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ASPECTOS MOTIVACIONAIS DA SEGURANÇA DO TRABALHO

EM UMA COOPERATIVA ORIZÍCOLA DO VALE DO RIO PARDO

Marília Borstmann Rocha¹
Nicéia Wünsch²

RESUMO

Podem aspectos motivacionais reduzir acidentes de trabalho? Acreditando-se
que a motivação possa contribuir com a prevenção, o objetivo geral deste
estudo é propor um plano de ações motivacionais que sensibilize os
colaboradores a adotar ou permanecer com uma postura segura, criando assim
uma cultura para segurança. A metodologia utilizada na pesquisa é
caracterizada como estudo de caso, de natureza aplicada, de caráter descritivo
e exploratório, utilizou-se de visitas técnicas, pesquisas bibliográficas, análises
de registros e documentos, aplicação de questionário, abordagem qualitativa e
quantitativa para análise de dados. Conclui-se que a empresa atua
responsavelmente na área de segurança e que o cronograma motivacional
pode contribuir para redução das ocorrências de acidentes.

Palavras-chave: segurança do trabalho, motivação para a segurança,
prevenção de acidentes.

ABSTRACT

Motivational aspects may reduce workplace accidents? It is believed that the
motivation to contribute to the prevention, the aim of this study is to propose a
plan of motivational activities to sensitize employees to adopt or remain with a
safe position, thus creating a culture for safety. The methodology used in the
research is characterized as a case study, of an applied nature, descriptive and
exploratory, we used technical visits, literature searches, analysis of records
and documents, questionnaires, qualitative and quantitative approach to data
analysis. It is concluded that the company acts responsibly in security and that
the motivational schedule can contribute to reducing accident occurrences.

Keywords: safety, motivation for safety, accident prevention.

_____________

1 Acadêmica do Curso de Administração da Faculdade Dom Alberto
2 Professorra Orientadora. Administradora de Empresas. Mestre em
Agronegócios (UFRGS). Docente da Faculdade Dom
Alberto. niceia.wunsch@domalberto.edu.br
1 Introdução

A saúde e a segurança de trabalhadores são de extrema importância
para o desenvolvimento social e profissional do país. Pessoas precisam de um
trabalho digno que zele por sua integridade física e mental, para que possam
vivenciar os outros aspectos pessoais da sua vida normalmente.
Além disso, do ponto de vista empresarial, a saúde e a segurança do
trabalho são fatores que interferem no sistema produtivo das organizações no
mundo todo, podendo fazer com que a produção flua normalmente ou tenha
muitas interrupções devido a possíveis ausências de trabalhadores
acidentados ou doentes.
Por esses motivos, é muito importante que as empresas observem o seu
ambiente de trabalho e adotem medidas preventivas no mesmo.
A Cooperativa analisada possui 64 anos, e iniciou suas atividades
beneficiando cerca de 15 sacos de arroz por hora, atualmente possui
capacidade para beneficiar 180 sacos de arroz por hora. Estes dados
demonstram que a Cooperativa já passou por várias adaptações em função do
seu crescimento.
A matriz da Cooperativa localiza-se em um bairro central cercado de
moradores, em um município do Vale do Rio Pardo, mas está mudando-se
para o Distrito Industrial da cidade, onde os equipamentos serão mais
modernos e seguros, e não há moradores em seu entorno. A vizinhança do
bairro central queixava-se da poeira advinda dos processos produtivos e esse
foi um dos principais motivos que desencadearam na gradativa mudança dos
processos.
A nova unidade foi planejada visando aos aspectos da segurança. A
obra sempre esteve assessorada por engenheiro e técnico de segurança do
trabalho. Atualmente a empresa conta com 71 funcionários fixos, sendo que em
períodos de safra contrata em torno de mais 30 funcionários para atender a
demanda de recebimento. Pensando-se no bem-estar e qualidade de vida dos
funcionários, através da prevenção de acidentes, é que veio a inspiração para
o desenvolvimento do estudo.
A ocorrência de frequentes acidentes nas empresas acarreta
consequências, como a queda na produtividade devido a diminuição de mão de
obra, custos de amparo ao trabalhador, substituição de mão de obra,
treinamento para o trabalhador substituto, desmotivação de colaboradores visto
a falta de preocupação da empresa com a sua segurança. Além disso, no
ponto de vista do trabalhador, os danos de um acidente podem ser irreversíveis
ou fatais, afetando diretamente a vida deste indivíduo.
Portanto, há muitas coisas que devem ser observadas no ambiente de
trabalho, sendo então o problema desta pesquisa: podem aspectos
motivacionais reduzir acidentes de trabalho?
Neste contexto, o objetivo geral do estudo é identificar as atividades de
segurança do trabalho aplicados na Cooperativa, o comportamento e
posicionamento dos colaboradores frente a segurança do trabalho e propor um
plano de ações motivacionais que sensibilize os colaboradores a adotar ou
permanecer com uma postura de ato seguro, vigilante e atento para estes
aspectos, criando assim uma cultura para segurança.
Tendo como objetivos específicos:
• Identificar o posicionamento da empresa frente a área de segurança do
trabalho junto as suas atividades fabris e administrativas;
• Verificar a atividade de segurança adotada pela empresa e como os
colaboradores entendem a importância da segurança no ambiente de
trabalho;
• Analisar pontos e temas que precisam ser melhor trabalhados na área
de segurança da empresa, considerando os pontos críticos dessa área;
• Elaborar um cronograma de atividades anual para a área de segurança
com viés na motivação e na conscientização constante e permanente da
área de segurança para criar na empresa uma cultura de área segura.
Justifica-se este trabalho, pois a área de segurança zela pela vida dos
trabalhadores, propõe-se a trazer bem-estar, qualidade de vida, prevenção de
doenças e acidentes de trabalho, e educar as pessoas para o ato seguro, de
modo que estas se sintam realmente seguras no ambiente de trabalho, onde
muitas vezes, passam a maior parte do seu tempo. Considerando-se que os
trabalhadores são essenciais para a realização das atividades empresariais,
também deve se considerar essencial, sua segurança e qualidade de vida para
que possam realizar as suas funções de forma satisfatória.

2 Segurança do trabalho na empresa

Segurança do trabalho é o conjunto de medidas técnicas, educacionais,
médicas e psicológicas utilizadas para prevenir acidentes, seja buscando
eliminar condições inseguras do ambiente, seja instruindo ou convencendo as
pessoas da utilização de práticas preventivas. Ela é indispensável ao
desempenho satisfatório do trabalho (CHIAVENATO, 2008).
Chiavenato (2008, p. 359) citou que “o acidente do trabalho constitui
fator negativo para a empresa, para o empregado e para a sociedade. Suas
causas e custos devem ser analisados”. Os números de acidentes de trabalho
registrados são assustadores. Nosso país ostenta números elevadíssimos de
acidentes do trabalho que produzem enormes prejuízos sociais e econômicos.
Todos os acidentes decorrentes do trabalho, mesmo quando forem
considerados leves, devem ser investigados pelo supervisor e pela comissão
de segurança. De acordo com Bohlander, Snell, Sherman (2005) “uma
investigação busca determinar os fatores que contribuem para o acidente
revelar as medidas necessárias para impedir que ele volte a acontecer”. A
correção pode exigir uma reorganização do layout de trabalho, a instalação de
protetores ou controles de segurança, ou, mais frequentemente, dar
treinamento adicional aos funcionários e reavaliar sua motivação para a
segurança.
De acordo com Martinez (2012), os órgãos de segurança e saúde do
trabalhador são entidades que integram a estrutura patronal com o objetivo de
garantir um ambiente laboral livre de riscos ocupacionais ou, pelo menos,
minimamente ofensivo. Entre eles estão os Serviços Especializados em
Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho e as Comissões Internas
de Prevenção de Acidentes.
O Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina
do Trabalho – SESMT – é disciplinado por normas expedidas pelo Ministério do
Trabalho e Emprego e é composto de profissionais dotados de conhecimentos
de engenharia de segurança e de medicina do trabalho. Esse órgão possui a
missão de promover a saúde e de proteger a integridade do trabalhador no
local de trabalho. Cabe ao empregador arcar com todo e qualquer ônus
decorrente da instalação e manutenção deste serviço (MARTINEZ, 2012).
De acordo com a NR-4, do Ministério do Trabalho e Emprego, os
Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do
Trabalho deverão manter entrosamento permanente com a Comissão Interna
de Prevenção de Acidentes (CIPA), atuando como agente multiplicador, e
deverão estudar suas observações e solicitações, propondo soluções
corretivas e preventivas.
A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – CIPA –
tem como objetivo, regulamentado na NR-5 do Ministério do Trabalho e
Emprego, a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de
modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da
vida e a promoção da saúde do trabalhador.
São várias as atribuições da CIPA, conforme a NR-5, do Ministério do
Trabalho e Emprego, entre elas identificar os riscos do processo de trabalho, e
elaborar o mapa de riscos, com a participação do maior número de
trabalhadores, com assessoria do SESMT, onde houver; elaborar plano de
trabalho que possibilite a ação preventiva na solução de problemas de
segurança e saúde no trabalho; promover, anualmente, em conjuntos com
SESMT, onde houver, a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do
Trabalho – SIPAT etc.
A segurança do trabalho tem como ferramentas fundamentais: os
equipamentos de proteção individual, a higiene do trabalho, os exames
médicos, o reconhecimento e controle dos riscos físicos, químicos e biológicos
e a motivação para a segurança.

2.1 Equipamento de proteção individual
A NR-6, do Ministério do Trabalho e Emprego, considera Equipamento
de Proteção Individual – EPI, “todo dispositivo ou produto, de uso individual
utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de
ameaçar a segurança e a saúde no trabalho”.
A classificação dos EPIs se dá em função da proteção que oferecem.
Diante disso existem equipamentos que protegem a cabeça (capacete e
capuz), o tronco (vestimentas de segurança), os membros superiores (luvas,
braçadeiras e dedeiras), os membros inferiores (calça, meias e calçados), os
olhos e a face (óculos e máscaras), o corpo inteiro (macacão), a audição
(protetor auditivo), a atividade respiratória (respirador purificador de ar). Há,
também, aqueles que simplesmente previnem quedas com diferença de nível
(dispositivos trava-quedas e cinturões) (MARTINEZ, 2012).
As empresas são obrigadas a fornecer aos empregados, gratuitamente,
EPI adequado ao risco, em perfeito estado de conservação e funcionamento,
nas seguintes circunstâncias: sempre que as medidas de ordem geral não
ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes do trabalho ou de
doenças profissionais e do trabalho; enquanto as medidas de proteção coletiva
estiverem sendo implantadas; e, para atender a situações de emergência (NR-
6, MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO).
Compete ao Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em
Medicina do Trabalho – SESMT, ou à Comissão Interna de Prevenção de
Acidentes – CIPA, nas empresas desobrigadas a manter o SESMT,
recomendar ao empregador o EPI adequado ao risco inerente de cada
atividade. Nas empresas desobrigadas de constituir CIPA, cabe ao designado,
mediante orientação de profissional tecnicamente habilitado, recomendar o EPI
adequado à proteção do trabalhador (MARTINEZ, 2012).

2.2 Motivação para a segurança na Cooperativa

Motivação significa motivo para a ação, é algo que nos impulsiona e que
nos move a realizar determinadas coisas. A motivação pode se dar de
diferentes maneiras nas pessoas, visto que cada uma tem as suas
particularidades, pensam de maneira distinta uma das outras. O anseio por
conquistar algo pode ser considerado uma motivação para a busca de um
objetivo.
Para o ser humano a sua integridade física e psíquica são muito
importantes em suas vidas, e a ausência destas integridades podem trazer
inúmeras dificuldades, tanto para o trabalho como para a vida pessoal,
interferindo diretamente em sua qualidade de vida. No entanto, a segurança
muitas vezes não é encarada com a tal seriedade merecida.
Isto ocorre quando esta questão não é trabalhada da maneira correta. Os
funcionários acabam enxergando esta parte como chata, e ficam indispostos a
fazer o que é solicitado. O ser humano, de modo geral, é muito acomodado,
não gosta de mudanças, e muitas vezes não tem instrução sobre os riscos que
corre em seu trabalho. Por vezes, um funcionário mais antigo é acostumado a
desempenhar a sua tarefa de uma maneira, que não é a mais recomendada,
mas que por sua autoconfiança ele segue fazendo, aumentando as
possibilidades de acidente.
Existem casos em que a maneira mais simples de se executar uma
operação é também a maneira mais arriscada, e pela falta de conscientização
o trabalhador prefere o jeito mais fácil. Enfim, mesmo sendo a segurança algo
que vem para contribuir para o bem estar dos funcionários, dependendo de
como ela é trabalhada nas empresas, os funcionários não conseguem ter esta
reflexão sobre a mesma.
Diante do exposto, verifica-se a importância de um trabalho bem
executado na área de segurança das empresas, sendo que esta procura
valorizar e preservar vidas. Ademais é muito difícil de conquistar algo quando
não se tem vontade, ou quando a tarefa é tida como chata e desnecessária. A
área de segurança deve atuar justamente na conscientização e motivação para
a segurança. Desta maneira, os colaboradores irão cumprir as normas e
realizar as atividades com segurança de forma natural, sem pressão, como
sendo algo prazeroso, sendo percebido como algo que realmente é importante
para a sua saúde.
A valorização do ser humano faz parte da filosofia cooperativista. Elas
surgiram com o intuito de unir pessoas que tinham o mesmo objetivo para que
se fortalecessem, e fossem mais valorizadas. Por isso, além das exigências
legais, é muito importante que as cooperativas sejam realmente atuantes
diante das filosofias que as descrevem, e a segurança faz parte da valorização
do ser humano. Isto não significa que as cooperativas devam investir mais em
segurança do algum outro tipo de sociedade empresarial, e sim, que se torna
ainda mais indispensável o seu comprometimento com a mesma.
A autora Bley (2014), destaca abaixo a importância da prevenção para
evitar possíveis danos a saúde:
É certo que a prevenção dos acidentes e das doenças ocupacionais é
a principal via de acesso à mudança deste que se configura como um
verdadeiro problema de saúde pública, tanto para o Brasil, quanto
para os outros países do mundo: o acidente do trabalho. À luz do
conhecimento produzido sobre o comportamento humano, é possível
afirmar que aprender a comportar-se de forma preventiva (segura)
pode ser um dos meios possíveis e eficazes de capacitar o
trabalhador para prevenir lesões e doenças relativas ao trabalho, para
si e para os colegas com os quais trabalha (BLEY, 2014, p.52).

Alguns autores, e a própria OIT (organização Internacional do Trabalho,
2014) argumentam que os custos envolvidos em acidentes em acidentes de
trabalho saem bem mais caro do que a prevenção. E o objetivo deste trabalho
é propor melhorias que não necessitam de muitos desembolsos diretos, e sim
de apoio e envolvimento dos gestores, da CIPA e dos funcionários, para
realizar atividades que estimulem o ato seguro.
Para tanto é necessário conhecer com profundidade os valores, as
necessidades e as características do público a ser gerenciado, para que seja
possível construir (ou adaptar) um conjunto de ações mais coerentes. As ações
devem ser condizentes com a natureza da atividade do trabalhador e
apropriadas ao seu nível educacional e de experiência profissional (BLEY,
2014).
Bley (2014) argumenta o seguinte, em sua obra:
As organizações que vêm acumulando bons resultados em seus
programas de mudança de comportamento em prevenção têm sido
aquelas que vêm gastando menos energia olhando para o mercado
em busca da ferramenta mágica, e têm investido mais empenho em
um trabalho mais focado, disciplinado e constante de olhar para
dentro e conhecer em detalhes seus gargalos culturais, corrigir erros
rudimentares em seus processos (treinamentos, análise de acidentes,
gestão de indicadores), empenhando-se em melhorar continuamente
o seu “como fazer”. Vale lembrar aqui que outra palavra mágica na
segurança comportamental é a simplicidade (BLEY, 2014, p. 121).

Esta citação da autora vai ao encontro da proposta do trabalho, que é
propor um cronograma de ações, que possam ser desenvolvidas pela própria
CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), com o apoio dos
gestores da Cooperativa. Como a CIPA é formada pelos próprios funcionários,
e estes estão presentes no dia a dia da empresa e dos processos de trabalho,
conhecem a cultura da empresa, sabem como abordar os colegas e a melhor
linguagem a ser utilizada, eles tem o potencial de fazer um trabalho bem
focado.

3 Metodologia

O desenvolvimento desse trabalho deu-se através de uma pesquisa de
natureza aplicada, pois seu objetivo é gerar conhecimentos para aplicação
prática dirigida à solução de problemas específicos. Trata-se de uma pesquisa
descritiva e exploratória, com abordagem qualitativa e quantitativa, que se
utilizou dos procedimentos de pesquisa bibliográfica.
A coleta de dados deu-se através da busca de informações em registros
de acidentes na Cooperativa, buscou-se informações complementares através
de diálogos com funcionários mais antigos, observações e aplicação de
questionários aos funcionários.
O questionário realizado na Cooperativa havia dezessete questões no
total. Entre estas, duas eram questões de forma aberta, quinze fechadas, e
entre estas abertas e fechadas, quatro são dependentes. Foram aplicados vinte
e um questionários no total e eles foram distribuídos de forma aleatória entre os
setores.
A formatação dos dados foi realizada através do sistema Sphinx, um
sistema de tratamento e análise de dados licenciado pela Faculdade. Utilizou-
se também de anáilises pessoais, comparando-se os dados observados com
as informações obtidas através das análises bibliográficas.
Para as ações do cronograma, utilizou-se da busca na internet de ações
que pudessem ser adaptadas a realidade da empresa, outras ações foram
delineadas a partir de outras que já tinham sido feitas e deram certo, e também
através de ideias que surgiram com o aprofundamento do estudo. O
cronograma foi elaborado em forma de banner, onde 4 objetivos principais
foram divididos em um ano, e em cada objetivo serão propostas 4 atividades
relacionadas com o tema. Optou-se por dividir desta maneira, para que as
atividades não se tornassem cansativas e repetitivas.
Em cada objetivo o cronograma se propõe:
• a conceituar o tema em questão e destacar a sua relevância;
• nas palestras, buscar o diálogo com os ouvintes, trazer imagens e
exemplos do dia a dia do trabalho;
• fazer pelo menos uma atividade divertida (lúdica) dentro de cada
objetivo.
Em cada atividade a ser realizada procurar promover:
• a integração dos funcionários;
• o coleguismo e o trabalho em equipe;
• em gincanas de competitividade, disputas saudáveis;
• conscientização, educação e motivação para o tema trabalhado.
Após a realização de cada objetivo verificar a percepção dos
colaboradores sobre as atividades, e o que aprenderam sobre o tema.

4 Segurança do trabalho na Cooperativa

Os registros indicaram que houve uma redução de acidentes na
Cooperativa de 2008 a 2012.

Figura 1- Quantidade de acidentes por ano

Fonte: elaborado pela autora, 2014

Figura 2 – Afastamento do trabalho
Fonte: elaborado pela autora, 2014

61,9% dos colaboradores responderam que sim, quando questionados
se necessitaram se afastar do trabalho por problemas de saúde.
Figura 3 – Segurança

Fonte: elaborado pela autora, 2014

Quando questionados sobre a segurança da empresa, 61,9% dos
funcionários disseram que considerarem boa, 28,6% muito boa e 9,5%
razoável.
4.1 Ações de segurança e sugestões de melhorias

Entre as ações de segurança desenvolvidas pela Cooperativa verificou-
se a existência de um médico do trabalho que realiza exames periódicos nos
funcionários, além de estar a disposição diariamente para uma eventual
consulta ou atendimento.
A empresa dispõe de assessoria de um técnico em segurança do
trabalho, que dentre outras funções avalia a execução do trabalho, auxilia os
cipeiros na elaboração do mapa de risco de cada ambiente, aponta
inconformidades, sugere melhorias para reduzir os riscos de acidente, elabora
o PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) e o PCMSO
(Programa de Controle Médico da Saúde Ocupacional) .
Todos os anos a empresa elege uma nova Comissão Interna de
Prevenção de Acidente (CIPA), formada por funcionários da empresa, que
também sugerem melhorias, elaboram o mapa de risco dos ambientes, e
organizam a SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes), uma vez por
ano.
Os funcionários da administração fazem ginástica laboral com a
instrução de uma profissional de educação física duas vezes por semana.
Um grupo de funcionários, de setores variados, recebe treinamento
especializado de prevenção e combate a incêndios com a frequência de 4
anos.
Além de exames admissionais e demissionais, existem também os
exames periódicos para todos os funcionários, onde é feita uma verificação
geral da saúde, e outros exames mais específicos e complementares para
algumas funções. Por exemplo: hemograma para quem trabalha com a
limpeza, de acuidade visual para quem é motorista, de audiometria para quem
trabalha exposto a ruídos e de TGO, TGP e colinesterase para quem trabalha
no departamento e técnico e pode ter contato com agrotóxicos.
Vale salientar que alguns treinamentos só são realizados para os
funcionários que foram considerados aptos no exame médicos. Como por
exemplo os treinamentos da NR-33 de espaço confinado, realizado anualmente
e da NR-35 para trabalhos em altura, realizado a cada dois anos. Os exames
exigidos são: eletrocardiograma, eletroencefalograma, hemograma (simples e
de plaquetas), glicose, raio x toráxico e de acuidade visual. Para quem for
trabalhar na manutenção, além destes exames, é necessário fazer exames de
hexanodiona e de ácido hipúrico, em função da exposição destes funcionários
a agentes insalubres como graxas e óleos.
Todos os funcionários admitidos recebem equipamentos de proteção
individual de acordo com a sua função e treinamento sobre como utilizá-los,
higienizá-los e consevá-los. Além disso, o Técnico de Segurança do Trabalho
realiza treinamentos periódicos sobre o uso dos EPIs.
Outro treinamento existente é sobre a higienização pessoal, que é de
fundamental importância por se tratar de uma indústria de processamento de
alimentos.
A maioria das atividades desenvolvidas pela empresa são exigências
legais do Ministério do Trabalho que a mesma deve realizar para se manter
aberta. Por isso procurou-se identificar o que a empresa faz em prol da
segurança que não é uma exigência legal.
A partir dessa reflexão, pode-se mensurar melhor o grau de
envolvimento da empresa nas questões de segurança. As organizações que
são realmente competitivas, procuram agregar valor a sua imagem tomando
atitudes voltadas a melhoria do meio ambiente e da sua comunidade,
impactando na melhoria da qualidade de vida de todos os seus stakeholders.
No caso da Cooperativa podemos citar que a ginástica laboral não é
uma exigência, e sim um recomendação que a empresa se propõe a fazer por
sua vontade. Mas ela poderia engajar-se ainda mais aos aspectos da
segurança, aliando as suas estratégias com os aspectos da segurança, propor
melhorias para a sua comunidade, ser mais exigente perante aos seus
transportadores de mercadoria, associados que fazem a entrega da matéria-
prima, enfim, há vários setores que se fossemos analisar a fundo poderia-se
propor que o trabalho andasse junto ao fator sustentabilidade, que influencia
muito na nossa saúde e a sua falta trará reflexos ainda mais graves
futuramente.
Mas de tudo o que foi analisado, existe algo que poderia ser implantado
neste momento que poderia trazer impactos muito positivos, que poderia mudar
a percepção de segurança dentro da empresa, que é a motivação.
4.2 Cronograma de atividades motivacionais para a segurança

A motivação é um trabalho contínuo, porque por mais que as pessoas
saibam a maneira correta de realizar a sua atividade, se estiverem
desmotivadas, elas irão fazer as coisas como lhes convém, e essas nem
sempre são as mais seguras. Por isso, este trabalho se propõe a elaborar um
cronograma anual de atividades motivacionais para a área de segurança, de
uma maneira agradável, trazendo informações para os colaboradores,
evidenciando a relevância dos pequenos atos, a importância da higiene
pessoal, do cuidado com o meio ambiente, de ter atenção no desempenho das
atividades, conhecer os riscos existentes etc.
Abaixo teremos a sugestão de um banner, contendo um objetivo, os
demais poderiam seguir a mesma metodologia, sendo os objetivos principais
assuntos que necessitam ser trabalhados na empresa em questão.
Figura 4 - Saber identificar os riscos

Fonte: elaborado pela autora, 2014
Quando alguma coisa possui risco de acidente, significa que tem o
potencial de ocasionar algum dano, caso não sejam adotas algumas medidas
de segurança. Mas porque existem riscos, porque não constroem as coisas
para que elas não proporcionem risco algum? Vale salientar que todo produto
antes de ser fabricado passa ou deveria passar por planejamentos e testes
visando a segurança das pessoas, mas ainda assim não estão totalmente
imunes a acidentes. Logo, procura-se minimizar os riscos adontando-se outras
medidas de prevenção.
Saber identificar os riscos existentes na empresa é fundamental para
que se tenha mais cuidado ao executar certas atividades. É inadimiscível que
nos dias atuais um trabalhador sofra um acidente por deconhecimento do risco
a que está exposto. O colaborador que conhece os riscos existentes deve
seguir todas as orientações de como minimizá-los, e quando for possível, a
empresa deve extinguir o risco.
Os riscos podem ser classificados como: físicos, químicos e biólogicos.
Busca-se a diminuição dos riscos através de medidas coletivas ou individuais
de proteção, no próprio objeto a ser manuseado, no ambiente, e até mesmo se
a pessoa esta apta a se aproximar do risco em questão (condições físicas,
psíquicas, exames clínicos).
Em cada setor da Cooperativa existe mapa de risco do ambiente, que
aponta os riscos existentes e seu respectivo grau de risco, através de cores e
círculos.
O conhecimento dos trabalhadores sobre os riscos, a conscientização
sobre a prevenção e motivação dos mesmos, constituem pilares fortalecedores
da prevenção de acidentes através do ato seguro.

6 Considerações Finais

A segurança do trabalho é um tema de extrema relevância na sociedade
atual e está diariamente em pauta na mídia, infelizmente devido aos grandes
índices de mortes por acidentes de trabalho.
Os acidentes de trabalho são problemas de saúde pública que causam
graves transtornos à vida das pessoas, além de acumularem prejuízos em
todos setores da sociedade.
Diante da empresa analisada, procurou-se verificar se os aspectos
motivicionais poderiam contribuir na prevenção, e consequente redução de
acidentes de trabalho, visto que algumas atividades de segurança já são
desempenhadas pela empresa mas, ainda assim, existem acidentes que
poderiam ser evitados. Considerando-se também, que a falta de
conscientização dos funcionários, torna-os displiscentes, e que é muito difícil
de conquistar algo quando não se tem vontade, ou quando a tarefa é tida como
chata e desnecessária.
Acredita-se que o cronograma de atividades motivacionais desenvolvido
possa contribuir para a conscientização e educação para a segurança,
modificando a percepção dos trabalhadores sobre a área da segurança,
motivando-os a adotarem uma postura contínua de prevenção no trabalho,
instituindo-se assim uma cultura de segurança na empresa, reduzindo os
acidentes de trabalho.

7 Referências

BLEY, Juliana. Comportamento Seguro: Psicologia da Segurança no
Trabalho e a Educação para a Prevenção de Doenças e Acidentes. 2 Ed. Belo
Horizonte: Artesã, 2014.

BOHLANDER, George; SNELL, Scott; SHERMAN, Arthur. Administração de
Recursos Humanos. 1. Ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005.

CHIAVENATO, Idalberto. Recursos Humanos: o capital humano das
organizações. 8. Ed. São Paulo: Atlas, 2008.

MARTINEZ, Luciano. Curso de Direito do Trabalho. 3. Ed. São Paulo:
Saraiva, 2012.

MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Normas regulamentadoras.
Disponível em: http://portal.mte.gov.br/legislacao/normas-regulamentadoras-
1.htm Acesso em 08 de agosto de 2014.