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49 mitos no judaísmo II

Fernando Chaim Bisker

Revisão do conteúdo religioso:


R’ Shimshon Bisker (Jerusalém)
Edição e revisão de texto:
Márcia Cherman Sasson (Rio de Janeiro) mcsasson@gmail.com
Agradecimento:
Rua Judaica - Sr. Osias Wurman

©
Abril/2013

Caso você tenha escutado ou tenha interesse em saber algum mito, favor nos enviar.
Quem sabe sua sugestão será parte do nosso próximo livro. e-mail: 49mitos@gmail.com

Introdução

Nos últimos 17 anos tive o mérito de poder dedicar-me a diversos trabalhos comunitários em diversos países. Hoje, com o mundo globalizado e as
informações mais rápidas do que podemos absorver, muitas pessoas pegam a primeira explicação que encontram sobre qualquer assunto e fazem
dela a verdade. Pelas minhas muitas andanças por distintas comunidades, judaicas e não-judaicas, em países da América Latina percebi que
muitas vezes as pessoas têm dúvidas sobre nossa sabedoria milenar ou uma visão errada de nossas tradições, baseadas em boatos ou lendas
populares que foram se incorporando ao dia a dia do povo e tidas como real. Percebi que inúmeras vezes, até mesmo entre pessoas de nosso povo,
certas tradições foram deturpadas ao longo dos anos e incorporadas ao cotidiano como um dogma verdadeiro, sem ter nenhuma base concreta, o
que leva, em alguns casos, à perda da identidade judaica.

Ao publicar o livro 49 Mitos do Judaísmo, onde foram desvendados algumas ideias e boatos errôneos acerca do judaísmo, recebi muito incentivo
para que eu desse continuidade a este meu primeiro projeto. Recebi valiosas sugestões e comentários, alguns sobre deveres materiais de nossa fé,
e outros sobre os deveres do coração, o que, para mim foi decisivo para lançar um segundo livro. Pesquisei, conversei com grandes rabinos, me
aprofundei em algumas questões e eis aqui mais 49 mitos do judaísmo.
Espero que este livro traga aos membros da comunidade judaica orgulho, prazer a alegria e aos nossos irmãos não-judeus uma fonte de referência
para dirimir dúvidas e conhecer um pouco mais das tradições milenares da fé judaica.
Semanalmente público alguns dos mitos na coluna de minha autoria no periódico ‘Rua Judaica’ - um jornal online enviado a mais de 110.000
endereços pelo jornalista e Cônsul Honorário de Israel no Rio de Janeiro, Sr. Osias Wurman, a quem devo um agradecimento especial por haver
concedido sempre um espaço que se dedica a explicar um pouco mais sobre conceitos judaicos.
O formato é breve e conciso, e se pretende apenas como uma leitura rápida e introdutória. Cada tema abordado dá margem a inúmeras
discussões, e a pesquisa detalhada de cada tema caberá ao leitor que desejar aprofundarse.
Existe hoje em dia um grande número de publicações, feitas por editoras brasileiras, inclusive pela Livraria Sefer, que trazem obras bastante
completas do repertório judaico em língua portuguesa, acessíveis em livrarias e também na internet.
Agradeço a família e a todos os amigos que contribuíram neste trabalho.
Obrigado e bom proveito!
49 mitos no judaísmo II
1Em festas ou reuniões familiares,

uma cena comum é ver um prato repleto de salgadinhos ou sushis ser devorado aos
poucos. O último pedaço geralmente permanece intacto por um bom tempo, até que
alguém se atreva a comê-lo (na maioria dos casos sempre aparece um candidato).
A tradição popular judaica dita que comer o último pedaço não é aconselhável.

Verdadeiro : A Torá explica através do livro Zohar, famosa publicação cabalística, que
consumir o último pedaço não caracteriza especificamente uma transgressão. É
aconselhável, no entanto, não apanhar para si este último pedaço, uma vez que parte dos
presentes já lançaram seus olhares de cobiça, e o objeto absorve esta ‘energia negativa.’
Ou seja, não está proibido, mas tampouco é aconselhável.
2 Rezar diante dos túmulos dos
tzadikim (os grandes rabinos e sábios de várias gerações) seria o equivalente a fazer
idolatria, já que se trata de uma reza direcionada a uma determinada pessoa.

Falso : Existe de fato uma proibição em rezar para alguém que já faleceu. Não é permitido
nem aceitável pedir nada ao falecido, nem é permitido tentar comunicarse com alguém que
já não está mais entre os vivos - um ato destes seria totalmente equivocado, e classificar-se-
ia dentre as transgressões mais graves das leis da Torá (mishná brura).
Deus é o único e exclusivo receptáculo para todas as rezas, sem intermediários. Praticar o
agradecimento a Deus é um exercício permitido e até recomendável - uma mitzvá. Está
escrito que a Presença
Divina se expressa de forma mais intensa no local onde foi enterrado o corpo de um tzadik,
e que as rezas realizadas neste local adquirem proporções diferenciadas. Porém, é
importante frisar que a única reza permitida é a reza para Deus, em qualquer lugar do
planeta. Não se pode direcionar nenhuma reza diretamente ao falecido nem tentar
comunicar-se com ele, independentemente de quem tenha sido este tzadik.
Assim, o que se pede perante o túmulo de um tzadik ou patriarca bíblico (do Tanach) é
que, pelo mérito desta pessoa justa (tzadik), seu pedido seja atendido mais prontamente.
3 Quebrar o copo e dizer‘mazal tov!’
são duas partes de uma mesma tradição, compartilhando a mesma origem.

Falso : Ambas as ações são costumes, mas suas raízes correspondem, respectivamente, a
ideias distintas. A primeira, a pisada no copo, está calcada na noção imutável de que
qualquer momento de alegria, ainda que intenso, carrega em si também uma tristeza,
devido ao templo em Jerusalém que ainda não foi reconstruído. Daí a quebra do copo para
simbolizar esta pequena mácula de tristeza e de incompletude. O famoso ‘Mazal Tov’ é uma
exclamação recorrente na cultura judaica. Ao proferi-la, selamos a concretização de uma
união religiosa, de uma parceria de negócios, ou o nascimento de uma criança, entre outras
realizações, reafirmando a alegria e ‘boa sorte’ envolvidas na conquista, e desejando que
assim permaneça. Portanto, embora ocasionalmente apareçam juntas debaixo de uma
chupá (tenda matrimonial), as tradições de quebrar o copo e de dizer ‘mazal tov’ não são
‘irmãs’ nem ‘primas distantes.’
4 Se Deus é Onipotente, possui
também o poder de criar uma pedra tão pesada que nem mesmo Ele é capaz de
mover.

Falso: O princípio desta afirmação baseiase em uma característica limitada à matéria,


deflagrando a contradição quando se atribui o ato de carregar uma pedra ao poder Divino,
que por definição não pode ser limitado. Ou seja, todo o mundo está sob o controle de Deus,
porém Ele próprio normalmente não se expressa neste mundo de forma mundana ou
palpável.
No entanto, há ocasiões, no decorrer da história do nosso povo, nas quais Ele
predeterminou
permaneceriam
irrefutável de
certas limitações, que

eternas como prova que a origem destas promessas improváveis é de fato Divina:
Prometeu que o Muro das Lamentações (o muro ocidental) jamais seria destruído, tendo
este permanecido intacto a despeito das dezenas de civilizações que foram erguidas e que
ruíram através de guerras violentas que aconteceram em seu entorno. Prometeu também
nunca mais provocar outro dilúvio completo mundial, e apesar dos tsunamis e enchentes, o
dilúvio jamais se repetiu.

Assim, caso desejasse criar uma pedra cujo peso não pudesse sustentar, Ele não hesitaria
em criá-la, desde que houvesse algum propósito nesta criação.
5 Antes de ir ao cemitério deve-se
retirar os tzitzit (aquela roupa de baixo que tem os fiozinhos pendurados nas
pontas).

Falso: Não é necessário remover os tzitziot, e sim certificar-se de que os fios estejam
dentro da roupa (calça), de forma a não ficarem expostos. A pergunta derivada deste mito
seria: Alguém entende o porquê? O Talmud explica que as almas daqueles que faleceram
permanecem de certa forma conectadas a seus túmulos, podendo observar o que acontece
em seus entornos. Ao andar em um cemitério com os tzitziot aparentes constitui um
desrespeito a essas almas - além de a colocação dos tzitziot mesmos ser uma mitzvá, seus
fios são um símbolo que remetem às 613 mitzvot (comandos da Torá), cujo cumprimento
cabe apenas a alguém que esteja vivo. Esta constatação gera angústia a estas almas, pois
existem mitzvot tão fáceis de serem realizadas algo pequeno sorriso a ‘levantar o astral,’ - e
nem este pequeno gesto pode ser realizado mais após a passagem ao mundo das almas.
Por isso, os sábios do Talmud decretaram que os fios dos tzitziot devem ser escondidos na
entrada de um cemitério. tão singelo como um

alguém que necessita


6 O judaísmo nega que animais,
plantas e pedras tenham alma ou qualquer tipo de conteúdo espiritual.

Falso: As fontes da Cabalá ensinam que existem quatro níveis de espiritualidade dentro da
fauna e da flora do nosso planeta, e que elas se organizam de forma crescente. Começando
pelo reino mineral, as pedras e rochas - embora sejam os que possuem menor teor de
energia vital - emanam sua força vital própria, o que explica a existência das várias práticas
de manipulações de cristais. Subsequentemente, o reino vegetal, próximo na cadeia, possui
ainda mais teor vital - a homeopatia, florais de Bach, todos os chás e produtos de beleza
derivados das plantas são prova disto. O próximo da lista seria o reino animal, e, por último,
o homem. O Talmud ressalta que, para cada um destes reinos, existe um grupo
intermediário específico, cujas características conectam ambos os reinos que se
intercedem. Por exemplo: entre o reino mineral e o reino vegetal estariam os corais; e entre
o reino vegetal e o reino animal estariam as plantas carnívoras. Entre o reino animal e nós,
homens, estaria o macaco, o que explicaria a semelhança deste animal com a espécie
humana
.
7 Deixar o sapato virado é sinal de
má sorte.

Falso: O veredicto oficial é de que o sapato pode permanecer ao contrário, do ponto de


vista místico. (As implicações na organização da casa e afins são válidas, mas nada têm a
ver com tradições com base na Cabalá ou no judaísmo.)
Uma ressalva: Manter a casa arrumada e não causar mal-estar ao próximo são preceitos
construtivos e compatíveis com o estilo de vida judaico.
A superstição do sapato virado, no entanto, não tem nenhuma origem em nossas tradições.
8 Usar os sapatos de pessoas falecidas
é sinal de má sorte.

Verdadeiro: Porém, mencionar meramente o aspecto da má sorte nesse caso seria manter-
se na superficialidade desta questão. Exploremos um pouco mais a origem talmúdica desta
determinação: A lei judaica proíbe empregar qualquer tipo de uso aos sapatos de um
falecido. Não se pode calçálos nem tampouco doá-los a terceiros - há que desfazer-se
completamente dos sapatos, jogá-los no lixo. Existem inúmeras referências cabalísticas ao
significado dos sapatos, e são tão extensas que não caberia inseri-las em detalhes aqui
nesta coluna. Revisemos brevemente uma delas, no Êxodo: Ao ser convocado para falar
com Deus, Moisés tirou os sapatos. O significado deste gesto ultrapassa seu sentido literal -
de fato o Talmud, além de diversas fontes cabalísticas, contém interpretações aprofundadas
acerca dos símbolos ocultos
episódio. Contudo,
relacionados a este existem opiniões que

sustentam que caso o falecido não tenha jamais calçado os sapatos durante o período em
que esteve doente não há problema em utilizá-los; e ainda outras opiniões que permitem
que se utilizem os sapatos mesmo assim, caso não se trate de uma doença grave.
9 Ostentar fotos de rabinos nas
paredes de casa e na sinagoga poderia ser considerado um ato de idolatria.

Falso e Verdadeiro: Dentro da área reservada para as rezas na sinagoga é proibido manter
fotos de rabinos ou de pessoas quaisquer. Colocadas em casa ou nas áreas comuns da
sinagoga, os pôsteres com fotos de rabinos, de sábios ou de pessoas queridas podem servir
de inspiração, e não há problema algum, de acordo com a halachá (Lei Judaica). Uns
desejarão contemplar a foto de um jogador de futebol, outros um poster de seu cantor
preferido, ou uma bela fotografia da National Geographic,e ainda há aquele cuja iluminaçao
deriva de umapanoramica que retrata a tropa de caça da aviaçao israelense. Desde que o
propósito seja o de evocar um pensamento bom ou atitude positiva, é válido e permitido
ostentar estas imagens. No entanto, colocar uma imagem de alguém na parede e então
rezar ou fazer pedidos a esta pessoa caracteriza um ato de idolatria e, portanto é
estritamente proibido.
10 Ao comparecer a uma
cerimônia de outra religião, ainda que isto não expresse a minha fé, é permitido
fazer símbolos ou ajoelhar-se em sinal de respeito ao próximo.

Falso: Um judeu não pode ajoelhar-se perante estátuas, ou em cultos religiosos não-
judaicos. Mesmo que todos os demais se ajoelhem e a atitude de manter-se de pé seja uma
fonte de vergonha, a lealdade à sua própria fé é primordial, e não deverá ser corrompida
pelo efeito da pressão social. A propósito, aos judeus, a Torá proíbe até mesmo o ingresso
em casas de oração onde há estátuas. Em contraste, se um judeu se encontra no aeroporto
de Marrocos e chega a hora da reza, esta oração poderá ser realizada até mesmo dentro de
uma mesquita, já que nela não haverá imagens ou estátuas.
Um adendo: Em sinagogas, durante o dia de Yom Kipur e em certas comunidades também
em Rosh Hashaná, ajoelhamo-nos também. Por quê?
Somente duas vezes ao ano, nas grandes festas, ajoelha-se para Deus, durante a reza do
Aleinu Leshabeach,e durante o pronunciamento dos trabalhos do templo em Yom Kipur,
que é uma oração onde se declara nossa relação com Deus. Preferivelmente, deve-se tomar
o cuidado de estender um manto (ou algo do gênero) no chão antes de ajoelhar-se.
11No ‘réveillon’, em nome da festa,
é permitido vestir roupas brancas, colares típicos, saltar
ondas, e até mesmo
sete vezes em

colocar flores e oferendas na areia.

Falso: É proibido realizar qualquer cerimônia, por mais que pareça ser inocente e
folclórica, se esta envolve aspectos religiosos, ainda que diluídos por outros elementos
lúdicos. No caso, saltar sete ondas é uma tradição que deriva de ritos alheios de Yemanjá
Hebraico, Yam (mar) - Yá (Deus). Portanto, a prática deste ritual, mesmo com boas
intenções, caracterizará a mais séria de todas as transgressões: a idolatria. No Tanach, cita-
se uma forma de idolatria na qual os devotos defecavam sobre a estátua de Baal Peor.
Mesmo tratando-se de uma cerimônia sem nenhum sentido, e que aparentaria ser uma
desvalorização da própria estátua, ainda assim não é permitido participar.
adoração à deusa do mar, palavra, aliás, que vem do

12 O costume de deixar cair um


pouco de pinga no chão, ‘que é para o santo,’ antes de tomar, tem origem judaica.
Verdadeiro e Falso: Talvez não seja exatamente esta a origem, mas o Talmud de fato cita
que há suspeita de que algum tipo de impureza espiritual possa ter se conectado à bebida,
e, ao jogar um pouco no chao antes de tomar, esta impureza seria cancelada.‘O santo’, no
caso, já teria sido uma livre adaptação da cultura popular, que nada tem de judaica.
13 Mais vale manter a tradição de
acender as velas de Shabat na sexta-feira à noite, ainda que ultrapasse o horário
apropriado segundo a halachá (Lei Judaica), quando se chega tarde do trabalho, por
exemplo, do que deixar de acendê-las.

Falso: Na decisão entre acender as velas de Shabat após o crepúsculo ou não acendê-las,
melhor não acender. O ato de acender as velas faz parte do próprio contexto do Shabat, que
inclui não acender nenhuma chama. Ou seja, aquele que chega tarde e deseja conectar-se
com o Shabat pode fechar os olhos e pedir a Deus tudo aquilo que pede de costume, pedir
por seus filhos e por sua família. O mérito de ter feito o que é correto irá conferir ainda
mais força a estas orações.
14 Em alguns ônibus em Israel
existem áreas separadas para homens e mulheres. Logo, o judaísmo proíbe sentar ao
lado de alguém do sexo oposto.

Falso: Não existe nenhuma proibição em sentar-se ao lado de uma pessoa do sexo oposto.
Se existe uma maneira razoável de evitar fazê-lo sem que isto provoque uma confusão, é
recomendável evitar, sendo, no entanto totalmente permitido manter-se no mesmo lugar.
Este tipo de desconforto acontece muitas vezes em voos de longa distância.
Certa vez, entrei no avião e presenciei uma cena muito curiosa: Na fila do embarque,
encontrei-me com um rabino de Nova York que estava viajando ao México, e ao sentarse,
descobriu que estava no lugar do meio em uma poltrona de três lugares, ele de barba e
chapéu, e do seu lado direito um padre, com um crucifixo no peito, do outro lado um árabe
de turbante. Quis tirar uma foto, mas não tive coragem. Mas pelo menos uma dúzia de
pessoas chegaram a fotografar a cena, que parecia uma propaganda da American Airlines.
Ou seja, no avião é permitido sentar onde quer que seja o lugar determinado, sem a
necessidade de trocar.
15 Os religiosos, que não
trabalham no Shabat, contradizem seus princípios ao empregar garçons e assistentes
para servi-los durante o dia do descanso (mesmo tratando-se de um nãojudeu, a
intenção é servir ao judeu religioso.) Afinal, a Torá traz um trecho que diz algo como
“(...)Você, seu empregado e teus animais não trabalharãono Shabat.”

Falso: Antes de qualquer coisa, vale lembrar que o trabalho proibido no Shabat não é o
trabalho físico, e sim determinadas ações específicas não podem ser realizadas no Shabat
(tema abordado no Livro ’49 Mitos no Judaísmo.’) Assim, desde que a função em questão
não consista em uma transgressão do Shabat - como no caso do garçom - é permitido
contratar alguém para auxiliar na realização de tarefas relacionadas ao Shabat. Existem,
contudo, regras para a contratação dos serviços: Não se pode contratar durante o próprio
Shabat, ou oferecer compensação durante o ‘dia do descanso.’ Desde que a contrataçao
tenha sido feita de antemão e tenha sido combinado que o trabalho prosseguirá por algum
tempo após o crepúsculo, não há problema– pois o contrato é firmado antes do início, e o
acerto de contas será realizado após ao término do Shabat.
16 Existe algum lei no judaísmo
que proíbaa pessoa ter ‘boca suja’ e falar palavrões.

Verdadeiro: Está (Talmud, Tratado necessário exercer muito critério e ter muito cuidado
com a expressão verbal. Em determinadas situações, dois ou mais caminhos se apresentam
para expressar o mesmo sentimento. Ainda que nenhum ‘palavrao’ propriamente dito
esteja envolvido, quando possí́vel, é recomendá vel realizar o esforço de escolher dentre
eles o formato mais ‘limpo’ e agradá vel. O Talmud frisa algumas passagens da própria
escrito na Guemará

Pessachim) que é Torá cujas formas regulares de expressão foram alongadas para evitar
descrições que utilizassem palavras menos refinadas. Evidente, portanto, que no caso das
palavras sujas, dos palavrões e de insultos, é melhor deixá-los de lado. Conforme o dito
popular, ‘o silêncio é ouro, e a palavra é prata.’ Vale lembrar também que há um trecho do
Talmud que esclarece o fato de que, ao chegar no mundo das almas, marido e mulher
deverão prestar contas até mesmo a respeito das conversas cotidianas do casal a qualidade
do diálogo e o respeito mútuo empregados serão devidamente analisados e julgados.
17 Como símbolo de luto, ao
visitar o Kotel (Muro das Lamentações) depois de um longo intervalo de tempo, é
necessário rasgar um pedaço de sua vestimenta.

Verdadeiro. Existem, no entanto, diferentes costumes e algumas regras que definem o


cumprimento desta mitzvá. Não é necessário rasgar todas as peças de roupa somente a
última camada da vestimenta. Muitos vestem sobre a sua roupa uma camisa mais antiga, já
preparada para rasgála e depois descartá-la. Ao rasgar a roupa do corpo e trocá-la por
outra camisa não é necessário rasgar esta novamente.
Crianças estão isentas de rasgar a roupa. Depois que o Grande Templo de Jerusalém foi
destruído, costumes como este foram instituídos para nos auxiliar na lembrança; para nos
ajudar, nos dias de hoje, a nos identificar com esta época e nos conscientizarmos em
relação a esta perda. Deverá cumprir o preceito qualquer pessoa que permaneceu por mais
de 30 dias distante de qualquer local próximo ao local onde esteve erguido o Grande
Templo com proximidade suficiente para que se pudesse avistá-lo, ainda que à distância.
Por essa razão, moradores de Jerusalém não costumam rasgar suas roupas ao chegar ao
Muro, já que circulam diariamente por estas áreas.
Aquele que deseje cumprir este preceito em minúcias e deseje conhecer mais detalhes a
respeito deve procurar orientar-se com um Rabino.
18 Um parente próximo em estado
semivegetativo, durante um momento de lucidez pede para que eu ‘desligue a
máquina,’ a fim evitar o prolongamento de seu sofrimento. Até mesmo de acordo
com a Torá, o direito da decisão deve estar com aquele que sofre.

Falso: As leis da Torá condenam veementemente que se cause a morte de qualquer pessoa
– qualidade de vida pessoa em questao. Mesmo que a induçao independentemente da e do
prognó stico da da morte de um indiví́duo vegetativo seja ‘justificá vel,’ como, por exemplo,
para salvar a vida de alguém que goza de todos os seus sentidos, ainda assim nossos sábios
não permitem que tomemos o ‘cetro da vida e da morte’ em nossas mãos. Esta regra tem
seu fundamento no perfil profundamente ‘pró-vida’ da nossa Torá. A propósito, a própria
Torá, em suas leis relativas ao Shabat, determina que, em nome de salvar uma vida
(independentemente do estado de consciência da vítima) é primordial – e considerado
como uma mitzvá - romper todas as restrições relativas ao Shabat, se necessário.
Em resumo: o prognóstico - relativo ao tempo previsto de vida - em cada caso, é a chave
para determinar a ação. Em casos nos quais o paciente estaria em coma, por exemplo, mas
seu prognóstico fosse longo, existe a obrigação de tratá-lo e mantê-lo em vida. Por outro
lado, nos casos em que o paciente goza de seus sentidos, mas seu prognóstico e bem curto,
existem diferentes ponderações a serem feitas quanto à extensão (e não o encurtamento)
de seu tempo de vida.
Portanto, ‘desligar as má quinas,’ antecipando a morte de um doente, caracteriza-se na
Torá como assassinato– independentemente das boas intenções. (Vide o livro ‘Decisões
Entre Vidas e Vidas’, por Shimshon Bisker, Amazon.com.br)
De acordo com as leis judaicas, até mesmo um idoso que, ao tornar-se extremamente
enfermo, expressa seu desejo de morrer, deverá ser tratado com todos os recursos
necessários, sem nenhuma diferenciação em relação ao tratamento do paciente jovem.
Existem exceções: nos casos de pacientes terminais, que tenham sido diagnosticados com
doenças graves e com um prognóstico muito curto de vida, para as quais não existem
recursos médicos disponíveis para tratá-lo. Nestes casos, qualquer tipo de tratamento
converte-se em um paliativo, usado somente para mantê-lo em vida por um período curto
adicional de tempo; e muitas vezes estes próprios tratamentos acrescem muito o nível de
sofrimento do paciente. Aqui, a decisão cabe ao próprio paciente, que deve decidir se deseja
ou não receber o tratamento. Contudo, ainda nesta situação, caso a opção pelo tratamento
auxilie para sustentar sua vida, aguardando a chegada de um médico mais especializado,
cuja opinião os parentes desejem escutar, deve-se tratá-lo - pelo menos por um período
específico de tempo
- mesmo que contra sua vontade.
De qualquer maneira, é importante frisar novamente que o tema de discussão concentra-se
em estender ou não o tempo de vida; nunca encurta-lo.
Qualquer ato realizado no sentido de encurtar a vida do paciente - desde a negligência ao
uso de medicamentos que sirvam este propósito -caracteriza-se novamente como
assassinato. Quando, neste caso, o paciente estiver completamente inapto a responder por
sua preferência, é permitido basear-se no fato de que, via de regra, o indivíduo tende a
optar por minimizar seu sofrimento, e tende a não desejar submeter-se a um tratamento
tão doloroso cujo resultado estende-se por tão curto espaço de tempo.
19 De acordo com a Torá, o aborto
voluntário é proibido.

Verdadeiro: O bebê caracteriza-se como ‘feto’ enquanto seu corpo ainda esteja ‘in- utero’ -
no momento em que sua cabeça projeta-se para fora do canal vaginal, já é considerado um
bebê nascido. Se um feto coloca a vida de sua mãe em risco, e se a única maneira de mantê-
la em vida seria realizando um aborto, seria permitido realizá-lo. Mesmo que as leis da Torá
não permitam que se salve uma vida em detrimento de uma outra, neste caso – somente se
não tenha entrado ainda em trabalho de parto, ou se este ainda não tenha alcançado o
estágio final - devido a diversas razões, a vida da mãe prevalece. É importante frisar, no
entanto, que o aborto voluntário por qualquer outra razão é totalmente proibido. Retirar a
vida de um feto está incluído na proibição de assassinato.
Está escrito no Zohar: ‘Algué m que mata o seu filho, ou seja, o feto que se encontra no
ventre de sua mulher [atravé s do aborto] está destruindo a construçaodo Criador.’ E, digase
de passagem, esta ‘construçao,’ o processo de desenvolvimento do feto ‘in- utero’, é algo
fascinante.
assassinos, porém aquele que

Existem comete o aborto converte-se no assassino de seu próprio filho. Ainda de acordo
com o Zohar
- através deste ato, além do mal que causa a si e à sua descendência, o indivíduo classifica-
se como o autor de três males insuperáveis à humanidade: acrescenta uma camada de
desconexão entre o Criador e a criação; atrai desgraças ao mundo como consequência deste
ato; causa com que novos maus decretos recaiam sobre ele e sobre a comunidade que ele
habita.

E o Zohar descreve: ‘Pobre desta pessoa, melhorseria que não houvesse sido criada.’ Existe
uma organização chamada EFRAT que ajuda pessoas que estão pensando em fazer aborto.
Ajuda de forma financeira e emocional. organização estão vivos! Website
http://www.efrat.org.il/portuguese/ Graças ao trabalho da

EFRAT 50.000 nenéns hoje em Português:


20 Aquele que come Kasher
acredita que sua comida é requintada e de maior qualidade; e ainda acredita que a
comida não-kasher saborosa.
não seja nada

Verdadeiro e Falso: níveis de cumprimento Torá... É evidente que

Existem diversos dos preceitos da comer Kasher é sempre a melhor opção,


independentemente do fator que motiva esta escolha.
Em contraponto, ao consumir um alimento não-Kasher, além de ir contra os princípios da
Torá, uma pessoa também estará causando danos espirituais para si mesma. Existe uma
motivação a mais quando o alimento além de Kasher é saboroso – comer por ser saboroso e
ainda cumprir uma mitzvá!
No entanto, aquele que se esforça para comer sempre comidas Kasher tem plena
consciência, ao sentir o cheiro inebriante de um “filé mignon” saindo do restaurante
Porcão, que este deve ser muito saboroso, mas opta por manter-se fiel a um preceito que o
auxilia a transcender o mero desejo por algo saboroso, e aliar assim o prazer ao
autocontrole.
21O uso de droga e o consumo
exagerado de bebidas em comemorações é permitido aos judeus ortodoxos?
(Conheci um religioso que ficava bêbado e outro que às vezes fumava um baseado).

Falso: Tudo o que causa danos à saúde não é permitido pela Torá.
Está escrito: “Venishmartem meod et nafshechem – Cuidem muito de suas almas.”
Em dois trechos distintos da Torá aparecem advertências para que cuidemos de nossas
almas. No primeiro, aconselha-se que não nos esqueçamos dos ensinamentos adquiridos.
No segundo trecho, aparece o alerta para que não pratiquemos idolatria. Porém, no
Talmud acrescenta-se outro ensinamento, implícito nas palavras acima (“cuidem muito de
suas almas”) - que cuidemos de nossas vidas não colocando-nos em situações que possam
implicar em um perigo de vida. Aqui estão incluídos comportamentos de risco como a
utilização das drogas, o abuso do álcool, a obesidade em excesso, o tabaco, e similares.
Adicionalmente, sugere-se a construção de uma cerca para proteger o‘terraço de nossas
casas,’ em casas com crianças e até mesmo em casas onde nao haja crianças, e a eliminaçao
de qualquer obstáculo que possa colocar em risco a vida de qualquer pessoa. A bebida
alcoólica pode ser utilizada em certas rezas, no shabat, em cerimônias e festas de
casamentos, desde que seja consumida com moderação e bom senso.

22 As melodias ‘quasi-mântricas’
entoadas no serviço religioso na sinagoga foram elaboradas com manter atentos os
congregação.
o objetivo de membros da Verdadeiro parcialmente: Nosso patriarca Yaakov (Jacó),
durante mais de 20 anos, permanecera triste pela ausência de seu filho Yossef (José)
Yossef, cujo desaparecimento atribuíra ao ataque de animais selvagens, segundo lhe
haviam informado seus outros filhos. Em uma das cenas mais marcantes do Tanach, Yossef
reaparece em grande estilo, aparecendo para seus irmãos a princípio como o Rei do Egito, e
depois revelando sua identidade, conduzindo-os a um momento de perplexidade e choque.
Os irmãos então ponderam que seria arriscado para a saúde de seu pai, Yaakov, que
recebesse esta abrupta.
Uma das netas de Serach. Com sua harpa na mão, sua voz suave e dedilhado delica do,
aproximou-se de seu avô e entoou um mantra:“Od Yossef Chai... Yossef [meu tio] ainda vive,
Yossef reina sobre o Egito, Yossef não está morto, ainda está entre nós...”; repetida diversas
notícia de forma tão

Yaakov chamava-se vezes, a melodia hipnótica penetrara o coração do avô, enchendo seu
coração de esperança. Enxergando o fim de um longo e penoso período de depressão,
Yaakov pede a sua neta que siga cantando, pois “a felicidade agora reacende dentro de
mim.” Serach segue com a mesma melodia suave, restaurando toda a força espiritual de seu
avô. (Este trecho consta no Midrash Vaigash). Vê-se que as canções podem ser
instrumentais para reter o foco, porém o poder da música transcende essa mera
propriedade.
23 Cortar um alimento segurando
o em suas mãos e apontar a faca em direção ao próprio corpo são sinais de azar.

Falso: Consta no Talmud, citando os Sábios da época, que aqueles que mantinham o
costume de não cortar a carne segurando-a em suas mãos eram louvados. Isto devia-se a
uma razão muito simples, e nada mística: ao cortar o pedaço de carne, haveria o risco de
cortar as mãos por engano. Este fator é válido somente no caso de um alimento cujo
aspecto remeta ao aspecto da carne humana. Quanto à segunda parte, para um alimento
cuja rigidez exige que se aplique força para cortá-lo, deve-se evitar apontar a faca em
direção ao próprio corpo, sob o risco de que a faca escorregue por engano e venha a ferir o
sujeito. Tudo muito racional, prudente e apropriado - nada, no entanto, relacionado ao azar.
24 Segundo a Torá, é proibido
realizar truques de mágica.

Falso, com uma ressalva: É de fato proibido passar-se por mago, fingindo ter poderes
extrassensoriais para impressionar aos demais. Realizar uma performance de
entretenimento constituída de truques de mágica é natural e permitido, desde que o
mágico anuncie aos presentes que se trata de um show com truques, e que fique claro que
nao se trata dautilizaçao de ‘poderes.’ També m é recomendá vel que ele revele um de seus
truques para deixar claro que nao passam de truques. E diga-se de passagem, a palavra
usada pelos má gicos “ABRA CADABRA” vem do Aramaico (linguagem do Talmud Bavli)
Abra = que seja, Cadabra (dibur) = como o que foi dito.
25 Não se deve passar o sal de mão
em mão.

Falso: Não existe nenhuma fonte da Torá que explique este costume. Possivelmente, sua
origem está no costume relacionado ao pão: Não passar o pão de mão a mão, assim como
evitar servir uma bebida ao contrário, são costumes que de fato devem ser levados em
consideração, já que tratam-se de atitudes especificamente determinadas àqueles que estão
de luto.
26 Segundo a Kabalá, as cores
podem exercer influência sobre o estado de humor.

Verdadeiro: Consta nos estudos ocultos da Torá que cada cor está conectada a uma
influência espiritual específica. O estudo do significado das cores pode fornecer também
informações muito aprofundadas e importantes relativas aos elementos da natureza e à
beleza da criação: O azul do céu, o verde das folhas, o vermelho e amarelo do fogo, os tons
da terra. Existem diversas fontes judaicas para entender esse tema. (Vide livro ‘A Influência
das Cores e o Poder das Pedras,’ por Shimshon Bisker, Amazon.com.br.)
27 Não se deve pisar em migalhas
de pão.

Verdadeiro : Está escrito no Talmud que pisar em migalhas de pão atrai a pobreza. Por
motivos místicos, cabalísticos e muito extensos para serem explicados aqui.
28 Não se deve oferecer ao
próximo um gole de seu próprio copo.

Verdadeiro e Falso: Por motivos nada cabalísticos: Se ao fazê-lo for gerado um mal estar,
se for causar asco, ou transmitir germes, deve-se evitar.
Porém, se ao limpar o local onde se encostou a boca elimina-se o fator do asco, continua
somente o problema da transmissão dos germes. Caso ambas partes estejam de comum
acordo em relação aos respectivos estados de saúde, não há problema algum em
compartilhar um delicioso milk shake, por exemplo.
29 Dormir com a porta do armário
aberta pode causar danos à alma.

Falso: Além de ser uma boa ideia manter sempre a arrumação de seu quarto, não existe
nenhum motivo místico pelo qual a porta do armário deveria manter-se fechada...
30 É uma mitzvá (boa ação) deixar
claro ao doente terminal, em estado grave, qual a sua verdadeira situação, não sendo
correto privar
o sujeito de saber a verdade. Além disso, fazer um vidui (confissão) e arrependerse
de seus erros antes de falecer pode ajudá-lo a conquistar um nível espiritual ainda
mais elevado.

Falso e Verdadeiro: A afirmativa mais verdadeira e mais central no que se refere ao ponto
judaico em relação ao paciente terminal é: É proibido causar a morte de alguém. Mesmo
que lhe reste poucos momentos de vida, ou ainda, se um paciente chega ao hospital em
estado grave e não há perspectiva de cura, deve-se oferecer o tratamento mais efetivo
possível, estimular o pensamento positivo e promover a autoconfiança. Para que o paciente
não desista de viver, os médicos deverão tratálo, ainda que as chances sejam mínimas de
que o tratamento venha a surtir algum efeito. Privá-lo da esperança de curar-se é o maior
dano que se pode causar a um enfermo.
Portanto, se sua vida corre o risco de ser encurtada através do efeito psicológico da
revelação proibido prognóstico real. Mas caso contrário, sim, é correto que o paciente saiba
da verdade e possa se dedicar aos seus últimos momentos de vida fazendo aquilo que ele
deve fazer e se elevando espiritualmente.
Está correto e deve-se fazer junto com a pessoa que está em seus momentos finais, o
Shemá Israel (a leitura do Shemá) e o Vidui (a confissão, que consta no sidur (livro de
rezas).
de sua verdadeira situação, é

revelar ao paciente qual seu

31 De acordo com a Torá os


tratamentos médicos alternativos são condenáveis.
Falso, com restrições: Realmente existem tratamentos alternativos que perpassam por
transgressões da Torá. Contudo, nem todos os tratamentos alternativos estão conectados a
transgressões. Um tratamento de saúde alternativo idólatras e sobrenaturais só será
permitido se for possível provar que ele funciona conforme as leis naturais, também é
necessário que já tenha sido retirado deste tratamento o segmento que se relaciona com a
idolatria. Não é suficiente que os praticantes deste método medicinal acreditem que o
tratamento funcione de forma natural. Se isto não puder ser comprovado, é possível que
estes próprios indivíduos estejam transgredindo várias proibições da Torá por falta de um
referencial. Portanto antes de começar um tratamento alternativo deve-se consultar uma
entidade rabínica confiável [Baseado na carta do Rabino Morguenshtern, em nome do R.
Eliashiv z”l].
que seja oriundo de cultos se utiliza de ações e forças Segundo o judaí́smo, o ideal é buscar
a cura atravé s do profissional mais qualificado. Indispensá vel també m somar-se as rezas
pedindo a ajuda de Deus,e somar méritos através de atos de benevolência.
32 Segundo a Torá, riqueza é
pecado.

Falso: O Talmud revela que uma pessoa rica é abençoada (tem berachá), sendo apropriado
honrá-la, mas nunca bajular. É importante observar que o termo berachá (bênção) explicita
o fato de que nenhuma pessoa rica deve acreditar que possui somente mérito próprio por
haver acumulado sua riqueza. Contudo, consta também do Talmud que a tendência de uma
pessoa que enriquece é justamente a de orgulhar-se de sua conquista e afastar-se de Deus.
De maneira generalizada, observa-se em muitos casos a tendência à arrogância; portanto o
Talmud afirma que o ‘teste da riqueza’ é mais difícil do que o ‘teste da pobreza.’ Entretanto,
utilizar-se da riqueza pessoal para ajudar aos necessitados, ou dedicar-se a metas alheias às
posses materiais, tais como o estudo da Torá e o crescimento espiritual, são maneiras de
transcender e superar este teste.
33 Olhar para o rosto de uma
pessoa má causa mal-estar.

Verdadeiro: Não devemos olhar (olhar, no caso profundamente) na cara de uma pessoa
má; tampouco olhar na cara de uma pessoa com raiva (Sefer Chassidim); também olhar na
cara de uma pessoa maluca ou triste não traz boas influências (Kaf Hachaim); vemos que ao
olhar no rosto de uma pessoa recebemos a sua influência, portanto, nestes casos devemos
evitar.
34 Um astronauta no espaço
transcende as limitações temporais da Terra, mas ainda assim pode seguir
cumprindo as mitzvot (mandamentos da Torá)

Verdadeiro: Baseado em casos de tratados talmúdicos e aplicação prática da lei judaica,


um astronauta deve basear-se na contagem de tempo da Terra do momento de sua
decolagem, espaço. Ao sair da contagem de tempo estivesse no ponto de partida, esteja ele
na Lua ou em qualquer estação espacial, ou até mesmo perdido em um deserto.
como referência no esfera terrestre, sua

segue-se como se
35 Não é permitido atirar pedaços
de unhas ao chão, nem tampouco pisálas.

Verdadeiro: Além do fator de higiene, logicamente, é fundamental o cuidado em colocar as


unhas cortadas dentro do vaso sanitário ou no lixo, locais onde não corram o risco de
serem pisadas. Está escrito no Talmud, em textos que citam conhecimentos ocultos, que
uma mulher grávida que pisa em unhas, não é bom para o seu feto.
36 É melhor evitar apagar velas
usando o sopro.

Verdadeiro: De fato não se deve apagar as velas soprando. O Livro Zohar traz uma
explicação cabalística a respeito da relação entre a força do fogo e o ar expirado através da
boca. Mas se você for a uma festa e alguém estiver soprando as velas, não precisa pedir
para não fazê-lo, se tornando o “chato” da festa.
37 Diz-se que, para um religioso,
não é recomendável passar entre duas mulheres, a fim de manter-se imune à
influência do sexo frágil.

Falso e Verdadeiro: De fato o Talmud orienta que um homem não caminhe entre duas
mulheres, porém o que poucos sabem é que orienta também que uma mulher não caminhe
entre dois homens.
Derrubase aqui o argumento ‘sexista,’ a despeito de confirmar-se o princípio. Aqui também
o motivo é por razões cabalísticas.
38 Segundo a Torá, não é
permitido o consumo de bebidas alcoólicas.

Falso: O vinho é um elemento central de muitas rezas – utilizado todo Shabat durante o
kidush, nos casamentos, e no brit-milá, entre outros.
Deixando evidente que a mesma regra a ser aplicada em qualquer assunto que diz respeito
aos prazeres mundanos deve ser aplicada também neste caso - a regra do bom senso. Ou
seja: a bebida, utilizada com parcimônia, é bem-vinda; a falta de controle, o autoabandono e
o vício não os são. Fazer“L’Chaim” exagerados, e ficar bêbado, com alegação que é bom para
o clima do evento religioso, está completamente proibido.
39 Não é recomendável beber o
conteúdo de um copo que permaneceu descoberto durante a noite inteira.

Falso e Verdadeiro: A implementação da lei rabínica referente à não-ingestão de qualquer


líquido que teria permanecido exposto durante o período da noite de fato ocorreu. A
proibição aconteceu devido à suspeita - relevante naquela época - de que uma cobra
poderia ter sido atraída por seu conteúdo, e, ao saciar sua sede, teria deixado rastros de seu
veneno - que poderia ser fatal.
Nos dias de hoje, em locais que existem cobras a lei continua em vigor, porém em locais
onde não se encontram cobras, esta lei não se aplica (conforme consta do compêndio
Shulchan Aruch). Existem, no entanto, algumas autoridades rabínicas que sustentam a
opinião de que a lei deve permanecer em rigor até os dias de hoje, e, portanto não seria
permitido consumir o conteúdo do copo, a despeito de quaisquer outros fatores externos.
40 Não é ideal adormecer de
meias, ou sem descalçar os sapatos.

Falso e Verdadeiro: Não há problema algum em dormir de meias. Porém, embarcar no


sono sem retirar os sapatos não é aconselhável de fato. A propósito, se seu filho pequeno
adormecer de sapatos, é bastante recomendável descalçá-los, com cuidado para não
acordá-lo.
41 A Torá condena a posse de
estátuas com formatos de animais dentro do lar.

Falso: É permitido utilizar esculturas com formatos de animais para fins decorativos,
como parte do design de uma casa - desde de que não exista referência algumaa ‘bons
fluidos’ ou qualquer coisa do gênero. Vale lembrar que esculturas que retratam figuras
humanas são proibidas, mesmo que estejam destituídas de qualquer referencial ou
símbolo.
42 Deixar uma estátua de elefante
(elefante da sorte) com a parte traseira voltada para a porta é sinal de boa sorte.

Falso: Este costume tem origem na religião Hindu. Segundo os princípios da Torá, além de
não enunciar as boas novas, este costume evoca uma tradição completamente idólatra: a
adoração ao deus Ganesha, o cabeça de elefante filho de Siva e Parvati, tido pelos hindus
como a ‘porta de entrada para a boa sorte.’ Poucos sabem que Ganesha tem como o seu
mais famoso símbolo da sorte a suástica - imagem que era relativamente popular nos
Estados Unidos até ser adotada pelo partido nazista e ter sua conotação alterada.
43 É proibido o uso de flores em
cerimônias judaicas de enterro, nem se deve deixar plantas sobre as lápides.

Falso e Verdadeiro: De fato, costuma colocar flores sobre judaicos, nem utilizá-las para
cerimônias religiosas fúnebres. De acordo com alguns mestres da Cabalá, o uso das flores
deve ser evitado.
O costume judaico mais comum é o de colocar uma pedra sobre o túmulo, que além de
servir de honra ao falecido, demonstrando que várias pessoas vieram não se túmulos

decorar visitá-lo e prestar homenagem, simboliza também a eternidade. A pedra, ao


contrário de uma flor, não perece. A alma, a despeito da morte do corpo físico, ultrapassa a
barreira do tempo e do espaço. Portanto, apesar de não ser proibido, não é aconselhável
tentar reproduzir costumes não-judaicos cujos significados não condizem com a nossa
tradição milenar.
44 É proibido jurar em nome de
Deus em vão.

Verdadeiro: Faz parte do rol dos dez mandamentos: É proibido jurar em nome de Deus em
vão.
Evidentemente, esta proibição refere-se a um juramento feito com toda seriedade e
circunstância.
Uma expressão idiomática muito comum é o “Juro por Deus,” que denota, sem
compromisso, a necessidade de validar um pouco mais uma afirmativa.
Neste caso não se trata exatamente de um pecado capital, embora não seja aconselhável,
ainda assim, que se utilize o nome de Deus para dar conferir mais credibilidade a um
determinado ponto de vista ou ideia.
45 Os religiosos lavam as mãos de
uma forma específica quando acordam, de outra forma quando comem pão; também
o fazem antes de rezar, ao sair do banheiro, entre outros. Na realidade, a origem de
todas essas obrigações religiosas está na necessidade de manter padrões de higiene,
tendo sido criada a mitzvá de lavar as mãos como pretexto para inculcar o hábito
entre os fiéis.

Falso: Apesar de ser verdadeira e fundamental a recomendação de manter a higiene das


mãos – antes de comer, ao sair do banheiro, antes de cozinhar - esta não é a razão pela qual
passou a existir o hábito de lavar as mãos dentro da prática religiosa judaica.
A lavagem das mãos de acordo com a lei judaica exige por vezes o uso de um kli (utensílio),
e outras vezes é necessário somente enxaguá-las. Ao despertar, por exemplo, antes de
comer pão, ou ao deixar o cemitério é necessário lavar as mãos fazendo uso do kli para
netilat iadaim (lavagem das mãos).
A forma com que se lava também tem está descrita: Pela manhã ou ao sair do cemitério,
despeja-se água três vezes sobre cada mão, alternadamente. Outras formas de lavagem são
utilizadas em momentos diferentes.
Fontes da Cabalá citam o fato de que uma parte de nossas almas deixa o corpo durante o
sono, eao retornar, deixa rastros de ‘um- sessenta-avos damorte’ nas nossas unhas, que
novamente será purificada após a lavagem das mãos desta forma. Por essa razão não se
deve tocar em alimentos antes de fazer esta lavagem pela manhã.
46 De acordo com as leis da Torá,
em Pessach é proibido comer somente pão, mas tomar uma cervejinha está ok.

Falso: Muita gente tem a falta noção de que a proibição de comer pão seja a única
proibição em Pessach (Páscoa Judaica). A proibição em Pessach nos previne de consumir
qualquer produto fermentado que seja derivado das cinco espécies existentes de grãos, que
são: trigo, centeio, cevada, aveia e espelta. Isto também inclui bolachas, biscoitos, cerveja, e
afins. Um pão de queijo, que é feito com farinha de mandioca, pode ser preparado em
Pessach (desde que os ingredientes e o modo de preparo sejam Kasher LePessach). O suco
de uva, mesmo sendo uma bebida fermentada, não está incluído na lista de proibições, já
que ele não é derivado de nenhuma das espécies de grãos.
47 Falar mal do próximo é sempre
proibido.

Falso: Muitas vezes falar bem demais também é proibido. E, às vezes, abster-se de
comunicar uma informação relevante a respeito de alguém pode também esbarrar no
proibido. Um exemplo: Por experiência própria, sabe-se que uma determinada pessoa não é
idônea. Um amigo aproximase e pergunta sua opinião a respeito da mesma, pois deseja
iniciar com ela um contato e um relacionamento profissional. Neste caso, existe uma
obrigação de se falar a verdade acerca do indivíduo em questão, e deve-se
obrigatoriamente alertar ao amigo para que tome cuidado (tentando ser objetivo, sem
exageros).
Existem casos nos quais citar uma virtude de uma determinada pessoa seria proibido. Por
exemplo, caso esteja ciente de que existe uma animosidade entre dois indivíduos, não é
apropriado falar boas palavras a respeito de uma das partes frente ao seu inimigo, pois essa
fala desencadearia uma série de críticas. Somente nos casos nos quais proferir boas
palavras possa de fato ajudar a solucionar brigas e salvar reputações, é que seria permitido
falar bem de um para levá-lo à reconciliação com o outro.

48 É mais apropriado optar pela


auto definição de ‘judeu brasileiro’ do que se deixarotular como um ‘brasileiro
judeu.’
Nem falso nem verdadeiro: Esta é uma velha discussão, e diversos casos acontecem e dão
o que falar. Estava uma vez em um táxi em São Paulo, e o motorista, que já conheço há anos,
me disse: Interessante ver que você, nem brasileiro é, e conseguiu se adaptar bem à cultura
local. Eu disse a ele que sou brasileiro sim, já que nasci no Brasil, e que minha religião é
judaica. Muita gente se confunde dizendo que ser judeu é já ter uma nacionalidade, ou
outros se confundem como sendo judeu como raça: Judeu. Deixamos claro que a
nacionalidade de uma pessoa depende de onde ela nasce, e/ou, se se nacionaliza, e a
religião é a crença e o modo de vida que a pessoa tem. E raça não tem nada a ver com
religião e nem com nacionalidade. Então não há uma forma correta de dizer. Dizer que é um
brasileiro judeu, não quer dizer que a pessoa se considera mais brasileiro do que judeu, e
também dizer que é um judeu brasileiro não significa que a pessoa dá mais importância a
sua religião que a sua pátria. Cabe a cada um decidir como prefere se relacionar em
diferentes situações cotidianas. Mas independentemente de ser ou não pertencente a uma
nacionalidade, o ser judeu significa fazer parte de um povo, como tradição milenar, história
em comum com qualquer judeu do mundo, e ter regras e obrigações que qualquer judeu em
qualquer canto do mundo também tem.
49 Praticar o judaísmo, comer
comida Kasher, e respeitar o Yom Kipur são elementos supérfluos na conquista de
uma identidade judaicapessoal. ‘O mais importante é ser judeu no sentimento, no
coração.’

Falso: Por um lado é muito importante ser judeu no sentimento, conectar-se de coração, e
sentir-se orgulhoso por fazer parte desta tradição. Por outro lado existem determinadas
regras e certos deveres que acompanham o ‘pacote.’ Estas estão intimamente ligadas à
permanência dentro desta tradição.
Esvaziada de sentido, a tradição judaica não se sustenta de geração em geração. Uma
analogia bastante simplificadora, mas bem ilustrativa seria:‘viajo aos Estados Unidos todo
ano e sinto-me americano de coração. Falo inglês fluente, e amo o‘american way of life.’
Seria esta ufania suficiente para que o oficial da imigração liberasse minha trada aos
Estados Unidos sem passar pela categoria de turista? Absolutamente não! Em
contrapartida, um americano, nascido nos Estados Unidos, poderá ter vivido durante toda
sua vida no Japão, porém ao entrar em território norte-americano, poderá apresentar seu
passaporte azul no guichê especial chamado ‘blue lane,’ adentrando rapidamente em seu
país natal. Cumprir as leis judaicasgarante o ‘passaporte’ para as gerações futuras, já que
um ‘forte sentimento judaico’ não é suficiente para que seus descendentes mantenham a
chama do judaísmo basear-se em permaneça ativa e presente, e somente estes pilares
podem garantir sua continuidade. acesa. Uma religião deve

seus preceitos para que