NIPC - 503106054

P. C. de Utilidade Pública (DR 269 - 20/11/96)

Consequências do discurso do deputado municipal António Santos
Ribeiro

As mensagens publicadas na rede social Facebook pelo deputado municipal à
Assembleia Municipal do Porto, António Santos Ribeiro, geraram uma onda de
comentários racistas e xenófobos contra comunidades ciganas e imigrantes,
bem como, ataques pessoas e incitação à violência de teor sexual sobre quem
denunciou o comportamento do deputado, como já foi tornado público através
de comunicado emitido pelas associações A Coletiva, API, Contrabando,
Slutwalk e Catarse.

Um dos muitos comentários violentos, inscritos na página da rede social que o
deputado mantém e assinado por alguém que se identifica como “Domingos
Cunha”, afirmava o seguinte: “A cultura romena tem muito que se lhe diga…
[…] Que me acusem de racismo mas para mim essa gentalha devia toda
receber o tratamento dos 3 pês: porrada, prisão e po-los a andar. […]”.

Quando criticado pelo que havia inscrito e depois de lhe ter sido perguntado o
que conhecia da cultura romena, a mesma pessoa responde da seguinte
forma: “[…] o suficiente para estar encarregado da verificação de pressupostos
para atribuição de nacionalidade portuguesa e vistos de estadia e permanência
e ministrar formação no assunto em causa bem como em falsificação de
documentos de identificação e certidões e certificados europeus. Também
membro de equipas multinacionais sobre os atrás mencionados assuntos.”;
“[…] mas que ao analisar qualquer documento romeno eu peço não uma
segunda mas sim terceira opinião […] Mais de 75% dos documentos
falsificados que recebo são romenos”.

Aparentemente, o responsável pelos comentários em causa exerce funções
públicas em organismos do Estado Português, e presta serviços a cidadãos
estrangeiros. Os seus comentários não foram eliminados da página de
Facebook pelo deputado municipal, que, aliás, também participou na discussão

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em causa, sem censurar o dito “Domingos Cunha”, como se pode verificar
pelos anexos enviados com este comunicado.

Consultado o perfil de “Domingos Cunha” na rede social - entretanto alterado -
era possível verificar que o mesmo alegava ter sido funcionário no Instituto de
Registos e Notariado e ter exercido funções numa Loja do Cidadão.

Considerando a gravidade destes factos, o SOS Racismo enviou um pedido de
informações ao Instituto de Registos de Notariado e ao SEF – Serviço de
Estrangeiros e Fronteiras, no sentido de saber se a pessoa em causa exerce
funções no Instituto de Registos e Notariado, em alguma conservatória do
registo civil ou no próprio SEF e, nessa medida, se está encarregue de analisar
requerimentos apresentados por cidadãos estrangeiros.

Até à presente data, o SOS Racismo não recebeu nenhuma resposta das
entidades em causa, nem tão pouco da Assembleia Municipal do Porto ou do
movimento “Rui Moreira – Porto, o nosso partido”.

O SOS Racismo volta a lamentar e repudiar a atitude do deputado municipal
António Santos Ribeiro que, com as suas posições, tem incentivado a
proliferação de mensagens de ódio inaceitáveis numa democracia.

Neste contexto, o SOS Racismo apela publicamente às entidades competentes
– ao Instituto de Registos de Notariado, ao SEF – Serviço de Estrangeiros e
Fronteiras, à Assembleia Municipal do Porto e ao movimento “Rui Moreira –
Porto, o nosso partido – que se pronunciem sobre os factos em causa.

Porto, 30 de julho de 2018

Pelo SOS Racismo

Nuno Silva

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