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Ref.

: Requerimento nº____
Requerente_________________

Assunto: PARECER TÉCNICO JURÍDICO

PARECER Nº__________

EMENTA: PARECER TÉCNICO JURÍDICO ______. PROCEDIMENTO


ADMINISTRATIVO Nº___. LICENÇA PRÊMIO POR ASSIDUIDADE NÃO
UTILIZADA NA CONTAGEM EM DOBRO DA APOSENTADORIA.
IMPOSSÍVEL A SUA CONVERSÃO EM PECÚNIA POR AUSÊNCIA DE
PREVISÃO LEGAL. INDEFERIMENTO.

Senhor Secretário de____:

Instada à manifestação dessa procuradoria a respeito de requerimento


de Licença Prêmio do (a) servidor (a) público (a) municipal Srª.___________,
ocupante do cargo de provimento efetivo de Professor, apresento abaixo o parecer:

Conforme informações do Departamento de Pessoal, o (a) servidor (a) iniciou no


serviço público municipal efetivo em 01/06/1985, perfazendo então mais de 28 (vinte e
oito) anos de tempo de serviço efetivo.

É o relatório. Passo a análise.

Para a solução do pleito em tela faz-se necessário à análise de sucessão de leis


no tempo.

A redação original do art. 59 caput previa, in verbis:

“Após cada decênio de efetivo exercício, no serviço público municipal, ao


funcionário, que as requerer, conceder-se-ão férias prêmio de 6 (seis)
meses, com todos os direitos e vantagens de seu cargo efetivo.”
Lado outro, a novel redação do artigo 59 da Lei n.º 919/90, alterada pela lei
1893/09, preceitua que:

“Art. 59. Ao servidor municipal é assegurada a licença-prêmio por


assiduidade de 3 (três) meses, a ser usufruída em até 3 (três) períodos de,
no mínimo, 1 (um) mês cada, correspondente a cada quinquênio de efetivo
serviço público municipal, com todos os direitos e vantagens inerentes ao
cargo efetivo.”

Por conseguinte, em análise a solicitação do (a) Requerente, requerendo a


conversão de sua Licença Prêmio em pecúnia, encontra-se óbice em nosso ordenamento
jurídico diante da inexistência expressa de previsão legal.

Neste contexto preceitua a letra do artigo 37, da CF in verbis:

“Art. 37 -A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes


da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência e, também, ao seguinte:”

O mestre doutrinador Helly Lopes Meirelles1, lecionando sobre o princípio da


legalidade, assim o definiu:

“Legalidade” – A legalidade, como principio de administração (CF art. 37,


caput), significa que o administrador público está, em toda a atividade
funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum, e
deles não se pode afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e
expor-se a responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso.

A eficácia de toda atividade administrativa está condicionada ao


atendimento da Lei e do Direito. É que diz o inc. Ido parágrafo único do
art. 2º da Lei 9.784/99. “Com isso, fica evidente que, além da atuação
conforme a lei, a legalidade significa, igualmente, a observância dos
princípios administrativos.”

Portanto, ainda que o servidor não tenha utilizado o tempo correspondente à


licença-prêmio por assiduidade na contagem em dobro da aposentadoria, não é possível
a conversão em pecúnia por ausência de previsão legal, porquanto ao contrário dos
particulares que podem praticar qualquer ato que a lei não proíba expressamente, a
Administração Pública não poderá praticar nenhum ato que esteja destituído de apoio
legal. Tal fato se justifica pelo próprio interesse público indisponível inerente à
atividade administrativa exercida por qualquer ente público.

1
MEIRELLES, Helly Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 28ª Ed. São Paulo:Malheiros, 2003. pg.
87.
Observa-se, portanto, que inexiste embasamento legislativo que autorize a
Administração Pública a efetuar pagamento em pecúnia ao servidor, seja em exercício
ou na inatividade, a título de indenização de licença-prêmio não usufruída.

Ante o exposto, analisando o objeto da consulta à luz da legislação e dos


documentos acostados aos autos do (a) Requerente, opino pelo indeferimento da
conversão de Licença Prêmio em pecúnia em atenção ao princípio da legalidade.

É o parecer.

Ladário - MS, 07 de novembro de 2016.

Franklin Gonçalves Batista


Procurador Municipal