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Universidade Estadual do Norte do Paraná

Centro de Ciências Sociais Aplicadas


Faculdade de Direito

UMA CRÍTICA À IGUALDADE JURÍDICA: A CRIMINALIZAÇÃO DA POBREZA E


A SEGURANÇA PÚBLICA NO BRASIL.

RENAN CAVALCANTE TUNES

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RENAN CAVALCANTE TUNES

UMA CRÍTICA À IGUALDADE JURÍDICA: A CRIMINALIZAÇÃO DA POBREZA E


A SEGURANÇA PÚBLICA NO BRASIL.

Pré-projeto do Trabalho de Conclusão de Curso apresentado na


Universidade Estadual do Norte do Paraná como requisito básico
para a conclusão do curso de Direito.

Orientador (a):
Prof Dr. Mauricio Gonçalves Saliba

Jacarezinho-PR
2017

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO: TEMA E PROBLEMATIZAÇÃO.......................................... 4

2. JUSTIFICATIVA............................................................................................. 5

3. OBJETIVOS................................................................................................... 5

3.1 GERAL...................................................................................................... 6

3.2 ESPECÍFICOS......................................................................................... 6

4. METODOLOGIA DE PESQUISA..................................................................... 6

5. CRONOGRAMA............................................................................................... 7

REFERÊNCIAS

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1. INTRODUÇÃO: TEMA E PROBLEMATIZAÇÃO

Após consolidação do capitalismo e, destarte, da forma mercadoria, o


respaldo jurídico deste modo de produção criou o conceito de sujeito de direito
(KASHIURA Jr., 2012), ou seja, aquele que possui direitos e obrigações perante a
sociedade civil, estas inerentes à sua natureza humana, independente de outras
condições étnicas, raciais, religiosas, sociais ou quaisquer que sejam.

Isto porque as trocas mercantis só são possíveis se houver igualdade perante


as leis (PACHUKANIS, 1988). Este foi, deveras, o motivo principal da pressão
inglesa sobre o Brasil para que houvesse o fim do tráfico negreiro e, por derradeiro,
da escravidão. Pois esta nação era a locomotiva industrial do planeta na época e,
portanto, liberdade e igualdade significaria um consequente aumento o mercado
consumidor.

O ordenamento jurídico brasileiro em vários de seus dispositivos coloca a


igualdade jurídica ou isonomia como princípio, é patente o cap ut do artigo 5° da
Constituição da República Federativa do Brasil:
Art 5°, caput – Todos são iguais perante a lei, sem distinções de
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade [...].

Tal princípio garante a todos, sem exceção, o amparo do Estado e todos os


direitos sociais necessários à dignidade humana. Nos termos do artigo 6°, caput:
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a
moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à
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maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta
Constituição.

Entrementes é gritante a distância entre o consagrado princípio da isonomia,


(que de forma até mesmo prolixa tem sua proteção no bojo constitucional) e a
realidade fática. Outrossim, ao tratarmos do âmbito criminal essa lacuna se torna
visível.
Dados de 2014 do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias
(Infopen) mostram números que delimitam bem o perfil do “criminoso” brasileiro.
67% são negros; 53% têm o ensino fundamental incompleto; 31% têm entre 18 e 24
anos. Isto posto é evidente o estereótipo do infrator: negro, jovem e com baixa
escolaridade.

2. JUSTIFICATIVA

A pesquisa em deslinde tem como escopo analisar a discrepância entre a


letra da lei penal e constitucional e a realidade fática da segurança pública brasileira,
que tem um alvo que possui CEP, cor de pele, renda e nível de escolaridade
definidos.

À vista disso, estabeleceremos dois parâmetros de solução ao problema


apresentado. O primeiro na utilização do Estado e sua forma política como meio do
estabelecimento de políticas públicas interdisciplinares, mas que orbitem em torno
da segurança pública e do direito penal, a fim de assumir de fato o papel de ultima
ratio. Por fim, faremos uma crítica ao capitalismo de uma forma geral, pois o sujeito
de direito traz sempre consigo suas contradições.

3. OBJETIVOS

3.1 GERAL

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Pretende-se com o presente trabalho demonstrar que a igualdade jurídica
serve ao propósito exclusivo da forma mercadoria a fim de haver trocas comercias
entre pessoas em mesma situação jurídica. Todavia esconde, por sua vez, que há
extrema seletividade na aplicação da lei penal.

3.2 ESPECÍFICO

 Definir e fazer uma breve retrospectiva histórica e filosófica do princípio da


isonomia e do conceito de sujeito de direito.

 Apresentar críticas ao citado princípio, enfatizando sua indissociabilidade


da (re)produção do modo de produção capitalista.

 Apontar dados que revelem o caos na segurança pública nacional e que


definem o perfil do criminoso que é traçado pela ação da atual política
criminal.

 Levantar as principais falhas no sistema criminal brasileiro.

 Propor duas intervenções, uma de viés pragmático que sanem de maneira


paliativa a crise social instaurada e outra de caráter sociológico que
demonstre a incapacidade da forma política atual de proporcionar um
bem-estar social perene.

7. METODOLOGIA

A presente pesquisa se utilizará do método indutivo, haja vista a


apresentação de dados históricos, estatísticos, documentais e doutrina jurídica para
a defesa da tese apresentada, também será utilizado o método dedutivo, pois o
referencial teórico é majoritariamente é composto por obras de caráter filosófico,
sociológico e criminológico.

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8. CRONOGRAMA

MÊS / OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO

ATIVIDADES

Escolha do tema X

Levantamento X X X X X X
Bibliográfico

Entrega do X
Projeto

Orientação X X X X X X X X X X

Feitura do TCC X X X X X X X

Revisão do TCC X X X X

Entrega do TCC X

Defesa do TCC X

9 REFERÊNCIAS

KASHIURA, Celso Naoto. Crítica da Igualdade Jurídica – Contribuição ao


pensamento jurídico marxista. Quartier Latin, 2009.

PACHUKANIS, E. B. Teoria Geral do Direito e Marxismo. São Paulo, 1988.

CARDOSO, Douglas Nassif. Resenha do livro- DRESCHER, Seymour. Abolição:


uma história de escravidão e do antiescravismo. Tradução Antonio Penalve
Rocha. São Paulo: Editora Unesp,2011;

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INFOPEN, Perfil das pessoas presas no Brasil. Senado Federal, 2014.