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O princípio da separação de poderes e a crise da

representação política: a dinâmica legislativa no
município de Curitiba

Eneida Desirre Salgado (UFPR, Brasil)
desisalg@yahoo.com.br

Universidade Federal do Paraná - Praça Santos Andrade, 50
Centro - Curitiba/PR - Brasil - 80020-300

João Pedro Kostin Felipe de Natividade (Uniceub, Brasil)
joao.pedronk@gmail.com

Revista Ballot - Rio de Janeiro, V. 2 N. 1, Janeiro/Abril 2016, pp. 207-225
http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/ballot

à perda de credibilidade do Parlamento. propondo muito e apro- vando pouco. separação de poderes. We conclude that the Mayor participates actively in the local legislative process. Conclui-se que o prefeito participa ativamente do processo legislativo local. we collect data about draft bills (PLOs) proposed by the Mayor of Curitiba and local city councilors in 2009 and 2013. bem as- sim visualizar tais fenômenos. aprovando seus projetos rápida e facilmente. With a view to analyzing institutional dynamics within the local sphere and visualizing these phenomena. Com o objetivo de constatar a dinâmica institucional na esfera local. Ao revés. realiza-se levantamento dos Projetos de Lei Ordinária apre- sentados pelo prefeito e vereadores de Curitiba nos anos de 2009 e 2013.e-publicacoes. 207-225 http://www. Palavras-chave: representação política. identifica-se a crise da representação política e o arranjo da separação de po- deres no Estado constitucional. caused by a decrease in political represen- tation legitimacy. we identify the current crisis of political representation and the frame of sepa- ration of powers in a constitutional State. desgastado em razão da deslegitimação representativa. councilors face great difficulties. It seems the preponderance of Executive power is due to the deterioration of Parliament credibility. pp. local politics Revista Ballot . separation of powers.Resumo Neste trabalho. 1. Keywords: political representation. V. They propose many drafts. Janeiro/Abril 2016. In contrast.uerj.php/ballot . em muito.br/index. Tal cenário ratifica a crise da representação e a liderança política desempenhada pelo Executivo local. Verifica-se que a preponderância do poder Executivo se deve. política local The principle of separation of powers and the crisis of political representation: the legislative dynamic in the city of Curitiba Abstract In this paper. but just few succeed. os vereadores enfrentam muitas dificuldades.Rio de Janeiro. This scenario indicates the crisis of political representation in the municipal sphere and the political leadership performed by the Executive branch. 2 N. approving his drafts fast and easily.

por último.Rio de Janeiro. a saber se. 2013. resultando na “expressão jurídica da democracia liberal”. promovendo a transparência e a accountability vertical. Estado de direito e separação de poderes: um meio para a consecussão de um fim Nas palavras de Pietro Costa. Seu núcleo duro é composto pela submissão ao império da lei. funcionalidade típica do poder Legislativo.. por instrumentos que não a lei. 358. P. ZOLO. COSTA. D. garantia dos direitos individuais e pela separação de poderes. o que lhes imporia a difícil tarefa de canalizar desejos incertos e instáveis de uma popu- lação descrente na política e que não se sente representada pelo Parlamento.e-publicacoes. P. 1. V. enquanto a parte V discorre sobre seus resultados. São Paulo: Malheiros. cada vez mais. crítica. a preponderância do Executivo. teoria. Os representantes eleitos teriam perdido a uniformidade e padronização de seus referenciais so- ciais. O exame é organizado em seis etapas. o Estado de Direito é a expressão da confiança que os indiví- duos depositam no direito como limite ao poder soberano. empiricamente. E. Da mesma forma que a representação política. direciona ao aumento da participação e fiscalização cidadã na política. A parte I realiza cotejo teórico ao Estado de direito e ao princípio da separação de poderes. nesse cenário. efetiva- mente. O fortalecimento legislativo.uerj. readequando a tradicional tripartição de poderes. é preciso verificar. é meio para atingir um fim: fortalecer a posição dos sujeitos mediante a imposição de limites à soberania. O Estado de Direito: uma introdução histórica. mesmo que um deles prevaleça. A parte III precisa o recorte da coleta empírica e indica a metodologia adotada na análise. 1. O Poder Executivo. A parte VI. Por essa razão. Curso de direito constitucional positivo. A parte IV apresenta os dados coletados.. A parte II introduz o processo de democratização e suas consequências. In: COSTA. 2 N.br/index. Janeiro/Abril 2016. São Paulo: Martins Fontes. D. 2009 e 2013.358 357. As demandas urgentes do interesse público seriam atendidas. preterindo- -se a deliberação em nome da execução. pp. O Estado de direito: história.357 Em linhas gerais. a crise da representação política. com o ob- jetivo de aferir a participação do Executivo no processo legislativo local. J. todavia. 207-225 http://www.Introdução Este trabalho tem o escopo de examinar a alegada crise da representação política em cotejo ao princípio da separação de poderes. Para tanto. consiste nas considerações finais. 2006. é essencial que haja certo equilíbrio entre os poderes. A. uma delas. domina a política. Revista Ballot . apareceria como preponderante no exercício da lide- rança política. SANTORO. SILVA.php/ballot . o Estado de Direito foi cunhado em molde burguês. Nesse sentido. Muito se afirma que a heterogeneidade da sociedade e a multiplicidade de interesses conduziriam à deslegitimação da representação política. realiza-se levantamento dos Projetos de Lei Ordinária apresentados pelo Prefeito e vereadores de Curitiba em dois momentos distintos.

soman- do-se àqueles já conquistados em épocas passadas. 2001. Janeiro/Abril 2016. possibilitando a tomada de decisões mo- deradas.. subtraiu-se das competências do monarca inglês a capacidade de ditar o direito. “não é difícil de entender que a técnica da separação de pode- res. 17. necessários a impedir que o poder se sobreponha a eles. Após. a representação corresponde ao poder. 2. L. introduziu-se termo qualificativo à ideia democrática.360 Meio ao liberalismo burguês. é predisposta a abusar dos poderes que lhe são confe- ridos. Atividade Legislativa do poder executivo. em que o repre- sentante recebia o mandato dos representados para que atuasse perante o monarca. o Estado deve operacionalizar e viabilizar a concretização da pluralidade de direitos obtidos mediante as inúmeras lutas sociais. MARINONI. por meio da qual sujeitos conquistam novos direitos. ao qual caberia essencialmente a manutenção da ordem interna e condução da política externa. à definição “Estado de Direito” foi adicionado o termo social. SARLET. como quando da edição das primei- ras constituições. p.uerj. Montesquieu entendia ser necessário que cada poder. CLEVE. propriamente. indepen- dentemente. nov.Rio de Janeiro. constituindo Estado So- cial e Democrático de Direito. pp. G. previsto no artigo 1º da Constituição da República do Brasil. 1994.359 A natureza humana. A evolução histórica. 207-225 http://www. se antes havia disposição triangular. e não mera omissão. Revista de Sociologia Política. L. C. O surgimento da doutrina da separação remonta à Inglaterra do século XVII. GROHMANN.br/index. E. vigorava a ideia do Estado mínimo. 35. 362. estabelecendo o Estado Social de Direito. n. Aliado a isso. Os indivíduos adquiriram direitos cuja satisfação passou exigir comissão. 2011. D. V.361 Naquele momento. O processo de democratização. de matriz liberal-burguesa. Curso de direito constitucional. M. Legislativo e Judiciário .362 Em síntese. seja por necessidade.php/ballot . hoje. Madrir: Civitas. Foi onde fortaleceu-se a ideia de que o poder deve ser construção da sociedade. G. São Paulo : Revista dos Tribunais.e-publicacoes. La constitucion como norma y el tribunal constitucional. A separação de poderes em países presidencialistas: a América Latina em perspectiva comparada. G. 360. e que os indivíduos devem ter instrumentos de controle e participação. tal como formulada por Montesquieu. vivencia-se verdadeira “mutação his- tórica dos direitos fundamentas”. M. tivesse capacidade de barrar ao outro. Passou-se da representação-ante-o-poder para a representação-poder. onde rei e reino celebravam pactos limitando o exercício do poder soberano. Primeiro. I. dando-se origem à função legislativa. além de ter alcan- çado uma utilidade incontestável”. 359. MITIDIERO. aqui. ante o poder. Curitiba. 75-106. 2 N.. Revista Ballot . Daí a difusão do clássico arranjo institucional da tripartição de poderes – Executivo. transfor- mou o conceito de Estado. 361. 2014. O Estado mínimo deu lugar ao Estado de prestações. À época. Importa. ENTERRIA. aditando-lhe elementos e modificando sua função. São Paulo: Revista dos Tribunais.cada um incumbido de atribuições específicas. D. O Parlamento tornou-se portador da soberania e verdadeiro titular do poder. os modelos eleitorais e a crise da representação política No domínio da representação política. este último princípio.. seja pelo desenvolvimento teórico. 1. Baseado nessa máxima. tenha funcionado perfeitamente. W. p.

J.364 Nessa perspectiva. G. p. representada pela adoção do sufrágio uni- versal em substituição ao voto censitário. MORALES. p. operou verdadeiro pro- cesso de democratização. 7-30. 1991. consoante Robert Dahl. p.371 363. p. C. La muerte y la resurrección de la representación política. 222-246. 365. Crisis del mandato representativo en el estado de partidos. fazia com que a condição de se sentir representado fosse satisfatoriamente preenchida. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica. 1. MORAL. substitui-se a concretu- de do eleitorado pelo conceito ficto de nação. 364. Revista Ballot . se evapora en parte con la radical separación entre gobernante y gobernado”. Representación política y constitución democrática. mas sim guiado pelos interesses abstratos da nação. A. A. 2004. notando-se que a estandardização de interesses. 33. Acesso em: 18 jul. Revista de Derecho. entendido. perdeu tal qua- lificação.367 O trânsito do Estado liberal para o Estado constitucional. p. em duas dimensões: ampliação dos direitos de participação e contestação pública na seara política. 59. tiene sentido seguir diciendo con seriedad que estamos sendo representados”.363 Para tanto.br/index. aquele da totalidade. Disponivel em: <http://oll. 14. BURKE. Miscellaneous writings. 369. E. necessárias a mobilizar grandes contingentes de pessoas. de sorte que o representante não age de acordo aos interesses dos representados. 2010. 1982. Edmund Burke vê no Parlamento uma assembleia deliberativa da na- ção como um todo. Acesso em: 18 jul. A lei. n. Op. MORALES. conduzida por único interesse. Barranquila.Rio de Janeiro.org/EB- ooks/>. JUÁREZ. 2014.php/ballot . 207-225 http://www. R. MEDINA. 2012. 368. São Paulo: EDUSP. à época. CLEVE. T. A. pp. teve. Poliarquia: participação e oposição. incluindo-se novas classes no sistema representativo e acarretando o desenvolvimento de partidos políticos como estruturas consistentes e fortemen- te organizadas. prevalecia a homogeneidade. Representación política y constitución democrática. 370. M. jan. cit. 48. Liberty Fund. ao passo que esses interesses eram facilmente canalizados pelos nascentes partidos políticos.369 Daí o surgimento do chamado “modelo de massas”370. J. Madrid: Cuadernos Cívitas. antes considerada como a expressão da vontade geral. caracterizado pelo reduzido corpo eleitoral e pela vigência do voto censitário.368 Esse fenômeno implicou a renúncia à identidade ideológica característica dos Parlamen- tos burgueses para dar lugar a casas legislativas heterogêneas e expressivas dos mais diversos interesses sociais. Janeiro/Abril 2016. no máximo. o fim do domínio burguês e a drástica ampliação da escala representativa. DAHL. 367. aliada à proximidade entre representantes e repre- sentados. contudo. n.366 No “modelo parlamentar”. 8. 1991. abstração criada frente à exigência de que o representante deixasse de representar pequenos gru- pos de pessoas e o fizesse em nome da totalidade da nação. e que faz questionar “si. V.uerj. cuando quien representa a pasado a representar a cien. A. 371. 2 N. tendia a ser plenamente satisfeita. consubstanciando-se. S./jun. R. Crisis de las instituciones democráticas. A. como a “expressão de uma vontade política”. A representação. A transformação de hegemo- nias fechadas em hegemonias inclusivas e poliarquias. Madrid: Cuadernos Cívitas. G.365 Assim. Revista de Derecho Político. resultado desse processo. Esse fato é correlato à concepção da representação política associada à ideia ficta de nação.e-publicacoes. 366. Madrid. “lo que se gana hacia la democracia con el paso de la soberanía monárquica a la nacional. MEDINA. o ciento e cincuenta mil.libertyfund. D. Op cit. por consequência. 2014>.

estritamente ligada à deterioração da representação política. Revista Ballot . observa Kelsen (2000). que algumas constituições seguiram a tendência de dispor que o representante.php/ballot . não funciona mais. é lógico então que. composto por sujeitos hipócritas e egoístas que não possuem capacidade de ação alguma. 19-76. fortificou o liame representativo em prol dos próprios partidos. à emergência da sociedade técnica e às transformações experimentadas pelo Estado e 372. que se comporta como uma plateia. Revista Brasileira de Estudos Políticos. p.br/index. 374. assumiu altos níveis de autorreferência. mas irresponsabilizável diante de seus eleitores. Esse panorama de incerteza encaminha à deterioração da credibilidade da metanarração representativa. materializando-se a difícil tarefa de apresentar propostas capazes de atender aos incertos e instáveis desejos dos representados. A crise do Estado de bem-estar social. Parties and party systems: a framework for analysis. 375. D. Teoria geral dos partidos políticos. um inconstante público a ser conquistado. que outrora legitimara. J. R. embora desvinculado do mandato recebido dos eleitores. Op cit.372 Os partidos. os partidos perderam seus referenciais sociais. inseridos nessa crise. mas inapta a criar laços representativos e a governar sociedades cada vez mais cansadas e fartas da política. 2 N. em que os partidos tentam seduzir diariamente o eleitorado. por sua vez. A. O. jan. Entrada en la barbarie. MEDINA. SARTORI. Daí o porquê se falar na “crise da lei”. A. 88. n.uerj. nesse cenário.e-publicacoes. responsáveis pela “deslegitimação” representativa. Tanto é assim. JUÁREZ. alheios às demandas e ao controle realizado pela população. p. la mayor parte de las veces. em grande medida. BARRACHO. Op cit. Cambridge: Cambridge University Press. la conservación del poder”. impuserem à política o “modelo eleitoral”. são. na prática. Belo Horizonte. 207-225 http://www.374 A atividade política dos representantes persegue. J. ao deixar de pertencer ao partido que o enviou para o parlamento. 50. o deputado perca seu man- dato” (Kelsen.375 “La vinculación de los representantes no es respecto a los propios electores sino respecto a un grupo más pequeño de la población cuyo ideal es. 57). 1976. G. à adesão do eleitor a certo partido. pouco fiel e propenso a mudanças. p. 2007. desde que elementos fundamentais na dinâmica de sua estrutura jurídico-política”. 2000. e. 1. p. Janeiro/Abril 2016. R. portanto. opondo- -se ao indivíduo que enxerga na política campo remoto e distante. Os espectadores-representados não se sentem mais identificados com os atores- -representantes. apesar de essenciais “à democracia representativa.Rio de Janeiro. haja vista a impossibilidade de serem estabelecidas relações homogêneas no frag- mentado e heterogêneo complexo em que a sociedade contemporânea se converteu. Tem-se algo definido como uma democracia de audiência. O sistema representativo. J. CAPELLA. Madrid: Trotta. Disso decorre constatação de o voto se limita. interesses partidários. p.373 O desenvolvimento do modelo eleitoral. pois identificam-se a uma maqui- naria capaz de ganhar eleições. e viram-se obrigados a batalhar por apoios amplos e indefini- dos de um eleitorado volátil. 230. “se o candidato obtém um mandato apenas em virtude de pertencer ao partido do eleitor.376 O representante. 376. tão somente. logicamente. 22. pp. é dependente de seu partido. 373. V. A ficção da representação. 1980. o individualismo da sociedade e a multiplicação de processos econômicos. perde-o se abandonar o partido pelo qual foi eleito. que enfraqueceu o vínculo entre representantes e representados. Neste.

1973.381 A separação de poderes. de forma que a sociedade política deixe de ser reunião de cidadãos para se transformar em massa de administrados. J. implicando a colabo- ração mútua entre os poderes para o exercício de mesmas funções. p.br/index. 2 N. “al contrario. G. de outro. porque o processo legislativo não atende ao clamor social por celeridade na satisfação do interesse público. por más que la reacción de éstos limite la domina- ción de aquél”. CLEVE. 207-225 http://www. 27. O risco disso. 2011. Ibid. compele a administração “a socorrer-se do auxílio de especialistas que. Atividade legislativa do poder executivo. portanto. 378 “Atribui-se aos técnicos não somente a participação no governo de um Estado. P. o arranjo institucional de Montesquieu teria sido “conformado” a pa- drões contemporâneos. porque o Legislativo. “o Estado age cada vez mais por meio de outros instrumentos jurídicos que não a lei”. 379. entretanto.php/ballot . 382. tendo em conta que os poderes são.Rio de Janeiro. 1.379 A consolidação do Estado social. dificultou o exercício da atividade legislativa pelo Parlamento.uerj. na ânsia de exigir respostas rápidas e eficientes a problemas novos e emergentes.380 Há. em nome da objetividade ou infalibilidade da ciência ou da técnica. 97. Madrid: Instituto Editorial Reus. compatible con el hecho de la participación de los poderes en las mismas funciones. C. M. [. Ibid... nem sempre estão dispostos a dia- logar com os integrantes do legislativo”. fato acentuado pela automação das modernas técnicas administrativas. SOUZA. M. incumbindo ao Poder Executivo a missão de desempenhar a liderança política e preponderar na dinâmica institucional. p. algo intrínseco à própria dinâmica institucional. V. HAURIOU. p. Ibid. tais quais atos e contratos administrativos. para el gobierno del Estado. Segundo. p. 378. O equilíbrio entre os poderes não tem como pressuposto a igualdade de faculdades. una vida interior permanente y continuada. HAURIOU. pp.. é que o governo das pessoas seja deslocado pela administração das coisas. al mismo tiempo que una garantía de la libertad. teria sentido flexível. de un sistema ligado y equilibrado de pode- res. hay uno que domina a los otros. 380. São Paulo: Saraiva.] a função superior deliberativa em face de im- portantes decisões a tomar”. desde sua origem. sim. mas contribuem mutuamente para o exercício das mesmas competências. 50. D. p. São Paulo: Revista dos Tribunais. independentes. contudo. O Estado tecnocrático. Revista Ballot . Terceiro. M. De um lado.377 A sociedade civil.e-publicacoes. 381. outro lado. p. cuyo juego constituye. 1927. Janeiro/Abril 2016. 377. composto de mandatários eleitos. Principios de derecho público y constitucional. em razão da deslegiti- mação da representação política. Por consequência. Por isso a terminologia “separação” pode ser enganosa.pela sociedade.. carece da técnica e conhecimento de que são dotados os especialistas. Primeiro. 377. o poder Legislativo vem atuando como jamais atuou. es decir. Maurice Hauriou entende que se trata de una separación mitigada. 49. 381.382 Há oscilação.] mas ainda [. Interpretando diversamente Montesquieu.

os PLOs propostos pelo Prefeito e por Vereadores. 384. Ibid. Para Hauriou para salvar a coisa pública frente a acontecimentos urgentes. 1. Janeiro/Abril 2016. legislaturas fortes conduzem à estabilidade democrática. tendo em vista o dispêndio de tempo reclamado pela operação de- liberativa. “La supremacía del poder ejecutivo se afirma en los tiempos de crisis. Em estudo recente. mas excelente órgão de governo. exatamente por poder agir e executar.br/index.] [e] partidos mais fortes exerciam de melhor maneira a tarefa de conectar pessoas e eleitos. Em 2012.. por ser ele executor das ações necessárias à manutenção do Estado. certas variáveis. mas detestável órgão de gover- no. a partir de dados empíricos. 17. 14. assim qualificados pelo sistema. Metodologia Nesta parte.383 O Poder Legislativo. e considerados. e entre 383. ao revés. Revista Ballot . à finalidade comparativa. foram examinados todos os projetos de lei categorizados Pro- jetos de Lei Ordinária no sistema online de proposições legislativas da Câmara Municipal de Curitiba. 3. Stronger legislatures stronger democracies. que Parlamentos fortes garantem “accounta- bility” horizontal. As pessoas ganham liberdade e influência na forma como são governadas.. n. V. e não discutir. ensejando questionamento acerca das possíveis implicações sobre a dinâmica entre Executivo e Legislativo. servem de controle eficiente sobre o Executivo. Por mais de 20 anos. porque governar consiste em executar. seria excelente fonte de direito. períodos imediatamente posteriores às eleições de 2008 e 2012. apenas. o poder Executivo seria péssima fonte de direito. Legislaturas fracas. pp. portanto. o Poder Exe- cutivo estaria fortificado. Curitiba foi governada por um mesmo grupo político. jan. “onde as legislaturas eram mais fortes. No entanto. Com efeito. 2006.384 A participação política popular. é robustecida mediante um Legislativo verdadeira- mente forte e inclusivo.Rio de Janeiro. reafirmando a tese que vê no Executivo o poder preponderante na dinâmica institucional. 2 N. cuando es necesario sustituir la separación de poderes por una cierta concentración de éstos”.e-publicacoes. 207-225 http://www. hábeis a possibilitar o desenvolvi- mento de paralelismos entre vereadores e prefeito dentro do mesmo lapso temporal. FISH. 1. parece que o Poder Legis- lativo se encontra exageradamente inferiorizado na conjectura atual. Elegeu-se. M. Jounal of Democracy. S. e estimulam a formação de partidos. v. 445. apesar de vários nomes terem ocupado o cargo de prefeito. p. Nesse condão. De outro lado. Steven Fish conclui. Realizou-se levantamento dos Projetos de Lei Ordinária (PLOs) apresentados pelo prefeito e pelos vereadores de Curitiba nos anos de 2009 e 2013. HAURIOU. inclinam-se a obstaculizar a participação popular na política. do município de Curitiba.uerj. representação política e separação de poderes imiscuem-se nos dados a respeito do processo legislativo local. por sua vez. as pessoas investiam mais em partidos e estes cresciam fortalecidos [. promovendo accountability vertical”. a continuidade foi quebrada com a eleição de grupo diverso. entretanto.php/ballot . apesar de a sociedade reivindicar constantemente prestações rápidas e efica- zes. A amostra não considerou os Projetos de Lei Ordinária de declaração de utilidade pública e denominação de bem público. p. A escolha desses lapsos se deu face à mudança no poder local. precisamente. Para fins deste trabalho.

Felipe Braga Cortês. Pedro Paulo e Professora Josete (PT). Quanto ao tempo de tramitação. conforme fórmula: PLOs-sucesso/PLOs-total. 1. São elas referentes ao resultado e ao tem- po médio de tramitação dos Projetos de Lei Ordinária na Câmara Municipal de Curitiba. Logo. Odilon Volkmann. Cantora Mara Lima. do tempo de tramitação de todos os PLOs apresentados por determinado agente político pelo número de PLOs de sua autoria. partido in- tegrante da Coligação “O Trabalho Continua”. em especial. obtida mediante a divisão do n. resta a classificação dos vereadores. elegeu-se Prefeito Municipal Gustavo Fruet.br/index. partido integrante da Chapa “PT. Mario Celso Cunha e Tico Kuzma (PSB). residualmente. PRP. obtida mediante a di- visão do n. DEM. Francisco Garcez. uma classificação dual foi selecionada: sucesso e insucesso. Apresentadas as variáveis. A categoria insucesso é visualizada na variável taxa de insucesso. PR. em dias. Paulo Frote e Serginho do Posto (PSDB). 2 N.º de PLOs com resultado positivo pelo número total de PLOs apresentados por determi- nado agente político. são considerados vereadores oposicionistas/neutros os demais. adquirem relevância dois dados.php/ballot . Foram considerados vereadores oposicionistas/neutros. Em segundo. Professor Galdino e Roberto Aciolli (PV). o tempo médio de tramitação dos PLOs com resultado positivo (sucesso). em dias. Caíque Ferrante (PRP). retirado pelo autor.º de PLOs com resultado negativo pelo número total de PLOs apresentados por determinado agente político. A segunda se refere aos PLOs que tiveram resultado negativo: arquivado pelo fim da legislatura. Valdemir Soares (PRB). apenas. Omar Sabbag Filho. PDT”. Em pri- meiro. na análise dos PLOs apresentados em 2009. aferido por meio da divisão da soma. aferido através da divisão da soma. PV. Julieta Reis e Sabino Picolo (DEM). Emerson Prado. con- forme fórmula: PLOs-insucesso/PLOs-total. integrada por PSDB. Roberto Hinça e Tito Zeglin (PDT). e vetados integralmente pelo Executivo. Aldemir Manfron e Juliano Borghetti (PP). os PLOs anexados e os ainda pendentes. Denilson Pires. São considerados pendentes os PLOs cujo trâmite ainda não havia se encerrado até 08/09/2015. Renata Bueno e Zé Maria (PPS). Em 2012.Rio de Janeiro. em 2009. desconsiderados os PLOs anexados e os ainda pendentes. Em 2008. rejeitado em plenário. Quanto ao resultado. e promulgado com veto derrubado. o tempo médio de tramitação geral. no momento da eleição. Jair Cezar. Janeiro/Abril 2016.uerj. PSB. a partidos pertencentes à coligação que tenha eleito o prefeito municipal. 207-225 http://www. Jairo Marcelino. PPS. PDT. Julião Sobota (PSC). A categoria sucesso é visualizada na variável taxa de sucesso. arquivado pelas co- missões. elegeu-se Prefeito Municipal Carlos Alberto Richa. desconsiderados. Logo. A pri- meira se refere aos PLOs que tiveram resultado positivo: promulgado/sancionado. Aladim Luciano. Noemia Rocha e Algaci Tulio (PMDB). pelo número de PLOs-sucesso apresentado por determinado agente político. São considerados vereadores governistas aqueles filiados. promul- gado com veto parcial mantido. PSL. PSDC e PTN. Revista Ballot . pelo PSDB. foram conside- 385. João do Suco. con- tada da ‘data do protocolo’ ao ‘último trâmite’. e Dirceu Moreira (PSL). os demais: Jonny Stica. pp.vereadores e prefeito em lapsos temporais diversos. V. desconsiderados os PLOs anexados e os ainda pendentes385. Dona Lourdes. PP. João Claudio De- rosso. na análise dos PLOs apresentados em 2013. efetuada a partir da duali- dade governistas e oposicionistas/neutros.e-publicacoes. pelo PDT. foram considerados vereadores governistas: Beto Moraes. do tempo de tramitação de todos os PLOs-sucesso. Celso Tor- quato.

em áreas como saúde. Tico Kuzma.br/index. LIMONGI. à taxa de sucesso de 89. desempenho do legislativo e consolidação institucional. operando taxa de sucesso de 20. fixação de vencimentos e gratificações de funcionários públicos. e os aprovava com facilidade. alienação de bens.. Hélio Wirbiski. O objeto os diferencia. profissões. Revista Ballot . Vide: FIGUEIREDO. como também aquelas que regulam uma gama mais ampla de atividades sociais. p. F. educação. 386. Ao cabo. habitação. como afirmado. direitos civis etc”. Grande parte das leis compreendidas na área administrativa são da competência ex- clusiva do Executivo ou do Judiciário. Mudança constitu- cional. previdência. é realizado cotejo comparativo entre os dois períodos. c) e averiguar se os vereadores governistas são privilegiados na aprovação de seus PLOs. apresenta PLOs relativos a questões da administração pública municipal. n. somente 39 foram aprovados. os vereadores.] As leis sociais compreendem não só leis referentes a programas sociais. exposto em formato tabular. etc. Dados Logo abaixo. econômica. Noemia Rocha (PMDB). verifica-se que o Prefei- to participava ativamente do processo legislativo. justiça. é menor do que o número de PLOs aprovados pelo prefeito. Tito Zeglin e Jorge Bernardi (PDT). criação de órgãos. Valde- mir Soares (PRB). Pier Petruzziello e Geovane Fernandes (PTB). 207-225 http://www. Felipe Braga Cortês e Beto Moraes (PSDB). [. 50. há de ser compreendido de forma parcimoniosa. Mestre Pop. Em primei- ro. A. Foram considerados vereadores oposicionistas/neutros. Cristiano Santos. Os vereadores. definição de competência. stricto sensu. Carla Pimentel. apresentam-se os dados de resultado e tempo de tramitação dos PLOs propostos em 2009. Colpani. vide classificação de Figueiredo e Limongi386. principalmente relativos a questões sociais. uma última. Referem-se a: criação e extinção de cargos e órgãos públicos. Visa-se a: a) quantificar a participação do poder executivo municipal no processo legislativo. Propunha muitos PLOs.). social. os demais: Professor Galdino. tais como meio ambiente. houve alguma mudança no que diz respeito à conjuntura do processo legislativo local. na figura 1. 29. Dentre aqueles apresentados em 2009. 1995. “Distinguimos cinco áreas: administrativa.uerj. as doações e alienações de bens móveis ou imóveis da União. Chicarelli e Cacá Pereira (PSDC). após a eleição de 2012. Foram também incluídas na categoria de leis administrativas. em 2013. V. inclusive. pp. O exame que segue. Jonny Stica e Pedro Paulo (PT). O número de PLOs aprovados pelos 38 vereadores.rados vereadores governistas: Professora Josete. Aladim Luciano e Paulo Salamuni (PV). Chico do Uberaba (PMN). os dados relativos ao ano de 2013. fixação de efetivos da força militar ou policial. e Dirceu Moreira (PSL). 1. referente ao exame de resultados de 2009. Jairo Marcelino (PSD). Sabino Picolo e Julieta Reis (DEM). 2 N. o estabelecimento de limites entre estados da federação. a anistia de dívidas. Tia- go Gevert. etc.. Dona Lourdes e Mauro Ignácio (PSB). Serginho do Posto. político-institucional e.3%.e-publicacoes. Toninho da Farmácia e Aldemir Manfron (PP). Janeiro/Abril 2016.php/ballot . trabalho.Rio de Janeiro. a teor da amostra analisada. b) verificar a participação dos vereadores no processo legislativo. Ailton Araújo. Paulo Rink e Zé Maria (PPS).. em segundo. Bruno Pessuti e Rogério Campos (PSC). Revista Brasileira de Ciências Sociais. 175-200. referente a homenagens. Tal dado. com o objetivo de constatar se. evidentemente. Em nada se aproximam os PLOs de autoria do prefeito de vereadores. O prefeito. em que foi eleito grupo político diverso à Prefeitura Municipal de Curitiba. essencialmente referentes à organização da administração pública municipal (definição de salários do fun- cionalismo. por sua vez. 4.6%. organiza-se cronologicamente. composição e funcionamento de órgãos governamentais. aprovavam poucos PLOs.

não diz muito. 2 N.Taxa de sucesso na aprovação de PLOs Jan – Dez 2009 PLOs PLOs PLOs PLOs PLOs Taxa Agente político apresentados pendentes anexados sucesso insucesso sucesso Prefeito 56 0 0 50 6 89. não se investigam a fundo as causas de tal constatação.Rio de Janeiro. Esse número diminuía para 465 em se tratando de vereador governista.9 Vereadores oposicionistas/ 977 1451. 1. novamente. Um PLO apresentado por vereador levava em média 557 dias à apro- vação. Propôs 44 PLOs. Não é possível afirmar. Quanto aos vereadores. contudo. ostentam taxa de Revista Ballot .4 144. conforme figura 3. que o prefeito participa ativamente do processo legislativo local. 29.9 691.3% Vereadores 199 3 7 39 150 20. momentaneamente. pp. Neste ponto. que a aprovação mais célere se deva ao fato de o vereador qualifica- do governista. no entanto. pois.1 Vereadores 556. 207-225 http://www. mas adquire relevância na análise comparativa. comportando taxa de sucesso de 95. não se pode dizer o mesmo. V. e aumentava vertiginosamente para 977 se a autoria coubesse a um vereador oposicionista/neutro. Os vereadores governistas. com taxa de sucesso de 11.uerj. Figura 2 – Tempo médio de tramitação PLOs (em dias) Jan – Dez 2009 Média de tramitação Média de tramitação PLOs Agente político PLOs-aprovados (sucesso) em geral (sucesso e insucesso) Prefeito 112. Quanto à distinção entre vereadores governistas e oposicionistas/neutros. em média 112 dias. verifica-se. parece revestir-se de importância referida distinção. de momento.5% neutros Em termos de tramitação.8 764 Vereadores governistas 464. verifica-se que os primeiros possuíam taxa de sucesso de 25%. levemente superior aos segundos.5%. Figura 1 . a tramitação do PLO parecia ser acelerada ou demorada. a depender do alinhamento do vereador. Tal dado. dentre os quais. muito su- perior àquela dos vereadores. visto que. apenas um anexado e um PLO-insucesso. a figura 2 (2009) demonstra que os PLOs apresentados pelo prefeito eram aprovados de maneira célere.3%.br/index.6% Vereadores 137 3 6 32 96 25% governistas Vereadores oposicionistas/ 62 0 1 7 54 11.e-publicacoes.php/ballot . Janeiro/Abril 2016.8 neutros Quanto aos PLOs propostos em 2013.8%.

a que os governistas aprovem seus projetos com mais facilidade. em 390 dias. os segundos.9 231. 372 dias.1%. Janeiro/Abril 2016.4 oposicionistas/neutros Revista Ballot .php/ballot .e-publicacoes. mais elevada se comparada àquela dos oposicionistas/neutros. pp. contudo.uerj.Média de tramitação PLOs Agente político -aprovados (sucesso) em geral (sucesso e insucesso) Prefeito 143.br/index.1% governistas Vereadores oposicionistas/ 358 146 8 56 148 27. Figura 4 – Tempo médio de tramitação PLOs (em dias) Jan – Dez 2013 Média de tramitação PLOs.Rio de Janeiro. Figura 3 .4 Vereadores governistas 390 263.8% Vereadores 50 12 0 16 22 42. 27.5%. Os primeiros.1 Vereadores 372 236. Demora mais. 1.Taxa de sucesso na aprovação de PLOs Jan – Dez 2013 PLOs PLOs PLOs PLOs PLOs Taxa Agente político apresentados pendentes anexados sucesso insucesso sucesso Prefeito 44 0 1 41 2 95. para que os vereadores aprovem seus PLOs. 207-225 http://www. não é refletida aqui. em 370 dias. além disso. V. A tendência assinalada na figura 3. em 144 dias. a figura 4 aponta que os PLOs de autoria do prefeito são aprovados de maneira célere. Os vereadores oposi- cionistas/neutros aprovam seus projetos mais rapidamente do que os vereadores governistas. 2 N.4 Vereadores 366.9 140.5% neutros No que diz respeito à tramitação.sucesso de 42. Isso transparece a inexistência de rela- ção entre o sucesso na aprovação de PLOs e o tempo médio de tramitação dos projetos.3% Vereadores 408 158 8 72 170 29. sem que haja investigação mais profunda dos motivos desse fato. portanto. Há tendência.

1.3% Figura 6 – Prefeito: tempo médio de tramitação PLOs (em dias) Jan – Dez 2009/ Jan – Dez 2013 Média de tramitação PLOs-aprovados Média de tramitação PLOs em geral Ano (sucesso) (sucesso e insucesso) 2009 112. 207-225 http://www. Até mesmo as taxas de tramitação geral caíram. A mudança do grupo político.4 144. que acarreta tais facilidades. é de se ressaltar a presença de muitos PLOs ainda pendentes de deliberação terminativa. Mesmo assim.1 2013 143. quase pela metade. 2 N. e tramitam rapidamente.5. Para tanto. que. o exame permite dizer que o trâmite dos PLOs se abreviou sensivelmente em comparação a 2009. É o qualificativo de ser prefeito. como um todo. que a Legislatura 2013-2016 trabalha.9 140. portanto.e-publicacoes. raramente enfrentam insucesso. os dados demonstram ter havido. RESULTADOS Em relação ao Prefeito. Um vereador da Legislatura 2013-2016 leva 33% menos tempo para aprovar um PLO: de 557 para 372 dias. Nem mesmo é possível afirmar que referida tendência exista.php/ballot .3% 2013 44 0 1 41 2 95. Janeiro/Abril 2016. Revista Ballot . te- nha aumentado a influência dos representantes locais ou do Legislativo como um todo. Figura 5 – Prefeito: Taxa de sucesso na aprovação de PLOs Jan – Dez 2009/ Jan – Dez 2013 PLOs PLOs PLOs PLOs PLOs Taxa Ano apresentados pendentes anexados sucesso insucesso sucesso 2009 56 0 0 50 6 89. Não é possível concluir. entre 2009 e 2013. de forma mais célere. não houve grandes mudanças quanto à sua participação legislativa. pp. Isso conduz à seguinte conclusão: as taxas de sucesso e tramitação vinculam-se mais ao cargo de prefeito do que à pessoa que o ocupa. portanto. Seus projetos são facilmente aprovados. abaixo. entretanto. Pode-se dizer. a título das figuras 7 e 8. V. nesse sentido. tími- do aumento da taxa de sucesso.1 Quanto aos vereadores. não implicou alterações nessa seara. analisando os PLOs em tempo mais enxuto.Rio de Janeiro. seria necessária análise prolongada no tempo. constata-se que. Por outro lado. a teor das figuras 5 e 6.uerj.br/index. como corolário.

Figura 7 – Vereadores: taxa de sucesso na aprovação de PLOs Jan – Dez 2009/ Jan – Dez 2013 PLOs PLOs PLOs PLOs PLOs Taxa Ano apresentados pendentes anexados sucesso insucesso sucesso 2009 199 3 7 39 150 20. para 42. De qualquer forma. pouco se alterou: houve singela redução de 17% na espera.6% 2013 408 158 8 72 170 29. 1. Além disso. Referido alinhamento pode ser uma das causas do acréscimo.9 2013 390 263. V.4 Revista Ballot .Vereadores governistas: taxa de sucesso na aprovação de PLOs Jan – Dez 2009/ Jan – Dez 2013 PLOs PLOs PLOs PLOs PLOs Taxa Ano apresentados pendentes anexados sucesso insucesso sucesso 2009 137 3 6 32 96 25% 2013 50 12 0 16 22 42. Considerando o trâmite de PLOs-sucesso e insucesso. esse fenômeno não pode ser atribuído exclusivamente ao status de governista. em 2013. Janeiro/Abril 2016.9 691. podem ter exercido alguma influência sobre os números. Com efeito.4 As figuras 9 e 10 sinalizam que a taxa de sucesso dos vereadores governistas aumentou de 25%. No tocante à tramitação dos PLOs aprovados.br/index. parece adequada a percepção de que os vereadores governistas têm sido mais efetivos na aprovação de seus PLOs.php/ballot . outros fatores corre- latos.1%. 2 N. a tramitação média diminuiu 62%.1% Figura 10 – Vereadores governistas: tempo médio de tramitação PLOs (em dias) Jan – Dez 2009/ Jan – Dez 2013 Média de tramitação PLOs-aprovados Média de tramitação PLOs em geral Ano (sucesso) (sucesso e insucesso) 2009 464.Rio de Janeiro. A média geral de tramitação. mostra-se alinhada à tendência da Legislatura 2013/2016 de deliberar em prazos mais exíguos. de 692. mas é tortuoso precisá-las com certeza e exatidão. 207-225 http://www. em comparação aos governistas de 2009. pp.8 574 2013 372 236.8% Figura 8 – Vereadores: tempo médio de tramitação PLOs (em dias) Jan – Dez 2009/ Jan – Dez 2013 Média de tramitação PLOs-aprovados Média de tramitação PLOs em geral Ano (sucesso) (sucesso e insucesso) 2009 556. em 2013. para 263 dias. Figura 9 . cuja identificação escapa deste trabalho. em 2009.e-publicacoes.uerj. contudo. em 2009.

vem deliberando sobre os PLOs. não tendo havido grandes mudanças entre 2009 e 2013. pp. aprovando pouco e propondo muito. é a diminuição do tempo de tramitação dos PLOs aprovados: a redução superou 60%. bem assim a preva- lência do Executivo. os vereadores governistas aumentaram sensivelmente suas taxas de sucesso. verifica-se cres- cimento da taxa de sucesso de 11. Quanto a isso. Janeiro/Abril 2016.5% para 27.e-publicacoes. par- ticipa ativamente do processo legislativo local.Rio de Janeiro. portanto. e) o fato mais perceptivo e relevante é a celeridade com que a atual Legislatura. 2 N. Verifica-se. que despencou de 1452 para 232 dias.php/ballot .br/index.5% 2013 358 146 8 56 148 27. c) de 2009 a 2013. mas as causas desse crescimento são incon- clusivas. de outro. Quanto aos vereadores oposicionistas/neutros. contudo.4 É possível dizer. b) os vereadores aprovaram poucos PLOs. de 977 (2009) para 367 dias (2013). 1. De um lado.5% Figura 12 – Vereadores oposicionistas: tempo médio de tramitação PLOs (em dias) Jan – Dez 2009/ Jan – Dez 2013 Média de tramitação PLOs-aprovados Média de tramitação PLOs em geral Ano (sucesso) (sucesso e insucesso) 2009 977 1451. V. 2013-2016. Figura 11 . o em 2009 e em 2013. são fatores presentes na política local. brevemente. d) houve leve melhoras nas taxas de sucesso dos vereadores oposicionistas/neutros.8 2013 366. que: a) o prefeito.9 231.Vereadores oposicionistas/neutros: taxa de sucesso na aprovação de PLOs Jan – Dez 2009/ Jan – Dez 2013 PLOs PLOs PLOs PLOs PLOs Taxa Ano apresentados pendentes anexados sucesso insucesso sucesso 2009 62 0 1 7 54 11. O mais impressionante. vereadores que dão poucas respostas à sociedade. não houve alterações. redução de 85%. consoante figuras 11 e 12. o que representa maior afinco no exercício da atividade legislativa. O mesmo se diz a respeito da média de tramitação geral. que a crise da lei e da representação política. Revista Ballot . diferentemente do trâmite lento e difícil enfrentado pelos vereadores. A diminuição do tempo de tramitação média e de aprovação foi drástica. aprovando seus PLOs de forma rápida e efe- tiva.uerj. 207-225 http://www.5%. aumento de 59%. independentemente da conjectura. um Prefeito a quem compete a liderança política.

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Eneida Desireé. 1. 2 N.Recebido em: 23/12/2015 Aceito em: 05/01/2016 Como citar SALGADO.0 Não Adaptada.br/index. pp. pp. 207-225 http://www.uerj. O princípio da separação de poderes e a crise da representação política: a dinãmica legislativa no município de Curitiba. Volume 2 Número 1 Janeiro/Abril 2016.php/ballot] A Revista Ballot está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição .e-publicacoes. Rio de Janeiro: UERJ. Disponível em: [http://www. Revista Ballot .e-publicacoes. Janeiro/Abril 2016. V. NATIVIDADE.uerj.br/index.Não Comercial . 207-225.php/ballot . João Pedro Kostin Felipe de. Ballot.Compartilha Igual 3.Rio de Janeiro.