associação
Americana para o Avanço da Ciência, a
Academia Nacional de Ciências dos
Estados Unidos e a Royal Society do
Reino Unido também foram criticadas
como falhas, insubstanciais ou
distorcidas, ou apresentando conflitos de
interesse.[56][50][57][58][59] A declaração de
segurança dos AGM para consumo
humano feita pela Organização Mundial
de Saúde[35] foi criticada por Jean Marc
von der Weid, membro do Conselho
Nacional de Desenvolvimento Rural
Sustentável, alegando fraqueza dos
critérios usados, conflitos de interesse e
omissão de evidências negativas
apresentadas na bibliografia que ela
mesma citou.[60] A Soil Association do
Reino Unido assim se manifestou sobre
um documento da Royal Society:

Este documento da Royal Society


sobre AGM, como todos os outros
que ela publicou nos últimos 20
anos, se posiciona a favor dos AGM.
Todos sabem que existe pelo menos
algum grau de controvérsia
científica e de discordância a
respeito das evidências relativas aos
AGM. Nada disso é mencionado no
documento. Isso não surpreende,
uma vez que nenhum cientista que
tenha expressado ceticismo
consistente sobre as implicações da
tecnologia de modificação genética
para a agricultura foi incluído entre
os autores. A pesquisa científica
normalmente procede através da
discussão aberta sobre as
discordâncias em torno das
evidências — o envolvimento da
Royal Society tem sido
consistentemente unilateral,
ignorando cientistas que tenham
visões divergentes, e negligenciando
os fatos que não se encaixam nas
visões dos apoiadores dos AGM".[57]
Na análise da ONG Food & Water Watch
dos Estados Unidos, que escrutiniza a
responsabilidade social de governos e
instituições a respeito da água e
alimentos, "os corpos científicos que
supostamente apoiam um 'consenso' a
respeito da segurança dos AGM são
poucos em número e de modo algum
representam toda a comunidade
científica. Esses corpos não assinaram
nenhuma 'declaração de consenso', e na
maior parte dos casos sequer
estabeleceram políticas oficiais a
respeito. As campanhas que alegam a
existência de um consenso largamente
citam erroneamente ou representam mal
esses corpos científicos fazendo-os
parecer que são parte de um consenso
sobre a segurança dos AGM".[59] Várias
outras fontes afirmam que não existe
consenso em torno da segurança dos
AGM. Um artigo de Angelika Hilbeck et
al. de 2015 afirma que "uma larga
comunidade de pesquisadores e
acadêmicos independentes tem
questionado as alegações de que existe
um consenso sobre a segurança dos
AGM. Nesta declaração conjunta [o
artigo foi ratificado por mais de 300
especialistas], demonstramos que o
alegado consenso é uma construção
artificial que tem sido falsamente
perpetuada por diversos meios.
Ignorando as evidências contraditórias
da literatura de referência, as alegações
de que hoje chegou-se a um consenso
continuam a ser vasta e acriticamente
divulgadas. Ao longo de décadas a
segurança dos AGM tem sido um tópico
extremamente controverso em todo o
mundo. Os resultados publicados são
contraditórios, em parte porque são
empregadas metodologias diferentes, ou
porque os procedimentos são
inadequados, ou porque os dados são
analisados e interpretados de maneiras
diferentes".[21] A 4ª Conferência Nacional
de Segurança Alimentar e Nutricional de
2011 aprovou uma declaração conjunta
dizendo que "estão suficientemente
demonstrados os danos causados pelo
modelo agrícola concentrador de terra,
pela monocultura intensiva em
agrotóxicos e os riscos da utilização dos
transgênicos"[61] Na Carta de Salvador,
documento final do Encontro de Diálogos
e Convergências de 2011, foi declarado
que "o uso seguro dos agrotóxicos e
transgênicos é um mito e um paradigma
que precisa ser desconstruído".[62] Um
artigo de 2015 analisou as revisões
bibliográficas sobre efeitos na saúde
publicadas entre 2008 e 2014, encontrou
metodologias discrepantes e resultados
mistos, e o autor afirmou que "não se
pode ler essas revisões sistemáticas e
concluir que a ciência sobre os efeitos de
saúde dos AGM está resolvida na
comunidade científica. [...] Eu havia
começado este artigo com testemunhos
de cientistas respeitados de que
literalmente não há controvérsia
científica sobre os efeitos na saúde dos
AGM. Minha investigação da literatura
científica conta uma outra história".[63]

Protesto nos Estados Unidos contra o uso de


sementes transgênicas e contra a Monsanto, uma
das maiores empresas de bioengenharia.
É assinalado ainda que uma grande
proporção dos estudos são produzidos
pelas próprias empresas interessadas na
liberação dos seus produtos, criando
uma situação de conflito de interesses
que é sistematicamente negada,
ignorada ou minimizada pelas agências
reguladoras governamentais e
organizações internacionais. Até mesmo
as grandes revisões da bibliografia sobre
o assunto usam esses estudos para
chegar às suas conclusões, embora
algumas reconheçam que a autoria ou
influência de partes interessadas é um
fato. Assim, uma grande parte da
bibliografia hoje disponível está sujeita a
críticas de estar comprometida com os
interesses das indústrias e governos, ou
de não levar suficientemente a sério
esses impedimentos, que em outros
contextos são considerados inaceitáveis
para um estudo ser considerado isento e
confiável. Esses conflitos vêm sendo
denunciados há décadas por uma
variedade de agentes, incluindo
pesquisadores, jornalistas, ativistas e
funcionários de governos, mas poucos
estudos foram publicados a
respeito.[52][30][64][56][60][65][66][67][54]

Uma revisão da bibliografia empreendida


em 2016 por pesquisadores do Instituto
Nacional de Pesquisa Agronômica da
França, a primeira de grande escala em
seu gênero, descobriu que de 672 artigos
publicados entre 1991 e 2015, pelo
menos 40% estavam em situação de
conflito de interesses, e que isso se
refletia diretamente nas conclusões de
pelo menos 49% desses estudos.
Contudo, esses conflitos foram
declarados explicitamente em apenas
7% dos estudos.[68] Além disso, os
pesquisadores afirmaram na imprensa
que os seus resultados representam
apenas "a ponta do iceberg".[65] Outras
fontes também alegam que o
comprometimento dos estudos
financiados por empresas é generalizado
e rotineiro.[59][56][54][52][64] As agências
reguladoras governamentais, como a
Food and Drug Administration nos
Estados Unidos, a Agência Europeia de
Segurança Alimentar, um comitê do
Reino Unido, e a Comissão Técnica
Nacional de Biossegurança no Brasil,
têm sido acusadas de falta de
transparência em seus processos de
aprovação, de escolher avaliadores
despreparados, ou de serem negligentes
no estabelecimento de normas fortes e
consistentes, e todas essas agências
receberam múltiplas críticas de
manterem cumplicidade com as
indústrias, o que tem gerado inúmeros
protestos e mesmo ações
judiciais.[69][22][50][70][71][72][73][74][75][30][61][30]
O mesmo problema afeta os
legisladores, que têm criado políticas,
regulamentações e leis sob a forte
influência da indústria.[76][22][77][64] Um
artigo de Almeida Jr & Mattos assim
descreveu a situação, que tem amplas
ramificações:

"Uma parte muito significativa dos


cientistas que pesquisam os
transgênicos possui laços, nem
sempre declarados, com a indústria
de produtos GM, caracterizando
conflitos de interesse. [...] Esse tipo
de conflito de interesse também
está presente em vários outros
órgãos nacionais e internacionais.
[...] A transformação dos
transgênicos em uma realidade
mercadológica envolve muito mais
do que ciência. Ela depende de um
Estado submisso aos interesses
corporativos, de uma ciência
disposta a se colocar como agente
de propaganda, de universidades
ávidas por dinheiro corporativo, de
um sistema de ensino que forme
profissionais incapazes de pensar
alternativas de produção para além
daquelas oferecidas pelas grandes
corporações, de um sistema
midiático de propaganda que
possibilite subjugar efetivamente os
cidadãos, transformando-os em
meros consumidores, de uma ordem
internacional fundada na violência
etc."[50]

Os problemas aumentam na medida em


que as sementes transgênicas são
protegidas por patentes de propriedade,
e para a realização de pesquisas sobre
seus efeitos é necessária autorização
das companhias detentoras dos direitos.
Analisado o caso, Deepa Arya disse que
"os cientistas que trabalham com
recursos governamentais já não são
livres para conduzir pesquisas
independentes com as sementes".
Limitados desta forma, muitos cientistas
passam a recorrer às próprias
companhias para financiamento das
pesquisas.[78] As pesquisas financiadas
pelas companhias geralmente são
protegidas por sigilo, dificultando o
acesso do público à
informação.[51][61][79][51]

Outras objeções
Tem sido reconhecido que o uso de
transgênicos possibilitou uma revolução
agrícola, e sem dúvida movimentam um
mercado multibilionário, mas se os
alegados benefícios superam os riscos e
desvantagens que têm sido apontados
ainda é incerto. De acordo com um
relatório do Conselho Nacional de
Segurança Alimentar e Nutricional, as
técnicas de transgenia têm progredido
muito mais rápido do que a capacidade
dos cientistas entenderem "suas próprias
estruturas, meandros de funcionamento
e implicações. O mesmo se diz em
relação às condições de se identificar,
prever e avaliar seus potenciais
impactos".[61] Têm crescido o número de
estudos que apontam variados e
concretos efeitos negativos dos
alimentos modificados e seus métodos
produtivos sobre a saúde ou o meio
ambiente, e a controvérsia tem sido
grande. Os opositores dos AGM citam
questões de segurança, preocupações
ambientais, aumento de intoxicações,
reações alérgicas e outras doenças nos
consumidores, como câncer e
esterilidade, aumento na resistência a
antibióticos, danos à biodiversidade,
necessidade de maior uso de
agrotóxicos, risco de surgimento de
superpragas resistentes a todos os
pesticidas, prejuízo aos pequenos
produtores, e problemas econômicos,
sociais e culturais.[80][81][82][83][79] Os
verdadeiros efeitos de tais alimentos
sobre a saúde dos consumidores
provavelmente só serão conhecidos
daqui a muitos anos,[84] e segundo Costa
et al., "o maior problema na análise de
risco de OGM é que seus efeitos não
podem ser previstos na sua
totalidade".[85]
Efeitos sobre a saúde e o
ambiente

Ameixa transgênica.

Ao contrário do que diz a propaganda


das empresas de biotecnologia, estudos
recentes apontam que os custos de
produção não são menores, que o uso de
agrotóxicos não é menor, muitas vezes
sendo maior, e que na maioria dos casos
a produtividade não é maior do que no
uso de sementes tradicionais, podendo
ser até menor. Também foi apontado que
algumas substâncias tóxicas penetram
na corrente sanguínea dos
consumidores, ao contrário da alegação
das empresas de que elas são
destruídas no estômago. Quase todos os
países da Europa, bem como o Japão,
têm imposto restrições aos produtos
transgênicos.[82][86][87][88][79][61] A FAO
ultimamente tem recomendado cautela
na liberação de alimentos geneticamente
modificados, e não recomenda sua
liberação sem estudos de impacto
ambiental. José Tubino, representante da
organização no Brasil, salientou que o
problema da fome no mundo não se
deve à escassez de alimentos, pois eles
existem em quantidade suficiente, e sim
à sua má distribuição, o que está ligado
diretamente às desigualdades sociais.[89]

No Brasil, um dos países que mais


cultivam transgênicos, eles foram um
dos principais responsáveis por
colocarem o país no primeiro lugar do
ranking mundial de uso de agrotóxicos,
que são causa comprovada de múltiplos
problemas humanos e
ambientais.[90][91][92] Já foram relatados
muitos casos de desenvolvimento de
resistência em pragas que deviam ser
eliminadas pelas plantas transgênicas.
Como resultado, o produtor fica obrigado
a aumentar as doses de
venenos.[93][79][94][95] Como o uso de
poucos tipos de sementes modificadas
elimina a variedade genética dos cultivos
tradicionais, as plantações transgênicas
ficam mais vulneráveis a
superpragas.[96][97]

O Conselho Nacional de Segurança


Alimentar e Nutricional alertou para o
surgimento de doenças ligadas ao
consumo de AGM, entre elas aumento de
alergias e da resistência a
antibióticos.[98] Testes em animais
realizados na Itália, França, Canadá e
Estados Unidos têm apontado que as
cobaias desenvolveram tumores,
alergias, esterilidade, malformações
fetais e alterações no sistema
imunológico, além de terem uma taxa de
mortalidade mais elevada, entre outros
problemas.[82][99] Estudos de longo prazo
sobre a saúde e o ambiente e sobre
efeitos crônicos são poucos, os testes
de toxicidade em geral não são
obrigatórios, e estudos de grande escala
sobre os potenciais efeitos na população
(estudos epidemiológicos) são
virtualmente inexistentes. Muitos autores
consideram essencial a realização de
mais estudos para que se possa
comprovar os danos relatados ou refutá-
los definitivamente, ou para averiguar se
os danos, mesmo se reais, são ou não
significativos em termos
estatísticos.[51][48][21][100]

Impactos sistêmicos

Umas poucas companhias detêm a


propriedade de todos os principais
transgênicos cultivados no mundo, e
hoje exercem um poder determinante
sobre as práticas agrícolas de vários
países. Como as sementes são
protegidas por patentes de propriedade,
quando o agricultor colhe a safra, não
pode usar as sementes produzidas para
novos cultivos, nem pode comercializá-
las com essa intenção, nem trocá-las ou
doá-las, e precisa comprar sementes
novas todos os anos, que em geral são
mais caras que as sementes comuns,
além de ser-lhe imposta uma taxa sobre
a produção. Esse controle estrito das
companhias ameaça a soberania
alimentar dos países, favorece as
grandes monoculturas exportadoras e a
mecanização da lavoura, compete
agressivamente com os sistemas
convencionais e a agricultura familiar,
que são voltados basicamente para o
mercado interno, gerando consequências
sociais e culturais negativas, entre as
quais são apontadas o desemprego,
aumento das desigualdades, êxodo rural,
endividamento dos pequenos produtores
e desintegração de modos de vida e
saberes tradicionais.[79][101][97][102][61]
Altieri & Rosset alegam que "os
agricultores pobres e carentes de
recursos sequer tiveram acesso às
técnicas da Revolução Verde e a
biotecnologia aumentará ainda mais sua
marginalização, pois está sob o controle
das corporações e protegida por
patentes. Suas tecnologias são caras e
inapropriadas às necessidades e à
realidade dos pequenos agricultores".[79]
Segundo relatório da Associação
Brasileira de Saúde Coletiva, "sabe-se
que a transgenia trouxe mais
dependência econômica, interferência
cultural, insegurança alimentar e
poluição genética. Esses são alguns dos
impactos registrados por pesquisadores,
povos indígenas, agricultores,
representantes do Ministério do Meio
Ambiente e por organizações não
governamentais ambientalistas".[103] O
Conselho Nacional de Segurança
Alimentar e Nutricional em outro
documento afirmou que "os benefícios
para os produtores que adotam a
tecnologia estão distantes das
promessas anunciadas pela indústria,
mesmo em termos de produtividade e
custos de produção. [...] O conjunto de
evidências e publicações científicas hoje
disponíveis credencia as preocupações
levantadas há mais de duas décadas, por
exemplo, a criação de novas pragas e o
desenvolvimento de pragas mais
resistentes, o impacto sobre espécies
benéficas e sobre processos
ecossistêmicos, e a geração de
subprodutos ainda mais tóxicos que
aqueles que lhes deram origem".[61]

Desinformação

Protesto em Auckland, Nova Zelândia.


Uma distorção do conteúdo total das
declarações de segurança de instâncias
científicas, selecionando trechos mais
convenientes para promover seus
interesses e omitindo possíveis
ressalvas, tipicamente embasa e
caracteriza as fortes campanhas em
favor dos AGM promovidas pela
indústria e grupos de pressão.[59][57] A
imprensa geralmente tem enfatizado os
benefícios econômicos dos
transgênicos, e minimiza ou sequer
aborda os impactos e riscos.[104] Alega-
se ainda que a decisão sobre o cultivo e
consumo dos transgênicos cabe ao
produtor e ao consumidor, mas eles
tipicamente carecem de informação
suficiente para formar uma opinião
adequada, e são facilmente seduzidos
pela intensa propaganda das
corporações e grupos de lobby. O tema é
também sujeito a muito sensacionalismo
e a exageros, tanto a favor como contra
os AGM, prejudicando o debate
público.[105][106][107][61] Segundo Maria
Alice Garcia, bióloga e professora da
Universidade Estadual de Campinas, "a
agressividade com que transgênicos têm
sido propagandeados está diretamente
relacionada ao fato de, no plano
mercadológico de bens de consumo, os
produtos da biotecnologia compõem um
dos ramos mais promissores do
capitalismo atual. [...] No Brasil, a mídia
tem apresentado matérias sobre
transgênicos, mas, na maioria das vezes,
essas matérias expressam mais
opiniões de grupos de interesse e não
prestam esclarecimentos à
população".[86]

Apesar da grande desinformação do


público em geral, muitos protestos
populares contra os AGM têm sido
organizados em vários
países.[108][109][104] Em 2012 a Monsanto,
uma das principais empresas de
biotecnologia, foi condenada no Brasil a
pagar 500 mil reais por danos morais
causados aos consumidores e por
propaganda enganosa e abusiva.[110]
Uma carta aberta publicada em 2012 por
mais de 800 cientistas de 82 países
denunciou as exigências legais
inconsistentes para a aprovação oficial
dos produtos, que se satisfazem com
estudos de curto prazo, escassos ou mal
dirigidos, a frequente tendenciosidade da
mídia na divulgação das supostas
vantagens, citaram casos de assédio e
censura contra cientistas que tentaram
provar impactos negativos,[98][111] e
concluíram dizendo:

"Quando aqueles com algum


interesse tentam semear dúvida
insensata em torno de resultados
inconvenientes, ou quando os
governos exploram oportunidades
políticas escolhendo ao seu gosto
quais evidências científicas vão
apresentar, comprometem a
confiança pública nos métodos e
instituições científicas, e também
colocam seus próprios cidadãos em
risco. Testes de segurança,
regulações baseadas na ciência, e o
próprio processo científico,
dependem crucialmente de uma
confiança amplamente difundida em
um corpo de cientistas dedicados
ao interesse público e à integridade
profissional. Se em vez disso o
ponto de partida de uma avaliação
do produto é um processo de
aprovação manipulado em favor do
solicitante, baseado em uma
supressão sistemática do trabalho
de cientistas independentes atuando
em nome do interesse público, então
jamais poderá haver um debate
honesto, racional ou científico".[112]

Rotulagem
Uma revisão de artigos nos três idiomas,
inglês, português e espanhol buscou
como o consumidor final, de
supermercado, lida com produtos
transgênicos, as pesquisas buscavam
opiniões sobre a rotulagem, onde os
participantes deveriam opinar se a
mesma era suficiente e se implicam nas
suas compras. Os resultados mostraram
que a maioria dos consumidores não
acha suficiente a rotulagem existente,
desejando uma mais clara e que
contenha ainda quantidades máximas
seguras de consumo daquele
determinado alimento. Além de
concluírem estarem dispostos a pagar
mais por alimentos não modificados, na
grande maioria opta pelo mais barato
que adere à tecnologia por não estar
explícito.[113]

Em 2018 foi aprovado no Brasil o Projeto


de lei LC 34/2015, que concede um
retrocesso na rotulagem de alimentos
transgênicos, retirando o triângulo
amarelo com a letra T que era presente
na embalagem dos produtos, mantendo,
porém, a obrigatoriedade de acrescentar
a informação de outra maneira no rótulo
para aqueles que contenham 1% ou mais
de transgênicos em sua composição.[114]

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