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Mecânico Automobilístico

Fundamentos de Mecânica Automotiva

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Página de Créditos

Fundamentos da Mecânica Automotiva

© SENAI-SP, 2013

Trabalho organizado e adaptado pela Escola SENAI “Duque de Caxias”, a partir dos conteúdos extraídos
da Intranet-SENAI-SP.

Coordenação: Marco Antônio Alves Cândido


Adaptação e Organização: Sinésio Silgueiro

Escola SENAI “Duque de Caxias”


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Araçatuba SP.
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Sumário
Grandezas, unidades e seus símbolos força e pressão ........................................... 4
Relação entre unidades de força e pressão .............................................................. 6
Trabalho mecânico ...................................................................................................... 8
Elementos de Fixação ............................................................................................... 23
Transmissões ............................................................................................................ 53
Elementos de apoio .................................................................................................. 67
Acoplamentos ........................................................................................................... 71
Elementos comuns II ................................................................................................ 80
Eixo, árvore e mancal ............................................................................................. 114
Mancais de rolamento ............................................................................................. 127
Noções básicas sobre lubrificação ........................................................................ 153
Características dos lubrificantes ........................................................................... 167
Ferramentas ............................................................................................................. 202
Martelo e macete ..................................................................................................... 202
Instrumentos ........................................................................................................... 215
Equipamentos.......................................................................................................... 218
Referências Bibliográficas ..................................................................................... 228

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Grandezas, unidades e seus
símbolos força e pressão

Grandezas Físicas

No quadro a seguir, você verá algumas grandezas físicas que são importantes na
estudo da Pneumática.

Grandeza Unidade e seus símbolos


(o que se quer medir) SI MK*S CGS
Comprimento (C) metro (m) metro (m) centímetro (cm)
unidade técnica de
Massa (m) quilograma (m) grama (g)
massa (utm)
quilograma - força
Força (F) newton (N) ou kilopond dina (dyn)
(kgf ou kp)
Tempo (t) segundo (s) segundo (s) segundo(s)
grau kelvin (k) grau Celsius ( 0 C)
Temperatura (T) grau Celsius ( 0 C)
grau Celsius ( 0 C) 0
grau fahrenheit ( F)
metro quadrado metro quadrado centímetro
Área (A)
(m2) (m2) quadrado (cm 2 )
centímetro
Volume (V) metro cúbico (m3) metro cúbico (m3)
cúbico(cm3)
centímetro cúbico
metro cúbico por metro cúbico por
Vazão (Q) por segundo
segundo (m3/s) segundo (m3/s)
(cm3/s)
Pressão (p) pascal (Pa) atmosfera (atm) bar (bar)

Força e Pressão

Em Pneumática, força e pressão são grandezas físicas muito importantes.

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Força: é um agente capaz de deformar (efeito estático) ou acelerar (efeito dinâmico)
um corpo.

Pressão: dá-se o nome de pressão ao quociente da divisão do módulo (intensidade)


de uma força pela área onde ela atua.

Para compreender a diferença entre força ou pressão, vamos analisar o exemplo a


seguir.

Vamos considerar um peso de 10N suspenso por um gancho.

O peso exerce, sobre o gancho, uma força de 10N, em um ponto bem determinado.

O mesmo peso, apoiado sobre a mesa, exerce uma força de 10N. Só que essa força é
subdividida em outras forças menores, que são distribuídas sobre toda a área de
contato entre o peso e a mesa.

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Relação entre unidades de
força e pressão

Para: 1N 105dym Para cálculos aproximados, consideramos:


1kp  9,81N 1kp ≅ 10N
1kp  1kgf
1kp  981 000dyn

As unidades de pressão mais utilizadas são: atm, bar, kgf / cm2 e PSI (  b/pol2).
Para cálculos aproximados: 1atm = 1bar = 1kgf /cm2 = 14,7PSI

Pressão atmosférica

È a pressão exercida por uma coluna de mercúrio de 76cm de altura, a 00C, ao nível
do mar.

Quem imaginou e levou a efeito essa experiência foi o físico italiano Torricelli, de onde
vem o nome de barômetro de Torricelli.

Ele usou um tubo de vidro com cerca de 1m de comprimento e um dos extremos


fechados. Encheu-o de mercúrio e tampou o outro extremo com o dedo. Depois
inverteu o tubo e mergulhou-o num recipiente também com o mercúrio.

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Quando retirou o dedo, o líquido desceu até atingir uma certa altura, formando uma
coluna.

A coluna de mercúrio manteve-se em equilíbrio pela pressão atmosférica exercida


sobre a superfície do mercúrio no recipiente.

Medindo essa coluna, ao nível do mar, Torricelli constatou que media 76cm, a partir do
nível de mercúrio no recipiente.

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Trabalho mecânico

Conceito

Na linguagem diária, a palavra trabalho possui um significado amplo que envolve


atividades físicas e intelectuais. Sirva de exemplo:
• Tornear uma peça;
• Dar uma aula;
• Fabricar um móvel;
• Resolver uma equação matemática;
• Dirigir um ônibus;
• Montar um motor;
• Desenhar uma peça etc.

Contudo, em Física, a palavra trabalha refere-se unicamente a forças e


deslocamentos. Por exemplo, na figura abaixo o ginasta ergue um haltere.

Fisicamente falando, houve realização de trabalho, pois a força aplicada pelo ginasta
fez com que o haltere sofresse um deslocamento.

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É claro que, para erguer o haltere, o ginasta utilizou a energia de seus próprios
músculos.

Isto leva-nos a concluir que só é possível realizar um trabalho usando energia.

De fato, já vimos que a energia está associada à capacidade de realizar trabalho.

E o que é trabalho mecânico? Em Física o trabalho mecânico define-se como o


produto de uma força constante e atuante sobre um corpo, o que faz com esse corpo
sofra um deslocamento na direção da força.

Expressões analíticas

Representando o trabalho com a letra grega τ (lê-se: tau), a força com a letra F e o
deslocamento com a letra d, simbolicamente teremos:

τ=F.d

Portanto, para determinar o trabalho mecânico, basta multiplicar a intensidade da força


exercida pelo deslocamento efetuado.

No SI a unidade de trabalho mecânico é o Joule (J). Por definição, um joule (1J) é o


trabalho realizado por uma força constante de 1N. aplicada a um corpo, esta força
comunica-lhe um deslocamento de 1m na direção da própria força.

Assim:
1J = 1N . 1m

Exemplo 1
Um guindaste eleva uma caixa de 2200N de peso a uma altura de 4m. Qual o trabalho
realizado?

Dados:

F = 2200N
d = 4m
τ = ?

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Solução:

τ = F.d
τ = 2200N . 4m
τ = 8800J

Exemplo 2
Calcular o trabalho realizado para transportar um fardo de 240N a uma distância de
4m.

Dados:

F = 240N
d = 4m
τ = ?

Solução:

τ = F.d
τ = 240N . 4m
τ = 960J

Exemplo 3
Para deslocar um corpo realizou-se um trabalho mecânico de 80J. Sabendo-se que o
corpo percorreu uma distância de 5m e que o sentido do deslocamento era igual ao da
força, determinar o valor da força atuante no corpo.

Dados:

F = 80J
d = 5m
τ = ?

τ = F.d
τ = τ
d
/
τ = 80N . m → F = 16N
/
5m

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A expressão τ = F . d somente é válida quando a força aplicada tiver o mesmo sentido
do deslocamento do corpo onde atua. Veremos em seguida que isso nem sempre
ocorre.

Considere um corpo que se move da posição A para a posição B, sob a ação de uma
força constante F.

A força F pode ser decomposta em duas forças: F1 e F2, conforme mostra a figura
abaixo.

Observando a ilustração, vemos que a força F1 possui o mesmo sentido do


deslocamento do corpo, sendo responsável pela realização do trabalho mecânico.

Portanto:
τ = F1 . d (1)

Contudo, a força F1 é igual ao produto da força F pelo co-seno do ângulo α existente


entre F e F1 :

F1 = F cos α (2)

A partir da expressão (1) e expressão (2), chega-se à seguinte fórmula:

τ = F . cos α . d

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Obtêm-se os valores do co-seno dos ângulos em tabelas. Você terá oportunidades de
conhecê-las nas aulas de trigonometria.

Aqui, nesta unidade, os valores do co-seno serão dados sempre que necessário.
Portanto, não se preocupe, pois o cálculo do trabalho mecânico continuará sendo uma
multiplicação de fatores.

A expressão τ = F . cos α . d é mais geral e nos permite tirar importantes conclusões:


1. Se não produz deslocamento, a força não realiza trabalho. Conseqüentemente o
trabalho mecânico é nulo.

τ=0

2. Se a força é perpendicular ao sentido do deslocamento, o trabalho mecânico é


nulo, pois cos 90º = 0.

τ = F . cos = α . d

τ = F . cos = 90º . d

τ=0

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3. Se a força atua no sentido contrário ao deslocamento, o trabalho mecânico é
negativo, pois cos 180º = -1.

τ = F . cos α . d

τ = F . cos 180º . d

τ=-F.d

τ = negativo

4. Se a força atua no sentido do deslocamento, o trabalho mecânico é máximo, pois


cos 0º = 1.

τ = F . cos α . d

τ = F . cos = 0º . d

τ=F.d

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Exemplo
Se uma força constante de 50N for aplicada a um corpo e deslocá-lo a uma distância
de 10m, a força atuante formará um ângulo de 60º com a força responsável pelo
deslocamento. Qual será o trabalho mecânico realizado?

Dados:

F = 50N
d = 10m
cos 60º = 0,5
τ=?

Solução:

τ = F . cos α . d
τ = 50N . 0,5 . 10m
τ = 250J

Observe, mais uma vez, que continuamos com uma simples multiplicação de fatores
para calcular o trabalho mecânico.

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Momento de uma força
(torque)

Conceito

Quando apertamos ou despertamos um parafuso, por exemplo, produzimos uma


rotação no parafuso. Isto ocorre porque aplicamos uma força no cabo da chave que
usamos.

Quando abrimos ou fechamos uma porta, normalmente aplicamos uma força puxamos
a maçaneta.

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Com esses dois exemplos, verificamos o seguinte: há rotação quando uma força atua
em um corpo que pode girar em torno de um ponto fixo ou eixo. Este fato leva-nos ao
conceito de momento ou torque de uma força:

“Momento de uma força em relação a um eixo é a medida da capacidade da força


que produz a rotação de um corpo ao redor de seu eixo”.

A eficiência de uma força que faz um corpo girar em torno de um eixo depende:
• De sua intensidade;
• Do braço de alavanca. Isto é: da distância em que ela atua em relação ao eixo de
rotação.

No caso da porta, isto fica bastante claro. De fato, com pequeno esforço, podemos
abrir a porta, puxando a maçaneta.

O esforço é pequeno porque a distância do ponto de aplicação de nossa força, em


relação ao eixo de rotação (dobradiças) da porta, é grande.

Por outro lado, encontraremos dificuldades para abrir a porta, se empurrarmos em


alguma parte próxima ao eixo de rotação (dobradiças).

Nesse caso, a força aplicada terá de ser mais intensa para produzir o mesmo efeito,
isto é, abrir a porta.

Expressão analítica

E como se calcula o momento de uma força? O momento de uma força é calculado


multiplicando a intensidade da força pelo seu braço de alavanca.

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Examinando a figura abaixo e chamando de M o momento da força F em relação ao
ponto 0, teremos:

M = F . OA

Aqui, OA é a distância (d) da linha de ação da força ou braço de alavanca em relação


ao eixo de rotação.

Para generalizar, usaremos a fórmula:

M=F.d

Agora, não podemos confundir momento de uma força com trabalho mecânico. O
momento de força é uma grandeza vetorial e o trabalho mecânico, uma grandeza
escalar.

Unidade

No SI a unidade de momento é o newton vezes metro (N.m). Essa unidade não possui
nome especial.

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Exemplo 1
Determinar o momento de uma força F de 50N que, aplicada a um corpo faz com que
ele gire. A força age, em relação ao eixo de rotação, numa distância de 0,20m.

Dados:

F = 50N
d = 0,20m
M=?

Solução:

M=F.d
M = 50N . 0,20m
M = 10N . m

Exemplo 2
Para movimentar o mecanismo ilustrado na figura abaixo, um operário imprime uma
força de 150N ao cabo da manivela. Determinar o momento que atua no eixo do
mecanismo.

Dados:

F = 150N
d = 0,30m
M=?

Solução:

M=F.d
M = 150N . 0,30m
M = 45N . m

18 SENAI
Exemplo 3
Um parafuso deve ser apertado com um momento preestabelecido de 40N . m.

Se o comprimento da chave (do centro do parafuso até o ponto de aplicação da força)


é de 0,20m, que força se deve aplicar à chave para obter o aperto ideal do parafuso?

Dados:

M = 40N . m
d = 0,20m
F=?

Solução:

M=F.d
M
F=
d

40N . m
F=
0,20m

F = 200N

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Potência mecânica

Conceito e expressão analítica

Em um depósito de materiais, um operário levanta um caixote de 500N a uma altura de


1m. para realizar essa operação, gasta 30s. no mesmo depósito, uma empilhadeira
leva 10s para levantar outro caixote de 500N à mesma altura de 1m.

É fácil perceber que a empilhadeira realizou o mesmo trabalho que o operário, porém,
em menos tempo.

Por isso dizemos que a potência mecânica (P) da empilhadeira é maior que a potência
mecânica do operário.

E o que é potência mecânica? Define-se potência mecânica como o trabalho mecânico


dividido pelo intervalo de tempo em que é realizado.

Em símbolos:

20 SENAI
t
P=
∆t
Onde:
P = Potência mecânica;
τ = Trabalho mecânico;
∆t = Intervalo de tempo.

Unidade

No SI a unidade de potência mecânica é o watt (W). Por definição, um watt (1W) é a


potência de uma força constante que realiza o trabalho mecânico de um joule (1J) em
um segundo (1s).

Assim:
1J
1W =
1s

Exemplo 1
A força exercida por um motor realiza um trabalho de 735J em 10s. qual é o valor da
potência mecânica posta em jogo?

Dados:
τ = 735J
τ = 10s
P=?

Solução:
t
P=
∆t

735J
P=
10s
P = 73,5W

Exemplo 2
Uma força resultante de 50N atua sobre um corpo inicialmente em repouso. O corpo se
desloca 3m em 3s na mesma direção e sentido da força aplicada. Qual é o valor da
potência mecânica desenvolvida pela força?

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a. Calcula-se principalmente o trabalho mecânico:

Dados:
F = 50N
d = 3m
τ=?

Solução:
τ=F.d
τ = 50N . 3m
τ = 150J

b. Determina-se a potência mecânica:

Dados:
τ = 150J
∆t = 3s
P = ?

Solução:
t
P=
∆t

150J
P=
3s
P = 50W

Exemplo 3
Uma força constante atuou em um sistema durante 20s e sua potência mecânica foi de
100W. qual foi o trabalho mecânico desenvolvido pela força?

Dados: Solução:
P = 100W t
P=
∆t = 20s ∆t
τ=? τ = P . ∆t
τ = 100W . 20s
τ = 2.000J

22 SENAI
Elementos de Fixação
Pino

É uma peça geralmente cilíndrica ou cônica, oca ou maciça que serve para
alinhamento, fixação de potência.

Os pinos se diferenciam por suas características de utilização, forma, tolerâncias


dimensionais, acabamento superficial, material e tratamento térmico.

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Os alojamentos para pinos devem ser calibrados com alargador que deve ser
passado de uma só vez pelas duas peças a serem montadas. Esta calibragem é
dispensada quando se usa pino estriado ou pino tubular partido (elástico).

Pinos calibrados com alargador Calibragem com pino estriado

O principal esforço a que os pinos, de modo geral, estão sujeitos é o de


cisalhamento. Por isso os pinos com função de alinhar ou centrar devem estar a
maior distância possível entre si, para diminuir os esforços de corte. Quanto
menor a proximidade entre os pinos, maior o risco de cisalhamento e menor a
precisão no ajuste.

Pino cilíndrico paralelo


Pino de ajuste (guia) temperado
É feito de aço-prata ou similar, e é
temperado, revenido e retificado.
Pode resistir a grandes esforços
transversais e é usado em diversas
montagens, geralmente associado a
parafusos e prisioneiros.

24 SENAI
Pode ser liso, liso com furo para cupilha, com cabeça e furo para cupilha, com
cabeça provida de ressalto para evitar o giro, com ponta roscada e cabeça.

Todos os pinos que apresentam furo ou rosca são usados como eixo para
articulações ou para suportar rodas, polias, cabos, etc. A precisão destes pinos é
j6, m6 ou h8.

Pino de segurança
É fabricado de St50, St60 ou similar e sem têmpera. É usado principalmente em
máquinas-ferramentas como pino de cisalhamento, isto é, em caso de
sobrecarga esse pino se rompe para que não quebre um componente de maior
importância.

Pino de união
É fabricado de St40, St50 ou similar e tem funções secundárias como em
dobradiças para caixas metálicas e móveis.

Pino cônico

Feito geralmente de aço-prata, é temperado ou não é retificado. Tem por diâmetro


nominal menor, para que se use a broca com essa medida antes de calibrar com
alargador.

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Existem pinos cônicos com extremidade roscada a fim de mantê-los fixos em
casos de vibrações ou sacá-los em furos cegos.

Extramidade roscada Furos cegos

O pino cônico tem largo emprego na construção de máquinas, pois permite


muitas desmontagens sem prejudicar o alinhamento dos componentes; além do
que é possível compensar eventual desgaste ou alargamento do furo.

Pino estriado

A superfície externa do pino estriado apresenta três entalhes e respectivos


rebordos. A forma e o comprimento dos entalhes determinam os tipos de pinos.
O uso destes pinos dispensa o acabamento e a precisão do furo alargado.

Pino tubular

26 SENAI
Também conhecido como pino elástico, é fabricado de fita de aço para mola
enrolada. Quando introduzido, a fenda permanece aberta e elástica gerando o
aperto.

Este elemento tem grande emprego como pino de fixação, pino de ajuste e pino
de segurança. Seu uso dispensa o furo alargado.

Há um pino elástico especial chamado Connex, com fenda ondulada cujos


cantos estão opostos entre si. Isto proporciona uma força de ajuste em relação
ao pino elástico comum.

Cupilha ou contrapino

Trata-se de um arame de secção semicircular dobrado de tal forma a obter-se um


corpo cilíndrico e uma cabeça. A cupilha é usada principalmente para travar
porcas-castelo.

Nota

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Um pino qualquer ao se quebrar deve ser substituído por outro com as mesmas
características de forma, material, tratamento e acabamento.

Rosca

Rosca é uma saliência de perfil constante, helicoidal, que se desenvolve de


forma uniforme, externa ou internamente, ao redor de uma superfície cilíndrica
ou cônica. Essa saliência é denominada filete.

Passo e hélice da rosca

Quando há um cilindro que gira uniformemente e um ponto que se move também


uniformemente no sentido longitudinal, em cada volta completa do cilindro, o
avanço (distância percorrida pelo ponto) chama-se passo e o percurso descrito
no cilindro por esse ponto denomina-se hélice.

28 SENAI
Podem-se aplicar, então, as relações Ângulo da hélice = tg α =
trigonométricas em qualquer rosca, quando P
se deseja conhecer o passo, diâmetro D2 . π
médio ou ângulo da hélice: P (passo) = tg α . D2 . π

Quanto maior for o ângulo da hélice, menor será a força de atrito atuando entre a
porca e o parafuso, e isto é comprovado através do paralelogramo de forças.
Portanto, deve-se ter critério na aplicação do passo da rosca.

Para um aperto adequado em parafusos de fixação, deve-se manter α < 15º.

FA = força de atrito
FN = força normal
FR = força resultante

Rosca fina (rosca de pequeno passo)

Freqüentemente é usada na construção de automóveis e aeronaves,


principalmente porque nesses veículos ocorrem choques e vibrações que
tendem a afrouxar a porca.

É utilizada também quando há necessidade de uma ajustagem fina ou uma maior


tensão inicial de aperto e, ainda, em chapas de pouca espessura e em tubos, por
não diminuir sua secção.

SENAI 29
Parafusos com tais roscas são comumente feitos de aços-liga e tratados
termicamente.

Observação
Devem-se evitar roscas finas em materiais quebradiços.

Rosca média (normal)

Utilizada normalmente em construções mecânicas e em parafusos de modo


geral, proporciona também uma boa tensão inicial de aperto, mas deve-se
precaver quando do seu emprego em montagens sujeitas a vibrações, usando,
por exemplo, arruelas de pressão.

Rosca de transporte ou movimento

Possui passo longo e por isso transforma o movimento giratório num


deslocamento longitudinal bem maior que as anteriormente citadas. É
empregada normalmente em máquinas (tornos, prensas, morsa, etc.) ou quando
as montagens e desmontagens são freqüentes.

30 SENAI
O material do furo roscado deve ser diferente do aço para evitar a solda a frio
(engripamento). Também é desaconselhável sua montagem onde as vibrações e
os choques são freqüentes.

Quando se deseja um grande deslocamento com filetes de pouca espessura,


emprega-se a rosca múltipla, isto é, com dois filetes ou mais.

Em alguns casos, quando o ângulo da hélice for maior que 45º o movimento
longitudinal pode ser transformado em movimento giratório, como por exemplo o
berbequim.

SENAI 31
Perfil da rosca (secção do filete)

Triangular
É o mais comum. Utilizado em parafusos e porcas de fixação, uniões e tubos.

Trapezoidal
Empregado em órgãos de comando das máquinas operatrizes (para transmissão
de movimento suave e uniforme), fusos e prensas de estampar (balancins
mecânicos)

Redondo
Empregado em parafusos de grandes diâmetros e que devem suportar grandes
esforços, geralmente em componentes ferroviários. É empregado também em
lâmpadas e fusíveis pela facilidade na estampagem.

32 SENAI
Dente de serra
Usado quando a força de solicitação é muito grande em um só sentido (morsas,
macacos, pinças para tornos e fresadoras).

Quadrado
Quase em desuso, mas ainda utilizado em
parafusos e peças sujeitas a choques e grandes
esforços (morsas).

Sentido de direção do filete

À esquerda
Quando, ao avançar, gira em sentido contrário ao dos ponteiros do relógio
(sentido de aperto à esquerda).

SENAI 33
À direita
Quando, ao avançar, gira no sentido dos ponteiros do relógio (sentido de aperto
à direita).

Utilização das roscas

As roscas fazem parte dos parafusos e porcas que são elementos de união com
fechamento de força, isto é, caracterizados pelo aperto de uma peça sobre a
outra, criando uma área de grande atrito.

A força de aperto resulta da tensão do parafuso ao ser apertado. A tensão


produzida tem de ser superior às forças opostas a ela durante o funcionamento.
A tensão resultante chama-se tensão inicial.

Comportamento dos parafusos

34 SENAI
Ao se apertar um parafuso a tensão aumenta continuamente até um certo ponto.
Continuando-se a apertá-lo nota-se uma diminuição progressiva da tensão até
ocorrer o rompimento.

Na zona de tensão progressiva o parafuso deforma-se elasticamente. Deformado,


sua tendência é voltar ao comprimento inicial, não podendo fazê-lo, devido às
peças de união, exerce a força de aperto.

Continuando-se a apertá-lo provocam-se deformações plásticas, isto é, o


parafuso mantém seu comprimento deformado, mesmo após cessar o esforço de
tração. Um parafuso apertado dessa forma não possui força de aperto ou tensão
inicial.

A forma de se ter um aperto adequado é manter a deformação dentro da zona


elástica. Quer dizer, dentro do limite de elasticidade do material de que é
fabricado o parafuso.

SENAI 35
Em geral, os parafusos são apertados com chaves comuns, o que gera uma das
seguintes situações:
• Os parafusos pequenos (até 12mm) ficam demasiadamente apertados;
• Os parafusos grandes (acima de 12 mm) ficam pouco apertados;
• Os parafusos ficam adequadamente apertados devido à habilidade do
mecânico.

Para evitar estas variações e obter um trabalho seguro devem-se usar


ferramentas indicadoras de aperto e seguir as especificações do fabricante da
máquina ou equipamento.

Ferramentas indicadoras de aperto:

Chave de fenda de momento de


torção (ajustável, desligando
automaticamente quando o valor é
atingido).

Chave de momento de torção para


aperto de porcas e parafusos com
cabeças poligonais (ajustáveis, idem
à anterior).

Torquímetro (leitura em Nm)

Chave elétrica (ajustável com


desligamento automático).

Tipos especificados de aperto


• Especificado por torção (torque) em libras por polegada, kg.cm, lb.pé, N.m ou

36 SENAI
kg.m – é importante verificar se a torção é dada para parafuso seco ou
lubrificado. Em caso da falta de especificação do lubrificante, usar graxa com
bissulfeto de molibdênio (Molikote G).
• Especificado por fração de volta – isto é, encosta-se o parafuso até eliminar
toda a folga e dá-se mais uma fração de volta, por exemplo 90 ou 120º,
conforme especificação do fabricante. Esse procedimento elimina a
influência do coeficiente de atrito que varia entre O,15 e 0,25 a seco e entre
0,11 e 0,19 com lubrificante.
• Especificado pela medição do comprimento que aumenta com o aperto – para
isso a cabeça e a ponta devem ter bom acabamento. Mede-se o parafuso
antes de colocá-lo e aperta-se até atingir o comprimento especificado pelo
fabricante ou, na falta deste, usar 0,2% do comprimento.

Comportamento das porcas

A porca como um todo sofre compressão e seus filetes sofrem tração, flexão e
esforços de cisalhamento.

Esforços estes que não estão uniformemente distribuídos por todas as voltas do
filete. Em formas normais de porcas, a primeira volta absorve aproximadamente
1/3 do esforço total.

Distribuição esquemática do esforço na porca

A resistência ao cisalhamento e à flexão é de 20 a 35% maior dos filetes da porca


do que nos filetes do parafuso. Por isso encontramos, com freqüência, porcas
feitas com materiais de menor resistência do que o material do parafuso.

Montagem dos parafusos

Na montagem, usando parafusos, deve-se considerar a resistência do parafuso e


das peças fixadas por ele. Também deve-se ter à mão os manuais de serviços

SENAI 37
das máquinas que fornecem a seqüência de operações e os torques. Na falta
destes dados procede-se do seguinte modo:
• A fim de reutilizar um parafuso, deve-se examiná-lo quanto a trincas, planeza,
estado da rosca, estado da cabeça e esquadro entre corpo e cabeça. Não é
aconselhável tentar recuperar parafusos ou porcas danificados.
• Limpar e examinar os alojamentos dos parafusos (corpo da máquina ou
porca). Repassar a rosca com macho condizente para eliminar rebarbas ou
impurezas no fundo dos filetes. Limpar novamente e não deixar óleos nos
furos cegos, a fim de evitar o travamento hidráulico.
• Encostar todos os parafusos antes de apertar o primeiro.
• Apertar os parafusos evitando deformações e desalinhamentos. A tabela
abaixo mostra seqüências adequadas de aperto. Deve-se observar ainda que
os parafusos que estão sujeitos a forte solicitação de trabalho em altas
temperaturas precisam ser reapertados a estas temperaturas.
Seqüências de apertos de séries de parafusos
Ordem de aperto das séries
Número e disposição dos
empregando o método de Observações
parafusos
apertos sucessivos

Por meio de apertos


Apertos sucessivos
sucessivos até metade do
alternados (metade do
esforço de aperto evita-se
esforço de aperto)
o encurvamento.

Também no caso de três


parafusos se evita o
Apertos alternados (metade
encurvamento da peça
de esforço de aperto)
com apertos sucessivos
alternados.

Para quatro ou mais


Apertos sucessivos cruzados parafusos pode efetuar-se
(todo o esforço de aperto). o aperto para a força total
de aperto.

O aperto em linha (1), (2),


Apertos sucessivos cruzados
(3), etc. dá origem a
(todo o esforço de aperto)
encurvamento.

38 SENAI
No aperto de juntas
estanques com material
Apertos sucessivos cruzados
de vedação escolhe-se
(todo o esforço de aperto)
muitas vezes outra ordem
de aperto.

Danos típicos em roscas

Quebra do parafuso

Cisalhamento ou arrancamento da cabeça


Neste caso, para extrair a parte restante improvisa-se um alojamento para chave
de boca fixa; ou usa-se extrator apropriado para casos em que a quebra tenha se
dado no mesmo plano que a superfície da peça.
A figura abaixo mostra a seqüência para o uso do extrator, o qual requer apenas
um furo, no centro do parafuso, em diâmetro inferior ao do núcleo da rosca.

O extrator é constituído de aço-liga especial e possui uma rosca dente-de-serra,


múltipla, cônica e à esquerda. Geralmente, é encontrado em jogos para vários
diâmetros diferentes,

SENAI 39
Rosca interna danificada

Há várias maneiras de consertar uma rosca interna avariada, a melhor


geralmente é a colocação de um inserto.

Quando a parede for suficiente, o furo deve ser alargado e roscado. Em seguida,
coloca-se no furo um pino roscado, que deve ser faceado e fixado por solda ou
chaveta. A última operação é furá-lo e roscá-lo com a medida original.
Veja, a seguir, os insertos que já existem prontos no mercado que podem ser
usados com vantagem no lugar do bujão anteriormente citado.

40 SENAI
Tensão inicial aparente

Existem duas situações onde o mecânico aplica o momento de torção correto e o


equipamento apresenta falhas no aperto com pouco uso.
• Atrito excessivo – causado por erros de forma e posição, falta de lubrificação
e asperezas nas superfícies de deslizamento. Esses fatores farão com que
boa parte do torque aplicado seja empregado para vencer o atito em questão.
Logo, isto não permitirá que a tensão no parafuso atinja a zona elástica. Com
isso, teremos uma tensão inicial apenas aparente.
• Desalinhamento (principalmente em
prisioneiros) – causado por furo roscado
oblíquo. Neste caso, uma parte importante
do momento de torção é absorvida pela
deformação forçada no prisioneiro e pela
deformação no assentamento oblíquo da
porca. Deste modo, apesar de o valor do
momento inicial é puramente aparente; pois,
o parafuso deformou-se, ao ser apertado,
mas não se alongou elasticamente.

SENAI 41
Parafusos

Os parafusos são formados por um corpo cilíndrico roscado, que pode ter vários
formatos e suas dimensões normalizadas.

Parafuso cabeça sextavada DIN 931


Segundo as normas os parafusos se diferenciam pela rosca, forma de cabeça,
haste e forma de acionamento. A figura abaixo mostra os tipos usuais de
cabeças para acionamento com chave de fenda

Havendo necessidade de travar elementos, usa-se parafuso sem cabeça com


pontas adequadas ao trabalho a que se destinam.

42 SENAI
Quando o parafuso está sujeito a forças de serviço severas como por exemplo:
pressão de vapor, gases ou líquidos, a união é feita através de parafusos com
haste (ou colo) de dilatação (figura abaixo). Esse elemento absorve muito bem as
forças pulsatórias, por isso é bastante usado em motores de combustão interna.

A vantagem em usar um parafuso com haste de dilatação é que, nas situações


citadas, distribui-se a tensão por toda a haste. Enquanto num parafuso comum a
tensão se concentra no final da rosca.
Segundo norma DIN o diâmetro da
haste deve ser 10% menor que o
diâmetro do fundo da rosca, e entre o
diâmetro maior da rosca e o diâmetro
da haste é necessário um ângulo de
20º.

As uniões roscadas sujeitas à solicitação transversal necessitam de recursos


adicionais para proteger o parafuso contra o cisalhamento e manter a posição
das partes.

SENAI 43
Porcas

As porcas têm normalmente forma


prismática ou cilíndrica, com um furo
roscado, por onde entra o parafuso.

Para uma resistência adequada tem-se como regra geral construir a porca com
altura igual ao diâmetro nominal da rosca.

Exceção a essa regra é a porca cega onde a altura é 0,8 do diâmetro nominal da
rosca e porcas para pequenos esforços em que altura é 0,5 do diâmetro nominal.

44 SENAI
Tipos de porcas

Identificação normalizada

Identificação segundo DIN 267


Ela é feita por dois algarismos no parafuso e um na porca. O primeiro algarismo
multiplicado por 100 fornece a resistência à tração do material. Multiplicando por
10 o produto do primeiro pelo segundo obtemos o limite de escoamento do

SENAI 45
material. Nas porcas aparece apenas o algarismo indicador da resistência à
tração.

Identificação segundo SAE J429

Ela é feita por marcas na cabeça do parafuso e na porca.

Material Rt Dureza Identificação


85-100
Aço SAE 1018 a 1020 490N/mm2
RB

Aço SAE 1035 a 1045 800N/mm2 19-30 RC

Aço SAE 1035 a 1045 temperado e


840N/mm2 23-40 RC
revenido

Aço SAE 4140, 8642 ou 5147 temperado e


930N/mm2 28-39 RC
revenido

Aço SAE 4140, 8642 ou 5147 temperado e 1050N;mm


2
32-38 RC
revenido

Arruelas

As arruelas têm a função de distribuir uniformemente a força de aperto entre a


porca/parafuso e as partes montadas.

46 SENAI
Durante o funcionamento de um mecanismo, as vibrações, os esforços e os
atritos tendem a desapertar as peças roscadas. Devido a isso, muitos tipos de
arruelas têm também a função de elemento de trava.

Tipos de arruelas

SENAI 47
Aplicação – parafuso, porca e arruela

Parafuso
Porca
Arruela lisa

Parafuso sextavado (DIN 931)


Arruela lisa chanfrada
Porca sextavada chata
Porca sextavada (DIN 934)

Parafuso de cabeça cilíndrica com


sextavado interno (Tipo Allen)
Arruela ondulada (DIN 137)
Chave Allen

Parafusos prisioneiros (DIN 938)


Porca sextavada (DIN 934)
Arruela de trava com duas orelhas

Parafuso de cabeça abaulada e pescoço


quadrado (DIN 603)
Porca sextavada (DIN 934)
Porca sextavada (DIN 7967)

48 SENAI
Pino roscado
Arruela chanfrada
Porca-castelo (DIN 935/937)
Contrapino (cupilha) – (DIN 94)

Trava com arame

Parafuso de fenda com cabeça cilíndrica


(DIN 84)
Arruela de pressão (DIN 127)
Chave de fenda

Parafuso de fenda com cabeça cilíndrica


abaulada (DIN 85)
Arruela dentada (DIN 6798)

Parafuso de fenda com cabeça redonda


(DIN 86)
Arruela dentada (DIN 6797)

SENAI 49
Parafuso de fenda com cabeça
escareada (DIN 87)
Parafuso de fenda com cabeça
escareada e abaulada

Parafuso com cabeça sextavada

Parafuso auto-atarraxante

Parafuso autocortante

Aplicação normalizada de parafusos

D = diâmetro da rosca
t = profundidade de penetração do
parafuso na peça roscada
h = profundidade mínima do furo
T = profundidade mínima da rosca
D 3 4 5 6 8 10 12 14 16 18 20
t 3 4 5 6 8 10 12 14 16 20 28
h mm 5,5 7,5 9 11 14,5 17,5 21 24 26 32 40
i - - 4 5 6 7 8 9 10 12 13
T

50 SENAI
Anel elástico

É um elemento usado para impedir o deslocamento axial, posicionar ou limitar o


curso de uma peça deslizante sobre um eixo. Conhecido também por anel de
retenção, de trava ou de segurança.

Fabricado de aço para molas, tem a forma de anel incompleto, que se aloja em
um canal circular construído conforme normalização.

Tipos usuais de anéis elásticos e aplicações

Aplicação: para eixos com


diâmetro entre 4 e
1.000mm.Trabalha externamente
– DIN 471

Aplicação: para furos com


diâmetro entre 9,5 e 1.000mm.
Trabalha internamente – DIN
472.

Aplicação: para eixos com


diâmetro entre 8 e 24mm.
Trabalha externamente
– DIN 6799.

Aplicação: para eixos com


diâmetro entre 4 e 390mm para
rolamentos.

Anéis de secção circular – para


pequenos esforços axiais.

SENAI 51
Dados para manutenção dos anéis

Falhas dos anéis elásticos


As Falhas dos anéis podem ocorrer devido a defeitos de fabricação ou
condições de operação. No segundo caso, as causas podem ser vibração,
impacto, flexão, alta temperatura ou atrito excessivo.

Há também o agravante de casos em que o projeto previa esforço estático, mas


as condições de trabalho geraram esforço dinâmico. Esta última situação faz
com que o alojamento do anel também se danifique.

Pontos a observar na montagem

Na montagem dos anéis, alguns pontos importantes devem ser observados:


• A dureza do anel deve ser compatível com os elementos que trabalham com
ele.
• A uniformidade da pressão em volta da canaleta assegura a aderência e
resistência.
O anel nunca deve estar solto, mas alojado no fundo da canaleta com certa
pressão.
• A superfície do anel deve estar livre de rebarbas, fissuras e oxidações.
• Em aplicações sujeitas à corrosão, os anéis devem receber tratamento
anticorrosivo adequado.
• Dimensionamento correto do anel e do alojamento.
• Em caso de anéis de secção circular, utilizá-los unicamente uma vez.
• Utilizar ferramentas adequadas para evitar entortamentos e esforços
exagerados.
• Montar o anel com a abertura apontando para os esforços menores, quando
possível.
• Nunca substituir um anel normalizado pelo “equivalente” feito de chapa ou
arame sem os mesmos critérios.

Nota
Veja no final da apostila as tabelas normalizadas de pinos, contrapinos,
parafusos, porcas e anéis elásticos.

52 SENAI
Transmissões

Objetivos
Ao final deste capítulo o participante deverá:

Conhecer
Estar informado sobre:
• Fundamentos de transmissão;
• Forma básica da polia dentada;
• Fundamentos da transmissão por corrente, correia simples, correia dentada,
correia trapezoidal e por roda de fricção.

Saber
Reproduzir conhecimentos sobre:
• Função, aplicação e solicitações mecânicas das correntes como elemento de
transmissão;
• Técnicas de montagem da transmissão por corrente;
• Sistema de transmissão de força, velocidade periférica e deslizamento na correia
plana;
• Superfície de atrito, ângulo de abraçamento e relação de transmissão na correia
plana;
• Aplicações, materiais da correia e materiais da polia na transmissão por correia
plana;
• Características, dimensões e forças que atuam na transmissão por correia dentada
e por correia trapezoidal;
• Características, vantagens e desvantagens na transmissão por roda de fricção.

Ser capaz de
Aplicar conhecimentos para:

SENAI 53
• Determinar a carga útil na utilização de máquinas e equipamentos com transmissão
de movimentos giratórios por corrente ou correias;
• Preservar através de manutenção preventiva as correntes e correias de
transmissão;
• Analisar a vida útil e solicitar troca das correntes e correias das máquinas e
equipamentos.

Introdução

Entende-se por transmissão, em mecânica, os elementos de máquinas planejados


para transmitir os movimentos giratórios de um eixo-árvore a outro, com a menor
perda possível de energia, com durabilidade e eficiência garantida. Os movimentos são
transmitidos por fechamento de forma ou de forças segundo as necessidades de cada
caso.

Transmissão por corrente

A transmissão por corrente ocorre por fechamento de forma a e portanto sem


deslizamento entre as árvores.

É aplicada para distância grande a entre árvores que não poderia ser alcançada de
forma normal por par de rodas dentadas. A corrente liga sucessivamente os dentes
das polias dentadas transmitindo o movimento giratório no mesmo sentido.

A transmissão por corrente é utilizada quando não se podem usar correias por causa
da umidade , vapores, óleos, etc.

54 SENAI
A corrente pode acionar vários eixos-árvores simultaneamente o que justifica vários
casos de aplicação.

Acionamento de vários eixos árvores

Corrente de rolos
A corrente de rolos é normalizada e precisa ter um passo P e um diâmetro d
constantes e precisos. Ela é formada de placa exterior, placa interior, passador, rolo e
mancal.

A corrente de rolo pode ser simples ou dupla e durante o funcionamento produz atrito
de rolamento entre o rolo e a polia dentada, exigindo assim lubrificação boa e
constante.

SENAI 55
Corrente de rolos duplos
Corrente dentada
A corrente dentada é emprega quando se requer uma marcha tranqüila com grandes
velocidades periféricas (até 20m/s), ou quando se transmitem grandes potências.

A placa guiadora disposta exterior e interiormente impedem o deslizamento lateral da


corrente encaixando nas estrias da polia.

A corrente dentada tem os flancos dos dentes retos e é mais pesada que o de rolo
(maiores forças centrífugas).

Corrente de dentes

Polia dentada
A forma básica da polia dentada é o polígono regular inscrito no diâmetro primitivo d
que tem o mesmo número de lados que o número de dentes z e cujo lado é igual ao
passo p da corrente.

Polígono regular

56 SENAI
Para que a corrente engrene com facilidade, a lateral do dente é afiada (b2, b3) e o
encaixe tem uma folga de 10% (b1 - b2) conforme figura abaixo.

Dimensões principais

Os materiais apropriados para confecção da polia dentada são:


• Aço laminado
• Aço fundido
• Ferro fundido
• Chapa de aço

Tipos de polias dentadas

A montagem da transmissão por corrente segue as recomendações:


• As polias dentadas devem estar alinhadas com exatidão.
• A distância entre eixos-árvores mais favorável esta entre 30.p e 50.p.
• Quando a distância está acima da recomendada, as oscilações da corrente podem
ser compensadas por tensores de corrente.
• A lubrificação dever ser suficiente e constante.

SENAI 57
• As corrente motrizes devem ser trocadas quando, devido ao estiramento e
desgaste dos articuladores, seu comprimento aumenta aproximadamente 3%.
Transmissão por correia

A transmissão por correia se faz por fechamento de força entre dois eixos-árvores, com
a vantagem de permitir relações de transmissões. A força de aperto necessária se
produz mediante a tensão da correia (tensão de alongamento) durante sua montagem.

Dado que as correias em marcha batem um pouco sobre as polias, a função não se
transmite de forma íntegra.

A velocidade periférica da polia movida é sempre menor que a da polia motriz.

Ocorre nesse tipo de transmissão em deslizamento que depende da carga, da


velocidade periférica, dos materiais da correia e das polias, e do tamanho da superfície
de atrito.

Devido ao deslizamento, as transmissões por correias não são apropriadas para


acionamentos que tenham de ter uma velocidade periférica invariável, e quando, por
motivo de segurança, a correia não deve sair polia durante a marcha.

Transmissão por correia

Observação
O tamanho da superfície de atrito é determinado pela largura da correia e pelo ângulo
de abraçamento.

O ângulo de abraçamento depende da diferença de diâmetros entre as polias e sua


diferença entre eixos-árvores.

58 SENAI
Acionamento por correia plana
O acionamento simples de correia plana necessita de um bom ângulo de abraçamento
na polia pequena, para isso:
• A relação de transmissão i não deve ultrapassar 6:1
• A distância entre eixos não deve ser menor que 1,2 (d1 + d2).

No acionamento simples, as polias motriz e movida giram no mesmo sentido. No


acionamento cruzado, ocorrem ângulos de abraçamento maiores, porém as correias
retorcidas se desgastam mais depressa e as polias giram em sentido contrário.

Acionamento cruzado

Quando a relação de transmissão supera i = 6:1, tem que se aumentar mediante rolo
tensor o ângulo de abraçamento da polia menor. O rolo tensor é pressionado por força
de mola ou peso e diminui sua ação quando cessa o movimento.

SENAI 59
A tensão da correia é controlada pelo deslocamento do motor, que pode ser feito sobre
guias ou por basculante.

Os materiais das correias planas são:


• Couro de lombo de boi: as correias recebem emendas, suportam grandes cargas
e são bastante elásticas.
• Material fibroso e sintético: as correias não recebem emendas (peça sem-fim);
são próprias para suportar forças sem oscilações para polias de pequenos
diâmetros e têm como material base o algodão, o pêlo de camelo, a viscose, o
perlon e o nylon.
• Material combinado de couro e sintético: a cinta de rolamento é de couro curtido
ao cromo e sobre a cinta existe uma cobertura de material sintético (perlon) que
suporta grandes solicitações. Estas correias são muito flexíveis e podem transmitir
grandes forças.

As polias geralmente são fabricadas de ferro fundido, aço, metal leve, material sintético
ou madeira. Seu formato e dimensões são normalizados e a superfície de contato pode
ser plana (forma A) ou arredondada (forma B).

60 SENAI
A superfície de contato arredondada é própria para polias movidas por guiar melhor a
correia, e o acabamento superficial deve ficar entre 4 a 10µm.

Observação
Quando as velocidades das correias superam V = 25m/s, causando trepidações no
conjunto todo, é necessário equilibrar estaticamente e dinamicamente as polias.

Acionamento por correia dentada


As correias dentadas em união com as rodas dentadas correspondentes garantem
uma transmissão de força sem deslizamento.

As correias de qualidade possuem em seu interior um filamento de aço em formato


helicoidal que absorve as forças de tração.

A força de transmissão nos flancos dos dentes pode chegar a 400N/cm2.

As rodas dentadas são feitas com módulo 6 ou 10 e a altura dos dentes entre 4 e
4,5mm. São fundidas normalmente a pressão ou fundidas em areia especial com
grande precisão de medidas e bom acabamento superficial.

SENAI 61
Acionamento por correia trapezoidal (V)
As correias trapezoidais são correias inteiriças (sem-fim) de borracha, fabricadas com
perfil ou secção transversal em formato de trapézio. No seu interior há fios de tecido
vulcanizados que absorvem as forças de tração.

Uma guarnição de tecido envolve a correia trapezoidal protegendo-a contra o desgaste


superficial.

As transmissões por correias trapezoidais ocorrem com as seguintes características:


• Baixíssimo deslizamento
• Permite grandes relações de transmissões, até i = 10:1
• Permite polias pequenas
• Permite distância pequena entre eixos
• A pressão nos flancos, em conseqüência do efeito de cunha, triplicada em relação
à correia plana
• Partida com pequena tensão prévia.
• Pequena carga sobre os rolamentos ou mancais
• Transmissão de grandes forças
• Emprego de até 12 correias dispostas umas junto às outras numa mesma polia.

Os perfis das correias trapezoidais são normalizados com b0 = 9,7 até 22mm com
comprimentos correspondentes.

62 SENAI
Correia trapezoidal

As polias são normalizadas com vários canais, os ângulos dos canais são α = 320 , 340
e 380, obedecendo ao diâmetro da polia (menor diâmetro, menor ângulo).

Os canais das polias são executados de forma que a correia não sobrepasse o canto
superior do canal e não encoste no seu fundo, o que anularia o efeito de cunha.

A montagem das polias necessita de uma centragem perfeita entre a polia e seu eixo e
um alinhamento exato entre a polia motriz e a polia movida.

A centragem pode ser verificada por meio de esquadro ou graminho e o alinhamento


por meio de régua para pequenas distâncias ou cordão tencionado para distâncias
maiores.

SENAI 63
Transmissão por roda de fricção

O acionamento por roda de fricção transmite o momento de giro por fricção entre dois
eixos-árvores paralelos ou que se cruzam a uma pequena distância.

Esse tipo de acionamento é especialmente conveniente quando é necessário transmitir


grandes velocidades periféricas e é necessário trocar o número de rotações ou
modificar o sentido de rotação durante o funcionamento.

O acionamento por roda de fricção é silencioso e sem movimentos bruscos. A relação


de transmissão i entre a roda motriz e a movida não é constante porque ocorre um
deslizamento.

A transmissão de força ocorre quando se pressiona uma roda de fricção contra outra
roda de periferia lisa mediante a força de aperto Fn (Fn = força normal perpendicular à
tangente no ponto de contato).

Com a força Fn aplicada surge nas superfícies das rodas tangencial Fr (força de atrito).
Sua intensidade depende da Fn e do coeficiente de atrito µ entre as superfícies que
trabalham conjuntamente.

Fr = Fn . µ em N
Coeficiente de atrito µ entre:
material sintético e FoFo 0,3..0,4
couro e FoFo 0,2..0,3
borracha e FoFo 0,7..0,8

Para conseguir condições favoráveis de fricção, uma das rodas é recoberta com uma
guarnição de material sintético, borracha ou couro. Quando as cargas são pequenas

64 SENAI
as guarnições de borracha se fixam elasticamente sobre as rodas, no caso de grandes
cargas a borracha é vulcanizada com arames de aço no interior da guarnição para
reforçar e dissipar melhor o calor.
A contra-roda se fabrica de ferro fundido ou aço, e se possível deve ser retificada. As
rodas de fricção são cilíndricas para força de aperto grande, cônicas para regulagem
contínua do número de rotações e trapezoidal para máquinas-ferramentas, guinchos,
prensas, etc.

Roda de fricção cilíndrica Roda de fricção Trapezoidal

Roda de fricção Cônica

As vantagens dos acionamentos por roda de fricção são:


• Regulagem de velocidades sem escalonamento
• Menor distância entre eixos
• Alto rendimento (0,85 a 0,9)
• Baixo custo de manutenção
• Funcionamento silencioso

As desvantagens dos acionamentos por roda de fricção são:


• Deslizamento

SENAI 65
• Desgaste da superfície de fricção
• Potência limitada (400kw)
• Velocidade periférica limitada
• Ação das forças de aperto sobre os mancais

66 SENAI
Elementos de apoio

Esta aula - Introdução aos elementos de apoio - inicia a segunda parte deste primeiro
livro que compõe o módulo Elementos de máquinas.

De modo geral, os elementos de apoio consistem de acessórios auxiliares para o


funcionamento de máquinas.

Nesta unidade, são abordados os seguintes elementos de apoio: buchas, guias,


rolamentos e mancais.

Na prática, podemos observar que buchas e mancais são elementos que funcionam
conjuntamente. Apenas para facilitar o estudo, eles são descritos separadamente.

Para que você tenha uma visão geral dos assuntos a serem estudados em cada aula,
são apresentadas algumas das principais informações relativas aos elementos de
apoio.

Buchas

As buchas existem desde que se passou a usar transportes com rodas e eixos.

No caso de rodas de madeira, que até hoje são usadas em carros de boi, já existia o
problema de atrito. Durante o movimento de rotação as superfícies em contato
provocavam atritos e, com o tempo, desgastavam-se eixos e rodas sendo preciso
trocá-los.

Com a introdução das rodas de aço manteve-se o problema com atritos. A solução
encontrada foi a de colocar um anel de metal entre o eixo e as rodas.
SENAI 67
Esse anel, mais conhecido como bucha, reduz bastante o atrito, passando a constituir
um elemento de apoio indispensável.

Na aula Buchas, você vai ver que as buchas podem ser classificadas, quanto ao tipo
de solicitação, em buchas de fricção radial e de fricção axial.

Em determinados trabalhos de usinagem, há a necessidade de furação, ou seja, de


fazer furos. Para isso é preciso que a ferramenta de furar fique corretamente
posicionada para que os furos sejam feitos exatamente nos locais marcados. Nesse
caso, são usadas as buchas-guia para furação e também para alargamento dos furos.

Devido à sua importância, as buchas-guia serão estudadas com mais detalhes.

Guias

As guias, que são elementos de apoio de máquinas, têm a função de manter a direção
de uma peça em movimento. Por exemplo, numa janela corrediça, seu movimento de
abrir e de fechar é feito dentro de trilhos. Esses trilhos evitam que o movimento saia da
direção.

68 SENAI
A guia tem a mesma função desses trilhos. Numa máquina industrial, como uma serra
de fita, a guia assegura a direção da trajetória da serra.

Geralmente, usa-se mais de uma guia em máquinas. Normalmente, se usa um


conjunto de guias com perfis variados, que se denomina barramento. Existem vários
tipos de barramento, conforme a função que ele exerce.

Rolamentos e mancais

Os mancais como as buchas têm a função de servir de suporte a eixos, de modo a


reduzir o atrito e amortecer choques ou vibrações. Eles podem ser de deslizamento
ou rolamento.

Os mancais de deslizamento são constituídos de uma bucha fixada num suporte. São
usados em máquinas pesadas ou em equipamentos de baixa rotação.

SENAI 69
Os mancais de rolamento dispõem de elementos rolantes: esferas, roletes e agulhas.

De acordo com as forças que suportam, os mancais podem ser radiais, axiais ou
mistos.

Em relação aos mancais de deslizamento, os mancais de rolamentos apresentam as


seguintes vantagens:
• Menor atrito e aquecimento.
• Pouca lubrificação.
• Condições de intercâmbio internacional.
• Não desgasta o eixo.
• Evita grande folga no decorrer do uso.

Mas os mancais de rolamentos têm algumas desvantagens:


• Muita sensibilidade a choques.
• Maior custo de fabricação.
• Pouca tolerância para carcaça e alojamento do eixo.
• Não suportam cargas muito elevadas.
• Ocupam maior espaço radial.

70 SENAI
Acoplamentos
Objetivos
Ao final deste capítulo o participante deverá:

Conhecer
Estar informado sobre:
• Fundamentos teóricos dos acoplamentos;
• Princípios de funcionamento dos acoplamentos;
• Diferenças entre união firme e rígida;
• Tipos de acoplamentos.

Saber
Reproduzir conhecimentos sobre:
• Funcionamento dos acoplamentos sob condições determinadas de assentamento e
rigidez;
• Cálculo do momento de giro em função do braço de alavanca e a força do
momento de giro;
• Atuação da força tangencial nos elementos de união do conjunto;
• Irregularidades de marcha, tais como deslocamento, dilatação, choques,
movimentos bruscos e oscilações;
• Variações de montagem do conjunto, tais como alojamentos imprecisos,
deformação nos apoios dos rolamentos e desalinhamento;
• Vantagens e desvantagens dos acoplamentos do tipo embreagem por fechamento
de forma e fechamento de força;
• Funcionamento do acoplamento centrífugo e acoplamento de sobrepasso.

Ser capaz de
Aplicar conhecimentos para:
• Preservar os acoplamentos, utilizando-os sem ultrapassar seus limites técnicos;
• Realizar manutenção preventiva para acoplamentos;
• Analisar o projeto ou a copra do acoplamento mais indicado para o trabalho.
Fundamentos teóricos dos acoplamentos

Os acoplamentos são empregados para transmitir movimento de rotação de uma


árvore motriz para uma árvore movida.
SENAI 71
São constituídos fundamentalmente de suas partes, geralmente dois discos, e peças
que realizam a união entre ambas.

Essa união efetua-se por arraste de forma (pinos, ressaltos, garras, etc.) ou por arraste
de força mediante superfícies de fricção com uma força perpendicular que é normal a
elas.

A figura abaixo mostra um acoplamento por arraste de forma, onde o momento de giro
é transferido de árvore a árvore por força perpendicular ao eixo de simetria.

A figura abaixo mostra um acoplamento por arraste de força, onde o momento de giro
é transferido da árvore à roda dentada por força perpendicular ao eixo de simetria.

Funcionamento dos acoplamentos

Os acoplamentos devem transmitir momentos de giro baixos e sob condições


determinadas de assentamento e rigidez.

72 SENAI
O momento de giro é o produto da força F pela distância da alavanca  , sendo
calculado pela fórmula Md = F .  onde:

Md = momento de giro
F = força do momento de giro
 = braço da alavanca

A força F atua como força tangencial nos elementos de união, como esforço de
cisalhamento nos pinos, como força de aperto em garras e como força de fricção nas
superfícies de fricção. Se os elementos da união resistem a uma grande força
tangencial F, pode-se usar um pequeno braço de alavanca  .

Se o momento de giro é transferido por fricção, a força tangencial F tem de


permanecer pequena para que o disco não patine e, para compensar o resulta final,
aumenta-se o braço de alavanca, aumentando-se o disco.

O funcionamento do acoplamento depende de forma de união entre as duas partes. A


união pode ser firme e rígida, quando feita com parafusos e porcas (união por arraste
de força) ou as duas partes podem engrenar-se entre si (união por arraste de forma)
nesse caso, a união será firme mas não rígida.
SENAI 73
A união pode ser elástica, quando se usam elementos de borracha, plástico, arame,
cintas de aço e sintéticos entre os elementos de arraste.

Tipos de acoplamentos

A união de um equipamento motriz


(motor) a uma equipamento operador
(bomba d’água) é que determina o tipo
de acoplamento desejado.

Os tipos de acoplamentos se
denominam rígidos, móveis, elásticos,
desacopláveis (embreagem) e especiais.
Veja a figura ao lado.

Acoplamentos rígidos
Os acoplamentos rígidos unem
árvores de tal forma que elas atuam
como se fosse uma única peça. São
recomendados para alta rotação,
necessitam de um alinhamento
perfeito e transmitem grandes
Acoplamento rígido por luvas
momentos de giro.

Acoplamento rígido por disco

Acoplamentos móveis
Os acoplamentos móveis transmitem o momento de giro por fechamento de forma,
facilitando a acomodação de pequenas variações de deslocamento e dilatação das
árvores.

74 SENAI
Da mesma maneira que os acoplamentos rígidos, os acoplamentos móveis transmitem
integralmente todas as irregularidades de marcha, tais como choques e movimentos
bruscos. Veja as figuras a seguir:

Acoplamento móvel de articulação com Acoplamento móvel de garras


duas rótulas

Acoplamento móvel de dentes

Acoplamento elástico
Os acoplamentos elásticos
transmitem o momento de giro por
fechamento de forma mediante
elementos de união flexíveis. Sua
principal características é compensar
oscilação bruscas, deslocações das
árvores, dilatação térmica, alojamento
impreciso e deformações nos apoios
dos rolamentos (desalinhamento).

A parte elástica do acoplamento compensa possíveis desvios e/ou deslocações.


Quando na árvore impulsora ocorre bruscamente um grande momento de giro,
aumenta subitamente também a força tangencial que atua sobre a união elástica.

SENAI 75
Essa força deforma as peças elásticas da união que absorvem, por um processo de
amortização, a energia que fluir. O processo consegue transmitir com maior
uniformidade o movimento de rotação.

Efeito da união elástica

Os acoplamentos elásticos podem ser de dois tipos:


• Acoplamento elásticos com capa de borracha: amortece a força tangencial e
admite desvios e deslocações das árvores.

Acoplamento elástico de borracha

• Acoplamento elástico de banda de arame de aço no formato de uma


serpentina: as bandas se deformam elasticamente quando há carga ou choque,
amortecendo os esforços. No acoplamento elástico de banda de arame as árvores

76 SENAI
precisam estar alinhadas e é apropriado para transmitir momentos de giro grandes
e flutuantes.

Acoplamento elásticos de banda de aço

Acoplamento desacopláveis (por embreagem)


Os acoplamentos por embreagem que trabalham por fechamento de forma só podem
acoplar-se quando estão parados e sem carga.

Os acoplamentos por embreagem que trabalham por fechamento de força podem


acoplar-se e desacoplar-se durante a marcha de trabalho e com baixa carga. Para que
se produza fricção tem de atuar sobre as superfícies de atrito uma força perpendicular
Fn (força normal) suficientemente grande. Esta força se produz mecanicamente
mediante molas, alavancas ou assento cônico ou por eletromagnetismo, hidráulica e
pneumática.

Embreagens mecânicas
As embreagens mecânicas de lâminas ou aros múltiplos funcionam por fechamento de
força entre as superfícies dos aros externos contra as superfícies dos aros internos.

SENAI 77
Todos os aros se deslocam no sentido axial e a fricção entre suas superfícies é que
proporciona o arraste.

Embreagem mecânica de lâminas

A embreagem eletromagnética une a árvore a uma roda dentada. Permite acionamento


a distância por cabo. Quando se conecta a corrente contínua, cria-se um campo
magnético em torno da bobina do eletroimã. Este campo magnético flui através das
lâminas e atrai firmemente o disco de aperto.

Embreagem eletromagnética de lâminas e disco

Acoplamentos especiais

78 SENAI
O acoplamento centrífugo e o acoplamento de sobrepasso são considerados especiais
pelo seu uso bastante específico.

No acoplamento centrífugo, quando o conjunto interior alcança um número


suficientemente grande de rotação, os pesos centrífugos se deslocam e pressionam as
sapatas contra a panela. Quando diminui a rotação, o acoplamento abre
automaticamente.

No acoplamento de sobrepasso o momento de giro é transmitido quando a parte


interior tende a rodar mais rapidamente, ocorrendo a subida das esferas ou rolos
cilíndricos pelas rampas do disco perfilado que trava contra a panela. O
desacoplamento ocorre por situação inversa.

SENAI 79
Elementos comuns II

Objetivos
Ao final desta unidade o participante deverá:

Conhecer
Estar informado sobre:
• Tipos e características de chavetas, molas, vedações e cabos;
• Normas e tabelas para esses elementos;
• Falhas dos elementos e procedimentos em manutenção.

Saber
Reproduzir conhecimentos sobre:
• Normas, funções e importância dos vários elementos comuns de máquinas;
• Procedimentos recomendados na montagem dos elementos;
• Soluções para os danos típicos.

Ser capaz de
Aplicar conhecimentos para:
• Consultar tabelas sobre elementos comuns;
• Identificar e selecionar tipo adequado de elementos comuns de máquina para
cada aplicação;
• Orientar a detecção da falhas em elementos comuns.

Chaveta

Chaveta é um corpo prismático que pode ter faces paralelas ou inclinadas, em


função da grandeza do esforço e tipo de movimento que deve transmitir. É
construída normalmente de aço.

80 SENAI
A união por chaveta é um tipo de união desmontável, que permite às árvores
transmitirem seus movimentos a outros órgãos, tais como engrenagens e polias.

Classificação e características

Chaveta de cunha (ABNT-PB-121)


Empregada para unir elementos de máquinas que devem girar. Pode ser com
cabeça ou sem cabeça, para facilitar sua montagem e desmontagem. Sua
inclinação é de 1:100, o que permite um ajuste firme entre as partes.

Chaveta de cunha

O princípio da transmissão é pela força de atrito entre as faces da chaveta e o


fundo do rasgo dos elementos, devendo haver uma pequena folga nas laterais.

SENAI 81
Havendo folga entre os diâmetros da árvores e do elemento movido, a inclinação
da chaveta provocará na montagem uma determinada excentricidade, não sendo
portanto aconselhado o seu emprego em montagens precisas ou de alta rotação.

A figura abaixo mostra o modo de sacar a chaveta com cabeça.

Chaveta encaixada (DIN 141, 490 e 6883)


É a chaveta mais comum e sua forma corresponde ao tipo mais simples de
chaveta de cunha. Para facilitar seu emprego, o rasgo da árvore é sempre mais
comprido que a chaveta.

82 SENAI
Chaveta meia-cana (DIN 143 e 492)
Sua base é côncava (com o mesmo raio do eixo). Sua inclinação é de 1:100, com
ou sem cabeça. Não é necessário rasgo na árvore, pois transmite o movimento
por efeito do atrito, de forma que, quando o esforço no elemento conduzido é
muito grande, a chaveta desliza sobre a árvore.

Chaveta plana (DIN 142 e 491)


É similar à chaveta encaixada, tendo, porém, no lugar de um rasgo na árvore, um
rebaixo plano. Sua inclinação é de 1:100 com ou sem cabeça.

Seu emprego é reduzido, pois serve somente para a transmissão de pequenas


forças.

SENAI 83
Chaveta tangencial (DIN 268 e 271)
É formada por um par de cunhas com inclinação de 1:60 a 1:100 em cada rasgo.
São sempre utilizadas duas chavetas e os rasgos são posicionados a 120º.

A designação tangencial é devido a sua posição em relação ao eixo. Por isso, e


pelo posicionamento (uma contra a outra), é muito comum o seu emprego para
transmissão de grandes forças, e nos casos em que o sentido de rotação se
alterna.

Chaveta transversal

84 SENAI
Aplicada um uniões de órgãos que
transmitem movimentos não só
rotativos como também retilíneos
alternativos.

Quando é empregada em uniões permanentes, sua inclinação varia entre 1:25 e


1:50. Se a união necessita de montagens e desmontagens freqüentes, a
inclinação pode ser de 1:6 a 1:15.

Chaveta paralela
É normalmente embutida e suas faces são paralelas, sem qualquer conicidade. O
rasgo para o seu alojamento tem o seu comprimento.

As chavetas embutidas nunca têm cabeça e sua precisão de ajuste é nas laterais,
havendo uma pequena folga entre o ponto mais alto da chaveta eo fundo do
rasgo do elemento conduzido.

SENAI 85
A transmissão do movimento e das forças é feita pelo ajuste de suas faces
laterais com as do rasgo da chaveta.

A chaveta paralela varia quanto à forma de seus extremos (retos ou


arredondados) e quanto à quantidade de elementos de fixação à árvore.

Pelo fato de a chaveta paralela proporcionar um ajuste preciso na árvore não


ocorre excentricidade, podendo, então, ser utilizada para rotações mais
elevadas. É bastante usada nos casos em que o elemento conduzido é móvel.

Chaveta de disco ou meia-lua tipo woodruff (DIN 496 e 6888)


É uma variante da chaveta paralela, porém recebe esse nome porque sua forma
corresponde a um segmento circular.

86 SENAI
É comumente empregada em eixos cônicos por facilitar a montagem e se adaptar
à conicidade do fundo do rasgo do elemento externo.

Tolerâncias para chavetas


O ajuste da chaveta deve ser feito em função das características de trabalho a
que vai ser submetida.

A figura abaixo mostra os três tipos mais comuns de ajustes e tolerâncias para
chavetas e rasgos.

Dados para manutenção

O material mais usado nas chavetas é aço com baixo teor de carbono (≈ 0,2%),
visto que é sempre preferível uma falha na chaveta ao invés de uma falha em
outro componente mais caro.

Na substituição de chavetas é preciso considerar o acabamento superficial, o


ajuste e o arredondamento dos cantos para evitar força de atrito excessiva.
O estado dos canais de chaveta deve estar em boas condições, principalmente
quanto à perpendicularidade. Pois além do esforço de cisalhamento as chavetas
sofrem torção, esforço este que tende a virá-las em sua sede.

SENAI 87
Quanto à chaveta de cunha, outros cuidados na montagem devem ser
observados: uma tensão de aperto que não gere danos, fissuras (figura abaixo)
ou excentricidade, e deve ser feita uma proteção da parte saliente dessas peças
para evitar acidentes.

Quando for necessário construir canais de chavetas, as dimensões têm de ser


normalizadas e os cantos precisam ter raios para evitar concentração de
tensões.

Nunca se deve aumentar a profundidade dos rasgos com objetivo de aumentar a


resistência; este procedimento reduz a capacidade básica da árvore ou do cubo
a uma carga externa.

Eventualmente, em condições favoráveis, pode-se trocar uma chaveta paralela


por uma tipo meia-lua. Esse tipo praticamente elimina os problemas com torção;
especialmente se o eixo for temperado.
88 SENAI
Molas

São elementos elásticos de grande importância, empregados com os seguintes


objetivo: absorver energia, como em suspensão de automóveis; acumular
energia, como em relógios; manter elementos sob tensão controlada, como em
válvulas; medir, como em balanças e outros instrumentos.

As molas realizam esforços de tração, compressão, torção e flexão. A seguir os


tipos mais comuns.

Mola helicoidal – Nas formas cilíndrica, barriletada ou cônica. Trabalha para


compressão ou tração. O barriletamento ou conificação visa aumentar o curso
sem encostar as espiras.

Pode ter a secção circular ou prismática.

SENAI 89
Barra de torção – Fabricada de vergalhão redondo ou quadrado (figura abaixo).
Também submetida a um torque.

Mola espiral – Trabalha para torção. É fabricada de arame ou fita de aço (figura
abaixo), enrolada em espiral plana e deforma-se sob a aplicação de um momento
torsor.

Mola de torção – Fabricada com fios de secção circular ou prismática (figura


abaixo), para travas, esperas ou molas de retorno.

Mola de disco plana – Feita de chapa de aço recortada de várias maneiras.

90 SENAI
Mola prato – Feita de chapa conificada. Trabalha para compressão (figura abaixo).
É formada por uma pilha de discos montadas com as concavidades
alternadamente opostas. Possibilita variar a rigidez e capacidade de carga
apenas mudando o número de discos ou sua disposição.

Mola de flexão – Consiste em uma ou várias lâminas de aço, levemente curvas ou


planas, sustentadas em uma ponta (vigas de balanço) e carregadas na outra.

Pode ser também sustentada em ambas as pontas e carregadas ao centro.

Uma forma especial de mola de flexão é a formada por feixes de molas (mola
balestra); que utiliza várias lâminas de comprimentos diferentes, conseguindo
grande resistência.

SENAI 91
Mola anelar – Constituída por anéis com chanfros alternadamente internos e
externos superpostos em um cilindro. Sob compressão axial, os anéis internos
contraem-se e os externos expandem-se. Usada para solicitações de alta rigidez.

Mola de borracha – É formada por tarugos de borracha separados por discos


metálicos, trabalha para compressão. Possui alta capacidade de armazenar
energia e resiste bem ao cisalhamento. Usada habitualmente para isolar
vibrações. Em veículos e máquinas, emprega-se um tipo chamado coxim, que é
um bloco de borracha colado a placas de metal.

Mola de plastiprene – Feita em forma de tarugos de uretano sólido. Está


substituindo com vantagem a mola de aço usada em ferramentaria, visto que

92 SENAI
resiste muito bem aos óleos, raramente quebra de imprevisto, suporta altas
pressões e tem ótima flexibilidade.

Mola voluta – Formada por uma lâmina relativamente larga, enrolada em hélice
cônica com superposição das espiras. É usada quando são exigidas peças muito
compactas e amortecimento pelo atrito entre as espiras.

Materiais para molas

Aço piano – contém de 0,7 a 1% de carbono, 0,25 a 0,40% de manganês e 0,1 a


0,2% de silício. Seu limite de ruptura é de 1 700N/mm2.

Aço mola trefilado duro – contém 0,5 a 0,65% de carbono e 0,7% a 1% de


manganês. Seu limite de ruptura está entre 840 a 1 260N/mm2.

Aço laminado a quente – contém de 0,9 a 1,05% de carbono. Seu limite de ruptura
está entre 1 230 e 1 370N/mm2.

SENAI 93
Aço silício-manganês (SAE-9260) – com 0,6% de carbono, 0,6 a 0,9% de manganês
e 1,8 a 2,2% de cromo e 0,15 a 0,2% de vanádio. Seu limite de ruptura está entre 1
400 a 2 100N/mm2. Usado para molas de veículos.

Aço cromo-vanádio (SAE-6150) – com 0,5% de carbono, 0,5 a 0,8% de manganês,


0,9 a 1,2% de vanádio. Usado especialmente para molas de válvulas.

Aço mola revenido – contém de 0,85 a 1% de carbono e 0,3 a 0,45% de manganês.


Seu limite de ruptura está entre 1 050 e 1 750N/mm2.

Aço inoxidável para molas – com 0,12% de carbono, 17 a 20% de cromo e 8 a 10%
de níquel. Seu limite de ruptura está entre 1 050 3 1 960N/mm2.

Bronze fosforoso para molas – com 5% de estanho e 0,5% de fósforo. Seu limite de
ruptura é 660N/mm2.

Manutenção de molas

Uma mola devidamente especificada durará muito tempo. Em caso de abuso,


apresentará os seguintes danos:
• Quebra – causada por excesso de flexão ou torção;
• Flambagem – ocorre em molas helicoidais longas por falta de guia;
• Amolecimento – causado por superaquecimento presente no ambiente ou
devido ao esforço de flexão.

Recomendações
• Evitar a sobrecarga da mola – ela foi especificada para uma solicitação
determinada, não devendo ser submetida a um esforço maior que o previsto.
• Impedir a flambagem – se a mola helicoidal comprimida envergar no sentido
lateral, providenciar uma guia.
• Evitar o superaquecimento – providenciando refrigeração e troca da mola que
mudou de coloração.
• Evitar desgaste não uniforme das pontas – isso criaria um esforço adicional
não previsto.
• Testar as molas nas revisões periódicas da máquina – fazê-lo num dispositivo
que indique a relação entre o curso e o peso aplicado sobre a mola. Trocar a
mola que enfraquecer.

94 SENAI
• Evitar tentativas de consertar a mola quebrada esticando-a, é inútil. Somente
em casos de quebra das pontas de molas muito pesadas, é possível consertá-
las soldando-as com eletrodos de alto cromo.
• Quando uma emergência tornar indispensável a fabricação de uma mola,
considerar o tipo de material e seu estado superficial; evitando marcas de
ferramentas, riscos de matrizes de trefilação, incrustações, rugosidade
excessiva e descarbonetação superficial. As molas helicoidais podem ser
enroladas a frio até o diâmetro do arame de 13mm.

Vedações

São elementos destinados a proteger máquinas ou equipamentos contra a saída


de líquidos e gases, e a entrada de sujeira ou pó.

São genericamente conhecidas como juntas, retentores, gaxetas e guarnições.


As partes a serem vedadas podem estar em repouso ou movimento. Uma
vedação deve resistir a meios químicos, a calor, a pressão, a desgaste e a
envelhecimento.

Em função da solicitação as vedações são feitas em diversos formatos e


diferentes materiais.

Tipos de vedação

SENAI 95
Junta de borracha em forma de aro e
secção circular – quando apertada,
ocupa o canal e mantém pressão
constante.

Junta de borracha em forma de aro e


secção retangular.

Junta metálica estriada com uma a


cinco estrias - veda por compressão
das estrias. O aperto irregular dos
parafusos inutiliza-a.

Anel tipo "0" de borracha e secção


circular – usado em pistões.

96 SENAI
Junta de vedação expansiva
metálica para gases e lubrificantes –
usada em motores automotivos.

Junta labirinto com canal para graxa


protege muito bem máquinas e
equipamentos contra a entrada de
pó e a saída de óleo. O tipo axial é
usado em mancais bipartidos e o
radial em mancais inteiriços.

Junta de anéis dispersores –


dispersa o óleo que chega até os
anéis por força centrífuga. O
lubrificante retorna ao depósito por
um furo na parte inferior.

Vedação por ranhuras – formada por


canais paralelos, para obturar a
passagem de fluido, ou canais
helicoidais que possibilitam o
retorno do fluido. É necessário
colocar graxa nas ranhuras, quando
da montagem, para evitar a entrada
de pó.
Retentor – é feito de borracha ou
couro, tem perfil labial e veda
principalmente peças móveis.
Alguns tipos possuem uma carcaça
metálica para ajuste no alojamento;
também apresentam um anel de
arame ou mola helicoidal para

SENAI 97
manter a tensão ao vedar.

Anel de feltro, fibra ou tecido de


amianto – é a forma mais simples e
barata para reter lubrificantes. É
usado para baixa velocidade.

Vedação com carbono – um ou mais


blocos de grafite são mantidos numa
carcaça e acompanham com folga
zero a superfície móvel, através de
uma mola.

Vedação por pacotes – um conjunto


de guarnições, montadas uma ao
lado da outra, forma o pacote. O
princípio é a vedação de contato
entre as superfícies. Muito usada
para peças móveis. Pode ser
fabricada de materiais não-metálicos
tais como borracha e plásticos, ou
de metais macios como cobre e
alumínio, etc.
Junta plástica ou veda junta – são
produtos químicos em pasta usados
em superfícies rústicas ou
irregulares. Empregados, também,
como auxiliares nas vedações com
guarnições de papelão ou cortiça.
Existem tipos que se enrijecem e
são usados para alta pressão; e
tipos semi-secativos que mantêm a
elasticidade para compensar a
dilatação. A ordem de aperto dos
parafusos tem de ser respeitada para

98 SENAI
uniformizar a massa.

Orientação para seleção de guarnições (juntas)

A indicação do material da junta depende das condições operacionais (pressão e


temperatura) e do fluido confinado.

Quando da seleção da junta, deve-se multiplicar a pressão de trabalho em kg/cm2


pela temperatura de trabalho em graus Celsius; se o resultado exceder a 8 500, o
uso da junta metálica faz-se necessário.

Em geral as juntas fabricadas com materiais não metálicos não devem ser
utilizadas em pressões maiores que 80kg/cm2 ou temperaturas maiores que
440ºC (tabela abaixo).

Temperatura
Pressão x temperatura = índice máximo Material da junta
máxima ºC
500 150 Borracha
1300 120 Fibra vegetal
4350 200 Tecido de amianto
8500 440 emborrachado
8500 e acima - Papelão hidráulico de amianto
Junta metálica

Alguns materiais freqüentemente usados na fabricação de guarnições e


materiais empregados em seu enchimento possuem limites máximos de
resistência à temperatura (ver tabela abaixo). O tipo, as dimensões da guarnição
e o rigor da ação corrosiva podem aumentar ou diminuir esses limites.

Materiais Temperaturas Materiais Temperatura


chumbo 100ºC prata 650ºC
latões comuns 260ºC níquel 760ºC
politetrafluoretileno 260ºC AISI 430 760ºC
cobre 315ºC Monel 815ºC
alumínio 425ºC AISI 347 870ºC
amianto branco 500ºC Iconel 600 1 100ºC
amianto azul 500ºC Titânio 1 100ºC

SENAI 99
africano
aço carbono 540ºC Fibra cerâmica 1 260ºC
AISI 410 650ºC Grafite 1 650ºC
laminado

Dados para manutenção

Ao instalar juntas de vedação, o primeiro cuidado é com a planeza das


superfícies que fecharão entre si. A planeza deve ser verificada em todas as
ocasiões de montagem.

As juntas devem estar limpas, sem


recalques ou dobras; têm de ser colocadas
bem centradas e não ultrapassar a borda
interior das superfícies em contato.

Outro cuidado é não permitir que o aperto dos parafusos destrua a junta,
comprometendo a vedação.

É necessário que a ordem de aperto seja tal que a junta se apresente "laminada"
a partir do centro para os lados.

Para que a junta se deforme comprimindo-se por igual, é necessário que o aperto
dos parafusos seja passo-a-passo e a força de aperto igual para todos (figura
abaixo).

100 SENAI
No caso de veda juntas, deve-se: selecionar o
tipo adequado em função do serviço; e
distribuir a pasta com uniformidade sobre a
superfície evitando excessos e aguardar o
tempo de secagem, conforme recomendação
do fabricante.

União sem juntas de vedação

Quando temos recipientes não sujeitos à pressão ou quando as superfícies de


vedação servem simultaneamente para apoio, alojamento, ou deslizamento de
peças entre si, vedamos sem juntas. Exemplos típicos são as tampas de
cabeçotes de tornos, as bombas hidráulicas de engrenagens e as de palhetas.

Neste caso, a montagem merece os mesmos cuidados já citados quanto à


planeza, ordem de aperto e alinhamento dos parafusos.

Vedação com gaxetas


São conhecidos por gaxeta os elementos vedantes que permitem ajustes à
medida que a eficácia da vedação vai diminuindo.

SENAI 101
As gaxetas são fabricadas em forma de corda, para serem recortadas, ou em
anéis já prontos para a montagem.

Os cuidados a tomar na montagem das gaxetas são:


• Manter a uniformidade de adaptação ao longo do comprimento de vedação,
sem que isso dificulte o movimento do eixo.
• Regular a pressão de vedação (aperto da gaxeta) de modo que sejam
possíveis apertos posteriores em serviço.

102 SENAI
• Não prescindir da lubrificação inicial, quando a gaxeta não for
autolubrificante.

Vedação com junta expansiva

Esta junta é usada predominantemente em motores de combustão interna, e tem


a forma de anéis partidos (figura ao lado).

Os anéis montados devem formar uma junta estanque com a superfície de


deslizamento. Para isso exige-se:
• Que as superfícies dos anéis sejam paralelas às do cilindro.
• Os anéis devem mover-se transversalmente em seus alojamentos.
• Os anéis devem ter uma folga mínima nas suas junções.
• Os anéis devem ser montados de forma que suas junções fiquem
desencontradas (figura abaixo)

O mau funcionamento da junta expansiva pode ocorrer por defeitos de


cilindricidade do êmbolo, do anel ou da superfície de deslizamento; ou ainda,
defeitos no alojamento do anel.

Na montagem destas juntas é necessário:


• Verificar se as dimensões dos anéis, alojamentos e êmbolo são compatíveis.

SENAI 103
• Limpar e lubrificar anéis, alojamentos e êmbolo.
• Rodear os anéis com barras auxiliares, arame e tensor ou pinças especiais.

• Verificar a mobilidade transversal dos anéis.


• Não deteriorar os cantos dos anéis.

Vedação com retentor

Neste caso, os cuidados são:


• Manter a direção correta dos lábios. A pressão do fluido ajuda na vedação
pois tende a abrir os lábios do retentor;
• Manter o eixo centrado em relação ao círculo dos lábios;
• Não danificar os lábios (expandir no máximo 0,8mm no diâmetro);
• Evitar rugosidade acentuada da superfície deslizante;
• Montar em esquadro não permitindo retorcimentos na vedação;
• Usar manga auxiliar com o fim de evitar o rompimento dos lábios ou danos à
parte externa;

104 SENAI
• Untar com graxa a superfície deslizante.

Cabos de aço

São feitos de arames estirados a frio que


são inicialmente enrolados formando
pernas; as pernas são enroladas em
espirais em torno de um elemento central,
chamado núcleo ou alma.

Tipos de cabos

SENAI 105
Torcedura dos cabos

Observação
As torceduras podem ser, semelhantes às roscas, à direita ou à esquerda.

Para a escolha correta do tipo de torcedura dos cabos deve-se considerar que a
torcedura lang é indicada para instalações sujeitas a grande desgaste (abrasão).
Devido a sua tendência de girar, é usada com guias.

A torcedura comum é usada onde é essencial que o cabo não gire nem torça em
serviço.

Identificação dos cabos

É feita por dois números: o primeiro dá a quantidade de pernas e o segundo, a


quantidade de fios em cada perna.

106 SENAI
Especificação dos cabos

A tabela abaixo apresenta valores referentes a resistência à tração, em função do


material do fio.

Material do fio Resistência à tração


aço comum (iron) 600N/mm2
aço para tração (traction steel) 1 200 a 1 400N/mm2
aço M.P.S. (mild plow steel) 1 400 a 1 600N/mm2
aço P.S. (plow steel) 1 600 a 1 800N/mm2
aço I.P.S. (improved plow 1 800 a 2 000N/mm2
steel)
aço E.I.P.S. (extra I.P.S.) 2 000 a 2 300N/mm2

Os materiais do núcleo do cabo podem ser de cânhamo, fibras artificiais,


amianto ou aço. Os núcleos de aço aumentam a resistência à tração em 7% ,
porém diminuem a flexibilidade.

Os fios podem ser galvanizados ou simplesmente lubrificados.

Atualmente está sendo usado o náilon estirado como revestimento de cabos, o


que dá boa proteção.
Fatores para o dimensionamento

O coeficiente de segurança deve estar entre 500 e 850%, chegando a 1 300% para
os elevadores de passageiros.

No caso de suspensão de pesos fora da vertical, tem-se de considerar que existe


uma redução da capacidade do cabo.

SENAI 107
A figura abaixo mostra as formas possíveis de amarração de cargas com cabos e
os coeficientes em relação à vertical.

Na aquisição de um cabo devem ser consideradas as condições de trabalho


como velocidade, aceleração, quantia de curvas, abrasão, corrosão e o peso
próprio do cabo.

E, finalmente, na requisição devem constar o comprimento, diâmetro, número de


pernas e fios, tipo de construção, torcedura, lubrificação, acabamento, aplicação,
carga útil e resistência dos arames.

Polias e tambores para cabos

O diâmetro das polias e tambores para cabos deve ser o maior possível,
considerando todos os fatores envolvidos no serviço. Para uma rápida avaliação
podem ser considerados os diâmetros indicados na tabela abaixo.

Tipo de serviço Cabos Ø da polia

108 SENAI
Máquinas com acionamento 6 x 37 16d
manual
Serviços de pequena intensidade 8 x 19 20d
Serviços de média intensidade 6 x 25 25d
Serviços de grande intensidade 6 x 19 30d
18 x 7
Cabos não retroativos 34d
19 x 7
Cabos pouco flexíveis 6x7 42d
d = Ø do cabo

Quanto à forma da canaleta (ou canal) devem ser observadas as recomendações


do fabricante. Na ausência dessas informações, podem-se considerar os
seguintes dados:
• Canais redondos guiam da melhor maneira.

• Canais a 45º dão a máxima durabilidade.

SENAI 109
• Canais de 20º dão o máximo efeito de
cunha.

Os canais não devem ser largos demais para que o cabo tenha apoio nas laterais
e não deforme.

O material deve ser resistente tanto à abrasão quanto à fluência (escoamento), a


fim de não se desgastar nem se deformar facilmente.

Maneiras de fixação da ponta

Ponta com soquete chumbador fixado em


zinco fundido

Ponta fixada por cunha

Olhal com sapatilha de proteção

Olhal com estribo protetor

Fixação por presilhas rosqueadas. Neste


caso, a distância y deve ser maior do que
1,5 x. Para cabos com diâmetro até 5/8"
usam-se três presilhas; acima disso,
quatro ou mais. Pode-se usar também y =
6 x Ø do cabo.

110 SENAI
Manutenção dos cabos de aço

Além dos cuidados de instalação que


visam, principalmente, evitar o
aparecimento do nó (figura abaixo), que
limita o aproveitamento do cabo, devem-
se ainda tomar os seguintes cuidados:

• Não deixar que o cabo se encoste na lateral da polia, no chão ou nos


obstáculos ao longo do seu caminho.
• Evitar arrancadas ou mudanças bruscas de direção.
• Aplicar suavemente as forças.
• Permitir que o cabo esteja bem esticado antes de levantar o peso.
• Manter o cabo sempre limpo. As partículas abrasivas são particularmente
nocivas.
• Manter o cabo sempre lubrificado. A lubrificação do cabo deve ser incluída na
ficha de lubrificação da máquina.

Os cabos devem ser inspecionados periodicamente, conforme as


recomendações do fabricante da máquina. Nessa inspeção, devem ser
observados:
• Redução de secção de fios externos – o cabo deve ser substituído quando
atingir a porcentagem determinada pelo fornecedor da máquina.
• Indícios de corrosão – eliminar a causa.
• Rompimento da alma – substituir imediatamente o cabo.
• Ondulação – depois de perceber a ondulação, deve-se observá-la de novo
após algum tempo; se notar progresso do defeito, substituir o cabo.
• Aparecimento de "gaiola de passarinho" – substituir imediatamente o cabo.
• Não se descuidar das argolas, pinos, etc. Em caso de desgaste acima do
indicado pelo manual de serviço, eles devem ser trocados ou
recondicionados. Na falta de indicação do manual, considerar 10% da perda
de secção como valor máximo.

Defeitos em serviço

Quando um cabo de aço não corresponder às expectativas, devem ser


procurados os seguintes defeitos:
• Cabo rompido

SENAI 111
Em caso de rompimento de um cabo novo ou seminovo, onde o cabo
mantém-se reto, o problema é excesso de carga ou choque.
Em caso de rompimento com entortamento do cabo, é provável que ele tenha-
se soltado da polia e esteja apoiado sobre o eixo ou armação. Nesse caso,
deve-se providenciar o protetor.
• Gaiola de passarinho
É provocada pelo choque de alívio de tensão, ou seja, quando a tensão,
provavelmente excessiva, tenha sido aliviada instantaneamente.(figura
abaixo)

• Cabo amassado
Trata-se, provavelmente, de cruzamento de cabos sobre o tambor ou de
subida dos cabos sobre a quina da canaleta. Evita-se esse problema
mantendo o cabo esticado e um enrolamento ordenado do cabo no tambor.
• Quebra de fios externos
Trata-se de:
- diâmetro de polia ou tambor excessivamente pequeno ou mudança
freqüente de direção;

- corrosão;
- abrasão não uniforme;
- excesso de tempo de trabalho do cabo.

• Ondulação
Trata-se de deslizamento de uma ou mais pernas devido à fixação imprópria
ou devido a rompimento da alma.
• Deterioração da alma
Trata-se de falta de lubrificação. Dependendo do tipo de alma, esta pode
fragmentar-se quando resseca, ou pode apodrecer com umidade ou
penetração de líquidos corrosivos.
112 SENAI
• Escoamento do material do cabo devido ao excesso de carga.
Nesse caso, não é possível recuperar o cabo, assim, ele deve ser trocado.

Nota
Veja no final da apostila as tabelas normalizadas para chavetas.

SENAI 113
Eixo, árvore e mancal

Eixos e árvores

Os eixos e as árvores suportam peças de máquinas (rodas dentadas, rodas matrizes,


polias, etc.), que giram, executam movimentos alternativos ou ficam fixas.

Os eixos e as árvores não se diferenciam entre si pelas formas, mas unicamente pelas
forças que suportam.

Forças que atuam nos eixos e árvores

114 SENAI
Os eixos são solicitados somente à flexão pelas forças que atuam sobre eles.

Eixos

As árvores transmitem sempre um movimento de giro e, por causa disso, a solicitação


principal é de torção.

Existe, entretanto, nas árvores, uma solicitação secundária que é a flexão acarretada
pelo próprio peso das peças, que deve ser desprezado para efeito de classificação .

Árvores

SENAI 115
Os eixos e as árvores são normalmente apoiados pelos extremos por espigas. As
espigas se diferenciam pela forma e uso. As espigas retas, de calor, cônicas, de
manivelas e esféricas suportam forças radiais. As espigas de cabeça ou de anéis
suportam forças axiais.

As espigas têm normalmente o canto arredondado para evitar o efeito de fadiga e a


conseqüência quebra na junção, sendo comum a retificação para reduzir o atrito a
têmpera superficial par resistir ao desgaste.

Eixos
Os eixos montados horizontalmente se denominam portadores e os montados
verticalmente, eixo de apoio. Os eixos de secção transversal, secção quadrada ou os
eixos dobrados são fixos e os elementos rodantes giram sobre as espigas.

Para resistir aos esforços são normalmente fabricados em aço de 500 a 600N/mm2 de
resistência ou aço de cementação.

Árvores
De acordo com o emprego, as árvores podem ser maciças ou ocas e sua superfície é
torneada, estirada, retificada ou polida.

As árvores empregadas para acionar mecanismo são maciças, têm até sete metros de
comprimento e transmitem momentos de giro a grandes distâncias, por exemplo,
árvore de translação de guias ou em máquinas têxteis.

116 SENAI
As árvores para acionar mecanismos que são montados verticalmente são chamados
árvores principais.

As árvores ocas têm baixo peso e grande resistência aos esforços, são aplicadas em
máquinas-ferramentas, tais como, em tornos e fresadoras.

Quando a árvore recebe o esforço de torção de outro elemento, sua união é acanalada
ou estriada.

A árvore acanalada DIN 5461 a 5465 é de uso freqüente. Tem de 4 a 20 ranhuras com
distribuição de forças em todo o perímetro de encaixe.

Árvore acanalada com seis ranhuras

A árvore estriada tem a vantagem que o número de dentes resulta numa boa
distribuição do momento torsor e oferece uma boa possibilidade de ajuste fino da peça
encaixada.

Estriado triangular

Mancais

Os mancais são conjuntos destinados a suportar as solicitações de peso e rotação de


eixos e árvores.

SENAI 117
Estão submetidos ao atrito de deslizamento, que é o principal fator a considerar para
sua utilização.

Os mancais, em sua maioria, são constituídos por uma carcaça e um casquilho ou


bucha.

Tipos de mancais
Em função da direção das forças que o mancal deve suportar, ele pode ser
denominado radial ou axial.

Quanto à forma, os mancais podem ser:


• Mancal fechado com casquilho colocado a pressão: a figura seguinte mostra
um mancal fechado, lubrificado com graxa para uso geral e um mancal que
pertence à própria carcaça da máquina com lubrificação a óleo DIN 504 A e B.

Mancal fechado

118 SENAI
• Mancal aberto DIN 505: também chamado de bipartido, permite a montagem do
eixo com o mancal aberto e facilita a troca de casquilho.

Mancal aberto

• Mancal ajustável com porca de regulagem: é bastante usado em máquinas-


ferramentas. O furo de alojamento é cônico e o casquilho também. Quando ocorre
o desgaste, é possível regulá-lo apertando-o contra a parede cônica do furo,
reduzindo assim seu diâmetro interno.

Material do mancal
O material do casquilho deve ser resistente ao desgaste, à corrosão, à pressão
superficial, dilatar-se pouco com o calor e conduzi-lo bem.

Além disso, deve adaptar-se bem à forma da espiga (capacidade de adaptação) e não
deve emperrar no caso de falta de lubrificação (capacidade de marcha de emergência).

SENAI 119
O corpo do mancal normalmente é feito de ferro fundido GG-20 ou GG-25.

O casquilho é feito de um material antifricção (metal branco) Lg Pb, Lg Pb Sb13, Lg Pb


Sn5, Lg Pb Sn10, Lg Sn80, Lg Sn80F e LgPbSn6Cd. Pode ser uma liga cobre e
estanho, G-Cu Sn 12Pb por fundição em areia, centrifugada ou fundição contínua.
Pode ser também uma liga cobre-zinco (G-CuZn25A15) ou cobre-alumínio (G-
CuAl11Ni). Outros materiais podem ser usados para casquilhos como: ferro sinterizado
ou metais férreos sinterizados, materiais sintéticos, plásticos moldados ou fenólicos.

120 SENAI
Lubrificação

As superfícies das espigas deslizam sobre os casquilhos criando uma forma de atrito
que deve ser atenuado através da lubrificação e do acabamento aprimorado das
superfícies em contato.

Quando não existe lubrificação entre a espiga e o casquilho ocorre a fricção seca. A
fricção entre os metais aumenta a ocorrência de calor na zona de atrito e com isso há
um grande desgaste nos metais.

Fricção seca

Quando a espiga e o casquilho estão apenas úmidos de lubrificante ocorre a fricção


mista. Tal situação compromete o funcionamento do conjunto a médio prazo causando
danos irreparáveis. Por outro lado é uma situação inevitável no momento de partida do
movimento rotativo por falta de cunha de lubrificação.

Fricção mista
SENAI 121
Quando as superfícies não se tocam, existindo entre elas uma cunha de lubrificação, a
fricção ocorre nas partículas do lubrificante através de uma capa que adere no
casquilho sobre outra capa que adere na espiga; a fricção é chamada líquida.

Fricção líquida

Em repouso, o eixo permanece apoiado no casquilho, no centro simétrico do conjunto;


na arrancada, o eixo se desloca para o lado, ao contrário do sentido de giro,
provocando uma fricção mista e, em seguida, com a estabilização do movimento
giratório, forma-se uma cunha de lubrificação que desloca o eixo no sentido do giro e o
mantém deslocado do centro do conjunto gerando uma fricção líquida.

122 SENAI
Para que a cunha de lubrificação se forme e se mantenha vencendo as forças de
trabalho, deve-se considerar a qualidade e viscosidade do lubrificante.

F = carga de casquilho
a = espessura mínima da capa de lubrificante
O1 = centro do conjunto
O2 = centro da espiga

A viscosidade é a medida das forças de coesão reinantes entre as moléculas do


fabricante.

Algumas regras práticas quanto à lubrificação podem ser seguidas e são citadas
abaixo:
• Quando o lubrificante não é injetado à pressão, ele tem de ser viscoso para não ser
expulso pelos lados do casquilho.
• A viscosidade do lubrificante tem que estar em correspondência com as forças de
apoio.
• Considerar na escolha do lubrificante a velocidade periférica e a temperatura no
local de contato.
• Lubrificante viscoso para forças grandes, velocidades pequenas e temperaturas
altas.
• Lubrificante fluido para pequenas forças, velocidade altas e temperaturas baixas.

Condução do lubrificante
O lubrificante chega ao ponto crítico de lubrificação através do eixo ou da bucha. Para
isso são feitos furos e ranhuras que obedecem a uma técnica de distribuição
planejada.
SENAI 123
O regime de trabalho da máquina determina o tipo de lubrificante, os canais e formas
de distribuição e o período de tempo da chegada do lubrificante. A seguir são
apresentados exemplos de ranhuras e engraxadores mais usados na condução do
lubrificante:

• Mancal de cunhas múltiplas: que trabalha mantendo o eixo centrado. São feitas
várias ranhuras na bucha de forma que ao final de cada cunha inicie outra e assim
sucessivamente.

• Mancal convencional: onde o eixo gira e o lubrificante chega à ranhura através de


um furo na bucha.

124 SENAI
• Mancal de cubo girante: onde o eixo fica em repouso e o cubo gira, o lubrificante
é injetado através de um furo longitudinal que se liga a um furo transversal
chegando a ranhura de distribuição.

• Mancal com anel de arraste de óleo (anel de pescador): durante o movimento


giratório do eixo, o anel gira trazendo lubrificante para a superfície do eixo.

SENAI 125
Lubrificador por mecha (corpo de pavio): o corpo do lubrificador fica roscado no
mancal e o óleo caminha através da mecha mantendo uma lubrificação dosada e
constante.

Lubrificador por gotas: o corpo do lubrificador fica roscado no mancal e o óleo


gotejando pode ser visto pelo visor. O número de gotas por minuto pode ser regulado
pelo operador através da tampa roscada que sobe ou desce a agulha de regulagem.

126 SENAI
Mancais de rolamento

Objetivos
Ao final desta unidade o participante deverá:

Conhecer
Estar informado sobre:
• Princípio de funcionamento e a construção básica dos rolamentos;
• Normas e designação;
• Falhas e maneiras de identificá-las.

Saber
Reproduzir conhecimentos sobre:
• Classificação, características e tipos de rolamentos;
• Montagem, desmontagem, ajustes, armazenamento e inspeção de
rolamentos;
• Defeitos comuns;
• Vida útil.

Ser capaz de
Aplicar conhecimentos para:
• Consultar catálogos para designação dos rolamentos;
• Denominar vantagens e desvantagens em relação aos mancais deslizantes;
• Orientar a compra de rolamentos.

SENAI 127
Rolamentos

Quando se buscou diminuir sensivelmente os problemas de atrito e resistência, à


alta velocidade, encontrados nos mancais de deslizamento, chegou-se aos
mancais de rolamento ou simplesmente rolamentos.

Os rolamentos são elementos de máquinas constituídos por dois anéis de aço


(geralmente SAE 52 100) separados por uma ou mais fileiras de esferas ou rolos.

Essas esferas ou rolos são mantidos eqüidistantes por meio do separador ou


gaiola a fim de distribuir os esforços e manter concêntricos os anéis.

O anel externo (capa) é fixado na peça ou no mancal e o anel interno é fixado


diretamente ao eixo.

A seguir veja as vantagens e desvantagens que os rolamentos possuem em


relação aos mancais de deslizamento.

Vantagens Desvantagens
• Menor atrito e aquecimento • Maior sensibilidade aos choques
• Coeficiente de atrito de partida • Maiores custos de fabricação
(estático) não superior ao de • Tolerância pequena para carcaça e
operação (dinâmico) alojamento do eixo
• Pouca variação do coeficiente de • Não suporta cargas tão elevadas
atrito com carga e velocidade como os mancais de deslizamento
• Baixa exigência de lubrificação • Ocupa maior espaço radial

128 SENAI
• Intercambialidade internacional
• Mantém a forma do eixo
• Pequeno aumento da folga durante
a vida útil

Classificação dos rolamentos

Quanto ao tipo de carga que suportam, os rolamentos podem ser:


• Radiais – suportam cargas radiais e leves cargas axiais.
• Axiais – não podem ser submetidos a cargas radiais.
• Mistos – suportam tanto carga axial quanto radial.

Tipos de rolamentos

Rolamento fixo de uma carreira de


esferas
É o mais comum dos rolamentos.
Suporta cargas radiais e pequenas
cargas axiais e é apropriado para
rotações mais elevadas.

Sua capacidade de ajustagem


angular é limitada, por
conseguinte, é necessário um
perfeito alinhamento entre o eixo e
os furos da caixa.

Rolamentos de contato angular de


uma carreira de esferas
Admite cargas axiais somente em
um sentido, portanto, deve sempre
ser montado contraposto a um
outro rolamento que possa receber
a carga axial no sentido contrário.

SENAI 129
Rolamento autocompensador de
esferas
É um rolamento de duas carreiras
de esferas com pista esférica no
anel externo, o que lhe confere a
propriedade de ajustagem angular,
ou seja, compensar possíveis
desalinhamentos ou flexões do
eixo.

Rolamento de rolo cilíndrico


É apropriado para cargas radiais
elevadas e seus componentes são
separáveis, o que facilita a
montagem e desmontagem.

Rolamento autocompensador de uma


carreira de rolos
Seu emprego é particularmente
indicado para construções em que
se exige uma grande capacidade de
suportar carga radial e a
compensação de falhas de
alinhamento.

Rolamento autocompensador com


duas carreiras de rolos
É um rolamento para os mais
pesados serviços. Os rolos são de
grande diâmetro e comprimento.
Devido ao alto grau de oscilação
entre rolos e pistas, existe uma
distribuição uniforme de carga.

130 SENAI
Rolamento de rolos cônicos
Além de cargas radiais, os
rolamentos de rolos cônicos
também suportam cargas axiais em
um sentido.
Os anéis são separáveis. O anel
interno e o externo podem ser
montados separadamente. Como
só admitem cargas axiais em um
sentido, de modo geral torna-se
necessário montar os anéis aos
pares, um contra o outro.

Rolamento axial de esfera


Ambos os tipos de rolamento axial
de esfera (escora simples e escora
dupla), admitem elevadas cargas
axiais, porém, não podem ser
submetidos a cargas radiais. Para
que as esferas sejam guiadas
firmemente em suas pistas, é
necessária a atuação permanece de
uma determinada carga axial
mínima.

Rolamento axial autocompensador de


rolos
Possui grande capacidade de carga
axial e, devido à disposição
inclinada dos rolos, também pode
suportar consideráveis cargas
radiais.

A pista esférica do anel da caixa


confere ao rolamento a propriedade
de alinhamento angular,
compensando possíveis
desalinhamentos ou flexões do
eixo.

SENAI 131
Rolamento de agulhas
Possui uma secção transversal
muito fina, em comparação com os
rolamentos de rolos comuns.

É utilizado especialmente quando o


espaço radial é limitado.

Designação dos rolamentos

Cada rolamento métrico padronizado tem uma designação básica específica que
indica o tipo de rolamento e a correlação entre suas dimensões principais.

Essas designações básicas compreendem 3, 4 ou 5 algarismos, ou uma


combinação de letras e algarismos, que indicam o tipo de rolamento, as séries
de dimensões e o diâmetro do furo, nesta ordem.

Os símbolos para os tipos de rolamento e as séries de dimensões, junto com os


possíveis sufixos indicando uma alteração na construção interna, designam uma
série de rolamentos.

A tabela abaixo mostra esquematicamente como o sistema de designação é


constituído.

Tipos de rolamento

(0) 1 2 3 4 5 6 7 N QU
Séries mais comuns para cada tipo de rolamento
(0)32 1(1)0 239 292 329 4(2)2 511 522 618 7(0)2 NU10 (0)2
(0)33, 1(0)2 230 293 320 4(2)3 512 542 619 7(0)3 N(0)2 (0)3
(1)22 240 294 330 532 523 16(0)0 NUP(0)2
1(0)3 231 331 513 543 6(0)0 NJ(0)2
(1)23 241 302 533 524 630 NU(0)2
112 222 322 514 544 16(0)1 NUP22
232 332 534 (60)2 NJ22
213 303 6(0)2 NU22
223 313 622 N(0)3
323 (60)3 NUP(0)3
6(0)3 NJ(0)3
623 NU(0)3

132 SENAI
6(0)4 NUP23
NJ23
NU23
NUP(0)4
NJ(0)4
NU(0)4

Os algarismos entre parênteses, indicam que embora eles possam ser incluídos
na designação básica, são omitidos por razões práticas.

Como no caso do rolamento de duas carreiras de esferas de contato angular


onde o zero é omitido.

Convém salientar que, para a aquisição de um rolamento, é necessário conhecer


apenas as seguintes dimensões: o diâmetro externo, o diâmetro interno e a
largura ou altura.
Com esses dados, consulta-se o catálogo do fabricante para obter a designação
e informações como capacidade de carga, peso, etc.

Rolamentos com proteção

Em função das características de trabalho, os rolamentos, às vezes, precisam


ser protegidos ou vedados.

A proteção é feita por vários tipos de placas (ou blindagem) diferentes. Os


principais tipos de placas são:
• Placa de proteção Z – é encaixada numa ranhura do anel externo e forma um
vão estreito com um rebaixo na face lateral do anel interno (figura abaixo).

• Placa de proteção LZ – o vão estreito é formado sem o rebaixo no anel


interno (figura abaixo). A placa Z está sendo substituída pela LZ, mas os
rolamentos continuarão a ser marcados com a mesma letra Z.

SENAI 133
• Placa de vedação RS – é formada por uma lâmina de aço e um lábio de
borracha sintética que toca o anel interno formando um vedador de
contato(figura abaixo). Resiste a temperaturas de 80ºC.

• Placa de vedação RS1 – é um melhoramento da placa RS. Ela é feita de


borracha nitrílica moldada sobre uma placa de reforço (figura abaixo). Esta
placa resiste a temperaturas na faixa de –20ºC a +100ºC.

• Placa de vedação RS2 – idêntica à RS1, porém feita com borracha fluoretada.
Fato que permite o uso em temperaturas de –30ºC a +180ºC.

As designações Z e RS são colocadas à direita do número que identifica o


rolamento e, quando acompanhadas do número 2, indicam proteção de ambos
os lados.

Separadores ou gaiolas

A função da gaiola no rolamento é manter os corpos rolantes espaçados


corretamente e, no caso dos rolos, também guiá-los.

134 SENAI
As gaiolas são feitas de chapa de latão ou aço e prensadas (figura abaixo), ou
maciças e usinadas. O latão é o material geralmente usado em gaiolas usinadas,
mas também são usados aço, ferro fundido nodular, náilon ou plástico fenólico.

Os rolamentos com gaiolas prensadas podem ser usados na maioria das


aplicações, pois têm um ótimo espaço para o lubrificante e resistem a altas
temperaturas.

Para funcionamento com freqüente mudança de direção, vibrações, altas


rotações ou rápida aceleração usam-se rolamentos com gaiolas usinadas.

As gaiolas feitas de náilon ou plástico fenólico são usadas para altas rotações
sem provocar com isso grandes ruídos.

Ajuste dos rolamentos

Geralmente um dos anéis do rolamento deve ser montado com interferência. Se


o grau de interferência não for suficiente, o anel escorregará ("creep") em
relação ao eixo ou à caixa e esses componentes podem ser danificados.

SENAI 135
As condições de carga ou rotação determinam se um anel deve ou não ter ajuste
com interferência e estão resumidas a seguir.

Exemplo esquematizado

Cinética do rolamento
O anel interno gira O anel interno permanece imóvel
O anel externo permanece imóvel O anel externo gira
A direção da carga permanece invariável A direção da carga gira com anel
externo
Espécie de carga
Carga rotativa sobre o anel interno e carga fixa sobre o anel externo
Ajuste do anel
Interno: um ajuste firme é necessário Externo: um ajuste solto é admissível

Exemplo esquematizado

Cinética do rolamento
O anel interno permanece imóvel O anel interno gira
O anel externo gira O anel externo permanece imóvel
A direção da carga permanece invariável A direção da carga gira com o anel
interno
Espécie de carga
Carga fixa sobre o anel interno e carga rotativa sobre o anel externo
Ajuste do anel
Interno: um ajuste solto é admissível Externo: um ajuste firme é necessário

136 SENAI
Apenas uma faixa limitada de campos de tolerância ISO deve ser considerada
para ajustes de rolamentos. A figura abaixo mostra a posição destes campos em
relação à tolerância padrão do furo do rolamento (hachurado). Os campos f a j
dão vários graus de ajuste com folga; h e j dão ajustes incertos.

Os campos k a r dão ajustes com interferência.


A figura abaixo mostra a posição dos campos de tolerância para os furos. Os
campos G a K dão ao anel externo vários graus de ajuste incerto ou com folga; M
e P dão ajustes com interferência.

Procedimentos em manutenção de rolamentos

SENAI 137
O rolamento é um componente mecânico robusto que terá longa vida em serviço,
especialmente se for montado corretamente e tiver uma boa manutenção.

Armazenagem

O rolamento deve ser conservado em sua embalagem original, coberto com


graxa protetora, embrulhado em papel parafinado e estocado de maneira que a
embalagem não seja danificada.

O ambiente deve ser seco. Isento de pó e livre de variações grandes de


temperatura e não deve ser frio demais para evitar condensação de umidade. O
rolamento não deve ser posto no chão.

Inspeção de rolamentos

O comportamento do rolamento pode ser verificado por palpação e por ouvido.


Para verificar o processo de giro faz-se girar o rolamento lentamente com a mão
e podem-se perceber as perturbações tais como: se o movimento é produzido
com esforço, se ocorre de modo desigual, etc.
Na verificação pelo ouvido, faz-se funcionar o rolamento com reduzido número
de rotações e ouve-se:
• Um som raspante, como um zumbido, que indica falta de limpeza nas pistas.
• Um som estrepitoso que indica dano na pista ou descascamento dela.
• Um som metálico tipo silvo que indica folga pequena ou falta de lubrificação.

O processo de audição pode ser


melhorado colocando um bastão ou
chave de fenda contra o alojamento mais
perto possível do rolamento e
encostando o ouvido na outra
extremidade.

A temperatura é um indicador importante do estado do rolamento e pode ser


verificada com termômetro ou simplesmente colocando a mão no mancal. Se a

138 SENAI
temperatura estiver acima do normal ou com variações bruscas indica
lubrificação deficiente, excesso de sujeira ou sobrecarga do rolamento.

Outros pontos que devem ser inspecionados são: as vedações, o nível do


lubrificante e seu estado quanto à presença de impurezas.

Desmontagem de rolamentos

O rolamento é desmontado por meio de extrator mecânico, tendo no parafuso a


aplicação da força de extração.

O extrator não deve danificar as


superfícies de ajuste; para tanto aplica-se
o extrator do anel que tem ajuste com
interferência. O extrator deve atuar de tal
modo que o esforço não passe através
dos corpos rotativos.

Especialmente no caso de rolamentos grandes como os de laminadores e


veículos sobre trilhos, a desmontagem dos rolamentos é feita por meio de
extrator mecânico combinado com dispositivos auxiliares hidráulico ou de
aquecimento.

SENAI 139
Montagem de rolamento

Deve-se trabalhar em ambiente livre de pó e umidade e em bancada revestida de


chapa.

O rolamento não deve ser tirado da embalagem antes do momento da montagem.


E a proteção antiferruginosa do rolamento também não deve ser removida, a não
ser as das superfícies que entrarão em contato com os alojamentos.

É importante certificar-se de que as dimensões dos alojamentos estão dentro


das tolerâncias. Via de regra, a parte que sustenta a carga tem o ajuste com
interferência e a outra deslizante. A forma dos alojamentos deve estar em ordem,
isto é, sem rebarbas, ovalização, degraus ou conificações e em esquadro.

No caso de reaproveitar-se um rolamento, é indispensável um exame cuidadoso


das pistas e corpos rolantes com auxílio de lupa e verificação auditiva.

Montagem com interferência no eixo

Primeiramente, o assento do rolamento deve ser lubrificado (figura abaixo),


depois para conseguir seu posicionamento correto sobre o eixo, devem ser
dados golpes, normalmente com martelo, que nunca devem ser aplicados
diretamente sobre o rolamento.

140 SENAI
Usa-se para isso um pedaço de tubo que se adapte ao anel interno. O material
desse tubo deve ser mais macio que o material do rolamento, e não deve soltar
cavacos.

Se o eixo possuir roscas internas ou externas, elas poderão ser utilizadas na


montagem.

Para montagem de rolamentos pequenos e médios, poderão ser ainda utilizadas


prensas mecânicas ou hidráulicas.

O rolamento grande é montado com facilidade se aquecido, em banho de óleo


(figura abaixo), a uma temperatura entre 100 e 120ºC e colocado rapidamente no
eixo antes de esfriar.

SENAI 141
Quando se tratar de rolamento com lubrificação permanente, esse aquecimento
não será possível, porque remove o lubrificante. Neste caso deve-se esfriar o
eixo que se contrairá e facilitará a colocação. É importante lembrar que alguns
dos aços, assim esfriados, podem sofrer modificações permanentes.

Montagem com interferência na caixa

Seguindo o mesmo procedimento para a montagem do rolamento com


interferência no eixo, na montagem com interferência na caixa, deve-se usar
também uma "caneca" ou um pedaço de tubo contra a face do anel externo após
a lubrificação das partes a serem montadas.

Deve-se tomar cuidado para que o rolamento não esteja desalinhado em relação
à caixa.

Poderá ser utilizada para essa montagem também uma prensa mecânica ou
hidráulica.

No caso de rolamentos grandes, poderá, ainda, ser necessário (às vezes)


aquecer a caixa para a montagem.

142 SENAI
Folga e aperto (pré-carga)

Nos rolamentos com assento cônico (geralmente 1:12), é necessário controlar a


folga com calibre (figura abaixo) porque o anel se dilata com a montagem e pode
reduzir excessivamente a folga.

Nos rolamentos de rolos cônicos deve-se verificar se é exigida uma folga ou um


aperto (pré-carga). A folga deve ser medida com calibre e a pré-carga com
torquímetro, seguindo especificações do fabricante do equipamento.

A pré-carga deve ser aplicada girando-se o rolamento durante a aplicação, para


evitar o brinelamento.
A pré-carga é empregada para assegurar um funcionamento preciso do eixo,
reduzir sua deflexão sob carga, aumentar a resistência à fadiga do rolamento,
diminuir o ruído e garantir a elasticidade do conjunto.

Amaciamento

SENAI 143
É necessário lubrificar os rolamentos antes de colocar a máquina em
funcionamento, pois em geral o lubrificante demora para ir do reservatório até o
rolamento. Pelo mesmo motivo não se pode iniciar com carga total.

Após entrar em funcionamento, a máquina deve ter a temperatura dos mancais


observada durante algumas horas.

Se a temperatura da máquina subir inicialmente, mas descer ou estabilizar dentro


dos limites recomendados, trata-se da acomodação de peças entre si.

No entanto, se a temperatura da máquina subir continuamente, trata-se de defeito


ocorrido na montagem.

Defeitos comuns dos rolamentos


Os defeitos comuns dos rolamentos são divididos nos seguintes grupos:
• Desgaste
• Fadiga
• Falhas mecânicas

Desgaste

O desgaste pode ocorrer pelos seguintes motivos:


• Desgaste por deficiência de lubrificação (figura abaixo) – além do
aparecimento de folga exagerada é caracterizado pelo aspecto reluzente das
superfícies.

• Desgaste por partículas abrasivas (figura abaixo) – além da remoção do


material nas pistas, será notado desgaste mais pronunciado nas pontas dos
rolos e nas gaiolas.

144 SENAI
• Desgaste por patinação (figura ao lado)
– é caracterizado por sulcos no exterior
do rolamento e é provocado por
pequenos engripamentos de rolos ou
esferas, causados por partículas
estranhas ou falta de lubrificação.

• Desgaste por falso brinelamento (figura abaixo) – é caracterizado na fase


inicial pelo aparecimento de canaletas nas pistas e é provocado por vibração
durante o transporte.

• Desgaste por ataque de superfície (ferrugem) (figura abaixo) – na fase inicial,


é caracterizado pelo aparecimento de nódoas regularmente espaçadas. Na
fase final, é caracterizado por áreas descascadas eqüidistantes. É provocado
pela condensação de umidade sobre áreas desprotegidas.

Fadiga

SENAI 145
O descascamento é o resultado da fadiga
superficial e sua forma revela sua origem.
• Descascamento em forma de geada
(figura ao lado) revela fadiga provocada
por carga excessiva.

• Descascamento parcial revela fadiga por desalinhamento, ovalização ou por


conificação do alojamento.

Como se pode notar, todos esses problemas originam-se de montagem


deficiente, que submete o rolamento a cargas parasitárias.

Falhas mecânicas

Brinelamento
É caracterizado por depressões correspondentes aos roletes ou esferas nas
pistas do rolamento (figura abaixo). Resulta de aplicação da pré-carga sem girar
o rolamento, ou da prensagem do rolamento com excesso de interferência.

Goivagem

146 SENAI
É defeito semelhante ao anterior, mas provocado por partículas estranhas que
ficaram prensadas pelo rolete ou esfera sobre as pistas.

Queima por corrente elétrica


É geralmente provocada pela passagem da corrente elétrica no momento de
soldagem, quando o fio terra está colocado longe do lugar de soldagem.

Formam-se pequenas áreas queimadas que evoluem rapidamente com o uso do


rolamento e provocam o descacamento da pista rolante.

Superaquecimento
Quando a temperatura do mancal exceder em 50ºC a temperatura ambiente, em
máquinas que não trabalham com matérias quentes, considera-se o elemento
superaquecido.

As máquinas que operam com materiais quentes, como os laminadores, têm


instruções especiais e, em alguns casos, sua temperatura pode chegar a 120ºC.

As causas do superaquecimento podem ser folga insuficiente, pré-carga


excessiva ou problemas com lubrificação.

SENAI 147
Sulcamento
É provocado pela batida de uma
ferramenta qualquer sobre a pista
rolante.

Rachaduras e fraturas
Resultam geralmente de aperto
excessivo do anel ou cone sobre o eixo.
Podem, também, aparecer como
resultado do giro do anel, ou cone sobre
o eixo, acompanhado de sobrecarga.

Engripamento
Pode ocorrer devido a lubrificante muito viscoso ou por aperto excessivo com a
eliminação da folga nos roletes ou esferas.

Vida útil do rolamento

Entende-se por duração de vida de um rolamento o número de rotações que é


alcançado por 90% dos rolamentos, antes que se apresentem fenômenos de
fadiga perceptíveis.

Dois são os fatores que determinam a vida útil de um rolamento: as condições de


serviço e o fator de desgaste (fv) em função dessas condições.

O número de rotações é transformado em tempo de funcionamento e pode


obtido através do diagrama da duração do rolamento.

No diagrama, a curva A indica as condições de mínimo desgaste e a curva B


indica as condições de máximo desgaste. O espaço entre ambas as curvas está
dividido em dez campos, de a até k, nos quais as condições de serviço pioram
gradativamente.

Para obter o tempo de vida do rolamento, consulta-se a tabela (Fator de desgaste


(fv) dos rolamentos – Identificação das condições de serviço) para encontrar o

148 SENAI
fator de desgaste (fv). Em seguida, consulta-se o diagrama e tem-se o tempo de
funcionamento em horas

.Fator de desgaste (fv) dos rolamentos – Identificação das condições de serviço (continua)

SENAI 149
Campos característicos para
Aplicação Fv
as condições de serviço

Construção mecânica geral

engranagens universais pequenas de 3 até 8 de e até g

engranagens universais médias de 3 até 8 de d até e


Os valores menores valem para

engrenagens de alta rotação e para


rodas dentadas helicoidais. Para
engrenagens retas, é admissível o

valor maior

ventiladores pequenos de 5 até 8 de f até h

Rolamentos com mola de encosto

ventiladores médios de 3 até 5 de d até f

ventiladores grandes de 3 até 5 de c até d

bombas centrífugas de 3 até 5 de d até f


Conforme o número de rotações

centrífugas de 2 até 4 de d até e

polias para cabos transportadores de 8 até 12 de c até d

rolos de correias transportadoras de 10 até 30 de h até j


Conforme a velocidade da cinta

tambores de correias transportadoras de 10 até 15 de e até f


escavadeira com roda de pás

roda de pás e captador de 12 até 15 de e até g

britadores de 8 até 12 de f até g

moinhos de batedores de 4 até 6 de c até d

moinhos britadores tubulares de 12 até 18 de f até g

peneiras vibratórias de 4 até 6 de e até f

cilindros vibratórios, excitadores de 3 até 4 de g até i


excêntricos maiores

vibradores de 3 até 4 de g até i

prensas briquetes de 8 até 12 de c até g

misturadores grandes de 8 até 15 de g até h

rolos para fornos giratórios de 12 até 18 de f até g

volantes de 3 até 8 de d até f

máquinas impressoras de 3 até 4 de a até b

máquinas para fabricação de papel:


• parte úmida de 7 até 10 de b até c

• parte seca de 10 até 15 de a até b


• refinador de 5 até 8 de b até c
• calandra de 4 até 8 de a até b

150 SENAI
máquina para fundição centrífuga de 8 até 12 de e até f

máquinas têxteis de 2 até 8 de a até e

Máquinas operatrizes

tornos, fresadoras e furadeiras de 0,5 até 1,5 de a até b

retificadoras, micro-retificadoras, politrizes até 0,5 de c até d

Máquinas para trabalhar madeira

fusos fresadores e cortadores de 1,5 até 3 de e até f

máquinas de serrar de 3 até 4 de e até g

máquinas para trabalhar madeira e de 3 até 5 de e até f

materiais sintéticos

Veículos motorizados

rolamentos de rodas de 4 até 8 de h até i


Compensação do desgaste por
reajustamento

caixas de câmbio de 5 a 10 de i até j


Os valores menores valem para
exigências de giro silencioso

tração do eixo de 3 até 6 de i até j

Motores elétricos

motores para aparelhos eletrodomésticos de 3 até 5 de i até j


Com regulagem automática da
folga

motores pequenos de série de 3 até 5 de e até g


Com regulagem automática da
folga

motores médios de série de 3 até 5 de d até e


O valor menor vale para
rolamentos livres em motores
verticais

motores grandes de 3 até 5 de c até d


O valor menor vale para
rolamentos livres em motores

verticais

motores de tração de 4 até 6 de d até e

Exemplo de leitura:
Rolamentos utilizados em máquinas operatrizes (torno)
Fv conforme tabela – 1,0 (entre 0,5 a 1,5)
Campo = b
Leitura ~ 20000 horas de funcionamento

SENAI 151
Compra de rolamentos
Na ocasião de compra de rolamentos, em substituição aos gastos, deve ser
verificada, cuidadosamente, sua procedência e seu código.
Cada fabricante tem seus símbolos e cada um destes símbolos tem sua
significação, apesar da estandartização pela ISO, DIN, SAE e outras associações
normativas. Portanto, não é suficiente indicar as dimensões e não é conveniente
usar rolamentos equivalentes de outros fabricantes.

No caso de ser a leitura do código do rolamento impossível, convém pedi-lo pelo


manual do fabricante da máquina. O preço será talvez mais alto, mas sairá mais
caro usar rolamento inadequado.

No caso de ser possível a identificação, convém comprar um rolamento da


mesma procedência e código. Na impossibilidade disto, é conveniente recorrer a
representantes das marcas mundialmente conhecidas, evitando comprar "pelo
preço".

152 SENAI
Noções básicas sobre
lubrificação

Objetivos

Ao final desta unidade, o participante deverá:

Conhecer
Estar informado sobre:
• Substância lubrificantes;
• Petróleo, sua origem e refinação;
• Atrito, suas causas e tipo;
• Tribologia e desgaste.

Saber
Reproduzir conhecimentos sobre:
• Óleo lubrificante e suas categorias;
• Lubrificantes não minerais;
• Atrito, seus e influências;
• Desgaste e suas leis;
• Substâncias lubrificantes e seus tipos.

Ser capaz de
Aplicar conhecimentos para:
• Identificar problemas causados por atrito;
• Orientar a aplicação das substâncias lubrificantes.

SENAI 153
Introdução

Os componentes dos equipamentos mecânicos possuem um grande número de


superfície em movimento relativo. Nessa movimentação, está presente o atrito, que
gera desgaste e limita a velocidade desses componentes.

Para reduzir os efeitos do atrito, são usados os lubrificantes.

Teoricamente, qualquer fluído pode funcionar como lubrificante. Entretanto, a grande


maioria dos lubrificantes é derivada do petróleo cujas propriedades são as mais
adequadas para a lubrificação.

Substâncias lubrificantes

De acordo com seu estado de agregação, os lubrificantes são classificados em:


• Gasosos;
• Sólidos;
• Pastosos;
• Líquidos.

Lubrificantes gasosos
São usados em casos especiais, onde não é possível o emprego dos lubrificantes
convencionais.

Exemplo: ar, nitrogênio, etc.

Lubrificantes sólidos
Esses lubrificantes têm a finalidade de substituir a película fluída por uma película
sólida.

Os sólidos minerais mais usados são o grafite, o dissulfeto de molibdênio, a mica e o


talco.

Esses sólidos apresentam excelentes propriedades de untuosidade e resistem a


elevadas temperaturas e pressão.

154 SENAI
Lubrificantes pastosos
São as graxas e as composições betuminosas.

Lubrificantes líquidos
Os líquidos são em geral preferidos como lubrificantes. Eles possuem excelente
penetração entre as partes móveis e atuam, também, como removedores de calor.

Os lubrificantes líquidos classificam-se em:


• Óleos minerais (derivados do petróleo);
• Óleos não minerais (óleos graxos, compostos e sintéticos).

Petróleo

O petróleo é um líquido extraído da terra, de cor que varia entre o verde-escuro, o


marrom e o preto. Sua fluidez também é muito variável.

O petróleo é formado basicamente por hidrocarbonetos, isto é, a combinação do


carbono com o hidrogênio. Sua composição química é:
• Carbono de 81 a 88%
• Hidrogênio de 10 a 14%
• Oxigênio 0,01 a 1,2%
• Nitrogênio de 0,002 a 1,7%
• Enxofre de 0,01 a 5%.

Bolsão de petróleo na crosta terrestre.


SENAI 155
Origem
No ano de 2.500 a.C., Noé calafetou sua arca com betume ou piche.

Em 1.600 a.C., a mãe de Moisés, para salvar seu filho, colocou-o numa arca untada
com piche. Os egípcios também usavam um derivado do petróleo para conservar as
múmias.

Para explicar a formação do petróleo, existem duas teorias: a vegetal e a animal.

Teoria vegetal
Imensas vegetações teriam sido cobertas, ocorrendo sua decomposição e
fermentação. Após milhares de anos nesse processo, desses depósitos subterrâneos
teria surgido o petróleo.

Teoria animal
Grande quantidade de animais e plantas marinhas teriam sido soterrados por
cataclismos. Após milhares de anos em decomposição, esses depósitos subterrâneos
teriam se transformado em petróleo.

Atualmente, os geólogos aceitam um misto das duas teorias como o mais provável.

Refinação
Inicialmente, o óleo cru é levado a um reservatório para separar por gravidade a água
e a areia. Em seguida, é bombeado para a torre de destilação, passando por um forno.

Nessa fase, separa-se o óleo dos combustíveis.

Logo após, o resíduo rico (óleo) passa por outro forno e é levado à torre de vácuo.
Nessa fase, o óleo separa-se em leve, médio e pesado.

156 SENAI
Esses óleos são chamados óleos básicos e, ainda, não servem como base para os
lubrificantes sendo necessários, para tanto, os seguintes tratamentos:
• Refinação por solvente
• Desparafinização
• Hidrogenação

Destilação primária

SENAI 157
Destilação a vácuo

Refinação por solvente


É um tratamento que extrai o asfalto e compostos similares do óleo.

158 SENAI
Coloca-se o solvente no óleo e agita-se a mistura. Nesse momento, ocorre uma
combinação química entre o asfalto e o solvente.

Quando a agitação pára, ocorre a separação entre óleo e solvente o qual, por ser mais
pesado que o óleo, aglutina-se no fundo do recipiente.

Desparafinização
Consiste em tirar as ceras parafinicas do óleo básico. Essas ceras provocam alta
fluidez nos óleos.

Esse método se utiliza de adição de um solvente, resfriamento e filtração.

Hidrogenação
Tem o objetivo de estabilizar quimicamente os óleos, eliminando os compostos de
enxofre instáveis.

Após a hidrogenação, o óleo fica mais claro e diminui sua tendência à oxidação.

Óleo mineral lubrificante


Após passar pelos tratamentos citados, o óleo é chamado de mineral puro, e já pode
ser usado como base para os lubrificantes.

Em função da origem do petróleo cru, dividem-se os óleos minerais puros em três


categorias:
• Naftênicos;
• Parafínicos;
• Mistos.

Essas categorias apresentam propriedades peculiares que indicam os óleos para umas
aplicações e contra-indica-os para outras. Portanto, não há sentido em dizer que uma
categoria é melhor que outra.

Naftênico
É obtido do petróleo rico em asfalto e praticamente não tem parafina.

Parafínico
É obtido do petróleo rico em resíduo ceroso (parafinas) e não contém asfalto.

SENAI 159
Misto
É obtido do petróleo com resíduos asfálticos e parafínicos e não é adequado à
lubrificação.

Tabela
Comparação entre as categorias Parafínico Naftênico

sob frio intenso congela suporta


em presença de água não mistura mistura
cinza-se ao se queimar muito pouco
viscosidade com variação da temperatura pouca alteração muita alteração
oleosidade pequena grande
resistência à oxidação grande pequena

Óleos lubrificantes não minerais

Os óleos orgânicos, vegetais, e animais foram os primeiros lubrificantes a serem


usados. Hoje, estão quase totalmente substituídos pelos minerais.

Os óleos minerais, devido as suas limitações, provocaram o surgimento dos sintéticos.

Os principais lubrificantes não minerais são os óleos graxos, os compostos e os


sintéticos.

Óleos graxos
São óleos vegetais e animais. Têm como vantagem uma boa aderência a superfícies
metálicas. Entretanto, são caros, não resistem à oxidação(ranço) e tornam-se ácidos e
corrosivos com o uso.

Os principais óleos graxos usados atualmente são o óleo de mamona e o óleo de


baleia.

Óleos compostos
São misturas de óleos minerais com óleos graxos. A proporção de óleos graxos na
mistura varia entre 1 e 25%.

160 SENAI
A finalidade da mistura é conferir ao lubrificante maior oleosidade e mais facilidade
para se emulsificar. Por isso, esses lubrificantes são encontrados em mecanismos de
caldeira a vapor e na formulação de óleos solúveis.

Óleos sintéticos
São óleos obtidos em laboratório e com qualidade superiores às dos óleos minerais.
Os principais óleos sintéticos são os ésteres de silicato, o silicone e os ésteres de
poliglicol.

Ésteres de silicato
Aguentam altas temperaturas (200ºC) mas, em presença de água, formam uma pasta
abrasiva.

São usados como fluídos de transferência de calor, fluídos hidráulicos para altas
temperaturas e em graxas especiais de baixa volatilidade.

Silicone
É obtido do silício e possui mínima variação da viscosidade em função de mudança de
temperatura.

Sua volatilidade é muito baixa e a resistência à oxidação é alta, porém seu custo é
muito elevado.

Ésteres de poliglicol
Esses óleos têm baixa volatilidade, boa estabilidade térmica, bom poder lubrificante e
resistem a se inflamar.

São usados como fluídos hidráulicos especiais. Podem aparecer, também, como
compostos solúveis ou não, em água.

Lubrificantes “verdes”

Atualmente a preocupação com o meio ambiente tornou-se prioridade. Por isso,


fabricantes e institutos de pesquisa procuram desenvolver lubrificantes não poluentes.
Estes são chamados verdes”.

SENAI 161
O ideal é que os produtos sejam biodegradáveis, porém somente alguns fluídos de
corte são assim. Os demais lubrificantes são produtos sintéticos que possuem
características e durabilidade muito superiores aos minerais. Com isso, descarta-se
com uma frequência menor.

Por outro lado, os lubrificantes minerais estão sendo rerrefinados.

O processo de rerrefino extrai todos os contaminantes e aditivos presentes no óleos


usado. Assim, tem-se o mineral puro novamente. Podendo ser especificações de um
óleo de primeiro refino.

O processo de rerrefino ainda é pouco empregado no Brasil devido ao precário sistema


de coleta de óleo usado.

Outros inconvenientes para um largo uso dos rerrefinados são:


• O preconceito de que a qualidade é duvidosa;
• O preço que é praticamente o mesmo de um produto de primeiro refino.

A tendência para ao próximos anos é de aumento no consumo dos sintéticos e


rerrefinados (“verdes”). Isto, para atender a consciência preservacionista e a norma
“verde”(ISSO 14.000).

Em resumo, um lubrificante “verde” é um produto que pode ser biodegradável ou


reciclável.

Atrito

Sempre que houver movimento relativo entre duas superfícies, haverá uma força
contrária a esse movimento. Essa força chama-se atrito ou resistência ao movimento.

O atrito é, em alguns casos, necessário e útil, como nos sistemas de freios. Em outros
casos, porém, é indesejável porque dificulta o movimento, gera calor e consome
energia motriz, sem produzir o correspondente trabalho.

O atrito classifica-se em dois tipos: sólido e fluído.

162 SENAI
Atrito sólido
Ocorre quando há o contato de duas superfícies sólidas entre si. O atrito sólido é
subdividido em: atrito de rolamento e atrito de deslizamento.

Atrito de rolamento
Ocorre quando o deslocamento de uma superfície de efetua através da rotação de
corpos cilíndricos, cônicos ou esféricos, colocados entre essa superfície e outra. A
oposição ao movimento, neste caso, é menor do que no atrito de deslizamento.

Atrito de deslizamento
Ocorre quando uma superfície se desloca diretamente em contato com a outra.

Atrito fluído
Quando existe uma camada fluída (líquida ou gasosa) separando as superfícies em
movimento, tem-se o atrito fluído.

Causas do atrito

As superfícies sólidas as mais polidas, apresentam aspereza e irregularidades. Tais


irregularidades originam dois fenômenos: o cisalhamento e a adesão.

SENAI 163
Cisalhamento

Ocorre quando picos de duas superfícies entram em contato entre si. O atrito é
provocado pela resistência à ruptura que possuem os picos.

Existem casos onde a dureza das duas superfícies é a mesma, então ocorre o
cisalhamento em ambas as partes.

Mas, quando as durezas das superfícies são diferentes, ocorre o cisalhamento


predominantemente na superfície menos dura.

Adesão
Quando as superfícies em contato apresentam microáreas, provocando o atrito.

A adesão é também chamada solda a frio e é maior responsável pela resistência ao


movimento.

164 SENAI
Tribologia

No início da década d 60, estudiosos ingleses constataram que uma quantidade


exagerada de máquina estava com desgaste.

Constataram também que o desgaste foi provocado predominantemente pelo atrito


elevado e lubrificação inadequada.

A partir disso, o governo inglês constituiu um grupo de trabalho para estudar o assunto.
Os estudos contaram com a participação de institutos internacionais de normalização e
pesquisa.

Ao fim das pesquisas, em 1968, criou-se uma nova ciência: a tribologia. A palavra
tribologia tem sua origem na língua grega - “tribos”(atrito).

A tribologia é definida como a ciência que estuda as superfícies atuantes em


movimento relativo e todos os fenômenos daí decorrentes.

Atualmente, existem no mundo muitos institutos dedicados ao desenvolvimento da


tribologia. Vários dos materiais usados, atualmente, para evitar o atrito foram
desenvolvidos por esses institutos, tais como:
• Plásticos autolubrificantes;
• Revestimentos antiatrito para barramentos;
• Óleos lubrificantes com aditivos especiais;
• Materiais combinados como plásticos com metais (teflon com bronze sinterizado).

Em resumo, dar ao atrito a atenção necessária com o fim de aumentar a


disponibilidade operacional das máquinas é tarefa da tribologia.

Desgaste

Muito embora o objetivo da lubrificação seja reduzir o atrito, pode-se considerar que
sua finalidade última seja diminuir o desgaste.

SENAI 165
O conhecimento das leis do desgaste ajuda-nos a saber como evitá-lo e como fazer
uma lubrificação correta. São elas:
• A quantidade de desgaste é diretamente proporcional à carga;
• A quantidade de desgaste é diretamente proporcional à distância deslizante;
• A quantidade de desgaste é inversamente proporcional à dureza da superfície

166 SENAI
Características dos
lubrificantes

Objetivos

Ao final desta unidade o participante deverá:

Conhecer
Estar informado sobre:
• Principais características dos óleos lubrificantes;
• Métodos e aparelhos usados nos ensaios que identificam as características dos
lubrificantes;
• Aditivos usados em lubrificantes.

Saber
Reproduzir conhecimento sobre:
• Importância das características para aplicação prática dos óleos;
• Unidades usadas nos diversos ensaios e seu uso industrial;
• Função dos principais aditivos usados nos óleos lubrificantes.

Ser capaz de
Aplicar conhecimentos para:
• Interpretar especificações de óleos.

Introdução

Na fabricação de qualquer produto, são estabelecidos padrões.

As características peculiares do produto são a base para serem estabelecidos esses


padrões, cuja finalidade é a identificação ou reprodução desse mesmo produto.

SENAI 167
Num laboratório, são feitos testes para avaliar as condições dos diferentes
lubrificantes, porém a palavra final virá do uso prático.

A seguir, serão apresentadas as características e os testes feitos para identificar os


lubrificantes.

Viscosidade

A viscosidade é a resistência oferecida por um fluído qualquer ao movimento ou ao


escoamento.

Pode-se dizer que a viscosidade é a propriedade principal dos lubrificantes, pois está
ligada com a capacidade para suportar carga, ou seja, quanto mais viscoso for o óleo,
mais carga pode suportar.

A viscosidade é consequência do atrito interno dos fluídos. Resulta desse fato a grande
influência da viscosidade do lubrificante na perda de potência do motor e na
intensidade do calor produzido nos mancais.

A viscosidade é inversamente proporcional a altas temperaturas. Assim, quanto maior


for a temperatura, menor será a viscosidade do óleo.

Popularmente, a viscosidade é o corpo do lubrificante. Um óleo de grande viscosidade


é chamado grosso e flui com dificuldade; um óleo de pouca viscosidade é chamado
fino e escorre facilmente.

Relação viscosidade-temperatura nos óleos.

168 SENAI
Escalas de viscosidade
Existem escalas físicas e escalas
empíricas ou convencionais para medir a
viscosidade; as escalas convencionais
recebem os nomes de seus autores:
Saybolt, Redwood e Engler.

Viscosidade cinemática
É definida como a razão entre a
viscosidade absoluta (VA) e a densidade,
ambas à mesma temperatura.

Na prática, a viscosidade cinemática é


medida com o viscosímetro de Ostwald.

Viscosímetro de Otswald

A tendência internacional é substituir os outros viscosímetros pelo de Otswald. Os


motivos dessa tendência são a simplicidade operacional, a rapidez e a boa precisão.

O funcionamento de modo geral do viscosímetro de Otswald é o seguinte:


• Coloca-se uma quantidade de óleo suficiente para encher os bulbos A e B;
• Coloca-se o aparelho dentro de um banho de aquecimento;
• O óleo ao atingir a temperatura de 100ºF (37,8ºC) é aspirado até o ponto 3;
• Em seguida, interromper-se a sucção e registra-se o tempo(segundos) que o nível
superior do óleo demora para descer de 4 até 5;
• O tempo registrado é multiplicado por uma constante do aparelho e representa a
viscosidade cinemática.

SENAI 169
A unidade usada é o stoke (cm2/s). Como um stoke é muito grande para o uso
convencional, usa-se o centistoke que é a centésima parte do stoke.

Viscosidade absoluta
É definida como a força (em dina) necessária para fazer deslocar uma superfície plana
de 1cm2 sobre outra, do mesmo tamanho, com velocidade de 1cm/s. Estando as duas
superfícies separadas por uma camada de fluído com 1cm de espessura.

Esquema de viscosidade cinemática

Sua unidade é o poise, que tem as dimensões em gramas por centímetro vezes
segundo. Também nesse caso emprega-se a centésima parte do poise: o centopoise.

Origem das unidades


As unidades para a escala física de viscosidade utilizam o sistema cgs (centímetro,
grama, segundo) de grandezas. Assim, o poise e o stoke seguem as deduções abaixo:

F.t
p=
a

Onde:
F - força em dina (gf . cm/s2)
t - tempo em segundos
a - área em cm2
p - poise

170 SENAI
g.cm s/
∴p = .
s 21 cm 2/ 1

g
p=
s.cm

VA
s=
d
Onde:
s - stoke
VA - viscosidade absoluta em poise.
d - densidade em g/cm3

g cm 32/
ou / .
g
∴s =
s.cm /
s.cm 9/
g
cm 3

cm2
s=
s

Logo, o centistoke (cSt) é:

cm 2
cSt=
s.100
mm 2
cSt=
s

Viscosidade convencional
A viscosidade convencional ou empírica é medida por meio dos seguintes
viscosímetros:
• Saybolt - usado na América do Norte.
• Redwood - usado no Reino Unido.
• Engler - usado na Europa.

Todos esses aparelhos têm uma construção e um princípio de atuação semelhante


entre si.

Todos compõem-se, basicamente, de um tubo de seção cilíndrica com um


estreitamento na parte inferior.

SENAI 171
Coloca-se um determinado volume de óleo nesse tubo que fica mergulhado em um
banho com temperatura controlada. A seguir, deixa-se escoar o óleo através do orifício
inferior e registra-se o tempo de escoamento.

A seguir a figura mostra o viscosímetro de Saybolt; os outros viscosímetros


diferenciam-se deste, principalmente, pelo volume de óleo e temperatura utilizados.

Existem ainda as variações saybolt furol e graus engler.

Viscosímetro de Saybolt
Viscosímetro Símbolo Volume de óleo Temperatura
universal SUS ou SSU 70ºF, 100ºF, 130ºF, 210ºF
saybolt 60ml
furol SFS ou SSF 77ºF, 100ºF, 122ºF, 210ºF
Ι ou 1
Ι ou 1 77ºF, 100ºF, 140ºF, 200ºF
(standard)
redwood 50ml
ΙΙ ou 2
ΙΙ ou 2 77ºF, 86ºF
(admiralty)
segundos --
engler 200ml 20ºF, 50ºF, 100ºF
graus ºE

172 SENAI
Saybolt furol
É um modelo quase idêntico ao saybolt universal, possuindo apenas o orifício inferior
do tubo maior que o do universal. Destina-se a medir óleos de elevada viscosidade, tal
como os óleos combustíveis.

Graus engler
Nesse caso, o tempo gasto para o óleo escorrer é dividido pelo tempo gasto, nesse
mesmo ensaio, por um volume de água destilada igual ao volume de óleo a ser
testado.

Conversão de viscosidade
A conversão entre os vários métodos pode ser feita considerando a mesma
temperatura para os ensaios, ou considerando várias temperaturas para um único
ensaio.

Viscosidades cinemáticas aproximadas em várias temperaturas (baseadas num grupo


representativo de óleos minerais)
Viscosidade (cSt)

68ºF 70ºF 100ºF 122ºF 130ºF 140ºF 200ºF 210ºF 212ºF 250ºF
(20ºC) (21ºC) ( ≈ 40ºC) (50ºC) (53ºC) (60ºC) (93ºC) (99ºC) (100ºC) (121ºC)
3,03 2,95 2 - - - - - - -
6,9 6,6 4 2,95 2,70 2,40 - - - -
11,2 10,6 6 4,3 3,85 3,38 - - - -
15,5 14,8 8 5,6 4,9 4,3 2,24 2,06 2,03 -
20,5 19,5 10 6,8 6 5,2 2,57 2,35 2,30 -
25,5 24 12 7,9 6,9 6 2,90 2,60 2,57 -

31 29 14 9,1 7,9 6,8 3,16 2,88 2,85 2,06


36 34 16 10,2 8,9 7,5 3,45 3,10 3,06 2,20
42 39 18 11,4 9,8 8,3 3,7 3,33 3,27 2,33
47 44 20 12,5 10,7 9 3,9 3,53 3,48 2,46
62 58 25 15,2 13 10,8 4,5 4,05 3,98 2,75
77 72 30 17,7 15 12,4 5 4,47 4,37 3

94 88 35 20,4 17 14 5,5 4,85 4,73 3,20


110 104 40 22,7 19 15,4 5,8 5,2 5 3,35
131 121 45 25 21 16,9 6,2 5,5 5,3 3,54
150 137 50 27,4 22,7 18,5 6,5 5,8 5,6 3,70
169 156 55 30 24,5 19,7 6,9 6,1 5,9 3,84
190 173 60 32 26,4 21 7,2 6,3 6,2 4

230 210 70 37 30 23,5 7,8 6,8 6,7 4,25


270 245 80 42 33 26,3 8,5 7,4 7,2 4,53
320 285 90 46 37 29 9,2 7,9 7,7 4,8
360 320 100 50 40 31 9,7 8,4 8,2 5,1
400 360 110 55 44 34 10,3 8,9 8,7 5,3

SENAI 173
Conversão de viscosidades à mesma temperatura
Saybolt Redwood Engler Cinemática Saybolt Redwood Engler Cinemática

32.................30..............1,11................1,83 235................207...............6,70...............50,8

34.................31,5...........1,17................2,39 240................211...............6,84...............51,9

36.................33..............1,22................3,00 245................215...............6,98...............53,0

38.................34,5...........1,28................3,63 250................219...............7,12...............54,1

40.................36..............1,34................4,28 500................439..............14,25............108,2

42................37,5............1,39................4,91 520................456..............14,81............112,5

44................39...............1,45................5,53 800................702..............22,78............173,2

46................41...............1,50................6,16 850................746..............24,20............184,0

48................42,5............1,55................6,78 900................790..............25,63............194,8

50................44...............1,60................7,39 950................833..............27,05............205,6
100................88...............2,94..............20,60 1000................877..............28,48............216,5

105...............92................3,09..............21,77 1500.............1316...............42,72............324,7

110...............96................3,23..............22,93 1600.............1404...............45,57............346,3

115.............101................3,37..............24,09 1700.............1491...............48,42............368,0

120.............105................3,51..............25,24 1800.............1579...............51,3..............389,6

125.............110................3,65..............26,39 1900.............1667...............54,1..............411

130.............114................3,78..............27,53 2000.............1775...............56,9..............433

135.............118...............3,92...............28,67 3000.............2632...............85,4..............649

140.............123...............4,06...............29,80 4000.............3509.............113,9..............866

145.............127...............4,20...............30,93 4500.............3948.............128,2..............975
150.............132...............4,33...............32,06 5000.............4386.............142,4.............1083

200.............176...............5,72...............43,16 5500.............4825.............156,6.............1190

205.............180...............5,86...............44,26 6000.............5264.............170,9.............1299

210.............185...............6,00...............45,36 7000.............6141.............199,3............1515

215.............189...............6,14...............46,45 8000.............7018.............227,8.............1732

220.............193..............6,28................47,54 9000.............7896.............256,3.............1948
225.............198..............6,42................48,63 10.000..............8772.............284,8.............2166

230.............202..............6,56................49,72

Classificação de viscosidade ISO


A Internacional Standardisation Organization (ISO) estabeleceu um sistema de
classificação aplicável aos óleos industriais. Nesse sistema, a única característica
considerada é a viscosidade.

174 SENAI
A classificação ISO de viscosidade expressa seus valores em graus de viscosidade
cinemática a 40ºC dos óleos.

A nomenclatura usada nas especificações por esse sistema é:

ISO VG 15
viscosidade cinemática
grau de viscosidade

Fazer exercício 1 e 2

Classificação ISO de viscosidade


Viscosidade Limites de viscosidade cinemática

Grau de viscosidade mediana


mínimo máximo
(cSt a 40ºC)

ISO VG 2 2,2 1,98 2,42

ISO VG 3 3,2 2,88 3,52

ISO VG 5 4,6 4,14 5,06

ISO VG 7 6,8 6,12 7,48

ISO VG 10 10 9,00 11,0

ISO VG 15 15 13,5 16,5

ISO VG 22 22 19,8 24,2

ISO VG 32 32 28,8 35,2

ISO VG 46 46 41,4 50,6

ISO VG 68 68 61,2 74,8

ISO VG 100 100 90 110

ISO VG 150 150 135 165

ISO VG 220 220 198 242

ISO VG 320 320 288 352

ISO VG 460 460 414 506

ISO VG 680 680 612 748

ISO VG 1.000 1.000 900 1.100

ISO VG 1.500 1.500 1.350 1.650

SENAI 175
Índice de viscosidade

O índice de viscosidade (VI) de um óleo é um valor empírico que estabelece uma


relação entre a variação que sua viscosidade sofre com a alteração da temperatura, e
as variações idênticas de dois óleos padrões.

O método de IV foi criado em 1929 e tomou como padrões o óleo mais sensível e o
menos sensível conhecidos na época.

O mais sensível recebeu o índice 0 (IV = 0); o menos sensível recebeu índice 100
(IV=100). Foram tomadas por padrões as viscosidades medidas às temperaturas de
100 e 210ºF (37,8 e 99ºC) e mais recentemente a 40 e 100ºC.

Atualmente, é possível produzir óleos mais sensíveis à temperatura do que os


abrangidos pela referência IV=0, e outros menos sensíveis do que os que figuram com
a referência IV=100.

Portanto, encontramos no mercado óleos com IV abaixo de zero e outros com IV acima
de 100.

Em resumo, a viscosidade de todos os óleos diminui com o aumento da temperatura,


mas a dos óleos com alto IV não varia tanto como a dos óleos que têm baixo IV.

Interpretação do IV
Pelo fato de as temperaturas de serviço às quais os óleos estão sujeitos serem muito
variáveis, torna-se importante conhecer o IV. Esse valor é obtido por meio do catálogo
do fornecedor.

A altas temperaturas, a viscosidade de um óleo pode cair tanto que a película


lubrificante pode se romper, provocando um sério desgaste das peças pelo contato de
metal com metal.

No caso oposto, as baixas temperaturas, o óleo pode tornar-se tão viscoso que não
consiga circular; ou, ainda, pode gerar forças que dificultem a operação da máquina.

Portanto, óleos sujeitos a considerável variação de temperaturas devem ter alto IV. É o
caso dos automóveis, das máquinas-ferramentas e dos aviões.

176 SENAI
Fazer exercício 3

Cor

Os produtos de petróleo apresentam variação de cor quando observados contra a luz.


Essa faixa de variação atinge desde o preto até quase o incolor.

Existem vários aparelhos para determinar a cor dos óleos lubrificantes, são os
colorimentos. O mais usado para fins industriais e automotivos é o colorímetro Union.

Colorímetro Union

O colorímetro Union é recomendado pela ASTM (norma D-155). O aparelho possui um


tubo com luneta que permite observação simultânea da amostra do óleo e do vidro na
cor padrão. Esse vidro possui oito cores diferentes numeradas de 1 (cor mais clara) a 8
(cor mais escura).

A cor é importante para ao óleos brancos, pois eles têm aplicação como lubrificantes
de fibras têxteis sintéticas. Elas não podem sofrer manchas.

Para os lubrificantes comuns, tem pouca importância a determinação da cor, salvo para
o fabricante controlar a uniformidade do produto.

SENAI 177
Densidade

Densidade ou massa específica de uma substância é o quociente de sua massa pelo


seu volume. Como o volume varia com a temperatura, é necessário referir-se à
temperatura de medição.

A densidade dos lubrificantes em geral é comparada com a densidade da água. Ora,


os lubrificantes, por serem mais leves que a água, possuem densidade inferior a 1.

Isso, provavelmente pareceu incômodo aos técnicos do American Petroleum Institute


(API), que fizeram uma escala própria. Essa escala dá o grau 10 para a água, e para
líquidos mais leves dá graus superiores a 10. A densidade em graus API é dada pela
fórmula:

141,5
º API = − 131,5
densidade a 60º F

A tabela mostra equivalência entre graus API e densidade.

ºAPI
10 11 12 13 14 15 20 30 40 50
3
Densidade (kg/dm )
1.000 0,993 0,986 0,979 0,972 0,966 0,934 0,876 0,825 0,780

O valor da densidade como o fator de especificação dos lubrificantes é muito reduzido.


Quando muito, pode-se eventualmente determinar o tipo de óleo cru do qual um óleo é
proveniente.

O único interesse prático em conhecer a densidade, ou melhor, a massa específica de


um lubrificante é poder converter um valor de volume em massa, ou vice-versa. Esses
cálculos são necessários para operações de frete e conferência de recebimento.

Ponto de fulgor

O ponto de fulgor é a temperatura em que o óleo, quando aquecido, desprendido os


primeiros vapores que se inflamam momentaneamente em contato com uma chama
(“flash”).

178 SENAI
O aparelho mais usado para esse teste é o “cleveland open cup”, isto é, o cleveland
vaso aberto.

Aparelho cleveland vaso aberto

O conhecimento do ponto de fulgor permite avaliar as temperaturas de serviço que um


óleo pode suportar com absolura segurança.

Óleos com ponto de fulgor inferior a 150ºC não devem ser empregados para fins de
lubrificação. Produtos de petróleo, lubrificantes ou combustíveis, com ponto de fulgor
abaixo de 70ºC, são considerados por lei como de manuseio perigoso.

O ensaio do ponto de fulgor é importante para avaliar as condições de contaminação


por combustíveis em óleos de motor usados.

Ponto de combustão
É a temperatura a que o produto deve ser aquecido para inflamar de modo contínuo,
durante um mínimo de cinco segundos. É também chamado de ponto de inflamação.

O ponto de combustão é de 22 a 28º C acima do ponto de fulgor.

O aparelho usado para esse ensaio é o mesmo da figura.” Colorímetro Union “.

Ponto de fluidez e ponto de névoa


São dois testes feitos em um óleo no mesmo aparelho. Por serem visuais, estão
limitados aos produtos que apresentam a transparência necessária.

SENAI 179
O teste consiste em colocar o óleo num tubo com termômetro e mergulhá-lo num
ambiente frio. A cada queda de 5ºF (3ºC) no termômetro, a amostra é retirada e
observada.

Ponto de névoa
É a temperatura na qual é observada uma névoa ou turvação da amostra.

A névoa ocorre porque substâncias cerosas (parafinas), normalmente dissolvidas no


óleo, começam a se separar formando minúsculos cristais que são responsáveis pela
turvação do óleo.

O conhecimento do ponto de névoa é importante somente nos casos onde a


capilaridade é usada para conduzir os lubrificantes às partes móveis, buchas de bronze
sinterizado, por exemplo.

Ponto de fluidez
É a mais baixa temperatura na qual o óleo ainda flui nas condições normais do teste.

É importante conhecer o ponto de fluidez de qualquer lubrificante exposto a


temperaturas de serviço muito baixas (menores que 0ºC).

Aparelho para teste de ponto de fluidez e névoa

180 SENAI
Acidez e alcalinidade

O grau de acidez ou alcalinidade de um óleo pode ser avaliado pelo seu número de
neutralização.

O número de neutralização é a quantidade, em mg, de KOH (hidróxido de potássio)


necessária para neutralizar os ácidos contidos em um grama de óleo.
Nem sempre o óleo é ácido. Quando ele é básico, utiliza-se uma solução ácida como
ácido clorídrico ou sulfúrico para neutralização.

Nesse caso, a quantidade de solução ácida necessária para a neutralização do óleo é


convertida em equivalentes miligramas de KOH. Assim a unidade de acidez
oualcalinidade é mgKOH/g.

Ensaio para o número de neutralização

SENAI 181
O número de neutralização aparece sob nomes que veremos a seguir.

Índice de acidez forte (SAN)


É a quantidade de base, expressa em mg de KOH, necessária para neutralizar os
ácidos fortes presentes em um grama de óleo.

Índice de acidez total (TAN)


É a quantidade de base, mgKOH/g, necessária para neutralizar os ácidos presentes
em um grama de óleo.

Índice de alcalinidade total (TBN)


É a quantidade de ácido, em equivalentes mg. de KOH, necessária para neutralizar
todos os componentes básicos presentes em um grama de óleo.

Índice de alcalinidade forte(SBN)


É a quantidade de ácido em equivalentes mg de KOH, necessária para neutralizar as
bases fortes de um grama de óleo.

Aplicação do número de neutralização


Os óleos minerais puros têm um número de neutralização inferior a 0,1mgKOH/g. Os
lubrificantes aditivados possuem valores bem maiores.

A função principal desse número está no controle de óleos usados, pois nos ensaios
pode-se verificar a variação desse número e saber se o óleo está deteriorado ou
contaminado.

Demulsibilidade

É a capacidade que possuem os óleos de se separarem da água.

O número de demulsibilidade (também chamado número de emulsão) é o tempo em


segundos que a amostra de óleo leva para separar-se da água condensada
proveniente de uma injeção de vapor. Esse ensaio é normalizado pela ASTM.

Em geral, os óleos que oferecem menor resistência a se emulsificar são os de maior


acidez que, entretanto, apresentam maior resistência da película.

182 SENAI
Por outro lado, o óleo oxidado se emulsifica mais facilmente que o novo.

A demulsibilidade é muito importante em turbinais hidráulicas, pois se não houver


separação rápida entre óleo e água, ocorrem sérios danos às partes metálicas.

É desejável que exista a facilidade para emulsificar nos óleos para cilindros a vapor,
compressores de ar e marteletes para facilitar a lubrificação das válvulas.

Corrosão

Os lubrificantes são submetidos a testes para determinar a tendência de virem a


corroer metais.

O ensaio de corrosão mais usado é o ensaio segundo ASTM D.130.

O processo consiste em mergulhar uma lâmina de cobre bem polida numa amostra de
óleo aquecida a 100ºC.

Ensaio de corrosão

SENAI 183
Após três horas, a lâmina é retirada e lavada. Então, sua cor é comparada com uma
escala de padrões.

O resultado é expresso pelos números de classificação de 1 a 4; havendo em cada


classe estágios intermediários dados por letras (1a, 1b, etc.). A menor corrosão é
expressa pelo número 1 e o maior pelo número 4.

O óleo mineral puro, para lubrificantes, enquadra-se em 1a ou 1b no máximo.

Oxidação

Oxidação é a capacidade de o óleo combinar-se quimicamente com o oxigênio do ar.


Essa combinação leva à formação de verniz e borra que corroem os mancais.

Os ensaios de laboratório para determinar a resistência à oxidação atuam do seguinte


modo:
• Submetem o lubrificante a temperaturas maiores do que as atingidas na prática;
• A oxidação do óleo é ativada pelo uso de oxigênio puro sob pressão;
• O resultado é expresso pelo número de neutralização da amostra após o ensaio.

Espuma

Os óleos lubrificantes quando agitados em presença de ar tendem a formar espuma.


Ela é indesejável principalmente em sistemas hidráulicos e caixas de engrenagens pois
a espuma impede a formação de uma película lubrificante contínua.

Para evitar a formação de espuma, são usados aditivos nos óleos lubrificantes.

Ponto de anilina

É a temperatura mais baixa na qual um volume de um produto de petróleo é


completamente miscível em igual volume de anilina.

184 SENAI
O ponto de anilina dá a idéia do poder solvente dos derivados do petróleo. Essa
característica é indesejável nos lubrificantes pois indica a tendência de atacar peças de
borracha.

Quanto mais baixo for o ponto de anilina de um óleo, maior será seu poder solvente e
maiores serão os danos causados à borracha. O principal desses danos é o aumento
de volume da peça. A figura abaixo mostra a relação entre o aumento de volume das
peças de borracha e o ponto de anilina.

Relação entre o ponto de anilina e peças de borracha

Cinzas

Os lubrificantes puros e novos são compostos de hidrocarbonetos e algumas


impurezas (compostos de enxofre, oxigênio e nitrogênio). Todos esses elementos
químicos ao se queimarem, em presença de ar, produzem vapor d’água e gases, não
deixando resíduos.

Ao se queimar um óleo que contenha um aditivo de base metálica ou que já tenha sido
usado e esteja contaminado, haverá formação de um resíduo, as cinzas.

SENAI 185
O ensaio que determina a quantidade de cinzas serve para determinar se um óleo
possui aditivos ou se está contaminado por impurezas metálicas.

Aditivos

Com o extraordinário desenvolvimento mecânico dos últimos tempos, surgiu a carência


de óleos especiais.

Tendo em vista as limitações dos óleos minerais, foram desenvolvidas substâncias


(aditivos) para serem adicionadas a eles.

Esses aditivos dão ao óleo novas propriedades, melhoram as existentes ou eliminam


as indesejáveis. A seguir serão estudados os principais aditivos.

Extrema pressão
A função principal dos lubrificantes é separar as superfícies em movimento. Com isso,
reduz-se o atrito, o desgaste e a geração de calor.

Existem, porém, situações onde a pressão exercida sobre a película lubrificante é tão
elevada que ocorre o seu rompimento. Aí, o contato metal-metal é extremamente
danoso.

O contato metal-metal provoca escoriações e arranhaduras em engrenagens e


mancais, que, por sua vez, geram a soldagem e a deformação a frio. Essas são as
ocorrências combatidas pelos lubrificantes possuidores da propriedade extrema
pressão (EP) dada pelo aditivo EP.

O comportamento dos óleos com e sem aditivos EP é semelhante até o momento da


falha da película lubrificante. Nesse ponto o aditivo entra em ação.

Composição e ação dos EP


Os aditivos EP são feitos de compostos de cloro, enxofre e fósforo, ou combinações
desses elementos. Esses compostos reagem quimicamente com o metal para formar
películas finíssimas de sulfetos, cloretos e fosfetos aderentes ao metal.

Tais compostos químicos têm baixa resistência ao cisalhamento e por isso evitam as
escoriações, as soldagens, etc.

186 SENAI
A ação dos elementos citados ocorre assim:
• O enxofre é de ação lenta e residual.
• O ciclo é de pronta ação e curta duração.

O fósforo forma fosfatos com o metal. Esses fosfatos ao sofrerem atrito provocam o
polimento das partes em contato.

Teste para lubrificantes com EP


Existem diversos testes para avaliação do desempenho dos lubrificantes com EP.
Todos, de modo geral, consistem em fazer atuar uma carga crescente sobre duas
superfícies em movimento lubrificadas pelo produto em teste.

A seguir, serão apresentados os principais testes para avaliação do desempenho dos


lubrificantes com EP.

Teste de almen

Uma barra cilíndrica é posta a girar, prensada entre dois semimancais. A cada intervalo
de dez segundos, aumentam-se duas libras na carga. O resultado é expresso pela
carga aplicada no início das escoriações.

SENAI 187
Teste tinken

Um bloco de aço é impelido contra o anel de aço do cilindro rotativo durante dez
minutos. O resultado é dado pela pressão mais alta aplicada sem que haja
escoriações.

Teste SAE

Dois cilindros que giram com velocidades diferentes são impelidos um contra o outro. A
carga é aumentada até que ocorre a falha. Esse aparelho difere dos dois anteriores
devido ao fato de que os dois cilindros criam uma combinação de atritos de rolamento
e escorregamento, enquanto os outros possuem apenas atrito de escorregamento.

188 SENAI
Teste falex

Dois mancais duros pressionam crescentemente um eixo mais mole, no qual ocorre o
desgaste.

Teste four ball

Uma esfera de aço ½ polegada gira em contato com outras rês esferas iguais fixas.
Isso proporciona três pequenas áreas circulares de desgaste. O desgaste e o
coeficiente de atrito são medidos periodicamente até que, devido ao atrito e ao
aumento de pressão, as esferas soldam-se.

SENAI 189
Teste FZG

O lubrificante é submetido à um par de engrenagens de dentes retos. Uma série de


aumentos de cargas sob condições controladas á aplicada.

A quantidade de desgaste na superfície dos dentes das engrenagens é medida em


cada aumento de carga.

O resultado é fornecido em quantidade de ciclos de aumento de carga que o óleo


suportou, até aparecerem escoriações nas engrenagens. Ou, ainda, em Kgf/cm2.

Antioxidantes
Os aditivos antioxidantes são elementos que têm maior afinidade com o oxigênio do
que os hidrocarbonetos formadores do óleo, ou seja, são receptores preferenciais de
oxigênio.

Qualquer lubrificante se oxida, o que o aditivo faz é controlar a velocidade de oxidação


por um tempo. Quando esse tempo se esgota, o óleo é considerado vencido. É o
momento em que a formação de borras, gomas e vernizes ocorre em grande
quantidade.

Os efeitos de um óleo com borras e vernizes são:


• Eliminação de folgas;
• Prejuízos da dissipação de calor;
• Diminuição do rendimento;
• Falhas e defeitos em vários pontos do equipamento.

190 SENAI
Os aditivos antioxidantes são feitos em geral de compostos de enxofre e fósforo. Sua
concentração nos lubrificantes é da ordem de 0,001% a 0,1%.

Anticorrosivos
Os aditivos anticorrosivos têm a função de proteger os metais contra:
• Substâncias corrosivas presentes no óleo, tais como borras e produtos da queima
de combustível;
• Agentes atmosféricos.

Para conseguir o primeiro tipo de proteção, adicionam-se ao óleo produtos que


previnam o contato entre o metal e a substância corrosiva e, ao mesmo tempo,
neutralizem as substâncias ácidas presentes durante o serviço.

Em resumo, é necessário que o aditivo seja alcalino e forme uma película impermeável
sobre os metais.

Para o segundo tipo de proteção, os aditivos recebem o nome de inibidores de


ferrugem visto que se destinam à proteção dos metais ferrosos.

Inibidores de ferrugem
Esses aditivos são produtos que têm mais afinidade com o ferro do que com a água.
Assim, aderem ao metal e deslocam a umidade da superfície.

Esse deslocamento é conseguido por pequenos volumes de óleos graxos que


envolvem as partículas de água numa película oleosa. Além dos óleos graxos, usam-se
sulfonatos de petróleo.

Os inibidores de ferrugem podem ser usados em qualquer tipo de óleo. Porém, torna-
se necessário verificar-se esses aditivos corroem os não ferrosos.

Detergentes e dispersantes
Os aditivos detergentes são compostos que auxiliam a manter limpas as superfícies
metálicas, minimizando a formação de borras e lascas de qualquer natureza, por meio
de realizações ou processos de solução.

O uso de aditivos detergentes não significa propriamente uma enérgica ação de


limpeza mas, uma redução na formação de depósitos.

SENAI 191
O aditivo dispersante busca dar aos óleos
lubrificantes a propriedade de manter em
suspensão, finamente divididas, quaisquer
impurezas formadas no interior do sistema
( ou que nele penetrem) até o momento de
serem eliminadas por ocasião da troca ou
purificação dos lubrificantes.

Os principais produtos usados como


aditivos detergentes dispersantes são
compostos organo-metálicos, cujas
denominações químicas são: amina,
hidroxila, éter fosfarado, carboxila e
anidrido.

Antidesgaste
São aditivos destinados a evitar ou controlar o desgaste resultante do atrito.

O desgaste corrosivo, como já vimos, é combatido pelos antioxidantes, dispersantes e


anticorrosivos.

Assim, a função do aditivo antidesgaste é a mesma dos aditivos EP; alguns fabricantes
chegam a englobar os aditivos antidesgaste sob a denominação de agentes EP leves.

O principal elemento químico usado com antidesgaste é o fósforo.

O uso principal do antidesgaste é como agente de untuosidade, isto é, melhorador do


poder lubrificante.

192 SENAI
Embora esse aditivo seja usado em muitos tipos de lubrificantes., é indispensável em
dois:
• Em óleos para caixas de velocidade automáticas, para combater os ruídos
característicos desses equipamentos. Tais ruídos são conhecidos como “ squawk” e
“chatter”.
• Em óleos para barramentos, a fim de evitar as prisões seguidas de escorregamento
(fenômeno conhecido como “stick-slip”).

Anti espumantes
Os óleos lubrificantes formam espuma quando agitados em presença de ar. Isso é
indesejável pois a espuma diminui a espessura da película lubrificante.

O silicone é o melhor e mais eficiente aditivo antiespuma. Ele atua de modo a


desmanchar as bolhas de ar assim que elas atingem a superfície livre do óleo; sua
ação é muito parecida com a de furar uma bexiga.

Melhoradores do I.V.
São polímeros adicionados aos lubrificantes sujeitos á intensa variação de
temperatura.

A função dos melhoradores do I.V. é não permitir aumento ou diminuição excessivos da


viscosidade, durante trabalhos realizados em temperaturas baixas ou elevadas.

Agentes de adesividade
Certas aplicações dos óleos lubrificantes requerem óleos com alto poder de adesão,
quais sejam: na indústria têxtil e na alimentícia, que precisam evitar o gotejamento de
óleo sobre os produtos; ou, ainda, em componentes de máquinas com vazamentos,
folgas ou sujeitos à centrifugação.

Os aditivos chamados agentes de adesividade são constituídos por polímeros de alto


peso molecular e hidrocarbonetos saturados. Esses compostos são altamente
resistentes à oxidação.

Os agentes de adesividade quando adicionados no óleo, mesmo em pequenas


quantidades, conferem-lhe alto poder de aderência aos metais. Essa aderência
permanece inalterada nas condições normais de serviços, apesar de o movimento das
peças forçar a expulsão do óleo.

SENAI 193
Abaixadores do ponto de fluidez
São compostos químicos (polimetacrilatos e poliacrilamidas) fazem o óleo suportar
baixas temperaturas sem se congelar.

Esses aditivos atuam impedindo que os cristais de cera se formem e se aglutinem


impedindo a fluidez.

Assim, a temperatura considerada ponto de fluidez para um óleo com esse aditivo
passa a ser inferior àquela considerada ponto de fluidez para o óleo sem este aditivo.

Aditivos especiais
São basicamente de dois tipos:
• Corantes;
Sua finalidade é dar uma cor definida para identificação de um produto, por
exemplo gasolina, álcool e fluídos de corte;
• Anti-sépticos;
Sua função é inibir o crescimento de fungos e bactérias e seu uso se restringe aos
óleos de corte.

Aplicação dos aditivos

A tabela mostra os óleos lubrificantes usuais, suas características, aplicações e os


aditivos empregados.

Para entender a tabela é necessário o código abaixo:


• Antioxidante (1);
• Melhoradores I.V. (2);
• Abaixador do ponto de fluidez (3);
• Agentes de adesividade (4);
• Antiespumante (5);
• Extrema pressão (6);
• Antidesgaste (7);
• Anticorrosão (8);
• Detergente dispersante (9).

194 SENAI
Produto Aplicação Características Óleo básico Aditivos

óleo para • Rolamento, • Estabilidade à Naftênico ou 1, 3, 5


lubrificação engrenagens e oxidação. parafínico
geral fuso;

• Lubrificação por
perda

óleo de • Sistema • Elevada Paranífico 1, 3, 5, 6, 8


circulação circulatório e estabilidade à
inibida mancais. oxidação

• Alto I.V./

• Boa
demulsibilidade.

óleo para • Redutor de • Boa proteção Parafínico ou 1, 3, 5, 6, 7,


engrenagens velocidade contra desgaste e naftênio 8, *2, *4
corrosão

• Antiespumante.

óleo para • Cilindro e mancal • Elevada Parafínico ou 1, 2, *3, *6,


compressores estabilidade à naftênio 8, 9
oxidação;

• Baixo depósito de
impureza.

óleo hidráulico • Sistema • Boa proteção Naftênico ou 1, 2


hidráulico contra ferrugem e parafínico
corrosão

• Boa estabilidade
à oxidação;

• Alto I.V.;

• Bom
resfriamento.

óleo para • Aplicado até • Boa estabilidade Naftênico, parafínico 1 e aditivo


transferência 150ºC à oxidação; ou sintético especial
de calor para
• Pouca borra; refrigeração
• Médio i.v.;

• Bom resfriamento

óleo contra • Proteção de • Boa proteção Naftênico 3, 4


ferrugem superfície anticorrosiva;
metálica;
• Boa formação de
película;

• Boa aderência

óleo têxtil • Equipamento • Facilmente Naftênico 1, 2, 3, 4, 5,


têxtil removido com 6, 7,8, 9
água

(*) uso eventual

SENAI 195
Informações dos produtos

As informações sobre lubrificantes, a nível de usuário, vem em forma de catálogo.


Estes constituem uma fonte importante e vários de seus dados tem caráter
documental. Visto que com base nestes dados pode-se acionar a “Lei de Proteção ao
Consumidor”, em caso de não conformidade.

Características dos catálogos


Os catálogos em geral apresentam o seguinte conteúdo:
• Nome fantasia;
• Descrição do produto;
• Aplicação;
• Propriedades;
• Lista de características;
• Informações sobre saúde e segurança (às vezes omitidas);
• Tipos e capacidades das embalagens disponíveis no mercado;
• Agregados de marketing.

Nome fantasia
É o nome que cada fabricante dá ao seu produto.

Este nome pode ter base em características técnicas ou ser apenas um bom nome
segundo estudos de marketing.

Por isso, não deve ser usado para especificar um produto.

Agregados de marketing
São frases e textos que procuram salientar as qualidades do produto.

Estas frases e textos podem aparecer sob títulos “benefícios”, “vantagens”, etc. Ou
ainda, diluídas nos textos que informam a descrição, aplicação e propriedades.

Interpretação dos catálogos


É importante, ao analisar catálogos, filtrar os agregados de marketing e ater-se às
informações técnicas.

196 SENAI
Em outras palavras, é preciso conhecer as necessidades, as características mínimas
que atendem a elas e confrontá-las com o informe do fabricante. Isto é, deve-se fazer
uma análise crítica.

Nas próximas páginas são mostrados dois dos mais comuns modelos de catálogos.

O primeiro é a forma mais simples e contém o mínimo de informações. O segundo, é


um modelo completo com boas informações, porém os dados sobre aditivação devem
ser reconhecidos no item propriedades.

Nos modelos vê-se:


1 - Nome fantasia.
2 - Descrição.
3 - Aplicação.
4 - Propriedades.
5 - Agregados de marketing.
6 - Lista de características.
7 - Forma disponível.
8 - Segurança e saúde.

SPL Lubrificantes

1 SPL MP numerados
2 Óleo mineral puro parafínico.

3 Recomendado para lubrificação geral, limpeza de sistemas hidráulicos, caixas redutoras e demais 4

aplicações onde não sejam necessários fluídos aditivados.

5 Produto de alta performance e superior qualidade atendendo especificações dos mais exigentes

usuários internacionais.

6 Características.
MP-68 MP-150 MP-320

Ponto de fulgor (COC) ºC 230 250 300

Viscosidade a 40ºC (cSt) 67,3 147,1 315,2

Viscosidade a 100ºC (cSt) 8,9 15,5 23,6

Índice de viscosidade 100 98 93

Cor (ASTM) 2 3 4

7 Disponível em baldes de 20 litros e tambores de 200 litros.

SENAI 197
SPL Lubrificantes

1 SPL HD

2 Óleos para engrenagens industriais com elevada características antidesgaste, opera em condições

severas.

5 Aumenta a vida útil de redutores e caixas de engrenagens

Reduz custo de manutenção.

Reduz o consumo de energia por diminuir o atrito.

Aplicação

Recomendados para todos os tipos de engrenagens fechadas.

Atende as faixas AGMA e trabalha desde -10ºC até 110ºC.

Propriedades

Elevado I.V., resistente à corrosão, formação de espuma, ferrugem, emulsão e oxidação.

Contém aditivo extrema pressão.

Evita formação de borras e depósitos.

Características HD20 HD30 HD50

Ponto fulgor, ºC, min. 200 210 240

Ponto de fluidez, ºC máx. -21 -20 -7

Viscosidade a 40ºC, cSt 98 205 630

Viscosidade a 100ºC, cSt 12 19 35

Índice de viscosidade 95 95 90

TAN 1,0 1,0 0,8

AGMA 3EP 5EP 8EP

4 esferas, Kgf 60 60 60

ISO VG 100 220 680

Segurança e Saúde

Produtos com pouca probabilidade de causar efeitos à saúde desde manuseados adequadamente.

7 Disponível em baldes de 20 litros e tambores de 200 litros.

198 SENAI
Contaminação

Os lubrificantes sempre estão sujeitos a contaminação. Os principais contaminantes


são:
• Água; aumenta a viscosidade.
• Combustíveis e solventes; diminuem a viscosidade e tornam o óleo corrosivo.
• Material particulado; torna o óleo abrasivo.
• Outros lubrificantes; alteram a composição química.

Muitos ensaios podem ser feitos para detectar os contaminantes (todos os já


descritos). Porém, com 3 ensaios pode-se avaliar com segurança o estado de um
lubrificante. São eles:
• Medição da viscosidade;
• Medição do número de neutralização (TAN, TBN);
• Análise espectrográfica.

Análise espectrográfica
Para submeter um óleo à análise espectrográfica procede-se à combustão de uma
determinada quantidade de amostra.

A cinza obtida é misturada a um padrão normalizado (carbonato de lítio). Coloca-se


uma pequena porção da mistura em um dos eletrodos de uma lâmpada de arco e
fotografa-se o espectro resultante.

Por esse método, determina-se a quantidade, em parte por milhão de vários


elementos:
• Sílica - que indica o índice de pró introduzido pelo ar.
• Ferro - que revela desgaste nos componentes de aço ou ferro fundido.
• Estanho, chumbo, cobre - que revelam desgaste de mancais.
• Cromo - que indica desgaste de camisas ou outras peças cromadas.

Exercícios

1 O manual de um equipamento especifica o uso de um lubrificante ISO VG 22.


Consulte as tabelas e responda qual viscosidade este óleo terá a 20ºC e a 60ºC.

SENAI 199
2 O manual de certo equipamento indica o uso de 3 tipos de óleo conforme lista
abaixo. O fornecedor possui 10 opções com aditivação recomendada, porém com
viscosidades diferentes. Determine quais produtos podem ser adquiridos.

MANUAL DO EQUIPAMENTO

Pontos 1 a 10 - ISO VG 46
Pontos 11 a 18 - ISO VG 1.000
Pontos 19 a 20 - ISO VG 32

FORNECEDOR

Produto 1 - 46 SSU Produto 6 - 32 SSU


Produto 2 - 1.000 SSU Produto 7 - 4.500 SSU
Produto 3 - 220 SSU Produto 8 - 4,20 sE
Produto 4 - 28,48 sE Produto 9 - 1,11 sE
Produto 5 - 200 SSU Produto 10 - 140 SSU

3 Observe os dados dos 3 óleos abaixo e indique qual maior índice de viscosidade
(I.V.).

Óleo A Óleo B Óleo C


Viscosidade à 40ºC 90 cSt 90 cSt 90 cSt
Viscosidade à 100ºC 8,2 cSt 10,5 cSt 9,2 cSt

4 Quais os aditivos necessários para um óleo usado em mancais deslizantes de uma


prensa excêntrica?

5 Qual melhor produto para trabalhar em contato com borracha sintética tipo
neoprene e tipo buna-S?

Óleo A B C D

Ponto de anilina 94ºC 82ºC 115ºC 127ºC

200 SENAI
6 Qual o peso em kgf de um tambor de óleo com 20ºAPI de densidade? A
embalagem pesa 18 kgf.

7 Análise a ficha de análise abaixo e faça recomendações:

Análise do produto

Produto analisado: óleo SPL HD20 E HD30

Histórico: amostra máquina capacidade


1 Injetora 3120 480 litros
2 Mandriladora 5130 90 litros
Resultados: amostra 1 amostra 2

óleo HD20 HD30


viscosidade 95 cSt 250 cSt
TAN 1,0 mg KOH/g 1,4 mg KOH/g
particulado na tolerância sílica normal

Recomendações: amostra 1:

amostra 2.

SENAI 201
Ferramentas

Martelo e macete

O martelo e o macete são ferramentas de impacto e de uso manual.

O martelo é constituído de um bloco de aço e um cabo de madeira que nele se


encaixa. O modelo mais usado pelo Mecânico de automóvel é o martelo de bola.

Martelo de bola

O Macete é um martelo com características especiais que evitam as deformações


causadas pelos impactos onde ele bate.

202 SENAI
Os modelos mais utilizados são:
• Macete de PVC com cabo de madeira;
• Macete de plastiprene;
• Macete com cabeça de plástico ou de cobre.

Martelo de PVC

Martelo de plastiprene

SENAI 203
Macete com cabeça plástica ou de cobre
Chaves de fenda

São ferramentas de uso manual, Constituídas de uma haste de aço e um cabo para
manuseio, que geralmente é de plástico.

Servem para apertar ou despertar parafusos em cujas cabeças existe uma fenda ou
duas fendas cruzadas, onde a chave se encaixa.

Os tipos principais são:

Chave de fenda

Chave de fenda de força

Na chave de fenda de força, a parte da haste junto ao cabo é mais grossa e sextavada,
onde uma chave pode ser encaixada para auxiliar no toque.

Chave de fenda phillips

Chave de fenda dupla phillips

204 SENAI
Chave de impacto

Alicates

São ferramentas manuais, fabricadas de aço. Os alicates servem para prensar,


deformar, cortar e prender momentaneamente certos objetos. Suas características
variam com a finalidade de sua utilização. Os tipos comumente utilizados pelos
Mecânicos de automóvel estão ilustrados a seguir.

Alicate universal sem isolação

Alicate universal com isolação

SENAI 205
As isolações são fabricadas com materiais isolantes e com frisos que dão maior
firmeza no manuseio.

Alicate de pressão

Depois de prensar o objeto ou prendê lo por acionamento manual, o alicate de pressão


mantém- se fechado, dispensando a permanência da mão que o pressionou. Para
desarmá- lo, há uma alavanca especial.

Alicate de bomba d’água

O alicate de bomba d´ água é utilizado para prender tubos com extremidades


roscadas, quando nelas são apertadas ou afrouxadas porcas ou conexões.

Alicate de corte diagonal

O alicate de corte diagonal é utilizado para cortar fios metálicos.

206 SENAI
Os alicates usados para serviços leves em geral são os apresentados a seguir.

Alicate de bico chato

Alicate de bico meia-cana reto

Alicate de meia-cana curvo

Alicate de bico redondo

O alicate de bico redondo é usado geralmente, para, fazer olhais em fios.

SENAI 207
Há, também, alicates de trava (para sacar anéis) que podem ser de dois tipos:
internos ou externos. Ambos podem ter bico reto ou curvo.

Alicate de trava interno de bico reto

Alicate de trava externo de bico curvo

Chaves

Para atender à diversidade de parafusos, porcas e torques diferentes, foram


desenvolvidas chaves de diversos tipos. As mais comuns são:

Chave de boca fixa


As bocas desse tipo de chave podem ser paralelas ou formarem ângulo com a haste
para facilitar o seu emprego em espaços reduzidos.

Chave de boca fixa paralela

208 SENAI
Chave-estrela
A palavra chave – estrela, também conhecida como chave de estrias, oferece a
vantagem de poder aplicar todo esforço do torque em todas as faces do sextavado da
porca ou parafuso que se esteja apertando ou afrouxando. Só pode ser aplicada
quando o sextavado da porca ou do parafuso está livre para o seu encaixe.

Chave-estrela

Além das chaves – estrela comuns, há as especiais que variam de formato em função
de sua aplicação, como a chave – estrela para motor de arranque e a chave de boca
combinada.

Chave estrela para motor de arranque

A chave de boca combinada é a combinação da chave de boca fixa com a chave–


estrela.

Chave combinada

SENAI 209
Existe, ainda, a chave estrela aberta, que possui uma abertura na parte estriada para
sua passagem pelo tubo de conexão.

Chave-estrela aberta

Outras chaves usadas na mecânica de automóvel são a chave de boca ajustavel, a


chave–canhão, e a chave soquete.

A chave de boca ajustável só deve ser utilizada quando não existirem chaves de boca
fixa ou de estrias nas medidas adequadas.

Chave de boca ajustável

A chave – canhão é uma haste de aço com um cabo em uma das extremidades e, na
outra, um encaixe sextavado.

Chave-canhão

210 SENAI
Chaves – soquete são chaves de encaixe que podem ter perfil interno estriado ou
sextavado.

Perfil interno estriado Perfil interno


sextavado

As chaves – soquete são utilizadas para afrouxar ou dar aperto final em porcas e
parafusos cujos torques solicitem grande esforço. São manipuladas com auxilio de
cabos de força que se acoplam a elas.

1. Soquete
2. Cabo de força em ‘’T’’
3. Dispositivo de acoplamento

Além do cabo de força em “T”, usam – se cabos de força que permitem manobrar em
ângulo e com maior rapidez.

Cabo de força com acoplamento angular

SENAI 211
Cabo de força com catraca

Manivela

Há também extensões para atingir parafusos ou porcas embutidas em alojamentos.

Extensões

A junta universal é usada em trabalhos em locais de difícil acesso.

Junta universal

212 SENAI
O adaptador permite unir cabos e soquetes de medidas diferentes.

Adaptador

Usa – se o cabo fixo para soquetes em serviços leves.

Cabo fixo

Para as velas do motor emprega - se a chave de vela.

Chave de vela

SENAI 213
As chaves tipo allen servem para apertar e afrouxar parafusos com sextavado ou
quadrado interno.

Chaves tipo allen

Outras chaves de uso específico são as chaves para bujões internos ou externos.

Chaves para bujões internos

Chaves para bujões externos

214 SENAI
Instrumentos

Torquímetro

É um instrumento que mede o torque aplicado em parafusos e porcas. É usado em


conjunto com a chave – soquete e com ferramentas especiais.

O seu emprego, nas operações executadas pelo Mecânico de automóvel, é


fundamental para garantir a exatidão dos torques recomendados pelos fabricantes de
veículos, o que é indispensável para a segurança e confiabilidade do trabalho
executado.

Os torquímetros usados pelo Mecânico de automóvel são dos seguintes tipos: com
haste móvel, de estralo e com mostrador tipo relógio.

Torquímetro com haste móvel

SENAI 215
No torquímetro de estalo, o torque recomendado é previamente regulado no dispositivo
de ajuste e, quando o aperto atinge o valor desejado, ele dá um estalo, eqüivalendo ao
sinal “pare”.

Torquímetro de estalo

Recomendações com mostrador tipo relógio

Recomendações
• O torquímetro deve ser utilizado somente para dar o aperto final. Nunca para
afrouxar.
• O torquímetro deve ser guardado em local apropriado.

Dinamômetro

É um instrumento utilizado para medir forças por meio das deformações que elas
produzem.

216 SENAI
O dinamômetro é utilizado pelo Mecânico de automóvel nas seguintes situações,
ilustradas a seguir.

Medir a tensão de molas helicoidais Medir a tensão da mola do platinado

Medir a tensão do volante de direção, causada pelo esterçamento das rodas

Medir a pré – carga da coroa do diferencial

SENAI 217
Equipamentos

Morsa

A morsa é fabricada de aço especial ou de ferro fundido. É utilizada para segurar peças
ou objetos nas quais se vai trabalhar.

Morsa

1. Base
2. Mandíbula fixa
3. Mandíbula móvel
4. Mordentes de aço temperado
5. Parafuso sem – fim

218 SENAI
6. Manípulo
Extratores

São dispositivos mecânicos, fabricados de aços especiais, com a finalidade de separar


elementos montados com interferência mecânica.

Os tipos mais utilizados pelo Mecânico de automóvel são os das ilustrações seguintes.

Extrator de cubo Extrator de carcaça de caixa de


mudanças

Extrator de volante de direção Extrator de ponteira de direção

SENAI 219
Extrato de rolamentos

Extrator de vedadores e rolamentos por Extrator de rolamentos da caixa do


impacto diferencial

Extrato de rolamento do pinhão Extrato de engrenagem

220 SENAI
Equipamentos de elevação

São mecanismos capazes de elevar pesos consideráveis do solo, tais como motores
de veículos, automóveis de passeio, caminhões e outros equivalentes.

São muito usados pelo Mecânico de automóvel para facilitar suas tarefas habituais.

Os mais utilizados são:


• Os elevadores;
• As gruas ou talhas;
• Os macacos.

Elevadores
Podem ser hidráulicos ou elétricos e ter uma ou mais colunas de elevação.

Elevador hidropneumático com uma coluna

Elevador elétrico com quatro colunas

SENAI 221
Gruas
Também conhecidas como talhas, as gruas mais utilizadas são a mecânica, a
hidráulica e a elétrica.

Grua mecânica Grua hidráulica Grua elétrica

Macacos
Geralmente são de pequeno porte e de fácil remoção. Existem em uma grande
variedade de formas.

Os tipos mais comuns são os macacos mecânicos e os macacos hidráulicos.

Macaco mecânico de rosca Macaco mecânico de cremalheira

Macaco hidráulico Macaco hidráulico


222 SENAI
Elementos auxiliares
Gruas e macacos são utilizados apenas
para suspender e abaixar. Conjuntos
mecânicos ou veículos que necessitam
ficar elevados do solo devem ficar
apoiados em suportes chamados
cavaletes. Os cavaletes mais usados pelo
Mecânico de automóvel são os ilustrados
a seguir.
Chave para sustentação de veículo

Esse tipo de cavalete possui


dispositivos que possibilitam o ajuste
de sua haste de sustentação em
várias alturas.

Cavalete para sustentação de motores

Cavalete para sustentação de caixa Cavalete para sustentação de eixos


de mudança traseiros

SENAI 223
Rampas
As rampas são utilizadas com a finalidade de facilitar as tarefas que dependem de
execução sob o veículo.

Rampa

Os veículos são colocados sobre a rampa por meio de sua própria força motriz.

Conjunto compressor

O conjunto compressor comprime o ar atmosférico em seu próprio depósito, por meio


de um motor e de um dispositivo compressor, para que esse ar possa ser utilizado, sob
pressão, quando necessário.

Conjunto compressor

O Mecânico de automóvel utiliza o compressor para varias finalidades:


• Acionar equipamentos que dependem de ar comprimido;
• Encher pneumáticos;
• Secar peças após a lavagem;
• Desobstruir orifícios, canais e tubulações e outras finalidades.

224 SENAI
Prensa

Serve para unir e separar elementos de conjuntos mecânicos que se ajustam sob
interferência mecânica.

A prensa pode ser hidráulica ou mecânica.

Prensa hidráulica

Prensa mecânica

SENAI 225
Há, ainda, outros equipamentos usados pelo Mecânico de automóvel! tais como os que
se vêem a seguir,

Esmerilhadora

A esmerilhadora é utilizada na afiação de brocas e ferramentas de corte. Também


executa usinagens que não necessitem de um acabamento de precisão.

Rebitador de guarnições

O rebitador de guarnições serve para unir guarnições às sapatas de freio com


rebites.

226 SENAI
A furadeira é utilizada para abrir ou alargar furos em peças ou equipamentos
mecânicos. A furadeira pode ser portátil, de bancada ou de coluna

Furadeira portátil

Furadeira de bancada

Furadeira de coluna

SENAI 227
Referências Bibliográficas
RECURSOS DIDÁTICOS ONLINE, SENAI-SP, Disponível no endereço
http://intranet.sp.senai.br/ensinoapl/Catalogo_matdid/index.asp , acessado em
20/12/2013.

228 SENAI