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serviços farmacêuticos

diretamente destinados ao paciente,
à família e à comunidade
contextualização e arcabouço conceitual

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serviços farmacêuticos
diretamente destinados ao paciente,
à família e à comunidade
contextualização e arcabouço conceitual

diretoria do conselho federal de farmácia (2016-2017)

Presidente Secretário-geral
Walter da Silva Jorge João José Gildo da Silva

Vice-presidente Tesoureiro
Valmir de Santi João Samuel de Morais Meira

conselheiros federais efetivos
Rossana Santos Freitas Spiguel – AC Ângela Cristina Rodrigues da Cunha
(2014 - 2017) Castro Lopes – MS (2014 - 2017)
José Gildo da Silva – AL José Ricardo Arnaut Amadio – MT
(2016 - 2019) (2015 - 2018)
Marcos Aurélio Ferreira da Silva – AM Walter da Silva Jorge João – PA
(2015 - 2018) (2016 - 2019)
Carlos André Oeiras Sena – AP João Samuel de Morais Meira – PB
(2014 - 2017) (2016 - 2019)
ficha catalográfica
Altamiro José dos Santos – BA Bráulio César de Sousa – PE 
(2014 - 2017) (2016 - 2019)
Conselho Federal de Farmácia.
Luis Cláudio Mapurunga da Frota – CE Osvaldo Bonfim de Carvalho – PI
(2016 - 2019) (até maio 2016 – outubro 2016/2019)
Serviços farmacêuticos diretamente destinados ao paciente, à família e à
comunidade: contextualização e arcabouço conceitual / Conselho Federal de Farmácia. Forland Oliveira Silva – DF Elena Lúcia Sales Sousa – PI
(2014 - 2017) (junho/setembro 2016)
– Brasília: Conselho Federal de Farmácia, 2016.
200 p. : il. Gedayas Medeiros Pedro – ES Valmir de Santi – PR
(2016 - 2019) (2014 - 2017)
ISBN 978-85-89924-20-7 Sueza Abadia de Souza Oliveira – GO Alex Sandro Rodrigues Baiense – RJ
(2015 - 2018) (2016 - 2019)
1. Serviços farmacêuticos. 2. Necessidades de saúde. 3. Promoção da saúde. I. Fernando Luís Bacelar de Carvalho Lobato Lenira da Silva Costa – RN
Título. – MA (2014 - 2017) (2016 - 2019) 
CDU 615.1 Gerson Antônio Pianetti – MG Lérida Maria dos Santos Vieira – RO
(2016 - 2019) (2016 - 2019)

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Erlandson Uchôa Lacerda – RR Vanilda Oliveira Aguiar – SE (2014 .2017) (2015 .2019) (2015 .2018)  Josué Schostack – RS Marcelo Polacow Bisson – SP (2016 .TO (2016 .2019) (2016 .2019) Paulo Roberto Boff – SC Amilson Álvares .2018)  organizadoras Angelita Cristine de Melo Felipe Dias Carvalho Josélia Cintya Quintão Pena Frade Gabriel Rodrigues Martins de Freitas Gonçalo Sousa Pinto comissão de elaboração Inajara Rotta Ana Márcia Yunes Salles Gaudard Jarbas Tomazoli Nunes Angelita Cristine de Melo Leonel Augusto Morais Almeida Cassyano Januário Correr Marta Maria de França Fonteles Chiara Erminia da Rocha Mateus Rodrigues Alves Dayani Galato Rafael Mota Pinheiro Divaldo Pereira de Lyra Junior Rodrigo Silveira Pinto Djenane Ramalho de Oliveira Sílvia Storpirtis Josélia Cintya Quintão Pena Frade Simone de Araújo Medina Mendonça Maria Rita Carvalho Garbi Novaes Thaís Teles de Souza Mário Borges Rosa Micheline Marie Milward de Azevedo revisão final Meiners Angelita Cristine de Melo Tarcisio José Palhano Josélia Cintya Quintão Pena Frade Wellington Barros da Silva Tarcisio José Palhano revisores acompanhamento e revisão André Lacerda Ulysses de Carvalho do projeto gráfico Claudia Serafin Josélia Cintya Quintão Pena Frade Daniel Correia Júnior Hellen Karoline Maniero Dayde Lane Mendonça da Silva Maria Isabel Lopes 7 .

visando a con- tribuir para o aprimoramento dos farmacêuticos que assumem o cui- dado como o seu modelo de prática profissional. mensagem do presidente Por tudo isso. Neste sentido. foi a sanção da Lei nº 13021/2014. em 2016. que regula a prescrição farmacêutica no Brasil. A Farmácia brasileira está trilhando um caminho de profundas mu- danças. proteção e recuperação da saúde. fruto de intensa mobilização da cate- goria farmacêutica no país. por meio do Fórum Nacional de Luta pela Valorização da Profissão Farmacêutica. o CFF definiu. lançou o Programa de Suporte ao Cuidado Farmacêutico na Atenção à Saúde (ProFar®). como pauta estratégica da instituição. O Conselho Federal de Farmácia (CFF) se orgulha por estar na dianteira desse movimento. Outra grande conquista. 8 9 . estimular e apoiar a expansão da atuação clínica do farmacêutico no país. O conselho tem lutado incansavelmente pela ampliação do reconhe- cimento do farmacêutico como profissional da saúde. que regulamenta as atribuições clínicas do farmacêutico. temos competência para atuar na promoção. A ampliação da atuação desse profissional nos diferentes sistemas de saúde tem resultado na melhoria dos indicadores de saúde e da morbimortalidade pela farmacoterapia. ao instituir obrigações legais voltadas à prestação de cuidado direto ao paciente. foi um ano histórico! O CFF editou duas impor- tantes resoluções: a de número 585. farma- cêuticos. Dois mil e treze (2013). bem como na prevenção de doenças e de seus agravos. e a de número 586. voltado a uma participação mais ati- va do farmacêutico no processo de cuidado ao paciente. que além de mudar o conceito de farmácia no Brasil reconheceu a autoridade técnica do farmacêutico nesses estabe- lecimentos. à familia e à comunidade. Nós.

Não tem a pretensão de esgotar o assunto do cuidado prestado pelo farmacêutico à saúde das pessoas. A existência de base conceitual comum e de processos de trabalho definidos para os distintos serviços e procedimentos farmacêuticos é fundamental para a harmonização e gestão do trabalho. Presidente do Conselho Federal de Farmácia A abordagem clínica proposta neste documento assenta-se na transposição do método hipotético-dedutivo para a resolução de problemas pertinentes ao raciocínio clínico. Walter da Silva Jorge João nados ao paciente. Isto propiciará aos pacientes não apenas o acesso aos me- dicamentos em condições seguras de uso. para sua va- lorização e para a remuneração pelos serviços prestados. a exemplo do que já ocorre em outros países. 10 11 . Participe deste triz para a fundamentação do ProFar e também como um referencial momento de transformação! para os farmacêuticos e para as instituições de ensino sobre a pro- visão de serviços e procedimentos farmacêuticos diretamente desti. Contribuem. Mudar uma prática profissional não é tarefa simples. para a inserção efetiva do farmacêutico no sistema de saúde. mas também uma oportunidade ímpar para o reconheci- mento da relevância da atuação clínica do farmacêutico em prol da saúde da população brasileira. para aumentar a capacidade de resposta do farmacêutico às necessidades de saúde da sociedade. quando houver necessidade de diagnóstico nosológico. o CFF elaborou este documento como uma dire. Considerando a falta de harmonia na designação de termos para a Desejo que este documento inspire aqueles que buscam uma Farmá- área clínica no país. pois envolve o comprometimento de muitos atores. cia cada vez mais valorizada e reconhecida por todos. Constitui. à família e à comunidade. um gran- de desafio. Urge um esforço conjunto das diferentes entidades. também. assim como para a avaliação de resultados. como também a otimização dos resultados da farmacoterapia. com vistas a melhorar o controle das suas condições de saúde e possibilitar o encaminhamento precoce ao médico. portanto.

sob o nº 02/2014. e conselhos regionais de Farmá- cia (CRFs) dos estados de Minas Gerais. Viviane Gibara Guimarães. da Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR). Da- niel Tenório da Silva. Tatiane Cristina Marques. pela participação em todas as discussões refe- rentes aos conceitos e à estrutura dos serviços. e dos estudantes Alessandra Resende Mesquita. Carina Carvalho Silvestre. Divaldo Pereira de Lyra Junior. da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Ao Laboratório de Ensino e Pesquisa em Farmácia Social (Lepfs). Goiás. Genival Araújo dos Santos Júnior. colocada em Consulta Pública pelo Conselho Federal de Far- mácia (CFF). pela discussão referente à conciliação e revisão da farmacoterapia. nas pessoas do professor Cassyano Januário Correr. enviando contribuições à versão deste docu- mento. Carla Francisca dos Santos Cruz. em oficinas realizadas pelo CFF. sob nº 02/2014. Aos participantes dos eventos que debateram o documento colocado em Consulta Pública pelo CFF. procedimentos e processo de formação. Elisdete Maria Silva de Jesus. Aos que colaboraram. Anne Caroline Oliveira dos Santos. nas pessoas das 12 13 . Aos integrantes do Laboratório de Serviços Clínicos e Evidências em Saúde (Lasces). Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Aos integrantes do Centro de Estudos em Atenção Farmacêutica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). pela colaboração na reflexão sobre serviços. em parceria com os cursos de Farmácia das Universidades Federais do Ceará e de Minas Gerais. da Universidade Federal do Paraná (UFPR). agradecimentos Ao professor Airton José Petris. Aline Santana Dosea. nas pessoas dos professores Chiara Ermínia da Rocha. Giselle de Car- valho Brito e Wellington Barros da Silva. e das estudantes Thaís Teles de Souza e Inajara Rotta.

pelas relevantes contribuições à educação em saúde do Brasil e. pelas contribuições referentes à conciliação de medicamentos. Às farmacêuticas Annaline Stierget Cid e Marianne Sardenberg Costa. falecida du- rante a elaboração deste documento. professoras Djenane Ramalho de Oliveira e Simone Araújo Medina Mendonça. Aos farmacêuticos Elisângela da Costa Lima Dellamora. 14 15 . ainda não publicadas. À Comissão de Farmácia Clínica do CRF/RS pelas contribuições e refle- xões. especialmente no que se refere às necessidades em saúde e à intervenção comunitária. durante o período da consulta pública. pela validação do conceito aqui proposto. Por fim. de sua práti- ca na saúde suplementar. um agradecimento especial a todos os que participaram ati- vamente do processo de construção e da avaliação das contribuições enviadas ao CFF. por compartilharem informações. À educadora e pesquisadora Virgínia Schall (in memorian). Felipe Nunes Bonifácio e Lucas Miyake Okumura. pelas contribuições referentes à monitorização terapêutica de medicamentos. que compartilharam suas reflexões e publicações referentes a alguns dos conceitos explanados neste documento. particularmente. Aos educadores Arnaldo Zubioli e Maria Denise Ricetto Funchal Witzel. Aos farmacêuticos Antônio Eduardo Matoso Mendes e Diana Domin- gues da Camara Graça.

“Redefining care models for pharmacists will not happen if we continue to simply do more of what we have been doing and deploying our scarce resources in the same way. Precisamos de uma revolução na maneira de pensar a prática farma- cêutica. It is time to be bold and forceful in our actions. que nos coloque na vanguarda dos cuidados ao paciente” (tra- dução nossa) Henri R Manasse 16 . We need a revolution of thinking in pharmacy practice that puts us at the forefront of patient care.” “A redefinição dos modelos de cuidados prestados por farmacêuticos não irá acontecer se nós simplesmente continuarmos fazendo o mes- mo que temos feito e investindo nossos escassos recursos da mesma forma. É hora de sermos ousados e contundentes em nossas ações.

correspondentes. Cobef Congresso Brasileiro de Educação Farmacêutica serviço. PRMs Problemas relacionados a medicamentos PNSP Programa Nacional de Segurança do Paciente Qualifar-SUS Programa Nacional de Qualificação da Assistência Farmacêutica RAS Redes de atenção à saúde RDC Resolução da Diretoria Colegiada lista de abreviaturas SAS Secretaria de Assistência à Saúde Scite Secretaria de Ciência. Conass Conselho Nacional dos Secretários de Saúde DAF Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos 56 figura 2 94 figura 6 DeCS Descritores em Ciências da Saúde Relação entre os constructos Elementos mínimos que caracterizam DCNs Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Farmácia da área do saber Farmácia Clínica. FDA Food and Drug Administration Processo de cuidado farmacêutico. Tecnologia e Insumos Estratégicos ANS Agência Nacional de Saúde Suplementar SES Secretaria de Estado da Saúde Anvisa Agência Nacional de Vigilância Sanitária SUS Sistema Único de Saúde ABEF Associação Brasileira de Educação Farmacêutica UEL Universidade Estadual de Londrina APS Atenção primária à saúde UFMG Universidade Federal de Minas Gerais BPF Boas Práticas Farmacêuticas UFPR Universidade Federal do Paraná CBO Classificação Brasileira de Ocupações UFS Universidade Federal de Sergipe 18 19 . à família e à comunidade. Lepfs Laboratório de Ensino e Pesquisa em Farmácia Social MS Ministério da Saúde 125 figura 8 NSP Núcleo de Segurança do Paciente Processo de documentação da decisão OMS Organização Mundial da Saúde pelo encaminhamento do paciente Opas Organização Pan-Americana da Saúde a outro profissional ou PNPIC Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares serviço de saúde. os serviços diretamente destinados Enefar Executiva Nacional de Estudantes de Farmácia 59 figura 3 ao paciente.lista de figuras lista de abreviaturas 50 figura 1 74 figura 5 CFF Conselho Federal de Farmácia Relação entre os constructos Necessidades de saúde do paciente. à família e à comunidade. do cuidado ao paciente. serviços de saúde e serviços da família e da comunidade CRF Conselho Regional de Farmácia farmacêuticos diretamente destinados e os serviços farmacêuticos CNS Conselho Nacional de Saúde ao paciente. Feifar Federação Interestadual dos Farmacêuticos 122 figura 7 Fenafar Federação Nacional dos Farmacêuticos 62 figura 4 Características e necessidades FIP Federação Farmacêutica Internacional Modelo lógico-conceitual do processo de documentação Lasces Laboratório de Serviços Clínicos e Evidências em Saúde dos serviços farmacêuticos.

sumário

24 65
antecedentes 5 premissas para o desenvolvimento dos serviços

29 71
1 contextualização da provisão 6 tipos de serviços farmacêuticos e seus conceitos
dos serviços diretamente relacionados
ao paciente, à família e à comunidade 6.1 Rastreamento em saúde
6.2 Educação em saúde

39
1.1 Introdução 6.3 Dispensação
6.4 Manejo de problema de saúde autolimitado
6.5 Monitorização terapêutica de medicamentos
2 necessidades de saúde do paciente, 6.6 Conciliação de medicamentos
da família e da comunidade 6.7 Revisão da farmacoterapia

45
6.8 Gestão da condição de saúde

91
6.9 Acompanhamento farmacoterapêutico

3 consulta, consulta farmacêutica,
serviços, serviços 7 elementos mínimos que caracterizam
de saúde e serviços farmacêuticos os serviços

3.1 Consulta e consulta farmacêutica
99
53
3.2 Serviço, serviço de saúde e serviços farmacêuticos
8 procedimentos farmacêuticos

4 farmácia clínica, cuidado farmacêutico 8.1 Verificação de parâmetros clínicos
e serviços farmacêuticos 8.2 Administração de medicamentos
diretamente destinados ao paciente, 8.3 Organização dos medicamentos
à família e à comunidade 8.4 Realização de pequenos curativos

20 21

sumário

107 145
9 prescrição farmacêutica 15 remuneração dos serviços

113 151
10 análise de informação, gestão 16 considerações finais

156
de risco e cultura de segurança

119 referências

182
11 documentação do processo de cuidado

127 apêndice
12 respaldo legal

131
13 estudos de avaliação dos serviços farmacêuticos

139
14 formação para o cuidado farmacêutico

22 23

De acordo com a Portaria Conjunta SAS/SCTIE-MS nº 01, de 12 de março
de 2012 (BRASIL, 2012b), o Conselho Federal de Farmácia (CFF) integra
o Grupo de Trabalho instituído com a finalidade de propor diretrizes e
estratégias para a qualificação da Assistência Farmacêutica no Sistema
Único de Saúde (SUS), com foco no serviço farmacêutico nas redes as-
sistenciais prioritárias do Ministério da Saúde (MS). Durante o proces-
so de trabalho do grupo, o Departamento de Assistência Farmacêutica
(DAF) solicitou aos membros do grupo a avaliação do documento inti-
tulado “Assistência farmacêutica nas redes de atenção à saúde no SUS”.

A avaliação feita pelo CFF foi baseada na lógica de que, independente
do ponto de atenção, os serviços clínicos não deveriam mudar sua de-
nominação, de modo que os atos privativos do farmacêutico fossem
preservados. Foram consideradas, ainda, as reflexões teóricas apresen-
tadas na dissertação de Frade (2006), que correlacionava necessidades
de saúde com serviços farmacêuticos, e o levantamento feito por Mar-
tins (2010). Esse trabalho inicial foi elaborado por Josélia Cintya Quin-
tão Pena Frade e revisado por diversos farmacêuticos envolvidos no
movimento clínico nacional, entre os quais: Angelita Cristine de Melo,
Marta Maria de França Fonteles, Cassyano Januário Correr, Divaldo Pe-
reira de Lyra Junior, Djenane Ramalho de Oliveira, Hessem Miranda Nei-
va, Marcelo Polacow Bisson, Maria Auxiliadora Parreiras Martins, Mário
Borges Rosa, Nicole Emerita Martins, Orenzio Soler, Simone Alves do
Vale, Tânia Azevedo Anacleto, Tarcisio José Palhano, Yone de Almeida
Nascimento, bem como pela Comissão de Saúde Pública/CFF.

No mesmo ano – 2012 –, foi realizada pelo Conselho Federal de Far-
mácia a I Oficina sobre serviços farmacêuticos em farmácias comu-
antecedentes nitárias (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA, 2013h), estruturada sob
a influência do documento produzido pelo CFF, descrito no parágrafo
anterior. Outro documento que subsidiou a construção desse evento
foi a publicação da OPAS/OMS intitulada: "Servicios farmacéuticos ba-
sados en la atención primaria de salud" (ORGANIZACIÓN PANAMERI-
CANA DE LA SALUD, 2013).

24 25

Dayani Galato. as 26 27 . o que Os serviços e os procedimentos elencados neste documento podem veio a se concretizar com a participação efetiva dos relatores e revi. Participaram do processo de consoli- des de saúde da população. percebeu-se Rodrigues Martins de Freitas. Tarcisio José Palhano e Wellington Barros da Silva. Josélia Cintya Quintão a necessidade de elaborar um documento que aprofundasse algumas Pena Frade. Gonçalo Sousa Pinto. Simone de Araújo Medina Mendonça. sores envolvidos no processo de construção do relatório (CONSELHO da família e da comunidade. Djena- ne Ramalho de Oliveira. Chiara Ermínia da Rocha. proteção e recuperação da saúde. Inajara Rotta. discutidas e incorporadas ao documento ser realizados em farmácias comunitárias para atender às necessida. Gabriel Durante o processo de preparação do relatório da oficina. macêuticos. camentos. a saber: Claudia Serafin. ser executados para atender às necessidades de saúde do indivíduo. a qual foi encaminhada e debatida com a comissão de elaboração e com outros especialistas. foram designadas. Cassyano Januário Correr. como organizadoras. de dezem- bro de 2014 a março de 2015 (120 dias). dação: Angelita Cristinne de Melo. relacionadas ao processo de uso de medi- FEDERAL DE FARMÁCIA. Daniel Correia Júnior. à promoção. Josélia Cintya Quintão Pena Frade. à prevenção e ao tratamento de doenças e de outras condições. Gaudard. e recebeu 353 contribuições. Daniel Correia Júnior. Dayde Lane Mendonça da Silva. 2013h). Maria Rita Carvalho Garbi Novaes. Uma das finalidades do evento foi refletir sobre quais serviços podem quais foram sistematizadas. Foi assim que surgiu a ideia de preparar um documento que abordasse os serviços e os procedimentos farmacêuticos. Rafael Mota Pinheiro. Dayani Galato.Tarcisio José Palhano e reflexões que emergiram das discussões ocorridas sobre serviços far. Mateus Ro- drigues Alves. Wellington Barros da Silva. Mário Borges Rosa. Divaldo Pereira de Lyra Junior. independente- A estrutura e a versão iniciais deste documento foram definidas por mente da instituição ou do lugar de prática em que o farmacêutico uma comissão de elaboração. Jarbas Tomazoli Nunes. Leonel Augusto Morais Almeida. A proposta consolidada foi colocada em consulta pública. Angelita Cristine de Melo. Sílvia Storpirtis. Thaís Teles de Souza e membros do comitê execu- tivo do Fórum Farmacêutico das Américas. que será apresentado a seguir. Tendo em vista a complexidade da elaboração do documento e a difi- culdade de conciliar as agendas dos participantes. Angelita Cristine de Melo e Josélia Cintya Quin- tão Pena Frade para elaborar a minuta inicial. Micheline Marie Milward de Azevedo Meiners. Cassyano Januário Correr. formada por: Ana Márcia Yunes Salles esteja atuando. Marta Maria de França Fonteles.

contextualização da provisão dos serviços diretamente relacionados ao paciente. à família e à comunidade 28 29 .

A dimensão da necessidade de acesso e utilização de recursos terapêuticos e propedêuticos é fre- quentemente superior à capacidade de financiamento e provisão dos sistemas de saúde (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. e o farmacêutico. constituem os principais fatores associados à crise nos siste- mas de saúde (SÁNCHEZ-SERRANO.. por consequência. 2013a. apesar de representar um profissional estratégico para o sistema de saúde. 2011). Neste contexto. pela sua 31 . UNITED KINGDOM. Os estabelecimentos farmacêuticos. 2013g). A organização e a gestão do trabalho no campo da saúde são marca- das pela necessidade de cooperação entre os profissionais da equipe multiprofissional. 2014. SOUSA et al. 1989). Mudar a forma de promover o cuidado à saúde das pessoas e otimi- zar as contribuições potenciais de cada profissional desafiam a sus- tentabilidade desses sistemas (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA.1. 2005). nota-se a existência de uma lacuna entre o benefício potencial dos medicamentos e o seu real valor terapêutico (INTERNATIONAL PHARMACEUTICAL FEDERATION. e de forma geral. 2012. 2013f. 2013g). 2013f. subutilizado (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD. é fundamental que os membros da equipe reconheçam o processo de trabalho dos seus pares. 2011. 2013a.1 Introdução A provisão de serviços e produtos para o cuidado das pessoas cons- titui um problema de saúde coletiva. o aumento do uso contínuo de medica- mentos. nesta conjuntura. 2013f. MENDES. pela capilaridade e distribuição geográfica. notadamente daquelas relativas à saúde. a fim de otimizar os resultados (NOGUEIRA. O farmacêutico. a fim de propiciar ao paciente atendimento holís- tico das suas necessidades de vida. Em direção oposta à necessidade do sistema de saúde. 2013a. 2013g. o incremento da prevalência de condições crônicas e. O fenômeno de transição demográfica relacionado ao enve- lhecimento populacional. é. 2012).

No período de abril a novembro de 2014. sejam em nível hospi- dos medicamentos. ©2008).6 bilhões de reais naquele ano. em reunião de trabalho para a preparação da financiadas pelo SUS (BRASIL. Aplicando-se a esta quan. Melo e Cassyano J Correr. 2008. infere-se que o impacto financeiro dessas in- ternações foi de 1. à família e à Observa-se. SUS). um considerável crescimento nos últimos anos comunidade. em 2013.2 milhões de internações que podem estar relacionadas a problemas na farmacoterapia. em 2012. foi de R$ 1. Utilizando-se dados do DATASUS. estima-se lho Federal de Medicina. Ho. 2013g). Eles afirmam ainda que está sendo supervisionado pela UFPR. cerca de 70% dos problemas na farmacoterapia seriam preveníveis pelo MS.. 2013f. UNITED KINGDOM. que ocorreram de 1. 2012a). Reino Unido. os das Clínicas de Curi- Canadá. tiba.3 a 3. 2013a. MARTÍNEZ et al. Nova Zelândia. ©2008). ampliação da atuação clínica do farmacêutico como estratégia para a obtenção dos melhores resultados com os tratamentos e outras A definição e o financiamento do “eixo cuidado” no Programa Na- tecnologias em saúde. Cabe condições. 2005. Suíça. também em Belo Horizonte. nesse município (BRASIL. que provenientes dos atendimentos de urgência. são estimadas as informações apre- sentadas a seguir. apresentação sobre as Atribuições Clínicas do Farmacêutico ao Plenário do Conse- tidade de internações o percentual de Patel e Zed (2002). Aracaju e de Belo Horizonte. 2015). Este montante 32 33 . incentivaram a Neves e Santa Casa de Misericórdia. houve 48 milhões de atendi. públicos ou privados. 1 Estas estimativas foram feitas pelos consultores ad hoc do CFF para a área clínica mentos de urgência. pago pelo SUS em 2013. e os hospitais Rizoleta landa. Estados Unidos da América. brasileiros1 . no Brasil. 2014. 2013a. de Saúde de Curitiba. a primeira gasto seria suficiente para cobrir o custo anual de uma a duas equi- possibilidade de acesso das pessoas ao cuidado em saúde (CONSELHO pes de saúde da família para cada um dos mais de 5 mil municípios FEDERAL DE FARMÁCIA. em 29/05/2014. Portugal. ambulatorial ou na atenção primária.135. 2011). destacar os serviços diferenciados prestados por farmacêuticos em LHO FEDERAL DE FARMÁCIA. muitas vezes. Austrália. No Brasil. Espanha. indica a percepção do Ministério da Saúde (MS) sobre 2014.26 (BRASIL. A atuação do farmacêutico no cuidado direto ao paciente. 2013g). o potencial do farmacêutico para a melhoria do cenário em apreço DERATION. (BRASIL. INTERNATIONAL PHARMACEUTICAL FE. promover a saúde e prevenir a doença e outras talar. Considerando-se ainda que o custo médio por internação. tais como o Albert Einstein. ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD. representam. competência e disponibilidade. Esse projeto foi iniciado em 2013. com foco na atuação clínica dos farmacêuticos. foram reali- zadas 2710 consultas farmacêuticas. entre outros. cional de Qualificação da Assistência Farmacêutica no SUS (Qualifar- NAL PHARMACEUTICAL FEDERATION. os quais resultaram em 11 milhões de internações Angelita C. é um desafio para o sistema de saúde brasileiro (CONSE. Porto Alegre. 2013f.2 a 3. Patel e Zed (2002) estimaram que os problemas na farmacoterapia Um exemplo de investimento neste eixo é o projeto em andamento na são responsáveis por cerca de 9% a 24% das internações hospitalares Prefeitura de Curitiba. a fim de reduzir a morbimortalidade relacionada ao uso em relação à implantação de serviços clínicos. e obtiveram efeitos positivos (INTERNATIO. pelo qual se implantaram serviços clínicos nas Unidades Básicas com a atuação clínica do farmacêutico. Vários países como diversos hospitais.

implantou o serviço de gerencia- medicamentos ou baixa adesão ao tratamento (BRASIL. processos de trabalho relacionados à atuação clínica desse profissio- tivo a promoção do uso racional dos medicamentos e o atendimento nal (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. e apresentou seis ou mais condições crônicas de saúde. variando de quatro a 44% dos pacientes fizeram novas consultas médicas no período. Evidenciou-se grande divergência 34 35 . Foram identificados. -AMERICANA DA SAÚDE. por 23. Desde a implantação. que objetivam qualificar o uso de medicamentos controlada. 2010).6%). Observou-se. Vídeo sobre este projeto está disponível no link <https://www. Além No campo da saúde suplementar. paciente mais bem assistido por toda a equipe de saúde (BRASIL. distante de querer substituir a consulta médica. com média de 4. 62% fizeram novos exames relacionados a doenças que esta.8%). ainda. medicamentos e do cuidado em saúde de forma geral. seguida por efetividade (29. outros membros da saúde. 2015). o Programa Farmácia de Minas.7 PRMs por paciente. março de 2016. Existem desafios para ampliar a participação do farmacêutico no macêutica no estado. 24% para dislipidemia. Diversos problemas relacionados à farma- coterapia foram identificados: cerca de 5. Resolveram- que. foi implantado pela Superintendência de Assistência à Saúde em 2016. Em 2016. 16% para diabetes tipo 2 e texto das redes de atenção à saúde. em três unidades da rede de serviços ambulatoriais próprios. foram realizadas mais de 2000 consultas farmacêuti- mais de 60% dos pacientes obtiveram melhora na adesão ao trata. e 37% tiveram mudanças feitas em sua apresentavam em torno de cinco condições crônicas de saúde e uti- terapia graças à intervenção do farmacêutico. O programa tem como obje.6 problemas/pessoa. O projeto foi premiado por dois anos consecutivos no Encontro de be. ORGANIZAÇÃO PAN- humanizado aos usuários. mento da terapia medicamentosa (acompanhamento farmacotera- pêutico). bem como para harmonizar termos. conceitos e a ser denominado “Farmácia de Todos”. que lizavam em média seis medicamentos por dia. cas e atendidos 848 pacientes. o farmacêutico se 65% dos PRMs por meio de intervenções feitas em parceria com atua em suas consultas buscando a melhoria do processo de uso de os médicos (859) ou realizadas diretamente com os pacientes (722). para qualificar a assistência far. 2015). 34% para hipotireoidismo). o programa foi reestruturado e passou sistema de saúde. da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES- -MG). Obser. até ra em vários parâmetros. ainda. 2013h.com/watch?v=NTIkKNDno8w>. A análise dos dados de 542 pacientes indicou que os mesmos vam sem assistência adequada. Análises referentes aos três primeiros meses evidenciaram que cada tos em farmácias públicas. (MINAS GERAIS. segurança (20. 2002). 82% dos usuários mostraram sérios problemas na utilização de Unimed/BH. mantendo o A categoria de PRMs mais encontrada foi a de necessidade (34. que em agosto de 2014. sendo a maioria constituída por idosos mento. observou-se melho. Isso demonstra camentos (PRMs). Boas Práticas da Unimed-BH (edições 2015 e 2016) e selecionado para apresentação no 3º Congresso Nacional Unimed de Atenção Integral Desde 2008. 2565 problemas relacionados a medi- meio de encaminhamentos feitos pelo farmacêutico. por meio da realização do acompanhamento farmacoterapêutico e da vou-se que uma minoria desses pacientes tinha sua afecção bem farmacovigilância. equipe multiprofissional ou por busca ativa. no con- hipertensão arterial. Com a inserção do farmacêutico em consultórios nessas unidades de Os encaminhamentos são feitos por médicos. cabe ainda ilustrar a experiência da disso. e realizada por profissionais qualificados um dos 566 pacientes atendidos utilizou em média sete medicamen.youtu. Após acompanhamento pelo farmacêutico. (75%). com dispensação gratuita de medicamen. trabalhando de forma integrada à equipe. Farmacêutica.5%). Contempla ainda o “cuidado farmacêutico” tos. com exames dentro das metas terapêuticas (24% para e possibilitar a integralidade do cuidado aos usuários do SUS.1%) e adesão (15.

2014a). nos hospitais e consultórios. No âmbito da saúde. tem o significado de prestar serviços. uma vez que a assistência farmacêutica é o termo considerado mais amplo. 2013h). cuidado fisioterápico. Cuidar – do latim cogitare –. a proteção e a recuperação Ao investigar a origem latina dessa expressão inglesa. 2011). no qual está contido Segundo Zubioli (2007 p. 36 37 . 2007). A falta de harmonização dos termos ação de saúde tem o foco principal bem definido: cuidar do paciente também é identificada na regulação sanitária e profissional. enfermagem. pois podem comprometer a qualidade da comunica- originando o substantivo atendente – do latim attendente –. Pelo exposto. 11). o termo cuidado – do latim cogitatu versas publicações de instituições oficiais. esgotar-se nela. concentração e reflexão da mente em alguma coisa. 2009). nificados opostos em algumas publicações. com a sua saúde. Assim. BRUMMEL. em 2012 (CONSELHO do lexical de aquele que cuida. AMERICAN COLLEGE OF CLINI. conforme apresentado no – traz similaridade com outras profissões da saúde (cuidados de Apêndice 1 deste documento. 2008). Atenção – do latim attentione – tem o sentido de essencial e visando ao seu acesso e ao seu uso racional (BRASIL. tendo o medicamento como insumo cados diferentes. o termo “Atenção Farmacêutica” (pharmaceutical care) foi introduzido no Brasil com diferentes significados: utilizado para Outra dificuldade percebida está relacionada ao uso dos termos assis- designar vários serviços clínicos. os aspectos referentes à terminologia não podem ser vo direto. nhem atividades farmacêuticas. “os espanhóis traduzem o termo phar. também. incluindo a assistência individual DE FARMÁCIA. OLIVEIRA. contudo. 2012. entre outros. mas sem igual significado em português. Por exemplo. Por esta -WITZEL. a Lei nº 13021/14 conceituou assistência farmacêutica (ZUBIOLI. Neste documento. que equivaleria a aten. tência e atenção na área farmacêutica. como para referir-se a um único ser. Além disso. o termo viço – o acompanhamento farmacoterapêutico (CONSELHO FEDERAL atenção é considerado abrangente. exprime o sentido de ter cuidado mentará os serviços nele apresentados. (ZUBIOLI. optou-se pela utilização de enfermagem. razão. 2007). aviar. promovida pelo CFF. Já o termo assistência refere-se ao con- novo modelo de prática profissional ou uma nova filosofia de prática junto de procedimentos dirigidos de forma individual aos usuários dos (MARACLE. desempenha a função de auxiliar (FUNCHAL-WITZEL. cuidado nutricional. pessoa ção em saúde entre profissionais farmacêuticos e não farmacêuticos que. quando empregado do termo cuidado farmacêutico como modelo de prática que funda- como verbo transitivo indireto. e em di. 2014a). negligenciados. o aspecto relevante de toda FEDERAL DE FARMÁCIA. estes termos assumem sig- CAL PHARMACY. gidas ao usuário de medicamentos em caráter individual (FUNCHAL- ção farmacêutica. na nomenclatura dos termos utilizados para denominar os serviços consigo mesmo. 2009). como o conjunto de ações e de serviços que visa a assegurar a assis- tência terapêutica integral e a promoção. farmacêuticos durante a I Oficina sobre Serviços Farmacêuticos em gerando o substantivo cuidador – de cuidar + dor – com o significa- Farmácias Comunitárias. serviços de saúde. PAGLIUCA. Na área farmacêutica. verifica-se da saúde nos estabelecimentos públicos e privados que desempe- que a tradução para palavras como atenção e cuidado tem signifi. daí que o verbo atender – do latim attendere –. quem o utilize para expressar um sem. entre ou- tros) (VALE. a Ordem dos Farmacêuticos e a Associação Nacional das Far- mácias de Portugal empregam a terminologia cuidado farmacêutico Por sua vez. o termo atenção. Há. quando usado como verbo transiti. que corresponde a atividades do farmacêutico diri- maceutical care por atención farmacêutica”. a sua aparência ou apresentação.

da família e da comunidade 38 39 . necessidades de saúde do paciente.

• promover a segurança do paciente. CIPOLLE. po- rém busca superar a explicação do processo saúde-doença. • contribuir para a efetividade dos medicamentos. compete ao farmacêutico. ACADEMIES AND ACADEMIC ASSOCIATIONS OF GENERAL PRACTITIONERS/FAMILY PHYSICIANS. 2011): • estar disponível para os pacientes. interpretação e defini- ção. HEPLER. • fazer uso responsável dos limitados recursos de saúde. Nes- te sentido. • desenvolver ações para a promoção da saúde e prevenção de doenças. Os que exercem essa profissão têm a missão de contribuir para a melhoria da saúde e ajudar os pacientes a fazer o melhor uso dos seus medicamentos. MORLEY. que absorve as contribuições de diferentes vertentes teóricas e que não descarta. segundo o modelo biomédico e da história natural da doença (ALMEIDA FILHO. ou seja. um processo dialético. com ou sem hora marcada. concebe a saúde de forma ampliada. ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD. em relação ao cuidado à saúde (INTERNATIONAL PHARMACEUTICAL FEDERATION. A perspectiva apresentada neste documento. Incorpora a concepção de determinação social 41 .Vários autores indicam que uma profissão ou atividade só se justifica se atender a uma necessidade social (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁ- CIA. 2014a). baseadas em conhecimentos científicos e na capacidade de inter- pretar a realidade (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. que exigem avaliação. 2002). A Farmácia é uma profissão milenar. com um sólido respaldo histórico no país (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. STRAND. STRAND. HEPLER. • prevenir o dano associado ao uso de medicamentos. 1990). Todo profissional é um “resolvedor” de problemas complexos. ROUQUAYROL. 2009. WORLD ORGANIZATION OF NATIONAL COLLEGES. 2004. 2014a. sistêmico e complexo. 2012. como pressuposto para a prática clínica do farmacêutico. 2014a). • fazer o rastreamento em saúde.

fundamentalmente na ênfase entre a dimensão individual ou coletiva que venha a adquirir. PELLEGRINI FILHO.. por exemplo. 2016). 42 43 . a resolução efetiva dos problemas de saúde pontuais. Um Por fim. conforme discutido por Gofin e Gofin (2007). Valoriza o papel do farmacêutico na prevenção de doenças amplo espectro que vai desde os cuidados para manter-se saudável. 2009). o conceito de necessidades de saúde pode ser utilizado para orientar o processo de cuidado e articular outros conceitos como. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA condições crônicas mais complexas que requerem cuidados de longo SAÚDE. e proteção à saúde. sistêmica e societária (CECÍLIO apud GARIGLIO. agrupando-as nos seguintes grupos: organizacional. a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) en- POS. • vínculos entre usuário. 2010). profissional e equipe de saúde.. da doença (BUSS. por vezes. Cecílio (2001) refere ainda que a produção e a gestão do cuidado esboço de taxonomia das necessidades de saúde foi proposto por Ce. CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. o manejo das NIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. da clínica ampliada (CAM. 1 Ressalte-se que tais constructos encontram-se ainda em construção teórica e não correspondem a consensos ou unidades conceituais. • boas condições de vida. • desenvolvimento da autonomia do paciente. problemas de saúde. acontecem nas seguintes dimensões: individual. Cordeiro (1997) e Cecílio (2001).. Incorpora. numa tentativa de diminuir reducionismos que desconsiderem a inter-rela- ção das dimensões individual e coletiva do cuidado. 2004). profissional. Ressalte-se que apesar das va- riações teóricas sobre o tema. problemas relacionados a medicamentos e necessidades rela- cionadas à farmacoterapia. AMARAL. Para os propósitos desta concepção. linhas de cuidado1 . redes de atenção. o conceito de necessidades de saúde. 2007). prazo e. • acesso e utilização de tecnologias de atenção à saúde. cuidados paliativos no caso de impossibilidade de cura (OLIVEIRA et al. 2012). 2007) e do cuidado centrado na pessoa (STEWART et tende que as necessidades de saúde da população compreendem um al. entende-se que reorganizar os processos de cuidado com base no atendimento às necessidades de saúde da população aponta para uma visão de promoção da saúde e bem-estar social (HINO et al. Por outro lado. cílio (2001). também. e. familiar. independente do uso de medicamentos (ORGA.

serviços de saúde e serviços farmacêuticos 44 45 . consulta farmacêutica. serviços. consulta.

Portanto. prevalece a interpretação de consulta como um episódio de contato com algum objetivo específico. O termo consulta também pode ser adjetivado conforme o lugar em que ocorre. (. o MeSH (Medical Subject Headings) indexou. Contudo. advogado ou técnico dá a clientes que os consultam. Ação de consultar. a necessidade do pa- 47 . marcando claramente que se trata de um contato entre pessoas (US NATIONAL LIBRARY OF MEDICINE. O dicionário Michaelis (©2014) define consulta como “1.. ainda. No campo da saúde.) 6. conforme a complexidade do caso.” como “diferentes métodos de programar as visitas do paciente (. 2015). com o propósi- to de fazer um diagnóstico ou tratamento” (BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE. (.. a consulta farmacêu- tica não é um serviço. a prevenção de doenças e de outras condições. 2016). no qual podem ser providos diferentes serviços ou pro- cedimentos.1 Consulta e consulta farmacêutica O uso do termo consulta é diverso conforme a fonte..3... a promoção.)”. por meio da execução de serviços e de procedimentos farmacêuticos (CONSE- LHO FEDERAL DE FARMÁCIA. Trata-se de um encontro entre o farmacêutico e o paciente. 2013f). pedido de opinião ou conselho. Objetiva. com a finalidade de obter os melhores resultados com a farmacoterapia. promover o uso racional de medicamentos e de outras tecnologias em saúde. interpretação utilizada neste documento. consulta farmacêutica pode ser entendida como um episódio de contato entre o farmacêutico e o paciente. os termos “consulta e agendamento..)”. No mesmo sentido. Atendimento que médico. sendo empregado tanto para a descrição de um episódio de contato entre o paciente (consulente) e o profissional (consultor) como para um tipo de serviço prestado. O dicionário de Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) apresenta o termo consulta domiciliar como “visita feita por profissionais a um paciente no domicílio deste. proteção e recuperação da saúde. em 1968.

e para a melhoria da qualidade de vida das pessoas.. Michaelis (2014) de. entre outros. 1990). salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista (BRASIL. manutenção e recuperação da saúde (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. (. fundamentado pelo modelo de prática deno- minado cuidado farmacêutico (Figura 1). instituições de longa perma- interesses de alguém. Assim. de crédito e securitária. Existem diferentes definições para o termo serviço.). domicílio do paciente. 3. que visa a contribuir para prevenção de doenças.. ato ou ação útil aos de.2 Serviço. segundo regulamentação específica. os serviços constituem um conjunto de atividades organizadas em um processo de trabalho (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. a proteção e recuperação da saúde. o diag- nóstico e o tratamento de doenças e de outras condições. ciente. ambulatório. serviço é qual- quer atividade fornecida no mercado de consumo.)”. são enfatizados os serviços farmacêuticos rela- está vinculado. inclusive as de natureza bancária. cionados à Farmácia Clínica.. mediante remu- neração. diretamente destinados ao paciente. à família e à comunidade. 48 . os serviços farmacêuticos cons- tituem parte dos serviços de saúde. bons ofícios (. farmácia hospitalar. serviço de saúde e serviços farmacêuticos Esses serviços podem ser realizados em diferentes lugares de prática. Serviços farmacêuticos compreendem um conjunto de ati- vidades organizadas em um processo de trabalho.. bem como com a promoção. e as características do serviço de saúde ao qual o profissional Neste documento. promoção. razão pela qual optou-se por esta definição no pre- sente documento (Figura 1). 2013f). que dispõe sobre a proteção do consumidor. De acordo com a Lei nº 8078. serviços de urgência e emergência. financeira. serviços de atenção primária à saú- fine serviço como “ato ou efeito de servir. natureza e classificação por grupo de atividade. Neste sentido. de 1990. conforme a sua incluindo farmácia comunitária. leito hospitalar. 2013f). nência. Serviços de saúde são aqueles que lidam com a prevenção.

à família e à comunidade > f armácia clínica/ cuidado farmacêutico > p ráticas integrativas e complementares > p raticas em estética Fonte: autoria própria. 50 . serviços de saúde e serviços farmacêuticos diretamente destinados ao paciente. manutenção e recuperação da saúde serviços serviços serviços farmacêuticos de outros de outros diretamente profissionais profissionais destinados ao paciente. à família e à comunidade.FIGURA 1 Relação entre os constructos serviço. serviço | Conjunto de atividades organizadas em um processo de trabalho serviços de saúde Lidam com o diagnóstico e o tratamento de doenças ou com a promoção.

farmácia clínica. cuidado farmacêutico e serviços farmacêuticos diretamente destinados ao paciente. à família e à comunidade 52 53 .

(Figura 2). anexo). 2013f. es- tudos farmacoeconômicos) e de serviços de saúde (ensaios clínicos). está definido como: área da Farmácia. e prevenir doenças (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. visando à prevenção e resolução de problemas da farma- coterapia. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. 2012. são desenvolvidos estudos de avaliação de tecnologias em saúde (revisões sistemáticas com meta-análises. bem como à prevenção de doen- ças e de outros problemas de saúde. à família e à co- munidade. 55 . à promoção. como pode ser verificado no Apêndice 1. (Figura 2). Na área da saúde. Como ciência. na qual os farmacêuticos prestam cuidado ao paciente. CONSELHO FEDERAL DE FAR- MÁCIA. ao uso racional e ótimo dos medicamentos. a gestão da prática e a regulamentação (CIPOLLE. o cuidado farmacêutico é o modelo de prática que orienta a provisão de diferentes serviços farmacêuticos diretamente destinados ao paciente. o pro- cesso de cuidado.O termo Farmácia Clínica tem sido empregado com diferentes signi- ficados. tem contribuído para o acúmulo de conhecimentos so- bre a atuação clínica do farmacêutico e o aprimoramento de práticas profissionais. promover saúde e bem-estar. MORLEY. A Farmácia Clínica também orienta a prática profissional por meio de modelos de prática. voltada à ciência e à prática do uso racional de medicamentos. de forma a otimizar a farmacoterapia. à proteção e à recuperação da saúde. Na pesquisa. en- tre outros (Figura 2). além de estudos de utilização de medicamentos (observacionais). 2004). ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. STRAND. Neste documento. toda prática profissional se estrutura a partir de quatro componentes: uma filosofia ou princípios da prática. Neste documento.

a farmácia identificação de problemas. no método cientí- profissional >  Gestão da prática fico. Na área de gestão. MORLEY. A filosofia do cuidado farmacêutico alicerça a provisão dos serviços e define que a responsabilidade do farmacêutico é atender. 1990). níveis em saúde de atenção e perfis de pacientes. inspirou os trabalhos do mé- dico Laurence Weed na década de 1960. os trabalhos de Weed serviram de base ao desenvolvimento do processo PWDT (The Pharmacist´s WorKup of > Prática profissional Drug Therapy). Envol- > Outros temas de interesse ve atividades como: Fonte: autoria própria. áreas 1968). dentro do seu limite profissional. STRAND. a todas as necessidades de saúde do paciente. > Estudo de utilização de medicamentos pesquisa O processo de cuidado proposto neste documento. modelo de ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD. Na área da Farmácia. por exemplo. 2012). posteriormente. incluindo as farmacoterapêuticas (CIPOLLE. nos anos de 1980 (STRAND. (Figura 3). que os medicamentos utilizados sejam os mais efetivos norteia e seguros. em sua essência. 57 . que oferece os fundamentos para várias abordagens de resolu- > Regulamentação ção de problemas.FIGURA 2 Relação entre os constructos da área do saber Farmácia Clínica. MORLEY. e que o paciente esteja disposto e seja capaz de utilizá-los >  Filosofia da prática adequadamente (CIPOLE. >  Processo de trabalho prática O processo de cuidado baseia-se. 1988. e. bem como a todos os serviços clíni- cos cujo modelo de prática é o cuidado farmacêutico. consiste em uma > Avaliação de tecnologias abordagem lógica e sistemática aplicável a diferentes cenários. STRAND. esta abordagem da prática deu origem ao ciclo planejar-fazer-verificar-agir (sigla em inglês PDCA) área do saber (WORTH et al. 2013). 2012. a diversas escolas dedica- de serviços) das ao ensino e à pesquisa das práticas clínicas do farmacêutico ao redor do mundo.. a definição de um plano de cuidado e o clínica acompanhamento do paciente para avaliação dos resultados (WEED. STRAND. 1993). Na área da saúde. MORLEY. A responsabilidade es- prática (cuidado sencial do farmacêutico é garantir que toda a terapia medicamentosa farmacêutico) do paciente seja apropriadamente indicada para tratar seus proble- mas de saúde. (modelagem e avaliação HEPLER. CIPOLLE. que aprimorou o método clí- nico que define a ação médica em quatro fases: a coleta de dados.

o delineamento e a implantação de um plano de cuidado com. A anamnese farmacêutica pode ser compreendida como: Acolher encaminhamento a outro(s) profissional(is) ou serviço(s) de saúde ou identificar procedimento de coleta de dados sobre o paciente. PERINI. a avaliação dos resultados alcançados e a evolução do pacien. família ou necessárias à resolução dos problemas. de financiamen- to. PHARMACEUTICAL SOCIETY OF AUSTRA. 2013d). 7). Planejar STRAND. de infraestrutura. a identificação das necessidades de saúde. por meio da realização da anamnese farmacêutica e da verificação de pa- râmetros clínicos. 2011. Por fim. 2011a. entre outros (BRASIL. RAMALHO DE OLIVEIRA. provisão e sustentabilidade de serviços de alta qualidade (CIPOLLE. por meio de entrevista. o que exigirá a organização de consulta de retorno ou contato resultados da(s) família e intervenção(ões) comunidade com o paciente. garante que o farmacêutico possua todos os recursos humanos. Identificar a(s) • 3. . elaborar o perfil farma- íd o co rv te lu çã p A a coterapêutico e identificar suas necessidades relacionadas à documentação do cuidado prestado saúde. MORLEY. necessidade(s) de partilhado com o paciente. realizado a demanda pelo farmacêutico. 2012. da busca ativa. por outro lado. o acolhimento ou a identificação da demanda. o que exigirá a cole- ta de dados do paciente e a identificação de problemas. com a finalidade te n o nc en ou in acie lta d de conhecer sua história de saúde. a prática deve estar regulamentada de modo a dar legitimida- de aos profissionais e segurança aos pacientes. que inclui as intervenções e condutas saúde do paciente. • 2. da demanda es- pontânea. e realizar LIA. A gestão da prática. FREITAS. de formação. do encaminhamento do paciente. 2013f p. ou de outros necessários à implementação. após a implantação do plano de cuidado. 2006). RAMALHO DE intervenção(ões) OLIVEIRA. quando necessário. que pode advir Processo de cuidado farmacêutico. te. cuidado comunidade • 4. FIGURA 3 • 1. aos estabelecimentos 58 Fonte: autoria própria. centrado Avaliar os no paciente. (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA.

bem como vários procedimen. em certa medida distintas Na literatura internacional. 2013. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGIÂNCIA tivas e Complementares no SUS . antroposofia. No caso dos sistemas de saúde. clinical pharmacy services. identifica- se sua atuação tanto nas atividades-meio ou nos sistemas de apoio quanto nas atividades-fim ou de cuidado direto ao paciente.. As primeiras se relacio- nam à produção de medicamentos e de outros produtos para a saúde. ferem-se àquelas relativas à assistência direta ao paciente.PNPIC (BRASIL. 2011. 2009). 2006a. WIEDENMAYER et al. 2013c. 2013f. 2011. 2013f. gestão da é “aquela que caracteriza o objetivo principal da empresa/instituição. 2011). saúde. 2006b). CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. MORLEY. que são reconhecidas pela Política Nacional de Práticas Integra- CIA. medicines use services. 2014c. entre outros) (BRASIL. 2014f. visando ao acesso do paciente a re- e para a sociedade na provisão de serviços farmacêuticos. BRASIL. como conciliação de medi. fitoterapia e homeopatia adotam filosofias e modelos de prática particulares. para designar o conjunto de serviços. prevenir e resolver problemas relacionados contrato social”. Práti- SANITÁRIA. normalmente expresso no profissional em identificar. STRAND. as atividades-fim re- à farmacoterapia (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. LEY. CIPOLLE. 2007. entre as quais medication therapy management services. 2013b. professional pharmacist services e professional pharmacy services (BENRIMOJ et al. CONSELHO FEDERAL DE FARMÁ. MOULLIN et al. condição de saúde. VAN MIL. pharmaceutical care services. revisão da (MENDES. à família e UNITED KINGDOM. O cuidado prestado pelo farmacêutico se materializa para o paciente bem como à sua gestão logística. Figura 4. organização dos medicamentos em uso pelo pa. 1993). BLUML. encontram-se também as pequenos curativos. Ao analisar o trabalho do farmacêutico na atenção à saúde. se caracterizam pela expertise desse a sua destinação e o seu empreendimento. entre outros. INTERNATIONAL PHARMACEUTICAL FEDERATION. 2012). 2009b. 2014f. WORLD HEALTH ORGANIZATION.. pelas análises clínicas também é considerado como atividade-meio camentos. ORGANIZA- CIÓN MUNDIAL DE LA SALUD. 2014d. BRASIL. o farmacêutico ainda pode prover à comunidade (BRASIL. cas como acupuntura. A atividade-fim de qualquer instituição ou empresa farmacoterapia. 2013f. como pode cursos terapêuticos e propedêuticos. subsidiar as fiscalizações profissionais e sanitárias. Contudo. 2013. FERNANDEZ-LLIMÓS. 2011. 2014b. diferentes expressões têm sido utilizadas dos serviços discutidos no presente texto. 2012. 2005). O apoio diagnóstico propiciado ser observado na Figura 4. práticas em estética. STRAND. 2012. 2010. No rol de possibilidades de serviços que o farmacêutico pode prover tos (verificação/monitorização de parâmetros clínicos. e aos empregadores na oferta dos serviços à população.. bem como e à comunidade (SÁNCHEZ-SERRANO. à família 60 61 . CIPOLLE. 2005). 2006). MENDES. à familía e à comunidade. como a educação e o rastreamento em saúde (BRASIL. 2010c. Os serviços. UNITED KINGDOM. monitorização terapêutica de medicamentos. realização de aos pacientes. 2014e. cognitive pharmaceutical services. MENDES. MOR- outros serviços. pharmacist care services. 2014. bem como as Integrativas e complementares em ciente. acompanhamento farmacoterapêutico.

à família e à comunidade ao diagnóstico diretamente rel acionados ao paciente > Análises clínicas cuidado farmacêutico práticas integrativas >D  eterminação de parâmetros clínicos (modelo de prática) e complementares > Análises toxicológicas >R  ealização de pequenos curativos > Educação em saúde > Monitorização > Homeopatia >A  dministração de medicamentos terapêutica de > Rastreamento medicamentos > Acupuntura >P  rocedimentos em acupuntura em saúde > Revisão da > Fitoterapia >P  rocedimentos em estética > Manejo de problema farmacoterapia serviços de saúde > Floralterapia rel acionados >O  rganização dos medicamentos autolimitado > Acompanhamento ao medicamento farmacoterapêutico > Antroposofia > Dispensação > P &D.FIGURA 4 Modelo lógico-conceitual dos serviços farmacêuticos necessidades de saúde do paciente. produção > Gestão da condição > Conciliação de de saúde práticas em estética > Gestão logística medicamentos atividades-meio ou de apoio nas redes de atenção à saúde atividades-fim nas redes de atenção à saúde Fonte: autoria própria. família e comunidade serviços de saúde grupos de serviços e procedimentos farmacêuticos serviços de apoio procedimentos serviços diretamente rel acionados ao paciente. .

premissas para o desenvolvimento dos serviços 64 65 .

2013h): • ser ético. • atuar com cidadania. ORGANIZACI- ÓN MUNDIAL DE LA SALUD. comunidade e outros profissionais da saúde. 2011. MORLEY. família. incluindo as suas neces- sidades farmacoterapêuticas. • atuar considerando os preceitos de beneficência e de não maleficência. PERINI. 2012. • desempenhar seus serviços com respeito ao meio ambiente.Os farmacêuticos que assumem o cuidado como seu modelo de prá- tica profissional têm a responsabilidade de atuar de forma a atender a todas as necessidades de saúde do paciente. e incluem (adaptado de ORGANIZACIÓN PANAMERICANA DE LA SALUD. paciente. Constituem valores dos profissionais que proveem serviços farmacêuticos (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. 67 . • buscar equidade do cuidado à saúde. ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD. são considerados fun- damentais para orientar a prestação dos serviços. listados a seguir. 2013. • fazer atendimento humanizado. FREITAS. STRAND. • contribuir para o desenvolvimento da autonomia do paciente. • desenvolver vínculo terapêutico com o paciente. os princípios. • perceber o significado de atenção à saúde numa perspectiva ampla de saúde coletiva. • entender a atenção primária à saúde como direcionadora da orga- nização do sistema de saúde. Adicionalmente. 1993). seja na prevenção de doenças. RAMALHO DE OLIVEIRA. RAMALHO DE OLIVEIRA. 2006. 1993): • prestar cuidado centrado no paciente. • trabalhar com excelência e profissionalismo. assim como das implicações das suas decisões. • agir com responsabilidade. dentro de seu âmbito profissional (CI- POLLE. promoção ou recuperação da saúde.

• utilizar a tecnologia da informação e a comunicação disponíveis. o uso racional dos me- dicamentos. • documentar todo o processo de trabalho. monitoramento e avaliação). • colaborar com os envolvidos no processo de cuidado (familiares. a prevenção de doenças. compreendidas como o conjunto de técnicas e ações que visam a assegurar a manutenção da qualidade e segurança dos produtos. serviços e procedimentos farmacêuticos. Os processos de trabalho relacionados à execução de serviços e proce- dimentos farmacêuticos devem estar alinhados com as Boas Práticas Farmacêuticas (BPF). • tomar decisões baseadas em conhecimentos e informações baseadas nas melhores provas (evidências). 68 69 . • administrar o serviço (planejamento. e para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. • promover o uso racional de medicamentos e outras tecnologias. outros profissionais e comunidade). a fim de con- tribuir para a assistência terapêutica integral. a promoção e recuperação da saúde.

tipos de serviços farmacêuticos e seus conceitos 70 71 .

educação em saúde. mane- jo de problemas de saúde autolimitados. revisão da farmacoterapia. concomitantemente. incluídos neste documento. 73 . como demonstrado na Figura 5. conciliação de medicamentos. são: rastreamento em saúde. Destaque-se que o paciente pode apresentar necessidades de saúde que serão atendidas pela oferta de um ou mais serviços. Os serviços devem ser ofertados de acordo com as necessidades de saúde do paciente. da família e da comunidade. monitorização terapêutica de medicamentos.Os serviços prestados pelo farmacêutico para atender às necessida- des de saúde do paciente. dispensação. gestão da condição de saúde e acompanhamento farmacoterapêutico.

Alguns desses adequados e orientação ou condição de saúde sobre o processo de termos consistem em sinônimos no idioma português ou represen- para diagnóstico uso correto e seguro. a complexidade do paciente. a regulamentação. a estrutura disponível para a prestação e os serviços farmacêuticos correspondentes. influenciam a seleção e a provisão do serviço para o paciente. 2010c). RUZANY. o rastre- de saúde amento em saúde objetiva a identificação de indivíduos com doenças > conciliação de medicamentos que ainda não foram diagnosticadas. Para cada tipo de serviço. e prevenção > manejo de O subdiagnóstico de diversas doenças.1 Rastreamento em saúde da saúde. 2000). medidas da glicemia. correto sua conservação e seu cada serviço. YE. RODRIGUES. o financiamento. 20+20+A > rastreamento > dispensação em saúde Evitou-se a tipificação altamente estratificada dos serviços e a utili- • Acesso a medicamentos zação de termos adjetivados. como • Prevenção e resolução por exemplo: verificação da pressão arterial. do serviço. LIMA. PEELING. especialmente. 2013b. constituem estratégias controle de condições importantes para a redução da morbimortalidade. a detecção e o tratamento precoces de doenças em pessoas as- manter-se saudável e para cura ou sintomáticas ou sob risco de desenvolvê-las. da família e da comunidade. Portanto. como Necessidades de saúde do paciente. > revisão da farmacoterapia com a finalidade de prescrever medidas preventivas ou encaminhar os > gestão da condição de saúde casos suspeitos a outro profissional ou serviço de saúde para elucida- > acompanhamento ção diagnóstica e tratamento. são apresen- • Identificação e a produtos para a saúde provável de doença tados termos relacionados encontrados na literatura. 2013f. em saúde 2006. 75 . Destaque-se que o rastreamento não é farmacoterapêutico uma prova diagnóstica definitiva (BRASIL. BRASIL. a competência clínica do farmacêutico. as crônicas não da doença problemas transmissíveis. de problemas relacionados à farmacoterapia Fonte: autoria própria. para oportuno. tam variantes da prática do serviço. SZWARCWALD. FIGURA 5 Outros determinantes que vão além das necessidades de saúde. > m onitorização terapêutica de medicamentos O rastreamento em saúde pode ser feito por diferentes profissionais. • Controle. 2010c. 2013a. e precoce descarte promoção e recuperação 6. é ainda considerado alto (CONSELHO FEDERAL DE FAR- > educação de saúde autolimitadas MÁCIA. 2004. cura ou prevenção de complicações da doença Alguns testes são utilizados durante a provisão deste serviço. São apresentados também. entre outros. termos correspondentes nos idiomas inglês e espanhol. 2013c. Neste con- • Autonomia para • Controle de sinais e/ ou sintomas texto.

uma vez detectadas. O ideal é que os procedimentos utilizados no rastreamento sejam de O termo rastreamento em saúde não pode ser confundido com ras- baixo custo. pesquisa e prática. mas também na ava. Nesta perspectiva. boa acurácia e reprodutibilidade. FERNANDEZ-LLIMÓS. tamizaje. Conceito: serviço que possibilita a identificação provável de doença cas. rastreo. especialmente nas farmácias comunitárias. seu cuidado com a saúde (empoderamento). WAGNER. rotineiramente. como imposição de um saber técnico-científico transmitido de forma TCHER. Neste sentido. análises antropométri. educar em saúde não é somente transmitir informações. FLETCHER. o conceito proposto se limita ao campo da prática. FLETCHER. não um “fazer para” (SCHALL. O serviço de rastreamento em saúde não consiste saúde para diagnóstico e tratamento (CONSELHO FEDERAL DE FAR- apenas na realização destes procedimentos. SZWARCWALD. além 2004. Esses pro. ponsabilidade dos indivíduos pelas decisões diárias que envolvem o coce pode evitar consequências mais graves e. Miniexame do estado mental. ção e encaminhamento do paciente a outro profissional ou serviço de 2). 2005). de possibilitar a participação ativa na vida comunitária (FRADE. devido à sua a de um campo multifacetado que inclui teoria. em diferentes A concepção de educação em saúde empregada neste documento é cenários. Não pode ser entendida deve-se dispor de tratamento (VALLS. da família e da comunidade. BRASIL. 76 77 . Neste contexto. por exem. em pessoas assintomáticas ou sob risco de de- plo. Escore para triagem de instrumentos de entrevista validados. 1999). para maior aceitabilidade do paciente (VALLS. WAGNER. NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. RUZANY. FERNANDEZ-LLIMÓS. 1996). o Escore de risco de diabetes tipo 2 do inglês Finland Diabetes senvolvê-las. 2005. 2013c). fácil aplicação e o me. treabilidade ou rastreamento de medicamentos (BRASIL. mas envolve também a trans- O aumento da oferta deste serviço no sistema de saúde poderá formação de saberes e práticas existentes. o que demonstra a importância da prestação do paciente. ou condição de saúde. Termos relacionados: triagem. na fissionais têm acesso diário a um grande número de pessoas assin. MÁCIA. do colesterol e dos triglicerídeos capilares. FLE. entre outros. suas formas A prática educativa visa ao desenvolvimento da autonomia e da res- pré-clínicas devem ser detectáveis e prevalentes. sua detecção pre. 2000). ticos ocupam lugar estratégico no sistema de saúde e podem con- tribuir para a provisão deste serviço. 2005. A educação em saúde está contribuir para minimizar o subdiagnóstico médico. 2010c). 6. cribado. qual os serviços ou ações estratégicas estão centrados na educação tomáticas sob risco. 2006).2 Educação em saúde devem-se considerar os seguintes princípios: o problema de saúde deve ter ocorrência e gravidade relevantes na população. FERNANDEZ-LLIMÓS. sua própria saúde e pela saúde da comunidade à qual pertence. 2013f. AGÊNCIA nos invasivos possível. exames ou aplicação Risk (FINDRISC). e envolve um “fazer com” e desse serviço. pela realização de procedimentos. liação dos seus resultados e decisão clínica da melhor conduta para o paciente. os farmacêu. FLETCHER. assim como relacionada ao desenvolvimento de responsabilidade nas pessoas por as inúmeras oportunidades de prevenção perdidas (PEELING. além de instrumentos de entrevista validados como. vertical pelo profissional da saúde. 1996). YE. Para que a doença ou uma condição de saúde possa ser rastreada. grande capilaridade (VALLS. com subsequente orienta- de depressão do inglês The Patient Health Questionnaire-2 (PHQ. screening.

Tem como objetivo a tação de serviço destinada a prover orientação sanitária individual e autonomia dos pacientes e o comprometimento de todos (pacientes. e intervir junto ao prescritor quando necessário (CONSELHO FE- monitoramento. BRASIL. ao definir a farmácia como uma unidade de pres. Envol- farmacêutico durante a educação em saúde. e melhoria da qualidade de vida. condições de saúde. profissionais. Entende-se. pre- cêuticos (BRASIL. encerra uma visão de ação compartilhada e participativa. sanitary education. Especificamente na área da Farmácia. sinais/sintomas. pela cidadania. desenvolver habilidades e atitudes so- A Lei nº 13021/2014. administração de DERAL DE FARMÁCIA. o farmacêutico deve avaliar a prescrição. glicosímetro). quando o farmacêutico educa • dispositivos organizadores de medicamentos que auxiliam na adesão. educación sanitária. para o registro de dados de auto. carta de alta ou parecer para outro profis. educação para a saúde. Para tal. reitera a importância da realização deste serviço por farma. • folderes. 1998. hygiene ser utilizadas. saúde (FRADE. aconselhamento de alta. 2006). educação sa. ve. OTUKI. ainda. coletiva. medication couseling. educação em saúde. panfletos ou cartazes. aconselhamento • lista de todos os medicamentos utilizados pelo paciente. orientação terapêutica. com o foco na farmacoterapia. de medicamentos (por exemplo. gestores e cuidadores) com a promoção da saúde.3 Dispensação mento de parâmetros da saúde (por exemplo. alimentação. uso e descarte correto de medicamentos. Ao considerar o processo histórico de construção do saber nesta área. identificam-se outros termos relacio- • etiquetas ou rótulos com informações escritas e visuais (pictogramas). educação sanitária. 2001. health education. de modo a contribuir para aumentar conhecimentos. orientação farmacêutica. educación para la salud e educación en salud. Adicionalmen- sional da saúde. dispositivos inalatórios. adesão ao tratamento. cessação do tabagismo). • tabelas que orientem quanto ao horário adequado para a admi- nistração de medicamentos (calendário posológico). e é adotada por todas as demais profissões da área da Conceito: serviço que compreende diferentes estratégias educativas. campaña sanitária. CORRER. cabe destacar: mudan. ao paciente. nados. A dispensação é um ato privativo do farmacêutico. • demonstração da técnica de uso de aparelhos para monitora. as quais integram os saberes popular e científico. A nova termino. • vídeos. 1981. e legal. orientação sanitária e educação para a saúde. diferentes estratégias educativas podem orientação sanitária. que tem por finalida- • informe terapêutico. optou-se por não utilizar os termos educação higiênica. nitária. • outros. patient advise. fatores de risco e Termos relacionados: educação higiênica. informações sobre doenças. Entre os aspectos a serem trabalhados pelo venção e controle de doenças. 2014a). como por exemplo. ob- jetivo do tratamento. 6. a saber: education. • plano de ação do paciente. sob o ponto de vista técnico • diários de saúde do paciente. medicamentos. canetas aplicadoras de insulina). também. ações de mobilização da comunidade com o compromisso ças de hábitos e estilo de vida (por exemplo. que esse serviço deve ter seu processo de 78 79 . logia. te. patient • demonstração da técnica de uso de dispositivos para administração couseling. 2013). bre os problemas de saúde e seus tratamentos. de propiciar o acesso ao medicamento e o uso adequado. 2008a.

é uma atividade remunerada. CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. O risco associado ao autotratamento desassistido justifica que o far- macêutico. com o DEMY. o paciente pode recorrer. ©2016. ção profissional. NONPRESCRIPTION MEDICINES ACA- quado e seguro. O farmacêutico deve orientar o paciente e acom- As pessoas.. a entrega de medicamentos e de outros produtos para sinais e sintomas ou acarretando outros problemas de saúde (WORLD a saúde ao paciente ou ao cuidador. a realização de assistência não seja adequada. 2012). de modo a possibilitar vida. ANTUNES. NONPRESCRIPTION MEDICINES ACA- Conceito: serviço proporcionado pelo farmacêutico. o conceito de dispensação remete. objetivo de garantir a segurança do paciente. visando à resolução do problema de saúde autolimitado. propiciando o insucesso no manejo dos intervenções. Há o risco de que a utilização desses recursos sem análise dos aspectos técnicos e legais do receituário. dispensação especializada. Envolve a SAHM. a orientação sobre seu uso ade. 2008). ao uso de medicamentos ou TO et al. por conta própria. pharmaceutical dispensing. e outras intervenções relativas 6. panhar os resultados da terapia prescrita ou do encaminhamento. Deve seguir os princípios preco. além de entregar o medicamento ou produto para a saúde. ma autonomia) (CHAMBERS. 2013a. trabalho e orientação ressignificados no Brasil. oferte ao pa- Em alguns países. por influ- condições para que o paciente utilize-o da melhor maneira possível (GALA. alimentação saudável. tão somente. assistência médica (MELLO. dispensación. redispensação. CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. ©2016). qual o profissional aplica conhecimentos e habilidades clínicas para selecionar e documentar terapias farmacológicas e não farmacológi- cas que não exigem prescrição médica. o acesso e a utilização OTUKI. dependendo da gravidade da doença e da necessidade de aten- não prescritos com as condições de saúde e características do paciente. 2006). básicas de higiene. correlacionar os medicamentos prescritos/ que. prática de atividades físicas e uso de medicamentos (NONPRESCRIPTION MEDICINES ACADEMY. dispensação ativa. dispensing. sua conservação e descarte. 2013a. vai desde o “autocuidado puro” (paciente totalmente além de considerar outros fatores que podem interferir no resultado do autônomo) até a “responsabilidade abdicada” (paciente sem nenhu- tratamento e na segurança do paciente. As práticas de autocuidado correspondem a um contínuo sidade de avaliar a prescrição. em seu cotidiano. ência de pessoas próximas ou da mídia. ao ciente o serviço de manejo de problemas de saúde autolimitados. promovem ações. o farmacêutico deve promover as Neste contexto. principalmente nas farmácias comunitárias. pensação clínica. Em alguns países. dispensa. 2010). A dispensação exige do farmacêutico formação clínica. geralmente em DEMY. nizados pela OMS na Declaração de Tóquio. seus benefícios. Essas ações incluem as medidas a exploração de todas as suas potencialidades enquanto serviço clínico. no simples ato de entregar medicamentos. pacientes que apresentaram algum sintoma/sinal nos dois meses an- teriores à entrevista decidiram se autotratar e apenas 8% procuraram Termos relacionados: dispensação orientada. No Brasil. um estudo demonstrou que 32% dos adequados [Adaptado de Arias (1999) e Brasil (1998)]. 2014. dis. COUGHLAN. a fim de prevenir do. 2014.4 Manejo de problema de saúde autolimitado ao cuidado à saúde do paciente. cumprimento a uma prescrição de profissional habilitado. SOLER. ou seja. BYRNE. CORRER. 2008). de outras estratégias terapêuticas para o seu autocuidado (WORLD HEALTH ORGANIZATION. ©2016. o que constitui o autocuidado. haja vista a neces. enças e controlar ou reduzir o impacto de condições mórbidas na sua para certificar-se da adesão às intervenções realizadas e resolução 80 81 . HEALTH ORGANIZATION. WALDMAN.

nha o paciente a outro profissional ou serviço de saúde. esse serviço auxilia na redução da sobrecarga dos sis- temas de saúde. VINCZE. e que pode ser tratada uma simples mensuração da concentração plasmática do fármaco. 82 83 . ACADEMIES AND Seu uso primordial destina-se a monitorar níveis séricos de fármacos com ACADEMIC ASSOCIATIONS OF GENERAL PRACTITIONERS/FAMILY janela terapêutica estreita. prescreve e orienta quanto a medidas não farmacológicas. Adi- de forma eficaz e segura com medicamentos e outros produtos com cionalmente. nal de Classificação da Organização Mundial de Médicos de Família (WORLD ORGANIZATION OF NATIONAL COLLEGES. 2014. 2005). TOUW et al. MAJOR. 2009). 2015a WORLD HEALTH automedicação responsável. do problema de saúde (NONPRESCRIPTION MEDICINES ACADEMY. Conceito: serviço pelo qual o farmacêutico acolhe uma demanda relativa a problema de saúde autolimitado. cinética ou cujas concentrações alvo são difíceis de monitorizar. de baixa gravidade. a a individualização das doses dos medicamentos. a resposta do paciente e os 2015a. Termos relacionados: indicação farmacêutica. cuja dispensação não exija prescrição médica. automedicação assistida. como: o tempo de amostragem ou medidas não farmacológicas (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. mas não se restringe a qual tende a evoluir sem dano para o paciente. O uso da monitorização terapêutica de medicamentos requer uma abor- O problema de saúde autolimitado. A execução desse serviço possibilita de breve período de latência. quando necessário. serviço de farmacocinética clínica. Esta informação pode ser usada para identificar componente “queixas e sintomas”. drogas vegetais e/ devem ser considerados alguns fatores. na identificação de problemas relacionados à farmacoterapia e da própria incluindo medicamentos industrializados e preparações magistrais – adesão do paciente. também conhecido por transtor. monitoréo de drogas. LEE. bem como para aqueles conhecidos por causar reações adversas (KANG. FAUS. encami. com a menor toxicidade possível (BIRKETT. therapeutic drug monitoring.5 Monitorização terapêutica de medicamentos atendimento médico. compreende uma enfermidade aguda. ©2016. dagem combinada. BAENA. 2010a. monitoréo terapéutico de drogas. medicamentos com variabilidade farmaco- PHYSICIANS. responsable. o regime terapêutico mais apropriado para o alcance da resposta ótima. macocinéticas e farmacodinâmicas. MACHUCA. com o objetivo de determinar as doses medicamentos e outros produtos com finalidade terapêutica. plantas medicinais. ção Internacional de Atenção Primária (CIAP2). 2014. management of minor illness e responsible self medication. CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. UNITED KINGDOM. BENONI. automedicación ORGANIZATION. 2010. Ao interpretar os resultados dos níveis plasmáticos. drug monitoring. máticas efetivas e seguras. 2005). 1997. cuja dis. do Comitê Internacio. far- no menor. dos níveis séricos de fármacos. identifica a necessidade Conceito: serviço que compreende a mensuração e a interpretação de saúde. em relação à dose. Termos relacionados: monitoramento de medicamentos. 2010b. abrangendo técnicas e análises farmacêuticas. no que se refere a condições clínicas que não exigem 6. alopáticos ou dinamizados –. individualizadas necessárias para a obtenção de concentrações plas- pensação não exija prescrição médica e. 2013f). a monitorização terapêutica de medicamentos pode ser útil finalidade terapêutica. CUZZOLIN.. o histórico de dosagem. indicación farmacéutica. que desencadeia uma reação orgânica. da segunda edição da Classifica. Adicionalmente. 2009). A maioria desses problemas pode ser identificada no alvos clínicos desejados.

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. RAYNOR. bem como opor- ção. No entanto. 6. ainda. medication reconciliation. Este serviço é geralmente prestado quando o pacien.6 Conciliação de medicamentos à utilização. quando focada na adesão ao tratamento. 2011a. da prescrição. AGARWAL. o paciente. no contexto hospitalar. entre outros. fazer uma análise mais aprofundada sobre os medicamentos e as condições de saúde. cado (BRASIL. como duplicidades ou omissões de medicamentos. Os problemas identificados podem ser. do paciente. a infraestrutura do seu lugar de trabalho. Os fatores que podem influenciar na escolha do processo de trabalho. incluem: a complexidade do paciente que receberá o serviço. dose. que dispõe sobre as Existem diferentes propostas de processos de trabalho descritas na lite- Boas Práticas de Fabricação de Produtos Tradicionais Fitoterápicos. o de todos os medicamentos (nome ou formulação. Na revi- conciliación farmacoterapéutica. 2014. ções da prescrição de medicamentos. 2008). baixa adesão. com 84 85 . aos resultados terapêuticos. dessa forma evitando danos desne. entre outras. liação. pois é preciso checar o seu entendimento sobre o trata- reconciliación de los medicamentos. via de administração e frequência de saúde. com a finalidade de resolver problemas relacionados à prescrição. optou-se por não utilizá-lo. Apesar lação aos medicamentos ou às ações relacionadas à revisão do registro do termo reconciliação ser muito utilizado como sinônimo de conci. de uso. tunidades de redução no custo do tratamento (CLYNE. neces- prevenir erros de medicação resultantes de discrepâncias da prescri. forma farmacêutica. de medicamentos e do arsenal terapêutico disponíveis no mercado. te quando o paciente transita pelos diferentes níveis de atenção ou SEAL. Conceito: serviço pelo qual o farmacêutico faz uma análise estrutu- te. segurança e efetividade dos tratamen- tos (BLENKINSOPP. REEVE. 2012). concentração/dina. conciliación de la medicación e mento. duração do tratamento) utilizados pelo paciente. a inserção do profissional na equipe mização. 2013). BLENKINSOPP. também. A revisão da farmacoterapia aqui explanada refere-se a por distintos serviços de saúde. sidade de acompanhamento ou de terapia adicional. 2011b). sem necessariamente haver te transita pelos diferentes níveis de atenção ou por distintos serviços contato direto com o paciente. exames laboratoriais. na qual o farmacêutico avaliará. conciliando as informações do prontuário. do paciente (PHARMACEUTICAL SOCIETY OF AUSTRALIA. entre outras informações. acesso às informações do paciente.7 Revisão da farmacoterapia pêutica. são clínica da farmacoterapia. GUPTA. por exemplo: reações adversas. é de- de saúde. pode-se. questões relativas à escolha tera- 6. Conciliação de medicamentos é um serviço que tem como objetivo erros de dosagem e/ou de doses. é necessário o contato direto com Termos relacionados: reconciliação. BOND. uma vez que na RDC/Anvisa n° 13/2013. com impactos distintos nas condições de saúde termo reconciliação é utilizado em outro contexto e com outro signifi. com o objetivo de diminuir as discrepâncias não intencionais. TSUL. sua rotina de medicação. interações de medicamentos. nominado análise farmacêutica da prescrição. 2013a). um serviço e não ao ato de o profissional manter-se atualizado em re- cessários (KITTS. de cuidado. entre outros. resultando em diferentes formas de realização da revisão da farmaco- Conceito: serviço pelo qual o farmacêutico elabora uma lista precisa terapia. o ratura para este serviço. A revisão da farmacoterapia pode ser centrada apenas nas informa- res. rada e crítica sobre os medicamentos utilizados pelo paciente. A revisão da farmacoterapia é um serviço pelo qual o farmacêutico analisa de forma estruturada os medicamentos em uso pelo pacien. o que. a fim de evitar dubiedade de inter- pretação. principalmen.

em que esforços de autocuidado de. revisão da medi. manejo de la enfermedad. 2015). Os programas de gestão da doença costumam ser de natureza interprofissional. têm sido desenvolvidos e amplamente contribuir para a melhoria da eficiência e da qualidade da atenção à adotados em vários países. revisão do tratamento farmacológico. o farmacêutico trabalha com outros profissionais da saúde. entre outros. em um contexto multiprofissional de trabalho em rapêuticos. Os serviços de gestão da condição de saúde. durante o acompanhamento do medicamentos. 2009. 2). dislipidemia. do paciente são significativos” (DMAA. a fim de gerenciar o cuidado prestado a um paciente e al- Termos relacionados: revisão dos medicamentos. principal característica consiste no foco em uma condição e tratamen- revisão do regime terapêutico. revisión del botiquín. já estabelecida. A 86 87 . paciente (AMERICAN COLLEGE OF CLINICAL PHARMACY et al. gerenciamento clíni- p. e visa a fornecer ao paciente intervenções documentadas.ex. medicines use review. No processo de cui- cada em uma doença ou condição específica (p. desde os anos 1990. reduzir riscos e gramas de gestão da doença. revisión del uso de los ficar ou suspender a farmacoterapia. brown apresenta uma abordagem orientada ao gerenciamento de toda a far- bag review. revisión de la expandam a autonomia do farmacêutico para dar início. 2012). medication management review. mento das diretrizes clínicas para essas populações. cançar objetivos terapêuticos específicos (MCGIVNEY et al. 2007). saúde. ajustar. medication review. para o autocuidado. revisão da terapêutica. é fo. diabetes mellitus. re. Association of America define gestão da doença como “um sistema de intervenções e comunicações coordenadas de cuidados em saúde. residencial medication cia de protocolos clínicos ou acordos de colaboração com o médico. revisión de la farmacoterapia. revision del uso de la medicación. tos específicos.9 Acompanhamento farmacoterapêutico (PEYTREMANN-BRIDEVAUX. 2006 apud SCHRIJVERS. uso tados negativos da farmacoterapia. gerenciamento da doença. disease management. para Termos relacionados: gestão da doença. drug regimen review. identificam-se problemas relacionados a medicamentos e resul- hipertensão.. incluin- do. médicos. entre outras). provido durante vários encontros com o paciente. por meio de um conjunto de intervenções gerenciais.8 Gestão da condição de saúde da condição de saúde. 2009). O objetivo maior desses programas consiste em garantir o segui. BURNAND. nutricionistas e farmacêuticos 6. que management review. gerenciamento da condição de saúde. medication macoterapia do paciente. O acompanhamento farmacoterapêutico é um serviço farmacêutico A gestão da condição de saúde. também é desejável a existên- therapy review. também chamados pro. Conceito: serviço pelo qual se realiza o gerenciamento de determina- 6. com o objetivo de alcançar bons resultados clínicos. dado. analisando suas causas e fazendo de anticoagulantes orais. bem como reduzir o desperdício de recursos. Sua cação. Neste serviço. gestión de la enfermedad. revisão do uso de medicamentos. home medicines review. co. A Disease Management saúde (Adaptado de Mendes. Neste serviço. enfermeiros. melhorar a adesão ao tratamento e os resultados te. gestão da condição de saú- pessoas com determinadas afecções. asma brônquica. educacionais e no cuidado. visando a resolvê-las ou preveni-las. enquanto serviço farmacêutico. ou de fator de risco. os objetivos de minimizar a ocorrência de problemas relacionados à as ferramentas e o conhecimento necessários ao seu empoderamento farmacoterapia.. revisión sistemática de medicación. ao passo que o acompanhamento farmacoterapêutico visão da prescrição. modi- medicación. insuficiência cardíaca.

ORGANIZAÇÃO PAN- -AMERICANA DA SAÚDE. gestão da tera- pêutica. rastreamento em saúde. ainda. manejo da farmacoterapia. dos fatores de risco e do tratamento do paciente. Devido a esta característica longitudinal do acompanhamento farma- coterapêutico. por meio da análise das condições de saúde. gestão da terapia medicamentosa. drug therapy management e seguimiento farmacoterapéutico. 2002). gestão da farmacoterapia. 88 . principal diferença deste serviço em relação aos demais consiste na perspectiva de continuidade do cuidado provido pelo farmacêutico em múltiplas consultas com o paciente (PHARMACEUTICAL SOCIETY OF AUSTRALIA. com o objetivo principal de prevenir e resolver problemas da farmacoterapia. medicines management. e contribuir para a melhoria da eficiência e da qualidade da atenção à saúde. medication management. serviço de gerenciamen- to integral da farmacoterapia. Termos relacionados: seguimento farmacoterapêutico. Conceito: serviço pelo qual o farmacêutico realiza o gerenciamento da farmacoterapia. atividades de prevenção e proteção da saúde. é possível que muitos dos serviços apresentados neste documento (educação em saúde. da implantação de um conjunto de intervenções gerenciais. reduzir os riscos. Inclui. UNITED KINGDOM. gerenciamento da terapia medicamentosa. a fim de alcançar bons resultados clí- nicos. conciliação de medicamentos e revisão da farmacoterapia) possam ser realizados durante o processo de acompanhamento do paciente. pharmacotherapeutic follow up. 2011b. educacionais e do acompanha- mento do paciente. 2005.

elementos mínimos que caracterizam os serviços 90 91 .

à família e à comunidade. e momento em que este serviço é prestado. é apresentada uma tabela contendo os elementos mí- nimos que caracterizam cada serviço farmacêutico diretamente destinado ao paciente. 93 . necessidade de retor- no do paciente ao serviço ( follow-up). produto gerado com o serviço e beneficiário. a tomada de decisões clínicas. foram consideradas os seguintes parâmetros: fontes de dados clínicos utili- zadas.Na Figura 6. Para tanto. São serviços com forte componente cogniti- vo. parâmetros avaliados pelo farmacêutico. a incorporação do modelo de prática (cuidado farmacêutico). Esse grupo de serviços clínicos visa a atender à necessidade social relacionada aos medicamentos e à saúde. que exigem o desenvolvimento de raciocínio clínico. documentação e avaliação de resultados. intervenções.

grupo de > Entrevista com cuidador > Determinação da concentração > Lista ou sacola de > Teste de pacientes ou profissionais paciente/cuidador plasmática do fármaco medicamentos rastreamento > Prontuário > Entrevista com o paciente > Prontuário Parâmetros avaliados > Resultado do teste > Necessidade educacional > Requisitos técnicos. habilidade. se necessário. atitude ou entregue e paciente > Documento de e recomendação de ajuste. se medicamentos encaminhamento autonomia do paciente informado encaminhamento.FIGURA 6 Elementos mínimos que caracterizam os serviços diretamente destinados ao paciente. > Medicamento > Receita do farmacêutico > Resultado do nível plasmático > Lista conciliada de e. à família e à comunidade. cuidador > Paciente ou cuidador > Prescritor > Prescritor o produto de pacientes. > Necessidade de terapia ou > Nível plasmático em relação à janela > Acurácia da lista de pelo farmacêutico administrativos e de encaminhamento a outro terapêutica e outros parâmetros de medicamentos legais profissional ou serviço de segurança saúde Retorno > Desnecessário > Desejável > Desnecessário > Desejável > Necessário > Desnecessário do paciente (follow up) Produto (output) > Resultado do teste > Aumento do conhecimento. > Entrevista com o paciente/ > Receita > Receitas clínicos o paciente ou cuidador. comunidade ou representante > Paciente ou cuidador ou profissionais Momento em que o > A qualquer episódio > A qualquer episódio de > Na dispensação > A qualquer episódio de > Durante a hospitalização > Na transição ou serviço acontece de contato contato contato > Encontro agendado transferências entre > Campanhas de saúde níveis ou serviços de saúde (Continua na próxima página) . caso necessário do paciente sobre seu tratamento ou necessário condição de saúde Quem recebe > Paciente > Paciente ou cuidador. serviço rastreamento educação dispensação manejo de problema monitorização terapêutica conciliação de em saúde em saúde de medicamentos de saúde autolimitado de medicamentos medicamentos Fontes dos dados > Entrevista com > Entrevista com o paciente > Receita. grupo > Paciente.

adesão do paciente da terapia. incluindo recomendações ao modo de uso da paciente ou equipe forma farmacêutica. frequência de administração e instruções adicionais Quem recebe > Prescritor > Paciente > Paciente ou equipe > Paciente/ cuidador ou equipe de saúde > Paciente/ cuidador o produto de saúde ou equipe de saúde Fonte: autoria própria. revisão da farmacoterapia serviço análise da prescrição revisão da revisão clínica gestão da condição acompanhamento farmacoterapêutico farmacoterapia da farmacoterapia de saúde focada na adesão Fontes dos dados > Receita > Receitas > Receitas > Prontuário > Prontuário clínicos > Prontuário do paciente > Prontuário > Prontuário > Entrevista com o paciente > Entrevista com o paciente > Sacola de > Sacola de > Exames > Exames medicamento medicamentos > Receitas relacionadas > Receitas relacionadas >E  ntrevista com o > Entrevista com à condição à condição paciente o paciente > Sacola de medicamentos > Sacola de medicamentos > Exames Parâmetros avaliados > Necessidade. adesão do paciente > Erros de medicação dos medicamentos segurança da terapia. efetividade e segurança > Necessidade. para a condição de saúde para toda a farmacoterapia paciente. > Necessidade. adesão do paciente Retorno > Desnecessário > Desnecessário > Desnecessário > Necessário > Necessário do paciente (follow up) Produto (output) > Lista de problemas > Lista dos > Lista de problemas > Objetivos terapêuticos atingidos > Objetivos terapêuticos atingidos identificados medicamentos do identificados. eficácia > Adesão do paciente > Necessidade. Momento em que > Por demanda do > Consulta agendada > Consulta agendada > Consulta agendada > Consulta agendada o serviço acontece paciente ou prescritor > Durante a hospitalização . efetividade e segurança pelo farmacêutico e segurança da terapia e forma de uso efetividade e da terapia.

procedimentos farmacêuticos 98 99 .

1 Verificação de parâmetros clínicos A verificação de parâmetros clínicos pode ser solicitada pelo pacien- te ou por profissional da saúde. e para o bem-estar das pessoas. principalmente. entre outros) requer. objetivando contribuir para a prevenção de doenças. 2009b). RDC/Anvisa nº 44/2009 (BRASIL. ou fora deles. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. por meio de pro- 101 . de forma isolada. Esse grupo de procedimentos (verificação de parâmetros clínicos. principalmente. perfuração de lóbulo auricular. Resolução/CFF nº 573/2013 (CONSELHO FEDE- RAL DE FARMÁCIA. utilizar equipamentos calibrados e vali- dados clinicamente. o uso de habilidades motoras.Durante a prestação de serviços farmacêuticos. bem como cumprir a legislação pertinente. podem ser realizados diversos procedimentos. documentar. Eles estão previstos na Lei nº 13021/2014 (BRASIL. procedimentos em estética e acupuntura. Resolução/CFF nº 585/2013 (CONSELHO FE- DERAL DE FARMÁCIA. 8. Para garantir a qualidade e a segurança desses procedimentos. a fim de agregar informações sobre o pacien- te ou subsidiar a aplicação de recursos terapêuticos necessários ao pro- cesso de cuidado em saúde. a promo- ção e recuperação da saúde. cumprir normas de biossegurança. administração de medicamentos. o de- senvolvimento de habilidades motoras. Envolvem. Procedimentos farmacêuticos: ações que podem ser realizadas durante a prestação de serviços farmacêuticos. Resolução/CFF nº 516/2009 (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. realização de pequenos curativos. 2009). 2013c). o far- macêutico deverá utilizar processos padronizados. Portaria/MS nº 971/2006 (BRASIL. 2006a). 2013f). 2014a).

a dispensação. 2001. a capacidade cognitiva e rotina do paciente. que podem ser utilizados pelo paciente para fins de autocuidado. Diversos serviços farmacêuticos. que são chamados de pill boxes. tais como tabelas de horários. tivos por farmacêuticos (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. LENGEL. bem como em farmácias. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. 2001). 2013f). 8. 2009.4 Realização de pequenos curativos 2 Equipamentos/dispositivos teste laboratorial portátil: são definidos como equi- pamentos portáteis utilizados para determinação de parâmetros clínicos próximo A Resolução/CFF nº 357/2001 legitima a realização de pequenos cura- ao local de cuidado do paciente. CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. entre prevenção de doenças no país (EID. 2013e. utilizados para a determinação de parâmetros clínicos.. o direcionamento de uma te. Existem diversos 8. TAITEL et al. HIGGINBOTHAM. a verificação da temperatura STEWART.2 Administração de medicamentos dispositivos com esta finalidade. 2003). estratégias educativas. colesterol e triglicerídeos. da efetivi. por profissionais da saúde ou pelo laborató- rio clínico (INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. MÁCIA. folde- res. quando não há hemorragia arterial. e. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGI- corporal. ças no processo de cuidado (INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZA. semanais ou mensais (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA.. Directly Observed Treatment Uma das etapas desse procedimento envolve a utilização de diferentes – DOTs). autoteste2 (equipamentos/dispositivos para contribui em diversos sistemas de saúde para a proteção à saúde e a autoteste. portáteis. A realização de procedimentos de organização dos medicamentos visa dade e segurança do tratamento. entre outros. 2001. 2006) não seja necessário fazer suturas ou procedimentos mais complexos. entre outros. PFALZGRAF. do inglês home care test). etiquetas. BRASIL. como a educação em saúde. MEAGHER. identificação dos fatores de risco na promoção da saúde e na também denominada aprazamento. em lesões cutâneas.3 Organização dos medicamentos A análise de parâmetros clínicos pelo farmacêutico tem como objetivos a verificação do estado clínico do paciente. 2008b. 2009a. deve ser estabelecida conforme prevenção da doença. 2013. a avaliação antropométrica e LÂNCIA SANITÁRIA. outros. 2009). WANG et al. cujos resultados podem levar a possíveis mudan. a revisão da farmacoterapia e o acompanhamen- 1 Equipamentos/dispositivos para autoteste: são definidos como equipamentos to farmacoterapêutico também podem incluir esse procedimento. BRASIL. podendo ser feita em es- quemas de horários com organizadores diários. 2014. PAPASTERGIOU et al. cedimentos que podem incluir teste laboratorial portátil1 (do inglês A participação das farmácias em programas nacionais de imunização point-of-care testing).. A organização da rotina diária de medicação. entre outros. manuais e automatizados. Alguns exemplos incluem a determinação dos níveis capilares 2014a. 2008b. de glicose. 2013f. 2012. a medição de pico de fluxo respiratório (CONSELHO FEDERAL DE FAR. porém não conclusivos para diagnóstico. a simplificar a utilização destes pelos pacientes e corrigir eventuais rapia ou o monitoramento do paciente e o rastreamento para erros de administração. nas quais TION. 2009). nebulização. te- rapia diretamente observada (em inglês. 102 103 . BRASIL. organizadores de comprimidos. a medida da pressão arterial. 2015. 8. verificação de sinais vitais. Trata-se de procedimentos de aplicação de injetáveis.

o desbridamento e a lavagem de ouvidos. 104 . amputação de membros ou perfurações profundas. devendo. abscesso. mordidas de animais. Não é permitida a realização de curativos na região ocular e no ouvido. quando houver infecção. ser feito o encaminhamento. como a retirada de pontos. nesses casos. bem como executar procedi- mentos que necessitem de atendimento ambulatorial ou hospitalar. por escrito. à uni- dade ambulatorial ou hospitalar mais próxima.

prescrição farmacêutica 106 107 .

2013g). é necessária a tomada de deci- são clínica sobre a melhor intervenção possível para o paciente. A ação ou atividade técnica de selecionar uma conduta para o paciente cons- titui um ato prescritivo. 2013f). mas uma das atividades ou ato que compõem o processo de cui- dado à saúde (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. O escopo da definição transcende a prescrição de medicamentos. Constitui uma responsabilidade assumida pelos profissionais que es- colhem o cuidado farmacêutico como modelo de prática profissional. e outras intervenções relativas ao cuidado à saúde do paciente. proteção e recuperação da saúde. Deste modo. 2013f. agindo em detrimento do bem-estar e das reais necessidades de saúde do paciente.Na provisão de serviços farmacêuticos. O exercício profissional do farmacêutico não corresponde a uma ati- vidade meramente comercial. e à prevenção de doenças e de outros problemas de saúde. que a define em seu artigo 3º como: ato pelo qual o farmacêutico seleciona e documenta terapias farmacológicas e não farmacológicas. 109 . Ressalte-se que o Código de Ética Farmacêutica (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. conscientemente ou não. a sua função primordial é prestar serviços de caráter clínico-assistencial ao paciente. fundamen- tados no atendimento das suas necessidades de saúde. A prescrição farmacêutica foi incluída no rol das atribuições clínicas do farmacêutico relativas ao cuidado à saúde. de que trata a Resolução/ CFF nº 585/2013 (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. 2013g). e regula- da pela Resolução/CFF nº 586/2013 (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁ- CIA. no respeito à ética e na responsabilidade profissional (CONSELHO FEDERAL DE FAR- MÁCIA. 2014b) define que o farmacêutico não deve ser influen- ciado pelo interesse econômico. A prescrição não configura um serviço clínico per se. 2013a. 2013a). visando à promoção.

em que a prescrição de um medicamento de venda livre possa atender às suas expectativas. Portanto. 2013a). Qualquer atitude que leve o farmacêutico a ceder a pressões de ordem econômica constitui má conduta profissional passível das sanções disciplinares previstas na legislação pertinente (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. este ato não caracteriza con- flito de interesses. 110 . quando um paciente demanda por serviços farmacêuticos com o intuito de ser auxiliado no tratamento de um problema de saú- de autolimitado.

gestão de risco e cultura de segurança 112 113 . análise de informação.

Infelizmente. no Brasil. BRASIL. entre outros. 2013. o registro eletrônico em saúde e o prontuário eletrônico do paciente. minimizando duplicidades de tratamentos. ini- cialmente. pela criação de sistemas que apoiassem finalidades especí- ficas como a vigilância sanitária e a segurança do paciente. optou-se. Os farmacêuticos que atuam clinicamente produzem informações registradas nos prontuários dos pacientes. Considerando-se a dimensão do país. Esta integração das informações clínicas geradas pelos farmacêuticos e por farmácias com o restante da equipe multiprofissional propicia uma melhor gestão do caso. 2013a). Contudo. seus arquétipos. a gestão de risco e a cultura de segurança são elementos da gestão da prática – componente do cuidado farmacêuti- co – para a provisão de serviços farmacêuticos destinados ao paciente. nacionalmente. não há um sistema nacional de informação em saúde que integre o prontuário do paciente em diferentes pontos de atenção à saúde. à família e à comunidade. a família e a comunidade não caracteriza atuação clínica na forma prevista neste documento. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Outra consequência da integração do registro clínico do farmacêutico aos sistemas nacionais é a redução da subnotificação e a melhora na qualidade da informação. A criação do Sistema Nacional de Notificação e Investigação em Vigi- lância Sanitária e da Rede Sentinela de Hospitais e Farmácias constitui 115 . templantes e metodologia de gestão da prática. sem o con- tato direto do profissional com o paciente. as informações do “fazer clínico do farmacêutico” auxiliam na definição da arquitetura da informação em saúde. Em países nos quais há. contribuindo para a terapêutica mais efeti- va e segura. uma vez que na arquitetura dos sistemas a notificação pode ser automatizada. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ.A análise de informação. Es- tas podem alimentar sistemas e programas nacionais relacionados à vigilância em saúde e à segurança do paciente (BRASIL. a realização de atividades exclusiva- mente voltadas à gestão de risco ou da vigilância em saúde. erros de medicação. bem como para a redução de custos.

2013b). A implantação de Núcleos de Segurança do Paciente (NSPs) nos estabelecimentos de saúde constitui uma das estratégias para o alcance desses objetivos (BRASIL. BRASIL. foi instituído o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP). Em 2013. 2013. uso racional das tecnologias em saúde e qualidade em serviços. que tem como objetivos promover e apoiar iniciativas em di- ferentes áreas da atenção. importante iniciativa com vistas a organizar os dados do cuidado em saúde para produzir informação em larga escala. sob os pilares: busca ativa e notificação de eventos adversos. para a organização e gestão de serviços de saúde. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. BRASIL. 116 . tecnovigilância e hemovigilância. 2013a. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. entre outros. A rede sentinela atua no campo da farmacovigilância. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. e envolver pacientes e familiares em ações para a sua seguran- ça.

documentação do processo de cuidado 118 119 .

Sendo assim. a agilidade de consulta e a confiabilidade das informações. a acre- ditação da qualidade do serviço e. 2013f) e também pela Resolução RDC/Anvisa nº 44/2009 (BRASIL. bem como. responder a quaisquer questionamentos advindos da fiscalização de atividade profissional ou sanitária (Figura 7). a documen- tação do cuidado farmacêutico deve ser estruturada para propiciar dis- ponibilidade de informação a todos os envolvidos no cuidado. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. ob- servados a nomenclatura e o sistema de pesos e medidas oficiais. BRASIL. propiciando a comunicação entre os diversos membros da equipe de 121 . por extenso. em situações de trabalho em equipe. 2015b).A documentação dos serviços e procedimentos farmacêuticos executa- dos é essencial e obrigatória. em relação ao estado de saúde do paciente. entre outras. 2009). a análise e a revisão da gestão da prática. 2011d. às intervenções realizadas e aos resultados obtidos (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. sem emendas ou rasuras (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. em termos populacionais. 2013e. A organização do processo de documentação apresenta-se como um desafio aos profissionais e serviços de saúde. Outro aspecto relevante é que em um estabelecimento de saúde não deve ha- ver mais de um prontuário por paciente. 2015b. As farmácias e outros estabelecimentos de saúde devem manter registro informatizado ou em papel dos serviços e procedimentos farmacêuticos executados. garantir o sigilo. conforme regulamentado pela Resolução/ CFF nº 585/2013 (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. 2013f). Independente das questões legais acerca desse processo. de modo legível. 1993). A evolução farmacêutica consiste no registro efetuado no prontuá- rio do paciente. pois deve subsidiar a gestão do caso. o registro de todos os profissionais deve ser feito no prontuário único do paciente (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. a tomada de decisão em saúde. Qualquer registro deve ser feito em português. finalmente. com a finalidade de documentar o cuidado prestado.

em papel ou formato eletrônico. 2011d). 2013e): • identificação do estabelecimento farmacêutico ou do serviço de saúde ao qual o farmacêutico está vinculado (incluindo endereço. bem como pela guarda e manuseio das informações. 123 . deve ser mantida no estabelecimento por.FIGURA 7 saúde (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. incluindo as seguintes informações: Fonte: autoria própria. relacionado às terapias farmacológicas e não farmacoló- Disponibilidade gicas. obje- tivos. cuidado prestado panfletos. Esta define um rol de componentes do tratamento do paciente. 5 (cinco) anos. a gestão da prática Agilidade contar da última anotação. Um dos documentos emitidos pelo farmacêutico destinado ao pa- tomada de decisão em saúde populacional Segurança ciente é a receita. à disposição dos órgãos de vigilância sanitária e profis- sional competentes para a fiscalização. A elaboração da receita deve incluir os seguintes componentes míni- mos (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. às orientações e precauções específicas e a outras intervenções documentação centrada no paciente relativas ao cuidado em saúde. salvo prazos maiores estabe- fiscalização lecidos pela autoridade sanitária. Contudo. no mínimo. evolução conhecidas pelo anagrama SOAP – de dados subjetivos. nesse período. podendo ser utilizado o formato eletrônico. • nome completo e contato do paciente. quadros para aprazamento de medicamentos. No contexto da atuação Confiabilidade do farmacêutico em equipes multiprofissionais de saúde. em con- sonância com as regulamentações vigentes. Contudo. entre outros. quando houver. vale a deter- minação de 20 (vinte) anos para o arquivamento das informações. existem outros métodos de registro. avaliação e plano – são as mais comumente utilizadas na área da saúde. permanecendo. • descrição da terapia farmacológica. O farmacêutico é o responsável pela qualidade e autenticidade dos re- gistros. CNPJ e telefone ou outra meio de contato). 2011d. 2013f). As notas de Características e necessidades do processo de documentação do cuidado ao paciente. Toda a documentação. a contar da última anotação. podem ser emitidos outros tipos de documentos como: cartilhas. relacionados a produtos específicos e acreditação (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. quando for necessário docu- mentar intervenções para pacientes com terapia previamente prescri- ta.

FIGURA 8 ÿÿ nome do medicamento ou formulação. O CFF disponibilizou modelos desses documentos na publicação disponível no seguinte endereço eletrônico http://www. >D  eixar claro: motivo. . a outro profissional ou serviço de saúde.org.pdf 124 Fonte: Conselho Federal de Farmácia (2015a).cff. concentração/di- Processo de documentação da decisão pelo encaminhamento do paciente namização. 2013e. ÿÿ instruções adicionais. quando houver. seguida do registro da solicitação de exames ou do cuidado do encaminhamento e previsão de retorno. bem como dentro dos do paciente do paciente a outro em casos de urgência como profissional ou ou emergência. além de registrar no prontu- ário e na receita do paciente. Anotar Decisão pelo Explicar verbalmente O farmacêutico deve se ater à prescrição de opções de intervenção na receita encaminhamento ao paciente. • nome completo do farmacêutico. 2015b). • descrição da terapia não farmacológica ou de outra intervenção relativa ao cuidado (inclusive o encaminhamento). situação de saúde Registrar do paciente no prontuário e todas as informações A receita deve ser elaborada a partir das terapias farmacológica e do paciente necessárias à continuidade não farmacológica. contendo as informações que o motivaram e aquelas Redigir o documento necessárias à continuidade do atendimento. seus limites legais de atuação profissional (CONSELHO FEDERAL DE um item serviço de saúde sempre que possível FARMÁCIA. Quando o farmacêutico decidir pelo encaminhamento do paciente a outro profissional ou serviço de saúde. de modo sequencial e com números arábicos (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. bem como pre- serviço de saúde viamente acordadas com o paciente ou seu cuidador (Figura 8). deve fornecer um documento de enca- minhamento.br/ userfiles/file/_PROFAR_kit_Livro_corrigido. ÿÿ dose. quando pertinentes. 2011b. forma farmacêutica e via de administração. assinatura e número de re- gistro no Conselho Regional de Farmácia. A sequência das condutas selecionadas deve ser registrada na forma de lista numerada. • local e data da prescrição. direcionado a outro profissional ou ídas nesse documento devem ser claras e concisas. inclusive fundamentadas nas melhores evidências. quando necessário. 2015b). frequência de administração do medicamento e du- ração do tratamento. As informações inclu. 2013d.

respaldo legal 126 127 .

2009).”. 2013f). que a proposta de serviços e procedimentos farma- cêuticos aqui apresentada sirva de suporte para as discussões que envolverão a regulamentação da lei citada anteriormente. 129 . insumos farmacêuticos. bem como para os ajustes necessários à RDC/Anvisa nº 44/2009 (BRASIL. cosméticos. Espera-se. contemplando assim todos os serviços e proce- dimentos descritos neste documento (BRASIL. produtos farma- cêuticos e correlatos. farmacopeicos ou industrializados. A Resolução/CFF nº 585/2013 confere o amparo legal para a atuação clínica do farmacêu- tico no Brasil (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. oficinais. reconheceu a atuação clínica de farmacêuticos. ©1997-2007). AGÊN- CIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. A Lei nº 13021/2014 representa um avanço para a prestação de serviços nas farmácias brasileiras. na qual se processe a manipulação e/ou dispensação de medicamentos magistrais. ao estabelecer que “farmácia é uma unidade de prestação de serviços destinada a prestar assistência farmacêutica.A Classificação Brasileira de Ocupações (CBO/2013). do Ministério do Trabalho e Emprego. ainda. assistência à saúde e orientação sa- nitária individual e coletiva. ao definir a Farmácia Clínica como uma ocupação dos farmacêuticos no Brasil (BRASIL. 2014a).

estudos de avaliação dos serviços farmacêuticos 130 131 .

é inequívoco. os quais avaliaram a contribuição do farmacêutico nos sistemas de saúde. (2010). No entanto. Chisholm-Burns et al. em uma revisão sistemática com meta- -análises que incluiu 224 estudos. BENEY.O valor do trabalho do farmacêutico na área clínica. são fundamentais para embasar a discussão sobre a incorpo- ração e a remuneração desses novos serviços. em uma ampla diversidade de pacientes. 2007). Do ponto de vista da pesquisa. Esses estudos. 2010. é essencial que o impacto dos serviços far- macêuticos possa ser demonstrado. do ponto de vis- ta dos pacientes e dos demais profissionais da saúde que colaboram com estes serviços.. 2010. sendo o ensaio clínico controla- do randomizado aquele que provê o melhor nível de evidência. Em nível mundial. 2000). a partir da realização de estudos clínicos e econômicos bem conduzidos (EL DIB. BERO. 2009b). podem ser avaliados por meio das ferramentas de Avaliação das Tecnologias em Saúde (BRASIL. associados a avaliações de impacto econômico e custo-efeti- vidade. de condições e de indicadores de saúde. NKANSAH et al. encontraram evidências de me- lhores desfechos clínicos no controle dos problemas de saúde e even- 133 . avaliando uma grande variedade de serviços clínicos exe- cutados pelos farmacêuticos. A consolidação dos resultados desses estudos em revisões sistemáticas e meta-análises tem possibi- litado um olhar mais aprofundado sobre serviços farmacêuticos que podem produzir os melhores resultados (CHISHOLM-BURNS et al. pelos sistemas de saúde dos países. Os serviços farmacêuticos são tecnologias leves em saúde e. O valor social agregado pelo farma- cêutico no cuidado dos pacientes e seus benefícios para o sistema de saúde é facilmente perceptível. como tais. considerando a inovação representada por estas novas práticas e o paradigma vigente da saú- de baseada em evidências. em larga escala. existem diferentes desenhos metodológicos considerados adequados para avaliar intervenções em saúde.. BOND. centenas de ensaios clínicos randomizados já foram publicados.

da taxa de hospita. sendo que 17. existem evidências de alcance de resultados positi. os farmacêuticos fizeram 31 lização.005). a redução de parâmetros clínicos (indicando o controle dos problemas de saúde) e 7. RODRIGUES. Estudos demonstram que os farmacêu- como a revisão da farmacoterapia. ção de eventos adversos relacionados aos medicamentos.01) e da hipertensão arterial (redução da na identificação e resolução de discrepâncias na medicação. assim. GUPTA. BRASIL. KETCHUM. tolimitados. 2010). ASPDEN et al. Outras constatações incluíram um total de 181 dessas em 50 pacientes. Houve. de erro de medicação em cerca de 70% (KWAN et al. RU- revisão sistemática indicam que serviços providos por farmacêuticos.5 e 12 pelo farmacêutico (UNITED KINGDOM. FRADE. 2013). p<0. Em uma revisão sistemática sobre este serviço. de serviços zação da dose dos aminoglicosídeos. 2014). reduzindo as Em um ensaio clínico randomizado. de hemoglobina glicada. WINFREY et al. 2013f. a redução deste tipo avaliação do perfil farmacocinético do medicamento em cada paciente. p<0. o sistema recebe entre 2. 2006). efetuada pelo farmacêutico após ou de profissionais da saúde. ou primária à saúde (APS) pode disponibilizar o serviço de revisão da seja. sendo que o custo médio da no (Fairview Health Services). especialmente as crônicas. Dentre os resultados. YE. PADWOJSKI. LIMA. da dislipidemia (redução nas con.. DHI- para prevenir interações de medicamentos que propiciem inseguran. no grupo tratado para cada dólar investido neste serviço. promovendo. 2005). integrantes de um plano de saúde america. No contexto nacional. 15.2% foram aceitas (MAGALHÃES et al. dólares de retorno (RAMALHO DE OLIVEIRA. cêutico que tem refletido em resultados positivos na saúde do paciente. os pacientes (MARUSIC et al. 2012). é ainda considerado alto.001). condições tratadas pelo farmacêutico. atendimento de problemas de saúde autolimitados. p=0. AGA- aponta-se a melhora no controle do diabetes (diminuição dos valores RWAL.. 2013b. 134 135 . ainda. do índice de massa corporal e da mortalidade. 2007. FREEMAN et al. GRASS. 2004. simplificação do regime terapêu. ZANY. 2013a. BRUMEL. Estudos de 2010c. Outro serviço farmacêutico é o manejo de problemas de saúde au- Da mesma forma. 2013. 2006. 2013. por meio da prestação do serviço de rastre- tos ou o uso de medicamentos potencialmente perigosos.7% eram não in- a redução da procura por serviços de emergência. identificou pressão sistólica e diastólica. de diagnóstico precoce. avaliando a importância do farmacêutico centrações de colesterol. medicamentos. inúmeras oportunidades de prevenção são desperdiçadas roti- farmacoterapia com melhora nos desfechos positivos de saúde para neiramente (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. e também amento em saúde (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. tos relacionados à segurança da farmacoterapia.26 a 25. das quais 74.000 pacientes. MILLER. evitar a subutilização de medicamen. 2013. 2013a. 2011.. 2000). SZWARCWALD. 2014)... foi demonstrado que a individuali- discrepâncias em mudanças de níveis de atenção à saúde. PPAYOM et al. 2013c. identi- vos com a provisão de acompanhamento farmacoterapêutico. A monitorização terapêutica dos medicamentos é outro serviço farma- A conciliação de medicamentos tem demonstrado impacto na preven. na medida em que. identifica-se que o subdiagnóstico de diver- Há evidências de que o farmacêutico integrado à equipe de atenção sas doenças. do tempo de permanência hospitalar. 2013.28 dólares. dos eventos adversos a intervenções.. são úteis para sob risco e encaminhá-los precocemente ao médico para a efetivação reduzir a prescrição inadequada. ça aos pacientes (TOPINKOVÁ et al. ticos ocupam lugar estratégico no sistema para identificar pacientes tico e auxílio para a administração de medicamentos.9% na procura pelos serviços de urgência ou emergência para o demonstraram a economia para o plano de saúde. tencionais.. apresentaram melhora expressiva dos consulta variou de 2. Para resolver esses problemas. Desde ficou-se a resolução completa dos problemas entre 68% a 94% das 1998. PEELING. Um estudo realizado no Brasil..

• a escolha dos desfechos a serem avaliados deve levar em conta a dos. apresenta. 2001a. com a finalidade de otimização da farmacoterapia..002). Na maioria das situações. tórios e para a melhora nos resultados clínicos e na qualidade de vida • os serviços farmacêuticos investigados devem ser adequada- dessas pessoas (MANGIAPANE et al. Estes concluem que os desfechos humanísticos (qualidade de vida relacionada à saúde) farmacêuticos podem contribuir para o aumento de conhecimentos.. evitando-se aqueles te. GILLIS. 2001. ram menos eventos hemorrágicos (p < 0. evolução do paciente). WALLER. Diante cação dos seus componentes. recomenda-se adequados. Visando garantir a aplicabilidade dos resultados. MCLEAN. KRASSS. EMMERTON. sempre que possível. com cegamento dos pa- O impacto positivo do papel do farmacêutico na gestão de condições cientes e dos avaliadores dos desfechos nos pacientes. HERBORG et al. serviços de saúde. foi evidenciado que os pacientes em uso de terapia finalidade do serviço farmacêutico e os benefícios esperados para anticoagulante acompanhados pelo farmacêutico alcançaram o RNI os pacientes. tudos. o que. uma descrição insuficiente dos serviços farmacêuticos na maio- pliar a oferta desses serviços no país. por sua vez.05).087) e dos quisa nesta área vem aumentando de forma consistente nos últimos períodos febris (p < 0. • os desfechos clínicos. documentado e realizado ject. ELDRIDGE. intervenções de saúde complexas. e econômicos (custos da assistência prestada e os decorrentes da o desenvolvimento de habilidades no manuseio dos dispositivos inala. promoção. o número de estudos clínicos controlados que avaliam os aspectos.. sempre que possível. KHEIR. 2003.depictpro- 1 Intervenção farmacêutica: Ato profissional planejado. BARBANEL. SCHULZ et al.org>. e à obtenção de níveis de pico plasmático mais anos. 2001). Diversas estratégias de estímulo ficação e caracterização dos componentes destes serviços. foi desenvolvida e validada uma ferramenta para identi- serviços farmacêuticos é crescente. 2003. EMMERTON. esses serviços consistem em THS. 2005. SAINI. de preferência. em conjunto com no acompanhamento de pessoas com asma. ARMOUR. 2004). O DEPICT pode contribuir para padronizar a forma como pelo farmacêutico. KHEIR. dificulta a implantação dos mesmos no “mundo real”. 136 137 . disponível no site <http://www. o serviço demostrou ser custo-efetivo. relacionados às doenças e condições de saú- Outros estudos reportaram a efetividade da atuação farmacêutica de. 1990).. e a qualidade da pes. deno- à realização desses estudos têm sido adotadas. SHAW.01) (JACKSON et al. ria dos estudos clínicos publicados. devem ser avaliados. Recomenda-se a escolha de desfechos interme- (relação normatizada internacional) desejado de forma mais frequen. prevenção de doenças e de outros problemas transposição dessas intervenções da literatura científica para os de saúde.. mente descritos nos projetos e publicações resultantes dos es- 2004. os serviços podem ser reportados nos estudos clínicos e facilitar a proteção e recuperação da saúde. cionados estritamente ao processo de trabalho do farmacêutico. torna-se imperioso am. para cada 500 pacientes submetidos a esse serviço (DESTACHE et al. havendo adotar os seguintes cuidados essenciais: uma economia anual de mais de 2 milhões de dólares. • o desenho da pesquisa deve privilegiar o formato de ensaio clínico controlado randomizado. conduziu a uma redução do tempo de internamento (p = 0. o que torna difícil a identifi- 2001b. GRIFFI. Adicionalmente. Esta complexidade contribui para dos resultados apresentados anteriormente. clínicas específicas também tem sido demonstrado em vários estu. SHAW. Além disso. sem desfechos substitutos e de menor impacto ou indicadores rela- intervenção farmacêutica1 (p < 0. diários e primordiais. 2003. Em um deles. Considerando estes No Brasil. quando comparados àqueles submetidos ao cuidado usual. minada DEPICT (Descriptive Elements of Pharmacist Intervention Characterization Tool).

formação para o cuidado farmacêutico 138 139 .

como aprendiza- gem baseada em problemas. na família e na comunidade. Os educadores devem privilegiar metodologias ativas. deve estar direcionada à integração entre a teoria. a simulação (atividades de prática profis- sional) e o estágio (atividades no serviço). Outro ponto essencial nesta nova etapa da formação profissional consiste nas metodologias de ensino-aprendizagem adotadas pelas instituições formadoras tendo como foco o cuidado centrado no pa- ciente. à avaliação dos resulta- dos obtibos por estas. estágio supersionado. entre outros estabelecimentos de saúde. favorecendo sempre a parte prática e a do serviço. notadamente para a provisão de serviços na atenção primária à saúde. A orientação da formação. Isso requer professores com experiência prática e engajamento na área do cuidado farmacêutico. A aplicação dessas metodologias deve visar ao desenvolvimento de competên- cias relativas ao acolhimento e à identificação das necessidades de saúde do paciente. práticas na comunidade que integram ensino-serviço-comunidade. entre outras. desenvolvimento de projetos. de forma articulada ao SUS. incluindo laboratórios de habilidades e de simulação. simulações em role-playing ou realís- ticas. tradicional ou na forma de internato rural.A atuação clínica dos farmacêuticos. em unidades básicas de saúde ou unidades de saúde da família. constitui a base para a formação de novos profissionais e até mesmo daque- les que já estão no mercado de trabalho. A formação deve se dar notadamente em ambiente prático. tanto na graduação como na pós-graduação. aulas práticas na farmácia universitária. na provisão de serviços. bem como infraestrutura que permita a realização dessas atividades. nota- damente da atenção primária à saúde. sendo possível distintos cenários de prática a serem empregados para o 141 . da família e da comunidade. jogos. A distribuição da carga horária entre os dife- rentes cenários de prática deve ser equilibrada. finalmente. assim como acesso a recursos didáticos e bibliográficos. ao planejamento e à implantação de intervenções e.

assim como in. As competên- habilidades. e atuar com competência cultural. • planejar. • gerenciar pessoas. • realizar intervenções estabelecidas no plano de cuidado. • identificar e avaliar a demanda de saúde da comunidade. a saber: (MELO. 142 143 . A consolidação dos documentos produzidos pelos grupos de trabalho do • gerenciar processos administrativos e clínicos no cuidado à saúde. FC) entre os dias 14 e 15 de maio de 2015 (CONSELHO FEDERAL DE FARMÁ. O emprego de novas tecnologias para educação a distância pode auxi. • elaborar o plano de cuidado. desenvolvimento progressivo de competências clínicas.org. cuidado ao paciente. laboratório de mento profissional e pessoal para o cuidado em saúde. executar e avaliar ações de saúde coletiva. realizado na cidade de Salvador (BA). • gerenciar conhecimento e educação permanentes. em março de 2016. em junho de 2015. 2016). e sua integração com as redes de atenção à saúde. DE FARMÁCIA.br/pagina. b) bilidades e laboratório de simulação. • avaliar os resultados das intervenções realizadas. • desenvolver comportamento ético. cias e de habilidade de autoatualização de conhecimentos. em saúde. petências organizadas em: a) cuidado à família e à comunidade. liar na superação de barreiras geográficas. foi realizado pelo CFF.php?id=778& MÁCIA. 2016). criando novas abordagens de • identificar as necessidades e os problemas de saúde do paciente. para sub- sidiar a discussão e reformulação das Diretrizes Curriculares Nacionais do A matriz de competências resultante desse processo pode ser acessada Curso de Graduação em Farmácia (DCNs) (CONSELHO FEDERAL DE FAR. ída aos participantes do Congresso Brasileiro de Educação Farmacêutica • gerenciar políticas públicas de saúde. menu=778&titulo=Publica%C3%A7%C3%B5es Esse documento foi colocado em consulta pública pelo CFF. CIA. 2015a. 2015b) o documento resultante desse processo foi intitulado “Matriz de com- petências para a atuação clínica do farmacêutico”. • fazer o acolhimento ou identificação de demanda. em parceira com o Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul • realizar comunicação e gestão da tecnologia de informação (CRF-RS) o I Encontro Nacional de Educadores em Farmácia Clínica (I ENE.cff. I ENEFC originou uma proposta de matriz que foi apresentada e distribu. • reconhecer e avaliar a organização dos serviços de saúde No contexto do avanço da prática clínica no país. aprendizado em conjunto com as atividades presenciais. centivar o estudante ao processo de autodesenvolvimento de competên. laboratório de ha. e as áreas de com- • competências iniciais: sala de aula (casos clínicos). laboratório de simulação e aprendizagem baseada na cias-chave listadas para estas três áreas foram (CONSELHO FEDERAL comunidade. Após análise das contribuições recebidas durante a consulta pública. 2016): • competências avançadas: aprendizagem baseada na comunidade e es- tágio supervisionado (tradicional ou na modalidade de internato rural). legal e responsabilidade profissional. na página do CFF. sob o nº 01. e c) organização e gestão de serviços/desenvolvi- • competências intermediárias: farmácia universitária. no link: http://www. (Cobef).

remuneração dos serviços 144 145 .

a maior parte da remuneração dos serviços farmacêuticos é financiada pelos go- vernos e planos privados de saúde (HOULE et al. a remuneração da consulta feita por farmacêuticos. entre outros. é necessário que seja remunerada. Nos sistemas de saúde. 2014). em mui- to. • a elaboração de plano terapêutico para problemas de saúde autoli- mitados (manejo de problemas de saúde autolimitados). Para que a prestação dos serviços farmacêuticos possa ser sustentável econo- micamente.. • a gestão do diabetes (gestão da condição de saúde). O modelo de remuneração deve ser pautado em um contrato social en- tre os serviços de saúde onde os farmacêuticos atuam e a sociedade.A expansão da prática farmacêutica está exigindo cada vez mais que os farmacêuticos incorporem os serviços clínicos às suas atividades. 2014): • o aconselhamento para a contracepção de emergência. de modo que os serviços se responsabilizem por garantir acesso seguro e efe- tivo a medicamentos e a atendimentos de saúde. 2848. os serviços podem se manter viáveis e sustentáveis (INTERNATIONAL PHARMACEUTICAL FEDERATION. 2015).. Em outros países. a complexidade e a variedade de subtipos e denominações de serviços e procedimentos. O serviço mais comumente remunerado é a revisão da farmacotera- pia (HOULE et al. 2014). que publica a tabela de Procedimen- 147 . como por exemplo (HOULE et al. Dessa forma. de 06 de novembro de 2007. • o gerenciamento de farmacoterapias complexas (acompanhamento farmacoterapêutico). está prevista na Portaria GM/MS nº. Isto amplia. existem diferentes modelagens de remuneração para os serviços e procedimentos farmacêuticos. a cessação do tabagismo e a educação sobre técnicas de utilização de dispositi- vos inalatórios (educação em saúde). No Brasil. no âmbito do SUS.. habitualmente focados na resolução de necessidades de saúde específicas. e a sociedade reconheça apropriadamente o papel vital que os farmacêuticos desempenham no sistema de saúde.

consulta de pro- fissionais de nível superior na atenção especializada. 2007a). Neste documento. É imprescindível uma mudança de paradigma que saia da remunera- ção pelo acesso a medicamentos e outros produtos para saúde. onde o foco são as necessidades de saúde do paciente. Próteses e Materiais Especiais – OPM. 148 149 . como por exemplo: consulta de profissionais de nível superior na atenção básica. consulta para avaliação clínica do fumante. em grande volume. podem ser encontrados os procedimentos clínicos que podem ser executados por diversos pro- fissionais. 2007a). tos. entre os quais o farmacêutico. para a remuneração por serviços clínicos. Medicamentos. consulta ou atendimento domiciliar na atenção básica e assistência domiciliar por equipe multiprofissional na atenção especializada (BRASIL. do SUS (BRASIL. Órteses. da família e da comunidade.

considerações finais 150 151 .

Este documento evidencia a existência de diferentes termos relacio-
nados à atuação clínica do farmacêutico. Faz-se necessário alinhar os
conceitos utilizados no país, para dar suporte à padronização dos pro-
cessos de trabalho, às competências profissionais para a prestação de
cada serviço, à atualização da regulamentação sanitária, à formação de
profissionais nesta área do conhecimento e à justa remuneração. Dessa
forma, os principais objetivos deste documento são nortear e estimular
a prática dos serviços clínicos no Brasil.

O rol de serviços e procedimentos propostos neste documento visa a con-
tribuir para diminuir a lacuna entre o benefício potencial da terapêutica e
o seu valor real, assim como sobre as dificuldades do paciente relativas à
autogestão do tratamento no pós-acesso ao medicamento, mas também
para o encaminhamento dos pacientes com o fim de dignóstico precoce
e para a colaboração na prevenção de doenças e na promoção da saúde.

Tendo em vista a complexidade que envolve a proposta de um novo
fazer farmacêutico no sistema de saúde, torna-se necessária uma am-
pla discussão entre gestores, profissionais e pesquisadores da área, em
busca da definição de estratégias visando à sua implantação e finan-
ciamento. Os gestores precisam enxergar os serviços e procedimentos
propostos como um modelo de negócios/tecnologias leves em saúde.

Espera-se, com a implantação dos serviços e procedimentos descritos
neste documento, um maior reconhecimento das potencialidades do far-
macêutico no processo de atenção à saúde, bem como a valorização do
impacto de sua atuação na otimização da farmacoterapia1 , na melhora
dos resultados em saúde, na prevenção de doenças e na promoção da
saúde da população brasileira, que poderão ser implantadas em larga es-
cala no país, de forma a impactar positivamente no seu financiamento.

1 Processo pelo qual se obtêm os melhores resultados possíveis da farmacoterapia
do paciente, considerando suas necessidades individuais, expectativas, condições
de saúde, contexto cultural e determinantes de saúde.

153

Ressalte-se, ainda, a necessidade de aprofundamento das interfaces
entre os serviços propostos e destes com as redes de atenção à saúde
(RAS), bem como sobre a sua importância no processo de implantação
das estratégias previstas no PNSP.

154 155

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Classificação Brasileira de • Farmácia Clínica (ocupação 2234-45) Ocupações (CBO) (BRASIL. • Dispensação (ENCONTRO NACIONAL • Assistência farmacêutica: conjunto de procedimentos 1973) • Aplicação de injetáveis DE ASSISTÊNCIA necessários à promoção. médicos. participação nos programas de suporte nutricional e no estabelecimento de protocolos institucionais • Orientação farmacêutica de tratamentos. equidade e hierarquização Política de Medicamentos do atendimento) Lei nº 5. hipótese diagnóstica). reações adversas. 1994) (termo relacionado ao atendimento do paciente) • Acompanhamento farmacoterapêutico • Orientação Farmacêutica ao Paciente • Estabelecer protocolos de vigilância farmacológica de • Perfil farmacoterapêutico medicamentos. ©1997-2007) Ministério da Saúde documento termo comentado ou legislação Carta aberta de Brasília. intoxicações e farmacodependência.991/1973 (BRASIL. Encontro Nacional de nos princípios do Sistema Unificado de Saúde – SUS Assistência Farmacêutica e (universalidade. publicações oficiais da Anvisa e do Ministério da Saúde. ambulatorial ou os que procuram atendimento na Farmácia Ambulatorial .Farmacêutico clínico busca informação no prontuário do paciente (anamnese. observados e registrados na prática da Guia Básico para a Farmácia • Assistência farmacêutica ao paciente hospitalizado farmacovigilância Hospitalar. centrados no medicamento Lei nº 13. preenchimento e • Funções clínicas: estudo de utilização de medicamentos. Ministério do Trabalho e Emprego APÊNDICE Termos constantes de resoluções do CFF. elaboração de plano terapêutico.021/2014 (BRASIL. entrevista o paciente (registro em formulário próprio). dentre outros (farmacêutico ocupa • Dispensação um papel-chave nessa assistência) • Notificação de efeitos colaterais. acompanhar a evolução diária do paciente 182 183 . vacinas e soros programas de farmacovigilância no hospital • Farmácia Clínica: paciente internado. • O modelo de assistência farmacêutica deverá estar alicerçado Presidência da República Casa Civil 1º. • Orientação sanitária individual e coletiva enfermeiros. relativos aos serviços farmacêuticos. dela participando farmacêuticos. descentralização. mediante elaboração. interpretação de fichas farmacoterapêuticas farmácia clínica. farmacocinética clínica e participação nos • As farmácias poderão dispor de medicamentos. produtos farmacêuticos e correlatos • Ficha de detecção de reação adversa • Estabelecer o perfil farmacoterapêutico no acompanhamento sistemático do paciente. 1988) – Dispensação: orientação quanto ao uso adequado do 2014a) – Conjunto de ações e de serviços medicamento é de responsabilidade exclusiva do farmacêutico – Responsabilidade e assistência técnica de farmacêutico – F armacovigilância: procedimentos e práticas habilitado na forma da lei –A  ssistência farmacêutica não é exclusiva de um único • Assistência à saúde profissional. • Assistência farmacêutica DE MEDICAMENTOS. (BRASIL. prevenção e recuperação da saúde FARMACÊUTICA E POLÍTICA no nível individual ou coletivo.

MS (BRASIL. • Visitas domiciliares no contexto da assistência farmacêutica Física das Unidades Básicas aumentando a adesão à terapêutica de Saúde da Família • Dispensação (BRASIL. deve prever uma área para esse objetivo. onde o farmacêutico possa estabelecer comunicação privada com o usuário 184 185 . MS (BRASIL.Política Nacional • Assistência Farmacêutica Diretrizes para • Serviços farmacêuticos-técnico-gerenciais de Medicamentos. proteção • Visita domiciliar Resolução/Conselho e recuperação da saúde • Notificação de suspeitas de eventos adversos. 2009a) • Orientação farmacêutica – Acompanhamento e avaliação da utilização • Seguimento farmacoterapêutico – Difusão de informação sobre medicamentos • Educação em Saúde – Educação permanente dos profissionais da saúde. 2002) • Orientação • Dispensação de medicamentos e correlatos • Parecer do farmacêutico • Educação em saúde (plano individual e coletivo) • Rastreamento • Planejamento e avaliação das ações junto com a equipe Política Nacional de • Assistência Farmacêutica • Seguimento farmacoterapêutico Assistência Farmacêutica – Conjunto de ações voltadas à promoção. 1998) sobre o uso adequado do medicamento Único de Saúde (BRASIL. nº 27. 2010a) • Acompanhamento contínuo Protocolos Clínicos e • Acompanhamento • Atividades educativas individuais ou em grupo Diretrizes Terapêuticas • Dispensação • Criação de espaços de discussão com a equipe multiprofissional (BRASIL.916/1998 medicamentos/ farmacêutico informa e orienta o paciente no âmbito do Sistema • Dispensação (BRASIL. 2008) • Orientação quanto ao uso correto de medicamentos • Execução das ações de atenção farmacêutica e de seguimento farmacoterapêutico • Caso o município opte pelo seguimento farmacoterapêutico na UBS. do paciente e da comunidade • Suporte técnico para a equipe de saúde • Promoção do uso racional dos medicamentos Ministério da Saúde . 2010b) – Modelo de prática farmacêutica • Construção do projeto terapêutico singular 2004) – Desenvolvida no contexto da Assistência Farmacêutica • Discussões de casos – Interação direta do farmacêutico com o usuário • Dispensação –Visa à farmacoterapia racional e à obtenção de resultados • Elaboração e revisão de protocolos e linhas de cuidado definidos e mensuráveis • Orientação farmacêutica Manual de Estrutura • Contribuir com a utilização racional dos medicamentos. – Dispensação: ato farmacêutico de distribuir um ou mais estruturação de farmácias • Serviços farmacêuticos-técnico-assistenciais Portaria nº 3.Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos (Campanhas educativas) • Ações de farmacovigilância Caderno de Atenção Básica • Acolhimento humanizado • Automedicação nº 25. queixas técnicas Nacional de Saúde (CNS) – Dispensação e erros de medicação ao serviço de farmacovigilância nº 338/2004 – Acompanhamento e avaliação da utilização (BRASIL. CONSELHO Caderno de Atenção Básica • Acompanhamento farmacoterapêutico • Atenção Farmacêutica NACIONAL DE SAÚDE.

AGÊNCIA • Realizar reuniões educativas para grupos de pacientes. Rede – Conjunto de ações (BRASIL. coleta e organização Farmácia de Minas (MINAS 2014d. 2010) à farmacoterapia. MS (BRASIL. 2009) • Funções das farmácias públicas . 2015) – Dispensação dos dados do paciente. 2010c) na Atenção Básica: • Consulta farmacêutica Serviços Farmacêuticos • Serviço de Clínica Farmacêutica. agendamento do paciente para Farmacêutico. 2014c. 2014b. • Atenção farmacêutica domiciliar NACIONAL DE VIGILÂNCIA segundo o ciclo de vida e/ou a condição clínica • Declaração de serviços farmacêuticos SANITÁRIA. desenvolvida no contexto da assistência farmacêutica Anvisa • Serviços farmacêuticos • Conciliação terapêutica RDC nº 44/2009 • Administração de medicamentos • Promoção do autocuidado (farmácias e drogarias) • Atenção farmacêutica (BRASIL. elaboração de plano de cuidado. realizando farmacovigilância • Perfuração de lóbulo auricular –Sinalizar para a equipe de saúde a necessidade • Provisão de serviços em ambiente privativo e confortável de busca ativa de paciente e por farmacêutico qualificado – Levar os casos clínicos de pacientes para discussão com as equipes de atenção primária e especializada 186 187 . os prescritores temperatura corporal) e bioquímicos (glicemia capilar) – Realizar o seguimento da farmacoterapia • Notificação de ocorrência ou suspeita de evento adverso ou queixa técnica – Notificar a ocorrência de reações adversas.Caderno de Atenção Básica • Rastreamento Cuidado Farmacêutico • Cuidado farmacêutico nº 29. identificação de problemas relacionados GERAIS. incluindo Identificação Guia do Cuidado • Assistência farmacêutica na Atenção Básica à Saúde do paciente para o serviço.técnico-gerenciais • Dispensação • Funções das farmácias públicas na atenção ao paciente: • Educação sanitária – Prestar orientação individual e coletiva quanto • Encaminhamento a outros profissionais da saúde ao uso correto de medicamentos aos pacientes • Indicação de medicamentos isentos de prescrição – Prestar orientação individual e coletiva quanto à farmacologia e elenco de medicamentos selecionados para uso no SUS para • Medida de parâmetros fisiológicos (pressão arterial. seguimento – Acompanhamento e avaliação da utilização individual do paciente • Cuidado farmacêutico (serviço) • Ações de revisão da farmacoterapia • Acompanhamento farmacoterapêutico (serviço/ componente da atenção farmacêutica) • Ações de conciliação dos medicamentos • Farmacovigilância (serviço/ conjunto de procedimentos) • Ações para avaliação e promoção da adesão • Dispensação: ato/ presta informações para o uso correto • Ações de aconselhamento ao usuário de medicamentos e correlatos • Ações de acompanhamento dos resultados da farmacoterapia • Aconselhamento farmacêutico O termo “ações” compreende as atividades realizadas • Atenção farmacêutica: modelo de prática farmacêutica pelo farmacêutico no serviço de clínica farmacêutica. o serviço. acolhimento do paciente. 2014e.

o formulário terapêutico. e Farmacêutica (modelo de prática farmacêutica) – componentes: . dois grandes componentes: a logística dos medicamentos e a farmácia clínica. 1999) >E  ducação em saúde (incluindo promoção do uso racional de medicamentos) > Orientação farmacêutica >R  egistro sistemático das atividades. 1999) – Ato farmacêutico de distribuir um ou mais medicamentos Documento de posición e à comunidade (público e privado). OPAS e outras entidades .a conciliação de medicamentos.. O componente da farmácia clínica envolve: • Serviços de atenção farmacêutica . São considerados como – Farmacêutico informa e orienta o paciente sobre o uso de la OPS/OMS processo chave porque implicam a relação direta com o usuário/ adequado do medicamento (ORGANIZACIÓN paciente. . missão. compondo de forma orgânica as equipes de atenção • Estas atividades podem ser realizadas em um estabelecimento primária à saúde. (ORGANIZAÇÃO > Acompanhamento/seguimento farmacoterapêutico PAN-AMERICANA > Atendimento farmacêutico DA SAÚDE. 2002) > Dispensação (Arias. O sistema de assistência farmacêutica engloba farmacêutico ou em outros lugares. 2013) de doenças e de promoção e recuperação da saúde do usuário para Gerentes Municipais – Atenção Farmacêutica e da comunidade (MARIN et al. mensuração e avaliação dos resultados 188 189 . 2003) (modelo de prática farmacêutica) – componentes: >D  ispensar medicamentos > Acompanhamento/seguimento farmacoterapêutico > Orientar o usuário > Atendimento farmacêutico > Revisar o uso de medicamentos > Dispensação >A  companhamento/Seguimento farmacoterapêutico > Educação em saúde (incluindo promoção (serviço) do uso racional de medicamentos) > Visita domiciliar (serviço) > Orientação farmacêutica > Apoiar a automedicação responsável > Registro sistemático das atividades. provido por farmacêuticos de Atenção à Saúde.OPAS/OMS Servicios farmacéuticos • Definição. planejar. mensuração e avaliação >P  articipar de programas de farmacovigilância e de garantia dos resultados da segurança do paciente. à família (ARIAS. Proposta de Consenso • Assistência Farmacêutica Brasileiro de Atenção – Atenção farmacêutica . 2011) clínicos. implementar.a dispensação. • Aconselhamento ao paciente: orientação quanto a uma • Processos estratégicos dos serviços farmacêuticos: proporcionar prescrição. educação em saúde informação sobre os medicamentos. • Serviços farmacêuticos direcionados ao individuo. visão. e avaliar os serviços farmacêuticos de forma integrada nas Redes As redes de atenção à • Deve haver cuidado farmacêutico. promover educação permanente saúde (MENDES. valores e princípios dos serviços basados en la atención farmacêuticos baseados na atenção primária de saúde Glosario de medicamentos • Dispensação primaria de salud.a farmacovigilância.a adesão ao tratamento. Incluem as seguintes atividades: PANAMERICANA >D  esenvolver e apoiar programas e atividades de prevenção Assistência Farmacêutica • Assistência Farmacêutica DE LA SALUD.

educação) • Atenção farmacêutica (CONSELHO FEDERAL Resolução/CFF • Dispensação DE FARMÁCIA. homeopáticos. para Entender a Gestão • Atenção farmacêutica (modelo de prática farmacêutica. do SUS (CONSELHO componentes – conceito da proposta de Consenso 2002) também. independente da apresentação da prescrição. 2004) prescrição. genéricos. não podendo ser exercida por mandato DE FARMÁCIA. manipulados. Aborda-se. sujeitos a controle especial.Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) Resolução/CFF nº 357/2001 • Dispensação (atividade privativa do farmacêutico) (CONSELHO FEDERAL • “Atribuição indelegável.sua implantação nas farmácias pode ser um dos meios e características individuais para a tomada de decisão: disponíveis para assegurar a qualificação e a humanização > recomendação de assistência médica do atendimento ao usuário > informação/educação sanitária • Dispensação como ato (conceito: Arias 1999/Politica Nacional > dispensação de um medicamento isento de prescrição de Medicamentos. 1998) Precisa ser encarada pelo gestor como um processo complexo • Informação/educação sanitária • Orientação ao paciente • Acompanhamento do paciente – Registrado por meio do perfil farmacoterapêutico • A inclusão do farmacêutico entre os profissionais que podem compor a equipe do NASF traz a oportunidade • Aplicação de injetáveis de aproximar este profissional dos demais profissionais • Realização de pequenos curativos que atuam no sistema público • Nebulização/inalação • Serviços farmacêuticos • Verificação da temperatura e pressão arterial Conselho Federal de Farmácia • Determinação de parâmetros bioquímicos e fisiológicos • Colocação de brincos Manual Básico • Aconselhamento ao paciente • Assistência farmacêutica domiciliar de Farmácia Hospitalar (orientação sobre medicamentos prescritos. independente da apresentação de nova prescrição. 1997) nº. anteriormente aviados. 467/2007 • Orientação farmacêutica (CONSELHO FEDERAL • Prescrição de magistrais isentos de prescrição (proxi) DE FARMÁCIA. seus sintomas DE SAÚDE. dispensar e comercializar medicamentos isentos de prescrição. a dispensação de outros produtos para a saúde NACIONAL • Acompanhamento farmacoterapêutico • Automedicação responsável DE SECRETÁRIOS (ficha farmacoterapêutica) – Análise das necessidades de saúde dos usuários. 2001) nem representação” A Assistência Farmacêutica • Assistência farmacêutica (Política Nacional de Assistência • Trata do processo de dispensação dos medicamentos sob no SUS – Coleção Farmacêutica.” • Prescrição de magistrais por refil ou continuidade de prescrição (proxi) – “Decidir pela manipulação. bem como cosméticos e outros produtos farmacêuticos magistrais. 2007) – “Manipular. dispensação e comercialização de medicamentos de uso contínuo e de outros produtos farmacêuticos magistrais. isentos de prescrição e fitoterápicos. 2011) .” 190 191 .

emprego de superdose. o farmacêutico DE FARMÁCIA. 7. utilização de dose subterapêutica. 2011b) DE FARMÁCIA. 2012) . Resolução/CFF nº 545/2011 • Dispensação de medicamentos antimicrobianos nº 477/2008 fitoterápicos manipulados e industralizados (CONSELHO FEDERAL (CONSELHO FEDERAL • Educação em saúde DE FARMÁCIA. 5. 2008b) de um medicamento adicional. documentado) • Alterada pela Resolução/CFF nº 545/2011 DE FARMÁCIA. 2011c). – Ato registrado e documentado • Acompanhamento farmacoterapêutico Revogada pela Resolução/ –E  ducação em saúde considerada como um dos aspectos CFF nº 622/2016 Resolução/ CFF • Acompanhamento da terapêutica farmacológica da indicação nº 499/2008 – Objetivo: identificar. 3.Acompanhamento e avaliação da utilização • Assistência farmacêutica domiciliar • O farmacêutico exerce funções clínicas nos serviços • Determinação de parâmetros bioquímicos (glicose) de atendimento pré-hospitalar. ações e intervenções) (CONSELHO FEDERAL DE (como atividade privativa) FARMÁCIA. necessidade Em face de sinais/sintomas apresentados. em face da não conformidade da qualidade da vacina • Orientação farmacêutica 192 193 . uso de medicamento poderá encaminhá-lo a outro profissional de saúde ou que é desnecessário. tecnovigilância Resolução/ CFF • Mantém apenas a determinação quantitativa do teor sanguíneo e hemovigilância e demais vigilânicias nº 505/2009 de glicose (altera a Resolução/ CFF nº 499/2008) • Promover ações de educação para o uso racional (CONSELHO FEDERAL de medicamentos e outras tecnologias em saúde DE FARMÁCIA. dispensar-lhe uma planta medicinal e/ou fitoterápico isento 4. adversa a medicamento. presença de reação de prescrição. 2013d) e pela Resolução/CFF nº 571/2013) • Orientação farmacêutica • Notificar ao serviço de farmacovigilância da vigilância sanitária. 2011a) • Educação/orientação ao paciente/usuário Resolução/ CFF nº 574/2013 • Dispensação (CONSELHO FEDERAL • Aplicação de vacinas (como serviço. não Resolução/ CFF nº 568/2012 • Assistência farmacêutica adesão (CONSELHO FEDERAL DE .Resolução/ CFF • Dispensação de plantas medicinais e seus derivados. 2009a) • Desenvolver e participar de ações assistenciais multidisciplinares Resolução/ CFF nº 542/2011 • Dispensação e controle de antimicrobianos (registrar atividades. (CONSELHO FEDERAL relacionados com a terapêutica farmacológica: 1.Conjunto de ações • Educação sanitária (foco individual e participação FARMÁCIA. por iniciativa própria solicita indicação. prevenir e solucionar problemas –U  suário/paciente. farmácia hospitalar • Verificação da temperatura e pressão arterial e em outros serviços de saúde • Aplicação de medicamentos injetáveis • Dispensação • Realização de curativos de pequeno porte • Cuidado ao paciente • Execução de procedimentos de inalação e nebulização • Gerenciamento de risco • Colocação de brincos • Avaliação farmacêutica das prescrições • Assistência farmacêutica domiciliar • Participar de ações assistenciais integrais • Realizar ações de farmacovigilância.Dispensação em campanhas de saúde) . 6. 2008a) • Atenção farmacêutica Resolução/CFF • Indicação farmacêutica de plantas medicinais e fitoterápicos • Automedicação responsável nº 546/2011 isentos de prescrição (CONSELHO FEDERAL – Serviço prestado somente pelo farmacêutico • Aconselhamento DE FARMÁCIA. ausência de resposta terapêutica. 2.

Visitas domiciliares • As atribuições clínicas do farmacêutico visam a atender às necessidades de saúde do paciente. dos cuidadores e da sociedade • Serviços farmacêuticos são “prerrogativa do farmacêutico legalmente habilitado e registrado no Conselho Regional de Farmácia de sua jurisdição” • Proporcionar cuidado ao paciente.Conciliação de medicamentos . 2010 .Acompanhamento farmacoterapêutico Assistência Farmacêutica • As ações assistenciais: . em serviços públicos ou privados Acreditação.Conciliação terapêutica na Atenção à Saúde . • Promover a inserção da assistência farmacêutica nas redes proteção e recuperação da saúde. identificação e notificação de incidentes e queixas técnicas relacionados aos medicamentos e a outras tecnologias em saúde 194 195 . da família. medicamentos.Determinação de parâmetros bioquímicos e fisiológicos (GOMES et al.Grupos operativo-educativos • Prescrição farmacêutica . uma vez agrupadas. acompanhamento e avaliação da utilização. à família e à comunidade • Promover o uso racional de medicamentos • Otimizar a farmacoterapia • Gerar.Revisão da farmacoterapia .Gestão de caso .Atendimento farmacêutico a demanda espontânea por meio de dados de farmacocinética clínica . constituem distintos serviços/ difusão de informação sobre medicamentos e educação procedimentos farmacêuticos permanente dos profissionais da saúde e do paciente) .Dispensação especializada .Resolução/ CFF nº 578/2013 • Dispensação Resolução/ CFF no 586/2013 • Prescrição farmacêutica (ato pelo qual o farmacêutico (CONSELHO FEDERAL • Desenvolver ações para a promoção do uso racional (CONSELHO FEDERAL seleciona e documenta terapias farmacológicas DE FARMÁCIA.. . difundir e aplicar novos conhecimentos • Promover ações para prevenção.Atividades (segurança e eficácia terapêutica dos • Lista as atribuições que definem as atividades que. além da prevenção de doenças e de outros problemas DE FARMÁCIA. em todos os lugares e níveis Manual Brasileiro de • Assistência Farmacêutica de atenção.Rastreamento em saúde FUNED/MG . e à prevenção de doenças de atenção à saúde (RAS) e dos serviços farmacêuticos e de outros problemas de saúde) Resolução/ CFF nº 585/2013 • Desenvolver ações de promoção. 2010) . 2013g) e não farmacológicas. 2013e) de medicamentos DE FARMÁCIA. visando à promoção.Acompanhamento da adesão ao tratamento . 2013f) de saúde • Presta cuidados à saúde. e outras intervenções relativas ao cuidado à saúde do paciente. proteção e recuperação Organização Nacional de Acreditação (CONSELHO FEDERAL da saúde.Análise da prescrição de medicamentos .Educação em saúde .Monitoração de níveis terapêuticos de medicamentos.

pero pueden Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Superior ocurrir de forma simultánea • Función 1: Preparar.Tareas: a) Administrar medicamentos. cuando sea necesario.FIP/ OMS Directrices conjuntas Las organizaciones profesionales de farmacéuticos nacionales FIP/OMS sobre necesitan trabajar junto con sus entidades reguladoras y otras Directrices conjuntas • Práctica de farmacia centrada en la atención del paciente Buenas Prácticas en organizaciones de profesionales de la salud para prestar soporte FIP/OMS sobre • Buenas prácticas en farmacia (responden a las necesidades Farmacia: estándares a los farmacéuticos de sus países. almacenar. c) Controlar el progreso y los resultados del paciente (realizar pruebas en el lugar de atención .Tareas: a) Evaluar el estado y las necesidades de salud del paciente (prevención de las enfermedades y la promoción de un estilo de vida saludable). de prevenção. por sus siglas en inglés) en áreas como el control (CONSELHO NACIONAL DE • Atenção farmacêutica individual e coletiva na área das análises de drogadicciones. proteção e reabilitação da saúde. b) Dispensar medicamentos • Gestão de serviços farmacêuticos • Función 2: Ofrecer una gestión eficaz de los tratamientos farmacológicos • Farmacovigilância . 2011) ORGANIZACIÓN MUNDIAL • Los servicios de gestión de tratamientos farmacológicos son DE LA SALUD.Tareas: a) Difundir información contrastada sobre medicamentos y diversos aspectos del autocuidado. d) Ofrecer información sobre medicamentos y problemas relacionados con la salud • Función 4: Ayudar a mejorar la efectividad del sistema sanitario y la salud pública . PHARMACEUTICAL • Dispensación ORGANIZACIÓN MUNDIAL FEDERATION. tanto medicamentos inyectables (Los farmacéuticos deben participar Resolução CNE/CES nº 2. Diretrizes Curriculares • Boas práticas de dispensação administrar. coordinar una gestión eficaz de la farmacoterapia. tanto em nível individual como coletivo (DOT. tuberculosis y enfermedades EDUCAÇÃO. VIH/SIDA. • Perfil farmacoterapéutico del paciente DE LA SALUD. vacunas y otros Graduação em Farmácia. distribuir. b) Participar en servicios y actividades de prevención 196 197 .“point of care” - a los pacientes con el objetivo de controlar y ajustar. asegurar. como programas Farmacia: estándares servicios farmacéuticos de formación a distancia. 2011) independientes de la provisión de medicamentos. 2002) clínicas e toxicológicas de transmisión sexual). establecer un protocolo para derivar pacientes a los profesionales de la salud. y el establecimiento de normas • Gestión de tratamientos farmacológicos (servicio o conjunto para la calidad de los (INTERNATIONAL nacionales sobre los servicios farmacéuticos y los objetivos de servicios distintos que optimiza los resultados terapéuticos servicios farmacéuticos PHARMACEUTICAL de su ejercicio profesional. educar a los pacientes sobre cómo evaluar y utilizar información sobre cuidados de salud en internet o en otros formatos. obtener. b) Gestionar el tratamiento farmacológico de los pacientes (proporcionar asesoramiento o recomendaciones al prescriptor sobre la farmacoterapia. em nível individual quanto coletivo/resolução do problema de en programas de tratamiento directamente observados de 19 de fevereiro de 2002 saúde. el tratamiento). de pacientes individuales) (INTERNATIONAL FEDERATION. promoção. mediante la provisión de Buenas Prácticas en de las personas que utilizan los servicios farmacéuticos) para la calidad de los actividades de desarrollo profesional continuo. dispensar y eliminar medicamentos Nacionais do Curso de • Atuar em todos os níveis de atenção à saúde (desenvolver ações .

ao público e a outros membros da equipe de saúde) -S  ugerir com mais profundidade alternativas do Norte (SILVA et al. tóxicos ou crônicos • Entrevista ao paciente .Conhecer e avaliar a literatura biomédica em geral • Diálogo farmacoterapêutico -T  rabalhar em equipe. quando da preparação de soluções para uso parenteral 198 199 .Avaliação da farmacoterapia de pacientes .Seleção de uma farmacoterapia eficaz e a custo razoavelmente baixo .Universidade Federal do Rio Grande do Norte Anais do I Seminário •Atividades desenvolvidas pelo farmacêutico clínico com Brasileiro de Farmácia especificidade Clínica.Análise.Individualizar a terapia com base nos estágios fisiopatológicos Anais do I Seminário • Necessidade de serviços farmacêuticos para o público Federal do Rio Grande do paciente Brasileiro de Farmácia • Farmácia Clínica (campo de atividade total das ciências do Norte (SILVA et al.Obtenção e manutenção de uma história farmacológica atualizada .. Universidade . 1981) para uma terapia inicial • Farmacêutico clínico (pode auxiliar na decisão de uma terapia mais racional. fomentar e aprimorar conceitos de farmacocinética • Serviços farmacêuticos .Provisão e elaboração de informação sobre medicamentos .Identificar e planificar metas terapêuticas Clínica. junto à enfermagem. identificação e avaliação de reações adversas a medicamentos e/ou suas interações .Detecção.Supervisão e/ou controle de medicamentos para que cada paciente receba os medicamentos adequados e de modo ótimo .Sugestão de medicamentos a pacientes com enfermidades leves. especialmente com farmacólogos clínicos • Evolução clínica para melhorar ou avaliar conceitos sobre novos agentes • Orientação ao paciente em alta hospitalar terapêuticos • História farmacológica • Reconhecimento de Natal como polo pioneiro da implantação • Prática farmacoterapêutica da Farmácia Clínica no país • Atividades desenvolvidas pelo farmacêutico clínico: .Promoção de educação ao paciente . da possível ocorrência de incompatibilidades medicamentosas. que não requeiram atenção de médico . melhor planificada) .. 1981) .Iniciar e fomentar tratamento segundo normas estabelecidas em casos agudos.Educação à comunidade sobre aspectos de saúde pública .Utilizar. Universidade farmacêuticas e que o farmacêutico clínico pode servir de apoio Federal do Rio Grande a pacientes.

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apoio realização .