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estudos semióticos

http://revistas.usp.br/esse/index

issn 1980-4016 vol. 9, no 1
julho de 2013
semestral p. 68 –79

O corpo próprio na semiótica
*
Maria Goreti Silva Prado

Resumo: Neste artigo, apresenta-se uma reflexão sobre como o conceito de corpo passou a fazer parte do
conjunto epistemológico da teoria semiótica. Com esse propósito, estabeleceu-se um percurso que se iniciou com
os estudos referentes às paixões desenvolvidos por Fontanille e por Greimas, em Semiótica das paixões (1993), e
nas reflexões de Greimas sobre a estesia, em Da imperfeição (2002), obras que introduziram a problemática em
relação ao conceito de presença, tema que, neste trabalho, será apresentado com base nos estudos desenvolvidos
por Fontanille e por Zilberberg, em Tensão e significação (2001). Para esses autores, a presença semiótica
baseia-se nas interações entre sujeito e sujeito, e entre sujeito e objeto, que ocorrem em um domínio discursivo
denominado campo de presença. Jacques Fontanille dedicou grande parte de seus estudos a essas questões,
porém, o autor propôs a denominação de campo posicional. Em busca de estabelecer um elo entre a noção de
corpo e a de actante, Fontanille considerou que o corpo, operador da semiose, constitui-se pela carne e pelo
corpo próprio. A carne, denominada moi, seria a instância enunciante, responsável pela tomada de posição no
processo de semiose. O corpo próprio, que o autor designou soi, seria portador da identidade que se constrói
no processo de semiose e no desenvolvimento sintagmático de cada semiótica objeto. As considerações de
Fontanille em relação ao conceito de corpo próprio finalizam o desenvolvimento do tema discutido neste estudo,
cujos objetivos foram de refletir sobre a maneira pela qual a noção de corpo foi incorporada à teoria semiótica e
de como esse conceito foi tratado pelo autor.

Palavras-chave: Actante, Campo posicional, Corpo próprio, Enunciação, Presença

Introdução cando fazer ajustes em seu quadro teórico quando,
em um desses níveis, surgissem instabilidades que
O conceito de corpo é um tema presente em diversas comprometessem o todo teórico.
áreas das ciências humanas, como: psicologia, feno- No final da década de 1980, a temática passional,
menologia, psicanálise, antropologia, sociologia, entre que envolvia os estudos semióticos da época, apontava
outras. Cada área aborda o tema de acordo com sua para a necessidade de um aprimoramento no conjunto
especificidade. A semiótica francesa, que não consi- epistemológico, culminando no interesse pela inves-
dera o universo ontológico, interessa-se em investigar o tigação dos elementos contínuos que participam da
modo em que ocorre a representação discursiva desse construção do sentido. A partir desses estudos, a
conceito. noção de corpo, deixada de lado pela semiótica em
Desde seus primeiros momentos, o projeto semiótico virtude do desenvolvimento de uma teoria da ação, e
apresentou-se em constante desenvolvimento. Fun- por conta do formalismo e do logicismo que imperou
dado na década de 1960, por um grupo liderado por na linguística estrutural dos anos de 1960, ocupou
Algirdas Julien Greimas, preocupou-se em desenvolver lugar de destaque na teoria.
uma metodologia de análise voltada para entender de Pretende-se neste trabalho, primeiramente, refletir
que maneira ocorre a construção do sentido em qual- sobre a incorporação do conceito de corpo na episte-
quer tipo de texto. Por questões metodológicas, seu mologia semiótica. Para tanto, buscou-se traçar o per-
foco teórico inicial foi direcionado à investigação dos curso do desenvolvimento teórico tomando como ponto
elementos descontínuos. Organizada sob a forma de de partida os estudos desenvolvidos em Semiótica das
um percurso gerativo composto por níveis — fundamen- paixões (1993), em que seus autores, Fontanille e Grei-
tal, narrativo e discursivo — a metodologia semiótica mas, consideraram que os diferentes tipos de relação
sempre primou pela coerência de seus conceitos, bus- juntiva — conjunção, disjunção e seus desdobramentos
*
Universidade Estadual Paulista ( UNESP/Campus de Araraquara ). Endereço para correspondência: h magoreti.silva@gmail.com i.

tratar-se-á parte corporal. isto é. pois. o ter sido privilegiada naquele momento. Os estudos sobre as Nesse estágio da teoria. a questão que surgiu foi: em que consiste uma Fontanille confirmam essa afirmação. Sua proposta consistiu em atribuir ressoam até nos patamares mais profundos duplo estatuto ao conceito de corpo. ele é consi- derado ainda hoje o mais sólido no conjunto da teoria. defi.“Trata-se [. se ele é capaz de executar às modalidades. base de toda a semiótica greimasiana. O modo de existência também originou. em parte. incidindo sobre a instância chamada de soi. modelo epistemológico clássico. Em consequência. enquanto operador. A Linguística. p. Fontanille estudos linguísticos. considerou competência modal aquilo que torna possí- p. quando. e que visa a objetivos científicos e que é organizada hierarqui- a categoria não-disjunção definiu o quarto modo de camente na forma de percurso gerativo. e a sintaxe narrativa tornou- miótica relacionou-se à sobredeterminação do ser e se a representação mais concreta das primeiras arti- do fazer. e uma parte instrumentos metodológicos (Fontanille. a Linguística definiu competência modal como “aquilo teoria das modalidades foi o primeiro passo na direção que faz ser”. dos dois anos após seu lançamento na França. a reflexão direciona-se autores destacam que: aos estudos elaborados por Jacques Fontanille (2011)1 sobre a noção de corpo. o autor propôs O fato de considerar o componente passional que se examinasse o conceito de actante a partir da do discurso conduz a tais ajustamentos que noção de corpo. 1993. baseando-se nesse princípio. 184). o do universo perceptivo. apareçam instabilida- investigação. tência modal ao sujeito de estado. Modos de existência e a iniciais ao nível narrativo. Grei- formal. foram os fatores descontí- modalidades.. Nesses estudos. o enunciado. mentares — de estado e de fazer. incorporação do conceito de Desenvolvido progressivamente. uma da teoria semiótica. a semiótica postulou Segundo Fontanille e Greimas.definiram os modos e Greimas apontam para o fato de que uma teoria que de existência do percurso do sujeito narrativo.]”(Fontanille. responsáveis pela construção do sentido. Essa configuração caracterizou a sujeito. possibilitando um novo domínio de teórica. dirige. fundo. na dimensão ab quo. como acontece existência. que põe em relação um definido pela relação de junção. responsável pela força de impulsão e pelo verificando a validade das premissas e dos centro de referência do campo discursivo. ou No livro Semiótica das paixões: dos estados de coi. com a semiótica. des que possam repercutir em todo seu conjunto.] de um a existência de dois tipos de sujeitos: sujeito de estado. sujeito conhecedor.. 2007. cognoscível” (Fontanille. é a condição prévia à execução do fazer do sujeito. a semiótica é considerada um pro. que incide sobre a instância denomi- de remontar progressivamente à superfície. Greimas. Inicialmente sobre suas precondições para. ou seja. e sujeito do fazer. 1993. ou seja. publicado em 1993 no Brasil. que constituíram culações da significação. é porque possui competência para tal. que ver as etapas que antecediam e sucediam a ação do foram privilegiados. vel a execução de um programa narrativo virtual. por- passionais nos discursos. “transformacionalidade”. A semiótica. relação juntiva. sendo a responsável pela competência modal paixões foi em relação às condições prévias do fazer do sujeito do fazer. A partir daí. o fazer sendo seu elemento principal. reduziu-se ficou o fato de a descontinuidade dos efeitos de sentido ao conceito de transformação. As modalizações estruturas elementares como espetáculo do mundo incidem tanto sobre o sujeito do ser. seja. tornou-se possível explicar os efeitos uma ação. De acordo com os dois tipos de enunciados ele. julho de 2013 não-conjunção e não-disjunção . de uma Semiótica das paixões [. permitiram descre. na década de 1970. do sujeito narrativo. nuos. esse nível buscou a corpo em Semiótica coerência de seus conceitos em um patamar mais pro- Desde seu início.. pois para ele “Do competência modal e qual é seu modo de existência? A ponto de vista da história da Semiótica do discurso. 69 . no 1. desenvolvimento narrativo caracterizou-se pela sua O próximo passo do desenvolvimento teórico da se. sas aos estados de alma. Os Em um segundo momento. em face das nido pela relação de transformação. inventa e identifica as identidades discursivas. a semântica do nível narrativo. como sobre o sujeito O questionamento epistemológico pós-Semiótica das do fazer. mas. está sujeita a ter de fazer ajustamen- ginário pelo qual a noção de corpo incorporou-se à tos epistemológicos. A partir dos estudos referentes do sujeito narrativo. em seguida. nada moi. compreen- privilegiou-se o desenvolvimento da sintaxe narrativa. preocupada em 1 Essa obra de Jacques Fontanille é uma reformulação dos conceitos já apresentados em Soma et Séma (2004). As seguintes palavras de tanto. 9. às modalidades. A semiótica dedicou grande parte de seus esforços 1. vol. 20). considerado um lugar ima. sempre respeitando a coerência teoria semiótica. Por conta disso. foi a seu nível epistemológico questionar jeto e não uma disciplina constituída. 10). Nesse sentido. o potencial. estudos semióticos. que orienta. Isso justi.. der sua manifestação discursiva. p. atribuindo exis. em seus níveis.

que se desdobram. própria do eixo sintagmático. (Courtés. 2008. depois. 70 . que se apresenta como a manifestação dis. as categorias semânticas da junção e os modos cursiva. caracte- miótica foi determinado pela relação juntiva. dependendo do caráter fazer. ou seja. que. A passagem do sistema* ao processo*. 2008.] a primeira. reconhecer um terceiro modo de existência Figura 1. o modo define. o realizado. ção. paradigmaticamente. reproduziram-se. sujeito e objeto só existem em relação um com 195). em um quadrado semió- semiótica. o outro. que foi deno- minado “potencializado”. foram estabelecidos e parole. conjunção. (Courtés. cujos termos foram denominados creta”. de existência do sujeito que não teriam sido encheu a quarta posição no inventário dos modos levantados até o presente.. sujeito e objeto são A semiótica. levando em de sua posição no seio da categoria da jun- conta as categorias semânticas da junção. 195). como nos esclareceu em disjunção são considerados atualizados. Conjunção Disjunção (realizado) (atualizado) Não-disjunção (?) Não-conjunção (virtualizado) Figura 1 Modos de existência e categorias juntivas conforme o Dicionário de Semiótica (2008) Notou-se que o lugar da “não-disjunção” ainda não de existência. reconheceu para a fala saussuriana um terceiro disjuntivo ou conjuntivo da relação. a No quadro teórico da semiótica. por dedução. Greimas. sujeito e objeto modo de existência. portanto. De acordo com Fontanille e Greimas. conjunção e disjunção. Assim. reconhe. em sintaxe de superfície definem-se em função Semiótica das paixões. definiu-se junção existência atual. é uma existência in absentia. Na portanto. Nesse de atualização*. a segunda. Propõe-se deno- 2 Estatuto conquistado após Saussure (1971) definir a língua como objeto de estudo linguístico. p. pode-se considerar que a “não-disjunção” ceram a existência de uma quarta posição. preocupada com o estatuto do sujeito do considerados virtuais. o percurso dos modos de existência na se- [. posteriormente. sendo considerado um“lugar”hipotético. O quarto modo de existência.. denomina-se processo vamente. respecti- da língua ao discurso*. parecendo. havia sido preenchido por um modo de existência do imaginário. Greimas. também ela. no qual os autores. após a Courtés e Greimas ao declarar que “forçoso nos é. p. em não-conjunção e não-disjunção. não constava no Dicionário Como os modos de existência do sujeito da de Semiótica. rística do eixo paradigmático* da linguagem. sujeito. Maria Goreti Silva Prado manter sua posição de “objeto científico autônomo” 2 . pre. como a relação oferece ao analista os objetos semióticos in que une sujeito e objeto. uma posição e um modo de existência “potencializado”. tico. o atualizado e o realizado. com isso. distinguiu dois modos de existência para o três modos de existência para o percurso do sujeito objeto que analisa: narrativo: o virtualizado. conside- baseando-se na distinção saussuriana entre langue rando a interpretação narrativa. tornam-se sujeito e objeto realizados. mais “con- categoria semântica. antes da junção. devido à semiose*. de duas maneiras: sintagmaticamente. sentido. o da existência realizada” de existência do sujeito narrativo. como praesentia. a existência virtual*. Ele foi considerado.

é dito atualizado.. 9. [. entendida esclarece que: como instância de mediação entre as instâncias semi- onarrativas e discursivas. no 1. 52-53). cujo responsável é o sujeito Para propor esse estágio pré-cognitivo. cedor em sujeito de busca. 37-38).diz respeito zação. a última fase é crevem o percurso narrativo e o percurso da construção a da convocação dos elementos tratados nos níveis teórica ao mesmo tempo. como se esses elementos ainda oscilassem. que dá origem ao sujeito que discorre. que interage com uma “sombra de valor”. estudos semióticos. ele pressupõe o ção com uma “sombra de valor”. a totalidade do percurso até a performance dade de cisão e formação categorial das fun. gerativo. a se. nesta fase. o que instala as ’estrutu- rasse. esse “quase-sujeito” é convertido em sujeito ao sujeito narrativo. perfície. 1993.] o sujeito que discorre é o da instância entre a indeterminação dos papéis — espécie ad quem. vol. Fontanille e Greimas (Fontanille. 138) reconhecem uma fase de tensividade gerativo. O construção teórica. quadrado semiótico. Tatit discorre depende da práxis enunciativa. sujeito conhecedor.virtualizado. Greimas. e que pode ser considerado. como se pai. p. e não-conjunção foram representados na forma do p. Após os processos de discretização e de categori- atualizado. em que o sujeito como das variações da tensividade fórica. p. por isso tit. potencializado. já que ambos decorrem da superfície permite a conversão desse sujeito conhe- distinção entre as instâncias ab quo e ad quem. que des. De acordo com as pressuposições que miótica teve de conceber um sujeito e um regem o percurso dos modos de existência apresenta- objeto ainda despidos de traços categoriais das por Fontanille e Greimas: e mesmo de definições funcionais. e seus desdobramentos não-disjunção sujeito realizado. os quatro modos de existência do medida em que ele resulta de uma negação sujeito narrativo e as categorias semânticas disjunção do sujeito atualizado e é pressuposto pelo e conjunção. como virtualizado. discursiva. julho de 2013 minar esse papel “sujeito potencializado”. (grifo do autor) 71 . pois cumpriu de fusão num todo unitário — e a possibili. em profundidade. (Fontanille. potencializado e realizado . ele é dito realizado. conforme a Figura 2. mas pode ser transposta para conhecedor. Por fim. 2008. epistemológico se encontra prefigurado por um “quase. Os autores de Semiótica das paixões nível das estruturas semionarrativas de su- falam então de um “quase-sujeito”em intera. na Com base nisso. O sujeito de busca. Em relação ao percurso da anteriores. Conjunção Disjunção (realizado) (atualizado) Não-disjunção Não-conjunção (potencializado) (virtualizado) Figura 2 Modos de existência do sujeito narrativo com acréscimo do potencializado A sequência dos modos de existência . A incorporação da sintaxe narrativa de o sujeito epistemológico. um pressentimento ras elementares’. mesmo. o de convocação é reservado à colocação em fórica localizada entre o nível de discretização e o de discurso tanto dos elementos do nível semionarrativo categorização e o nível epistemológico. situado no ções.. procedimento de conversão é reservado ao percurso 1993. termo ab quo do percurso das atrações posteriormente modalizadas (Ta. A passagem do sujeito da busca para o sujeito que sujeito”.

a única ins- modalidades do ser (potencializantes e realizantes) e tância em que o corpo teria direito de cidada- do fazer (virtualizantes e atualizantes) que. lização. de certa por intermédio do proprioceptivo — guarda a maneira. mas de que. É o que nos do sujeito. no a realização do sujeito. procedimentos que.Semiótica das sujeito obedece às indicações das setas: paixões 72 . esse sujeito não pode se afastar. p. qualificação do sujeito. A questão que Courtés co- memória do corpo próprio. da potencialização à realização. à primeira nia. 25) propõe. Só a enunciação. Essa modalidade “determinante” (tida como dos de existência no quadrado semiótico. poderá de novo sagem ao ato”. uma fatalidade) é. relaciona-se à possibilidade de construir-se um tizada e categorizada. Quando discre- loca. não podem ser isótopas. mas com as determinantes. não com as modalidades potencializantes. ao mesmo tempo em que permite [. Joseph Courtés (1998) propõe uma explicação ao mo- ria a uma porta aberta no percurso narrativo para a delo apresentado por Fontanille e por Greimas (1993). e esclarecem Fontanille e Greimas ao declarar que: depois. vista. Joseph Courtés (1998)e da ordem do “precisar fazer” e não do /não poder não Fontanille e Zilberberg (2001) reestruturaram os mo. para as modalidades. p. de natureza impes- soal. A reorganização dos modos de de alguma maneira. 139). muito embora não se A existência semiótica que resulta de uma possa afirmar que sejam absolutamente heterogêneas. ela só retém vestígio quadrado semiótico das modalidades. Maria Goreti Silva Prado (Fontanille. a potencialização corresponde. pós. representam-se. 2. fazer/.. entrada do imaginário e do universo passional e é a Ele esclarece que é o ato de enunciação que permite responsável pelo impulso necessário para que o sujeito ao enunciador passar da virtualização. Esse modelo tenta unir as percurso da construção teórica. tímica em euforia/disforia. complementaridade e.. instauração passe da competência à performance. que se afaste do percurso que o conduz à rea- (Fontanille. De acordo com o exposto. 138). mutação interna dos produtos da percepção Há. do quadrado semiótico (ver Figura 3). em alguns ca- — o exteroceptivo engendra o interoceptivo sos. Greimas. que impulsionam a “pas- pela potencialização do uso. exterior ao sujeito que ela modaliza. isso do proprioceptivo na polarização da massa é possível. que produz o objeto semiótico. na forma Realizado — Atualizado — Sujeito que Sujeito da busca discorre Potencializado — Virtualizado — Sujeito da práxis Sujeito enunciativa conhecedor Figura 3 Modos de existência do sujeito narrativo e do sujeito epistemológico Nessa perspectiva. 1998. 1993. os modos de exis- tência do sujeito narrativo e do sujeito epistemológico. um esquema (ver Figura 4) cujo percurso efetuado pelo semiótico. como constitutivo dos efeitos de sentido. entre elas. por definição. Para ele. destino. impedindo que o ator oculte-se a seu solicitar o “sentir”e o corpo enquanto tais.] o sujeito potencializado representaria. Greimas. à atualização. p. aproximam-nas. As modalidades determinantes seriam mais Em estudos posteriores. sobredeterminação. 1993. existência no quadrado (Courtés.

”(Fontanille. não-disjunção. pelo menos.] na medida em que (i) a acepção linguís. a virtualização é existência apresentados em Semiótica das paixões (ver tida como disjuntiva. não retomamos nem a formu- à realização. estudos semióticos. Fontanille e Zilberberg considerada disjuntiva. Figura 5). é se servir de um emprego contra-intuitivo 73 . nota de rodapé inserida na obra citada: tica mais corrente da atualização é a de uma “subida”das estruturas virtuais em direção à Como já mencionamos e justificamos no ca- manifestação e. p. Os autores ainda reforçam essa posição em uma [. p. 58). no 1. 2001. Para esses autores. por conseguinte. na correspondência dos modos de não-conjunção. Consequentemente. em direção pítulo “Valor”. considerar conduz a um retorno das formas do uso para a atualização como disjuntiva no discurso. segundo Courtés (1998) Em Tensão e significação. passa a ocupar a posição da (2001.. 9.. lação de Semiótica das paixões nem a do Dici- palmente pelo efeito da práxis enunciativa. essa mudança fez-se quemática que fica em seu lugar. A potencialização passa à posição da essa mais radical. vol. a atualização. e (ii) a potencialização. princi. onário de semiótica: na realidade. 58) também introduzem uma modificação. necessária. antes Realização Virtualização Conjunção Disjunção Atualização Potencialização Não-disjunção Não-conjunção Figura 5 Modos de existência conforme Tensão e significação (2001) Para Fontanille e Zilberberg. Zilberberg. o sistema ou. a uma memória es. julho de 2013 Sujeito atualizado Sujeito realizado Sujeito virtualizado Sujeito determinado Figura 4 Esquema das modalidades.

seu autor. mais ’con. [. a atualização os verbetes transformaram-se em capítulos. p. de Fontanille e Zilberberg. para ele. 134).]. definido por Courtés e Greimas.. Ele em que autores de diferentes nacionalidades expres. atribuindo ao ato perceptivo. p. ou seja. 9).. conceito de modo de existência potencial. Dicionário de semiótica. 2001. A publicação do livro causou certo espanto a dimensão passado-presente-futuro. no seio de uma semió- epistemológica (cf. com isso. a problemá. Greimas & Courtés: “a tica geral ainda por construir. significação 5 . na qual a construção da tima obra de Greimas enquanto autor único. mas. p. 1999. Em 1998.”. dix ans après. e “estesia”. No capí- está a um passo da realização. principalmente em relação das paixões desenvolvidos no início da década de 1980. com a noção . o sujeito do situá-la. Fontanille. Dessa forma. neste caso. um ‘campo de presença’ no sentido amplo. 2008.. A.. “A maioria das ino- do conhecimento e o objeto cognoscível. é vações teóricas e metodológicas. Courtés.. parecendo. ao reconhecer que a relação cognitiva entre sujeito e objeto é a base perceptiva da apreensão da sig- modos de presença nificação. J. e cujos ‘estandartes’ objeto impõe-se ou revela-se inesperadamente.]. o livro tornou-se uma espécie de tratado. 357).. às reflexões de Merleau-Ponty (1999). 4 No original: «La plupart des innovations théoriques et méthodologiques qui sont en germe dans ce petit livre. Courtés. e palavras possuem um sentido.. (Greimas. Segundo teórico da relação transitiva* entre o sujeito Jacques Fontanille (1999. Porém. [..] uma determinação atribuída a uma gran- a obra era decorrência dos estudos sobre as paixões deza*. Greimas havia produzido. Tal acepção. mos dêiticos.172). convergem. 382-383). a percepção nos dá “[. oferece ao analista os objetos semióticos in praesentia. na Bélgica. que a transforma em objeto de saber* desenvolvidos no início da década de 1980. 2001. Fontanille e Zilberberg estabelecem um elo entre a se- tica da presença semiótica inicia-se com os estudos miótica e a Fenomenologia. é a partir da edição de De l’Imperfection (1987) o conceito de “campo de presença”. citamos identidade do sujeito está em constante devir.] este trabalho procura pretar o ato como uma transformação. depois da “poeira assen- tada”.. essencial- de então.. existência atual.. situa. p. p. tificar os instantes efêmeros em que a presença do sica’. Semiótica (Greimas..» (Fontanille. convergent. ção entre sujeito e objeto. Zilberberg...] (Fontanille.. o componente sensível foi.. como: De l’Imperfection. pois. prioridade na Ao reboque dos caminhos abertos pela introdução do organização do processo de significação. estética (1999). foi publicada. (Tradução nossa) 4 sença identifica-se em parte. Dos modos de existência aos tivo [.” (Merleau-Ponty.] não pretende substituir a semiótica ‘clás. p. 5 A obra que consta nas “Referências bibliográficas” é a publicação brasileira de 2001. própria do eixo sintagmático. que desenvolve mas. os autores declaram que o ponto de vista apresentado no livro: A questão agora não é mais saber se o sujeito está disjunto ou conjunto com o objeto valor. percebe uma modificação si próprio: situá-la e situar-se como uma das do fluxo de suas sensações e de suas impressões. para definir o espaço-temporal em que se dá a rela- Como uma das provas do impacto causado pela úl. apresenta um trabalho cujo tema geral era a tende segundo duas dimensões: a dimensão aqui-ali. que se es- Greimas. aos creta’. definindo-o em ter- 3 . a obra Tensão e 2008. a obra intitulada Semiótica. cada vez mais. a princípio. Concebido. tulo intitulado “Presença”.. Zilberberg. já pertencia à metalinguagem da teoria desde meados sam as reflexões que fizeram a partir da leitura de dos anos 1970. na mesma a definição do conceito. ou seja. como termo complementar.]”. que podemos notar que o interesse por essa ques. é iden- [. os estudiosos da Semiótica reconheceram que [. uma determinação atribuída a uma grandeza*. p. estesis. O conceito de presença não é novo em semiótica. mente operatória*. No “Prólogo” da obra. estabelecida no quadro incorporando-se à epistemologia semiótica. A semiótica apropria-se dessa noção científicos que. 382) como “[. (Fontanille. nesse pequeno livro. vers la question de la présence. dez anos mais todos os objetos de saber possíveis e a pre- tarde. até então. de existência* semiótica. 216).] antes de compreender ou de inter- rativo canônico [. 74 . entre os que estavam acostumados com os trabalhos 1999. apresentada no Dicionário de dêixis que esta e nunca em posição contrária. Maria Goreti Silva Prado desse termo e colidir com sua significação semióticas possíveis. A partir do sujeito cognitivo. como um dicionário. em 3 A obra que consta nas “Referências bibliográficas” é a publicação brasileira de 2002. de onde provém.. para a questão da presença”. que estão em germe muito ampla: estão presentes. Para são o quadrado semiótico e o esquema nar. 216). Se as poucos.] tão toma maiores proporções. “[. que a transforma em objeto de saber* do sujeito cogni- 3. p. ao mesmo tempo em que se situa a discurso sente a eficiência. os autores complementam se.

tor. antes. é a primeira tomada de posição de miótica. na continuidade de seus considerado o centro e o condutor das impulsões e das estudos. p. não aquilo a que se poderia chamar o campo po- se trata de integrar tais noções fenomenológicas ao sicional do sujeito: a pessoa [. [.. 123). Esse corpo é Jacques Fontanille (2011). Fontanille e Zilberberg (2001) atrelam do discurso na Semiótica é preciso. como uma interde- morfologicamente. propõe resistências responsáveis pelos atos transformadores um aprofundamento da noção de campo de presença dos estados de coisas que animam os percursos das apresentada em Tensão e significação (2001). define e apropria-se corporais participam das regularidades sintagmáticas do termo para denominar o espaço tensivo.. p. (grifo do autor) (Fontanille. ações. Hjelmslev (1975) como uma solidariedade entre presença sob a forma de uma estrutura tensiva. ato que produz a “fun. apropriam-se da reformulação elaborada Jacques Fontanille (2007). Todavia. ao enunciar-se. cada parecimento”. como “ ‘entes’ sensíveis [que] se uma à sua maneira. 9. o par a diátese. é a primeira tomada tro dêitico (sujeito/objeto) e delimitado pelo alcance de posição para estabelecer a significação. propriedades topológicas mínimas. a união des- ses dois planos resulta na “função semiótica”definida Os autores procuram esquematizar a semiótica da por L. 2007. Segundo Fontanille dimensões enunciativas actancial. temporal e espacial (2007). finalmente esquematiza tais noções. é constituído por um cen. vol.. 2011.. Porém. do conteúdo com um plano de expressão. segundo seja individual ou plural.. e depois retornam a ele” mente ao processo e cujo agrupamento define (Fontanille.. A enunciação. baseia-se. 9). que também o considere como um corpo constituído de uma carne e de uma forma corporal. 12). a fim de estabelecer a significa. 7 No original «Ces deux conceptions ne sont pas incompatibles. portanto. o número. A esquematização do campo posicional. entender a noção de presença à de enunciação e consideram as como se funda a significação. de corpo Fontanille e Zilberberg (2001). “Essas duas concepções não são incompatíveis. mais gerais constitutivas do campo posicional na Se- ção semiótica”. Segundo espaço-temporal do ato perceptivo. 103). 1999. A enunciação..] avant de comprendre ou d’interpréter l’acte comme une transformation. ao processo (Benveniste. o que os leva a entender que esse procedimento prefigura o aparecimento da Fontanille reconhece. sendo essas suas Fontanille. ou seja. puisque les propriétés d’impulsion et de résistance corporelles participent aux régularités syntagmatiques qui associent un actant à une classe de prédicats narratifs» (Fontanille. Fontanille (2011) propõe que não se desaparecimentos”no campo perceptivo resultam em examine apenas o que se passa com o actante conhe- modulações que podem ser expressas tanto em termos cido como uma regularidade sintagmática. O campo posicional e a noção (Fontanille. uma modulação de presença” (tradução nossa) 6 4. tiva anterior à categorização. que produz a “função semiótica”. situam o sujeito relativa- destacam do ‘ser’ subjacente. dicativa. como acontece na Semiótica “clássica”. que representam as determinações tensivas do campo. em ato. em sujeito já que se trata de “[. 2001. considerado pendência entre os dois termos.] um conjunto de três referências que. segundo seja exterior ou interior presença/ausência integra uma configuração percep.. mas. p. tomando por base a noção de campo posicional visto que as propriedades de impulsão e de resistência elaborada por Benveniste (1976). mas de questionar como o discurso. partindo da definição elementar de que a cons- como categorias tensivas. Para esses autores. proximidade ou a distância dos horizontes”. expressão e conteúdo. o campo de presença. em que o filósofo francês a define em termos de “aparecimento e desa. os “aparecimentos e noção de corpo. do sujeito definido como: volvidos por Merleau-Ponty (1999). nas reflexões de Benveniste sobre o campo posicional sença/ausência. 1999. ato uma configuração perceptiva. 9). une modulation de la présence» (Fontanille. as categorias enunciação. p. julho de 2013 suma. ao desenvolver o conceito de corpo. quantidade e orientação um corpo que sente no centro de um determinado discursiva. no 1. esclarece que é prematuro falar espaço perceptivo. parcialmente. estudos semióticos. 190). 1976. nessa definição. que associam um actante a uma classe de predicados 6 No original: «[. ou seja. A variação entre a Buscando construir o conceito de actante a partir da presença e a ausência. Zilberberg. o que significa considerar trução da significação baseia-se na união de um plano essas três categorias em um grau maior de abstração. pela Fenomenologia em relação à categoria pre. p. principalmente dos estudos desen. le sujet du discours en ressent l’efficience. en somme. a instância do discurso sente a intensidade e a extensão de uma presença e a “torna-se presente”. elaborada por nificação. O au. 75 .] um actante que só ção.]. isto é. perçoit une modification du flux de ses sensations et de ses impressions. quem realiza esse ato é o “corpo próprio”. em Tensão e sig. Para entender como é constituído o campo posicional Desse modo. p. discurso. ou seja. calculável de intensidade das percepções entre sujeito e objeto a partir dos argumentos recorrentes a uma classe pre- como em relação à extensão dos objetos percebidos. tais como: actantes.

correspondendo à identidade no processo de semiose e no desenvolvimento sintag. para ele. Fontanille parte truir. que constituem as tipologias da posição (moi) e das As zonas de correlações apresentadas permitem que identidades actanciais (soi) da instância do discurso. ou seja. p. elaboramos o seguinte esquema: Figura 6 Primeira e segunda divisões no conceito de corpo As três operações básicas da Semiótica: (i) tomada da permanência da visada. no centro do esquema. O corpo ou. De acordo com o predomí- de posição e referência. textos coesos. a coerência repousa sobre a direção das mo. Maria Goreti Silva Prado narrativos. ou diante da repetição e da similitude característica do seja. coerentes ou congruentes. Fontanille elabore uma tipologia dos atos discursivos. soi-idem e soi-ipse. por manutenção ou permanência de um movimento próprio seria o portador da identidade que se constrói em uma mesma direção. da repetição dos papéis de um lado. xividade necessária para construir sua identidade. principalmente no ções são regidas pela visada. dimensão da extensão. atuando acontecer de duas maneiras: por repetição. soi-idem ou soi-idem. O Em busca de seu propósito. Baseando-se nas tensões entre essas instâncias. responsável ção e similitude configurando a identidade dos papéis. O moi-chair toma teriza o soi-ipse. (ii) apreensão e (iii) visada são nio das zonas de correlações. Essa construção pode seria a instância enunciante “por excelência”. ao redor ação resulta do confronto entre a movimentação do do esquema. em que as opera- mático de cada semiótica objeto. que consiste nas diferentes correlações tensivas entre Fontanille estabelece três zonas de correlações que de. A coesão de uma impulsão do moi ou do soi. o autor denomina temporalizante. A tipologia subdivide-se em três tipos moi-chair e o princípio de repetição que caracteriza o segundo sejam dominadas pelo moi-chair. A definido como soi-idem. soi. denominado soi-ipse. 12)7 constrói. tir da qual o campo discursivo organiza-se. vimentações do moi-chair estabelecida pelo princípio O domínio do moi-chair é chamado de zona de es- de visada permanente (tensão teleológica). o conceito mutuamente. que carac. Isso significa que o soi busca no moi a refle- . e. cujas operações são regidas carne seria também a instância de referência a par. quema de emergência axiológica. de outro. A carne. “eu” (identidade) no discurso. as duas instâncias pressupõem-se de uma primeira divisão. soi-ipse.”(tradução nossa) (Fontanille. Por convenção. Ao 76 . das atitudes. e. moi. espaço e no tempo. Para melhor visualização das divisões a carne. valências fortes. e. 2011. O soi é a instância responsável pela construção do substância material dotada de energia transformadora. pela apreensão. e. o corpo próprio. espacializante. soi-idem e das tensões teleológicas do soi-ipse. recupera- como força de resistência e de impulsão. O moi é a parte estabelecidas por Fontanille no conceito de corpo (ver do actante a quem o soi se refere à medida que se Figura 6). a congruência de determinada ação a iniciativa e impõe-se como instância de referência procede do equilíbrio entre os dois modos do soi. Portanto. dimensão da intensidade. teríamos a produção de homólogas das instâncias moi-chair. de corpo divide-se em: carne e corpo próprio. valências fracas. pela tomada de posição no processo de semiose. de estabelecer um elo soi é a parte do actante que o moi projeta para se cons- entre a noção de corpo e de actante. coerência e congruência. no qual o ato finem e caracterizam três tipos de esquemas regulares: praticamente não acontece por falta de pressão e de coesão.

e as determinações tensivas. desenvolvida intensidade e de extensão perceptivas. instituído pelo corpo sensível (moi-chair) e na semiótica da ação. soi-ipse. a zona que o soi-ipse domina é a da gica. as tensões individualizantes do moi-chair e as percurso da construção da identidade do actante per- tensões teleológicas do soi-ipse. as determinações topológicas. elaborada por Fontanille em 2004 e reformulada em tituem um aprofundamento do conceito de campo de 2011. O autor denomina esse espaço tensivo de põe uma organização textual levando em consideração campo posicional. Desde então. coloca tencente à zona de prevalência do soi-ipse resulta de em evidência uma especialização restritiva do corpo ac. o moi-chair enfraquece o sistema de valores vigentes tornando possível uma reorganização axioló. culminando em uma reescrita da proposta mente. como: centro de Devido à lógica das pressuposições. ou mesmo a presença simultânea de mais de um As instâncias moi e soi constituem os dois tipos regime no interior de um mesmo texto. definida as tensões individualizantes do moi-chair e sobre as por repetição e por similitude. julho de 2013 enfraquecer a apreensão do soi-idem e a visada do narrativa. presença. 9. Por último. teóricos. uma visada e de uma atitude. principalmente. resultante da mo- lógico da teoria entre os anos de 1960 e 1980. É a zona da ética nar- tante. nas diferentes etapas da teoria em relação ao conceito Os estudos desenvolvidos por Jacques Fontanille. O tempo. buscou demonstrar o elo entre esses estágios primeiramente em Soma et Séma (2004) e. que imperou referência. ao mesmo exigências de repetição e similitude do soi-idem. de considerar o corpo como operador da semiose. Porém. Sintetizamos na Figura 7 a tipologia dos atos da apreensão. construção em devenir do corpo actante. vol. reformulados em Corps et Sens (2011). A tensão A zona em que o soi-idem domina é a da programação teleológica do moi-ipse atua. próprios a essa na década de 1980. Dessa forma. sobre do corpo actante. A reflexão semiótica apresentada neste estudo. dulação entre o centro e os horizontes. re- blemática da presença despertou grande interesse nos construindo o caminho percorrido pelos semioticistas pesquisadores da semiótica. considerar-se o conceito de corpo no quadro epistemo- que correspondem à profundidade. A identidade do soi-idem. a pro. cons. conjunto teórico e. de propriedades elementares do campo posicional. controla. ao mesmo tempo. 77 . definindo seu papel dentro do percurso por meio rativa. ou seja. estudos semióticos. tornou-se necessário revisar o profundidade. não houve a necessidade de os horizontes do campo. de corpo. a predominância de um ou de outro regime narra- tivo. posterior. no 1. É a zona da eficiência e da economia discursivos: Figura 7 Tipologia dos atos discursivos Em suma. e aos graus de com a introdução da temática passional. a tipologia elaborada por Fontanille pro.

Courtés. p. Maurice Fontanille. Tradução Antônio Fontanille. Fontanille. 213-239. Merleau-Ponty. Annablume. Luiz Tatit. Problemas de linguística geral I. Jacques. Dorra. Jacques Tatit. José Paulo Paes e Izidoro Blikstein. Musicando a semiótica. Ana Claudia Fontanille. São Paulo: Ática. Hjelmslev. Tese de doutorado em semiótica e linguística Lopes. São Paulo: Saussure. São Paulo: EDUC pectiva. 78 . Paris: Maisonneuve & Larose. Paulo: Cultrix. Greimas. Fenomenologia da percepção. Algirdas Julien 1995. São Paulo: Contexto. Prolegômenos a uma teoria da linguagem. 2. Dicionário de semiótica. p. Dinamização nos níveis do percurso gerativo: Fontanille. estética. Fontes. L’énonciation comme acte sémiotique. Claude canção e literatura contemporânea. Raúl. São Paulo: EDUC. Tradução Ana Claudia Oli- 1976. São 2004. Greimas. 1975. Jacques 2011. 2001. 2006. Nou- veaux actes semiotiques.UAP. Curso de linguística geral. Semiótica.São Paulo: Universidade de São Paulo. Eric. Oliveira. Landowski. Algirdas Julien. 7–60. n. Jacques. 1971. In: Dorra. Jacques Chelini. São Paulo: Com- panhia Editora Nacional. Tradução Maria José Rodrigues Mancini. Ana Claudia. Tradução 1999. Renata Ciampone Coracin. Geral . Tensão e significação. Oliveira Ana Claudia Tradução J. Greimas. São Paulo: Hu. Ferdinand de EDUC . estética. Corps et sens. Tradução veira. São Paulo: Portela. 1999. 2. Maria Goreti Silva Prado Referências Fontanille. Da imperfeição. Limoges: Pulim. Waldir Beividas. 2002. ed. De la sémiotique de la présence à la structure Carlos Alberto Ribeiro de Moura. manitas. Tradução Jean Cristtus 2008. Semiótica do discurso. Do inteligível ao sensível: em torno da obra de 1993. Oliveira. Semiótica das paixões: dos estados de coisas Algirdas Julien Greimas. Teixeira Coelho Netto. Émile. São Paulo: Contexto. Joseph Lima at al. Eric. estesis. .UAP. Raúl. São Paulo: Pers- 1999. Louis 114. aos estados de alma. Jacques 1999. São Paulo. Paris: Puf. Soma et Séma. Maria da Glória Novak e Luiza Neri. Zilberberg. 2006. São Paulo: Martins tensive. Landowski. estesis. Luiz 2007. Eric. Tradução Ivã Carlos 191 f. Landowski. 58-59. 1998. Semiótica. Tradução Alceu Dias Courtés. ed. Joseph 2008. São Paulo: Hacker Editores. Algirdas Julien Benveniste.

serait porteur de l’identité qui se construit dans le processus de sémiose et dans le développement syntagmatique de chaque sémiotique-objet. Maria Goreti Silva. 9. Le corps propre. Mots-clés: Actant. [on-line] Disponível em: h http://revistas. São Paulo. en vient à occuper une place de choix dans la théorie. appelée le moi. responsable pour la prise de position dans le processus de sémiose. vol. n. Julho de 2013. Cherchant à établir un lien entre la notion de corps et d’actant. Organisée sous la forme d’un parcours génératif composé par des niveaux — fondamental. laissée de côté par la Sémiotique en vertu du développement d’une théorie de l’action. la préoccupation théorique initiale était tournée vers la recherche des éléments discontinus. en cherchant à procéder à des ajustements dans son cadre théorique lorsque. est constitué par la chair et par le corps propre. Maria Goreti Silva Le corps propre en sémiotique Estudos Semióticos. la sémiotique greimassienne apparaît en évolution constante. À la fin des années 1980. cristallisée dans l’intérêt pour la recherche des éléments continus qui participent à la construction du sens. Jacques Fontanille considère que le corps. 68–79. serait l’instance énonçante. au nom d’un formalisme et d’un logicisme qui ont régné sur la Linguistique structurale des années 1960. elle s’est attachée à développer une méthodologie d’analyse orientée vers la compréhension de la construction du sens dans tout type de texte. À partir de ces études. pointait la nécessité d’une amélioration dans l’ensemble épistémologique. surgissaient des instabilités qui compromettaient l’ensemble théorique. La chair. Dados para indexação em língua estrangeira Prado. p. Champ positionnel.br/esse i.usp. la méthodologie sémiotique a toujours privilégié la cohérence de ses concepts. Fondée au cours des années 1960 par un groupe dirigé par Algirdas Julien Greimas. la thématique passionnelle. Estudos Semióticos. Acesso em “dia/mês/ano”. à un de ces niveaux. la notion de corps. Número 1. que l’auteur nomme le soi. O corpo próprio na se- miótica. Énonciation. Corps propre. Volume 9. Présence Como citar este artigo Prado. L’objectif de ce travail est de réfléchir sur la manière dont la notion de corps a été incorporée à la théorie Sémiotique et comment elle a été traitée par Jacques Fontanille. Editores Responsáveis: Ivã Carlos Lopes e José Américo Bezerra Saraiva. 1 (julho de 2013) issn 1980-4016 Résumé: Dès ses premiers instants. qui intéressait les études sémiotiques de l’époque. Pour des raisons méthodologiques. opérateur de la sémiose. narratif et discursif —. Data de recebimento do artigo: 30/novembro/2012 Data de sua aprovação: 30/março/2013 .