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XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica

Geotecnia e Desenvolvimento Urbano
COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil
©ABMS, 2018

Avaliação dos materiais de jazida para revestimento primário do
município de Maquiné-RS e propostas de otimização
Augusto Bopsin Borges
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil, augusto.borges@ufrgs.br

Washington Peres Núñez
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil, wpnunez@superig.com.br

Luiz Antônio Bressani
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil, bressani@ufrgs.br

Leandro Olívio Nervis
Universidade de Santa Cruz do Sul, Santa Cruz do Sul, Brasil, leandron@unisc.br

RESUMO: Este artigo apresenta, com base no estudo dos materiais de jazida do município de
Maquiné-RS, uma adaptação do método sul-africano de dimensionamento de camadas granulares de
pavimentos aplicada ao dimensionamento e manutenção de camadas de revestimento primário de
estradas vicinais, que tem como parâmetros de entrada as tensões atuantes na camada granular de
revestimento e parâmetros de resistência do solo. Para tanto, foram determinados os parâmetros de
resistência ao cisalhamento e de comportamento resiliente dos materiais utilizados pelo município
por meio de ensaios triaxiais monotônicos e de cargas repetidas, respectivamente, em condições
ótimas de umidade, e calculadas as tensões atuantes por meio de uma análise mecanística. Com a
análise dos dados resultantes propõe-se a utilização do parâmetro do método que pondera as
condições de umidade/drenagem, como um parâmetro calibrável para seu uso em revestimentos
primários. Tal abordagem é complementar às recomendações gerais propostas por outros autores
quanto à conformação geométrica, sistemas de drenagem, dentre outras, e traz maior racionalidade
ao uso do material, utilizando parâmetros de resistência e de deformabilidade elástica do mesmo.

PALAVRAS-CHAVE: Revestimento Primário, Estradas Vicinais, Mecânica dos Pavimentos,
Mecânica dos Solos.

1 INTRODUÇÃO porcentagem das estradas de revestimento
primário em relação à malha rodoviária
No Brasil, em particular, o escoamento da brasileira.
produção agrícola de municípios rurais, antes de
seguir por rodovias de pavimentos flexíveis, de Tabela 1. Configuração da malha viária brasileira
classe operacional elevada, começa seu Jurisdição (%)
Municipal

percurso por estradas de revestimento primário,
Estadual

Extensão
Federal

chamadas secundárias ou vicinais que são, em Vias
(km)
sua maioria, de responsabilidade dos
municípios.
Pavimentadas 2,11x105 30,7 56,6 12,7
A tabela 1 mostra, com base em dados do
Não pavimentadas 1,35x106 0,9 7,8 91,3
DNIT (2015), a distribuição de responsabilidade
TOTAL 1,56x106
de operação manutenção de tais estradas e a

segundo o mapa geológico. claramente impróprios à . com torrões friáveis e baixo teor aparente de finos quando Quando se avançam frentes de exploração de revolvido. a importância das estradas vicinais para municípios rurais e o fato de que as especificações nacionais e internacionais para o tema são muito escassas e não poucas vezes divergentes. facilmente lixiviável por água da rocha menos alterada. Peraça. Material. Localização aproximada da jazida e do depósito intermediário (CPRM. Brasil ©ABMS. 2018 Tendo em vista o elevado percentual das estradas não pavimentadas de responsabilidade municipal. 2010 e 2016. saprolítico de basalto vesicular. neste trabalho propõe-se uma abordagem racional para o uso dos materiais de jazida. 2016. sendo recolhido para uso. O material de jazida. já foi objeto de estudo por outros pesquisadores (Nervis. 2 MATERIAIS E MÉTODOS 2. Bahia. é predominantemente fruto de derrames basálticos. sendo um solo solo. resultado do desmonte de massa de por processo táctil-visual. através do cálculo de um número de repetições de carga aproximado e calibrável com emprego do Método Sul-Africano de dimensionamento de pavimentos flexíveis (SANRAL. que se utiliza de parâmetros Figura 1. Os materiais analisados para avaliação do método são provenientes de jazida em uso no município de Maquiné-RS. maiores dimensões.XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica Geotecnia e Desenvolvimento Urbano COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro.1 Material Explorado e Situação Cadastral da Manutenção das Estradas Vicinais Figura 2. Aplica-se essa proposição para avaliação dos materiais de jazida utilizados no município de Maquiné – RS. 2016). o que se confirma in loco Figura 3. Material da jazida explorada pelo município. extrapolando-o de forma a se tornar uma ferramenta útil para uso em pavimentos de revestimento primário. adaptado). de resistência ao cisalhamento dos solos. A figura 1 mostra a localização da jazida no mapa geológico (CPRM. 2014). encontram-se blocos de chuva (figuras 2 e 3). Salvador. 2007). O uso experimental do modelo. assim como o local onde é depositado parte do material extraído para posterior utilização em locais mais distantes. extrapolado para o cálculo de camadas de revestimento primário de estradas não pavimentadas.

2016b). se os materiais de menor dimensão média. pavimentos de revestimento primário e sua 2016d). que foi granulométrica eficiente antes de serem compactado na energia Intermediária e com aplicados na via.XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica Geotecnia e Desenvolvimento Urbano COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro. Não há nenhum seco) apenas com material passante na peneira sistema de gerenciamento ou método de #4. O ensaio de compactação foi realizado em 14 quase em sua totalidade. A malha viária do município de Maquiné é. por ser um 2016a) e a massa específica real dos grãos (ρs) material extremamente grosseiro e inadequado determinada segundo a norma NBR 6458 para uso como revestimento primário. não possuindo o município qualquer material passante na peneira ¾’’. mostrado na figura 1. Ademais. segundo (ABNT. 2005. compactados na energia Normal. mas os mesmos umidade foram mantidos por 4 horas em sacos não se encontram facilmente disponíveis e não plásticos reforçados e hermeticamente fechados. mais banco de dados organizado que possa ser representativo da granulometria original e consultado. DER/SP. em quatro ensaiado com a curva granulométrica do setores distintos do mesmo.2 Ensaios de Compactação e Massa intuitivamente. Eventualmente seria possível idealmente mais adequado para uso. A curva de compactação utilizando material DER/PR. material passante na peneira 1’’ (25. nas mesmas umidades. para avaliar-se a consistência da curva ser representativo do utilizado como anterior e efeito do tempo de uniformização de revestimento primário. À exceção deste último.2 mm). 2. de forma a horas.2 Ensaios de Resistência ao Cisalhamento e Comportamento Resiliente . foi elaborada somente para verificar se o formato desprezado igualmente o material retido na da curva de compactação para correspondente peneira ¾” (19. Específica Real dos Grãos. que são desprezados 2.1.1 Amostragem e Ensaios Classificação e de úmido bem definidos nos pontos ensaiados. e 8 ensaiados no cilindro grande avaliação da durabilidade das manutenções e preconizado pela mesma norma. material retido na peneira de 3”. Para os adequado para cilindro Proctor (pequeno) foi ensaios de comportamento mecânico. Brasil ©ABMS.4 mm) para Como na manutenção dos pavimentos os se avaliar a quebra do material quando materiais não sofrem nenhuma seleção compactado. foi utilizado o trecho. encontram-se agregados de granulometria distinta.05 mm) por limitação do faixa granulométrica ainda mantinha o formato diâmetro das partículas em relação ao diâmetro não usual. 2005. As amostras Para a realização dos ensaios laboratoriais. Bahia. umidade. um único ponto foi intermediário. segundo a NBR 7182 (ABNT. formada de corpos de prova.1. todo procedimentos da norma NBR 6457 (ABNT. Caracterização compactaram-se outras 3 amostras. dos corpos-de-prova (CP’s) dos ensaios. Como não se obtivesse uma curva clássica de compactação com ramo seco e 2. as especificações brasileiras (DNIT. foi coletado no depósito umidade. superiores a 3” (76. foi foram preparadas de acordo com os desprezado. sem maiores critérios. Salvador. Nestes e nos intervalo entre manutenções em um mesmo ensaios triaxiais subsequentes. sendo 5 deles ensaiados no cilindro manutenção é realizada de forma a responder às pequeno (dois no ramo úmido e três no ramo necessidades mais urgentes. 2018 utilização na pista. pesquisar ordens de serviço ou outros Os materiais preparados com cinco teores de documentos administrativos. todos os outros foram dimensões elevadas. utilizam. 2006). com tempo de uniformização de 24 O material amostrado para estudo. têm o objetivo direto de disponibilizar tais mantidos em sala úmida para uniformização da informações. sem escalpo ou substituição.

2. comportamento resiliente do material nas Para materiais granulares.65 para pressão atmosférica (igual a 0. principais (= 1 + 2∙3 = d + 3∙3) (Medina e  K     3  tan  45   / 2   1 Motta. 2005).1 Triaxiais Monotônicos Africano Foram realizados três ensaios triaxiais Para se avaliar o desempenho de uma estrada monotônicos do tipo UU (não-consolidado. com o material compactado na de revestimento primário e subleito.0 (WSDOT. excessivamente úmido.510819. comportamento resiliente é sensível à tensão de calculado com fatores de equivalência da confinamento (3) ou à soma das tensões AASHTO (NAASHTO).65% e trabalhou-se nesta ser executados de forma a assegurar que não umidade. Bahia. As relações entre os módulos de  F 2  1   3  resiliência dos materiais e os estados de tensões atuantes são descritos pelos modelos dados nas equações 1 e 2. Como não se obteve conhecidos da Mecânica dos Solos e da para o material passante na peneira 19 mm um Mecânica dos Pavimentos para cada camada pico na curva de compactação. Salvador. sendo o modelo da equação 2 de 2c tan  45   / 2  (3) particular relevância neste caso por ser o modelo empregado no software utilizado para o NAASHTO  10 F  (4) cálculo de tensões por análise elástica linear: o Everstress© 5.  e  são parâmetros do modelo que variam em função do MR  k1  3k2 (1) nível da rodovia e nível de confiabilidade k2 desejado. Tal energia Proctor Normal. quais sejam: os pavimentos devem ótima a umidade de 11. Nas equações 1 e 2. O Método Mecanístico-Empírico de Dimensionamento de Pavimentos da República 2. 2018 2. Para estradas vicinais de baixo tráfego    (nível de confiabilidade de 50%)  = 2. os modelos das equações 3 e 4 para o cálculo do Por se tratar de um solo granular. 2000). a partir da qual o material se torna limites admissíveis. Este grau de saturação camada(s) que os compõem e que as corresponde a um limite de trabalhabilidade em deformações – permanentes – não excedam campo. MR é o módulo de resiliência (em MPa). cisalhamento e contra deformações permanentes ME (DNIT. o método propõe condições já citadas.605122 MR  k1    (2)  patm  e  = 4.5. para determinação dos avaliação dá-se segundo critérios bem parâmetros de resistência. Brasil ©ABMS.3 Modelo de Previsão de Desempenho Sul- 2. 2010) para determinação do excessivas no topo do subleito. K assume valores em função k1 e k2 são parâmetros do modelo e patm é a da umidade do solo sendo K = 0. fez-se uma não-drenado) com tensões confinantes de 12. 2014) apresenta modelos que permitem avaliar a segurança de Foi realizado um ensaio triaxial de cargas camadas granulares contra a ruptura por repetidas como preconizado pela norma 134. vicinal ao longo de sua vida útil. correspondente à aproximadamente rompam por cisalhamento do(s) solo(s) da(s) 80% de saturação. material saturado e K = 0. seu número admissível de cargas de eixo padrão.101 MPa). No modelo 3. Também a deformação vertical admissível .95 para material no ramo seco da curva de compactação. adotou-se como individual.2.XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica Geotecnia e Desenvolvimento Urbano COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro. análise estrutural do pavimento com a camada 50 e 100 kPa.2 Triaxial de Cargas Repetidas da África do Sul (SANRAL.

foi analisado o (A. conforme figura 5. B ou C) e estruturas de revestimento (1. Quanto menos 3 25 deformável for subleito. Salvador. Subleito 1 (15 cm) Subleito 2 (∞) Condição distribuída entre as rodas de um eixo MRsubleito (MPa) MRsubleito (MPa) A 50 100 simples de rodas duplas (20.5 kN/roda).1 Resultados dos ensaios de caracterização e classificação do material de jazida . Figura 4. METODOLOGIA EMPREGADA 3. aqui apresentados e outros mais. adotando-se as disponíveis em Borges (2016). depende 2 20 daquela da camada de suporte.0. Condições de subleito avaliadas. Bahia. maior será o módulo de deformação elástica da camada granular. Na tabela 3 são apresentadas espessuras do revestimento primário para cada uma das 3 RESULTADOS OBTIDOS POR estruturas analisadas. variando o ou 3). de centro a centro de cada roda. estão faixa para solos de subleito. distando. Um corte genérico de exemplo da estrutura analisada segue na figura 4. 30 cm uma vez que há evidências de patologias nas (figura 9). Tais valores são tidos como apropriados. pois a deformabilidade do 1 15 revestimento primário. vias rurais do município devidas à saturação do c) pressão de inflação dos pneus 560 kPa.15). subleito por cursos d’água marginais à via e/ou d) pontos de avaliação das tensões devidas à baixa resistência do solo de fundação em si. ao carregamento nos pontos A(0. 2 pavimento de revestimento primário. em ao afundamento nas trilhas de roda na superfície relação à espessura da camada de revestimento. condições mostradas na tabela 2. B 100 150 b) carga de cada roda distribuída C 150 200 uniformemente em área circular.XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica Geotecnia e Desenvolvimento Urbano COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro. O objetivo da análise computacional elástica linear foi avaliar as tensões no ponto médio da 2.4 Análise das Tensões Atuantes na camada de revestimento para as combinações de Camada de Revestimento Primário subleito e espessura de revestimento. assim como os resultados dos ensaios módulo do subleito entre 50. Os resultados das análises mecanísticas para Para avaliação das tensões atuantes no material todas as combinações de condição de subleito de revestimento estudado. Corte típico considerado. Brasil ©ABMS. Configuração de cada estrutura avaliada.0) e A razão para consideração de duas camadas B(0. granular. 2018 no topo do subleito está diretamente relacionada Tabela 3. a) carga de eixo padrão de 82 kN. Figura 5. tomando-se de subleito é meramente computacional. requisito do software de análise Everstress© 5. Geometria do carregamento. As cargas e geometria adotadas na análise mecanística foram: Tabela 2. Estrutura Espessura do Revestimento Primário (cm) do pavimento. a mais crítica dentre as duas. considerando semieixo padrão. 100 e 150 MPa.

Curvas dos ensaios de compactação executados. umidade e peso específico curvas obtidas são apresentadas na figura 7. Os resultados dos ensaios triaxiais de cargas repetidas são apresentados figura 9. Brasil ©ABMS. Bahia. elaboradas cisalhamento e comportamento resiliente segundo a NBR 7181 (ABNT. aparente seco estudados. segundo o Unified Soil Classification System (ASTM.2 Resultados dos ensaios de resistência ao As curvas granulométricas médias. Curvas granulométricas médias dos materiais estudados. para g/cm³. . Quanto aos ensaios de compactação.531. as o grau de saturação. Figura 6. Figura 9. Com ruptura em termos de tensões totais são estas características o material é classificado mostradas na figura 8. por peneiramento do solo nos quatro pontos de As trajetórias de tensões e a envoltória de amostragem. são apresentadas na figura 6.70 (c) de 30 kPa. utilizado o modelo da equação 2 com k1 = 65. 2016c). Trajetórias de tensões totais dos ensaios triaxiais monotônicos.35 kN/m³. Figura 8. A partir de tais ensaios obteve-se um ângulo de atrito (  ) de 37. em termos de tensões totais. 2017) e como um solo A-1-a.31° e um intercepto coesivo A massa específica real dos grãos foi 2. 2018 3. O peso específico aparente seco nestas condições é 19.XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica Geotecnia e Desenvolvimento Urbano COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro. Comportamento resiliente do solo estudado segundo o modelo da equação 2.292 e k2 = 0. como pedregulho mal graduado com areia. segundo a classificação da AASHTO (ASTM. 2015). Salvador. Figura 7.

2018 modelo sul-africano (equações 3 e 4) a 3. a aplicação do modelo. assim para o MRsubleito. Tensões principais resultantes da análise elástica no plano médio do revestimento.47 Estrutura 3  da manutenção das estradas vicinais se faz  3 = 5.12 da carga de eixo padrão. com uso como há consistência na tendência de queda do adaptado à camada de revestimento primário. NDNIT (NDNIT ≈ 4∙NAASHTO) em função da espessura da Os MR da camada de revestimento camada de revestimento. para efeitos práticos. Esta abordagem permite ainda definir um espaçamento adequado entre atividades de 4 PROPOSTA DE ADAPTAÇÃO DO manutenção (NDNIT) de um trecho em campo MÉTODO SUL-AFRICANO A ESTRADAS menos dependente. para as A interpretação da figura 11 dos resultados estruturas analisadas. Salvador. Subleito (kPa) (kPa) (kPa) tanto do ponto de vista qualitativo quanto  1 = 446. uma vez conhecendo as características de resistência ao cisalhamento e Os módulos mostrados na figura 10 estão de comportamento resiliente dos materiais dentro do intervalo de variação obtido no ensaio empregados e inferindo uma faixa de variação de MRrevestimento.93 10.23 459. tanto  1 = 383. da aplicação do mais de K do que do MRsubleito.44 muito interessante pois. . condições de umidade/drenagem da pista.44 menor grau de saturação.XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica Geotecnia e Desenvolvimento Urbano COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro. 1 O uso destas conclusões para o planejamento  = 322. com Estrutura 2   3 = 10.32 327. do VICINAIS MRsubleito. se MRrevestimento com o aumento da espessura de resume a um ajuste do parâmetro K para as revestimento primário. Brasil ©ABMS.77 quantitativo. NDNIT. MRrevestimento em função da espessura da camada Figura 11. do revestimento. primário para várias condições de umidade (K) e de MRsubleito. mostrando consistência.50 23. Do ponto de vista qualitativo não é Estrutura 1  surpresa que o número admissível de repetições  3 = 17. respectivamente. até certo ponto. Bahia.10 390.55 17. Observa-se na figura 11 que o número admissível de operações do eixo depende muito Os resultados. seguem. de forma gráfica. na figura 10 e na tabela 4.51 395. Figura 10. aumente. Condição do  A B C aplicados ao modelo sul-africano é imediata.81 26. calculados na análise com faixas destacadas para cada valor de K.49 463.28 8. NDNIT em função da espessura do revestimento e do MRsubleito.87 331. que fornece o número pavimento admissível de cargas de eixo padrão.49 com o MRsubleito quanto.77 15. mecanística.3 Resultados da Análise Estrutural do revestimentos primários. do MRsubleito e condição (MRrevestimento) e as tensões principais no centro de umidade (K) são mostrados na figura 11. Tabela 4.

Department of the Army (1995). limitação de dimensões valores originais propostos no método sul. K (5) 100 DER/SP (2012). das condições de drenagem da pista pelo corpo 2016b). 2018 É proposta então a definição. é complementar e adaptado pode ser calculado então de acordo não objetiva substitui recomendações gerais de com a equação 5. Keller e Sherar (2003). pois as estradas vicinais são a forma inicial e muitas vezes crítica de escoamento da sua produção agrícola. por gastar de forma racional africano. além da perda comportamento resiliente e de uma análise financeira por dano à carga de produtos mecanística para o cálculo das tensões atuantes. mesmo que O valor de K a ser utilizado no modelo adequadamente calibrada. Brasil ©ABMS. conjuntamente com uma avaliação vibrações e choques excessivos (Steyn.65 e 0. 2016a. Tal avaliação deve. manutenção de estradas vicinais uma 1998). por análise consistentes de NDNIT para estradas vicinais. como o proposto pelo municípios predominantemente rurais. Bahia. condições de umidade/drenagem. implementação de sistema de manutenção. FHWA (2015). responsável pela empregados. embora tenha resultado em valores na manutenção de suas estradas. pela do material de revestimento. manutenção destas estradas implica gasto de 2 a Tal procedimento baseia-se no conhecimento 3 dólares por parte dos proprietários dos dos parâmetros de resistência ao cisalhamento veículos de carga em manutenção veicular. mantendo assim sua variação entre os drenagem. ser A qualidade das vias de revestimento empregada em conjunto com procedimentos de primário está. granulométricas e outros pontos elucidados por africano (entre 0. . sistemas de conferida. Salvador. porém. Já o gasto com ensaios dos materiais técnico de campo. Tal abordagem. em função da NOTA conformação geométrica da pista. outros autores e órgãos nacionais e internacionais como Nervis (2010 e 2016). com condição de umidade/drenagem) e 10 parâmetros geotécnicos de resistência ao (condições aparentemente ótimas de cisalhamento e comportamento resiliente umidade/drenagem da via) que avalia as correspondentes ao material utilizado. 3  NOTA  65 Baesso e Gonçalves (2003). a médio prazo. DNIT (2005).XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica Geotecnia e Desenvolvimento Urbano COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro. segundo Este artigo propõe que seja utilizada na estudo do Banco Mundial (Heggie e Vickers. para o município. 5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Mais atenção deve ser dada à otimização dos gastos de manutenção de tais vias. tanto no caso do município de manuais de manutenção e gerenciamento de Maquiné-RS como em muitos outros estradas vicinais. muitas vezes extremamente sensível a Esta análise. do seu má condição de trafegabilidade. agrícolas. antes de economias consideráveis tanto na manutenção romper por cisalhamento. qualitativa. idealmente. dentre outros. fornece uma estimativa de gerenciamento de manutenção e treinamento de números de operação de cargas de eixo padrão mão-de-obra. dos veículos que por estas vias trafegam quanto Esta adaptação proposta do método sul. traduzido ao intrinsecamente ligada ao potencial de português por Baesso e Gonçalves (2003).95). cada dólar utilizando-se do Método Sul-Africano adaptado “economizado” por parte do poder público na à avaliação da camada revestimento primário. certamente traz que a camada granular suportará. desenvolvimento do município. condição boa para ruim. quando se permite que uma rodovia de abordagem racional baseada na Mecânica dos revestimento primário se deteriore de uma Solos e na Mecânica dos Pavimentos. de um valor para o parâmetro K em deve ser calibrada com observações e medidas função de uma NOTA entre 0 (péssima de campo para cada situação em particular.

PA. PA. 6 p. experimentais. Para REFERÊNCIAS estes últimos tem-se o modelo da equação 6.3123 – valor ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas mínimo de log(MR/MRÓT) – b = 0. West Conshohocken. Transportation Research Board (Org.Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (2016) Mapa geológico do Estado do Rio Grande do Figura 12. Disponível em: <https://goo. máximo de log(MR/MRÓT) – e km = 6.XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica Geotecnia e Desenvolvimento Urbano COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro. Rio de Janeiro. corpo possível na prática com devido rigor. F.15 . propostos por Zapata (2016d) NBR 7182: Solo . D. o modelo da ARA (2000) que necessário. colegas. e Gonçalves. Pavimentação (LAPAV) e do Laboratório de Há formas. o que nem sempre é Agradeço ao grupo de pesquisa. ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas (2016a) NBR 6457: Amostra de solo . R. embora técnico e professores do Laboratório de ideal. Rio de Janeiro. Estimativa de variação de MR em função das Sul. 2018 Este trabalho avaliou o material de jazida AGRADECIMENTOS compactado com energia Normal e condições controladas de umidade. Bahia. 12 p. A. 10 p. West Conshohocken.Standard Practice for Classification of Soils for Engineering Purposes (Unified Soil Classification System).análise granulométrica.) Washington.  MR ÓT  1 e     ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas (2016b) NBR 6458: Grãos de pedregulho retidos na peneira de abertura 4. a = –0. ASTM – American Society for Testing and Materials (2017) D2487 . de compactação. 8 p. 10 p. (2007) e derivados de extensivos dados Rio de Janeiro.C. considera a influência da flutuação da umidade que ocorre sazonalmente nos solos. assim como ao prefeito o acréscimo ou decréscimo do MRrevestimento e municipal de Maquiné-RS no período da MRsubleito.preparação  MR  ba log    a    b  (6) para ensaios de compactação e ensaios de ln   a   k m SSÓT  caracterização. Florianópolis: Departamento de Estradas de Rodagem Tais modelos devem ser utilizados com do Estado de Santa Catarina – DER/SC. da massa específica aparente e da estudado. et al. D. Por pesquisa pela disponibilização do acesso exemplo.3 – valor (2016c) NBR 7181: Solo . cautela e não substituem o conhecimento das Borges. Acesso diferenças entre os teores de umidade de campo e ótimo em: 21 abr.ensaio de compactação.17 . Salvador. (2016) Avaliação dos Materiais de Jazida propriedades do solo em diferentes condições. uma vez determinado o Geotecnologia (LageoTEC) da Universidade comportamento resiliente do material nas Federal do Rio Grande do Sul por terem tornado condições ótimas de compactação. 9 p. para Revestimento Primário de Maquiné e propostas . ASTM – American Society for Testing and Materials (2015) D3282 . de se estimar possível este trabalho. P. Brasil ©ABMS. considerando parâmetros para absorção de água.Standard Practice for Classification of Soils and Soil-Aggregate Mixtures for Highway Construction Purposes. materiais granulares. B. Baesso.8157 Rio de Janeiro. mechanistic-empirical design of new and rehabilitated pavement structures. CPRM . Há modelos para solos finos e para solos granulares. para as condições reais de campo.8 mm – Determinação da A utilização deste modelo ao material massa específica. (2003) Estradas rurais: técnicas adequadas de manutenção. 2018. L. ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas (parâmetro de regressão).gl/oVCDje>. fornecem a tendência ARA – Asset Recovery Associates (2000) Guide for apresentada na figura 12.

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