You are on page 1of 62

GABRIELA T O R R E A L B A CERECEDA

GOTAS DE ROCIO

COME N TA R IO
de
/

CARLOS RENÉ CORREA


GABRIELA TORREALBA CERECEDA

GOTAS DE ROCIO

I l u s t r a c i o n e s d e la a u t o r a

—O—

Tal!. Gráficos Casa Nac. del Niño


S A N T I A G O DE CHILE
19 4 3
DOS PALABRAS

Gabriela Torrealba Cereceda ha aprendí-


do, junto con las disciplinas humanísticas, la
verdad de la poesía que se le ha entregado como
velada por un manto de sortilegio.
Su joven espíritu ha ido hacia la belleza
con el deseo tenaz de alcanzarla y darle forma
por medio de sus palabras aun inseguras; la
joven autora —niña todavía— ha cogido la flor
y nos revela sus hallazgos como el jardín que
entrega sus flores.
Encontramos en estas páginas finas obser-
vaciones frente a la vida y sus caminos insos-
pechados; la reacción de una joven mujer que
al abandonar el Liceo, quiere dejar consignada
la inquietud primera de su alma, el canto que
le llegó con el rocío de la adolecencia.
Las primeras fábulas y los versos de sus
esperanzas y maravillosas ensoñaciones, quedan
aquí con un aire puro, ingenuo, hermanado a
la bondad y al amor. El porvenir ha de confir-
mar la calidad de su espíritu.

CARLOS RENE CORREA


P R O L O G O

O T A S D E R O C I O " n o será u n a o b r a literaria


ni meritoria. " G o t a s de R O C Í O " es sólo el com-
p e n d i o de mis composiciones p r e s e n t a d a s al Liceo,
junto con o t r o s t r a b a j o s y poesías h e c h a s en aquellos
m o m e n t o s en que el corazón necesita v a c i a r su sentir.
M u c h a s veces, e s t a n d o sola, he querido confiar
mis alegrias y mis cuitas, y n o he e n c o n t r a d o mejor
amigo que el papel blanco y mudo, que oye y oye, sin
decir n a d a .
C o m o expresa el n o m b r e , son gotas de inspira-
ciones p r o p i a s de mi e d a d y d e una chiquilla q u e a ú n
n o a b a n d o n a las salas de clases.
" G o t a s de (Rocío" es el f r u t o de mis a ñ o s de co-
legio.
Q u i e r o que este libro v a y a dedicado, con t o d o
cariño, a mis p a d r e s , a la D i r e c t o r a de mi Liceo, a mis
m a e s t r a s y c o m p a ñ e r a s de colegio.
Sea mi primera obra p a r a ellos, para ellos que
h a n h e c h o de mí una v e r d a d e r a mujer, que h a n f o r -
m a d o mi corazón y de quienes ¡o he recibido todo.

Gabriela Torrealba Cereceda

Alumna de 6." A ñ o de Humanidades del Liceo


N.° 1 de Niñas "Javiera Carrera"
EL INVIERNO

E L O T O Ñ O se, d u e r m e en la c u n a f r í a del In-


vierno.
H o j a s amarillas a r r u l l a n su sueño.
T a r d e s grises, n o c h e s l a r g a s y sin estrellas, cielo
n e b u l o s o . . . t o d o dice que h a llegado el I n v i e r n o .
E n su camino, siembra soledad y tristeza.
36 GABRIELA TOR REALBA CERECEDA

H u y e n las g o l o n d r i n a s y el v i e n t o i r a c u n d o h a c e
t e m b l a r j u n t o , h i e r b a s débiles y á r b o l e s centenarios.
E l cielo, v i e r t e la a m a r g u r a d e sus p e n a s c o n lá-
g r i m a s c o p i o s a s y la n i e v e c u b r e t o d o d e b l a n c o .
P o r la n o c h e , s a l p i c a d a s en su m a n t o n e g r o , las
e s c a s a s e s t r e l l a s b r i l l a n h e l a d a s . V e l a n t a l v e z , el sue-
ñ o d e los á n g e l e s . . .
E l f r í o h a c e s u f r i r al c o r a z ó n y e n t o n c e s l a s p e -
nas son más negras.
A veces, entre tanto frío y t a n t a tristeza, Jesús
e n v í a u n r a y o d e sol, q u e es u n r a y o d e e s p e r a n z a
en el alma d e s o l a d a d e la t a r d e .
UN DIA, U N A NOCHE Y TU

EL ALBA

E N E L C I E L O azul t r a n s p a r e n t e , con aquella


claridad i n m a c u l a d a del a m a n e c e r , brilla, úni-
ca y magnífica, una estrella. E s el lucero de la m a ñ a n a .
T o d o es a r m o n í a .
Dios desde la altura sonríe.
La paz infinita de las almas buenas, tiende sus
¿•Jas al r a y a r el alba.
Las flores, como palomas que al d e s p e r t a r des-
pliegan sus alas, a b r e n sus c o r o l a s trémulas con n o s -
talgia.
El aire se mezcla con p e r f u m e s suaves.
H a y olor a flores, h i e r b a b u e n a y p a s t o v e r d e .
36 GABRIELA TORRE ALB A CERECEDA

C a n t a el ruiseñor y la a l o n d r a y los a c o m p a ñ a en
su c a n t a r , el a g u a del a r r o y o con su música clara.
C o r r e u n grillo lijero y despierta a las luciérna-
gas d o r m i d a s .
Amanece. ..
La A u r o r a envía lluvia de perlas h ú m e d a s , y f o r -
m a n sobre el trébol, r o s a r i o s d e c u e n t a s cristalinas.
E n el aire v a g a b a el amor y ha a n i m a d o en mi
alma.

LA M A Ñ A N A

El sol brilla esplendoroso. C u b r e bosques, cerros,


a l a m e d a s y campiñas.
T o d o es luz.
T o d o es alegría.
U n p e r r o l a d r a a lo lejos.
P a s a n nubes f u r t i v a s .
L a s c a m p a n a s tocan a gloria.
E n el huerto, o s t e n t a n su f r e s c a lozanía, las f r u t a s
maduras.
E n el b o s q u e h a y r o n d a s de h a d a s , y en el j a r -
dín, c o r o s d e niños.
C a n t a u n a mujer l a v a n d o r o p a blanca, y m u e v e n
sus m a n o s la espuma h e r m o s a .
L a s espigas amarillas f o r m a n m a n t o s d e oro y e n -
t r e los cerezos en flor crecen matitas silvestres.
El horizonte está claro y d i á f a n o , y y o alegre y
feliz como el mediodía.
GOTAS DE ROCIO 11

ATARDECER

El crepúsculo b e s a las flores virginales, invitán-


dolas a soñar.
D e s c i e n d e l e n t a m e n t e y el jardín q u e d a p o b l a d o
d e s o m b r a s inciertas.
Las flores d u e r m e n .
El a g u a c o r r e casi sin r o z a r los lirios blancos y
el jazmín en flor.
T o d o es calma, silencio, q u i e t u d . . .
U n p á j a r o c a n t a y es su c a n t a r , al a t a r d e c e r , c o -
m o el tañir de u n a c a m p a n a que invita a o r a r .
Yo, que corría h a c e u n instante, e n t r e la h i e r b a
y hacia el sol, me d e t e n g o inquieta.
T e m o violar aquel misterio y de rodillas. . . v o y
a rezar.

LA NOCHE

Es de noche.
El cielo, p a r e c e un m a r inmenso pleno de sombras.
E n su m a n t o d e terciopelo n e g r o , millares de es-
trellas brillan hechiceras.
La luna, riega la tierra con su luz a m b a r i n a y las
a g u a s reciben sus r a y o s p a r a mecerlos en c u n a clara.
S o b r e el suelo, las h o j a s c a í d a s y amarillas, jue-
g a n con la brisa tibia y ríen con las r a m a s olorosas.
36
GABRIELA TORRE ALB A CERECEDA

La n o c h e está m u y obscura. La miro d e s d e mi


v e n t a n a y me p a r e c e b u e n a y hermosa, p e r o impene-
trable en su g r a n misterio.

La calma de la n o c h e ha i n u n d a d o mi alma de
sentimientos sublimes.
El viento me ha t r a i d o tu recuerdo, diciéndome
muy quedo, al oído: te q u i e r e . . .
El rio me invita a c a n t a r , y c u a n d o a la luz de las
estrellas c a n t e m o s . . .

C a n t a r é p a r a tí
C a n t a r é a las flores
C a n t a r é a las a v e s
y mi c a n t a r . . .
llevará m u y lejos
quizás al cielo,
trozos de mi alma
y de mi e n s o ñ a r .

Q u i s i e r a así.
cual melodía,
también v o l a r ;
cruzar los mares,
p a s a r los montes,
llegar al sol.
GOTAS DE ROCIO 13

B a j a r de n u e v o
y aquí en la tierra
llegar a tu a l m a
templo de a m o r .

S a b e r que piensas
un poco en mí
y, como paloma
que halla su nido,
q u e d a r m e siempre
quieta y feliz.
RETORNO

E L E S T R I D E N T E silbido de la locomotora y la
voz del c o n d u c t o r que a n u n c i a b a la próxima
estación, me d e s p e r t a r o n del l e t a r g o que me t r a í a
adormecida.
A ú n p a r e z c o oir aquel r u i d o febril de u n torbelli-
n o de gente que se a g o l p a b a en los a n d e n e s , m i e n t r a s
y o t r a t a b a en v a n o de a v a n z a r .
E s t u v e aquí u n a ñ o a t r á s y h o y he vuelto. T o d o
está igual: Allá la loma; aquí el riachuelo; lirios jun-
to al a r r o y o y luces y p e r f u m e s que embelesan.
A n o c h e , sólo s o m b r a s me r e c o r d a r o n el p a s a d o ;
hoy, la m a ñ a n a luminosa me h a hecho revivirlo.
GOTAS DE ROCIO 15

E s t o y en un lugar de ensueño, y un e n s u e ñ o f u é
también p a r a mí el a y e r .
M e hizo feliz u n a ilusión, p e r o f u é efímera y p a s a -
jera como t o d a s . T a n sólo u n a quimera. U n r o s a d o
a r r e b o l en el cielo gris de mi existencia.
M i alma, quieta y p u r a como u n a f u e n t e d e a g u a s
cristalinas, n o hacia sino suspirar y soñar, y, suspiros
y sueños se iban lejos, se o c u l t a b a n tal vez e n t r e le
niebla o b o g a b a n en pétalos de r o s a s en las a g u a s
azules.
Sentía nostalgia de mi soledad y a ñ o r a b a y temía
la brisa q u e u n día n o lejano a g i t a r a la f u e n t e y le-
v a n t a r a olas de a m o r y de dulzura en mi alma.
N o era feliz allí. N o e r a feliz, p o r q u e e s t a b a sola.
C o n quien p o d r í a sentir t o d a esa belleza? V e n -
dría él a l g u n a vez? D o n d e estaba? Q u i z á s . . . t o d o en
rzí e r a n ilusiones, sueños, e s p e r a n z a s . . . N o me im-
p o r t a b a quien f u e r a . . . p e r o sí, lo e s p e r a b a . A n h e l a -
b a lo desconocido, lo incierto, aquello que agita el
corazón y alegra el alma, a q u e l l o . . . que no había sen-
tido n u n c a .
U n d í a . . . llegó. Se disipó la b r u m a de mi c o r a -
zón y lo a m é con t e r n u r a .
A m é y sufrí.
El a m o r y el dolor d e j a r o n h o n d a s huellas que
h o y me h a c e n r e c o r d a r instantes de h o n d a felicidad y
de a m a r g o sufrimiento: felicidad de e n c o n t r a r l e y do-
lor de p e r d e r l e .
Lo quise mucho. Fué u n a m o r de Primavera.
36
GABRIELA TOR RE ALB A CERECEDA

Ella me t r a j o el amor junto con el a r o m a de los aza-


h a r e s y me lo llevó c u a n d o ellos caían y a marchitos.
M i s r e c u e r d o s y mi amor, a u n q u e y a f i g u r a n en
el p a s a d o , el olvido n o ha l o g r a d o apagarlos, y hoy.
en c a d a hoja, en c a d a flor he hallado p r e n d i d a mi his-
toria.
T o d o está en calma. El sol casi se ha a l e j a d o *
E s t a r d e , y sola, v a g o y pienso e n t i e paisajes de en-
sueños.
M i alma se agita al ritmo loco del a m o r .
Q u i s i e r a tenerle d e n u e v o a mi l a d o y u n i d o s de
la m a n o c a m i n a r silenciosos sobre el pasto, p a r a no
t u r b a r el e m b r u j o de esta tierra q u e r i d a .
O b s c u r e c e poco a poco.
L a t a r d e se extingue lenta y q u e d a m e n t e en la
c a l m a misteriosa del crepúsculo violeta.
E n la lejanía, e n t r e cipreses y abedules, se alzan
las t o r r e s de la iglesia. L a s c a m p a n a s con su t a ñ i r len-
to y melancólico llaman a la oración y r e d o b l a n p o r q u e
la t a r d e muere.
Se escuchan murmullos débiles. Son talvez los
p á j a r o s a r r u l l á n d o s e e n t r e las hojas v e r d e s , que o f r e -
c e n c u n a f r a g a n t e al a m o r .
E l a g u a c l a r a c a n t a , y es su canción al a t a r d e c e r ,
melancólica como el r e p i q u e t e a r de las c a m p a n a s .
D e n u e v o la nostalgia me cubre con tules tenues
y n u b o s o s y y o sigo b u s c á n d o l e y esperándole.
A mi a l r e d e d o r t o d o es calma, quietud.
Lina flor exhala un suspiro f r a g a n t e , p a r a c e r r a r
GOTAS DE ROCIO 17

luego su corola trémula g u a r d a n d o en su c o r a z ó n v i r -


g e n la p u r e z a del ambiente y los misterios del a m o r .
U n a estrella, sola brilla en el infinito y su luz
h a caido como una lágrima d e s d e lo alto y h a p e n e -
t r a d o en la tierra h ú m e d a .
Se a c e r c a la P r i m a v e r a . Las h o j a s secas esparci-
d a s sobre el suelo, crujen con tintineos de campanillas.
U n a a l o n d r a que la ha visto llegar la a n u n c i a con su
v o z a r g e n t i n a que alegra c o r a z o n e s .
Y o t a m h i é n oigo esta dulce melodía que invita a
a m a r y quisiera verle de n u e v o . ¿ P o r q u é n o está
aquí? ¿ N o le llama el amor? ¿ P o r q u é n o r e t o r n a el
ayer? Se h a e s c a p a d o u n suspiro de mi a l m a y me
e v o c a algo del p a s a d o : U n suspiro y u n a sonrisa acu-
s a r o n mis secretos t a n celosamente g u a r d a d o s y el
alma en sus ojos lo c o r r e s p o n d i ó a m i . . .
F u i m o s m u y felices. N o s miramos y nos quisimos.
O í a m o s juntos el murmullo del bosque, el c a n t o del
río, sentíamos el a r o m a de las flores y el misterio del
a t a r d e c e r . N o s e n c o n t r a m o s siempre sin d a r n o s cita,
nos a m a m o s sin decirlo n u n c a . F u é la P r i m a v e r a quien
me lo t r a j o y f u é la P r i m a v e r a quien me lo quitó.
R e c u e r d o u n día en que me estremecí al mirar
sus ojos que parecían h a b e r consumido t o d a la sombra
de la noche. T e m í quererle d e m a s i a d o y me alejé.
A h o r a es mi corazón que se estremece con el frío
de la n o c h e que se acerca y el r e c u e r d o de su a u s e n - '
cia.
Le he llamado mucho; p e r o ha sido en v a n o . M i
36
GABRIELA TOR RE ALBA CERECEDA

clamor q u e d a r á talvez en las tinieblas y se oirá des-


p u é s como el eco debil de u n a queja.
O b s c u r e c e l e n t a m e n t e . Son m u c h a s las estrellas
que brillan en el cielo y e n t r e r a m a y r a m a v a g a n
sombras errantes.
E s t o y c a n s a d a . El trébol y la y e r b a b u e n a me
ofrecen su b l a n d o y p e r f u m a d o lecho. M e r e c o s t a r é un
m o m e n t o , y así, e n t r e p a s t o verde, p e r f u m e s y nome-
olvides, s o ñ a r é . . .
M i c u e r p o y mi espíritu están quietos g o z a n d o
de la calma fría que p r e c e d e a la noche. Lo v e o cerca,
m u y cerca d e mí y h a s t a creo sentir su aliento tibio
acariciando mis mejillas.
U n a v a g a claridad se eleva t r a s los m o n t e s y al-
go así como el beso p u r o de mi m a d r e , dulce, tibio,
cariñoso, ha r o s a d o mi frente; la luna, desde allá, ha
e n v i a d o p a r a mí su primera caricia.
Y a t o d o es sombra y soledad. Sobre el c a m p a n a -
rio la luna brilla como aureola de pureza. E s t a r d e y
t e n d r é que r e g r e z a r .
A medida que me alejo de aquella paz e n c a n t a -
d o r a y me acerco al pueblo, se aleja también de mí
la quietud deliciosa que me e m b r i a g a b a p a r a t r o c a r s e
a h o r a en anhelo, en v e h e m e n c i a .
Al dejar la plaza del pueblo, se a u s e n t a el último
resto de la n a t u r a l e z a s a l v a j e en que estaba a d o r m e -
cida.
E n mi casa, las luces del c a n d e l a b r o de b r o n c e
me a b r a s a n con su c l a r i d a d p r o f a n a que hieren mis
GOTAS DE ROCIO 19

ojos y hiere mi alma. Solo hallo r e f u g i o en mi pieza


ya o b s c u r a , y luego, en los mullidos cojines q u e d a n
m a r c a d a s las huellas de mi desesperación que a r r a n c a
sollosos f r e n é t i c o s a mi p e c h o y lágrimas a r d i e n t e s a
mis ojos. L á g r i m a s son éstas que p a r e c e n llevar p a r t e
de mi dolor, y a que al alejarse alivian u n poco mi
alma.
La n o c h e ha a v a n z a d o r á p i d a m e n t e ; el lecho es
p a r a mi i n s o p o r t a b l e y me h e a c o m o d a d o j u n t o al bal-
cón p a r a a c o m p a ñ a r a la luna en su lenta gira y velar
junto con las estrellas.
La n o c h e cruzó r á p i d a y silenciosa por mi jardín
y el a m a n e c e r mé s o r p r e n d i ó y a más tranquilla, casi
dormida.
T o d o está envuelto en palidez a m b a r i n a y sólo
los cerros tienen s u a v e s tintes rosa y violeta.
El alba bendice los rosales con rocío fresco, v
plenas de belleza y virtud lo reciben también en su
cáliz p e r f u m a d o las a z u c e n a s y los juncos; los lirios y
las m a r g a r i t a s .
La a u r o r a ha llegado, y el sol, despacito t r a s élla,
juega con la brisa matinal p a r a llegar juntos a d a r m e
los b u e n o s días.
T a ñ e n de n u e v o las c a m p a n a s de la iglesia y al-
gunos fieles a c u d e n a su primer llamado l e n t a m e n t e
por el sendero, v e r d a d e r a cinta p l a t e a d a d e s p l e g a d a
desde el c e r r o hasta d e s a p a r e c e r t r a s la q u e b r a d a
verde.
P a j a r i l l o s y flores a n u n c i a n felices el día y u n a
36
GABRIELA TORRE ALB A CERECEDA

gallina d á a sus polluelos el p a s e o de la m a ñ a n a , seme-


jando así florecillas de a r o m o e s p a r c i d a s en el camino.
E s u n v e r d a d e r o d e s p e r t a r d e P r i m a v e r a . La f a -
tiga de u n a noche en vela se a p o d e r a de mí, pero casi
estoy feliz.
S o n r í o al cielo y el lucero de la m a ñ a n a me guia-
r á al templo. Dios b u e n o y misericordioso oirá talvez el
m u d o a n h e l o de mi alma q u e b r a n t a d a y triste por el
recuerdo.
S o b r e mis cabellos p o n g o un finísimo velo y mi
alma a c o g e una secreta e s p e r a n z a mientras v o y por el
camino.
H e c o m e n z a d o ha r e z a r . . .
T u r b a mi oración p i a d o s a el ruido de un galope,
y en u n a n u b e polvorienta que se eleva al cielo, lo v e o
venir. N o sé si reir o llorar. Sólo sé que estamos en
P r i m a v e r a y que sus labios h a n secado mis ojos h ú -
medos. E s él. Dios y la P r i m a v e r a lo h a n guiado a
mí.
H a v u e l t o . . . y juntos iremos a orar.
MI VIDA E N EL COLEGIO
(Trabajo premiado por el Centro de ex-alumnas del Liceo)

H A C E Y A varios años, u n a clara m a ñ a n a de V e -


rano, dejé sobre su camita, mi linda muñeca
Lucía, que siempre c o n s e r v a b a a c u r r u c a d i t a junto a
mi pecho, y con mi bolsón azul colgado a la espalda,
crucé t e m e r o s a e inquieta a t r a v é s de las m a j e s t u o s a s
columnas del Liceo.
El u m b r a l de sus p u e r t a s m a r c ó p a r a mi el fin d e
u n a corta y feliz época de mi existencia. Antes, mi
m u n d o e s t a b a e n t r e los b r a z o s de mi m a d r e , a h o r a mi
horizonte era más amplio, empecé a ser colegiala.
Fui a c o g i d a con cariño y comprensión p o r u n a
m a e s t r a sonriente y mis c o m p a ñ e r a s alegres y jugueto-
36
GABRIELA TOR RE ALB A CERECEDA

ñas, que me hicieron siempre p a r t e de sus coros y de


sus r o n d a s . E n c o n t r é e n t r e ellas mi más querida
amiga.
F u é t o d o aquello tan n u e v o y tan hermoso, que
los a ñ o s se deslizaron u n o a uno, dulcemente, como
se deslizara e n t r e m a n o s p i a d o s a s las delicadas cuen-
tas d e un rosario.
A q u í crecí y sin saber como, llegué a ser una
mujer.
T o d o lo que a h o r a dejo, es p a r t e de mi misma.
Es un p e d a z o de mi v i d a que q u e d a r á p a r a siempre
e n t r e las l e g e n d a r i a s p a r e d e s del Liceo y que m a ñ a n a
r e c o r d a r é con nostalgia, llegando talvez mi r e c u e r d o
h a s t a aquí, p a r a e s c o n d e r s e luego e n t r e los pétalos
blancos de u n a camelia del jardín.
H o y me alejo quizás p a r a no v o l v e r y a nunca,
p e r o mi alma a g r a d e c i d a r e t o r n a r á a veces en un ra-
yito d e sol a escuchar c o n f u n d i d o s en los rincones del
Liceo, el eco de mis cantos, de mis risas infinitas y . . .
tal vez, los suspiros d e mi primer a m o r .
D e s d e aquí, he visto siempre m u y claro y azul el
cielo d e mis ideales y m u y hermosa la v i d a .
El camino recorrido, m a r c a r á el comienzo, el pró-
logo d e mí m a ñ a n a y las e n s e ñ a n z a s y experiencias
recibidas, el emblema que a d o r n a r á mi pecho, como
un medallón d e plata.
M i vida en el Liceo, será u n a paloma dormida
q u e h a r á su nido p a r a siempre en un tibio rinconcito
de mi corazón.
MIS ULTIMOS DIAS DE COLEGIALA

Y E , Q U E h o r a es?
F a l t a n tres minutos t o d a v í a . . .
Y el t é r m i n o de aquellos tres minutos se h a c e es-
p e r a r mucho.
P o r fin, suena alegre y estridente el timbre eléc-
trico y al mismo tiempo se eleva un r u m o r d e voces,
de risas, el ruido seco de los libros al cerrarse, u n
estuche metálico que cae al suelo d e s p a r r a m a n d o con
estruendo, lápices, gomas, monedas, lapiceros; en fin,
el timbre p a r e c e d a r la voz de a l a r m a p a r a t e r m i n a r
de u n a vez toda aquella calma malamente l l e v a d a d u -
r a n t e los t r e s c u a r t o s de h o r a de clase.
Los patios grandes, luminosos, asoleados, se v e n
i n m e d i a t a m e n t e p o b l a d o s d e figuritas b l a n c a s que co-
rren, juegan y rien en incesante a l g a r a b í a , llegando
más y m á s de t o d o s los rincones del Liceo. Sus cantos,
sus risas cristalinas son ecos d e la j u v e n t u d y de la
P r i m a v e r a que c a d a u n a lleva en el alma.
P o r aquí y por allá, chiquillas más g r a n d e s , lu-
ciendo e s c a r a p e l a s r o s a d a s y amarillas, c o n v e r s a n
c u b r i e n d o sus p a l a b r a s con cierto misterio, talvez cu-
c h i c h e a n d o una deliciosa aventurilla. Son estos mo-
mentos de infinita amistad, de felices confidencias con
la amiga m á s querida, e n c o n t r a d a u " día entre las
p a r e d e s a ñ o s a s del Liceo.
36 GABRIELA TORRE ALB A CERECEDA

Allí, v i b r a n p a r a n o s o t r o s casi t o d a s las emocio-


nes d e la vida, con diferentes ritmos. P e n a s , lágrimas
y suspiros a n t e u n a incomprensión, a n t e una injusti-
cia; felicidad intensa a n t e u n a b u e n a nota, a n t e u n
elogio. El b á l s a m o de la alegría a h o g a t o d a s las a m a r -
g u r a s y las h a c e d e s a p a r e c e r . A m a r g u r a s son é s t a s
que tienen que levar sus anclas del mar de la j u v e n -
tud, al menor soplo de felicidad. A veces la gloria lle-
ga a c o r o n a r n u e s t r a f r e n t e y entonces, e s t s n t o n u e s -
tro reconocimiento, que h u y e n veloces, resentimientos
o m a l e s t a r e s que obscurecen el alma y, ¿ Q u i é n lo diría?,
hasta el amor suele p e n e t r a r despacito a travéz de
los m u r o s legendarios del Liceo y su r e c u e r d o e v o c a -
do quizás al contemplar las camelias b l a n c a s y e n c a r -
n a d a s del jardín, nos h a c e sonreír dulcemente, a j e n a s
a la bulla del patio.

T a l v e z , m u c h a s veces, más tarde, a ñ o r a r e m o s este


p e q u e ñ o m u n d o en que vivimos contentas, sin g r a n d e s
preocupaciones, sin a c o r d a r n o s siquiera de la n u e v a
visión d e la vida, que u n a que otra vez hemos l o g r a -
do e n t r e v e r , sin a t r e v e r n o s a p e n e t r a r d e m a s i a d o su
misterio. Q u i z á s si d e s e a r e m o s volver a ser chiquillas
locas y d e s p r e o c u p a d a s , felices sólo p o r q u e somos jó-
venes y p o r q u e y a la P r i m a v e r a nos sonríe.
¿ P o r q u é entonces q u e r e m o s a p u r a r estos pocos
días que nos v a n q u e d a n d o de colegialas? E s talvez el
sueño que nos une a t o d a s a h o r a . La llegada de D i -
ciembre que con sus R e y e s M a g o s y la sonrisa del N i -
ñ o Jesús nos t r a e r á este a ñ o muchos regalos. La no-
GOTAS DE ROCIO 25

che que a y e r nos parecía p e r d i d a en la lejanía y que-


hoy está t a n c e r c a n a . Aquella noche feliz, en que con
n u e s t r o primer t r a j e largo, f r a g a n t e y p r i m o r o s o co-
mo u n a florcita de a z a h a r , a v a n z a r e m o s e n t r e luces,
m i r a d a s y flores, con los ojos plenos d e l á g r i m a s d e
felicidad, p a r a que n u e s t r a D i r e c t o r a nos coloque en
el pecho u n a medallita de p l a t a y con p a l a b r a s de des-
pedida, nos e n t r e g u e la licencia de h u m a n i d a d e s .
E s t a medalla, t a n chiquita, m a r c a r á el fin de u n a
época y el comienzo de o t r a desconocida e incierta,
será el embleba de u n a n u e v a vida que l l e v a r á como
principios las e n s e ñ a n z a s h a s t a aquí recibidas y u n
libro a b i e r t o a n u e s t r a s almas de mujer i n s p i r a d a s en
el a n h e l o d e vivir y de t r i u n f a r .
C O N MI BRASERO

M l H I J I T A , y a está s e r v i d o el mate, v e n g a altirito


pues, a n t e s de que se enfríe. Así g r i t a b a mal-
h u m o r a d a por mi t a r d a n z a , D e l f i n a , criada r u d a , m a n -
dona, p e r o f r a n c a m e n t e sincera y b u e n a .
D e l f i n a , era p a r a mí más que u n a criada, conta-
b a con t o d o mi a f e c t o y consideración. E r a algo de
mi misma, p o r q u e a d e m á s d e h a b e r m e c u i d a d o desde
recién n a c i d a , me alimentó con su propia leche, que
c o m p a r t í a con R a q u e l su hija.
Y junto al b r a s e r o de b r o n c e con g r a n d e s c a r b o -
nes encendidos, cerca de la chimenea de la g r a n casa
señorial, con amplios c o r r e d o r e s coloniales, c h u p a b a
y c h u p a b a , en la bomilla d e plata, el rico y f r a g a n t e
mate, con y e r b a p a r a g u a y a , a z ú c a r q u e m a d a y hojitas
de cedrón.
36
GABRIELA TOR RE ALBA CERECEDA

M i mnmacita y mis abuelitos, ya se habían servi-


do, p e r o p e r m a n e c í a n cerca del f u e g o c o n v e r s a n d o ca-
riñosamente, r e m e m o r a n d o tiempos y a idos, y, ¿por
qué n o decirlo?. . . p e l a n d o también su p o c o a vecinos
y p a r e n t e l a . N o tiene sabor el mate, decían los materos,
si n o se a c o m p a ñ a éste de un s a b r o s o pelambrillo.
Y así, c o m e n t a b a n alegres, u n a que otra a v e n t u r a
divertida, h a s t a llegar al tema d e la s e ñ o r a del frente,
que según decía mi abuelita, a t o d a s h o r a s d»l día y
de la noche, estaba a s o m a d a a la puerta p a r a e n t e r a r s e
de lo que p a s a b a a su a l r e d e d o r .
El día q u e esta vieja se muera, a g r e g ó Delfina,
viviremos t o d o s en p a z y los diablos se v a n h a c e r po-
cos p a r a repartírsela.
Calla, calla, decía entonces mi b u e n a mamá, cuya
alma noble y g e n e r o s a , n o concebía esas ideas en el
corazón de u n a mujer.
M ' h i j i t a por Dios, dijo otra vez Delfina, ¿hasta
c u á n d o h a c e sonar el mate? Las solteras lo h a c e n so-
nar u n a vez n o más, y a se lo he dicho, las c a s a d a s dos
veces, tres las v i u d a s y c u a t r o las sinvergüenza, y des-
pués d e una c a r c a j a d a que hacía estremecer t o d o su
cuerpo moreno, me q u i t a b a el mate de las manos, pa-
ra llenarlo de n u e v o de a g u a h i r v i e n d o y otro terrón
de a z ú c a r .
V i e r a s tú, le decía y o entonces, a D e l f i n a o y e n d o
n a r r a r a mi abuelito sus conquistas a m o r o s a s . P o r lo
visto este caballero dejó pálido a don J u a n . . .
26
GOTAS DE ROCIO

¿A quién dijo?, interrumpió de n u e v o D e l f i n a ; a


d o n Juan, el gringo d e la esquina?. . .
N o , no, me refiero a d o n Juan T e n o r i o , u n her-
moso g a l á n e n a m o r a d o y conquistador, que e r a irre-
sistible al c o r a z ó n de las mujeres.
¡Hay!, q u e " g ü e n m o z o " h a de ser ese caballero,
n o ? ¡Quién lo viera!, y los ojos d e D e l f i n a brillaron de
alegría, m i e n t r a s sus mejillas se e n c e n d í a n d e e n t u -
siasmo.
S o n o r a s c a r c a j a d a s d e todos, la e n o j a r o n y se le-
v a n t ó saliendo presurosa*
U n silencio siguió a esta escena divertida y a g r a -
dable. Los ojos de t o d o s e s t a b a n c l a v a d o s e n el b r a -
sero c a r g a d o de b r a s a s y de ceniza. P o r el pico de la
tetera, salía, cual el h u m o en espiral de un cigarrillo,
el v a p o r h ú m e d o del a g u a hirviendo. M i alma d e niña
s o ñ a b a despierta, t r a n s p o r t a d a a un m u n d o lejano de
risas y ensueños. V i v í un instante, por primera vez, al
lado del príncipe azul, en u n a casita blanca, r o d e a d a
de flores en un v e r d e p r a d o , c e r c a n a al río que c a n t a
en sus c a s c a d a s la canción d e las m o n t a ñ a s .
M i s p á r p a d o s se i m p r e g n a r o n de c a n d e n t e s lágri-
mas que r o d a r o n p o r mis mejillas a r d i e n t e s .
N o sé por qué lloré, pero sentí que en mi pecho
n o cabía el c o r a z ó n . . . Amor? Ilusiones? E s p e r a n z a s ?
Quizás. . .
M i m a d r e c i t a linda, que a d i v i n a y ve en el alma
d e sus hijos, me recostó c o n t r a su pecho y con sus b e -
sos me hizo dormir.
36 GABRIELA TOR RE ALB A CERECEDA

E n t r e despierta y d o r m i d a p u d e percibir que mi


mamita decía: E s e don Juan, ese don Juan, que t o d a -
vía p e r t u r b a el c o r a z ó n . . .
D e l f i n a se llevó el b r a s e r o , se t e r m i n ó el mate y
el p e l a m b r e .
A la m a ñ a n a siguiente, con la brisa fresca acari-
c i a n d o mi rostro, g a l o p a b a p o r el s e n d e r o polvoriento,
en mi caballo blanco regalón, p a r a r e u n i r m e luego con
mis amigos, j u n t o a la t r a n q u e r a .
ECOS DE UNA GRAN OBRA

Con motivo de la entrega del Ajuar, que todos


los años, el día de San Juan, hacen las alumnas del
6." A ñ o de Humanidades, auspiciado por el Liceo
1 de Niñas "Javiera Carrera" a los niños de la
Maternidad del Salvador, nacidos ese día.

I N F I N I T A alegría p a s ó por t o d o mi ser, al p o -


n e r en la cuna de Juanito, las ropitas que y o h a -
bía tejido p a r a u n o d e los niños que el día de S a n Juan
Bautista, h u b i e r a nacido en la M a t e r n i d a d del Sal-
vador.
36 GABRIELA TOR RE ALB A CERECEDA

N u n c a d e j a r é de a g r a d e c e r a las m a e s t r a s del Li-


ceo N . o 1, la bella o p o r t u n i d a d q u e me p r o p o r c i o n a -
ron p a r a hacer una caridad tan hondamente sentida y
d e t a n a l t o significando m o r a l .
La señora Berta T o p de Johnson, querida Direc-
t o r a n u e s t r a y s e ñ o r a A m e l i a S e c c h i d e P é r e z , inspi-
r a d o r a d e esta b e n d i t a obia de beneficencia, como
i g u a l m e n t e la s e ñ o r a E s m e r a l d a M a n z a n o , d e b e n s e n -
tirse d i c h o s a s de la t r a s c e n d e n c i a q u e tiene su inicia-
tiva.
Y o las b e n d i g o d e s d e el f o n d o de mi a l m a y d e s e o
q u e el cielo se e n t r e a b r a p a r a q u e sus e s p í r i t u s selec-
tos se r e c r e e n en la d i c h a y felicidad del m a s a l l á . . .
C o m o a l e t e a r d e m a r i p o s i t a s d e s e d a , las m a n e c i -
tas b l a n c a s , l e v a n t a d a s en sus c a m i t a s , o c h e n t a y u n a
c r i a t u r a s r e c i b i e r o n el A j u a r con q u e el Liceo les o b -
sequiaba.
J u a n i t o se l l a m a r á el n i ñ o q u e recibió mi p r i m e r
a j u a r color celeste cielo, q u e h a c í a c o n t r a s t e con sus
ojillos n e g r o s y b r i l l a n t e s .
P o b r e , m u y p o b r e c i t o era mi o b s e q u i a d o . Su m a -
d r e y el n i ñ o me m i r a r o n tan f i j a m e n t e , t a l v e z por u n a
i n s p i r a c i ó n divina, y t o c a r o n t a n a f o n d o mi alma d e
niña, q u e r e d i m i e r o n t o d o s mis s e n t i m i e n t o s malos
q u e p u d i e r a n h a b e r s e a l b e r g a d o en mí, t r a n s p o r t á n d o -
me a u n a v i d a e s p i r i a i a l t a n sublime, q u e h a s t a ese
instante, jamás había conocido. Lágrimas candentes
d e f e l i c i d a d y d e a mor e n j u g a r o n en «ñs ojos los albos
p a ñ a l e s d e mi J u a n i t o .
30
GOTAS DE ROCIO

Las brillantes y e m o c i o n a d a s f r a s e s del doctor


Aviles, D i r e c t o r de la M a t e r n i d a d del S a l v a d o r , en
a g r a d e c i m i e n t o de n u e s t r o s obsequios, las r e c o r d a r e -
mos siempre con cariño las a l u m n a s del sexto año,
asistentes a este acto, y a que éllas n o s hizo t r a s p o r -
t a r n o s , p o r u n instante, a esa v i d a real con q u e las
n i ñ a s y f u t u r a s madres, siempre soñamos.
CAMELIAS ROJAS

(Cuento)

Q U E L D I A a m a n e c i ó triste y nuboso. U n a som-


bra de quietud y de misterio v a g a b a en el j a r -
dín silencioso, y frío.
E r a l . o d e N o v i e m b r e : el día de T o d o s S a n t o s .
H a s t a el p e r f u m e de las flores p a r e c í a t r a e r en sí
algo triste y melancólico.
M i s oraciones de la m a ñ a n a f u e r o n p a r a las al-
m a s lejanas, p a r a aquellas que v a g a n e t e r n a m e n t e en
las regiones de lo incierto, y a g r a d e c í a Jesús en m u d a
o r a c i ó n n o tener y o ningún ser q u e r i d o a l e j a d o d e mí,
p a r a siempre.
Recé m u c h o y el doblar de las c a m p a n a s me t r a -
jo a la r e a l i d a d . Su toque m o n ó t o n o y lastimero pro-
36 GABRIELA TOR RE ALB A CERECEDA

d u j o en mí un e s t r e m e c i m i e n t o . . . ellos t a m b i é n e n v i a -
b a n a los m u e r t o s u n r e c u e r d o .
S i n s a b e r p o r q u é m e vestí d e n e g r o .
A n t e la l u n a c l a r a del e s p e j o , se r e f l e j ó mi f i g u r a
o s c u r a y quizás d e m a s i a d o a u s t e r a , c o m o un p r e s a g i o
de desgracia.
Prendí entonces sobre mi p e c h o d o s camelia?
a b i e r t a s y h e r m o s a s c o m o el e m b l e m a m i s m o de la ju-
v e n t u d ; r o j a s y a r d i e n t e s c o m o el símbolo del a m o r ;
sin p e r f u m e , c o m o la m u e r t e .
Salí sin r u m b o a c a m i n a r y la m a ñ a n a f r e s c a me
dió á n i m o . El c e n t r o d e S a n t i a g o , lleno d e gente, p a -
recía u n t o r b e l l i n o e n l o q u e c e d o r y c r u c é e n t o n c e s r á -
p i d o el p u e n t e del río M a p o c h o , e n t r e i n f i n i d a d de flo-
r i s t a s q u e a g i t a b a n sus r a m o s al viento, c a d a cual más
h e r m o s o . A ú n en esos r a m o s n o hallé c o m o o t r a s v e -
c e s f e l i c i d a d y a m o r , s i n o dolor y m u e r t e . C a d a flor
a h o r a h ú m e d a d e rocío, recibiría l u e g o u n a l á g r i m a y
quedaría sobre una tumba para morir también.
P o c o a p o c o el r u m o r me p a r e c i ó l e j a n o y llegué
a una avenida tranquila y serena. G r a n d e s y gruesas
p a l m e r a s a c u s a b a n su e d a d y se r e s p i r a b a allí c a l m a
y q u i e t u d . E r a la a v e n i d a d e la P a z . M e p a r e c i ó ur.
r e f u g i o p r e c i o s o y a v a n c é l e n t a m e n t e p o r e n t r e ellas
T r i s t e fin d e e s a h e r m o s a a v e n i d a : el C e m e n t e r i o
G e n e r a l . L l e g u é a sus p u e r t a s y las c r u c é c a u t e l o s a ,
y allí a n t e ese n u e v o m u n d o , silencioso y f u n e r a r i o
m e d e t u v e u n i n s t a n t e t e m e r o s a . ¿ Q u é h a c í a yo a h : '
Asi, inmóvil, n o me a t r e v í a a v a n z a r ni a v o l v e r .
33
GOTAS DE ROCIO

U n r a m o de ilusiones, que llevaba una mujercita


e n l u t a d a y llorosa, me rozó el h o m b r o y con u n es-
f u e r z o quise seguirla e n t r e la multikid que en silencio
llevaba flores y oraciones a los muertos. La p e r d í d e
vista. N o se oí'a sino un ligero r u m o r de p a s o s e n t r e -
c o r t a d o s a v e c e s por u n a q u e j a . . .
El v i e n t o mecía las r a m a s de los altos cipreces,
y d e u n n i d o oculto, v o l a b a d e vez en c u a n d o u n p a -
j a r r a c o n e g r o y feo, permitiéndose t u r b a r aquella cal-
ma d e s o l a d o r a y divina, con un grito siniestro.
Siempre a v a n z a n d o , m i r a b a y o recelosa e in-
quieta, la s e v e r i d a d religiosa de los mausoleos, p a r e -
ciéndome ellos m u y fríos y obscuros p a r a m o r a r allí
eternamente.
U n a secreta e s p e r a n z a a n i d ó en mi pecho: morir
lejos, e n t r e p a s t o f r e s c o y nomeolvides, q u e d a r p a r a
siembre e n t r e rosales floridos, j u n t o a un a r r o y o que
c a n t a r a al a t a r d e c e r y que p o r las noches me v e l a r a n
las e s t r e l l a s . . .
A p u r é el p a s o y entre a v e n i d a s , flores y tumbas,
llegué h a s t a el final del cementerio.
U n a g r a n p a r t e del t e r r e n o e s t a b a p o b l a d o de
cruces p i n t a d a s de blanco, en c u y o s brazos, que p a -
recían implorar al cielo misericordia, yacía u n a c o r o n a
de flores de papel, y a descolorida. ¡ Q u é triste y som-
brío era aquello!
La p e n u m b r a parecía a y u d a r a sufrir y la ausen-
cia de flores era r e e m p l a z a d a por lágrimas y sollo-
zos . . .
36 GABRIELA TORRE ALB A CERECEDA

E s t e e r a el l u g a r d e los p o b r e s , p o r q u e allí t a m -
bién h a y d i f e r e n c i a s . E r a d e ¡os p o b r e s sí, p e r o n o d e
los infelices, d e a q u e l l o s más desgraciados aún, que
allá n o m u y lejos en u n a f o s a n e g r a y sucia, c o n f u n -
d í a n s u s r e s t o s quizás con h o r r o r y se d e s p e d a z a b a n
las c a r n e s d e u n o s con los h u e s o s c a r c o m i d o s d e los
otros, mezclándose y revolviéndose todos, para llegar
l u e g o a ser t i e r r a g e n e r o s a , q u e h a c e c r e c e r allí p a s t o
v e r d e a la a l t u r a d e u n a r b u s t o .
M e a l e j é a t e m o r i z a d a , q u e r i e n d o a la vez a l e j a r
mis p r o p i o s p e n s a m i e n t o s . Q u i s e huir, p e r o n o c o n s e -
guí s i n o i n t e r n a r m e m á s e n el i n f i n i t o c e m e n t e r i o .
L l e g u é a o t r o s p a t i o s , é s t o s c u b i e r t o s de f l o r e s
C a d a u n o p a r e c í a c o n s e r v a r a ú n un r e c u e r d o . ,A!li
sólo u n a t u m b a n o h a b í a s i d o v i s i t a d a . E l m á r m o l es-
t a b a e n t i e r r a d o y sucio y la a r g o l l a d e b r o n c e cas;
enmohecida y algo hundida, parecía aprisionar más a
su v í c t i m a .
S e n t í p e n a a n t e a q u e l l a t u m b a solitaria y me hi-
zo r e c o r d a r u n p e q u e ñ u e l o h u é r f a n o que el día de vi-
sita en su colegio, a c u r r u c a d o en un r i n c ó n o b s e r v a b a
lloroso a sus c o m p a ñ e r o s que e r a n b e s a d o s con ter-
n u r a p o r sus m a d r e s .
Infeliz a q u e l n i ñ o sin m a d r e ! Infeliz a q u e l m u e r t o
a b a n d o n a d o ! ¿ N o n e c e s i t a n t a m b i é n los m u e r t o s a l g o
de amor?
M e a r r o d i l l é y r o g u é con f e r v o r p o r la p a z ele su
alma, m i e n t r a s las l á g r i m a s me b a ñ a b a n el r o s t r o
35
GOTAS DE ROCIO

Q u i s e venirme, p e r o n o a n t e s de d e j a r algo a r r e g l a d o
allí, d o n d e t a n t a falta hacía u n a m a n o p i a d o s a .
R e g u é la tierra q u e orillaba la lápida y limpié el
mármol que lució n e g r o y brillante, d e j a n d o v e r algo
de u n doloroso epitafio casi b o r r a d o y a . . .

Te dejo aquí noble amigo.


Regresaré a nuestra patria que nos vió partir
juntos, y me verá llegar sólo con tu recuerdo. Des-
cansa en pas.

El n o m b r e n o se e n t e n d í a , y más a b a j o casi b o -
r r a d o también:

Muerto a los 26 años

M i c o r a z ó n se estremeció al leer ésto q u e r e v e -


laba u n a historia y u n a t r a g e d i a .
La t r a g e d i a d e un h o m b r e joven que d e j a b a su
patria talvez con el corazón pleno d e ideales, sin sos-
p e c h a r siquiera que n o volvería y a n u n c a . M u e r t o en
suelo e x t r a n j e r o q u e d a b a p a r a siempre a b a n d o n a d o .
S u f r í tal impresión con ésto que mi loca imagi-
nación concebía, que p a r a mí llegó a ser u n a realidad
y a u n llegué a crearle p e r s o n a l i d a d . Lo vi a n t e mí,
f u e r t e y h e r m o s a m e n t e varonil; noble, c a r i ñ o s o y v a -
liente; a n h e l a n t e d e felicidad y amor, y luego vencido
por un p o d e r o s o enemigo fatal y misterioso.
Lloré más aún.
36
GABRIELA TOR RE ALB A CERECEDA

A r r a n q u é las camelias de mi pecho y después de


besarlas, se las dejé allí: hermosas, f r e s c a s y lozanas
junto a él que y a c í a f r í o e inmóvil.
E r a y a m u y t a r d e c u a n d o r e g r e s é a aun así la-
menté dejarlo.
Hubiera querido que él supiera que también lo
h a b í a n visitado el día d e T o d o s Santos, y que h u b i e r a
sentido los besos que le dejé en las dos camelias que
s o b r e la t u m b a n e g r a , p a r e c í a n dos g o t a s de s a n g r e
b r o t a d a s d e la herida reciente d e mi c o r a z ó n .
P a s a r o n v a r i o s días. Sentía y o u n a febril inquie-
tud. T r a s d e mí como u n a sombra de lo eterno, a d v e r -
tía a c a d a i n s t a n t e la i m a g e n del muerto, d e mi m u e r -
to p o r q u e y a me p e r t e n e c í a . . .
L o sentía siempre j u n t o a mí y p a r e c í a velar t a m -
bién mi sueño. T e m í a v o l v e r al cementerio, p e r o p o r
las noches, d e s p e r t a b a s o b r e s a l t a d a c r e y e n d o oir u n a
voz" q u e r i d a q u e me llamaba d e u l t r a t u m b a .
F u i de n u e v o .
N u e v a s camelias r e e m p l a z a r o n a aquellas y a m a r -
chitas y n u e v a s lágrimas, suspiros y o r a c i o n e s q u e d a -
ron. sobre su tumba.
M i s visitas f u e r o n f r e c u e n t e s , y su r e c u e r d o , su
imagen, h a s t a su voz llegó a ser p a r a mi u n a r e a l i d a d .
C a d a vez que me h i n c a b a sobre la lápida f r í a que
lo s e p a r a b a d e mí, creía sentir el crujir d e sus h u e s o s
y a sueltos y d e s c a r n a d o s , que se estremecían a l n o
p o d e r s a l v a r el m u r o que lo a p r i s i o n a b a y al n o recibir
37
GOTAS DE ROCIO

los besos que a n h e l a b a darle y el llanto a r d i e n t e que


entibiaría su cuerpo entumecido.
Y o l o ' v e í a entonces m u y cerca de mí, n o rígido y
sucio, sino como y o lo quería; pleno d e vida, d e viri-
lidad y a m o r .
Jamás le f a l t a r o n camelias rojas. Ellas le lleva-
ron mis b e s o s y lo a m a r o n y lo v e n e r a r o n conmigo. Lo
a m a r o n digo p o r q u e llegué a c o n f e s a r lo inevitable.
C o m p r e n d í que lo a m a b a , que me era necesario, y lo
imposible de mi q u e r e r t r o n c ó este cariño en pasión.
Yo, joven e inquieta, c o l m a d a de regalos y felici-
d a d en mi h o g a r , sentía hacía y a u n tiempo n e c e s i d a d
de amar, de d a r t o d o el c a r i ñ o oculto en mi a r d i e n t e
c o r a z ó n . N e c e s i t a b a amar, p e r o al h o m b r e que sólo
conocía en sueños; aquel ideal que y o me había f o r j a d o
y que era d e m a s i a d o h e r m o s o y p e r f e c t o p a r a encon-
t r a r l o en el m u n d o .
A h o r a se cumplía cruelmente mi anhelo: él e s t a b a
allí, lo h a b í a e n c o n t r a d o ; p e r o estaba muerto.
Lo quise con locura. F u é u n a pasión f r e n é t i c a y
a t e r r a d o r a que a m e n a z a b a llevarme a mi también a
r e u n i r m e con él en la lejanía, y, en las n o c h e s de te-
rrible insomnio, lo d e s e a b a así. Q u e r í a morir, j u n t a r -
me a él.
N o s o ñ a b a a h o r a , con rosales nomeolvides y es-
trellas sino con la tétrica o b s c u r i d a d de su a t a ú d , así
mismo quería y o q u e d a r , que se estremeciera mi cuer-
p o junto al suyo y que mis labios p u d i e r a n b e s a r su
b o c a h e l a d a p a r a siempre, allí b a j o el mármol n e g r o .
40 GABRIELA TORRE ALB A CERECEDA

A r r a n q u é las camelias de mi pecho y después de


besarlas, se las dejé allí: hermosas, f r e s c a s y lozanas
junto a él que yacía frío e inmóvil.
E r a ya m u y t a r d e c u a n d o regresé a aun así la-
menté dejarlo.
Hubiera querido que él supiera que también lo
habían visitado el día de T o d o s Santos, y que h u b i e r a
sentido los besos que le dejé en las dos camelias que
sobre la tumba n e g r a , parecían dos gotas de s a n g r e
b r o t a d a s de la herida reciente de mi corazón.
P a s a r o n varios días. Sentía y o una febril inquie-
tud. T r a s de mí ccino una sombra de lo eterno, a d v e r -
tía a c a d a i n s t a n t e la imagen del muerto, de mi m u e r -
to p o r q u e y a me p e r t e n e c í a . . .
Lo sentía siempre junto a mí y parecía velar t a m -
bién mi sueño. T e m í a volver al cementerio, p e r o p o r
las noches, d e s p e r t a b a s o b r e s a l t a d a c r e y e n d o oir u n a
voz q u e r i d a que me llamaba de u l t r a t u m b a .
Fui de nuevo.
N u e v a s camelias r e e m p l a z a r o n a aquellas ya m a r -
chitas v n u e v a s lágrimas, suspiros y oraciones q u e d a -
ron sobre su tumba.
M i s visitas f u e r o n frecuentes, y su recuerdo, su
imagen, h a s t a su voz llegó a ser p a r a mi u n a r e a l i d a d .
C a d a vez que me hincaba sobre la lápida fría que
lo s e p a r a b a de mí, creía sentir el crujir de sus huesos
y a sueltos y d e s c a r n a d o s , que se estremecían al n o
p o d e r s a l v a r el muro que lo aprisionaba y al no recibir
GOTAS DE ROCIO 41

Sos besos que a n h e l a b a darle y el llanto a r d i e n t e que


entibiaría su cuerpo entumecido.
Y o I o ' v e í a entonces m u y cerca de mí, n o rígido y
sucio, sino como y o lo quería; pleno de vida, d e viri-
lidad y a m o r .
Jamás le f a l t a r o n camelias rojas. Ellas le lleva-
ron mis besos y lo a m a r o n y lo v e n e r a r o n conmigo. Lo
a m a r o n digo p o r q u e llegué a c o n f e s a r lo inevitable.
C o m p r e n d í que lo a m a b a , que m e - e r a necesario, y lo
imposible de mi q u e r e r t r o n c ó este cariño en pasión.
Yo, joven e inquieta, c o l m a d a de regalos y felici-
d a d en mi h o g a r , sentía hacía y a u n tiempo n e c e s i d a d
de amar, d e d a r t o d o el c a r i ñ o oculto en mi a r d i e n t e
corazón. N e c e s i t a b a a m a r , p e r o al h o m b r e q u e sólo
conocía en sueños; aquel ideal que y o me había f o r j a d o
y que era d e m a s i a d o h e r m o s o y p e r f e c t o p a r a encon-
t r a r l o en el m u n d o .
A h o r a se cumplía cruelmente mi anhelo: él estaba
allí, lo había e n c o n t r a d o ; p e r o e s t a b a muerto.
Lo quise con locura. F u é una pasión frenética y
a t e r r a d o r a que a m e n a z a b a llevarme a mi también a
reunivme con él en la lejanía, y, en las n o c h e s de te-
rrible insomnio, lo deseaba así. Q u e r í a morir, j u n t a r -
me a él.
N o s o ñ a b a a h o r a , con rosales nomeolvides y es-
trellas sino con la tétrica o b s c u r i d a d de su a t a ú d , así
mismo quería y o q u e d a r , q u e se estremeciera mi c u e r -
p o junto al suyo y que mis labios p u d i e r a n besar su
boca h e l a d a p a r a siempre, allí b a j o el mármol n e g r o .
36
GABRIELA TORRE ALB A CERECEDA

L o v i s i t a b a día a día y al b e s a r la t i e r r a q u e lo
c u b r í a , q u e r í a t a m b i é n q u e sus l a b i o s e n r o j e c i e r a n al
c o n t a c t o d e mis b e s o s . Q u e r í a d a r l e t o d o mi a m o r , to-
d o el c a l o r d e mi c u e r p o , p a r a q u e sus m i e m b r o s rígi-
dos adquirieran vida.
Quería hacerlo renacer.
L e di t o d o lo q u e t a l v e z le f a l t ó en t i e r r a d e ex-
t r a ñ o s , y él v i v i ó p a r a mí. S e n t í a q u e m e a m a b a y
s u f r í a al n o p o d e r t o c a r l o , al n o p o d e r a p r i s i o n a r l o e n -
t r e mis b r a z o s . S u f r í a al n o p o d e r recibir sus m i r a d a s ,
su aliento, q u e m e lo a r r e b a t a b a la t i e r r a . T e n í a celos
d e ella, q u e lo c o b i j a b a en su s e n o y me q u i t a b a a mi
el d e r e c h o d e h a c e r l o y d e t e n e r l o j u n t o a mi p a r a
siempre.
E r a éste un amor terrible: vivo en mi c o r a z ó n ,
m u e r t o e n la c r u d a r e a l i d a d . E r a corno a q u e l l a s f l o r e s
q u e le o f r e c í a y o : h e r m o s a s y f r e s c a s , p e r o sin p e r f u -
me.
U n a g r a v e e n f e r m e d a d a t o r m e n t ó a u n más mi co-
r a z ó n . Y o d e s e a b a morir. La ciencia se e s m e r ó en c u -
r a r m e y lo consiguió.
Y a r e s t a b l e c i d a , quise c o n s a g r a r l e mi v i d a , g u a r -
d a n d o su a m o r en un s a n t u a r i o y un a ñ o e n t e r o e n t r e
las c e l d a s tristes y s o l i t a r i a s d e un c o n v e n t o v a g u é
c o m o u n a s o m b r a p á l i d a , y mis o r a c i o n e s y s u s p i r o s
fueron siempre suyos.
L a felicidad r e f l e j a b a en la s o n r i s a d e a q u e l l o s
p o b r e s q u e r e c i b í a n mis c o n s u e l o s o mis p e q u e ñ a s a y u -
d a s a l i v i a b a n mi alma y sus h i s t o r i a s a v e c e s tristes y
GOTAS DE ROCIO 43

o t r a s alegres que me c o n t a b a n día a día, e r a n p a r a mí


un b á l s a m o en el que g u s t a b a deleitarme.
U n a día, una jovencita h e r m o s a como una flor
silvestre y con ojos de mirar dulce y piadoso, me dijo
bajito y m i r a n d o con cierto temor mi hábito blanco:
" D i c e n que en el cementerio, junto a la t u m b a de las
camelias r o j a s se v e a veces, rezar y llorar u n a mon-
jita".

Salí luego del c o n v e n t o . Lloré mucho al dejar a


mis s a n t a s c o m p a ñ e r a s .
Ellas c o n s a g r a r í a n su v i d a y su amor a Jesús. Le
o f r e c e r í a n su alma b l a n c a y p u r a como u n a inmacula-
d a azucena.
Y o , n o podía h a c e r lo mismo: N o era mi alma
una Cándida y p u r a azucena, sino u n a e n c e n d i d a ca-
melia roja.

El tiempo t r a n s c u r r i d o lejos de mi patria me hizo


olvidar. N o sepultó mi a m o r p a r a siempre, sino que
trocó el a n h e l o y la pasión en u n r e c u e r d o triste y le-
jano, casi a p a g a d o y a . . .
H o y , sólo siento intensa dulzura al o r a r por él o
llevarle camelias a su tumba.
AUSENCIA ETERNA

H a s t a el eco m u r m u r a a lo lejos
los tristes quejidos de mi alma
y extinguiéndose, tenue, suspira
con a m a r g a y a u g u s t a nostalgia.

Y la brisa l l e v a n d o en su seno
mis suspiros mezclados con lágrimas
v e l a r á en el S a n t o Sepulcro
p o r la flor que murió d e s h o j a d a .

L a dicha y a p a s ó cual suspiro


q u e naciera en las h o r a s del alba
y muriera en las t a r d e s d e estío,
c o m o m u e r e n las r o s a s blancas.
36
GABRIELA TOR RE ALB A CERECEDA

Y cubrió la piedra ese cuerpo


y a sin vida, sin luz, y a sin alma,
y a p a g ó s e en sus ojos el brillo
pasional de su a r d i e n t e m i r a d a .

Y en el S a n t o A l t a r d e mi a m a d o
la flor de la p a s i o n a r i a
b r o t a hoy, como gotas d e llanto,
al calor de mi p e n a y mis lágrimas.
R U E G O

C u a n d o y a n o me quieras
dímelo al oído,
que nadie se entere
de lo que ha ocurrido.

Seguiré p e n s a n d o
en lo que hemos sido:
avecillas felices
en un mismo nido.
GABRIELA TORREALBA CERECEDA

R e c o r d a r é a veces
tus ojos queridos
p a r a mí p e r d i d o s . . .

Y te v e r é en sueños
lejano y a g e n o
d e s p u é s de ser mío.
EL CHAMANTO

P r e n d a linda, m a n t a s u a v e
como es un c a m p o florido,
e n los h o m b r o s de los h u a s o s
el c h a m a n t o es el enlace,
al p a r que los f u e r t e s lazos
del a m o r y del olvido.

E n los días y en las noches


d e este invierno tan cruel,
e s t á n tejiendo un c h a m a n t o
con cariño y con pasión;
lo e s t á n b o r d a n d o con llanto
p o r q u e es p a r a un h o m b r e infiel.
36 GABRIELA TORRE ALB A CERECEDA

El chamanto es el emblema
que en el alma lleva el huaso,
es la insignia de la tierra,
es del jardín un clavel,
y la p r o m e s a . . . que encierra
en un amoroso abrazo.

San Fernando, Octubre 25 de 1943.


ADIOS AL CORSO

E n medio de la orgía tumultuosa,


sobre el tapiz de flores d e s h o j a d a s ,
la ilusión de mi corazón h e r i d o
h a q u e d a d o p a r a siempre m a r c h i t a d a .

Y r u e d a n q u e j á n d o s e los c a r r o s
c a r g a d o s de c a r c a j a d a s y s e r p e n t i n a s
y l l o r a n d o ríen los e n a m o r a d o s
c o r a z o n e s de pierrots y colombinas.
36
GABRIELA TORRE ALB A CERECEDA

C o n f u n d i d o s los a m a n t e s en eterno a b r a z o ,
el corso sigue, veloz, enloquecido,
e n l a z a d a s las almas, miran al destino
d e j a n d o d e s f l o r a d o s . . . los jardines floridos.

Adiós, adiós c a r n a v a l risueño,


e n t r e el p e r f u m e d e tu a m o r , te dejo;
las espinas del rosal llevo p r e n d i d a s . . .
con mi C u p i d o celestial me alejo.

Curicó, O c t u b r e 12 d e 1943.
C U R I C O

T i e r r a de color y poesía,
de c h a m a n t o s y guitarras,
lecho de a g u a s tranquilas,
nido d e golondrinas.

E n tu tierra olorosa y fresca,


crece trigo y hierba b u e n a
y en el corazón de tus hijos
h a y c o r a g e y gentileza.

T i e r r a d e guerrilleros y poetas,
de flores y de palmeras,
a d m i r o la claridad de tu cielo
y el brillo d e tus estrellas.
GABRIELA T O R R E A L B A C E R E C E D A

El e m b r u j o de tus noches
hace a m a r en P r i m a v e r a
y la s a n t a cruz del c e r r o
le pide a las estrellas,

que iluminen con sus r a y o s


la tierra de mis q u i m e r a s . . .
A MI MAMITA

Las ílores a m ä n el sol,


las m a r i p o s a s la luz,
los pajarillos el a i r e
y a tus hijos a m a s tú.

P e r o y o madrecita mía
y mis h e r m a n i t o s también,
sobre t o d o s los a m o r e s
t e n e m o s un g r a n querer.

E s tu corazón a d o r a b l e
son tus labios de miel,
es tu alma, son tus ojos,
es todo madre, es t o d o tu ser.

Santiago, M a r z o 19 d e 194!.
Quiero que figuren en mi libro,
estos versos, para mí tan llenos de
ternura, que mi papá improvisó, en
una clara mañana de Septiembre.

J U V E N T U D

(Para Gabrielita en su cumpleaños)

¡Cuántos Abriles han pasado!


Abriles siempre floridos;
desde aquel día bendito
que abrió sus ojos dormidos.

Con éllos llegó la vida


como amanecer de esperanzas;
dejó la V i r g e n su ofrenda,
llenó de luz nuestra estancia.

Las rosas abren sus pétalos


esparciendo su fragancia,
y tus labios hija mía,
nuestros corazones embriagan.

Septiembre 9 de 1943.
ARTURO PRAT

(En el combate naval de Iquique)

"Muchachos, la contienda es desigual"


Gritó Prat, mirando el horizonte
Como cruzaban el anchuroso mar
Las naves poderosas que venían desde el norte.

Supremo es el instante, glorioso es el momento


En que la vida por la Patria debemos de rendir.
N o importa que seamos uno contra ciento.
El chileno sólo sabe, V e n c e r o Sucumbir.
36
GABRIELA TOR RE ALB A CERECEDA

Y ese grito del alma de P r a t e m b r a v e c i d o


D e t o d o s sus m u c h a c h o s el corazón templó,
Y a t r o n ó el espacio como feroz r u g i d o
U n ¡ V i v a Chile!, con r a b i a y emoción.

U n a chispa de f u r o r brillaba en su mirada,


La s a n g r e de sus v e n a s en las sienes se agolpó
Y en la diestra, a p r i s i o n a d a estaba ya la e s p a d a
D i s p u e s t a al enemigo partirle el corazón.

Iba y a a morir, así lo presentía,


La lucha era de un niño en c o n t r a de un león,
Pero, que importa, si en la a l b o r a d a d e ese día
M á s a ú n iba a brillar el glorioso tricolor .

Las o n d a s tumultuosas de los misteriosos mares


D e rojo, la s a n g r e de los m á r t i r e s tiñó,
Y cual c o r o n a s de espinas y a z a h a r e s
E n la p u n t a de los mástiles su b a n d e r a flameó.

La E s m e r a l d a , en el f a n g o de la r a d a
Sus c a l d e r a s h u m e a n t e s p a r a siempre sepultó,
Y en cubierta del gigante, con su espada,
Su c u e r p o y a sin vida, el C a p i t á n t e r m i n ó . . .

La H i s t o r i a te r e c u e r d a a g r a d e c i d a
E l sacrificio heroico que el m u n d o contempló.
¡ N u n c a f u é más g r a n d e p a r a tí la vida,
Q u e en esta h a z a ñ a inmensa, que a tu P a t r i a inmortalizó'
LA ESTRELLA SOLITARIA

E n este S e p t i e m b r e del a ñ o
m á s que n u n c a brilla en el cielo azul
la Estrella Solitaria,
iluminando las c a m p i ñ a s y las m o n t a r
con sus r a y o s de luz.
Chile, t i e r r a polar,
p r a d o s b e n d i t o s cubiertos de flores,
tierra de luz y a r m o n í a
e n c e r r a d a en el m a r c o sublime de las niev
b a ñ a d a s de soles,
y las caricias a r r u l l a d o r a s del mar infinito
f r a g a n t e de algas,
cubierto d e peces multicolores.
A n t á r t i c a misteriosa y b l a n c a
d e iluminación boreal.
que formáis con la estrella luminosa,
el vértice d i a m a n t i n o
36 GABRIELA TORREALBA CERECEDA

d o c o n v e r g e n los o c é a n o s y las r a z a s
en a b r a z o f r a t e r n a l .
Chile, tierra de heroicos g u e r r e r o s
cuyos n o m b r e s se inmortalizaron en cien batallas,
tierra de nobles c o r a z o n e s
leales y orgullosos de sus t r a d i c i o n e s
a quienes la Estrella Solitaria s u p o guiar.
T i e r r a de sabios i n v e s t i g a d o r e s de la ciencia,
hijos de Chile que sabéis l u c h a r
en la g u e r r a y en la p a z .
T i e r r a d e m u j e r e s h e r m o s a s y galanas,
d e ojos que q u e m a n al h o m b r e el corazón,
d e pechos fuertes, a m a n t e s d e sus hijos,
s u f r i d o s al dolor.
M a d r e s de chilenos d a d o r e s de s a n g r e g e n e r o s a
p a r a la P a t r i a a m a d a ,
m a d r e s que miráis al cielo b u s c a n d o la Estrella Solitaria,
m i r a d v u e s t r a insignia sin igual:
el rojo, s a n g r e v e r t i d a en d e f e n s a de su suelo y d i g n i d a d ;
el blanco del amor y de la paz,
y el azul i n i g u a l a d o de la b ó v e d a celestial.
Allí está titilante y r e f u l g e n t e
en ese azul p r o f u n d o , la Estrella Solitaria
b a j o el cielo y sobre el mar,
símbolo de u n a r a z a fiera e indomable,
leal e inteligente, recia e invencible,
generosa e inmortal.
Estrella de mi P a t r i a , que guías a sus g o b e r n a n t e s
por el t r i u n f o y el saber.
GOTAS DE ROCIO 61

c u a l la estrella del desierto


q u e guió los M a g o s de Belén.
E s t r e l l a solitaria,
p u e s t a a los chilenos sobre su corazón,
d a n d o calor en su s a n g r e , luz en sus cerebros,
chispa r a d i a n t e en sus m i r a d a s y en sus pechos,
valor, m u c h o valor.
P r a d o s g e n e r o s o s d e mi tierra
q u e b r i n d á i s a sus hijos f r u t a s tropicales,
o r o b l a n c o d e la p a m p a a r d i e n t e
y rojos copihues de los bosques impenetrables.
T i e r r a q u e ofreceis el oro,
el cobre, c a r b ó n y la p l a t a de tus e n t r a ñ a s ,
los cereales y v e r d u r a s , las c a r n e s ,
las lanas,
los m á r m o l e s r o s a d o s y la f r a g a n t e s m a d e r a s
d e los alerces señoriales de tus m o n t a ñ a s .
¡ O h Chile mío!, de ríos t o r r e n t o s o s
que regáis los c a m p o s de t i e r r a s g e n e r o s a s ;
ríos que c a n t á i s en c a r c a j a d a s cristalinas
la canción de las r o c a s ;
ríos que n o s dáis la luz de tus caídas t o r r e n t o s a s ,
la inspiración a los p o e t a s
y tumba a las almas a m o r o s a s .
Ríos de mi Chile hermoso,
que hacéis b r o t a r las v e r b e n a s y g e r m i n a r los trigales;
ríos que l a v á i s los cuerpos d e s n u d o s
y hacéis florecer los rosales.
Ríos que traéis en tus o n d a s
36
GABRIELA TORRE ALB A CERECEDA

el beso h e l a d o de las nieves a n d i n a s


p a r a a r r o j a r l o a lós pies de las p l a y a s p e c a d o r a s
de los m a r e s .
Y o os a d m i r o rios cristalinos
que cantáis a las aves, a las flores
y a los niños.
Ríos de plata,
espejo en c u y o f o n d o se r e t r a t a la Estrella Solitaria?
y o te v e o estrellita allí en tus a g u a s
como a r d i e n t e luminaria,
y o te v e o en el f o n d o de mi alma.
Estrellita Solitaria,
eres tú la que en los c a m p o s de batalla
y en la p a m p a a r d i e n t e del desierto
iluminas el camino triunfal de los guerreros,
eres tú, la q u e en el corazón y en las almas
al m i r a r t e nos d a vida, nos d a amor y esperanza.
¡Cómo c o r r e n p o r los campos, las o v e j a s y las v a c a s
m i r á n d o t e en el cielo,
Estrellita d e mi P a t r i a .
La n o c h e está estrellada
y allá en la lejanía, allá d e t r á s de ?«,s ; < Sañas,
se divisa cual un f a r o
una lucesita e n c a n t a d a .

E s o es Chile, ruje el mar,


eso es Chile, el a v e canta,
eso es Chile, silva el v i e n t o . . .
E s la Estrella Solitaria.
INDICE
Dos p a l a b r a s 3

Prólogo 5

El invierno 7

U n día, u n a noche y t ú 9

Retorno 14

Mi vida e n el Liceo 21

Mis últimos días d e colegiala 23

Con mi b r a s e r o 27

Ecos d e u n a g r a n obra 31

Camelias R o j a s 35

Ausencia e t e r n a 45

Ruego 47

El c h a m a n t o 49

Adiós al corso 51

Curicó 53

A mi m a m i t a 55

Juventud 56

Arturo Prat 57

La estrella solitaria 59

Related Interests