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Um dos pioneiros do movimento LGBT no Brasil e

ativista pela democracia durante a ditadura, Herbert
Daniel ganha biografia em agosto

REVOLUCIONÁRIO E GAY – A VIDA EXTRAORDINÁRIA
DE HERBERT DANIEL
(Exile within exiles: Herbert Daniel, Gay Brazilian
Revolutionary)

JAMES N. GREEN

Tradução: Marília Sette Câmara
Páginas: 378
Preço: R$ 69,90
Editora: Civilização Brasileira | Grupo Editorial Record

Estudante de Medicina em Belo Horizonte no início da década de 1960, Herbert Daniel
logo se juntou às fileiras da resistência à ditadura civil-militar instaurada no Brasil em 1964.
Entrou para a luta armada e conviveu com nomes ilustres do movimento, como o capitão
Carlos Lamarca e a ex-presidente Dilma Rousseff. Um dos últimos brasileiros a voltar do exílio,
na década de 1980, escreveu e editou livros e ainda engajou-se nas campanhas pela defesa do
meio ambiente e das minorias e foi um importante ativista pelos direitos das pessoas
portadoras de HIV/Aids no Brasil.

Herbert Daniel foi também pioneiro ao se candidatar a deputado estadual e a se assumir
publicamente como homossexual, fazendo campanha e militando no embrionário movimento
LGBT no Brasil. Mas, nem sempre foi assim, como nos conta o historiador James Green na
biografia “Revolucionário e gay – A vida extraordinária de Herbert Daniel”. Para o autor, para
ser aceito nos grupos de esquerda e participar da luta armada Daniel precisou reprimir sua
homossexualidade, vista com maus olhos pelos militantes da época, e viveu, segundo ele, uma
espécie de “exílio interno”. A motivação para escrever a biografia veio da percepção de que,
mesmo com toda a sua importância no ativismo de esquerda e pelos direitos humanos, Daniel
foi esquecido.

“Ele foi uma pessoa que vivia em certo sentido antes do seu tempo, pois a sociedade
brasileira não estava preparada para receber as novidades que ele apresentava, por exemplo,
na sua campanha eleitoral de 1986 ou inclusive nas campanhas sobre HIV/Aids. O país também
passou por muitas crises econômicas, políticas e sociais desde 1992, quando ele faleceu. Não

Vivíamos a opção pela luta armada e compartilhamos convicções. criaram um sentimento de pertencimento que superava o isolamento que sentira devido aos seus desejos sexuais não normativos. forjados no projeto conjunto contra o inimigo comum. mas às vezes é essencial oferecer um livro. que viveram em outros momentos”. que tem orelha de Dilma Rousseff e um encarte de fotos. efervescência nas artes. o arbítrio e a restrição de direitos democráticos conviviam com uma explosão de criatividade na música. diz Green em entrevista para o blog da Record. chega às livrarias pela Civilização Brasileira em agosto. expandiam-se. em condições adversas na clandestinidade. A busca de liberdade e a intensidade da luta e da vida até 1968 se misturavam à resistência à ditadura. ele construía sua identidade política e assumia sua sexualidade. englobando estudantes nas ruas. contraditoriamente. no teatro e na vida social.sei se é verdade que os brasileiros não têm memória. E me alegra muito que. Ele compartilhava de uma causa comum com pessoas que não pareciam notar que ele era homossexual – nem se importar a respeito disso. Entre incompreensões e decepções. O livro. na dura clandestinidade imposta pelo AI-5. um documentário. ou um filme sobre uma pessoa extremamente importante numa determinada sociedade justamente para relembrar as pessoas sobre estas figuras extraordinárias. parece que as intensas amizades que construiu na faculdade e. muita coragem e uma imensa alegria que lhe eram peculiares. Tinha dolorosa consciência de que a vida política naquele momento não se traduzia na liberdade de exercer sua identidade sexual abertamente nem tampouco acarretava ampla aceitação das suas diferenças e das diversidades de gênero entre todos os seus companheiros. buscava tecer suas relações amorosas intensamente.” ORELHA “Conheci Herbert Eustáquio de Carvalho em plena ditadura militar. Tinha uma inteligência aguda e curiosidade ilimitada. confidências e sonhos. Ali estava uma chance de distanciar-se o sentimento de exílio das atividades de seus contemporâneos. No entanto.” (Dilma Rousseff) . tenha encontrado o grande amor e seu companheiro de toda a vida. Mesmo com dor. no cinema. TRECHO “É fácil presumir que a dedicação de Herbert à sua nova vida como revolucionário era puramente política. mais tarde. Seu comprometimento durante os sete anos seguintes foi tão absoluto que pode parecer injusto atribuir qualquer outro motivo ao seu profundo envolvimento. Ficamos muito amigos e assisti no dia a dia daqueles tempos a sua progressiva transformação em Herbert Daniel. e a juventude vivendo intensamente e buscando novos caminhos para o Brasil. Compartilhamos o exato momento em que floresceu o que fez dele um pioneiro na luta pelo direito de exercer sua identidade sexual e uma exemplar personalidade política da nossa geração. tornaram-se tão importantes quanto sua devoção ideológica à mudança radical. Os laços poderosos entre camaradas. O Brasil vivia um momento complexo e. greves de trabalhadores.

é ativista de causas políticas e LGBT. época em que participou de diversas organizações políticas e identitárias. 1951) é professor de História Latino-Americana na Brown University.blogdaeditorarecord.br – Gerente de comunicação Thaís Britto – thais.br . Atualmente é diretor da Brown’s Brazil Initiative e do Opening the Archives Project. e diretor executivo da Brazilian Studies Association. Green (Baltimore/EUA.com.britto@record. como o Grupo Somos de Afirmação Homossexual (Somos).James N. Este é seu primeiro livro pela Civilização Brasileira.br – Assessora de comunicação www.Grupo Editorial Record / Tel: (21) 2585-2047 Adriana Fidalgo – fidalgo@record. do qual foi um dos fundadores. Departamento de Comunicação .com. Viveu no Brasil entre 1976 e 1982.com.