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O Brasil entre o arcaico e o moderno

Tiago Ivo Odon

Sumário
1. Considerações iniciais. 2. O arcaico e o
moderno. 3. Liberalismo e democracia. 4. Nem
o arcaico nem o moderno: o barroco. 5. Consi-
derações finais.

1. Considerações iniciais
A categoria “patrimonialismo” já se tor-
nou um lugar-comum na literatura política
e sociológica. Ela procede da sociologia de
Max Weber, na qual designa um dos tipos
da dominação tradicional. Seu emprego
como conceito-chave para a construção de
uma interpretação da história brasileira
deve-se à obra seminal de Raymundo
Faoro, Os Donos do Poder, publicada pela
primeira vez ao final da década de 1950.
O argumento de Faoro pode ser resumi-
do da seguinte maneira: a) a consolidação
precoce do Estado nacional português no
século XIV, num momento de decadência
da nobreza territorial e de fragilidade da
incipiente burguesia comercial, deu à Co-
roa o protagonismo na vida nacional; b)
nessa situação, toda a atividade econômica
subordinou-se ao interesse e à vontade do
Rei a partir da expansão africana e ultra-
marina iniciada com a conquista de Ceuta;
c) esse padrão apresentaria uma tendência
inata à reprodução, manifestando-se nos
Tiago Ivo Odon é Consultor Legislativo do momentos posteriores da história portu-
Senado Federal, mestre em Direito e Políticas guesa e brasileira; e d) ainda sofreríamos,
Públicas e doutorando em Sociologia. no Brasil de hoje, as consequências dessa

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marca de origem, manifesta na debilidade como trabalhado por Faoro, atende a essas
do mercado, sempre dependente do Estado, condições. Trata-se de uma característica
e na ausência de uma administração públi- genérica que satisfaz a autoimagem mais
ca regida por normas impessoais. difundida entre os brasileiros. É capaz de
A interpretação de Faoro oferece uma gerar, portanto, um modelo explicativo
explicação acabada para uma série de fe- com elevado poder de convencimento.
nômenos percebidos como problemáticos No entanto, muitos autores defendem
na economia, na política e na sociedade que tal modelo não produz explicações
brasileiras: a elevada carga tributária, a eficientes. Sua própria generalidade, que
extensão dos subsídios governamentais, a permite a aplicação quase universal, retira-
confusão entre as esferas pública e privada, ria sua força explicativa. No caso, o modelo
a ineficiência da burocracia, a recente crise permite ler a história a partir das premissas
ética do Congresso Nacional, tudo seria nele incorporadas, mas não permite ver, na
consequência do vício de origem lusitano. história, nada diferente disso.
Cultura política e cultura democrática Para outros, seria mais producente
são conceitos elaborados por determina- examinar o alegado déficit de valores de-
das correntes da ciência política a partir mocráticos no Brasil a partir da escassez
dos estudos pioneiros de Almond e Verba de democracia ao longo da nossa história.
sobre o caso alemão. Nesse país, o regime Durante a maior parte de nossa história,
totalitário teria prosperado em razão de seja no período do Império, seja durante a
características culturais específicas ao República, a grande maioria da população
povo alemão, notadamente a disciplina, a foi excluída do direito de voto. A República
obediência automática e a desvalorização Velha foi um regime de partidos únicos e
de processos deliberativos. fraude eleitoral sistemática. A República
No Brasil, na década de 1980, logo após liberal de 1945-1964 ainda conviveu com a
a redemocratização, foram publicados os exclusão dos analfabetos do voto e com a
resultados de pesquisas de opinião sobre prática generalizada do voto de cabresto.
a atitude dos cidadãos brasileiros frente Regimes abertamente autoritários persisti-
aos valores democráticos. Essas pesquisas ram no Brasil por 29 anos, quase um terço
registravam, de forma sistemática, a opinião do século XX (1937-1945 e 1964-1985).1
desfavorável da maioria dos brasileiros O Estado democrático de direito tem
sobre partidos, legislativos e legisladores; a apenas 20 anos no Brasil, e novas pesquisas,
preferência por resultados sem considera- como as de José Álvaro Moisés e Alberto
ção dos processos; a tolerância com regimes Carlos Almeida, continuam a apontar para
autoritários. A conclusão reiterada apontava o déficit de valores democráticos entre os
um déficit de cultura democrática no País, brasileiros. Almeida (2007, p. 19) sugere
déficit capaz de comprometer inclusive o que as características culturais da socie-
futuro da democracia a médio prazo. dade brasileira apontam para uma tensão
Há um problema na tentativa de es- entre “o arcaico e o moderno”, ou seja, uma
tabelecer relações de causalidade entre oscilação entre a hierarquia e a igualdade,
características histórico-culturais genéricas entre a autoridade e a liberdade.
e eventos concretos extraídos da história de A pesquisa de José Álvaro Moisés é inte-
um país. Quanto mais genérica é a carac- ressante porque tentou explorar a reação dos
terística separada como variável indepen-
dente e quanto mais ancorada no senso 1
As considerações feitas aqui sobre o patrimo-
nialismo, até o momento, foram tiradas de estudo
comum dos leitores, maior a capacidade elaborado no âmbito da Consultoria Legislativa do
de convencimento da relação de causali- Senado Federal por Caetano Ernesto Pereira de Araújo
dade imputada. O patrimonialismo, tal (Estudo no 1.445, de 2009).

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brasileiros a três perspectivas da questão da sileira quando da independência do País.
democracia (princípios e liberdades; proce- O que veio com a família real foi um libe-
dimentos e instituições; dimensão social). ralismo peculiar, não democrático, ibérico,
Na verdade, apenas as duas últimas, na barroco – com uma ideia de contrato social
forma como expostas pelo autor2, referem-se que se comunicava tanto com o arcaico
propriamente à questão democrática (parti- quanto com o moderno.
cipação); a primeira refere-se mais à questão
liberal (liberdade). Sua pesquisa revelou que
2. O arcaico e o moderno
os brasileiros, entre 1989 e 2006, definem me-
lhor a democracia na primeira perspectiva Santo Agostinho foi um bispo que pro-
do que nas outras. Isso indica que o povo pôs uma teoria cristã da política. Diante
brasileiro é mais liberal do que democrático. do fato da invasão de visigodos em Roma,
Além disso, a pesquisa de Moisés mostra que a incendiaram e a saquearam em 410,
que os brasileiros não confiam na maioria a população romana começou a criticar o
das pessoas. Resultados semelhantes são cristianismo e a Igreja. Viam uma falta de
encontrados na pesquisa de Almeida. Ele progresso social desde que o cristianismo
observa, ainda, o apego do brasileiro ao fora adotado como religião oficial do Im-
Estado: o “brasileiro ama o Estado”. pério, em 392. Agostinho reage à crítica
Esses autores, no entanto, estabelecem defendendo que a “Cidade de Deus” é dis-
uma relação teórica direta entre valores tinta da “Cidade do Homem”. Em A Cidade
liberais e valores democráticos. Liberalismo de Deus, ele divide a humanidade em duas
e democracia são fenômenos distintos, filo- “sociedades de homens”, dois grupos de
sofica e historicamente. A falta de confiança homens a que chama de “cidades”: “um,
das pessoas umas nas outras é um proble- dos que vivem segundo o homem; o outro,
ma para a democracia, mas não é para o o daqueles que vivem segundo Deus” (Cf.
liberalismo. O “amor” ao Estado pode ser AGOSTINHO, 1964, p. 289).
um problema para o liberalismo, mas não Agostinho critica o “viver bem” na
é para a democracia. Para o liberalismo, a Cidade do Homem, a polis, presente na
sociedade é uma ficção jurídica (iuris socie- filosofia aristotélica. O bem é dom de Deus
tas), ideia distante da concepção moderna na polis cristã. Agostinho, com seu plato-
de democracia. São filosoficamente dife- nismo, alerta que se deve buscar por bens
rentes as ideias de uma sociedade em que superiores, pela verdadeira Cidade, “com
o homem leva uma vida virtuosa pela sua o fim de que Deus seja tudo em tôdas as
independência da ideia de uma sociedade coisas” (Idem, p. 286). Agostinho faz uma
em que o homem leva uma vida virtuosa separação teórica entre religião e política,
pela sua participação. entre igreja e poder civil, que caminharam
O pensamento democrático não fazia juntos na filosofia antiga. O ponto impor-
parte da realidade da cultura política bra- tante é que Agostinho desenvolve uma
margem de autonomia política para o in-
2
Princípios e liberdades incluem, neste caso, men- divíduo ao prescrever que a lei da Cidade
ções a liberdades políticas, liberdade de organização de Deus está acima da lei da Cidade do
e de expressão, liberdade de participação, direito de
Homem, o que abre espaço para a crítica
ir e vir e outros correlatos; procedimentos e instituições
incluem menções a governo do povo, direito de voto, ao poder civil do Estado.
eleições livres, direito de escolher governo, regra de Tomás de Aquino (2001b, p. 80,81) reto-
maioria, representação política, acesso à justiça e fis- ma essa margem de liberdade política no
calização e controle de governos; dimensão social inclui
século XIII, ao dizer que nem toda lei do
igualdade social, acesso a serviços de saúde, educação,
habitação, emprego, salários justos e desenvolvimento Estado obriga o indivíduo em sua consci-
econômico [...] (MOISÉS, 2008, p. 21, grifo nosso). ência, apenas as justas, e justas são aquelas

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que derivam da lei divina. Portanto, o destrua a sua vida ou que lhe retire os meios
homem é livre por meio da lei divina. São de conservá-la. Lei é obrigação, direito
Tomás de Aquino chega mesmo a dizer que é liberdade; portanto, incompatíveis na
os governantes da Cidade do Homem são mesma situação. Do direito natural Hobbes
“inferiores” ao “governante supremo”, da deriva a primeira lei natural: a busca da
Cidade de Deus: “como a lei eterna é a ra- paz individual por qualquer meio. Hobbes
zão governadora no governante supremo, é subtrai Deus de seu arranjo político. Sua lei
necessário que todas as demais ordenações natural nada tem a ver com a lei natural (lei
do governo que se encontram nos governa- divina) de Tomás de Aquino. Na segunda
dores inferiores derivem da lei eterna”. E lei natural que apresenta, Hobbes sepulta
repete frase de Agostinho: “nada é justo e a ideia de razão como derivação de uma
legítimo na lei temporal que não derive da ordem independente da vontade humana,
lei eterna” (AQUINO, 2001b, p. 39). presente na filosofia agostiniana-tomista.
Concebe-se uma margem de liberdade Dessa lei natural fundamental, com a
humana contra o Estado. Esse processo qual se ordena aos homens que busquem
apenas se completaria com a redenção da a paz, deriva a segunda lei, a de que es-
vontade, que ganharia relevo após o “pacto tejam dispostos, quando outros também
de consentimento” de John Locke, quando estiverem, a renunciar, na medida em que
a razão, imaculada na filosofia antiga e considerarem necessário, à paz e à própria
na filosofia cristã medieval, começaria a defesa, ao seu direito a tudo e a se conten-
ceder lugar à vontade. Seria por meio da tarem em ter tanta liberdade em relação
valoração da vontade que a razão ganharia aos outros quanto a que concederem aos
sua prevalência político-jurídica sobre a outros em relação a si próprios. Assim,
autoridade na Idade Moderna, momento esclarece Hobbes, aquele que abandona um
decisivo para o liberalismo (ODON, 2007, direito próprio ou o transfere não dá a ou-
p. 337-355). tro homem um direito que este último não
No pensamento político medieval, ao possuía, pois não existe nada a que cada
contrário, as convenções humanas, como homem não tenha direito por natureza,
o contrato, são antes atos de razão do que mas limita-se a retirar-se do seu caminho
de vontade. Tomás de Aquino (2001a, p. para que ele possa gozar do seu direito
53) relaciona a razão à lei natural (divina), originário sem ser impedido por ele ou
e a vontade à lei positiva (humana): sem a por outrem. Essa é a ideia política base de
participação racional do homem na lei di- liberdade negativa, ou seja, ausência de im-
vina, nada pode tornar-se justo por decisão pedimentos externos. Essas transferências
humana. Assim, apesar de as relações so- recíprocas de direitos geram o que Hobbes
ciais humanas basearem-se na lei positiva, chama de “contrato” ou “pacto” (HOBBES,
escrita, os legisladores e os juízes devem 2000, p. 114).
considerar-se como ministros de Deus. Nesse arranjo, em que a convenção
O pensamento político moderno, por entre os homens escreve a lei racional, por
sua vez, é bem diferente do medieval. O meio do pacto, Hobbes (2000, p. 123, grifo
jus deixa de derivar da lex divina. Para nosso) funda a ideia de justiça, sua terceira
Thomas Hobbes, a liberdade é vista atra- lei natural: “que os homens cumpram os pactos
vés dos olhos do direito, do jus, que ele que celebrarem. [...] Nesta lei de natureza
claramente distingue de lex. O jus, o direito, reside a fonte e a origem da justiça. [...] E a
consiste na liberdade de fazer ou deixar definição da injustiça não é outra senão o
de fazer, ao passo que a lex, a lei, consiste não cumprimento de um pacto”. O jus está
numa regra geral, descoberta pela razão, no pacto, e não em Deus – “É impossível fa-
que proíbe a um homem fazer algo que zer pactos com Deus”, escreveu (HOBBES,

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2000, p. 118). Não se fala mais aqui no jus a constituição do Estado: no primeiro, o
natural, que dá “liberdade a tudo”, mas no Estado justo é a emanação da vontade do
jus positivo, pactuado, que dá a liberdade Criador, fundado na sua lex aeterna; no
necessária para a vida pacífica. A obrigação segundo, o Estado justo é a emanação da
política, portanto, se justifica no pacto, no vontade do homem, fundado num contra-
nomos, e não na physis. A ordem política to. No Estado medieval, a vida ética é a
deixa de se relacionar com a physis, a lei vida segundo Deus; no Estado moderno,
natural, a lei divina, a razão, e passa a se segundo a convenção. O primeiro Estado
relacionar com o nomos, a convenção, a lei se descobre (physis); o segundo se inventa
positiva, a vontade. (nomos). O primeiro é o Estado da neces-
As ideias posteriores de Locke, Rousse- sidade; o segundo, da utilidade3 (a livre
au, Montesquieu, entre outros, são deriva- criação da função estatal a partir de uma
ções desse arranjo original de Hobbes, mas ordem privada).
com uma importante diferença: o direito – a
liberdade – é anterior ao contrato, à lei. O 3. Liberalismo e democracia
direito não se submete ou é limitado pela
lei do monarca, como em Hobbes. A lei é O vínculo valorativo que equaciona a
que deve ajustar-se ao direito. Hobbes não relação entre iuris societas e Estado é o que
vê os direitos a serem transferidos no seu o liberalismo clássico chama de liberdade.
contrato como direitos passíveis de serem Trata-se da liberdade referida por Locke,
arguidos contra o Estado constituído. Pelo Montesquieu e Kant: liberdade é a liberdade
contrário, são transferidos ao Estado! Ape- de agir segundo leis, o que pode apresentar
sar de tanto em Hobbes quanto em Locke o um sentido positivo e um negativo. Mui-
fundamento do pacto ser o mesmo, ou seja, tos autores, como Isaiah Berlin, Giovanni
a liberdade, em Locke não existe transfe- Sartori, Michelangelo Bovero, entre outros,
rência de direitos. Locke não falará de um traduzem essas duas perspectivas por meio
pacto de submissão, mas de um pacto de das conhecidas expressões “liberdade po-
consentimento. O objetivo da sociedade ci- sitiva” e “liberdade negativa”. Na precisa
vil é a preservação da propriedade, ou seja, abordagem de Berlin, a ideia de liberdade
os direitos à vida, à liberdade e aos bens, os positiva significa que eu sigo as regras que
quais se tornam oponíveis a qualquer ho- eu mesmo pactuei para ser livre (a forma-
mem ou mesmo a qualquer autoridade que ção do “direito consciente” por meio do
queira feri-los. Locke fornece a formatação parlamento, conforme Kelsen). E a ideia
final ao individualismo político, ampliando de liberdade negativa significa dizer que “há
ainda mais a margem de liberdade idealiza- fronteiras dentro das quais os homens são
da por Hobbes. A partir de Locke, pode-se invioláveis”, que impedem, de forma abso-
dizer, a ideia de sociedade (iuris societas) luta, a imposição da vontade do Estado ou
cede de vez à ideia de indivíduo. da de um homem sobre outro. Disso resulta
Em resumo, Locke (1998, p. 437) arre- o princípio básico citado por Berlin (2002, p.
mata: nascemos livres na mesma medida 267): “nenhum poder pode ser considerado
em que nascemos racionais. Ao contrário absoluto, apenas os direitos o podem”.
do pensamento político medieval, o bem Essa é a característica fundamental da iuris
não é dom de Deus: “A necessidade de societas moderna.
procurar a felicidade é o fundamento da O Estado Moderno é fundado sobre a
nossa liberdade” (Idem, p. 105). ideia de liberdade negativa. Esta é a liber-
É possível perceber que os dois pensa- dade do liberalismo clássico, segundo o
mentos políticos – o medieval e o moderno 3
Termo usado por Tocqueville (2004, p. 148) ao
– trazem duas propostas diferentes para estudar o contrato social norte-americano.

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conceito de Thomas Hobbes, ou seja, é a o qual é uma função da vontade de todos
ausência de impedimentos externos. Assim, (volonté de tous). Para ele, “[...] mesmo que
conforme Matteuci (1993, p. 257), “a liber- a vontade geral seja realizada diretamente
dade positiva de participar na formação da pelo povo, o indivíduo é livre só por um mo-
vontade do Estado exige, como condição mento, isto é, durante a votação, mas apenas
necessária, a liberdade negativa, isto é, que se votou com a maioria e não com a minoria
o Estado não tolha os direitos da liberdade vencida” (Cf. KELSEN, 1993, p. 29).
de expressão, da liberdade de imprensa, A forma que o liberalismo encontrou
de associação, de religião, etc.”. No fim do para defender a liberdade foi o constitu-
século XIX, a ideia de direito subjetivo e cionalismo. Segundo Montesquieu (1995,
individual ainda estava intrinsecamente p. 186):
relacionada à ideia de liberdade negativa, “Para que não se possa abusar do
e a liberdade positiva era vista na forma poder é preciso que, pela disposição
de um direito mais amplo, sobre-subjetivo. das coisas, o poder freie o poder. Uma
Isso fica claro num texto escrito em 1885 por constituição pode ser de tal modo que
Prévost-Paradol, que chama de “direito na- ninguém será constrangido a fazer
cional” o direito de decisão do povo acerca coisas que a lei não obriga e a não
das políticas externa e interna por meio do fazer as que a lei permite”.
Parlamento.4 Montesquieu (1995, p. 186, grifo nosso)
A ideia de liberdade individual clássica defende, em sua obra uma monarquia
se formou independentemente da ideia de constitucional. É bem claro ao se posicionar
democracia. A unanimidade do contrato contra a democracia:
social formado, que funda o Estado Mo- “É verdade que nas democracias o
derno na ideologia liberal, choca-se com o povo pode fazer o que quer; mas
princípio majoritário do parlamentarismo e liberdade política não consiste nisso.
da democracia. Kelsen identifica um conflito Num Estado, isto é, numa sociedade
entre vontade do indivíduo e vontade ge- em que há leis, a liberdade não pode
ral, a qual se apresenta ao indivíduo como consistir senão em poder fazer o que se
vontade alheia, pois gesta a ordem estatal deve querer e em não ser constrangido
a partir do princípio da maioria, e não do a fazer o que não se deve desejar”.
consenso, este último, sim, origem do con- Trata-se do conhecido problema da
trato social no liberalismo clássico (pacto de vontade racional. Mais especificamente,
consentimento de Locke). Kelsen defende do controle da vontade irracional. Não por
que a “vontade geral” (volonté générale) de outra razão que a principal preocupação de
Rousseau (expressão que indica a ordem Montesquieu era neutralizar o poder, e não
estatal objetiva, válida independentemente separar o poder.
da vontade dos indivíduos) é absolutamente “Eis, assim, a constituição fundamen-
incompatível com a teoria do contrato social, tal do governo de que falamos. O
corpo legislativo, sendo composto de
4
Ao falar sobre a Inglaterra, Padarol (2003, p. duas partes, uma paralisará a outra
94,95, grifo do autor) escreve: ”Duas espécies de direito por sua mútua faculdade de impedir.
existem hoje lá e se aplicam sem ser contestados por
ninguém: o primeiro, que eu denominaria naturalmen-
Todas as duas serão paralisadas pelo
te de direito pessoal, consiste em que cada inglês tem poder executivo que o será, por sua
sólidas e numerosas garantias de não ser lesado pelo vez, pelo poder legislativo” (MON-
poder, nem em seus bens e nem em sua pessoa; o se- TESQUIEU, 1995, p. 193,194).
gundo, que merece o nome de direito nacional, consiste
em que o povo inglês decida soberanamente, por meio
O foco inicial eram as monarquias cons-
do seu Parlamento e dos ministros que dele dependem, titucionais, em oposição ao absolutismo do
da política externa e interna de seu país”. Antigo Regime.

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A representação defendida pelo libera- desconhecia o momento democrático.
lismo clássico era uma representação cen- Como percebeu Luiz Werneck Viana, as
sitária, que poderia filtrar a racionalidade diferenças constituintes do indivíduo, no
da vontade geral. Stuart Mill até defende caso brasileiro, revelam a noção de inde-
uma representação intelectual, preconizan- pendência (liberdade negativa) e não a de
do que, diante da polarização entre dois autonomia (liberdade positiva), que admite
grandes blocos – o dos proprietários e o dos a submissão à lei desde que ela seja livre-
trabalhadores assalariados –, o fiel da balan- mente aceita, tal como deriva do arranjo
ça deveria ser um terceiro grupo, as elites contratualista. Assim, o individualismo
culturais, com o peso de seu voto sendo su- brasileiro, portador de uma consciência
perior a 1. A democracia propriamente dita é rústica de liberdade e apaixonado pelo
um elemento estranho a todo esse processo, seu interesse, não consagrou o princípio
só tendo sido incorporada gradativamente da liberdade positiva, em que a cultura
a partir de meados do século XIX, com o do civismo poderia assentar-se (VIANA;
alargamento do sufrágio e a multiplicação CARVALHO, 2004, p. 206).
dos órgãos representativos. Nesse intervalo Luiz Werneck Viana sugeriu uma nova
de tempo, temos a constituição do Estado ideia para explicar o desenvolvimento po-
brasileiro, com a vinda da família real no lítico-social brasileiro: o barroco, ou seja, a
início do século. O Estado brasileiro foi fun- plasticidade entre o arcaico e o moderno.
dado no momento liberal. A Europa ainda A Península Ibérica permaneceu prati-
desconhecia o momento democrático. camente intocada pela Reforma Protestan-
A tensão epistemológica que existe te, não produziu pensadores equivalentes a
hoje entre a concepção de democracia e Hobbes ou Locke, não passou por qualquer
a de direito individual como liberdade surto de individualismo político e resistiu
contra o Estado pode ser hoje sentida nas à teoria do contrato social fundada no in-
Constituições. Numa Constituição como a divíduo (MORSE, 1988, p. 37). A Península
brasileira, têm-se, de um lado, os direitos Ibérica não passou pela revolução metafí-
individuais (art. 5o), que representam a tra- sica por que passaram países da Europa
dicional tutela das liberdades individuais Central e a ilha inglesa, que redimiu a von-
(liberdade pessoal, política e econômica), tade em relação à razão. A Escola Ibérica
em que vige a liberdade negativa clássica, de Direito Natural, dissonando do direito
e, do outro lado, os direitos sociais (art. 7o a natural anglo-saxão, permaneceu presa à
11), que representam direitos de participa- metafísica tomista, com forte influência das
ção no poder político e na distribuição da filosofias de Francisco de Vitoria e de Fran-
riqueza social produzida. De um lado, um cisco Suarez. Tal Escola lançou as bases do
Estado que não deve intervir; do outro, um dedutivismo que iria reinar na metodologia
Estado paternalista e intervencionista. Nas do direito ibérico (HESPANHA, 2003, p.
palavras de Gozzi (1993, p. 401), a forma do 209), o que ainda hoje produz seus efeitos
Estado oscila, assim, entre a liberdade e a no direito brasileiro.
participação . É o conflito irresolúvel entre Conforme Richard Morse, dois cami-
liberdade positiva e liberdade negativa, já nhos epistemológicos divergentes se de-
preconizado por Isaiah Berlin. senvolveram na Europa: a racionalidade
formal-objetiva do tomismo e a raciona-
lidade dialético-pessoal anglo-saxã. No
4. Nem o arcaico nem o moderno: o barroco
primeiro, vai-se de um dado concreto a uma
Como já colocado, o Estado brasileiro classe de coisas, para então se retornar para
foi fundado, no início do século XIX, no interpretar o dado. O Estado político tomis-
momento liberal, quando a Europa ainda ta é fruto desse tipo de racionalidade. No

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segundo, a discussão alimenta-se do “sim” toridade e crítica (PEREÑA, 1974, p. 20-22).
e do “não” que surgem dos encontros entre Nesse sentido, sua filosofia proporcionou
pessoas distintas. O Estado político moder- uma espécie de ecletismo entre o tomismo
no, fundado numa ideia contratualista da tradicional e a teoria do contrato social, com
vida social, é fruto desse tipo de racionali- a tese de que a lei natural (physis) se atuali-
dade. No primeiro, a pessoa individual só é za e se completa historicamente por meio
inteligível enquanto exemplo de um gênero do direito positivo (nomos), convenção de
ou regra geral; no segundo, as pessoas são homens, estabelecendo uma participação e
únicas e idiossincráticas, pois, em vez de comunicação de vontades (divina e humana)
exemplificarem uma ordem geral, repre- (SUAREZ, 1974, p. 56,57), diferente da ideia
sentam o não-eu do conhecedor. A “mente tomista de participação do homem na razão
latino-americana”, escreveu Morse, tem divina (AQUINO, 2001b, p. 16).
uma visão “compreensiva e unificadora”, O Estado é uma instituição natural, pois
enquanto a anglo-americana é empirista a natureza exige o seu estabelecimento, e
(MORSE, 1988, p. 47,48). não uma corrupção de uma imagem ideal
Isso vai ao encontro dos escritos de Ro- (Agostinho) ou o campo da correspondên-
berto DaMatta sobre a sociedade brasileira. cia política entre a razão humana e a razão
Segundo ele, embora a sociedade humana divina (Tomás de Aquino). No pensamento
seja constituída de indivíduos empiricamen- suareziano, a origem da sociedade política
te dados, o Brasil é uma sociedade que não é o consenso, o que antecipa Locke, mas tal
tomou esse fato como ponto central de sua sociedade não é inteiramente artificial, mas
elaboração ideológica, e conclui que, no Bra- locus de comunicação das razões humana e
sil, se vive mais a ideologia das corporações divina, respeitados seus limites e finalida-
de ofício e irmandades religiosas, com sua des. A lei civil não é dedução absoluta da
ética de identidade vertical, do que as éticas lei natural, pois resguarda sua finalidade
horizontais que chegaram com o advento do intrínseca de garantir uma ordem social
capitalismo (DaMATTA, 1997, p. 195,221). específica entre os homens, de satisfazer
A racionalidade anglo-saxã trouxe as necessidades sociais do ser humano
várias consequências para o pensamento (nomos). Mas, ao mesmo tempo, o Estado
político: a relevância do consenso; o indivi- é physis e, por isso, resguarda sua aura
dualismo dos direitos naturais; a mudança sacra – o jus ainda está em Deus. O Esta-
da legitimação ética do Estado (de Deus do é provedor e civilizador e, ao mesmo
para a convenção, da physis para o nomos). tempo, deve ser limitado para não tolher
Na Península Ibérica, no entanto, resistiu- a livre expansão das faculdades sociais
se à ideia de conceber o Estado como um do ser humano. Percebe-se, na filosofia
“artifício” (produto de um pacto entre in- de Suarez, uma tensão entre necessidade
divíduos), em choque com a ideia de arte e utilidade.5
ou ciência com causa remota em Deus. Ou Nesse arranjo, pessoas únicas e idiossin-
seja, o pensamento ibérico ignorou a des- cráticas, capazes de chegar a um consenso
providencialização do Estado. Na teoria sobre a fundação do Estado, são totalizadas
neoescolástica de Vitoria e Suarez, o Estado na lógica natural desse Estado, que compre-
é um todo ordenado em que as vontades da ende e unifica, e cada indivíduo singular
coletividade e do príncipe se harmonizam conforma sua identidade à totalidade, e
à luz da autoridade divina e de sua lei na- se diferencia na medida em que o Estado
tural, no interesse da felicitas civitatis (bem tutela a diferenciação.
comum) (VITORIA, 1960, p. 118).
Suarez buscou atualizar o tomismo, pro- 5
Capítulo Terceiro da obra De legibus, de Fran-
pondo estabelecer relações entre razão, au- cisco Suarez (1971).

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O contrato social que pode ser encon- 5. Considerações finais
trado na sociedade brasileira é um contrato
social suareziano. Um contrato social que A independência brasileira não foi
expressa a plasticidade barroca de que fala fruto de uma sociedade entregue a valores
Werneck Viana, que oscila entre o arcaico e revolucionários ou originais em relação
o moderno. Um contrato social por meio do ao seu passado nem da obra de ex-súditos
qual os legisladores assumem uma missão lusitanos, nem mesmo produto de um
sagrada, como percebeu Karina Kuschnir movimento de liberdades civis nos mol-
(2000) em sua pesquisa sobre as eleições des revolucionários europeu. Foi fruto da
no Rio de Janeiro. vontade do rei que interrompe a inércia da
Após a Revolução Francesa, vários colônia, que traz da metrópole uma ideia
países europeus procuraram adotar a racio- barroca de contrato social, que encontra eco
nalidade dialética do direito anglo-saxão. na elite brasileira, cujo pensamento político
No entanto, em Portugal, principalmente fora contido pela sua formação em Coim-
na época do primeiro-ministro Marquês bra. Inventa-se um país sem os adereços
de Pombal, o Iluminismo revolucionário, contratualistas do liberalismo clássico. A
que trazia consigo as premissas do libe- tradição barroca e o rei barroco e ibérico
ralismo clássico, foi contido. José Murilo se encontram para fazer nascer 269 de cima
de Carvalho ( 2006, p. 84,85) escreveu que um artifício cuja realidade é assegurada
Coimbra, destino dos estudantes da elite pela própria figura real (BARBOSA FILHO
brasileira, foi eficaz em evitar contato mais apud VIANA; CARVALHO, 2004, p. 214).
intenso de seus estudantes com o Iluminis- No século XIX, as assimetrias dos li-
mo francês. beralismos político e econômico levaram
Contudo, a decisão política no processo os doutrinadores liberais a se apegarem
de independência brasileira foi outra: a à reforma puramente legal, na crença de
intelectualidade abandonou o modelo neo- que boas leis produzem instituições viá-
escolástico em favor de fontes liberais. No veis, que, por sua vez, elevam a qualidade
Brasil, as instituições políticas consagradas moral do sistema. Quando a ineficácia do
em 1824 buscaram executar duas decisões liberalismo doutrinário ficou evidente,
fundamentais: a construção de um Estado várias formas de autoritarismo foram pro-
nacional e o estabelecimento de um Estado postas para substituí-lo, com destaque para
liberal segundo o padrão anglo-saxão euro- o que Richard Morse (1988, p. 91) chama
peu (SOUZA JUNIOR, 2002, p. 27). Como de “autoritarismo instrumental”. Foi o
colocou Jessé Souza (2000, p. 254,267), que aconteceu com a reforma do primeiro
adotou-se um discurso modernizador: o código de processo criminal do Brasil. A
código valorativo dominante passou a ser o ideia liberal inicial (1832) foi logo apagada
do individualismo moral ocidental, e os va- e substituída por uma proposta autoritária
lores modernos passaram a ser, a partir de e policialesca (1841), com o objetivo de
então, os únicos aceitos como legítimos. possibilitar ao governo imperial impor a
A conjugação entre liberalismo e de- sua autoridade em todos os quadrantes do
mocracia, no Brasil, mostrou-se bastante território nacional.
peculiar: se tal conjugação levou adiante, na No estudo sobre o bacharelismo jurí-
Anglo-América, a dialética entre liberdade dico brasileiro, Adorno (1998, p. 245-246)
e ordem, no Brasil, foi integrada à dialética mostra que, na sociedade brasileira, desde
mais antiga e tradicional entre autoridade as lutas pela libertação do colonialismo e
e bem comum, entre política como arte ou durante o curso dos principais movimentos
ciência e o Estado como incorporativo ou populares que atravessaram toda a vida
tutelar. monárquica, o imaginário social que as

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elites fomentaram acerca das reivindicações DaMATTA, Roberto. Carnavais, malandros e heróis. 6
populares era produto de sua associação ao ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.
radicalismo, à destruição da ordem pública GOZZI, Gustavo. Estado Contemporâneo. In: BOB-
e à liquidação da propriedade privada. BIO, Norberto et al (Orgs.). Dicionário de política. 5 ed.
Foi formado, no Brasil, um tipo de jurista Brasília: Edunb, 1993.
e de político que repudiava a revolução, HESPANHA, António Manuel. Cultura jurídica européia.
que cultivava o amor à liberdade acima de 3 ed. Portugal: Publicações Europa-América, 2003.
qualquer outro princípio e que encontrava HOBBES, Thomas. Leviatã. In: Os pensadores. São
numa ideia peculiar de contrato os funda- Paulo: Nova Cultural, 2000.
mentos da obediência política. Ao privile- KELSEN, Hans. A democracia. São Paulo: Martins
giar a primazia do princípio da liberdade Fontes, 1993.
em relação ao da igualdade, projetou-se um KUSCHNIR, Karina. Eleições e representações no Rio de
tipo de político profissional ”forjado para Janeiro. Relume-Dumará, 2000.
privatizar conflitos sociais, jamais para ad-
LOCKE, John. Dois tratados sobre o governo. São Paulo:
mitir a representação coletiva” (ADORNO, Martins Fontes, 1998.
1988, p. 239, 240).
A cultura política brasileira está mais MATTEUCI, Nicola. Constitucionalismo. In: BOBBIO,
Norberto et al (Orgs.). Dicionário de política. 5 ed. Bra-
próxima de uma racionalidade liberal do sília: Edunb, 1993.
que democrática, e, ainda assim, uma racio-
MOISÉS, José Álvaro. Os significados da democracia
nalidade peculiar, que oscila entre a auto-
segundo os brasileiros. (mimeo) 2008.
ridade e a liberdade, a razão e a vontade, a
necessidade e a utilidade. Enfim, a cultura MONTESQUIEU. O espírito das leis. Universidade de
Brasília, 1995.
política brasileira expressa um contrato
social suareziano, uma proposta barroca MORSE, Richard M. O espelho de próspero: cultura
de contrato social, com pés no arcaico e e ideias nas Américas. São Paulo: Companhia das
Letras, 1988.
no moderno, como denunciam as citadas
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