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Azor

Era final da tarde no Solarium, a luz do disco de Horus se tornava cada vez
mais avermelhada naquele que havia sido o dia mais longo do ano. Os
sacerdotes do Deus sol se preparavam para a último louvor daquele dia que
havia sido dedicado inteiramente às orações e ao louvor do mais importante
deus de Skuld, a cidade eterna.
O solstício de verão era o feriado preferido de Azor. Naquele ano ele havia
completado seus 16 anos, um homem feito segundo a tradição. Naquela tarde
Azor havia sido sagrado sacerdote pleno de Horus-Re, feito seus votos e
recebido de seu pai, Azis-Ahay terceiro sacerdote de Horus-RE, seu disco de
ouro.
Azor tinha um irmão mais velho Azur.
Azor e seu irmão mais velho Azur vinham de uma longa linhagem de devotos
de Horus da época anterior a assunção do Pharao dos Deuses do aspecto de
Re. Conforme a tradição familiar toda a linhagem paterna e materna de Azur
descendia diretamente de Horus. O casamento de seus pais havia sido
realizado dentro do núcleo principal da corte do Faraó Horustep III, seus pais
possuíam um laço sanguíneo próximo, como era adequado.
No banquete realizado naquela tarde, Azor e seu imão Azur haviam se
embriagado de cerveja. Como manda a o preceito de Horus eles se
preparavam para se recolher durante a noite.
A caminho de seus novos aposentos no Solarium Azor diz para seu irmão -
Segure meu cabelo - Enquanto para para esvaziar o estomago em uma
sacada. Após o alívio Azor olha para seu irmão que colocando o dedo nos
lábios pede para que ele não faça barulho. Então, eles entreouvem uma
conversa.
Mais abaixo na pirâmide, em outra sacada, eles podiam ver o Marechal
Ihmhotep, o Primeiro escriba de Skuld e para sua surpresa o próprio Faraó. O
Marechal e o escriba debatiam sobre os planos sobre a invasão de Unther e
como esta seria uma forma definitiva de proibir os ataques constantes na
fronteira. O Faraó, como era adequado ao seu status divino, permanecia
calado com o rosto oculto por sua mascara de ouro.
Foi então que no meio da conversa, Azur avista um movimento na pirâmide.
Uma sombra correndo pirâmide abaixo em direção à sacada onde as três
figuras imponentes conversavam. A figura parecia deslizar pirâmide abaixo
sem o menor ruído e o Marechal, o escriba e o próprio faraó pareciam estar
alheios a sua presença. Azor, sempre o mais heroico deles, não pensou duas
vezes, pulou da sacada até aquela onde se encontrava o faraó. Tudo
aconteceu muito rápido em um segundo Azor pulava, no outro estava em
batalha contra a criatura que parecia ser feita de sombras e no segundo
seguinte o Primeiro Escriba pareceu conjurar os raios de sol na palma de sua
mão e com o feixe solar reduziu a criatura às cinzas.
Azor correu até a sacada onde a batalha ocorreu para encontrar o corpo de seu
irmão caído, sem vida, junto aos pés das três figuras que apenas observavam.
Não estava triste de verdade, pois seu irmão morrera defendendo o grande
Horustep III e na presença do Primeiro Escriba, embora o processo de
ressurreição fosse quase sempre traumático, Azur estaria de volta dos mortos
antes do café da manha.
Nesse momento, o Marechal pede licença ao Faraó para ir soar o alarme
enquanto o Primeiro Escriba vira-se para Azor e diz - teu irmão morreu herói -
glória de Horus-Re o aguarda em sua corte. Nessa hora, o Faraó ergue a
palma de sua mão, o primeiro escriba interrompe o que ia dizer, se inclina para
perto de Horustep III que diz algo em um volume tão baixo que Azor não
consegue ouvir.
Depois de ouvir o Faraó o Primeiro Escriba se vira para Azor e diz - sei o que
espera de mim neste momento mas, de ordem do Faraó, não te darei aquilo
que queres. O Faraó viu o futuro e decidiu que até que se descubra e se
destrua a origem desta criatura, teu irmão deve permanecer no outro mundo,
onde neste exato momento já está recebendo uma missão sagrada de nosso
Senhor. Em paralelo, tu estas recebendo a missão de encontrar e destruir
quem quer que tenha arquitetado este ataque.
E ele continuou – Segundo o Faraó, teu caminho será tortuoso, e fará muitas
curvas inesperadas antes de colocar-te de frente com o culpado desse
incidente. Agora que és um escriba de Horus-Re este será o teu ordálio.

Confuso e ainda atordoado com tudo o que aconteceu, Azor se curva perante o
Faraó e se retira com as palavras do Primeiro Escriba na cabeça.