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CONTINUIDADE E PROGRESSÃO TEMÁTICA

A progressão temática é um procedimento utilizado pelos enunciadores para dar sequência a seus textos,
orais ou escritos. Ela consiste em fazer o texto avançar apresentando informações novas sobre aquilo de que se
fala, que é o tema.
Do ponto de vista funcional, a organização e hierarquização das unidades semânticas do texto se
concretizam por meio de dois eixos de informação, denominados:
- tema (o tópico, aquilo sobre o qual se fala)
- comentário (aquilo que se diz sobre o tema)
O texto progride pela articulação entre esses eixos de informação.
A manutenção e a progressão do tema são requisitos indispensáveis para a coesão e para a coerência
textual.
É importante ter em mente que as ideias, uma vez bem articuladas e disposta em relação complementar
(uma acrescentando algo às outras), devem estar direcionadas a um determinado fim.
Então, é fundamental que a banca examinadora perceba qual o resultado que pretende com a construção de
seu texto. Por isso, não escreva à toa, escreva com uma finalidade.
Você precisa trabalhar com dedicação e prática nas 3 Leis da Progressão Textual. São estas abaixo:

1 – A Lei da Complementaridade

2 – A Lei da Remissividade

3 – A Lei da Direcionalidade
Ao saber dessas 3 leis, você irá apresentar uma redação conforme os moldes exigidos pelo Enem. Além
disso, produzirá um texto coerente, coeso e que tem finalidade, do início ao fim.
Cuidados:
- Que nenhum enunciado seja inútil por trazer somente informação já contida nos anteriores.
- Que cada enunciado acrescentado ao texto tenha conexão com o anterior, de modo que nenhum deles fique
solto ou isolado dos demais.
-Que todos os enunciados se direcionem rumo ao alvo escolhido pelo enunciador, ou seja, não se percam ao
longo do texto.
1 – A Lei da Complementaridade
Essa lei se define a algo que se complementa. Então, ao redigir a sua redação Enem é preciso que haja
complementos que sejam atribuídos à sua ideia anterior, que o complemente com algo novo.
A condição de complementaridade só se efetua quando o enunciado recupera algum aspecto da informação
contida no enunciado anterior e não se restringe à mera repetição de informações.
O desrespeito à lei da complementaridade pode ser provocado por redundância, como no caso a seguir:
“Os veículos a motor no Brasil são movidos por combustíveis fósseis, sobretudo derivados do petróleo
(Enunciado 1). É dominantemente do petróleo que provêm os combustíveis utilizados pelos veículos
motorizados no Brasil. (Enunciado 2)”.

O segundo parágrafo não constitui uma progressão do primeiro. Porque, embora seja remissivo, não é
complementar, ou seja, não acrescenta nenhum dado que já não esteja contido no anterior.
Por isso, a progressão textual não se realizou: o enunciado 2 só preencheu um espaço com palavras diferentes
das usadas em 1.
A quebra da complementaridade pode ser causada também pelo estabelecimento de relações equivocadas
entre um enunciado a outro.
Colocar uma informação fora de lugar, inventar relações de causa e efeito, antecipar uma conclusão sem
ter fornecido dados que a justifiquem são alguns dos equívocos desse tipo. Olhe um exemplo interessante
quanto a isso:
“Todos os países desenvolvidos praticam o controle da natalidade (enunciado 1). O Brasil não é um país
desenvolvido (enunciado 2). O Brasil não pratica o controle da natalidade (enunciado 3)”.
O enunciado 3 não está cumprindo a condição de complementaridade, pois traz uma conclusão que não
está autorizada pelas premissas. Isso significa que ao dizer que todos os países desenvolvidos praticam o
controle da natalidade não implica dizer que os não desenvolvidos não o praticam. Uma coisa nada tem a ver
com a outra.
Exemplo de Progressão Textual que se enquadra totalmente dentro do princípio da complementaridade:
“Todos os países desenvolvidos praticam o controle da natalidade. A Finlândia é um país desenvolvido.
Portanto, a Finlândia pratica o controle da natalidade”.
Português – Lúcia

2 – A Lei da Remissividade
Para que você produza uma redação Enem de qualidade, com boa estrutura é preciso que insira a Lei da
Remissividade. Mas, o que isso significa? Significa que você terá que trazer, em algum momento da
dissertação, uma informação anterior que reforce a nova ideia contida.
Essa condição diz respeito à necessidade de, no texto dissertativo, cada enunciado trazer uma informação
que recupere, de algum modo, um aspecto da informação contida na anterior.
Veja este exemplo:
Andando de ré (enunciado 1 – título)
O setor de embalagens de papel, um dos melhores termômetros para medir a temperatura
econômica, teve um primeiro bimestre desanimador (enunciado 2). Os dados preliminares indicam
que as vendas caíram cerca de 7% em comparação com o mesmo período do ano passado (enunciado
3).
(Veja, seção radar, 19 mar. 2003, p.36).

Nesse pequeno trecho, há três enunciados: o título(1) e dois períodos que formam o corpo do texto (2 e
3). A condição da remissividade está sendo cumprida, pois a ideia contida no título é esclarecida no primeiro
período por uma informação que, por sua vez, será confirmada pelo segundo.

E se o enunciador acrescentasse algo como “Apesar de os produtores já preverem uma melhora para este
mês”? Teríamos um enunciado não remissivo, isto é, que não mantém nenhum tipo de relação de sentido com
o que vem antes.
A frase fica como “pendurada”, sem se encaixar no todo. Ela não permite uma interpretação que faça
sentido e revela, da parte do enunciador, ingenuidade e total falta de controle sobre o que se diz.
3 – A Lei da Direcionalidade

Para que a Progressão Textual ser perfeita, é preciso que atenda as essas 3 Leis simultaneamente.

Desse modo, não basta que a informação subsequente que você aborda na redação Enem retome a
antecedente (remissividade). É necessário também que esse dado tenha direcionalidade, isto é, que seja
funcional para orientar o raciocínio rumo à tese final.

Em outros termos, você deve empenhar-se para que toda frase só entre no texto se tiver uma função em
relação aos propósitos programados por ele. Não é coerente acrescentar qualquer informação ou dado, embora
seja relevante, que não seja atrelado ou se relacione a algum propósito definido.

Você só deverá usar a lei da direcionalidade quando ela contribuir para a sustentação do sentido global do
de sua redação. E, com isso, predispõe a banca examinadora a aceitar como verdadeira a sua palavra ou, no
mínimo, a examiná-la com o respeito que merecem as propostas dignas de consideração.
A exploração adequada de enunciados descritivos é um exemplo de direcionalidade argumentativa. Seja
num texto dissertativo, seja num narrativo, não se deve incluir a descrição de algo ou alguém sem pensar na
sua função argumentativa. Portanto, lembre-se de que nada deve ser dito à toa, todas as informações devem
cumprir um papel no desenvolvimento de raciocínio.
Vamos supor que uma testemunha do atropelamento de um motoqueiro fosse chamada a depor em juízo
e, com a intenção de inocentar a motorista, dissesse ao juiz:
“A senhora Luísa é um caso raro de personalidade marcada pelo autocontrole e, ao mesmo tempo, por
extrema sensibilidade. (Enunciado 1). Tudo o que ela faz parece consequência dessa dupla convergência
(enunciado 2). Dirigindo, por exemplo, nem a loucura do trânsito nem o abuso dos motoqueiros são capazes de
abalar o seu controle e o seu sentimento de respeito pelos outros (enunciado 3). Haveria maior injustiça do
destino contra essa senhora do que ser alboroada por um motoqueiro que atravessou o farol vermelho?
(enunciado 4)”

Como você pode observar, o enunciados 1, 2 e 3 são:


Remissivos – já que cada um deles retoma informação contida no enunciado anterior.
Complementares – uma vez que cada um acrescenta informação importante ao que está expresso no anterior.
Direcionais – pois todos são argumentos funcionais para confirmar o que se diz no enunciado 4, isto é, que só
por fatalidade a motorista fora envolvida no acidente, ocorrido por culpa do motoqueiro.
Ao descrever a mulher, o enunciador tomou cuidado de escolher exatamente as características da
personalidade dela direcionadas para inocentá-la.
Imaginemos que, em vez disso, ele fizesse uma descrição assim:

“A senhora Luísa é um caso raro de beleza e sedução numa só mulher (enunciado 1). Tudo o que ela faz
parece consequência dessa dupla qualidade (enunciado 2). Dirigindo, por exemplo, nem a loucura do trânsito
nem o abuso dos motoqueiros são capazes de prejudicar sua beleza e obscurecer a atração do seu charme
(enunciado 3). Haverá maior injustiça do destino contra essa senhora do que ser abalroada por um motoqueiro
que atravessou o farol vermelho (enunciado 4)”.

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Exercícios Complementares

Nesse caso, os 3 enunciados descritivos teriam remissividade e complementaridade, mas não atenderiam à
condição de direcionalidade. Eles não contribuiriam como argumentos de peso para induzir o juiz a crer no que
está contido no enunciado 4, pois, convenhamos, beleza e sedução não são qualidades que inocentem uma
mulher acusada de atropelamento.

CONTINUIDADE E PROGRESSÃO - ATIVIDADES


O texto que segue apresenta, entre outros problemas, o da coesão textual, particularmente quanto aos
aspectos continuidade e progressão. Leia-o e responda às questões propostas.

A violência no Brasil acontece pela diferença econômica e social que existe nas sociedades
nacionais.
O Brasil está mudando, crescendo e progredindo, só que ainda existe a má distribuição de renda
para as populações. Assim o "cidadão" privilegiado vivendo na pobreza, na miséria fica revoltado e
tem como solução de vida violentar os outros para sobreviver.
Para outros a sobrevivência formada na miséria é se adaptar as drogas para fugir da realidade e não
saber o que se faz.
Dentro dessas desigualdades encontra-se o comércio clandestino de anuas que se transforma em
um ato comum do dia a dia do cidadão. A arma é usada como um utensílio "doméstico".
Entretanto o Estado deve dar prioridades a classe baixa, investindo em educação, moradia, saúde,
uma distribuição de renda bem-feita, para chegarem numa condição de vida melhor e para que esta
parte social não tenha necessidades de procurarem e violentarem outras pessoas para terem uma
vida decente.
Aluno do terceiro ano – Ensino Médio
01. O 1º parágrafo do texto contém apenas uma ideia-núcleo, que não foi desenvolvida. Além disso,
a expressão "nas sociedades nacionais" não foi bem empregada.
a) Que termo substituiria adequadamente a expressão mencionada?
b) Que ideias secundárias poderiam garantir, nesse parágrafo, o desenvolvimento da ideia-
núcleo e a progressão textual?
02. Na passagem do 1º para o 2º parágrafo, não há nenhuma palavra que retome um termo ou uma
ideia anteriormente expressos, do que resulta a impressão de que esses parágrafos estão
soltos, isto é, sem coesão. Procure perceber a relação entre esses dois parágrafos e responda:
a) Que ideia do 1º parágrafo o autor tenta desenvolver no 2º parágrafo?
b) Que outra redação poderia ser dada ao primeiro período do 2º parágrafo, de modo a
explicitar a relação de continuidade existente entre os dois?
c) Que outras ideias secundárias poderiam dar progressão ao texto, desenvolvendo a ideia-
núcleo lançada nesse parágrafo?
03. No 3º parágrafo, as ideias são pouco desenvolvidas.
a) Está claro, no texto, a quem se refere o pronome outros da expressão "Para outros"? Caso
não, que redação você daria a esse trecho, de modo a garantir a relação de continuidade
desse parágrafo com o anterior?
a)Que outras ideias poderiam ser desenvolvidas Entre outras, o autor poderia aprofundar a
ideia nesse parágrafo?
04. No 4º parágrafo, o autor emprega uma marca de continuidade, constituída pela expressão
"Dentro dessas desigualdades". Na sua opinião, essa expressão está bem-empregada no
contexto? Justifique.
05. O último parágrafo é iniciado com a conjunção adversativa entretanto, cujo papel é estabelecer
oposição entre as ideias. Considerando-se a relação que normalmente há entre a conclusão e as
partes anteriores de um texto, a palavra entretanto estabelece a conexão adequada à
finalização do texto? Se sim, justifique. Se não, aponte a conjunção que substituiria
satisfatoriamente a palavra entretanto.
06. O texto não fugiu ao tema proposto. Apesar disso, não pode ser considerado um bom texto, em
virtude de alguns problemas relacionados à textualidade. Identifique esses problemas.
a) Ausência de sinalizadores claros de continuidade, que garantem a retomada de palavras e
ideias. b) Ausência de ideias secundárias, que fundamentam a ideia-núcleo dos parágrafos,
de modo a garantir a progressão textual e o grau adequado de informatividade ao texto.
c) Ausência de introdução, na qual é lançada uma tese ou ideia principal; de desenvolvimento,
em que são lançados os argumentos; de conclusão.
d) Emprego inadequado de termos, o que compromete a coerência e a coesão das ideias.

07 – Texto para análise.


A língua pode ser considerada como um código de comunicação, que pode ser transmitida
através da fala ou escrita. Não se trata apenas de palavras, signos e/ou formas de expressão. É
preciso que haja emissor e receptor para que a comunicação seja efetivada.
Vale ressaltar que a forma que vai ser utilizada para o uso da língua não é o que mais importa,
visto que a essência do seu uso é efetivação da comunicação em si.

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Português – Lúcia

Como bem sabemos a língua pode ser "dividida" em culta ou informal. É utilizada de forma
peculiar por usuários de cada região, classe social, nível escolar e até mesmo sexo. Nossa língua
é tão rica que ela nunca é a mesma nas diferentes regiões que conhecemos, além de que com o
passar dos tempos ela vai sofrendo alterações e enriquecendo cada vez mais. E todas essas
mudanças e diferenças só refletem na nossa língua, a nossa rica e variada cultura.
Se nossa língua não existisse, não teríamos o prazer de ter palavras tão e somente nossas,
como por exemplo, a palavra saudade. Pelo menos ela, a nossa língua, os portugueses
trouxeram de bom e com o tempo ela foi se "abrasileirando" e possibilidades de criação de
neologismos foram surgindo. Eis então que nossa língua passa a ser realmente nossa.
} §1 Língua - código de comunicação. - transmitida através da fala e da escrita - não se trata apenas de
palavras, signos [...]. - precisa de emissor e receptor.
§2 Forma utilizada da língua não importa o que importa é a Comunicação.
} §3 Língua é rica - nunca é a mesma nas diferentes regiões. - sofre alterações e enriquece mais. - pode
ser dividida em formal e informal.
} §4 Se a língua não existisse não teríamos palavras como "saudade". } Nossa língua - os portugueses
trouxeram de bom. - ela foi se "abrasileirando".