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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS – UFMG

ESCOLA DE BELAS ARTES – EBA

CURSO DE ARTES VISUAIS

Atelier de Desenho III

Professora: Patricia Franca-Huchet


Aluno: 2012077670 Bráulio Augusto Gregorio

2015
1 Ponteio e Dança.

Uma série de quatro retratos em grafite, do mesmo músico executando uma peça.
O foco desta série é a expressão corporal do músico e a problemática em representar o
sentimento momentâneo.
Os desenhos têm como suporte papel de tom amarelado, possui gramatura mediana, e
uma pequena textura que funciona bem para desenhos usando grafite. Foram usados lápis
macios de 2b, 3b, 6b e 8b, lapiseira com grafite 0.7, limpa-tipo e esfuminho.

1.1 Os retratos

Com a empolgação após tocar uma peça, começo este projeto de retratos. O
sentimento e acontecimentos durante a execução de uma peça me contaminam e me faz
querer traduzir para o papel. Logo me encontro de frente com uma barreira, a problemática de
como colocar em imagem, essa expressão abstrata.

Mas se por retrato se entende uma descrição tal que, imitando a natureza, ao
mesmo tempo se torna intérprete de sua significação, traz para fora e torna
visível o interior da figura (SCHELLING, 2001, p. 194)

Meu desejo, não é representar o caráter pictórico da execução musical, mas o etéreo
que se dá, na junção dos pequenos momentos dentro da peça.
O musico aqui, é o interprete da peça escrita por um compositor. Ele trabalha para
executar a música, traduzindo e expondo as intenções de quem escreveu tal música, e
adicionando à execução, tudo o que sabe. O interprete adiciona a técnica aprendida por anos
de pratica, que conseguem ser aprendidas com muito treino e estudo, com orientação de um
mestre, e experiência. Além da técnica, o musico adiciona a vivencia, o sentimento, as
intenções dele, seu estilo e seu modo de pensar, sua cultura, e tudo que vem dele como
pessoa. Uma execução de uma peça é uma mistura complexa de técnica e expressão do
interprete, para executar da melhor maneira, a obra proposta.
A técnica seria mais fácil de se traduzir para a imagem, mas a segunda parte, a parte
que me atrai mais, a parte de onde a música realmente começa existir, é muito interessante, e
um grande desafio.
A música é feita de fraseados, estes sendo pequenos momentos de sensações, e ao
conjunto se tem a execução por inteiro. Estas sensações então me inspirou para esta série e me
ajudou a pensar em como traduzir isso tudo. Em subdividir o todo, consigo alcançar estes
pequenos momentos, e nestes pequenos momentos, é possível enxergar um pouco das
intenções que são colocadas pelo interprete, enquanto nós o observamos.

Com respeito a questão de se a pessoa deve ser exposta em repouso ou em ação,


é <548> manifesto que o maior repouso possível é em regra preferível, pois toda
ação possível suprime a totalidade da imagem e fixa o ser humano no momento.
A única exceção permitida ocorre ali onde a ação é tão uma com a essência do
ser humano, que por sua vez faz parte da característica dele. Representar um
musico exercendo sua arte seria preferível, por exemplo, a representar um
poeta com a pena na mão, porque o talento musical isso mais e é o que mais está
enlaçado à essência daquela que o possui. De resto, a verdade suprema é a
exigência que o retrato tem necessariamente de satisfazer, mas não deve ser
buscada no detalhe e naquilo que é meramente empírico. (SCHELLING, 2001,
p. 195)

Foi então que capturei as expressões no rosto do músico enquanto tocava uma
passagem na música. Onde acontecia um movimento dele, não só da ação de tirar som de um
instrumento, mas da expressão em que ele apresenta. Um pequeno deslumbre imagético da
sensação.

1.2 Processo

A partir da última seria que havia feito, onde eram três retratos, de músicos, do mesmo
grupo, se apresentando juntos, dispostos de maneira a lembrar a formação do grupo em uma
apresentação, dei então continuidade ao estudo do retrato e a explorar o campo da música para
relacionar os dois o mais próximo possível.
Após vários estudos e algumas leituras, cheguei os quadrinhos sem texto, o que me
encantou bastante em poder contar uma história sem a necessidade do texto, dando muito
mais força ao desenho ali contido, usando-o para contar a história sem depender de outro
meio. Tenho para mim, produzir este tipo de trabalho um grande desafio.
Então fiz algumas experimentações, com fotos, e desenhos a partir de fotos. Então
cheguei à conclusão de que poderia fazer meu trabalho como “retratos sequenciais”, e que
conseguiria expor melhor a proposta.
Quadrinhos geralmente são pequenos quadros de desenhos, desenhos feitos pequenos
direto na folha, ou em alguns casos, em uma folha maior para ser reduzida e publicada. Mas
essa redução eu percebi que iria perder o que gosto tanto de fazer no retrato, que são os
detalhes, hachuras, sombras e luzes, além de aproveitar a textura e cor do papel.
Escolhi então o mesmo tamanho que o trabalho anterior, uma folha A2, de
característica amarelada e com textura, que daria um bom resultado usando o grafite.
Outro problema agora era captar um pequeno momento da música. Eu não poderia
simplesmente pedir para que tocasse o trecho várias vezes para tentar desenhar e/ou
fotografar, pois cada hora ele se expressaria com o corpo diferentemente da anterior, e não
seria a mesma coisa de estar imerso na peça tocando ela desde o início. Então cheguei com a
filmagem, que de certo modo seria um problema para usar como referência pois a qualidade
de imagem não seria tão boa quanto a câmera, mas finalmente conseguiria o momento que eu
almejava retratar.
Após filmar, fui antes achar a parte que mais gostei, dentro de toda gravação, e fui
capturando frames que seriam interessantes. Após pegar os frames, fiz o retrato. O problema
da qualidade dá para ser visto no resultado final, em que perdeu detalhes junto com a
qualidade de detalhes da referência usada, mas a ideia de continuidade ficou bem mais
presente.