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TEATRO 4 DE SETEMBRO: importância na manutenção da referência cultural e de lazer

para a cidade de Teresina

VIEIRA, Jeniffer Lustosa (1); RODRIGUES, Ana Dandara Varjão (2); FONTINELE, Josué Gomes
(3);

(1) Graduanda em Arquitetura e Urbanismo pelo Centro Universitário UNINOVAFAPI. E-mail:


jenifferlustosa@hotmail.com

(2) Graduando em Arquitetura e Urbanismo pelo Centro Universitário UNINOVAFAPI. E-mail:


j.ffontinelle@gmail.com

(3) Graduanda em Arquitetura e Urbanismo pelo Centro Universitário UNINOVAFAPI. E-mail:


daaaaandy2@gmail.com

Resumo: O Teatro 4 de Setembro está localizado no centro de Teresina – PI, na praça Pedro II. O
edifício tem estilo eclético e possui grande referência ao Patrimônio local. Atualmente reformado e
moderno, integra algumas atividades culturais da cidade. Este estudo pretende discutir sobre o potencial
do Complexo Cultural que integra o Teatro e propor a inserção de práticas culturais e de lazer, visando
estimular os valores culturais para a localidade.
Palavras-chave: cultura, lazer, patrimônio.

Abstract: The 4 de setembro Theater is located downtown of Teresina – PI, on Pedro II square. The
building has an eclectic style and it has a great reference to local Heritage. Currently renovated and
modern, it integrates some cultural activities of the city. This study, intends to debate about the Cultural
Complex’s potential that includes the Theater and to purpose the insertion of cultural practices and
leisure, aiming to promote cultural values for the locality.
Keywords: culture, leisure, heritage.
INTRODUÇÃO
O presente artigo tem como temática a preservação do Teatro 4 de Setembro no âmbito
de sua importância para construção das referências culturais no alicerce do lazer. Dessa forma,
utilizou-se como metodologia da análise artigos e livros que estudaram e investigaram sobre a
história do Teatro 4 de setembro, a preservação do Patrimônio Histórico e a essencialidade
desse teatro na construção sociocultural.
O artigo está dividido em três partes distintas: a primeira discorrerá sobre a construção,
características e história do objeto de estudo. A segunda informará sobre os edifícios tombados
no Piauí e as práticas de lazer cultural. Por fim, analisará a importância da preservação do
patrimônio baseando-se nos conceitos de lazer e cultura.
1 DESENVOLVIMENTO
1.1 HISTÓRICO E REFORMAS NA EDIFICAÇÃO
De acordo com Campelo (2015), o Teatro 4 de Setembro foi construído entre 1889 e 1894,
em função de uma mobilização da população que sentia-se carente de um espaço para as artes
à altura da sociedade teresinense. Essa comissão ocorreu em 4 de setembro de 1889, data que
dá nome à edificação. Após algumas mudanças no governo de Teresina, foi nomeada a 3ª
Comissão de Construção do Teatro 4 de Setembro, sendo liderada por Manuel Raimundo da
Paz que, apesar de ser um cidadão influente na sociedade da época, não apresentava
conhecimentos técnicos de construção civil. Em virtude disso, a primeira proposta de planta do
prédio foi severamente criticada, depreciativamente denominada de “caixa de fósforo” por
apresentar apenas uma porta de entrada e outra de saída, não sendo, então, aprovada pelo
Governo.
Assim, foi doado ao Governo um novo projeto, desenhado pelo engenheiro alemão
Alfredo Modrak, que seria a planta definitiva da edificação. A obra foi implantada em um
terreno de 40x40 metros na Praça de Aquidabã, atualmente Praça Pedro II, devido sua
localização privilegiada e nível topográfico favorável. Segundo Filho (2007), o prédio foi
construído de tijolos cozidos com argamassa de cal, representa o ecletismo, tendência da
arquitetura que vigorou a partir do final do século XIX, incorporando elementos do neogótico
e do neoclássico, como mostrado na Figura 01.
Figura 01: Fachada principal do Teatro 4 de Setembro.
Fonte: Renato Medeiros Cordeiro, setembro 2016.

O Teatro foi inaugurado em 21 de abril de 1894. De sua inauguração até a década de 30,
teve grande participação na dramaturgia piauiense. Sediou grandes espetáculos, peças teatrais
encenadas com elenco de renome do Teatro Nacional. Em 1930, com o advento do cinema
falado as peças teatrais caem em decadência e as instalações
passam a funcionar como sala de exibições de filmes, conferências literárias, solenidades
cívicas e bailes de carnaval.
Ainda de acordo com Campelo (2015), o teatro passou por diversas reformas, sendo a
quarta e de maior intervenção a ocorrida entre 1973 e 1975, com paralisação total de suas
atividades. O projeto foi de Borsoi Arquitetos Associados, com consultoria técnica do
cenógrafo Fernando Pampolha, sob responsabilidade da Construtora Lourival Sales Parente. A
ampliação e reforma conservou toda a estrutura externa. Internamente, porém, os arquitetos
viram-se livres para reorganizar os espaços, considerando que esta parte – foyer, corpo e palco
– achava-se inteiramente arruinada.
Essa reforma permitiu a expansão da capacidade de 565 para 663 espectadores,
distribuídos pelo auditório e pelos dois pisos de balcões. O sistema acústico e de iluminação da
cena receberam cuidados especiais, bem como a refrigeração e a alimentação por uma central
de refrigeração e subestação elétrica. A ampliação consistiu no acréscimo, ao corpo já existente,
de duas alas laterais, dotadas de dois andares. Ressurgindo, assim, como um teatro moderno,
ampliado e equipado com as inovações técnicas da época.
1.2 PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO E EDIFÍCIOS TOMBADOS NO MUNICÍPIO
Segundo dados da Fundação Cultural do Piauí o Teatro 4 de Setembro foi tombado em
17 de junho de 1994 através Decreto nº 9198/1994 pelo Governo do Estado, seguindo regras e
critério de intervenção estabelecidos na Lei Estadual 4515/1992.
De acordo com a Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenação Geral, em 1993,
Teresina já possuía inúmeros monumentos de valor artístico, histórico e estético, dignos de
preservação. Existiam, até então, duas legislações básicas no âmbito Municipal sobre a
preservação do patrimônio: Lei de Preservação Patrimonial, que tem como objetivo a
preservação parcial da fachada ou parte relevante do monumento que participe da paisagem
urbana de domínio visual para a população; e Legislação do Tombamento, indicada para casos
especiais de preservação integral do monumento. Nos dois casos, a Prefeitura oferece incentivos
para os proprietários, sendo o órgão gestor o Departamento de Patrimônio da Fundação
Monsenhor Chaves. Nessa época, a Prefeitura assegurava a preservação parcial de 97 prédios
da cidade e 23 espaços urbanos.
Na esfera estadual, os processos de tombamento são referendados pelo Conselho Estadual
de Cultura e os trabalhos de fiscalização e execução são desempenhados pelo Departamento de
Patrimônio da Fundação Cultural do Piauí – FUNDAC. Até então, apenas 8 prédios eram
tombados pelo patrimônio estadual, entre eles a Escola Normal Antonio Freire, o Clube dos
Diários, a Companhia Editorial do Piauí – COMEPI e a Casa do Barão de Gurgueia.
Entre outras leis que envolvem a preservação do patrimônio histórico e cultural estão:
Lei Nº 4.515/1992 de novembro de 1992, dispõe sobre a proteção do Patrimônio Cultural do
Estado do Piauí e dá outras providências; Lei Nº 1942 de agosto de 1988 que dispõe sobre o
tombamento e preservação do patrimônio histórico, cultural, paisagístico e artístico, localizado
no Município de Teresina; Decreto-lei Nº 25, de 30 de novembro de 1937, que organiza a
preservação do patrimônio histórico e artístico nacional.
De acordo com a Fundação Cultural do Piauí – FUNDAC, atualmente, o Piauí possui
bens tombados em 16 dos seus 224 municípios. Teresina entra na lista com 17 bens tombados
e registrados, sendo eles a Antiga Intendência de Teresina, a Biblioteca Des. Cromwell de
Carvalho – tombada a nível estadual e municipal -, a Casa da Dona Carlotinha, a Casa do Barão
de Gurgueia, o Cine Rex, o Clube dos Diários, a Companhia Editorial do Piauí – COMEPI, o
Edifício Chagas Rodrigues, a Escola Normal Antonino Freire – nível estadual e municipal -, a
Estação Ferroviária, a Floresta Fóssil do Rio Poti, o Grupo Escolar Gabriel Ferreira, o Grupo
Escolar Mathias Olympio, a Igreja São Benedito – nível federal -, o Museu do Piauí, o Palácio
de Karnak e o Teatro 4 de Setembro, sendo esse último o objeto de estudo da presente análise.
1.2.1 PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO E PRÁTICAS DE LAZER CULTURAL
A preservação do patrimônio está intimamente ligada com a funcionalidade e utilização
pela população. Com a tecnologia, os shoppings centers, cinemas, bares e restaurantes
tornaram-se mais atrativos para a maior parte da população, deixando o lazer cultural ser cada
vez menos explorado, o que gera inúmeros casos de abandono e depredação de edifícios e
monumentos históricos.
Teresina possui uma diversidade de edificações, praças e monumentos que durante os
séculos XIX e XX eram importantes para a sociedade da cidade. Fazia parte da cultura da época
as danças de salão, passeios nas praças, a visita à igreja, reuniões em espaços públicos, entre
outras atividades que geravam um melhor aproveitamento do que a cidade tinha à oferecer no
desenvolvimento social e cultural dos indivíduos. Atualmente o interesse social na prática
dessas atividades é reduzido. Segundo Paulo Roberto Ferreira, presidente do Conselho Regional
de Engenharia e Agronomia do Piauí – CREA-PI, há na capital, centenas de prédios sem
manutenção que correm risco de desmoronamento.
O Teatro 4 de Setembro que durante o fim do século XIX e início do XX tinha a agenda
anual cheia, sendo palco de apresentações de nível nacional, com grandes nomes da televisão e
do teatro brasileiro, atualmente realiza eventos esporádicos ao longo do ano, não recebendo a
visibilidade que merece.
Outro caso semelhante, acontece com a Praça Marechal Deodoro da Fonseca, também
conhecida como Praça da Bandeira, embora tenha um amplo espaço de áreas verdes, o anfiteatro
e a Igreja Nossa Senhora do Amparo, a praça tornou-se apenas um local de passagem, não
recebendo, assim, a devida atenção. Há, também, o Cine Rex, que foi palco do desenvolvimento
da cena cultural em Teresina, permanecendo em funcionamento por 65 anos, apesar de ter a
fachada tombada, perdeu o brilho com o fim do cinema e passou a servir apenas como paisagem
para a Praça Pedro II. Dessa forma, a depredação do Patrimônio contribui para denegrir a
cultura de uma sociedade e de uma época, perdendo assim, referências históricas.
1.2.1.1 CULTURA E LAZER
Cultura, substantivo feminino, designa a parte ou os aspectos da vida coletiva,
relacionados à produção e transmissão de conhecimentos, à criação intelectual e artística; o
processo ou estado de desenvolvimento social de um grupo, um povo, uma nação, que resulta
do aprimoramento dos valores, das instituições, das criações e da civilização. (FERREIRA,
2010).
Esse desenvolvimento social alicerçado na criação intelectual e artística e relacionado
com as diferentes esferas da existência humana, pode manifestar-se nos momentos de lazer do
indivíduo, contribuindo para o desenvolvimento da conexão que há entre a construção cultural
e as práticas de lazer.
Nessa medida, o lazer é um momento em que o indivíduo dispõe de tempo livre, fora de
suas obrigações habituais – geralmente ligadas ao trabalho e aos estudos –, podendo optar por
praticar atividades que proporcionem prazer, distração e descanso da celeridade do mundo
contemporâneo, mas que desenvolvam as manifestações socioculturais, apoiadas no desenrolar
da cultura. A definição de lazer e cultura é essencial na análise da relação íntima que tais
conceitos têm com a preservação do patrimônio, considerando a possibilidade que há de dispor
do tempo livre em atividades culturais realizadas em patrimônios históricos.
Lazer, substantivo masculino, definido como ócio, descanso, folga; tempo de que se pode
livremente dispor, uma vez cumpridos os afazeres habituais; divertimento, entretenimento,
distração e recreio. (Ferreira, 2010). Marcellino (2006) divide o lazer em seis esferas essenciais:
interesses artísticos, intelectuais, físicos, manuais, turísticos e sociais. E todos podem participar
de cada uma dessas esferas na vida em sociedade.
1.3 IDENTIDADE E PATRIMÔNIO
1.3.1 IMPORTÂNCIA DA RECUPERAÇÃO DOS CENTROS HISTÓRICOS
Para Pires (2011), o Patrimônio Cultural é ponto essencial na representação viva da
história e do legado de uma sociedade; segundo a autora, esse patrimônio apresenta uma
referência importante:
[...]é uma referência extremamente eficaz contra a “desterritorialização” por que
passam grupos sociais, culturas e mesmo nações de todo o globo. Trata-se de um
fenômeno de virtualização das referências ocasionado pelas rápidas transformações a
que são submetidos os grupos sociais ao influxo das complexas soluções tecnológicas
e consumistas. (Pires, 2011: pág. 1)
A autora também discorre sobre a importância de se garantir o patrimônio como um
Direito Humano:
[...] Patrimônio Cultural, como Direito Humano multifacetado. A preservação do
patrimônio material, sem prejuízo das cautelas relacionadas com a proteção daquele
de caráter imaterial, e, ainda, de um processo criativo de construção da eticidade
concreta, pode ser o último fator aglutinador dos valores de um povo, capaz de
assegurar o compartilhamento do desenvolvimento social em nível regional e o
intercâmbio de bens e informações sem desintegração das fronteiras do mundo
contemporâneo. (Pires, 2011: pág. 1)
Sob a realidade nacional e considerando a importância do patrimônio na identidade
cultural de um povo, o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN enfrenta
o desafio de estimular a participação social na preservação cultural e de manter a estrutura
eficiente. A principal forma de preservação é o tombamento e pode ser feito pela administração
federal, estadual e municipal.
Em Teresina, de acordo com a ex-superintendente estadual do IPHAN no Piauí,
Claudiana Cruz, a preservação do centro histórico da cidade não depende apenas do
tombamento do IPHAN, mas também da reorganização das áreas públicas com a ocupação de
pessoas – como em praças e ruas. São diversos os exemplos de edificações que foram de grande
importância para a sociedade teresinense dos séculos XIX e XX, e que hoje se encontram com
um baixo aproveitamento em atividades culturais, como é o caso do Teatro 4 de Setembro.
Essa importante edificação, que de 1894 a 1980 foi amplamente utilizada como espaço
de lazer para a sociedade teresinense, encontra-se com uma exploração cultural aquém de sua
capacidade. Embora a funcionalidade da edificação ainda seja evidente, com a ocorrência de
algumas atividades culturais esporadicamente, há possibilidade de ampliar essa utilização,
contribuindo, assim, para o desenvolvimento da relação entre comunidade e patrimônio.
CONCLUSÃO
Na realização deste trabalho, observou-se que a degradação do Patrimônio deve-se
essencialmente pelo abandono e descaso da população com o mesmo. Analisou-se ainda, a
necessidade de incluir os Patrimônios Históricos e Materiais no dia-a-dia dos cidadãos, em uma
forma de manter a utilização e consequente preservação desses bens culturais.
Com o fim deste estudo, pretende-se apontar possíveis caminhos para o melhor uso e
aproveitamento desses espaços tão importantes para a construção das referências culturais dos
teresinenses. Entre as possibilidades de melhor aproveitamento, o SEBRAE em parceria com a
Fundação Monsenhor Chaves – responsável pela organização e apoio a manifestações culturais
da capital piauiense – poderia desenvolver atividades locais, utilizando-se do amplo espaço do
Teatro 4 de Setembro, com palestras de empreendedorismo, feiras comerciais em apoio aos
microempresários do artesanato piauiense, entre outras atividades.
Além disso, a Secretária de Cultura do Piauí poderia promover, em maior quantidade,
eventos como shows, peças teatrais e palestras, gerando uma agenda anual repleta de atividades
para a população, trabalhando assim, a conscientização da sociedade para a necessidade da
utilização e preservação desse Patrimônio tão importante na construção da história da cidade
de Teresina.
REFERÊNCIAS

CAMPELO, A. Theatro 4 de Setembro 120 anos: história e imagens de um símbolo cultural.


Teresina: Halley,2015. 156 p.

FILHO, O. P. S. Carnaúba, pedra e barro na Capitania de São José do Piauhy. Belo Horizonte:
Ed. Do Autor, 2007. 3v.

SANTIAGO, C. Solenidade especial comemora 115 anos do Theatro 4 de Setembro.Fundação


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FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário eletrônico Aurélio. 5. ed. Positivo, 2010. Disponível em: <
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MARCELLINO, N. (1950). Estudos do lazer: uma introdução. 4.ed. Campinas: Autores


Associados, 2006. (Coleção educação física e esportes)

PIRES, M. C. S. A proteção do Patrimônio Cultural. Disponível em:


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