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Atuação do profissional farmacêutico na atenção básica de saúde

Rosilene Rocha Ferreira1
Juliana Oliveira de Toledo Nobrega 2

1
Farmacêutica: Responsável técnica pela Farmácia Municipal de São Gonçalo do Pará/MG. Aluna de
Especialização em Vigilância Sanitária, pela Universidade Católica de Goiás-PUC/IFAR.
2
Orientadora: Farmacêutica- Bioquímica. Departamento de Farmácia - Faculdade Santana FAC LS - DF -
Universidade de Brasília; Secretaria do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde - Campus
Universitário Darcy Ribeiro – Brasília/DF

Resumo
Este artigo apresenta uma revisão e análise da assistência farmacêutica como parte integrante do sistema de
atenção básica à saúde, no qual a qualidade do uso de medicamentos está diretamente relacionada à qualidade do
serviço de saúde e aos elementos para a avaliação desta. Os medicamentos são considerados a principal
ferramenta terapêutica para recuperação ou manutenção das condições de saúde da população. No entanto, o uso
dos mesmos pela sociedade tem contribuído para o surgimento de muitos eventos adversos, com elevado
impacto sobre a saúde e custos dos sistemas. Assim, a promoção do uso racional dos medicamentos é uma
ferramenta importante de atuação junto à sociedade, para senão eliminar, minimizar o problema. Neste sentido, o
farmacêutico pode contribuir sobremaneira, já que este é assunto pertinente a seu campo de atuação. Sua
participação em equipes multidisciplinares acrescenta valor aos serviços e contribui para a promoção da saúde.
Palavras-chaves: Uso racional de medicamentos. Farmacêutico. Promoção da saúde. Atenção farmacêutica

Role of the pharmacist in primary health care

Abstract
This paper presents a review and analysis of Pharmacist Care as an integrated part of the Primary Health Care
System, in which quality use of medicines is directly related to quality health service and to elements for its
evaluation. Medicines are considered the main therapeutical tool for the treatment or maintenance of public
health conditions. However, their use by society has contributed to the emergence of many adverse events with
high impact on health and health systems costs. Thus, rational drug use promotion is an important tool to
eliminate or minimize the problem. This is where the pharmacists can play an important role because this is a
pertinent subject in their field of performance. Their participation in multidisciplinary teams adds value to health
services and contributes to health promotion.
Keywords: Rational drug use. Pharmacist. Health promotion. Pharmaceutical care

1

1 INTRODUÇÃO

Segundo Brasil (2012), a Atenção Básica à Saúde constitui o primeiro nível de atenção
à saúde sendo o primeiro contato com o Sistema de Saúde. Compreende um conjunto de ações
e serviços de clínica médica, pediátrica, ginecologia, obstetrícia, além de encaminhamentos
para os demais níveis. A estratégia da organização da Atenção Básica é o PSF (Programa de
Saúde da Família). A responsabilidade da oferta de serviços é da gestão municipal e o
financiamento é responsabilidade dos três níveis de governo.
Sabe-se que a utilização de medicamentos é um processo complexo com múltiplos
determinantes e envolve diferentes fatores. Para que a utilização de medicamentos ocorra de
modo racional contamos com a influência de fatores de natureza cultural, social, econômica e
política em uma população que busca por melhor qualidade de vida. A Atenção Farmacêutica
(AF) é a provisão responsável da farmacoterapia com o objetivo de alcançar resultados
definidos que melhorem a qualidade de vida, podendo reduzir os problemas previníveis
relacionados à farmacoterapia, sendo muito importante como agente de promoção para o uso
racional dos medicamentos (MARQUES et al., 2011).
O medicamento, produto farmacêutico usado com finalidade profilática, curativa,
paliativa ou para fins de diagnóstico se destaca como instrumento terapêutico utilizado para
aliviar o sofrimento causado por uma doença ou mesmo para curá-la. Todavia, sua utilização
indiscriminada, bem como sua falta, pode provocar danos muitas vezes irreparáveis à saúde
de uma coletividade. Por isso, na questão dos medicamentos, a compreensão das políticas
públicas e de suas interfaces reforça o papel do Estado, principalmente no tocante à produção
desses insumos. Essa produção requer a atuação estatal como interventor e regulador na área
farmacêutica, levando em consideração as necessidades em saúde que a população brasileira
apresenta, sobrepondo-se a lógica de mercado. Isso significa que a política de medicamentos
se encontra articulada com as demais políticas, como a de vigilância sanitária, a de ciência e
tecnologia e a de assistência farmacêutica, mas sobretudo ela não pode se afastar dos
princípios básicos da política de saúde, com características universais e igualitárias (PAULA
et al., 2009).
Segundo Vieira (2007), os serviços públicos, os governos e dirigentes discutem a
questão do abastecimento de medicamentos e as estratégias de financiamento, mas poucos
reconhecem que os medicamentos são apenas um instrumento da prestação de um serviço e

A ausência de serviço de farmácia adequado. constitui um problema importante de saúde pública. satisfazendo as aspirações de obter o máximo benefício com um mínimo risco para a saúde. foram selecionados livros. Bireme. entre outros). de cozinha. entende-se que um serviço de boa qualidade é aquele que cumpre os requisitos estabelecidos de acordo com os recursos disponíveis. A revisão foi realizada com 07 (sete) artigos. . capaz de intervir científica e criticamente sobre os problemas de saúde e sobre o sistema de saúde. auxiliares administrativos. que zele pelo uso racional de medicamentos em parceria com os demais serviços e profissionais do sistema de saúde. Este trabalho busca relatar pontos relevantes na Assistência Farmacêutica e demonstrar a importância da educação para o farmacêutico como profissional de saúde. 2008). pelo risco proporcionado aos pacientes. A qualidade da atenção à saúde pode ser caracterizada pelo grau de competência profissional. A maioria das farmácias de unidades básicas de saúde funciona porque um leigo ou profissional com parcos conhecimentos sobre medicamentos atua na dispensação (auxiliares de enfermagem. manuais e artigos tendo como descritor de busca: Assistência Farmacêutica. de forma ética e interdisciplinar. 2 METODOLOGIA Para a construção deste trabalho de revisão bibliográfica. 02 (dois) manuais e 01 (um) livro didático. 2 geralmente não se preocupam com a estruturação e a organização deste serviço. proporcionando o bem-estar dos usuários.. com competência para promover a integralidade da atenção à saúde. De modo geral. pela satisfação dos usuários e pelo efeito favorável na saúde (ARAÚJO et al. publicados a partir do ano 2006 ao ano de 2012. Pubmed além de pesquisas em sites eletrônicos. pesquisados em banco de dados da área da Saúde como Scielo. pela eficiência na utilização dos recursos.

2007). Os países do Primeiro Mundo concentraram. 2012). 2007). Margaret Chan. O primeiro passo neste sentido foi a introdução do conceito de medicamentos essenciais em 1977 (VIEIRA. “O conceito de medicamentos essenciais é uma das maiores aquisições de saúde pública na história da OMS. Segundo Dra. Passou-se então ao período de desenvolvimento da atenção ao paciente. As atividades farmacêuticas voltaram-se principalmente para a produção de medicamentos numa abordagem técnico industrial. motivados pela publicação de documentos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O papel tradicional foi desenvolvido pelo boticário que preparava e vendia os medicamentos. O lamentável desastre ocorrido em 1962. É tão relevante hoje como foi sua concepção há 30 anos” (BRASIL.1 Breve Histórico sobre o surgimento da Assistência Farmacêutica no Brasil Os autores Hepler e Strand realizaram uma análise sobre os três períodos que consideram mais importantes da atividade farmacêutica no século XX. Dentro deste novo contexto da prática farmacêutica. 2007). que possui um parque industrial farmacêutico predominantemente multinacional. diretora geral da OMS.se no desenvolvimento de novos fármacos e o Brasil. Começa assim o período de transição. ocasionando uma epidemia de focomelia. Os países começaram a se preocupar com a promoção do uso racional dos medicamentos. definindo-os como: o tradicional. somando seus esforços aos dos outros profissionais de saúde e aos da comunidade para a promoção da saúde (VIEIRA. Conforme a indústria farmacêutica começou a se desenvolver. fornecendo orientações aos seus clientes sobre o uso dos mesmos. 2007). o de transição e o de desenvolvimento da atenção ao paciente. no qual a preocupação com o bem estar do paciente passa a ser a viga mestra das ações. . desencadeou um novo olhar sobre o uso dos medicamentos e foi o marco para o surgimento das ações de farmacovigilância. Era comum prescrevê-los (VIEIRA. o farmacêutico assume papel fundamental. em virtude do uso da talidomida por gestantes. trabalhou a tecnologia farmacêutica adaptando as fórmulas às condições climáticas do país (VIEIRA. 3 3 DISCUSSÃO 3. este papel do farmacêutico paulatinamente foi diminuindo.

distribuir e dispensar os medicamentos pela Central de Medicamentos (Ceme). criada em 1971. o setor privado limitou-se a promover medicamentos para as classes média e alta urbanas e o estado assumiu a responsabilidade de adquirir. Araújo e colaboradores (2006) lembram que: [. Finalmente. bem como a elaboração da Relação de Medicamentos Básicos (RMB). Assim. para nós. durante o governo militar. cabendo aos diversos órgãos do Ministério da Saúde a execução dessas ações. igualdade de acesso e gestão democrática. que até então não faziam parte da pauta de discussão dos atores responsáveis pela definição das Políticas de Saúde. liquidez. É neste momento que o farmacêutico começa a atuar mais efetivamente na saúde pública. Nos anos 90. Essa desativação também promoveu uma ruptura na responsabilidade da oferta de alguns produtos básicos. Sobre este tema. incapacidade gerencial etc... pois não houve um planejamento adequado para o processo de descentralização do financiamento e para a gestão da assistência farmacêutica. constitui. procurando construir um espaço diferenciado para o medicamento no modelo assistencial (ARAÚJO et al. começou a tentativa de reverter o modelo vigente. temos a definição legal da Assistência Farmacêutica e das Políticas de Medicamentos. na década de 1980. todas as ações em relação aos medicamentos foram centralizadas em nível federal na Central de Medicamentos (CEME). ocorreu a extinção da CEME que propiciou ações fragmentadas e desarticuladas em relação à assistência farmacêutica em nível federal. À CEME cabia a responsabilidade quanto à aquisição e distribuição dos medicamentos. com a justificativa de promover a segurança pública.] em razão do poder de compra do povo ser limitado. para o restante da população. devido a inúmeros problemas de ordem técnico-administrativos. partimos do pressuposto de que o conhecimento sobre os medicamentos e seu desdobramento na prestação de um serviço de saúde. a necessidade da formulação de uma nova política de .. Em 1983.. Neste contexto histórico. Nesta perspectiva. mais precisamente em 1997. abrangendo mais especialidades farmacêuticas. a Ceme não cumpriu seu papel apresentando grandes problemas de ineficiência. corrupção. com a definição do Sistema Único de Saúde (SUS) e suas políticas de integralidade. Ao longo dos anos. 4 Na década de 1970. a RMB (Relação de Medicamentos Básicos) sofreu adequações para atender às exigências do serviço público de saúde. 2006). demandando conhecimentos específicos para sua operacionalização (ARAÚJO et al. formas específicas de tecnologia. consubstanciada no Brasil no termo Assistência Farmacêutica. sendo então denominada de Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME). 2006).

ficou estabelecido o arcabouço legal para a introdução de medicamentos genéricos no país. tais como: as distintas classificações das doenças e as diferenças estruturais de um país de dimensões continentais. A partir de 2007. a aprovação. Nesse ano foi criado. pelo Ministério Saúde. 2009). assegurando a oferta de medicamentos de qualidade e baixo custo no mercado e fomentando o acesso da população a estes medicamentos. houve a aprovação da Lei nº 9. a definição desses componentes não conseguiu responder satisfatoriamente às necessidades dos usuários dos serviços de saúde em relação ao acesso aos medicamentos. Entretanto. a questão da judicialização da área farmacêutica. Nesse sentido.787. estabelecendo os medicamentos genéricos. 2009).. que propunha fornecer os medicamentos para a atenção básica. a baixa cobertura terapêutica horizontal do conjunto de fármacos. que pode comprometer a garantia do direito à saúde e acesso aos medicamentos (PAULA et al. A PNAF não se coloca como parte da PNM e sim da Política Nacional de Saúde (PNS) (PAULA et al. cabendo aos usuários excluídos garantir o acesso aos medicamentos por meio da justiça. definindo três componentes: o Básico da Assistência Farmacêutica. o Estratégico da Assistência Farmacêutica e o de Medicamentos de Dispensação Excepcional. a sétima edição da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) foi publicada em 2010. dentre eles. como marco referencial neste setor. a qual se segue a nova versão do Formulário Terapêutico . Em 1999.. 5 medicamentos e a explicitação do papel do Estado foram reforçadas diante do cenário desfavorável que o setor de saúde brasileiro vivenciava (PAULA et al. da Política Nacional de Assistência Farmacêutica (PNAF). criou-se na OMS um subcomitê para direcionamento de medicamentos essenciais para crianças. Seguiu-se. em 2007 foi criado o quarto bloco de financiamento para assistência farmacêutica. 2012). parte integrante da Política Nacional de Medicamentos (PNM). Em 2009. contendo todos os medicamentos selecionados) e uma para crianças (a 2ª ) (BRASIL. 2009). em 2004. foram publicadas duas novas listas de medicamentos essenciais: uma geral (a 16ª. os programas em realização pelos governos estaduais e a importância da população dos municípios com mais de 21 mil habitantes. Dessa forma. Todavia. Ademais.. No Brasil. percebe-se que ainda são muitos os desafios a serem superados pela PNM. dentre outras (PAULA et al.. 2009). o Programa Farmácia Básica (PFB). com distribuição trimestral de um conjunto fixo de 32 produtos farmacêuticos para os municípios que possuíssem até 21 mil habitantes. o desenvolvimento desse programa não considerou algumas questões centrais do processo saúde-doença.

tendo por objetivo o gerenciamento eficiente e eficaz. os medicamentos são parte importante da atenção á saúde. em Accra. Não só salvam vidas e promovem a saúde. favorecendo a todos os envolvidos no processo. das empresas e da sociedade.2 Organização e Estruturação dos serviços de Farmácia A organização é a base fundamental de sustentabilidade de qualquer serviço. 3. abrangendo seleção. As listas modelos são revisadas a cada dois anos. Está diretamente relacionada com a funcionalidade dos serviços. De acordo com a Constituição Brasileira de 1988 todas as pessoas têm o direito à saúde. garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção. preventiva. proteção e recuperação. bem como aqueles relacionados á gestão.080 de 19 de Setembro de 1990. 2012). 2006). 2º A saúde é um direito fundamental do ser humano. além de refletir positivamente na credibilidade da instituição. 6 Nacional. da família. curativa e farmacêutica integral conforme descrito nos artigo 196. Acesso a medicamentos é direito humano fundamental conforme descrito nos artigo 2º. Gana (BRASIL. . Art. setor/serviço. O objetivo desses documentos é servir de ferramenta que oriente o uso racional de medicamentos prioritários á saúde pública no Brasil. da Lei no 8. atividade ou sistema de produção de trabalho. 2012). A saúde é direito de todos e dever do Estado. § 2º O dever do Estado não exclui o das pessoas. suprimento e acesso a eles pela população (BRASIL. A 17ª Lista Modelo de Medicamentos Essenciais da OMS foi elaborada pelo comitê de especialistas reunido em 2011. devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício. 196. otimiza tempo e recursos. proteção e recuperação. Um serviço organizado gera resolubilidade. envolvendo aspectos relativos á atenção á saúde. § 1º O dever do Estado de garantir a saúde consiste na formulação e execução de políticas econômicas e sociais que visem à redução de riscos de doenças e de outros agravos e no estabelecimento de condições que assegurem acesso universal e igualitário às ações e aos serviços para a sua promoção. A organização nos serviços de farmácia assegura o acesso aos medicamentos com qualidade e uso racional (BRASIL. dispensação. como prescrição. como previnem epidemias e doenças. sistema de saúde e usuário. Art. Segundo Brasil (2012). administração e emprego pelo usuário.

Isto evidencia a necessidade de maior atuação do farmacêutico dentro dos programas de saúde pública. Assim. enquanto 28. Os resultados foram: 45. 2011). seja o ponto de partida de outros processos que poderão tomar forma em relação à prática farmacêutica na rede básica de saúde (ARAÚJO et al. O quadro 1 relaciona algumas destas ações que podem ser adotadas para que este serviço seja reestruturado. 22.71% ouviram falar em AF.42% nunca ouviram falar em AF. reduzindo custos e garantindo apropriada qualidade de atendimento (BRASIL. Quando questionados sobre a implantação da AF. 2012).. Segundo estudo realizado na farmácia da unidade básica de saúde da cidade de São João da Mata. a estruturação das ações de atenção farmacêutica dentro do serviço de farmácia constitui uma abordagem imprescindível para a promoção da saúde.. Brasil a maioria dos pacientes não soube responder do que se tratava o tema Atenção Farmacêutica (AF) e somente após explicação clara e simples do assunto fornecida pela pesquisadora puderam responder. O reconhecimento de que o modelo de atendimento centrado no medicamento não consegue atender às necessidades do usuário. 7 Os medicamentos constituem poderosa ferramenta para promover saúde equitativa.57% dos homens entrevistados não gostariam de ser acompanhados por um farmacêutico em seu tratamento (MARQUES et al. talvez. Minas Gerais. já que têm comprovado impacto em acesso. . Assim. por serem um dos elementos mais custo-efetivos nos cuidados á saúde. 100% das mulheres entrevistadas foram receptivas a sua implantação. construir lista de medicamentos essenciais pode ajudar os países a racionalizar compra e distribuição de medicamentos.85% afirmaram saber do que se trata e 31. 2006).

contar com profissionais adequadamente formados e preparados para gerenciar o serviço e as pessoas. necessariamente. · Na promoção do uso racional dos medicamentos. O Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos (DAF/SCTIE/MS) tem como um de seus eixos de atuação a qualificação da assistência farmacêutica no âmbito do SUS. · Na otimização e na eficácia do sistema de distribuição no setor público. viabilizando. ∙ Promover o uso e o armazenamento de forma segura. inovar. Qualificar um serviço de saúde compreende. inclusive. ∙ Melhora da qualidade da comunicação com o paciente. ambientes e equipamentos adequados. ∙ Elaboração de educação em saúde e campanhas vinculadas às necessidades da comunidade (perfil epidemiológico). ∙ Prevenir o surgimento de problemas relacionados aos medicamentos. ∙ Integração entre farmacêutico e equipe e. Fonte: Vieira. ∙ Estabelecimento de manuais de boas práticas de armazenamento e dispensação. ∙ Disposição de instalações. a questão da qualificação profissional. 2007). ∙ Oferta de informação com qualidade. 2007 O processo de reorientação da Assistência Farmacêutica (AF) fundamenta-se: · Na descentralização da gestão. · No desenvolvimento de iniciativas que possibilitam a redução dos preços dos produtos. e em especial do farmacêutico. da farmácia aos demais serviços de saúde. ∙ Redução de filas para o atendimento (principalmente no serviço público). 2008). 8 Quadro 1 ∙ Aumentar a aderência ao tratamento. integrar e cuidar. Portanto. com base em critérios científicos e éticos para a consolidação dos princípios do SUS. . é fundamental para a estruturação de serviços de Assistência Farmacêutica qualificados em todos os níveis de gestão (BRASIL. ∙ Capacitação dos funcionários da farmácia. o acesso da população aos produtos do setor privado (VIEIRA. ∙ Prevenir intoxicações. ∙ Fornecimento de educação continuada aos demais profissionais de saúde para assuntos relativos a medicamentos.

dispensação e utilização dos medicamentos. por meio do desenvolvimento da Assistência Farmacêutica. eficazes e custo-efetivos. É preciso agregar valor às ações e aos serviços de saúde. dispensar (ou seja. controle de qualidade e utilização de medicamentos com base em critérios epidemiológicos (ARAÚJO et al. Para tanto é necessário integrar a Assistência Farmacêutica ao sistema de saúde.. pode-se observar na atual PNM. além de formulário terapêutico. . pelo menos no aspecto legislativo. Dessa forma. gerenciar os estoques. Considerando que a maioria das intervenções em saúde envolve o uso de medicamentos e que este uso pode ser determinante para a obtenção de menor ou maior resultado. armazenamento e distribuição. selecionar os medicamentos mais seguros. programação. aquisição. prescrever racionalmente. no momento da dispensação e utilização dos medicamentos. Neste sentido. 9 3. armazenamento. ou seja. ter trabalhadores qualificados. 2006). adquirir a quantidade certa e no momento oportuno.3 Ações e Serviços de Assistência Farmacêutica Pensar sobre a integralidade das ações e serviços de saúde também significa pensar sobre as ações e serviços de Assistência Farmacêutica. prescrição. além de recursos disponíveis e planejamento adequado. 2006). disponibilizar protocolos e diretrizes de tratamento. pode-se evidenciar que a Atenção Farmacêutica está presente na etapa final da Assistência Farmacêutica. entregar o medicamento ao usuário com orientação do uso). programação. entre tantas outras ações (BRASIL. devem-se seguir corretamente as etapas do ciclo. tais como: seleção dos medicamentos. distribuição. conforme se observa na Figura 1. incluem-se as atividades de seleção. e monitorar o surgimento de reações adversas. distribuir e transportar adequadamente para garantir a manutenção da qualidade do produto farmacêutico. armazenar e distribuir). Não é suficiente considerar que se está oferecendo atenção integral à saúde quando a Assistência Farmacêutica é reduzida à logística de medicamentos (adquirir. em que se busca melhor detalhamento de funções e responsabilidades quanto à Assistência Farmacêutica. Para que a Assistência Farmacêutica seja de qualidade. é imperativo que a Assistência Farmacêutica seja vista sob ótica integral. programar adequadamente as aquisições. aquisição. O avanço no plano estatal. armazenar.

garantindo a intersetorialidade inerente ao SUS. tais como: políticas de medicamentos. 10 Figura 1 – Ciclo da Assistência Farmacêutica Fonte: Brasil. desenvolvimento industrial. 2006 A Política Nacional de Assistência Farmacêutica foi aprovada por meio da Resolução do Conselho Nacional de Saúde (CNS) nº 338. envolvendo tanto o setor público como o privado de atenção à saúde (BRASIL. como uma política norteadora para formulação de políticas setoriais. ciência e tecnologia. na perspectiva de integralidade das ações. . num conceito de maior amplitude. formação de recursos humanos. entre outras. 2006). de 6 de maio de 2004.

garantia da qualidade dos produtos e serviços. Sendo assim entendido a dispensação como o ato essencialmente de orientação quanto ao uso adequado dos medicamentos e sendo privativa do profissional farmacêutico. programação. 2008). aquisição.. 2006). (2008). proteção e recuperação da saúde. Nos países em desenvolvimento. o desenvolvimento e a produção de medicamentos e insumos. uma vez que a disponibilidade do medicamento é fruto da gestão. tanto individual como coletiva. na perspectiva da obtenção de resultados concretos e da melhoria da qualidade de vida da população (BRASIL. A execução desta depende da primeira. sendo de caráter multiprofissional e intersetorial. buscando melhorar a adesão dos usuários e reduzir possíveis problemas relacionados aos medicamentos que possam surgir durante o tratamento. ou seja. Segundo Araújo et al. envolvendo diversos fatores.. bem como a sua seleção. sendo que a atenção farmacêutica pode ser considerada como uma especialidade da tecnologia do uso do medicamento e privativa do farmacêutico (ARAÚJO et al. E como profissional de medicamentos. Este conjunto envolve a pesquisa. Araújo e colaboradores (2008) afirmam que o farmacêutico ocupa papel-chave nessa assistência. tendo o medicamento como insumo essencial e visando ao acesso e ao seu uso racional. na medida em que é o único profissional da equipe de saúde que tem sua formação técnico- científica fundamentada na articulação de conhecimentos das áreas biológicas e exatas. Assistência Farmacêutica é: Conjunto de ações voltadas à promoção. 11 De acordo com a Resolução no 338/2004. acompanhamento e avaliação de sua utilização. dispensação. duas subáreas distintas. A assistência farmacêutica no Brasil pode ser considerada como parte indissociável do modelo assistencial existente. pelo menos. distribuição. Entretanto. principalmente para um maior conhecimento da natureza do problema. a assistência farmacêutica é uma grande área composta por. busca-se uma Assistência Farmacêutica plena e de qualidade. torna-se imprescindível o envolvimento do profissional farmacêutico. 2008). como o Brasil. . pois com o fortalecimento da Assistência Farmacêutica será possível aprofundar as discussões para a implantação e implementação de uma Atenção Farmacêutica sólida em nosso país (PEREIRA et al. Considerando os parâmetros delimitados pelas definições. porém complementares. uma relacionada à tecnologia de gestão do medicamento (garantia de acesso) e a outra relacionada à tecnologia do uso do medicamento (utilização correta do medicamento). traz também para essa área de atuação conhecimentos de análises clínicas e toxicológicas e de processamento e controle de qualidade de alimentos. garantindo principalmente acesso da população aos medicamentos da atenção primária. o problema das interações medicamentosas e do conhecimento sobre o uso de medicamentos parece ser de natureza bastante complexa.

hipertensos. Dentro dessa necessidade poderiam ser organizados no serviço de saúde.. a profissão farmacêutica tem passado por transformações no perfil desse profissional. cursos de gerência ou oficinas para esses profissionais. De modo geral. nos dias atuais. fortemente marcado pela gestão burocrática. com mais frequência. a orientação das atividades é vinculada ao controle de estoque. as concepções sobre a Assistência Farmacêutica refletem as representações dos profissionais farmacêuticos sobre o seu próprio processo de trabalho rotineiro na unidade de saúde. Ainda que haja uma clareza desses profissionais quanto à existência de dois processos diferentes na Assistência Farmacêutica. através da implantação do currículo generalista. 12 Nas últimas décadas. ou seja. garantir a disponibilidade do medicamento ao usuário. 2006). epilépticos e portadores de HIV/AIDS (ARAÚJO et al. Deste ponto de vista a Assistência Farmacêutica inclui não somente as atividades ligadas à compra e distribuição de medicamentos. 2008). 2006). assumindo um papel importante na informação sobre a utilização correta dos medicamentos e desenvolvimento pleno da assistência farmacêutica (ARAÚJO et al. Devido a isso. Dentre os objetivos da Assistência Farmacêutica estão: assegurar a acessibilidade de medicamentos e farmacoterapia de qualidade à população.. diabéticos. assumindo um papel central no seguimento/acompanhamento farmacoterapêutico dos usuários portadores de patologias crônicas. esquecendo-se de seu objetivo principal que é o paciente. como os idosos. tornou-se primordial uma nova relação profissional do farmacêutico. o qual norteia todas as atividades no interior da farmácia (ARAÚJO et al. oferecer serviços farmacêuticos e cuidados ao paciente e à comunidade. com ênfase nos grupos de risco. ancorada na justificativa da garantia do acesso ao medicamento. centrando sua formação acadêmica no cuidado aos pacientes. mas todas aquelas direcionadas ao uso .. o farmacêutico reorientou sua formação principalmente para o medicamento. Nesta visão. complementando a atuação de outros serviços de atenção à saúde e contribuir de maneira eficaz e efetiva para transformar o investimento com medicamentos em incremento de saúde e de qualidade de vida (ARAÚJO et al.. auxiliando-os na solução de problemas operacionais relacionados ao atendimento de populações específicas. Entretanto. que permite ao farmacêutico integrar-se profissionalmente ao sistema de saúde. 2008). garantir o uso racional de medicamentos e de insumos farmacêuticos. o medicamento se destaca como o mais evidente objeto de trabalho farmacêutico na unidade de saúde. devido ao modelo implantado pelo serviço de saúde.

notadamente no que se refere à garantia...1 Desafios Segundo Loch-Neckel (2007). O serviço farmacêutico é o elo final da cadeia. 2006). individual e coletiva. está mais preocupado com a redução do tempo do que com a orientação propriamente dita. Entretanto. o tempo investido na orientação representa para o usuário maior desconforto e para o farmacêutico maior probabilidade de reclamações. determinando. proteção e recuperação da saúde. dentre os quais se destaca a garantia de toda população ao acesso aos medicamentos essenciais e à assistência farmacêutica. cansado pela espera. 2008). bem como as etapas relacionadas à garantia de que a população terá acesso a um produto (medicamento) de qualidade. 13 racional e melhoria do sistema logístico. ainda permanecem inúmeras denúncias referente ao excesso e à falta de medicamentos nos serviços públicos de saúde. Observa-se que todas as iniciativas tomadas no sentido de garantir maior promoção. o que prejudica a integração da equipe e a aplicação da prática necessária. quase sempre. o aumento de ações judiciais contra os gestores do SUS. Desse modo. em quantidade suficiente. na fila da farmácia ou outra. sendo isto um reflexo das precárias condições de atendimento às diretrizes políticas. . 3. envolvem uma complicada articulação entre setores. portanto o tempo de atendimento é sacrificado em benefício do processo de gestão. com uso de mecanismos de mercado e de controle comunitário (ARAÚJO et al. 2009) Na maioria das unidades de saúde. o fluxo de usuários é alto e os recursos humanos escassos. um dos principais fatores que dificultam a prática da interdisciplinaridade no trabalho das equipes é a formação dos profissionais de saúde. do recebimento dos medicamentos necessários e das informações pertinentes ao seu uso correto (PEREIRA et al. percebe-se que ainda existem muitos desafios a serem enfrentados pela política de medicamentos brasileira.3. privilegia o trabalho individual em relação ao coletivo. entre outras consequências. que prioriza conhecimentos técnicos adquiridos e desconsidera práticas populares da comunidade na qual a equipe é inserida. o usuário. Além disso. O acesso aos medicamentos ocorre de forma injusta. Nesta realidade. sob orientação profissional competente. capaz de assegurar seu uso racional (PAULA et al.. tendo o medicamento como foco. que inclui desde a pesquisa/desenvolvimento/produção. aos usuários.

o vínculo do serviço farmacêutico está relacionado com o modelo curativo. a Assistência Farmacêutica no Brasil trata-se de uma área ainda incipiente.. propondo desde a padronização racional dos medicamentos até a prescrição destes (ARAÚJO et al. 2008). centrado na consulta médica e pronto atendimento. Uma alternativa seria estimular a criação de Comissões Municipais de Farmácia e Terapêutica que promovam a confecção de protocolos clínicos de tratamento das principais patologias crônicas. setores acadêmicos. Este modelo deve ser . Estudo mostrou que “a prescrição medicamentosa era irrestrita. Outra dificuldade consiste na falta de adesão dos profissionais em prescrever medicamentos essenciais. A falta de um modelo que norteie as práticas da Assistência Farmacêutica nos sistemas locais é um dos fatores que tem dificultado sua evolução. portanto. 2008). um dos grandes desafios a serem enfrentados pelas políticas públicas. desconhece as listas de medicamentos essenciais existentes no País. perdendo a concorrência para os balconistas em busca de comissões sobre vendas. serviços de saúde e organismos profissionais (BRASIL. em todos os níveis da gestão pública. principalmente de acadêmicos. devido ao excesso de trabalho e falta de tempo para se dedicar ao atendimento.. A racionalização da utilização dos medicamentos pelos gestores é fundamental desde a prescrição até a utilização por parte do usuário. 2009). 2012). Entretanto. Há necessidade de estimular a atuação profissional. em especial por uma política de medicamentos que tenha como um dos seus princípios a melhoria da equidade (PAULA et al. As Unidades Básicas de Saúde constituem a principal porta de entrada do sistema de assistência à saúde estatal em nosso país. A implantação da Atenção Farmacêutica nas Farmácias Comunitárias enfrenta obstáculos que incluem o vínculo empregatício do profissional farmacêutico e a rejeição do programa por gerentes e proprietários. com a farmácia apenas atendendo a essas demandas. além da insegurança e desmotivação por parte dos farmacêuticos. sendo esse o primeiro passo para o sucesso da Atenção Farmacêutica. 14 comprometendo a resolução nos sistemas de saúde e sendo. abrangendo o maior número possível de prescritores.. 2012). De modo geral. Grande proporção de profissionais da saúde. uma vez que a sociedade começa a reconhecer a importância do atendimento realizado pelo farmacêutico (PEREIRA et al. e que os médicos prescreviam muitas vezes as mais onerosas alternativas” e que “5-10% das prescrições continham o mesmo antibiótico sob diferentes nomes comerciais” (BRASIL. Constitui um desafio a divulgação dessas listas.

público – crescentemente se fundamentam em evidências. Esse constitui um processo sistemático e contínuo de autoaprendizado e autoavaliação. confiáveis. Para realizar uso racional de medicamentos. comercialização. 2009). o qual inclui série de estratégias que vão melhorar a prescrição e a dispensação de medicamentos. explícito e judicioso da melhor evidência disponível para a tomada de decisão em pacientes individuais”. dentre as quais têm-se: promover estudos sobre utilização de medicamentos e discutir seus resultados com os . Sackett como “o uso consciente. publicada pela Anvisa em dezembro de 2008 (PAULA et al. através de ações intersetoriais. por meio de análise e síntese dos múltiplos esforços de pesquisa (BRASIL. Além disso. seguindo as exigências da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 96. Ela também propicia o acesso às informações que dizem respeito às repercussões sociais e econômicas do receituário médico. 3. 2012). prescrição e a utilização de medicamentos genéricos. 15 construído de forma sistêmica e suas tecnologias devem ser adequadas às necessidades do sistema e dos usuários (ARAÚJO et al. enfatizando a educação dos usuários no tocante aos riscos da automedicação. para o comércio de produtos farmacêuticos e para a população leiga. por isso... financiadores. 2006). garantir o uso racional do medicamento. Busca-se. sem o que as condutas se tornam rapidamente desatualizadas e não racionais (BRASIL. Essa postura corresponde ao paradigma conceituado por David L. é preciso selecionar informações provenientes de conhecimentos sólidos e independentes e. 2012). profissionais.4 Uso racional de medicamentos A promoção do uso racional de medicamentos envolve as etapas de produção. As decisões em saúde pública tomadas por vários atores – gestores. desse modo. Essa nova legislação entrou em vigor em junho de 2009. é necessário filtrar eficientemente a informação relevante para uma prática em particular ou uma determinada política. esta promoção possibilita a adequação dos currículos dos cursos de formação dos profissionais de saúde e a nova regulamentação da propaganda dos produtos farmacêuticos para os médicos. da interrupção ou da troca da medicação prescrita. Para isso.

que além de contribuir sinergicamente para o desperdício.. como é o caso da emergência de cepas de microrganismos resistentes aos antibióticos disponíveis (PAULA et al. sendo que o uso abusivo. insuficiente ou inadequado de medicamentos lesa a população e desperdiça os recursos públicos (BRASIL. 2012). o conhecimento dos desafios para implementação de ações e serviços de Assistência Farmacêutica eficaz e o uso racional de medicamentos são pontos relevantes na Assistência Farmacêutica. prescrição não orientada por diretrizes. quanto de escassez. culminando sempre com a desassistência aos usuários e a interrupção de tratamentos. uso indiscriminado de antibióticos. pode causar sérios problemas tanto no nível individual como no coletivo. comprometendo a resolutividade das ações de saúde. 16 profissionais e promover programas de informação ao cidadão e ao doente (ARAÚJO et al. a forma mais efetiva de prevenir o uso incorreto de medicamentos na atenção primária em países em desenvolvimento é a combinação de educação e supervisão dos profissionais de saúde. a definição de tecnologias adequadas para a promoção do uso racional dos medicamentos no sistema de saúde passa pela análise do estágio atual de organização da Assistência Farmacêutica no Brasil. No Brasil. 2012). 4 CONCLUSÃO Pelo exposto com este trabalho de revisão bibliográfica foi constatado que a organização e estruturação dos serviços de farmácia. 2009). no qual temos esta como parte indissociável do modelo assistencial existente. automedicação inapropriada. Somam-se a estes problemas aqueles ligados ao uso não racional de medicamentos. o uso incorreto de medicamentos deve-se comumente a alguns fatores como: polifarmácia. Estes fatores acarretam pontos desfavoráveis e críticos quando pensamos na Assistência Farmacêutica de uma forma eficaz. 2006). .. Segundo a OMS. Segundo Paula e colaboradores (2009). educação do consumidor e garantia de adequado acesso a medicamentos apropriados (BRASIL. levando à imobilização de capital e à perda por vencimento. São frequentes na mídia as denúncias tanto de excesso de medicamentos.

Esta avaliação. através de participação nas conferências de saúde. da educação em saúde. sendo também necessário avaliar os fatores que potencialmente podem interferir em seu tratamento. uma vez que é justamente a partir de tal trabalho que se almeja alcançar uma abordagem integral sobre os fenômenos que interferem na saúde da população. como: hábitos alimentares. com a possibilidade de intervenção visando à efetividade terapêutica. é preciso considerar o potencial de contribuição do farmacêutico e efetivamente incorporá-lo às equipes de saúde a fim de que se garanta a melhoria da utilização dos medicamentos. O uso irracional de medicamentos é um importante problema de saúde pública. principalmente através da disposição de um serviço de farmácia com qualidade (e neste aspecto incluem-se a orientação e o acompanhamento farmacêutico) e. portanto os serviços farmacêuticos de atenção básica (primária) contribuem para a diminuição da internação ou do tempo de permanência no hospital. para uma intervenção terapêutica mais custo-efetiva. de mudanças curriculares. pode ser alcançada com a implantação da atenção farmacêutica. histórico de reações alérgicas. o serviço de farmácia deve assumir papel complementar ao serviço médico na atenção à saúde. O paciente que sai do consultório com uma receita terá maior resolução de seus problemas se tiver acesso ao tratamento prescrito e se a prescrição atender à racionalidade terapêutica. os Conselhos Federais e Regionais de cada categoria profissional vêm se organizando e lutando pela inserção de seus trabalhadores nos serviços de saúde pública. etc. A partir disto. portanto. à prática de educação em saúde e. . percebe-se a necessidade do trabalho interdisciplinar. de fácil acesso à população. o que inclui o Programa Saúde da Família. Faz parte das atribuições do farmacêutico a promoção da saúde. Em todos os níveis de atenção à saúde. Isto acontece a partir de movimentos para a conscientização da importância de outros profissionais para a atenção integral da população. com redução dos riscos de morbimortalidade e que seu trabalho proporcione meios para que os custos relacionados à farmacoterapia sejam os menores possíveis para a sociedade. tabagismo. uso de outros medicamentos ou drogas. outras doenças. à assistência aos portadores de doenças crônicas. entre outros. A partir desta abordagem. objetiva-se atingir maior eficiência e eficácia dos programas e serviços oferecidos à população. 17 As unidades básicas de saúde constituem a principal porta de entrada para o sistema nacional de assistência à saúde em nosso país. Dentro desta lógica. ou até mesmo a falta de adesão.

A atividade de orientação aos usuários na farmácia das Unidades Básicas de Saúde torna-se praticamente impossível. A solução do problema. por ter seu tempo preenchido através da resolução de problemas operacionais referentes à gestão dos estoques e atendimento aos usuários. com o acompanhamento dos pacientes durante o uso dos medicamentos prescritos. no âmbito geral. prescritores e dispensadores de medicamentos. distribuição e venda desses insumos. Para tanto. Ao realizar a identificação. bem como aqueles envolvidos no comércio. não muda o fluxo já estabelecido pelo serviço de saúde. No âmbito específico. devido ao maior conhecimento em relação aos medicamentos e melhor comunicação entre a equipe de . se mantida a forma como o serviço está estruturado. ou seja. a correção. atuando juntamente com os demais atores sociais. mas também na garantia de acesso aos demais medicamentos como uma questão de direito social legitimado na constituição do SUS. pois grande parte das pressões de demanda não depende do serviço de saúde em si. a prevenção ou a redução dos possíveis agravos ocorridos devido à má utilização dos medicamentos. Isso possibilita o resgate do papel do farmacêutico como profissional do medicamento a serviço da coletividade e não a favor do mercado. O farmacêutico tem uma interação limitada com a equipe de saúde. as quais têm impacto direto nas condições de saúde da população. Portanto. como já explicitado. mas deve garantir também a atenção farmacêutica. mas é necessária uma análise mais cuidadosa dessa premissa. por estar no elo final do processo de atendimento. o farmacêutico pode estabelecer um vínculo maior com os usuários do sistema. 18 A reorientação da assistência farmacêutica não pode ser restrita ao ato de adquirir e de distribuir os medicamentos. usuários. o Estado deve ter papel central neste processo. qualquer ação no sentido de reduzir a fila é valorizada. mas de políticas sociais inclusivas. entretanto. é fundamental que os gestores racionalizem a utilização dos medicamentos desde a prescrição até a utilização por parte do usuário. a Atenção Farmacêutica com acompanhamento/seguimento farmacoterapêutico pode promover melhor controle da patologia dos pacientes. Neste rol de atividades. habilitação específica do profissional farmacêutico. qual a solução para atender a uma demanda que parece ser infinitamente crescente e ao mesmo tempo não desumanizar o serviço? Uma das sugestões é a melhora do controle informatizado. O acesso aos medicamentos essenciais deve ser ampliado no sentido de contemplar não somente a garantia do acesso igualitário e universal da população brasileira. pois na farmácia deságuam quase todas as mazelas do sistema de saúde. não será simples.

19 saúde. . Estes parâmetros contribuem para a redução dos erros de medicação e reações adversas.

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