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Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Departamento Interdisciplinar
DIL01161 – Conversão de Energia e Máquinas
Elétricas

Circuitos Magnéticos

Professor: Pablo Leonardelli


Setembro, 2017

CIRCUITOS ELÉTRICOS II 1
Introdução
O conceito de circuito magnético estabelece uma analogia entre
variáveis elétricas e magnéticas permitindo assim aplicação dos
conceitos de circuitos elétricos ao estudo de grandezas e relações
magnéticas.

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Introdução
Exemplos:

 Disjuntores;
 Motores elétricos
 Solenóides;
 Eletroímãs;
 Motores e sensores de uso em automação;
 Disco rígido;
 Cooler;
 Transformadores.

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Circuitos magnéticos
Os circuitos magnéticos são baseados nos princípios de duas Leis de
Maxwell: a lei de Ampère e a lei de Gauss.

Lei de Ampère:

ර 𝐇𝐝𝐥 = න 𝑱 ∙ 𝒅𝑺
𝐶
𝑆

A lei de ampère afirma que a integral de linha da intensidade de


campo magnético 𝐇 em torno de um contorno fechado 𝐶 é igual a
corrente total que passa por qualquer superfície 𝑆 delimitada por esse
contorno. A origem de 𝐇 é a densidade de corrente 𝐉.

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Circuitos magnéticos
Lei de Gauss dos campos magnéticos:

ර 𝐁 ∙ 𝐝𝐬 = 0
𝑆

A lei de Gauss afirma que a densidade de fluxo magnético 𝐁 é


conservada, ou seja, em uma superfície fechada não há entrada nem
saída líquida de fluxo magnético. Isto é o mesmo que dizer que não
existem cargas magnéticas monopolares.

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Circuitos magnéticos
Analogia eletromagnética:
A integral da densidade de corrente através de uma superfície é a
corrente através do condutor que atravessa essa superfície. Cada linha
de corrente é fechada e consequentemente a corrente percorre
caminhos fechados. Matematicamente:

ර 𝑱 ∙ 𝑑𝒔 = 0 𝑖 = න 𝑱 ∙ 𝑑𝒔
𝑆
De forma análoga, a integral da densidade de fluxo magnético através
de um ramo do circuito magnético que atravessa essa superfície é o
fluxo magnético que também percorre caminhos fechados.
Matematicamente:

ර 𝑩 ∙ 𝑑𝒔 = 0 𝜙 = න 𝑩 ∙ 𝑑𝒔
𝑆
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Circuitos magnéticos
A analogia

i   J  ds    B  ds
S S
só é válida se a densidade de fluxo magnético for desprezível fora dos
ramos do circuito magnético, diferentemente do que ocorre nos
circuitos elétricos, nos quais a corrente externa aos condutores é
desprezível, nos circuitos magnéticos, pelo fato de não existir isolante
magnético, a hipótese de fluxo magnéticos desprezível fora dos ramos
do circuito magnético pode ser uma aproximação grosseira.

Considerando a analogia, pode-se escrever a lei de kirchhoff das


correntes equivalente para o circuito magnético:
N


N

i
k 1
k 0
k 1
k 0

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Circuitos magnéticos
O fluxo magnético que atravessa um circuito magnético pode ser
produzido por correntes circulando e enrolamentos que envolvem o
circuito magnético (bobinas). Essas correntes que multiplicadas pelo
número de espiras do enrolamento definem a diferença de potencial
magnético entre dois pontos é análoga à tensão ou força eletromotriz dos
circuitos elétricos, definida matematicamente como:
b b
vba   E  dl FM M ba   H  dl
a a

Onde FMM representa a força magnetomotriz, geralmente dada por


ℱ𝑀𝑀 = 𝑁𝐼.

ℱ𝑀𝑀 = 𝑁𝐼

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Circuitos magnéticos: Eletroímã
Os eletroímãs normalmente envolvem três componentes:
 Uma fonte de campo magnético composta por uma espira de N voltas
por onde passa uma corrente elétrica 𝑖;
 Um meio para propagação do fluxo magnético, chamado de núcleo,
composto por material ferromagnético, de comprimento 𝑙𝑐 e área de
seção 𝐴𝑐 .
 Um espaçamento chamado de entreferro, de comprimento 𝑔 e área de
seção 𝐴𝑔

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Circuitos magnéticos
Por aproximação, quando existem pequenos entreferros, e presença de
material ferromagnético sem saturação pode-se dizer que e são
colineares, logo tem-se:
N

 H  dl   J  ds  NI   H l
s k 1
k k

   B  ds  BS
S

Desconsiderando saturação e dispersão de fluxo pode-se escrever


para o circuito magnético ao lado:

NI  H clc  H g lg c  Bc Sc  g  Bg S g  

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Circuitos magnéticos
A relação entre B e H é dependente da permeabilidade do meio:
Bc  c H c Bg  o H g

Substituindo as equações acima em


c  Bc Sc  g  Bg S g
tem-se:

  c H c Sc  o H g S g

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Circuitos magnéticos
Agora isolando os campos Hc e Hg e substituindo na equação

NI  H clc  H g lg
tem-se:

     
NI    lc    S  lg
 c Sc   o g 

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Circuitos magnéticos
Reescrevendo a equação anterior tem-se:

 lc   lg 
NI       S    c   g
 c Sc   o g 

Onde c e  g representam a relutância magnética do


núcleo (core) e do entreferro (gap), respectivamente.

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Circuitos magnéticos

Pode-se estabelecer uma relação direta entre resistência


elétrica e relutância magnética, basta observar as equações
que definem ambas:

l l
R ()  (A e / Wb = H 1 )
S S

Resistência elétrica Relutância magnética

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Circuitos magnéticos

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Circuitos magnéticos
Analogia circuito elétrico – circuito magnético:

v   R i
k
k
k
k k Fk
MM   kk
k

Lei de Ohm:

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Circuitos magnéticos
Importante observar que geralmente 𝜇𝑐 ≫ 𝜇0

Logo ℜ𝑐 ≪ ℜ𝑔

Significa dizer que a queda de potencial


Portanto: NI   g magnético está concentrada quase que
totalmente no entreferro.

Outra observação interessante é que, como 𝜇0 ≪ 𝜇𝑐 e


  c Hc Sc  o H g Sg

Maior parte da energia magnética é


Então 𝐻𝑔 ≫ 𝐻𝑐 armazenada no entreferro!!!

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Circuitos magnéticos
Área efetiva do entreferro:
Como no entreferro há um efeito de espraiamento
do campo magnético, considera-se, normalmente,
para efeitos do cálculo da relutância do entreferro,
uma área 5% maior do que a área da seção reta do
entreferro.

𝑙𝑔
ℜ𝑔 =
𝜇𝐴𝑔

Nos problemas, normalmente é dada a área do


entreferro ou a porcentagem de espraiamento.

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Exemplo:
O circuito magnético da figura tem as dimensões 𝐴𝑐 = 𝐴𝑔 = 9 𝑐𝑚2 ,lg =
0,05 𝑐𝑚, 𝑙𝑐 = 30 𝑐𝑚 e 𝑁 = 500 espiras. Suponha o valor 𝜇𝑟 = 70000 para
o material do núcleo. (a) Encontre as relutâncias ℛ𝑐 e ℛ𝑔 . Dada a
condição de que o circuito magnético esteja operando com 𝐵𝑐 = 1 𝑇,
encontre: (b) o fluxo 𝜙 e (c) a corrente 𝑖 .

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Exemplo:

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Exemplo
A estrutura magnética de uma máquina síncrona está mostrada esquematicamente
na figura ao lado. Supondo que o ferro do rotor e do estator tenham permeabilidade
infinita (𝜇 → ∞), encontre o fluxo 𝜙do entreferro e a densidade de fluxo 𝐵. Neste
exemplo, 𝐼 = 10 𝐴, 𝑁 = 1000 espiras, 𝑙𝑔 = 1 𝑐𝑚 e 𝐴𝑔 = 2000 𝑐𝑚2

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Exemplo:
A figura mostra um núcleo ferromagnético. A profundidade (para dentro da
página) do núcleo é 5 cm. As demais dimensões do núcleo são mostradas na figura.
Encontre o valor da corrente que produzirá um fluxo de 0,005 Wb. Com essa
corrente, qual é a densidade do fluxo no lado superior do núcleo? Qual a densidade
de fluxo no lado direito do núcleo? Assuma que a permeabilidade relativa do núcleo
é 800.

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Fluxo concatenado
d
A lei de Faraday
 E  ds   dt s B  ds
Afirma que a intensidade de campo elétrico E ao longo de uma contorno
fechado é igual à razão, no tempo, da variação de fluxo magnético que
concatena (isto é, que passa através) daquele contorno. Em estruturas com
enrolamentos de alta condutividade elétrica o primeiro termo da equação se
reduza à tensão induzida nos terminas do enrolamento. Se este enrolamento
tem N espiras o fluxo pode ser multiplicado por N para gerar o fluxo
concatenado pela bobina.
d (t ) d  (t )
eN 
dt dt
Logo, o fluxo concatenado pode ser definido matematicamente como:

  N (Wb ou Wb.e)

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Indutância
Em um circuito magnético, a relação entre o fluxo concatenado em
uma espira 𝜆 e a corrente que por ela passa 𝑖 é linear. Portanto, é
possível definir a indutância de um enrolamento como

𝜆
𝐿=
𝑖
Sabe-se que

𝜆 = 𝑁𝜑 𝜙= ℱ = 𝑁𝑖
ℛ𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙
Substituindo na equação da indutância, têm-se

𝑁2
𝐿=
ℛ𝑡𝑜𝑡

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Exemplo
Encontre (a) a indutância do enrolamento e (b) a densidade de fluxo 𝐵1 no
entreferro 1 quando o enrolamento está conduzindo uma corrente 𝑖. Despreze
os efeitos de espraiamento no entreferro.

Como 𝜇 = ∞ , então ℛ𝑐 = 0

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Exemplo

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Indutância
Se o circuito magnético tiver mais de um enrolamento, pode-se
escrever o fluxo concatenado em função das indutâncias próprias e
mútuas.

1  L11i1  L12i2
2  L12i1  L2 2i2

Os termos L12 e L21 são chamados de indutâncias mútuas, enquanto


L11 e L22 são as indutâncias próprias.
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Indutância
No caso do circuito da figura, as
indutâncias podem ser calculadas como
Indutâncias próprias:

𝑁12 𝑁22
𝐿11 = 𝐿22 =
ℛ𝑡𝑜𝑡 ℛ𝑡𝑜𝑡

Indutâncias mútuas:

𝑁1 𝑁2 𝑁2 𝑁1
1  L11i1  L12i2 𝐿12 = 𝐿21 =
ℛ𝑡𝑜𝑡 ℛ𝑡𝑜𝑡
2  L12i1  L2 2i2

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Energia
di (t )
Das leis de circuitos sabe-se que: eL
dt
No entanto, em dispositivos de conversão de energia a
indutância muitas vezes é variável, logo a equação acima deve
ser reescrita como:
d ( L(t )i (t )) di (t ) dL(t )
e L i
dt dt dt
A potência por sua vez pode ser definida como:
d
p  ei  i
dt
E a variação de energia como
t2 2
W   pdt   id 
t1 1

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Energia
Substituindo i tem-se:


 22  12 
2 2 1
W   id    d 
1 1 L 2L
Para um dado instante de tempo, a energia armazenada no
circuito magnético pode ser determinada por:

1 2 L 2
W   i
2L 2

O cálculo de energia armazenada no circuito magnético é


essencial para compreender e modelar o princípio da
conversão de energia e será retomado.

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Exemplo
No circuito magnético do primeiro exemplo, encontre:
(a) A indutância.
(b) A energia magnética armazenada.
(c) A tensão induzida 𝑒 para um fluxo de núcleo que varia no
tempo a 60 Hz, dado por 𝐵𝑐 = 1,0 sin(𝜔𝑡) em que 𝜔 =
2𝜋 60 = 377

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