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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO

DEPARTAMENTO DE ECONOMIA
BACHARELADO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS

ENOS HENRIQUE PINTO DE FREITAS

O RESÍDUO DE SOLOW COMO FERRAMENTA COMPARATIVA


DE PRODUTIVIDADE ENTRE MUNICÍPIOS:
O CASO DE PERNAMBUCO

RECIFE – PE

2017
ENOS HENRIQUE PINTO DE FREITAS

O RESÍDUO DE SOLOW COMO FERRAMENTA COMPARATIVA


DE PRODUTIVIDADE ENTRE MUNICÍPIOS:
O CASO DE PERNAMBUCO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado pelo


aluno Enos Henrique Pinto de Freitas ao Curso
de Ciências Econômicas da Universidade Federal
Rural de Pernambuco - UFRPE, como pré-requisito
parcial para a obtenção do grau de Bacharel em
Ciências Econômicas sob a orientação do professor
Dr. Álvaro Furtado Coelho Júnior.

RECIFE – PE

2017
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Sistema Integrado de Bibliotecas da UFRPE
Biblioteca Central, Recife-PE, Brasil

F866r Freitas, Enos Henrique Pinto de


O resíduo de Solow como ferramenta comparativa de
produtividade entre municípios: o caso de Pernambuco / Enos
Henrique Pinto de Freitas. – 2017.
52 f.: il.

Orientador: Álvaro Furtado Coelho Júnior.


Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Ciências
Econômicas) – Universidade Federal Rural de Pernambuco,
Departamento de Economia, Recife, BR-PE, 2017.
Inclui referências e anexo(s).

1. Crescimento econômico 2. Modelo de Solow


3. Produtividade total dos fatores 4. Municípios de Pernambuco
I. Coelho Júnior, Álvaro Furtado, orient. II. Título

CDD 330
Dedico este trabalho
as pessoas que tive como
referência em minha vida, a
família e amigos que
compartilhamos preciosos
valores.
AGRADECIMENTOS

Agradeço a fé de amigos e familiares na conclusão deste curso de


graduação, sobretudo o imenso suporte da minha amada esposa Hannah Freitas
durante os anos que esteve presente e paciente ao meu lado ao longo deste
curso.
Aos profissionais que me deram apoio, principalmente em épocas de
provas, revisões e trabalhos, pois não é fácil para aluno algum conciliar estudo
e trabalho, ainda mais quando realmente ama o que se propõe a fazer.

Ao meu amigo, professor e geógrafo Michel Ferreira por todas as


conversas frutíferas por tantos anos, alguns amigos nos inspiram a pensar mais
profundo e nos dão a esperança de que não estamos sozinhos na crença de que
a educação é o único caminho para uma vida melhor.

Aos examinadores desta monografia, Prof. Dr. Guerino Edécio da Silva


Filho, Prof(a). Dra. Sónia Maria Fonseca Pereira Gomes e ao Prof. Dr. Luiz Flavio
Arreguy Maia Filho por terem aceitado a participação, assim como ao meu
orientador Prof. Dr. Álvaro Furtado Coelho Júnior por suas contribuições a este
trabalho.

Por fim, a todos os professores do curso de Economia da UFRPE que


durante esta graduação me inspiraram e deixaram suas marcas em minha
maneira de pensar.
“Se a educação sozinha não
muda a sociedade, sem ela tampouco a
sociedade muda”
Paulo Freire
RESUMO

Os estudos relacionados a produtividade tornam-se ainda mais importantes em


cenários de escassez e crise econômica, as análises de produtividade
relacionadas a teoria do crescimento econômico normalmente estão ligadas a
uma perspectiva das nações ou macrorregiões. Esta monografia tem como
objetivo discutir o resíduo de Solow como ferramenta para aferição e
comparação das produtividades entre municípios, mais especificamente os do
estado de Pernambuco. A literatura evidencia algumas variáveis relevantes para
serem analisadas, a saber: educação, infraestrutura, urbanização, informalidade,
e a participação dos setores da economia no PIB. Com o intuito de validar a
relação em um nível regional, neste trabalho algumas regressões são realizadas
para cada variável explicativa, obtendo resultados em geral na direção da
literatura estudada, como a relação positiva da escolaridade e da abertura
econômica com a Produtividade Total dos Fatores, obtendo-se resultados
estatisticamente significativos. Ao final é oferecido um ranking dos municípios
por produtividade e o resumo dos resultados obtidos como ferramenta
comparativa de produtividade.

Palavras Chave: Crescimento Econômico; Modelo de Solow; Produtividade


Total dos Fatores; Municípios de Pernambuco.

ABSTRACT

The researches about productivity become even more important in scenarios of


scarcity and economic crisis, productivity analyzes related to economic growth
theory are usually linked to the perspective of nations or macro-regions. This work
aims to discuss the Solow residue as a tool for analyzing and comparing the
productivities between municipalities, more specifically those of the state of
Pernambuco, Brazil. The literature shows some relevant variables to be
analyzed, such as: education, infrastructure, urbanization, informality, and the
contribution of economic sectors to the GDP. In order to validate this relationship
at a regional level, in this work some regressions are performed for each
explanatory variable, obtaining results in general towards the literature studied,
such as a positive relation of schooling and economic openness with the Total
Productivity of Factors, finding statistically significant results. Finishing this work,
it is offered a ranking of the municipalities by productivity and a summary of the
results obtained as a comparative productivity tool.

Keywords: Economic Growth; Solow Model; Total Productivity of Factors;


Municipalities of Pernambuco, Brazil.
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 Curva de Produção 14

Figura 2 Cartograma para PTF dos municípios de Pernambuco 29

Figura 3 Relação entre a PTF e o Produto por Trabalhador 46

Figura 4 Relação entre a PTF e a Educação 47

Figura 5 Relação entre a PTF e a Infraestrutura 47

Figura 6 Relação entre a PTF e a Urbanização 48

Figura 7 Relação entre a PTF e a Informalidade 48

Figura 8 Relação entre a PTF e a Abertura Comercial 49

Figura 9 Relação entre a PTF e o PIB Público 49

Figura 10 Relação entre a PTF e Pensionistas 50

Figura 11 Relação entre a PTF e o PIB Industrial 50

Figura 12 Mesorregiões de Pernambuco 51

Figura 13 Microrregiões de Pernambuco 52


LISTA DE TABELAS

Tabela 1 Estatística descritiva das variáveis 25

Tabela 2 Correlação entre as variáveis explicativas 26

Tabela 3 Resultado da Regressão MQO para elasticidade α 27

Tabela 4 Ranking dos municípios 28

Tabela 5 Resultado das regressões individuais 36

Tabela 6 Síntese dos resultados para cada regressão e sua 39


variável explicativa
Tabela 7 Interpretação dos resultados 40

Tabela 8 Valores médios das variáveis explicativas para os 40


extremos do Ranking
SUMÁRIO

1. Introdução....................................................................................................11

2. Referencial Teórico.....................................................................................14

2.1 PTF e a Educação.................................................................................15

2.2 PTF e a Infraestrutura............................................................................16

2.3 PTF e a Informalidade...........................................................................17

2.4 PTF e a Abertura Comercial..................................................................17

2.5 PTF e o Setor Público............................................................................18

2.6 PTF e o Setor Privado...........................................................................19

3. Metodologia..................................................................................................21

4. Dados............................................................................................................24

4.1 Fonte dos dados.....................................................................................24

4.2 Análise descritiva das variáveis..............................................................25

4.3 Calibragem dos parâmetros....................................................................27

5. Ranking dos municípios.............................................................................28

5.1 Características econômicas dos municípios..........................................30

6. Resultados....................................................................................................35

6.1 Discussão sobre os sinais obtidos.........................................................36

7. Síntese dos Resultados..............................................................................39

8. Conclusões...................................................................................................41

Referências.......................................................................................................42

Anexos..............................................................................................................45
11

1. Introdução

Diante de recursos cada vez mais escassos, e sobretudo em períodos em que


crises econômicas afetam a sociedade, observa-se a crescente importância do estudo
da produtividade em diferentes níveis, desde uma nação a uma firma é comum
deparar-se com questões relacionadas à eficiência alcançada por um agente
econômico.

O estudo da produtividade no âmbito da ciência econômica tem ganho maior


relevância principalmente a partir dos trabalhos realizados por Robert Solow, que em
1957, adicionou uma variável multiplicativa a função de produção Cobb-Douglas,
observando que a variável poderia evidenciar as mudanças técnicas ocorridas na
curva de produção, sendo possível atribuir as diferenças não capturadas pelo capital
e trabalho a esta variável, mais tarde este termo passou a ser chamado de Resíduo
de Solow ou Produtividade Total dos Fatores (PTF), por possibilitar acumular todos os
efeitos responsáveis por explicar as variações da produtividade.

A necessidade de explicar as fontes do crescimento econômico e sua


produtividade, normalmente é vista como um assunto macroeconômico de
importância estratégica para as nações, no entanto, também é importante a aplicação
deste assunto em dimensões regionais, conforme o tema aqui sugerido. O
esclarecimento de variáveis que possam impactar na produtividade de uma região é
um dado que se procura levantar mais claramente como contribuição para o tema.

O uso do modelo de Solow também é aplicado em trabalhos acadêmicos como


ponto de partida para explicação das fontes da produtividade, inclusive em dimensões
mais regionais, possibilitando aplicações mais práticas da teoria do crescimento
econômico.

Em uma dimensão internacional, verifica-se o trabalho de Barro (1991), em que


o autor embasa sua pesquisa em uma análise das possíveis fontes de crescimento do
produto per capita para 98 países, utilizando como princípio as teorias de Solow. O
autor relaciona diversas fontes para as diferenças de crescimento observadas, como:
despesas públicas, educação e estabilidade política.

De forma semelhante, Hall e Jones (1996 e 1998), realizam uma análise cross-
section entre 127 países, enfatizando que, as variações de produtividade são apenas
parcialmente explicadas pelo trabalho e capital utilizados, e que o resíduo gerado está
12

associado a outras variáveis, em especial a “infraestrutura social”, uma variável ligada


a instituições públicas, abertura comercial e educação, como responsável pelas
diferenças de produtividade.

Em um contexto mais regional, Holanda (2008), procura apontar os


determinantes para o crescimento econômico nos municípios do Ceará, utilizando o
modelo de Solow e chegando à conclusão de que a infraestrutura básica fornecida
por parte do estado, como a estrutura urbana, é uma das principais fontes de
crescimento, tendo impactos na acumulação de capital físico e humano.

É possível ainda citar o trabalho de Ferreira (2010), que aborda a temática da


eficiência e produtividade total dos fatores para Minas Gerais no período de 1985 a
2003, que a exemplo dos trabalhos anteriores, utiliza uma função de produção Cobb-
Douglas, baseada em capital e trabalho para evidenciar o resíduo, e a partir de então,
mensurar a produtividade do Estado de Minas Gerais em relação aos demais Estados
Brasileiros. O autor conclui que a baixa eficiência do estado, se deve a um grande
número de trabalhadores alocados no setor rural, a um alto grau de informalidade,
menor proporção de trabalhadores educados e menor grau de infraestrutura
disponível.

Já sobre a região analisada neste trabalho, a economia pernambucana está


caracterizada por uma forte presença do setor de serviços, seguido pela indústria e
pela agropecuária em seu PIB total. Nos anos 2000, o estado passou por intensa
mudança no seu perfil econômico, com investimentos nos setores naval, farmacêutico,
petroquímico, e em serviços ligados a tecnologia, assim como obras públicas de
grande porte, como a transposição do Rio São Francisco, e a instalação da ferrovia
Transnordestina, ainda em andamento.

Nesta perspectiva, este trabalho se propõe a estudar o uso do Resíduo de


Solow na aferição da produtividade entre os municípios de Pernambuco por meio de
uma análise de corte transversal (cross-section) baseada nos dados disponíveis para
o ano de 2010, procurando responder à questão: O que pode explicar as diferenças
de produtividade evidenciadas pelo Resíduo de Solow entre os municípios de
Pernambuco?

Com a presente introdução, o trabalho está dividido em 8 Capítulos, sendo a


exposição do referencial teórico no próximo Capítulo, seguido pela análise da
13

metodologia escolhida para aferição da PTF no Capítulo 3, e na sequência, a


apresentação dos dados, suas fontes e a análise descritiva das variáveis explicativas,
assim como sua matriz de correlação no Capítulo 4.

No Capítulo 5, é apresentado o ranking dos municípios pela sua PTF e uma


breve discussão de suas principais características econômicas, já no Capítulo 6, são
expostos os resultados das regressões para as variáveis explicativas em relação a
PTF, buscando assim, relatar os possíveis determinantes para a PTF dos 185
municípios pernambucanos. Para isso, optou-se pela apresentação de uma única
Tabela com o conjunto dos resultados para cada uma das regressões geradas. No
Capítulo 7, é exposto uma síntese dos resultados obtidos, e em seguida, as
conclusões no Capitulo 8.
14

2. Referencial Teórico

Solow (1957)1, atribui a uma função tipicamente Cobb-Douglas uma variável


multiplicativa, a qual chama de “mudança técnica” ou “mudança técnica neutra” capaz
de absorver qualquer tipo de deslocamento de uma função de produção, tendo capital
e trabalho como variáveis explicativas.

Em seu trabalho original, Solow utilizou a seguinte notação:

Q = A (t) f (K, L) (1)

Para Solow (1957), o termo A corresponde a um coeficiente de mudança


técnica neutro, ou seja, um coeficiente multiplicativo que apresentando mudanças ao
longo do tempo t, afetaria nas mesmas proporções o capital K e o trabalho L, sendo
Q o produto total obtido. Apesar de não evidenciar na equação as elasticidades dos
insumos, Solow (1957) considera sua existência em retornos constantes de escala.

Exemplificando graficamente, Solow (1957) demonstra um descolamento na


curva de produção provocado por um aumento do coeficiente de mudança técnica A,
obtendo assim maiores níveis de Q, para os mesmos níveis de K. O deslocamento é
expresso pelo movimento para cima da curva de produção, saindo da posição inicial
t=1 para a posição t=2, com um aumento do produto de 𝑞1 para 𝑞2 :

Figura 1. Curva de Produção


Fonte: Solow (1957, p. 313).

1
Informações obtidas no artigo Technical Change and the Aggregate Production Function publicado em 1957, que em
conjunto com o trabalho A Contribution to the Theory of Economic Growth de 1956, confeririam a Robert Solow o prêmio Nobel
de Economia em 1987.
15

Dado que A é um coeficiente neutro, o mesmo comportamento é observado em


relação a L.

Solow (1957) também aproveita para expor uma notória tendência de saturação
de K/L ao longo da curva, em que a partir de determinado ponto, maiores níveis de
capital tendem a saturar e produzir efeitos cada vez menores no produto final, já visto
na teoria econômica, comportamento semelhante na “lei dos rendimentos
decrescentes”.

Para Solow (1957), o maior responsável pelas mudanças nos níveis de


eficiência A seriam sobretudo os maquinários cada vez mais modernos em
substituição a modelos mais ultrapassados ao longo do tempo, trazendo assim maior
produtividade à mão de obra empregada. Entretanto, outros autores viriam a ampliar
está análise para diversas outras variáveis explicativas, abrindo espaço para as
pesquisas sobre os determinantes da produtividade, conforme adiante será exposto.

Mais recentemente, a literatura aponta fortemente algumas causas para as


diferenças de produtividade entre regiões, entre elas, destacam-se: educação,
infraestrutura, nível de formalização econômica, abertura ao comércio internacional, e
o investimento e despesas público e privado.

2.1 PTF e a Educação

A educação é apontada pela literatura como uma das variáveis explicativas


mais importantes para o crescimento econômico e para níveis mais elevados de
produtividade.

Nesse sentido, Barro (1991) apresenta o conceito de educação como indutor


do crescimento econômico, utilizando diversas variáveis, como: número de
matrículas, investimentos públicos em educação e qualidade do ensino, para aferir
econometricamente seu impacto no crescimento de uma nação, constatando uma
relação positiva para todas estas variáveis.

Mankiw e Romer (1992) adicionam ao modelo de Solow o conceito de capital


humano como aumentador da mão de obra, gerando assim níveis mais altos de
produto. É dizer que duas regiões com o mesmo quantitativo de trabalhadores, terão
níveis de produtividade diferentes para escolaridades também diferentes.
16

A eficiência dos trabalhadores com maior grau de escolaridade tem grande


importância na PTF. Miranda (2004), afirma que as tecnologias são implementadas
mais facilmente, caso as empresas sejam capazes de recrutar trabalhadores
qualificados o suficiente para utilizá-las, fazendo com que a educação afete
diretamente a produtividade, forçando a inovação e adoção de novos processos e
conhecimentos. Este mesmo autor, constatou que os anos médios de estudo da
população ocupada entre 1986 e 1995, afetam positivamente a produtividade dos
estados brasileiros neste período.

2.2 PTF e a Infraestrutura

Diversos trabalhos apontam a infraestrutura como um importante


determinante do crescimento econômico, assim como da produtividade entre
regiões. Solow (1957) observa a infraestrutura como a aplicação de maquinários
modernos ao ambiente produtivo, entretanto ao longo do tempo o termo ganhou
diversos caminhos de estudo.

Ozanne (2001) aponta que investimentos públicos em infraestrutura e


comunicações proporcionam facilidades as transações privadas, que por sua vez
elevam os níveis de produtividade. Em seu estudo, realiza diversas regressões para
avaliação do impacto da infraestrutura nos níveis de produtividade de países
asiáticos, concluindo que para a maioria deles, existe uma relação explicativa
positiva.

Questões ligadas a geografia econômica e a espacialidade também estão


intimamente ligadas ao crescimento e produtividade econômica como demonstrado
por Oliveira (2005), relacionando positivamente a taxa de urbanização ao
crescimento econômico, sob o argumento de que empresas instaladas em áreas
urbanas tendem a ter decréscimos em seus custos produtivos, assim como
trabalhadores residentes em áreas mais densamente habitadas, em geral, são mais
produtivos.

Observa-se também a confecção de índices de infraestrutura compostos por


um conjunto de variáveis com o objetivo de uma explicação mais completa, como
em Holanda (2008), esse autor optou pela composição de um índice levando em
consideração a taxa de urbanização dos municípios, o percentual de municípios
atendidos por água canalizada e o percentual de municípios atendidos por energia
17

elétrica, concluindo que os municípios com maiores níveis de infraestrutura urbana


apresentam maiores potenciais de crescimento econômico.

2.3 PTF e a Informalidade

Altos níveis de informalidade estão tradicionalmente ligados a menores níveis


de desenvolvimento econômico, já que trabalhadores nessas condições não
participam integralmente dos benefícios proporcionados pelo registro de sua força
de trabalho, o que em geral, provoca menores níveis de renda e de produtividade;
de outro lado, as firmas não podem contar integralmente com esta mão de obra
menos capacitada. Poder-se-á observar a correlação negativa entre estudo e
informalidade, apresentada na Tabela 2 do Capítulo 4, elaborada a partir do banco
de dados deste presente trabalho.

Já Araujo (2016), afirma que altas cargas tributarias contribuem como uma
das determinantes para altos níveis de informalidade, já que não estimulam as
firmas e a força de trabalho a formalização de suas operações, sob o risco de
grandes taxações e muitas vezes estimulam inclusive a saída de firmas do setor
formal para o informal da economia.

Por sua vez, Ferreira (2005 e 2010), sustenta uma evidencia de que quanto
maior a informalidade, menor a produtividade do trabalho; Ele lembra também que
firmas informais tendem a investir menos em treinamento e tecnologia, entre outras
razões porque a rotatividade no setor é maior. O autor levanta ainda que as
empresas informais são menores e, portanto, não se beneficiam de ganhos de
escala.

2.4 PTF e a Abertura Comercial

Steingraber (2013), afirma que a relação entre abertura comercial e


produtividade já era analisada pelos economistas clássicos, como David Ricardo,
nas teorias desenvolvidas sobre o comércio internacional; o mesmo autor enfatiza
a existência do ganho de produtividade por exportação, tendo como pressuposto
que, as empresas exportadoras tendem a inovar mais por se situarem em um novo
patamar de concorrência no mercado externo, levantando também o termo earning-
by-exporting ou aprendizado por exportação, explicado pelo esforço feito para se
adaptar aos padrões de concorrência e o aprendizado decorrente desta atuação.
18

Alguns estudos avaliam econometricamente a relação entre produtividade e


abertura comercial, como em Edwards (1998), chegando à conclusão que países
que tiveram maiores níveis de abertura, experimentaram rápido crescimento em
suas produtividades, ele também reforça que vários fatores podem afetar o
comércio internacional, tais como tarifas, cotas, licenças, proibições ou outras
formas de controle, o que significa que, para fins de pesquisa, os resultados devem
ser robustos na forma como abertura comercial é mensurada.

Miranda (2004) considera que a integração ao comercial internacional é uma


das principais fontes do conhecimento tecnológico e que a transmissão deste
conhecimento pode significar uma tendência de convergência econômica entre
países, e no sentido contrário, o isolamento. Em semelhança a este trabalho, o autor
também utiliza como variável proxy para abertura comercial, a razão das
exportações e importações pelo PIB para cada região analisada, constatando que
a abertura comercial tem uma relação positiva com a produtividade das regiões.

2.5 PTF e a o Setor Público

Segundo Barro (1991), as despesas públicas podem provocar um efeito


inibidor do investimento privado, afetando assim, negativamente o crescimento e a
produtividade. Em seu trabalho ele utiliza a razão despesas públicas/PIB para
relacioná-las ao crescimento de diversos países, encontrando empiricamente uma
associação negativa entre as variáveis. Ainda que as despesas com educação e
infraestrutura estejam contidas nas despesas públicas totais, a somatória dos
gastos com outros, termina por prevalecer, gerando esta influência negativa.

Divino e Junior (2012) dividem as despesas públicas em gastos correntes e


gastos de capital, argumentando que os municípios com menores níveis de renda
per capita tem seu crescimento positivamente afetado para maiores níveis de gastos
públicos correntes, e que esta sensibilidade diminui à medida que o nível de renda
per capita do município aumenta.

Ozanne (2001) realiza uma análise mais sofisticada ao separar as despesas


públicas em duas variáveis: uma contendo serviços públicos em geral, seguridade
social e defesa e a outra com as despesas relativas a educação, saúde e
infraestrutura. Sua hipótese de que a primeira teria um impacto negativo sob a TPF
e a segunda um impacto positivo, foi confirmada estatisticamente em seu estudo.
19

Expondo que as despesas com serviços públicos, não relacionados a infraestrutura,


tem relação negativa com a PTF.

2.6 PTF a o Setor Privado

Alguns estudos, como os de Milionis (2015), Negri (2014) e Ribeiro (2015),


relacionam a produtividade a determinados setores da economia, em especial a
agricultura, indústrias e serviços, buscando verificar se tais setores podem ser
determinantes para a PTF.

Milionis (2015), sustenta que a agricultura tende a possuir menores níveis de


produtividade que os demais setores da economia, levanta ainda que os preços
neste setor podem não apontar a realidade, já que estão normalmente sujeitos a
distorções em função de subsídios e políticas estatais, em sua abordagem
econométrica o autor encontra uma relação negativa entre a agricultura e a PTF
para os países europeus.

Já Negri (2014), sugere haver uma migração de mão obra dos setores menos
produtivos para os mais produtivos, em especial da agricultura para a indústria, é a
chamada mudança estrutural de produtividade, que teria explicado em parte o
crescimento da produtividade agregada brasileira até os anos 80, quando a
participação da indústria sobre PIB para de crescer, entrando em um debate sobre
a hipótese de um processo de desindustrialização no Brasil. De qualquer maneira,
Negri (2014) argumenta que a indústria brasileira possuí níveis de produtividade
muito superiores aos da agricultura.

Ainda segundo Negri (2014), observa-se nas últimas décadas um baixo


crescimento da produtividade agregada brasileira, que não mais é explicado por
mudanças estruturais de produtividade, e sim, pela baixa produtividade de cada
setor da economia isoladamente, também sustenta que sobretudo nos anos 2000
passou a haver migração de mão de obra do setor agrícola para o setor de serviços,
porém sem impactos expressivos de produtividade agregada.

Sobre a produtividade no setor de serviços, destaca-se o trabalho de Jacinto


e Ribeiro (2015), os quais levantam o argumento que tradicionalmente o serviço é
visto como um setor de baixa produtividade, principalmente em função de estudos,
apontando este setor como possuindo baixa intensidade em capital, levando a uma
suposta estagnação de produtividade, além disso, a falta de abertura ao mercado
20

internacional, ao contrário das indústrias, levaria o setor a baixas produtividades por


pouca capacidade de inovação e competitividade. Contudo, ao analisar os dados
da última década para a produtividade brasileira, os autores refutam tais hipóteses
para o cenário brasileiro recente e concluem que o setor de serviços no país tem
um bom nível de produtividade, puxado principalmente pelos serviços de alta
tecnologia e mercado.
21

3. Metodologia

Segundo Islam (2001) o estudo da PTF pode ser realizado seguindo diferentes
vertentes metodológicas; tais vertentes podem variar de acordo com o objetivo do
estudo em questão, entre elas pode-se citar:

 Contabilidade do crescimento por séries temporais.


 Contabilidade do crescimento cross-section.
 Contabilidade do crescimento em estudos de painel.

Entende-se por contabilidade do crescimento a possibilidade de decompor a


PTF em suas partes ao longo de uma trajetória de crescimento, podendo assim indicar
os pesos do capital, do trabalho e da PTF propriamente dita no crescimento da
economia. Entretanto, é necessário explicar que este trabalho se dedica a estudar os
níveis da PTF em um ponto no tempo e não em analisá-lo ao longo de uma trajetória,
já que o maior objetivo é a comparação dos níveis de produtividade entre os
municípios e seus determinantes.

Ainda segundo Islam (2001), o estudo da PTF por níveis pode ser utilizado
sempre que necessário através de duas principais possibilidades, ambas calculando
a PTF como resíduo de uma equação e respeitando as premissas básicas de Solow:

 Um modelo Cobb-Douglas considerando os pressupostos


neoclássicos de elasticidades assim como em Hall e Jones (1998).
 Modelos parametrizados com cálculos de elasticidades
estabelecidos econometricamente a exemplo de Islam (2001).

Dado o exposto, a metodologia aplicada neste trabalho considera a estimação


da Produtividade Total dos Fatores a partir do proposto por Solow (1957), utilizando
para tal a função de produção Cobb-Douglas com suas notações tradicionais:

𝑌 = 𝐴 𝐾 𝛼 𝐿(1−𝛼) (2)

Em que Y representa o produto total, A o nível tecnológico ou PTF, K o capital


físico e L o trabalho. As elasticidades do capital e trabalho estão representadas
respectivamente por α e (1- α), as quais, por definição, têm sua soma como igual a
um, representando retornos constantes de escala.
22

Como os dados obtidos dizem respeito exclusivamente ao ano de 2010 uma


análise cross-section será aplicada, adicionando a notação i, referente a cada
município a equação (2), diferenciando-se assim do trabalho original de Solow (1957)
que considera o tempo e seguindo o método de Hall e Jones (1998) ao calcular a PTF
como um resíduo em corte transversal:
(1−𝛼)
𝑌𝑖 = 𝐴𝑖 𝐾𝑖𝛼 𝐿𝑖 (3)
ou
𝑌𝑖
𝐴𝑖 = (1−𝛼) (4)
𝐾𝑖𝛼 𝐿𝑖

Em Hall e Jones (1998), os autores optaram por um cálculo Harrod-neutro, ou


seja, o coeficiente técnico como poupador do trabalho, porém como visto na equação
(3) nesta monografia por simplificação manteve-se um cálculo Hicks-neutro também
em semelhança ao proposto originalmente por Solow (1957).

O principal objetivo deste trabalho será identificar através do Modelo de Solow


a produtividade de cada município estudado, classificando da maior a menor
Produtividade Total dos Fatores, estabelecendo um ordenamento dos municípios pela
sua eficiência. Serão relacionadas também variáveis explicativas como abertura
comercial, anos de estudo e infraestrutura a PTF encontrada nos diversos municípios
de Pernambuco. Para lograr tal objetivo, a exemplo de trabalhos semelhantes, torna-
se conveniente reescrever a equação (3) em logaritmos, o que proporcionará
simplificações algébricas, conforme segue:

𝑙𝑛𝑌𝑖 = 𝑙𝑛𝐴𝑖 + 𝛼 𝑙𝑛𝐾𝑖 + (1 − 𝛼) 𝑙𝑛𝐿𝑖 (5)

Seguindo o raciocínio matemático necessita-se evidenciar o termo A (PTF) da


equação (5):

𝑙𝑛𝐴𝑖 = 𝑙𝑛𝑌𝑖 − 𝛼 𝑙𝑛𝐾𝑖 − (1 − 𝛼) 𝑙𝑛𝐿𝑖 (6)

Com a equação (6), fica então respondida a variável dependente e


consequentemente estabelecido o nível de produtividade por município para fins
comparativos e de seus determinantes.

Conforme Hall e Jones (1996 e 1998), sobre a elasticidade evidenciada pelo


termo α do capital, utilizou-se α = 1/3, o que segundo estes autores é um valor médio
encontrado para uma série de países analisados em outros estudos, de qualquer
23

maneira se optou por realizar um levantamento econométrico da base de municípios


de Pernambuco para averiguar os resultados das elasticidades estimadas para o
capital e trabalho, conforme será demonstrado no Capítulo 4.

Uma vez explicado como foi possível chegar a PTF por município, se faz
necessário relatar a metodologia para as regressões que no Capítulo 5 relacionam a
PTF a cada variável explicativa através da forma funcional log-linear, conforme segue:

𝑙𝑛𝑃𝑇𝐹𝑖 = 𝛼𝑖 + 𝛽𝑋𝑖 + 𝜖𝑖 (7)

Em que 𝛼 representa uma constante, 𝜖 o erro aleatório e 𝛽 o coeficiente


relacionado a variável explicativa 𝑋. A PTF por sua vez estará sempre apresentada
em logaritmos naturais conforme em Ascari e Cosmo (2004), basicamente por dois
motivos: assume-se que a distribuição dos valores da PTF não seja exatamente linear
e por uma questão de dimensionamento da escala.
24

4. Dados

4.1 Fonte de dados

Devido aos bancos de dados institucionais disponíveis em nível municipal é


possível um trabalho detalhado. Casos mais particulares como os municípios de
Pernambuco tornam-se mais próximo da realidade econômica da região, viabilizando
inclusive não só o entendimento sobre as diferenças de produtividade, como talvez a
criação de um instrumental auxiliar para gestão pública.

A coleta de dados foi realizada através de documentação indireta consultando


banco de dados e pesquisas bibliográficas em artigos e livros disponíveis.

As variáveis explicativas obtidas a partir do censo demográfico elaborado pelo


IBGE foram: PIB Municipal, Anos de Estudo, Mão de Obra Ocupada, Trabalhadores
Informais, Pensionistas, PIB Setorial e o Índice de Urbanização, utilizou-se também o
Índice de Infraestrutura Municipal obtido no Atlas da Vulnerabilidade Social do IPEA,
já o Consumo de Energia Elétrica não Residencial foi obtido a partir dos dados da
Companhia Energética de Pernambuco (CELPE) e a Abertura Comercial, computada
como (Importações + Exportações)/PIB Municipal, disponibilizada pelo Ministério da
Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), todas referentes ao ano de 2010 e
disponíveis para cada um dos 185 municípios pernambucanos.

Nas seções seguintes, serão explicadas as estatísticas descritivas das


variáveis explicativas, seguida pela Tabela de correlações e sua análise, assim como
a calibragem das elasticidades da equação (6), exposta no Capítulo anterior.
25

4.2 Análise descritiva das variáveis

Uma vez explicada a origem dos dados segue a análise descritivas das
variáveis citadas:

Alguns dados da Tabela 1 merecem maior destaque: a quantidade de anos de


estudo médio da mão de obra ocupada em Pernambuco é de 5 anos, havendo
municípios que apresentam de 2 a 9 anos de estudo médio. O percentual médio de
informalidade da mão de obra ocupada é de 30%, com municípios que chegam a 59%
de informalidade.

As participações das despesas públicas no PIB variam de 7% a 70%, a taxa de


urbanização chega a aproximadamente 100% em alguns municípios e o índice de
infraestrutura a 85%.

O grau de abertura comercial, medido pela soma das exportações e


importações divididos pelo PIB municipal, parte de 0% a 80%, tendo um valor médio
de apenas 2% em relação ao PIB municipal.

A presença da agricultura no PIB pode chegar a 47% em alguns municípios,


com um valor médio de 15%; já a indústria ocupa um peso um pouco menor, com um
valor médio de 11%, chegando a 76% a depender do município, e por fim, o setor de
serviços possui 28% de participação média no produto total por município.
26

Para melhor compreensão sobre os dados estudados, foi gerada a matriz de


correlação para as variáveis explicativas:

A relação entre anos de estudo e a participação no PIB tem destaque para


alguns setores da economia, o setor agrícola e público estão ligados a um menor nível
de escolaridade, já a indústria e serviços estão associados positivamente a esta
variável, regiões com maiores taxas de urbanização também aparentam possuir maior
grau de escolaridade.

Sobre a informalidade, verificou-se que quanto menor o índice de infraestrutura,


maior a informalidade apresentada. A presença de pensionistas está diretamente
relacionada a um maior nível de despesas públicas e a um menor grau de
urbanização. O grau de urbanização apresenta baixa correlação com o índice de
infraestrutura, o que pode estar ligado ao fato de que áreas classificadas como
urbanas pelo IBGE, não necessariamente apresentam disponibilidade de saneamento
e infraestrutura física.

Em semelhança a escolaridade; a mão de obra ocupada, a taxa de urbanização


e o consumo de energia elétrica não residencial, também apresentam menores
patamares no setor agrícola e público, e melhor desempenho na indústria e serviços.

A abertura comercial apresenta relação positiva com a escolaridade,


urbanização e a participação da indústria no PIB.
27

4.3 Calibragem dos parâmetros

Ainda referente aos dados das elasticidades para a equação Cobb-Douglas


exposta no Capítulo 3, como precaução decidiu-se por antes de prosseguir com a
elasticidade do capital α = 1/3, averiguar a validade deste padrão para a série de
municípios estudados através de uma regressão pelo método dos Mínimos
Quadrados Ordinários (MQO/OLS), conforme segue:

Como observado o coeficiente obtido para α, expressado pela variável proxy


“l_Energia”, foi de 0,36 em aproximação aos padrões adotados por Hall e Jones
(1998). Dada esta informação pode-se agora completar a equação (6) com suas
elasticidades:
1 2
𝑙𝑛𝐴𝑖 = 𝑙𝑛𝑌𝑖 − 3 𝑙𝑛𝐾𝑖 − 𝑙𝑛𝐿𝑖 (8)
3

Sendo Y representado pelo PIB municipal, K o capital representado pela proxy


consumo de energia elétrica não residencial e L pela mão de obra ocupada, tem-se
então, a PTF representada pelo resíduo A em logaritmos naturais para cada um dos
municípios.
28

5. Ranking dos Municípios

Com o objetivo de oferecer um instrumental comparativo de produtividade,


semelhante a Milionis (2015), o qual estabeleceu um ranking para a PTF entre
países da Europa através de um cartograma, ou ainda em Berlemann e Wesselhöft
(2012), em um estudo sobre a PTF de diferentes regiões da Alemanha, optou-se
por classificar os 185 municípios da maior a menor PTF obtendo um ranking de
produtividade, em que por simplificação, serão apresentados aqui 30 municípios,
sendo os 10 mais produtivos, os 10 medianos e 10 menos produtivos da amostra:

Segundo o IBGE, Pernambuco está divido em 5 mesorregiões e 19


microrregiões. É possível observar no ranking da PTF dos municípios, que os 10
mais produtivos estão basicamente distribuídos nas regiões próximas a capital,
mesorregião Metropolitana e da Zona da Mata.
29

Para os municípios com valores médios de PTF, verificam-se 9 municípios


na mesorregião do Agreste e Sertão, distribuídos principalmente nas microrregiões
do Brejo, Moxotó e Araripina.

Nas áreas de menor produtividade destacam-se 3 municípios na microrregião


de Garanhuns, 2 na microrregião de Itaparica e 2 no Vale do Pajeú, sendo que
Itaparica e Vale do Pajeú são microrregiões limítrofes.

Para os extremos da amostra observa-se uma maior concentração da PTF


em municípios que compartilham maior proximidade geográfica, já para PTF
medianas existe uma maior dispersão geográfica dos municípios pernambucanos.

Também foi gerado um cartograma, possibilitando assim uma melhor análise


da produtividade de um ponto de vista geográfico, dividindo a PTF em 3 grupos,
sendo: 62 municípios com maior produtividade, 61 municípios de média
produtividade e 62 municípios com as menores produtividades:

Figura 2. Cartograma para PTF dos municípios de Pernambuco


Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa de 2010. ANO (2017).

No mesmo sentido da análise realizada sobre o ranking dos municípios


apresentados na Tabela 14, pode-se observar que os maiores níveis de
produtividade estão concentrados na Região Metropolitana e Zonas da Mata Norte
e Sul, níveis médios de produtividades nas áreas centrais do Agreste e Sertão e
menores níveis de produtividade concentrados nos extremos norte e sul do Agreste
e Sertão Pernambucano.

Notadamente as regiões de menor produtividade são aquelas que


empiricamente estão fora do eixo das principais vias de acesso, como estradas e
30

rodovias que percorrem Pernambuco, tal relação, pode ser objeto de futuros
estudos.

5.1 Características econômicas dos municípios

Alguns municípios da série, sobretudo, os que estão classificados nos


extremos do ranking, carecem de uma análise descritiva, no sentido de melhor
explicar suas produtividades, e sua relação com as regiões em que estão
localizados:

Região Metropolitana

Constituída por 15 municípios, seu PIB é responsável por aproximadamente


65% do produto total de Pernambuco, nesta região estão localizados o complexo
industrial e portuário de Suape, um forte setor médico e farmacêutico, e um polo
tecnológico batizado de Porto Digital.

Dos 10 municípios mais produtivos, 3 estão localizados na Região


Metropolitana: Ipojuca, Itapissuma e Recife; e apenas duas cidades encontram-se
no grupo dos 62 municípios menos produtivos, apresentados no cartograma:
Paulista e Ilha de Itamaracá.

O município de Ipojuca, com a maior PTF da série, é o coração do complexo


industrial e portuário de Suape, com a presença do Estaleiro Atlântico Sul e da
Refinaria Abreu e Lima. Possui o terceiro maior PIB do estado e chama atenção
pelo seu polo turístico, formado pelas praias que ocupam a faixa litorânea que vai
de Porto de Galinhas a Serrambí. A indústria ocupa uma importante participação
com 57% do PIB de Ipojuca, já o setor público, apenas 7%, ainda que grande parte
das obras ali ocorridas tenham sido fruto de parcerias público-privadas.

Recife, capital do estado, abriga o polo tecnológico, médico e farmacêutico.


O setor de serviços ocupa 68% do PIB municipal, e o seu produto total, é o maior
entre os municípios do estado, igualmente, o nível de escolaridade da mão de obra
ocupada é o maior da série, com 9,3 anos médios de estudo.

Em uma situação menos favorecida, no tocante a produtividade, estão os


municípios de Paulista e Ilha de Itamaracá ao norte da Região Metropolitana.

A Ilha de Itamaracá, considerando sua localização, possui um baixo nível de


atividade econômica, com um PIB que ocupa a 96º posição no estado, a presença
31

de uma colônia penal e uma baixa participação da indústria e agricultura no PIB,


que juntos não chegam a 13%, sendo a fatia restante dividida entre os setores
público e de serviços.

Já o município de Paulista, apesar de uma presença mais relevante da


indústria, com 25% na composição do PIB municipal, também não ocupa uma boa
posição de produtividade. Notadamente, este município apresenta bons níveis de
escolaridade, urbanização e infraestrutura, possuindo também algum grau de
abertura comercial. Entretanto, ao observar mais de perto as indústrias presentes
na localidade, observa-se um predomínio de atividades menos intensivas em
tecnologia, quando comparadas aos demais municípios da região.

Zona da Mata Norte e Sul

Formada por 43 municípios, é uma região formada sobretudo por engenhos,


usinas, e algumas indústria alimentícias. Segundo Machado e Júnior (2009), a maior
parte dos municípios desta região dependem do cultivo da cana de açúcar, fruto de
uma formação histórica desde o período colonial. Curiosamente o nome “mata”,
advém justamente da existência de vasta vegetação de mata atlântica neste
território, parte hoje tomado pelo cultivo da cana.

Apesar da intensa presença da monocultura, nesta mesorregião, estão


presentes municípios com boa produtividade, sobretudo quando comparados ao
semiárido pernambucano. Os municípios de Cortês e Primavera, destacam-se entre
os 10 municípios com as maiores PTF da série, geograficamente, estão apenas
separados pela cidade de Amarají.

Estas duas localidades apresentam em comum um território muito pequeno,


e uma participação da indústria no PIB sensivelmente maior que os demais
municípios da região. Enquanto a média da participação da indústria no PIB
municipal da Zona da Mata é de 14%, ambos os municípios apresentam
aproximadamente 30% de peso da indústria no produto final. No ano de 2010,
primavera não apresentou prática de comercio exterior, já Cortês, com uma PTF
superior, apresenta uma abertura comercial de 31% sobre o PIB municipal.

Por outro lado, os municípios de Paudalho e Glória do Goitá, estão situados


entre os 62 municípios menos produtivos de Pernambuco. Ambas as localidades
apresentam maior participação da agricultura na economia, forte presença do PIB
32

público, e menores níveis de industrialização, nenhum dos dois municípios


apresentou comércio exterior no período estudado. Paudalho e Glória do Goitá são
geograficamente municípios limítrofes.

Agreste

O agreste pernambucano é formado por 71 municípios, nesta região, de


acordo com Lima e Sicsú (2007), tem destaque as atividades ligadas a pecuária,
lavouras, e a presença de um polo têxtil localizado na cidade de Santa Cruz do
Capibaribe. O território é ainda conhecido por abrigar municípios dedicados a
criação de gado para produção de leite, a chamada bacia leiteira, com foco para o
município de Garanhus. O município de Caruaru destaca-se como um polo regional,
com destaque para o setor de serviços.

No tocante a produtividade, o município de Salgadinho, chama atenção


aparecendo na lista dos 10 municípios mais produtivos do ranking, ao contrário do
observado para a maioria dos municípios com alta produtividade, Salgadinho,
possui uma baixa presença da indústria no produto total, e uma alta participação do
setor agropecuário, com 47% de participação no PIB municipal. Apesar de não estar
localizado na Zona da Mata, este município é o 21º produtor de cana de açúcar de
Pernambuco, possivelmente gerando um maior PIB por trabalhador, dado o seu
território e a sua pequena população.

Na direção contrária, observa-se 3 municípios situados na microrregião de


Garanhuns, entre os 10 menos produtivos do estado, a saber: Caetés, Lagoa do
Ouro e Jupi. Os 3 municípios caracterizam-se por uma alta participação do PIB
público no produto total, em aproximadamente 60%.

Suas atividades econômicas estão divididas basicamente entre o plantio de


mandioca, batata doce, café e a criação de gado. Apesar de próximos ao município
de Garanhuns, não dividem com este, suas produtividades.

Sertão do Pajeú e do São Francisco

Estas duas mesorregiões, em conjunto, reúnem 56 municípios em um


território de baixas precipitações pluviométricas, com um clima semiárido e sujeita
a secas que, de acordo com Lima e Gatto (2013), periodicamente castigam a maior
parte dos municípios ali situados. Ao Norte, fica o Sertão do Pajeú, tendo a cidade
33

de Serra Talhada como um polo econômico local, seu PIB é o segundo maior do
sertão pernambucano, ficando apenas atrás do PIB de Petrolina.

Os municípios menos produtivos da amostra, estão localizados nestas duas


mesorregiões, e deles, 6 aparecem na lista dos 10 municípios menos produtivos do
estado, conforme a Tabela 4. Para elucidar melhor a situação econômica e produtiva
desta região, cabe aqui reproduzir o que afirma Lima e Gatto (2013):

“Em função dessa maior fragilidade da base econômica, associada


com uma relativamente elevada retenção populacional,
desenvolveu-se no semiárido uma dependência mais significativa do
setor público como gerador de emprego e de renda. Daí a região
semiárida ter sido considerada por Maia Gomes, como uma
“economia sem produção”, circunstância onde existe pouca renda e
insignificante produção, onde os “agentes principais constitutivos
dessa economia são os aposentados, os funcionários públicos e as
prefeituras“ (GOMES, 2001, p. 149). Nesse contexto, o semiárido
recebe recursos não produtivos, ou pouco produtivos, especialmente
na forma de transferências de renda, tais como o salário de
funcionários públicos, pagos com recursos do Fundo de Participação
dos Municípios, as aposentadorias e, mais recentemente, os
benefícios pagos pelo Programa Bolsa Família. No que se refere ao
salário dos funcionários públicos, ainda que considere uma parcela
da renda correspondente à produção, entende Gomes que a maior
parte do emprego público no semiárido é gerada pela esfera
municipal, que tem, em geral, funcionalismo de baixa produtividade.
Já a renda recebida pelos aposentados, componente da economia
sem produção do semiárido, está associada, sobretudo, à expansão
das aposentadorias a partir da Constituição de 1988, beneficiando
trabalhadores informais sem exigir contrapartida de contribuição
anterior.” (Lima e Gatto P. 131, 2013).

No Sertão do Pajeú, o município de Salgueiro tem destaque com uma boa


produtividade. A cidade é sede das instalações para a construção da ferrovia
Transnordestina, mas não só isso, em relação aos demais municípios vizinhos,
Salgueiro possui uma forte presença da indústria, sendo responsável por 61% do
PIB municipal e, também em sentido contrário aos demais municípios, a
participação do setor Público na economia é de apenas 13%, denotando uma
economia mais dinâmica nesta região.

O município de Petrolândia, situado no Sertão do São Francisco, também


aparece na lista dos municípios mais produtivos, de maneira muito semelhante a
Salgueiro, este município tem um alto nível de presença da indústria na economia,
com 76% de participação no PIB municipal. Lá está instalada a Usina Hidrelétrica
Luiz Gonzaga as margens do Rio São Francisco.
34

Apesar dos dois municípios supracitados, no sertão pernambucano, muitas


são as cidades com baixa produtividade, como dito, 6 aparecem na lista dos 10
menos produtivos municípios do estado, entre eles, vale citar o caso de Triunfo.
Conhecido pelo seu turismo, proporcionado sobretudo por baixas temperaturas
ocorridas justamente no semiárido pernambucano, atraindo turistas de todas as
partes. Ao contrário de outros municípios da região com algum destaque para
agricultura, quase todo o PIB deste município está divido entre as atividades de
serviços e o setor público.
Pode-se também apresentar o caso do município de Araripina, um conhecido
polo gesseiro. Lá também estão instaladas algumas indústrias têxteis ligadas ao
beneficiamento de algodão. Ainda que apresente algum grau de industrialização,
com 25% de participação em seu PIB municipal, mesmo com certo dinamismo em
sua economia, tem um baixo produto por trabalhador. É possível que a baixa
produtividade desta localidade, esteja relacionada a um baixo nível de valor
agregado dos produtos gerados, em relação ao emprego da mão de obra e capital
alocados, fenômeno que também deve ocorrer em outros municípios de baixa
produtividade, também já citados.
35

6. Resultados

Os seguintes resultados foram computados utilizando a metodologia exposta


no Capítulo 3, mais especificamente com a utilização da equação:

𝑙𝑛𝑃𝑇𝐹𝑖 = 𝛼𝑖 + 𝛽𝑋𝑖 + 𝜖𝑖 (7)

Sendo gerada uma regressão para cada variável explicativa estudada.


Optou-se aqui, por não utilizar um modelo composto por mais de uma variável,
basicamente por dois motivos, a saber: observando a Tabela de correlação exposta
no Capítulo 4, é perceptível a correlação existente entre algumas variáveis
explicativas, o que certamente levaria a presença de endogeneidade no modelo e,
por consequência, a necessidade utilização de variáveis instrumentais ou adoção
de outros modelos diferente dos mínimos quadrados ordinários, o que poderia fugir
do escopo deste curso de graduação. Por outro lado, o objeto de estudo do trabalho,
é a viabilização de um simples instrumental comparativo da produtividade entre
municípios, e não especificamente a construção de um modelo explicativo.

Consequentemente, para cada regressão gerada, o resíduo de sua


regressão irá necessariamente captar outros fatores que estariam presentas nas
demais variáveis explicativas, ocasionando possíveis problemas de especificação,
assim como baixos valores de r-quadrado. Entretanto, busca-se sobretudo observar
se os resultados obtidos vão ao encontro da literatura estudada, realizando uma
discussão sobre os seus sinais, sua significância e valores dos seus coeficientes.

A próxima Tabela foi construída tendo com variável dependente ln(PTF). Nas
linhas estão expressas as 10 variáveis explicativas estudadas: Estudo,
Infraestrutura, Urbano, Informais, Abertura, PIB_PUB, Pensionista, PIB_AGRO,
PIB_IND, PIB_SERV. Em suas colunas de (1) a (10), os valores obtidos para os
coeficientes, seu nível de significância e o seu erro padrão, conforme segue:
36

Tabela 5. Resultado das regressões individuais

ln(PTF) (1) (2) (3) (4) (5)

Estudo 0,0909321 '***'


(0,0197344)

Infraestrutura 0,0034178
(0,00206828)

Urbano 0,00416922 '***'


(0,00116141)

Informais -0,00761262 '**'


(0,00315257)

Abertura 0,0316715 '***'


(0,00964379)
9,43134 '***' 9,77159 '***' 9,62333 '***' 10,1064 '***' 9,83801 '***'
Constante
(0,100462) (0,070965) (0,0757818) (0,0960794) (0,0215998)

R-quadrado 0,10396 0,0147025 0,065786 0,0308793 0,0556573

ln(PTF) (6) (7) (8) (9) (10)

PIB_PUB -0,0116881 '***'


(0,00151408)

Pensionista -0,0377931 '***'


(0,00686885)

PIB_AGRO 0,00239578
(0,00232926)

PIB_IND 0,0152715 '***'


(0,00168284)

PIB_SERV 0,00240467
(0,00219507)
10,4154 '***' 10,4925 '***' 9,84793 '***' 9,71907 '***' 9,81325 '***'
Constante
(0,0778903) (0,118453) (0,0409729) (0,0271030) (0,0671422)

R-quadrado 0,245648 0,141945 0,00574783 0,310354 0,00651518


Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa de 2010. ANO (2017).
Códigos de significância estatística ao nível de 1%, 5% ou 10% (***, **, *, respectivamente). Erro padrão entre parênteses.

6.1 Discussão sobre os sinais obtidos

Sobre a educação, como variável explicativa foi utilizado a quantidade média


de anos de estudo por município, da mão de obra ocupada, obtendo-se um
coeficiente positivo para um nível de significância de 1%, indicando uma relação
positiva entre os anos de estudos de um trabalhador e a produtividade para os
municípios analisados, ou seja, maiores níveis de escolaridade afetam
positivamente a produtividade dos municípios pernambucanos.

Com relação a infraestrutura, neste trabalho optou-se por utilizar duas


variáveis como proxy: o índice de infraestrutura urbana fornecido pelo atlas da
37

vulnerabilidade (IPEA) e a taxa de urbanização, que representa o percentual de


habitantes residentes em áreas urbanas por município, fornecido pelo IBGE.

Ainda que observado um coeficiente positivo para o índice de infraestrutura,


a variável não apresenta nível de significância estatisticamente aceitável para a
validação da regressão.

Ao verificar a estrutura deste índice, observa-se a seguinte composição:


percentual de pessoas com abastecimento de água e esgoto inadequado,
percentual da população que vive em domicílios sem coleta de lixo, e percentual de
pessoas que vivem em domicílios com renda per capita inferior a meio salário
mínimo. Observa-se pouca informação diretamente ligada a infraestrutura física
urbana, tal como malha rodoviária ou outras benfeitorias, oriundas sobretudo de
investimentos públicos.

Seguiu-se então, como em Oliveira (2005), tendo como proxy para


infraestrutura apenas a taxa de urbanização do município, verificando-se uma
relação positiva a um nível de significância inferior a 1%. É dizer que aqueles
municípios onde uma proporção maior da população vive em área urbana, tendem
a ser mais produtivos que os demais, sendo um dos motivos, o fato das firmas
estabelecidas nestas regiões possuírem maiores vantagens competitivas dada a
sua localização.

A variável escolhida para representar a taxa de informalidade, representa a


mão de obra ocupada sem carteira de trabalho assinada por município, fornecida
pelo IBGE. Verifica-se uma relação negativa para um nível de significância de 5%,
sustentando que maiores níveis de informalidade diminuem a produtividade dos
municípios pernambucanos.

Dos 185 municípios de Pernambuco no ano de 2010, 54 deles tiveram


alguma movimentação em exportações e/ou importações no período. Verifica-se
relação positiva entre a abertura comercial dos municípios e a PTF para um nível
de significância de 1%, levando a conclusão, que em municípios com algum nível
de abertura, a pratica do comercio exterior tende a provocar maiores níveis de
produtividade.
38

Sobre a participação do setor público no produto total, por conta dos dados
disponíveis para os municípios de Pernambuco, optou-se por seguir conforme Barro
(1991), analisando o montante total de despesas públicas em relação ao PIB.

Verifica-se resultado semelhante a literatura exposta, com uma relação


negativa entre as despesas públicas e a produtividade. Para melhor detalhar o
trabalho, verificou-se a disponibilidade da variável pensionistas para os municípios
estudados, nesta variável estão inclusas as pessoas que recebem algum tipo de
pensão ou aposentadoria do sistema de seguridade social, de qualquer esfera e
residente no município. Com esta variável aproxima-se ao realizado por Ozanne
(2001), separando a seguridade social dos demais componentes da despesa
pública.

Obtém-se também uma relação negativa para os pensionistas, a um nível de


significância de 1%, sustentando a hipótese de que as despesas públicas em
seguridade social tendem a influenciar negativamente a PTF. Outros estudos e
detalhamentos mais ligados a economia do trabalho ou a teoria microeconômica,
certamente poderiam ser analisados sobre o assunto, assim como os impactos da
despesa pública sobre o bem-estar social, no entanto, não são objetivos deste
trabalho.

Foi então verificado as relações entre os setores produtivos e a PTF para os


municípios de Pernambuco. Os resultados para agricultura e serviço não tem níveis
de significância aceitáveis para um impacto na PTF, entretanto, o resultado para
indústria é relevante para um nível de significância de 1%, influenciando
positivamente a produtividade dos municípios pernambucanos.

Conforme visto no Capítulo 4, a variável estudo é negativamente


correlacionada a agricultura, e positivamente correlacionada a indústria e serviços.
Sem maiores pretensões econométricas, pode-se sugerir o impacto da qualificação
da mão de obra nestes setores, e consequentemente, também na PTF.
39

7. Síntese dos Resultados

Com o propósito de fornecer um panorama dos determinantes da


produtividade para os municípios estudados, foi criada uma Tabela com a síntese
das relações entre cada variável explicativa e a PTF das cidades pernambucanas,
assim é possível fornecer um instrumental básico, como referência para as políticas
públicas que tenham como base fomentar a produtividade, principalmente em nível
regional.

Conforme exposto no Capítulo 6, observa-se valores para r-quadrado em


geral muito baixos, no entanto, o objetivo das regressões realizadas não é a
montagem de modelos explicativos compostos por mais de uma variável, portanto,
conforme apresentado, gerou-se uma regressão para cada variável explicativa, com
o objetivo de validar seu impacto sobre a PTF dos municípios e em que sentido este
impacto influencia a produtividade, assim como a sua convergência em direção ao
referencial teórico estudado.

Além da síntese dos resultados, para aproximar-se do objetivo de fornecer


uma simples ferramenta de políticas que possam fomentar aumentos de
produtividade nos municípios pernambucanos, faz-se necessário expor a
interpretação dos resultados, facilitando assim o entendimento quantitativo do
impacto das variáveis explicativas na PTF:
40

Conforme abaixo, analisando os valores médios das variáveis explicativas


para os extremos do ranking, verifica-se o direcionamento das mesmas no sentido
da literatura estudada, mesmo aquelas variáveis com nível de significância rejeitado
apresentaram alguma relevância nos extremos da PTF. Para os 10 dez municípios
mais produtivos, observam-se maiores valores médios de anos de estudo, abertura
comercial, infraestrutura, urbanização, participação da indústria no PIB e serviços:

Já os municípios menos produtivos, destacam-se para maiores valores


médios da informalidade, despesas públicas, pensionistas e presença do setor
agrícola.
41

8. Conclusões

Este trabalho procurou oferecer a utilização do Resíduo de Solow, também


conhecido como Produtividade Total dos Fatores, como ferramenta comparativa de
produtividade entre os municípios de Pernambuco, para tal foi necessário
primeiramente apresentar os possíveis determinantes da produtividade na região e
seu referencial teórico. Conforme apresentado no Capítulo 5, foi viável estabelecer
um ranking de produtividade dos municípios permitindo a visualização dos casos
extremos e partir daí a identificação empírica das características que estes
municípios possuem em comum. O objetivo, foi não só expor a literatura que
sustenta os determinantes para a produtividade, como também conduzir o estudo
de um angulo mais prático, resumindo a interpretação dos resultados obtidos.

Do ponto de vista de uma metodologia de corte transversal, buscando


exclusivamente uma comparação da produtividade e seus determinantes, as
variáveis explicativas oferecidas apresentaram convergência em relação a literatura
sobre o assunto, algumas variáveis como o índice de infraestrutura, e o PIB da
agricultura e serviços, tiveram suas influencias rejeitadas do ponto de vista
econométrico, entretanto continuam com alguma relevância ao se comparar os
municípios nos extremos do ranking com os seus valores médios.

Apesar da influência negativa na produtividade, as despesas públicas devem


ser vistas com cuidados, já que seu montante total agrega valores correspondentes
a investimentos, saúde e educação; e conforme apresentado no Capítulo 2, a
separação dos componentes tende a apresentar relação positiva para o segundo
grupo.

Finalmente, ações que promovam a educação, urbanização, o comércio


exterior e o potencial industrial, tem um impacto relevante na Produtividade Total
dos Fatores dos municípios pernambucanos e devem ser prioridades de políticas
públicas e privadas no sentido da ampliação da competitividade da região.
42

Referências

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Década de 90 no Brasil. Temas de Economia Aplicada, FIPE, abril, 2016.

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45

ANEXOS
46

Relação entre a PTF e o Produto por Trabalhador

Observa-se na literatura uma proximidade relevante entre a PTF e o produto


por trabalhador conforme Hall e Jones (1996), justamente porque as diferenças de
produtividade seriam as maiores responsáveis em explicar as diferenças do produto
por trabalhador, tendo a produtividade um peso considerável no nível final de
produto obtido.

A seguir pode-se ver graficamente a relação entre PTF e produto por


trabalhado na série de municípios estudados:

Figura 3. Relação entre a PTF e o Produto por Trabalhador


Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa de 2010. ANO (2017).

Na Figura 3 é possível identificar uma linha com inclinação muito próxima a


45° entre as duas séries, evidenciando uma alta correlação entre as mesmas. Como
relatado por Hall e Jones (1996), o nível de correlação encontrado em seu estudo
com diversos países foi de 0.94, com o objetivo de legitimar melhor o estudo o
mesmo cálculo foi utilizado para os municípios estudados e obtido o seguinte valor:

corr(PTF, l_PIB_por_Tra) = 0,86707880

Desta maneira também pode-se observar a relação positiva entre a eficiência


dos municípios pernambucanos e o seu produto por trabalhador; esta relação
permite dizer de maneira prática que aqueles municípios com maior PTF, quase que
necessariamente obtém um maior produto por trabalhador em relação aos demais.
47

Plotagem da PTF x Variáveis Explicativas

Figura 4. Relação entre a PTF e a Educação


Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa de 2010. ANO (2017).

Figura 5. Relação entre a PTF e a Infraestrutura


Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa de 2010. ANO (2017).
48

Figura 6. Relação entre a PTF e a Urbanização


Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa de 2010. ANO (2017).

Figura 7. Relação entre a PTF e a Informalidade


Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa de 2010. ANO (2017).
49

Figura 8. Relação entre a PTF e a Abertura Comercial


Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa de 2010. ANO (2017).

Figura 9. Relação entre a PTF e o PIB Público


Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa de 2010. ANO (2017).
50

Figura 10. Relação entre a PTF e Pensionistas


Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa de 2010. ANO (2017).

Figura 11. Relação entre a PTF e o PIB Industrial


Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa de 2010. ANO (2017).
51

Mesorregiões de Pernambuco

Figura 12. Mesorregiões de Pernambuco


Fonte: BDE, Base de Dados do Estado de Pernambuco.

1. Mesorregião do São Francisco Pernambucano


2. Mesorregião do Sertão Pernambucano
3. Mesorregião do Agreste Pernambucano
4. Mesorregião da Zona da Mata Pernambucana
5. Mesorregião Metropolitana do Recife
52

Microrregiões de Pernambuco

Figura 13. Microrregiões de Pernambuco


Fonte: BDE, Base de Dados do Estado de Pernambuco.