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Capı́tulo 1

Euler e Navier-Stokes

1.1 Dedução das Equações
Consideremos uma porção de fluido (lı́quido ou gás) que, no instante t = 0,
ocupa uma região do espaço Ω0 ⊆ IR3 . Uma maneira de descrever seu
movimento é dar uma função fluxo φ(a, t) tal que, para cada a ∈ Ω0 , a
curva t 7→ φ(a, t) descreva a trajetória da partı́cula que ocupa a posição a
no instante t = 0. Esta é a chamada descrição lagrangiana e os pontos de
Ω0 são chamados coordenadas materiais.
Em vez de acompanharmos o movimento de cada partı́cula, podemos dar
a velocidade v(x, t) da partı́cula que, no instante t, ocupa a posição x. Esta
é a chamada descrição euleriana e os pontos x são chamados coordenadas
espaciais.
A relação

v(φ(a, t), t) = φ(a, t) , a ∈ Ω0 , (1.1)
∂t
segue-se imediatamente das definições. Assim, conhecendo-se φ e sabendo-se
inverter a função φt , definida por

φt (x) = φ(x, t) ,

obtém-se v(x, t) pela fórmula


v(x, t) = [φ(φ−1
t (x), t)] .
∂t
Reciprocamente, se o campo de velocidades v(x, t) for conhecido, obtém-se
φ(a, t) resolvendo-se, para cada a ∈ Ω0 , a equação diferencial ordinária com

1

Apostilas Ideal

2 CAPÍTULO 1. EULER E NAVIER-STOKES

condição inicial: 
d

 dt c = v(c, t)
(1.2)
= a

 c(0)

(equação da trajetória), e definindo φ(a, t) como sendo igual ao valor da
solução de (1.2) no instante de tempo t.
Nosso objetivo nesta seção é deduzir, a partir da segunda lei de Newton
e do princı́pio da conservação da massa, equações diferenciais envolvendo o
campo de velocidades v(x, t). Vamos admitir que a função fluxo φ existe
e possui todas as propriedades de diferenciabilidade e invertibilidade que
forem necessárias. Mais precisamente, se Ωt é a região do espaço ocupada
pelo fluido no instante t, admitimos que

φt : Ω0 −→ Ωt
x 7−→ φ(x, t)

é diferenciável e possui inversa diferenciável. Se, por exemplo, v for de
classe C 1 , tal hipótese será satisfeita para t suficientemente pequeno (Veja,
por exemplo, [55]). Às vezes, será necessário que φt possua mais de uma
derivada, mas isso não será dito explicitamente.

Derivada Material e Teorema do Transporte
Dada uma função f (x, t), x ∈ Ωt , e uma trajetória 1 c(t), calculemos a
derivada em relação ao tempo da função composta

fc (t) = f (c(t), t) ,

usando a regra da cadeia. Chamamos o resultado fc0 (t) de derivada de f ao
longo de c. Obtemos:
dc ∂f
fc0 (t) = ∇f (c(t), t) · (t) + (c(t), t)
dt ∂t
∂f
 
= v · ∇f + (c(t), t) .
∂t
(Denotamos o produto interno por · e o gradiente por ∇.) Definamos a
derivada material de f pela fórmula:
Df ∂f
= v · ∇f + . (1.3)
Dt ∂t
1
Isto é, c satisfaz (1.2) para algum a.

Apostilas Ideal

1.1. DEDUÇÃO DAS EQUAÇÕES 3

Vimos então que, dada uma função f (x, t), a derivada material de f ,
Df
Dt ,nos dá o valor, no instante t, da derivada de f ao longo da trajetória da
partı́cula que, no instante t, ocupa a posição x ∈ Ωt . Nas aplicações, pode
desempenhar o papel de f , por exemplo, a densidade de massa, a tempera-
D
tura, ou mesmo a própria velocidade. O operador Dt pode ser aplicado a
uma função cujos valores são matrizes ou vetores, fazendo-o atuar em cada
componente. Por exemplo:
t
Dv Dv1 Dv2 Dv3

= , , .
Dt Dt Dt Dt

Utilizaremos nas próximas subseções o seguinte resultado técnico.

Teorema 1 (Teorema do Transporte) Satisfeitas as hipóteses sobre a
função fluxo φ mencionadas acima e sendo Ωt uma região onde se pode
aplicar o Teorema da Divergência, vale a seguinte fórmula:

d Df
Z Z  
f (x, t) dx = + f div v (x, t) dx . (1.4)
dt Ωt Ωt Dt

Observação: Se Ω0 for um aberto com fronteira regular o suficiente
para permitir a aplicação do Teorema da Divergência 2 , Ωt também será
um aberto satisfazendo a mesma propriedade de regularidade na fronteira,
desde que φt satisfaça hipóteses adequadas de regularidade e invertibilidade.
Demonstração (do Teorema 1): Fazendo na integral do lado esquerdo
de (1.4) a mudança de variáveis x = φt (y), obtemos:
Z
f (φt (y), t)J(y, t) dy , (1.5)
Ω0

onde J denota o determinante jacobiano
!!
∂φi
J(y, t) = det .
∂yj
1≤i,j≤3

Como, por hipótese, φt é sempre inversı́vel, J(x, t) nunca se anula. E, co-
mo o jacobiano é contı́nuo e J(y, 0) é igual a 1 para todo y ∈ Ω0 , então
o determinante acima é sempre positivo, tendo sido por isso desnecessário
tomar o valor absoluto de J em (1.5). A integral que resultou da mudança
2
Também chamado Teorema de Gauss. Veja [24] para o enunciado preciso do Teorema.

Apostilas Ideal

4 CAPÍTULO 1. EULER E NAVIER-STOKES

de variáveis tem domı́nio de integração independente do tempo, podemos
portanto trocar a ordem de derivação e integração. Obtemos:
d ∂
Z Z
f (x, t) dx = [f (φ(y, t), t)]J(y, t) dy
dt Ωt Ω0 ∂t
∂J
Z
+ f (φ(y, t), t)
(y, t) dy . (1.6)
Ω0 ∂t
Tratemos logo da primeira integral que aparece do lado direito da igual-
dade acima. A derivada no integrando é a derivada de f calculada ao longo
de uma trajetória. Aparece então a derivada material que acabamos de
definir. Obtemos assim que esta primeira integral é igual a:
Df
Z
(φ(y, t), t)J(y, t) dy ,
Ω0 Dt
a qual, através da mudança de variáveis x = φt (y), vemos ser igual a
Df
Z
(x, t) dx .
Ωt Dt
Vamos agora cuidar da última integral em (1.6). Devemos calcular a
derivada do jacobiano,
∂φ1 ∂φ1 ∂φ1

.

.

∂y1 ∂y2 ∂y3 .

.

.

∂J ∂ .

.

.

.

∂φ2 ∂φ2 ∂φ2 .

= ∂y1 ∂y2 ∂y3 .

∂t ∂t . .

.

.

.

.

.

.

.

∂φ3 ∂φ3 ∂φ3 .

.

os pontos onde as derivadas são calculadas. por en- quanto. t) = [vi (φ(y. ∂t ∂yj ∂yj k=1 ∂xk ∂yj Aplicando as propriedades usuais dos determinantes e omitindo. vem: ∂v1 ∂φk ∂v1 ∂φk ∂v1 ∂φk . Comutando derivadas. ∂y1 ∂y2 ∂y3 no ponto (y. t).1) e a regra da cadeia. t) (y. obtemos: 3 ∂ ∂φi ∂ X ∂vi ∂φk (y. t). t). usando (1. t) . t)] = (φ(y.

.

.

.

.

∂xk ∂y1 ∂xk ∂y2 ∂xk ∂y3 .

.

.

3 ∂J .

.

∂φ2 ∂φ2 ∂φ2 X .

.

= .

∂y1 ∂y2 ∂y3 .

+ ∂t .

k=1 .

.

.

.

.

.

.

∂φ3 ∂φ3 ∂φ3 .

.

∂y1 ∂y2 ∂y3 Apostilas Ideal .

1. DEDUÇÃO DAS EQUAÇÕES 5 ∂φ1 ∂φ1 ∂φ1 ∂φ1 ∂φ1 ∂φ1 .1.

.

.

.

.

.

.

.

.

∂y1 ∂y2 ∂y3 .

.

∂y1 ∂y2 ∂y3 .

.

.

.

.

3 .

.

.

X3 .

.

.

∂v2 ∂φk ∂v2 ∂φk ∂v2 ∂φk ∂φ2 ∂φ2 ∂φ2 X .

.

+ .

.

∂xk ∂y1 ∂xk ∂y2 ∂xk ∂y3 .

+ .

.

.

∂y1 ∂y2 ∂y3 .

. .

k=1 .

.

.

k=1 .

.

.

.

.

.

.

∂φ3 ∂φ3 ∂φ3 .

.

.

.

∂v3 ∂φk ∂v3 ∂φk ∂v3 ∂φk

∂y1 ∂y2 ∂y3 ∂xk ∂y1 ∂xk ∂y2 ∂xk ∂y3
O primeiro destes três somatórios de determinantes é igual ao produto
(∂v1 /∂x1 )J, pois os termos correspondentes a k = 2 e k = 3 são iguais a
(∂v1 /∂xk ) vezes um determinante com linhas repetidas. Afirmação análoga
vale para os outros dois somatórios. Obtemos, então:
∂J
= J div v ,
∂t
onde o jacobiano e sua derivada são calculados no ponto (y, t) e o divergente
div v é calculado no ponto (φ(y, t), t). Daı́, vem:
∂J
Z Z
f (φ(y, t), t) (y, t)dy = f (φ(y, t), t)[(div v)(φ(y, t), t)]J(y, t)dy ,
Ω0 ∂t Ω0

que é igual, via a substituição x = φt (y), a
Z
f (x, t) div v(x, t) dx ,
Ωt

o que demonstra (1.4).

Conservação da Massa, Fluidos Incompressı́veis
Denotaremos por ρ(x, t), ou simplesmente ρ, a densidade de massa do flui-
do. Por definição, ρ é uma função tal que a massa da porção de fluido que
ocupa uma região Ω no instante t é dada por
Z
ρ(x, t) dx .

A hipótese de que a massa se conserva se traduz na equação
Z Z
ρ(x, 0) dx = ρ(x, t) dx ,
Ω0 Ωt

válida para todo t ≥ 0, onde Ωt é a imagem de Ω0 por φt , e Ω0 é arbitrário.
Assumindo como hipótese que ρ tem derivadas contı́nuas, e aplicando então
o Teorema do Transporte, temos:
d Dρ
Z Z  
0 = ρ(x, t) dx = + ρdiv v (x, t) dx .
dt Ωt Ωt Dt

Apostilas Ideal

3 Usando a definição de derivada material (1.3) e a identidade div (f u) = ∇f · u + f div u . veja [50]. Isto só é possı́vel se esta função for iden- ticamente nula.8) são equivalentes. num instante de tempo arbitrário. Daı́ se conclui que o divergente da velocidade é nulo em todos os pontos: div v = 0 . já que estamos supondo que φt é inversı́vel e contı́nua. a equação em (1.9) e (1. Obtemos assim a equação da conservação da massa Dρ + ρ div v = 0 . pois ela expressa o fato de que o fluido é um meio contı́nuo. ∂t A condição de o volume de qualquer porção de fluido ser preservado pelo fluxo é descrita pela equação d Z dx = 0 . Vemos então que a função contı́nua Dρ + ρ div v Dt é tal que sua integral.7) Dt também conhecida como equação da continuidade. EULER E NAVIER-STOKES Se Ω é um aberto qualquer ocupado pelo fluido no instante t.7) pode ser reescrita como ∂ρ + div (ρv) = 0 . o Teorema do Transporte aplicado à função constante f ≡ 1 implica que a equação Z div v dx = 0 Ω0 é válida para todo aberto Ω0 .8) dt Ωt Se esta condição for satisfeita. Apostilas Ideal . ou seja. (1. então existe um aberto Ω0 tal que φt (Ω0 ) = Ω.9) A recı́proca é claramente também verdadeira. (1. as equações em (1. 3 Para um tratamento de meios contı́nuos em geral. sobre qualquer aberto do espaço material é nula. (1.6 CAPÍTULO 1.

n) que dê a força de contato por unidade de área atuando numa superfı́cie perpendicular a n no ponto x. a força externa total atuando na porção de fluido que. t) dx . Esta é igual à soma das forças externas que atuam no fluido (peso.1. t)f (x. DEDUÇÃO DAS EQUAÇÕES 7 Se um fluido tem densidade constante. também a condição de incompressibilidade (1. que será denotado por f (x.1. t)v(x.7) implica que o fluido satisfaz (1. no instante t. 5 Isto é. Apostilas Ideal .9).9). a derivada em relação ao tempo desta quanti- dade é igual à força total atuando em Ωt . v. Note que temos apenas uma “quase-recı́proca”: se vale (1. a região Ωt é dado pela integral 4 Z ρ(x. no instante t. Daı́. t) dx . Ωt No caso de apenas o peso ser considerável. Mais precisamente. ρ(x. a força exercida pelo resto do fluido na 4 Uma vez que ρ dá a massa por unidade de volume.7) implica que ρ é constante ao longo das trajetórias das partı́culas. supomos serem elas forças de contato ou tensões. t) será independente de x e de t. Suporemos conhecido o somatório das forças externas por unidade de massa. f é constante e igual à aceleração da gravidade. t). por exemplo.8) ou (1. ocupa a região Ωt é dada por Z ρ(x. deverı́amos escrever f (x. Ωt Pela segunda lei de Newton. 0) for independente de x. t. nestas notas. independente do tempo e do espaço. a equação em (1.9) e. Desprezamos então ações a distância entre as partı́culas do fluido e supomos existir um campo de tensões τ (x. 5 A rigor. exercidas sobre Ωt pelo restante do fluido. Seria mais natural definir como incom- pressı́vel o fluido que satisfizesse (1. no instante t. Conservação do Momento O momento (linear) de uma porção de fluido que ocupe. Não o fazemos por mera conveniência: quase sempre. então (1. força de Coriolis ou mesmo forças ele- tromagnéticas) e das forças internas. para incluir casos como o de forças magnéticas. assim como ρ|v|2 /2 dá a densidade de energia cinética. Chamaremos o fluido de incompressı́vel se ρ for constante. Quanto às forças internas. se ρ(x. portanto. t). ρv dá o momento por unidade de volume.8). Isto em nada alteraria a dedução que se segue. trataremos somente do caso de densidade constante.

t) tal que τ (x. Na verdade. t. Usando (1.10) Ωt Dt onde Div S denota o vetor que tem a i-ésima componente igual ao divergente do i-ésimo vetor-linha de S. no instante t. Dt Dt de onde. Quanto à integral de superfı́cie. apontando para fora. parágrafo 7) garante que. vamos obter uma equação diferencial envolvendo τ . (1.7). então: D Z   (ρv) + ρvdiv v − ρf − Div S dx = 0 . n). é dada por Z τ (x. t) das funções que aparecem nos integran- dos: d Z Z Z ρv dx = ρf dx + Sn dSx . v e f . −n) = −τ (x. delimitada pela superfı́cie ∂Ωt . O campo de tensões não é independente das outras grandezas fı́sicas do problema. (1.) A segunda lei de Newton então fica expressa pela seguinte integral. ou seja. existe uma função matricial S(x. n) dSx . t. de onde omitimos os argumentos (x. então τ tem de depender linearmente de n. ∂Ωt onde n denota o vetor unitário normal a ∂Ωt . EULER E NAVIER-STOKES porção de fluido que. resulta a Equação da Conservação do Momento: Dv ρ = ρ f + Div S . se o fluido satisfizer a segunda lei de Newton. ρ. o que é consequência da terceira lei de Newton. τ (x. ocupa a região fechada Ωt .8 CAPÍTULO 1. Um teorema de Cauchy (veja [28].11) Dt Apostilas Ideal . usando a equação em (1. Obtemos. ela pode ser transformada numa integral de volume usando o Teorema da Divergência.10) e o fato de seu integrando ser contı́nuo e Ωt arbitrário. t. é fácil verificar a igualdade D Dv (ρv) + ρvdiv v = ρ . dt Ωt Ωt ∂Ωt Podemos calcular a derivada do lado esquerdo desta equação aplicando o Teorema do Transporte a cada componente. (Em particular. t. t)n . n) = S(x.

ambos por unidade de volume.7) e (1.7) e (1. Sn deve ser sempre paralelo a n ou. Equações de Euler As equações de conservação da massa (1.12) pode ser lida como a segunda lei de Newton.1.12) ∂t div v = 0 Salientamos mais uma vez que o operador v · ∇ é aplicado em (1. equivalentemente. onde I denota a matriz identidade. o lado esquerdo correspondendo ao termo massa vezes aceleração e o direito à força.11) são válidas para qualquer “meio contı́nuo Newtoniano”. que é ocupado por partı́culas possivelmente diferentes a cada instante. mas a variação da velocidade no ponto x. existe uma função p(x. As hipóteses que fazemos nesta seção e na próxima é que caracterizam os chamados “fluidos newtonianos”. v3 . ρ e p. denotando também por ρ o valor constante da densidade de massa: ∂v ρ + ρ(v · ∇)v = −∇p + ρf (1. A variação 6 As equações em (1.1.7) e do momento (1. Se supusermos que as forças inter- nas atuam apenas perpendicularmente à superfı́cie Ωt (ausência de atrito ou viscosidade). t) tal que S(x.12) a cada componente de v. isto é: 3 X ∂vi [(v · ∇)v]i = vj . v2 . Usando (1. Apostilas Ideal .11) consistem agora de quatro equações escalares para cinco incógnitas v1 . A função p é chamada pressão e Div S = −∇p . t) = −p(x.7) e (1. obtemos então as Equações de Euler para um fluido não-viscoso e incompressı́vel. Uma saı́da é supor que o fluido é incompressı́vel.3). t) I .11) são insu- ficientes para descrever o fluido: 6 para completar a descrição precisamos relacionar S com as outras variáveis. Esta hipótese ainda é insuficiente: (1. O aparecimento do termo não-linear deve-se ∂ à própria descrição euleriana: ∂t v não representa a variação da velocidade de uma dada partı́cula. DEDUÇÃO DAS EQUAÇÕES 9 Fluidos não-viscosos. o que é uma boa aproximação para o caso dos lı́quidos. j=1 ∂xj A equação em (1.

13). parágrafos 19 e 20). argumentos fı́sicos e matemáticos 7 (veja [32]. (1. que denota a matriz ∇v : ∂v ∂v ∂v   1 1 1 ∂x1 ∂x2 ∂x3     ∂v2 ∂v2 ∂v2   G = ∇v =   ∂x1 ∂x2 ∂x3   . Gt denota a transposta de G. Para um gás ideal a temperatura constante.22)).10 CAPÍTULO 1.13) onde. EULER E NAVIER-STOKES D da velocidade de uma dada partı́cula é igual a Dt v. chega-se a (1. Ou procuramos uma equação de estado p = r(ρ).12) e (1. Usando-se que esta dependência deve ser invariante por transformações ortogonais (rotações dos eixos coordenados) e desprezando-se termos de segunda ordem. (1. especialmente a discussão após (1. S +pI não deve depender da parte anti-simétrica do gradiente de v. E’ fisicamente razoável supor que S + pI dependa apenas das derivadas espaciais de v. pois não há atrito em um fluxo com velo- cidade uniforme. temos duas saı́das.7) é intro- duzir uma equação de estado.14)     ∂v3 ∂v3 ∂v3 ∂x1 ∂x2 ∂x3 Para completar o sistema formado pelas equações em (1. neste caso. p é diretamente proporcional a ρ. como vimos quando tratamos da derivada material. mas apenas de (G + Gt )/2 (veja a seção seguinte. em primeira aproximação. Uma outra maneira de completar as equações em (1. Em modelos fı́sicos mais realistas.11) e (1. parágrafo 16]). torna-se necessário introduzir novas variáveis tais como temperatura. [25] e [28. ou supomos que o fluido é incompressı́vel. permitem-nos concluir que. µ e µ0 são constantes. Como em rotações rı́gidas também não há movimento relativo entre as partı́culas. ou seja. tal como no caso não-viscoso. Equações de Navier-Stokes Ao tentarmos obter formas para a matriz S que incluam forças de viscosida- de. supor que existe uma função r : (0. (1. energia interna (veja [28]. ∞) −→ IR tal que p = r(ρ). Apostilas Ideal . entropia. Isto implica em duas simplificações: O termo µ0 div v desaparece e vale (verifique) a igualdade Div (G + Gt ) = 4v . Vimos que. 7 Aqui vai um esboço desses argumentos. o divergente de v é nulo. S deve ser dada por S = −pI + µ0 (div v)I + µ(G + Gt ) .7).13).

na ausência de forças externas.9) com f ≡ 0 se e somente se (v. no seguinte sentido. Um par (v. Mostre que as superfı́cies de nı́vel da pressão são parabolóides de revolução.17) ∂t Exercı́cio 2 a) Encontre a pressão p(x. igual à pressão atmosférica. juntamente com o campo de velocidades nulo v(x. b) Interprete fisicamente o resultado acima. escrevemos aqui as equações de Euler e de Na- vier-Stokes.15) e (1. ∂v ρ + ρ(v · ∇)v = −∇p (Euler) (1. para f = g + ω 2 r. v ≡ 0 e p(x. t) + f 0 · x .16) ∂t ∂v ρ + ρ(v · ∇)v = −∇p + µ 4 v (Navier-Stokes) (1.15).9) com f ≡ f 0 . 0) é o vetor radial das coordenadas cilı́ndricas. (Veja o Exercı́cio 15) Para futura referência. O campo f dado no item (a) é a soma da aceleração da gravidade com a “aceleração centrı́fuga”. na presença da gravidade. Aqui.) Em particular. t) = ρg · x. resolve (1. (Dicas: A pressão na superfı́cie de separação é constante. para f constante e igual a g. (Verifique esta afirmação.p) é solução de (1. é uma solução das equações de Navier-Stokes. onde p] (x. consulte [20].) 8 Sobre o significado fı́sico da constante de viscosidade. x2 . sem movimento relativo entre as partı́culas do fluido nem entre o fluido e o recipiente.1. t) ≡ 0. é um parabolóide de revolução. t) que. (1. supomos que a aceleração da gravidade g é paralela ao eixo x3 . t) = p(x. Isto é equivalente a tomar f constante. Corresponde a um lı́quido em repouso. ω é uma constante e r = (x1 . Um fluido viscoso e incompressı́vel é descrito então pelas equações em (1.12) e (1.11) se escreve então como: Dv ρ = ρf − ∇p + µ 4 v . para a conservação do momento.15) e (1.15) Dt conhecida como a equação de Navier-Stokes. consideraremos quase sempre f ≡ 0. Apostilas Ideal .1.9) Estudando exemplos de soluções. A constante µ é chamada o coeficiente de viscosidade 8 e seu inverso o número de Reynolds.p] ) é solução de (1.15) e (1. e conclua que a superfı́cie de separação entre o ar e um lı́quido girando num tubo cilı́ndrico com velocidade angular constante. onde g é a aceleração da gravidade. DEDUÇÃO DAS EQUAÇÕES 11 A equação de conservação do momento (1.

Apostilas Ideal . ou seja. 0)t (1. p(x) = −ρg] x2 . uma pressão linear.9) com pressão constante. ou seja. exige-se mesmo que o fluido adira à fronteira. e θ é o ângulo determinado pela horizontal e pelo eixo x1 . EULER E NAVIER-STOKES 1. a pressão deve satisfazer ∂p/∂x2 = −ρg] . que a velocidade se anule na fronteira. Exemplo 3 Um campo de vetores da forma v(x. juntamente com o campo em (1. Estes exem- plos são casos particulares de classes de exemplos de soluções discutidas no Capı́tulo 3. nesta seção. independentes do tempo). portanto. Tais exemplos servem para ilustrar comportamentos locais permitidos aos fluidos: pode-se argumentar que o ponto observado está tão longe da fronteira que a presença desta não é sentida pela porção do fluido nas imediações do ponto.18) satisfaz imediatamente as equações ∂v + (v · ∇)v = 0 e div v = 0 . Tratamos.2 Exemplos e Comentários A maioria dos problemas de Mecânica dos Fluidos envolve a delimitação da região ocupada pelo fluido (que pode até variar com o tempo. 2µ 2 µ 9 No caso de uma fronteira fixa. 0. de uma solução das equações em (1. ao final da seção. ∂t tratando-se. ∂p/∂x3 = 0. de três exemplos básicos de soluções estacioná- rias (isto é. 9 Os exemplos de que tratamos nesta seção e no Capı́tulo 3. e v e p ficam relacionados pela equação ∂p µv 00 (x2 ) − + ρg\ = 0. Utilizamo-las. ∂x1 Em particular.) Na presença de viscosidade e da forção da gravidade. (Se |g| = g. e então a determinação da fronteira faz parte do problema) e a prescrição de condições de fronteira. exige-se que a componente da velocidade normal à fronteira seja nula. exceto o Exemplo 3 que vem logo em seguida. então g\ = g sen θ e g] = −g cos θ. Para fluidos viscosos. t) = (v(x2 ).12 CAPÍTULO 1. Assuma que a força da gravidade g atua no fluido e que g = g\ e1 + g] e2 . que o fluido não atravesse a fronteira.16) e (1.18) com ρg\ 2 ρg\ v(x2 ) = − x + x2 . são de soluções das equações de Euler ou de Navier-Stokes definidas no espaço inteiro. para dar uma descrição local do movimento de um fluido em geral.

longe das margens.17) é satisfeita.9). p(x) ). também (1.1. com ρ p(x) = − xt D 2 x . x3 ) = 0 e velocidade máxima de escoamento em x2 = 1. e que aı́ ocorra a velocidade máxima de escoamento). (digamos que a altura máxima do rio seja igual a 1.16) e (1. Exemplo 4 (Deformação) Seja D uma matriz simétrica de traço nulo e v(x) = Dx.   λ1 0 0 D =  0 λ2 0  . é a componente da força da gravidade na direção tangente ao fundo do rio. Pode-se ver então que (v(x). Como 4v ≡ 0.9) no semi-espaço { x2 ≥ 0 } com condição de fronteira v(x1 . E’ um cálculo simples verificar que o divergente de v é nulo e que vale a igualdade (v · ∇)v = D 2 x . EXEMPLOS E COMENTÁRIOS 13 Figura 1. 2 é solução de (1. o fundo do rio coincidindo com o plano x1 x3 .2.1: Fundo de um rio é uma solução de (1. A força que impulsiona a água. Este é um modelo simplificado para a cinemática do escoamento não-turbulento de água em um rio largo. Vamos descrever as trajetórias das partı́culas supondo que a matriz é diagonal. 0. As trajetórias das partı́culas são retas paralelas ao eixo x1 .   0 0 λ3 Apostilas Ideal .15) e (1.

Teorema 9.1). através da mudança de variáveis x = U y. 3 . a3 eλ3 t )t . consideremos o campo vetorial v(x) = ω × x . pelo Teorema Espectral (veja [8]. EULER E NAVIER-STOKES Figura 1. a solução é x(t) = (a1 eλ1 t .14 CAPÍTULO 1.3. Vemos então que as partı́culas se aproximam rapidamente do eixo x1 e se afastam rapidamente do plano x2 x3 . Exemplo 5 (Rotação) Dado ω ∈ IR3 . a2 eλ2 t . i = 1. Como o traço de D é nulo. Por inspeção vemos então que se tomarmos para pressão 1 1   p(x) = ρ − (x · ω)2 + |ω|2 |x|2 2 2 Apostilas Ideal . suponhamos que λ1 é positivo e λ2 e λ3 são negativos. 2.2: Jato (Deformação) O caso geral pode ser transformado neste. dt Para uma dada condição inicial x(0) = a. onde U é uma matriz ortogonal tal que U −1 DU é diagonal. Tal U existe. onde × denota o produto vetorial. temos: λ1 + λ2 + λ3 = 0. E’ fácil verificar que v tem divergente nulo e que vale a igualdade: (v · ∇)v = (x · ω)ω − |ω|2 x . Esta é uma aproximação grosseira de um jato. Para fixar idéias. As equações das trajetórias ficam então desacopladas: dxi = λi xi .

dt Daı́ seguem-se as igualdades seguintes. que é também solução da equação de Navier-Stokes (1. dt Concluı́mos daı́ que as trajetórias são cı́rculos em planos perpendiculares a ω.2. pois 4v = 0.19) dt Como x⊥ e ω são perpendiculares. EXEMPLOS E COMENTÁRIOS 15 obtemos uma solução da equação de Euler (1. válidas para todo t : d (ω · x(t)) = ω · (ω × x(t)) = 0 dt d |x(t)|2 = 2(ω × x(t)) · x(t) = 0 . |ω| obtemos: dx⊥ = ω × x⊥ . Denotando por x⊥ a projeção de x no plano perpendicular a ω passando pela origem.19 implica em .1. ω x⊥ = x − (x · ω) 2 . isto é. (1. Seja x(t) a trajetória de uma partı́cula neste fluido.16).17). a equação 1. x(t) satisfaz dx = ω×x .

dx⊥ .

.

.

.

dt .

= |ω| |x⊥ | .

Segue-se então que a velocidade angular de todas as partı́culas em torno
de ω é constante e igual a |ω|. (Verifique, usando coordenadas.) Ou seja,
o fluido todo move-se como um corpo rı́gido girando em torno de ω com
velocidade angular constante.

Façamos agora algumas considerações sobre matrizes simétricas e anti-
simétricas que usaremos em seguida para dar uma interpretação do fluxo
de um fluido qualquer como sendo, local e aproximadamente, uma super-
posição de uma rotação, uma translação e uma dilatação. Dada uma matriz
quadrada A, as matrizes
1 1
A+ = (A + At ) e A− = (A − At ) , (1.20)
2 2
são chamadas suas partes simétrica e anti-simétrica, respectivamente. E’
óbvio que valem as igualdades A+ = At+ , A− = −At− e A = A+ + A− . O
leitor deve verificar que esta decomposição é única, isto é, se B e C forem
matrizes simétrica e anti-simétrica, respectivamente, e A = B + C, então
B = A+ e C = A− .

Apostilas Ideal

portanto. decompondo ∇v em suas partes simétrica e anti-simétrica.16 CAPÍTULO 1. (1. Exercı́cio 7 Denota-se por v ⊗ v a matriz ((vi vj ))1≤i. 2 c) Mostre que. (1.21) onde ξ é o vetor tal que Ωx = ξ × x . outra responsá- vel pela deformação do fluido. onde r(h) é da ordem de |h|2 . Consideremos agora o comportamento de um fluido qualquer.9) são equivalentes a ∂v ρ + ρDiv (v ⊗ v) = −∇p + µ 4 v (1. Mostre que as equações em (1. se Ω é uma matriz anti-simétrica e D uma matriz simé- trica de traço nulo. x ∈ IR3 . então 1 Ωx = (rot v) × x . x ∈ IR3 . e usando o item b do exercı́cio acima. Podemos escrever (expansão de Taylor): v(x0 + h) = v(x0 ) + (∇v)h + r(h) . Tomando x0 como origem e h no lugar de x para descrever as trajetórias das partı́culas. para todo x ∈ IR3 . (O divergente de uma matriz foi definido após (1. D e Ω. vemos que o campo v pode ser aproximadamente decomposto em três parcelas: uma responsável pela translação do fluido (as trajetórias associadas a um campo uniforme de velocidades são retas).10). (Dica: ξ1 = a32 .23) ∂t div v = 0 . A presença de um rotacional não nulo indica.j≤3 . então temos: (DΩ + ΩD)x = −(Dξ) × x . x ∈ IR3 .) Apostilas Ideal .22) 2 onde ω = rot v.16) e (1. nas proximidades de um ponto fixo x0 . em regime estacionário. mostre que existe um único ξ ∈ IR3 tal que Ax = ξ × x. a presença de rotação. Tomando h muito pequeno. ξ2 = a13 e ξ3 = a21 ) b) Se Ω é a parte anti-simétrica da matriz-gradiente de um campo de vetores v(x) em IR3 . e ω e D são calculados no ponto x0 . obtemos: 1 v(x0 + h) ≈ v(x0 ) + Dh + ω × h . e a terceira pela rotação. EULER E NAVIER-STOKES Exercı́cio 6 a) Dada uma matriz 3 × 3 anti-simétrica A.

descrito no Apêndice A. 2)} . ! ! ! ∂ v1 ∂ ∂ v1 v1   ρ + ρ v1 + v2 = −∇p + µ 4 . t) = αv . 3. 3). (2. pα. v2 ) é solução da equação de Navier-Stokes bidimensional. j=1 k=1 Apostilas Ideal . x2 . se v1 e v2 forem conhecidos. v3 (x1 . t)) solução de (1. v2 (x1 . 1). k) ∈ {(2. j. a equação pode ser resolvida pelo método das carac- terı́sticas. dados reais positivos α e β. Neste caso. t). Mostre que. x2 .β . 2)} Se x e y são vetores de IR3 . p(x.3. x2 . k) ∈ {(1. isto é. β β existe pα.1. t).β ) também é solução das mesmas equações. definindo x α   v α. Exercı́cio 9 Mostre que um campo de velocidades independente da coor- denada x3 (v1 (x1 . 2. 3). Lei de Bernoulli Extremamente útil para a dedução de identidades vetoriais é a introdução do pseudo-tensor anti-simétrico de Levi-Civita (veja [1]):  0   se i = j ou j = k ou k = i ijk = 1 se (i. e se µ = 0. 2. IDENTIDADES VETORIAIS.16) e (1.β (x. é fácil verificar que a i-ésima componente do produto vetorial x × y é dada pela soma 3 X X 3 (x × y)i = ijk xj yk . 3.3 Identidades Vetoriais. t))t é solução da equação de Navier-Stokes (1. 1.) 1. 1). (3.17) se e somente se (v1 . 1. t). LEI DE BERNOULLI 17 Exercı́cio 8 Seja (v(x.  −1  se (i.β tal que (v α. t . ∂t v2 ∂x1 ∂x2 v2 v2 e v3 é solução da equação ∂v3 ∂ ∂   ρ + ρ v1 + v2 v3 = µ 4 v3 .9). (3. j. (1. ∂t ∂x1 ∂x2 (Observe que esta última equação é linear.

ambos os lados de (1. 3}. vale a seguinte identi- dade: 1 (u · ∇)u = (rot u) × u + ∇|u|2 . e só uma. j. Suponha agora i 6= j e l 6= m. das três afirmações abaixo é verdadeira: (a) dado qualquer k ∈ {1. Caso valha (a). demonstraremos: Proposição 11 Dado um campo vetorial u ∈ IR3 . ambos os lados são iguais a −1.24) k=1 Demonstração Suponha que i é igual a j ou que l é igual a m. l. (1. Como aplicação. m. então. pertencentes a {1. (c) i = m e j = l.24) são nulos. 3}. EULER E NAVIER-STOKES Analogamente. Caso valha (c). (b) i = l e j = m. 2. os dois membros de (1. a i-ésima componente do rotacional de u é dada pela soma 3 X 3 X ∂uk (rot u)i = ijk . 2 Demonstração Escrevamos a i-ésima componente do produto vetorial (rot u) × u e apliquemos as definições e propriedades acima: 3 X 3 X 3 X 3 X ∂um ijk jlm uk = j=1 k=1 m=1 l=1 ∂xl   3 X 3 X 3 3 X X ∂um −  ikj jlm  uk = k=1 m=1 l=1 j=1 ∂xl Apostilas Ideal . 2.24) são nulos. Verifica- se facilmente que. Caso valha (b). 0 6 j se i = Proposição 10 Dados i. j=1 k=1 ∂xj Também muito útil e bem mais conhecido é o delta de Kronecker: ( 1 se i = j δij = . Isto implica então que uma.18 CAPÍTULO 1. ambos são iguais a 1. se u é um campo vetorial em IR3 . vale a igualdade: 3 X ijk klm = δil δjm − δim δjl . k é igual a um dos quatro números dados no enunciado da proposição.

12) com ρ e f constantes. LEI DE BERNOULLI 19 3 X 3 X 3 X ∂um − (δil δkm − δim δkl ) uk = k=1 m=1 l=1 ∂xl 3 3 X ∂uk X ∂ui − uk + uk = k=1 ∂xi k=1 ∂xk 3 3 1 ∂ X ∂ui u2k + X − uk . Proposição 12 (Bernoulli) Sejam v e p uma solução independente do tempo de (1.25) ρ 2 é constante.26) é igual a ∇(|v(x)|2 /2). Demonstração A equação (1. com ρ constante. Vamos agora aplicar a proposição anterior para obter a lei de Bernoulli. O lado direito. Outras aplicações do pseudo-tensor de Levi-Civita ficam para os exercı́- cios ao final da seção.3. 10 10 E’ claro que supomos conexa a região onde a solução está definida Apostilas Ideal . 2 ∂xi k=1 k=1 ∂xk Obtivemos assim a i-ésima componente de 1 (u · ∇)u − ∇|u|2 . por sua vez. ρ Segue-se então que ∇Q(x) = 0. Então. vemos que o lado esquerdo de (1. a função p(x) |v(x)|2 Q(x) = − f ·x + (1. rot v = 0. (1. para todo x. é equivalente a: p   (v · ∇)v = −∇ +f . é igual a p(x)   ∇ − + f ·x . isto é.26) ρ Usando a Proposição 11 e a equação rot u = 0.1. 2 como querı́amos. e com a propriedade adicional de o campo de velocidades ser irrotacional.12) para funções independentes do tempo. IDENTIDADES VETORIAIS.

(b) Demonstre (2. como descrito no item (a) do Exercı́cio 6. i = 1.20 CAPÍTULO 1. vale a igualdade Z Z − p(x)n dSx = −ρg dx . Exercı́cio 15 (a) Mostre que o Teorema da Divergência em IR3 é equiva- lente a ∂f Z Z dx = f nj dSx .20). Aqui. 3. (c) Mostre que.7) implica que ρ é constante ao longo das trajetórias. para qualquer função escalar f. 2. (Dica: Princı́pio de Arquimedes. (2. mas a densidade ρ não é necessariamente constante. ∂Ω Ω para qualquer região Ω onde valha o Teorema da Divergência.10). 2. EULER E NAVIER-STOKES Exercı́cio 13 Considere o caso em que vale (1. Apostilas Ideal . f constante e igual à aceleração da gravidade g e p(x) = ρg · x).17) e algumas das outras identidades de [53].12).25) é constante ao longo das trajetórias das partı́culas. (Dica: A equação em (1. Ω ∂xj ∂Ω j = 1. Mostre então que a função Q definida em (1.) Exercı́cio 14 Use o tensor anti-simétrico de Levi-Civita para demonstrar as identidades em (2.9). sob a hipótese de que o divergente da velocidade é nulo. então o vetor ξ associado à parte anti-simétrica de B.15) e (2. Interprete fisicamente. é dado por 3 X 3 1X ξi = ijk bjk . 2 j=1 k=1 (b) Use os itens (b) e (c) do Exercı́cio 6 para demonstrar a equação em (2. no caso da hidrostática (isto é. 3. v ≡ 0. nj denota a j-ésima com- ponente do vetor normal.) Exercı́cio 16 (a) Mostre que se B = ((bij )) é uma matriz real 3 × 3.

obtemos: 3 3 ∂ ∂vi X ∂ ∂vi X ∂vk ∂vi ρ + ρ vk + ρ = ∂t ∂xj k=1 ∂xk ∂xj k=1 ∂xj ∂xk ! ∂2p ∂vi = − +µ4 .17). neste capı́tulo. sendo dadas referências sobre o assunto ao final da Seção 2.Capı́tulo 2 A Vorticidade em Cena Será obtida.1 Dinâmica da Vorticidade Nosso objetivo inicial é obter uma equação de evolução para a vorticidade ∂ ω = rot v. Métodos numéricos de solução baseados na vorticidade podem ser desenvol- vidos. (Veja (1. O primeiro passo será obter uma equação de evolução para a matriz-gradiente da velocidade G. uma equação que nos dê ∂t ω em termos das outras deriva- das de ω e de outras grandezas. 2. uma formulação da mecânica dos fluidos incom- pressı́veis que utiliza a velocidade e a vorticidade (que é o rotacional da velocidade) como variáveis dependentes. Algumas soluções clássicas das equações de Navier-Stokes serão encontradas.1. utilizando as “equações da dinâmica da vorticidade”. 3 ∂vi X ∂vi ∂p ρ + ρ vk = − + µ 4 vi .14). em vez da velocidade e da pressão.) Derivando em relação a xj a i-ésima componente da equação de Navier-Stokes (1. no próximo capı́tulo. ∂t k=1 ∂xk ∂xi usando que as derivadas comutam. isto é. ∂xi ∂xj ∂xj 21 Apostilas Ideal .

6) div v = 0 .1) Dt 2 onde P denota a matriz hessiana da pressão P = (( ∂x∂i ∂xp )) j 1≤i. os vetores que a elas correspondem. conforme ω esteja alinhado com os autovetores de D de autovalor negativo ou positivo.3) Dt A equação em (1. tomando as partes simétrica e anti-simétrica de (2.3) tomando.j≤3 . Acoplando à equação (2. ρDω (a vorticidade é atenuada ou intensificada.5) Dt Esta equação pode ser interpretada como uma condição de equilı́brio entre três efeitos fı́sicos que competem entre si: (i) a convecção da vorticidade. tal como faz a tempe- ratura) e (iii) a deformação da vorticidade. Obtemos então a equação de evolução que procurávamos: D ρ ω = ρDω + µ 4 ω .2) Dt D ρ Ω + ρ(ΩD + DΩ) = µ 4 Ω . onde este último efeito é ilustrado. (2.5) as equações rot v = ω (2. (ii) a difusão da vorticidade. pois D depende da velocidade. E’ claro que a equação (2. respectivamente).5) sozinha não é suficiente para descrever a evolução da vorticidade. (2. podemos aplicar o item c do Exercı́cio citado. como des- crito no Exercı́cio 6.1).4). respec- tivamente. graças a (2. (2. no lugar das matrizes anti- simétricas que lá aparecem. Note que.9) é equivalente a traço D = 0 (2. obtemos equações de evolução acopladas para Ω e para D (Veja a definição em (1. D ρ Dt ω (a vorticidade tende a ser carregada pelo fluido). µ 4 ω (a vorticidade tende a se espalhar.20): D ρ D + ρ(D 2 + Ω2 ) = −P + µ 4 D (2. vem: D ρ G + ρG2 = −P + µ 4 G . que também não é conhecida. A VORTICIDADE EM CENA Escrevendo a equação acima na forma matricial. a princı́pio.1.22 CAPÍTULO 2. (2. Veja exemplo no final da seção 3. Denotando por Ω e D as partes simétrica e anti-simétrica de G. e usando que P é simétrica.7) Apostilas Ideal .4) Podemos agora reescrever (2.

Para tanto. (2.) Trocando livremente a ordem das derivadas. Dω ρ = ρ(ω · ∇)v + µ 4 ω . ao derivar (2. e se a região ocupada pelo fluido for simplesmente conexa (em particular. Na próxima seção. Apostilas Ideal .6) e (2.17) é satisfeita. se v for solução de (2. ∂t a qual. entretanto.5). se for o espaço inteiro).5).2. Não é tudo tão simples quanto parece porque. 38. Vejamos agora que.5) depois desta substituição.9) Esta última equação é uma identidade válida para qualquer campo vetorial v(x) em IR3 .17) e (1. é equivalente a: rot [(v · ∇)v] = −D(rot v) + (v · ∇)(rot v) .) Esta integral singular.8) ∂t Pois daı́.7). 5. por um caminho arbitrário. obtendo uma equação integro-diferencial de evolução para ω. esta formulação da dinâmica da vorticidade pode ser utilizada para obter eficientes métodos numéricos [42. reciprocamente. Dt é conhecida como a equação de Helmholtz [43]. 41. basta mostrarmos que é válida a igualdade: ∂v   rot ρ + ρ(v · ∇)v − µ 4 v = 0 . aparece no integrando um termo cujo módulo é da ordem de |x − y|−3 . vamos resolver (2.19).5). o Teorema de Stokes permite-nos definir a pressão no ponto x com sendo igual a menos a integral de linha da expressão entre colchetes em (2.6) e (2. vemos que (2. Além disso. podemos obter a matriz de deformação D e substituir em (2. DINÂMICA DA VORTICIDADE 23 obtemos um sistema que necessariamente é satisfeito pelo campo de velo- cidades de um fluido do tipo modelado por (1. cuja integral em relação a y diverge em qualquer aberto contendo x. E’ imediato verificar que Dω = (ω · ∇)v. após substituirmos (2. satisfazendo div v = 0. (2. se D denota a matriz 21 [∇v + (∇v)t ] (veja o Exercı́cio 16). tal que (1. obtendo uma fórmula integral que dá v a partir de ω. A partir de v.7).8) é equivalente à equação ∂ω ρ + ρrot [(v · ∇)v] − µ 4 ω = 0 . A equação em (2. 37. então existe uma função p.8) a partir de um ponto fixo até x. (Verifique isto. (Verifique isto. envolvendo só ω. por sua vez. 58]. 12].9).1. pode ser tratada teoricamente [41. (2.

o operador laplaciano é aplicado a cada componente da velocidade. Apostilas Ideal .12) satisfazendo uma (possivelmente outra) condição de decrescimento no infinito. Não vamos enveredar por esta trilha. O campo magnético e a den- sidade volumétrica de corrente elétrica satisfazem as equações 2. necessariamente temos de assumir. o que nos levaria a questões matemáticas bastante delicadas.6)-(2. página 220. solução. o que dá: rot ω(y) Z v(x) = dy . Aplicando o rotacional aos dois membros da equação em (2.6). dado ω(x). e daı́ obter uma fórmula que mostraremos em seguida ser. do lado esquerdo desta identidade.13) a cada componente de (2. A VORTICIDADE EM CENA 2. da equação 2. de fato.12) tem uma solução dada por f (y) Z u(x) = − dy .11).7). por exemplo. principalmente se levássemos em conta que nosso principal interesse é resolver (2. que é uma solução em IR3 .1]. há uma mistura de coordenadas.) 3 Uma solução de (2. portanto. seção 4.6 e 2.11) A equação de Poisson. e usando a identidade vetorial 2 4u = ∇(div u) − rot (rot u) (2.7). do lado direito. Como é usual em equações diferenciais. Há também resultados envolvendo condições de fronteria.2 Biot-Savart E’ conhecida como a lei de Biot-Savart 1 a fórmula integral em (2. (2. onde é dada a definição do laplaciano em uma variedade Riemanniana 3 Quanto à unicidade da solução.11) é dada então aplicando a fórmula em (2.13) IR3 4π|x − y| (Veja. (2. nos papéis da velocidade e da vorticidade. respectivamente. do sistema de equações em (2. enquanto que. nossa estratégia será supor que o sistema que bus- camos resolver tem solução.14) IR3 4π|x − y| 1 Esta fórmula aparece também em Eletromagnetismo. existe uma única solução u de (2. (2.10) e a equação em (2. existem resultados do tipo: se f satisfaz uma certa condição de decrescimento no infinito.5). vem: 4v = −rot ω . expli- citaremos oportunamente condições de decaimento no infinito para ω.6) e (2. Para resolvermos o sistema (2.19). 2 Note que. da referência [63].7.6) e (2.24 CAPÍTULO 2.6 segue-se a igual- dade div ω = 0. que ω satisfaz esta condição. (2. que serão necessárias para que certas integrais façam sentido. 4u = f . Além disso. Esta fórmula é um caso particular da equação (3). [30.7) acopladas também a (2.7). Como div rot v é nulo (veja Exercı́cio 14).

|x − y| ≤ R}.2. Calculando o gradiente que aparece na primeira. concluı́mos que a segunda integral em (2. Apostilas Ideal .19) IR3 4π|x − y|3 Supor (2. (2. para cada x ∈ IR3 . basta supormos que ω seja limitado.16) IR3 4π|x − y| A seguinte identidade é consequência do Teorema da Divergência (veja o Exercı́cio 15): Z Z rot u dy = u × n dSy .14) são iguais.) A integração por partes que efetuamos garante então que também (2.2. (2.16) é igual a ω(y) × n Z lim dSy . (Verifique isto. (Use coordenadas esféricas para verificar isto. chegamos à fórmula conhecida como lei de Biot-Savart: x−y Z v(x) = × ω(y) dy . obtemos então que a segunda integral de (2. BIOT-SAVART 25 Usando a identidade vetorial rot (f u) = f rot u + ∇f × u (2.18). R→∞ {y. Dica: Esta hipótese implica que também |x − y|1+α |ω(y)| é limitado.|x−y|=R} 4π|x − y| Este limite dá zero se assumirmos a hipótese max{ |y|1+α |ω(y)| . y ∈ IR3 } < ∞ . (2.14) converge e que as integrais que aparecem em (2.19) e (2.) Assumindo (2. o módulo do integrando é limitado por uma constante vezes r −3−α .) Na região r ≤ 1. (2. que é integrável em r > 1.17) Ω ∂Ω Utilizando-a para Ω = {y.18) é suficiente também para garantir que a integral imprópria em (2.16) é nula.15) (veja o Exercı́cio 14). uma vez que temos lim|y|→∞ |x − y|/|y| = 1. Denotando |x − y| por r.(Verifique isto.18) para algum α > 0.19) converge. vem: 1 Z   v(x) = − ∇y × ω(y) dy + IR3 4π|x − y| ω(y) Z roty dy .

obtendo: 1 Z v(x) = (rot ω)(z + x) dz .21). para reconhecermos aqui a integral em (2. Apostilas Ideal . Vamos trocar a ordem de derivação e integração à vontade. IR3 4πz Usando (rot ω)(z + x) = rotx [ω(z + x)] e a identidade div (rot u) = 0 .6.) 4 O leitor interessado deve consultar [3].7). ou [29].20) vem: 1 Z div v(x) = divx rotx [ω(z + x)] dz = 0 . reescrevemos (2.26 CAPÍTULO 2. que esta integral dá de fato ω. definida em (2. à página 24. com 4ω no lugar de f .12). Teorema 33. Exercı́cio VII.10). A VORTICIDADE EM CENA Verificação da lei de Biot-Savart Vamos mostrar agora que a velocidade v(x). IR3 4πz Calculando rot v. em nota de rodapé.14) satisfaz (2. IR3 Usando a identidade vetorial em (2. assim como a primeira integral de (2.21) ser nula. o que concluiria nossa demonstração. vem: Z rot v = rotx rotx [ω(z + x)] dz . onde são dadas condições precisas sob as quais a troca é legı́tima.14).13).6) e (2. pode-se mostrar. Veja os comentários que fizemos sobre a unicidade da solução do problema de Poisson. (Basta fazermos de volta a mudança y = z + x. ) Reciprocamente. vem: 1 Z rot v = − 4x [ω(z + x)] dz IR3 4π|z| 1 Z + ∇x [divx (ω(z + x))] dz . (Note que este é um problema de uni- cidade de soluções: ω é uma solução de 4u = 4ω.21) IR3 4π|z| A condição div ω = 0 foi tomada como hipótese no começo da seção. sob certas condições de decaimento de ω no infinito. Quanto à primeira integral. sem nos preocuparmos em especificar que tipo de decaimento no infinito ω e suas derivadas precisariam ter para que tais procedimentos pudessem ser justificados.4 Através da troca de variáveis z = y − x. (2. daı́ a segunda integral em (2. (2.8. já mencio- namos ser ela uma solução do problema de Poisson (2.

com v(x. generalizamos este resultado e damos uma famı́lia de exemplos de soluções das equações de Euler e de Navier-Stokes. seja solução de (1. Como a velocidade assim encontrada depende linearmente de x.17).9) se e somente 27 Apostilas Ideal . dependentes do tempo.1 Separação de Variáveis Dado ω ∈ IR3 . ou famı́lias de exemplos. existe p(x. mas com coeficientes dependentes do tempo. t) = A(t)x. p(x) = 21 xt P x para alguma matriz P ). Diversos problemas de valor inicial podem ser resolvidos explicitamente pelos métodos aqui estudados.16) e (1. t) = A(t)x.Capı́tulo 3 Mais Exemplos Neste Capı́tulo. obtemos exemplos. A pressão que obtemos também é quadrática em x. Nesta seção. O que há em comum aos métodos usados nas três seções deste capı́tulo é supormos que existem soluções de certos tipos pré-estabelecidos e obtermos então equações mais simples que as equações originais. t) tal que (v. onde A(t) é uma matriz 3 × 3 tendo funções diferenciáveis como elementos.2. e tal que a vorticidade rot v seja independente de x e igual ao vetor dado ω (veja o Exemplo 5). seguindo-se daı́ que v e p são também soluções de (1. e a velocidade é da forma v(x. obtidas a partir de uma prescrição da parte simétrica da matriz-gradiente da velocidade e do valor inicial da vorticidade. sabemos como obter uma solução estacionária v(x) das equações de Euler. Proposição 17 Dada uma matriz 3×3 diferenciável A(t). 3. obtemos a igualdade 4v = 0. com pressão quadrática (isto é. p). de soluções das equações de Euler e de Navier-Stokes bem mais sofisticados que os da Seção 1.

t) = A(t)v(x.1) dt for simétrica e A(t) tiver traço nulo. MAIS EXEMPLOS se a matriz P .2).16) juntamente com a velocidade dada Apostilas Ideal . a pressão será dada por 1 p(x. então a pressão 1 t p(x. para A(t) dada de traço nulo. (3.16) é então equivalente a: dA   ρ (t) + A2 (t) x = −∇p(x. t) = A2 (t)x . Reciprocamente. Sendo este o caso. pressão p(x. Calculemos a j-ésima componente de (v · ∇)v: 3 3 X 3 X ∂vj X ∂ vi (x. (3. t) . t) = xt P (t)x . t) satisfazendo (1. t) (x.9 para v da forma proposta é então equivalente a traço A(t) = 0 t≥0. A equação 1. portanto: [(v · ∇)v](x.2) dt Se a matriz do lado esquerdo da equação em (3.1)). t) = vi (x. t) (ajk (t)xk ) i=1 ∂xi i=1 k=1 ∂xi 3 X = aji (t)vi (x. se existir. 2 juntamente com a velocidade proposta no enunciado da proposição. definida por dA   P (t) = −ρ (t) + A(t)2 . definem solução de (1. for simétrica. t) .16) e (1. que é igual a −P (t) (veja a definição em (3. A equação da conservação do momento (1. i=1 Obtivemos. 2 Demonstração Um cálculo direto nos leva à igualdade: div [A(t)x] = traço A(t) .28 CAPÍTULO 3.9). t) = x P (t)x .

a pressão fica determinada pela escolha da matriz A(t) satisfazendo as condições exigidas. (3. P (t) é simétrica.16) e (1. Demonstração Suponhamos que A(t) seja tal que existe p(x. Somando à pressão encontrada funções arbitrárias do tempo. como podemos obter exemplos mais gerais de matrizes A(t) satisfazendo as hipóteses da Proposição 17. t) que. seja ω(t) a solução do problema de valor inicial  d   dt ω = D(t)ω . Proposição 18 Dados ω 0 ∈ IR3 e D(t). ∂xi ∂xj ∂xj ∂xi e. t) . O leitor deve observar a semelhança deste argumento com a técnica utilizada na Seção 2.4) 2 existe uma pressão quadrática p(x. p) define solução das equa- ções de Euler e de Navier-Stokes com rot v = ω. ainda ob- temos soluções das equações de Euler e de Navier-Stokes. (3. Apostilas Ideal . juntamente com v(x. t) = A(t)x.1.1. uma matriz 3×3 simétrica e de traço nulo cujos elementos são funções contı́nuas. E’ claro que.3. A proposição abaixo nos dá a receita de como obter todas elas. A idéia central é escrever A(t) como soma de suas partes simétrica e anti-simétrica e relacionar a segunda com a vorticidade. t) = A(t)x. portanto. SEPARAÇÃO DE VARIÁVEIS 29 por v(x.5) resolvem (1.9). Estas são todas as soluções do tipo v(x. comum a qualquer solução. entretanto. t) = (x. (3. decorre de (3. t) = A(t)x . P (t) também o será. Escrevamos a matriz A(t) como A(t) = D(t) + Ω(t) . t) tal que (v.3) = ω0   ω(0) Definindo então 1 v(x. se A(t) for uma matriz simétrica.2) que o elemento na linha i e coluna j de P (t) é ∂2p ∂2p (x. t) = ω(t) × x + D(t)x . Não é claro. A menos desta “não-unicidade”.

se A é tal que v em (3.6) e (3. dt dt (Omitimos daı́ o argumento t. (3. vemos então que. Reciprocamente. itens (a) e (b).9) para alguma pressão p. respectivamente. t) da forma (3.30 CAPÍTULO 3. Tome arbitrariamente D(t) simétrica de traço nulo. respectivamente. então. para todo t ≥ 0. a matriz P definida em (3. Outras vezes ele será omitido sem aviso. se Ω e D são matrizes simétrica e anti-simétrica. Vimos na demonstração da Proposição anterior que o traço de A é identicamente nulo. t ≥ 0 .1). satisfazendo (3. MAIS EXEMPLOS onde D(t) é simétrica e Ω(t). Donde. são precisamente D(t) e Ω(t).5) são obtidas do seguinte modo. como descrito na Seção 1.9). anti-simétrica. usando a proposição anterior. para alguma pressão p. Em seguida escolha Ω(t) satisfazendo (3.7) como uma equação envolvendo a vortici- dade. então suas partes simétrica e anti-simétrica satisfazem (3. Demonstramos portanto que todas as soluções v(x.5) é solução de (1. temos então a igualdade: traço D(t) = 0 . As partes simétrica e anti-simétrica da matriz-gradiente da velocidade (veja (1. que a de- rivada de Ω é da forma   0 −ω30 ω20 dΩ 1 =  ω30 0 −ω10  .5) define um campo de velocidades solução de (1. e faça A = D + Ω.  dt 2 −ω20 ω10 0 Apostilas Ideal . Vamos agora reescrever (3. (3. com A = D + Ω. para v da forma considerada.) A condição P ser simétrica é então equivalente à equação dΩ = −[D(t)Ω(t) + Ω(t)D(t)] .7). vemos que o campo de velocidades definido em (3.2) Usando a proposição anterior.14)). definida em (3. Como o traço de uma matriz anti-simétrica é automaticamente nulo.16) e (1.7) dt (Usamos aı́ a unicidade da decomposição de uma matriz em partes simétrica e anti-simétrica.6) e (3.16) e (1.7).6) A decomposição da matriz P (t).1) é simétrica. Segue-se então do Exercı́cio 6. em suas partes simétrica e anti-simétrica é a seguinte: dD dΩ     P = −ρ + Ω2 + D 2 −ρ + DΩ + ΩD .7).

daı́. para o exemplo da deformação. ω0 ). para estes dados. 0.3.4): v(x.(b) e (a) do Exercı́cio 6 a igualdade   0 −η3 η2 DΩ + ΩD =  η3 0 −η1  . Apostilas Ideal . D(t) ≡ D e ω 0 = 0. 0.   −η2 η1 0 onde η = (η1 . − 12 γx2 − 21 eγt x1 ω0 . E’ fácil ver que. e. (3. Ap 10). A solução não mais será estacionária. para o exemplo da rotação. como querı́amos.3) é dada por ω(t) = (0. D(t) ≡ 0 e ω 0 = ω. ω3 )t denota a vorticidade e estamos omitindo o argumento t.5 escrita para o campo de velocidades em (3.4). Por fim. 2 e. 2 A equação (3. Ademais. Combinemos agora estes dois exemplos tomando para D(t) a matriz constante −1γ   0 0  2 1 D =  0 −2γ 0  . tendo solução única uma vez arbitrado o valor inicial ω(0) = ω 0 . usando novamente o Exercı́cio 6. γ>0.1. segue-se do itens (c). entretanto. t) = (− 21 γx1 − 12 eγt x2 ω0 . η2 .5). Basta tomarmos. Note que os Exemplos 4 e 5 podem ser obtidos imediatamente como casos particulares desta proposição. como vemos em seguida. eγt ω0 )t .7) é então equivalente a 1 dω = D(t)ω . 1 Observe que a equação 3. ω2 .  0 0 γ e ω 0 = (0. SEPARAÇÃO DE VARIÁVEIS 31 onde ω = (ω1 . γx3 )t . (3. obtemos (3. a solução de (3.9) Daı́ obtemos v a partir de (3.8 trata-se da equação 2. Não estamos usando este fato. η3 ) denota o vetor 1 η = Dω . temos a igualdade 1 Ω(t)x = ω(t) × x .8) dt que sempre pode ser resolvida (ver [55] ou [24].

enquanto se aproxima rapidamente do eixo x3 . é imediato resolver a equa- ção para x3 . aqui as partı́culas giram em torno do eixo x3 . x3 (t) = α3 eγt . verifica-se a igualdade d γt 2 [e (x1 + x22 )] = 0 . dt donde vem: (x21 + x22 )(t) = e−γt (α21 + α22 ) . usando (3.32 CAPÍTULO 3. Tal como no Exemplo 4. onde não havia rotação.10)     x03 = γx3   Dada uma condição inicial α = (α1 . ao contrário do Exemplo 4. O fluido deste exemplo comporta-se de maneira semelhante a água esco- ando pelo ralo de uma pia. x2 (t)) ao longo de uma trajetória. α2 . obtendo. 3. Usando as duas primeiras equações do sistema acima. Enquanto no Exemplo 5 a velocidade angular era constante. Obtemos soluções in- dependentes do tempo para as equações de Euler. este é nosso primeiro exemplo Apostilas Ideal . aqui o alinhamento inicial da vorticidade com um auto-vetor de auto-valor positivo da matriz de deformação provoca um crescimento exponencial da velocidade angular. α3 )t . e dependentes do tempo para as de Navier-Stokes. dt dt x1 x1 + x 2 2 Vemos então que. Fora o Exemplo 3.10): dθ d x2 x1 x02 − x2 x01 1   = arctan = 2 2 = eγt ω0 . a partı́cula se afasta rapidamente do plano x1 x2 . calculemos a derivada em relação ao tempo de θ(x1 (t). Denotando por θ o ângulo do sistema de coordenadas cilı́ndricas. MAIS EXEMPLOS As trajetórias das partı́culas satisfazem portanto as equações diferenciais = − 12 γx1 − 12 eγt ω0 x2  0   x1     x02 = − 12 eγt ω0 x1 − 12 γx2 (3.2 Distribuição Radial de Vorticidade Nesta seção obtemos soluções bidimensionais das equações dos fluidos in- compressı́veis a partir da prescrição da vorticidade como sendo igual a uma 1 função dada que depende só do raio r = (x21 + x22 ) 2 .

Vamos obter uma solução do sistema formado pelas equações em (2.11) A vorticidade ω = rot v correspondente a este campo de velocidades fica igual simplesmente a: ω(x.5). v2 (x1 . x2 . (3. conseguimos desa- coplar totalmente (2.3. Chamamos de bidimensional um campo de velocidades da forma v(x. t))t . 0.j≤3 Apostilas Ideal . genuı́no de solução das equações de Navier-Stokes. independente da velocidade. Graças à bidimensionalidade e à simetria radial.6)-(2. ou seja. embora a viscosidade estivesse presente. obtendo uma equação de evolução linear para a vorticidade.5) de (2. t). em nada modificava o movimento do fluido. é equivalente às equações de Navier-Stokes (ou Euler.6) e (2. ω(x1 . ∂x1 ∂x2 A matriz de deformação !! 1 ∂vi ∂vj D = + 2 ∂xj ∂xi 1≤i. t) = (0.7).12) onde ∂v2 ∂v1 ω = − .7).7) que obtemos é bem mais explı́cita que a lei de Biot- Savart. x2 .6) e (2. A solução de (2. que.1: Escoamento por um ralo. t) = (v1 (x1 .2. pois os demais eram e- xemplos com 4v ≡ 0. quando µ = 0) para fluidos incompressı́veis. como vimos no Capı́tulo 2. DISTRIBUIÇÃO RADIAL DE VORTICIDADE 33 Figura 3. (3. t). 0)t . (2. x2 .

16). às duas equações seguintes: ∂v1 ∂v2 + = 0 (3. A equação (3. (3.7) e (2. x2 .15). (3.15).18) ∂x21 ∂x22 Reciprocamente. Substituindo (3. respectivamente. A equação vetorial (2.14) também é satisfeita. então v1 e v2 .13). (3. satisfazem (3.x2 ) (−v2 dx1 + v1 dx2 ) (3.13) ∂t ∂x1 ∂x2 ρ ∂x21 ∂x22 As equações em (2.15) independente- mente de (3.34 CAPÍTULO 3. vamos resolver (3.5) resume-se então à equação escalar ! ∂ω ∂ω ∂ω µ ∂2ω ∂2ω + v1 + v2 = + .15) ∂x1 ∂x2 Dada uma função ω(r. obtemos: ! ∂2ψ ∂2ψ − + = ω . como consequência de (3. a integral de linha Z (x1 . definidos por (3.14) e (3. ∂x1 ∂x2 ∂x2 ∂x1 o que é verdadeiro se ψ for de classe C 2 .14) ∂x1 ∂x2 ∂v2 ∂v1 − = ω.15) podem ser desa- copladas introduzindo-se ao problema uma função ψ(x1 . definindo então uma função ψ(x1 . As equações (3. de modo que o termo Dω da equação 2.14)). como consequência de ∂2ψ ∂2ψ = . se a equação acima tem solução. t) definida pelas equações seguintes.17) (0.16) ∂x1 ∂x2 Dados v1 e v2 . t) tal que as equações em (3.14) e (3.0) é independente do caminho (pelo Teorema de Green e (3. para em seguida verificar qual equação ω deve satisfazer. t).16) em (3. Apostilas Ideal . ∂ψ ∂ψ = −v2 e = v1 (3.6) ficam simplificadas. MAIS EXEMPLOS tem a terceira linha e a terceira coluna nulas. x2 .16) são satisfeitas.13).5 é nulo.

3.2. DISTRIBUIÇÃO RADIAL DE VORTICIDADE 35

Resolvamos agora (3.18), assumindo que ω é radial, ω = ω(r, t), e pro-
curando apenas soluções radiais ψ(r, t). E’ bem conhecida a fórmula para o
laplaciano de uma função radial:

1 ∂ ∂ψ
  
− 4 [ψ(r, t)] = r (r, t) . (3.19)
r ∂r ∂r
Integrando em relação a r a equação

1 ∂ ∂ψ
 
r = −ω(r, t) ,
r ∂r ∂r
obtemos:
∂ψ 1
Z r
= − sω(s, t) ds (3.20)
∂r r 0

(usamos aı́ a igualdade

∂ ∂ψ

 

∂r ∂r . r = 0 .

v2 ) é perpendi- cular a (x1 . segue-se a equação: ∂ψ xi Z r = − 2 sω(s. Note que (v1 . t) ds . Temos portanto: ∂ω ∂ω v1 + v2 = 0 . (3. 1 ∂x2 ) é paralelo a (x1 . (3.23) ∂t ρ ∂x21 ∂x22 Apostilas Ideal . o que significa que as trajetórias das partı́culas são cı́rculos em torno da origem (ou do eixo x3 ).16) e (3. Como a função ω ∂ω ∂ω é radial.21) nos levam à solução procurada: ! ! v1 −x2 1 Z r = sω(s. e usando (3.13).13) simplifica-se e dá: ! ∂ω µ ∂2ω ∂2ω = + .r=0 ∂ψ condição necessária para que ψ seja de classe C 2 ). ( ∂x .22) v2 x1 r2 0 Resolvamos agora (3. (3. ∂x1 ∂x2 A equação em (3. Calculando ∂xi pela regra da cadeia. x2 ) em todos os pontos. usando (3. t) ds .21) ∂xi r 0 As equações em (3.20).22). x2 ) em todos os pontos.

dando origem a soluções estacionárias das equações de Euler. não-viscoso e irrotacional define uma função analı́tica. que coincide com a função ψ definida antes. e a parte imaginária de F . tal como a temperatura. a partir de (3.3) e. x2 ) . A parte real de F satisfaz ∂φ ∂φ = v1 e = v2 . são as curvas de nı́vel de ψ. Capı́tulo 6]. A obtenção desta famı́lia de soluções dependeu de maneira crucial da introdução da função ψ. Assim vemos que a presença de viscosidade (atrito) faz com que a vorticidade se difunda. Quando µ 6= 0. Pode-se verificar diretamente substituindo nas equações que a velocidade e a vorticidade assim obtidas são soluções das equações diferen- Apostilas Ideal . a equação 3. obter a velocidade. incompressı́vel.23) usando (B. usando a dica do Exercı́cio 26). A teoria de variáveis complexas pode ser usada para obterem-se soluções de problemas de fronteira e informações sobre a interação do fluido com objetos em contacto com ele. As equações em (3. ω = ω(r). z = x + iy . então. Qualquer solução dada pela convolução do núcleo do calor com um dado inicial radial (veja o Apêndice) será também radial (verifique. devemos ter.22). a vorticidade tende a zero uniformemente quando t tende a infinito (veja o Exercı́cio 99). Há uma interessante ligação entre fluidos bidimensionais e teoria de funções de variáveis complexas. MAIS EXEMPLOS Para o caso de fluidos não-viscosos (µ = 0). de modo que o conjugado complexo do campo de velocidades de um fluido bidimensional.14) e (3. E. consequência de o gradiente de ψ ser perpendicular a v em todos os pontos. t) para t fixo. por exemplo. seja qual for a condição inicial limitada. resolver (3. terá suporte ilimitado após decorrido qualquer intervalo de tempo positivo. 0). Observe que as curvas integrais de v(x. a vorticidade independente do tempo. é chamada função de corrente.15) para ω = 0 são as equações de Cauchy-Riemann para a função f (z) = v1 (x1 .36 CAPÍTULO 3. podemos usar a receita obtida tomando ω(r) não derivável ou até descontı́nua. podemos arbitrar uma distribuição inicial radial de vorticidade ω(r.) Apesar de termos assumido regularidade da solução nos cálculos que fi- zemos. ∂x1 ∂x2 sendo chamada potencial de velocidade. Deste modo.23 é nossa conhecida equação do calor. (Veja [2. x2 ) − iv2 (x1 . Uma condição inicial de suporte compacto. que coincidem com as trajetórias quando v não depende do tempo. A integral complexa de f a partir de um ponto fixo arbitrário define uma função F = φ + iψ satisfazendo F 0 (z) = f (z).

Esta solução é denomina- da Vórtice de Burgers. considerando: (a) ω(r) = (1 + r 2 )−1 . Exercı́cio 23 Convença-se de que a integral em (3.14) e (3. obtenha v(x) e esboce o gráfico do módulo da velocidade como função do raio. Como o fluido é incompressı́vel. (b)(Vórtice de Rankine) ω(r) igual a 1. Quebrada a bidimensionalidade. vemos esta solução aparecer naturalmente. VÓRTICE DE BURGERS 37 ciais nos pontos onde são deriváveis.6) e (2. multiplicada pela densidade de volume.3 Vórtice de Burgers O campo de velocidades definido em (3.22) satisfaz as equações em (3. Na seção anterior obtivemos soluções destas equações que tendiam a zero para t grande. o resultado da competição entre os três efeitos mencionados Apostilas Ideal . caso contrário. mede a quantidade de massa por unidade de tempo que atravessa a superfı́cie cilı́ndrica de altura unitária e base C. Exercı́cio 19 Assumindo µ = 0.30). o vórtice de Burgers como uma solução de equilı́brio. Surge então. ou zero. se r ≤ 1. Esta afirmação pode ser verificada diretamente por substituição. quando o tempo tende a infinito.7). Falando em termos pouco precisos. Exercı́cio 20 Mostre que o disco r ≤ 1 gira como um corpo rı́gido para o fluido do item (b) do exercı́cio anterior. 3. (2. juntamente com vortici- dade paralela ao eixo x3 e módulo ωb dado em (3.25) e (3. po- demos dizer que estamos agora superpondo à situação da seção anterior um jato (veja o Exemplo 4) que comprime o fluido nas direções dos eixos x1 e x2 e o faz expandir-se na direção de x3 .32).15).3. o termo de convecção da vorticidade Dω deixa de ser nulo.5). Veremos nos próximos capı́tulos gene- ralizações das definições de soluções que permitem interpretar tais funções como possı́veis soluções de fato.5).6) e (2. resolvem as as equações da dinâmica da vorticidade (2. 0) as funções dadas no Exercı́cio 19.17). Exercı́cio 21 Considere µ > 0 e analise o que ocorre se tomarmos para ω(r. Exercı́cio 22 Verifique por substituição direta que o campo de velocidades em (3. como o limite quando t tende a infinito de certas soluções dependentes do tempo de (2.7). isto justifica fisicamente o fato de o valor da integral ser independente de C. onde C é o caminho de integração.3. Nesta seção. (2.

1. 0) = u0 (x) . Proposição 24 Considere o problema de valor inicial ∂u + β(x · ∇)u = ν 4 u + σu . MAIS EXEMPLOS após (2. Este exemplo pode ser olhado como um modelo um pouco mais realista de um “ralo de pia” do que o descrito no final da Seção 3.24) que fica limitada em x. Nos exercı́cios. demons- trada em dimensão m e aplicada no texto apenas para m = 2. pedimos que o leitor a aplique. com m = 1. Fazendo a mudança de variáveis2 ν ξ = e−βt x e τ = (1 − e−2βt ) 2β e usando a regra da cadeia. y. para obter a solução denominada “camadas de cisalhamento de Burgers”.24) onde γ e ν são constantes dadas e u0 é uma função contı́nua e limitada.38 CAPÍTULO 3. x ∈ IRm . deformada pelo efeito do jato. Isto ilustra como pode ser complicado “superpor” soluções de equações não lineares. Apostilas Ideal . ao invés de uma vorticidade tendendo a infinito com o tempo. (Apêndice A). t) = e K̃m (x. ∂t ∂τ 2 Compare com o método das caracterı́sticas. para todo t. para equações diferenciais parciais de 1a ordem. (1 − e−2βt ) . soma de duas soluções seria uma solução.5). t) = Km e−βt x − y.1. vem: ∂u ∂u = νe−2βt − β ξ · ∇ξ u . como acontecia na Seção 3. y. (3. E’ dada uma vorticidade inicial dependente do raio e obtém-se no limite uma vorticidade estacionária. A solução de (3. Demonstração Consideremos primeiramente o caso σ = 0. t) = (4πt)−m/2 exp(− | z |2 /4t) . t)u0 (y) dy . IRm com K̃m dado por ν   K̃m (x. t > 0. 2β onde Km denota o núcleo do calor Km (z. ∂t u(x. Usamos resultados da seção anterior e da proposição seguinte. Se a equação fosse linear. é dada por Z σt u(x.

γx3 )t . (3. x2 . t) resolve (3. pois para obter (3.3.25) onde γ é uma constante positiva e v1 e v2 dependem apenas de x1 .12). somamos a (3. − 12 γx2 + v2 . basta notar que u(x.3. 0. VÓRTICE DE BURGERS 39 x · ∇x u = ξ · ∇ξ u e 4x u = e−2βt 4ξ u . O divergente da velocidade em (3. t) = (0.25). ω(x1 . ∂τ cuja solução que fica limitada em | ξ | (para cada τ fixo) é dada por Z u(ξ. γx3 )t . 0) = u0 (ξ) . t) = Km e−βt x − y.11) o campo (− 21 γx1 . A vorticidade é calculada imediatamente.26) onde ∂v2 ∂v1 ω = − . t) resolve (3. − 21 γx2 . vemos que o problema de valor inicial que queremos resolver é equivalente a ∂u = 4ξ u . t))t . (1 − e−2βt ) u0 (y) dy .3). soluções das equações da dinâmica da vorticidade que dêem campos de velocidade da forma v = (− 12 γx1 + v1 . (3. ∂x1 ∂x2 Apostilas Ideal .24) que fica limitada em | x | (para cada t fixo): ν Z   u(x. obtemos a solução de (3. u(ξ. IRm (Veja (B. Procuremos. IRm 2β o que demonstra a proposição quando σ = 0. eσt u(x. agora. τ ) = Km (ξ − y. dando: ω(x.) Voltando às variáveis originais.24) para σ arbitrário. τ )u0 (y) dy . Para obter a fórmula no caso geral. ∂x1 ∂x2 Não é por coincidência que obtivemos a vorticidade dada por fórmula idêntica a (3.25) é dado portanto por ∂v1 ∂v2 div v = + . que tem rotacional e divergente nulos. e somente se.24) com σ = 0 se. x2 e do tempo t. Substituindo na equação diferencial.

E’ imediato observar que o limite do que vem entre o sinal de igualdade e o sinal de integração em (3. como prometemos. a função definida por (3. então.27) vimos na seção anterior que v1 . Sob a hipótese de que ω depende só do raio r = (x21 + x22 )1/2 e do tempo. Calculemos agora o limite no infinito de w(x. assim. Este fato é consistente com a hipótese que fizemos sobre ω em (3. (3.14) e (3. σ = γ e β = −γ/2. y2 ). Dt ∂t 2 ∂x1 ∂x2 E’ fácil de ver que o termo de (2.28) também terá esta proprie- dade para cada t (veja Exercı́cio 26). x2 . v2 e ω satisfazem (3. 0) = ω0 (r) . MAIS EXEMPLOS Concluı́mos. t).5) responsável pela deformação da vorticidade resume-se a: Dω = γω . que v1 . t) = exp − ω0 (y) dy .40 CAPÍTULO 3.5) fica.28) é Apostilas Ideal . para uma dada condição inicial contı́nua e limitada ω(x1 .22). ∂x1 ∂x2 de onde segue-se que a derivada material de ω é dada por Dω ∂ω 1 ∂ω ∂ω   = − γ x1 + x2 . usando a Proposição 24 com ν = µ/ρ.28) 4πµ(eγt − 1) IR2 4µ(eγt − 1) onde x e y denotam os vetores (x1 .22). A equação em (2. isto implica a igualdade ∂ω ∂ω v1 + v2 = 0 . Como já observamos logo após (3. Assim obtemos: " # γρeγt γρ|eγt/2 x − y|2 Z ω(x. a fim de obtermos o vórtice de Burgers. v2 e ω estão relacionados pela equação em (3.15). x2 ) e (y1 . ∂t 2 ∂x1 ∂x2 ρ que pode ser resolvida.27): começando com vorticidade radial. se ω0 for uma função dependente apenas de |x| = (x21 + x22 )−1/2 . apresentando-se como ∂ω 1 ∂ω ∂ω µ   − γ x1 + x2 = 4 ω + γω . (3. E’ importante observar que. livre das incógnitas v1 e v2 . ela se mantém radial.

independente do tempo). a exponencial é independente de y e pode ser sacada fora da integral. o Teorema da Convergência Dominada [3. obtemos o que chamamos o Vórtice de Burgers: γρ γρ  Z ∞ ωb (r) = exp − r 2 sω0 (s) ds . v2 ) dado pela substituição de (3. Usando estes fatos. E’ também óbvio que o valor absoluto do integrando é menor ou igual a |ω0 (y)|. entretanto. 4πµ e − 1 IR2 γ 3 A Proposição 24 é válida também se a condição inicial u0 for apenas de valor abso- luto integrável. t)| ≤ |ω0 (y)| dy . (3. na equação anterior. Vê-se facilmente que γρ e 1 Z |ω(x. Apostilas Ideal .28). VÓRTICE DE BURGERS 41 igual a (γρ/4πµ). t→∞ 4πµ IR2 4µ Note que. para todo t.3.3.28) em (3. bastaria supor (3. t) ds . 26] ). (3. vamos novamente aplicar o Teorema da Convergência Dominada.29) ao longo de toda esta seção. é suficiente supor que ω0 satisfaça a hipótese seguinte: Z |ω0 (y)| dy < ∞ . s = |x|. sendo desnecessário supor u0 contı́nua e limitada. x3 . Escrevendo a integral de ω0 em coordenadas polares.25) com (v1 . Para tanto. E’ preciso. (3. e escrevendo r em lugar de |x|. dado por (3. redefinir o que significa a solução assumir a condição inicial (Veja [30.31) t→∞ v2 x1 r 2 t→∞ 0 com ω(s.22). x2 . quando o tempo tende a infinito. O limite da parte que depende do tempo é: ! ! v1 −x2 1 Z r lim = lim sω(s. Gostarı́amos de passar o limite para dentro da integral. x ∈ IR3 . 3 O leitor deve verificar a igualdade |eγt/2 x − y|2 lim = |x|2 . t) dado por (3. t). de v(x1 . 4] legitima a troca proposta.30) 2µ 4µ 0 Queremos agora calcular o limite. t→∞ eγt − 1 Obtemos então: ! γρ γρ|x|2 Z lim ω(x. Para que seja legı́tima a passagem do limite para dentro do sinal de integração. t) = exp − ω0 (y) dy .29) IR2 Nestas circunstâncias (com o integrando limitado por uma função de módulo integrável. t ≥ .

logo integrável em [0. Obtemos então.32) v2 x1 r2 0 com ωb dado em (3. Apostilas Ideal .9). r]. Quanto às equações em (2.22) e ωb é radial. Calcule o limite quando t tende a infinito para obter as camadas de cisalhamento de Burgers [41]. para todo R. t). Exercı́cio 25 Verifique a afirmação do parágrafo anterior.28) para ω0 igual a uma função constante e compare o resultado com (3. e para toda rotação R.6) e (2. com ω(x. γx3 ) . podemos verificar diretamente que o campo de velocidades dado por (3.25) e (3. ωb ) resolvem (2. procure soluções das equações de Navier-Stokes da forma v(x1 .28). veja o Exercı́cio 22. t) = ω(x. t) definido em (3. donde se segue que podemos aplicar o TCD e trocar a ordem do limite com a integral em (3.7).42 CAPÍTULO 3.6) e (2.5). t). mudança de variáveis em (3.Use os seguintes ingredientes: rotação deixa norma invariante.31). Este é um problema matemático difı́cil: em geral nem se sabe se a solução existe como função diferenciável para todo t. para todo y. vale a igualdade ∂ωb ∂ωb v1 + v2 = 0 .5). x2 . como (v1 . x3 . E’ o que o leitor deve verificar no Exercı́cio 25. Para este exemplo que estamos estudando.32) e a vorticidade (0. ! ! v1 −x2 1 Z r = sωb (s) ds . (2. para todo x. Note que isto corresponde a superpor à solução do Exemplo 3 um jato (veja Exemplo 4) no plano x2 x3 que comprime o fluido na direção x2 e o faz expandir-se na direção x3 .7) seja solução estacionária do mesmo sistema. Mostre então que ω(Rx. E’ razoável esperar que o limite para t tendendo a infinito de soluções de (2. Exercı́cio 28 Analogamente ao que fizemos nesta seção. (3. utilizando a fór- mula em (3. −γx2 . ∂x1 ∂x2 Exercı́cio 26 Suponha que ω0 é tal que ω0 (Ry) = ω0 (y). 0. Sugestão .19) e o fato de que. v2 ) e ωb se relacionam por (3. MAIS EXEMPLOS O lado direito desta desigualdade é uma constante.30).28) e det R = 1. Exercı́cio 27 Resolva a integral em (3. t) = (v1 (x2 .

Necessariamente são diferenciáveis. Equação de evolução (4. Uma solução clássica (ou forte) de uma equação diferencial. como soluções da equação diferencial. ou até mesmo descontı́nuas. Retomamos o estudo das equações de Euler e Navier-Stokes no Capı́tulo 6. Esta foi a noção usada nos capı́tulos anteriores. 4. 0) = f (x). é uma função que substituida na equação diferencial resulta numa identidade válida em cada ponto de seu domı́nio de definição.1) u(x. reconsiderando-se a noção de solução.2) 43 Apostilas Ideal . Nos capı́tulos subsequentes estas idéias são retoma- das em um contexto mais geral.1 O Modelo Clássico Considere o problema de valor inicial (PVI): ut + ux = 0.Capı́tulo 4 Uma Equação de Onda Interrompemos momentaneamente o estudo das equações de movimento de fluidos incompressı́veis para tratar de questões analı́ticas mais delicadas. x ∈ IR. Há que repensar os conceitos e. há necessidade de se considerar funções apenas contı́nuas. como veremos neste capı́tulo. Condição inicial (4. Neste capı́tulo. E’ claro que não adianta tentar substituir uma função não diferenciável na equação diferencial porque isto carece de sentido. x ∈ IR. Por vezes. inicialmente definindo solução fraca para estas equações. No próximo capı́tulo desenvolvemos ferra- mentas necessárias para estender esta noção a uma classe ampla de equações diferenciais. utilizamos um exemplo para esboçarmos idéias básicas acerca da noção de solução fraca de equação diferencial. termina-se por introduzir uma noção alternativa de solução a noção de solução fraca. t > 0.

o contorno do glaciar (não diferenciável) mostrado na Figura 4. UMA EQUAÇÃO DE ONDA Aqui f é um dado do problema. 1) no plano (x. e x em IR seria solução do PVI. A equação diferen- cial (4. 4. Isto elimina os candidatos a solução que. t) = f (x − t). Apostilas Ideal . não são no entanto funções diferenciáveis. Este problema envolve uma equação diferencial parcial linear de 1a ordem cujo método de resolução é delineado no Apêndice A.1. t > 0. De saı́da. embora exibam um comportamento fisicamente correto para o modelo.2). Para usar o método do Apên- dice é necessário que f ∈ C 1 (IR). o que assumiremos. v(x. (b) as equações(4. com velocidade constante e igual a um. Este corresponde à translação de uma onda. Pela equação di- ferencial vemos que u é constante ao longo das curvas caracterı́sticas.3) para alguns valores de t. ∞) e diferenciável em IR × (0. Definição 29 Uma solução clássica do PVI (4.2.1).1. (veja [64. Para efeitos de ilustração. a função v dada por v(x. as curvas caracterı́sticas.1. 1 Esboçaremos a resolução deste problema. 1 Um comentário: Não fosse a imposição da continuidade da solução em IR × [0.1) é equivalente a impor que a derivada direcional de u na direção (1. página 6]).2 Crise Discutimos algumas dificuldades inerentes à noção de solução clássica do PVI. 0) = f (x) para x em IR e. Como estas curvas interceptam o eixo x. Este PVI é o exemplo mais simples de ondas hiperbólicas e. 4. 4. obtêm-se uma idéia do comportamento da solução do PVI (4.3) Traçando o gráfico da solução (4. a função u terá ao longo de uma carac- terı́stica o mesmo valor que f tem no ponto de interseção dessa caracterı́stica com o eixo x. escolhemos f0 .2).2) é uma função u que satisfaz simultaneamente (a) a condição de regularidade: u contı́nua em IR × [0. Neste exemplo. t) seja zero. ∞). 4. são as retas x − t = c = constante.1. 4.2). Portanto. u(x. t) = 0. fenômenos dos mais diversos. ondas de glaciares e certos fenômenos em reações quı́micas. modela (em uma primeira aproximação). apesar da sua simplicidade. ∞) e. entre os quais citaremos ondas de tráfego.3) despreocupadamente dirı́amos que a solução do PVI (4. Mas esta é uma solução que não é de interesse algum. uma solução clássica terá que ser diferenciável. (4. (veja Figura 4. 1). como condição inicial. Se utilizás- semos (4. paralelas ao vetor (1. para a direita. a qual ficará patente no decorrer desta seção.44 CAPÍTULO 4.

ao tentarmos verificar se u0 satisfaz (4.4) como sua legı́tima solução. Apesar de excluı́das pelo método de resolu- ção há no entanto motivos de caráter fı́sico e matemático.1: a) Curvas caracterı́sticas: A solução é constante ao longo das curvas caracterı́sticas. é o de glaciares transla- dando para a direita com velocidade constante e igual a um.1) notamos que u0 não é diferenciável.4.4) Contudo. (4. Primeiramente. isto é. podemos construir uma sequência de funções f de classe C 1 tais que f (x) → f0 (x). o fenômeno fı́sico modelado pelo PVI.2) reflita a fenomenologia fı́sica deveremos aceitar (4. t) = f0 (x − t). estes nos levam ainda a querer aceitar (4. CRISE 45 Figura 4. para a direita. b) Onda de translação simples: A solução u corres- ponde a uma onda transladando.1. observamos que podemos aproximar a condição inicial f0 por uma sequência de condições iniciais diferenciáveis f .3) por solução do PVI mesmo quando a condição inicial for apenas contı́nua.5) Apostilas Ideal . Motivo Fı́sico Pela análise da estrutura das soluções clássicas em (4. quando  → 0. com velocidade constante e igual a 1. pois f0 não o é. Se quisermos que o PVI (4. com condição inicial f0 é u0 (x. (4. devido aos quais gostarı́amos de considerar condições iniciais apenas contı́nuas.2.3) vemos que. 4. Apresentados a seguir. Motivo Matemático A questão aqui é relativa à estabilidade do mo- delo.

0} b) Apro- ximação diferenciável do glaciar: f (x)→f0 (x). Apostilas Ideal . UMA EQUAÇÃO DE ONDA Figura 4.46 CAPÍTULO 4.2: a) Glaciar não diferenciável: f0 (x) = max{1 − |x|.

Reinterpretamos a noção de solução da equação diferencial (4. Isto será feito através de integração por partes. a ser solução. não obrigando que esta. t) = f (x − t) tais que u (x. Para as considerações intuitivas deste capı́tulo. RUPTURA 47 Figura 4. 4. por exemplo. fixados x e t. t) uma função diferenciável.4) como solução do PVI. estas dão origem a noções de solução fraca de equações diferenciais. particularizando-se para u e u0 . Finalmente. isto nos obriga a examinar a noção de solução.7) 2 A convergência de u a u0 . denota convergência em IR.4. t)→u0 (x. obtendo: φ (ut + ux ) = 0.5).6) Seja v = v(x. pelo que ficou dito.5)).3 Ruptura Poderı́amos supor que a necessidade de u0 ser solução com f0 como condição inicial e. é necessário que u0 seja solução do PVI. Na verdade não o são totalmente. Depois. de um jeito ou de outro. ao mesmo tempo. t). da noção de solução do PVI. Multiplicamos a equação diferencial por uma função teste φ = φ(x. t). No entanto veja Exercı́cio 66b. Ou seja. seja necessariamente diferenciável. podemos pensar tratar-se tão somente da convergência pontual. e também a de f a f0 em (4. [30]. consequentemente.2b apresenta uma idéia qualitativa de como fazê-lo. Há várias maneiras de se fazer isto. preservar o modelo matemático expresso pelo PVI são incompatı́veis. principalmente Capı́tulos 2 a 4). Nota-se que a fórmula de deriva- ção por partes (ou regra de Leibnitz). e em se desejando a estabilidade do modelo. resolvendo-se o PVI com condição inicial f . cuja definição será apresentada no próximo capı́tulo. t) ∈ C0∞ (IR × (0. Apostilas Ideal . 2 Em suma. (φv)t + (φv)x = φ(vt + vx ) + (φt + φx )v. (veja. A saı́da passa pelo enfraquecimento dos requerimentos na Definição 29. ∞)). somos levados a querer aceitar (4. obtemos a sequência de soluções clássicas do PVI u (x. quando  → 0. (4. A idéia crucial consiste em se evitar de derivar a função candidata a solução. Entre as várias possı́veis esboçaremos uma bastante eficiente: a noção de solução no sentido das distribuições. u (x. deveria ser a convergência uniforme.1) e. (4. de que falamos acima. t) → u0 (x.3. (Exercı́cio: Construa explicitamente uma sequência de funções diferenciáveis {f } satis- fazendo (4.

se aqui substituı́ssemos v por u. φu) em IR2 e. Pelo Teorema da Divergência aplicado ao campo de vetores (φu. É evidente que φ u é zero no complementar do conjunto C e. consequentemente.2). φu tem suporte compacto contido em IR × (0. ∞). Apostilas Ideal . também é zero aı́ o in- tegrando da integral do lado esquerdo de (4. ∞). a qual. contém o lado esquerdo de (4. segue-se a equação (φu)t + (φu)x = (φt + φx ) u. portanto Z +∞ Z +∞ (φt + φx )u dxdt = 0. Então existirá um conjunto C (indicado na Figura 4.9.6) e de (4.3: supp φ ⊂ C ⊂ IR × IR+ . ∀ φ ∈ C0∞ (IR × (0. ∞)). o lado esquerdo da igualdade acima é zero.8) 0 −∞ 0 −∞ Ora. UMA EQUAÇÃO DE ONDA Figura 4.6). e (b) as equa- ções (4. 4. Juntamente de (4. ∞). porque φu se anula na fronteira de C.48 CAPÍTULO 4.3). 4. ∞)). (4.2) é uma função u que satisfaz (a) a condição de regularidade: u ∈ C 0 (IR × [0.7) (com u no lugar de v). podemos restringir a região de integração da integral do lado esquerdo ao conjunto C. resulta na identidade: Z +∞ Z +∞ Z +∞ Z +∞ [(φu)t + (φu)x ] dxdt = (φt + φx )u dxdt.8).9) 0 −∞ Definição 30 Uma solução fraca do PVI (4. integrada em IR × (0.1. contendo estritamente o suporte de φ u e estritamente contido em IR × (0. (4.

por exemplo. as quais a tornam uma noção razoável. De que mı́nimas propriedades deverá a nova noção de solução go- zar. existirá g tal que u(x. de funções). Proposição 31 3 A função contı́nua u(x. onde f ∈ C 0 (IR). 3 Compare com Exercı́cio 66b. agora. t) = f (x − t). RECONCILIAÇÃO 49 4. Fica aqui uma indagação: Se u é uma solução fraca então ela é fenome- nologicamente correta? Isto é. notando-se que φ se anula no infinito e na reta τ = y. é solução fraca do PVI. enunciamo-lo aqui por ênfase. y)f (y))|∞ y dy = 0 −∞ Esta última igualdade é obtida. este mostra que a noção de solução fraca é uma extensão da noção de solução clássica. funções fenomenologicamente corretas são soluções. A proposição a seguir. aceitando (4. Apostilas Ideal . y)f (y) dτ dy 0 −∞ −∞ y ∂τ Z+∞ Z +∞ ∂ = [φ(τ. t) = g(x − t)? O próximo lema foi demonstrado no parágrafo anterior à Definição 30 e. na fórmula acima há composições. Z +∞ Z +∞ Z +∞ Z +∞ ∂φ (φt + φx )f (x − t) dxdt = (τ. não explicitadas. Então. ∂x ∂t ∂τ (Sobreviva ao abuso de notação! Melhor dizendo. para que nos predisponhamos a aceitá-la? Nesta seção apresentamos algumas de suas propriedades.4. troca de variáveis são funções e.4 Reconciliação Um espı́rito crı́tico haverá de se questionar sobre o cabimento da nova de- finição.4. y) f (y)] dτ dy −∞ y ∂τ Z+∞ = (φ(τ. mostra que a noção de solução fraca foi capaz de incorporar as crı́ticas apresentadas.4) como solução do PVI. Demonstração Fazemos a troca de variáveis y =x−t τ =x+t e notamos que ∂ ∂ ∂h   + h=2 .

Finalmente usando Lema 34 com ut + ux no lugar de f concluı́mos que ut + ux = 0. por φu ter suporte compacto contido em IR × (0. com u no lugar de v.50 CAPÍTULO 4. Apostilas Ideal . o Teorema da Divergência implica Z +∞ Z +∞ Z +∞ Z +∞ (φt + φx )u dxdt = − φ(ut + ux ) dxdt. A demonstração deste resultado depende do seguinte lema intuitivo. t) ∈ IR × (0. como vemos a seguir. Proposição 33 (solução fraca + regularidade ⇒ solução clássica) Se u for solução fraca e for diferenciável em IR×(0. po- demos utilizar a fórmula de derivação por partes (4. ∀ (x.4 e Lima [39]): Lema 34 Sejam Ω um aberto em IRm e f uma função em C 0 (Ω). Como u é uma solução fraca. ∞). u é diferenciável. ∞) e. (ve- ja Figura 4. UMA EQUAÇÃO DE ONDA Lema 32 (solução clássica ⇒ solução fraca) Se u é solução do PVI no sentido da Definição 29 então também será solução no sentido da Definição 30. Z f (x)φ(x) dx = 0 .7).10) é igual a zero. ∞). ∞). então u será solução clássica. IRm Então f (x) = 0 para todo x ∈ Ω. ∞). Integrando-a em IR × (0. não poderá ser solução fraca. Assuma que para toda a função φ ∈ C0∞ (Ω). o lado esquerdo de (4. posto que uma função diferenciável. (4. A noção de solução fraca não introduz soluções diferenciáveis espúrias. Demonstração (da Proposição 33) Por hipótese. que não for solução clássica.10) 0 −∞ 0 −∞ para toda a função φ ∈ C0∞ (IR × (0.

4. RECONCILIAÇÃO 51 Figura 4.4: Se a função f nãoR é identicamente nula. Apostilas Ideal .4. escolha uma função +∞ teste φ como sugerido e então. −∞ φ(x)f (x) dx > 0.

UMA EQUAÇÃO DE ONDA Apostilas Ideal .52 CAPÍTULO 4.

abordando dois tipos de convergência: a uniforme e a em média quadrática. Estudaremos alguns exemplos de equações diferen- ciais parciais lineares e não lineares. Os tópicos a serem aborda- dos foram selecionados por sua utilidade no estudo mais aprofundado de Fluidos Incompressı́veis. elaboraremos mais estas idéias introduzindo a noção de distribuição. Faremos uma breve exposição. que originalmente atuavam na função solução da equação di- ferencial. com o objetivo de tratar de uma classe ampla de equações diferenciais. referimos o leitor a [51]. derivadas passam a ser no sentido das distribuições e soluções serão elementos do espaço das distribuições. que será levado a cabo nos capı́tulos subsequentes. 53 Apostilas Ideal . 5.1 Estas noções de convergência são fundamentais para a definição ou exemplos de distribuições. Com isto evitamos que a solução da equação diferencial tivesse de ser diferenciável.1 Convergência em Espaços de Funções Nesta seção faremos um tratamento rápido e incompleto de convergência em espaços de funções. No novo contexto. Nessa extensão acabamos por transferir as derivações. Exposições mais sistemáticas podem ser encontradas em [27. 51]. 1 Um tratamento sistemático destes assuntos caberia num curso de Análise Funcional.Capı́tulo 5 Distribuições No capı́tulo anterior estendemos a noção de solução (de clássica para fraca) do PVI para uma equação de onda. Neste capı́tulo. às funções infinitamente diferenciáveis (chamadas ali de funções teste).

Como |f | é uma função contı́nua definida no compacto Λ assume aı́ um máximo. quando n → ∞. isto é. as iniciais de bounded e de continuous. |fn (x) − f∞ (x)| < . 1])). Apostilas Ideal . sua restrição a Λ. dado um tubo de raio  > 0 arbitrário em torno do gráfico de f∞ . obtendo uma função em BC((0. existirá um N0 tal que se n ≥ N0 . um espaço de Banach e se Λ é um aberto limitado em IRm então BC(Λ) ⊃ C 0 (Λ). ||f g||∞ ≤ ||f ||∞ ||g||∞ . 2 A definição de espaço de Banach pode ser encontrada em [51]. onde supA denota o supremo do conjunto A ⊂ IR. para todo  > 0 arbitrário. (veja Figura 5. ||f + g||∞ ≤ ||f ||∞ + ||g||∞ e. O conjunto BC(Ω) é. Sejam {fn } uma sequência de funções definidas em Ω e f∞ uma função definida no mesmo conjunto. Dado um aberto Ω ⊂ IRm definimos BC(Ω). isto é dada função função em C 0 (Λ). São fáceis de demonstrar as desigualdades. o gráfico de fn estará contido no dito tubo. 1]. Define-se ||f ||∞ = maxx∈Λ |f (x)|. (denotando tal por unif fn −−→ f∞ quando n → ∞). 3 A norma do sup de f ∈ BC(Ω) é definida por ||f ||∞ = sup{|f (x)| . respectivamente. ∀ x ∈ Ω. igualmente.54 CAPÍTULO 5. Dizemos que {fn } converge uniformemente a f∞ . 1)) que não possa ser definida continuamente em [0. DISTRIBUIÇÕES Exemplos de Espaços de Banach Sejam Λ um aberto limitado em IRm e f ∈ C 0 (Λ). Matemáticos chamam ||f ||∞ de norma do sup de f ao passo que Fı́sicos e Engenheiros chamam-na de amplitude de f. O significado intuitivo desta definição é que. (5. x ∈ Ω}. (Exercı́cio: Mostre que o recı́proco é falso.1). se e só se.1) a primeira delas sendo conhecida como Desigualdade Triangular. O conjunto C 0 (Λ) munido com a norma do sup é um espaço de Banach2 . existir um inteiro N0 tal que para todo o inteiro n ≥ N0 . que não pertença a C 0 ([0. o conjunto das funções contı́nuas e limitadas em Ω. pertence a BC(Λ). 3 B e C são.

quando n → ∞. b) Verifique que a sequência das derivadas não converge uniformemente para função alguma. isto é. Apostilas Ideal . unif fn −−→ f∞ . quando n → ∞. existe um majorante M > 0 tal que ||un ||∞ ≤ M. se e somente se convergir na norma do sup. +π]. N0 = 201. CONVERGÊNCIA EM ESPAÇOS DE FUNÇÕES 55 Figura 5. 1 Exercı́cio 35 Considere a sequência de funções fn (x) = n sen nx definidas em [−π. quando n → ∞. Nesta figura. dx unif Exemplo 36 Se un −−→ u∞ . então ||un ||∞ é limitada uni- formemente em n. a) Mostre que unif fn −−→ 0.1: Convergência uniforme: Tubo de raio  em torno do gráfico da função limite f∞ . ||fn − f∞ ||∞ → 0. quando n → ∞. Fica como exercı́cio verificar que {fn } converge uniformemente a {f∞ }. mostre que não existe g tal que: dfn unif −−→ g.1.5. quando n → ∞. isto é.

||fn − f∞ ||2 → 0. quando n → ∞. bastante agradável. e limitadas coordenada a coordenada. ||un ||∞ = ||un − u∞ + u∞ ||∞ ≤ ||un − u∞ ||∞ + ||u∞ ||∞ . . Isto é. No entanto. na norma do sup definida no inı́cio desta subseção. Daı́. assumir que as integrais são no sentido de Riemann apesar de que o mais correto seria considerá-las. Demonstração Pela Desigualdade Triangular. DISTRIBUIÇÕES para todo n. O termo ||un − u∞ ||∞ é limitado uniformemente para todo o n em IN porque ||un − u∞ ||∞ → 0. na norma do sup. Apostilas Ideal . . diz-se que {fn } converge para f∞ em L2 (ou em média quadrática) se. 4 Quando o assunto é cálculo vetorial é preciso usar. o espaço das funções contı́nuas com valores em IRk . quando n → ∞. . k. ao invés. às vezes. 4 Note que este resultado só depende da Desigualdade Triangular. Neste espaço.56 CAPÍTULO 5. ∀i = 1. sendo portanto válido em contextos mais gerais. veja Capı́tulo 9. IRk ) converge a f ∞ ∈ BC. por vezes. . coordenada a coordenada. se e só se. Ω Dados f∞ em L2 (Ω) e uma sequência {fn } de funções em L2 . que ser entendidas no sentido de Lebesgue. IRk ) = [BC(Λ)]k = {u = (u1 . Ao leitor interessado indicamos [4] que contém uma introdução. integrais à Lebesgue. uk )t . à teoria de Lebesgue. mas os leitores não familiares com esse assunto podem. é en- tendida como sendo a convergência. Ω A norma L2 de uma função f ∈ L2 é: Z 1 2 2 ||f ||2 = |f (x)| dx . o conjun- to BC(Λ. . ui ∈ BC(Λ)}. 5 Integrais têm. quando n → ∞. Um Espaço de Hilbert Denota-se por L2 (Ω) o conjunto das funções com quadrado integrável. . o conjunto das funções f tais que: Z |f (x)|2 dx < ∞. a noção de convergência na norma do sup. . . ou seja. para o que se segue. o resultado se segue. a sequência {f n } ⊂ BC(Ω. unif (fi )n −−→ (fi )∞ . 5 ou seja.

1. A situação exemplificada no exercı́cio 38 só é possı́vel em domı́nios ili- mitados. como vemos a seguir.5. quando n → ∞. quando n → ∞. ao passo que ||fn ||2 não converge a zero.2) Demonstração Z ||fn − f∞ ||22 = |fn (x) − f∞ (x)|2 dx Ω Z ≤ ||fn − f∞ ||2∞ dx Ω ≤ ||fn − f∞ ||2∞ volume(Ω) Apostilas Ideal . Lema 39 Sejam Ω aberto limitado. Os exercı́cios que se seguem ilustram quão diferentes são os dois conceitos de convergência apresentados nesta seção. CONVERGÊNCIA EM ESPAÇOS DE FUNÇÕES 57 Quando isto ocorre. {fn } e f∞ em C 0 (Ω) e. apesar do fato de ||fn ||∞ tender a infinito. per- tencentes também a L2 (IR). (5. denota-se: L2 fn −→ f∞ . Então também temos: L2 fn −→ f∞ . Exercı́cio 37 Verifique que a sequência x < −1/n3    0 se  n4 x + n  se −1/n3 ≤ x < 0 fn (x) =   −n4 x + n se 0 ≤ x < 1/n3 x ≥ 1/n3   0 se converge. assuma que unif fn −−→ f∞ . em L2 (IR). quando n → ∞. Exercı́cio 38 Dê exemplo de uma sequência de funções contı́nuas. para a função identicamente nula. tal que unif fn −−→ 0 .

fk )t ∈ L2 (Ω. g)| ≤ ||f ||2 ||g||2 . g) é finito uma vez que 2|f (x)g(x)| ≤ (f (x))2 + (g(x))2 . por vezes são usadas para obter resultados análogos nos espaços de atuação respectivos.58 CAPÍTULO 5. Mais geralmente. Ω i=1 temos a Desigualdade de Cauchy-Schwarz apropriada: (f . definimos L2 (Ω. . vale a Desigualdade de Cauchy-Schwarz: 6 |(f. Sejam f e g funções em L2 (Ω). (5. Define-se o produto interno entre f e g. DISTRIBUIÇÕES Como o volume de Ω é finito. . através da integral abaixo: Z (f. IRk ) por k Z X (f . para f e g em L2 (Ω). (Veja [8]). 7 O leitor deve comparar este resultado com a desigualdade (5. a norma L2 de f é: k Z X ! 21 ||f ||2 = (fi (x))2 dx . válida no espaço de Banach BC(Ω. Além disso. g) ≤ ||f ||22 ||g||22 . página 42. . Exemplo 2] para uma prova deste resultado. e lim ||fn − f∞ ||∞ = 0. fi ∈ L2 (Ω)}. n →∞ conclui-se (5. Ω i=1 Definindo-se o produto interno entre duas funções em L2 (Ω. Dado f = (f1 . fk )t . 7 O conjunto L2 (Ω) munido com o produto interno acima é um espaço de Hilbert8 . IRk ) = [L2 (Ω)]k = {(f1 .3) 6 A Desigualdade de Cauchy-Schwarz é válida em qualquer espaço vetorial com produto interno. IRk ) a função fi é a i-ésima compo- nente de f e. . Apostilas Ideal . . IR). . Ω É claro que (f.2). g) = fi (x)gi (x) dx . . 8 Consulte [51.1). . g) = f (x)g(x) dx.

. Denotaremos por hT. em D(Ω).) A convergência de {ψn } a ψ∞ em D(Ω) é denotada por: D ψn −→ ψ∞ . . O conjunto das distribuições (ou das funções generalizadas) em Ω é denotado por D 0 (Ω). . denotamos por hT. (Note que (α1 .4) corresponde à convergência uniforme de ψn a ψ∞ . Dada uma função ψ∞ ∈ C0∞ (Ω) e dada também uma sequência {ψn } ⊂ C0∞ (Ω) diz-se que {ψn } converge. αm ) pode ser (0. 0) e. Diz-se que T é contı́nuo. No entanto. Verifique. Estritamente falando. ∂ α1 +···αm ψn unif ∂ α1 +···αm ψ∞ −−→ . αm ) ∈ (Z+ )m . por abuso. neste caso (5. ou seja. hT. O espaço das funções teste D(Ω). . . (5. Um funcional linear T definido em D é uma função linear com valores em IR e domı́nio D. D.9 Seja 9 Cometeu-se aqui um ligeiro abuso de notação.2 Funções Teste e Distribuições Seja Ω um conjunto aberto em IRm .4) ∂xα1 1 · · · ∂xαmm ∂xα1 1 · · · ∂xαmm quando n → ∞. . . . ψ∞ i . é o conjunto C0∞ (Ω) munido com a noção de convergência para sequências apresentada a seguir. ao nos referirmos a D(Ω) escrevemos. sendo então chamado de distribuição se. φn i→ 0. quando n → ∞. para todo (α1 . Dada uma distribuição T em Ω diz-se que T se anula no subconjunto aberto A de Ω se hT. . Além disso.2. ψn i → hT. (A convergência na fórmula acima é em IR).5. φi. . a ψ∞ se e só se as duas condições abaixo forem satisfeitas: a) As funções ψn . Apostilas Ideal . φi = 0 para toda a função teste φ em C0∞ (A). por vezes. para toda a sequência {φn } indo a zero em D(Ω). e ψ∞ têm suporte contido num mesmo com- pacto. φ˜i. quando n → ∞. φi o valor de T calculado em φ. definida por φ˜ (x) = φ(x) se x ∈ A e φ˜ (x) = 0 se x ∈ Ω\A podemos calcular hT. T : D→IR. . FUNÇÕES TESTE E DISTRIBUIÇÕES 59 5. não podemos avaliar T em φ ∈ C0∞ (A) pois φ não é um elemento de C0∞ (Ω). É esta quantidade que. para a extensão φ˜∈ C0∞ (Ω) de φ. quando n → ∞. . para toda a sequência {ψn } convergindo a ψ∞ em D(Ω) tivermos que hT. para todo n. b) A sequência {ψn } e as sequências das derivadas parciais (de todas as or- dens) convergem uniformemente. É fácil mostrar que um funcional linear T é contı́nuo se e só se.

define-se o funcional if pela fórmula abaixo Z hif . isto é. . Exemplo 40 (Funções contı́nuas) Dada f em C 0 (Ω). ∀ φ ∈ C0∞ (Ω).5) Ω Mostraremos que if é contı́nuo. Então. para todo n.60 CAPÍTULO 5. supp T = Ω\Λ. (5. este é o maior subconjunto aberto no qual T se anula. Demonstração Dada sequência D ψn −→ 0 seja K um compacto tal que supp ψn ⊂ K. Define-se o suporte de T como sendo o complementar de Λ. DISTRIBUIÇÕES Λ a união de todos os subconjuntos abertos de Ω nos quais T se anula. Veremos alguns exemplos de distribuições e determinaremos seus supor- tes. φi = f (x) φ(x) dx.

Z .

.

Z .

.

.

.

.

.

f (x)ψn (x) dx.

= .

f (x)ψn (x) dx.

.

.

.

.

Exercı́cio 41 Dadas f e g contı́nuas. O exercı́cio anterior permite-nos considerar as funções contı́nuas como um subconjunto das distribuições. (Recordamos que o suporte de uma função contı́nua é o fecho do conjunto onde a função é não nula). unif Observação: Na demonstração acima usamos apenas que ψn −−→ 0. não tendo sido necessário usar que as suas derivadas também convergem unifor- memente a zero. e desde que ψn converge a zero uniformemente. Apostilas Ideal . use lema 34 para mostrar que se if = ig então f (x) = g(x) para todo x. onde supp f denota o suporte da função contı́nua f . Ω K Z ≤ ||ψn ||∞ |f (x)| dx. K Já que o valor da integral de uma função contı́nua num compacto é fi- nito. Fica como exercı́cio verificar que supp if = supp f . Concluı́mos que if é contı́nuo. pois a aplicação i : C 0 (Ω) → D 0 (Ω) f 7→ if é injetiva. o lado esquerdo da desigualdade acima converge a zero quando n→ ∞.

(Exercı́cio: Determine os valores de α ∈ IR para os quais a função f (x) = |x|−α pertença a L1loc (Ω) onde. Com este resultado podemos garantir que a aplicação L1loc 3 f 7→ if ∈ D 0 é injetora. uma distribuição basta notar que a sequência {ψn } tender a zero uniformemente. (Veja.) Exemplo 43 (Distribuição delta de Dirac) A famosa distribuição δ de Di- rac. o que permite considerar as distribuições como “funções genera- lizadas”. Ω = IR. Diz-se que f é uma função localmente integrável.5. mesmo quando f é apenas localmente integrável. (justificando assim esta denominação alternativa). if por f .6) define. que ψn (0) → 0. implica.5.6) é conhecida pelos Fı́sicos e Engenheiros por função δ de Dirac. e dada por hδ. Dica: em IR2 use coordenadas polares e. se x < 0 é descontı́nua. página 45]). φi = φ(0). [27. em particular. às vezes. 241-244] uma proveitosa discussão sobre o emprego da distribuição de Dirac no estudo de forças impulsivas. (5. introduzida pelo fı́sico teórico P. correspondente ao Lema 34 para funções localmente integráveis. (O conjunto das funções local- mente integráveis em Ω é denotado por L1loc (Ω)). A distribuição de Heaviside é um exemplo de uma classe mais ampla de distribuições. elucidando o papel fı́sico fundamental desta distribuição. O funcional linear conhecido por distribuição de Heaviside é dado por Z +∞ Z +∞ hH. ∞). se Z |f (x)| dx < ∞ K para todo o compacto K contido em Ω. Apostilas Ideal . de fato. φi ≡ H(x) φ(x) dx = φ(x) dx. O re- sultado. coordenadas esféricas. FUNÇÕES TESTE E DISTRIBUIÇÕES 61 Exemplo 42 (Distribuição de Heaviside) A função de Heaviside dada por ( 1. Dirac no inı́cio da década de 30. ou IR3 . Os mesmos argumentos usados para funções contı́nuas permitem definir a distribuição if através da fórmula 5.2. págs. em IR3 .10 Para veri- ficar que (5. se x ≥ 0 H(x) = 0. 10 O leitor encontrará em Braun [9. M. por exemplo. Para simplificar a notação denotaremos. −∞ 0 Seu suporte é o intervalo [0. ∀ φ ∈ C0∞ (IRm ). IR2 . é de demonstração bem mais difı́cil. ∀ φ ∈ C0∞ (IR).

os cálculos que Dirac fazia com sua “função”.62 CAPÍTULO 5.2: a) Distribuição δ de Dirac: O suporte é a origem. definida em IRm . b) Distribuição de Dirac ao longo do eixo x1 em IR2 . em bases matemáticas corretas. Esta se verificou uma noção profunda e a Teoria das Distribuições conseguiu incorporar a apa- rentemente contraditória “função” delta de Dirac (afinal uma função que é zero em todos os pontos menos na origem tem integral nula. a distribuição de Dirac des- creveria uma situação limite em que toda a massa estivesse concentrada num ponto. bem como também formalizava o chamado “Cálculo Apostilas Ideal .2a. esse infinito seria um infinito especial de tal forma que a “integral” da “função” δ fosse um. interpretamo-la como a uma densidade de massa. Além disso. teria “densidade infinita” na origem. A formalização matemática destas idéias intuitivas foge aos objetivos destas notas. no entanto algo da situação limite aludida acima estará presente no Capı́tulo 7. DISTRIBUIÇÕES Figura 5. Neste sentido dizemos que a distribuição J está naturalmente associada à função f . A chamada função δ de Dirac não está associada a uma função. Esta concepção é usualmente esquema- tizada como na Figura 5. Há distribuições que são definidas através de integração contra uma função. correspondente ao caso de uma partı́cula pontual de massa um. permitindo realizar. No contexto de densidades e de massas. Prosseguiremos um pouco mais nessa maneira pouco formalizada de pensar na distribuição de Dirac. (seu suporte). Dada uma função não negativa. distribuições da forma J = if para alguma função f ∈ L1loc . Contudo. Nesta repre- sentação da distribuição δ temos a indicação de onde ela está concentrada. isto é. Foi o matemático francês Lau- rent Schwartz quem definiu a noção de distribuições. desta vez como um funcional linear. Fı́sicos e Engenheiros gostam de pensar que ela é uma função que é zero em todo o IRm menos na origem onde vale infinito. Aqui cabe um comentário. não importa qual o valor que assuma na origem). Assim ao integrarmos dita função numa região limitada do espaço obtemos um número que corresponderia à massa contida nessa região do espaço.

supp C = S 1 . ∀ φ ∈ C0∞ (IR2 ) −∞ Exemplo 45 (Distribuição uniforme no cı́rculo unitário) A distribuição a- baixo tem suporte no cı́rculo unitário em IR2 . de Heaviside”. Z +∞ hL. φi = φ(cos θ. tem suporte na reta x1 em IR2 . Z 2π hC. ∀ φ ∈ C0∞ (IR2 ) 0 Exemplo 46 (Funções em L2 ) Dada uma função f em L2 . Exemplo 44 (Distribuição δ ao longo de uma reta) A distribuição L dada pela fórmula abaixo. introduzido por Heaviside. (veja Figura 5. x2 ) ∈ IR2 . sen θ) dθ. FUNÇÕES TESTE E DISTRIBUIÇÕES 63 Figura 5.3: Distribuição uniforme no cı́rculo unitário em IR2 : Esta distri- buição está concentrada no cı́rculo. Os funcionais lineares definidos nos dois exemplos a seguir de certa forma generalizam a distribuição delta. onde S 1 = {(x1 .2b. φi = f (x)φ(x) dx Ω Apostilas Ideal . são distribuições. Estes funcionais estão “concentrados” em outros conjuntos que não a origem.5.3). x21 + x22 = 1}.2. φi = φ(x1 . 0) dx1 . suppL = IR × {0}. Fica como exercı́cio verificar que. Veja Figura 5. de fato. o funcional li- near Z hif .

64 CAPÍTULO 5. Demonstração Seja {φn } uma sequência convergente em D(Ω) e φ∞ seu limite. pela Desigualdade de Cauchy-Schwarz. DISTRIBUIÇÕES é contı́nuo. Então. .

Z .

.

.

φ∞ i | = . φn i − hif . | hif .

f (x) (φn (x) − φ∞ (x)) dx.

.

.

definem as distribuições if e if 2 ). Por isto. algumas das soluções em D 0 podem não ser de interesse algum). Assim. funções tais que Z |f (x)|2 dx < ∞ K para todo o compacto K ⊂ Ω. Como {φn } e φ∞ têm suporte no mesmo compacto. Consequentemente. equações diferen- ciais em D 0 . contudo nem sempre é garantida a existência de soluções. Ω ≤ ||f ||2 ||φn − φ∞ ||2 . Apostilas Ideal . (Exercı́cio: Verifique que se f ∈ L2loc então f e f 2 estão em L1loc e. isto é. Na verdade uma função f em L2 (Ω) pertence também a L1loc (Ω). A noção de convergência em D é extremamente exigente. em seções mais adiante. o conjunto das funções com quadrado localmente in- tegrável. entre estes.3 Derivação Iremos considerar neste capı́tulo. Assim. para um funcional linear ser contı́nuo. o espaço D 0 terá uma quantidade enorme de elementos. em certos problemas. Haverá mais probabilidade de existir solução. pelo Lema 39 segue-se a continuidade de if . haverá os que possibilitem a descrição de uma situação fı́sica complexa. (E’ bom frisar que. 5. Isto nos solicita a introdução da definição de derivada de uma distribuição. associadas a uma função derivável f e à sua derivada partial ∂f /∂xj . portanto. procuraremos soluções para as equações diferenciais no conjunto D 0 . Define-se L2loc (Ω). será relativamente pouco o que deverá ser satisfeito. tendo como consequência a exı́gua quantidade de sequências convergentes. Com este intuito. de- vido à própria imensidão de D 0 . vejamos inicialmente como se relacionam as distribuições if e i∂f /∂xj . o exemplo acima é redundante já que é um caso particular do caso mais geral: L1loc (Ω) ⊂ D 0 (Ω). Use a Desigualdade de Cauchy-Schwarz com as funções f e 1 para demonstrar isto.

Definição 47 (Derivada) Para T ∈ D 0 a distribuição ∂T /∂xj definida por * + * + ∂T ∂φ . Pelo Teorema da Divergência e como f φ se anula na fronteira. Apostilas Ideal .7). 0 . desconhecendo-se o Teorema da Divergência para IRm com m > 3.7) Ω ∂xj Ω ∂xj Daı́. Fica como exercı́cio verificar que ∂T /∂xj definido acima é. definem-se as derivadas parciais de qualquer ordem de uma distribuição. (5.3. Verifique os detalhes.8) ∂xj ∂xj É natural então a definição de derivada em relação a xj de uma distri- buição T . se f ∈ C 1 (Ω). Como caso particular seja f uma função localmente integrável. ∂xj ∂xj Aplicando sucessivas vezes a definição. caso contrário em um retângulo contendo o suporte de φ. obtenha (5. de fato. ∀ φ ∈ C0∞ ∂xj ∂xj é a derivada parcial de T em relação a xj . (veja Exercı́cio 15).φ = − T. . DERIVAÇÃO 65 Para φ ∈ C0∞ (Ω) e f ∈ C 1 (Ω) escrevemos a fórmula de derivação por partes: ! ∂ ∂f ∂φ (f φ) = φ+f . ∀ φ ∈ C0∞ .8) significa que ∂ if = i ∂f . Integramos a identidade acima na região Ω. segue-se: * + * + ∂φ i ∂f . devido à compacidade do suporte de f φ. x ∈ supp φ (f φ)˜(x) = . Convença-se também que (5. φ = − if . pode-se utilizar o argumento mais elementar esboçado a seguir. ∂xj ∂xj ∂xj Notamos que o lado esquerdo da identidade acima é o divergente do campo de vetores w = f φej . uma distribuição. Defina  f (x)φ(x) . (5. use o Teorema Fundamental do Cálculo na integral em relação a xj e. temos que:11 ! ∂f ∂φ Z Z φ dx = − f dx . podemos calcular suas derivadas de qualquer 11 Alternativamente.5. .

Para isto. 0. a função de Heaviside é derivável no sentido das distribuições. 2π Apostilas Ideal . Exemplo 48 a) Em D 0 (IR) temos: dH = δ. IR2 onde 1 F (x) = log |x|. Assim. ( 1. dx Use x = 0 como ponto para “quebrar” determinada integral em duas. b) Define-se a função de Heaviside no plano. toma-se a distribuição if e deriva-se if como distribuição. DISTRIBUIÇÕES ordem no sentido das distribuições. Exemplo 49 (O laplaciano) a) [unidimensional] Considere a função contı́- nua F (x) = 21 |x|. x2 ) = . Z hF. E’ fácil mostrar que: dF 1 = H− . se x2 ≥ 0 H(x1 . dx2 dx dx b) [bidimensional] Considere a distribuição em IR2 . caso contrário A distribuição ∂H/∂x2 é igual à distribuição L definida no exemplo 44. φi = F (x)φ(x) dx. Os exemplos a seguir serão deixados como exercı́cio. e dx 2 d2 F d dF   4F = = = δ .66 CAPÍTULO 5.

4. veja Exercı́- cio 53. CÁLCULO VETORIAL 67 É possı́vel mostrar-se que12 ∂2F ∂2F 4F ≡ + = δ. Por fim. o 12 Esta afirmação é bem mais difı́cil de justificar do que a anterior. Nesta subseção definimos “funções vetoriais genera- lizadas”. quando as derivadas acima são interpretadas no sentido das distribuições.4 Cálculo Vetorial Distribuições Vetoriais A descrição de uma ampla gama de fenômenos fı́sicos requer a utilização de funções vetoriais. ∂x21 ∂x22 Podemos considerar também o laplaciano tridimensional. Apostilas Ideal . temos que: 4 log |x| = 0 classicamente. Aqui n = x/|x|. φi = − (φt + φx ) u(x. |x|=R não depende de R. t) dxdt. ou seja. ∞)).2) é satisfeito e se ∂u ∂u + =0 ∂t ∂x como distribuições. ou distribuições vetoriais. então ∂u ∂u + ∂t ∂x no sentido das distribuições é o funcional linear J definido por: Z +∞ Z +∞ hJ. mostramos como traduzir a noção de solução fraca do PVI apresentada no capı́tulo anterior. para x 6= 0 é o vetor unitário normal ao cı́rculo. apontando para fora. consulte o excelente texto de Gustafson [26]. 5. Antes veja Exemplo 54. ∞)) é solução fraca do PVI do capı́tulo ante- rior (veja definição 30) se e só se (4. (veja definição de fluxo no Exemplo 54). seu fluxo através do cı́rculo de raio R centrado na origem. ou algum outro livro de equações diferenciais parciais.5. é independente de R. a integral Z n · ∇ log |x| dl . 0 −∞ Notamos que u ∈ C 0 (IR × [0. Seja u ∈ C 0 (IR × [0. Os pontos cruciais aqui são que: a) Em IR2 \{0}. b) O campo de vetores ∇ log |x| está definido classicamente em IR2 \{0} e. Os operadores diferenciais clássicos. Isto é. para a linguagem das distribuições.

isto é. . o divergente e o laplaciano. denotamos if por f . dado f em L1loc (Ω. . . X hif . . IRk ). supp T = ∪kj=i supp Tj . . é denotado por D 0 (Ω. através da fórmula: k hTj . se e só se Tj . Definimos também. n o L1loc (Ω. IRk ) define naturalmente um funcional linear contı́nuo em D(Ω. Por definição T = (T1 . . IRk ) . IRk ) quando n→∞. φj . · · · . IRk ) pela fórmula k D E ifj . φj i . pertencem a D 0 (Ω). IRk ). j = 1. IRk ) = [D(Ω)]k = {(φ1 . k. IRk ). φi ∈ D(Ω)}. os ele- mentos de D(Ω. φi = j=1 Por simplicidade. quando n → ∞. chamado de Espaço das Distribuições Vetoriais. IRk ). X hT . fk )t . Assim. o rotacional. ∀ φ ∈ C0∞ (Ω. . k. Uma sequência {ψ n } converge a ψ ∞ em D(Ω. φk )t . . definimos if em D 0 (Ω. se D (ψi )n −→ (ψi )∞ . . · · · . . n o L2loc (Ω. . por definição. Apostilas Ideal . IRk ) = [L2loc (Ω)]k = (f1 . Tk )t é um elemento de D 0 (Ω. fj ∈ L1loc (Ω) . . as componentes de T . IRk ). O conjunto [D 0 (Ω)]k . Uma classe de distribuições vetoriais é dada pelo conjunto das funções vetoriais cujas componentes estão em L1loc . . Cada T ∈ D 0 (Ω. IRk ). sendo imediato verificar que L2loc (Ω. convergir coordenada a coordenada. . se e só se. ∀ φ ∈ D(Ω. atuando em funções vetoriais generalizadas. IRk ). . fk )t . são então naturalmente identificados com funções no conjunto C0∞ (Ω. IRk ) ⊂ L1loc (Ω. IRk ) = [L1loc (Ω)]k = (f1 . (denotado por D ψ n −→ ψ ∞ . quando n → ∞).68 CAPÍTULO 5. fj ∈ L2loc (Ω) . φi = j=1 O suporte de T é. são apresentados. Definimos D(Ω. DISTRIBUIÇÕES gradiente. . ∀i = 1. a união dos suportes de suas componentes. IRk ).

. e v ∈ D 0 (Ω. temos: a) O gradiente de T: t ∂T ∂T ∂T  ∇T ≡ . v ∈ D 0 (Ω. ∇.5. IR). X div v = i=1 ∂xi d) O laplaciano de T: 3 ∂2T ∈ D 0 (Ω. ∈ D 0 (Ω. c) O divergente de v: 3 ∂vi ∈ D 0 (Ω. IR). X 4T = i=1 ∂x2i Exercı́cio 50 Sejam T ∈ D 0 (Ω. (rot v)3 )t ∈ D 0 (Ω. 4 atuam nas distribui- ções da maneira natural. IR3 ). rot . (rot v)2 . ∀ φ ∈ C0∞ (Ω. (onde Ω é um aberto em IR3 ). IR3 ). (O sinal não está errado). ∂x1 ∂x2 ∂x3 b) O rotacional de v: rot v ≡ ((rot v)1 .3. φi = hv. IR3 ) b) hrot v. φi = − hT. c) hdiv v. φi = − hv. ∀ φ ∈ C0∞ (Ω. IR3 ).4. Dados T ∈ D 0 (Ω. IR3 ). IR) X (rot v)i = ijk j=1 k=1 ∂xj com ijk definido na seção 1. onde 3 X 3 ∂vk ∈ D 0 (Ω. div . Verifique as identida- des abaixo: a)h∇T. IR). IR) e. IR3 ) . rot φi ∀ φ ∈ C0∞ (Ω. ∇φi . IR) d) rot ∇T = 0 e) div ∇T = 4T f) div rot v = 0 Apostilas Ideal . div φi . CÁLCULO VETORIAL 69 Os operadores diferenciais clássicos.

(veja Figura 5. 0)t Apostilas Ideal . Exercı́cios e Exemplo Exercı́cio 52 Calcule o divergente e o rotacional.4): v(x1 . uma distribuição. no sentido das distribui- ções. denotada por aT . DISTRIBUIÇÕES Vejamos um exemplo: Dizemos que u ∈ L2loc (Ω. ∀ φ ∈ C0∞ (Ω). o eixo x1 é chamado de folha de vorticidade. ∇ψi = 0. φi = hT. caso contrário Calcule a distribuição ∂ ∂   x1 + x2 i . em palavras. ele é o suporte da distribuição rot v. ∀ ψ ∈ C0∞ (Ω). pela fórmula: haT. aφi . a) (Folha unidimensional de vorticidade) Para o campo de velocidades dado abaixo.70 CAPÍTULO 5. IR3 ) é incompressı́vel no sentido das distribuições se u é solução da equação diferencial partial (EDP) div u = 0 . Dada uma função a ∈ C ∞ (Ω) e uma distribuição T ∈ D 0 (Ω) definimos a distribuição produto. ∂x1 ∂x2 d determine seu suporte e relacione-a com a distribuição definida no exer- cı́cio 45. x2 ) = (H(x1 . x2 ) + 1. se as distribuições do lado esquerdo e direito da equação acima forem iguais. ( 0 . (É conveniente que se desenhem os campos de vetores). se x21 + x22 < 1 d(x) = 1 . Calcule também o suporte das distribuições resul- tantes. a função caracterı́stica do complementar do disco unitário aberto em IR2 . Usando o Exercı́cio 50c. Exercı́cio 51 Seja d ∈ L1loc (IR2 ). Fica como exercı́cio verificar que aT é. concluı́mos que u será incompressı́vel no sentido das distribuições se e somente se: hu. dos campos de vetores dados abaixo. de fato.

sua parte superior percorrerá. CÁLCULO VETORIAL 71 Figura 5. 0)t . Temos t −x2 x1  v(x1 . pois há aı́ concentrado uma “tendência” de rotação. x2 ) + 1. x2 ) = . este tenderá a girar uma vez que. acom- panhando o fluxo. O eixo x1 é uma folha unidimensional de vorticidade. Apostilas Ideal . 2 e x1 + x2 x1 + x22 2 2 rot v = 2πδ em D 0 (IR2 ) . c) (Vórtice pontual) O campo de velocidades abaixo é incompressı́vel no sentido das distribuições. Sua vorticidade justifica ser denominado de vórtice pontual. de inı́cio. H(x) = 0 se x2 < 0. Observação: lembramos que o rotacional de um campo de vetores em IR2 é o escalar rot v = ∂x1 v2 − ∂x2 v1 . o plano x1 x3 é denominado folha de vorticidade do campo de velocidades v(x) = (H(x1 .5. Mais apropria- damente do que no item a. colocando- se um pedaço de madeira p no fluido.4: Folha de vorticidade. 0.4. b) (Folha de vorticidade) Seja H a função descontı́nua definida em IR3 da seguinte forma: H(x) = 1 se x2 ≥ 0 e. uma distância maior que a parte inferior.

para todo elemento a em K e t ≥ 0.72 CAPÍTULO 5. Seja M uma superfı́cie com bordo e assuma que os raios partindo da origem interceptem M em no máximo um ponto.0 . Um cone suave é um cone cuja interseção com a esfera unitária tem fronteira suave.5b. Assuma que K é um cone suave. u ∈ L1loc (IR3 . definindo a distribuição iu em D 0 (IR3 .5a). IR3 ). M Apostilas Ideal . (Consulte [26. respectivamente. IR3 ). DISTRIBUIÇÕES (Dica: Compare com Exemplo 54 e use as idéias lá apresentadas). Aqui. n é o vetor unitário normal à superfı́cie ∂B0 (R) apontando para fora. o cone formado pelos raios que interceptam M . (x21 + x22 2 + x3 )1/2 |x|3 a) Mostre que F ∈ L1loc (IR3 ) e. O ângulo sólido determinado pelo cone suave K é. e) Mostre que div iv = 4πδ. Mostre que Z ângulo sólido de K = u · n dS K∩∂B0 (1) e que também é igual a: Z u · n dS. f) Um conjunto K ⊂ IR3 é um cone (centrado na origem) se. seção 1. iF ∈ D 0 (Ω). c) Mostre que o fluxo de u através da esfera de raio R (que é a fronteira da bola de raio R). 2 . u(x) = . como mostrado na Figura 5. d) (Filamento de vorticidade) Comentários análogos aos feitos no item c caberiam aqui. (a fronteira é uma curva de classe C 1 . dado pela integral Z u · n dS ∂B0 (R) é independente de R. por definição. também ta está em K. b) Mostre que u é localmente integrável em IR3 . portanto. a área da superfı́cie de interseção do cone K com a esfera unitária.1]). x1 + x2 x1 + x22 2 2 Exercı́cio 53 Sejam F e u. para o campo de velocidades t −x2 x1  v(x) = . veja Figura 5. d) Mostre que ∇iF = iu . Defina K. a função e o campo de vetores definidos em IR3 \{0} dados por: 1 x F (x) = .6.

5: (a) Cone suave: O Ângulo sólido é a área da interseção do cone com a esfera unitária.9) R Fluxo de u através de H: ΛH = H u · n dS (5. Este exemplo é o caso bidimensional do qual o exercı́cio a seguir é o caso tridimensional. e uma superfı́cie H.5. t é um vetor unitário e tangente a C (compatı́vel com a orientação de C). ficam a cargo do leitor. (b) Cone K determinado por superfı́cie M . e dl é o elemento de comprimento da curva. Duas curvas C0 e C1 são homotópicas em A se uma puder ser transfor- Apostilas Ideal . Exemplo 54 (Dois vórtices pontuais em rotações contrárias) Apenas esbo- çaremos as idéias principais.4. uma curva orientada e sem autointerseção C. Preliminares Geométricos: Dados um campo de vetores u diferenciável. e ainda. por vezes não muito fáceis. Compare este resultado com o caso particular apresentado no item c. definido em um aberto A (em IR3 ). dS é o elemento de área da superfı́cie. CÁLCULO VETORIAL 73 Figura 5. (Dica: Use o Teorema da Divergência). definimos: R Circulação de u em C: ΓC = C u · t dl (5.10) onde n é o vetor unitário normal a H. fechadas e suaves. Os detalhes.

(uma classe de homotopia é um conjunto de superfı́cies homotópicas entre si). x3 ) | x2 ∈ IR. apenas curvas. mada na outra através de uma deformação contı́nua em tempo finito. x3 ). DISTRIBUIÇÕES Figura 5. 0) e em (5. 0. não são homotópicos nem em IR2 \{0}. x2 . mas o são em IR3 \{x | x21 + x22 = 4. um campo de vetores incompressı́vel (classicamente). Analogamente. a) Curvas ho- motópicas b) Superfı́cies homotópicas.6: Deformação contı́nua de curvas e superfı́cies.14 (Veja Figura 5. 0). 0. Use o Teorema da Divergência para mostrar que dado u. x2 = 0}. não são homotópicas em IR3 \{0} nem em IR3 \{(2. fluxos serão através de curvas. seme- lhante desenvolvimento é possı́vel. Assuma que u é um campo de vetores irrotacional em A. rot u = 0 classicamente em A. x3 ∈ IR}. seu fluxo através de uma superfı́cie é uma constante em cada classe de ho- motopia de superfı́cies em A. x3 ∈ IR} mas o são em IR3 \{(2. mas como desta vez não há superfı́cies.6b). 0. as esferas de raio 1 com centro em (0. isto é. Apostilas Ideal . Para campos de vetores definidos em subconjuntos abertos de IR2 .74 CAPÍTULO 5.6a). respecti- 13 Exemplo: O cı́rculo de raio 1 centrado em (0. isto é. 13 A noção de homotopia define uma relação de equivalência no conjunto das curvas fechadas em A. 14 Por exemplo. 0). x3 = 0}. nem em IR3 \{x | x1 = 0. 0). Use o Teorema de Stokes para mostrar que as cir- culações de u em duas curvas homotópicas são iguais. 0. dados C e u. 0)} e em IR3 \{(2. (Veja Figura 5. e o de raio 2 centrado em (5. diz-se que as superfı́cies H0 e H1 são homotópicas em A se uma puder ser “levada” na outra através de um movimento contı́nuo em tempo finito.

x2 ) e (−1. 1] × {0}). (d) A curva C . Apostilas Ideal .7: Dois vórtices em rotações contrárias. Definição do campo de vetores do exemplo: Dado um ponto (x1 .5. (a) A função Ω. pela fórmula: Z ΓC = u · n dl . (5. seja Ω(x1 . define-se o fluxo de u através de C. como mostrado na Figura 5.11) |y−x|=1 Z 1 −x2 = dy1 . (b) Curvas 1 de nı́vel de Ω. 0). Seja ainda G(x) = log |x| e defina u = ∇G = x/|x|2 .7a. e pelos pontos (x1 . vamente uma curva fechada e um campo de vetores em A ⊂ IR2 . Use o Teorema da Divergência em IR2 para mostrar que Z Ω(x) = u(y − x) · n(y) dly (5. (Convencionamos que o ângulo será positivo se x2 < 0.4.12) −1 (y1 − x1 )2 + (x2 )2 (A integral acima pode ser resolvida explicitamente). (c) O campo de velocidades v = − 2π ∇Ω é perpendicular às curvas de nı́vel de Ω. CÁLCULO VETORIAL 75 Figura 5. 0). x2 ) e (1. x2 ) em IR2 \([−1. C onde n denota o vetor unitário normal exterior a C. x2 ) o ângulo do setor circular formado pelas semi-retas que passam pelos pontos (x1 .

isto é. O campo de vetores v = − 2π ∇Ω (onde o gradiente é calculado classicamente) tem uma extensão diferenciável (ainda denotada por v) definida em IR2 \{(−1.0) + δ(1. o campo de velocidades v. respectivamente. Ω tem uma descontinuidade de salto em [−1. classicamente em IR2 \{(−1. hδa . (Veja Figura 5. v é um elemento de L2loc (IR2 . DISTRIBUIÇÕES A função Ω é diferenciável em IR2 \([−1. 1. (b) apenas em torno de (1. (5. isto é.7c. Fatos cruciais: Equação 5. 0). →0. Mais ainda. Sejam C . 0)} (5. 0) são chamados de singularidades do campo v). p+ e p− .16) A circulação em torno de C.12). 0). φ(· + a)i = φ(a). ΓC = −1.7b) Ω(p+ ) − Ω(p− ) → − 2π.17: Seja C uma curva que dá uma volta em torno de (1. Verifique (5.17) conforme a curva C dê uma volta (no sentido anti-horário) (a) em torno apenas da singularidade (−1.13).15) onde δa . Esboço da demonstração de 5.76 CAPÍTULO 5. (veja Figura 5. φi = hδ. então.) Enunciado do Exemplo: No sentido das distribuições.14 é consequência de: rot v = 0.14) div v = 0 (5. como mostrados na Figura 5.13) onde p+ e p− são sequências de pontos em IR2 que se aproximam de um mesmo ponto p0 em (−1. IR2 ). ou 0. (Exercı́cio: Obtenha. com valores positivos e 1 negativos da segunda coordenada.7d. →0 2π Apostilas Ideal . (1. ∀ φ ∈ C0∞ . temos: Z ΓC = v · t dl C Z = lim v · t dl  →0 C 1 = lim − [Ω(p+ ) − Ω(p− )] = 1. 0) ou (c) exclua ambas as singularidades. 1] × {0}. calcu- lando primeiro a integral em (5. Compare-o com o item c do Exercı́- cio 52. Os pontos (−1. 1] × {0}). (5. explicitamente. Ademais.0) (5. 0). (1. usando (5. valem as seguintes identidades: rot v = −δ(−1. 0)}.16). denota a translação da distribuição δ pelo vetor a. 0). 0) e (1. 1) × {0}.

Esboço da demonstração de 5. em K . −u1 )t . segue-se que: hrot v. o Teorema da Divergência. segue-se da identidade acima e de (5. O campo de vetores é tangente ao bordo de L+ e de L− .14: Defina um conjunto L+ como mostra- do na Figura 5. contendo o suporte de φ. onde u⊥ = (u2 . 0).8. gozando das seguintes propriedades: L+ é um subconjunto de B(1. ∂x2 φi Z = − ∇φ⊥ · v dx K Z = lim − ∇φ⊥ · v dx  →0 K Z = lim rot (φv) dx  →0 K  Apostilas Ideal . ∂x1 φi + hv1 . em K . Analo- gamente define-se L− . o da Convergência Dominada (veja seção 3. rot (φv) = −(∇φ)⊥ · v + φrot v. φi = − hv2 .3) e equação 5.5. De forma análoga farı́amos os outros cálculos. K um compacto. e K = K\(L+ ∪ L− ). Sejam φ uma função teste.4.16) que: rot (φv) = −(∇φ)⊥ · v.18) Usando a definição do rotacional (no sentido das distribuições). desta vez contendo (−1. (5. com fronteira suave. e o campo de vetores v é tangente à fronteira de L+ .8: K = K\(L+ ∪ L− ). o campo de vetores v é diferenciável e podemos aplicar a regra de Leibnitz. (veja Figura 5. Em K .18.8). CÁLCULO VETORIAL 77 Figura 5.0) ().

donde: . (5. tem-se que v · t não muda de sinal em cada uma das fronteiras destes conjuntos (sendo não-negativa na fronteira de L+ e não-positiva na de L− ).19) →0 ∂L+ ∂L− Pela definição de L+ e de L− . DISTRIBUIÇÕES Z = lim div (φv ⊥ ) dx →0 Z K = lim φv ⊥ · n dl →0 ∂K Z Z ! ⊥ ⊥ = lim φv · n dl + φv · n dl →0 ∂L+ ∂L− Z Z ! = lim − φv · t dl + φv · t dl .78 CAPÍTULO 5.

Z .

.

.

0). φv · t dl − φ(1.

20) . (5.

.

.

.

∂L .

+ .

Z .

.

.

= .

(φ(x) − φ(1. 0))v · t dl.

.

.

.

∂L .

+ .

Z .

.

.

∂L+  ≤ sup |φ(x) − φ(1. x ∈ v · t dl. 0)|.

(5.21) .

.

.

.

∂L .

obtemos. 5.0) (). é nulo.33 de [56]. 0).15: Equação 5. 0) .21 que: Z lim φv · t dl = φ(1.0) . Exercı́cio 55 (Filamento circular de vorticidade) 15 Seja Ω(x) o ângulo sólido do cone (denotado por Kx ) formado pelas semi-retas partindo de x e 15 Compare este exercı́cio com Exercı́cios 5.15 é consequência de (a) div v = 0 classicamente em IR2 \{(−1. (1. Os detalhes ficam por conta do leitor.17 e 5. 0)} e (b) o fluxo através de qualquer curva (incluindo ou não as singularidades de v). que tratam do número de ligação entre duas curvas. + Como φ é contı́nua e a fronteira ∂L+ está contida em B(1. 0) + φ(1. Apostilas Ideal . que: hrot v.31. segue-se de 5. Para as restantes é consequência da invariância do fluxo (de um campo incompressı́vel) através de curvas homotópicas. →0 ∂L + Com argumentos análogos para a outra singularidade e aplicando este re- sultado a (5. φi = −φ(−1. Comentários sobre 5. Condição b é fácil verificar para as curvas em torno de uma singularidade cujas tangentes são paralelas ao campo v.19).32. 5. por fim.

é possı́vel escolher-se uma região R com fronteira suave. tal que o campo de vetores v seja tangente à fronteira de R . (e) Considere a distribuição C em D 0 (IR3 . mostre que se R é uma região qualquer cuja fronteira é uma superfı́cie suave. (c) Considere o campo de vetores 1 ∇Ω .4. (veja Figura 5. x3 = 0}). Seja c uma curva que intercepte o disco D uma única vez orientada de tal forma que o seu vetor tangente tenha terceira componente negativa quando a curva interceptar o disco D.10a. obtenha uma fórmula mais explı́cita para a integral acima substituindo u por sua expressão analı́tica. con- tento em seu interior S 1 . Use (b) para mostrar que circulação do campo v em c é um.5. S 1 = {x | x21 + x22 = 1. (b) Mostre que lim [Ω(p+ ) − Ω(p− )] = −4π →0 onde p+ e p− são pontos se aproximando de p0 (que pertence ao disco D = {x | x21 + x22 < 1.9). Mostre que o fluxo de v através da fronteira de R é nula. Considere as funções F (x) = −1/|x| e u = ∇F definidas em IR3 \{0}.9a. respectivamente. Apostilas Ideal . com as terceiras coordenadas. Mais ainda. CÁLCULO VETORIAL 79 interceptando o disco unitário D0 (1) = {x | x21 + x22 ≤ 1. contendo S 1 ). 0) dθ .10b). v=− 4π definido classicamente em IR3 \S 1 onde aqui. (Veja Figura 5. (isto é. φi = φ(cos θ. como mostrado na Figura 5. (d) Tomando como base como foram escolhidas as regiões L+ e L− no Exercı́cio 54. sen θ. con- tendo os pontos de “singularidade” do campo v. −π 16 Compare esta distribuição com aquela definida no Exemplo 45. (a) Mostre que Z Ω(x) = u(y − x) · n(y) dS(y) ∂Bx (1)∩Kx Z = u(y − x) · e2 dS(y) D0 (1) e. x3 = 0}. então o fluxo de v através da fronteira de R é nulo. IR) definida pela fórmula: 16 Z +π hC. positiva e negativa. veja Figura 5. x3 = 0}.

80 CAPÍTULO 5. o anel ou filamento circular de vorticidade. (c) 1 Esboço do campo de vetores v = − 4π ∇Ω.10c). nesta subseção incorporamos à nossa linguagem a noção de distribuições matriciais ou tensoriais. Apostilas Ideal . IR3 ).9: (a) A função Ω. Defina a distribuição vetorial em D 0 (IR3 . de funções definidas no espaço tempo cujos valores são matrizes quadradas. (b) Esboço das superfı́cies de nı́vel de Ω. x1 . (f) Mostre que v satisfaz o seguinte sistema de equações diferenciais parciais em D 0 : ( rot v = A div v = 0 Distribuições Tensoriais A dedução das equações de Navier-Stokes na Seção 1. 0)t C . (Veja Figura 5. pela fórmula: A = (−x2 . DISTRIBUIÇÕES Figura 5. na formulação da dinâmica dos fluidos.1 e também o Exercı́- cio 7 exibiu a participação. Calcule o suporte de A. Por isto.

O produto tensorial 17 de IRk com IRk . dizemos que uma sequência converge se e só se convergir coordenada a coor- denada em D(Ω). isto é. v em IRk . ui .   i=1 j=1 Os elementos de IRm ⊗IRm são chamados de tensores. | aij ∈ IR. v j ∈ IRk . Aij ∈ C0∞ (Ω)} . (b) Região tipo toro em torno das singularidades do campo v: R (c) Anel de vortici- dade. j ≤ k . j ≤ k. v em IRk tais que A = u ⊗ v. Apostilas Ideal . para 1 ≤ i.5.10: (a) Duas curvas com número de ligação não nulo. No entanto. veja [63]. IRk ⊗ IRk ) o conjunto das matrizes 17 É possı́vel definir-se o produto tensorial entre dois espaços vetoriais de uma maneira mais intrı́nseca sem o relacionarmos diretamente com matrizes. D(Ω. é definido como sendo o conjunto das matrizes quadradas k × k obtidas a partir de combinações lineares finitas de produtos tensoriais de vetores em IRk .4. 1 ≤ i. j ≤ k formam uma base para M (k)). Denotamos por D 0 (Ω. IRk ⊗ IRk ) = {A : Ω→M (k). É claro que dada uma matriz arbitrária A em M (k) (onde M (k) denota o conjunto das matrizes quadradas k × k). nem sempre é possı́vel determinarmos u. 1 ≤ i. O produto tensorial u⊗v entre dois vetores u. denotado por IRk ⊗ IRk . Em M (k) definimos o produto interno dado por: k X X k A:B= Aij Bij . é fácil ver que IRk ⊗ IRk coincide com M (k). é a matriz cujas entradas são: (u ⊗ v)ij = ui vj . i=1 j=1 No conjunto das funções teste matriciais. (basta notar que ei ⊗ ej . CÁLCULO VETORIAL 81 Figura 5.   Xl X l  IRk ⊗ IRk = aij ui ⊗ v j .

Isto poderia ser um empecilho ao uso de distribuições no estudo das equações não-lineares. 1 ≤ i. Definimos o divergente de uma distribuição tensorial T . Φij i . a matriz T é um elemento de D 0 (Ω. Dados T ∈ D 0 (Ω. IRk ⊗ IRk ) definimos o funcional linear em D(Ω.5 A Equação de Burgers Veremos nesta seção como usar a linguagem das distribuições no estudo de equações diferenciais não-lineares.j=1 O conjunto D 0 (Ω. A equação diferencial não-linear ut + uux = 0. (Exercı́cio: Mostre que hDiv T. IRk ⊗ IRk ) pela fórmula k X hT. j ≤ k. IR3 ) . 5. DISTRIBUIÇÕES quadradas k × k cujas entradas são distribuições. não é possı́vel definir-se o produto de duas distribuições. (5. se nos res- tringirmos a certas classes de equações não-lineares e a certos subconjuntos das distribuições ainda poderemos usar a noção de derivada no sentido das distribuições para definir solução fraca de equações diferenciais não-lineares. Ilustraremos o procedimento através de um exemplo. IRk ⊗ IRk ) e.82 CAPÍTULO 5.   div T3 onde Ti denota a distribuição vetorial dada pela i-ésima linha de T . ∀ φ ∈ C0∞ (Ω. as entradas de T . são elementos de D 0 (Ω). IRk ) (5. ∇φi . IRk ⊗IRk ) é chamado de espaço das distribuições tensoriais. Φ ∈ D(Ω. φi = − hT.24) ∂t ∂x 2 Apostilas Ideal .22) onde ∇φ é a matriz das derivadas parciais de 1a de φ. (5. Φi = hTij . ou seja. Em geral. (∇φ)ij = ∂φi /∂xj ).23) pode ser reescrita como: ! ∂ ∂ u2 (u) + = 0. No entanto. i. IRk ⊗ IRk ) se e só se Tij .   div T1 Div T =  div T2  ∈ D 0 (Ω.

23) é conhecida como equação de Burgers sem viscosidade19 . 18 Associada a certas equações diferenciais. Não o faremos. há uma forma de divergência. apenas aquelas soluções fracas que satisfaçam algum outro requisito. 36].24) está escrita na Forma de Divergência. Definição 56 Uma função u ∈ L2loc (IR × IR+ ) é uma solução fraca da equação de Burgers sem viscosidade se a equação 5. Além disso. IR). que no entanto não é única. 20 Na situação analisada em [13. 18 Equação (5. equação 5. obtemos a equação na forma de di- ∂ u2 ∂ u3 vergência ∂t 2 + ∂x 3 = 0.5. 13. (como é o caso do PVI para a equação de Burgers sem viscosidade). A EQUAÇÃO DE BURGERS 83 Diz-se que (5. (Veja [64]). Lembramos aqui que u e u2 são elementos de D 0 (IR × IR+ ) uma vez que u ∈ L2loc (IR × IR+ ). Por exemplo. Multiplicando-se    equação (5. O leitor interessado é referido a [36. 19 A equação de Burgers ut + uux = µuxx é um modelo unidimensional simples para a equação de Navier-Stokes.24 for satisfeita no sen- tido das distribuições. os candidatos a solução fraca tem que.5. 35. Os resultados que podem ser obtidos variam con- soante a forma de divergência empregada. se e somente se +∞ Z +∞ u2 Z uφt + φx dx dt = 0 0 −∞ 2 para todo φ ∈ C0∞ (IR × IR+ . isto é. e a questão de existência de solução única pode nos levar a aceitar por soluções do PVI. satisfazer condições de entropia para serem considerados soluções fisicamente relevantes. 35] onde estes assuntos são tratados no contexto de problemas hiperbólicos20 .23) por u. Apostilas Ideal . Foi estudada por Burgers [10] em 1948 com este propósito. (posto que incorpora um termo não linear e um termo difusivo tı́picos). E’ mais ou menos claro como estender a noção de solução fraca a outras EDP’s não lineares que possam ser escritas em Forma de Divergência. por algum motivo externo ou não à EDP. (no entanto veja o próximo capı́tulo). não consideramos razoável aceitá-las como suas soluções. Considerações fı́sicas são por vezes úteis na determinação de qual forma de divergência deve ser escolhida. Há vezes em que esta noção de solução fraca é abrangente demais.24) for uma identidade em D 0 . adicio- nalmente. se (5. podemos estar interessados em algum PVI. no sentido que admite para solução funções que.24 é satisfeita no sentido das distribuições.

25) ud . Mostre que u será solução fraca da equação de Burgers sem viscosidade na Forma de Divergência (5. DISTRIBUIÇÕES Exercı́cio 57 (choques) 21 Considere a função descontı́nua u dada por: ( ue . t) = (5. se x ≥ c(t) onde c = c(t) é uma função diferenciável e ue . se x < c(t) u(x.84 CAPÍTULO 5. ud são constantes.24) se e só se c(t) satisfaz a relação de Rankine-Hugoniot: .

" #.

dc .

.

u2 .

|[u]| =.

.

. (5.26) .

dt .

2 .

0) = f (x) > 0. t) dado por (B. mostre a relação de Rankine-Hugoniot. Use derivação por partes e o Teorema da Divergência). Mostre que a transformação de Cole- Hopf u 7→ θ = −2µux /u leva soluções positivas da equação do calor.25) da equação ∂ ∂ (u) + (f (u)) = 0. dt para a solução (5. podemos perguntar se será possı́vel obter-se solução que seja constante em cada uma das. t) > 0) de classe C 2 da equação do calor unidimensional. Notamos que qualquer constante satisfaz a equação de Burgers sem (ou com) viscosidade. Mais geral. 0) = ue . então u(x. 22 (Dica: Divida o IR2 pela linha (c(t). A relação de entropia para este problema se traduz na relação: ue > ud . ut = µuxx para t > 0.1) é uma solução positiva. dc |[u]| = |[f (u)]| . isto é. Verifique que se u(x. duas regiões em que tenhamos subdividido o espaço-tempo. To- mando uma atitude simplista. isto é.26). (Veja [13]). em soluções da equação de Burgers com viscosidade. |[f (u)]| = f (ud ) − f (ue ). t) uma solução positiva (u(x. ∂t ∂x Exercı́cio 58 Seja u(x. Apostilas Ideal . 21 O objetivo deste exercı́cio é deduzir a relação de Rankine-Hugoniot (5. t). Aqui |[f (u)]| denota o salto da quantidade f (u) quando se cruza a linha (c(t). digamos. para x em IR. A resposta é que é possı́vel obter-se solução fraca desde que a relação de Rankine-Hugoniot seja satisfeita na “interface” de separação das duas regiões. por tornar a notação um pouco mais limpa. 22 O PVI para a equação de Burgers (ou para outra lei de conservação hiperbólica) com condição inicial u(x. θ satisfaz: θt + θθx = µθxx para t > 0 . se x < 0 e u(x. e até preferivelmente. t) da esquerda para a direita. 0) = ud de x ≥ 0 é conhecido como problema de Riemann.

a densidade de massa é uma função escalar. dentre outros tipos. fica claro que para a descrição de fenômenos fı́sicos. conforme a prática cientı́fica atual. E’ claro. e equações (em geral integro-diferenciais. é uma função vetorial e digamos. além de. variáveis dependentes (que são as funções da teoria. ou as Equações de Maxwell). Esta decisão é uma tarefa difı́cil que envolve desde comparações com experimentos.6. é uma função tensorial. Por outro lado. que decidamos se as novas soluções têm conteúdo fı́sico ou se são meros subprodutos da matemática. em particular. Nos capı́tulos que se seguem discutiremos um pouco mais o papel das funções generalizadas em modelos fı́sicos não-lineares. Ampliar o modelo ou teoria fı́sica de tal forma a que distribuições possam se candidatar a representantes de situações fı́sicas.5. da carga. O espaço das distribuições é bastante amplo e permite retratar situações mais complexas do que aquelas permitidas por funções. contudo. conforme forem necessárias. Apostilas Ideal . funções com valores em outros conjuntos. que as variáveis dependentes devem satisfazer. neste capı́tulo incorporamos à nossa linguagem a noção de Funções Generalizadas (ou Distribuições) que podem igualmente ser esca- lares. que distribuições 23 Feynman em [19] apresenta uma excelente discussão não técnica de algumas idéias fundamentais da Fı́sica. em reinterpretar a noção de solução das equações da teoria. implica. Nestas notas já vimos exemplos de funções de cada um destes tipos.6 Comentários Teorias fı́sicas consistem em geral de uma tantas variv́eis independentes (des- crevendo o domı́nio. como por exemplo a densidade de massa. funções vetoriais. expressando leis de conservação. as leis de conservação da massa. e indo até à determinação do apuro dos teoremas matemáticos resultantes. E’ bastante difundido o uso de distribuições em teorias fı́sicas que envolvam equações diferenciais lineares. em particular em teorias de meios contı́nuos. ρ. como por exemplo. funções matriciais ou tensoriais. A aceitação de uma nova formulação de uma teoria fı́sica requer. de carga elétrica. Assim. a parte simétrica de ∇v. tipicamente o espaço-tempo). COMENTÁRIOS 85 5. a equação de Navier-Stokes. funções com valores em IR). passando por simulações numéricas. utilizam-se funções: funções escalares (ou seja. no entanto. ou o campo eletromagnético). que desempenha um papel na dinâmica da vorticidade (veja Capı́tulo 2). o campo de velocidades v. vetoriais ou matriciais. D. o campo de velocidades.23 Pelo que foi apresentado nos capı́tulos anteriores e repetido no parágrafo anterior.

Apostilas Ideal . Geralmente. vetoriais.86 CAPÍTULO 5. denominam algumas dessas funções de campos escalares. e assim por diante. Fı́sicos não explicitam se utilizam funções ou funções generalizadas. tensoriais. Além disso. DISTRIBUIÇÕES fazem parte do arsenal de Fı́sicos (lembre-se da “função” δ de Dirac!) e de Matemáticos (lembre-se da distribuição δ de Dirac!).

e se concentrar nos aspectos locais). já havia sido efetuada na penúltima seção do capı́tulo anterior. (6. Isto é uma simplificação pois o problema fı́sico completo é global. e integrando por partes obtêm-se a 1 Veja equação (1. Caracterizar o que é fe- nomenologicamente correto foi fácil para a equação de onda mais simples. já para a equação de Navier-Stokes. Sem haver sido levantada a questão.1) div v = 0 Fazendo o produto escalar dos dois membros da equação (6. +∞]. t0 ) . IR3 ).1) por uma função teste φ ∈ C0∞ (Ω × (0. carecendo de condição inicial e até mesmo de condição de fronteira.23) no Exercı́cio 7. t0 ). Começamos por recordar1 que as equações de movimento para um fluido incompressı́vel viscoso em Forma de Divergência são: ( (ρv)t + Div (ρv ⊗ v) = −∇p + µ4v em Ω × (0. Há no entanto diferença crucial: naquele estudava-se um PVI. mais simples. 87 Apostilas Ideal . Contudo o estudo das peculiaridades locais é um passo decisivo na direção de estudar o problema completo. esta simplificação (de esquecer os aspectos globais.Capı́tulo 6 Forma Fraca de Euler e Navier-Stokes O objetivo deste capı́tulo é obter uma formulação fraca para as equações de Euler e de Navier-Stokes. tal não é possı́vel devido à multiplicidade e complexidade de fenômenos regidos por esta. Há outra diferença que queremos salientar. É conveniente comparar o desenvolvimento análogo. ao passo que neste. apenas solubili- dade local será considerada. Seja Ω aberto em IR3 e t0 ∈ (0. do Capı́tulo 4 com o deste.

 Mostre que o par (v. b) Use o Teorema da Divergência para mostrar que: R t0 R ∂ i) 0 Ω ∂t (ρv · φ) dx dt = 0 R t0 R ii) 0 Ω div (v ⊗ v φ) dx dt = 0 R t0 R iii) 0 Ω div (pφ) dx dt = 0 R t0 R iv) 0 Ω div (∇φv) − div (∇vφ) dx dt = 0 se φ ∈ C0∞ (Ω × (0. Os detalhes ficam para o exercı́cio a seguir. se v é solução clássica de (6. t0 ). ∀ ψ ∈ C0∞ (6. Exercı́cio 60 Sejam v em C 2 Ω × (0. t0 ). IR3 e p em C 1 (Ω × (0.2) 0 Ω para toda a função teste φ ∈ C0∞ (Ω × (0. t0 ). FORMA FRACA DE EULER E NAVIER-STOKES identidade: Z t0 Z {φt · ρv + ∇ φ : ρv ⊗ v + µ4φ · v + div φ p} dxdt = 0.2) e (6. p) satisfaz (6. é fácil resolver o exercı́cio a seguir.3). 2 A formulação fraca da equação de Navier-Stokes excluirá a pressão. IR3 ). é um passo nesta direção.1) se e só se satisfaz (6. c) Mostre que.3) Usando o Lema 34.88 CAPÍTULO 6. Apostilas Ideal . a condição de incompressibilidade implica que Z ∇ ψ · v dx = 0. Exercı́cio 59 a) Mostre que valem as regras de Leibnitz : ∂ i) ∂t (φ · u) = φt · u + φ · ut ii) div (f u) = ∇ f · u + f div u iii) div (f ∇φ) − div (φ∇f ) = f 4 φ − φ 4 f iv) div (Aφ) = Div At · φ + A : (∇φ)t onde A é uma função matricial. IR3 ). IR) . De forma análoga. que mostra uma propriedade de ortogonalidade para cam- pos de vetores. t0 ). O próximo exercı́cio.2) é satisfeita para toda a função φ ∈ C0∞ . (6. 2 Compare com a Proposição 33. então a equação (6.1).

1. (b) Se u está em C 0 (Ω. Z u · φ dx = 0 Ω O exercı́cio anterior é apenas a condição necessária de um caso particular do seguinte resultado. b) E’ satisfeita a condição de incompressibilidade: Z t0 Z ∇ ψ · v dxdt = 0. tal que g = f + c. IRk ). IR) e φ em C 1 (Ω. 89 Exercı́cio 61 Sejam f em C 1 (Ω. então existirá uma constante c em IR. IR3 ) com div φ = 0. ∇f = u . IR3 ). Defina o campo gradiente u = ∇ f . valem os seguintes resultados de regularidade: (a) Se u está em L2loc (Ω. então f pertence a C 1 (Ω). é solução fraca (de Le- ray-Hopf) da equação de Navier-Stokes para um fluido incompressı́vel (6. t0 ). Ademais.4). se anula na fronteira de Ω) são ortogonais. com div φ = 0. página 14.5) é condição necessária para (6. com div φ = 0. IR3 ). IR3 ). ∀ ψ ∈ C0∞ (Ω × (0. IR). 3 Exercı́cio 63 Mostre que (6. Para que exista f ∈ D 0 (Ω.4) é necessário e suficiente que seja satisfeita a condição hu. isto é. ∀ φ ∈ C0∞ . então f pertence a L2loc (Ω). e para a unicidade e o pri- meiro resultado de regularidade consulte Proposição 1. (6.2. Proposição 62 Seja Ω um aberto em IRm e u ∈ D 0 (Ω. deixe-nos enfatizar. O segundo resultado de regularidade segue-se do primeiro e da demonstração da Proposição 2. 0 Ω 3 Para a suficiência consulte [60] Proposição 1. da citada referência. φi = 0. Mostre que o campo gradiente u e o campo incompressı́vel φ (que. t0 ). (6.2. página 22 de [27]. t0 ).5) A solução é única a menos de uma constante aditiva. IR) resolvendo o sistema de EDP’s de 1a ordem. IR3 ). Apostilas Ideal .1) se: a) E’ satisfeita a lei fraca de conservação do momento: Z t0 Z {φt · ρv + ∇ φ : ρv ⊗ v + µ4φ · v} dxdt = 0 0 Ω para toda a função teste φ ∈ C0∞ (Ω × (0.4) Definição 64 Uma função v ∈ L2loc (Ω×(0.1. se g é outra solução de (6. isto é.

(veja Proposição 62). Além disso. Em particular v. Z t0 Z {φt · v + ∇ φ : v ⊗ v} dxdt = 0. t0 ). Então. Apostilas Ideal . onde iv como definido no Capı́tulo 5 e iv⊗v sendo a distribuição dada pela fórmula: 3 X hiv⊗v . satisfaz hJ. 4 Veja parágrafo seguinte à Definição 47. existirá p ∈ D 0 (Ω. mesmo admitindo-se a existência de alguma outra distribuição p tal que −∇p = J. Resumiremos o resultado desta discussão. A mesma linha de raciocı́nio pode ser empregue para as soluções fracas da equação de Euler que satisfaçam uma condição de regularidade apropriada. analoga- mente ao que fazemos com v. satisfaz a lei fraca de conservação do momento. pela Proposição 62. na Proposição a seguir.4 Assim. dizer que v satisfaz item a da definição. existirá p ∈ C 1 tal que J = −∇p classicamente.l=1 Por simplicidade de notação denotaremos iv⊗v por v ⊗ v apenas. então é fácil ver que J ∈ C 0 .6) 0 Ω para toda a função teste φ ∈ C0∞ com div φ = 0. porque J pertence a L2loc . j ≤ 3 no sentido das distribuições. 1 ≤ i. com div φ = 0. pois as derivadas até 2a ordem de vi e de vi vj . pela Proposição 62. solução fraca da equação de Euler. Faremos alguns comentários acerca destas definições. a solução da equação −∇p = J é única a menos de uma constante aditiva. FORMA FRACA DE EULER E NAVIER-STOKES A definição de solução fraca da equação de Euler é obtida da definição acima colocando-se µ = 0. especializando para a equação de Euler. Φi = hvj vl . IR) tal que J = −∇p. Usando a Desi- gualdade de Cauchy-Schwarz é fácil verificar que iv ∈ D 0 (Ω × (0. neste caso se v for de classe C 1 . φi = 0. Se v é de classe C 2 . (6. ∀ φ ∈ C0∞ . equivale a afirmar que a distribuição J = (ρv)t + Div (ρv ⊗ v) − µ4v. Nestas circuntâncias. t0 ). e iv ⊗v ∈ D 0 (Ω × (0.90 CAPÍTULO 6. IR3 ⊗ IR3 ) . coincidem com as derivadas clássicas. Φjl i . obtemos resultados análogos. j. IR3 ).

uma distri- buição vetorial em D 0 (Ω. única a menos de uma constante aditiva. quando n → ∞. 4. b)(Estabilidade-I) Seja {un } em C 1 (IR × [0. (Dica: Use Proposição 62 e o Exercıcio 50 alı́neas b e f). Mostre que este limite é uma solução fraca da equação de Euler. tal que o par (v. a pressão. e u. IR3 ). c)(Estabilidade-II) Considere uma sequência {(v n .5 Exercı́cio 66 Seja Ω um aberto limitado. Então existirá uma função p ∈ C 1 (Ω × (0.1. ∞). um aberto simplesmente conexo. e |a + b| ≤ |a| + |b|. b ∈ IR. convergindo uniformemente a u∞ ∈ C 0 (IR × [0. Apostilas Ideal . p∞ ). u2n −−→ 2 u∞  (Dica) Para a convergência do quadrado use que a2 − b2 = (a − b)(a + b). convergindo uniformemente a (v ∞ . Mostre que unif  un ψ −−→ u∞ ψ  unif . (que podem ser apenas contı́nuas). para a. a) Assuma que {un } é uma se- quência em C 0 (Ω) convergindo uniformemente para u∞ ∈ C 0 (Ω). ∞)) uma sequência de soluções clássicas do PVI da equação de onda (4. 5 Compare com Proposição 33. Exercı́cio 67 Sejam Ω. IR3 ). se e somente se rot u = 0 em D 0 .2). p) é solução clássica da equação de Euler. t0 ). IR). IR3 ) uma solução fraca (Leray-Hopf) da equação de Euler para um fluido incompressı́vel. Mostre que o sistema de equações diferenciais parciais de 1a ordem ∇f = u tem solução no sentido das distribuições. t0 ). Mostre que u∞ é solução fraca deste PVI com condição inicial igual a u∞ (x. Dê um exemplo em que o limite u∞ é contı́nuo mas não é diferenciável. 0). pn )} de soluções clássicas de classe C 1 da equação de Euler. 91 Proposição 65 Seja Ω um subconjunto aberto em IR3 . Seja v ∈ C 1 (Ω × (0. Seja ainda ψ ∈ C0∞ (Ω).

FORMA FRACA DE EULER E NAVIER-STOKES Apostilas Ideal .92 CAPÍTULO 6.

93 Apostilas Ideal . Não obs- tante a distribuição limite nem sempre será representada por uma função. no estudo de sequências de soluções das equações de movimento de um fluido incompressı́vel. coordenada a coordenada. em D 0 (Ω). não é possı́vel falar-se do produto de distribuições. φi ∈ IR. IRk ) e a D 0 (Ω. Note que convergência em D 0 é uma noção de convergência pontual das funções T n . A segunda seta acima indica convergência de números reais.Capı́tulo 7 Convergência em D0 A noção de convergência fraca em D 0 e diversos exemplos ilustrando com- portamentos fı́sicos básicos. Para os exemplos considerados abaixo os elementos de cada sequência serão distribuições naturalmente associadas a funções em L1loc . sequências nestes espaços convergirão fracamente se convergirem fracamente. A noção de convergência fraca acima é claramente estensı́vel a D 0 (Ω. Sejam {T n } uma sequência de elementos em D 0 (Ω). Definição 68 A sequência T n converge fracamente a T ∞ quando n → ∞. onde cada elemento φ ∈ D é pensado como um ponto.1 Usaremos estes conceitos. φi → hT ∞ . pois em geral. e denota-se tal fato por D0 T n −* T ∞ quando n → ∞ se hT n . hT n . 1 Esta afirmação tem que ser qualificada. nos Capı́tulos 8 e 9. são apresentados neste capı́tulo. e T ∞ ∈ D 0 (Ω). e na definição de solução de DiPerna-Majda. φi quando n → ∞ ∀ φ ∈ C0∞ . São também ilustrados aspectos da falta de continuidade de funcionais não lineares com respeito à convergência fraca. IRk ⊗ IRk ).

Dizemos que {ψ  } converge a ψ 0 . quando  → 0. e 0 em (0. como adaptar a Definição 68 de convergência fraca a estas situações. considerando que o parâmetro está em (0. Para manter alguma intuição será conveniente pensar cada elemento da sequência de funções representando alguma quantidade fı́sica definida em Ω. p(x+ l) = p(x) para todo x ∈ IR. ψ ∈ C00 (IR). (+∞ em IN e em [0.1) corresponderia a uma quantidade fı́sica que escapa de qualquer região limitada num tempo finito: é obtida pela translação de uma função com suporte compacto. O processo 2 Utilizaremos a expressão campo no lugar de função ou distribuição mesmo quando Apostilas Ideal . 1]. e de fato. e quando estudamos a convergência de {ψ  } estamos investigando o efeito da viscosidade ir a zero. Estas são sequências de funções contı́nuas.4) onde. Assim (a) (veja Figura 7. o instante (talvez crı́tico) em que ele termina.2) b) p (x) = p( x ). representando (a) translação. φ .94 CAPÍTULO 7. 7. Por vezes o parâmetro da sequência não varia em IN. 0 ]. Alternativamente. CONVERGÊNCIA EM D 0 Este será o caso das sequências que convergem para a distribuição δ de Dirac. (7. 0 ]. veja Figuras 7. Em (b) (veja Figura 7.  ∈ (0. 7. Há uma per- sistência. ∀ φ ∈ C0∞ . uma intensificação das oscilações no limite.2). +∞). Cada um destes exemplos são obtidos através da aplicação de transformações geométricas simples (translações e homotetias) a funções fixas. ilustrados por: a) ψ t (x) = ψ(x − t). se D E hψ  . em [0.1) Aqui pensamos  como sendo o tempo que falta para terminar um pro- cesso fı́sico qualquer e. pode ser imaginado como sendo a evolução dessa quantidade fı́sica (com n sendo pensado como tempo). densidade de energia cinética. e ρ uma função não negativa com ρ dx = 1. pelo reescalamento de uma função periódica.1.4.2 e.  = 0.  ∈ (0. o que acontece quando n→∞. 0 ]). por exemplo a vis- cosidade. tipo densidade de massa. detectamos que mais e mais oscilações do campo 2 preenchem o espaço quando  vai a zero.  poderia ser algum parâmetro fı́sico.3) c) ρ (x) = 1 ρ( x ). O processo limite. ∞) (7. +∞). (7. Procuraremos caricaturar verbalmente estas sequências. ou algum outro conjunto com um “fim” escolhido. φi → ψ 0 . mas sim em (0. (b) oscilação e (c) concentração. Ilustramos. é uma função contı́nua de suporte compacto e p e ρ são funções contı́nuas definidas em IR. t ∈ [0. Iremos estudar exemplos de três processos básicos. quando  → 0. (7. campo elétrico ou algum outro campo. sendo p periódica de perı́odo R l. 1].

Z +∞ Z +∞ lim ψ t (x)φ(x) dx = 0 φ(x) dx = 0. A segunda.5) se segue. a região de campo forte. usualmente um Fı́sico não considerá-la um campo fı́sico. Fixada φ. Pense como generalizar estes processos para IRm . dizemos que há uma dicotomia campo forte×campo fraco. para t > ts Z +∞ ψ t φ dx = 0. a região de campo fraco. Assim sendo. A primeira região. ocupando a maior parte do espaço.5) é bem simples e pode ser entendida facilmente se examinarmos a Figura 7.2) tem-se que D0 ψ t −* 0. ocor- rem também para a energia cinética e para a densidade de massa que não são considerados campos. Fazemos isto para simplificar a linguagem porque.3 7. ψ t já “terá deixado para trás” o suporte da função teste φ. ψ t (x) = ψ1 (x − t) + ψ2 (x − 2t). que se desenvolve através de uma concentração do campo em torno da origem. ocorrer em uma porção limitada do espaço. (não precisamente delimitadas. é a região onde o campo é pouco intenso. ao passo que numa grande extensão do espaço o campo vai “enfraquecendo” (Figura 7. Neste cenário. por exemplo. mas com uma “pequena” interseção. −∞ donde (7.7. que têm fortes aspectos geométricos. corresponde à pequena porção do espaço onde o campo é intenso. Este processo corresponde à genesis da δ de Dirac. O PROCESSO DE TRANSLAÇÃO 95 no item c se desenvolve através de uma concentração do campo em torno da origem. ∀ φ ∈ C0∞ t→∞ −∞ −∞ A demonstração de (7. depois de um certo tempo ts . numa pequena região do espaço o campo vai ficando “intenso”.5) ou seja. cuja união é o espaço todo. 3 Tome. Apostilas Ideal . e também como com- biná-los para obter processos mais complexos. os fenômenos que tratamos. quando t→∞ (7.1 O Processo de Translação Para ψ t dado em (7. Detalhes são deixados a cargo do leitor. na próxima sentença).1b. Este processo produz uma separação do domı́nio de definição do campo em duas regiões vagamente complementares. por exemplo. Processos de oscilação podem.4). como ficará claro quando as “definirmos”.1. O desenvolvimento de uma concentração pode se dar em torno de outros subconjuntos que não apenas um ponto.

temos que: D0 p −* p̃. CONVERGÊNCIA EM D 0 Figura 7.2). 7. quando  → 0 ou seja Z +∞ Z +∞ lim p (x) φ(x) dx = p̃ φ(x) dx ∀ φ ∈ C0∞ . A média de p no perı́odo é o número real 1 l Z p̃ = p(x) dx. então ψ t (x) = ψ(x − t). pode ser pensada como a densidade de massa de um objeto (unidimensional) no instante t. temos em (7. l 0 Para p . qual seja.2 O Processo de Oscilação Seja p uma função contı́nua e periódica. e se ψ representa a densidade no instante t = 0. (7.1: Processo de translação: A função ψt . n→∞ −∞ 4 Teorema 1. selecionando os valores de  da forma 1/n. o reescalamento da função periódica p. Se o objeto translada para a direita com velocidade igual a 1. página 303 de [29] Apostilas Ideal .96 CAPÍTULO 7. definido em (7.3) (veja Figura 7. com perı́odo l. para cada t fixo. com n ∈ IN. Z +∞ lim sen (nx) φ(x) dx = 0.6) →0 −∞ −∞ Em particular quando p(x) = sen (x).1. No instante t = 110 o objeto já “deixou para trás” a função teste φ.6) nada mais do que o Lema de Riemann-Lebesgue clássico4 .

isto é. p(x. Denote por p̃ = p̃(x) ∈ C 0 (IRm ) a função média dada pela fórmula 1 l Z p̃(x) = p(x. l 0 Mais geral que (7. z) para todo x. z. o pe- rı́odo l define uma “escala natural” para a função p. O PROCESSO DE OSCILAÇÃO 97 Figura 7. quando  → 0 Apostilas Ideal .7. z) dz. o seguinte resultado é válido: Teorema 69 (Lema de Riemann-Lebesgue) Considere a sequência de fun- ções x1    p (x) = p x. Seja p = p(x. z) ∈ C 0 (IRm × IR).6). z + l) = p(x. com perı́odo l. D0 p −* p̃. M é a norma do sup (ou amplitude).2: Processo de oscilação a) Função periódica p: Aqui l é o perı́odo (ou comprimento de onda) e.  então. onde p é uma função periódica com respeito à segunda coordenada z. Um processo de oscilação ocorre quando. uma vez que a média do seno no perı́odo é zero. numa região de volume finito (e fixo) do espaço. mais e mais “oscilações” do campo estão presentes. b) Reescalamento de função periódica: a amplitude não é alterada mas a “escala natural” de p é l. No limite →0 aumenta-se o número de “oscilações” por unidade de comprimento.2.

6): Recordamos a definição de função caracterı́stica do intervalo [a.b] (x) dx = p (x) dx −∞ a Z a+nl Z b  = p (x) dx + p (x) dx a a+nl Z a+l Z b = n p (x) dx + p (x) dx a a+nl Zl Z b = n p (x) dx + p (x) dx 0 a+nl Z l Z b = n p(x) dx + p (x) dx 0 a+nl Z b = nlp̃ + p (x) dx (7.8) Por periodicidade. nl ≤ b − a < (n + 1) l.b] (x) dx →0 −∞ −∞ = p̃ (b − a).6) é válida se no lugar de φ colocarmos χ[a. de qualquer forma este será um primeiro passo em direção ao resultado (7. mais concretamente.9) a+nl Apostilas Ideal . Z Z lim p (x) φ(x) dx = p̃(x)φ(x) dx. (7.98 CAPÍTULO 7.b] (x) dx = p̃ χ[a. Seja n = n() o número de perı́odos de p contidos no intervalo [a. Começaremos por mostrar que (7. o perı́odo de p é l. Z +∞ Z +∞ lim p (x) χ[a.7) Evidentemente χ[a. b]: ( 1 se x ∈ [a.b] (x) = 0 caso contrário. b].b] não está em C0∞ (IR). e através de uma mudança de variável tem-se que: Z +∞ Z b p (x)χ[a. isto é. b] χ[a. CONVERGÊNCIA EM D 0 ou. ∀ φ ∈ C0∞ (IRm ) →0 IRm IRm Esboço da demonstração de (7. isto é. (7. ∀ φ ∈ C0∞ (IR). Dado . o inteiro para o qual.6).b] .

Então.7. O PROCESSO DE CONCENTRAÇÃO 99 Seja M um majorante para p.3. isto é. . M tal que |p(x)| ≤ M. ∀x.

Z .

.

b .

Z b  p (x) dx.

≤ |p (x)| dx .

.

.

.

a+nl .

m (Ik ) denota o comprimento do intervalo Ik .6) segue-se de (7. 7.10) b−l o que imediatamente resulta: Z b lim p (x) dx = 0. n X g(x) = ak χIk (x). a+nl Z b ≤ M dx = M l (7. Por (7.9) e (7. Z +∞ n p (x) g(x) dx = p̃ X lim ak m (Ik ) →0 −∞ k=1 Z +∞ = p̃ g(x) dx.3). k=1 onde cada Ik é um intervalo fechado.3 O Processo de Concentração Sequências de Dirac.7). “massa” total finita Demonstraremos nesta subseção que (com a notação usada em (7.4).11) porque toda função contı́nua com suporte compacto pode ser uniformemente aproximada por uma função escada [52]. uma combinação linear finita de funções caracterı́sticas (Figura 7. D0 ρ −* δ. →0 o que juntamente com (7.8) é claro que lim [(b − a) − n() l] = 0. veja também Figura 7. O resultado geral (7. Tome agora uma função escada.10) implica (7.11) −∞ Aqui. quando  → 0 Apostilas Ideal . (7.7).4). →0 a+nl Além disso por (7.

Z ρ (x) dx ≤ λ. ∃ 1 > 0 tal que ∀ . Resumindo. a massa se concentra em torno da origem. Definição 70 Uma sequência de funções {ρ } ⊂ C 0 (IRm ) é chamada de sequência de Dirac se as condições abaixo forem satisfeitas: a) Positividade: ρ (x) ≥ 0. ∀ φ ∈ C0∞ (IRm ). φi → φ(0). 0 <  ≤ 1 . ρ (x) dx = 1 R b) Massa total um: IRm c) Concentração da massa em torno da origem: ∀ λ > 0. IRm \B0 (γ) Intuitivamente o significado desta definição é o seguinte: pensa-se em  como o tempo que falta até o instante crı́tico 0. ∀ γ > 0. ∀ x. quando  → 0. dizemos que ocorre um processo de concentração de “massa”. ∀ .3: Aproximação de função contı́nua por função escada isto é. CONVERGÊNCIA EM D 0 Figura 7. hρ . Exemplo 71 Cosideremos uma função ρ ∈ C 0 (IRm ). a quantidade de massa fora de uma pequena vizinhança escolhida é tão pequena quanto se deseje desde que o tempo que falte até o instante crı́tico seja suficientemente pe- queno. IRm Apostilas Ideal .100 CAPÍTULO 7. com ρ ≥ 0 e Z ρ dx = 1. Sempre que a quantidade de “massa” é finita e se localiza em uma região cada vez menor.

Sua “escala natural”. b) A função ρ   e tem integral 1. 99. O PROCESSO DE CONCENTRAÇÃO 101 Figura 7. é o número α > 0 tal que R +α  (x) = 1 ρ 1 também é não negativa −α ρ(x) dx = 0. a “massa” se concentra em uma vizinhança da origem.7. Apostilas Ideal . Sua “escala natural” é α. digamos.4: Processo de concentração a) A função ρ é não negativa e tem integral igual a 1. Quando →0.3.

102 CAPÍTULO 7. ρ . Teorema 72 Sequências de Dirac convergem em D 0 . verificamos que: 1 x Z Z    ρ (x) dx = m ρ dx IRm m   ZIR = ρ(y) dy = 1. obtemos: 1 x Z Z    ρ (x) dx = m ρ dx IRm \B0 (γ) IRm \B0 (γ)   Z = ρ(y) dy. quando {ρ } é uma sequência de Dirac. b) Através da troca de variáveis y = x/. Usando-se (b) obtemos a equação Z φ(0)ρ (x) dx = φ(0) IRm 5 O reescalamento da variável independente provoca uma concentração geométrica. IRm \B0 (R0 ) Vemos então que. para a distribuição δ de Dirac. Demonstração Verificaremos as três condições. dado λ > 0. seja 1.12) →0 IRm Demonstração Exploraremos a condição c.R o da variável dependente é posteriormente escolhido de tal forma que a “massa” total. Numa pequena porção do espaço em torno de zero a massa é quase 1 e numa grande extensão do espaço a massa é quase zero. fazendo uma troca de variáveis. a) é trivial. escolhendo-se 1 tal que γ/1 = R0 . (7. Z lim ρ (x)φ(x) dx = φ(0). CONVERGÊNCIA EM D 0 Então 1 x    ρ (x) = m ρ   é uma sequência de Dirac5 . a condição c fica assegurada. dados λ e γ arbitrários. ∀ φ ∈ C0∞ (IRm ). IRm \B0 (γ/) Como a integral de ρ é um. Melhor dizendo. existe R0 tal que Z ρ(y) dy < 0 . Apostilas Ideal . IRm c) Quaisquer que sejam  > 0 e γ > 0.

O PROCESSO DE CONCENTRAÇÃO 103 seguindo-se que é suficiente mostrar que Z lim ρ (x)[φ(x) − φ(0)] dx = 0.3.7. →0 IRm Iremos mostrar que ambos os termos do lado direito da desigualdade abaixo são arbitrariamente pequenos para  suficientemente pequeno e γ > 0 a ser escolhido depois. .

Z .

.

Z .

.

.

 ρ (x)[φ(x) − φ(0)] dx.

+ .

.

ρ (x)[φ(x) − φ(0)] dx.

.

≤ .

.

.

.

m .

IRm \B0 (γ) .

IR .

.

Z .

.

.

+.

ρ (x)[φ(x) − φ(0)] dx.

. .

.

.

B0 (γ) .

para todo x. φ(x) − φ(0) será pequeno para |x| < γ. usando a condição c para λ/4M e o γ escolhido acima. Seja M um majorante de φ. dado λ > 0. |φ(x) − φ(0)| ≤ 2M. existe γ > 0 tal que |φ(x) − φ(0)| < λ/2. IRm \B0 (γ) 4M Além disso. Como {ρ } é uma sequência de Dirac. e para  ≤ 1 vale: . λ Z ρ (x) dx ≤ . para todo x. Pela continuidade de φ. tal que |x| < γ. O primeiro termo é pequeno porque “há pouca massa” fora da origem. Então para o λ > 0 arbitrário dado acima e para o γ e o 1 escolhidos acima. Mais detalhes seguem. concluimos que existe 1 > 0 tal que. e o segundo termo é pequeno porque sendo φ contı́nua e γ pequeno. para todo  ≤ 1 .

Z .

 .

.

.

ρ (x)[φ(x) − φ(0)] dx.

.

≤ IRm .

para algum K > 0 e para todo |r| ≤ 1. Apostilas Ideal . λ Z Z  ≤ 2M ρ (x) dx + ρ (x) dx m IR \B0 (γ) 2 B0 (γ) λ λ ≤ + = λ. ∞)) tal que: a) |W (r)| ≤ Kr 2 . “massa” infinita Teorema 73 Seja W ∈ C 1 ([0. Outro Processo de Concentração.12). 2 2 Isto completa a demonstração de (7.

13).13) |x|2 −1 1 x    ψ  (x) = ln −2 ψ . (7. não é um processo de concen- tração do tipo caracterizado pela noção de sequência de Dirac (da subseção anterior). No entanto. Demonstração (do Teorema) Dada φ ∈ C0∞ (IR2 ). +∞) satisfaz condição c. (7. tendo que ser substituı́do pelo apresentado em (7. por ênfase.104 CAPÍTULO 7.15) Observação: Pela condição b imposta a W e por (7. Apostilas Ideal .13). não funciona (no sentido que a sequência resultante não converge em D 0 ). quando  → 0. mudança de coordenadas cartesianas para polares em IR2 e integração por partes obtemos: Z φ(x) ψ  (x) dx = IR2 −1 1 1 r Z    = lim φ(x) ln W dx →0 IR2  r 2  1 −1 1 Z ∞ r     = lim 2π φ̄(r) ln W dr (7. Por esta razão o reescalamento usual. já que a “massa” total neste exemplo é infinita. 7 Condição a é equivalente a ψ ser limitada numa vizinhança de r = 0.14)   Então D0 ψ  −* δ. CONVERGÊNCIA EM D 0 b) limr→∞ W (r) = 1/2π 6= 0 R +∞ c) 0 | ln sW 0 (s)| ds = γ < ∞. tanto nos domı́nios (as mesmas inclusive) quanto nos contradomı́nios de funções fixas. Repetindo.R concluı́mos que ψ decai a zero lentamente quando |x|→∞ de tal forma que IR2 ψ dx = +∞. é o de uma dicotomia campo forte×campo fraco.16) 2π 0 Usando (7. se- melhante ao que ocorre com sequências de Dirac. −2 ψ(x/). definimos 1 Z 2π φ̄(r) = φ(r cos θ. ∞)) com W 0 (r)r 1+α limitada em [1. Estes dois reescalamentos são análogos geometricamente porquanto ambos envolvem homotetias parecidas. r sen θ) dθ. 6 Defina7 1 ψ(x) = W (|x|) e. o cenário correspondente a esta sequência. apresentado na subseção anterior.14).17) →0 0  r  6 Uma função W ∈ C 1 ([0. (7. note que o processo de concentração apresentado no Teorema 73. (7.

O PROCESSO DE CONCENTRAÇÃO 105 = lim A + B + C .7. (7. onde.18)  →0 −1 .3.

∞ 1 r .

.

 A = 2π φ̄(r) ln ln r W .19)   . (7.

de A . como veremos em seguida. B e C . implica r . Mostramos primeiramente que A .0 Z ∞ −1 1 r    B = − 2π φ̄0 (r) ln ln r W dr .19)). e. o termo de A correspondente à avaliação em +∞. A função φ̄. que tem suporte compacto. Igualmente. que é dado pela diferença de dois termos (obtidos “avaliando” uma função em +∞ e em 0.20) 0    Passamos imediatamente ao cálculo dos limites.21) r →0 A condição a. (7. é igual a zero. quando →0. aquele termo da avaliação em r = 0 é nulo. (7. Porque φ é contı́nua. veja (7. é nulo. para  fixo. se anula para r suficientemente grande e então. 0   ∞ −1 1 1 r Z    0 C = − 2π φ̄(r) ln ln r W dr . segue-se: lim φ̄(r) = φ(0) .

.

.

 .

.

lim .

r →0 .ln rW =0 .

 .

Do que ficou dito resulta que A = 0 e lim A = 0. ∞). Seja ainda R. Seja α um majorante de W . um majorante de φ̄0 .22) →0 Em seguida mostramos que lim B = 0.23)  →0 Dado que W é contı́nua e tem limite finito no infinito. o raio de um disco que contem o suporte de φ̄0 . (7. Segue-se que . e seja L. (7. conclui-se que é limitada em [0.

Z   .

.

.

∞ 1 −1 r   0 2π φ̄ (r) ln ln r W dr .

≤ .

.

  .

.

0 .

−1 Z R .

1 .

φ̄ (r) ln r W r .

dr   .

.

0 .

≤ 2π ln  0 .

 .

−1 Z R 1  ≤ 2παL ln |ln r| dr.  0 Apostilas Ideal .

23).25) 0 = 2π φ̄(0) lim (W (l) − W (0)) l →∞ = φ(0).24) →0 Fazendo a mudança de variável l = r/ na integral em C . quando  → 0. concluimos (7. uma vez que: . (7. Finalmente consideramos o termo C . O limite do primeiro deles é: ∞ −1 1 Z  − lim 2π φ̄(l) ln ln  W 0 (l) dl =  →0  Z 0∞ = 2π φ̄(0) W 0 (l) dl (7. (7. para o qual vale o limite: lim C = φ(0). e usando ln(l) = ln +ln l. obtemos que C é igual à soma de dois termos. passando ao limite.26) Seja M um majorante de φ̄. concluimos que o limite do segundo termo é zero.106 CAPÍTULO 7. na expressão acima. CONVERGÊNCIA EM D 0 Como lim (ln(1/))−1 = 0. Usando condição c.

Z .

∞ 1 −1 .

  .

.

− 2π φ̄(l) ln ln l W 0 (l) dl.

≤ .

.

.

0  .

.

.

1 −1 Z ∞.

  .

0 ≤ .

2π φ̄(l) ln ln l W (l).

dl .

.

0 .

 .

Arrematando. 7. isto é.26) e de (7.4 Questões de Continuidade Consideraremos dois exemplos de sequências de campos vetoriais em IR nos quais há uma perda de energia cinética no processo de limite.23). −1 1  ≤ 2π M γ ln .15). Estes exemplos não são exemplos de soluções da equação de Navier-Stokes (nem tão pouco Apostilas Ideal . concluimos (7.22).27)  De (7. (7.24). e (7.27) segue-se (7.24). de (7. (7. Z lim ψ  (x) φ(x) dx = φ(0) .18). (7. →0 IR2 para toda a função φ ∈ C0∞ (IR2 ).

u ) = sen dx.  →0 →0 4 Uma vez que a energia cinética do limite (lado esquerdo da equação acima). de novo. Ω 2 a energia cinética asssociada ao campo de vetores u na região espacial Ω. quando  → 0. Isto. significa que a função não linear E é descontı́nua com respeito à convergência fraca. são dados aqui como uma “caricatura” do tipo de fenômenos que ocorrem com sequências de soluções das equações de Euler. pelo Teorema 69. peculiaridades do comportamento da energia cinética ao longo de uma sequência. No próximo capı́tulo veremos exemplos de sequências de soluções das equações de Euler que exibem comportamento semelhante. ρ Z +π x    2 E([−π. Denotamos por u2 Z E(Ω. u ) = . Z +∞ Z +∞ u(x) dx < ∞. 2 −π  e. dizemos que há uma perda de energia cinética no limite. é menor do que o limite da energia cinética (lado direito da equação). →0 4 Constatamos que: ρ   0 = E ([−π. u) = ρ dx. No entanto. Exemplo 75 (Concentração da energia cinética num ponto) Seja dada u- ma função u em C 0 (IR). Veremos nos exemplos seguintes.4. onde ρu2 (x)/2 é a densidade de energia cinética. +π]. Exemplo 74 Seja u (x) = sen (x/). QUESTÕES DE CONTINUIDADE 107 da de Euler). +π]. lim u 6= lim E ([−π. +π]. ρ lim E([−π. −∞ −∞ Apostilas Ideal . com u(x) ≥ 0. para cujos elementos é possı́vel fazer sentido o que seja a energia cinética. é claro. e u2 (x) dx = 1.7. Então pelo Teorema (Riemann-Le- besgue) 69. u ) = . 0) = E [−π. D0 u −* 0. fracamente convergente em D 0 . (Veja nota de rodapé à página 7). π]. π].

29) 2 2 Demonstração Seja φ ∈ C0∞ e M um seu majorante.28) ao passo que ρ  2 D0 ρ (u ) −* δ. então . CONVERGÊNCIA EM D 0 (Exercı́cio: Certifique-se que é possı́vel construir-se uma função u com estas caracterı́sticas). Considere a sequência 1 x   u (x) = u . (7.   Mostraremos que D0 u −* 0. (7.108 CAPÍTULO 7.

Z .

Z Z   .

.

.

.

u (x)φ(x) dx.

≤ M .

para todo . O leitor há de ter notado que não mencionamos o processo de translação nesta seção. A energia cinética do campo de vetores limite é zero. a função não linear E é descontı́nua. IR IR IR Quando →0. não há perda da energia cinética no limite. u ) =  →0  →0 2 há. A convergência em (7. Neste exemplo. 0) = E IR.28). Dado que ρ   0 = E (IR. como é fácil verificar. Com respeito à convergência fraca. lim u 6= lim E (IR. Apesar disto. Apostilas Ideal . O leitor deve procurar entender intuitivamente porque isto acontece.29) é consequência direta de (7. uma perda da energia cinética no limite. portanto temos (7. E (IR.12). o lado direito da desigualdade acima vai a zero e. u ) = ρ/2. novamente. u (x) dx = M  u(y) dy.

independente de .1) t1 B0 (R) 2 E’ fácil ver. numa das classes. que motivam a introdução da noção (a ser discutida no próximo capı́tulo) de solução generalizada de DiPerna- Majda da equação de Euler. sequências exibem persistência de oscilações. t)|2 dx < C(R. acima citados. o significado fı́sico da condição (8.Capı́tulo 8 Novos Fenômenos 8.1 Considerações Preliminares Serão apresentadas neste capı́tulo duas classes de sequências de soluções diferenciáveis da equação de Euler. (8. corresponda 109 Apostilas Ideal . é a perda de energia cinética no limite. considerar suas consequências no que diz respeito à equação de Euler. sobre as caracterı́sticas comuns às classes de se- quências de soluções da equação de Euler a serem apresentadas neste capı́- tulo. tal que Z t2 Z ρ  |v (x. exibem desenvolvimento de concentrações (quando o parâmetro da sequência se aproxima de zero). em seguida. a seguir. Sequências de funções exibindo estes tipos de comportamento foram con- siderados nos exemplos 74 e 75 do capı́tulo anterior. dados R > 0 e t1 < t2 . A caracterı́stica comum fundamental a estes exemplos é a limitação local uniforme (em ) da energia cinética. para uma solução das equações de movimento de um fluido. do capı́tulo anterior. Uma caracterı́stica comum aos exemplos deste e aos. Discorremos. a energia cinética do limite é menor do que o limite da energia cinética. primeiramente explicitando a caracterı́stica comum fundamental para. existe C = C(R. t2 ) < ∞. t1 . Sequências de soluções. t2 ).1). fixado . en- quanto que na outra classe. Ela impede que. isto é. t1 .

2 Sequência de soluções Seja v = v(x2 . Sequências satisfazendo (8. Discutiremos. IR3 ) para uma função v 0 . uma sequência {v  } que satisfaça (8. na generalidade. Veremos isto nos exemplos. 0 1 Veja Teorema 1 (Generalized Young Measure) em DiPerna-Majda [15]. e com média zero (também em z). Este corresponderia aproximadamente ao cenário do escoamento da água em uma pia (intensa concentração da energia cinética num redemoinho.1 De qualquer forma. fixado um valor finito para a energia cinética.1.110 CAPÍTULO 8. Além do mais. terá sempre uma subsequência convergindo fracamente em D 0 (IR3 ×IR+ . z) função diferenciável e periódica (de perı́odo 1) em z. [54. 8. veremos através de um dos exem- plos. nem sempre será solução da equação de Euler (nem mesmo no sentido de Leray-Hopf). se satisfeita por uma sequência arbitrária de funções vetoriais.2 Persistência de Oscilações A sequência de soluções considerada nesta seção exibe variações bem a- centuadas do campo de velocidades tanto espacial quanto temporalmente. por exemplo. Apesar de convergirem fracamente. condição 8. mesmo sendo diferenciável.1). que uma diminuta porção do espaço contenha uma quantidade finita de energia cinética. 48]. pode haver perda de energia cinética no limite. ocupando pouco volume. neste capı́tulo. Foge aos objetivos destas notas expor. z) dz = 0.1). pode-se pensá-lo contido numa região do espaço tão pequena quanto se queira. até quando o limite é solução. que o limite. no exemplo citado. como é o caso do exemplo que exibe desenvolvimento de concentrações. as propriedades matemáticas de que gozam sequências de funções que satis- fazem (8. Não impede. por cima do ralo). Apostilas Ideal . o que de fato ocorre. se constitue numa restrição forte do ponto de vista matemático. 2 Persistência de oscilações em sequências de soluções ocorrem em outras equações da Fı́sica-Matemática. Z 1 v(x2 . esta nova forma. e ainda bem.1) induzem a uma nova forma de expressar a lei de conservação do momento. (compare com Exemplo 74). em verdade. O intrigante é que. veja. NOVOS FENÔMENOS uma quantidade infinita de energia cinética numa região limitada do espaço- tempo.

Escolhemos a condição inicial v3 (x1 . donde v3 (x1 . 0) ! x02 = w x01 . x02 ) em função de (x1 . v2 )t = v ? .2)  é uma famı́lia de soluções estacionárias da equação de Euler em duas di- mensões. t + x01  x2 = c2 (t) = x02 . x02 .2). Apostilas Ideal . x02 e x2 são constantes. x2 t. A função v3 é constante ao longo das caracterı́sticas. x2 ). a partir de (8. As curvas caracterı́sticas são retas: x2   x1 = c1 (t) = v x2 . z) é uma função diferenciável e periódica.8. x2 . v3 )t da equação de Euler em três dimensões (veja Exercı́cio 9). x2 . x2 .  x2 x2     = w x1 − v x2 .0 (8. x02 ). t. O PVI para v3 é: ∂v3 x2 ∂v3   + v x2 . 0) = w x1 . x2 .2). Estas serão inde- pendentes de x3 . v3 deverá satisfazer uma EDP linear de 1a ordem com coeficientes obtidos a partir de (8. x2 /) onde w = w(x1 . Podemos construir. v2 . t) = v3 (x01 . de perı́odo 1 em z. . x2 .   Finalmente. Definindo-se (v1 . x2  é uma sequência de soluções da equação de Euler em três dimensões.3)    w x1 − v x2 . . v x2 . devendo-se pensar que x01 .  Este PVI é resolvido pelo método das caracterı́sticas (Apêndice A). Aqui. x2     v = 0  (8. soluções v  = (v1 . PERSISTÊNCIA DE OSCILAÇÕES 111 Pelos Exemplo 3 e Exercı́cio 9 sabemos que a sequência de fluxos de cisal- hamento  t x2   v ? = v x2 . 0) = w(x1 . Fixado t determina-se (x01 . x2 . .2. As curvas caracterı́sticas interceptam o plano t = 0 no ponto (x01 . t é o parâmetro da curva. x2 . x2 . x02 . = 0 ∂t  ∂x1 x2   v3 (x1 .

z) t. dada pela fórmula que se segue: Z 1 0 v (x. z) t. w (x1 − v (x2 . t) onde. o tensor da força inercial é −ρ v  ⊗ v  . t) = v(x. x2 ) e. x2 .7) para concluir que ρ  2 D0 ρ |v | −* e0 . Utilizamos o Teorema 69 coordenada a coordenada e obtemos: D0 v  ⊗ v  −* T onde o tensor simétrico T = T (x. 1  2 2 ρ|v | . z) t. coordenada a coordenada. à sequência de campos de velocidade (8. calcularemos o li- mite fraco de v  ⊗ v  . z) dz 0  0 0 w (x1 − v (x2 . t) = v(x. 0. t) dz (8. z))t (8. x2 /.6) 0 Para o campo de velocidades v  . Como este desempenha um papel fundamental na lei fraca de conservação do momento e depende não linearmente da velocidade.3) obtemos o limite D0 v −* v 0 quando  → 0. onde v 0 é a média de v. t) é:  R1 R1 v 2 (x2 . v(x. x2 . z) v(x2 .7)        R1 ∗ ∗ 0 w2 (x1 − v (x2 . Pelo Teorema 69 (Riemann- Lebesgue) aplicado. NOVOS FENÔMENOS Limite de Quantidades Fı́sicas Observamos que a estrutura de v  é a de um reescalamento de uma função periódica. v  (x. 0. x2 . t) = (v (x2 . (8. z) . z) t. w (x1 − v (x2 . z) . 0. z) dz (8. z) dz 0 0  Z 1 t = 0. quando  → 0.4) é uma função periódica em z (com perı́odo 1). z. z. x2 .112 CAPÍTULO 8. w (x1 − v (x2 . 2 2 Apostilas Ideal . z) dz Anotaremos o comportamento limite da densidade de energia cinética. x = (x1 . z) dz     ∗ 0 0 . z) t. claramente igual a ρ2 traço (v  ⊗ v  ).5) 0 Z 1 Z 1 t = v (x2 . Usamos (8. x2 .

2. z) v(x2 . z) dz + w2 (x1 − v (x2 . a menos em certos casos especiais como. a energia cinética do limite é menor do que o limite da energia cinética. apesar de v 0 ser diferenciável e limite fraco de soluções isto não é o bastante para garantir que v0 seja solução clássica da equação de Euler. Da desigualdade de Cauchy-Schwarz segue-se: Z 1 2 Z 1 w dz ≤ w2 dz. por exemplo.6). É a não-linearidade da equação diferencial (veja a lei de conservação do momento (6. 0 0 Usando (8. ∂t Examinando-se v30 verifica-se que isto ocorrerá se e só se.5) é diferenciável e. t) Z 1 Z 1 2 = v (x2 .8. Apostilas Ideal . Z 1 wx1 (x1 − v (x2 . no entanto. E’ o que vemos em seguida. mostramos que existe uma perda de energia cinética no processo limite. v30 for solução da equação de convecção ∂v30 = 0. e desde que v seja não nula. z) dz . e a desigualdade acima. temos que: ρ 02 ρ |v | < e0 . Neste caso. (8. wx1 = 0). se v ≡ 0 ou se w for independente de x1 (isto é.8) 0 0 Em seguida. 2 2 Esta desigualdade implicará. PERSISTÊNCIA DE OSCILAÇÕES 113 onde e0 é dado pela equação e0 = e0 (x. x2 . Limite de Soluções não é Solução A função v 0 definida em (8. o limite fraco de soluções é solução fraca. z) dz = 0. 0 O que não é verdade. x2 . isto é. z) t.6)) que permite ao limite fraco v 0 não ser solução. a integral será não nula. Em geral. será solução da equação de Euler se e só se. É importante reconhecer o que causa este fenômeno. z) t. a dita perda. Para equações lineares. com detalhes. depois de integrada. pelo Exercı́cio 9.

7). a lei de conservação do momento pode ser estendida de uma maneira natural. t0 ). ∂t 3 Neste exemplo.10). Por ser de classe C 1 . ∞). Um exemplo mais simples deste mesmo fenômeno pôde ser visto na seção 7. de tal forma a ser satisfeita pelo limite v 0 . φt i = hTin .11) 0 Ω 0 Ω para toda φ ∈ C0∞ com div φ = 0.6) pode ser reescrita na forma: hp. e que Tin = −ρT . IR3 ⊗ IR3 ) é o tensor da “força inercial”. t0 ). v 0 tampouco será solução fraca. Tin ) quando (8. Para obter (6. não exigimos que Tin = −ρv ⊗ v.9) será válida com p igual ao limite fraco de ρv  e Tin igual ao limite fraco de −ρv  ⊗ v .6). (Aliás. Dado que v  é solução clássica definida em IR3 ×(0. p = ρv e Tin = −ρv ⊗ v. Esta é a idéia que tentamos transmitir nesta subseção. basta tomar em (8. segue-se que (8.9). p = ρv  e Tin = −ρv  ⊗ v  . Z +∞ Z Z +∞ Z ρv  · φt dx dt = −ρv ⊗ v  : ∇φ dx dt (8. usando que v 0 e T são diferenciáveis e satisfazem ∂v 0 + Div T = 0. A lei fraca de conservação do momento (6. Apostilas Ideal .9) para toda φ ∈ C0∞ (Ω × (0. um campo de velocidades. Aceitamos agora. com div φ = 0 e onde p ∈ D 0 (Ω × (0.10) 0 IR3 0 IR3 para toda φ ∈ C0∞ com div φ = 0.114 CAPÍTULO 8.3 (Esta afirmação pode ser também demonstrada diretamente. sejam distribuições mais complexas. em geral sequer podemos fazer sentido da expressão não-linear v ⊗ v).9) o for. Da própria definição de convergência fraca e de (8. Isto só é possı́vel porque a função IR3 3 v 7→ v ⊗ v ∈ IR3 ⊗ IR3 é descontı́nua com relação à convergência fraca. NOVOS FENÔMENOS A Lei Generalizada de Conservação do Momento Acabamos de verificar que o limite fraco de v  não é solução clássica.9) é válida. e para todo . nem sempre dadas por funções e. no entanto. IR3 ). (veja Proposição 65). dado v. para cada  > 0. em particular. é claro então que a lei (8. Apesar disto. (onde ρ é uma constante). Dizemos que a lei generalizada de conservação do momento é satisfeita pelo par (p. tomando. IR3 ) é a densidade de momento e Tin ∈ D 0 (Ω × (0. e T dado em (8. notamos que T 6= v 0 ⊗ v 0 . ∇φi (8.4 do capı́tulo anterior. isto é: Z +∞ Z Z +∞ Z ρv 0 · φt dx dt = −ρT : ∇φ dx dt (8. t0 ). que p = ρv.6). dada a distribuição v = ρ−1 p. com v 0 dado em (8.

−1 . (8. (8. Verifique isto). Agora a novidade.) Reescalando-se v (consulte Exercı́cio 8) construı́mos uma sequência de soluções da equação de Euler: (− 1 ) 1 x    2  v (x) = ln −1 v . 4 Pela equação (3.13)   Pondo 2 Z r W (r) = sω(s) ds . DESENVOLVIMENTO DE CONCENTRAÇÕES 115 no sentido clássico. (8. 8.8. (veja Figura 8.12) x1 r2 0 é uma solução estacionária da equação de Euler em 2−D.3 Desenvolvimento de Concentrações A Concentração da Energia Cinética Estudaremos o fenômeno de concentração da energia cinética em um ponto no processo limite de uma sequência de soluções da equação de Euler bidi- mensional. A noção de solução de DiPerna-Majda.2 sabemos que ! −x2 1 Z r v(x) = sω(s) ds (8. aceita o campo de velocidades v 0 como solução da equação de Euler. (compare com Exemplo 75). Isto deve ser mais bem compreendido.22) da Seção 3.15) r2 Além disso.14) 0 temos que 1 |v(x)|2 = W (r) .1 para um possı́vel comportamento de v. que será a- presentada no Capı́tulo 9. e adiamos a discussão até o próximo capı́tulo.3.

 .

2 1 .

v r .

  2 −2 . .

.

|v (x)| = ln   .

 .

por exemplo em [47. 44].14). através de métodos formais da Teoria da Perturbação Singular. Proposição 76 Seja ω ∈ C 1 ([0. Apostilas Ideal . ∞)) tal que: a) limr→∞ W (r) = λ/2π 6= 0 com W definido em (8. são tratados. 4 Desenvolvimento de concentrações em outras equações não-lineares da Fı́sica-Mate- mática.

R +∞ b) 0 |sω(s)| ds = α < ∞ R +∞ c) 0 |sω(s) ln s| ds = β < ∞ Nestas condições.116 CAPÍTULO 8.12) satisfaz. |v(x)|2 ∼ λ/2πr 2 .16) 2 2 Observação: É fácil verificar que a circulação 5 do campo de velocidades v em (8. O quadrado da velocidade decai com 1/r 2 . (8. r→∞. dada por Γ = λ. e a sequência correspondente da energia cinética satisfaz 1 D 0 ρλ ρ|v  |2 −* δ. é Z r Γr = 2π sω(s) ds . (8. num cı́rculo de raio r em torno da origem. D0 v  −* 0. NOVOS FENÔMENOS Figura 8. 0 √ e que portanto a circulação no infinito.13). é não nula.1: Campo de velocidades: A vorticidade de v(x) é função do raio apenas. quando  → 0.12). a sequência de soluções da equação de Euler dada em (8. Apostilas Ideal . Demonstração (da Proposição) Verificamos que o limite fraco de v  é 5 Veja a definição de circulação de um campo de vetores no Exemplo 54.

IR2 ).12).3. (8. De (8. Então.8. R o raio de um disco que contenha o suporte de φ e L um majorante para |φ|. integrando em coordenadas polares. pela desigualdade de Cauchy-Schwarz em IR2 e.13) e (8. mostramos que .  x1 r2  Sejam φ ∈ C0∞ (IR2 . DESENVOLVIMENTO DE CONCENTRAÇÕES 117 zero.14) escreve-se que − 1 !  1 1 −x2 1 r  2 2  v (x) = ln W .

Z .

Z φ · v  dx.

.

≤ |φ| |v  | dx .

.

.

IR2 .

IR2 ). e desde que Z r  W 0 (r) = 2 sω(s) ds rω(r) 0 e que W é de classe C 2 . Além disso. ∀ φ ∈ C0∞ (IR2 . segue-se de (8. . (8.17) que: Z lim φ · v  dx = 0.18) →0 IR2 Agora estudamos a convergência da sequência de densidades de energia cinética. existe uma constante K tal que |W (h)| ≤ Kh2 . Pela Fórmula de Taylor. (8. ∀ |h| ≤ 1 . B0 (R) − 1 Z R 1 r    2 ≤ 2πL ln W dr .17)  0  Como lim→0 (ln(1/))−1 = 0 e dado que W ≥ 0 é limitada por α2 .

.

∞ ∞ .

Z l .

Z .

Z .

0 .

.

W (l) ln l dl.

.

≤ 2 sω(s) ds.

|lω(l) ln l| dl .

.

.

.

.

0 0 .

0 .

segue-se que W/λ.14). satisfaz as condições do Teorema 73. Do que ficou dito e da hipótese a. com W definido em (8. ρ  2 D0 ρλ |v | −* δ 2 2 Apostilas Ideal .16). donde concluimos (8. No processo limite há uma perda de energia cinética pois. Z ∞ Z ∞ ≤ 2 |sω(s)| ds |lω(l) ln l| dl 0 0 ≤ 2αβ .

a perda. (8. Demonstração Da definição de produto tensorial (veja Capı́tulo 5) vem imediatamente que. O Tensor da Força Inercial Para o tensor da força inercial temos: Proposição 77 Assumindo as mesmas hipóteses da proposição da subseção anterior. se x = 0. Daı́. v v  2 v ⊗ v = ⊗ |v | |v  | |v  | nos pontos x ∈ IR2 onde |v  |2 (x) 6= 0.19)  2  v2 v1 (v2 )2 onde I denota a matriz identidade. Apostilas Ideal . Usando ! v −x2 1 = |v  | x1 r e a definição de ⊗ temos: x22   −x1 x2 r2 r2 v ⊗ v =    2  |v | . obtemos a seguinte convergência para o tensor v ⊗ v  . se x 6= 0. quando  → 0. (8. Isto implica que a energia cinética do limite (que é zero) é menor do que o limite das energias cinéticas (que é ρλ/2).   (v1 )2 v1 v2 0  D λ  −* I δ. Ou seja λ Z lim v  ⊗ v  : Φ dx = (Φ11 (0) + Φ22 (0)) . v  ⊗ v  = 0.20) →0 IR2 2 para todo Φ ∈ C0∞ (IR2 .   −x1 x2 x21 r2 r2 e. NOVOS FENÔMENOS ao passo que D0 v  −* 0.118 CAPÍTULO 8. IR2 ⊗ IR2 ).

descontı́nua em x = 0. vem: Z v  ⊗ v : Φ dx = (8.21) IR2 x Z   = |v  (x)|2 gH : Φ(x) dx IR2 |x| 1 −1 1 Z +∞ Z 2π r x       = ln 2 W gH : Φ(r. (compare com (7. gH : Φ denota a média em θ.17). (com a ressalva que agora. r sen θ) dθ. no lugar de φ(r) aparece gH : Φ(r).21) é λgH : Φ(0) o que é o mesmo que: λ2 (Φ11 (0) + Φ22 (0)). gH : Φ é. sen θ) : Φ(r cos θ. Então. usando (8. em geral.8.22) 0  r  onde.25) e use (8.   cos2 θ − sen θ cos θ gH (cos θ. DESENVOLVIMENTO DE CONCENTRAÇÕES 119 A matriz que aparece do lado direito da igualdade acima é definida no cı́rculo unitário S 1 . 2π 0 Notamos que a integral cujo limite é para ser calculado é análoga à que aparece em (7.24) 2 Usando a demonstração do Teorema 73. θ) r drdθ 0 0  r  |x| 1 −1 1 Z +∞ r     = 2π ln W gH : Φ(r) dr (8.   − sen θ cos θ sen 2 θ Seja Φ uma função teste em C0∞ (IR2 . IR2 ⊗ IR2 ). IR2 ⊗ IR2 ) e. (8.24)). o que no entanto não afeta o desenvolvimento apresentado).16): gH : Φ(r) = 1 2π Z = gH (cos θ. Então gH ∈ C 0 (S 1 .3.13). sen θ) =  . como definido em (7. concluı́mos que o limite quando  → 0 de (8.23) r →0 "Z ! # 1 2π cos2 θ − sen θ cos θ = dθ : Φ(0) 2π 0 − sen θ cos θ sen 2 θ 1 = I : Φ(0) . Ef́ácil verificar que lim gH : Φ(r) = (8. onde. Denote-a por gH . Apostilas Ideal .

R0 ]. Exercı́cio 78 (Vórtices fantasmas) Dada ωR uma função diferenciável de suporte compacto. ω ∈ C01 ([0. Considere a sequência de soluções da equação de Euler bidimensional. vale também para p = ρv 0 = 0 e Tin = −ρT (com T dado no lado direito de (8. mas é também fácil verificar diretamente: ρλ   hTin . Note que o campo de velocidades é nulo para |x| ≥ R0 e as circulações no cı́rculo de raio R0 e no infinito são nulas.12. Apesar do limite fraco da sequência v  ser nulo. Apostilas Ideal .9). pois nem −ρv  ⊗ v . Isto é consequência da definição de convergência fraca. refutando.120 CAPÍTULO 8. tal que 0∞ sω(s) ds = 0. é mais natural do ponto de vista fı́sico. para cada  > 0. D0 v  ⊗ v  −* T = cδI . é válida. por exemplo.  cujo suporte está contido em B0 (R0 ). para p = ρv  e Tin = −ρv  ⊗ v . e neste caso ser uma solução. 6 Este fenômeno é chamado de cancelamento de concentração (veja [14]). passando ao limite. Consequen- temente. 2 A continuidade (em  = 0) da conservação do momento como expressa no parágrafo acima. tendem a zero. A lei generalizada de conservação do momento.19)). veja equações 8. ∞)). como expressa em (8. que a solução nula seja um modelo completo para a situação limite do aparecimento de concentração desta seção.16. nem 2ρ |v  |2 . 6 não é o que gostarı́amos de ver como situação limite. Esta é uma noção que retratará mais detalhalhadamente as situações limi- tes. Mostre que D0 v  −* v 0 = 0 e.19 e 8. Assuma que suppω ⊂ [0. defina v pela equação 8. ∇ φ 2 ρλ ∂φ1 ∂φ2   = − (0) + (0) 2 ∂x1 ∂x2 ρλ = − div φ(0) = 0. e é gozada pelas soluções generalizadas cuja definição será dada no próximo capı́tulo. ∇ φi = − I δ. NOVOS FENÔMENOS Conservação do Momento Comentários semelhantes aos da última subseção da seção anterior cabem aqui. x   v  (x) = −1 v .

verifique que v 0 é solução clássica da equação de Euler.3. 0 r 0 (Dica: Veja a observação após o enunciado do Teorema 76 e a definição de sequência de Dirac no Capı́tulo 7). Além disso.9). ao passo que o par (ρv 0 . DESENVOLVIMENTO DE CONCENTRAÇÕES 121 onde 2 Z ∞ 1 Z r c=π sω(s) ds dr . −ρT ) satisfaz a lei generalizada de conservação do momento (8.8. Apostilas Ideal .

NOVOS FENÔMENOS Apostilas Ideal .122 CAPÍTULO 8.

 > 0. em particular. Caso contrário.Capı́tulo 9 Soluções de DiPerna-Majda Neste capı́tulo não demonstraremos a maioria dos resultados enunciados.1 Perturbações Singulares Indicaremos por L um problema que possivelmente (mas não necessaria- mente) depende de . uma equação diferencial ordinária. Para o detalhamento da estrutura. Isto é denotado por L (u ) = 0. o cenário do qual emerge a noção de solução de DiPerna-Majda. se existir alguma sequência de soluções {u } que não convirja uniformemente quando  → 0. um PVI para uma EDP. obtemo-la para os exem- plos de persistência de oscilações e de desenvolvimento de concentrações do capı́tulo anterior. noções de Medida e Integração são necessárias. ou algum outro problema. 9. Expomos ainda a estrutura mais fina das soluções generalizadas e. 123 Apostilas Ideal . Aqui. definimos solução generalizada de DiPerna-Majda da equação de Euler para um fluido incompressı́vel. A cada  seja u uma solução de L . se toda a sequência de soluções {u } convergir uniformente quando  → 0. Na primeira seção discutimos noções de Perturbações Singulares. uma muito breve introdução a estes assuntos será feita na segunda seção. Na terceira seção. O problema L poderá ser uma equação algébrica. O problema L é regularmente perturbado (quando  → 0).

Mais recentemente. A face computacional desta filosofia tinha. [46]. 14] para outros resultados). ainda compatı́vel com (8. antes do advento dos compu- tadores digitais.124 CAPÍTULO 9. aplicadas à equação de Euler. um papel preponderante nos cálculos cientı́ficos. (Veja [15. (veja [15]). que u\ satisfaz. fosse solução generalizada da equação “limite”. Dentro do espı́rito de selecionar as sequências de soluções “fı́sicamente relevantes”. então o “limite” v \ . denotado por L\ .1). já claramente sali- entado por Friedrichs em [23]. 18]. não pára de se desenvolver. através de equações polinomiais simples. Apostilas Ideal . o objetivo é a obtenção do “limite” u\ da sequência {u } e a obtenção do problema “limite”. então o “limite” v \ será solução generalizada da equação de Euler. As técnicas. é possı́vel mostrar- se que se {v  } é uma sequência de soluções da equação de Navier-Stokes (com viscosidade µ = ). De fato. será solução generalizada de DiPerna-Majda da equação de Euler. técnicas provenientes de Análise Real e de Análise Funcional. As referências [62]. seu papel em modelagem cientı́fica. É um pouco destas idéias. Por outro lado. mais é conhecido: DiPerna-Majda mostraram em [16] que se {v  } é uma sequência obtida a partir de uma aproximação da equação de Euler bidimensional através de métodos computacionais de vórtices. De quebra. 1 Os exemplos a seguir ilustram. as pré-técnicas da Teoria da Perturbação Singular per- meiam parte expressiva dos artigos. [31]. com ênfase teórica. 54. SOLUÇÕES DE DIPERNA-MAJDA o problema é chamado singularmente perturbado. [6]. e (b) singularmente perturbados: a) x2 − x + (1 − ) = 0 b) x2 − x(2 − 1) −  = 0 O leitor deve trabalhar nestes exemplos. [7]. [64]. [45]. de Fı́sica e de En- genharia. 1 A maneira menos épica de descrever a prática de um especialista em Teoria da Perturbação Singular é a seguinte: depois de isolar uma classe {u } de soluções “fisicamente relevantes” (parametrizada por ). Deixemos tudo assim muito vago. DiPerna-Majda [15] introduziram a noção de solução generalizada da equação de Euler de tal forma que o “limite” v \ . fazemos a exigência em (8. [54]. a diferença básica entre problemas (a) regularmente perturbados. obtido quando o parâmetro  da discretização numérica vai a zero. começaram a interagir com a filosofia da Teoria da Per- turbação Singular com o intuito de estudar problemas não-lineares da Fı́sica- Matemática [15. contêm parte desse desenvolvimento. 16. de sequências de soluções da equação de Euler. e mais. satisfazendo a condição fisicamente natural (8. L\ (u\ ) = 0.1). o que discutire- mos no restante destas notas.1).

(Veja Figura 9.1a). cada “pedaço” da partição corresponde a pontos que têm aproximadamente o mesmo valor pela função. (9. são distribuições da forma J = if para alguma função f em L1loc . Seja f ≥ 0 uma função contı́nua definida em [0.1 acima. existem distribuições que são dadas por integração contra uma função. são exemplos desta nova classe.9. As do tipo Dirac. ∀ φ ∈ C0∞ (Ω). também apresentadas no Capı́tulo 5. φi = f (x)φ(x) dx. 9.1) Ω Uma generalização desta classe de exemplos é obtida usando-se medidas diferentes da que. NOÇÕES DE MEDIDA E INTEGRAÇÃO 125 Figura 9. 1]. (b) Soma de Lebesgue: O contradomı́nio é subdividido em intervalos cada vez menores.2. Z hJ. Subdivide-se o domı́nio [0. apesar de não mencionada explicitamente. Desenvolveremos este assunto ao longo da seção.1: (a) Soma de Riemann: O domı́nio é subdividido em intervalos cada vez menores.2 Noções de Medida e Integração Introdução Como visto no Capı́tulo 5. 1] Apostilas Ideal . estar sendo utilizada na fórmula 9. induzindo uma partição do domı́nio em subconjuntos não necessariamente “pequenos”. Comparação entre as Integrais de Riemann e de Lebesgue Recordamos a definição de integral de Riemann. ou seja.

0 n→∞ Damos a seguir um esboço da definição da integral de Lebesgue da função f . SOLUÇÕES DE DIPERNA-MAJDA em n intervalos de tamanho 1/n e. xi é um ponto em [i−1/n. n n Considere a seguinte soma. n n e define-se m m+1   Enm = f −1 . ∞) em intervalos de tamanho 1/n. Vemos que na “definição” da integral de Lebesgue. “define-se” a integral de Lebesgue de f por Z 1 f (x) dx = lim SLn (f ) . a classe das funções que podemos calcular a integral de Lebesgue é maior. x ∈ Enm } < . há necessidade de se considerar o tamanho de conjuntos que não são intervalos. Então. (Veja Figura 9. enquanto que para a integral de Riemann subdivide-se o domı́nio em intervalos cada vez menores. No exemplo da Apostilas Ideal . x ∈ [i−1/n. 0 n →∞ Uma diferença crucial entre as duas definições de integral é que.3) m=0 n onde m(A) denota o “tamanho” do conjunto A ∈ IR. Para cada n subdivide-se o contradomı́nio [0. para a integral de Lebesgue é o contradomı́nio que é subdivi- dido. i/n] e f (xi ) = min{f (x).126 CAPÍTULO 9. . ∞ m m(Enm ) X SLn (f ) = (9. R no entanto. a integral de Riemann de f é: Z 1 f (x) dx = lim SRn (f ) . define-se a soma n X 1 SRn (f ) = f (xi ) (9.2) i=1 n onde.1b). i/n)}. As duas definições dão o mesmo valor para 01 f (x) dx. ∞) = ∪∞ m=0 . m m+1   [0. n n E’ claro que m m+1 ≤ min {f (x).

Mostre que ∩∞ i=1 Ei ∈ B . Como estes têm que ser “medidos” pela medida. por um número enumerável de aplicações das operações de união. como as consideradas no lado direito de (9.9.1b. defina B(Ω) = {E ∈ B(IRm ). de interseção. o conjunto dos borelianos em Ω.) Apostilas Ideal . além de ser invariante por rotações e translações. então o complementar de E em Ω está em B. então E\F ∈ B e E ∩ F ∈ B. Denote por B(IRm ). Esta condição acaba se traduzindo numa restrição ao tipo de função que pode ser integrada. dado Ω ∈ B(IRm ). Não há possibilidade de se definir uma noção de medida de conjuntos que possa ser calculada para todos os subconjuntos de IRm . noção esta conhe- cida por medida.2. Os elementos de B(Ω) são chamados de conjuntos mensuráveis. que definiremos adiante. (b) Se Ei ∈ B.3). (Paradoxo de Banach-Tarski). imagens inversas de intervalos. digamos. A classe a que iremos nos restringir é a dos conjuntos de Borel. então ∪∞ i=1 Ei ∈ B . mas em geral. a imagem inversa representada. são os conjuntos que estamos interessados em computar a medida. a coleção de todos os conjuntos de Borel em IRm e. Medida Uma exposição mais sistemática bem como as demonstrações dos resultados desta subseção. podem ser encontrados em [22]. Estas propriedades mostram que B(Ω) é uma σ−álgebra. Um conjunto E ⊂ IRm é de Borel (ou boreliano). Teremos que nos restringir a uma certa classe de subconjuntos. em IR3 . (c) Ω ∈ B. Daı́. E ⊂ Ω}. (Exercı́cio: (a) Mostre que E = E\F + E ∩ F e se E. que coincida com a noção de volume para conjuntos tipo o cubo. se pode ser obtido. (b) Sejam Ei ∈ B para i ∈ IN. O conjunto B = B(Ω) satisfaz as seguintes propriedades: (a) Se E ∈ B. as imagens inversas podem ser bem complicadas. NOÇÕES DE MEDIDA E INTEGRAÇÃO 127 Figura 9. não haverá dificuldade de se definir seu tamanho. Além disso. F ∈ B. consiste de dois intervalos e. i ∈ IN . terão que pertencer à classe dos conjuntos de Borel. par- tindo dos abertos. a necessidade de se considerar mais detalhadamente a noção de “tamanho” de conjunto. e de tomar o complementar. E c = Ω\E ∈ B.

(b) Considere a seguinte medida na reta:   e(E) = ] E ∩ {−n2 . basta que seja uma σ-álgebra.4 Exemplo 80 (Medida de Lebesgue) Construimos a seguir a medida de Le- besgue em IRm . as medidas definidas neste exemplo dão uma noção de “tamanho” de conjuntos mas. evidentemente. µ(E) ≤ µ(Ω) e. a ∈ [0. que denotaremos por m. (Exercı́cio: Mostre que µ é monótona no sentido que E ⊂ F implica µ(E) ≤ µ(F ). Um m- retângulo em IRm (ou simplesmente um retângulo) é um conjunto da forma R = (a1 . a medida de qualquer conjunto também o será). Mas não precisamos aqui desta generalidade. não há necessidade do domı́nio de uma medida ser B(Ω).128 CAPÍTULO 9. Apostilas Ideal . O crucial é que a extensão acima referida da noção de volume. a ∈ (0. a + ∞ = ∞ + a = ∞. área e volume. bi ∈ (−∞. b1 ) × · · · × (am . Quando m = 1. SOLUÇÕES DE DIPERNA-MAJDA Uma medida positiva em Ω é uma aplicação2 µ : B(Ω)→[0. A tem um número finito de elementos. 0. +∞) . 2 Devemos operar com ∞ da seguinte maneira “natural”:  ∞. bm ). se µ(Ω) for finito. ∞) a·∞= ∞·a = e. ∞] com as seguintes propriedades:3 (a) µ(∅) = 0 onde ∅ denota o conjunto vazio. P∞ (b) (σ-aditiva) µ (∪∞ i=1 Ei ) = i=1 µ(Ei ) se Ei ∩ Ej = ∅. ∞) 3 Na verdade. a medida m corresponderá às noções usuais de comprimento. ai . não coincidem com a noção usual de “volume” em IRm . e ∞ caso contrário. esta extensão é realisada pela medida de Lebesgue. Exemplo 79 (a) A medida delta de Dirac é dada por: ( 1 se 0 ∈ E δ(E) = 0 caso contrário. 2 ou 3. para i. em particular. n ∈ Z+ } onde ](A) é o número de elementos de A se. j ∈ IN. dada pela medida de Lebesgue pode ser definida em B(Ω). a = 0 . 4 Claramente.

Duas medidas de Radon µ1 e µ2 são mutuamente singulares (ou µ1 é singular com respeito a µ2 . então µ é chamada de regular. o conjunto das medidas de Radon (com sinal). por Prob(Ω) = {µ ∈ M + (Ω). adicionalmente. existem um compacto K e um aberto A tais que K ⊂ E ⊂ A e µ(A) −  ≤ µ(E) ≤ µ(K) + ). é internamente regular em E se µ(E) = sup{µ(K). Uma medida positiva µ em Ω é externamente regular em E se µ(E) = inf{µ(A). Definição 81 Uma medida positiva é uma medida de Radon positiva se é regular e finita nos conjuntos compactos. se F é um conjunto qualquer em B(IRm ). então definimos ∞ X m(E) = m(Rj ) . K compacto} e. com F ⊂ N. E ⊃ F.2. então dado  > 0 arbitrário. Esta será uma medida de Radon positiva finita. j=1 Denotaremos por R a famı́lia das união enumeráveis de retângulos disjuntos. E ∈ R} . Seja Ω ∈ B(IRm ) um conjunto limitado. Uma medida de Radon µ é nula em N ∈ B(Ω) se µ(F ) = 0. µ2 ∈ M + (Ω)}. Denotaremos por M + (Ω) o conjunto das medidas de Radon positivas finitas em Ω. definimos m Y m(R) = (bi − ai ) . Finalmente. A ⊃ E. µ(Ω) = 1}. definimos: m(F ) = inf{m(E). K ⊂ E. ou Apostilas Ideal . for finita para todos os conjuntos de Borel. A aberto} . se j 6= l. µ1 . (Exercı́cio: Mostre que se µ é regular em E. para todo F ∈ B(Ω). Como B(Ω) ⊂ B(IRm ) podemos considerar a medida de Lebesgue restrita a B(Ω). i=1 Se E = ∪∞ j=1 Rj onde cada Rj é um retângulo e Rj ∩ Rl = ∅. Exemplo 79a é uma medida de Radon positiva finita e as do item b e do Exemplo 80 são apenas medidas de Radon positivas. o conjunto das medidas de probabilidade e por M (Ω) = {µ = µ1 − µ2 . Será medida de Radon positiva finita se.9. é regular em E se for externa e internamente regular em E. NOÇÕES DE MEDIDA E INTEGRAÇÃO 129 Para estes. Se µ é regular em todos os conjuntos de Borel em Ω.

Sejam Ei . o suporte de ν é a união do suporte de suas variações positiva e negativa. é a medida positiva |µ| dada por |µ| = µ+ + µ− . veja Exemplo 84. a união de todos os abertos onde µ é nula e. Uma função da forma n X s(x) = ci χEi (x) i=1 onde ci são constantes e χEi é a função caracterı́stica de Ei . complementares em Ω. isto é. Integração Uma função real f definida em Ω é mensurável em B(Ω) se os conjuntos da forma f −1 ([a. 0}. decompondo µ no sentido que µ = µ+ − µ− . SOLUÇÕES DE DIPERNA-MAJDA vice-versa). suppν = suppν + ∪ suppν − . Se f é mensurável. é chamada de função simples.4) As medidas µ+ e µ− são denominadas as variações positiva e negativa de µ e. (veja definição na nota de rodapé à página 130). 0} e f − (x) = − min{f (x). b)). E’ fácil ver que toda função contı́nua é mensurável. Dada ν ∈ M (Ω). 5 A variação total de µ. Exercı́cio 83 Mostre que se as medidas µ1 e µ2 têm suportes disjuntos. µ1 ⊥µ2 mas suppν1 ∩ suppν2 6= ∅. dada uma 5 Esta decomposição é análoga à decomposição de uma função f em suas partes positiva e negativa. Teorema 82 Se µ é uma medida de Radon (com sinal). o mesmo vale para f + e f − . Mostre que o recı́proco não é verdadeiro. forem conjuntos mensuráveis. exiba µ1 e µ2 tais que. suppν1 ∩ suppν2 = ∅. então existe um único par (µ+ . N2 ∈ B(Ω). Seja Ω um aberto. pertençam a B(Ω). (9. Expressamos esta relação por µ1 ⊥µ2 . suppµ = Ω\A. ou seja. 1 ≤ i ≤ n subconjuntos mensuráveis. f (x) = f + (x) − f − (x) onde f + (x) = max{f (x). com a e b arbitrários.130 CAPÍTULO 9. então µ1 ⊥µ2 .4 dá a Decomposição de Jordan de µ. defina o suporte de µ. equação 9. mutuamente singulares. isto é. µ− ) de medidas de Radon positivas. De fato. tais que µ1 se anula em N1 e µ2 se anula em N2 . Dada µ ∈ M + (Ω). denote por A. Apostilas Ideal . E’ possı́vel mostrar que. Estas são mensuráveis. se existem conjuntos N1 . as partes positiva e negativa da função f .

pois envolvem integrais de funções positivas com re- lação R a medidas positivas e. − E E Notamos que cada uma das quatro integrais do lado direito da expressão acima fazem sentido. se. sua presença indica que a medida sendo usada é µ). define-se n X IE (s) = ci µ(E ∩ Ei ) .9. cada uma delas é finita pois limitadas por Ω |f (x)| d|µ|(x). Dadas s. donde o lado direito está bem definido. e E. para cada x ∈ Ω. uma função simples. Neste caso. pela expressão do lado direito da fórmula abaixo: Z f (x) dµ(x) = sup {IE (s). fn (x) → f (x) quando n → ∞ . e µ. uma medida de Radon em M (Ω). (O lado es- querdo é apenas notação. por exemplo. a integral acima é a integral de Lebesgue da função f em E. a medida de Lebesgue. dµ não tem significado. tal que: fn (x) ≤ f (x). NOÇÕES DE MEDIDA E INTEGRAÇÃO 131 função f definida em Ω. existe uma sequência de funções simples. Seja µ uma medida positiva regular. define-se a integral de f com respeito à medida µ no conjunto E ∈ B(Ω). uma função mensurável não negativa. um subconjunto de Ω. E Observe que o lado direito da expressão acima pode ser infinito. µ). f ∈ L1 (Ω. Z |f (x)| d|µ|(x) < ∞ Ω e. intuitivamente. as integrais de Riemann e de Lebesgue coincidem. mensurável e não-negativa. a “definição” dada na subseção anterior coincide com esta. s simples com 0 ≤ s ≤ f } . Diz-se que f é integrável com respeito à medida µ. O leitor deve se convencer de que. Apostilas Ideal . (convergência pon- tual). uma função mensurável qualquer. uma função contı́nua de suporte compacto. Se f for. i=1 Dada f.2. define-se a integral de f com respeito a µ no conjunto E: Z Z Z f (x) dµ(x) = f + (x) dµ+ (x) + f − (x) dµ− (x) E Z E Z E + − − f (x) dµ (x) − f (x) dµ+ (x). No entanto. Se µ é m. Sejam f. em particular. para todo x ∈ Ω e. denota-se. onde → denota convergência em IR.

132 CAPÍTULO 9. SOLUÇÕES DE DIPERNA-MAJDA (Exercı́cio: Mostre que: .

Z .

Z  .

.

.

f dµ.

∀E. . ≤ ||f ||∞ d|µ| . ∀f ∈ BC(Ω) ).

.

|µf | = µ|f | . dada por: Z f µ(A) = f (x) dµ(x) . 1)) ⊂ C 0 ([0. existir um compacto C ⊂ Ω tal que |f (x)| < . 1) mostrando que as inclusões acima são estritas. isto é. A Exemplo 84 Dada g ∈ L1 (IRm . C∞0 (Ω) munido com a norma do sup é um espaço de Banach. denotada por g˜. µf − ) é o par correspondente à medida µf . verifique que 0 (K) = C 0 (K) = BC(K) = C 0 (K) . dado  > 0 arbitrário. definido pelo Teo- rema 82. tal que 0 ([0. define-se uma nova medida de Radon (verifique). Enunciado do Teorema da Representação de Riesz-Markov e Exemplos Seja Ω um subconjunto de IRm . 1) não pertence outro lado. exiba f em C∞ 0 a C∞ ((0. 1]) tal que sua restrição a (0. dado g em ∞ 0 C∞ ((0. E isto é. Dada f ∈ C00 (IRm ). 1)). defina µg . o conjunto das funções contı́nuas que se anulam no infinito. mostre que 0 (Ω) ⊂ C 0 (Ω) ⊂ BC(Ω) ⊂ C 0 (Ω) . pela fórmula: Z µg (E) = g(x) dm(x) . m) uma função integrável com respeito à medida de Lebesgue. E E Dadas µ ∈ M (Ω) e f ∈ L1 (Ω. (por vezes. denotada por f dµ). Apostilas Ideal . 1]) e. Diz-se que uma função f se anula no infinito se. 1)) mostre que existe uma extensão de g. µ). para todo x em Ω\C. que a aplicação g 7→ g˜ é injetora. µg = gm. Por g˜ é um elemento de C∞ 0 ([0. C∞ 0 (c) Dado um aberto Ω. (b) Dado um compacto K. C∞ 0 Dê funções definidas em Ω = (0. é fácil verificar que µf + ⊥µf − e µf = µf + − µf − donde (µf + . 1]). Exercı́cio 85 (a) Mostre que C∞ 0 ((0. uma medida de Radon. aqui denotada por f µ. Além disso. Definimos C∞ 0 (Ω).

gi = g(x) dα(x). ou seja.) Reciprocamente. quando n → ∞ unif para toda a sequência {fn } e f∞ em C∞ 0 (Ω) tais que f −−→f .2. é possı́vel mostrar que existe uma única medida de Radon α ∈ M (Ω) tal que Z hl. dado um funcional linear contı́nuo l ∈ [C∞ 0 (Ω)]∗ . Usando este Teorema. Pode-se mostrar que 0 (Ω)]∗ M (Ω) ⊂ [C∞ no seguinte sentido: dada uma medida de Radon ν ∈ M (Ω). bastam as sequências em C∞ 0 (Ω) convergindo uniformemente a zero. isto é. ainda denotado por ν. f∞ i .9. uma função em C∞ 0 (Ω). gi = 0 (Ω). fn i → hα. Devido à linearidade. lineares contı́nuos em C∞ ∞ hα. α ∈ [C 0 (Ω)]∗ se e só se. o funcional linear associado será C∞ 0 (IR3 ) 3 g 7→ g(0) ∈ IR. em C∞ Z hν. f i denota o valor do funcional α em f. não é difı́cil mostrar que este funcional linear é contı́nuo. ∀g . que é conhecido como Teorema da Representação de Riesz-Markov. notamos que é possı́vel definir-se uma medida a- 0 . Seja Ω um conjunto aberto ou fechado em IRm . mostre que a extensão de g dada por ( g(x) se x∈Ω g˜(x) = 0 se x ∈ IRm \Ω 6 Consulte [22. (Como exemplo. Ω Resumimos este resultado. um subconjunto aberto ou fechado de IRm . Apostilas Ideal . a medida de Dirac. Exercı́cio 87 Dados Ω. como n ∞ no caso de distribuições. Aqui. temos que: M (Ω) = [C∞ 0 (Ω)]∗ . para a verificação da continuidade de α. se ν for igual a δ. 51]. ∀g ∈ C∞ Ω Usando as propriedades da integral. um aberto em IRm e g. g(y) dν(y) . Faremos uso deste fato. NOÇÕES DE MEDIDA E INTEGRAÇÃO 133 O dual de C∞ 0 (Ω). abaixo: Teorema 86 (Riesz-Markov)6 Dado Ω. definimos um 0 (Ω) pela fórmula abaixo funcional linear. dando-se um funcional linear contı́nuo través de sua atuação em C∞ 0 em C∞ . hα. denotado por [C 0 (Ω)]∗ é o conjunto dos funcionais ∞ 0 (Ω).

Resulta que M (IRm ) ⊂ M (Ω). de novo. generalizam a medida de Dirac. Além disso. . 1]→IR3 uma função injetora e diferenciável e. ∀g ∈ C∞ j=1 Os números reais a1 . hN } : N 0 (IR3 ) . 1])). X hA. gi = g|C dl C Z 1 . definem medidas de Radon. gi = aj g(hj ) . . denote por C. A aplicação pertence a C∞ 0 (Ω) −→ C 0 (IRm ) i : C∞ ∞ g 7→ ig = g˜ 0 (Ω) pode ser considerado um subconjunto de é injetora e portanto. não todos iguais. . são os pesos. SOLUÇÕES DE DIPERNA-MAJDA 0 (IRm ). Assim dado µ em M (IRm ) restringindo-se sua atuação a C∞ 0 m 0 (Ω). . (a) (Dimensão zero) Medida não uniforme sobre os pontos {h1 . (b) (Dimensão um) Medida uniforme sobre uma curva: seja c : [0. a curva determinada pela imagem de c. . define-se aı́ um funcional linear. . (C = c([0. denote-o ainda por µ e mostre que µ ∈ M (Ω). C∞ C∞ (IR ). pelo Teorema de Riesz-Markov. aN . Defina a medida: Z hK.134 CAPÍTULO 9. São singulares com respeito à medida de Lebesgue. Exemplo 88 O leitor deve verificar que os funcionais lineares apresentados a seguir são contı́nuos em C∞0 . . .

dc .

.

0 (IR3 ). .

= g(c(s)) .

.

(s).

.

define-se a medida Z hN. (c) (Dimensão um) Medida não uniforme sobre uma curva: seja a uma função não constante em C 0 ([0. ∀g ∈ C∞ 0 ds onde f |A denota a restrição da função f ao conjunto A e dl denota o elemento de comprimento da curva. gi = g|C a dl C Z 1 . 1]). ds.

dc .

.

.

= .

g(c(s))a(s) . 0 (IR3 ).

(s).

.

definir uma medida em S 2 = {x ∈ IR3 | ||x|| = 1}. analogamente. ∀g ∈ C∞ 0 ds Observação: Assuma que |c(s)| = 1 para todo s em [0. Então pode- mos. 1 . 1]. ds.

dc .

Z .

.

hN. gi = 0 (S 2 ) = C 0 (S 2 ). g(c(s))a(s) .

(s).

.

∀g ∈ C∞ . ds.

0 ds Apostilas Ideal .

IR3 ). Define-se uma medida em IR3 através da fórmula: Z hK. 1]). 1]. 1] × [0.9. cuja imagem define uma superfı́cie M e seja a uma função “peso” em C 0 ([0. gi = g|M dS M Z 1Z 1 . 1] × [0. NOÇÕES DE MEDIDA E INTEGRAÇÃO 135 (d) (Dimensão dois) Medida não uniforme sobre uma superfı́cie: seja u uma função injetora em C 1 ([0.2.

∂u ∂u .

.

.

.

s2 ) . = g(u(s1 . s2 ))a(s1 .

.

× ds1 ds2 . 0 0 ∂s1 ∂s2 .

∀ φ ∈ C0∞ (Ω). Exercı́cio 89 (Medidas são Distribuições)7 Dados um aberto Ω em IRm e µ uma medida em M (Ω). Apostilas Ideal . unif φn −−→φ. pode se construir uma medida não uniforme a partir de U . onde dS denota o elemento de área da superfı́cie. respectivamente. defina o funcional iµ em C0∞ (Ω) pela fórmula Z hiµ . 7 Compare com o primeiro parágrafo desta seção. (e) (Dimensão dois) A medida uniforme sobre a esfera unitária é dada por: Z hU.5) Ω Mostre que iµ é uma distribuição pertencente a D 0 (Ω). gi = g|S 2 dS 2 ZSπ Z π = g(cos θ sen φ. para tanto basta multiplicar o integrando na integral acima por uma função peso não constante. 8 Denotaremos a distribuição iµ por µ apenas. 8 Pode assumir que C0∞ (Ω) é denso em C∞ 0 0 (Ω). dado φ ∈ C∞ (Ω). é injetora e. cos φ) sen φ dθ dφ 0 −π onde φ e θ são. φi = φ(y) dµ(y). existe sequência {φn } tal que. isto é. Use o Teorema de Riesz-Markov. sen θ sen φ. quando n → ∞ . Observação: E’ claro que a medida U pode ser definida em C 0 (S 2 ). Mostre ainda que a aplicação i : M (Ω) → D 0 (Ω) µ 7→ iµ . (9.5). Além disso. portanto. os ângulos de longitude e de latitude da esfera. podemos considerar M (Ω) como um subconjunto de D 0 (Ω). com iµ definido em (9.

φ ∀ φ ∈ C0∞ (Ω. Apostilas Ideal .6) é solução genera- lizada de DiPerna-Majda da equação de Euler. Temos então o seguinte resultado: Proposição 91 Seja {v  } sequência de soluções fracas de Leray-Hopf da equação de Euler para um fluido incompressı́vel satisfazendo adicionalmen- te (8. φt + hT. (Dica: Use Exercı́cio 83. uma função v0 em L2loc .136 CAPÍTULO 9. e de Riesz-Markov que são expostos em. e uma distribuição T ∈ D 0 tais que9 D0 v  −* v 0 e.) C∞ 9. se D E v 0 . Definição 90 Considere uma sequência de funções {v  } satisfazendo con- dição 8.1. φi → v 0 . e se v for incompressı́vel no sentido das dis- tribuições. Então o campo de velocidades v 0 dado em (9. Dada uma sequência de funções {v  } satisfazendo a condição 8. ∇φi = 0 ∀ φ ∈ C0∞ (Ω.7).1). A função v 0 definida a partir da sequência v  como em (9.7) ou seja. isto é.1. IR3 ⊗ IR3 ) . +∞). Φi ∀Φ ∈ C0∞ (Ω. IR3 ) com div φ = 0 . então µ⊥ν. é possı́vel mostrar-se (mas não o faremos aqui) que existem uma subsequência de v  (ainda denotada por v  ). [51]. IR3 ) e hv  ⊗ v  . 9 Isto decorre dos Teoremas de Banach-Alaoglu.3 Soluções Generalizadas Seja Ω um aberto limitado em IR3 ×(0. (9. ν ∈ M (Ω) mostre que se suppiµ ∩suppiν = ∅. Φi → hT. de Riesz. SOLUÇÕES DE DIPERNA-MAJDA A este respeito vale comparar as noções de mutuamente singulares e de distribuições com suportes disjuntos. (9. Especificamente. D E hv  .6) D0 v  ⊗ v  −* T . (9. Teorema de Riesz-Markov e densidade de C0∞ em 0 .8) onde T é definido em (9. por exemplo.6) é solução generalizada de DiPerna-Majda da equação de Euler para um fluido incompressı́vel se satisfaz a lei generalizada de conservação do momento. verifique o seguinte resultado: Dadas µ.

Neste caso. Hi a matriz Z hΓ. representando Apostilas Ideal . v v H(v) = ⊗ . Se Γ é uma medida em M (S 2 ). IR3 ⊗ IR3 ).2). Da convergência acima e da incompressibilidade de v  . SOLUÇÕES GENERALIZADAS 137 Demonstração A lei generalizada de conservação do momento é satis- feita e a verificação é imediata a partir de (9.7) implica D0 div v  −* div v 0 .6) e (9.7). é diferenciável e é solução generalizada mas não é solução fraca (nem clássica). o campo de vetores limite do exemplo de persistência de oscilações do capı́tulo anterior. Um exemplo mais simples é fornecido por uma sequência constante v = v onde v é uma solução fraca de Leray- Hopf. e conclui-se da Proposição que v é uma solução generalizada de DiPerna-Majda.3. temos as sequências de soluções exibindo persistência de oscilações e desenvolvimento de concentrações. Hi = H(v) dΓ(v) . é fácil mostrar que (9.1) é ainda verdade que existe uma sub- sequência que. uma vez que v  é solução fraca da equação de Euler. uma vez que. existe uma famı́lia de medidas de probabilidade definidas em S 2 .9. além de satisfazer (9.7). Estrutura das Soluções Generalizadas Dada uma sequência satisfazendo (8. Além disso. (veja Figura 9. segue-se a de v 0 . v 0 = v e T = v ⊗ v. S2 Então. pa- rametrizada pelos pontos do espaço-tempo. |v| |v| (E’ claro que são desnecessários os denominadores |v| na expressão acima uma vez que |v| = 1 para v em S 2 ). Seja H ∈ C 0 (S 2 .6) e de (9. satisfaz D0 |v  |2 −* ν onde ν pertence a M + (Ω). Há aqui uma quebra com a “tradição”. Como casos particulares em que esta Proposição se aplica. Não mais é verdade que um campo de velocidades em L2loc será solução generalizada se e somente se for solução fraca. Mais vale. denota-se por hΓ. do capı́tulo anterior.

O Teorema de Young trata da representação do limite fraco da sequência de funções obtida da composição de uma função não-linear com uma sequência de funções limitadas na norma do sup.138 CAPÍTULO 9. com (x. é o valor esperado da variável aleatória (matri- cial) H. T no seguinte sentido10 : Para cada (x.t) (v) : Φ(x. para a medida de probabilidade Λ(x. H . Φi = Λ(x.t) . Denote a famı́lia Λ(x. Finalmente.t) . t) do espaço-tempo. Z D E hT. Λ(x. t) ∈ Ω existe Λ(x. Ω S2 D E Fixe (x.t) ∈ Prob(S 2 ) tal que D E T = Λ(·. t) dν(x. H : Φ(x. é uma generalização do Teorema da Medida Pa- rametrizada de Young. SOLUÇÕES DE DIPERNA-MAJDA Figura 9. t) ∈ Ω por Λ. no ponto (x. no sentido das distribuições. t) . Em linguagem de probabilidade.t) . dada pela inte- gral entre parêntesis acima. t). ∂ 0 ρ v + ρDiv (hΛ. div v 0 ∂t 10 Este resultado é provado em [15]. H dν isto é.·) . t) ZΩ Z  = H(v) dΛ(x. concluimos que v 0 é solução de Di- Perna-Majda da equação de Euler se. t) dν(x. Hi dν) + ∇p = 0. usando Proposição 62.2: Fibrado trivial de esferas. A generalização considera sequências obtidas da composição de funções não lineares com sequências de funções limitadas em L2 .t) ∈ Prob(S 2 ). Apostilas Ideal .

que é propor- cional a T .3. z)|2 a(x. desta vez.4) e. (de fato igual a −ρT ). t) = |v(x.t) é análoga à do Exemplo 88c. t.t)|) onde δh . do capı́tulo anterior. Em situações mais complexas. δh . Exemplos E’ fácil verificar que a estrutura detalhada das soluções de Leray-Hopf é como a seguir. a medida de probabilidade Λ(x. parametrizados por z ∈ [0. z)| |v(x. a medida de probabilidade para a qual h ocorre com probabilidade 1. z) = e. isto é. v 0 = v. z) = |uz (x. t) dxdt onde e0 foi obtido em (8. a curva u e o peso a.t)/|v(x. denota a medida de Dirac em h. onde. por v(x. Na próxima subseção escrevemos as triplas (v 0 . t) ∈ Ω. z) u(x. tem também estrutura mais complexa. 1]. z)| e0 com v definido em (8. com h em S 2 . Nesta situação o campo de velocidades limite v 0 foi dado em (8. Vejamos isto no exemplo de intensificação de oscilações no limite. dν = e0 (x. |v(x. Fixado (x. g = g(h) ∀g ∈ C 0 (S 2 ) .9. dν(x. t. tem-se que 1 . SOLUÇÕES GENERALIZADAS 139 para alguma distribuição p. t. t)|2 dx dt e Λ(x.8). são dados. t. o tensor da força inercial. Λ) correspondentes às sequências de soluções da equação de Euler do capı́tulo anterior.t) = δ(v(x. ν. respectivamente.6) e temos que. t.

∂u Z Z .

.

.

t. t. t)(v) = f (u(x. f (v) dΛ( x. z))a(x. z) .

.

z). t. (x.

.

presente no exemplo do capı́tulo anterior. exibe um comportamento semelhante no que diz respeito à Apostilas Ideal . O aparecimento de concentração num ponto.t) não é mais a distribuição de Dirac num ponto. dz. no que diz respeito à sua influência sobre a força inercial. S2 0 ∂z Notamos neste exemplo a indefinição da direção do vetor velocidade limite. uma vez que Λ(x.

[11] e [34]. Estes Cenários Turbulentos são bastante comuns em fluxos reais. as caracterı́sticas fundamentais de Turbulência são: 11 Veja. a sala de seminários escureceu e uma voz trovejante ordenou a alma impudente a se retirar ime- diatamente. Tratando-se de um exemplo bidimensional. Se- gundo Lugt [40. 120]. foi a possibilidade de conside- rar modelos mais simples que ainda exibissem comportamento complexo e algumas das propriedades da Turbulência em Fluidos. a esfera aqui se trata do cı́rculo unitário. Temos ainda que Λx é a medida de probabilidade uniformemente distribuida no cı́rculo unitário S 1 .11 exibindo variações repentinas da velocidade no tempo e no espaço. O Grande Equacionista desvendou uma bela teo- ria e rapidamente a sala de seminários celestial estava repleta de fórmulas harmoniosas. das equações de Navier-Stokes. e Sistemas Dinâmicos (veja [49]). tendo motivado desenvolvimentos em outras áreas. [61]. nas áreas de Sistemas de Leis de Conservação Hiperbólica. Apostilas Ideal . S1 −π 2π ou seja. O estudo de fenômenos de Turbulência em Fluidos e em outras partes da Fı́sica. Z Z π dθ f (v) dΛx (v) = f (cos θ. em tais casos. e espectral).140 CAPÍTULO 9. com boa precisão. (respectivamente dimensional. por exemplo. seja c(θ) = (cos θ. SOLUÇÕES DE DIPERNA-MAJDA “dispersão” da probabilidade na esfera unitária. exemplos muito estudados. res- pectivamente. em especial. A complexidade do movimento de fluidos. deixa antever as dificuldades de entendimento teórico a da obtenção de soluções numéricas. [40]. Repentinamente. pág. então. sen θ) . Aliás. a motivação inicial para a introdução da equação de Burgers e da equação de Lorenz. ele perguntou ao Artı́fice acerca da Teoria da Grande Unificação (GUT). 9. estas equações são simplificações. sen θ). A distribuição limite da velocidade é v 0 = 0. é uma área de pesquisa onde tem havido intensa atividade ao longo das últimas décadas. Einstein então pergun- tou acerca da Teoria da Turbulência.4 Última Seção Abrimos aqui um parêntese para contar uma anedota: Quando Einstein morreu e foi para o Paraı́so. (veja [17]). Encorajado por aquela resposta divina. (veja [35]). e a de |v  |2 é ν = δ0 . dΛx = dθ/2π. os desdobramen- tos de situações instáveis. Em particular.

Antecedendo uma resolução turbulenta de um fluxo há usualmente pre- sente uma discrepância nas intensidades das várias forças presentes. através do surgimento de “Turbulência”. (d) Turbulência não é um processo puramente estatı́stico. (b) Turbulência é um processo de troca. a regularização dada pela Equação de Navier-Stokes quando a viscosidade vai a zero. existem dentro dela. limites de regularizações desta mesma equação. criando uma situação instável. (Como. de grandes redemoinhos para peque- nos. em geral. de longa duração. ou uma regularização por discretização numérica quando o parâmetro de discretização vai a zero). abranger fenômenos turbulentos. (forças de viscosidade. por exemplo. Crê-se que a “harmonização” propiciada pela Turbulência seja um pro- cesso no qual as leis fundamentais de conservação para o movimento de fluidos não sejam violadas. o qual é muitas vezes mais rápido do que a difusão da vorticidade num fluxo “laminar”. no limite.4. uma vez que estruturas coerentes de vorticidade. que esta noção aceita como solução da Equação de Eu- ler. externa e “força inercial”). A noção de solução Diperna-Majda da Equação de Euler incompressı́vel foi introduzida com o intuito de dar conta da complexidade de fenômenos exibidos por sequências de soluções da Equação de Euler e para. ÚLTIMA SEÇÃO 141 (a) Turbulência é um movimento irregular de um fluido no qual quantidades fı́sicas como a velocidade e a pressão oscilam no espaço e no tempo.9. Já mencionamos anteriormente e repetimos por ênfase. de pressão. A “harmonização” de tal situação “conflitante” se dá. então. possivel- mente. (Consulte [40]). (c) Energia é transportada. esta noção de solução é centrada na idéia de manter válida uma Lei apropriada de Conservação do Momento e a continuidade das variáveis fı́sicas. Apostilas Ideal . Além disto. em particular da energia cinética e do momento.

SOLUÇÕES DE DIPERNA-MAJDA Apostilas Ideal .142 CAPÍTULO 9.

das curvas (x(τ ). o parâmetro s variando em um intervalo. Suponha que exista uma solução u(x.1) u(γ(s)) = u0 (s) . y(τ )) .1). uma curva derivável γ(s) = (γ1 (s). temos um problema de valor inicial. y) . b. y(τ )). y)uy = c(x. y(τ )) que sa- tisfazem o sistema de equações diferenciais ordinárias ( x0 = a(x. São dadas as funções reais deriváveis a. y) y 0 = b(x. y)ux + b(x. y(τ )). 0) é o eixo dos x. usando a regra da cadeia: d u(x(τ ). y) (A. limitado ou ilimitado. y(τ )) = x0 (τ )ux (x(τ ). y) de (A. c e d.1). Dadas uma solução u(x. ou em um aberto de IR2 . definidas em IR2 . Como caso particular. y(τ )) + y 0 (τ )uy (x(τ ). y) e uma curva caracterı́stica (x(τ ).1) é uma função derivável u que satisfaça a equação diferencial e assuma o valor prescrito u0 (s) sobre a curva dada γ(s). quando y = t denota o tempo e a curva inicial γ(s) = (s. Pode-se obter in- formações muito úteis a respeito de u através do estudo das curvas integrais do campo vetorial (a(x. y). b(x. e uma função real derivável u0 (s). Uma solução de (A. y)). γ2 (s)).Apêndice A EDPs lineares de 1a ordem Consideramos neste Apêndice o problema de Cauchy para uma equação di- ferencial parcial linear de primeira ordem: ( a(x. dτ 143 Apostilas Ideal . ou seja. Tais curvas são denominadas curvas caracterı́sticas da equação diferencial parcial em (A. y)u + d(x. cal- culemos a derivada em relação a τ da função composta u(x(τ ).

y(τ ))ux (x(τ ). γ2 (s)) . Isto implica que o valor de u fica determinado ao longo de toda uma curva caracterı́stica. y(τ ))uy (x(τ ). (A. o lado direito da equação anterior é igual a a(x(τ ).4) significa que o vetor tangente à curva inicial é não-paralelo ao campo vetorial (a. Suponhamos que a curva inicial seja cortada não-tangencialmente em todos seus pontos por curvas caracterı́sticas (veja a Figura A. EDPS LINEARES DE 1A ORDEM Figura A.2) Vemos então que u\ (τ ) = u(x(τ ). y(τ )) + b(x(τ ). γ2 (s)) 6= γ20 (s)a(γ1 (s). Apostilas Ideal . que é igual. para todo s . Esta hipótese é expressa pela inequação: γ10 (s)b(γ1 (s). basta se resolver um problema de valor inicial para a equação diferencial ordinária em (A.3). y(τ )) . desde que se conheça o valor de u em apenas um ponto da curva. y(τ )) . (A.4) De fato. Podemos levar esta idéia mais adiante e obter um método que nos per- mitirá obter explicitamente a solução u.144 APÊNDICE A. (A.2). y(τ )) + d(x(τ ). y(τ )) satisfaz a equação diferencial or- dinária du\ = g(τ ) .3) dτ onde g(τ ) denota a função dada em (A. y(τ ))u(x(τ ). (A.1: Curva inicial e curvas caracterı́sticas Como (x(τ ). b) em todos os pontos da curva γ(s).1). a c(x(τ ). devido ao fato de u ser solução da EDP em (A.1). Para tanto. y(τ )) é uma curva caracterı́stica.

s) = u(x(τ.8). Apostilas Ideal . Este resultado. y(τ. aplicado ao sis- tema formado por (A. s) denota a derivada em relação a τ de u(τ.5) e (A. s) = s t0 = 1 t(0. y(τ.1) dada por u(x. A condição (A. y)) (A. y) y(0. para cada s fixo. s).4) e do Teorema da Função Inversa. Substituindo esta função na solução u(τ. s(x. s) = γ1 (s) (A. s) = c(x(τ. que então. sabe-se da teoria das equações diferenciais ordinárias [55] que as soluções de uma famı́lia de problemas de valor ini- cial.6). s) como função de (x. deve necessariamente ser dada por (A. de fato. y). ser invertida. Reciprocamente.6).1). Note que os argumentos que usamos até agora pressupõem a existência da solução de (A.6) u(0. 0) = u0 (x) . s))u + d(x(τ. s). dada por (A. s) = u0 (s) onde u0 (τ.4) é então satisfeita.8). 1). y(τ.5) y 0 = b(x. dependendo diferenciavelmente de um parâmetro. s).1). obtemos então a solução de (A. permite demonstrar também a existência da solução de (A. s) −→ (x(τ. 0) e o campo caracterı́stico por (x2 . y(τ. y) = u(τ (x.7) obtemos (τ. Aqui a curva inicial é dada por γ(s) = (s. Exemplo 92 Resolvamos o problema de valor inicial ( ut + x 2 ux = 0 u(x. s)) . As curvas caracterı́sticas são obtidas resolvendo-se o sistema ( x0 = x 2 x(0.8) Que a aplicação em (A. Invertendo a aplicação (τ. definem uma função derivável também em relação ao parâmetro. y) x(0. é consequência de (A. s) = 0 . (A. sob a hipótese (A. s)) é então obtido resolvendo-se a famı́lia de problemas de valor inicial ( u0 (τ. s)) . 145 As curvas caracterı́sticas que cortam γ podem ser obtidas resolvendo-se a famı́lia de problemas de valor inicial abaixo (com condição inicial depen- dendo do parâmentro s): ( x0 = a(x. s). (A.4). y). O leitor interessado nos detalhes deve consultar [30] ou [57]. s). s) de (A. s) = γ2 (s) O valor de u(τ.7) pode.

dτ que é resolvida por u(τ.9) em (A. (A. As curvas caracterı́sticas podem ser obtidas resolvendo-se o sistema ( x0 = x x(0. s) = u0 (s) . y) . Consideremos o problema ( xux + yuy = nu (A. verificaremos que toda função que satisfaz a equação de Euler é necessaria- mente homogênea. t) = u0 − . xt + 1 (Verifique diretamente por substituição que a expressão acima define. para todo x. Podemos obter explicitamente τ e s em função de x e t. sen s) = u0 (s) . dando: x τ =t s=− . y) são per- pendiculares à curva inicial para cada s. s) = τ . t. s) = u0 (s) .11). isto é.) Exemplo 93 Dada uma função homogênea de grau n. Os vetores caracterı́sticos (x.10) Substituindo (A. Resolvendo um problema de Cauchy com dado inicial sobre um cı́rculo centrado na origem. y. Apostilas Ideal .11) u(cos s. de fato. conhe- cida como a equação de Euler para funções homogêneas.146 APÊNDICE A. s) = sen s . s) = cos s y0 = y y(0.10). sτ + 1 Note que as curvas caracterı́sticas neste exemplo são hipérboles (desenhe figura). uma solução do problema. onde u0 é periódica de perı́odo 2π. s) = − t(τ.6) para este exemplo resume-se a du = 0 u(0. é fácil ver que ela satisfaz a equação diferencial parcial em (A. EDPS LINEARES DE 1A ORDEM o que dá: s x(τ.9) tx + 1 A equação (A. (A. uma função u satisfazendo a equação u(tx. ty) = tn u(x. obtemos: x   u(x.

0) = u0 (x. i=1 as curvas caracterı́sticas sendo as soluções de x0i = ai (x) . que é claramente uma função homogênea. do tipo n X ai (x)uxi = b(x)u + c(x) . · · · . y. s) = cos s eτ y(τ. s) = u0 (s)enτ . dτ cuja solução é: u(τ. De (A. y. (A. θ) = u0 (θ)r n .12) Observe que as curvas caracterı́sticas aqui são semi-retas radiais. y. A condição análoga a (A. y) Apostilas Ideal . y. 147 de onde obtemos x(τ. t)u + d(x.1) também se aplicam a equações em IRn . t)ux + b(x.4) é o vetor caracterı́stico (a1 . s) = u0 (s) . Por exemplo. · · · . então. como querı́amos. Maior número de variáveis independentes Os argumentos que utilizamos para resolver o problema (A. em coordenadas polares: u(r. y.12). concluı́mos que p s é igual ao ângulo θ das coordenadas polares do ponto (x. A equação para u fica du = nu u(0.11) é mais facilmente descrita. para cada valor de s. n . i = 1. an ) ser não- tangente à superfı́cie inicial em cada ponto. O problema de Cauchy é posto prescrevendo-se o valor de u sobre uma hipersuperfı́cie (superfı́cie parametrizada por n − 1 parâmetros). s) = sen s eτ . t) u(x. A solução de (A. y) e que eτ = x2 + y 2 = r. t)uy = c(x. o problema de valor inicial ( ut + a(x.

r) = r  t0 = 1  t(0. r) . s. y. y. s. pois o vetor caracterı́stico (a. EDPS LINEARES DE 1A ORDEM satisfaz esta condição. s. t) y(0. s.148 APÊNDICE A. Apostilas Ideal . b. r. y. y. As curvas caracterı́sticas são dadas pelas soluções de  0  x = a(x. 0)). t)u + d(x. r) = 0 . r) = s y0 = b(x. e a equação para u se escreve como u0 = c(x. t) u(0. t)  x(0. r) = u0 (s. 1) nunca é tangente à hipersuperfı́cie inicial que é o plano t = 0 (parametrizado por (s.

2) pontualmente. o que é afortunado. ∞)). ∞) (B. x ∈ IRm .Apêndice B A Equação do Calor Iremos delinear as etapas que devem ser levadas a cabo na verificação que a função u definida por u(x. ∞)) C 2 (IRm × (0.1) IRm é solução clássica do PVI para a equação do calor em IRm : ( ut = 4 u em IRm × (0. 0) = f (x) em IRm onde f pertence a BC(IRm ). 149 Apostilas Ideal . t > 0. t) = e . |x−y|2 Z   −m − u(x. t) = (4πt) 2 e 4t f (y) dy. para x ∈ IRm e. 0) = f (x). t) = 0 para todo t > 0 e v(x. (4πt)m/2 1 Notamos que se v(x. uma vez que v não reflete o comportamento fı́sico da condução do calor. (B. u ∈ BC(IRm × [0. 1 Definimos o núcleo do calor em IRm : 1 |x|2 − 4t Km (x. Definição 94 Uma função u é solução clássica do PVI para a equação do calor se satisfaz a condição de regularidade. T e satisfaz (B. Não é contudo solução clássica pois a condição de regularidade não é satisfeita.2).2) u(x. 0) = f (x) então v satisfaz o PVI (B.

E’ imediatamente verificado que condição b é satisfeita.2) satisfaz a equação de evolução do calor2 . t) = Km (x − y. Veja os exercı́cios subsequentes. A noção de sequência de Dirac. (B. podemos escrever u definido em (B. t)f (y) dy . ∂t e use este resultado para mostrar que u definido em (B. ∞)). (b) a condição inicial e (c) a condição de regularidade. t) −* δ. para t > 0.1). 2 IRm Para demonstrar este fato em geral note que : Z Z +∞  Z +∞  e−|x| dx 2 2 2 = e−|x1 | dx1 ··· e−|xm | dxm IRm −∞ −∞ Z +∞ m −|z|2 = e dz . t→0. as três condições necessárias para que u seja solução clássica do PVI são que u satisfaça (a) a equação de evolução. (B.150 APÊNDICE B. ∞). lado esquerdo de (B. Verificação da condição a é proposta no próximo exercı́cio.4) é fácil de calcular se n = 2 desde que usemos coorde- nadas polares em IR2 . Exercı́cio 96 Mostre que o núcleo do calor é uma sequência de Dirac (em t). fazendo a convolução do núcleo do calor com a condição inicial f . isto é. 3 Dica: Use Exemplo 71 mas primeiramente verifique que: Z e−|x| dx = π m/2 . 2 Veja nota de rodapé à página 26. 3 D0 Km (·. Apostilas Ideal .4) −∞ Além disso. que é parte da condição de regularidade. Z u(x. é útil na verificação que u ∈ C 0 (IRm × [0. A EQUAÇÃO DO CALOR Repare que. desenvolvida no Capı́tulo 7. Exercı́cio 95 Mostre que ∂   −4 Km (x.3) IRm Evidentemente. t) = 0 em IRm × (0.

para concluir que a convergência em (B. t) = g(x).3) tende a zero quando t→ + ∞. (Pode. A- nalisando-se. Mostre que a função ( v(x. então por este último exercı́cio. Dê um contra-exemplo. fixada a condição inicial f . Faça isto. (Consulte [30. t) −−→ g(·). Capı́tulo 7]).5) é uniforme.1). termina-se a demonstração que u. então u(x.5) for uniforme. quando t→0 onde g ∈ C 0 (IRm ). é possı́vel adaptá-la ao limite em (B. Se a convergência em (B. ao invés. Apostilas Ideal .5). com cuidado. t > 0 w(x. consultar [21]). dado em (B. (Dica: função zero + translação).1 é a única solução no sentido da Definição 94 do PVI para a equação do calor. uniformemente em x. t = 0 é contı́nua. ∞).5) t→0 onde u é dado em (B. 151 Exercı́cio 97 Mostre que lim u(x. Exercı́cio 98 Seja v = v(x. t) ∈ C 0 (IRm × (0. ∞)) e assuma que unif v(·. a função u dada pela fórmula B. t).2). é solução de (B. Esta é uma condição necessária porém não suficiente para u ser contı́nua em IRm × [0. t) = f (x) (B. Finalmente observamos que. a prova do Teorema 72. Exercı́cio 99 Mostre que se f for uma função limitada. t) dada por (B.1).

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